Ipea: restrição de oferta e demanda maior devem manter preço agropecuário em alta

As restrições de oferta provocadas por problemas climáticos e o aumento na demanda doméstica e internacional devem manter os preços de produtos agropecuários em níveis elevados. O comportamento da taxa de câmbio nos próximos meses também será determinante para o possível encarecimento dos alimentos. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na Carta de Conjuntura publicada nesta quinta-feira, 19.

Considerando os valores médios praticados no primeiro semestre de 2021 em relação aos do primeiro semestre de 2020, houve alta de preços em todos os produtos pesquisados, exceto a batata. Os grãos se sobressaíram, com aumentos de mais de 40% em todos os itens: soja (78%), milho (77%), trigo (40%), algodão (75%) e arroz (55%).

“Deve-se destacar o importante impacto negativo desse aumento sobre os custos de produção na pecuária, o que pode influenciar negativamente a oferta de proteínas no País. Em termos de perspectivas, para a maior parte dos produtos acompanhados, espera-se aumento ou estabilidade em alto patamar dos preços no curto e médio prazos”, escreveu Ana Cecília Kreter, pesquisadora associada na Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea.

Segundo a pesquisadora, os problemas meteorológicos, que incluem tanto as geadas quanto a estiagem em diferentes regiões do País, devem continuar a ter um papel decisivo na formação de preços desses alimentos.

“A intensidade desse possível aumento de preços também depende estreitamente do comportamento da taxa de câmbio nos próximos meses e dos preços internacionais”, acrescentou Cecília Kreter, no documento.

O Ipea lembra que as commodities mais exportadas pelo Brasil mantiveram demanda aquecida mundialmente no primeiro semestre de 2021 e os preços internacionais estiveram mais elevados que no mesmo período do ano anterior: grãos, carnes e café.

“No caso dos grãos, essa alta dos preços internacionais é reflexo do balanço apertado entre produção e consumo na safra corrente, somado a estoques que vinham decrescendo nas últimas safras. Para as carnes, o que se observa é um movimento de substituição entre as proteínas animais, seja por questões sanitárias ou pela busca de proteínas mais baratas”, justificou a carta do Ipea.

Apenas o arroz registrou redução nos preços internacionais no primeiro semestre de 2021 em comparação a 2020, uma queda de 11%. As altas ocorreram na soja (65,9%), milho (72,3%), trigo (24,4%), algodão (38,1%), boi gordo (18,3%), porco magro (65,3%) e carne de frango (24,2%).

O estudo do Ipea contou com a colaboração do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP) para as análises dos preços domésticos e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para as informações de produção e balanços de oferta e demanda domésticos.

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Mais de 70% da receita: como a Marfrig ancorou seu balanço na forte demanda por carne bovina dos americanos

SÃO PAULO — Maior produtora global de hambúrgueres, a Marfrig (MRFG3) ancorou seu balanço na forte demanda por carne bovina dos americanos. A operação da empresa na América do Norte já é responsável por mais de 70% da receita do grupo no segundo trimestre deste ano — e a expectativa dos diretores da companhia é de que esse percentual pode aumentar.

“A gente tem visto desde o início do ano uma demanda crescente por carne bovina na América do Norte. O primeiro trimestre já trouxe números pujantes em relação à demanda, muito puxado pelo pacote de incentivos do governo americano, pela retomada da economia e avanço da vacinação nos Estados Unidos”, disse Eduardo Puzziello, diretor de relações com investidores da companhia, em live do InfoMoney.

“No segundo trimestre, a gente observou não só o efeito sazonal do barbecue season, mas também a retomada do food service por lá. Isso fez com que as margens da indústria subissem muito forte. (…) A gente trouxe margem em torno de 24,5% nos Estados Unidos. Normalmente a gente vê um segundo semestre um pouco mais suave, mas estamos vendo uma contínua demanda por carne bovina. (…) É provável que o segundo semestre de 2021 seja superior ao segundo semestre de 2020. Para o ano que vem, a gente espera ter uma demanda ainda muito forte e saudável, embora não tão forte quanto 2020 e 2021, mas mais forte do que 2019″, completou o executivo.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Miguel Gularte, CEO da Marfrig e que também participou da live, comentou sobre algumas dificuldades logísticas no trimestre, como aumento do custo dos fretes e atraso na partida de navios, o que fez a companhia compensar a menor exportação com o mercado interno.

