Auxílio Emergencial 2021: Caixa paga sexta parcela a trabalhadores fora do Bolsa Família nascidos em junho

A Caixa Econômica Federal (Caixa) paga neste domingo (26) a sexta parcela do Auxílio Emergencial aos trabalhadores que não fazem parte do Bolsa Família nascidos em junho.

Os recursos serão depositados em poupança social digital da Caixa, e estarão disponíveis inicialmente para pagamento de contas e compras por meio do cartão virtual. Saques e transferências para quem receber a 6ª parcela neste domingo serão liberados em 11 de outubro.

Auxílio emergencial 2021: regras da prorrogação

Auxílio emergencial 2021: regras da prorrogação

Os trabalhadores podem consultar a situação do benefício pelo aplicativo do auxílio emergencial, pelo site auxilio.caixa.gov.br ou pelo https://consultaauxilio.cidadania.gov.br/

VEJA QUEM RECEBE NESTE DOMINGO:

  • trabalhadores que não fazem parte do Bolsa Família, nascidos em junho

A Caixa lembra que os recursos também podem ser movimentados pelo aplicativo Caixa Tem e na rede lotérica de todo o país.

Como realizar o saque

Para sacar o dinheiro, é preciso fazer o login no aplicativo Caixa Tem, selecionar a opção “saque sem cartão” e “gerar código de saque”.

Depois, o trabalhador deve inserir a senha para visualizar o código de saque na tela do celular, com validade de uma hora.

O código deve ser utilizado para saque em dinheiro nas agências, nas unidades lotéricas ou nos correspondentes Caixa Aqui.

As agências da Caixa abrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h. Não é preciso madrugar ou chegar antes do horário de abertura. Todas as pessoas que procurarem atendimento durante o horário de funcionamento serão atendidas.

Continua disponível aos beneficiários a opção de utilização dos recursos creditados na poupança social digital para a realização de compras, por meio do cartão de débito virtual e QR Code, pagamento de boletos, contas de água, luz, telefone, entre outros serviços.

Com o aplicativo Caixa Tem, também está disponível a funcionalidade para pagamentos sem cartão nas cerca de 13 mil unidades lotéricas do banco.

Calendários de pagamento

Segundo o governo, o novo calendário é o definitivo. O presidente Jair Bolsonaro afirmou que a ideia é não mais prorrogar o benefício após o pagamento da sétima parcela.

Veja abaixo os calendários de pagamento.

BENEFICIÁRIOS DO BOLSA FAMÍLIA

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Auxílio Emergencial 2021 – beneficiários do Bolsa Família — Foto: Economia G1

Auxílio Emergencial 2021 – beneficiários do Bolsa Família — Foto: Economia G1

BENEFICIÁRIOS FORA DO BOLSA FAMÍLIA

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Calendário atualizado de pagamentos do Auxílio Emergencial 2021 — Foto: Economia G1

Calendário atualizado de pagamentos do Auxílio Emergencial 2021 — Foto: Economia G1

VÍDEOS: as últimas notícias sobre o Auxílio Emergencial

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Sem verba extra motivada pela Covid, teto de gastos pode impor perda de R$ 25 bi à Saúde em 2022

O fim — em dezembro deste ano — do orçamento extraordinário criado pelo governo em razão da pandemia de Covid-19 poderá levar a uma redução de cerca de R$ 25 bilhões da verba destinada à saúde pública no ano que vem.

Isso porque as despesas em saúde terão de voltar a obedecer o teto de gastos — que limita o crescimento das despesas à variação da inflação do ano anterior.

Essa variação, de acordo com a lei do teto, é a da inflação em 12 meses até junho do ano anterior. A inflação nesse período acumulou 8,35%. Com isso, o valor mínimo a ser aplicado em saúde no ano que vem é de R$ 134,1 bilhões.

A proposta de orçamento para o próximo ano, enviada pelo Ministério da Economia ao Congresso Nacional em agosto, prevê R$ 134,4 bilhões para despesas com saúde em 2022 — pouco acima, portanto, do mínimo estabelecido pela lei do teto.

Neste ano de 2021, a despesa total com saúde tende a superar esse valor, em razão dos gastos extras motivados pela Covid, mas o Tesouro Nacional informou que o número final depende de informações a serem enviadas pelo Ministério da Saúde.

A norma anterior à regra do teto de gastos, que começou a vigorar em 2017, determinava que o governo deveria aplicar 15% da receita corrente líquida em ações de saúde no ano seguinte — o que implicaria, para 2022, uma despesa mínima de R$ 159,3 bilhões por esse critério.

Desse modo, a regra do teto de gastos está impondo uma perda de R$ 24,9 bilhões para a área de saúde em 2022 (R$ 159,3 bilhões pela regra anterior ao teto menos R$ 134,4 bilhões previstos para o ano que vem com base no teto).

