Recompra de ações: 4 empresas do setor imobiliário estão com programas abertos; confira

(Shutterstock)

SÃO PAULO – Quatro companhias do setor imobiliário estão com programas de recompra de ações em andamento e duas já encerraram, totalizando operações de cerca de R$ 750 milhões. São elas JHSF (JHSF3), Eztec (EZTC3), Tenda (TEND3) e Moura Dubeux (MDNE3). Já BR Properties (BRPR3) e Even (EVEN3) encerraram o seu programa na semana passada.

A recompra de ações consiste na compra pelas companhias de suas próprias ações no mercado, seja cancelando-as ou utilizando-as para atender ao exercício de opções de compra dos papéis.

Na prática, a empresa está tirando de circulação parte do seu patrimônio líquido da Bolsa, seja para ajustar sua estrutura de capital e seus níveis de caixa, sinalizar que acredita no potencial de suas ações como para oferecer uma forma de remuneração substituta ao dividendo, dentre outros fatores.

No caso da Even, a quantidade de papéis a serem adquiridos foi limitada a três milhões de ações ordinárias, o que corresponde a 1,48% das ações em circulação no mercado. O encerramento foi aprovado na reunião do conselho de administração da companhia realizada no dia 12 de agosto de 2021.

Na JHSF, o limite é de 28 milhões de ações ordinárias, que representam, aproximadamente, 9,15% do total de ações em circulação no mercado. O programa tem vigência até 17 de fevereiro de 2023.

No caso da EZTec, o programa envolve até 5.035.897 ações. O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

Na Construtora Tenda, o conselho de administração aprovou o aditamento ao plano de recompra de ações, divulgado em dezembro de 2020, e poderá realizar operações com derivativos do programa, que tem validade até dezembro deste ano.

O programa da Moura Dubeux, que começou em abril deste ano, envolve até 5.715.759 de ações ordinárias e encerra-se em 19 de abril de 2022.

Já a BR Properties, assim como a Even, comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ela obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,9 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

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Em relatório, o Bradesco BBI avalia que a onda de programas de recompra envia um forte sinal da confiança das empresas no ciclo de negócios, apesar do recente colapso do valor de mercado do setor.

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O time de análise destaca que o setor já havia sinalizado uma compra da ordem de R$ 14 milhões por controladores do mercado imobiliário, com Tecnisa, MRV, brMalls, Plano&Plano, bem como Eztec entre os principais compradores. Desde então, as ações já perderam cerca de 26% na B3, em média, escreve.

“Destacamos que a recente crise do setor foi impulsionada pela deterioração das condições macroeconômicas, embora os fundamentos das empresas permaneçam predominantemente robustos”, completam os analistas do banco.

Além das empresas do setor de real estate, de construção e de shopping centers, a empresa de aluguel de veículos Movida (MOVI3) também anunciou nesta segunda-feira (23) o seu programa de recompra, de até 12.335.379 ações. A Locaweb (LWSA3) anunciou também programa de recompra na semana passada, projetando a compra de até 3 milhões de ações até 2023.

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Ações da Azul seguem alta da sexta-feira com notícia do WSJ sobre conversa com credores da Latam

SÃO PAULO – As ações da Azul (AZUL4) seguem com ganhos nesta segunda-feira (23) após a alta de 2,67% na última sexta-feira (20), que chegou a ser de quase 4% durante a última sessão.  Já às 10h59 (horário de Brasília) desta segunda, os ativos AZUL4 subiam 2,21%, a R$ 36,93.

A alta foi motivada após a notícia do jornal americano Wall Street Journal, citando fontes, de que a Azul tem conversado com credores para comprar as operações da rival Latam no Brasil.

De acordo com a publicação, a Azul estaria aberta para comprar a empresa inteira e depois vender operações em outros países. A empresa brasileira também estaria aberta a uma possível joint venture com a Latam para complementar seus negócios atuais no Brasil, conforme as fontes do jornal.

As companhias conversaram sobre um possível negócio no início do processo de falência, mas a Latam interrompeu as negociações porque os proprietários da empresa chilena não queriam abrir mão do controle do grupo, segundo destacou fonte ao WSJ.

As diferentes unidades nacionais da Latam entraram em processo de falência no ano passado em meio à turbulência causada pela pandemia. Um porta-voz da Latam informou que a empresa não tem intenção de vender sua operação brasileira, e que a companhia aérea espera apresentar seu plano de reorganização e sair da recuperação judicial este ano.

Por outro lado, com seu maior caixa da história e aproveitando a demanda represada por viagens por causa da pandemia de coronavírus, que impulsionou principalmente o turismo doméstico em 2021, a Azul já evidenciou a intenção de comprar a operação brasileira da Latam. Em live do InfoMoney, John Rodgerson, CEO da aérea, deu um recado aos deputados que estão analisando a possível operação: “olhem como a Azul mudou o país”.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Rodgerson destacou o desenvolvimento do setor aéreo nacional, parte estimulado pelos investimentos da Azul nos últimos anos. “Os deputados devem olhar isso [a aquisição da Latam pela Azul] por esse contexto. Se você olha outros países do mundo, Air Canada tem 70% do mercado aéreo canadense, Avianca tem 70% do mercado da Colômbia, a LAN tinha 85% do mercado do Chile. Parem de pensar que isso não pode ser benéfico e vejam as oportunidades”, afirmou o CEO.

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Commodities agrícolas: ainda fortes ou no fim do ciclo de alta? Confira a opinião de analistas e o impacto nas ações

Produção de soja, commodities, agricultura (fotokostic/GettyImages)

SÃO PAULO – Os preços das commodities agrícolas, em especial grãos como a soja e o milho, dispararam ao longo do primeiro semestre de 2021, o que teve impacto disseminado na economia brasileira. Tanto efeitos positivos, uma vez que o Brasil tem o perfil de exportador dessas commodities, quanto negativos, pois a inflação de alimentos e o setor de frigoríficos acabaram sentindo essa valorização.

A dúvida hoje é se essa trajetória de incremento nos valores dos grãos irá continuar pelos próximos meses ou se o superciclo já acabou.

Em números, é importante ressaltar que a soja teve um aumento de 12,9% no seu valor desde o fim do ano passado, atingindo R$ 173,75 a saca de 60 kg no fechamento da terça-feira (16) segundo dados da Esalq/BM&F Bovespa. O milho se valorizou ainda mais, acumulando ganhos de 27,01% até ontem, a R$ 99,89 a saca de 60 kg.

Segundo Leonardo Alencar, analista da XP, o cenário atual não permite análises de queda no preço de grãos até 2022. “A colheita de milho da safrinha [com plantio nos meses de fevereiro e março depois da colheita da safra principal] teve sucessivas revisões para baixo e como o preço está muito alto, há previsões até de possibilidade de aumento na importação de milho”, explica.

A estiagens e as ondas de frio recentes fizeram com que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisasse suas projeções para a safra total de 2021, que de recorde histórico agora é estimada em queda de 1,2% ante a anterior, totalizando 253,98 milhões de toneladas.

Para Alencar, esperar um fim no ciclo de alta de grãos e outras commodities agrícolas até 2022 enquanto a demanda global se recupera dos impactos do coronavírus e os efeitos climáticos adversos estão cada vez mais presentes é, no mínimo, temerário.

“Não vejo queda em 2022. Os preços devem, no máximo, mostrar acomodação até lá. Esperar queda, com os riscos climáticos atuais, está cada vez mais arriscado”, defende.

Essa avaliação é oposta à da equipe de análise do Bradesco BBI, que acredita que as commodities agrícolas estão no fim do seu ciclo de valorização.

O analista Leonardo Fontanesi escreve em relatório que historicamente os preços de commodities agrícolas têm ciclos de alta (como o que vem ocorrendo de 2019 a 2021) de dois anos, em média, com um incremento de aproximadamente 20% ao ano no valor de cada grão, ao passo que os ciclos de queda duram, em média, três anos e meio e os preços caem em torno de 10% ao ano.

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“Esperamos um declínio de 30% nos preços de produtos agrícolas até 2024, ao mesmo tempo em que o consenso da Bloomberg projeta uma retração de 15%”, ressalta Fontanesi.

Os motivos para essa previsão não são meramente estatísticos. O analista do Bradesco BBI considera provável que a China corte importações de produtos agrícolas até 2022 depois dessas compras avançarem 50% nos últimos dois anos.

“Este aumento nas importações ocorreu porque a China dobrou seu número de criação de porcos nos últimos dois anos, depois de perder animais para a peste suína africana de 2018, e precisava comprar comida para alimentá-los. A população de suínos da China é relevante para a agricultura global porque a carne de porco é de longe a proteína mais importante do país e as necessidades de ração da China são responsáveis ​​por aproximadamente 15% da demanda global de trigo, milho e soja”, destaca o Bradesco.

Todavia, desde junho de 2021, as margens da indústria de suínos chinesa se tornaram negativas com um excesso de oferta de porcos e custos mais altos de grãos. “Nós estimamos que os preços do milho na China (correlacionados com os EUA e o Brasil) têm que cair de 20% a 30% para que as margens voltem a convergir para a média histórica.”

A questão do plantel de suínos da China, por outro lado, não existe sem algum grau de controvérsia. Leonardo Alencar diz ver com ceticismo esse anúncio do país de que repôs os rebanhos perdidos durante a epidemia da febre suína.

“Na nossa leitura, o preço deve começar a subir novamente. Nos últimos tempos, os pecuaristas chineses voltaram a abater animais com medo da peste. Teremos ainda aquela demanda extraordinária que ocorre no ano-novo chinês [em 1º de fevereiro] e a população do país está consumindo cada vez mais carne, inclusive proteínas de origem mais diversificada, graças ao aumento da renda”, argumenta.

A opinião do analista da XP é que os preços cairiam apenas se a demanda recuasse devido a um recrudescimento da pandemia, mas que nem isso é certo, pois as últimas ondas da Covid-19 foram mitigadas pelo suporte de programas governamentais.