“O nosso modelo no ano passado estava focado em 70/30, sendo 70% exportação e 30% mercado interno. Agora, com esse problema logístico, estamos em 60/40, sendo 60% exportação e 40% mercado interno”, disse. “O dólar beneficia as exportadoras e ano que vem é um ano eleitoral. Geralmente o dólar tende a ficar mais valorizado em anos eleitorais, beneficiando o negócio”, completou.

Tang David, CFO do grupo, também participou da live e ressaltou que a Marfrig conseguiu encerrar o segundo trimestre de 2021 com sua menor alavancagem da história, de 1,45x o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

“Isso é fruto da nossa disciplina financeira. Continuaremos com essa disciplina financeira. Não temos nenhum M&A [fusão e aquisição] em planejamento. Nossa prioridade na gestão do capital é reduzir o endividamento, o que reduz despesa financeira e isso gera mais lucro. Aí eu remunero o acionista através da distribuição de dividendo”, afirmou o executivo.

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Puzziello, Gularte e David falaram ainda sobre e-commerce de carne, programa de recompra, demanda crescente da China, especialmente de carne suína, do cenário na América Latina, inclusive a paralisação das exportações na Argentina durante o segundo trimestre, e sobre a nova fábrica de hambúrguer da empresa no Brasil. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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Fabricante de snacks e doces Dori Alimentos entra com pedido para IPO

Docinho de amora da Dori (Foto: Divulgação)

A Dori Alimentos entrou na tarde desta quarta-feira, 11, com pedido da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na B3, que inclui uma venda primária de ações, onde os recursos vão para o caixa da empresa, que faz snacks e doces, e uma venda secundária, onde o fundo de private equity Acon Investments deve vender parte de suas ações, por meio da CandyCo Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que detém 30,5% da empresa.

Os recursos captados na oferta primária vão para o pagamento de debêntures privadas e para sustentar o plano de crescimento orgânico da Dori, incluindo o desenvolvimento de novas linhas e o aprimoramento de canais de venda, de acordo com o prospecto.

Na parte das dívidas, a empresa informa que tem uma debêntures com saldo devedor de R$ 120 milhões, que pretende quitar integralmente com recursos do IPO. Esta foi a segunda emissão da empresa, lançada em setembro do ano passado e que vencem em 2025.

A Dori foi fundada em Marília, no interior de São Paulo, em 1967 pela família Barion, que controla a empresa. A companhia é dona de marcas como Disqueti, o amendoim japonês Dori e as balas Gomets.

A empresa ressalta que uma das tendências do mercado é a busca por opções de lanche sem glúten, sem lactose, sem gordura e com certificado vegano. A empresa até informa no prospecto que é alvo de uma ação na Justiça, de 2016, por não informar em suas embalagens os potenciais danos do consumo de glúten.

O IPO da Dori é coordenado por Itaú BBA, JPMorgan, XP e Banco Safra.

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M.Dias Branco tem queda de 6,6% no 2º trimestre e empresa cita base de comparação “difícil” e impacto das commodities

SÃO PAULO – A indústria de alimentos M.Dias Branco (MDIA3) registrou lucro líquido de R$ 142,3 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa uma retração de 6,6% ante o reportado no mesmo período do ano passado, segundo informações divulgadas pela empresa nesta sexta-feira (6).

Já o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia somou R$ 167,2 milhões, em queda de 25,9% sobre o valor do segundo trimestre de 2020.

Por fim, a receita líquida totalizou R$ 1,979 bilhão, em incremento de 5% na comparação anual.

O volume de vendas chegou a 450 mil toneladas, abaixo das 536 mil toneladas vendidas de abril a junho do ano passado.

Segundo a administração, o segundo trimestre do ano passado foi marcado pelo aumentado temporário e atípico da demanda, estimulada pelo auxílio emergencial e pelo aumento do consumo dentro dos lares, criando uma “base de comparação mais difícil” para o segundo trimestre de 2021.

Em relação ao Ebitda, a gestão defende que a retração é “explicada pelo aumento das commodities em doláres, pela quedas dos volumes e pelo impacto desfavorável do câmbio.”

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JBS, Cosan, SLC Agrícola e mais: como a crise hídrica impacta o agronegócio brasileiro?

Plantação de soja em Mato Grosso; Agronegócio (Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)

SÃO PAULO – Diante da maior seca do Brasil em 111 anos, a crise hídrica tem sido motivo de muita preocupação devido à predominância da matriz hidrelétrica na geração de eletricidade. No entanto, há outro setor que sofre muito com a falta de chuvas e é justamente a chamada locomotiva do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro: o agronegócio.

