Ace Capital: é só o Brasil não fazer “gol contra” que as coisas darão certo

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Alta desenfreada em quase todas as commodities, valorização do dólar (o que favorece os termos de troca do Brasil), impactos menores que o esperado da segunda onda de Covid e retomada das economias desenvolvidas sinalizando que o “final do filme” aqui deve ser bom… essa somatória de fatores pode ser resumida em uma simples frase: Brasil deu muita sorte neste ano. Agora, é só não fazer besteira.

Essa é a avaliação do Ricardo Denadai, economista-chefe da Ace Capital, que conversou conosco no Coffee & Stocks Macro desta quarta-feira (14).

“É só os jogadores levantarem a mão e não se mexerem porque a bola está indo pro gol. O problema é que os caras [o governo] têm uma tentação enorme de dar uma bicuda na bola para arquibancada ou até pegar a bola e fazer gol contra. Esse é o principal risco que temos hoje, mas de fato, temos um enorme alinhamento de astros favorável”, resume Denadai.

Isso se traduz nas posições do fundo da casa: no começo do ano, cerca de 80% da exposição do multimercado Ace Capital FIC FIM estava em ativos internacionais e os quase 20% restantes em ativos brasileiros; hoje, a proporção se inverteu – 75%/80% em Brasil, 20%/25% offshore.

Confira o papo completo no vídeo acima ou direto em nosso canal no Youtube (link aqui).

Sobre o Coffee & Stocks
O Coffee & Stocks é o programa de entrevistas do Stock Pickers transmitido de segunda a sexta, sempre das 8h às 8h30 ao vivo no Youtube. Cada dia da semana, um tema diferente:

Segunda = trading e análise técnica (apresentação: Rafael Ribeiro, da Clear Corretora)
Terça = ações globais (apresentação: Jennie Li, da XP)
Quarta = macroeconomia (apresentação: Thiago Salomão, do Stock Pickers)
Quinta = ações brasileiras (apresentação: Renato Santiago, do Stock Pickers)
Sexta = tema livre (apresentação: Betina Roxo e time da Rico Investimentos)

Para este gestor, pandemia criou oportunidade em Burger King (BKBR3)

Tocar uma rede de restaurante não parece uma tarefa fácil. Tocar uma rede de restaurantes durante a pandemia, menos ainda. Tocar uma rede de restaurantes que tem dois terços das unidades dentro de shoppings centers durante uma pandemia talvez seja a tarefa mais difícil de todas no setor. 

Essa é a situação na qual o Burger King (BKBR3) se encontra desde que o coronavírus impôs um abre-e-fecha do comércio. 

Com mais de dois terços de seus restaurantes localizados em shoppings, a rede se viu sem a possibilidade de receber seus clientes e sem poder usar a maior parte de suas lojas como pontos para retirada ou produção para delivery. 

O papel sofreu e chegou a perder 48% do seu valor de mercado pré-pandemia. Mas para Gabriel Trebilcock, da ACE Capital, esse cenário representa uma oportunidade. Ele explicou sua tese no Coffee & Stocks desta quinta-feira. Abaixo os principais trechos da conversa. 

Shoppings

Quando chegou ao Brasil, o Burger King optou por abrir restaurantes em shoppings para ter reconhecimento da marca e aos poucos abrir mais lojas nas ruas. Hoje eles têm 75% dos estabelecimentos em shoppings (544 de 707, o que não conta franqueados). O Mc Donald’s tem 1.100, dos quais apenas 40% são em shoppings.

Restaurantes de shopping são mais caros para manter devido ao aluguel mais alto e também são mais difíceis de serem usados para entregas. E isso pesou bastante nas receitas da companhia desde que a pandemia começou. 

É claro que isso não é bom, mas a direção da companhia conseguiu tirar coisas boas daí, fortalecendo seu aplicativo de entrega, implantando projetos de uso de dados ligados a desconto e criando dark kitchens, cozinhas sem salão que só atendem pedido para entrega. 