GASTOS COM AÇÕES E SERVIÇOS PÚBLICOS DE SAÚDE
(*) em 2020 e 2021, inclui despesas com Covid
Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional

O que diz o governo

Embora tenha feito a proposta de R$ 134,4 bilhões para a área de Saúde em 2022, patamar pouco acima do gasto mínimo fixado pela regra do teto de gastos, o Ministério da Economia informou que esse valor poderá ser elevado mais adiante.

“É preciso ressaltar que o valor estabelecido para as Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS) é mínimo. O governo pode destinar às ASPS um valor superior a esse e tem feito isso todos os anos, antes e depois que a regra do teto de gastos entrou em vigor”, informou a pasta.

Entretanto, pela regra do teto de gastos, se o Legislativo quiser aumentar o orçamento da área de saúde, terá de cancelar despesas em outros setores em igual proporção — porque os gastos totais já estão no limite no ano que vem.

O governo também diz que podem ser editados créditos extraordinários para aumentar as despesas em saúde no próximo ano, mas admite que, para isso, é necessário que as despesas sejam “atípicas e imprevisíveis”. “Em 2022 pode ocorrer o mesmo, em caso de necessidade”, diz o Ministério da Economia.

Por fim, a pasta avalia que a responsabilidade fiscal — caracterizada pelo respeito ao teto de gastos — não exclui o atendimento à população, pois foram destinados mais recursos para isso na pandemia — por meio de ações extraordinárias, fora dos limites impostos.

“Graças ao teto, a relação entre despesas primárias e PIB [Produto Interno Bruto] no ano que vem pode recuar para 17,5% [do PIB], nível inferior aos registrados antes da pandemia” — o governo tem dito que a responsabilidade fiscal contribui para juros mais baixos, maior crescimento econômico e geração de empregos.

Dificuldade para elevar gasto

Analistas avaliam, porém, que será difícil elevar os recursos para gastos em saúde no próximo ano, considerando que o orçamento de 2022, para todas as áreas, já está reduzido e com espaço limitado, devido justamente à regra do teto de gastos e diante da expansão dos precatórios (sentenças judiciais).

Para abrir espaço no orçamento em 2022, o governo corre contra o tempo para aprovar no Congresso alterações nas regras de pagamento dos precatórios ainda neste ano. Na proposta discutida com o Legislativo, o governo busca autorização para mais R$ 50 bilhões em despesas no próximo ano. Parte dos recursos iria para a ampliação do Bolsa Família.

“Embora o Tesouro Nacional tenha alegado que é possível gastar mais do que o mínimo, o teto não permite isso porque as despesas obrigatórias — principalmente as previdenciárias — crescem acima da inflação e comprimem as demais despesas”, avaliou Leonardo Ribeiro, analista do Senado e especialista em contas públicas.

Ele disse que o teto de gastos é uma medida para reduzir o tamanho do Estado, o que, naturalmente, afetará as áreas de saúde e educação, entre outras.

Para Ribeiro, também não seria adequado usar créditos extraordinários para a saúde em um cenário pós-pandemia porque não estariam presentes as premissas necessárias: urgência e imprevisibilidade, associadas a calamidades públicas.

Getúlio Vargas Moura Júnior, coordenador-adjunto da Comissão Intersetorial de Orçamento e Financiamento do Conselho Nacional de Saúde (CNS), disse que o Sistema Único de Saúde (SUS) continuará pressionado em 2022, mesmo com o fim da pandemia.

Ele observou que o SUS é a única forma de atendimento na área de saúde para sete em cada dez brasileiros.

Moura Júnior lembrou que consultas, procedimentos e cirurgias eletivas, desmarcadas em razão da pandemia, voltarão a gerar demanda para o sistema de saúde, além dos próprios casos de Covid.

“Na contramão de nossa expectativa, a proposta orçamentária traz uma redução para atenção básica, medicamentos, e outros procedimentos que o SUS faria ordinariamente. Esse orçamento limita que isso possa acontecer. Em vez de isso recuperar uma demanda represada pela pandemia, a gente tende a ter um atendimento reduzido em relação ao que tinha antes da pandemia”, declarou.

Em artigo, Lenir Santos, especialista em direito sanitário pela USP e doutora em saúde pública pela Unicamp, e Bruno Moretti, mestre em Economia pela UFRJ, avaliaram que, dos R$ 134,47 bilhões destinados no orçamento à saúde em 2022, R$ 8,1 bilhões são emendas parlamentares individuais e de bancada que, segundo eles, não são “aderentes” ao planejamento sanitário necessário.

Para eles, a distribuição das emendas se pauta por “critérios político-parlamentares nem sempre compatíveis com os requisitos técnicos, especialmente a observância do planejamento e plano de saúde”.

“Ou seja, retiradas as emendas parlamentares, o orçamento de saúde estaria aquém do piso da saúde estabelecido pela EC 95 [regra do teto], em um processo de redução de recursos para o SUS”, afirmaram.

