Recompra de ações: 4 empresas do setor imobiliário estão com programas abertos; confira

(Shutterstock)

SÃO PAULO – Quatro companhias do setor imobiliário estão com programas de recompra de ações em andamento e duas já encerraram, totalizando operações de cerca de R$ 750 milhões. São elas JHSF (JHSF3), Eztec (EZTC3), Tenda (TEND3) e Moura Dubeux (MDNE3). Já BR Properties (BRPR3) e Even (EVEN3) encerraram o seu programa na semana passada.

A recompra de ações consiste na compra pelas companhias de suas próprias ações no mercado, seja cancelando-as ou utilizando-as para atender ao exercício de opções de compra dos papéis.

Na prática, a empresa está tirando de circulação parte do seu patrimônio líquido da Bolsa, seja para ajustar sua estrutura de capital e seus níveis de caixa, sinalizar que acredita no potencial de suas ações como para oferecer uma forma de remuneração substituta ao dividendo, dentre outros fatores.

No caso da Even, a quantidade de papéis a serem adquiridos foi limitada a três milhões de ações ordinárias, o que corresponde a 1,48% das ações em circulação no mercado. O encerramento foi aprovado na reunião do conselho de administração da companhia realizada no dia 12 de agosto de 2021.

Na JHSF, o limite é de 28 milhões de ações ordinárias, que representam, aproximadamente, 9,15% do total de ações em circulação no mercado. O programa tem vigência até 17 de fevereiro de 2023.

No caso da EZTec, o programa envolve até 5.035.897 ações. O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

Na Construtora Tenda, o conselho de administração aprovou o aditamento ao plano de recompra de ações, divulgado em dezembro de 2020, e poderá realizar operações com derivativos do programa, que tem validade até dezembro deste ano.

O programa da Moura Dubeux, que começou em abril deste ano, envolve até 5.715.759 de ações ordinárias e encerra-se em 19 de abril de 2022.

Já a BR Properties, assim como a Even, comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ela obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,9 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

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Em relatório, o Bradesco BBI avalia que a onda de programas de recompra envia um forte sinal da confiança das empresas no ciclo de negócios, apesar do recente colapso do valor de mercado do setor.

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O time de análise destaca que o setor já havia sinalizado uma compra da ordem de R$ 14 milhões por controladores do mercado imobiliário, com Tecnisa, MRV, brMalls, Plano&Plano, bem como Eztec entre os principais compradores. Desde então, as ações já perderam cerca de 26% na B3, em média, escreve.

“Destacamos que a recente crise do setor foi impulsionada pela deterioração das condições macroeconômicas, embora os fundamentos das empresas permaneçam predominantemente robustos”, completam os analistas do banco.

Além das empresas do setor de real estate, de construção e de shopping centers, a empresa de aluguel de veículos Movida (MOVI3) também anunciou nesta segunda-feira (23) o seu programa de recompra, de até 12.335.379 ações. A Locaweb (LWSA3) anunciou também programa de recompra na semana passada, projetando a compra de até 3 milhões de ações até 2023.

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Ações da Azul seguem alta da sexta-feira com notícia do WSJ sobre conversa com credores da Latam

SÃO PAULO – As ações da Azul (AZUL4) seguem com ganhos nesta segunda-feira (23) após a alta de 2,67% na última sexta-feira (20), que chegou a ser de quase 4% durante a última sessão.  Já às 10h59 (horário de Brasília) desta segunda, os ativos AZUL4 subiam 2,21%, a R$ 36,93.

A alta foi motivada após a notícia do jornal americano Wall Street Journal, citando fontes, de que a Azul tem conversado com credores para comprar as operações da rival Latam no Brasil.

De acordo com a publicação, a Azul estaria aberta para comprar a empresa inteira e depois vender operações em outros países. A empresa brasileira também estaria aberta a uma possível joint venture com a Latam para complementar seus negócios atuais no Brasil, conforme as fontes do jornal.

As companhias conversaram sobre um possível negócio no início do processo de falência, mas a Latam interrompeu as negociações porque os proprietários da empresa chilena não queriam abrir mão do controle do grupo, segundo destacou fonte ao WSJ.

As diferentes unidades nacionais da Latam entraram em processo de falência no ano passado em meio à turbulência causada pela pandemia. Um porta-voz da Latam informou que a empresa não tem intenção de vender sua operação brasileira, e que a companhia aérea espera apresentar seu plano de reorganização e sair da recuperação judicial este ano.

Por outro lado, com seu maior caixa da história e aproveitando a demanda represada por viagens por causa da pandemia de coronavírus, que impulsionou principalmente o turismo doméstico em 2021, a Azul já evidenciou a intenção de comprar a operação brasileira da Latam. Em live do InfoMoney, John Rodgerson, CEO da aérea, deu um recado aos deputados que estão analisando a possível operação: “olhem como a Azul mudou o país”.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Rodgerson destacou o desenvolvimento do setor aéreo nacional, parte estimulado pelos investimentos da Azul nos últimos anos. “Os deputados devem olhar isso [a aquisição da Latam pela Azul] por esse contexto. Se você olha outros países do mundo, Air Canada tem 70% do mercado aéreo canadense, Avianca tem 70% do mercado da Colômbia, a LAN tinha 85% do mercado do Chile. Parem de pensar que isso não pode ser benéfico e vejam as oportunidades”, afirmou o CEO.

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Commodities agrícolas: ainda fortes ou no fim do ciclo de alta? Confira a opinião de analistas e o impacto nas ações

Produção de soja, commodities, agricultura (fotokostic/GettyImages)

SÃO PAULO – Os preços das commodities agrícolas, em especial grãos como a soja e o milho, dispararam ao longo do primeiro semestre de 2021, o que teve impacto disseminado na economia brasileira. Tanto efeitos positivos, uma vez que o Brasil tem o perfil de exportador dessas commodities, quanto negativos, pois a inflação de alimentos e o setor de frigoríficos acabaram sentindo essa valorização.

A dúvida hoje é se essa trajetória de incremento nos valores dos grãos irá continuar pelos próximos meses ou se o superciclo já acabou.

Em números, é importante ressaltar que a soja teve um aumento de 12,9% no seu valor desde o fim do ano passado, atingindo R$ 173,75 a saca de 60 kg no fechamento da terça-feira (16) segundo dados da Esalq/BM&F Bovespa. O milho se valorizou ainda mais, acumulando ganhos de 27,01% até ontem, a R$ 99,89 a saca de 60 kg.

Segundo Leonardo Alencar, analista da XP, o cenário atual não permite análises de queda no preço de grãos até 2022. “A colheita de milho da safrinha [com plantio nos meses de fevereiro e março depois da colheita da safra principal] teve sucessivas revisões para baixo e como o preço está muito alto, há previsões até de possibilidade de aumento na importação de milho”, explica.

A estiagens e as ondas de frio recentes fizeram com que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisasse suas projeções para a safra total de 2021, que de recorde histórico agora é estimada em queda de 1,2% ante a anterior, totalizando 253,98 milhões de toneladas.

Para Alencar, esperar um fim no ciclo de alta de grãos e outras commodities agrícolas até 2022 enquanto a demanda global se recupera dos impactos do coronavírus e os efeitos climáticos adversos estão cada vez mais presentes é, no mínimo, temerário.

“Não vejo queda em 2022. Os preços devem, no máximo, mostrar acomodação até lá. Esperar queda, com os riscos climáticos atuais, está cada vez mais arriscado”, defende.

Essa avaliação é oposta à da equipe de análise do Bradesco BBI, que acredita que as commodities agrícolas estão no fim do seu ciclo de valorização.

O analista Leonardo Fontanesi escreve em relatório que historicamente os preços de commodities agrícolas têm ciclos de alta (como o que vem ocorrendo de 2019 a 2021) de dois anos, em média, com um incremento de aproximadamente 20% ao ano no valor de cada grão, ao passo que os ciclos de queda duram, em média, três anos e meio e os preços caem em torno de 10% ao ano.