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Ao mesmo tempo, com a vacina chegando, temos a possibilidade de que o terceiro trimestre de 2021 já seja mais parecido com o terceiro trimestre de 2019 que com o mesmo período de 2020. Isso se reflete da seguinte forma nos nossos preços: se a reabertura vier em breve, o papel pode subir até R$ 13, ou quase 30% em relação ao preço atual. Se as coisas foram mal para a companhia, a ação pode perder cerca de 7%.

Conheça a Tesla das embalagens e plásticos

Provavelmente você já ouviu falar da Tesla. É a montadora líder e uma das pioneiras na produção e comercialização de carros elétricos no mundo. E ninguém tem dúvidas de que ela deve ser beneficiada e aproveitar muito bem a busca global por energias limpas, renováveis e por um transporte mais limpo.

Acontece que a indústria automotiva não é a única com um problemão para resolver. A das embalagens (e consequentemente as de consumo) também. Não seria ótimo para o mundo e para o investidor, portanto, se houvesse uma empresa que trouxesse inovação e disrupção sustentável para esse mercado também? E que tivesse capital aberto?

Segundo Luiz Fernando Missagia, da Ace Capital (conheça o fundo aqui), existe uma empresa assim, a americana Danimer, e foi sobre ela que falamos no Coffee & Stocks desta quarta-feira. Abaixo os principais trechos da conversa.

O problema do plástico

Hoje, 99% do plástico do mundo é feito de fontes não-renováveis. Metade dele é de uso único, como o saco de batata frita que você compra e depois joga fora. A maioria é pouco biodegradável e precisa ser reciclado em operações industriais complexas e que demandam muita logística. Além de tudo isso, a própria indústria não aceita muito bem qualquer plástico reciclado.

Inovação e patente

Estudo há muito tempo a indústria do plástico. Há muito se busca um polímero de alto grau de biodegradabilidade, do tipo que se dissolve até em ambientes sem oxigênio, de custo baixo.

A Danimer, empresa com sede no estado do Kentucky, nos Estados Unidos, conseguiu esse polímero, feito a partir da fermentação do óleo de canola, e obteve certificação de biodegradabilidade de grau cinco, a mais alta de todas. Isso quer dizer que o polímero deles se dissolve em 12 semanas no oceano.

O custo é apenas duas vezes maior do que os plásticos convencionais. O dobro do preço pode parecer muito, mas até hoje só haviam conseguido algo semelhante por dez vezes que o plástico convencional. Pelo menos dez companhias como a Danimer ficaram pelo caminho.

Avaliamos que esse custo pode ser absorvido pela indústria e pelo mercado consumidor, uma vez que a sociedade vem buscando esse movimento de redução de plásticos. Basta ver quantos lugares já proíbem canudos.

Contratos e evolução do negócio

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A Danimer abriu capital no ano passado por meio de uma SPAC, empresas criadas para realizar aquisições e facilitar o processo de abertura de capital. De novembro até hoje as ações dela, que são negociadas na NYSE subiram do patamar dos US$ 14 para US$ 45.

Nesse meio tempo, a companhia firmou contratos com Danone, Bacardi, Mars e Pepsico. São contratos nos quais a compra dos produtos da Danimer está garantida e eles estão sendo vistos quase como uma certificação.

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Gestores da ACE e Legacy esperam por fim da prescrição futura dos juros em reunião do Copom

SÃO PAULO – “As condições que nos possibilitaram ter um juros de 2% não existem mais.” O diagnóstico foi feito por Gustavo Pessoa, sócio-fundador da Legacy Capital, durante live no Instagram do InfoMoney nesta quarta-feira (20). Tanto ele quanto Ricardo Denadai, economista-chefe da ACE Capital, que também participou de entrevista comandada pela especialista em investimentos Ana Laura Magalhães (a Explica Ana), porém, não esperam que uma mudança na taxa Selic ocorra já na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2021.

“É amplamente esperado pelo mercado que a taxa Selic se mantenha em 2% ao ano. O debate tem ficado mais quente em relação à comunicação sobre o que o BC espera para o longo prazo”, resume Denadai.