Orçamento emergencial

Depois de o governo ter elevado os gastos em saúde em 2020 e 2021, por meio de um orçamento emergencial, ou seja, fora dos limites do teto de gastos, em razão da pandemia, o Ministério da Economia informou que, na proposta de orçamento de 2022, não estão previstos gastos extraordinários para nenhuma área no ano que vem.

Em 2020, com a eclosão da pandemia, o governo gastou R$ 524 bilhões de forma emergencial para conter os efeitos da Covid-19 — a maior parte em auxílio emergencial (R$ 293,1 bilhões). Mas também foram destinados R$ 42,7 bilhões em despesas adicionais do Ministério da Saúde e outras pastas.

Neste ano, o valor dos gastos extraordinários (fora do teto de gastos) caiu para R$ 135,6 bilhões, segundo a última estimativa da Secretaria do Tesouro Nacional, dos quais R$ 64,9 bilhões em auxílio emergencial e R$ 25,94 bilhões em despesas adicionais do Ministério da Saúde e outras áreas. Os números estão no painel de monitoramento do Tesouro Nacional dos gastos com a Covid-19.

Com o fim da pandemia, o governo não previu recursos extraordinários para os ministérios no orçamento de 2022. Com isso, todos os valores estão dentro do teto de gastos, e a verba destinada ao combate da pandemia recuou para R$ 7,1 bilhões, dos quais R$ 3,9 bilhões se destinam à aquisição de vacinas.

Além da vacinação, estão previstos recursos para assistência de média e alta complexidade e tratamento das sequelas da Covid.

Bitcoin: por que decisão da China fez cair preço da criptomoeda

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Banco Central da China anunciou que todas as transações de criptomoedas são consideradas ilegais no país — Foto: Reuters/BBC

Banco Central da China anunciou que todas as transações de criptomoedas são consideradas ilegais no país — Foto: Reuters/BBC

O Banco Central da China anunciou na sexta-feira (24/9) que todas as transações de criptomoedas são consideradas ilegais no país, incluindo o popular bitcoin.

“As atividades comerciais relacionadas com a moeda virtual são atividades financeiras ilegais”, disse a instituição, alertando que elas “põem seriamente em risco a segurança dos bens das pessoas”.

A China é um dos maiores mercados de criptomoedas do mundo. As flutuações ali geralmente afetam o preço global dessas moedas virtuais.

A proibição na China é a mais recente de uma série de ofensivas contra o que Pequim vê como um investimento especulativo e volátil, na melhor das hipóteses, e lavagem de dinheiro, na pior.

Movimentos de Pequim

A negociação de criptomoedas foi oficialmente proibida na China desde 2019. No entanto, ela continuou a ser feita online por meio de transações no exterior.

Em maio, as autoridades financeiras alertaram os compradores que eles poderiam perder dinheiro e, no mês seguinte, bancos e plataformas de pagamento receberam notificações para evitar transações de criptomoedas.

Mas o anúncio de sexta-feira é a indicação mais clara de que a China quer fechar ao cerco ao comércio de criptomoedas em todas as suas formas.

A declaração deixa claro que os envolvidos em “atividades financeiras ilegais” estão cometendo um crime e serão processados.

E sites estrangeiros que fornecem esses serviços online para cidadãos chineses também são considerados ilegais.

Migração de mineração

A tecnologia no núcleo de muitas criptomoedas, incluindo o bitcoin, é baseada em milhares de computadores distribuídos ao redor do planeta que verificam e controlam as transações em um livro-razão conhecido como “blockchain”.

Novas “moedas” são distribuídas aleatoriamente como recompensas para aqueles que se engajam em um trabalho conhecido como “mineração” criptográfica.

Há muito tempo, a China, com seus custos de eletricidade relativamente baixos e hardware de computador mais barato, é um dos principais centros de mineração do mundo.

Mas a repressão do gigante asiático às criptomoedas já atingiu a indústria de “mineração”.

Pequim proibiu o comércio de computadores de alta capacidade para uso nessa atividade.

O efeito é claro: enquanto em setembro de 2019, 75% do uso de energia do Bitcoin no mundo estava concentrado na China, em abril deste ano, essa taxa havia caído para 46%.

No YouTube, G1 explica como funcionam as criptomoedas

Com gasolina cara, brasileiros se arriscam com gás de cozinha em carro

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Explosão provocada por conversão clandestina de veículo para GLP em Natal, no Rio Grande do Norte, em 2020 — Foto: Assessoria do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte

Explosão provocada por conversão clandestina de veículo para GLP em Natal, no Rio Grande do Norte, em 2020 — Foto: Assessoria do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte

Os brasileiros viram voltar em 2021 o que não queriam que voltasse, como a fome, a inflação, o fogareiro a lenha e o sequestro relâmpago. Agora, mais um item pode ser acrescentado a essa lista: a conversão clandestina de veículos para GLP (gás liquefeito de petróleo), mais conhecido como gás de cozinha ou gás de botijão.