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“Esperamos um declínio de 30% nos preços de produtos agrícolas até 2024, ao mesmo tempo em que o consenso da Bloomberg projeta uma retração de 15%”, ressalta Fontanesi.

Os motivos para essa previsão não são meramente estatísticos. O analista do Bradesco BBI considera provável que a China corte importações de produtos agrícolas até 2022 depois dessas compras avançarem 50% nos últimos dois anos.

“Este aumento nas importações ocorreu porque a China dobrou seu número de criação de porcos nos últimos dois anos, depois de perder animais para a peste suína africana de 2018, e precisava comprar comida para alimentá-los. A população de suínos da China é relevante para a agricultura global porque a carne de porco é de longe a proteína mais importante do país e as necessidades de ração da China são responsáveis ​​por aproximadamente 15% da demanda global de trigo, milho e soja”, destaca o Bradesco.

Todavia, desde junho de 2021, as margens da indústria de suínos chinesa se tornaram negativas com um excesso de oferta de porcos e custos mais altos de grãos. “Nós estimamos que os preços do milho na China (correlacionados com os EUA e o Brasil) têm que cair de 20% a 30% para que as margens voltem a convergir para a média histórica.”

A questão do plantel de suínos da China, por outro lado, não existe sem algum grau de controvérsia. Leonardo Alencar diz ver com ceticismo esse anúncio do país de que repôs os rebanhos perdidos durante a epidemia da febre suína.

“Na nossa leitura, o preço deve começar a subir novamente. Nos últimos tempos, os pecuaristas chineses voltaram a abater animais com medo da peste. Teremos ainda aquela demanda extraordinária que ocorre no ano-novo chinês [em 1º de fevereiro] e a população do país está consumindo cada vez mais carne, inclusive proteínas de origem mais diversificada, graças ao aumento da renda”, argumenta.

A opinião do analista da XP é que os preços cairiam apenas se a demanda recuasse devido a um recrudescimento da pandemia, mas que nem isso é certo, pois as últimas ondas da Covid-19 foram mitigadas pelo suporte de programas governamentais.

Na linha dessas projeções mais otimistas com grãos, a equipe de análise do Bank of America comenta que a Balança Comercial brasileira mostrou que as exportações de alimentos no segundo trimestre foram muito fortes em todos os quesitos, com os preços em dólares avançando dois dígitos na comparação com o mesmo período do ano passado.

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“O bom desempenho vem na hora certa, conforme as empresas sofrem no mercado doméstico com um desafiador pass-through [impacto da depreciação da moeda local na inflação] para os consumidores e custos em alta”, escrevem os analistas Guilherme Palhares e Isabella Simonato.

Para o segundo semestre deste ano, a equipe do BofA espera que a demanda chinesa e a reativação da cadeia global de serviços alimentícios sejam os principais catalisadores para volumes e preços, providenciando um impulso para a atual inflação de custos.

Frigoríficos sofrem

Enquanto empresas que vendem commodities agrícolas como SLC (SLCE3), Brasil Agro (AGRO3) e Terra Santa ([ativo=LAND3]) se beneficiam desse quadro de elevações no valor de grãos, frigoríficos como JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), Minerva (BEEF3) e, principalmente BRF (BRFS3), são impactadas negativamente.

Alencar destaca que aves e suínos têm alimentação quase que 100% composta de rações de milho e de farelo de soja. Como a BRF é a companhia do setor mais posicionada na venda de carne de aves e porcos, acaba sendo a mais afetada.

Marfrig e JBS, por sua vez, sofreriam impactos menores, pois o uso de grãos na dieta do boi ocorre apenas quando ele está em confinamento e as duas empresas têm ainda um outro trunfo, que são suas operações nos Estados Unidos.

“O cenário americano é de boa oferta e bons preços, com uma demanda muito aquecida nesta retomada pós-Covid. O maior problema para essas empresas no Brasil atualmente não é nem tanto o aumento dos custos como a demanda pressionada”, afirma.

Vale lembrar que no segundo trimestre de 2021, a Marfrig teve seu melhor desempenho histórico, lucrando R$ 1,7 bilhão, alta de 9% na comparação com o mesmo período do ano passado, com um resultado impulsionado pelos EUA.

A operação dos Estados Unidos, de acordo  analistas da XP, foi responsável por 96% do Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) total da Marfrig. O preço do gado aumentou 12% na comparação anual, mas o preço da carne bovina veio em linha com o segundo trimestre de 2020 e os spreads caíram 8,9%, algo que os analistas da casa veem como positivo.

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A JBS, por sua vez, teve lucro líquido recorde de R$ 4,4 bilhões no 2º trimestre. Na teleconferência de resultados, o CEO da companhia, Gilberto Tomazoni, apontou que o custo de produção dos animais vivos aumentou com a alta dos preços dos grãos, porém que a redução do volume de carne suína produzida, que foi impactada pelas condições climáticas e pela escassez de mão de obra combinada com o crescimento da demanda acima do esperado, impulsionaram o preço deste tipo de carne no mercado doméstico.

Já a BRF teve prejuízo líquido de R$ 199 milhões no trimestre, revertendo um lucro de R$ 307 milhões na base anual.

Na teleconferência de resultados, Lorival Luz, CEO da empresa, disse que cada vez mais o custo médio do estoque de grãos ou de outros insumos e matérias-primas da empresa vão aumentar. “Com os desafios desta safra e das próximas, de forma geral o custo de produção – e é visto já na margem do produtor – chegará a todas as empresas, todas as indústrias. O que traz a necessidade que exista o reequilíbrio sustentável da nossa operação”, defendeu.

Segundo o CEO, o caixa de R$ 9 bilhões do frigorífico, combinado com um valor relativamente baixo de vencimentos de curto prazo (R$ 700 milhões em 2021), permitem que impactos como o do atual patamar dos preços de grãos sejam mitigados.

“A companhia está absolutamente preparada, robusta, com uma liquidez financeira, suficiente para que atravessemos esse segundo semestre mesmo com um aumento de grãos, o aumento de custos que tivemos”, assegurou.

Falando especificamente do mercado de carne, o BofA ressalta que apesar da baixa disponibilidade de gado e da queda de 7% em volumes na comparação anual durante o segundo trimestre, os preços atingiram recordes históricos em junho.

“Em junho, os preços de carne bovina chegaram a US$ 5,20 por kg, valor 21% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado e 5% acima de maio”, destacam os analistas. Para eles, essa sequência de valorizações levou os preços no segundo trimestre a subirem 14% em dólar e 11% em reais.

“Nós acreditamos que uma performance assim poderia ser em larga medida explicada por uma crescente demanda da China depois que plantéis de porcos foram abatidos. A reativação do canal de serviços alimentícios e restrições de oferta tanto na Austrália quanto no Brasil devem continuar provocando alta de preços”, explica o BofA.

O banco lembra que as margens de exportação de carne atingiram uma média de 15% no segundo trimestre, estável na comparação com o trimestre anterior apesar do aumento de 5% no preço médio do gado.

Já o mercado de aves, segundo os analistas, foi destaque pelos fortes volumes e preços. O volume diário médio bateu 12,1 mil toneladas em junho, em um crescimento de 13% em relação ao segundo trimestre de 2020, ao mesmo tempo em que os preços em dólares aumentaram em 4%.

“A demanda internacional por aves deve se beneficiar diretamente da recuperação do canal de serviços alimentícios, especialmente na região do Oriente Médio, onde o consumo depende do turismo”, escreve a equipe do BofA.

Entretanto, o banco aponta riscos no horizonte vindos da Arábia Saudita, que representa 14% do mercado externo de aves do Brasil. O país tem banido importações de diversos frigoríficos.

Já em suínos, as exportações de carne de porco tiveram, segundo o BofA, mais um ótimo mês, com os volumes crescendo 11% na comparação mensal em junho e 12% na base anual, tornando-se o melhor mês da história em termos de volumes exportados pelo Brasil, em mil toneladas por dia.