Em relatório, a equipe de análise do Itaú BBA lembra que desde fevereiro o Brasil enfrenta um período de chuvas abaixo da média, o que levou o Instituto Nacional de Meteorologia a enviar um aviso de emergência para o período entre junho e setembro para cinco estados: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

De acordo com analistas do banco Morgan Stanley, ainda são esperadas sólidas safras no Brasil comparadas com anos anteriores, mas o tempo seco persistente está levando a uma onda de revisões para baixo nas expectativas de ofertas de grãos.

“Isso coincide com os estoques já pressionados e com uma perspectiva de forte demanda global, principalmente devido à recuperação da pecuária na China”, analisa a equipe da instituição financeira americana. O Morgan Stanley projeta um déficit de 9 milhões de toneladas de soja e de 26 milhões de toneladas de milho para o atual ano-safra, que se encerra em setembro.

A consequência disso é que os preços das commodities devem continuar elevados e descolados de fundamentos como custos e margem dos produtores. “Com as notícias negativas relacionadas ao clima e consumidores tentando garantir seu fornecimento, nós projetamos que os grãos de soja fiquem em US$ 13,80 o bushel, e que o milho fique em US$ 5,50 o bushel em 2021.”

Como lembram os analistas, esses valores estão acima dos custos de produção das duas commodities tanto no Brasil como nos Estados Unidos, que são de US$ 7 e US$ 9 o bushel respectivamente para a soja e de US$ 3 e US$ 4 o bushel respectivamente para o milho.

Já para o ano-safra 2021/22 os analistas esperam pequenos superávits de 12 milhões e 7 milhões de toneladas de soja e de milho respectivamente.

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Voltando à análise do Itaú BBA, os especialistas ressaltam que a “safrinha” – ciclo de plantio e colheita feito depois da safra “normal”, na qual o plantio é feito entre outubro e dezembro, a estação chuvosa –  de milho foi afetada de maneira desigual dentro das microrregiões do Mato Grosso, estado que é o maior produtor da commodity do país. A produtividade de safras por hectare no norte do estado caiu 5%, enquanto a região sul teve uma redução de 8%.

De acordo com o relatório, somando as plantações de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Goiás, as projeções são de uma disponibilidade de 60 milhões de toneladas comparada com um potencial de chegar a 90 milhões de toneladas.

“Isso ocorreu porque em torno de 35% da área agricultável alocada para o milho foi plantada fora da janela ideal (devido ao atraso na colheita de soja) e a falta de chuvas durante a estação de cultivo de também prejudicou os volumes da safra”, escrevem os analistas do Itaú.

Já para o setor sucroalcooleiro o cenário era de expectativa por aumento nas chuvas, pois as plantações de cana-de-açúcar enfrentaram atrasos na colheita em 2020 durante a estação seca, o que foi frustrado pela realidade meteorológica de 2021.

A consequência imediata dessa situação é que o fornecimento de etanol caiu, uma vez que a maior parte do açúcar já está comprometida para exportações. A redução na oferta do combustível aumentou seu preço na bomba e a paridade com a gasolina, segundo o Itaú BBA, deve se manter próxima de 70%.

Na pecuária os impactos da seca também são sentidos, pois as condições do pasto já estão deterioradas em regiões do Mato Grosso, de Minas Gerais, de São Paulo e do Paraná. “Nós estimamos produção baixa e que a disponibilidade do gado caia ainda mais. Esse cenário é agravado por custos maiores de grãos, que estão contribuindo para os altos gastos dos fazendeiros com alimentação.”

Impacto nas empresas da Bolsa

As empresas do agronegócio que possuem ações negociadas na B3 serão impactadas cada uma à sua maneira, de acordo com o relatório.

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Confira abaixo o compilado de recomendações do Itaú BBA para as companhias do setor

Empresa Ticker Recomendação Preço-Alvo Variação até o preço-alvo***
Hidrovias do Brasil HBSA3 Outperform* R$ 10,00 +60%
Cosan CSAN3 Outperform R$ 30,00 +17,6%
São Martinho SMTO3 Outperform R$ 42,00 +10,5%
SLC Agrícola SLCE3 Outperform R$ 55,00 +7,95%
Ambev ABEV3 Market Perform** R$ 19,00 -1,66%
BRF BRFS3 Market Perform R$ 25,00 -10,55%
M.Dias Branco MDIA3 Market Perform R$ 30,00 -2,98%
Camil CAML3 Market Perform R$ 14,00 +38,61%
JBS JBSS3 Outperform R$ 47,00 +60,79%
Marfrig MRFG3 Outperform R$ 26,00 +39,41%
Minerva BEEF3 Outperform R$ 17,00 +70,34%

*Outperform: espera-se um desempenho acima da média do mercado
*Market Perform: espera-se um desempenho dentro da média do mercado
***Considerando o valor de fechamento da ação no pregão de 10 de junho de 2021

Os frigoríficos JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) serão menos afetados, já que estão menos expostos ao mercado brasileiro. As operações no país representam apenas 20% e 14% respectivamente do Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda) de cada uma das duas empresas, aponta o Itaú BBA.

