2021 marca início de novo boom das commodities, mas risco político no Brasil é ameaça, dizem analistas

SÃO PAULO — O ano passado foi um pesadelo para algumas delas, mas para 2021 há uma expectativa de uma volta por cima das commodities no cenário global. Pelo menos é o que dizem analistas, que apostam suas fichas na retomada dos preços diante do cenário de maior demanda e menor oferta.

Um levantamento da gestora Crescat Capital apontou que a relação entre as commodities e o mercado de ações globais está em seu menor nível desde a década de 1970 (veja o quadro abaixo) — e, na visão do gestor Otávio Costa, o início de uma trajetória ascendente é iminente.

“Há oportunidades na área de commodities. A gente achou que o início desse movimento seria principalmente nos metais preciosos e mineradoras. No gráfico, vimos recentemente as commodities começando a quebrar uma resistência de 12 anos”, disse.

O gestor da Crescat afirmou que será um “ponto de inflexão” para o mercado. “Vai mudar bastante as coisas, principalmente as ações com valorização absurda como as do setor de tecnologia, por exemplo. As commodities continuam sendo a bola da vez este ano. Um movimento que começou no fim do ano passado.”

Em 2020, a pandemia de coronavírus reduziu a produção de metais preciosos diante da queda da demanda global. Com isso, houve uma redução dos estoques e um posterior aumento de preços, que segundo analistas deve se manter nos próximos anos já que a demanda vai voltar rapidamente conforme as pessoas forem vacinadas contra a Covid-19 e o ritmo de aumento de produção é mais lento que isso.

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O preço do ouro negociado na B3 subiu cerca de 56% em 2020 (veja o ranking das aplicações financeiras no ano passado), enquanto isso o da prata subiu em torno de 45% no mesmo período. Já o barril de petróleo Brent, negociado em Londres, caiu 24%, enquanto o petróleo WTI, cotado em Nova York, cedeu em torno de 21% no período.

Os contratos futuros de petróleo chegaram a ter preço negativo nos Estados Unidos ao longo do ano — conforme os produtores praticamente pagavam para não terem que estocar mais commodity. Vale lembrar que a demanda global por petróleo afundou no auge da pandemia, em meados de março e abril de 2020, conforme as medidas de restrição de circulação de pessoas foram adotadas no mundo todo, causando cancelamento de voos e fechamento de fronteiras.

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“O petróleo pode ser um dos melhores ativos do ano em investimentos”, disse Costa. “O que a gente viu em 1919 depois da Peste Negra foi também um problema em que as commodities se tornaram praticamente uma raridade. Houve uma força inflacionária por causa do aumento nos preços das commodities”, completou.

“Com essa liderança democrata nos Estados Unidos isso deve dar ainda mais suporte para o mercado de commodities. (…) A demanda por commodities vai voltar com a oferta restrita. Isso vai causar uma explosão nos preços, principalmente metais preciosos e petróleo. A gente viu ouro subindo já, prata subindo também, mas a gente ainda não viu o petróleo subindo ainda. Vai acontecer”, concluiu.

Luiz Eduardo Portella, sócio da Novus Capital, acredita que o mundo pode entrar num ciclo de alta de commodities e emergentes, como vimos entre 2001 até 2009. “Nos últimos dez anos, tivemos só Bolsas americanas outperformando e os emergentes patinaram nesse período. Vemos uma inversão dessa tendência agora nos próximos anos”, disse.

“Essa crise da Covid fez com que o excesso de capacidade que tinha em alguns mercados zerasse. Todo mundo vai ter que recompor os estoques, iniciar um ciclo de produção industrial forte no mundo que vai durar ainda bastante tempo. Com a introdução da vacina, o setor de serviços, que puxou muito a atividade para baixo, vai voltar a andar”, avaliou.

Portella ponderou, no entanto, o risco político. Ele citou a votação para presidência da Câmara e que ambos os candidatos são reformistas. “Até as próximas eleições em 2022, estamos tranquilos com o teto. Fazendo reformas, a gente consegue surfar essa onda positiva global. Podemos fechar o ano de 2021 com o Ibovespa acima dos 140 mil”, finalizou.

Na visão de Felipe Taylor, gestor de ações da MAG Investimentos, em 2021 vai haver uma troca de liderança importante nos setores que puxaram as economias, conforme a população global vai sendo vacinada e a vida vai voltando “ao normal”, criando espaço para crescimento de lucros de empresas que estão mais expostas à retomada econômica.

“Em 2020, quem cresceu foram os negócios que conseguiram desempenhar bem mesmo na crise, como o setor de tecnologia, que se beneficiou de mais pessoas ficando em casa e trabalhando de casa. As empresas de tecnologia, de internet, que foram destaque em 2020, não têm valuations que gerem desconforto, devem continuar performando bem, mas não devem voltar a ser destaque em 2021”, disse.

“Esse papel deve ficar com as empresas de commodities de maneira geral, o setor petroleiro, que foi uma indústria que apanhou bastante no ano passado, e tudo relacionado a turismo, como empresas aéreas. Vão entregar nos próximos dois anos crescimento de lucro expressivo, especialmente porque a base de comparação ficou baixa”, completou.