“Os preços em dólar ficaram estáveis na comparação mensal em junho, mas cresceram 21% na comparação anual, totalizando US$ 2,60 por kg. No segundo trimestre, os volumes se expandiram em 25% na base trimestral e os preços melhoraram em aproximadamente 5% na mesma base, implicando um sonoro crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2020.”

Para os analistas, esse desempenho comprova a opinião do banco de que apesar da China estar recompondo o seu plantel de porcos, a produção ainda está baixa devido aos mais baixos níveis de rentabilidade da carne.

“Esperamos que a demanda continue forte no segundo trimestre depois da liquidação de estoques que ocorreu no primeiro semestre na região, o que beneficia exportadores brasileiros.”

Revisões do Bradesco

Devido à visão mais negativa dos seus analistas para commodities agrícolas, o Bradesco BBI revisou recentemente as recomendações para uma série de papéis.

Ambev (ABEV3) foi de neutro para compra em meio à aposta de que os custos agrícolas irão cair. “Leva cerca de 12 meses para que os preços das commodities reflitam nos resultados da Ambev dados os hedges, mas o mercado provavelmente irá antecipar ganhos mais fortes devido à queda nos preços agrícolas”, escreve a equipe do banco. O múltiplo valor de mercado da empresa dividido pelo lucro (P/L) da Ambev cairia, assim, de 20 vezes em 2022 (contra 23 vezes na média histórica) para 17 vezes em 2023, um patamar considerado atrativo.

O preço-alvo das ações ABEV3 é de R$ 21,00, o que corresponde a uma valorização de 19,73% sobre o nível de fechamento dos papéis na sexta-feira (20).

A São Martinho (SMTO3), por sua vez, teve recomendação cortada de compra para neutra. “Dada nossa visão mais baixista sobre os preços agrícolas, cortamos nossa previsão de preço do açúcar em cerca de 5% na média para 2022.”

O preço-alvo das SMTO3 projetado pelo Bradesco é de R$ 38,00, em um upside de 16,31% ante o fechamento da sexta.

Já a M.Dias Branco (MDIA3) foi mantida como a top pick do setor para o Bradesco, pois na visão dos analistas a fabricante de biscoitos e bolachas sofreu forte compressão na margem por conta do aumento nos custos agrícolas e, com preços mais baixos das commodities a partir do segundo semestre a margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita líquida) se recuperaria de 7% em 2021 para 16% em 2022.

O preço-alvo das ações MDIA3 é de R$ 40, o que equivale a uma alta de 22,29% na comparação com o fechamento da sexta.

Para os frigoríficos, as recomendações do Bradesco não foram alteradas, embora os analistas tenham elevado estimativas de Ebitda para 2021 e 2022 em 10% em média para JBS e Marfrig. As projeções a partir de 2023, por outro lado, foram reduzidas pela visão revisada das margens da carne bovina nos EUA com base na previsão de oferta de gado.

“Embora tenhamos reduzido nossas estimativas de custo de grãos para nossa cobertura de proteína (responsável por cerca de 30% dos custos totais para BRF e aproximadamente 12% para JBS, mas não é relevante para Marfrig), que impacta principalmente as divisões de frangos, suínos e alimentos processados dessas empresas, nós conservadoramente assumimos que este impacto será principalmente compensado por preços mais baixos de carne fresca, dado que o excesso de oferta de carne suína na China pode pesar sobre as importações, fazendo com que nossas estimativas da BRF mudem apenas ligeiramente.”

Os preços-alvos de JBS, Marfrig e BRF projetados pelo Bradesco são R$ 38,00, R$ 25,00 e R$ 32,00. Os upsides esperados até atingir esses valores são 19,84%, 24,01% e 34,74% respectivamente.

Abaixo uma tabela com um compilado da Refinitiv de recomendações de bancos, corretoras e casas de análise para as empresas citadas.

Empresa Ticker Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de venda Preço-alvo médio Valorização (upside) esperado
Ambev ABEV3 4 7 4 R$ 17,20 -1,94%
BRF BRFS3 4 8 1 R$ 28,69 +20,8%
JBS JBSS3 11 0 0 R$ 42,17 +32,99%
Marfrig MRFG3 8 4 0 R$ 23,36 +15,87%
M.Dias Branco MDIA3 3 4 2 R$ 34,81 +6,42%
São Martinho SMTO3 7 7 0 R$ 35,89 +9,86%

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Ação da Sabesp tem baixa de mais de 3% após salto de sexta; Vale cai com minério, Petrobras e PetroRio sobem com petróleo

SÃO PAULO – As ações da Sabesp (SBSP3) são destaque de queda, com baixa de mais de 3%, após a disparada de mais de 10% na sexta-feira.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada. Ele comentou as declarações do recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ), sobre a privatização da companhia, ressaltando que a privatização da companhia de saneamento é um projeto de “longo prazo”, não de curto prazo.

Os ativos da Vale (VALE3) tem queda de cerca de 1% em uma nova sessão de baixa para o minério de ferro, mas as ações de siderúrgicas avançam, com destaque para Usiminas (USIM5). Em relatório, o Credit Suisse destacou preferir Usiminas e CSN a ações de mineradoras no momento.

Papéis de petroleiras também avançam, com destaque para a alta de cerca de 3% de PetroRio (PRIO3), enquanto Petrobras (PETR3;[PETR4]) sobe mais de 1%. Os preços do petróleo saltavam 3% nesta segunda-feira, recuperando-se de uma sequência de sete dias de perdas, apoiados pela desvalorização do dólar, apesar das preocupações de demanda causadas pelo aumento no número de casos da variante Delta do coronavírus.

Já as ações da Azul (AZUL4) seguem com ganhos nesta segunda-feira (23) após a alta de 2,67% na última sexta-feira (20). A alta foi motivada após a notícia do jornal americano Wall Street Journal, citando fontes, de que a Azul tem conversado com credores para comprar as operações da rival Latam no Brasil.

De acordo com a publicação, a Azul estaria aberta para comprar a empresa inteira e depois vender operações em outros países. A empresa brasileira também estaria aberta a uma possível joint venture com a Latam para complementar seus negócios atuais no Brasil, conforme as fontes do jornal. Veja mais clicando aqui. 

Confira os destaques:

A Alliar informou que acordo de acionistas agora representa 50,46% das ações da empresa, com mais acionistas aderindo ao acordo.

Vale (VALE3), siderúrgicas e minério de ferro

O contrato mais negociado do minério de ferro em Dalian, para janeiro de 2022, fechou em queda de 1,1%, a 757 iuanes/tonelada, girando em torno de uma mínima de sete meses e meio, à medida que os controles de produção de aço e as restrições causadas pela Covid-19 na China pesam sobre o entusiasmo do mercado.

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Na bolsa de Cingapura, o contrato mais ativo do minério de ferro, para setembro, recuava 1,5%, a 136,60 dólares a tonelada.

“A perspectiva de menor produção dos altos-fornos no segundo semestre de 2021 frente ao primeiro agora é uma realidade, embora os embarques de minério de ferro da Austrália continuem decepcionando”, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities, que mantém um alvo de médio prazo de US$ 140 a US$ 170 a tonelada (CFR) para entrega à China.

Já os contratos futuros do coque e do carvão metalúrgico negociados na China atingiram nesta segunda-feira seus limites diários de alta de 8% e renovaram máximas recordes, à medida que rumores de mercado sobre uma suspensão das importações de carvão da Mongólia em função da pandemia de Covid-19 alimentaram temores de uma oferta mais restrita das matérias-primas siderúrgicas.

Os contratos mais negociados do carvão coque e do coque na bolsa de commodities de Dalian, para janeiro de 2022, escalaram máximas de 2.421 iuanes (US$ 373,01) por tonelada e 3.053,50 iuanes por tonelada, respectivamente.

A EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações.

O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

BR Properties (BRPR3)

A BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ela obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,888 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

A Movida, por sua vez, aprovou programa de recompra de até 12.335.379 ações.