Na plataforma de comércio eletrônico Mercado Livre, o kit para conversão de automóveis para GLP é vendido por valores que variam de cerca de R$ 500 a R$ 1 mil, com a promessa do vendedor de uma economia de “30% na cidade e 50% na estrada”.

A economia prometida não é verdadeira, segundo cálculo feito por professor de finanças da FGV (Fundação Getulio Vargas) e da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) a pedido da BBC News Brasil. E a prática ilegal expõe motorista e passageiros a risco elevado de explosão.

Na Câmara dos Deputados, um projeto de lei (PL 4217/19) que autoriza o e, incluindo o de veículos, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em agosto e está pronto para ir à votação em Plenário.

O projeto divide opiniões no setor de gás. Representantes do segmento de GNV (gás natural veicular) — combustível que é diferente do GLP e pode ser usado em automóveis legalmente — são contrários à aprovação. Eles argumentam que ela pode estimular a conversão clandestina e, com o aumento de demanda, encarecer o gás de cozinha para as famílias, já que entre 27% e 30% do GLP consumido no Brasil é atualmente importado.

Em agosto, o preço médio do botijão de gás de 13 kg estava em R$ 93, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), mas já superava os R$ 100 em diversos estados brasileiros, como Mato Grosso (R$ 114), Rondônia (R$ 111), Amapá (R$ 109), Roraima (R$ 109) e Pará (R$ 102).

SAIBA MAIS:

Os representante dos distribuidores de GLP, por sua vez, acusam o setor de GNV de querer manter reserva de mercado e defendem a liberdade de escolha dos consumidores, lembrando que o combustível é utilizado em automóveis na Europa.

Procurado, o Mercado Livre disse que a venda de kits de GLP na plataforma é proibida e que, assim que identificados, os anúncios com esse teor são derrubados e o vendedor, notificado. Após a resposta da empresa à BBC News Brasil, diversos anúncios foram apagados.

‘Serve para carro Uno, ano 92, carburado?’

O anúncio diz que é de “Kit Gás GLP Botijão P13 para Empilhadeiras Barcos Geradores”, mas as dúvidas dos compradores e respostas do vendedor não deixam dúvidas: o principal uso pretendido por quem compra um desses kits é a conversão clandestina de automóveis.

“Bom dia, serve [para] carro uno ano 92 carburado?”, pergunta um comprador. “Olá, serve sim”, recebe de resposta.

“Kit para Saveiro injetada”, pede outro cliente. “Qual ano e motor? Monoponto ou 4 bicos? Especifique”, responde o vendedor.

“Boa tarde. Esse kit consigo instalar em um Chevette 1.6 a gasolina? Desde já agradeço”, questiona um terceiro. “Consegue sim”, é a resposta.

Para quem pergunta a economia obtida com a conversão, a resposta é sempre a mesma: “Economia em R$ [reais], 30% cidade e 50% estrada, essa é a média”, promete o vendedor.

Além do kit supostamente para empilhadeiras — único veículo no qual o uso de GLP é autorizado —, muitos outros anúncios trazem explicitamente o modelo de veículo a que o produto se destina: “Kit Gás GLP Botijão P13 Vectra Ano 98 Motor 2.2 8v”, “Kit Gás GLP Botijão P13 Doblo 1.3 16v 2005 Gasolina”, “Kit Gás GLP Botijão P13 Meriva 1.4 Flex”, eram alguns dos exemplos disponíveis na quinta-feira (23/9).

Inflação e proibição

A busca por economia no combustível é justificada: segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a gasolina acumula alta de 31% no ano, até agosto, e de 39% em 12 meses. Já o etanol subiu 41% entre janeiro e agosto e 62% no acumulado de 12 meses.

No entanto, a conversão para GLP é ilegal. A Lei 8.176 de 1991 define como crime contra a ordem econômica o uso do “gás liquefeito de petróleo em motores de qualquer espécie, saunas, caldeiras e aquecimento de piscinas, ou para fins automotivos”.

A resolução 673 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) diz que utilizar gás de cozinha em automóveis é uma infração grave. O motorista flagrado perde cinco pontos na carteira, pode ser multado em R$ 195,23 e ter o veículo apreendido.

A infração também está descrita no artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e em normativa da ANP (Resolução ANP nº 49 de 2016).

A conversão clandestina de veículos para GLP era uma prática comum no Brasil dos anos 1980, particularmente nas periferias, mesmo sendo proibida pelo Contran desde 1986. Já a definição do uso como “crime contra a ordem econômica” aconteceu em 1991, em meio à Guerra do Golfo, uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo — o GLP é um derivado do óleo.

