Ibovespa Futuro cai após forte alta na sessão anterior em dia de feriado nos EUA e com política e Opep+ no radar

baixa gráfico índice (Getty Images)

Após a forte alta de 1,56% do índice à vista na sessão da última sexta-feira (2), a segunda-feira (5) começa com cautela para o mercado brasileiro, com os investidores à espera da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, chamada de Opep+, além de acompanhar o noticiário político movimentado.

Às 9h11 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em agosto registrava baixa de 0,48%, a 127.805 pontos. O dólar comercial registrava leve alta de 0,06%, a R$ 5,054 na compra e R$ 5,055 na venda, enquanto o dólar futuro com vencimento em agosto subia 0,13%, a 5,0785.

As bolsas americanas estão fechadas nesta segunda por conta do feriado do Dia da Independência, em semana mais curta também para a B3 por conta do feriado de sexta-feira em São Paulo. Nos próximos dias, haverá a divulgação de indicadores econômicas importantes na esfera doméstica e internacional, com destaque à ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc) na quarta-feira.

No Brasil, esta semana traz vendas no varejo de maio e inflação do IPCA de junho. Além disso, os mercados acompanharão de perto as discussões sobre a reforma do imposto de renda no Congresso. No noticiário político, por aqui, novas suspeitas sobre a compra de vacinas ganham destaque: documentos do Ministério da Saúde obtidos pelo Estadão revelaram no fim de semana que o governo teria fechado contrato para a compra do imunizante indiano Covaxin por um valor 50% mais alto – US$ 15 –  do que o valor inicial da oferta, de US$ 10.

No radar econômico nacional, foi divulgado nesta manhã o Boletim Focus do Banco Central, com as projeções de analistas em relação a indicadores importantes como inflação, PIB e juros. Os economistas do mercado financeiro elevaram mais uma vez suas expectativas de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, revelou o Relatório Focus do Banco Central. Desta vez, a revisão foi de um avanço de 5,05% para 5,18% no ritmo da atividade econômica do país. Já para 2022, as expectativas oscilaram para baixo, de 2,11% para 2,10%.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as projeções aumentaram de 5,97% para 6,07% de expansão em 2021. Para 2022, as previsões oscilaram negativamente, de 3,78% para 3,77% de aumento no medidor oficial de inflação do Brasil. As estimativas dos economistas para o dólar ao final do ano, por sua vez, caíram de R$ 5,10 para R$ 5,04 para 2021 e se mantiveram em R$ 5,20 para 2022. Por fim, a mediana das expectativas para a taxa básica de juros, Selic, manteve-se em 6,50% ao ano para 2021 e subiu para 6,75% ao ano para 2022, ante previsão anterior de 6,5%.

No mercado de juros futuros, os principais contratos têm leve alta: DI para janeiro de 2022 sobe 1 pontos-base, a 5,67%, assim como o DI para janeiro de 2023, a 7,06%, DI para janeiro de 2025 sobe 3 pontos-base, a 8,16% e DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de 3 pontos-base a 8,62%.

Cerco na China e variante delta no radar dos investidores

Na Ásia, as bolsas tiveram desempenhos variados entre si na sessão. As ações de empresas chinesas listadas em Hong Kong tiveram quedas. Reguladores chineses afirmaram que a empresa de caronas pagas Didi, apoiada pelo SoftBank, coletou dados pessoais dos usuários, e determinou que lojas de aplicativos oferecessem seu programa, poucos dias após ter sido listada na Bolsa de Nova York.

O caso tem levantado temores sobre mudanças regulatórias na China. No domingo, a Didi informou que o aplicativo não poderá mais ser baixado na China, mas pessoas que já o tinham baixado e instalado poderão continuar a usá-lo. As ações da Tencent caíram 3,57%, enquanto que as da Alibaba recuaram 2,83%, e as da Meituan, 5,59%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, fechou com queda de 0,59%; na China continental, a bolsa de Shanghai subiu 0,44%; no Japão, o Nikkei caiu 0,64%; e na Coreia do Sul o Kospi subiu 0,35%.

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A pesquisa privada Caixin/Markit sobre a atividade do setor de serviços na China em junho mostrou que o crescimento se desacelerou ao menor ritmo em 14 meses. O indicador marcou 50,3 pontos em junho, frente a 55,1 em maio. Qualquer patamar acima de 50 indica expansão; abaixo, retração.

