Nova recessão ameaça economia global apesar de avanço de vacinas

índices gráfico bolsa mercado alta baixa coronavírus covid-19 (Getty Images)

(Bloomberg) — O novo avanço do coronavírus alimenta temores de uma nova recessão mundial, o que aumenta a pressão sobre bancos centrais e governos para que deixem de lado outras preocupações e tomem mais medidas para estimular a demanda.

Crescem as expectativas de que vacinas contra a Covid-19 estejam disponíveis já em dezembro, mas a distribuição generalizada levará meses e os casos voltam a aumentar em muitas grandes economias. Autoridades têm respondido com mais restrições para limitar a propagação do coronavírus às custas de uma atividade econômica mais fraca.

Economistas de Wall Street dizem agora que não demoraria muito para que as economias dos Estados Unidos, zona do euro e Japão encolham novamente neste trimestre ou no próximo, poucos meses depois de terem superado a recessão mais profunda em gerações.

Indicadores econômicos de dados de alta frequência da Bloomberg apontam para uma recessão dupla. Índices de manufatura da zona do euro divulgados na segunda-feira justificam essa preocupação, embora um indicador da atividade de empresas nos EUA tenha sido positivo.

Com isso, autoridades de política monetária ouvem pedidos de mais estímulos, mesmo quando bancos centrais já estão sobrecarregados. Enquanto isso, políticos dos EUA à Europa estudam o que podem e devem fazer com a política fiscal.

“Embora haja muita empolgação com o progresso do desenvolvimento de vacinas, não será a solução rápida que muitos esperam que seja”, disse o ministro de Comércio e Indústria de Cingapura, Chan Chun Sing. “Produzir doses suficientes, depois distribuir e vacinar uma população global significativa levará muitos meses, senão anos”, disse a repórteres na segunda-feira.

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Existe a preocupação de que os bancos centrais tenham ficado sem espaço para agir de forma decisiva e que mesmo condições financeiras ainda mais frouxas não impulsionariam a economia. O Fundo Monetário Internacional está entre os que alertam que os preços elevados dos ativos indicam potencialmente uma desconexão com a economia real e, portanto, podem representar uma ameaça à estabilidade financeira.

“Há um excesso de poupança e uma escassez de investimento”, que é o principal problema das economias desenvolvidas, disse a ex-presidente do Fed, Janet Yellen, que deve ser indicada como secretária do Tesouro do presidente eleito Joe Biden.

“Precisamos ter uma política fiscal, uma política estrutural diferente de apenas depender dos bancos centrais para alcançar um crescimento saudável”, afirmou no New Economy Forum da Bloomberg na semana passada.

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A China é a única grande economia que deve crescer em 2020, pois o controle do surto de coronavírus permitiu que as restrições fossem amenizadas meses atrás. Embora a recuperação chinesa liderada pelo comércio ofereça impulso ao mundo por enquanto, a China também é vulnerável à perspectiva global.

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Bancos centrais vendem ouro pela primeira vez em uma década

Gold bars and stock market (Petrovich9/Getty Images)

(Bloomberg) — Bancos centrais se tornaram vendedores de ouro pela primeira vez desde 2010, pois alguns países produtores aproveitaram os preços quase recordes para amenizar o impacto da pandemia de coronavírus.

As vendas líquidas totalizaram 12,1 toneladas de ouro no terceiro trimestre em comparação com as compras de 141,9 toneladas no ano anterior, de acordo com relatório do Conselho Mundial do Ouro (WGC, na sigla em inglês). As vendas foram impulsionadas pelo Uzbequistão e pela Turquia, enquanto o banco central da Rússia divulgou a primeira venda trimestral em 13 anos, disse o conselho.

Embora as entradas em fundos de índice tenham impulsionado o ouro em 2020, as compras realizadas por bancos centrais têm sustentado o metal precioso nos últimos anos. O Citigroup disse no mês passado que a demanda de bancos centrais pode voltar a subir em 2021, após ter desacelerado neste ano em relação a compras quase recordes em 2018 e 2019.

“Não é surpreendente que, nas atuais circunstâncias, os bancos possam recorrer às suas reservas de ouro”, disse Louise Street, analista-chefe do WGC. “Praticamente todas as vendas são feitas por bancos que compram de fontes domésticas, aproveitando o alto preço do ouro em um momento em que estão sobrecarregados fiscalmente.”

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No terceiro trimestre, os bancos centrais da Turquia e do Uzbequistão venderam 22,3 toneladas e 34,9 toneladas de ouro, respectivamente, disse o WGC. O Uzbequistão tem diversificado as reservas internacionais além do ouro enquanto reverte décadas de isolamento.

O ouro subiu para nível recorde em agosto, acima de US$ 2.075 a onça, antes de cair para cerca de US$ 1.900 nas últimas semanas. A demanda geral por ouro encolheu 19% no último trimestre em relação ao ano anterior, para o menor nível desde 2009, disse o WGC, em grande parte devido à contínua desaceleração das compras de joias. A demanda por joias na Índia caiu pela metade, enquanto na China a procura também é menor.

A queda das compras de joias foi parcialmente compensada pelo salto de 21% na demanda de investidores, de acordo com o WGC, que coleta dados do Fundo Monetário Internacional e Metals Focus. Barras de ouro e moedas responderam pela maior parte do aumento, à medida que os fluxos para fundos de índice diminuíram em relação aos trimestres anteriores.

A oferta total de ouro diminuiu 3% na comparação anual em meio à produção limitada nas minas, mesmo depois que restrições devido à Covid-19 foram suspensas em produtores como África do Sul.

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