Prefeitura de Porto Alegre terá assessoria de 50 entidades privadas

Em cerimônia nesta quarta-feira (29), a prefeitura de Porto Alegre oficializou a criação do Comitê Municipal de Desenvolvimento Econômico, para atuar como um braço de aconselhamento do Executivo. A ideia é que representantes de pelo menos 50 entidades ligadas aos setores da indústria, varejo e serviços, assessorem o governo na formulação e execução de políticas públicas para o crescimento econômico da Capital. O evento ocorreu no Instituto Caldeira, sede da pasta, e com a presença do diretor executivo da entidade, Pedro Valério; além do vice-prefeito Ricardo Gomes (DEM); e do presidente da Associação Comercial de Porto Alegre, Paulo Afonso Pereira além de dezenas de empresários.

O comitê terá dentre suas atribuições a responsabilidade pela criação de políticas públicas de promoção para o desenvolvimento econômico da cidade; a criação de estratégias de articulações com órgãos federais, estaduais, municipais e organizações não governamentais que possuem o mesmo objetivo; pronunciar-se sobre planos, projetos e ações sobre a temática; editar, consolidar ou alterar a legislação relativa ao desenvolvimento e ao crescimento econômico; e analisar os indicadores econômicos do município.

Após assinar o decreto que instituiu o grupo, o prefeito Sebastião Melo (MDB) destacou que esta parceria com a sociedade civil “é mais um compromisso que nasceu das urnas”. “O Comitê não é um espaço para reivindicação setorial, mas para tratar a economia, o desenvolvimento, a inovação, o licenciamento, e a segurança jurídica que fazem a diferença para uma cidade empreendedora”, enfatiza o prefeito.

Os representantes eleitos pelas entidades que integram o comitê irão se reunir mensalmente para buscar soluções que viabilizem a melhoria do ambiente de negócios, reforça o titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SMDET), Rodrigo Lorenzoni. “Quando o governo cria seu plano de ação para programas e projetos da cidade, um dos fatores que impactam é capacidade de entendimento do público alvo”, afirma o titular da SMDET. Ele presidirá o Comitê e coordenará os trabalhos, bem como apontará os representantes da sociedade civil por Portaria.

Membros de federações – como a Fecomércio, Fiergs, Farsul e Fetransul – da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV), da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA), do Instituto de Estudos Empresariais, do Instituto Cultural Floresta, da regional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-RS), do Sinduscon-RS, entre outros, acompanharam a promessa de que a partir da iniciativa haverá “construção conjunta” entre poder público e setor privado.

“Precisamos alinhar as expectativas, e entender nossos gargalos”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo. “Do bom debate nascem as boas decisões”, valorizou Melo. “Estamos dando todas as condições para Porto Alegre ser a cidade mais empreendedora do País.”

De acordo com Lorenzoni, a primeira reunião do Comitê ocorrerá em 30 dias e as sedes dos encontros serão itinerantes. Neste primeiro momento devem ser traçados os direcionamentos de diagnósticos, para só depois ser elaborado um plano de ação.

“Sabemos que ainda precisa enfrentar uma série de assuntos no que diz respeito à desburocratização, ao tempo de respostas do poder público para documentos solicitados, à digitalização de serviços, facilitar o ambiente para a inovação”, adianta o secretário. “Mas esta é uma leitura da prefeitura, agora queremos escutar o lado dos empreendedores. Será uma oportunidade para estabelecer os eixos que iremos trabalhar para melhorar as condições da cidade.”

A partir das agendas consolidadas, o que for de prorrogativa do Executivo será deliberado através de normativas e decretos; mas existe a possibilidade de alguns projetos passarem pelo Legislativo, explica o secretário da SMDET. “Haverá também a possibilidade de ser aberta a participação dos vereadores neste conselho”, observa Lorenzoni. Durante a cerimônia de instituição do Comitê, representantes das entidades demonstraram entusiasmo pelo espaço de discussão.

Atualmente, a Capital conta com 109.668 Microempreendedores Individuais (MEI) e outras 129.715 empresas registradas, totalizando 239.383 empresas ativas. De acordo com os dados da Endeavor, rede de indicadores de competitividade, Porto Alegre se encontra na 9ª posição na classificação geral de Cidades Empreendedores do Brasil.

Xalingo inaugura nova fábrica em São Paulo dando sequência a seu crescimento

A Xalingo está se expandindo pelo Brasil. A tradicional fabricante de brinquedos fundada em Santa Cruz do Sul, que completa 74 anos nesta quinta-feira (30), está inaugurando uma nova unidade fora do Rio Grande do Sul. A fábrica, localizada em Itupeva, no estado de São Paulo, tem previsão para iniciar as operações já no início de novembro. Apesar de ser mais conhecida no mercado por sua produção de brinquedos, a companhia atua ainda nos segmentos de equipamentos agrícolas e moldes industriais, e a nova fábrica também deve ajudar a consolidar a marca da empresa nestas novas áreas.

Esse movimento de crescimento da empresa iniciou ainda no ano passado. Em novembro de 2020, a empresa lançou o seu e-commerce próprio, disponibilizando ao público todo o seu catálogo de produtos de forma online. Em março deste ano, foi inaugurada a sua primeira unidade fora do Rio Grande do Sul, um centro de distribuição localizado em Barra Velha (SC). Agora, com a nova planta produtiva em São Paulo, a empresa dá mais um passo em sua caminhada de expansão.

“Todos esses movimentos, como a inauguração do centro de distribuição em Santa Catarina, e a abertura do nosso e-commerce, visam buscar uma proximidade maior com o nosso consumidor. Com a fábrica em São Paulo, estaremos presentes fisicamente no Sudeste, maior mercado do Brasil, tanto para entregar produtos de forma mais rápida quanto para reduzir custos logísticos”, informa Rodrigo Harsteln, presidente da Xalingo.