Na semana passada, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, chamado de Opep+, não foi capaz de chegar a um acordo sobre sua política de produção. O grupo se encontra novamente nesta segunda-feira.

Até o momento, todos os membros, excluindo os Emirados Árabes Unidos, concordaram em reduzir o nível dos cortes de produção, e estendê-los até o final do ano que vem, segundo informações da agência internacional de notícias Reuters.

As bolsas europeias registram desempenhos variados entre si nesta segunda-feira. As preocupações com a variante Delta da Covid-19 mantêm os investidores preocupados nesta segunda-feira, compensando o sentimento positivo devido à melhora da atividade empresarial da zona do euro e um relatório bem recebido de emprego nos Estados Unidos na sexta-feira.

No radar econômico, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que engloba os setores industrial e de serviços, subiu de 57,1 em maio para 59,5 em junho, atingindo o maior patamar desde junho de 2006, segundo pesquisa final divulgada nesta segunda-feira pela IHS Markit. O avanço acima de 50 mostra que a atividade no bloco se expandiu em ritmo mais forte no último mês. O número final também ficou acima da leitura prévia de junho e da previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 59,2. No mesmo período, o PMI de serviços da zona do euro aumentou de 55,2 para 58,3, também superando a estimativa preliminar, de 58.

Covid e CPI

No domingo (4), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.562, queda de 24% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 776 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 49.881, queda de 32% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 25.794 casos.

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Chegou a 76.377.088 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 36,07% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 27.077.167 pessoas, ou 12,79% da população.

O fim de semana teve novas manifestações no sábado em diversas cidades do país para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro e cobrar mais vacinas, em uma terceira onda de protestos que ganhou força após denúncias de irregularidades na compra de imunizantes contra a Covid-19.

Na noite de sexta (2), a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito para investigar suposto crime de prevaricação pelo presidente Jair Bolsonaro no caso envolvendo suspeitas de irregularidades nas negociações para a compra da Covaxin, vacina indiana contra Covid-19 desenvolvida pela Bharat Biotech e vendida no Brasil com intermédio da Precisa Medicamentos.

Na petição, Weber fixou prazo de 90 dias para o cumprimento das investigações. A ministra atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), cuja solicitação decorreu de notícia-crime enviada ao Supremo por senadores de oposição.

De acordo com os parlamentares, o presidente da República não tomou providências após ser alertado pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, sobre supostas irregularidades nas tratativas para compra de doses da vacina. Em depoimento à CPI, os irmãos afirmaram que alertaram Bolsonaro, que teria mencionado o suposto envolvimento do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), no caso, e afirmado que iria alertar a Polícia Federal, o que não ocorreu.

O valor contratado pelo imunizante foi 1.000% superior àquele informado pela Bharat seis meses antes de fechar negócio. O acordo de compra foi fechado sem que a vacina tivesse aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou tivesse passado por testes de fase 3, e é o mais alto por unidade de imunizante, de US$ 15. Documentos do Ministério da Saúde, aos quais o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso, mostram que o preço aumentou no meio das negociações, de US$ 10 para US$ 15, que passaram a ser investigadas após suspeitas de corrupção.

Mais cedo na sexta-feira, a ministra do STF havia rejeitado pedido da PGR para aguardar o fim da CPI da Covid antes de decidir sobre o pedido apresentado por senadores de oposição. O governo nega irregularidades e disse que o presidente remeteu o caso para análise do então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que nada encontrou.

O Ministério da Saúde, no entanto, suspendeu o contrato da Covaxin por sugestão da Controladoria-Geral da União (CGU), que abriu uma investigação própria sobre o caso. A Precisa Medicamentos nega irregularidades.

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O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), disse na sexta-feira que apresentou mandado de segurança ao STF para que a CPI da Covid no Senado mantenha o seu depoimento na data de 8 de julho, como estava previsto. Ele alega que está sendo impedido de se defender de denúncias relacionadas a vacinas.

Barros foi citado em depoimentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e também em denúncias publicadas na imprensa sobre supostas irregularidades na aquisição de vacinas contra a Covid-19. Ele iria depor à CPI na quinta-feira, mas recebeu ofício do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), comunicando o adiamento e informando que uma nova data seria informada.