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Uma unidade da Minerva Foods  em Palmeira de Goiás (GO) foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF) dentro da Operação A Posteriori, que apura supostas irregularidades de auditores fiscais federais agropecuários no período de 2018 a 2019, informou a companhia na sexta-feira.

Segundo a empresa, o procedimento, realizado na quinta, teve cooperação dos colaboradores da Minerva e a planta mantém suas atividades regulares.  “Não existe indiciamento ou denúncia contra a companhia, contra seus administradores ou qualquer de seus empregados ou colaboradores no âmbito da operação”, disse em comunicado.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada.

Ao comentar declarações do recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ), sobre a privatização da Sabesp, Doria ressaltou que a privatização da companhia de saneamento é um projeto de “longo prazo”, não de curto prazo.

“Nosso governo é desestatizante… A Sabesp já é de capital aberto, cotada em bolsa, com performance muito boa e bem administrada. Ao longo dos próximos anos, ela vai ser preparada evidentemente para um programa de privatização, mas não faremos isso de forma precipitada”, comentou Doria a jornalistas, no Rio de Janeiro. As declarações de Maia fizeram disparar as ações da Sabesp na sexta-feira.

A Braskem comunicou que não tem conhecimento sobre a realização de uma oferta pública de ações da companhia como uma possível estratégia de saída dos acionistas, em esclarecimento após notícia da Coluna do Broadcast.

A empresa diz que “não é parte de eventuais discussões de seus acionistas sobre a venda das suas participações acionárias”, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como esclarecimento de notícia veiculada na mídia.

Recomendações 

O Morgan Stanley iniciou a cobertura para as ações da Smart Fit com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 32, uma alta de 15% em relação ao fechamento de sexta-feira (20).

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O banco diz que a rede está posicionada para consolidar um mercado enfraquecido pela Covid, com uma histórico de crescimento e gestão fortes. Segundo o banco, a SmartFit está presente em 13 países, com 981 pontos, principalmente no Brasil, no México e na Colômbia, com 12% de participação do mercado na América Latina. Mundialmente, é quarta maior empresa de academias, e a maior fora dos Estados Unidos, diz o banco. Em 2010, a empresa tinha menos de 1% do mercado da América Latina, e o crescimento se deu principalmente com a abertura de lojas próprias, mas também com franquias. Apenas 6 unidades foram fechadas desde a fundação.

O banco diz que fusões e aquisições deverão impulsionar a empresa e vê uma taxa de crescimento anual composta de lojas próprias (CAGR em inglês) de 17% para o período entre 2019 e 2023.

Na última sexta, o  InfoMoney conversou com Edgard Corona, fundador e CEO do negócio, sobre o caminho até a oferta pública inicial de ações; o impacto da pandemia nos negócios; e planos após o IPO. Confira clicando no link a seguir. 

Já o Bradesco BBI iniciou cobertura para CBA (CBAV3) com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 19, ou alta de 73% em relação ao fechamento de sexta.

O banco diz que a tese de investimento na empresa se baseia em custo baixo de energia renovável e da bauxita, boas tendências globais de descarbonização, crescimento de projetos de crescimento com baixo custo e uma perspectiva positiva para os preços do alumínio.

O banco diz que prevê que o preço do alumínio chegue a US$ 2.500 por tonelada em 2022; e a US$ 2.300 por tonelada em 2023, enxergando tendências estruturais sólidas por conta de demanda de veículos elétricos, substituição do plástico, projetos de energia renovável, prédios “verdes” e com estrutura mais leve e exigências de descarbonização, que elevam custos e pressionam a produção.

O banco também diz que enxerga preços com desconto injustificado em relação a outras empresas do setor. Entre os riscos, o banco cita a possibilidade de custos de alumínio mais baixos do que o esperado, o que poderia ocorrer se a demanda da China não correspondesse à expectativa ou se a economia do Brasil piorasse.

O BBI também iniciou a cobertura para a ação do Banco Pan (BPAN4), com recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 26 para 2022  para os papéis BPAN4, potencial de alta de 35% em relação ao fechamento de sexta.

Os analistas do banco destacam visão positiva por conta do ecossistema que vem sendo construído pelo Banco Pan para produtos e clientes, a existência de um mercado relevante para seus serviços no Brasil, com 138 milhões de clientes e R$ 1,2 trilhão em empréstimos para uma população ainda não plenamente servida; forte número crescimento em número de clientes, com mais de 40 mil adições diárias no segundo trimestre; expectativa de crescimento acima da média de rendimento, com expectativa de taxa anual de crescimento composto (CAGR na sigla em inglês) para o período entre 2021 e 2023 de 35%, frente a 10% em média para os bancos sob cobertura do Bradesco.

Itaúsa (ITSA4), Itaú (ITUB4) e XP

A Itaúsa, em continuidade as notícias sobre o investimento do Itaú na XP, informou que as assembleias gerais extraordinárias – com o objetivo de deliberar sobre a incorporação das companhias – ocorrerão em 1º de outubro.

Considerando a fixação da data das AGEs e o cancelamento das ações de emissão da XPart em tesouraria, a relação de troca final será de 43,3128323 ações de emissão da XPart por 1 ação classe A da XP, ou 1 BDR por 1 ação também classe A. Aprovada a incorporação, a Itaúsa passará a ser detentora de 15,07% do capital total da XP e 4,74% de seu capital votante.

IPOs

A empresa de cibersegurança ISH Tech, com sede em Vitória, pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) em busca de recursos para financiar seu crescimento orgânico e via aquisições, além de investir em pesquisa. A empresa foi fundada em 1996 como consultoria em TI.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Após 7 dias em queda, preços do petróleo saltam 3% com desvalorização do dólar

Instalações de petróleo da Aramco Instalações de petróleo da Aramco (divulgação)

LONDRES (Reuters) – Os preços do petróleo saltavam 3% nesta segunda-feira, recuperando-se de uma sequência de sete dias de perdas, apoiados pela desvalorização do dólar, apesar das preocupações de demanda causadas pelo aumento no número de casos da variante Delta do coronavírus.

Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o petróleo Brent avançava cerca de 3%, a 67,11 dólares por barril, após ter atingido o menor nível desde 21 de maio, a 64,60 dólares.

Já o petróleo dos Estados Unidos (WTI) para entrega em outubro apurava alta de 2,85%, a 63,93 dólares/barril.

Ambas as referências haviam registrado na semana passada as maiores perdas semanais em mais de nove meses, com o Brent cedendo cerca de 8% e o WTI recuando por volta de 9%.

Muitas nações têm respondido ao aumento das taxas de infecção pelo coronavírus com a imposição de novas restrições de circulação.

“Esperamos ver mais ajustes nesta semana, mas o sentimento do mercado provavelmente permanecerá baixista, com o aumento das preocupações com a desaceleração da demanda por combustíveis no mundo”, disse Kazuhiko Saito, analista-chefe da Fujitomi Securities.

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Ibovespa Futuro sobe com exterior em meio a redução dos temores com variante delta na China; dólar futuro cai

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em alta nesta segunda-feira (23) com a recuperação dos principais índices acionários globais e do petróleo depois de muita preocupação na semana passada com a política monetária dos Estados Unidos, a variante delta do coronavírus e o ambiente regulatório da China. O barril do Brent sobe 3,22% a US$ 67,28.

Neste começo de semana, as notícias melhoram no âmbito da pandemia, e as autoridades chinesas informaram que não houve nenhum caso local de Covid-19 pela primeira vez desde julho, o que indica desaceleração da onda atual. Contudo, os investidores seguem monitorando o avanço da variante delta.

Os investidores ficarão atentos ao simpósio de Jackson Hole, que ocorre na sexta-feira (27) e deve trazer mais sinalizações sobre o ritmo da redução das compras mensais de títulos realizadas pelo Federal Reserve e também sobre quando os membros da autoridade monetária dos Estados Unidos esperam iniciar um ciclo de aumento dos juros.