Na linha dessas projeções mais otimistas com grãos, a equipe de análise do Bank of America comenta que a Balança Comercial brasileira mostrou que as exportações de alimentos no segundo trimestre foram muito fortes em todos os quesitos, com os preços em dólares avançando dois dígitos na comparação com o mesmo período do ano passado.

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“O bom desempenho vem na hora certa, conforme as empresas sofrem no mercado doméstico com um desafiador pass-through [impacto da depreciação da moeda local na inflação] para os consumidores e custos em alta”, escrevem os analistas Guilherme Palhares e Isabella Simonato.

Para o segundo semestre deste ano, a equipe do BofA espera que a demanda chinesa e a reativação da cadeia global de serviços alimentícios sejam os principais catalisadores para volumes e preços, providenciando um impulso para a atual inflação de custos.

Frigoríficos sofrem

Enquanto empresas que vendem commodities agrícolas como SLC (SLCE3), Brasil Agro (AGRO3) e Terra Santa ([ativo=LAND3]) se beneficiam desse quadro de elevações no valor de grãos, frigoríficos como JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), Minerva (BEEF3) e, principalmente BRF (BRFS3), são impactadas negativamente.

Alencar destaca que aves e suínos têm alimentação quase que 100% composta de rações de milho e de farelo de soja. Como a BRF é a companhia do setor mais posicionada na venda de carne de aves e porcos, acaba sendo a mais afetada.

Marfrig e JBS, por sua vez, sofreriam impactos menores, pois o uso de grãos na dieta do boi ocorre apenas quando ele está em confinamento e as duas empresas têm ainda um outro trunfo, que são suas operações nos Estados Unidos.

“O cenário americano é de boa oferta e bons preços, com uma demanda muito aquecida nesta retomada pós-Covid. O maior problema para essas empresas no Brasil atualmente não é nem tanto o aumento dos custos como a demanda pressionada”, afirma.

Vale lembrar que no segundo trimestre de 2021, a Marfrig teve seu melhor desempenho histórico, lucrando R$ 1,7 bilhão, alta de 9% na comparação com o mesmo período do ano passado, com um resultado impulsionado pelos EUA.

A operação dos Estados Unidos, de acordo  analistas da XP, foi responsável por 96% do Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) total da Marfrig. O preço do gado aumentou 12% na comparação anual, mas o preço da carne bovina veio em linha com o segundo trimestre de 2020 e os spreads caíram 8,9%, algo que os analistas da casa veem como positivo.

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A JBS, por sua vez, teve lucro líquido recorde de R$ 4,4 bilhões no 2º trimestre. Na teleconferência de resultados, o CEO da companhia, Gilberto Tomazoni, apontou que o custo de produção dos animais vivos aumentou com a alta dos preços dos grãos, porém que a redução do volume de carne suína produzida, que foi impactada pelas condições climáticas e pela escassez de mão de obra combinada com o crescimento da demanda acima do esperado, impulsionaram o preço deste tipo de carne no mercado doméstico.

Já a BRF teve prejuízo líquido de R$ 199 milhões no trimestre, revertendo um lucro de R$ 307 milhões na base anual.

Na teleconferência de resultados, Lorival Luz, CEO da empresa, disse que cada vez mais o custo médio do estoque de grãos ou de outros insumos e matérias-primas da empresa vão aumentar. “Com os desafios desta safra e das próximas, de forma geral o custo de produção – e é visto já na margem do produtor – chegará a todas as empresas, todas as indústrias. O que traz a necessidade que exista o reequilíbrio sustentável da nossa operação”, defendeu.

Segundo o CEO, o caixa de R$ 9 bilhões do frigorífico, combinado com um valor relativamente baixo de vencimentos de curto prazo (R$ 700 milhões em 2021), permitem que impactos como o do atual patamar dos preços de grãos sejam mitigados.

“A companhia está absolutamente preparada, robusta, com uma liquidez financeira, suficiente para que atravessemos esse segundo semestre mesmo com um aumento de grãos, o aumento de custos que tivemos”, assegurou.

Falando especificamente do mercado de carne, o BofA ressalta que apesar da baixa disponibilidade de gado e da queda de 7% em volumes na comparação anual durante o segundo trimestre, os preços atingiram recordes históricos em junho.

“Em junho, os preços de carne bovina chegaram a US$ 5,20 por kg, valor 21% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado e 5% acima de maio”, destacam os analistas. Para eles, essa sequência de valorizações levou os preços no segundo trimestre a subirem 14% em dólar e 11% em reais.

“Nós acreditamos que uma performance assim poderia ser em larga medida explicada por uma crescente demanda da China depois que plantéis de porcos foram abatidos. A reativação do canal de serviços alimentícios e restrições de oferta tanto na Austrália quanto no Brasil devem continuar provocando alta de preços”, explica o BofA.

O banco lembra que as margens de exportação de carne atingiram uma média de 15% no segundo trimestre, estável na comparação com o trimestre anterior apesar do aumento de 5% no preço médio do gado.

Já o mercado de aves, segundo os analistas, foi destaque pelos fortes volumes e preços. O volume diário médio bateu 12,1 mil toneladas em junho, em um crescimento de 13% em relação ao segundo trimestre de 2020, ao mesmo tempo em que os preços em dólares aumentaram em 4%.

“A demanda internacional por aves deve se beneficiar diretamente da recuperação do canal de serviços alimentícios, especialmente na região do Oriente Médio, onde o consumo depende do turismo”, escreve a equipe do BofA.

Entretanto, o banco aponta riscos no horizonte vindos da Arábia Saudita, que representa 14% do mercado externo de aves do Brasil. O país tem banido importações de diversos frigoríficos.

Já em suínos, as exportações de carne de porco tiveram, segundo o BofA, mais um ótimo mês, com os volumes crescendo 11% na comparação mensal em junho e 12% na base anual, tornando-se o melhor mês da história em termos de volumes exportados pelo Brasil, em mil toneladas por dia.

“Os preços em dólar ficaram estáveis na comparação mensal em junho, mas cresceram 21% na comparação anual, totalizando US$ 2,60 por kg. No segundo trimestre, os volumes se expandiram em 25% na base trimestral e os preços melhoraram em aproximadamente 5% na mesma base, implicando um sonoro crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2020.”

Para os analistas, esse desempenho comprova a opinião do banco de que apesar da China estar recompondo o seu plantel de porcos, a produção ainda está baixa devido aos mais baixos níveis de rentabilidade da carne.

“Esperamos que a demanda continue forte no segundo trimestre depois da liquidação de estoques que ocorreu no primeiro semestre na região, o que beneficia exportadores brasileiros.”

Revisões do Bradesco

Devido à visão mais negativa dos seus analistas para commodities agrícolas, o Bradesco BBI revisou recentemente as recomendações para uma série de papéis.

Ambev (ABEV3) foi de neutro para compra em meio à aposta de que os custos agrícolas irão cair. “Leva cerca de 12 meses para que os preços das commodities reflitam nos resultados da Ambev dados os hedges, mas o mercado provavelmente irá antecipar ganhos mais fortes devido à queda nos preços agrícolas”, escreve a equipe do banco. O múltiplo valor de mercado da empresa dividido pelo lucro (P/L) da Ambev cairia, assim, de 20 vezes em 2022 (contra 23 vezes na média histórica) para 17 vezes em 2023, um patamar considerado atrativo.

O preço-alvo das ações ABEV3 é de R$ 21,00, o que corresponde a uma valorização de 19,73% sobre o nível de fechamento dos papéis na sexta-feira (20).

A São Martinho (SMTO3), por sua vez, teve recomendação cortada de compra para neutra. “Dada nossa visão mais baixista sobre os preços agrícolas, cortamos nossa previsão de preço do açúcar em cerca de 5% na média para 2022.”

O preço-alvo das SMTO3 projetado pelo Bradesco é de R$ 38,00, em um upside de 16,31% ante o fechamento da sexta.

Já a M.Dias Branco (MDIA3) foi mantida como a top pick do setor para o Bradesco, pois na visão dos analistas a fabricante de biscoitos e bolachas sofreu forte compressão na margem por conta do aumento nos custos agrícolas e, com preços mais baixos das commodities a partir do segundo semestre a margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita líquida) se recuperaria de 7% em 2021 para 16% em 2022.

O preço-alvo das ações MDIA3 é de R$ 40, o que equivale a uma alta de 22,29% na comparação com o fechamento da sexta.

Para os frigoríficos, as recomendações do Bradesco não foram alteradas, embora os analistas tenham elevado estimativas de Ebitda para 2021 e 2022 em 10% em média para JBS e Marfrig. As projeções a partir de 2023, por outro lado, foram reduzidas pela visão revisada das margens da carne bovina nos EUA com base na previsão de oferta de gado.

“Embora tenhamos reduzido nossas estimativas de custo de grãos para nossa cobertura de proteína (responsável por cerca de 30% dos custos totais para BRF e aproximadamente 12% para JBS, mas não é relevante para Marfrig), que impacta principalmente as divisões de frangos, suínos e alimentos processados dessas empresas, nós conservadoramente assumimos que este impacto será principalmente compensado por preços mais baixos de carne fresca, dado que o excesso de oferta de carne suína na China pode pesar sobre as importações, fazendo com que nossas estimativas da BRF mudem apenas ligeiramente.”

Os preços-alvos de JBS, Marfrig e BRF projetados pelo Bradesco são R$ 38,00, R$ 25,00 e R$ 32,00. Os upsides esperados até atingir esses valores são 19,84%, 24,01% e 34,74% respectivamente.

Abaixo uma tabela com um compilado da Refinitiv de recomendações de bancos, corretoras e casas de análise para as empresas citadas.

