Números das locadoras de veículos foram bons, mas uma se destaca: confira as opiniões de analistas sobre os resultados

SÃO PAULO – As três locadoras de veículos principais com capital aberto na B3 já divulgaram resultados e todos foram bem recebidos pelos analistas. Alguns pontos em comum foram o aumento na receita com a venda de seminovos, compensando os impactos da pandemia no segmento rent-a-car (aluguel de curto prazo de carros).

No entanto, qual teria tido o melhor desempenho entre as três?

Apesar de nenhuma das três empresas ter apresentado números realmente fracos, a disparidade ocorreu e se refletiu nas cotações de suas ações. Enquanto os papéis da Movida (MOVI3) dispararam 8,55% na esteira do seu resultado no dia 29, a Unidas (LCAM3) viu suas ações se desvalorizarem em 0,99% depois de soltar balanço (sessão do dia 28) e a Localiza perdeu 7,36% de valor quando divulgou seus números (pregão do dia 30).

Segundo Flávio Conde, analista da Levante Ideias de Investimento, o setor inteiro tem boas perspectivas e serve como uma ótima aposta no chamado call de reabertura, que é a compra de ações de companhias que se beneficiam com a retirada das medidas de isolamento social tomadas para conter a Covid-19, no entanto a Movida tem dois trunfos que as outras não possuem.

Em primeiro lugar, Conde lembra que as ações da Localiza e da Unidas subiram muito desde que as duas companhias anunciaram fusão. A Localiza se valorizou em 29,8% do anúncio no dia 23 de setembro do ano passado até o resultado, enquanto a Locamerica teve alta de 37,7%. No mesmo período, a Movida subiu 24%.

“A Movida é a mais barata das três. O múltiplo [valor da empresa dividido pelo Ebitda] EV/Ebitda da Localiza está em 18 vezes, da Unidas está em 9,8 vezes e da Movida está em 8,7 vezes. Isso ajuda a explicar por que a Movida foi a que mais se valorizou”, comenta.

O segundo motivo para ficar otimista com a Movida é que ela apresentou uma geração de caixa no segundo trimestre bem acima do esperado. Com R$ 3,4 bilhões no caixa no final de junho, Flávio Conde diz que a empresa pode investir muito em expansão geográfica, aumento de frota, mais lojas e mais vendedores.

No mais, o analista espera que o segundo semestre seja ainda melhor para as locadoras, visto que com a reabertura total da economia as pessoas devem usar mais aplicativos de carona ou alugar carros para se locomover pelas grandes cidades.

“Com a decisão do João Doria de chamar de volta os funcionários vacinados a partir de agosto, foi dado o sinal verde para as empresas privadas fazerem o mesmo”, destaca. Conde ressalta que o preço de um carro novo está muito caro devido à crise das montadoras e que o custo dos combustíveis também não atrai consumidores a comprar carro, de modo que o aluguel, o uso de aplicativos e a aquisição de um seminovo se tornam opções bem mais em conta, justamente três segmentos em que as locadoras ganham.

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Por outro lado, ele acredita que um risco de médio a longo prazo seja a entrada das montadoras no ramo de aluguel usando a infraestrutura das concessionárias. “A Toyota já faz isso no mundo e isso pode ser um desafio bem grande, mas não para agora. Não é algo que vai impactar as ações de seis meses a um ano.”

Especificamente sobre Localiza, a Genial Investimentos comenta que o resultado veio sem brilho e ficou abaixo dos concorrentes. “Com uma base de comparação mais fraca, a empresa conseguiu evoluir seus indicadores, mas com alguns números em linha com a nossa projeção (receita líquida) e outro levemente superior (Ebitda e lucro líquido), diferente dos seus competidores, que apresentaram resultados mais positivos”, destacou a corretora.

Já Ricardo Oliboni, sócio e chefe de Mesa da Axia Investing, faz bons prognósticos para o setor como um todo, apontando que com a flexibilização das restrições à mobilidade e a retomada da economia as águas a navegar ficarão mais calmas do que em trimestres como abril, quando o pico da Segunda Onda da Covid prejudicou as operações das empresas.

Confira abaixo o compilado das recomendações de analistas de bancos, corretoras ou casas de análise para cada uma das empresas segundo dados compilados pela Refinitiv.

Empresa Ticker Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de venda Preço-alvo médio Valorização (uspide) esperado
Localiza RENT3 9 4 1 R$ 72,46 16,59%
Movida MOVI3 7 3 0 R$ 25,57 12,76%
Unidas LCAM3 7 2 0 R$ 34,13 25,52%

Leia abaixo em detalhes como foi o resultado de cada uma.