Por outro lado, a oferta restrita de gado pressionará as margens das companhias nas operações brasileiras e a redução da lucratividade nos lotes de confinamento também deve reduzir a disponibilidade de gado no período. “Esperamos que essas duas empresas continuem a experimentar margens desafiadoras dentro de suas unidades brasileiras de negócios de gado”, avalia o banco.

A Minerva (BEEF3), por ter mais exposição ao mercado brasileiro, deve manter margens comprimidas. “Minerva pode ser a mais afetada de todos os três players de gado listados porque a crise hidrológica pode prejudicar a relação valor de mercado dividido pelo lucro da companhia. Além disso, nós destacamos que o real mais forte deve impactar as margens das exportações”, completam os analistas.

No ramo de processados de frango, a BRF (BRFS3) deve ser pressionada pelos custos nos preços de grãos, que já estão mais elevados desde a metade do ano passado. “Devido à seca atual, a perspectiva de oferta se tornou ainda mais comprimida e a inflação dos custos deve continuar sendo um tópico recorrente pelo restante do ano de 2021.”

Vale lembrar que, recentemente, chegaram as primeiras cargas de milho argentino importadas pela JBS e pela BRF, que buscam no país vizinho uma alternativa ao produto nacional por causa da quebra de safra.

Um carregamento de cerca de 35 mil toneladas foi desembarcado ao final de maio, no porto de Paranaguá (PR), e um segundo de aproximadamente 30 mil toneladas chegou a Rio Grande (RS) no meio da semana passada, de acordo com informações da Reuters.

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Entre as produtoras de açúcar, Cosan (CSAN3) e São Martinho (SMTO3) terão suas produtividades negativamente afetadas pelas duas estações de secas combinadas. O lado positivo é que como a maioria das vendas de açúcar já estão comprometidas com exportações, a comparação dos preços entre o etanol e a gasolina pode subir.

“As margens maiores do etanol, neste caso, poderiam parcialmente ofuscar a menor produtividade da safra”, apontam os analistas.

Na mesma linha, falando especificamente sobre a São Martinho, os analistas da XP Leonardo Alencar e Larissa Pérez, destacam que os preços recordes tanto para o açúcar como para o etanol, junto com o real depreciado, mostram que o momento atual poderia ser um dos mais positivos da história para o setor sucroalcooleiro não fosse o clima seco.

Outro fator que é citado como positivo pela XP é a Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) da Raízen, que segundo Alencar e Larissa, deve aumentar a transparência do segmento.

A São Martinho trabalha com projeções de longo prazo do barril do petróleo a US$ 55 (contra US$ 72,79 o barril do Brent hoje) e do açúcar a US$ 0,15 por libra-peso com um dólar médio a R$ 5,00. E o cenário de demanda global pelos derivados da cana é auspicioso depois que a Índia antecipou sua meta de ter pelo menos 20% de etanol no mix de combustíveis de 2025 para 2023.

Concluindo o relatório, a XP aponta que os efeitos da seca nos negócios da São Martinho devem ser mitigados pelo incremento tanto nos preços do açúcar quanto nos do etanol. A XP tem recomendação de compra para as ações SMTO3 com preço-alvo de R$ 38,00, o que corresponde a uma virtual estabilidade ante o fechamento da véspera (R$ 38,01).

Já o BBA aponta que, exposta à safra do milho, a SLC Agrícola (SLCE3) teve a maior parte das suas plantações impactadas pela falta de chuvas, o que levou a uma revisão do guidance para um valor 20% menor de produtividade do produto conforme divulgado na demonstração de resultados da companhia no primeiro trimestre.

Porém, não é tudo negativo para a SLC, pois a empresa fez hedge para aproximadamente 74% da safra atual de milho e, assim, provavelmente será capaz de garantir preços acima da média no mercado à vista.

Além disso, os analistas do BBA explicam que a empresa também fez hedge em níveis mais elevados para a próxima safra, uma vez que os preços dispararam desde o início do ano.