A empresa vem de um período recente de resultados expressivos. Apesar da crise econômica que se agravou no último ano em razão da pandemia, a Xalingo conseguiu obter um faturamento recorde em 2020, chegando a aproximadamente R$ 150 milhões. Esse sucesso é resultado de uma maior procura por brinquedos caseiros no ano passado, que fez a fábrica aumentar a sua produção, e também do retorno positivo que a companhia teve em suas outras áreas de atuação. Assim, conseguiram concluir a nova fábrica a ser inaugurada em São Paulo, com investimento de aproximadamente R$ 10 milhões e a expectativa de gerar 80 empregos diretos.

“No ano passado, nos adaptamos às adversidades, e a nossa empresa fechou um faturamento recorde. No presente ano, conforme o andamento dos negócios, projetamos um novo crescimento, de até 20% em cima do resultado do ano passado. Para completar, no ano que vem, a nossa expectativa é de crescer novamente, entre 10% e 20%, de repente chegando a R$ 200 milhões de faturamento”, afirma o presidente da Xalingo.

Além de fortalecer ainda mais a marca da Xalingo no segmento dos brinquedos, a inauguração da nova fábrica tem por objetivo consolidar de vez a marca da empresa também em suas outras áreas de atuação. Somadas, essas atividades já foram responsáveis por aproximadamente 25% do faturamento recorde que a empresa teve no último ano. Agora, com a planta de Itupeva em operação, a expectativa é de aumentar ainda mais essa fatia, pois esses outros serviços também funcionarão lá. Assim, além de aumentar o seu alcance para mais regiões do Brasil, a empresa também adequará a sua fábrica em Santa Cruz do Sul para melhor atender os clientes da região Sul, já que este também é um mercado muito forte, principalmente no segmento agrícola.

“A Xalingo já tem uma visibilidade muito grande na área de brinquedos. Por isso, esses nossos novos movimentos visam, além de nos consolidar nesse segmento, também fortalecer a nossa marca nas nossas outras áreas de atividades, onde ainda não somos tão conhecidos. Além de produtos, nós vendemos a nossa tradição, e a qualidade que sempre marcou a nossa atuação, e precisamos mostrar isso ao mercado com uma marca cada vez mais forte”, projeta Rodrigo Harsteln.

Consórcio Chimarrão recebe licença para subestação de energia em Gravataí

Na manhã desta quinta-feira (30), a subestação de energia do Consórcio Chimarrão em Gravataí recebe a sua licença ambiental de operação que permite o início do funcionamento do complexo. O empreendimento ganha em relevância, pois faz parte de um conjunto de obras no setor de transmissão que permitirão que o Rio Grande do Sul eleve significativamente sua capacidade para escoar energia.

O secretário estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, Luiz Henrique Viana, ressalta que a expansão energética regional e no Brasil é vital. “Vivemos uma grave crise de energia e aumentar a possibilidade de transmissão é muito importante”, frisa. Além da subestação gravataiense, o dirigente recorda que o mesmo grupo, há cerca de um mês, obteve licença para conduzir outros empreendimentos na área de transmissão dentro do solo gaúcho (linhas que somam 534 quilômetros de extensão). A própria subestação de Gravataí integra o sistema de linhas de transmissão de energia que liga a Região Metropolitana ao Sul do Estado.

Essas e outras obras estavam, inicialmente, sob responsabilidade da Eletrosul, porém a estatal não teve condições financeiras de ir adiante com os projetos, que acabaram sendo relicitados em 2018 e absorvidos por outros empreendedores, entre os quais o Consórcio Chimarrão. Somente esse grupo, que tem a CYMI Construções e Participações como líder, desenvolverá estruturas de transmissão no Rio Grande do Sul estimadas em R$ 2,4 bilhões.

A imposição de outro cronograma para os projetos, devido à necessidade de ofertá-los novamente, fez com que nos últimos anos o Rio Grande do Sul tivesse dificuldade de colocar novas usinas em operação por não ter meios de escoar essa geração. No entanto, com a retomada dessas obras de transmissão, o Estado volta a ter condições de disputar leilões de energia que são promovidos pelo governo federal para garantir a expansão da oferta elétrica.

Uma prova disso, é que nesta quinta-feira a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizarão o primeiro leilão de energia nova A-5 (cinco anos para a entrega da geração) de 2021, com uma participação expressiva do Rio Grande do Sul. Foram inscritos no certame 89 empreendimentos a serem desenvolvidos em território gaúcho, sendo 81 eólicos, cinco pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e três usinas a carvão. Os complexos somam uma potência de 4.148 MW (o que representa cerca de 40% da capacidade já instalada no Estado).

No total do País, o leilão registrou o cadastramento de 1.694 projetos, que alcançam 93.859 mil MW de potência instalada (praticamente metade da capacidade de produção de energia elétrica hoje no Brasil). As fontes habilitadas a participar da concorrência são a eólica, solar, recuperação energética de resíduos sólidos urbanos, hidrelétrica e termelétrica (biomassa, carvão mineral nacional e gás natural).

RS cria 11.801 vagas formais em agosto, aponta Caged

No Rio Grande do Sul, o mercado de trabalho formal registrou, em agosto, um saldo positivo de 11.801 carteiras de trabalho assinadas no mês passado, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho.

Esse foi o oitavo mês consecutivo de criação de vagas no Estado. Em julho, o saldo líquido foi de 14.202 vagas. O resultado do mês passado no Estado decorreu de 109.402 admissões e 97.601 demissões. Em agosto do ano passado, houve a criação líquida de 6.418 empregos formais.

No acumulado do ano até agosto de 2021, o saldo do Caged no Rio Grande do Sul é positivo em 118.816 vagas. No mesmo período de 2020, houve uma perda de 94.317 empregos formais no Estado.