Empresa Ticker Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de venda Preço-alvo médio Valorização (upside) esperado
Ambev ABEV3 4 7 4 R$ 17,20 -1,94%
BRF BRFS3 4 8 1 R$ 28,69 +20,8%
JBS JBSS3 11 0 0 R$ 42,17 +32,99%
Marfrig MRFG3 8 4 0 R$ 23,36 +15,87%
M.Dias Branco MDIA3 3 4 2 R$ 34,81 +6,42%
São Martinho SMTO3 7 7 0 R$ 35,89 +9,86%

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Ação da Sabesp tem baixa de mais de 3% após salto de sexta; Vale cai com minério, Petrobras e PetroRio sobem com petróleo

SÃO PAULO – As ações da Sabesp (SBSP3) são destaque de queda, com baixa de mais de 3%, após a disparada de mais de 10% na sexta-feira.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada. Ele comentou as declarações do recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ), sobre a privatização da companhia, ressaltando que a privatização da companhia de saneamento é um projeto de “longo prazo”, não de curto prazo.

Os ativos da Vale (VALE3) tem queda de cerca de 1% em uma nova sessão de baixa para o minério de ferro, mas as ações de siderúrgicas avançam, com destaque para Usiminas (USIM5). Em relatório, o Credit Suisse destacou preferir Usiminas e CSN a ações de mineradoras no momento.

Papéis de petroleiras também avançam, com destaque para a alta de cerca de 3% de PetroRio (PRIO3), enquanto Petrobras (PETR3;[PETR4]) sobe mais de 1%. Os preços do petróleo saltavam 3% nesta segunda-feira, recuperando-se de uma sequência de sete dias de perdas, apoiados pela desvalorização do dólar, apesar das preocupações de demanda causadas pelo aumento no número de casos da variante Delta do coronavírus.

Já as ações da Azul (AZUL4) seguem com ganhos nesta segunda-feira (23) após a alta de 2,67% na última sexta-feira (20). A alta foi motivada após a notícia do jornal americano Wall Street Journal, citando fontes, de que a Azul tem conversado com credores para comprar as operações da rival Latam no Brasil.

De acordo com a publicação, a Azul estaria aberta para comprar a empresa inteira e depois vender operações em outros países. A empresa brasileira também estaria aberta a uma possível joint venture com a Latam para complementar seus negócios atuais no Brasil, conforme as fontes do jornal. Veja mais clicando aqui. 

Confira os destaques:

A Alliar informou que acordo de acionistas agora representa 50,46% das ações da empresa, com mais acionistas aderindo ao acordo.

Vale (VALE3), siderúrgicas e minério de ferro

O contrato mais negociado do minério de ferro em Dalian, para janeiro de 2022, fechou em queda de 1,1%, a 757 iuanes/tonelada, girando em torno de uma mínima de sete meses e meio, à medida que os controles de produção de aço e as restrições causadas pela Covid-19 na China pesam sobre o entusiasmo do mercado.

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Na bolsa de Cingapura, o contrato mais ativo do minério de ferro, para setembro, recuava 1,5%, a 136,60 dólares a tonelada.

“A perspectiva de menor produção dos altos-fornos no segundo semestre de 2021 frente ao primeiro agora é uma realidade, embora os embarques de minério de ferro da Austrália continuem decepcionando”, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities, que mantém um alvo de médio prazo de US$ 140 a US$ 170 a tonelada (CFR) para entrega à China.

Já os contratos futuros do coque e do carvão metalúrgico negociados na China atingiram nesta segunda-feira seus limites diários de alta de 8% e renovaram máximas recordes, à medida que rumores de mercado sobre uma suspensão das importações de carvão da Mongólia em função da pandemia de Covid-19 alimentaram temores de uma oferta mais restrita das matérias-primas siderúrgicas.

Os contratos mais negociados do carvão coque e do coque na bolsa de commodities de Dalian, para janeiro de 2022, escalaram máximas de 2.421 iuanes (US$ 373,01) por tonelada e 3.053,50 iuanes por tonelada, respectivamente.

A EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações.

O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

BR Properties (BRPR3)

A BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ela obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,888 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

A Movida, por sua vez, aprovou programa de recompra de até 12.335.379 ações.

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Uma unidade da Minerva Foods  em Palmeira de Goiás (GO) foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF) dentro da Operação A Posteriori, que apura supostas irregularidades de auditores fiscais federais agropecuários no período de 2018 a 2019, informou a companhia na sexta-feira.

Segundo a empresa, o procedimento, realizado na quinta, teve cooperação dos colaboradores da Minerva e a planta mantém suas atividades regulares.  “Não existe indiciamento ou denúncia contra a companhia, contra seus administradores ou qualquer de seus empregados ou colaboradores no âmbito da operação”, disse em comunicado.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada.

Ao comentar declarações do recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ), sobre a privatização da Sabesp, Doria ressaltou que a privatização da companhia de saneamento é um projeto de “longo prazo”, não de curto prazo.

“Nosso governo é desestatizante… A Sabesp já é de capital aberto, cotada em bolsa, com performance muito boa e bem administrada. Ao longo dos próximos anos, ela vai ser preparada evidentemente para um programa de privatização, mas não faremos isso de forma precipitada”, comentou Doria a jornalistas, no Rio de Janeiro. As declarações de Maia fizeram disparar as ações da Sabesp na sexta-feira.

A Braskem comunicou que não tem conhecimento sobre a realização de uma oferta pública de ações da companhia como uma possível estratégia de saída dos acionistas, em esclarecimento após notícia da Coluna do Broadcast.

A empresa diz que “não é parte de eventuais discussões de seus acionistas sobre a venda das suas participações acionárias”, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como esclarecimento de notícia veiculada na mídia.

Recomendações 

O Morgan Stanley iniciou a cobertura para as ações da Smart Fit com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 32, uma alta de 15% em relação ao fechamento de sexta-feira (20).

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O banco diz que a rede está posicionada para consolidar um mercado enfraquecido pela Covid, com uma histórico de crescimento e gestão fortes. Segundo o banco, a SmartFit está presente em 13 países, com 981 pontos, principalmente no Brasil, no México e na Colômbia, com 12% de participação do mercado na América Latina. Mundialmente, é quarta maior empresa de academias, e a maior fora dos Estados Unidos, diz o banco. Em 2010, a empresa tinha menos de 1% do mercado da América Latina, e o crescimento se deu principalmente com a abertura de lojas próprias, mas também com franquias. Apenas 6 unidades foram fechadas desde a fundação.

O banco diz que fusões e aquisições deverão impulsionar a empresa e vê uma taxa de crescimento anual composta de lojas próprias (CAGR em inglês) de 17% para o período entre 2019 e 2023.

Na última sexta, o  InfoMoney conversou com Edgard Corona, fundador e CEO do negócio, sobre o caminho até a oferta pública inicial de ações; o impacto da pandemia nos negócios; e planos após o IPO. Confira clicando no link a seguir. 

Já o Bradesco BBI iniciou cobertura para CBA (CBAV3) com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 19, ou alta de 73% em relação ao fechamento de sexta.

O banco diz que a tese de investimento na empresa se baseia em custo baixo de energia renovável e da bauxita, boas tendências globais de descarbonização, crescimento de projetos de crescimento com baixo custo e uma perspectiva positiva para os preços do alumínio.

O banco diz que prevê que o preço do alumínio chegue a US$ 2.500 por tonelada em 2022; e a US$ 2.300 por tonelada em 2023, enxergando tendências estruturais sólidas por conta de demanda de veículos elétricos, substituição do plástico, projetos de energia renovável, prédios “verdes” e com estrutura mais leve e exigências de descarbonização, que elevam custos e pressionam a produção.

O banco também diz que enxerga preços com desconto injustificado em relação a outras empresas do setor. Entre os riscos, o banco cita a possibilidade de custos de alumínio mais baixos do que o esperado, o que poderia ocorrer se a demanda da China não correspondesse à expectativa ou se a economia do Brasil piorasse.

O BBI também iniciou a cobertura para a ação do Banco Pan (BPAN4), com recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 26 para 2022  para os papéis BPAN4, potencial de alta de 35% em relação ao fechamento de sexta.

Os analistas do banco destacam visão positiva por conta do ecossistema que vem sendo construído pelo Banco Pan para produtos e clientes, a existência de um mercado relevante para seus serviços no Brasil, com 138 milhões de clientes e R$ 1,2 trilhão em empréstimos para uma população ainda não plenamente servida; forte número crescimento em número de clientes, com mais de 40 mil adições diárias no segundo trimestre; expectativa de crescimento acima da média de rendimento, com expectativa de taxa anual de crescimento composto (CAGR na sigla em inglês) para o período entre 2021 e 2023 de 35%, frente a 10% em média para os bancos sob cobertura do Bradesco.

Itaúsa (ITSA4), Itaú (ITUB4) e XP

A Itaúsa, em continuidade as notícias sobre o investimento do Itaú na XP, informou que as assembleias gerais extraordinárias – com o objetivo de deliberar sobre a incorporação das companhias – ocorrerão em 1º de outubro.

Considerando a fixação da data das AGEs e o cancelamento das ações de emissão da XPart em tesouraria, a relação de troca final será de 43,3128323 ações de emissão da XPart por 1 ação classe A da XP, ou 1 BDR por 1 ação também classe A. Aprovada a incorporação, a Itaúsa passará a ser detentora de 15,07% do capital total da XP e 4,74% de seu capital votante.

IPOs

A empresa de cibersegurança ISH Tech, com sede em Vitória, pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) em busca de recursos para financiar seu crescimento orgânico e via aquisições, além de investir em pesquisa. A empresa foi fundada em 1996 como consultoria em TI.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Programas de recompra de Movida, EzTec e BR Properties; noticiário sobre Sabesp, nova queda do minério, recomendações e mais destaques

SÃO PAULO – No radar corporativo, a EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações. A Movida, por sua vez, aprovou programa de recompra de até 12.335.379 ações. Já a BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações.

Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada. Ainda no radar, bancos iniciaram cobertura para CBA e Smart Fit. Confira os destaques:

A Alliar informou que acordo de acionistas agora representa 50,46% das ações da empresa, com mais acionistas aderindo ao acordo.

Vale (VALE3), siderúrgicas e minério de ferro

O contrato mais negociado do minério de ferro em Dalian, para janeiro de 2022, fechou em queda de 1,1%, a 757 iuanes/tonelada, girando em torno de uma mínima de sete meses e meio, à medida que os controles de produção de aço e as restrições causadas pela Covid-19 na China pesam sobre o entusiasmo do mercado.