Por aqui, governadores se reunirão para discutir a crise institucional. Depois do presidente Jair Bolsonaro apresentar ao Senado o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de São Paulo, João Doria, disse que a democracia do Brasil nunca esteve tão ameaçada desde o golpe de 1964.

Às 9h10 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em outubro de 2021 tinha alta de 0,38%, a 119.350 pontos.

Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra queda de 0,23% a R$ 5,37.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe dois pontos-base a 6,71%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de um ponto-base a 8,41%, o DI para janeiro de 2025 avança dois pontos-base a 9,58% e DI para janeiro de 2027 opera estável a 10,01%.

Ainda sobre o Fed, o presidente da autoridade monetária de Dallas, Robert Kaplan, um “hawk” (autoridade de posicionamento mais duro) bem conhecido, abalou as expectativas de aperto monetário na sexta-feira, dizendo que pode reconsiderar a necessidade de início precoce do aperto monetário se o coronavírus prejudicar a economia.

Já na Europa, o Índice do Gerente de Compras (PMI na sigla em inglês) Markit composto para a Zona do Euro, que traz dados sobre os setores de serviços e manufatura, registrou o menor patamar em dois meses em agosto, de 59,5 pontos, frente a 60,2 pontos. Qualquer patamar acima de 50 pontos indica expansão; abaixo, retração.

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Já o PMI composto da Alemanha caiu de 62,4 em julho para 60,6 em agosto, segundo dados preliminares divulgados nesta segunda-feira, 23, pela IHS Markit. Apesar da queda, a leitura bem acima da marca de 50 mostra que a atividade da maior economia da Europa segue se expandindo em ritmo forte neste mês, ainda que mais contido.

O índice composto do Reino Unido, por sua vez, caiu de 59,2 em julho para 55,3 em agosto, atingindo o menor patamar em seis meses, segundo dados preliminares divulgados hoje pela IHS Markit em parceria com a CIPS. Apesar de acima de 50, prévia de agosto ficou bem abaixo da expectativa de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam recuo marginal do indicador a 59.

Relatório Focus

As projeções dos economistas do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 foram elevadas mais uma vez, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. Esta semana, a mediana das expectativas para o medidor oficial de inflação subiu de 7,05% para 7,11% em 2021. Para 2022, por sua vez, as previsões foram elevadas de 3,90% para 3,93%.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), as projeções oscilaram para baixo mais uma vez, caindo de 5,28% para 5,27% em 2021 e de 2,04% para 2,00% em 2022.

Sobre o dólar, as previsões se mantiveram em que a moeda dos EUA encerre o ano cotada a R$ 5,10 e termine 2022 cotada em R$ 5,20.

Por fim, a mediana das estimativas para a taxa básica de juros, Selic, continuou em 7,50% ao ano tanto para 2021 quanto para 2022.

Covid 

No domingo (22), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 765, queda de 16% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 331 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.490, o que representa queda de 8% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 14.178 casos.

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Chegou a 122.830.226 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 58,01% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 55.068521 pessoas, ou 26,01% da população.

Pedido de impeachment de Moraes e LDO de 2022

Os investidores monitoram o novo foco de crise política, após o presidente Jair Bolsonaro ingressar, no fim da tarde de sexta-feira (20), com um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no Senado Federal.

A peça encaminhada ao Senado, no entanto, não deve prosperar, na opinião de senadores e consultores, e até mesmo o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a quem cabe dar ou não andamento ao processo, já adiantou que não identifica critérios que justifiquem a destituição do cargo do ministro do STF.

“Sinceramente não antevejo fundamentos técnicos, jurídicos e políticos para impeachment do ministro do Supremo, como também não antevejo em relação a impeachment de presidente da República”, disse o senador a jornalistas, defendendo que o episódio da apresentação do pedido de impeachment haverá de ser “superado”.

O presidente Jair Bolsonaro entrou na noite de quinta-feira com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação de artigo do regimento interno da corte que permite a instauração de inquéritos de ofício –sem um pedido do Ministério Público Federal, como foi o caso do inquérito das Fake News.

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), apresentada pela Advocacia-Geral da União em nome do presidente pede que o artigo 43 do regimento seja suspenso em decisão liminar até que seja julgado pelo pleno do STF.

A alegação é de que o uso do artigo do regimento interno para abrir investigações fere preceitos constitucionais e “os direitos fundamentais dos acusados nos procedimentos inquisitórios dele derivados”.

O inquérito visado pelo presidente foi aberto em março de 2019, de ofício, pelo então presidente da corte, Dias Toffoli, para investigar notícias falsas e ataques constantes aos membros do STF. O ministro Alexandre de Moraes, foi designado como relator, e se tornou um dos alvos da fúria de Bolsonaro.

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Moraes também foi responsável por acolher notícia-crime contra Bolsonaro por vazamento de informações sigilosas de investigação da Polícia Federal.

Ainda em destaque, Bolsonaro sancionou na sexta-feira a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022, mas vetou o trecho da proposta que ampliava o montante a ser repassado a fundo de financiamento eleitoral.

Ao votarem a LDO, parlamentares modificaram as regras Fundo Especial de Financiamento de Campanha, aumentando o montante a ser repassado ao fundo de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões.

Dentre os pontos sancionados, estão metas e prioridades estabelecidas pela LDO para a elaboração do Orçamento do próximo ano, como a meta de déficit primário de R$ 170,47 bilhões para o Orçamento Fiscal e da Seguridade Social e de déficit de R$ 4,42 bilhões para as empresas estatais, informou nota da Assessoria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

A parte sancionada da LDO considera como parâmetro macroeconômico crescimento real do PIB para o ano de 2022 de 2,5%, o IPCA em 3,5%, a taxa Selic em 4,74% e a taxa de câmbio média de R$ 5,15 por dólar.

A LDO também prevê salário mínimo de R$ 1.147 em 2022 como diretriz, mas o valor efetivo precisa ser estabelecido por medida provisória. Também foram vetados parcialmente rubricas referentes às emendas de comissões permanentes e às emendas do relator-geral do Orçamento.

Segundo reportagem de capa publicada nesta segunda pelo jornal O Globo, parlamentares começam agora a se articular para assegurar ao menos R$ 4 bilhões para as campanhas, o que seria mais do que o dobro do R$ 1,7 bilhão destinado aos partidos nas eleições gerais de 2018. Se não houver acordo, a derrubada do veto presidencial é uma alternativa estudada por congressistas, afirma o jornal.

Radar corporativo

No radar corporativo, a EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações. Já a BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações.

Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada.

EzTec (EZTC3)

A EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações.

O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

BR Properties (BRPR3)

A BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ele obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,888 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

Minerva (BEEF3)

Uma unidade da Minerva Foods  em Palmeira de Goiás (GO) foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF) dentro da Operação A Posteriori, que apura supostas irregularidades de auditores fiscais federais agropecuários no período de 2018 a 2019, informou a companhia nesta sexta-feira.

Segundo a empresa, o procedimento, realizado na quinta, teve cooperação dos colaboradores da Minerva e a planta mantém suas atividades regulares.  “Não existe indiciamento ou denúncia contra a companhia, contra seus administradores ou qualquer de seus empregados ou colaboradores no âmbito da operação”, disse em comunicado.

Sabesp (SBSP3)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada.

Ao comentar declarações do recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ), sobre a privatização da Sabesp, Doria ressaltou que a privatização da companhia de saneamento é um projeto de “longo prazo”, não de curto prazo.

“Nosso governo é desestatizante… A Sabesp já é de capital aberto, cotada em bolsa, com performance muito boa e bem administrada. Ao longo dos próximos anos, ela vai ser preparada evidentemente para um programa de privatização, mas não faremos isso de forma precipitada”, comentou Doria a jornalistas, no Rio de Janeiro. As declarações de Maia fizeram disparar as ações da Sabesp na sexta-feira.