O setor de serviços puxou a criação de vagas formais no Estado, com um saldo líquido positivo de 7.446 carteiras assinadas no mês passado. Em seguida vem o comércio, com 2.751 empregos. Construção civil gerou 1.825 vagas, e a agropecuária 102. O único setor que registrou perda líquida de empregos foi a indústria, com um saldo negativo de 323 vagas formais

Brasil

O saldo no mês é resultado de cerca de 1,8 milhão de contratações e 1,4 milhão de desligamentos no mês, de acordo com os números mensais apresentados pelo ministério por meio do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

O saldo positivo nacional em agosto também foi influenciado principalmente pelo setor de serviços (que abriu 180,6 mil vagas). O setor é seguido por comércio (77,7 mil), indústria (72,6 mil), construção (32 mil) e agropecuária (9,2 mil).

Reajustes de preços impactam no orçamento da maioria dos brasileiros

A queda da renda das famílias e o aumento do desemprego gerados pela crise vinculada à pandemia de Covid-19 no País têm levado os brasileiros a enfrentarem com maior dificuldade a alta de preços de produtos e serviços essenciais. E a pressão inflacionária é maior nas classes de rendas mais baixas. 

“O poder de compra do salário-mínimo em relação à cesta básica é o pior dos últimos 15 anos”, destaca a economista do Dieese/RS, Daniela Santi. Segundo ela, quem vive com até dois salários-mínimos “nem de longe” conseguem acompanhar a alta dos preços. “A perda do poder de compra é enorme e causou uma piora nas condições de vida da maior parte da população”, alerta.

Com o orçamento cada vez mais apertado, as famílias mais pobres estão tendo que parar de consumir alguns itens não só da alimentação, mas também de uso doméstico, destaca a economista e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maria Andréia Parente Lameiras. Ela lembra que alta da inflação que começou em 2020 puxada pelos alimentos da cesta básica, no início da pandemia, hoje é impulsionada pela crise hídrica, que encarece a energia elétrica.

“Locais que oferecem serviços cujo custo de luz encareceu, como os salões de beleza e os supermercados, passaram a repassar esse aumento da conta para o consumidor”, observa a economista do Ipea. Segundo  levantamento realizado pelo Instituto em agosto, enquanto a inflação das famílias de renda muito baixa e de renda baixa apontou altas de 0,91%, a das famílias de classe superior apresentou variação mais amena (0,78%). Desde janeiro, os núcleos de pessoas de renda baixa e média-baixa são os que apresentam as maiores taxas de inflação (5,9%). Já no acumulado em 12 meses, a inflação das famílias de renda muito baixa (10,6%) segue acima da registrada pela classe de renda alta (8%).

“A classe de renda mais baixa, que é muito afetada pela alta no valor da energia elétrica, também é impactada pelo preço do gás de cozinha, a ponto de muita gente estar utilizando fogão a lenha”, observa Maria Andréia. A economista afirma que estas são as mesmas pessoas que já deixaram de consumir proteína, eliminando carnes vermelha ou branca e ovos do cardápio alimentar. “Além de trocar o botijão de gás pela lenha por falta de recursos, muita gente está precisando substituir o jantar por um lanche, que muitas vezes não tem o valor nutricional necessário”, pontua.

Segundo o IBGE, o gás de cozinha encerrou 2020 com alta de 9,2%. Isso representa mais que o dobro da inflação de 4,5% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrada no ano passado. Já os números do Dieese/RS apontam que o botijão de 13kg registrou alta de 26,9% de agosto de 2020 para agosto de 2021. Quando a conta chega na classe média, ainda há os gastos com aluguel, condomínio, mensalidade escolar, plano de saúde, e serviços de comunicação, que, inflacionados, também pesam no orçamento.

Este peso, que começou centrado nos alimentos, passou para a conta de luz e de combustível e hoje está espalhado em vários segmentos não foi acompanhado do reajuste de salários. “Ao contrário das mais pobres, no caso da classe média, as famílias não chegam a cortar itens essenciais, mas passam a consumir marcas, produtos e serviços mais baratos, cortando apenas o que for supérfluo”, compara Maria Andréia. “Já a classe alta não chega a sentir o impacto da inflação.”

Levantamento do Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe) da Ufrgs, aponta que o Índice de Preços ao Consumidor – pesquisado semanal e mensalmente tendo como base as despesas de 565 famílias da Região Metropolitana de Porto Alegre apresentou no mês de agosto uma variação de 1,09%, influenciado expressivamente pelos produtos de alimentação. Nos últimos doze meses, o valor acumulado do índice é de 11,50%, enquanto que o acumulado no ano chega a 8,65%.

Ainda de acordo com o levantamento, em agosto de 2021 o reajuste da energia elétrica foi de 4,96%, respondendo por 13,86% da inflação, a previsão para setembro de 2021 é de que o reajuste na conta da luz seja superior ao verificado em agosto. Puxado pelo aumento da energia elétrica, o IPCA-15 ficou em 0,89% em agosto, segundo o IBGE. Esse resultado é o maior para o mês desde 2002, quando atingiu 1%. No ano, o indicador acumula alta de 5,81% e nos últimos 12 meses chega a 9,30%.

Frete e fator climático interferem no custo dos produtos

Com alto impacto nos custos, motoristas e entregadores de aplicativos seguem trabalhando sem reajustar o valor das viagens

Com alto impacto nos custos, motoristas e entregadores de aplicativos seguem trabalhando sem reajustar o valor das viagens
PATRICIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC

O atual aumento de preços disseminado entre os mais diversos setores da economia brasileira está vinculado principalmente à elevação do valor do combustível, uma vez que o frete de tudo que circula no País é repassado para o consumidor. “A alta constante dos preços dos combustíveis, reflexo da política de Preço de Paridade de Importação (PPI), adotada pela gestão da Petrobrás, continua a pressionar a inflação”, destaca o economista Cloviomar Cararine, da subseção do Dieese da FUP. Segundo ele, as expectativas são de permanência ou alta dos preços nos próximos meses, refletindo impactos da PPI.