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No acumulado de 2021, até o momento, o barril de petróleo Brent já subiu 10,5% em Londres, enquanto o barril WTI registra alta de 10,3% em Nova York.

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Com vacinas e após o boom das techs, quais setores vão se destacar na bolsa americana em 2021?

(Shutterstock)

SÃO PAULO – A pandemia de coronavírus colapsou os mercados no início de 2020, com as bolsas derretendo em março. Mas a enxurrada de dinheiro injetada nas economias para conter os efeitos negativos da crise empurrou Wall Street para uma forte recuperação até dezembro, e os índices por lá fecharam o ano passado com boas valorizações, a despeito do aumento de infectados e mortes — e esse movimento deve continuar em 2021, segundo analistas.

Após o índice S&P 500 (que engloba as 500 maiores empresas de capital aberto nos Estados Unidos) avançar 16,3% nos últimos 12 meses, a expectativa da maior parte dos analistas é que este seja mais um ano positivo para o mercado americano. As projeções menos otimistas indicam ganho de pouco mais de 1%, enquanto as mais otimistas vislumbram alta de mais de 20%.

“Vemos o S&P 500 atingindo 4.000 pontos no início do próximo ano”, escreveram em relatório os estrategistas do JPMorgan liderados por Dubravko Lakos-Bujas. “Nosso cenário-base é 4.400 pontos, com uma margem de 4.200 a 4.600 pontos”. Ou seja, no cenário mais otimista, o índice americano pode subir 22,5% em 2021. O S&P encerrou o ano passado aos 3.756 pontos e atualmente está próximo de 3.800 pontos.

O banco espera que a maior parte da alta do mercado ocorra no primeiro semestre, mas os analista acreditam que o cenário positivo deve durar até o fim do ano, quando uma recuperação econômica mais plena ocorrer.

E se de um lado essas projeções reforçam que o rali visto desde o início do segundo semestre de 2020 deve continuar, para muitos investidores a dúvida que fica é em quais ações e setores ficar de olho agora. Será que os papéis de tecnologia, o grande destaque do ano passado, ainda vão continuar em alta?

Em geral, a visão é que as chamadas “big techs”, ou gigantes de tecnologia, sigam como uma boa opção em 2021, mas deixem de ser o melhor setor conforme as companhias que ficaram para trás na crise começam a engatar uma alta maior com o andamento das vacinas e a esperada recuperação econômica.

“Muito provavelmente a gente vai ver uma troca de liderança importante conforme a economia vai melhorando e a gente tem espaço para crescimento de lucros de empresas que estão mais expostas à retomada econômica”, avalia Felipe Taylor, gestor de ações da MAG Investimentos.

“As empresas de tecnologia, de internet, que foram destaque em 2020, não têm valuations que gerem desconforto, devem continuar performando bem, mas não devem voltar a ser destaque em 2021″, continua ele, que acredita que este ano o crescimento será “bastante superior” ao de 2020.

Já o Goldman Sachs – que vê o S&P 500 em 4.300 pontos no fim deste ano – admite estar bem otimista, em um cenário em que projeta uma melhora dos resultados corporativos junto com as baixas taxas de juros como algo que guiará os ganhos em ações.

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O Wells Fargo, por sua vez, vê os lucros das empresas subindo perto de 30% em 2021, ajudando a fundamentar alguns dos valuations exagerados em ações de crescimento, que empurraram o valuation médio do S&P para mais de 30 vezes os lucros anuais – bem acima das 22 vezes apresentadas no ano passado.

Confira as projeções para o S&P 500 em 2021:

Instituição Projeção para o S&P 500 em dezembro de 2021 Variação em relação o fim de 2020
JPMorgan 4.400 pontos +17,15%
Goldman Sachs 4.300 pontos +14,48%
Oppenheimer 4.300 pontos +14,48%
Credit Suisse 4.200 pontos +11,82%
BMO 4.200 pontos +11,82%
UBS 4.100 pontos +9,16%
CFRA 4.080 pontos +8,63%
Barclays 4.000 pontos +6,50%
BTIG 4.000 pontos +6,50%
Deutsche Bank 3.950 pontos +5,17%
Morgan Stanley 3.900 pontos +3,83%
Wells Fargo 3.900 pontos +3,83%
Citigroup 3.800 pontos +1,17%
Bank of America 3.800 pontos +1,17%

Setores para ficar de olho

Com a expectativa pela vacinação em massa e consequente recuperação econômica com a redução do isolamento social, analistas apontam que 2021 deve confirmar a rotação de ações vista já desde o fim do ano passado. Ou seja, os investidores estariam saindo de ações de “crescimento”- empresas em rápida expansão com potencial não realizado – para ativos de valor – papéis de empresas com receita estável e alto rendimento de dividendos – e cíclicos.

Diante disso, o principal foco de investimento deve ser papéis que ficaram para trás ou sofreram muito com a crise, e neste sentido o setor de consumo discricionário, como as empresas de lazer, turismo, varejo e manufatura, além das petrolíferas, estão entre as mais recomendadas pelas principais instituições.