Na bolsa de Cingapura, o contrato mais ativo do minério de ferro, para setembro, recuava 1,5%, a 136,60 dólares a tonelada.

“A perspectiva de menor produção dos altos-fornos no segundo semestre de 2021 frente ao primeiro agora é uma realidade, embora os embarques de minério de ferro da Austrália continuem decepcionando”, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities, que mantém um alvo de médio prazo de US$ 140 a US$ 170 a tonelada (CFR) para entrega à China.

Já os contratos futuros do coque e do carvão metalúrgico negociados na China atingiram nesta segunda-feira seus limites diários de alta de 8% e renovaram máximas recordes, à medida que rumores de mercado sobre uma suspensão das importações de carvão da Mongólia em função da pandemia de Covid-19 alimentaram temores de uma oferta mais restrita das matérias-primas siderúrgicas.

Os contratos mais negociados do carvão coque e do coque na bolsa de commodities de Dalian, para janeiro de 2022, escalaram máximas de 2.421 iuanes (US$ 373,01) por tonelada e 3.053,50 iuanes por tonelada, respectivamente.

A EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações.

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O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

BR Properties (BRPR3)

A BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ela obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,888 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

Uma unidade da Minerva Foods  em Palmeira de Goiás (GO) foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF) dentro da Operação A Posteriori, que apura supostas irregularidades de auditores fiscais federais agropecuários no período de 2018 a 2019, informou a companhia na sexta-feira.

Segundo a empresa, o procedimento, realizado na quinta, teve cooperação dos colaboradores da Minerva e a planta mantém suas atividades regulares.  “Não existe indiciamento ou denúncia contra a companhia, contra seus administradores ou qualquer de seus empregados ou colaboradores no âmbito da operação”, disse em comunicado.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada.

Ao comentar declarações do recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ), sobre a privatização da Sabesp, Doria ressaltou que a privatização da companhia de saneamento é um projeto de “longo prazo”, não de curto prazo.

“Nosso governo é desestatizante… A Sabesp já é de capital aberto, cotada em bolsa, com performance muito boa e bem administrada. Ao longo dos próximos anos, ela vai ser preparada evidentemente para um programa de privatização, mas não faremos isso de forma precipitada”, comentou Doria a jornalistas, no Rio de Janeiro. As declarações de Maia fizeram disparar as ações da Sabesp na sexta-feira.

A Braskem comunicou que não tem conhecimento sobre a realização de uma oferta pública de ações da companhia como uma possível estratégia de saída dos acionistas, em esclarecimento após notícia da Coluna do Broadcast.

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A empresa diz que “não é parte de eventuais discussões de seus acionistas sobre a venda das suas participações acionárias”, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como esclarecimento de notícia veiculada na mídia.

Recomendações 

O Morgan Stanley iniciou a cobertura para as ações da Smart Fit com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 32, uma alta de 15% em relação ao fechamento de sexta-feira (20).

Na última sexta, o  InfoMoney conversou com Edgard Corona, fundador e CEO do negócio, sobre o caminho até a oferta pública inicial de ações; o impacto da pandemia nos negócios; e planos após o IPO. Confira clicando no link a seguir. 

Já o Bradesco BBI iniciou cobertura para CBA (CBAV3) com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 19, ou alta de 73% em relação ao fechamento de sexta.

O BBI também iniciou a cobertura para a ação do Banco Pan (BPAN4), com recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 26 para 2022  para os papéis BPAN4, potencial de alta de 35% em relação ao fechamento de sexta.

Os analistas do banco destacam visão positiva por conta do ecossistema que vem sendo construído pelo Banco Pan para produtos e clientes, a existência de um mercado relevante para seus serviços no Brasil, com 138 milhões de clientes e R$ 1,2 trilhão em empréstimos para uma população ainda não plenamente servida; forte número crescimento em número de clientes, com mais de 40 mil adições diárias no segundo trimestre; expectativa de crescimento acima da média de rendimento, com expectativa de taxa anual de crescimento composto (CAGR na sigla em inglês) para o período entre 2021 e 2023 de 35%, frente a 10% em média para os bancos sob cobertura do Bradesco.

Itaúsa (ITSA4), Itaú (ITUB4) e XP

A Itaúsa, em continuidade as notícias sobre o investimento do Itaú na XP, informou que as assembleias gerais extraordinárias – com o objetivo de deliberar sobre a incorporação das companhias – ocorrerão em 1º de outubro.

Considerando a fixação da data das AGEs e o cancelamento das ações de emissão da XPart em tesouraria, a relação de troca final será de 43,3128323 ações de emissão da XPart por 1 ação classe A da XP, ou 1 BDR por 1 ação também classe A. Aprovada a incorporação, a Itaúsa passará a ser detentora de 15,07% do capital total da XP e 4,74% de seu capital votante.

IPOs

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A empresa de cibersegurança ISH Tech, com sede em Vitória, pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) em busca de recursos para financiar seu crescimento orgânico e via aquisições, além de investir em pesquisa. A empresa foi fundada em 1996 como consultoria em TI.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Alliar anuncia acordo de acionistas detentores de 50,2% da companhia; ações saltam 11%

A empresa de diagnósticos médicos Alliar (AALR3) disse nesta sexta-feira que acionistas com 50,192% da empresa assinaram um acordo de acionistas um dia depois de fundos de investimento ligados ao empresário Nelson Tanure comprarem cerca de 26% da companhia. Após a notícia, o dia foi de disparada na Bolsa: as ações fecharam com disparada de 11,03%, a R$ 14,50.

A ação de Tanure, anunciada na quinta-feira, complica uma proposta de aquisição feita pela rede de hospitais Rede D’Or (RDOR3).

A assessoria de comunicação de Tanure disse que ele não fazia parte do acordo de acionistas de sexta-feira.

Os acionistas signatários estão proibidos de vender suas ações durante um período de 180 dias, segundo o acordo.

Como empresa listada e potencial alvo de aquisição, a Alliar disse que os acionistas assinaram o acordo em meio à “tendência contínua de consolidação acelerada no setor”.

Na segunda-feira, a Alliar informou ter recebido notificação de uma oferta não solicitada, aprovada pela diretoria da Rede D’Or, visando até 100% do seu capital social, ou cerca de 118,2 milhões de ações, sob certas condições.

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Ações da Petrobras fecham estáveis apesar de queda do petróleo; Renner cai quase 1% e BK Brasil sobe 4,8%

(Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – Em mais um dia de virada do mercado, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 27,15, -0,04%; PETR4, R$ 26,60, -0,15%) amenizaram as perdas, ainda fechando no negativo, seguindo o movimento de queda no mercado de petróleo, com os contratos do WTI e do brent caindo mais de 2% em uma semana negativa para a commodity, com os investidores repercutindo o impacto da variante delta do coronavírus na demanda por combustíveis.

A Vale (VALE3, R$ 97,55, +0,04%), por sua vez, conseguiu fechar em alta, ainda que praticamente estável, após o tombo de quase 6% da véspera com a derrocada do minério.

O contrato futuro mais negociado na Bolsa de Dalian, na China, após a derrocada de mais 7% na véspera (e que fez a ação da Vale cair mais de 5%), ficou próximo à estabilidade, com leve alta de 0,26%. Já o contrato futuro da commodity negociado em Singapura subiu 5,9%, a US$ 138,30 a tonelada nesta sexta-feira na sequência de uma queda de 12% na véspera, mas segue no nível mais baixo desde dezembro.

Ainda no radar, as ações da Lojas Renner (LREN3, R$ 39,20, -0,63%) caíram. No final da tarde de ontem, a varejista informou que sofreu um ataque cibernético em seu ambiente de tecnologia na quinta-feira, que provocou indisponibilidade em parte de seus sistemas.

As ações do BK Brasil(BKBR3, R$ 9,32, +4,84%), por sua vez, avançaram cerca de 5%. A ação teve a recomendação elevada para equivalente à compra pelo BBA.

Enquanto isso, os papéis da Sabesp (SBSP3) saltaram mais de 10% após o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (sem partido) falar em sua posse como novo secretário de Projetos e Ações Estratégicas do governo de São Paulo que uma das prioridades de sua gestão é organizar a concessão ou privatização da empresa de saneamento.

“Acho que é uma coisa simbólica [a privatização da Sabesp]. Organizar a privatização, a concessão, deixar isso organizado até o final da minha gestão junto com o governador Doria e o vice-governador Rodrigo Garcia será uma marca importante da minha gestão”, afirmou em resposta a jornalistas.

Confira os destaques abaixo:

Braskem (BRKM5, R$ 58,58, +1,95%)

Segundo a coluna do Broad, a venda da fatia da Novonor (antiga Odebrecht) na Braskem, deve ser postergada. A princípio, a ideia era concretizar o negócio este ano para aproveitar a alta no ciclo da petroquímica e das commodities – uma vez que não é certeza que o patamar se mantenha por mais tempo.

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Leia também: Oferta de ações da Braskem volta à mesa para saída de acionistas

Quando o plano de recuperação judicial da então Odebrecht foi desenhado, a expectativa era de que o grupo levantasse R$ 18 bilhões com sua parte, que equivale a 50,1% do capital votante e 38,3% do capital total da empresa. Graças ao ciclo positivo do setor e ao enquadramento dos problemas em suas operações em Alagoas e no México, a Braskem vale hoje mais de R$ 40 bilhões em Bolsa.

Gerdau (GGBR4, R$ 27,65, -0,14%)

O Conselho de Administração da Gerdau aprovou a reorganização de subsidiárias no México, informou a companhia em comunicado ao mercado.

A reestruturação envolve a subsidiária Sidertúl e as suas sociedades Aceros Corsa e Gerdau Corsa – estas em parceria com o Grupo Córdova. As três companhias, todas localizadas no México, se fundirão e se tornarão uma só.

