Safra de grãos deve cair com geadas e seca e pressionar preços de alimentos

Os consumidores brasileiros não deverão ter trégua nos próximos meses. A prolongada estiagem e, mais recentemente, as ondas de frio registradas em várias regiões do País afetaram a produção de milho, café, hortaliças e laranja, o que deve elevar ainda mais o custo desses produtos nas prateleiras dos supermercados. Como o milho é usado na ração de bovinos, suínos e, principalmente, frangos, o preço desses itens também seguirá pressionado.

Depois de dois anos de recorde, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou ontem uma queda na safra de grãos brasileira 2020/2021. A expectativa é de que sejam produzidas 254 milhões de toneladas, 1,2% a menos do que na safra anterior.

Mesmo com o aumento de 4% na área plantada, a redução na produção se deve à queda na produtividade por causa da estiagem nas principais regiões produtoras e das geadas. Economistas alertam que parte desses eventos climáticos ainda não estava no radar e ainda poderá ter efeitos negativos nos preços.

O café foi uma das lavouras mais atingidas pela recente onda de frio, que prejudicou também a produção de milho, que já tinha sofrido com problemas climáticos no início do ano. No segundo semestre do ano passado, produtores de soja atrasaram em cerca de um mês o plantio do grão por falta de chuvas. Isso levou a uma produção menor do principal produto agrícola exportado pelo País, e adiou também o cultivo do milho, que é plantado na entressafra da soja.

Com isso, a Conab projetou uma quebra de 15,5% nas colheitas. A primeira safra, de verão, está projetada em 24,9 milhões de toneladas, 11% abaixo da safra anterior. A segunda safra, tradicionalmente chamada de “safrinha”, deve ser de 60,32 milhões de toneladas, 19,6% abaixo da de 2020.

“O milho foi a principal questão que levou a Conab a reduzir a projeção da safra. Os preços já vinham em alta, e teremos uma oferta apertada, muito ajustada à demanda, até maio de 2022, que é quando se colhe a safrinha 2022”, afirmou o assessor técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Fábio Carneiro.

O clima também levou o IBGE a revisar sua estimativa para a safra de grãos. O IBGE ainda estima ligeiro aumento, de 0,8%, mas fez revisões para baixo pelo quarto mês seguido – e a perspectiva é de continuar rebaixando as previsões.

O analista de Agropecuária do IBGE, Carlos Antônio Barradas, disse que as estimativas do órgão para a segunda safra de milho poderão piorar porque os efeitos negativos das geadas ainda não foram totalmente captados. Além disso, há a possibilidade de novas ondas de frio chegarem, o que, assim como a estiagem prolongada, pode afetar a safra de trigo.

Carneiro, da CNA, compartilha da preocupação. Ele explica que o produto é usado como substituto parcial do milho na ração animal, principalmente para bovinos, e o tamanho da colheita pode definir o comportamento do preço das carnes nos próximos meses. “Nosso medo é haver geada em agosto e atingir as plantações de trigo, principalmente no Paraná. Hoje, há uma perspectiva de crescimento de área, mas pode haver perda de produtividade”, afirmou.

Inflação

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Os problemas na oferta de commodities (matérias-primas com cotação internacional) agrícolas, como milho, soja, café e leite, puxaram a aceleração da inflação medida pelo IGP-DI em julho, quando registrou alta de 1,45%. De acordo com o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, os impactos da seca já estavam no radar, mas as frustrações causadas pelas geadas ainda terão efeitos nos preços. “Isso pode frustrar a expectativa de desaceleração da inflação no segundo semestre”, afirmou.

Além de pressionar os preços finais das carnes, o aumento no custo do milho tem efeito sobre o ovo e o leite, que, mais caro, também tende a encarecer laticínios em geral. Além disso, as ondas de frio afetam a produção de alimentos in natura, como hortaliças e legumes, integrantes da cesta básica da maioria das famílias.

Para o diretor da consultoria MB Agro, José Carlos Hausknecht , a frustração de novos recordes na produção agrícola em 2021 confirma ainda uma expectativa de estabilidade no PIB da agropecuária no fechamento do ano. No primeiro trimestre, o PIB da agropecuária avançou 5,7% ante os três últimos meses de 2020, em desempenho impulsionado pela safra recorde de soja. Com isso, no início do ano, as expectativas apontavam para um avanço de 2% a 3% no PIB da agropecuária, alta que foi minada pelos efeitos do clima sobre a produção.

