Apontamentos de Maurício Moura no Evento “Aprender Valor”

Boa tarde a todos, em especial, aos colegas que participam desta abertura:

• Dra. Juliana Oliveira Domingues, Secretária Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, instituição que preside o Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD);
• Professora Doutora Raquel Figueiredo Alessandri Teixeira, Secretária de Educação do Rio Grande do Sul;
• Professor Natanael José da Silva, Dirigente Municipal de Educação de Belém de Maria/PE e Presidente da Seccional de Pernambuco da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação; e
• Professoras Wládna Costa Feitoza e Maria Overlândia de Sousa Barros, respectivamente Diretora e Coordenadora da Escola de Ensino Fundamental Elodía Tavares de Souza, de Acopiara/Ceará, que obteve a 2ª colocação no quesito “Engajamento” entre as escolas participantes da fase piloto do Aprender Valor, em 2021.

Cumprimento os secretários e técnicos das Secretarias de Educação, os dirigentes municipais de educação, os gestores e professores das mais de 12 mil escolas participantes do Programa Aprender Valor, e das escolas e redes interessadas no Programa, que nos dão a honra de sua presença no evento de hoje. Agradeço em nome do Banco Central por aceitarem o convite para esse momento tão importante para o Programa Aprender Valor. O Aprender Valor é o Programa de Educação Financeira nas escolas públicas do Ensino Fundamental. Desenvolvido pelo Banco Central, o Programa faz parte da agenda estratégica de trabalho do Banco Central, a Agenda BC#, na sua dimensão #Educação. Mais do que isso, o Aprender Valor é um sonho acalentado por anos. Realizar o sonho de levar Educação Financeira às escolas públicas de todo o País não seria possível sem a parceria com o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação, da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF) e sem o apoio financeiro do Fundo de Defesa de Direitos Difusos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (FDD/MJSP). O Programa Aprender Valor busca apoiar secretarias, escolas públicas de ensino fundamental e professores na implementação do ensino da Educação Financeira em sala de aula como tema transversal, conforme prescreve a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O Programa contou com uma etapa piloto que se iniciou em 2020 e foi até 2021, atravessando as dificuldades impostas pela pandemia. Participaram da etapa piloto 429 escolas convidadas em seis Unidades da Federação: Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Paraná, Destaco alguns números que representam a expressiva expansão do programa no segundo semestre de 2021: Mais de 12 mil escolas aderiram ao Programa nas 27 Unidades da Federação e em 1.860 municípios – que representam um terço dos municípios brasileiros – abrangendo um universo de 75 mil profissionais da educação e quase 680 mil estudantes do 1º ao 9º ano. Quase 300 mil avaliações de estudantes de 5º, 7º e 9º anos foram realizadas no âmbito do Programa. Quase 8 mil profissionais da educação concluíram as formações para gestores e para professores, incluindo formação em Educação Financeira Pessoal. Mais de 35 mil aulas foram ministradas, utilizando projetos escolares em que a Educação Financeira é integrada à Matemática, à Língua Portuguesa e às Ciências Humanas. Gostaria de ressaltar, ainda, os resultados da pesquisa realizada com profissionais da educação participantes do Programa, realizada com amostra representativa de profissionais cadastrados no programa: Praticamente a totalidade dos profissionais que participaram do Programa Aprender Valor consideram muito importante o tema Educação Financeira e a aplicação do tema Educação Financeira nas escolas (>99%). 95% dos professores se revelaram motivados em aplicar o conteúdo em sala de aula e indicariam o Programa para colegas de trabalho. 98,7% dos professores consideram que o que é ensinado nos projetos escolares do Programa pode melhorar a qualidade de vida dos estudantes. Em resumo, a avaliação geral do Programa é excelente: os participantes gostaram das formações e julgam o conhecimento adquirido como aplicável em seu dia a dia. Os números e a receptividade obtidos pelo Aprender Valor em seus primeiros dois anos de existência, marcados pelos desafios acarretados pela pandemia que transformou o mundo, são muito animadores. Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, o Programa Aprender Valor vem tendo boa acolhida, não apenas em função de sua proposta, mas também pela qualidade dos recursos ofertados. E esses resultados não teriam sido alcançados sem o empenho e o entusiasmo dos profissionais da educação participantes do Programa até o momento. Muito obrigado a todos e todas pelo apoio, pela dedicação, e por estarem realizando esse sonho conosco. O propósito do evento de hoje é convidar novas escolas e redes de ensino estaduais e municipais a também fazerem parte do Programa Aprender Valor, juntando-se às escolas que já aderiram em 2021 e começam a colher os frutos. O período de novas adesões vai até 25/2. A cada adesão de uma nova escola, a cada professor que compartilha esse objetivo conosco, a cada estudante alcançado, a cada família beneficiada, construímos juntos uma sociedade formada por cidadãos financeiramente autônomos, conscientes e responsáveis. Convido aqueles que ainda não fazem parte do Programa Aprender Valor a se juntarem a nós para auxiliar estudantes e profissionais da educação na busca de sua saúde financeira e a de suas famílias, por meio do estímulo ao planejamento financeiro, à poupança ativa e ao uso consciente do crédito.