No acumulado do ano até agosto, o preço da gasolina avançou 31,09%, enquanto o do diesel acumula alta de 28,02%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Isso interfere nos negócios antes de chegar às residências dos brasileiros em forma de produtos e serviços mais caros. De acordo com a 12ª edição da Pesquisa de Impacto da Pandemia nos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), A alta no preço das mercadorias e os sucessivos aumentos nos combustíveis têm sido os fatores que mais têm pressionado os custos das pequenas empresas.

O presidente do Sebrae, Carlos Melles, destaca que os gastos com insumos, mercadorias e combustíveis foram citados como os que mais impactam os negócios por 63% dos microempreendedores individuais (MEI) e por 61% das micro e pequenas empresas. “Se somar a esses números as despesas com gás e energia elétrica, eles sobem para 76% para os MEI e 77% para as MPE”. Custos com aluguel foram citados por 13% dos MEI e por 15% das MPE.

Quando analisados por porte da empresa e setores, a alta dos preços das mercadorias e combustíveis exercem pesos diferentes. Apesar dos dois itens seguirem o mesmo grau de importância entre os microempreendedores individuais (MEI) e as micro e pequenas empresas, o preço dos insumos têm um impacto maior nas MPE (39%) do que entre os MEI (35%), e o preço dos combustíveis pesa mais nos microempreendedores individuais (28%) do que nas micro e pequenas (22%).

Esse resultado é reflexo de muitas atividades que existem mais em determinados portes e perfis, como por exemplo motoristas e entregadores de aplicativos, que são na maioria das vezes microempreendedores individuais, homens e que dependem do combustível para trabalhar. Mas, ao contrário da maioria dos produtos e serviços, esta conta ainda não está sendo repassada para os usuários. Conforme o IBGE, os preços das viagens realizadas por carros que trabalham através de aplicativos não aumentou. Pelo contrário: estão 14,34% menores no acumulado do ano se for considerado o cenário nacional, e 24,08% mais baratos em Porto Alegre.

Por outro lado, a Capital gaúcha viu crescer em 5,49% o preço das passagens dos ônibus urbanos e em 3,46% as dos ônibus intermunicipais. Atualmente custando R$ 4,70, a tarifa de ônibus de Porto Alegre é a mais cara entre as capitais do Brasil. Em nível nacional, a variação de preços desde janeiro deste ano foi de 1,25% para os veículos urbanos e 1,02% para os intermunicipais. 

Setor de aluguéis muda base de cálculo para conter aumento dos preços

Moacyr Schukster afirma que preços dos aluguéis devem aumentar a partir de março do ano que vem

Moacyr Schukster afirma que preços dos aluguéis devem aumentar a partir de março do ano que vem
JONATHAN HECKLER/arquivo/JC

Afora a dificuldade para manter o padrão na alimentação, nos serviços básicos e no uso de transportes públicos, também há, entre a maioria dos brasileiros, a preocupação com o preço do aluguel e do condomínio. Conforme o IBGE, no País a variação dos reajustes para locação de imóveis residenciais entre janeiro e agosto está em 3,43% enquanto a dos preços dos condomínios ficou em 2,62%. Em Porto Alegre, o índice para aluguel é maior (4,03%), mas, em compensação, fica abaixo da média nacional quando se trata do reajuste dos condomínios (1,23%). 

Na Capital gaúcha, a variação no acumulado de 12 meses (de setembro de 2020 a agosto de 2021) para o preço das locações de imóveis residenciais é ainda maior: 8,92%, enquanto a do preço médio por metro quadrado para o mesmo produto está em 9,62%. Segundo o presidente do Secovi/RS, Moacyr Schukster, este patamar é baixo se for considerada a referência de 31,12% (em agosto) para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que “sempre foi o indexador de aluguéis”. 

“Devido às oscilações do dólar, este índice aumentou muito e as locações atreladas ao IGP-M ficaram caras demais”, comenta Schukster, explicando que o mercado optou por manter os valores de acordo com o IPCA. Ou seja: foi preciso mudar a base de cálculo para conter o aumento dos preços dos aluguéis em plena pandemia de Covid-19. 

“O setor de locações sofreu bastante com a elevada devolução de imóveis, especialmente na área comercial, no período de isolamento social, quando muitos negócios foram encerrados, e a maioria dos profissionais liberais começou a trabalhar em casa”, observa o dirigente.

Ainda de acordo com Schukster, a variação no preço médio de metro quadrado dos imóveis comerciais no acumulado do ano foi de 10,77%. Ele pontua que, comparado à alta de preços de outros produtos e serviços, os reajustes dos aluguéis estão em patamares baixos – e destaca o esforço das imobiliárias para que as negociações entre proprietários e inquilinos fossem satisfatórias para ambos os lados. 

O dirigente alerta, no entanto, que por conta desta relativa “estagnação” dos preços, há um aumento represado, que deve ocorrer assim que a economia mostrar sinais de melhoras. “O IGP-M variou 66,46% nos últimos cinco anos, enquanto a evolução do preço médio do metro quadrado dos imóveis ofertados no período foi de 3% a 4%”, compara o presidente do Secovi-RS.

Segundo Schukster, o período de pandemia foi “o império das negociações”. “Mas isso está, aos poucos, se ajustando, e acredito que em breve o mercado deve normalizar”, opina. Segundo o dirigente, por conta do atual cenário “este é o momento” certo para agir, no caso de quem está pensando em locar um imóvel. “A expectativa é de que em março de 2022 a pandemia já esteja sob controle, e a partir daí os preços devem aumentar”, adverte. 