“Alego que estou sendo impedido de exercer minha ampla defesa por abuso de poder da CPI que ataca minha honra indevidamente”, disse o deputado em publicação no Twitter.

Além disso, no domingo, o programa Fantástico, da TV Globo, exibiu o teor de mensagens encontradas no telefone celular do cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti. Ele falou à CPI da Covid na última quinta-feira (1º), e afirmou que recebeu pedido de propina de quadros do governo em supostas negociações paralelas pela venda de vacinas da Astrazeneca, por meio da Davati Medical Supply. A Astrazeneca vem afirmando que não possui um intermediário no Brasil.

Depois de sua fala, Dominguetti teve seu celular apreendido pela comissão. Na troca de mensagens obtida pelo Fantástico, Dominguetti negocia comissão de US$ 0,25 por vacina. Em uma mensagem enviada em 10 de fevereiro a um contato identificado como Guilherme Filho Odilon o policial militar afirma:

“Estamos negociando algumas vacinas em números superior a 3 milhões de doses. Neste caso a comissão fica em 0,25 centavos de dólar por dose (…) O que estamos fazendo é pegar o volume da comissão e dividimos de forma igual a todos os envolvidos, claro que proporcionalmente aos grupos. Sendo três pessoas, eu, você e seu parceiro não teria objeções em avançar neste sentido.”

Também no domingo, a Polícia Federal informou ao STF ter encontrado “indícios suficientes” de que o senador Renan Calheiros (MDB-AL), atual relator da CPI da Covid, recebeu uma propina de R$ 1 milhão do Grupo Odebrecht para favorecer uma empresa em 2012 como contrapartida para a edição de uma resolução do Senado na chamada Guerra dos Portos. A PF decidiu indiciá-lo pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Tido pelo presidente Jair Bolsonaro como um dos principais adversários na CPI, Renan Calheiros chamou de “retaliação” a decisão da PF e disse que a corporação não tem competência para fazer indiciamentos. Calheiros disse que a PF não tem competência para indiciar senador, mas somente o STF. Segundo ele, a investigação estava aberta desde março de 2017 e, como não haviam encontrado prova alguma, pediram prorrogação.

Créditos fiscais, crise hídrica e escolhas do presidente

Segundo reportagem de capa do jornal Valor Econômico desta segunda, a disputa entre contribuintes e a União sobre a exclusão do ICMS do cálculo do PIS e da Cofins poderá render até R$ 358 bilhões às empresas em créditos fiscais, usados para pagar tributos federais. De acordo com estudo do Instituto Braisleiro de Planejamento e Tributação (IBPT), a maior parte dos recursos, R$ 264,6 bilhões, ainda não foi usada.

A discussão perdura há 20 anos no Judiciário, e foi finalizada em maio pelo STF. A decisão reduziu o valor a pagar de PIS e Cofins, e gerou acúmulo de créditos fiscais recolhidos a mais pelas empresas no passado. A União passará a sentir o impacto neste ano. Segundo o estudo, devem ser usados R$ 56,05 bilhões de créditos fiscais em 2021, e outros R$ 69,66 bilhões em 2022.

Além disso, em seu boletim de sexta, o Operador Nacional do Sistema (ONS) afirmou que a carga de energia do Brasil deverá avançar 4% em julho frente ao mesmo mês do ano passado. O ONS reduziu a previsão apresentada na semana passada, que era de avanço de 4,7%.

Todas as regiões apresentaram redução da carga prevista. No Norte, onde haverá crescimento mais intenso na carga de energia, a previsão é de alta de 7,6%, ante 7,9% anteriormente. No Nordeste, é estimada elevação de 6,9% (ante 7,1%). Já no Sul a alta projetada agora é de 3,4% (contra 3,5% antes) e no Sudeste/Centro Oeste o avanço é de 2,9% (contra 4% antes).
O ONS apontou ainda que o quadro de chuvas escassas na região das hidrelétricas do país deve seguir em vigor, com as precipitações na área das usinas do Sudeste e Centro-Oeste – que concentra os maiores reservatórios – estimadas em 62% da média histórica para julho, leve queda ante previsão anterior de 63%.
O governo tem adotado diversas medidas para garantir o abastecimento de energia do Brasil, diante de uma grave crise hídrica nos reservatórios das hidrelétricas do país, principais responsáveis pela geração elétrica.