“Não se tem muito bem clara quais são as metodologias para justificar o que é uma empresa de crescimento ou o que é uma empresa de valor. Mas olhando um dos índices que a gente acompanha, o índice de valor perdeu 3% em 2020 e o de crescimento subiu 32%. Ou seja, um alfa, um outperform de 35%”, destaca Fernando André Martin, analista de BDRs da Levante.

Diante disso, ele acredita que as ações de valor, com setores mais tradicionais, possam ter um desempenho relativo um pouco melhor sobre as empresas de crescimento em 2021 em comparação ao ano passado.

“Temos a expectativa de um pouco mais de inflação nos sistema econômico global, um aumento nos preços das commodities, os bancos também ficaram um pouco para trás em 2020 e devem se recuperar neste ano – isso vale para Brasil também”, avalia.

Mas nem por isso as ações de tecnologia devem ficar para trás. O setor deve seguir forte este ano, mas não será o grande destaque da bolsa americana. Além disso, companhias farmacêuticas expostas à vacina também são apontadas como boas opções pelos analistas.

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Para completar, ativos de cannabis e mais relacionados ao meio ambiente também entraram no radar recentemente diante da confirmação da conquista da maioria no Congresso dos EUA pelos democratas, o que indica que pautas que favoreçam estes setores podem ser aprovadas. Confira abaixo as análise para cada setor:

Saúde

Analistas destacam este como um dos principais destores para 2021, e se o investidor pensa logo nas companhias ligadas à produção de vacinas, há outros “vencedores” na área.

O JPMorgan destaca em relatório que “provedores de serviços de saúde são potenciais beneficiários da demanda médica reprimida (procedimentos adiados e cirurgias eletivas, por exemplo)”. “Apesar de uma desaceleração global em 2020, espera-se que a saúde entregue outro ano de forte e saudável crescimento, com ganhos de 7%”, avaliam.

Alguns estrategistas também destacam companhias farmacêuticas que sofreram com uma mudança ou redução de uso de seus medicamento por conta da alteração das estruturas hospitalares para atendimento contra a Covid-19.

Tecnologia

Para Felipe Taylor, gestor de ações da MAG Investimentos, as empresas de tecnologia e de internet, que foram destaque em 2020, não têm valuations que gerem desconforto apesar da forte alta dos últimos meses. Ele acredita que o setor deve continuar performando bem, mas não deve voltar a ser destaque em 2021.

O grupo dos FAANG (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google), ou FAAMG (que troca Netflix por Microsoft), segue como uma boa opção dada a resiliência destas companhias, que estão entre as maiores do mundo. Mas especialistas apontam que outras áreas podem se destacar.

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A explicação é que alguns hábitos adquiridos na pandemia, como entregas e compras online, deve permanecer neste momento de recuperação econômica. Por isso, companhias que estejam ligadas ao negócio de fornecimento de infraestrutura de e-commerce e de informações podem ser ganhadoras.

Além disso, algumas empresas que não se beneficiaram da tendência de isolamento no ano passado também criam oportunidades, em especial fabricantes de semicondutores e outros componentes eletrônicos. Elas tendem a se beneficiar conforme o consumo aumente e também a produção de equipamentos retome seu nível normal.

Entretenimento

Um dos setores mais prejudicados pelo isolamento social, o entretenimento não deve ter um “boom” de retorno, já que a expectativa é que a vida volte ao que era antes de forma gradual, mas especialistas apontam companhias voltadas para diversão, como shows e parques de diversão, como algumas das mais descontadas da bolsa neste momento e que devem se reerguer.

Companhias fabricantes de brinquedos também estão no radar. Para Eric Handler, analista da MKM Partners, a Hasbro pode ser uma boa escolha conforme a indústria se recupera em 2021, entrando no ano com um estoque baixo. Ele lembra que a volta da vida normal deve levar também ao lançamento de mais filmes e como a Hasbro tem uma grande variedade de licenciamentos, pode ganhar com a produção de novas mercadorias.

Restaurantes e fast food

Outro setor bastante prejudicado com a crise, os restaurantes passaram os últimos meses alternando entre fechados, abrindo apenas para retiradas e entregas, jantares em áreas abertas e fechados novamente.

Muitas companhias tiveram que mudar sua estrutura de negócio para conseguir funcionar de alguma forma permitida pelos governos, o que, por sua vez, gerou mais custos no ano passado.

Agora, várias dessas empresas aparecem descontadas na bolsa e podem ser uma boa opção com a retomada dos negócios.

Varejo e bens duráveis

As varejistas foram duramente impactadas pela pandemia, mas diferente de outros setores, muitas tiveram a opção de mudar o seu negócio e apostar no e-commerce.

Agora, analistas apontam que boas ações no setor serão as empresas que conseguirem se adaptar ao “novo normal”, com o home office sendo adotado por muitas empresas. Ou seja, o investidor estará de olho em quem conseguir estruturar suas vendas online e ainda oferecer opções flexíveis, como devolução gratuita, ou descontos para clientes.

Em geral, analistas destacam os itens do chamado consumo discricionário, ou seja, que não são essenciais. “Antes do choque da Covid-19, os bens de consumo duráveis viram um vento contrário significativo em relação às tarifas EUA/China”, afirmam os analistas do JPMorgan.

“Se houver alguma flexibilização na frente comercial por parte do governo Biden, esta seria outra fonte de expansão de margem para o setor, que é nossa principal escolha para 2021”, completam.