Em alimentos e bebidas, Ambev (ABEV3), Camil (CAML3) e M.Dias Branco (MDIA3) têm efeitos limitados por ora, avaliam os analistas do BBA. Sobre a Ambev, o Itaú comenta que os custos pressionados de grãos são um fator importante, mas não crítico para o próximo ano. As preocupações da cervejaria seriam mais com a inflação do alumínio e do malte.

Camil e M.Dias Branco, por sua vez, teriam como vantagem o menor impacto da crise hídrica em arroz e trigo, culturas cujas colheitas já estavam em estágios mais avançados quando a falta de chuvas começou, apontam.

Por fim, para Hidrovias do Brasil (HBSA3) o abalo é maior no sul do Mato Grosso, mas essa região é menos relevante nos negócios da companhia do que o norte do estado. As operações no Sul do país, por sua vez, é afetada porque desde o ano passado as condições hidrológicas no Paraná e no Paraguai estão piores do que a média histórica, o que prejudicou os resultados da companhia no segundo semestre de 2020 e no primeiro trimestre de 2021.

Confira abaixo o compilado de recomendações de bancos, corretoras, consultorias e casas de análise para as empresas citadas nesta reportagem de acordo com dados da Refinitiv:

Empresa Ticker Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de compra Preço-alvo médio Variação média até o preço-alvo
Hidrovias do Brasil HBSA3 8 0 0 R$ 9,79 +56,64%
Cosan CSAN3 3 3 0 R$ 26,73 +4,78%
São Martinho SMTO3 8 6 0 R$ 35,22 -7,34%
SLC Agrícola SLCE3 7 1 0 R$ 51,00 +0,1%
Ambev ABEV3 4 7 3 R$ 16,78 -13,15%
BRF BRFS3 5 8 0 R$ 28,81 +3,08%
M.Dias Branco MDIA3 3 4 2 R$ 35,94 +16,24%
Camil CAML3 2 4 0 R$ 13,83 +36,93%
JBS JBSS3 12 2 0 R$ 38,94 +33,22%
Marfrig MRFG3 8 4 0 R$ 22,45 +20,38%
Minerva BEEF3 7 4 0 R$ 14,95 +49,80%

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Previ confirma venda de 1/3 de sua fatia na BRF para Marfrig por R$ 651 milhões

A Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, confirmou a venda de uma fatia de sua participação na BRF para a Marfrig, em leilão realizado ontem, conforme antecipou o Broadcast. A Previ levantou R$ 651 milhões com a venda.

Segundo a Previ, um terço de suas posições na companhia (24 milhões de ações) foi vendido em leilão na B3, sendo assim a participação do Plano 1 da Previ foi reduzida de 9,00% para 6,04%. De acordo com o fundo, a compradora das ações, a Marfrig, foi conhecida apenas após o fechamento dos mercados.

“Dos 24,23% que a Marfrig adquiriu, conforme publicado em fato relevante da BRF, apenas 3% referem-se à venda realizada pela Previ no leilão”, disse em nota.

A Previ é acionista da BRF desde a década de 1990. Segundo a Previ, as 24 milhões de ações que pertenciam à carteira da Previ foram negociadas no leilão na B3 a R$ 27,15 cada – o preço máximo. Ao final do pregão o preço recuou para R$ 26,93. Na semana, as ações da BRF tiveram valorização de 28,79%.

A Marfrig desembolsou US$ 600 milhões (cerca de R$ 3,2 bilhões) pelos 24% na gigante dos alimentos BRF, em um movimento que está sendo interpretado no mercado como uma tentativa de fusão da companhia de proteína animal de Marcos Molina com sua concorrente. O negócio foi confirmado pela BRF no início da noite de nesta sexta-feira.

De acordo com a Previ, o valor recebido pela venda das ações será revertido em compras de títulos públicos de longo prazo, como NTN-B, reforçando o processo de diminuição da posição de renda variável e aumento da alocação em renda fixa. “Essa migração traz mais estabilidade para o Plano 1, que já está na fase madura, com quase a totalidade de seus associados recebendo benefício”, diz a Previ.

A Previ afirma que o processo de imunização dos fluxos de caixa do Plano 1 vem se intensificando desde 2020, quando já houve a compra de mais de R$ 15 bilhões em títulos com prazo de vencimento para 2045, 2050 e 2055. Ou seja: são títulos que têm um desempenho compatível com as obrigações assumidas pela Previ no pagamento de benefícios, sem os riscos de mercado da renda variável.