Para isso, o Grupo Córdova comprará 16,84% do capital da Sidertúl por US$ 32,5 milhões, equalizando sua participação nesta empresa com aquilo que possui nas demais. Após isso, a Gerdau aumentará de 70% para 75% sua participação na companhia resultante, que herdará o nome Gerdau Corsa.

Lojas Renner (LREN3, R$ 39,20, -0,63%)

No final da tarde da véspera, a varejista Lojas Renner informou que sofreu um ataque cibernético em seu ambiente de tecnologia na quinta-feira, que provocou indisponibilidade em parte de seus sistemas.

A Lojas Renner informou nesta manhã que as equipes continuam trabalhando para restabelecer o e-commerce em breve. A empresa destaca que todas as lojas físicas continuam abertas e operando, em atualização do comunicado divulgado anteriormente. Afirma ainda que os principais bancos de dados permanecem preservados.

No documento, a empresa diz que continua atuando de forma diligente para mitigar os efeitos causados. “As equipes permanecem mobilizadas, executando o plano de proteção e recuperação, com todos seus protocolos de controle e segurança e trabalhando para restabelecer todas as operações da companhia”.

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No comunicado lançado ontem, a Lojas Renner ressaltou que faz uso de tecnologias e padrões rígidos de segurança, e que continuará aprimorando sua infraestrutura para incorporar cada vez mais protocolos de proteção de dados e sistemas.

O Itaú BBA avaliou as informações sobre os ataques à Lojas Renner como marginalmente negativos. O banco destaca que não é a primeira vez que uma empresa sob sua cobertura foi alvo de um ciberataque, e diz que as empresas que passaram pelo problema foram capazes de normalizar suas operações rapidamente, sem grandes danos operacionais. O banco diz esperar que o mesmo ocorra no caso na Renner. O Itaú mantém recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) para a Lojas Renner, e preço-alvo para 2022 de R$ 51, frente à cotação de fechamento de quinta de R$ 39,45.

JBS (JBSS3, R$ 31,71, +0,96%)

A Pilgrim’s Pride, controlada da JBS nos Estados Unidos, informou que precificou uma oferta de US$ 900 milhões em notas sênior não garantidas com vencimento em 2032. 

De acordo com comunicado da empresa, os títulos serão emitidos a 100% do valor principal agregado e terão rendimento de 3,5%. Devido à demanda significativa, o montante da emissão foi elevado de US$ 750 milhões iniciais. A venda das notas deve ser concluída em 2 de setembro.

Embraer (EMBR3, R$ 19,87, +1,58%)

A Embraer informou que está ampliando sua rede de suporte na região Nordeste dos Estados Unidos com a adição de novos serviços em Centros de Serviços Autorizados da Embraer (EASC). A Empresa concedeu a três centros a capacidade de aumentar as possibilidades para atender mais modelos de jatos executivos da Embraer.

Em nota, o diretor Global de MRO da Embraer Serviços & Suporte Frank Stevens destaca que com o crescimento da frota de jatos executivos da Embraer nos Estados Unidos, a empresa está reforçando a rede de serviços para melhor atender os clientes na região. “As três instalações oferecerão excelentes opções a esses clientes para manutenção programada e não programada, troca de componentes e peças e inspeções com diferentes níveis de complexidade”, afirma.

À Hawthorne Global Aviation Services, LLC, localizada no Aeroporto MacArthur de Long Island, em Nova York, foi outorgada a capacidade de adicionar a manutenção de aeronaves com inclusão dos jatos Phenom 100, Phenom 300, Legacy 450 e Legacy 500, além do Praetor 500 e o Praetor 600, ampliando assim suas atuais capacidades de manutenção para servir os jatos Legacy 600 e Legacy 650.

BRF (BRFS3, R$ 23,75, +0,68%)

O Conselho de Administração da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil, aprovou uma Política de Compra Sustentável de Grãos, conforme ata de reunião do colegiado divulgada na quinta-feira. A aprovação atende o plano Visão 2030 da BRF e o compromisso de rastreabilidade assumido pela empresa em dezembro de 2020, segundo a ata, que não trouxe mais detalhes.

Vibra Energia (BRDT3, R$ 26,10, +0,12%)

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A BR Distribuidora  passa a se chamar Vibra Energia, mas manterá a atual identidade visual e o símbolo BR em sua rede de 8,3 mil postos de combustíveis em todo o Brasil, além de manter outras marcas de produtos e serviços, conforme comunicado enviado pela empresa ao mercado nesta quinta-feira. O movimento ocorre após a Petrobras (PETR3;PETR4) ter vendido sua fatia remanescente na maior distribuidora de combustíveis do país, no fim de junho. Veja mais clicando aqui. 

Alliar (AALR3, R$ 14,50, +11,03%) e Rede D’Or (RDOR3, R$ 75,70, +3,05%)

A empresa de diagnósticos médicos Alliar AALR3.SA disse nesta sexta-feira que acionistas com 50,192% da empresa assinaram um acordo de acionistas um dia depois de fundos de investimento ligados ao empresário Nelson Tanure comprarem cerca de 26% da companhia. (Full Story)

A ação de Tanure, anunciada na quinta-feira, complica uma proposta de aquisição feita pela rede de hospitais Rede D’Or. A assessoria de comunicação de Tanure disse que ele não fazia parte do acordo de acionistas de sexta-feira.

Já no radar da Rede D’Or, a companhia anunciou a compra dos 20% de participação remanescentes do Hospital Aliança, localizado em Salvador (BA), por R$ 350 milhões.

Somando-se os valores, a Rede D’Or pagou R$ 1,150 bilhão pelo ativo. A aquisição foi feita pela afiliada Hospital Esperança S.A. Segundo fato relevante, a previsão de receita para o Hospital Aliança em 2022 é de R$ 700 milhões.

CVC (CVCB3, R$ 19,83, +3,82%)

A CVC  teve seu rating elevado de brB para brBB pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

Arco Educação (ARCE: Nasdaq) 

A Arco Educação teve prejuízo de R$ 20 milhões no segundo trimestre de 2021, ante lucro de R$ 16,3 milhões registrado no mesmo período de 2020. No critério ajustado, o resultado trimestral foi positivo em R$ 36,4 milhões.

Já a receita da empresa cresceu 9,1%, para R$ 256 milhões.

O Credit Suisse reforçou sua visão otimista para a Arco , citando indicadores positivos para o valor do contrato anual (ACV na sigla em inglês), que dão suporte a sua visão positiva sobre a empresa. O banco diz esperar que a companhia volte a um nível de crescimento orgânico de cerca de 20%, o que representaria uma forte aceleração em relação ao dígito único observado em 2021.

O banco diz que a continuidade da vacinação e a volta de aulas presenciais devem dar suporte a um bom segundo semestre em termos de novas vendas. O banco diz avaliar que as ações são negociadas em um nível atrativo, de 27 vezes a relação entre preço e rendimentos (P/E em inglês) em 2021, e 20 vezes em 2022. O banco mantém avaliação outperform e preço-alvo de US$ 46, frente à cotação de US$ 26,27 dos papéis ARCE na quinta na Nasdaq.

Burger King Brasil (BKBR3, R$ 9,32, +4,84%)

Após a correção recente de preços do Burger King Brasil, o Itaú BBA atualizou a sua nota para a empresa de market perform (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) para outperform (acima da média), avaliando que a valoração é atrativa. O banco diz que, com o nível atual de valoração, vê com menos ressalvas a perspectiva de diluição de curto prazo com a compra da DPB. O preço-alvo para 2022 indicado pelo Itaú é R$ 12,5, frente à cotação de quinta de R$ 8,89.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa fecha em alta nesta sexta, mas não apaga queda de 2,6% em semana de más notícias políticas e internacionais; dólar sobe 2,7% em 5 dias

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (20), mas isso não foi o bastante para apagar as perdas de 2,59% do índice na semana. Os últimos dias tiveram uma soma de más notícias no front político com avanço da variante delta do coronavírus, sinalizações do Federal Reserve de que irá começar a reduzir estímulos no fim do ano e dados da China que causaram uma correção nos preços das commodities.

Para Júlio Erse, gestor da Constância, falta visibilidade no cenário macro, o que faz o mercado pedir mais prêmio nos ativos de risco. No entanto, ele acredita que não exista uma mudança estrutural nos fundamentos e que a tendência da Bolsa ainda é de alta até o fim do ano.

“A atividade vai continuar a crescer conforme a economia se reabre no pós-pandemia. O que traz uma reprecificação mais forte é essa incerteza política para o ano que vem, ainda mais com essa retórica de confronto entre os poderes. Isso tomou atenção dos investidores e respingou na preocupação com o andamento das reformas”, avalia Erse.

Já Leonardo Santana, analista da Top Gain, comenta que a Bolsa hoje seguiu a toada da semana e à medida em que o mercado americano devolveu perdas os ativos aqui começam a seguir. “Nas commodities, a prata começou a subir e o cobre também”, nota.

Todavia, Santana ressalta que as medidas recentes do governo apontando para uma “maquiagem” do teto fiscal, acabaram levando o benchmark da B3 a encerrar a semana em baixa.

No radar econômico desta sexta, de acordo com notícia do Broadcast, o governo deve propor um déficit de R$ 70 bilhões no Orçamento de 2022.

O dia ainda contou com focos de incertezas como o avanço da variante delta do coronavírus e a pressão regulatória do governo da China. Na terça, os Estados Unidos registraram mais de mil mortes pela Covid-19 em um dia pela primeira vez desde março.

Também na terça, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “se for para taxar dividendos em 15% é melhor nem ter reforma do Imposto de Renda”, rejeitando a possibilidade de reduzir a alíquota de 20% que propôs.

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O Ibovespa teve alta de 0,76%, a 118.052 pontos com volume financeiro negociado de R$ 30,317 bilhões.

Ontem, Bruno Komura, estrategista da Ouro Preto, e Marcus Vinícius Zanetti, gestor da Kinea, falaram ao InfoMoney sobre o horizonte repleto de incertezas para o mercado entre Federal Reserve disposto a reduzir estímulos no fim do ano, riscos fiscais, ruídos políticos e China impondo freios à valorização de algumas commodities.