A visão não é isolada. Levantamento realizado pela XP com 32 gestoras de estratégia multimercado aponta para juros estáveis na primeira reunião do Copom no ano. Mas a mediana das projeções para o juro básico ao fim de 2021 subiu de 3,00% para 3,63%, na comparação com o levantamento feito antes do encontro de dezembro do Copom, variando de 2% (portanto sem alteração) a 5% ao ano (na avaliação de duas gestoras).

A decisão do Copom será anunciada pelo Banco Central após o fechamento do mercado, às 18h30.

Além do consenso em torno da manutenção da Selic na mínima histórica, os gestores compartilham a expectativa de que o BC encerre a indicação de forward guidance após a reunião desta quarta.

O forward guidance (prescrição futura, em tradução livre) consiste em uma ferramenta de política monetária usada pelo BC para sinalizar a projeção da taxa de juros para um determinado período e as estratégias adotadas para que a meta seja atingida. Com ele, o mercado e os investidores já sabem o que esperar da economia nacional e podem tomar decisões financeiras sem muitas surpresas.

“Quando ele [BC] fez esse instrumento [forward guidance], a situação do mundo e do Brasil era completamente diferente. As projeções de inflação têm subido muito em relação à meta, os preços das commodities não param de subir em dólar, a questão fiscal, que também envolve o auxílio emergencial, está ruim”, analisa o gestor da Legacy.

Dessa forma, para Pessoa, o Banco Central já deveria abrir mão do forward guidance e começar o processo de regularização dos juros.

Como investir na renda fixa com juros tão baixos?

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Com a taxa Selic ainda em 2% ao ano, os investimentos em renda fixa ficam pouco atrativos. Na visão de Denadai, apenas um investidor muito conservador deve deixar o seu dinheiro rendendo o CDI. Ele explica que, com a projeção da inflação para o final de 2021 em 3,5%, ao aplicar na renda fixa pós-fixada, na melhor das hipóteses, o investidor vai apenas empatar com a inflação em termos de rentabilidade.

Assim, o gestor aponta que há outras maneiras de bater a inflação nesse cenário: “Você pode usar a renda fixa ativa para aproveitar essas oportunidades. Que não seja um fundo DI, que é renda fixa passiva. Que seja [um fundo] mais ativo, gerenciado por gente competente que consiga buscar  oportunidades na oscilação da curva de juros”.

Ana Laura Magalhães ressaltou que essa recomendação exclui a fatia destinada à reserva de emergência, que não deve ter uma estratégia de rentabilidade com risco. Ela também aponta para um movimento favorável no momento para a Bolsa: “Quando os juros estão baixos, há um fluxo maior de ativos em direção à renda variável, principalmente para a Bolsa”.

“Real fica mais atraente com a alta futura dos juros”

Outro tema debatido na conversa se refere ao câmbio, mais especificamente ao impacto de uma eventual alta da taxa Selic no dólar.

Pessoa explica que o câmbio será muito impactado por uma possível alta de juros. Quando os juros de um país começam a subir, sua moeda fica mais atraente. Isso ocorre porque essa moeda terá um ‘carrego’ melhor, ou seja, o investidor receberá mais juros por tê-la. Assim mais investidores, nacionais e internacionais, vão querê-la.

Portanto, o gestor entende que, em um segundo momento, o preço das commodities pode oscilar menos. “Só de ter essa vontade maior de querer o real, já cai a volatilidade, no primeiro momento. No segundo momento, ela [a moeda] começa a apreciar. E o real quando começa a apreciar você tem menos pressão inflacionária, fazendo o canal de commodities e câmbio funcionar,” finaliza.

E Agora, Ana?

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O programa “E Agora, Ana?” vai ao ar às quartas-feiras, às 12h, no Instagram do InfoMoney. A série de lives, apresentadas pela especialista em investimentos Ana Laura Magalhães, traz assuntos relevantes para os investidores se posicionarem em investimentos no Brasil, levando em conta os cenários dos mercados nacional e internacional.

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