Ainda que o mercado esteja “contendo os valores”, calculando os preços a partir do IPCA (ao invés do IGP-M), quem vive de aluguel sente no bolso a variação, por “menor” que seja. Para se ter uma ideia, segundo comparativo publicado na última pesquisa do Secovi/RS, a locação por metro quadrado de imóveis residenciais teve variações bastante consideráveis quando se colocam o mês de agosto de 2021 frente a agosto do ano passado. Entre os bairros que tiveram maior alta no preço dos aluguéis, estão os Vila Jardim (117,6%), Pedra Redonda (45,9%), Medianeira (30,3%), Três Figueiras (26,1%) e Vila Assunção (25,6%). 

Na carona destes aumentos, ainda há que se calcular o reajuste da taxa da água, de 5,57% na Capital gaúcha (frente a de 3,32% no restante do País).

Manter as contas em dia se tornou um desafio para a classe média

Para quem paga plano de saúde, e também precisa equilibrar os gastos para manter em dia a mensalidade escolar dos filhos, investir em material de construção para a manutenção da casa, e manter ativo os serviços de comunicação, o desafio é grande. A não ser que se trate de uma família de renda alta, todos estes custos estão ajudando a pressionar a balança orçamentária de boa parte dos brasileiros.

Em agosto, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo IBGE foi de 0,99%, a menor variação desde agosto de 2020. No entanto, no acumulado dos últimos 12 meses, a taxa é de 22,74%, o que leva o mesmo índice para o maior da série histórica. Já o acumulado de janeiro a agosto de 2021 ficou em 14,61%.

Segundo o gerente do Sinapi, Augusto Oliveira, “a  alta de preços de materiais de construção acontece em todos os estados da Região Sul, e o custo nacional da construção por metro quadrado, que em julho havia fechado em R$ 1.448,78, passou para R$ 1.463,11 em agosto. “Deste total, R$ 866,89 são valores relativos a materiais e R$ 596,22 destinados a mão de obra.”

“No acumulado do ano, o pessoal sentiu a alta nos valores do material de construção para pequenos reparos dentro de casa”, confirma a pesquisadora do Ipea, Maria Andréia Parente Lameiras. “O Ipca teve alta de 6,2% no setor de construção, mas alguns itens encareceram mais, a exemplo dos pisos (16,5%) e do material hidráulico (18%)”, detalha a economista.

Para Oliveira é preciso admitir que “o principal destaque em agosto é que esta é a menor taxa dos últimos 12 meses, chegando muito próxima a agosto de 2020 (0,89%)”. De acordo com o Sinapi, a parcela dos materiais apresentou variação de 1,62%. Mas os números levantados pelo IBGE mostram que a variação de preços para reparos em casa teve alta de 6,22% no acumulado do ano. Em Porto Alegre, este índice foi um pouco menor: 5,40%

“Os bens de uma maneira em geral estão mais caros”, pondera a economista do Ipea. Ela comenta que, ao contrário de itens impulsionados pela elevação do preço da energia elétrica, os serviços de comunicação encareceram de outra forma. “Neste caso, foi a lei da oferta e procura. A demanda cresceu muito, com as pessoas em isolamento, buscando alternativas de lazer dentro de casa.” Não à toa, os serviços de streaming tiveram variação de 11,52% entre janeiro e agosto. 

Maria Andréia lembra ainda que também o advento do home office exigiu uma melhora nos planos de internet, o que gerou aumento da demanda nas operadoras. Na Capital gaúcha, esses serviços tiveram alta de 1,51% no acumulado do ano. Já os custos da mensalidade escolar de quem tem crianças pequenas inflaram em 4,09% no País e 2,28% em Porto Alegre, no caso das creches; 6,15% e 6,71% respectivamente, no caso dos serviços de pré-escola; e mais de 5% e acima de 4% (Brasil e Capital gaúcha) nos ensinos Fundamental e Médio. 

No caso dos serviços médicos e dentários pagos de forma particular, a alta no acumulado do ano foi de 2,92% no Brasil e de 2,70% em Porto Alegre. Já os planos de saúde variaram os preços entre janeiro e agosto com uma inflação de 2,56% em território nacional e 3,20% na Capital do Rio Grande do Sul.

Presidente da Petrobras descarta mudança na política de preços dos combustíveis

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, descartou mudança na política de preços dos combustíveis, o PPI, em coletiva de imprensa convocada em cima da hora para tratar dos preços dos combustíveis e gás liquefeito de petróleo (GLP). Essa é a primeira coletiva de imprensa da qual o general participa.

“Continuamos trabalhando da mesma forma, acompanhando a paridade internacional e o câmbio, analisando permanentemente para ver se as oscilações são conjunturais. Fazemos nossos acompanhamentos de preços”, disse o general, ressaltando que a empresa está sendo diretamente afetada por cenários externos, como a valorização do petróleo no mercado internacional.

Em sua fala, Silva e Luna repetiu o argumento utilizado pela empresa em publicidade recente, na qual destaca os investimentos feitos em toda cadeia, antes de o combustível ser entregue em suas refinarias.

Um grupo de Estados recorreu à Justiça pedindo que a empresa retirasse a campanha do ar, porque, segundo eles, a petrolífera, com essa campanha, tentou responsabilizá-los pela alta dos preços dos combustíveis.

“Sabemos que a simplificação tributária é uma reivindicação antiga, mas esse é um trabalho que não cabe à Petrobras. A Petrobras presta o serviço de arrecadação”, disse Silva e Luna, acrescentando que a empresa vem agindo para ampliar a oferta de gás para térmicas.