O reinvestimento dos recursos obtidos na venda das ações da BRF proporcionará uma imunização de até 34 anos, protegendo ainda mais o pagamento de aposentadorias por esse período. Esse trabalho é realizado com um único propósito: cuidar do futuro das pessoas. Movimentos de desinvestimento com resultados bem-sucedidos mostram oportunidades aproveitadas, que trazem segurança no longo prazo.

Na Kraft Heinz, crescimento em países em desenvolvimento é vital

Miguel Patricio, CEO global da gigante de alimentos Kraft Heinz, vê como vital para o futuro da companhia o crescimento mais acelerado em países em desenvolvimento, como Brasil e China. Segundo o executivo, esta necessidade decorre do fato dos consumidores buscarem maior conveniência à medida que a situação econômica melhora.

Patricio falou sobre os desafios para o consumo e a inovação durante painel na Super Lives – 1 ano de pandemia, série organizada pelo InfoMoney e pela XP. (Confira a entrevista completa assistindo ao vídeo acima).

A Kraft Heinz está concentrada em economias maduras, principalmente Estados Unidos. Patricio, no entanto, lembra que o mercado de alimentos nesses locais cresce a uma taxa de 1,5% ao ano, em média, enquanto nos demais países o crescimento é de 7,5%.

“A indústria de alimentos cresce muito mais rapidamente em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. A gente precisa crescer mais em países como Brasil, China e Rússia. Esse crescimento maior é vital para o nosso futuro”, disse.

Em 2020, a Kraft Heinz registrou receitas líquidas de US$ 26,2 bilhões, um crescimento anual de 4,8%. Desse total, os Estados Unidos e Canadá responderam por 79,6%.

Para Patricio, um dos desafios para o crescimento em países como Brasil e China é a distribuição. Enquanto nos Estados Unidos as vendas estão concentradas em grandes redes de supermercados, nos outros países a distribuição é mais pulverizada, com uma fatia relevante sendo realizada por comerciantes de menor porte.

“China e Brasil têm uma distribuição mais fragmentada e o crescimento (nesses países) é muito ligado a essa capacidade (logística). É preciso escala para reduzir os custos e chegar a mais pontos de venda”, explicou.

A expectativa de Patricio é que o crescimento da economia nos países em desenvolvimento leve a mudanças nos hábitos de consumo, sempre buscando maior comodidade. Como exemplo, ele cita a batata frita congelada. Nos Estados Unidos, esse produto está presente em quase 70% dos lares, enquanto no Brasil essa presença é pouco significativa.

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“Nos Estados Unidos, pelo nível de desenvolvimento econômico, a conveniência é mais importante”, disse, acrescentando que a sofisticação nos hábitos de consumo ocorre com o aumento de renda da população, incluindo aí maior demanda por produtos de origem vegetal, por exemplo.

O que também tem sido fonte de mudanças é a pandemia de coronavírus em curso. Segundo Patricio, quando as infecções começaram na China, ainda em janeiro de 2020, a companhia tomou a decisão de aumentar a compra de matérias-primas provenientes do gigante asiático, antes que houvesse uma interrupção no fornecimento. Na sequência, a multinacional passou a buscar fornecedores em outras localidades.

“No primeiro instante, vimos que ia ter um problema sério de falta de matéria-prima porque a China podia fechar. Ganhamos um fôlego porque aumentamos as compras antes que isso acontecesse e tivemos tempo para desenvolver outros fornecedores.”

Patricio citou ainda a mudança de hábitos trazida pela pandemia, como o maior uso de ferramentas digitais e a mudança de famílias para regiões afastadas dos grandes centros.

“Para nós, isso é positivo. As pessoas estão indo mais a supermercados e fazendo mais refeições em casa”, disse.

Inovação e eficiência

Sobre inovação, o executivo afirmou que é possível ser uma multinacional preocupada com eficiência e ao mesmo tempo trabalhar com inovação.

“Esses dois mundos não são excludentes. Achar que é preciso ser eficiente ou inovador é algo do passado. As companhias que não unirem as duas características vão perder”, disse.

Patricio destacou ainda que buscar eficiência é diferente de cortar custo. Para ele, o curto de custo é temporário e pode ser perigoso para a empresa, uma vez que isso poderia impedir investimentos em inovação.

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“Uma empresa precisa ter a mentalidade da eficiência, de fazer sempre mais “, explicou.

Na indústria de alimentos, Patricio destaca que a inovação está presente no uso de inteligência artificial, que pode ajudar a reduzir o tempo para o desenvolvimento de um produto. Ele citou o caso da The Not Company, empresa de produtos de origem vegetal em que as receitas são formuladas por um algoritmo de inteligência artificial.