Ainda assim, ele acrescenta que o quadro ainda é favorável para o produtor. Com as cotações das commodities elevadas e o dólar alto, os produtores agrícolas nacionais ainda têm um impacto positivo em sua renda. Isso sinaliza para renovação de investimentos para a próxima safra.

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SLC e Terra Santa anunciam conclusão de acordo para formação de gigante agrícola

A SLC Agrícola (SLCE3) e a Terra Santa Agro (TESA3) anunciaram nesta segunda-feira que foram concluídos os atos de confirmação do fechamento da combinação dos negócios das empresas, o que formará uma gigante de produção agrícola no Brasil.

Dessa forma, o ciclo de 2021/22 será o primeiro da SLC com a incorporação da Terra Santa. O plantio da companhia deverá passar de 470 mil hectares em 2020/21 para 660 mil hectares na temporada atual.

A operação consistiu na incorporação pela SLC da operação agrícola da Terra Santa (excluindo terras e benfeitorias), em acordo que envolveu ações.

As companhias informaram que a relação de troca, considerando uma maior abertura das casas decimais, foi equivalente a 3,32367074 ações da TS Agro para cada ação da Terra Santa para fins da redução de capital; e para fins da incorporação de ações, 0,08588495 ação da SLC para cada ação da Terra Santa e de 0,46060000 ação da SLC para cada bônus de subscrição da Terra Santa remanescente.

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BNDES e fundo internacional lançam projeto de R$ 1 bi para capacitar produtores rurais no sertão nordestino

Um projeto de R$ 1 bilhão, com apoio internacional, pretende capacitar produtores rurais e aumentar a segurança alimentar no Semiárido do Nordeste. Lançado nesta semana pelo Fundo Internacional para Desenvolvimento Agrícola (Fida), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Economia, o projeto Semeando Resiliência Climática em Comunidades Rurais do Nordeste (PCRP) tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável do sertão nordestino e amenizar os efeitos das mudanças climáticas na região.

O projeto pretende beneficiar 250 mil famílias (1 milhão de pessoas) em até quatro estados do Nordeste, que ainda serão escolhidos. Ao somar os aportes do Fida, do BNDES e a contrapartida dos governos estaduais, os investimentos podem chegar a US$ 202,5 milhões (cerca de R$ 1 bilhão na cotação atual).

As negociações para a captação de recursos foram concluídas nesta semana. Em dezembro, a diretoria-executiva do Fida havia aprovado, por unanimidade, a destinação dos recursos.

O projeto financiará ações de manejo sustentável da água e de enfrentamento da seca e das mudanças climáticas. Entre as principais ações, estão a introdução de tecnologias de coleta, armazenamento e reciclagem da água e a adoção de estratégias de diversificação produtiva no sertão. O programa pretende alcançar uma área de 84 mil hectares, restaurando ecossistemas degradados para prestarem serviços na área ambiental. Uma das metas consiste em evitar a emissão de mais de 11 milhões de toneladas de gás carbônico em 20 anos.

Iniciativa da Organização das Nações Unidas que destina recursos para projetos de adaptação às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento, o Green Climate Fund (GCF) aportará, por meio do Fida, US$ 100 milhões. Desse total, US$ 34,5 milhões entrarão como doação e US$ 65 milhões virão por meio de operações de crédito.

Dos recursos nacionais, o BNDES concederá US$ 73 milhões em financiamentos, como entidade executora do GCF. Os US$ 29,5 milhões restantes serão investidos como contrapartida dos estados.

Próximos passos

Após a aprovação pelo GCF e pelo Fida no fim de 2020, o BNDES, o Ministério da Economia e o fundo internacional concluíram as negociações do contrato de empréstimo na última quarta-feira (30). Os próximos passos são a conclusão dos arranjos de implementação do projeto e sua votação pela Diretoria do BNDES. O Senado precisará aprovar a concessão de garantias da União. A expectativa é que os primeiros financiamentos comecem a ser concedidos em 2022.

As discussões começaram em 2018, quando o governo federal indicou o BNDES como potencial parceiro do Fida no financiamento e desenvolvimento de projetos de desenvolvimento rural sustentável. Em 2019, a Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Economia e a Comissão de Financiamento Externo da pasta deram aval à operação.