Ele citou o aumento da capacidade de terminais de regaseificação, para permitir a importação de gás. Segundo o general, a empresa triplicou a oferta de gás nessa fase de crise hídrica.

Tendências de consumo surgidas na pandemia aproximam o local das vocações globais

Das mudanças comportamentais registradas ao longo da pandemia, a ampliação do acesso aos meios digitais se destaca entre as principais. E com as novas configurações de trabalho, estudo, lazer, consumo e de relacionamentos surgiram também as tendências de consumo do mercado on-line, como analisa pesquisa conduzida pelo Centro de Design e pelo Laboratório de Criatividade da Universidade Feevale. Desde o início do ano, um grupo de 15 professores, pesquisadores e voluntários se dedica ao monitoramento desse retrato do momento, com o intuito de traduzir o atual movimento dos gaúchos e sua influência sobre a indústria criativa regional.

Coordenado pelos professores Renata Fratton Noronha, Cristiano Max Pereira Pinheira e Vanessa Valiati, o estudo, ainda em andamento, mapeou comportamentos de consumo de moradores de cerca de 46 municípios do Estado, e ouviu, até agosto, mais de 260 pessoas. “Nos voltamos para o momento dos gaúchos em meio à pandemia e identificamos microtendências e comportamentos locais que se espelham às tendências internacionais, como a busca por soluções tecnológicas e inteligentes, a evasão dos centros urbanos, o turismo regionalizado e a prática da terapia on-line para manutenção da saúde mental”, aponta Renata.

Segundo a pesquisa, as sessões de terapia feitas remotamente, com pacientes diretamente de suas casas, são uma tendência nova e que deve permanecer no pós-pandemia. Entre os entrevistados do estudo, 51,3% disseram conhecem alguém que faz terapia on-line e 24,9% admitiram frequentar as sessões nesse formato. “Se antes essa possibilidade parecia inusitada, já se consolidou. E isso acompanha o movimento intenso de cuidados com a saúde e o bem-estar durante a pandemia, onde muitos exercícios também foram mantidos no formato on-line”, completa a coordenadora do estudo.

Opções de turismo em locais que permitam uma fuga do espaço urbano e priorizem o contato com a natureza também foram destaque entre os pesquisados. Para 53,6% deles “trilhas, cachoeira e convívio com a natureza” estão entre as preferências momentâneas, além da opção de “conhecer novos lugares através de experiências gastronômicas”, que somou com 42,1% das escolhas.

Essa tendência ao “escapismo” do ambiente residencial e de proximidade com a natureza prevalece também em função do esgotamento das pessoas em relação às restrições impostas pela pandemia e ao “fique em casa” que marcou os últimos meses. “O sair de casa tornou-se algo mais que necessário para as pessoas e, nesse sentido, o contato com a natureza vem sendo priorizado”, comenta Renata.

Nesse contexto, as mudanças comportamentais elencadas pelos gaúchos também impactam diretamente na indústria criativa, que não tem mais como pensar em consolidar um negócio viável sem adotar o formato híbrido. “Não basta apenas estar presente nas redes sociais, mas ter um e-commerce para a venda de produtos, por exemplo. São vocações globais que se aplicam aos negócios locais e é um caminho sem volta”, analisa a coordenadora da pesquisa.

Após medidas de restrição social, terapia on-line se consolida entre os gaúchos

Para a psicóloga clínica e professora de Psicologia da Feevale, Michele Terres, a busca por cuidados com a saúde mental através da terapia on-line é uma tendência que veio para ficar. Regulamentada em 2018, a prática ainda encontrava resistência entre grupos de terapeutas e pacientes, mas tornou-se a única válvula de escape para muitas pessoa desde o início da pandemia.

“As pessoas começaram a não ter mais espaço para colocar suas dificuldades pra fora. Antes, se tinham alguma ansiedade em lidar com alguma coisa iam pro shopping, passeavam, faziam uma compra ou uma viagem. Quando a gente tem uma privação social, tem que se colocar isso em outro lugar. A convivência maior entre as famílias também provocou isso, e essa busca por terapia on-line e saúde mental vem como uma tendência em função desses aspectos”, relata.

Há três anos conduzindo sessões on-line, a terapeuta conta que costumava atender na modalidade majoritariamente pacientes residentes em outros estados, no entanto, as restrições da pandemia fizeram com que os demais pacientes também migrassem para o formato digital. No momento, todo os seus atendimentos seguem sendo feitos on-line, e, inclusive, muitos pacientes já relataram  a intenção de não retomar à presencialidade, pela comodidade e otimização de tempo.

Michele destaca, ainda, que não vê diferença nos resultados dos processos terapêuticos conduzidos on-line e presencial. “A internet funciona como um meio para se expressar, não percebo dificuldade em trabalhar on-line e tenho atendido todos os meus pacientes assim no momento, pois a máscara dificulta ver as expressões das pessoas para a retomada da sessão presencial. Mas, claro, também é preciso avaliar se o cliente se adequa bem a isso, comenta.

O perfil dos pacientes atendidos remotamente é composto por homens e mulheres com problemas relacionados a crises de ansiedade, pânico, ou que não conseguem lidar com as dificuldades do momento pandêmico, e precisam de apoio emocional. “Normalmente os problemas não são atuais, mas se intensificaram durante a pandemia”, conta Michele.

Ela complementa também que, aliado ao aumento da demanda, já há o entendimento de terapeutas que pesquisam mais a fundo o tema de que pode se oferecer uma terapia de qualidade no modelo on-line. “Vejo que realmente vai se tornando uma tendência, maior entre executivos e profissionais liberais, pela facilidade de economia de tempo”, finaliza a terapeuta.