Mesmo após a proibição, a prática continuou nos anos 1990. Uma reportagem da Folha de S. Paulo de 1998, por exemplo, relatava que cerca de 25 mil veículos rodavam movidos a gás de cozinha na região de Irecê, no interior da Bahia.

“Os proprietários dos veículos argumentam que o gás de cozinha é mais econômico. Com um botijão de gás (13 kg), o proprietário de um veículo pode rodar até 170 km”, dizia a reportagem. “O botijão de gás custa R$ 9 nos postos de Irecê.”

Botijão de gás a R$ 9. Realmente, eram outros tempos.

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Conversão clandestina de veículos para GLP era prática comum no Brasil dos anos 1980, particularmente nas periferias, mesmo sendo proibida pelo Contran desde 1986 — Foto: Agência Brasil

Conversão clandestina de veículos para GLP era prática comum no Brasil dos anos 1980, particularmente nas periferias, mesmo sendo proibida pelo Contran desde 1986 — Foto: Agência Brasil

Economia de 30%? Longe disso!

E atualmente, compensa fazer a conversão clandestina com o botijão acima dos R$ 90?

O professor Fabio Gallo Garcia, da FGV e da PUC-SP, é taxativo: não compensa, nem do ponto de vista econômico, nem no da segurança de motoristas e passageiros.

A pedido da BBC News Brasil, o especialista em finanças estimou o custo por quilômetro rodado dos diversos tipos de combustíveis, considerando um preço médio de R$ 6,076 por litro para a gasolina, R$ 4,704 por litro para o etanol, R$ 4,146 por metro cúbico para o GNV e R$ 16,12 por metro cúbico para o GLP (equivalente a R$ 98,33 por botijão de 13 kg).

Pelas contas do professor, considerando apenas o preço dos combustíveis, o GNV — que é usado legalmente nos veículos — gera uma economia por quilômetro rodado de 51% em relação à gasolina e de 56% em relação ao etanol. Já no GLP — de uso clandestino —, a economia é de apenas 4,4% em relação à gasolina e 13,5% na comparação com o etanol.

Ou seja: nem de longe a economia chega nos 30% ou 50% prometidos pelo vendedor de kits do Mercado Livre.

Como a economia por quilômetro rodado é menor, o tempo de retorno do investimento na conversão também é pior para o GLP, em relação ao GNV, estima Gallo Garcia.

Considerando o desconto dado por muitos estados no IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e a economia por quilômetro rodado, um veículo convertido da gasolina para o GNV recupera o investimento de cerca de R$ 5 mil na conversão em pouco mais de 12 meses, se rodar 1.000 km por mês.

Já para o GLP, considerando um kit de conversão de R$ 1 mil, levaria 38 meses para o investimento se pagar, rodando 1.000 km por mês.

“Isso confirma que a economia propalada não é verdadeira. Além de todo risco”, conclui o professor.

GLP Vs. GNV

Por ser uma prática ilegal, não há dados de quantos veículos rodam a GLP atualmente no país.

Já os veículos a GNV são hoje 2 milhões, segundo a Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), menos de 5% da frota de cerca de 46,2 milhões de automóveis em circulação no Brasil, pela estimativa do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores).

Gustavo Galiazzi, gerente técnico da Abegás, explica que o GLP (gás de botijão) é uma mistura de dois gases, propano e butano, a proporção de mais ou menos 50/50. Ele é obtido através do refino do petróleo.

O GNV (gás natural veicular), por sua vez, é composto em quase 90% de metano e é extraído diretamente de reservatórios no subsolo.

Do ponto de vista físico, o GLP tem mais moléculas de carbono e o gás natural, menos. Na prática, isso significa que o GLP pode ser pressurizado no botijão e ele vira líquido. Já o gás natural só tem uma molécula de carbono. Como ele é muito leve, não pode ser facilmente liquefeito, por isso é sempre comercializado encanado.

“Como o GNV é mais leve do que o ar, em caso de vazamento, ele se dissipa com facilidade. Já o GLP é mais pesado do que o ar, então quando vaza, ele fica no fundo da mala do carro”, diz Galiazzi, lembrando ainda que a temperatura de autoignição do GNV é bastante superior à do GLP, o que também torna o gás natural mais seguro do que o de botijão para uso automotivo.

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Táxi sendo abastecido com GLP em Manila, capital das Filipinas — Foto: Getty Images

Táxi sendo abastecido com GLP em Manila, capital das Filipinas — Foto: Getty Images

Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo), concorda que a conversão clandestina é perigosa, mas afirma que o uso legalizado e com as devidas certificações do GLP automotivo é seguro, como atesta o crescimento desse mercado na Europa.

“O maior desenvolvimento de utilização de GLP no mundo é o que se chama de Autogas, que é o GLP automotivo”, argumenta Mello. “Tecnicamente, em termos de segurança, o GLP é um combustível espetacular para motores.”