Braskem (BRKM5)

A Braskem comunicou que não tem conhecimento sobre a realização de uma oferta pública de ações da companhia como uma possível estratégia de saída dos acionistas, em esclarecimento após notícia da Coluna do Broadcast.

A empresa diz que “não é parte de eventuais discussões de seus acionistas sobre a venda das suas participações acionárias”, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como esclarecimento de notícia veiculada na mídia.

IPOs

A empresa de cibersegurança ISH Tech, com sede em Vitória, pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) em busca de recursos para financiar seu crescimento orgânico e via aquisições, além de investir em pesquisa. A empresa foi fundada em 1996 como consultoria em TI.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Bitcoin supera os US$ 50 mil pela primeira vez em três meses

(Gerd Altmann/Pixabay)

SÃO PAULO – O preço do Bitcoin voltou a alcançar os US$ 50 mil no último domingo (22), atingindo o maior patamar desde maio deste ano em meio a uma retomada após a derrocada dos últimos meses.

Nesta segunda-feira (23), a criptomoeda era negociada a US$ 50.230,91 por volta das 8h20 (horário de Brasília), segundo o site CoinMarketCap. A última vez que o Bitcoin foi negociado neste patamar foi no início de maio.

A moeda digital atingiu o pico de US$ 65 mil em 14 de abril, mas depois perdeu metade de seu valor entre maio e junho, ficando abaixo de US$ 30 mil. Desde a máxima até 1º de agosto, o preço do Bitcoin recuou cerca de 37%.

Contribuíram para a queda o aumento do cerco regulatório na China, pressionando mineradores e empresas ligadas a criptoativos.

O movimento negativo foi impulsionado pelo banco central chinês, que disse para os maiores bancos e empresas de pagamento da China fiscalizarem com mais firmeza o comércio de criptomoedas.

Nos últimos dias, contudo, uma das maiores corretoras de criptomoedas, a Coinbase, disse em seu balanço trimestral que vai comprar US$ 500 milhões em cripto e alocar 10% dos lucros em um portfólio de criptomoedas.

Também houve o anúncio, nesta segunda-feira, de que o PayPal vai lançar um serviço no Reino Unido para compra, venda e manutenção de moedas digitais.

Apesar das perdas nos últimos meses, o Bitcoin segue com desempenho positivo, de 70% em 2021, segundo o site CoinMarketCap.

O valor de todo o mercado de criptomoedas ficou acima de US$ 2,16 trilhões no domingo, de acordo com dados da Coinmarketcap. Esse mercado cruzou a marca de US$ 2 trilhões pela primeira vez desde maio no início deste mês.

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Programas de recompra de Movida, EzTec e BR Properties; noticiário sobre Sabesp, nova queda do minério, recomendações e mais destaques

SÃO PAULO – No radar corporativo, a EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações. A Movida, por sua vez, aprovou programa de recompra de até 12.335.379 ações. Já a BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações.

Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada. Ainda no radar, bancos iniciaram cobertura para CBA e Smart Fit. Confira os destaques:

A Alliar informou que acordo de acionistas agora representa 50,46% das ações da empresa, com mais acionistas aderindo ao acordo.

Vale (VALE3), siderúrgicas e minério de ferro

O contrato mais negociado do minério de ferro em Dalian, para janeiro de 2022, fechou em queda de 1,1%, a 757 iuanes/tonelada, girando em torno de uma mínima de sete meses e meio, à medida que os controles de produção de aço e as restrições causadas pela Covid-19 na China pesam sobre o entusiasmo do mercado.

Na bolsa de Cingapura, o contrato mais ativo do minério de ferro, para setembro, recuava 1,5%, a 136,60 dólares a tonelada.

“A perspectiva de menor produção dos altos-fornos no segundo semestre de 2021 frente ao primeiro agora é uma realidade, embora os embarques de minério de ferro da Austrália continuem decepcionando”, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities, que mantém um alvo de médio prazo de US$ 140 a US$ 170 a tonelada (CFR) para entrega à China.

Já os contratos futuros do coque e do carvão metalúrgico negociados na China atingiram nesta segunda-feira seus limites diários de alta de 8% e renovaram máximas recordes, à medida que rumores de mercado sobre uma suspensão das importações de carvão da Mongólia em função da pandemia de Covid-19 alimentaram temores de uma oferta mais restrita das matérias-primas siderúrgicas.

Os contratos mais negociados do carvão coque e do coque na bolsa de commodities de Dalian, para janeiro de 2022, escalaram máximas de 2.421 iuanes (US$ 373,01) por tonelada e 3.053,50 iuanes por tonelada, respectivamente.

A EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações.

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O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

BR Properties (BRPR3)

A BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ela obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,888 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

Uma unidade da Minerva Foods  em Palmeira de Goiás (GO) foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF) dentro da Operação A Posteriori, que apura supostas irregularidades de auditores fiscais federais agropecuários no período de 2018 a 2019, informou a companhia na sexta-feira.

Segundo a empresa, o procedimento, realizado na quinta, teve cooperação dos colaboradores da Minerva e a planta mantém suas atividades regulares.  “Não existe indiciamento ou denúncia contra a companhia, contra seus administradores ou qualquer de seus empregados ou colaboradores no âmbito da operação”, disse em comunicado.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada.

Ao comentar declarações do recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ), sobre a privatização da Sabesp, Doria ressaltou que a privatização da companhia de saneamento é um projeto de “longo prazo”, não de curto prazo.

“Nosso governo é desestatizante… A Sabesp já é de capital aberto, cotada em bolsa, com performance muito boa e bem administrada. Ao longo dos próximos anos, ela vai ser preparada evidentemente para um programa de privatização, mas não faremos isso de forma precipitada”, comentou Doria a jornalistas, no Rio de Janeiro. As declarações de Maia fizeram disparar as ações da Sabesp na sexta-feira.

A Braskem comunicou que não tem conhecimento sobre a realização de uma oferta pública de ações da companhia como uma possível estratégia de saída dos acionistas, em esclarecimento após notícia da Coluna do Broadcast.

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Recomendações 

O Morgan Stanley iniciou a cobertura para as ações da Smart Fit com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 32, uma alta de 15% em relação ao fechamento de sexta-feira (20).

Na última sexta, o  InfoMoney conversou com Edgard Corona, fundador e CEO do negócio, sobre o caminho até a oferta pública inicial de ações; o impacto da pandemia nos negócios; e planos após o IPO. Confira clicando no link a seguir. 

Já o Bradesco BBI iniciou cobertura para CBA (CBAV3) com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 19, ou alta de 73% em relação ao fechamento de sexta.

O BBI também iniciou a cobertura para a ação do Banco Pan (BPAN4), com recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 26 para 2022  para os papéis BPAN4, potencial de alta de 35% em relação ao fechamento de sexta.

Os analistas do banco destacam visão positiva por conta do ecossistema que vem sendo construído pelo Banco Pan para produtos e clientes, a existência de um mercado relevante para seus serviços no Brasil, com 138 milhões de clientes e R$ 1,2 trilhão em empréstimos para uma população ainda não plenamente servida; forte número crescimento em número de clientes, com mais de 40 mil adições diárias no segundo trimestre; expectativa de crescimento acima da média de rendimento, com expectativa de taxa anual de crescimento composto (CAGR na sigla em inglês) para o período entre 2021 e 2023 de 35%, frente a 10% em média para os bancos sob cobertura do Bradesco.

Itaúsa (ITSA4), Itaú (ITUB4) e XP

A Itaúsa, em continuidade as notícias sobre o investimento do Itaú na XP, informou que as assembleias gerais extraordinárias – com o objetivo de deliberar sobre a incorporação das companhias – ocorrerão em 1º de outubro.

Considerando a fixação da data das AGEs e o cancelamento das ações de emissão da XPart em tesouraria, a relação de troca final será de 43,3128323 ações de emissão da XPart por 1 ação classe A da XP, ou 1 BDR por 1 ação também classe A. Aprovada a incorporação, a Itaúsa passará a ser detentora de 15,07% do capital total da XP e 4,74% de seu capital votante.