Desejo uma ótima tarde e um excelente evento a todos!

Recompra de ações: 4 empresas do setor imobiliário estão com programas abertos; confira

(Shutterstock)

SÃO PAULO – Quatro companhias do setor imobiliário estão com programas de recompra de ações em andamento e duas já encerraram, totalizando operações de cerca de R$ 750 milhões. São elas JHSF (JHSF3), Eztec (EZTC3), Tenda (TEND3) e Moura Dubeux (MDNE3). Já BR Properties (BRPR3) e Even (EVEN3) encerraram o seu programa na semana passada.

A recompra de ações consiste na compra pelas companhias de suas próprias ações no mercado, seja cancelando-as ou utilizando-as para atender ao exercício de opções de compra dos papéis.

Na prática, a empresa está tirando de circulação parte do seu patrimônio líquido da Bolsa, seja para ajustar sua estrutura de capital e seus níveis de caixa, sinalizar que acredita no potencial de suas ações como para oferecer uma forma de remuneração substituta ao dividendo, dentre outros fatores.

No caso da Even, a quantidade de papéis a serem adquiridos foi limitada a três milhões de ações ordinárias, o que corresponde a 1,48% das ações em circulação no mercado. O encerramento foi aprovado na reunião do conselho de administração da companhia realizada no dia 12 de agosto de 2021.

Na JHSF, o limite é de 28 milhões de ações ordinárias, que representam, aproximadamente, 9,15% do total de ações em circulação no mercado. O programa tem vigência até 17 de fevereiro de 2023.

No caso da EZTec, o programa envolve até 5.035.897 ações. O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

Na Construtora Tenda, o conselho de administração aprovou o aditamento ao plano de recompra de ações, divulgado em dezembro de 2020, e poderá realizar operações com derivativos do programa, que tem validade até dezembro deste ano.

O programa da Moura Dubeux, que começou em abril deste ano, envolve até 5.715.759 de ações ordinárias e encerra-se em 19 de abril de 2022.

Já a BR Properties, assim como a Even, comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ela obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,9 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

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Em relatório, o Bradesco BBI avalia que a onda de programas de recompra envia um forte sinal da confiança das empresas no ciclo de negócios, apesar do recente colapso do valor de mercado do setor.

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O time de análise destaca que o setor já havia sinalizado uma compra da ordem de R$ 14 milhões por controladores do mercado imobiliário, com Tecnisa, MRV, brMalls, Plano&Plano, bem como Eztec entre os principais compradores. Desde então, as ações já perderam cerca de 26% na B3, em média, escreve.

“Destacamos que a recente crise do setor foi impulsionada pela deterioração das condições macroeconômicas, embora os fundamentos das empresas permaneçam predominantemente robustos”, completam os analistas do banco.

Além das empresas do setor de real estate, de construção e de shopping centers, a empresa de aluguel de veículos Movida (MOVI3) também anunciou nesta segunda-feira (23) o seu programa de recompra, de até 12.335.379 ações. A Locaweb (LWSA3) anunciou também programa de recompra na semana passada, projetando a compra de até 3 milhões de ações até 2023.

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Ações da Azul seguem alta da sexta-feira com notícia do WSJ sobre conversa com credores da Latam

SÃO PAULO – As ações da Azul (AZUL4) seguem com ganhos nesta segunda-feira (23) após a alta de 2,67% na última sexta-feira (20), que chegou a ser de quase 4% durante a última sessão.  Já às 10h59 (horário de Brasília) desta segunda, os ativos AZUL4 subiam 2,21%, a R$ 36,93.