Localiza

A Localiza registrou um lucro líquido de R$ 447,9 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa um crescimento de 398,2% em relação ao reportado no mesmo período do ano passado.

Já o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia totalizou R$ 769,7 milhões, uma expansão de 77% ante o segundo trimestre de 2020.

Por fim, a receita líquida da Localiza atingiu R$ 2,696 bilhões, alta de 71,7% na comparação anual.

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Os analistas Victor Mizusaki, André Ferreira e Pedro Fontana, do Bradesco BBI, escrevem em relatório que a receita veio em linha com as estimativas refletindo o forte desempenho no setor de rent-a-car na comparação com o segundo trimestre de 2020 apesar da segunda onda do coronavírus ter resultado em uma contração de 8% no volume na base trimestral.

Além disso, a gestão de frotas também teve uma performance considerada sólida pela equipe do Bradesco, com crescimento de 30% em relação ao segundo trimestre de 2019 e de 5% ante o primeiro trimestre de 2021.

Os principais destaques do resultado, na opinião dos analistas, são a redução no número de carros vendidos pelo terceiro trimestre consecutivo, para 26.600 unidades, contra 29.000 no primeiro trimestre e 32.000 no quarto trimestre do ano passado. O objetivo é priorizar o serviço de aluguel, dado que as dificuldades das montadoras para normalizar a produção de veículos continua.

“Preços crescentes de carros novos e, consequentemente, preços mais altos de carros usados ​​combinados com a frota já depreciada explicam a redução de 29% na depreciação por carro para gestão de frota”, explica a equipe do Bradesco.

De acordo com os especialistas, as despesas menores com depreciação, combinadas com os resultados mais fortes de seminovos e a tímida expansão da frota se traduziu em um ROIC (lucro operacional menos impostos dividido pelo capital total investido) de 14,1%, que é 6,1 pontos percentuais maior que o do segundo trimestre do ano passado e 1,8 ponto percentual acima do registrado no segundo trimestre de 2019.

“No segundo trimestre de 2021, a empresa reportou uma frota de 274,3 mil carros com a aquisição de 28,7 mil carros, número relativamente baixo se comparado à Unidas e Movida (já que essas empresas reportaram frotas de 177,2 mil e 134,2 mil carros e 26,6 mil e 23,3 mil carros comprados). Em nossa opinião, a Localiza está tentando evitar o aumento da exposição às montadoras com baixa participação no mercado de rent-a-car e também reduzir o preço médio dos carros novos”, conclui o relatório.

O Bradesco BBI tem recomendação outperform (desempenho esperado acima da média do mercado) para as ações RENT3 com preço-alvo estimado de R$ 86,00, o que representa uma alta de 38,4% em relação ao valor de fechamento dos papéis na sexta-feira (30).

Conforme destaca a equipe de análise da Levante Ideias de Investimento, o crescimento de 35% no volume de carros vendidos, combinado ao aumento de 31,3% no preço praticado, levou a um aumento de 77,2% nas receitas de seminovos.

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Por outro lado, a margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita líquida) da operação rent-a-car foi de 38,6% no trimestre, representando uma redução de 14,6 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2020.

Os analistas da Levante entendem que foi um bom resultado em termos de lucro líquido e receita líquida, com números abaixo das expectativas apenas em termos de Ebitda. “Os números da locadora mostram a forte recuperação do setor de locação de veículos, à medida que a economia do país volta gradualmente à atividade normal”, avaliam.

Também em destaque, a equipe lembra que a Localiza manteve a estratégia de postergar a desativação dos carros do aluguel de carros, prolongando a vida útil da frota, o que resulta em um ritmo de venda de seminovos abaixo de sua capacidade.

Para a Levante, o principal catalisador para o preço das ações da Localiza continua sendo a evolução da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) na fusão com a Unidas, que vai criar a maior empresa de mercado com liderança no segmento de aluguel de veículos.

A companhia ainda tem avançado em importantes frentes como a locação de carros por assinatura e para motoristas de aplicativo. “O Localiza Meoo já se encontra em um processo bastante maduro, entregando uma boa experiência aos clientes e confirmando o potencial desse mercado de carros por assinatura.”

Movida

A Movida reportou um lucro líquido de R$ 174 milhões, alta de 6.556% na comparação anual e de 58% na trimestral.