Com a missão específica de combate à fome e à pobreza rural, o Fida recebe apoio do governo brasileiro há mais de 40 anos. A instituição financeira internacional está baseada em Roma, onde fica o Fundo de Agricultura e de Alimentos das Nações Unidas.

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Ipea eleva projeção do PIB agropecuário para 2,6%, mas alerta sobre crise hídrica

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aumentou sua projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) da Agropecuária este ano, de um avanço esperado de 2,2% para uma expansão de 2,6%. No entanto, o órgão alerta que a crise hídrica é um fator de risco que pode atrapalhar a expectativa de crescimento do setor.

As estimativas do Ipea consideram uma elevação de 2,7% na produção vegetal em 2021, além de aumento de 2,5% na produção animal.

“O que motivou a revisão para cima foi a melhora no resultado esperado de itens importantes tanto na produção vegetal como animal no ano. Os principais riscos dessa projeção de crescimento estão relacionados à crise hídrica, que pode prejudicar mais do que o previsto a produção vegetal, e ao segmento da pecuária de bovinos, que ainda tem incertezas relativas à oferta e à demanda”, ressaltou o Ipea na Carta de Conjuntura divulgada nesta quarta-feira, 23.

O Ipea espera que as perdas previstas para este ano na produção de culturas como o café (-21,0%), algodão (-19,7%), milho (-3,9%) e cana de açúcar (-3,1%) sejam mais do que compensadas pelo bom desempenho da soja (9,4%), arroz (2,8%) e trigo (27,9%).

Na produção animal, o Ipea menciona expectativas de crescimento na produção de todos os segmentos: bovinos (0,9%), suínos (6,8%), aves (6,5%), leite (3,2%) e ovos (2,3%). Segundo o Ipea, a alta na produção de carne bovina ficará aquém do inicialmente esperado, mas será compensada pelo bom desempenho de suínos e aves.

“A produção de suínos e frangos foi impulsionada pelo aumento do consumo em substituição ao da carne bovina, que permanece com preço elevado e oferta limitada de animais para abate”, explicou Pedro Garcia, pesquisador associado do Ipea, em nota oficial.

As projeções do Ipea têm como base informações do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e em estimativas próprias para a pecuária a partir de dados das Pesquisas Trimestrais do Abate, Produção de Ovos de Galinha e Leite, também do IBGE.

“No caso da produção vegetal, a ocorrência de choques climáticos adversos no Centro-Sul e a possibilidade de adoção de medidas restritivas ao uso da água para a lavoura – em função da necessidade de poupar o recurso para a geração de energia hidroelétrica – pode afetar negativamente as estimativas para alguns produtos. No que diz respeito à produção animal, o risco continua sendo uma possível frustração na projeção de crescimento da produção de bovinos, que pode ser impactada por uma recuperação na oferta de animais mais lenta do que o projetado”, alertou o Ipea, em nota.

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Commodities agrícolas têm semana de forte volatilidade nos EUA: entenda o que causou o movimento

A semana foi marcada por grande volatilidade nos preços internacionais dos grãos. De um lado, a melhora nas condições climáticas dos Estados Unidos puxou para baixo tanto as cotações do milho quanto da soja, negociadas na Bolsa de Chicago.  Dando sustentação, a demanda aquecida da China e das indústrias de etanol dos Estados Unidos evitou perdas mais acentuadas. O saldo foi uma valorização semanal de apenas 0,28% nos preços da soja para julho e uma modesta queda de 0,08% nas cotações do milho, também para julho.

A partir de agora, o mercado internacional de grãos passa a ficar extremamente sensível às variações climáticas, especialmente nos Estados Unidos. Por enquanto, o clima tem favorecido o avanço do plantio e o desenvolvimento das lavouras americanas.

O último dado do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado no início desta semana, mostra que o plantio da safra de soja já foi concluído em 75% da área. O ritmo de trabalho está mais acelerado do que o observado no mesmo período do ano passado, quando o plantio havia sido realizado em 63%. O milho tem situação semelhante. Mais perto do término do plantio, 90% da área já foi cultivada, ante 87% de 2020.

Com o plantio caminhando bem, o mercado passa a olhar agora para o desenvolvimento das lavouras em si. E, ao que tudo indica, a maior parte da região produtora dos Estados Unidos deve presenciar as próximas duas semanas de chuvas, o que é essencial para essa fase do desenvolvimento. No que se refere às temperaturas, o clima mais quente, nesse momento, é o ideal para as lavouras, mas as baixas temperaturas já registradas nas áreas mais ao norte do cinturão agrícola americano podem atrasar o desenvolvimento das plantas.