A alta foi motivada após a notícia do jornal americano Wall Street Journal, citando fontes, de que a Azul tem conversado com credores para comprar as operações da rival Latam no Brasil.

De acordo com a publicação, a Azul estaria aberta para comprar a empresa inteira e depois vender operações em outros países. A empresa brasileira também estaria aberta a uma possível joint venture com a Latam para complementar seus negócios atuais no Brasil, conforme as fontes do jornal.

As companhias conversaram sobre um possível negócio no início do processo de falência, mas a Latam interrompeu as negociações porque os proprietários da empresa chilena não queriam abrir mão do controle do grupo, segundo destacou fonte ao WSJ.

As diferentes unidades nacionais da Latam entraram em processo de falência no ano passado em meio à turbulência causada pela pandemia. Um porta-voz da Latam informou que a empresa não tem intenção de vender sua operação brasileira, e que a companhia aérea espera apresentar seu plano de reorganização e sair da recuperação judicial este ano.

Por outro lado, com seu maior caixa da história e aproveitando a demanda represada por viagens por causa da pandemia de coronavírus, que impulsionou principalmente o turismo doméstico em 2021, a Azul já evidenciou a intenção de comprar a operação brasileira da Latam. Em live do InfoMoney, John Rodgerson, CEO da aérea, deu um recado aos deputados que estão analisando a possível operação: “olhem como a Azul mudou o país”.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Rodgerson destacou o desenvolvimento do setor aéreo nacional, parte estimulado pelos investimentos da Azul nos últimos anos. “Os deputados devem olhar isso [a aquisição da Latam pela Azul] por esse contexto. Se você olha outros países do mundo, Air Canada tem 70% do mercado aéreo canadense, Avianca tem 70% do mercado da Colômbia, a LAN tinha 85% do mercado do Chile. Parem de pensar que isso não pode ser benéfico e vejam as oportunidades”, afirmou o CEO.

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Commodities agrícolas: ainda fortes ou no fim do ciclo de alta? Confira a opinião de analistas e o impacto nas ações

Produção de soja, commodities, agricultura (fotokostic/GettyImages)

SÃO PAULO – Os preços das commodities agrícolas, em especial grãos como a soja e o milho, dispararam ao longo do primeiro semestre de 2021, o que teve impacto disseminado na economia brasileira. Tanto efeitos positivos, uma vez que o Brasil tem o perfil de exportador dessas commodities, quanto negativos, pois a inflação de alimentos e o setor de frigoríficos acabaram sentindo essa valorização.

A dúvida hoje é se essa trajetória de incremento nos valores dos grãos irá continuar pelos próximos meses ou se o superciclo já acabou.

Em números, é importante ressaltar que a soja teve um aumento de 12,9% no seu valor desde o fim do ano passado, atingindo R$ 173,75 a saca de 60 kg no fechamento da terça-feira (16) segundo dados da Esalq/BM&F Bovespa. O milho se valorizou ainda mais, acumulando ganhos de 27,01% até ontem, a R$ 99,89 a saca de 60 kg.

Segundo Leonardo Alencar, analista da XP, o cenário atual não permite análises de queda no preço de grãos até 2022. “A colheita de milho da safrinha [com plantio nos meses de fevereiro e março depois da colheita da safra principal] teve sucessivas revisões para baixo e como o preço está muito alto, há previsões até de possibilidade de aumento na importação de milho”, explica.

A estiagens e as ondas de frio recentes fizeram com que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisasse suas projeções para a safra total de 2021, que de recorde histórico agora é estimada em queda de 1,2% ante a anterior, totalizando 253,98 milhões de toneladas.

Para Alencar, esperar um fim no ciclo de alta de grãos e outras commodities agrícolas até 2022 enquanto a demanda global se recupera dos impactos do coronavírus e os efeitos climáticos adversos estão cada vez mais presentes é, no mínimo, temerário.

“Não vejo queda em 2022. Os preços devem, no máximo, mostrar acomodação até lá. Esperar queda, com os riscos climáticos atuais, está cada vez mais arriscado”, defende.

Essa avaliação é oposta à da equipe de análise do Bradesco BBI, que acredita que as commodities agrícolas estão no fim do seu ciclo de valorização.