Segundo dados da Acea (sigla em inglês para a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis), o registro de novos veículos movidos a GLP cresceu 134% na União Europeia no segundo trimestre de 2021, em relação a igual período do ano passado, para 59,4 mil unidades. Já o registro de novos veículos a GNV cresceu 42% no período, para 13,5 mil.

Ambos os mercados, no entanto, são bastante pequenos se comparados, por exemplo, ao de veículos elétricos, que somou mais de 400 mil novas unidades na Europa no período.

Projeto de lei na Câmara

Um projeto de lei na Câmara tenta tirar o uso do GLP em motores do âmbito da gambiarra para a legalidade.

O deputado federal Felício Laterça, ex-delegado de polícia e atualmente no PSL-RJ, diz que a ideia veio de um amigo seu, também policial.

“A motivação foi minha experiência policial. Não raro, nós vemos certas situações que são criminalizadas para se resolver um problema que não é criminal”, diz Laterça.

“Um colega policial civil me apresentou esse problema e eu falei: é agora. Porque, por uma questão de política econômica, vedaram o uso do gás para caldeiras e motores, o que é uma situação completamente esdrúxula e anômala”, avalia.

Em sua justificativa para o projeto, o deputado argumenta que a lei que define o uso do GLP em motores como crime contra a ordem econômica “foi elaborada [em] um contexto que reclamava medidas de contenção do consumo de derivados do petróleo”.

“Passados quase 30 anos, o cenário atual contraria o cenário econômico daquela época, registrando aumento substancial da produção interna de petróleo e considerável independência do GLP importado”, escreve o ex-delegado.

Questionado se não há um equívoco na argumento, posto que o Brasil ainda importa entre 27% e 30% do GLP que consome, Laterça diz que a produção de gás no país está crescendo e que eventualmente chegaremos à autonomia.

No entanto, o que tem crescido no Brasil é a produção de gás natural (GNV), enquanto a produção de GLP é limitada pela capacidade nacional de refino de petróleo — mesmo motivo pelo qual o país ainda importa outros combustíveis, apesar de ser autossuficiente em óleo cru.

O Sindigás apoia o projeto de lei, mas lembra que, mesmo que ele seja aprovado, o uso do GLP em veículos ainda seria proibido, devido às normativas do Contran e da ANP.

“Se alguém está comprando kit para adaptação para GLP, significa que ele é competitivo. Não seria a hora de ser permitido que o GLP seja usado para qualquer fim e o consumidor faça — com normas — a escolha pelo combustível que ele queira?”, questiona Mello.

A Abegás, por sua vez, é contrária à mudança, segundo Galiazzi. “Esse projeto não faz sentido. Para liberar para veículos, vamos ter que aumentar as importações — são divisas que vamos ter que alocar para fora do país. Quem vai acabar pagando a conta são as famílias de baixa renda.”

Preço médio da gasolina sobe pela 8ª semana seguida nos postos, mostra ANP

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Bomba de gasolina na zona sul de São Paulo — Foto: Marcelo Brandt/G1

Bomba de gasolina na zona sul de São Paulo — Foto: Marcelo Brandt/G1

O preço médio da gasolina subiu pela 8ª semana nos postos de combustíveis do Brasil e permanece acima da marca de R$ 6 por litro, de acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A cotação média da gasolina comum nas bombas atingiu R$ 6,092 por litro nesta semana, ante R$ 6,076 na semana anterior.

A pesquisa também mostrou alta nos valores do etanol, que chegou a R$ 4,715 por litro, versus R$ 4,704 na última semana.

O óleo diesel teve leve recuo e foi cotado a R$ 4,707 por litro, pouco abaixo dos R$ 4,709 registrados na semana passada.

O que faz os preços da gasolina e diesel subirem?

O que faz os preços da gasolina e diesel subirem?

Impacto na inflação

Em 2021, o combustível se transformou num dos vilões da inflação, responsável por afetar duramente o orçamento das famílias brasileiras – já prejudicadas pela alta dos alimentos e da energia elétrica. Segundo o IBGE, a gasolina acumula no ano uma alta de 31,09%.

Os preços de venda dos combustíveis seguem o valor do petróleo no mercado internacional e a variação cambial. Dessa forma, uma cotação mais elevada da commodity e/ou uma desvalorização do real têm potencial para contribuir com uma alta de preços no Brasil, por exemplo.

Executiva da Huawei é liberada de prisão domiciliar e volta para a China após acordo com EUA

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A diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, deixa sua casa em Vancouver, após audiência sobre sua libertação — Foto: Jesse Winter / Reuters

A diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, deixa sua casa em Vancouver, após audiência sobre sua libertação — Foto: Jesse Winter / Reuters

A diretora financeira da fabricante de tecnologia chinesa Huawei, Meng Wanzhou, retornou para a China neste sábado (25), após quase três anos em prisão domiciliar no Canadá, acusada de fraude financeira nos Estado Unidos.