Enquanto isso, o dólar comercial registrou queda de 0,7% a R$ 5,384 na compra e a R$ 5,385 na venda. Apesar disso, na semana, a moeda dos EUA se valorizou em 2,67% ante o real. Já o dólar futuro com vencimento em setembro cai 0,58% a R$ 5,394 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu dois pontos-base a 6,69%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de cinco pontos-base a 8,41%, o DI para janeiro de 2025 recuou 13 pontos-base a 9,56% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de 15 pontos-base a 9,98%.

Voltando ao exterior, no Japão os papéis de empresas do setor automobilístico continuaram a registrar perdas, após o anúncio na quinta-feira de que a Toyota deverá cortar em 40% sua produção global em setembro em relação àquilo planejado anteriormente, segundo informações reproduzidas pela agência internacional de notícias Reuters.

Já na Europa, a recuperação dos efeitos da pandemia de Covid é impulsionada pela suspensão de medidas de distanciamento social e pela forte demanda interna após o PIB (Produto Interno Bruto) ter crescido 1,5% no segundo trimestre.

No Reino Unido, dados divulgados pelo Escritório para Estatísticas Nacionais indicam queda de 2,5% nas vendas no varejo em julho em relação ao mês anterior, quando a escassez global de chips e o clima chuvoso impactaram o comportamento dos consumidores britânicos.

Covid, CPI e política

Na quinta (19), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 821, queda de 9 em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.030 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

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A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.895, o que representa queda de 9% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.793 casos.

Chegou a 120.228.060 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,78% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 53.437.018 pessoas, ou 25,24% da população.

Na quinta, falou à CPI da Covid no Senado o dono da farmacêutica Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. Ele limitou-se a responder à CPI da que conhece o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), recusando-se a responder às demais perguntas do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL) amparado em habeas corpus concedido pela ministro Rosa Weber, do STF.

Maximiano disse que seria apenas fiador de um imóvel usado por um amigo de Barros, apesar de aparecer como locatário.

Maximiano evitou perguntas sobre as negociações suspeitas para compra da vacina contra Covid-19 Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, que tinha como representante no Brasil a Precisa. Mas responsabilizou uma empresa localizada nos Emirados Árabes Unidos por falsificar documentos entregues ao Ministério da Saúde.

As denúncias de irregularidades envolvendo as tratativas para compra da Covaxin foram feitas pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde.

Após as denúncias, o Ministério da Saúde cancelou o contrato para compra da Covaxin e a Bharat Biotech encerrou o relacionamento com a Precisa.

Barros tornou-se na quarta-feira formalmente investigado pela CPI da Covid. De acordo com depoimento de Luís Miranda à CPI, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) citou o envolvimento do líder do governo nas supostas irregularidades envolvendo a Covaxin. Bolsonaro não desmentiu o relato de Miranda, e Barros nega quaisquer irregularidades.

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Na quinta, a CPI da Covid aprovou novo pedido de quebra de sigilo fiscal de Barros. O colegiado vai requerer os dados à Receita Federal e informações sobre investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU). A CPI também deu aval ao requerimento de quebra de sigilo fiscal do advogado Frederick Wassef, que defende o presidente Bolsonaro e sua família.

Além disso, nesta semana o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Felipe Salomão, ordenou a plataformas de mídias sociais que suspendam o pagamento por publicidade veiculada de 11 páginas acusadas de publicar notícias falsas e ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Todas elas eram de apoiadores radicais de Bolsonaro e, em vários casos, se sustentam apenas com a chamada monetização.

Segundo reportagem de capa publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta, a suspensão da monetização dos canais bolsonaristas deve congelar valores milionários. Somente no YouTube, os 14 canais atingidos podem gerar até US$ 2,9 milhões (cerca de R$ 15 milhões), de acordo com estimativa da ferramenta Social Blade, que produz estatísticas sobre as redes sociais. O ganho exato dos youtubers foi solicitado às empresas de redes sociais, que têm 20 dias para responder.

Ao participar de evento no Mato Grosso na quinta, o presidente Jair Bolsonaro usou o caso para defender o que chamou de liberdade de imprensa. Ele chamou a suspensão da monetização de “cerceamento de mídias sociais” e “ditadura branca”.

Bolsonaro também afirmou que não cometerá uma ruptura institucional porque sabe das consequências, mas reclamou que o “provocam o tempo todo” e que o país está sendo “sufocado” por uma minoria.

“Da minha parte não haverá ruptura. Sei das consequências internas e externas de uma ruptura. Mas provocam-nos o tempo todo. Não é justo prender quem quer que seja sem o devido processo legal. Não é justo o TSE agora desmonetizar páginas que falam que o voto impresso é necessário, ou que desconfiam do voto eletrônico”, disse o presidente.

Reforma do IR e fundo eleitoral

O jornal O Estado de S. Paulo aponta que, na tentativa de driblar os obstáculos ao avanço da proposta que muda o Imposto de Renda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve se reunir na semana que vem com deputados da oposição na Câmara em busca de um denominador comum que resulte em maior apoio à iniciativa.

Mesmo com esse gesto, porém, as concessões recentes em nome de mais votos acenderam o alerta na equipe econômica, que pode abandonar de vez o projeto caso fique claro que ele será desfavorável para as contas do País.

Integrantes da equipe econômica já têm hoje a avaliação de que a reforma do IR “não se paga” e que as disputas em torno do projeto são até positivas por adiar ainda mais a votação, deixando tudo como está. Apesar do ceticismo dessa ala da equipe, o ministro da Economia tentará buscar na oposição uma “tábua de salvação” para a proposta.

Em live na véspera, o presidente Jair Bolsonaro disse que deve decidir hoje o futuro do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões. A expectativa é que ele vete o fundo e o negocie dentro do orçamento, com um valor esperado entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Líderes no Congresso pressionam para aumentar esse valor para R$ 4 bilhões, segundo apurado pela Folha de S. Paulo.

Já a AGU pediu ao STF a suspensão da decisão que determinou o pagamento de R$ 8,7 bilhões ao Fundef da Bahia e deve fazer o mesmo com a dívida com Pernambuco, Ceará e Amazonas. Com estes estados, o alívio seria de R$ 15,6 bilhões no caixa de 2022.

Ainda em destaque, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), agendou para a próxima terça a sabatina do procurador-geral da República, Augusto Aras, que poderá levar à sua recondução ao cargo. Mas não marcou sabatina para o ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União André Mendonça, que continua na fila de espera apesar de sua indicação ao STF ter chegado ao Senado nove dias antes da formalização do caso de Aras.

5. Radar corporativo

O noticiário corporativo tem como destaque notícias sobre Gerdau, Renner, JBS e BRF. Confira abaixo:

Gerdau (GGBR4)

O Conselho de Administração da Gerdau aprovou a reorganização de subsidiárias no México, informou a companhia em comunicado ao mercado.

Lojas Renner (LREN3)

No final da tarde da véspera, a varejista Lojas Renner informou que sofreu um ataque cibernético em seu ambiente de tecnologia na quinta-feira, que provocou indisponibilidade em parte de seus sistemas. Em comunicado, a companhia afirmou ter atuado para mitigar os efeitos do ataque e que a maior parte das operações já foram restabelecidas, com os principais bancos de dados preservados. Além disso, a Lojas Renner afirmou que suas lojas físicas não tiveram as atividades interrompidas.

JBS (JBSS3)

A Pilgrim’s Pride, controlada da JBS nos Estados Unidos, informou que precificou uma oferta de US$ 900 milhões em notas sênior não garantidas com vencimento em 2032. 

De acordo com comunicado da empresa, os títulos serão emitidos a 100% do valor principal agregado e terão rendimento de 3,5%. Devido à demanda significativa, o montante da emissão foi elevado de US$ 750 milhões iniciais. A venda das notas deve ser concluída em 2 de setembro.

BRF (BRFS3)

O Conselho de Administração da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil, aprovou uma Política de Compra Sustentável de Grãos, conforme ata de reunião do colegiado divulgada na quinta-feira. A aprovação atende o plano Visão 2030 da BRF e o compromisso de rastreabilidade assumido pela empresa em dezembro de 2020, segundo a ata, que não trouxe mais detalhes.

Vibra Energia (BRDT3)

A BR Distribuidora  passa a se chamar Vibra Energia, mas manterá a atual identidade visual e o símbolo BR em sua rede de 8,3 mil postos de combustíveis em todo o Brasil, além de manter outras marcas de produtos e serviços, conforme comunicado enviado pela empresa ao mercado nesta quinta-feira. O movimento ocorre após a Petrobras (PETR3;PETR4) ter vendido sua fatia remanescente na maior distribuidora de combustíveis do país, no fim de junho. Veja mais clicando aqui. 

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

Na quinta-feira, o empresário Nelson Tanure afirmou que fundos com os quais tem ligações compraram cerca de 26% da empresa de diagnósticos médicos Alliar. Isso complica uma proposta de compra pela rede de hospitais Rede D’Or. Tanure diz que não tem planos de mudar a gestão da Alliar.