O analista Leonardo Fontanesi escreve em relatório que historicamente os preços de commodities agrícolas têm ciclos de alta (como o que vem ocorrendo de 2019 a 2021) de dois anos, em média, com um incremento de aproximadamente 20% ao ano no valor de cada grão, ao passo que os ciclos de queda duram, em média, três anos e meio e os preços caem em torno de 10% ao ano.

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“Esperamos um declínio de 30% nos preços de produtos agrícolas até 2024, ao mesmo tempo em que o consenso da Bloomberg projeta uma retração de 15%”, ressalta Fontanesi.

Os motivos para essa previsão não são meramente estatísticos. O analista do Bradesco BBI considera provável que a China corte importações de produtos agrícolas até 2022 depois dessas compras avançarem 50% nos últimos dois anos.

“Este aumento nas importações ocorreu porque a China dobrou seu número de criação de porcos nos últimos dois anos, depois de perder animais para a peste suína africana de 2018, e precisava comprar comida para alimentá-los. A população de suínos da China é relevante para a agricultura global porque a carne de porco é de longe a proteína mais importante do país e as necessidades de ração da China são responsáveis ​​por aproximadamente 15% da demanda global de trigo, milho e soja”, destaca o Bradesco.

Todavia, desde junho de 2021, as margens da indústria de suínos chinesa se tornaram negativas com um excesso de oferta de porcos e custos mais altos de grãos. “Nós estimamos que os preços do milho na China (correlacionados com os EUA e o Brasil) têm que cair de 20% a 30% para que as margens voltem a convergir para a média histórica.”

A questão do plantel de suínos da China, por outro lado, não existe sem algum grau de controvérsia. Leonardo Alencar diz ver com ceticismo esse anúncio do país de que repôs os rebanhos perdidos durante a epidemia da febre suína.

“Na nossa leitura, o preço deve começar a subir novamente. Nos últimos tempos, os pecuaristas chineses voltaram a abater animais com medo da peste. Teremos ainda aquela demanda extraordinária que ocorre no ano-novo chinês [em 1º de fevereiro] e a população do país está consumindo cada vez mais carne, inclusive proteínas de origem mais diversificada, graças ao aumento da renda”, argumenta.

A opinião do analista da XP é que os preços cairiam apenas se a demanda recuasse devido a um recrudescimento da pandemia, mas que nem isso é certo, pois as últimas ondas da Covid-19 foram mitigadas pelo suporte de programas governamentais.

Na linha dessas projeções mais otimistas com grãos, a equipe de análise do Bank of America comenta que a Balança Comercial brasileira mostrou que as exportações de alimentos no segundo trimestre foram muito fortes em todos os quesitos, com os preços em dólares avançando dois dígitos na comparação com o mesmo período do ano passado.

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“O bom desempenho vem na hora certa, conforme as empresas sofrem no mercado doméstico com um desafiador pass-through [impacto da depreciação da moeda local na inflação] para os consumidores e custos em alta”, escrevem os analistas Guilherme Palhares e Isabella Simonato.

Para o segundo semestre deste ano, a equipe do BofA espera que a demanda chinesa e a reativação da cadeia global de serviços alimentícios sejam os principais catalisadores para volumes e preços, providenciando um impulso para a atual inflação de custos.

Frigoríficos sofrem

Enquanto empresas que vendem commodities agrícolas como SLC (SLCE3), Brasil Agro (AGRO3) e Terra Santa ([ativo=LAND3]) se beneficiam desse quadro de elevações no valor de grãos, frigoríficos como JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), Minerva (BEEF3) e, principalmente BRF (BRFS3), são impactadas negativamente.

Alencar destaca que aves e suínos têm alimentação quase que 100% composta de rações de milho e de farelo de soja. Como a BRF é a companhia do setor mais posicionada na venda de carne de aves e porcos, acaba sendo a mais afetada.

Marfrig e JBS, por sua vez, sofreriam impactos menores, pois o uso de grãos na dieta do boi ocorre apenas quando ele está em confinamento e as duas empresas têm ainda um outro trunfo, que são suas operações nos Estados Unidos.

“O cenário americano é de boa oferta e bons preços, com uma demanda muito aquecida nesta retomada pós-Covid. O maior problema para essas empresas no Brasil atualmente não é nem tanto o aumento dos custos como a demanda pressionada”, afirma.