Outra inovação que tem ajudado a indústria de alimentos, segundo o executivo, são as ferramentas de “social business”, utilizadas na melhorar da comunicação com os consumidores.

O CEO global da multinacional de alimentos também acrescentou que a diversidade está mais presente na companhia, que atualmente busca profissionais de diferentes perfis.

“Tínhamos um perfil muito definido do profissional que queríamos. Hoje estou convencido que isso é um erro para as companhias, que precisam buscar diversidade e variedade de pensamentos”, disse.

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O que tem no Brasil não é suficiente: como a M.Dias Branco se tornou refém do trigo importado — e isso prejudica o balanço

SÃO PAULO — A pandemia de coronavírus aumentou o consumo de alimentos, com as pessoas 24h por dia dentro de casa, o que beneficiou as empresas do setor. Mas no caso da M.Dias Branco (MDIA3) a maior demanda agravou um problema que já existia: não há trigo suficiente no Brasil para dar conta da necessidade de produção de alimentos que levam o insumo em suas receitas, e a importação com o dólar acima de R$ 6 impacta negativamente o balanço.

Em 2020, a receita líquida da M.Dias, que detém marcas como Piraquê, Adria e Vitarella, avançou mais de 20% sobre 2019, atingindo R$ 1,42 bilhão. A cifra só não foi maior porque no quarto trimestre houve um esfriamento da demanda que causou redução de 16% no volume de vendas frente aos três últimos meses do ano anterior.

“Nós tivemos que aumentar os preços no último trimestre de 2020 para compensar o custo operacional maior devido ao câmbio e as importações de trigo”, explicou Gustavo Theodozio, CFO da companhia, em live do InfoMoney nesta terça-feira (6). “Temos uma política de hedge que funcionou e ajudou a reduzir esse impacto. (…) Com a crise se perdurando por mais de um ano, realmente é um cenário muito desafiador”, completou.

A entrevista faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços do quarto trimestre de 2020 e o desempenho anual das companhias, e falam também sobre perspectivas. Para não perder as próximas lives, que acontecem até o início de abril, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

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O executivo explicou que o Brasil consome em média 12 bilhões de toneladas de trigo e produz a metade isso, por isso tem que importar. O insumo comprado pela M.Dias vem principalmente da Argentina, aproveitando incentivos fiscais do Mercosul, e aqui no Brasil os dois estados que têm produção relevante de trigo são Paraná e Rio Grande do Sul.

“Sendo bem objetivo, não existe nenhum substituto para o trigo”, disse. “A M.Dias tem um expertise na compra de trigo bem relevante, nossos custos ao longo de 2020 sempre foram menores na aquisição do que o preço médio da commodity, seja pela nossa grande capacidade de estocagem, ou pela política de hedge”, afirmou.

Theodozio destacou que a companhia consegue moer o trigo em seus moinhos e não precisa comprar farinha de trigo de terceiros, o que seria uma vantagem competitiva. Ele completou dizendo que tem alguns produtos no pipeline que não possuem trigo, reduzindo um pouco a dependência da empresa pelo insumo.

“Pode ser que a companhia no futuro através de M&A [fusões e aquisições] passe a depender um pouco menos de trigo”, disse. “Sim, a companhia tem um alavancagem muito baixa e um caixa bastante robusto, com uma dívida muito saudável. (…) A gente tem feito um esforço grande para aumentar as exportações, elas cresceram mais de 200% no ano passado. Temos um time na América do Sul, com sede no Uruguai. Exportamos para mais de 35 países e estamos atentos para aquisições fora do Brasil, mas é um assunto complicado agora devido à depreciação do real. Enquanto o real estiver fraco, a nossa cabeça é segurar um pouco os planos de aquisição fora do país”, disse.

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Fabio Cefaly, diretor de relações com investidores da companhia, comentou sobre as iniciativas de redução de custo, como o projeto Multiplique 2. “A gente montou um grupo de trabalho na empresa com diretores de várias áreas que está trabalhando nas iniciativas organizadas para entregar ganhos no resultado e também no caixa, com oportunidades importantes no capital de giro”, disse.

Os executivos comentaram ainda sobre o programa de recompra de ações, sobre o terreno em Juiz de Fora em Minas Gerais e o projeto de construção de uma fábrica na região, que deixou de fazer sentido após a compra da Piraquê, além do pagamento de dividendos — e a mudança na política de remuneração ao acionista. Assista à live completa acima.