Em um relatório divulgado na sexta, analistas da XP Investimentos avaliaram, no entanto, que o país vive hoje um cenário diferente daquele do apagão do início dos anos 2000. Com uma matriz energética mais diversificada e um sistema de transmissão mais robusto, o risco de racionamento de energia nos próximos 12 meses é de apenas 3%, avalia o relatório. Até o momento, o governo vem descartando hipóteses de racionamento.

Ainda no radar, de acordo com o jornal Folha de S. Paulo, pressionada a implementar demandas eleitorais de Jair Bolsonaro, a equipe econômica de Paulo Guedes quer que o presidente da República faça escolhas e deixe claro quais serão as medidas prioritárias para o próximo ano, uma vez que não há espaço suficiente no Orçamento e nem todos os pedidos poderão ser atendidos.

Até o momento, Bolsonaro já apresentou exigências de ampliação do Bolsa Família e liberação de verba para obras públicas. Aliados afirmam que ele também deseja reajustar os salários de servidores públicos no ano que vem. Além disso, quer uma reserva de recursos para eventual implementação do voto impresso.

Radar corporativo

O Banco BMG anunciou na  sexta-feira compra de participação na Araújo Fontes Consultoria e Negócios Imobiliários e na AF Invest Administração de Recursos, para oferta de produtos e serviços no segmento de atacado e atuar com gestão de recursos. A compra vai se dar por meio de aquisição de 50% de uma nova empresa a ser criada. O valor do negócio é de cerca de R$ 150 milhões, afirmou o banco em fato relevante.

Já a Tegma informou que contratou assessor jurídico e que vai escolher um banco para auxiliar a empresa a avaliar a proposta de aquisição da empresa apresentada pela JSL. As ações da Tegma encerraram esta sexta-feira com salto de 12,9%; os papéis da JSL avançaram quase 6%.

A mineradora Vale informou na sexta que está comissionando as atividades no carregador de navios 6 (CN6), no Terminal Marítimo Ponta da Madeira, em São Luís, após cinco meses de parada para manutenção. Segundo a Vale, a manutenção do CN6, que resultou na substituição de mais de 60% de seus componentes, não impactou o cronograma mensal de embarque de minério de ferro do terminal. Em 14 de janeiro de 2021, ocorreu um incêndio no CN6 localizado no berço Sul do Píer IV, incidente que foi seguido das atividades de manutenção.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Investidor local ainda “segura” mercado brasileiro

IPO - Oferta Pública de Ações em inglês (Shutterstock) IPO – Oferta Pública de Ações em inglês (Shutterstock)

Apesar de o dinheiro de fora na bolsa de valores ser sempre bem-vindo, o mercado descobriu que dá para fazer operações de abertura de capital, sim, contando apenas com o investidor brasileiro. Tanto que as ofertas iniciais de ações no primeiro semestre já chegam a cerca de R$ 80 bilhões, mesmo sem a presença maciça dos estrangeiros.

A explicação para isso está nos juros em patamares historicamente baixos no Brasil (mesmo com as altas recentes, que deixaram a Selic em 4,25% ao ano). Sem os ganhos “fáceis” da renda fixa, os investidores começaram a migrar em massa para a renda variável, e o número de pessoas físicas na bolsa passou de cerca de 600 mil, no fim de 2019, para 3,7 milhões agora.

Por isso, há uma avaliação de que os estrangeiros devem entrar nas grandes operações de abertura de capital, como as previstas para julho, mas que o investidor local ainda deve continuar sendo muito importante para o mercado.

Para Felipe Thut, responsável pelo Bradesco BBI, apesar de as ofertas maiores terem mais atratividade para o investidor estrangeiro, não há ainda segurança sobre o fluxo de capital de fora para a bolsa brasileira. Sua expectativa é de que essa segurança só apareça passadas as eleições presidenciais de 2022. “Até lá, essa movimentação dos estrangeiros deverá ser mais tática”, diz.

Ele lembra que, diante da grande migração de recursos da renda fixa para a renda variável no País, não há mais uma dependência do capital estrangeiro para as aberturas de capital. Mesmo assim, para as ofertas de ações de empresas de maior porte, o executivo diz que é possível imaginar que o estrangeiro fique com uma fatia de 50% do volume.