Vale lembrar que no segundo trimestre de 2021, a Marfrig teve seu melhor desempenho histórico, lucrando R$ 1,7 bilhão, alta de 9% na comparação com o mesmo período do ano passado, com um resultado impulsionado pelos EUA.

A operação dos Estados Unidos, de acordo  analistas da XP, foi responsável por 96% do Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) total da Marfrig. O preço do gado aumentou 12% na comparação anual, mas o preço da carne bovina veio em linha com o segundo trimestre de 2020 e os spreads caíram 8,9%, algo que os analistas da casa veem como positivo.

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A JBS, por sua vez, teve lucro líquido recorde de R$ 4,4 bilhões no 2º trimestre. Na teleconferência de resultados, o CEO da companhia, Gilberto Tomazoni, apontou que o custo de produção dos animais vivos aumentou com a alta dos preços dos grãos, porém que a redução do volume de carne suína produzida, que foi impactada pelas condições climáticas e pela escassez de mão de obra combinada com o crescimento da demanda acima do esperado, impulsionaram o preço deste tipo de carne no mercado doméstico.

Já a BRF teve prejuízo líquido de R$ 199 milhões no trimestre, revertendo um lucro de R$ 307 milhões na base anual.

Na teleconferência de resultados, Lorival Luz, CEO da empresa, disse que cada vez mais o custo médio do estoque de grãos ou de outros insumos e matérias-primas da empresa vão aumentar. “Com os desafios desta safra e das próximas, de forma geral o custo de produção – e é visto já na margem do produtor – chegará a todas as empresas, todas as indústrias. O que traz a necessidade que exista o reequilíbrio sustentável da nossa operação”, defendeu.

Segundo o CEO, o caixa de R$ 9 bilhões do frigorífico, combinado com um valor relativamente baixo de vencimentos de curto prazo (R$ 700 milhões em 2021), permitem que impactos como o do atual patamar dos preços de grãos sejam mitigados.

“A companhia está absolutamente preparada, robusta, com uma liquidez financeira, suficiente para que atravessemos esse segundo semestre mesmo com um aumento de grãos, o aumento de custos que tivemos”, assegurou.

Falando especificamente do mercado de carne, o BofA ressalta que apesar da baixa disponibilidade de gado e da queda de 7% em volumes na comparação anual durante o segundo trimestre, os preços atingiram recordes históricos em junho.

“Em junho, os preços de carne bovina chegaram a US$ 5,20 por kg, valor 21% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado e 5% acima de maio”, destacam os analistas. Para eles, essa sequência de valorizações levou os preços no segundo trimestre a subirem 14% em dólar e 11% em reais.

“Nós acreditamos que uma performance assim poderia ser em larga medida explicada por uma crescente demanda da China depois que plantéis de porcos foram abatidos. A reativação do canal de serviços alimentícios e restrições de oferta tanto na Austrália quanto no Brasil devem continuar provocando alta de preços”, explica o BofA.

O banco lembra que as margens de exportação de carne atingiram uma média de 15% no segundo trimestre, estável na comparação com o trimestre anterior apesar do aumento de 5% no preço médio do gado.

Já o mercado de aves, segundo os analistas, foi destaque pelos fortes volumes e preços. O volume diário médio bateu 12,1 mil toneladas em junho, em um crescimento de 13% em relação ao segundo trimestre de 2020, ao mesmo tempo em que os preços em dólares aumentaram em 4%.

“A demanda internacional por aves deve se beneficiar diretamente da recuperação do canal de serviços alimentícios, especialmente na região do Oriente Médio, onde o consumo depende do turismo”, escreve a equipe do BofA.

Entretanto, o banco aponta riscos no horizonte vindos da Arábia Saudita, que representa 14% do mercado externo de aves do Brasil. O país tem banido importações de diversos frigoríficos.

Já em suínos, as exportações de carne de porco tiveram, segundo o BofA, mais um ótimo mês, com os volumes crescendo 11% na comparação mensal em junho e 12% na base anual, tornando-se o melhor mês da história em termos de volumes exportados pelo Brasil, em mil toneladas por dia.