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(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Chegada do Open Banking abre mar de oportunidades: as instituições financeiras vão saber aproveitar?

Nos últimos anos, com o surgimento das fintechs, diversos bancos investiram no lançamento de bancos digitais, como parte de sua estratégia para a transformação tecnológica.

Se você parar para pensar, há pouco mais de 20 anos era preciso se deslocar a um banco ou caixa eletrônico para fazer uma simples transferência bancária.

A digitalização mudou a relação entre banco e cliente. É inegável essa disrupção. Mas eu gostaria de trazer uma reflexão um pouco além: o Open Banking é o verdadeiro potencializador de oportunidades.

O Open Banking força os bancos a considerarem a criação de um ecossistema de negócios como parte de sua estratégia futura, pois impulsiona fortes incentivos de mercado e estímulos regulatórios, fazendo com que os bancos foquem em economias de escopo.

Essa evolução vai desde o uso básico, habilitados por meio de interfaces de programação de aplicativos (APIs) até casos de ficção científica que exigirão alinhamento estratégico intenso entre bancos, fintechs e não bancários parceiros – como aqueles que provêm a tecnologia.

A inovação do Open Banking, que nada mais é que o compartilhamento de dados para informações de contas e iniciativas de pagamento, abre espaço para o Open Finance, que permite o compartilhamento de dados entre os setores financeiros como seguros, pensões, câmbio e investimentos, e a Open Economy, que vai além deste compartilhamento ampliando para novos players como e-commerce, game, meios de pagamento, saúde, entre outros.

Muitas instituições financeiras e não financeiras já estão aplicando algumas modalidades do Open Banking.

O Santander e o HSBC, por exemplo, lançaram aplicativos com agregação de contas e gerenciamento de finanças pessoais que fornecem aos clientes uma visão holística de suas transações financeiras de forma integrada com suas instituições.  O Santander lançou, este ano, o empréstimo para o microempreendedor individual em parceria com o Prospera.

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Os serviços do Open Banking do banco foram citados por Gil do Vigor, ex-BBB 21, em propaganda na televisão, o que fez com que o termo Open Banking tivesse um aumento de 1.000% nas buscas no Brasil, segundo dados da ferramenta Google Trend.

E não para por aí. O Open Finance também já tem sido muito bem aproveitado por instituições no Reino Unido e na Europa, que criaram marketplaces e superlojas para os consumidores em parceria com fintechs que integram investimentos, pensões e seguros.

O Starling Bank, no Reino Unido, por exemplo, possui uma gama extremamente ampla de ferramentas de negócios integradas para clientes PMEs, como comunicação, seguros, entre outros.

No âmbito da Open Economy, com o aumento do trabalho remoto, novas tecnologias foram adotadas no ambiente corporativo.

A Deel, startup de recursos humanos que acaba de virar unicórnio e de chegar ao Brasil, é uma que ajuda empresas com a folha de pagamento internacional, impostos, compliance entre outros.

São mais de 1.800 clientes corporativos no mundo. No Brasil, o Nubank é um que utiliza seus serviços.

E estes são apenas alguns dos poucos exemplos de toda a mudança que já está acontecendo por aqui e em todo o globo.

Segundo a Allied Market Research, só o Open Banking valerá US$ 43,15 bilhões em 2026.

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Acredite quando digo: com a chegada do Open Banking, Open Finance e Open Economy, estamos criando um mundo totalmente novo de possibilidades, que faz com que todos nós possamos ir muito além.

É empolgante ver tudo isso acontecendo e cada vez mais rápido. Com isso em mente, não se engane: os pioneiros colherão mais frutos no futuro. A hora de agir é agora.

Mercado deve viver tensão longa com “eleição antecipada”

Brasil em queda/crise (Foto: Getty Images) Brasil em queda/crise (Foto: Getty Images)

Às vésperas do envio do Orçamento de 2022 ao Congresso, previsto para até 31 de agosto, as notícias negativas que chegam de Brasília têm provocado volatilidade e aumentado as incertezas para a economia. A percepção é de que esse ambiente de tensão não deve se dissipar tão cedo, diante do debate antecipado das eleições de 2022 e dos ruídos políticos provocados pela crise entre os poderes alimentada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro.

O gatilho para a crise de confiança foi puxado pela apresentação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de parcelamentos dos precatórios (dívidas da União a empresas, pessoas físicas, Estados e municípios reconhecidas pela Justiça), mas outros fatores compõem essa espiral negativa.

A equipe econômica avalia que a volatilidade de agora será passageira e dissipada assim que ficar mais claro o desenho das novas medidas do governo para 2022, como o valor do auxílio Brasil (programa que vai substituir o Bolsa Família), a definição da PEC dos precatórios, o projeto do Imposto de Renda e o próprio Orçamento.

Porém, o espaço fiscal é pequeno, diante de tantas promessas do presidente Jair Bolsonaro para garantir a sua reeleição, que incluem, além de um programa de transferência de renda turbinado, reajuste para servidores públicos, novo subsídio para o diesel e pacote para estimular o emprego, com bolsa qualificação para os trabalhadores.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o secretário especial de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, fizeram várias aparições públicas ao longo da semana passada para passar confiança, mas as incertezas continuam.

“Reafirmamos o total compromisso com responsabilidade fiscal e controle de contas”, disse Funchal em um desses eventos, tentando transmitir a mensagem de que não haverá adesão ao populismo fiscal. Mas o governo não convenceu ainda. O próprio Funchal definiu os últimos dias como “um dos piores momentos em termos de turbulência”, por conta, sobretudo, das incertezas do mercado em relação à proposta de parcelamento das dívidas judiciais.

No front inverso, o Tesouro Nacional conta com um caixa de R$ 1,1 trilhão – um colchão de liquidez para enfrentar a volatilidade e administrar a oferta de títulos ao mercado.

Turbulência. Para o economista Fábio Terra, professor da Universidade Federal do ABC, essa “tempestade perfeita” deve se manter por um bom tempo. “É uma turbulência muito grande de vários fatores negativos. Num momento como esse, precisaríamos ter serenidade política, ter capacidade de liderança, mas o que está acontecendo é exatamente o inverso”, diz ele, que vê o presidente “esgarçando” o quadro institucional.

No campo econômico, Antonio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), diz que o Banco Central precisará acelerar a alta da Selic, a taxa básica de juros, para controlar a inflação, uma “bomba para 2022” pelo efeito no crescimento menor para o País.

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Veja abaixo os principais fatores que têm formado essa tempestade perfeita, entre eles o aumento dos juros para controlar a disparada da inflação, o fim da bonança internacional e ruídos institucionais e fiscais.

O desafio da inflação e dos juros

Não foi uma semana fácil para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O comandante da política de juros no Brasil teve de fazer várias aparições públicas para transmitir confiança de que o BC vai controlar o processo de aceleração da inflação em meio à piora dos indicadores do mercado. Na sexta-feira, o dólar, por exemplo, chegou a atingir um patamar próximo de R$ 5,50, e acabou fechando em R$ 5,38.

“Temos os instrumentos, podemos fazer o trabalho. Estamos comunicando ao mercado com mais transparência como usamos nossos instrumentos”, disse Campos Neto, na quinta-feira, 19, com a mensagem de que fará tudo o que for possível e necessário para atingir a meta de inflação em 2022. Um trabalho também de coordenação das expectativas futuras da inflação, esforço que, como ele próprio admitiu, está sendo atrapalhado por um “fiscal descontrolado”.

Se o presidente Jair Bolsonaro contava com uma atividade econômica em recuperação e números mais robustos para pavimentar seu caminho à reeleição, esse cenário está cada vez mais distante. A espiral negativa é alimentada por ruídos políticos provocados pela percepção de que o presidente vai gastar mais para se reeleger, o que eleva a volatilidade do mercado e provoca a alta do dólar, que impacta ainda mais a inflação, renovando o círculo vicioso negativo.