Aéreas e turismo

O setor que praticamente parou com a pandemia segue na esperança de em breve aumentar o fluxo conforme as medidas de restrição são reduzidas. A projeção é que o momento atual, com as restrições de locomoção ainda em vigor, seja bom para investir nestes papéis, que estão baratos e podem subir forte com a retomada.

A retomada da vida normal levará à volta dos voos e alguns analistas esperam um grande salto na demanda. Além disso, se o e-commerce seguir forte como no ano passado, o transporte de mercadorias, seja pelo ar ou de forma marítima, poderá impulsionar diversas empresas.

Especialistas citam não só empresas que transportam mercadorias, mas também aquelas que fabricam produtos relacionados ao transporte, como gelo seco para remessas de vacinas e outro tipo de suprimentos.

Cannabis

Este é um setor que está sempre no radar dos analistas, mas que não vinha sendo apontado como um dos principais para 2021. A conquista do Senado pelos democratas, porém, pode mudar esse cenário, já que há uma expectativa de que pautas voltadas para a descriminalização da maconha possam andar no Congresso, o que deve favorecer bastante essas ações.

A Câmara já aprovou um projeto em dezembro para descriminalizar e taxar a maconha em nível federal, mas o projeto está parado no Senado, que até o início desta semana era controlado pelos republicanos.

A legalização da maconha para uso recreativo em Montana, Nova Jersey, Dakota do Sul e Arizona também tem movimentado o setor no país, e há rumores de que Nova York já esteja estudando seguir a mesma linha. Até agora, apenas 15 dos 50 estados americanos legalizaram totalmente a maconha, enquanto outros 16 descriminalizaram a droga para uso não médico.

Financeiro

“Embora o crescimento da receita e as preocupações com o crédito permaneçam, uma combinação de suporte fiscal e monetário deve sustentar um ambiente de crédito mais fácil para empresas e consumidores no curto a médio prazo”, afirma o JPMorgan.

Analistas acreditam que o cenário de ajuda econômica fornecido pelo Federal Reserve deva sustentar o setor, principalmente com um governo democrata, que historicamente tem uma tendência a gastar mais com estímulos.

Por outro lado, houve uma mudança de visão geral que pode pesar no futuro, mas ainda é incerto. Especialistas apontavam que um Congresso dividido seria benéfico para evitar um aumento de impostos corporativos ou mudanças regulatórias.

Como os democratas ficaram com a Câmara e Senado, há um risco maior que essas pautas sejam aprovadas. Mesmo assim, fica a dúvida, já que analistas políticos reforçam que mesmo com a “onda azul”, Biden não terá facilidade para aprovar qualquer tipo de projeto.

Petróleo

Junto com companhias aéreas e turismo, as empresas de petróleo estão entre as maiores perdedoras da pandemia. No início da crise, os preços futuros da commodity chegaram a ficar negativos pela primeira vez na história.

A expectativa agora é que a retomada da vida normal deva aumentar a demanda por combustíveis, tanto para veículos sobre rodas mas também da querosene de aviação. Por outro lado, analistas não enxergam o preço do barril do petróleo subindo tanto em 2021.

“Dado o acentuado desempenho inferior, este setor é o menos detido [por investidores] e é universalmente odiado”, afirmam os estrategistas do JPMorgan, que aponta que a questão da ação do governo será o principal ponto de preocupação para companhias mais ligadas a terras e oleodutos.

Se até pouco tempo a projeção era de um Congresso dividido nos EUA, com a Câmara democrata e o Senado republicano, o fato do partido de Biden ter conseguido o controle das duas Casa pode trazer preocupações sobre regulações nos próximos meses.

Commodities

As commodities devem seguir em alta em 2021, segundo Otávio Costa, gestor da Crescat Capital, que enxerga uma “grande oportunidade” no setor — o que inclui ações de petroleiras e pequenas mineradoras na bolsa dos EUA focadas em metais preciosos.

“Nós vimos recentemente commodities começando a quebrar uma resistência de 12 anos […] Eu acho que commodities vai continuar sendo a bola da vez este ano. Começou no fim do ano passado. Tudo relacionado a commodities vai se dar bem este ano”, afirma.

Ele diz ainda que está posicionado em metais preciosos. “Nós estamos vendo uma queda significativa nas reservas de ouro e prata por falta de produção devido à pandemia. O que deve acontecer é um problema de oferta entre as commodities, o que deve fazer os preços subirem”, avalia.

“A demanda por commodities vai voltar com a oferta restrita. Isso vai causar uma explosão nos preços das commodities, principalmente metais preciosos e petróleo. A gente viu ouro subindo já, prata subindo também, mas a gente ainda não viu o petróleo subindo ainda. Vai acontecer”, completa ele destacando também oportunidades no petróleo.