Se o clima foi o fator de pressão para os preços nesta semana, a demanda aquecida evitou que os preços caíssem demais.

Na última quarta-feira, a Agência de Informação de Energia (EIA) atualizou os dados semanais de produção de etanol nos Estados Unidos. O resultado foi um aumento de 38% na produção e uma redução de 18% na oferta em comparação ao mesmo período do ano passado. Vale lembrar que os americanos produzem o biocombustível a partir do milho, ou seja, um crescimento na produção de etanol significa aumento da demanda do cereal.

Além disso, as vendas semanais de soja e milho dos Estados Unidos vieram acima das expetativas do mercado. Foram encomendadas 5,69 milhões de toneladas de milho, das quais 5,64 milhões pela China, e 248,30 mil toneladas de soja, tendo o México como destino principal.

Dentro de todo esse cenário, o resultado do pregão desta sexta-feira reflete bem tudo o que aconteceu ao longo da semana. Os contratos de soja para agosto encerraram o pregão de hoje a US$ 14,813 por bushel (US$ 32,66 por saca), com queda de 0,4%. Na semana, o vencimento acumulou ganhos de modestos, 0,8%. Já o milho para setembro recuou 2,1% para US$ 5,73 por bushel (US$ 13,54 por saca), acumulando na semana um valorização de 0,1%.

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Valor Bruto da Produção Agropecuária em 2021 deve ser de R$ 1,076 bi; 12% acima de 2020

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) deste ano deve ser de R$ 1,076 bilhão, 12,1% acima de 2020, segundo o Ministério da Agricultura. Com base no desempenho do setor em abril, as lavouras continuam liderando o indicador, com faturamento de R$ 741,2 bilhões (+16%), e a pecuária, R$ 335,1 bilhões (+4,4%).

Em nota, o coordenador da pesquisa e de Avaliação de Políticas e Informação do Ministério da Agricultura, José Garcia Gasques, disse que a falta de chuvas no período de plantio do milho, soja e feijão prejudicou pontualmente essas lavouras, mas ainda assim houve aumento de produção. “Permanecem, em essência, os valores que representam resultado recorde da produção em 2021”, disse.

Conforme a pasta, houve crescimento do VBP do algodão (+3,7%), do arroz (+4,8%), da banana (+2,4%); do cacau (+8,3%); da cana-de-açúcar (+1,3%); do milho (+22,7%), da soja (+31,3%) e do trigo (+25,4%). Na pecuária, os melhores resultados são no segmento de carne bovina, com crescimento previsto em 10,3%, e carne de frango, com alta de 2,2%.

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Brasil é “Top Five” em cerca de 30 produtos agrícolas

Quem pensa que a excelência do agronegócio brasileiro se resume a soja, café e carnes está enganado. O Brasil está entre os cinco maiores exportadores mundiais em valor em quase três dezenas de produtos agrícolas. O maior destaque é para os de sempre: açúcar, cereais, soja, milho, oleaginosas e frutas cítricas.

Mas o Brasil aparece no “top five” de exportações da Organização para as Nações Unidas (ONU) com produtos inusitados, como pimenta, melancia, abacaxi, mamão papaia, coco, mandioca, caju, fumo, sisal e outras fibras, por exemplo.

Os dados, de 2019, são da FAO, organização da ONU para Alimentação e Agricultura, e foram reunidos num estudo realizado pelo Instituto Millenium em parceria com a consultoria Octahedron Data eXperts (ODX). O objetivo do trabalho foi traçar uma radiografia do agronegócio brasileiro para entender as razões pelas quais o setor vive anos seguidos de prosperidade e tem caminhado na contramão dos demais, mesmo em meio à crise provocada pela pandemia.

O comércio internacional é um dos pilares importantes para sustentar o bom desempenho do setor, turbinado pela desvalorização do câmbio e preços em alta das commodities. A agropecuária respondeu por cerca de US$ 45 bilhões das exportações em 2020 e há vários anos tem garantido o saldo positivo da balança comercial. Quando se avalia as exportações por setores, apenas a agropecuária apresentou crescimento nas vendas externas (6%) em comparação a 2019, mostra o estudo. Já a indústria extrativa e a de transformação registraram queda de 2,7% e de 11,3%, respectivamente.