Mudança

O mercado de capitais também tem passado por uma mudança de perfil. Fábio Nazari, sócio do BTG Pactual responsável pelo mercado de renda variável, aponta que o número de empresas na fila para abrir capital é grande, mas que muitas companhias viram desafios para conseguir levantar o que pretendiam e saíram do circuito, para tentar retornar mais à frente. “Já vimos uma depuração dos candidatos”, diz.

Fora isso, para algumas empresas o conselho tem sido lançar a oferta apenas para investidores institucionais – como fundos de investimento e fundos de pensão, por exemplo -, além dos estrangeiros, deixando de fora os investidores pessoas físicas. Essa oferta não precisa de registro do regulador e, por isso, é mais rápida. Assim, consegue se desviar da volatilidade do mercado. Foi assim, por exemplo, que o banco BR Partners fez um IPO, muito rapidamente, que movimentou R$ 400 milhões.

Segundo Bruno Saraiva, corresponsável pelo banco de investimento do Bank of America no Brasil, essa estrutura mais célere para a emissão de ações poderá ser utilizada por empresas que já tentaram abrir o capital, mas que acabaram postergando a operação. “A discussão é caso a caso, mas temos recomendado que a companhia deixe o registro de companhia aberta para ter essa opção”, diz.

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Seis empresas engrossam fila de abertura de capital na Bolsa

Mercado – ações (Foto: Getty Images)

A corrida das companhias para aproveitar a janela para abertura de capital está intensa. Nos últimos dias, seis empresas protocolaram pedido para realizar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Entre as candidatas a abrir o capital está a Lavvi, do grupo Cyrela (CYRE3), que pretende arrecadar mais de R$ 2,1 bilhões, caso seus papéis saiam no topo da faixa indicativa de preço. Especializada em empreendimentos de alto padrão, a companhia quer estrear na B3 em 2 de setembro.

Também entraram na fila a empresa de logística Sequoia, a Elfa Medicamentos, a EZ In (outra incorporadora), a companhia de varejo Grupo Mateus e a Alphaville, conhecida pelos condomínios de luxo.

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A Sequoia planeja uma oferta primária e secundária. A operação será coordenada por BTG Pactual, Santander, Morgan Stanley e ABC Brasil. Os recursos da oferta primária, que vão irrigar o caixa da empresa, poderão ser usados para aquisições.

Já a Elfa Medicamentos também prepara uma oferta primária e secundária – a operação servirá para saída do fundo de private equity Pátria do negócio. Já a EZ In, braço de empreendimentos comerciais da Eztec, prepara uma oferta apenas primária. O prospecto da oferta destaca que o dinheiro a ser levantado será destinado para a aquisição de novos terrenos e projetos de imóveis comerciais em São Paulo, além da redução do endividamento e alavancagem.

Já o Grupo Mateus, varejista do Nordeste, fez o pedido para uma oferta primária e secundária, que está sendo estruturada pela XP, Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander e Safra. “Somos a maior rede varejista de alimentos com capital 100% nacional e a quarta maior empresa de varejo alimentar do País”, diz o prospecto do Grupo Mateus.

Já a Alphaville voltou a protocolar seu pedido de IPO para uma oferta primária e secundária. Como no caso da Elfa Medicamentos, o Pátria é acionista vendedor.

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Grupo Mateus, de varejo e atacado no Nordeste, protocola prospecto para IPO

Grupo Mateus (Facebook)

O Grupo Mateus, com atuação no segmento de atacado e varejo no Nordeste do País, protocolou na noite de sexta-feira, na CVM, o prospecto preliminar de sua oferta inicial de ações (IPO). O grupo, familiar, é controlado por quatro acionistas: Ilson Mateus Rodrigues, Maria Barros Pinheiro, Ilson Mateus Rodrigues Junior e Denilson Pinheiro Rodrigues.

A empresa tem forte participação no Nordeste e fechou junho deste ano com 29 lojas do Mix Atacarejo, 24 lojas do Mateus Supermercados, 2 Hiper Mateus. A empresa ainda conta com 66 lojas da rede Eletro Mateus.