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Financiamento imobiliário tem desafios para manter ritmo em 2021

Fundos Imobiliários FIIs imóveis edifícios (Shutterstock)

Em meio à crise provocada pela pandemia de covid-19, um setor da economia brasileira encerrou 2020 em ritmo de superação. De janeiro a outubro, os financiamentos imobiliários concedidos com recursos da poupança totalizaram R$ 92,7 bilhões, crescimento de 48,8% em relação ao mesmo período de 2019, segundo os dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Beneficiado pelos juros baixos, depósitos recordes na poupança, atuação dos bancos públicos e pela aprovação do programa Casa Verde Amarela, o setor imobiliário ganhou impulso no segundo semestre. No entanto, enfrenta desafios para manter o crescimento em 2021, como o encarecimento de materiais de construção e as incertezas sobre a recuperação da economia.

Emprego e renda

Outro fator que alimenta uma interrogação em torno do crescimento do mercado imobiliário em 2021 reúne as incertezas em relação à velocidade da recuperação do emprego e da renda. Ao apresentar a projeção de crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil em 2021, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, classificou de “otimista conservadora” a expectativa da entidade. As avaliações para o próximo ano, no entanto, dividem-se.

O presidente da Comissão da Indústria Imobiliária da Cbic, Celso Petrucci, diz que o déficit habitacional no Brasil e mudanças de comportamento da população depois da pandemia, como a procura por imóveis mais afastados de áreas densamente povoadas, ajudarão a manter aquecida a procura pelos financiamentos imobiliários.

“Todos torcemos pela rápida recuperação na economia, pela queda do índice de desocupação, desemprego e por melhora na renda das famílias. Mas o Brasil tem tanta necessidade de habitação que isso não vem afetando o mercado e não afeta em 2021”, avalia Petrucci. Ele ressalta que o mercado imobiliário conseguiu crescer em 2020, mesmo com o emprego e a renda em queda e que a manutenção da taxa Selic (juros básicos da economia) em 2% ao ano ao longo de boa parte de 2021 continuará a impulsionar os contratos.

Base de comparação

Especialista em mercado imobiliário da FGV, o professor Pedro Seixas não é tão otimista. Para ele, a fraca base de comparação em relação a 2019 levou ao crescimento na concessão de financiamentos em 2020.

Ele diz duvidar se a expansão será sustentável em 2021. “Existe uma retomada, mas a questão é se esse crescimento será sustentável por causa da renda e do emprego. Do ponto de vista pessoal, quem tem dinheiro deve aproveitar os juros baixos e comprar [um imóvel], mas é diferente de dizer que crescimento é sustentável”, analisa.

De acordo com Seixas, o setor imobiliário brasileiro, apesar do crescimento em 2020, está em nível semelhante a 2010. “Essa recuperação tem muito mais a ver com um efeito estatístico do que com uma reversão de tendência. O que determinará a demanda será a velocidade de recuperação da economia”, acrescenta. Para Petrucci, da Cbic, uma eventual estagnação da renda pode ajudar nas vendas no início de 2021 ao inibir as construtoras de repassar o aumento dos materiais de construção para o preço dos imóveis.

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Com covid-19 e isolamento social, setor aéreo teve pior ano da história

A expectativa para 2020 era alta no setor aéreo. O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, previa que seria o melhor ano para as empresas desde 2010. Com a saída da Avianca Brasil do mercado e a consequente redução da concorrência, as companhias tinham elevado os preços das passagens em 2019 e viam a situação de seus caixas melhorar. A Azul prometia elevar a oferta em 20%, enquanto Gol e Latam, entre 6% e 9%. Mas não poderia ser mais diferente do que aconteceu. Com a covid-19 e o distanciamento social, o setor teve o pior ano de sua história, com uma queda de demanda que chegou a 94,5% no pior momento.

“No pré-covid, as coisas estavam indo super bem. Os voos estavam cheios. Seria um ano recorde para nós. Aí, de repente, tudo parou”, lembra o presidente da Azul, John Rodgerson.

A paralisação dos voos foi global e o setor acabou sendo um dos mais atingidos pela crise do coronavírus. O impacto foi tão profundo que, rapidamente, governos passaram a resgatar empresas aéreas privadas. Nos Estados Unidos, inicialmente, US$ 25 bilhões foram destinados às companhias do setor – mais US$ 15 bilhões foram aprovados no fim do ano. Na Alemanha, € 9 bilhões socorreram a Lufthansa.

Por aqui, as discussões por uma ajuda estatal foram travadas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BDNES) e fracassaram. O modelo proposto pelo banco, que financiaria 60% do empréstimo – 10% deveriam vir de um sindicato de bancos e 30%, levantados no mercado – foi considerado caro e ineficiente pelas companhias.

Isso porque os títulos das empresas já são negociados hoje no mercado. As companhias teriam, portanto, de oferecer juros mais elevados para essa nova dívida se tornar atraente. A esse preço mais alto, bancos privados poderiam fornecer o crédito.

A saída encontrada por Gol e Azul acabou sendo recorrer ao mercado financeiro. Já a Latam entrou em recuperação judicial (chapter 11) nos EUA.

Além do pedido de recuperação em Nova York, a Latam adotou outra saída inesperada e fechou uma parceria de “code share” com a Azul para as empresas realizarem voos de forma conjunta.

Até o ano anterior, as companhias viviam disputa acirrada pelas autorizações de pouso e decolagem no aeroporto de Congonhas (SP) deixadas pela Avianca Brasil, que havia falido. A briga levara os presidentes das empresas a trocarem acusações publicamente e ainda fez com que a Azul deixasse a Abear, a entidade que representa o setor.