Já o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) consolidado foi a R$ 388 milhões, número 27% maior que o do primeiro trimestre e 157% superior ao do mesmo período do ano passado.

A receita líquida totalizou R$ 1,2 bilhão, um aumento de 15,6% na comparação anual e de 50,5% na comparação trimestral, com receita líquida de aluguéis de R$ 538 milhões, recordes para um trimestre.

Segundo os analistas do Bradesco BBI, as receitas vieram 3% acima do esperado pelo banco e 10% superiores ao que o consenso do mercado esperava, refletindo um recorde de receita de gestão de frota de R$ 196 milhões (alta de 57% na comparação com o segundo trimestre de 2020 e de 80% em relação ao segundo trimestre de 2020).

O banco destaca ainda o recorde nos preços de carros usados, que subiram 5% em relação ao primeiro trimestre, algo que ofuscou o impacto da pandemia de Covid-19 no segmento de aluguel. Os resultados de seminovos também levaram o Ebitda a bater em 13% as projeções do Bradesco e em 14% o consenso, uma vez que o Ebitda dessa operação chegou a R$ 120 milhões (contra R$ 11 milhões no segundo trimestre de 2019).

A gestão de frota, por sua vez, reportou uma margem Ebitda de 65%, valor 4,9 pontos percentuais acima do registrado no trimestre anterior conforme a empresa está diluindo com sucesso custos fixos no produto de arrendamento operacional (Movida Zero km).

Por outro lado, a margem Ebitda do segmento rent-a-car caiu a 41,1% (queda de 5,1 pontos percentuais na base trimestral) devido ao impacto do coronavírus.

Na opinião do Bradesco BBI, os fatores mais importantes do resultado da Movida são as entregas de novos carros de 23 mil unidades, acima das 10.900 unidades entregues no primeiro trimestre de 2021, o que resultou em uma adição de 12 mil carros apesar dos problemas que enfrenta a cadeia de oferta da indústria automotiva desde o início da pandemia.

“A Movida está adicionando mais modelos de carros premium, mas a empresa aumentou com sucesso o preço médio do aluguel diário em rent-a-car para R$ 84 (alta de 41% na comparação anual e de 6% contra o segundo trimestre de 2019)”, analisa a equipe do banco.

Para os analistas, a companhia foi bem sucedida em reduzir o gap de receita líquida com a Unidas para 18%, de 28% anteriormente, e da frota de carros para 10%, de 24% antes. “Portanto, com base nos sólidos resultados do segundo trimestre de 2021 e na aprovação unânime dos acionistas minoritários para concluir a aquisição da CS Frotas, esperamos que o desconto de 20% no múltiplo [valor de mercado dividido pelo lucro líquido] P/E 2022 da Unidas reduza gradualmente para 11% nas próximas semanas.”

O Bradesco BBI tem recomendação outperform para as ações MOVI3, com preço-alvo estimado em R$ 32,00, o que representa uma valorização de 42,8% sobre o valor de fechamento dos papéis na sexta-feira.

Já os analistas Regis Cardoso, Henrique Simões e Alejandro Zamacona, do Credit Suisse, exaltam também o desempenho da operação de seminovos, porém lembram que o resultado não é “totalmente” recorrente.

“Os altos resultados de seminovos são consequência dos elevados preços de venda de carros usados ​​para carros comprados a valores muito mais baixos, o que não é recorrente e deve se normalizar para margens baixas de um dígito no final de 2022 ou 2023”, apontam.

Um risco a ser monitorado, segundo os analistas, é o de depreciação, que deve ocorrer em consequência do envelhecimento da frota. “No segundo trimestre de 2021, rent-a-car e gestão de frota tiveram incrementos na depreciação de 21% e 26% ante o primeiro trimestre respectivamente, apesar de sobre uma base baixa”, explicam.

Unidas

A Unidas teve um um lucro líquido recorrente de R$ 241,2 milhões no segundo trimestre de 2021, ante R$ 1,7 milhão no mesmo período do ano passado.

Já a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente alcançou R$ 557,2 milhões de abril a junho, alta de 167,1% na comparação com igual período do ano anterior. A margem Ebitda foi de 75,4% no segundo trimestre, avanço de 32 pontos porcentuais ante o mesmo período de 2020.

A receita líquida consolidada da companhia atingiu R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, alta de 74,7% ante igual intervalo de 2020.