“Os preços em dólar ficaram estáveis na comparação mensal em junho, mas cresceram 21% na comparação anual, totalizando US$ 2,60 por kg. No segundo trimestre, os volumes se expandiram em 25% na base trimestral e os preços melhoraram em aproximadamente 5% na mesma base, implicando um sonoro crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2020.”

Para os analistas, esse desempenho comprova a opinião do banco de que apesar da China estar recompondo o seu plantel de porcos, a produção ainda está baixa devido aos mais baixos níveis de rentabilidade da carne.

“Esperamos que a demanda continue forte no segundo trimestre depois da liquidação de estoques que ocorreu no primeiro semestre na região, o que beneficia exportadores brasileiros.”

Revisões do Bradesco

Devido à visão mais negativa dos seus analistas para commodities agrícolas, o Bradesco BBI revisou recentemente as recomendações para uma série de papéis.

Ambev (ABEV3) foi de neutro para compra em meio à aposta de que os custos agrícolas irão cair. “Leva cerca de 12 meses para que os preços das commodities reflitam nos resultados da Ambev dados os hedges, mas o mercado provavelmente irá antecipar ganhos mais fortes devido à queda nos preços agrícolas”, escreve a equipe do banco. O múltiplo valor de mercado da empresa dividido pelo lucro (P/L) da Ambev cairia, assim, de 20 vezes em 2022 (contra 23 vezes na média histórica) para 17 vezes em 2023, um patamar considerado atrativo.

O preço-alvo das ações ABEV3 é de R$ 21,00, o que corresponde a uma valorização de 19,73% sobre o nível de fechamento dos papéis na sexta-feira (20).

A São Martinho (SMTO3), por sua vez, teve recomendação cortada de compra para neutra. “Dada nossa visão mais baixista sobre os preços agrícolas, cortamos nossa previsão de preço do açúcar em cerca de 5% na média para 2022.”

O preço-alvo das SMTO3 projetado pelo Bradesco é de R$ 38,00, em um upside de 16,31% ante o fechamento da sexta.

Já a M.Dias Branco (MDIA3) foi mantida como a top pick do setor para o Bradesco, pois na visão dos analistas a fabricante de biscoitos e bolachas sofreu forte compressão na margem por conta do aumento nos custos agrícolas e, com preços mais baixos das commodities a partir do segundo semestre a margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita líquida) se recuperaria de 7% em 2021 para 16% em 2022.

O preço-alvo das ações MDIA3 é de R$ 40, o que equivale a uma alta de 22,29% na comparação com o fechamento da sexta.

Para os frigoríficos, as recomendações do Bradesco não foram alteradas, embora os analistas tenham elevado estimativas de Ebitda para 2021 e 2022 em 10% em média para JBS e Marfrig. As projeções a partir de 2023, por outro lado, foram reduzidas pela visão revisada das margens da carne bovina nos EUA com base na previsão de oferta de gado.

“Embora tenhamos reduzido nossas estimativas de custo de grãos para nossa cobertura de proteína (responsável por cerca de 30% dos custos totais para BRF e aproximadamente 12% para JBS, mas não é relevante para Marfrig), que impacta principalmente as divisões de frangos, suínos e alimentos processados dessas empresas, nós conservadoramente assumimos que este impacto será principalmente compensado por preços mais baixos de carne fresca, dado que o excesso de oferta de carne suína na China pode pesar sobre as importações, fazendo com que nossas estimativas da BRF mudem apenas ligeiramente.”

Os preços-alvos de JBS, Marfrig e BRF projetados pelo Bradesco são R$ 38,00, R$ 25,00 e R$ 32,00. Os upsides esperados até atingir esses valores são 19,84%, 24,01% e 34,74% respectivamente.

Abaixo uma tabela com um compilado da Refinitiv de recomendações de bancos, corretoras e casas de análise para as empresas citadas.

Empresa Ticker Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de venda Preço-alvo médio Valorização (upside) esperado
Ambev ABEV3 4 7 4 R$ 17,20 -1,94%
BRF BRFS3 4 8 1 R$ 28,69 +20,8%
JBS JBSS3 11 0 0 R$ 42,17 +32,99%
Marfrig MRFG3 8 4 0 R$ 23,36 +15,87%
M.Dias Branco MDIA3 3 4 2 R$ 34,81 +6,42%
São Martinho SMTO3 7 7 0 R$ 35,89 +9,86%

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