“Não consigo imaginar, e duvido que a Azul imaginasse, um ‘code share’ entre Latam e Azul se não estivéssemos em uma crise como essa. Mas, neste momento, faz sentido, porque tanto eles como nós queremos vender mais e aumentar a receita. Se uma forma de elevar a receita é vender um voo operado por eles, tudo bem”, diz Jerome Cadier, presidente da Latam no Brasil.

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A parceria surgiu após uma reunião virtual de relacionamento entre o presidente da Azul, John Rodgerson, e o presidente do grupo Latam, Roberto Alvo, que havia assumido o cargo em abril, no meio da crise.

O acordo entre as empresas garantiu a sobrevivência de algumas rotas que poderiam desaparecer por causa da queda da demanda. Mas não de todas elas.

“A crise cria uma deseconomia de escala. Voos que tinham um certo número de passageiros acabam não sendo mais viáveis. As empresas vão sair menores depois disso tudo. O mercado não vai se recuperar totalmente”, diz André Castellini, sócio da consultoria Bain & Company e especialista no setor.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o total de passageiros no mercado doméstico em outubro era metade do registrado um ano antes. Castellini prevê que o número só volte ao patamar anterior à crise em junho de 2023.

Segmento corporativo

No mercado internacional, que hoje se aproxima dos 15% do que tinha em dezembro de 2019, a recuperação total só deve ocorrer daqui a quatro anos, estima o consultor. Já para o segmento corporativo, que paga as tarifas mais caras e é uma importante fonte de receita para as empresas, não é possível nem fazer previsões concretas.

“Entre 25% e 35% da demanda de negócios deve acabar porque o setor vai perder uma parte não desprezível da demanda no pós-pandemia por causa das soluções de videoconferência. Mas esse número ainda é impreciso”, acrescenta Castellini.

Diante desse cenário e das incertezas, os presidentes das companhias aéreas afirmam não poder cravar que o pior ficou para trás com o fim de 2020.

Apesar de sentirem uma recuperação mais sólida na demanda desde setembro, destacam que não respirarão tranquilos enquanto a população não estiver vacinada e dizem, ainda, que a saída dessa crise pode ser tão complexa quanto o início dela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Anvisa orienta laboratórios para detecção de nova variante de covid-19

mask for prevention of respiratory diseases, with the American flag painted. US pandemic concept. North america corona virus, risk of epidemic. (RHJ/Getty Images)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou na sexta-feira, 1º de janeiro, nota técnica com informações sobre o impacto da variante do novo coronavírus identificada no Reino Unido.

A nota recomenda que os laboratórios fiquem atentos às informações das instruções de uso de produtos existentes para a detecção de covid-19 e adotem medidas que favoreçam o diagnóstico, como a utilização de produtos voltados a diferentes alvos virais.

Ainda de acordo com o documento, a maioria dos ensaios moleculares do tipo PCR (reação de cadeia de polimerase) regularizados no Brasil utilizam mais de um alvo, o que reduziria o impacto ao diagnóstico.

A nota pode ser lida na íntegra no site da agência.

Consulta

A agência informou ainda que disponibiliza, desde abril de 2020, um painel para consulta da fila de produtos para diagnóstico in vitro para detecção da covid-19.

Nessa ferramenta, é possível encontrar informações sobre a quantidade de pedidos deferidos, indeferidos, em análise, aguardando o certificado de boas práticas de fabricação (CBPF), como informações específicas sobre os produtos.

A consulta aos alvos dos produtos regularizados nesta Anvisa também está disponível no portal da agência.

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Em dólar, Ibovespa tem pior desempenho entre índices de ações da América Latina e BRICs em 2020

Ações em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO — Em plena pandemia de coronavírus, os principais índices de ações dos Estados Unidos encerraram 2020 no azul. Favorecido pela disparada das techs, que foram essenciais na quarentena global, com mais gente trabalhando de casa, o Nasdaq subiu impressionantes 43,45% no ano. Dow Jones e S&P 500 também tiveram performance positiva, com altas de 6,56% e 15,54%, respectivamente.

Aqui no Brasil, o Ibovespa ganhou fôlego no final do ano, na esteira de Wall Street, que ganhava tração conforme novidades em torno das vacinas contra a Covid-19 iam surgindo. Depois de amargar perda de 29,9% em março, no auge da pandemia, com seis circuit breakers em um mesmo mês, o benchmark brasileiro se recuperou e fechou 2020 com alta de 3%.

Da mínima no ano, em 23 de março, quando atingiu 63.569 pontos, até ontem, o índice ganhou 55.448 pontos — terminando dezembro em 119.017 pontos. É um patamar bem próximo da máxima histórica de fechamento, atingida em 23 de janeiro de 2020, aos 119.527 pontos. Na última sessão, o Ibovespa chegou a bater históricos 120.149 pontos no intraday, um novo recorde.

Quando analisado em dólar, porém, o desempenho do Ibovespa em 2020 não fica tão bonito assim. O índice caiu 22,06%, no pior desempenho entre os principais mercados acionários da América Latina. O segundo pior desempenho em dólar na região foi do Colcap, o índice da Bolsa de Bogotá, na Colômbia, com baixa de 17,65%, seguido pelo argentino Merval, que caiu 11,43% no ano.