Empresários cobram do governo Bolsonaro protagonismo na agenda ambiental

“O mundo precisa, com urgência, caminhar para uma economia de baixo carbono e o setor empresarial no Brasil reconhece sua responsabilidade nessa transformação”. Assim começa uma carta assinada por 107 grandes empresas sediadas no país, além de 10 entidades empresariais, que cobram um posicionamento mais firme do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) a respeito da crise do clima.

“Objetivos climáticos ambiciosos correspondem à nossa convicção de que o Brasil deve buscar o protagonismo nas negociações de clima”, diz o texto. “O Brasil deve manter a sua centralidade nesse diálogo, sob pena do enorme prejuízo ao setor produtivo e à sociedade brasileira”.

Quem lidera a iniciativa é o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável). O documento, intitulado “Posicionamento Empresários pelo Clima”, deve ser apresentado a representantes do governo brasileiro. O Ministério da Economia, de Paulo Guedes, aceitou nesta segunda-feira (27) participar do encontro e uma data está sendo agendada.

O CEBDS quer apresentar o documento também para os ministros Joaquim Álvaro Pereira Leite (Meio Ambiente), Carlos Alberto Franco França (Relações Exteriores) e Tereza Cristina (Agricultura).

Entre os signatários, estão empresas como Alcoa, B3, Carrefour, P&G, Embraer, Bradesco, Grupo Ultra, Shell, BRF, JBS, Klabin, Natura, Renner, Nestlé, Amazon, JSL, Korin, Marfrig, Mastercard, Vivo, Votorantim, Movida, Suzano, os escritórios de advocacia Tozzini Freire e Mattos Filho, além de entidades como Abimaq (máquinas e equipamentos), Abal (alumínio), Abag (agronegócio) e Amcham Brasil (Câmara Americana).

O documento já foi apresentado no mês passado a Alok Sharma, presidente da COP26, conferência do clima da ONU (Organização das Nações Unidas), que acontece em novembro em Glasgow, na Escócia. O evento deve entrar para a história como a conferência climática mais importante desde a realizada na França em 2012, quando se estabeleceu as bases para a assinatura do Acordo de Paris -que rege medidas de redução de emissão de gases estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global.

Na carta, os empresários dizem que “estão respondendo ao chamado expresso no Acordo de Paris, que, em 2015, conferiu ao setor produtivo protagonismo na defesa contra o agravamento e os efeitos das mudanças climáticas, em parceria com a sociedade civil e governos”.

Para os signatários do documento, o Brasil “tem vantagens comparativas extraordinárias” para alcançar uma economia de emissões líquidas de carbono neutras. Para isso, é preciso “desenvolver um arcabouço político-regulatório que apoie essa trajetória dentro de um compromisso firme com ações eficazes para a preservação do meio ambiente e o cumprimento das metas de combate ao desmatamento ilegal”.

As empresas ressaltam que esta é “uma oportunidade única do Brasil ser competitivo” e melhorar “as condições de vida da população”, em sintonia com as novas prioridades que pautam o desenvolvimento mundial.

“O setor empresarial brasileiro está engajado na recuperação do país dos efeitos da Covid-19, promovendo uma retomada verde (green recovery) fundada em bases de economia circular, de baixo carbono e de inclusão. Os CEOs signatários deste documento têm assumido posições e trabalhado por esse avanço em todo o país”, diz o texto.

O documento cita estudo recente, apoiado pelo CEBDS, que indica ser possível reduzir as emissões de GEE (gás de efeito estufa) em até 42% no Brasil já em 2025, em relação aos níveis de 2005.

Nesse sentido, a carta destaca os avanços representados pelo RenovaBio, a recém-aprovada política de pagamento por serviços ambientais (PSA) e o futuro mercado regulado de carbono no Brasil.

Os empresários dizem apoiar “a aderência a metas baseadas em conceitos científicos (Science Based Targets) e práticas de transparência financeira (Task Force on Climate-Related Financial Disclosures), com a adoção de mecanismos de financiamento para a promoção da transição climática e o combate integral e inequívoco ao desmatamento ilegal da Floresta Amazônica e de outros biomas brasileiros”.

Ressaltam, ainda, que é preciso desenvolver mercados de carbono voluntário e regulado no Brasil, cooperando para a criação de um mercado de carbono global no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC).

“Devemos construir uma trajetória orientada para um futuro de claros objetivos climáticos, sob pena de sermos excluídos de uma nova ordem climático-econômica que se consolida diante dos nossos olhos, o que seria injustificável para um país como o Brasil”, afirmam.

‘Caso Evergrande é uma implosão controlada’, diz economista

A crise financeira da incorporadora Evergrande, gigante do setor da construção civil da China, espalhou tensões pelos mercados de todo o mundo, mas não deve se tornar sistêmica como um “novo Lehman Brothers” (banco de investimentos americano que foi à falência em 2008, por causa da crise financeira iniciada no mercado imobiliário em 2007 nos Estados Unidos).

Essa é a avaliação do economista Leonardo Burlamaqui, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pesquisador do Instituto Levy de Economia, da Faculdade Bard, nos EUA. Em parte, porque a crise da companhia parece uma “implosão controlada” pelos reguladores chineses. Segundo o estudioso do desenvolvimento econômico da Ásia, os problemas da incorporadora ocorrem num momento em que a China conduz mudanças estruturais na economia.

O foco é o aumento relativo do peso do consumo, em detrimento dos investimentos, e a redução das desigualdades. Isso resultará em desaceleração do crescimento econômico, deixando para trás os avanços em torno de 10%, e exige uma “arrumação no meio de campo”, diz Burlamaqui. A seguir, os principais trechos da entrevista:

AE – O que a crise da Evergrande diz sobre a economia da China?