Os analistas Pedro Bruno, Gabriela Ferrante e Lucas Laghi, da XP, destacaram que a gestão de frotas teve uma combinação positiva de crescimento de volumes (22% maior na comparação com o mesmo período do ano passado) e aumento médio de 15% da tarifa na base anual, o que se traduziu em um aumento de 40% na receita neste segmento na mesma base de comparação.

Isso se somou à forte operação de Gestão e Terceirização de Frotas (GTF), que totalizou 15,6 mil veículos em novos contratos, incremento de 36% em relação ao primeiro trimestre deste ano. Ao mesmo tempo, também no caso da Unidas a venda de seminovos teve uma dinâmica bastante sólida, com uma margem Ebitda de 19,3%, que corresponde a um avanço de 14,7 pontos percentuais ante o segundo trimestre de 2020 e 2,1 pontos percentuais acima do esperado pela corretora.

Do lado negativo, os analistas da XP elencam a desaceleração nos negócios de rent-a-car, com a receita líquida caindo 3% na base trimestral, o que pode refletir os efeitos da segunda onda da Covid-19 ao longo do segundo trimestre de 2021 e o desabastecimento da indústria automotiva.

Outro ponto a se atentar é o aumento de 8% na depreciação por carro no segmento rent-a-car e de 30% no GTF, algo que a XP atribui ao “conservadorismo da Unidas em relação às vendas de carros usados ​​no médio-prazo”. Por fim, também é vista como negativa a contração de aproximadamente 4 pontos percentuais na margem na base trimestral para o negócio de gestão de frotas.

A XP tem recomendação de compra para as ações LCAM3 com preço-alvo de R$ 34,00 por papel, o que representa uma valorização de 25,05% sobre o fechamento da sexta.

Em teleconferência, a Unidas afirmou prever nos próximos trimestres ter patamares de receita similares aos registrados no segundo trimestre. A companhia contratou um executivo para liderar sua divisão de veículos pesados, no qual a locadora já conta com perto de mil unidades.

“Não é segredo para ninguém que temos uma operação em pesados, mas nos próximos trimestres passaremos a divulgar também de forma separada nosso desempenho no setor em que temos muita ambição”, disse o presidente da Unidas à agência de notícias.

Confira abaixo o compilado das recomendações de analistas de bancos, corretoras ou casas de análise para cada uma das empresas segundo dados compilados pela Refinitiv.

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Localiza lucra R$ 447,9 milhões e aluguel de carros cresce mesmo na pandemia

SÃO PAULO – A locadora de veículos Localiza (RENT3) registrou um lucro líquido de R$ 447,9 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa um crescimento de 398,2% em relação ao reportado no mesmo período do ano passado, segundo demonstração de resultados divulgada nesta quinta-feira (29).

Já o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia totalizou R$ 769,7 milhões, uma expansão de 77% ante o segundo trimestre de 2020.

Por fim, a receita líquida da Localiza atingiu R$ 2,696 bilhões, alta de 71,7% na comparação anual.

Segundo a companhia, o número de diárias da divisão de Aluguel de Carros apresentou crescimento de 26,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. “Mesmo estando ainda em um contexto de pandemia, sentimos menor impacto em volumes e preços do que no mesmo trimestre de 2020”, destacou a administração.

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Ações da Movida disparam 9% depois de resultado, com analistas exaltando vendas de seminovos e gestão de frota

movida locadora seminovos chevrolet onix carros usados venda (divulgação)

SÃO PAULO – As ações da Movida (MOVI3) disparam 9% nesta quinta-feira (29) na esteira do seu resultado do segundo trimestre, divulgado ontem. A companhia que atua no setor de locação de carros reportou um lucro líquido de R$ 174 milhões, alta de 6.556% na comparação anual e de 58% na trimestral.

Já o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) consolidado foi a R$ 388 milhões, número 27% maior que o do primeiro trimestre e 157% superior ao do mesmo período do ano passado.

A receita líquida totalizou R$ 1,2 bilhão, um aumento de 15,6% na comparação anual e de 50,5% na comparação trimestral, com receita líquida de aluguéis de R$ 538 milhões, recordes para um trimestre.

Segundo os analistas Victor Mizusaki, André Ferreira e Pedro Fontana, do Bradesco BBI, as receitas vieram 3% acima do esperado pelo banco e 10% superiores ao que o consenso do mercado esperava, refletindo um recorde de receita de gestão de frota de R$ 196 milhões (alta de 57% na comparação com o segundo trimestre de 2020 e de 80% em relação ao segundo trimestre de 2020).