O IPCA, índice oficial, fechou o mês passado em 0,96%, com alta acumulada de 8,99% em doze meses. E pior: as previsões do mercado não param de subir e apontavam, na última pesquisa Focus do BC, uma alta de 7,05% no final desse ano e de 3,90% em 2022. Projeções que devem subir ainda mais na pesquisa que será divulgada nesta segunda-feira pelo BC.

A inflação mais salgada puxou os juros para o patamar de 5,25% ao ano, e já se espera um aumento de mais 1 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. É uma medida para esfriar a atividade da economia e segurar a disseminação da elevação dos preços. A consequência é menos crescimento em 2022.

“Há uma tempestade perfeita”, diz Antonio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor do Programa de pós-graduação em Economia Política da PUC de São Paulo. Lacerda lembra que a divulgação do PIB no primeiro trimestre gerou euforia, mas, retirando o efeito estatístico, o crescimento não será muito diferente do padrão de 2017-2018-2019, ao redor de 1,5%.

A crise hídrica, que afeta os preços de alimentação e abastecimento de energia, chegou para complicar. “A crise hidrológica tem um impacto grande sobre a capacidade de expansão do PIB”, diz Fabio Terra, professor de economia da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Risco fiscal no radar do mercado

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A inflação mais alta prejudica a população, mas deu um refresco para as contas públicas. Fez aumentar a arrecadação e reduziu a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). Essa melhora fiscal, porém, despertou ainda mais o ímpeto para gastos no governo Bolsonaro e nos seus aliados do Centrão.

Ao invés de melhorar a percepção da política da sustentabilidade das contas públicas, o resultado tem sido mais ruídos que aumentaram o risco fiscal. O temor que ronda as expectativas é a percepção de que a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que vem sendo registrada nas pesquisas, vai levar o governo a adotar medidas mais populistas para buscar a sua reeleição, comprometendo regras fiscais, como o teto de gastos (a norma que limita o crescimento das despesas acima da inflação) e ligando o botão da contabilidade criativa.

Nas últimas três semanas, dois focos de tensão do lado fiscal contaminam as expectativas e têm gerado alta volatilidade no mercado: o projeto que altera o Imposto de Renda (IR) e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que parcela em até dez anos o pagamento de parcela dos precatórios (dívidas que a União precisa quitar depois de decisões judiciais).

As preocupações com o projeto do IR são várias, a depender de quem ganha ou perde mais com a mudança, mas do lado das contas públicas o risco é de queda da arrecadação futura, com as vantagens que estão sendo dadas nessa reta final antes da votação. Além disso, a negociação do projeto, envolve custos adicionais, como o aumento da parcela de recursos da União que é transferida para as prefeituras via Fundo de Participação dos Municípios.

Já a PEC dos precatórios divide o mercado. A maior polêmica é o fato de poder levar o Congresso a retirar essas despesas (só em 2022 são R$ 89 bilhões) do teto de gastos para não comprometer o espaço no Orçamento para o novo Bolsa Família, rebatizado de Auxílio Brasil, para dar um benefício maior que R$ 300. O presidente alimentou o risco do mercado ao falar em subir o benefício para R$ 400.

“A PEC dos precatórios envolve uma operação triangulada com dívidas que ataca de uma vez só duas regras: o teto e as metas fiscais. Ou seja, dribla normas de controle do gasto público e ainda distorce o resultado fiscal do governo central”, avalia Leonardo Ribeiro, analista do Senado e conhecedor dos meandros da confusa legislação fiscal brasileira.

“Não há como cumprir o teto de gastos, pagar os precatórios e manter os programas de governo ao mesmo tempo”, diz. “Esse triângulo se assemelha às pedaladas fiscais desenhadas pelo ex-secretário do Tesouro Arno Augustin, do governo Dilma.”

Crescem os ruídos políticos

Os ruídos políticos e a crise institucional entre os poderes também têm elevado a tensão, nos últimos dias, em meio à pressão do presidente Jair Bolsonaro sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal e ameaças de ruptura institucional.

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Além de trazer o risco de afugentar os investidores, a crise política entre Executivo, Judiciário e Legislativo, amplificada pela briga do presidente pelo voto impresso, tem afetado também o mercado. Uma preocupação adicional é com a antecipação da campanha eleitoral e a sinalização do presidente Jair Bolsonaro de que vai acionar medidas de populismo fiscal para ganhar a eleição em 2022, como aumento de subsídios para a concessão de vale-gás e desoneração do diesel. A crise tem dividido o Senado e a Câmara e deve trazer mais dificuldades para que as votações de projetos em uma Casa se completem na outra.

Na sexta-feira, 20, a notícia da agência Associated Press de que o presidente teria falado abertamente sobre seu arrependimento de apoiar a autonomia do BC reforçou a preocupação. O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, teve de sair a campo para garantir a autonomia do BC. O desconforto do presidente com a inflação, com o desemprego e com a queda de popularidade é cada vez maior, o que coloca pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

“A tensão política é bastante sentida no mercado e existe um sentimento de que ficou mais provável o cenário negativo do que positivo olhando para o futuro”, diz o economista Gabriel Galípolo. Ele pondera, no entanto, que não consegue enxergar a ideia de que o mercado esteja fazendo uma ruptura com ideias que são representadas pelo governo Bolsonaro no campo econômico. Para ele, hoje a preocupação fiscal é mais uma questão de expectativas e apostas, especulando sobre o que vai ser o futuro, porque no quadro atual as contas públicas estão numa situação melhor, com déficit menor. “Mas o ambiente político está muito conflagrado e isso colabora para uma tensão interna, que, somado ao cenário externo, azedou o mercado.”

Na avaliação do professor da PUC de São Paulo Antônio Corrêa de Lacerda, o presidente Bolsonaro, em meio à pressão, cria factoides, sendo o mais recente o pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. Bolsonaro prometeu entregar “nos próximos dias” outro pedido de afastamento tendo como alvo o ministro Luís Roberto Barroso, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TST). “No campo econômico, claramente ele vai jogar todas as fichas num auxílio emergencial turbinado que seria uma combinação de Bolsa Família visando criar algum impacto eleitoral”, avalia Lacerda.

Cenário externo em mutação

Grande exportador de alimentos e minérios, o Brasil tem sido favorecido desde o ano passado com o boom dos preços das commodities (produtos básicos), que se seguiu ao processo de recuperação da economia global depois da pandemia. Agora, os ventos começam a ficar diferentes com impacto na economia, que já passa por problemas domésticos como inflação e juros altos e desemprego resistente e persistente.

A desaceleração da China acendeu o alerta para o Brasil. E, como mostrou reportagem do Estadão, o avanço da variante Delta da covid-19 também tem reduzido o otimismo dos economistas em relação à recuperação da atividade global neste ano. A nova cepa tem levado a China a fechar cidades, freando a retomada. O governo chinês vem retirando estímulos econômicos, o que acaba impactando os preços de commodities importantes para a atividade econômica brasileira, como o minério de ferro.

“De repente, o que acontece no mundo deu uma virada e temos uma desaceleração da China e uma nebulosidade sobre o que o Banco Central dos Estados Unidos vai fazer na política de juros”, diz o economista Fábio Terra, da Universidade Federal do ABC (UFABC). “Tudo que o Fed (o banco central americano) decide é política monetária (no sentido de controlar a inflação) para eles, mas para a gente é política cambial (afeta o valor do real)”, diz Terra, para explicar a importância da conexão dos juros americanos com o comportamento do dólar no Brasil.

Para o economista, o mundo está muito ressabiado com a variante Delta, o que atrapalha o cenário externo. “Isso sozinho nos atrapalharia bastante, só que ainda se soma aos problemas internos, como a crise hidrológica”, diz.

Antônio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor da PUC de São Paulo, ressalta que a possível elevação da taxa de juros americana é sempre um problema para a economia global e para o Brasil. Para ele, a desaceleração do ritmo de crescimento chinês é uma má notícia para as exportações brasileiras, porque o Brasil é dependente das commodities.

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