Eduardo Burlamaqui – Temos de colocar a Evergrande num contexto mais amplo. O presidente Xi (Jinping) assumiu, em 2013, ainda sob os reflexos da crise de 2008, após 20 anos de crescimento. É o maior fenômeno de crescimento (econômico) da história, mas isso gerou distorções. A entrada de Xi significa uma readequação do regime. Xi traz três bandeiras. A primeira é uma cruzada anticorrupção. A segunda é o risco financeiro. O terceiro risco é o aumento da desigualdade. Com esse contexto na cabeça, entendemos melhor todo o processo de “re-regulação” que os chineses estão fazendo agora, do qual a Evergrande faz parte.

AE – Como a incorporadora entra nesse contexto?

Burlamaqui – O setor de construção civil movimenta de 25% a 30% do PIB da China, é gigante. É um setor que se caracteriza por endividamento, tanto do ponto de vista das empresas, porque as obras são pesadas, quanto das famílias que estão comprando imóveis. Enquanto estamos nos endividando, mas estamos crescendo, realizando lucros, os salários estão subindo, com taxa de crescimento (econômico) de 10%, essas dívidas estão sendo pagas porque existem fluxo de caixa positivo, lucro, empregos e salário aumentando. Quando a taxa de crescimento começa a declinar, o que é o caso da China desde 2012 e 2013, surgem os problemas. A Evergrande foi um dos conglomerados mais atrevidos. Ao mesmo tempo em que fizeram muitos imóveis, contribuindo para a melhoria da situação da classe média chinesa, endividaram-se loucamente. Aí, eles caem na malha fina do Xi. Agora está na hora de arrumar o meio de campo.

AE – Como essa arrumação atinge a companhia? Vão deixar a empresa, que não é estatal, quebrar?

Burlamaqui – Não é o momento Lehman Brothers da China. É uma implosão controlada pelos reguladores chineses. Estão mandando recados há algum tempo. Vão salvar a empresa completamente? Não. A implosão controlada, provavelmente, vai tirar a direção da empresa. Provavelmente também, vão fazer uma hierarquia de credores: a família, o pequeno poupador, os fornecedores de insumos serão preservados. Para acionistas e credores internacionais, talvez, seja outra história.

AE – Qual a diferença com o caso do Lehman Brothers?

Bulrmaqui – É o oposto do Lehman Brothers. Na China, há um processo regulatório que age dinamicamente. Estão, o tempo todo, olhando para o mercado e intervindo de maneira muito frequente. As empresas têm liberdade para se endividar, até mais do que deveriam, mas até certo ponto. Se passam do ponto, após dar um ou dois recados, o regulador entra preventivamente. O Lehman foi uma explosão descontrolada, a Evergrande é uma implosão controlada. A regulação americana não entrou. Ela foi mudar após a crise. Os bancos (americanos) estão mais capitalizados, mas fizeram isso quase por instinto de sobrevivência.

Vivenda Scapini aposta na produção de azeite em Viamão

Um mercado que começa a ganhar força no Brasil e no Rio Grande do Sul, a produção de azeite, encontrou em Viamão um local para se desenvolver. A Vivenda Scapini, situada no distrito de Águas Claras, a cerca de 800 metros do pedágio da RS-040, está investindo nesse segmento em um projeto que começou em 2018 e que literalmente está prestes a render os primeiros frutos.

Atualmente, o empreendimento conta com aproximadamente 220 mil mudas plantadas, espalhadas por cerca de 190 hectares (o que corresponde a um pouco mais do que cinco parques como o da Redenção, em Porto Alegre). “Esse já é, hoje, o maior plantio de oliveiras no Brasil em único lugar”, afirma o proprietário da Vivenda Roger Scapini. A colheita experimental deverá acontecer no próximo ano e a produção em escala comercial iniciará em 2023.

Conforme o empreendedor, a cada sete quilos de azeitonas se consegue em torno de um litro de azeite. Quando todo o olival estiver produzindo, a capacidade será de oito a dez toneladas do fruto por hectare. No momento, o investimento no projeto, com o plantio das oliveiras, é da ordem de R$ 4 milhões, sem somar os recursos aportados na aquisição das terras. Por enquanto, trabalham no pomar 15 pessoas.

Scapini adianta que, futuramente, pretende expandir a área plantada. O objetivo inicial previsto é chegar a 230 hectares, o que permitiria ultrapassar o cultivo de 320 mil plantas. Ele explica que seria possível elevar esse número de forma relevante, porque o método de trabalho aplicado, chamado de superintensivo, prevê o adensamento das oliveiras.

A Vivenda operará com cinco variedades para azeite e duas para o consumo da própria azeitona, sendo que em torno de 90% da produção será voltada para obter o óleo. Scapini informa que é feita apenas uma colheita por ano, que ocorre entre o fim de fevereiro e início de março, dependendo da variedade da azeitona.

O empreendedor enfatiza que há um enorme potencial de mercado para o azeite no Brasil, já que o País importa perto de 99% do seu consumo. Ele pretende vender o seu produto em um empório que funcionará na Vivenda e também em estabelecimentos de terceiros. A marca que será estabelecida para a comercialização ainda está em processo de estudo.

Paralelamente ao negócio do azeite, será desenvolvido na Vivenda Scapini um empreendimento holístico. A proprietária Rosângela Scapini explica que a ideia é atuar com as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e possibilitar que as pessoas tenham um caminho para melhorar suas condições físicas, emocionais e espirituais. Serão realizadas atividades como acupuntura, reiki, ayurveda, entre outras iniciativas.

Rosângela adianta que haverá um centro de bem-estar e outro do saber, o primeiro atuando com ferramentas como yoga e alimentação e o segundo onde serão aplicados cursos, treinamentos e trabalhado o desenvolvimento das pessoas. “Vamos atuar muito com a vivência, a pessoa vem para se cuidar e entender o que está acontecendo com ela”, comenta. Os atendimentos deverão começar em abril de 2022.