O banco destaca ainda o recorde nos preços de carros usados, que subiram 5% em relação ao primeiro trimestre, algo que ofuscou o impacto da pandemia de Covid-19 no segmento de aluguel. Os resultados de seminovos também levaram o Ebitda a bater em 13% as projeções do Bradesco e em 14% o consenso, uma vez que o Ebitda dessa operação chegou a R$ 120 milhões (contra R$ 11 milhões no segundo trimestre de 2019).

A gestão de frota, por sua vez, reportou uma margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita líquida) de 65%, valor 4,9 pontos percentuais acima do registrado no trimestre anterior conforme a empresa está diluindo com sucesso custos fixos no produto de arrendamento operacional (Movida Zero km).

Por outro lado, a margem Ebitda do segmento rent-a-car (aluguéis de curto prazo) caiu a 41,1% (queda de 5,1 pontos percentuais na base trimestral) devido ao impacto do coronavírus.

Na opinião do Bradesco, os fatores mais importantes do resultado da Movida são as entregas de novos carros de 23 mil unidades, acima das 10.900 unidades entregues no primeiro trimestre de 2021, o que resultou em uma adição de 12 mil carros apesar dos problemas que enfrenta a cadeia de oferta da indústria automotiva desde o início da pandemia.

“A Movida está adicionando mais modelos de carros premium, mas a empresa aumentou com sucesso o preço médio do aluguel diário em rent-a-car para R$ 84 (alta de 41% na comparação anual e de 6% contra o segundo trimestre de 2019)”, analisa a equipe do banco.

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Para os analistas, a companhia foi bem sucedida em reduzir o gap de receita líquida com a Unidas (LCAM3) para 18%, de 28% anteriormente, e da frota de carros para 10%, de 24% antes. “Portanto, com base nos sólidos resultados do segundo trimestre de 2021 e na aprovação unânime dos acionistas minoritários para concluir a aquisição da CS Frotas, esperamos que o desconto de 20% no múltiplo [valor de mercado dividido pelo lucro líquido] P/E 2022 da Unidas reduza gradualmente para 11% nas próximas semanas.”

O Bradesco BBI tem recomendação outperform (desempenho esperado acima da média do mercado) para as ações MOVI3, com preço-alvo estimado em R$ 32,00, o que representa uma valorização de 51,95% sobre o valor de fechamento dos papéis na quarta-feira (29).

Já os analistas Regis Cardoso, Henrique Simões e Alejandro Zamacona, do Credit Suisse, exaltam também o desempenho da operação de seminovos, porém lembram que o resultado não é “totalmente” recorrente.

“Os altos resultados de seminovos são consequência dos elevados preços de venda de carros usados ​​para carros comprados a valores muito mais baixos, o que não é recorrente e deve se normalizar para margens baixas de um dígito no final de 2022 ou 2023”, apontam.

A equipe do Credit Suisse também alerta que o crescimento de 11,6 mil unidades na frota de carros é positivo em um cenário de produção limitada de veículos, porém foi acompanhado por um aumento na idade da frota.

Em relação aos volumes de rent-a-car, as quedas são explicáveis pelas medidas de isolamento social, o que derrubou o Ebitda da operação em 17% para R$ 144 milhões, em linha com as expectativas do banco. Por outro lado, os analistas ressaltam que a maior parte do crescimento de frota aconteceu nesse segmento e a Movida indicou uma retomada na demanda no final do trimestre, levando a crer que os próximos trimestres serão melhores para o aluguel de curto prazo.

Um risco a ser monitorado, segundo os analistas, é o de depreciação, que deve ocorrer em consequência do envelhecimento da frota. “No segundo trimestre de 2021, rent-a-car e gestão de frota tiveram incrementos na depreciação de 21% e 26% ante o primeiro trimestre respectivamente, apesar de sobre uma base baixa”, explicam.

O Credit Suisse tem recomendação neutra para as ações MOVI3, com preço-alvo estimado em R$ 21,00, o que corresponde a uma queda de 0,28% no valor dos papéis sobre o fechamento de ontem.

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No total, segundo dados compilados pela Refinitiv, as ações da Movida acumulam sete recomendações de compra e três neutras entre bancos, corretoras e casas de análise que acompanham a empresa. O preço-alvo médio para os papéis MOVI3 é de R$ 25,27, o que significa uma valorização de 19,99% ante o valor de fechamento das ações na última quarta.