Por Dentro dos Resultados
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IMC, dona da rede Frango Assado, anuncia ex-CEO global da Popeyes como novo diretor-presidente; ação MEAL3 sobe 5,5%

O conselho de administração da International Meal Company (MEAL3) , dona da rede Frango Assado, aprovou a substituição do atual diretor presidente, Newton Maia Salomão Alves, por Alexandre de Jesus Santoro, que assumirá o cargo no dia 1 de abril, de acordo com fato relevante nesta da companhia nesta segunda-feira (15).

Os ativos MEAL3 fecharam a sessão desta segunda em alta de 5,51%, a R$ 3,64, com um volume de negociação de R$ 36,67 milhões, ante média de R$ 28,82 milhões dos últimos 21 pregões.

Santoro foi presidente global da rede Popeyes e vice-presidente de Operações e Supply Chain da Restaurant Brands International (RBI) – holding do Burger King, Tim Hortons e Popeye.

Além disso, atuou como CEO para a ALL e ocupou posições de liderança na Ambev e Danone.

“Vemos o anúncio com bons olhos na medida em que o novo CEO traz na bagagem vasto conhecimento de operações, bem como de marcas, de fast-food para a IMC. Esperamos que ele dê continuidade ao processo de simplificação de portfolio e aumento de rentabilidade que vinha sendo capitaneado por Maia. Por outro lado, seguimos cautelosos com a performance da empresa diante das disrupções geradas pela pandemia, e mantemos nossa recomendação neutra, com preço-alvo de RS 4 por ação”, destaca a XP Investimentos.

(com Reuters)

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“Preço do arroz pode ter aumentado ainda mais a procura por massas e ajudou nosso balanço”, diz diretor da M.Dias Branco

SÃO PAULO — O polêmico aumento recente no preço do saco de arroz em várias partes do país foi visto por outros olhos pela M.Dias Branco (MDIA3). A companhia teve produção e receitas recordes no terceiro trimestre e, segundo o diretor de relações com investidores Fábio Cefaly, um dos motivos pela maior procura por massas no período foi exatamente o fato de o arroz estar mais caro.

“O nosso crescimento na categoria de massas vem por três motivos. O primeiro é a nossa execução: estamos crescendo onde nós não tínhamos uma posição relevante. O segundo é o fato de as pessoas estarem mais tempo em casa e obviamente elas estão cozinhando mais, e isso tem um reflexo no consumo de massas. E pode sim ter essa questão do arroz, que são produtos substitutos e o preço do arroz teve um aumento substancial durante este ano “, afirmou.

Ele participou nesta segunda-feira (9) de uma live no InfoMoney da série Por Dentro dos Resultados, onde executivos de importantes empresas da Bolsa apresentam os principais destaques financeiros do terceiro trimestre, comentam os números e falam sobre perspectivas.

Por Dentro dos ResultadosCEOs e CFOs de empresas abertas comentam os resultados do ano. Cadastre-se gratuitamente para participar:

O executivo falou sobre a questão do trigo, que é o insumo principal da companhia e o qual ela não produz, mas compra de fornecedores internos e externos. Segundo ele, o gerenciamento dos estoques está sendo bem-feito, apesar da questão cambial e da demanda forte por importação do país.

“Nós importamos bastante trigo, 70%-80% do trigo que a gente consome é importado da Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Canadá, Rússia. O Brasil não é autossuficiente, metade do trigo que o Brasil consome é importado”, disse. “Por isso que a gente teve esse impacto negativo na nossa margem bruta, em função da desvalorização do real”, completou. Apesar disso, o executivo afastou a hipótese de a empresa se verticalizar na produção do insumo.

Ele afirmou, porém, que a empresa se preparou muito para intensificar produtos de exportação e isso tem sido refletido numa melhora nessa área. “O que está acontecendo agora é reflexo do que fizemos nos últimos anos, não é surpresa. O câmbio desvalorizado deixa mais competitivo o que já era competitivo. Além das vendas recorrentes para África, Paraguai, Uruguai, Estados Unidos, apareceram alguns clientes novos, principalmente na América Central”, disse.

Cefaly comentou ainda sobre a empresa ter tido despesas de R$ 38 milhões neste ano, até setembro, relacionadas à Covid-19, disse que a empresa não precisou de capex emergencial para dar conta da demanda maior por alimentos durante a pandemia, falou sobre o aumento da penetração das marcas da M.Dias em áreas como o interior de São Paulo e o Centro-Oeste do país, além da redução do endividamento, dos efeitos não recorrentes sobre o balanço, o atual preço das ações e o programa de recompra em aberto e da concorrência. Assista à live acima.

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