No prospecto, o grupo informou que a receita nos primeiros seis meses de 2020 fechou em R$ 5,1 bilhões, crescimento de 27% na comparação com igual intervalo de 2019. O lucro líquido foi de R$ 297 milhões, alta de 78%. Já o Ebitda fechou em R$ 478 milhões, crescimento de 62% em igual comparação, com margem Ebitda avançando de 7,3% para 9,3%.

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A oferta tem como coordenador líder a XP e conta também com o Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander e Safra.

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Varejista Quero-Quero levanta R$ 1,94 bilhão e farmacêutica d100 capta R$ 400 milhões em IPOs

moeda de R$ 1 notas de R$ 50 e R$ 100 real dinheiro (Shutterstock)

SÃO PAULO – A varejista de materiais de construção Quero-Quero realizou uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de R$ 1,94 bilhão na B3, a Bolsa paulista, em meio à pandemia de covid-19. O êxito da oferta foi a porta de saída do fundo de private equity norte-americano Advent Internacional do ativo. Com a operação, o Advent colocou R$ 1,66 bilhão no caixa.

A ação foi precificada em R$ 12,65, no centro da faixa indicativa de preço, que variava de R$ 11,30 a R$ 14. Se o lote suplementar da oferta for exercido nos primeiros dias de negociação da ação, o Advent se despedirá por completo da empresa, após 12 anos como investidor. A estreia da Quero-Quero (LJQQ3) na B3 será na próxima segunda-feira. A varejista concentra 75% de suas lojas no Rio Grande do Sul.

Também foi finalizado o IPO da d100 (DMVF3), braço no varejo farmacêutico da Profarma. A companhia levantou R$ 400,1 milhões que serão investidos na expansão da rede.

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O valor de cada ação saiu a R$ 17, no piso da faixa indicativa de preço que ia até R$ 20,32.

O início das negociações das ações no Novo Mercado ocorrerá também na segunda-feira, 10 de agosto.

Kallas e Patrimar

E ainda sobre ofertas de ações, as construtoras Kallas e Patrimar pediram registro para realizar IPO.

Ambas as operações envolvem ofertas primária e secundária, ou seja, servirão tanto para que as empresas captem recursos para investimentos quanto para dar saída de atuais investidores.

Segundo a agência Reuters, o setor de construção civil tem 12 das 23 empresas brasileiras à espera de aval da CVM para seguirem adiante com seus IPOs. O grupo também inclui Canopus, Almeida Junior, Pacaembu, One Innovation, Cury, Alphaville Urbanismo, Lavvi, Nortis, Plano & Plano, Melnick.

MPR

Já o grupo MPR, dono das marcas de álcool Coperalcool, Zulu e Zumbi, tem um novo presidente: José Vicente Marino, executivo que ajudou a vender a Avon para a Natura, e que estuda abrir o capital da companhia.

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Em entrevista ao Valor, Marino destacou que seu foco é acelerar o crescimento da companhia que, no ano passado faturou R$ 500 milhões e neste ano deve chegar a R$ 850 milhões.

“Estamos estudando alguns caminhos: aquisições, IPO (oferta inicial de ações na bolsa), venda de uma fatia para um sócio estratégico ou continuarmos sozinhos”, disse o executivo ao Valor. Sobre a possibilidade de abrir capital na bolsa, Marino diz que já estão sendo feitas conversas com bancos que, mais adiante, organizariam a operação.

(com Agência Estado e Bloomberg)

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IPO da Pague Menos pode levantar mais de R$ 1 bi; faixa indicativa de ações entre R$ 10,22 e R$ 12,54

A rede de drogarias Pague Menos pode levantar mais de R$ 1 bilhão em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), de acordo com o prospecto preliminar divulgado na segunda-feira à noite para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Pelo documento, a definição do preço deve ocorrer em 31 de agosto. A estreia das ações na B3 deve ser em 2 de setembro, sob o código PGMN3.

A faixa indicativa para a ação é de R$ 10,22 a R$ 12,54. Serão ofertadas inicialmente 87.873.463 ações, mas a transação pode ser acrescida de um lote suplementar de 15% da oferta base.

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O preço médio da faixa indicativa e a venda do lote suplementar movimentaria R$ 1,3 bilhão.

Os recursos da oferta serão utilizados para financiar o crescimento da rede. Itaú BBA, Credit Suisse, JPMorgan, XP, Santander e BB Investimentos são os coordenadores da oferta.

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