Essa história se repete também no Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas geradas no país. Em 2020, a agropecuária foi o único setor com resultado positivo e contribuiu para que os efeitos adversos da pandemia sobre a atividade não fossem ainda maiores. O PIB do setor avançou 2% sobre o ano anterior, enquanto o da indústria recuou 3,5% e o dos serviços, 4,5%. Enquanto isso, a economia brasileira como um todo encolheu 4,1%.

“O agronegócio é um exemplo positivo de como o setor privado realmente despontou e está criando oportunidades, aumentando a produtividade e continuou produzindo apesar de todas as confusões, dificuldades diplomáticas e tributações absurdas”, afirma Priscila Pereira Pinto, presidente do Instituto Millenium. A executiva diz que a ideia do trabalho é mostrar que existe protagonismo do setor privado, apesar das leis que engessam a economia, criadas pelo Estado gigantesco que há no Brasil. “O agronegócio funciona porque o Estado não está em cima dele e é um exemplo de inspiração para outros setores.”

Tecnologia. Um dos pontos de destaque revelados pelo estudo foi o uso eficiente da tecnologia e da inovação para obter produção recorde e ganhos de produtividade, com diminuição da diferença entre a área plantada e a área colhida. A cana, por exemplo, é o produto que tem apresentado o melhor rendimento médio. Sozinha, representa mais da metade da produção em tonelagem da agricultura “Essa mistura de tecnologia e inovação significa menos água, menos área ocupada, maior sustentabilidade e resultados”, diz Priscila.

De acordo com o estudo, a colheita de todas as lavouras – anuais e perenes – atingiu cerca de 1,24 bilhão de toneladas em 2020. Essa produção ocupou uma área com cerca de 63 milhões de hectares, ou 13,5% do território brasileiro. Paralelamente, houve um uso mais intensivo de tecnologia, que pode ser avaliado pelo emprego de máquinas. Entre 2006 e 2017, o número de estabelecimentos agrícolas com tratores, por exemplo, aumentou 50%. Em 45 anos, desde 1975, o crescimento foi de 391%.

Outro aspecto relevante para o desempenho do agronegócio é a forte capitalização do setor. Apenas 15% dos mais de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários buscam algum tipo de financiamento. Dos 784 mil estabelecimentos que obtiveram algum tipo de crédito, destaca-se o fato de 47% serem oriundos de recursos privados e 53% de recursos públicos.

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Milho mira US$ 7, para o maior nível em oito anos, com perspectiva de menor produção no Brasil

(Bloomberg) — Os preços do milho em Chicago chegaram a subir 3,7%, para o maior nível em oito anos, chegando perto de US$ 7 o bushel, em meio ao clima seco que reduz a produção do Brasil, antes posicionado para se tornar o segundo maior exportador mundial do grão nesta temporada.

A safra de milho do país agora é estimada em 104 milhões de toneladas em relação à previsão anterior de 112,8 milhões de toneladas, devido à estiagem que causa perdas em todos os estados produtores, segundo a consultoria Safras. Com chuvas limitadas em áreas centrais nesta semana, a seca deve continuar a afetar as lavouras, segundo a empresa de meteorologia Maxar.

“Uma grande parte da segunda safra de milho do Brasil está em solos secos”, disse Tobin Gorey, estrategista agrícola do Commonwealth Bank of Australia. “As condições de oferta já estão apertadas. Mesmo perdas modestas restringem ainda mais a oferta.”

Contratos futuros de commodities agrícolas estão em alta em quase todos os lugares, o que volta a colocar foco na inflação de alimentos. Os preços medidos pelo índice Bloomberg Agriculture Spot atingiram o nível mais alto desde 2012. O milho chegou a subir para US$ 6,98 na segunda-feira, e depois foi negociado em torno de US$ 6,88 às 13h em Cingapura. O óleo de soja avançou para a maior cotação desde 2008, com alta de até 3,9%, enquanto o óleo de palma ganhou mais de 5%.

As apostas de alta no milho por gestores de ativos estão perto do maior nível em 10 anos, enquanto possuem o maior volume de posições altistas na soja em quatro meses. O milho teve alta de 19% em abril, o melhor desempenho desde 2015, coroando a mais longa sequência de ganhos mensais desde 2008. A soja avançou pelo 11º mês, o período mais longo de valorização registrado desde 1959.