CVC (CVCB3)

A CVC  teve seu rating elevado de brB para brBB pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

IPOs

A provedora de serviços de internet Vero pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO), ilustrando a movimentação de empresas do setor para buscar recursos no mercado para ganhar musculatura antes do leilão do 5G. Criada em 2019 com a união de oito empresas do interior de Minas Gerais, a empresa se expandiu para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e afirma ter atualmente cerca de 500 mil clientes, com 18,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Radar da próxima semana: Petrobras elege conselho, Afya divulga balanço e mais eventos

Edifício da Petrobras (Shutterstock)

(Bloomberg) — A Petrobras reúne os acionistas em assembleia para eleger 8 dos 11 membros do conselho e o presidente do colegiado. O governo federal indicou a recondução de Eduardo Bacellar Leal Ferreira para a presidência do conselho, além de indicar o atual presidente, Joaquim Silva e Luna, para um dos assentos. A brasileira Afya, listada na Nasdaq, reporta resultados do 2º trimestre. Acompanhe a movimentação no mercado corporativo:

A semana

  • 23/agosto: Nada previsto até o momento
  • 24/agosto: Nada previsto até o momento
  • 25/agosto: Nada previsto até o momento
  • 26/agosto: Brasileira Afya Ltd, que atua na área de educação médica e é listada na Nasdaq, divulga resultados do 2T21
  • 26/agosto: Magazine Luiza promove AGE para discutir a aquisição da Kabum
  • 27/agosto: Petrobras promove AGE para eleger membros do conselho
  • 27/agosto: Aneel divulga nova bandeira tarifária para o mês de setembro

Pelas bordas

Enquanto espera que o conselho e os acionistas da Alliar apreciem sua proposta de aquisição, a Rede D’Or segue adquirindo ações da companhia na bolsa. Companhia já comprou 1,1 milhão de ações da Alliar no dia 17 de agosto, segundo comunicado, além de 2,54 milhões no dia 16 de agosto. Proposta da Rede D’Or é de R$ 11,50 por ação e condicionada à aquisição de, no mínimo, 15% do capital, ou 17,7 milhões de papéis da Alliar. Fontes ouvidas pelo Valor na condição de anonimato afirmam que os controladores acharam a proposta baixa.

Foco ajustado

Depois de se desfazer da Extrafarma e da ConectCar, a Ultrapar acertou a venda da Oxiteno para a tailandesa Indorama Ventures e se prepara para concentrar esforços nas verticais de energia e infraestrutura, segundo comunicado. O Grupo Ultra estaria negociando a compra da refinaria Alberto Pasqualini (Refap) da Petrobras e avalia fazer aquisições também na área de gás natural, segundo o Valor Econômico.

Mais ofertas à vista

A bolsa como opção para captação de recursos segue atraindo interessadas entre as empresas dos mais diversos segmentos. A Guararapes Painéis, do segmento de madeira, contratou bancos e avalia um IPO. A Entalpia, fabricante de componentes eletrônicos, retomou os planos de abertura de capital, interrompidos em abril. Lupo, Comerc Energia e a rede de hamburguerias Madero também engrossam a lista.

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Lucros saltaram, mas temporada do 2º tri foi mesmo positiva? Veja ações e setores que se destacaram – e o que esperar daqui para frente

Investment stock market Entrepreneur Business Man discussing and analysis graph stock market trading,stock chart concept (Getty Images)

SÃO PAULO – A temporada de resultados do segundo trimestre de 2021 teve fim nesta semana, dando indicações bastante importantes sobre a recuperação das empresas um ano depois após o pior período de restrições com a pandemia do coronavírus – ainda que alguns impactos sigam sendo percebidos em diversos setores da economia.

À primeira vista, os dados são bastante fortes: de acordo com levantamento da Economática, as companhias não financeiras da B3 tiveram crescimento de 1.026% no lucro na comparação com igual período de 2020, para R$ 74 bilhões, em conta que exclui as gigantes Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3PETR4). Quando a petroleira e a mineradora são incluídas, o avanço salta para 1.615%, chegando a R$ 157 bilhões, ante R$ 9 bilhões do ano passado.

Cabe destacar que o crescimento na alta anual foi forte por conta da baixa base de comparação em relação ao segundo trimestre de 2020, no auge do impacto da pandemia de coronavírus na economia.

De qualquer modo, na avaliação do Bank of America, a safra de resultados do segundo trimestre no Brasil teve um encerramento em tom positivo, com a relação entre os balanços que superaram as estimativas e as que decepcionaram (número de companhias que superaram projeções/empresas que decepcionaram) sendo de 1,8 vez, levando em conta as principais estimativas do mercado para lucro, receita, lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda). Ou seja, o número de empresas que superou as estimativas foi quase o dobro das decepções.

A XP também destaca os números positivos e ressalta que, com a melhora nas perspectivas econômicas e redução de riscos ao longo do segundo trimestre, os lucros continuaram a mostrar crescimento.

“E é importante lembrar que os lucros gerados pelas empresas são os fatores que impulsionam a Bolsa no médio e longo prazo”, apontam em relatório Fernando Ferreira e Jennie Li, estrategistas de ações da XP.

Mas isso nem sempre quer dizer que os números apresentados levaram a um impacto positivo para as ações imediatamente após a divulgação, conforme também aponta estudo da XP – esse  levantamento contou com  cerca de 83% das empresas do Ibovespa, que divulgaram resultados até o dia 13. As companhias que surpreenderam as estimativas do consenso quanto aos lucros operacionais e receita tiveram um desempenho médio de queda de 1,1% e de 1,2%, respectivamente, depois dos resultados. Enquanto isso, as companhias que desapontaram as expectativas foram mais penalizadas, com uma média de desempenho com queda de 1,8% e de 2,1% para os mesmos indicadores, avalia a estrategista Jennie Li.

A explicação para tanto foi que o Ibovespa também foi pressionado, desde o início da temporada, por um aumento de incertezas políticas e riscos fiscais.

Contudo, não é só por conta somente do cenário macroeconômico que alguns papéis de empresas não reagiram positivamente ao balanço: possíveis indicações mais negativas sobre os próximos trimestres também pesaram nos papéis.

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Um exemplo claro é o caso do e-commerce, conforme destacou Gustavo Akamine, analista da Constância Investimentos. As companhias do setor, aponta, conseguiram alcançar uma dinâmica interessante no segundo trimestre, com alta nas vendas online mesmo em meio a uma base de comparação bastante forte no segundo trimestre de 2020, quando elas foram particularmente beneficiadas por conta das maiores restrições.

Porém, os principais ativos com maior exposição ao setor reagiram com forte queda após o resultado. No dia 12 de agosto, a ação da Via (VIIA3) caiu 7,3% e, no dia seguinte, Americanas (AMER3) teve baixa de 7,88% e Magazine Luiza (MGLU3) fechou em queda de 3,34% na sessão pós-balanço (veja mais clicando aqui).

Esse movimento ocorre uma vez que a competição mais acirrada tem sido uma preocupação crescente no segmento, em um cenário em que os lucros divulgados recentemente mostraram margens pressionadas e comissões menores, enquanto empresas internacionais continuam investindo fortemente no país.

Já para outras varejistas, o Bank of America destaca que algumas conseguiram se destacar com o case de reabertura, como Lojas Renner (LREN3), Petz (PETZ3) e Vivara (VIVA3).

Um setor que é visto como uma surpresa positiva e que pode seguir se destacando com uma boa performance é o de shoppings, destaca Akamine, também em meio à tese da reabertura. O Credit Suisse também apontou que, para frente, o sentimento com relação ao setor é positivo, principalmente com relação ao ritmo de recuperação.

Commodities: siderúrgicas em destaque, mas… 

O setor de commodities, mais uma vez, foi um grande destaque, que ficou particularmente com as siderúrgicas, aponta Akamine, com lucros e revisões para cima nas projeções em meio a um cenário para o segundo trimestre que já se apontava bastante positivo para as companhias com os fortes preços das commodities.

A CSN (CSNA3) reportou um lucro líquido de R$ 5,5 bilhões no segundo trimestre de 2021, o que corresponde a uma queda de 3% ante o primeiro trimestre, mas uma disparada de 1.136% na comparação com o mesmo período do ano passado (aumento de 12 vezes). O lucro da Gerdau (GGBR4) foi de de R$ 3,934 bilhões, alta de 1.149% na comparação anual e de 59% frente aos três primeiros meses de 2021.

Já a Usiminas (USIM5) teve um lucro líquido de R$ 4,5 bilhões no segundo trimestre de 2021, revertendo o prejuízo líquido de R$ 395 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O resultado representa um aumento de 277% ante o trimestre anterior (de R$ 1,2 bilhão nos primeiros três meses de 2021) e é um lucro recorde trimestral para a companhia.

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Porém, muito além do lucro, as companhias registraram números recordes em outras linhas do balanço. A visão da maior parte dos analistas segue de otimismo para os ativos de siderúrgicas mas, conforme pontua Akamine, atualmente, há um ambiente bem maior de incerteza sobre commodities metálicas.

Cabe ressaltar que, nas últimas semanas, além de haver uma maior preocupação com a queda da demanda por conta da variante delta e o seu impacto na atividade econômica, a atuação da China, que vem pressionando o mercado de commodities pressionando siderúrgicas a limitarem a produção para reduzir a poluição.

Também entre as ações pressionadas, estão as da Vale (VALE3) que, no segundo trimestre, registrou lucro líquido de R$ 40,095 bilhões no segundo trimestre de 2021. Na comparação com igual período do ano passado, o salto do lucro foi de 658%.

Contudo, os números acabaram decepcionando o mercado, principalmente a linha do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês), em meio aos custos acima do esperado. Na ocasião, o otimismo com a mineradora continuou “intacto” (veja mais clicando aqui), com os investidores também de olho nos altos dividendos a serem pagos pela companhia. O ânimo do mercado continua a ser testado, com os ativos sendo pressionados recentemente (nesta semana, os papéis operaram abaixo de R$ 100 pela primeira vez desde abril) em meio à volatilidade do minério.

Entre os destaques das commodities, não poderia faltar a Petrobras (PETR3;PETR4), que ganhou R$ 30,7 bilhões de valor de mercado apenas na sessão após resultado, principalmente por conta do anúncio da antecipação do pagamento de dividendos no valor de R$ 31,6 bilhões no mesmo dia. O BofA também ressalta que a empresa foi o destaque entre as exportadoras, com altos preços realizados e crescimento dos volumes.

Porém, apesar desse movimento ter representado que a companhia fez “as pazes” com os investidores após um início de ano bastante turbulento com a troca de CEOs, os investidores e analistas de mercado seguem monitorando o risco político, ainda mais levando em conta a proximidade das eleições presidenciais de 2022, que devem adicionar mais volatilidade ao papel.