Os dados são da plataforma de informações financeiras Eikon, serviço ligado à Thomson Reuters. Comparando o Ibovespa com a performance dos principais índices de ações dos BRICs (além do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), todos em dólar, o desempenho do nosso benchmark também foi o pior em 2020.

Além do índice brasileiro, somente o russo Moex também registrou queda neste ano, em dólar. Veja abaixo as tabelas e os gráficos com as performances dolarizadas dos índices da América Latina e dos BRICs (Ibovespa representado na cor laranja claro).

América Latina:

Índice Desempenho em dólar, em %
FTSE Biva (México) -2,33%
IPSA (Chile) -8,41%
S&P BVL (Peru) -10,20%
Merval (Argentina) -11,43%
Colcap (Colômbia) -17,65%
Ibovespa (Brasil) -22,06%

BRICs:

Índice Desempenho em dólar, em %
Shanghai Comp. (China) 19,51%
Nifty 50 (Índia) 12,11%
Jalsh (África do Sul) 0,12%
Moex (Rússia) -16,68%
Ibovespa (Brasil) -22,06%

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Na Europa, entre os principais índices do continente, apenas dois tiveram performance negativa em dólar em 2020: o inglês FTSE 100, com baixa de 10,75%, e o espanhol Ibex 35, que teve desvalorização de 6,34% no período. Veja a tabela e o gráfico abaixo (Ibovespa representado na cor laranja claro).

Índice Desempenho em dólar, em %
DAX 30 (Alemanha) 12,81%
PSI 20 (Portugal) 3,52%
FTSEMIB (Itália) 2,75%
CAC 40 (França) 2,73%
Ibex 35 (Espanha) -6,34%
FTSE 100 (Reino Unido) -10,75%
Ibovespa (Brasil) -22,06%

Veja a seguir a tabela com os desempenhos em dólar dos principais índices de ações dos Estados Unidos, Europa, América Latina e dos BRICs neste ano.

Índice Desempenho em dólar, em %
Nasdaq (EUA) 43,45%
Shanghai Comp. (China) 19,51%
S&P 500 (EUA) 15,54%
DAX 30 (Alemanha) 12,81%
Nifty 50 (Índia) 12,11%
Dow Jones (EUA) 6,56%
PSI 20 (Portugal) 3,52%
FTSEMIB (Itália) 2,75%
CAC 40 (França) 2,73%
Jalsh (África do Sul) 0,12%
FTSE Biva (México) -2,33%
Ibex 35 (Espanha) -6,34%
IPSA (Chile) -8,41%
S&P BVL (Peru) -10,20%
FTSE 100 (Reino Unido) -10,75%
Merval (Argentina) -11,43%
Moex (Rússia) -16,68%
Colcap (Colômbia) -17,65%
Ibovespa (Brasil) -22,06%

Cenário para o Ibovespa em 2021

A performance do Ibovespa em dólar, segundo especialistas, é natural, uma vez que o real foi uma das moedas globais que mais perderam valor contra a divisa dos Estados Unidos em 2020. Entre janeiro e dezembro, o dólar subiu 29% contra o real.

Mas isso é algo que pode inclusive ajudar o Ibovespa no próximo ano, na avaliação dos analistas, já que os investidores estrangeiros podem enxergar o índice brasileiro como uma pechincha, voltando assim a comprar ativos por aqui.

As avaliações para o Ibovespa em 2021 seguem bastante otimistas. “O ano de 2021 vai ser bastante positivo para a Bolsa. Tem vários fatores que vão contribuir com uma alta, principalmente a retomada da economia com a vacinação [contra a Covid-19]”, disse Bruno Komura, gestor de renda variável da Ouro Preto Investimentos. Ele vê como factível que o índice chegue aos 130/135 mil pontos até o fim do próximo ano.

“O varejo vai crescer bem mais moderadamente, dado que a perspectiva é de não ter continuidade do auxílio emergencial. Vamos ver a retomada mais gradual do setor de serviços, que foi o único que ficou para trás. Ele só deve se recuperar mesmo quando a gente acabar com as medidas de distanciamento social, vai demorar mais um pouco”, afirmou.

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O gestor, no entanto, não descarta que alguns pontos vão gerar volatilidade para a Bolsa brasileira em 2021. Entre eles, a questão fiscal, com a votação da PEC emergencial, reforma tributária, reforma administrativa etc.

“A reforma tributária eu acredito que seja uma das mais críticas no curto prazo porque precisamos dela para ajustar a trajetória de endividamento do governo. A discussão não vai ser fácil e agora com o Congresso mais distante do governo isso vai dificultar bastante a aprovação”, completou Komura.

Luis Felipe Amaral, sócio da gestora Equitas, também segue otimista com o Ibovespa em 2021. “A gente não tem uma projeção de Ibovespa para o ano que vem, mas a tendência que se manifestou na segunda metade de 2020, motivada por excesso de liquidez, de fluxo de capital vindo para mercados emergentes, isso deve continuar”, disse.