A queda da produção brasileira ocorre em meio à oferta global já apertada, devido ao recorde de importações chinesas impulsionadas pela recuperação do plantel de suínos, o maior do mundo. As compras também são puxadas pelo aumento da demanda da indústria de amido e adoçantes. Operadores também acompanham o plantio nos Estados Unidos, o maior produtor. Os mercados chineses estão fechados até quarta-feira devido a um feriado.

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Ação da Boa Safra (SOJA3) estreia na B3 com disparada de 50%

A Boa Safra (SOJA3) estreia nesta quinta-feira (29) na B3. Às 11h40 (horário de Brasília), os ativos subiam 50,51%, a R$ 14,90.

A companhia realizou seu IPO movimentando R$ 459,9 milhões, com o preço da ação saindo a R$ 9,90 cada, no piso da faixa indicativa, que ia até R$ 12,60.

A operação foi coordenada pela XP Investimentos, coordenador-líder e o agente estabilizador, e a BB Investimentos.

A Boa Safra é uma produtora de sementes que tem operações nas regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. A companhia diz oferecer sementes de soja com alta qualidade, levando seus produtos para 70% dos estados produtores da commodity.

Saiba mais
Boa Safra: a história da produtora de sementes 

Em seu prospecto, a empresa destacou ser líder de mercado em vendas de sementes de soja no Brasil. Citando dados de levantamento um realizado pela própria Boa Safra junto a fornecedores de tecnologia, ela apontou que em 2020 possuía 5,7% de market share.

“Acreditamos ter um dos mais completos portfólios de sementes de soja do mercado brasileiro, oferecendo tratamentos com diversos componentes químicos e genéticos adaptados às mais distintas regiões do País”, diz a companhia no documento.

A Boa Safra detém uma carteira inicial para sementes de milho e feijão também, que representou 0,41% da receita líquida da companhia em 2020, além de oferecer tratamentos industriais para maior proteção e vigor às sementes de soja.

Em 2020, a receita total da empresa foi de R$ 589 milhões, com um lucro líquido de R$ 70 milhões. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 105 milhões.

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A casa de análises independente Eleven Financial recomendou a entrada na oferta, destacando que a empresa  está bem posicionada no mercado de sementes, que cresce mais do que o da área plantada no Brasil.

“Em nossa visão, a qualidade das sementes da companhia, a localização estratégica das suas unidades e o bom relacionamento com os produtores integrados são essenciais para o sucesso e liderança da Boa Safra”, destacou Diana Stuhlberger, analista da Eleven Financial, em relatório.

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Banco do Brasil anuncia abertura de 14 novas agências especializadas no agro em seis Estados

Seguindo o planejamento de reestruturação organizacional anunciado em janeiro, o Banco do Brasil (BBAS3) divulgou nesta quarta-feira que 14 novas agências especializadas para o agronegócio serão abertas em seis Estados ao longo dos meses de fevereiro e março. Ao todo, a estatal contará com 18 unidades de negócios voltadas especificamente ao relacionamento e consultoria a produtores rurais.

As novas agências funcionarão nas cidades de Rio Verde (GO), Sorriso (MT), Dourados (MS), Cascavel (PR), Maringá (PR), Londrina (PR), Ponta Grossa (PR), Ijuí (RS), Santa Maria (RS), Passo Fundo (RS), Araçatuba (SP), Presidente Prudente (SP), Ribeirão Preto (SP), e Franca (SP), se somando às já em funcionamento em Goiânia (GO), Uberlândia (MG), Campo Grande (MS) e Campo Mourão (PR).

O BB também intensifica o atendimento, com mais 276 gerentes dedicados ao setor e o número de clientes que contam com o atendimento especializado evolui de 158 mil para 227 mil. Ao todo, são dois mil profissionais qualificados para prestar assessoria aos produtores rurais.

Apuração do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostrou que, a reação ruim do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao plano de reorganização, que quase custou o posto do presidente do Banco do Brasil, André Brandão, o pacote bilionário de redução de custos pode sofrer ajustes pontuais.

A carteira de crédito agro do Banco do Brasil representa 26% do total do banco e apresentou crescimento de 4,2% nos últimos 12 meses, chegando a R$ 190,5 bilhões, de acordo com dados divulgados ao fim do terceiro trimestre.

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