Na sexta-feira (24), Wanzhou chegou a um acordo com promotores norte-americanos, que retiraram um pedido de extradição, e ganhou a liberdade, durante uma audiência na corte de Vancouver. Logo depois, ela deixou o país com destino à cidade chinesa de Shenzhen.

No acordo, a executiva teria concordado em admitir que cometeu delitos. Ela foi acusada ter violado sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Irã.

Em 2018, um tribunal de Nova York emitiu um mandado de prisão para Meng, acusada de mentir para o banco HSBC sobre a relação da Huawei com a subsidiária Skycom, que vendia equipamentos para o Irã, colocando o banco em risco de violar as sanções dos EUA contra o Irã.

Meng é filha do fundador da Huawei, Ren Zhengfei. A empresa é a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações e a segunda maior fabricante de smartphones do mundo.

Crise diplomática

O caso prejudicou as relações da China com os Estados Unidos e o Canadá. Também gerou acusações de que a China deteve cidadãos canadenses em retaliação, o que o país negou.

Os canadenses Michael Kovrig e Michael Spavor foram presos na China em 2018, acusados de espionagem e roubo de segredos de Estado. Segundo as autoridades chinesas, Kovrig violou “gravemente” as leis do país, atuou como “espião” e “roubou segredos de Estado” por meio do empresário Spavor.

Kovrig e Michael Spavor também foram liberados na sexta-feira (24) e já voltaram para o Canadá, em um aparente ato de reciprocidade de Pequim, de acordo com a agência Reuters.

Veja os destaques do Globo Rural deste domingo (26/09/2021)

Veja os destaques do Globo Rural deste domingo (26/09/2021)

Veja os destaques do Globo Rural deste domingo (26/09/2021)

O Globo Rural deste domingo (26) mostra a macadâmia, noz que, quando plantada em conjunto, beneficia a safra de café, gerando aumento de produtividade e melhora na qualidade dos grãos.

Tem ainda a alta da arroba bovina e a queda da negociação do animal, a presença de cigarrinhas nas lavouras de milho no Rio Grande do Sul e mais.

Não perca, o Globo Rural começa a partir das 8h00.

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Auxílio Emergencial 2021: Caixa paga sexta parcela a trabalhadores fora do Bolsa Família nascidos em maio

A Caixa Econômica Federal (Caixa) paga neste sábado (25) a sexta parcela do Auxílio Emergencial aos trabalhadores que não fazem parte do Bolsa Família nascidos em maio.

Os recursos serão depositados em poupança social digital da Caixa, e estarão disponíveis inicialmente para pagamento de contas e compras por meio do cartão virtual. Saques e transferências para quem receber a 6ª parcela neste sábado serão liberados em 8 de outubro.

Auxílio emergencial 2021: regras da prorrogação

Auxílio emergencial 2021: regras da prorrogação

Os trabalhadores podem consultar a situação do benefício pelo aplicativo do auxílio emergencial, pelo site auxilio.caixa.gov.br ou pelo https://consultaauxilio.cidadania.gov.br/

VEJA QUEM RECEBE NESTE SÁBADO:

  • trabalhadores que não fazem parte do Bolsa Família, nascidos em maio

A Caixa lembra que os recursos também podem ser movimentados pelo aplicativo Caixa Tem e na rede lotérica de todo o país.

Como realizar o saque

Para sacar o dinheiro, é preciso fazer o login no aplicativo Caixa Tem, selecionar a opção “saque sem cartão” e “gerar código de saque”.

Depois, o trabalhador deve inserir a senha para visualizar o código de saque na tela do celular, com validade de uma hora.

O código deve ser utilizado para saque em dinheiro nas agências, nas unidades lotéricas ou nos correspondentes Caixa Aqui.

As agências da Caixa abrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h. Não é preciso madrugar ou chegar antes do horário de abertura. Todas as pessoas que procurarem atendimento durante o horário de funcionamento serão atendidas.

Continua disponível aos beneficiários a opção de utilização dos recursos creditados na poupança social digital para a realização de compras, por meio do cartão de débito virtual e QR Code, pagamento de boletos, contas de água, luz, telefone, entre outros serviços.

Com o aplicativo Caixa Tem, também está disponível a funcionalidade para pagamentos sem cartão nas cerca de 13 mil unidades lotéricas do banco.

Calendários de pagamento

Segundo o governo, o novo calendário é o definitivo. O presidente Jair Bolsonaro afirmou que a ideia é não mais prorrogar o benefício após o pagamento da sétima parcela.

Veja abaixo os calendários de pagamento.