“É um ambiente muito favorável para mercados emergentes e para o Brasil. Isso não tem nada a ver com as nossas questões internas. Se a gente não atrapalhar muito esse movimento. Se a gente não fizer muita bobagem no lado fiscal, tende a ser um ano continuadamente positivo para a Bolsa brasileira”, completou Amaral.

Luiz Eduardo Portella, sócio da Novus Capital, acredita que o mundo pode entrar num ciclo de alta de commodities e emergentes, como vimos entre 2001 até 2009. “Nos últimos dez anos, tivemos só Bolsas americanas outperformando e os emergentes patinaram nesse período. Vemos uma inversão dessa tendência agora nos próximos anos”, disse.

“Essa crise da Covid fez com que o excesso de capacidade que tinha em alguns mercados zerasse. Todo mundo vai ter que recompor os estoques, iniciar um ciclo de produção industrial forte no mundo que vai durar ainda bastante tempo. Com a introdução da vacina, o setor de serviços, que puxou muito a atividade para baixo, vai voltar a andar”, avaliou.

Portella ponderou, no entanto, o risco político. Ele citou a votação para presidência da Câmara e que ambos os candidatos são reformistas. “Até as próximas eleições em 2022, estamos tranquilos com o teto. Fazendo reformas, a gente consegue surfar essa onda positiva global. Podemos fechar o ano de 2021 com o Ibovespa acima dos 140 mil”, finalizou.

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Contra fluxo não há argumentos: o que três gestores esperam para 2021

O mercado financeiro já está olhando para 2021. E como vai estar o mundo no ano que vem? Cheio de dinheiro.

“O momento é extremamente oportuno. 2021 vai ser um ano com muita grana, que foi proporcionada ao longo de 2020 através das políticas fiscais”, disse Mário Torós, gestor da Ibiuna Investimentos, no encerramento do evento “Brasil 2021 em Debate”. 

Torós esteve ao lado de outros dois gestores: Paolo Di Sora, da RPS Capital, e Marcos Peixoto, gestor da XP Asset, com mediação do apresentador do Stock Pickers, Thiago Salomão.

A seguir, a visão geral de cada um está abaixo (ou no vídeo acima).

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Para Torós, o mercado começou a precificar um novo mundo. “Na vida real, temos uma segunda onda, de forma bastante clara. Só que do ponto de vista de mercado é um mundo com muita grana dos Bancos Centrais e que já está colocando nos preços o processo de vacinação”, afirmou o gestor da Ibiuna.

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Em relação à Bolsa brasileira, Torós se diz neutro e bastante cauteloso por causa do cenário macroeconômico que se instalou na pandemia e que será difícil de reverter no pós. “Não é que eu esteja pessimista em Brasil, mas vejo a alocação de risco em outros países mais interessante”, disse.

“Mas, dito isso, temos que reconhecer o fato de que contra fluxos não há argumentos: existe um fluxo procurando retorno, a bolsa brasileira está bem barata frente a outros mercados. Quando o vento ajuda, até galinha voa”, completou Torós.

Já Paolo Di Sora, gestor da RPS, está mais voltado a um setor específico para 2021, e que já mostrou bons sinais no fim deste ano: commodities.

“Vimos neste ano o cheque sendo impresso mundo afora. Isso é a economia real, demanda por materiais básicos e commodities. Há um mini superciclo de commodities. Ainda são as mais baratas da Bolsa”, afirmou Di Sora.

E como essa visão se reflete na carteira da RPS? Em um parágrafo, Di Sora respondeu assim: 

“Cobre e níquel já estão relativamente mais caros que o minério de ferro. Gostamos de petróleo e montamos uma posição recente em papel e celulose, cujo preço está no seu preço mais baixo. As empresas estão mais caras mas elas têm uma pegada mais ESG. Ou seja: temos um pouco de tudo, com foco maior no petróleo e no minério”, afirmou o gestor da RPS.

Marcos Peixoto, da XP Asset, vê as condições para ativos de risco positivas. “O mercado vai continuar tendo surpresas positivas nos resultados, afirmou. 

Para o gestor, a Bolsa brasileira ainda pode subir mais. “No Brasil, muito dessa alta de 100 mil para 115 mil não foi muito bem uma alta, foi uma pernada de Petrobras, Vale e bancos. Eles eram patinhos feios que não fizeram nada mais do que alcançar outros ativos”, disse Peixoto.

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“Vamos lembrar que Vale é uma empresa dolarizada: enquanto ela está subindo 20% em dólares, o minério já quase dobrou de valor. A Petrobras também é pior: está bem abaixo dos patamares pré-crise em dólares (de US$ 15 para US$ 10). Bradesco e Itaú ainda não voltaram aos patamares de janeiro”, afirmou.

Sobre a carteira de ações, Peixoto destacou a Eletrobras. “Colocamos um pouco de lucro com Vale e bancos no bolso, mas seguem importantes. Eletrobras é uma posição que gostamos bastante. Quando passar a eleição na Câmara e Senado, o assunto privatização pode andar. O texto está pronto, e além disso é um case com baixo downside”, afirmou.

Segundo Peixoto, a XP Asset ainda tem posições em Via Varejo, CCR e na Rede D’Or, que divulgou os valores de seu IPO ontem e deve começar a ser negociada em Bolsa amanhã.

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