No segmento de distribuição de combustíveis, quem acabou sendo o grande destaque negativo foi a Ultrapar (UGPA3), que viu as suas ações caírem 12% após o balanço, em meio aos dados fracos da rede de postos de combustíveis Ipiranga. Com os volumes ainda em recuperação, a então BR Distribuidora, agora Vibra Energia (BRDT3), também registrou números abaixo do esperado, ainda que as projeções para a companhia sejam mais positivas.

Na avaliação dos analistas do Credit Suisse, o progresso da vacinação, o ganho de participação de mercado dos postos com bandeiras e a privatização de refinarias são importantes para a agora Vibra, que recentemente anunciou um reposicionamento de marca, de forma a mostrar que não é apenas uma distribuidora de combustíveis, mas uma empresa de energia (veja mais clicando aqui).

Alimentos, bebidas e construção: impactadas por altos custos

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Entre as empresas de alimentos, companhias como a JBS (JBSS3) e a Marfrig (MRFG3) se beneficiaram do cenário de alta demanda nos Estados Unidos mas, de uma forma geral, os resultados das companhias no Brasil foram afetados pela inflação dos custos de insumos, com a forte alta dos preços dos grãos (veja mais clicando aqui, aqui e aqui).

Na mesma linha, a Ambev (ABEV3reportou seus resultados com dados que, a princípio, se apresentaram como bastante sólidos, com a companhia mais que dobrando o seu lucro, chegando perto dos R$ 3 bilhões. Apesar disso, e embora tenha apresentado um forte volume de vendas no período, tanto no mercado doméstico quanto internacional, o grande desafio para a companhia permanece o da pressão de custos, que teve aumento da ordem de 20% no período, com preços altos para a maioria das matérias-primas e real desvalorizado frente ao dólar, levando o custo por hectolitro a subir mais rápido do que os preços médios.

De um setor bastante diferente, mas também sofrendo com a alta dos custos, esteve o setor de construção. A alta da inflação pressionou os custos de materiais de construção e levou grande parte das incorporadoras e construtoras a apresentarem margens menores no período.

Enquanto o segmento de baixa renda foi o mais impactado, devido à maior sensibilidade dos clientes ao aumento de preços e ao teto de valor dos programas habitacionais, as construtoras residenciais de média e alta renda conseguiram repassar parte do preço – mas não saíram imunes. Confira mais clicando aqui. 

Nesse cenário, o Credit Suisse aponta que, ainda que o cenário de curto prazo pareça atrativo para as incorporadoras de média e alta renda, as preocupações para o segundo semestre têm aumentado em função do aumento das taxas de financiamento e do preço dos imóveis, bem como diante de uma competição mais acirrada.

Com relação às incorporadoras voltadas para o segmento de baixa renda, a avaliação do banco é negativa, dado que o aumento dos custos de materiais pesou bastante para o segmento.

Saúde: Números negativos, mas que podem se recuperar

Por mais um trimestre, o destaque negativo ficou para os balanços de seguradoras, de operadoras de plano de saúde e rede de hospitais, bastante impactadas pelos efeitos da Covid-19. Contudo, destaca Akamine, a depender da atuação da companhia, o desempenho pior pode ser temporário, com as atividades se normalizando à medida que a vacinação acelerar (e a depender também do efeito da variante delta).

Entre os números que mais desagradaram o mercado, destaque negativo para a ação da Qualicorp (QUAL3), que despencou mais de 15% após o balanço. A empresa líder no Brasil na comercialização, administração e gestão de planos de saúde coletivos por adesão e empresariais  teve adições nos seus planos no segundo trimestre, mas em troca de altas despesas, enquanto o índice de cancelamento dos clientes (churn) mais alto também decepcionou.

Em teleconferência, a companhia destacou que o reajuste nos planos de saúde por adesão, aplicado no segundo trimestre, levou ao cancelamento de 138,2 mil convênios médicos na Qualicorp, uma alta de 71% na base anual. Da elevação de 23,2%, uma fatia de 14,8% é referente ao reajuste do ano passado, que foi adiado para 2021. Após o resultado, o Credit Suisse rebaixou a recomendação das ações de outperform (desempenho acima da média do mercado) para neutro.

Mudando o segmento, mas ainda relacionado à área de saúde, após o resultado, o Itaú BBA revisou para baixo as suas projeções de lucro para Caixa Seguridade (CXSE3) e para BB Seguridade (BBSE3), destacando que os resultados de ambas as companhias foram duramente afetados.

O efeito da segunda onda de Covid no balanço das seguradoras foi a elevação dos índices de sinistralidade, que é a relação entre os custos dos serviços garantidos aos clientes no caso de um “sinistro” (por exemplo, morte do segurado em um seguro de vida) e os valores recebidos pelas seguradoras pela contratação dos planos. Contudo, os analistas seriam positivos com a ação da Caixa Seguridade.

Já a Notre Dame Intermédica (GNDI3) destacou ter enfrentado o seguinte fenômeno, conforme explicou em relatório.: “…há uma tendência cada vez mais presente de retorno gradual dos comportamentos pré-pandemia, que inclui uma pressão pelo retorno de procedimentos médicos de rotina e eletivos que ocorrem simultaneamente aos custos associados aos tratamentos da pandemia do Covid-19, que ainda impõe uma sobrecarga de custo significativa em todo o setor”. Mas, diversos analistas destacaram estarem com a visão positiva em meio à operação de fusão com a Hapvida (HAPV3). Saiba mais clicando aqui.

Bancos: Bradesco foi destaque negativo 

Os resultados das operações de seguros, previdência e capitalização impactaram principalmente os números do Bradesco  (BBDC4) entre os grandes bancos, enquanto o Itaú (ITUB4) acabou se saindo como o destaque positivo entre as grandes instituições.

Na avaliação do BofA, contudo, os grandes bancos apresentaram, no geral, bons números. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido [ROE] do setor permaneceu praticamente estável em relação ao trimestre anterior em 18% e bem acima do mínimo de 12% no segundo trimestre de 2020, mas ainda abaixo dos níveis pré-Covid de 20%.

Mas, além disso, os analistas reforçaram as tendências operacionais encorajadoras, que incluem melhoria do mix de empréstimos, aceleração do crescimento da receita de serviços, bom controle de despesas e inadimplência a índices próximos a mínimos históricos (ainda que esse seja um ponto de atenção para analistas para os próximos trimestres), enquanto os índices de cobertura de reserva estavam acima dos níveis pré-Covid. Veja análise do setor clicando aqui. 

Já no setor de maquininhas, a Cielo (CIEL3) mostrou recuperação revertendo prejuízo líquido de R$ 75,2 milhões para lucro de R$ 180,4 milhões, na base de comparação anual.

Na avaliação de analistas do mercado financeiro, os números mostram uma continuidade no processo de retomada de crescimento da companhia, com dados sólidos. O ambiente de aumento da concorrência, contudo, segue pesando sobre a tese de investimento, levando a uma análise mais cautelosa dos papéis na Bolsa. Por sinal, o aumento da concorrência também segue sendo monitorado de perto por analistas que cobrem as ações do setor bancário, principalmente com a força das fintechs.

Turismo e mobilidade: ainda impactadas, riscos no radar

As ações das empresas de turismo e aéreas seguiram bastante impactadas no segundo trimestre de 2021 pela segunda onda da Covid-19,  e com sinalizações de que a recuperação pode demorar mais para vir. A Gol (GOLL4), além disso, fez uma revisão para baixo das projeções da companhia para o segundo semestre do ano que não agradaram.

A empresa reportou prejuízo líquido recorrente de R$ 1,2 bilhão, ante prejuízo de R$ 771,8 milhões um ano antes, enquanto o  lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) recorrente ficou negativo em R$ 466,6 milhões, de um resultado negativo de R$ 282,5 milhões um ano antes.

Já no caso da Azul (AZUL4), os números trimestrais foram interpretados de forma mista por analistas do mercado financeiro. Enquanto alguns seguem reforçando o cenário incerto pela frente, com projeções mais modestas apesar de destacarem a capacidade da companhia aérea, outros veem forte potencial de alta para as ações na B3. A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre, revertendo boa parte do prejuízo de R$ 1,6 bilhão sofrido um ano antes.

A CVC (CVCB3), por sua vez, viu suas ações caírem forte no pós-resultado. A operadora de viagens reportou  prejuízo líquido de R$ 175,570 milhões no segundo trimestre deste ano, perda 30,4% menor que a registrada um ano antes, de R$ 252,129 milhões

Na avaliação do Bradesco BBI, os resultados foram mistos com uma tendência mais forte do que o esperado nas reservas, mas por outro lado com uma taxa de aquisição fraca. Para os analistas, o problema da take rate (percentual da receita liquida sobre as reservas) parece temporário, visto que um dos motivadores foi o embarque de reservas anteriores à Covid que haviam sido adiadas, embora possa haver algum empecilho adicional durante o próximo trimestre. Os analistas destacaram que os riscos claramente ainda permanecem, principalmente com o potencial de impactos negativos da nova variante delta do coronavírus.

Com relação às locadoras de veículos, analistas destacaram os resultados em geral como positivos, mas com o destaque ficando para a Movida (MOVI3). Ricardo Oliboni, sócio e chefe de Mesa da Axia Investing, fez bons prognósticos para o setor como um todo, apontando que com a flexibilização das restrições à mobilidade e a retomada da economia as águas a navegar ficarão mais calmas do que em trimestres como abril, quando o pico da segunda onda da Covid prejudicou as operações das empresas.

Contudo, assim como no caso das aéreas e das empresas de turismo, a variante delta segue sendo um fator a ser monitorado, além dos sinais de desaceleração das principais economias do globo.

Conforme destaca o Bradesco, o crescimento econômico global deve ser mais moderado no terceiro trimestre frente o trimestre anterior, destacando tanto dados de varejo dos EUA quanto indicadores industriais chineses menos empolgantes, o que terá reflexo também no mercado brasileiro. Mas o impacto não é só indireto, uma vez que a variante delta também pode diminuir o ritmo de reabertura com a aceleração no Brasil, ainda que haja otimismo com a retomada.

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