BENEFICIÁRIOS DO BOLSA FAMÍLIA

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Auxílio Emergencial 2021 – beneficiários do Bolsa Família — Foto: Economia G1

Auxílio Emergencial 2021 – beneficiários do Bolsa Família — Foto: Economia G1

BENEFICIÁRIOS FORA DO BOLSA FAMÍLIA

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Calendário atualizado de pagamentos do Auxílio Emergencial 2021 — Foto: Economia G1

Calendário atualizado de pagamentos do Auxílio Emergencial 2021 — Foto: Economia G1

VÍDEOS: as últimas notícias sobre o Auxílio Emergencial

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Conta de luz da tarifa social continua com bandeira vermelha 2 em outubro, informa Aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou nesta sexta-feira (24) que a conta de luz das famílias de baixa renda incluídas na Tarifa Social de Energia Elétrica continuará com a bandeira tarifária vermelha 2 em outubro.

O sistema de bandeiras tarifárias é uma cobrança adicional aplicada às contas de luz quando o custo de produção de energia aumenta. O valor extra é reflexo da crise hídrica que afeta os reservatórios das usinas hidrelétricas. Para preservar água, o governo acionou as usinas termelétricas, que são mais caras e mais poluentes.

Com o acionamento da bandeira vermelha patamar 2, a cobrança adicional na conta de luz da tarifa social é de R$ 9,49 a cada 100 quilowatts/hora (kWh) consumidos.

Os consumidores da tarifa social são isentos de pagar a bandeira escassez hídrica, que entrou em vigor para os demais consumidores em setembro e deve permanecer até 30 de abril de 2022.

A nova bandeira, que é a mais cara do sistema, representa alta de 49,63% em relação à bandeira vermelha patamar 2. Com a bandeira escassez hídrica, o custo da energia tem um adicional de R$ 14,20 por 100 kWh consumidos.

As famílias de baixa renda continuam tendo direito ao desconto nas tarifas, que varia de 10% a 65% de acordo com a faixa de consumo. O desconto é concedido nos primeiros 220 kWh consumidos mensalmente por clientes residenciais.

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Entenda as bandeiras tarifárias — Foto: G1

Entenda as bandeiras tarifárias — Foto: G1

Inclusão automática

O presidente Jair Bolsonaro sancionou, no início de setembro, uma lei que determina a inscrição automática de famílias de baixa renda como beneficiárias da tarifa social.

A ideia é facilitar as inscrições no programa a partir do compartilhamento das informações do Cadastro Único pelo Executivo. Antes da lei, interessados precisavam solicitar a inscrição por telefone ou dirigir-se à distribuidora para pedir o benefício.

Têm direito à tarifa social:

  • famílias inscritas no Cadastro Único do governo federal, com renda per capita menor ou igual a meio salário mínimo;
  • idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência que recebam o Benefício de Prestação Continuada (BPC);
  • famílias inscritas no Cadastro Único com renda mensal de até três salários mínimos com um integrante que, devido a uma doença ou a uma deficiência, faça uso contínuo de aparelhos médicos que consomem energia elétrica.

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Petróleo fecha com valor máximo desde 2018 em meio à oferta restrita

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Preços do petróleo fecharam em alta pelo quarto dia consecutivo nesta sexta-feira (24) — Foto: Gregory Bull/AP/Arquivo

Preços do petróleo fecharam em alta pelo quarto dia consecutivo nesta sexta-feira (24) — Foto: Gregory Bull/AP/Arquivo

Os preços do petróleo fecharam em alta pelo quarto dia consecutivo nesta sexta-feira (24), com o Brent alcançando um valor máximo em quase três anos, em um mercado onde a oferta se anuncia persistentemente insuficiente e diante da demanda crescente.

O barril de Brent do Mar do Norte para entrega em novembro fechou a US$ 78,09 em Londres, em alta de 1,08% em relação ao fechamento de quinta. Trata-se do seu nível de fechamento mais elevado desde 22 de outubro de 2018.

Em Nova York, o barril de WTI para entrega no mesmo período, fechou em alta de 0,92% a US$ 73,98.

Para Michael Lynch, presidente da consultoria Strategic Energy Group; Economic Research (SEER), esta alta se deve à opinião dos operadores, que consideram a oferta de petróleo insuficiente no mundo.

“Ver baixar as reservas (comerciais americanas) cada vez mais faz pensar que o mercado continuará tenso pelo menos por algum tempo”, comentou.

No Golfo do México, 31 plataformas que foram evacuadas antes do furacão Ida, há quatro semanas, continuam inoperantes.

Segundo a analista Louise Dickson, da Rystad Energy, as perturbações provocadas por Ida vão privar o mercado de 300 mil barris diários entre o fim de agosto e dezembro.

A demanda, enquanto isso, não dá sinais de fragilidade, com alta nas importações de petróleo na Índia, uma melhora da situação sanitária na Europa, a suspensão das restrições de entrada no território pelos Estados Unidos, o que deverá reativar as viagens e a demanda de combustível pelas companhias aéreas.