Às 16h37 (horário de Brasília) desta quinta, as ações da Movida subiam 8,5% a R$ 22,85, depois de chegarem a disparar mais de 9% mais cedo.

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Simpar lucra R$ 200 milhões no 1º tri e executivo destaca resiliência mesmo com crise das montadoras

Denis Ferrez, vice-presidente executivo de finanças corporativas e relações com investidores do grupo Simpar (crédito: Divulgação)

SÃO PAULO – O Grupo Simpar (SIMH3), voltado para locação de carros e logística, reportou um lucro líquido ajustado de R$ 203,8 milhões no primeiro trimestre de 2021, o que representa um crescimento de 145% na comparação com o mesmo período do ano passado e uma retração de 5,2% em relação ao quarto trimestre.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 733,7 milhões nos primeiros três meses deste ano, número 30,6% acima do reportado no primeiro trimestre de 2020 e 4,8% maior que o do trimestre passado.

Por fim, a receita líquida do grupo foi de R$ 2,62 bilhões, um avanço de 11,2% na comparação anual e 1,1% de queda na base trimestral.

Em entrevista ao InfoMoney, o vice-presidente executivo de finanças corporativas e relações com investidores do grupo Simpar, Denis Ferrez, afirmou que o resultado reflete o investimento de R$ 2,8 bilhões feito pela companhia nos últimos 12 meses.

“O investimento foi majoritariamente para expansão. Assim, tanto a nossa parte de logística quanto a de locação de veículos conseguiu se recuperar apesar da crise da indústria automobilística”, defende.

De acordo com Ferrez, apesar do segundo endurecimento das medidas de isolamento social no início deste ano, não houve uma restrição à mobilidade tão forte como em março do ano passado, o que favoreceu os negócios de operações como a da Movida (MOVI3) e do Grupo Vamos (VAMO3).

A Movida encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 110 milhões, impactado pela receita líquida de aluguéis, que atingiu o seu maior patamar histórico, de R$ 530 milhões, o que contribuiu para um Ebitda de R$ 305 milhões.

O Vamos (focado em caminhões), por sua vez, lucrou R$ 73,2 milhões com expansão da frota locada, aumento dos investimentos em novos contratos de locação, diversificação da carteira de clientes e maior integração das unidades de negócio.

Um outro destaque foi a CS Brasil, uma empresa de terceirização de frotas de veículos, que teve um lucro operacional de R$ 63,3 milhões, o que representa um crescimento de 52,4% sobre o primeiro trimestre de 2020. No caso dela, 98% do Ebitda foi garantido pelo negócio de Gestão e Terceirização de Frotas (GTF), que  envolve contratos de longo prazo e, portanto, não é tão afetado pelo ciclo econômico quanto o Rent a Car (RAC).

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Hoje, o Grupo Simpar tem 82% de seus negócios em locação de veículos e 18% em logística. Neste último segmento, a principal empresa do grupo é a JSL (JSLG3), que, segundo Ferrez, vai manter o ritmo de de aquisições de empresas para crescer.

“Quando olhamos lá fora, o líder [no segmento de logística rodoviária] tem de 8% a 9% de market share e os 10 maiores somam 30%. Já aqui no Brasil a JSL é a maior e está chegando a 1% do mercado, então tem uma oportunidade de crescimento muito grande”, avalia.

Na opinião do executivo do Simpar, o principal desafio para o grupo em 2021 é a crise no setor automotivo. “A paralisação das montadoras devido ao coronavírus foi mais longa, de modo que a situação da cadeia de suprimentos ainda não foi normalizada”, expõe.

Ferrez acredita que o grupo terá um impulso ainda maior em suas operações quando a indústria de automóveis ter alguma recuperação do baque da Covid-19, algo que ele prevê acontecer entre o final deste trimestre e o começo do próximo.

Sobre alavancagem e endividamento, Ferrez ressaltou que o avanço de 3,5 vezes para 3,7 vezes na relação dívida líquida dividida pelo Ebitda neste início do ano não deve ser vista pelos investidores como um problema, visto que o grupo segue focado em reduzir o indicador para 3 vezes.

“É preciso ancorar a expectativa para o final do ano, quando devemos ter uma alavancagem menor. A nossa dívida líquida/Ebitda era de 5 vezes em 2016”, conclui.

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Localiza tem alta de 109% no lucro no 1º trimestre, a R$ 482 milhões; seminovos são destaque

A maior companhia de aluguel de veículos e gestão de frotas do país, Localiza (RENT3), divulgou nesta segunda-feira que teve lucro líquido de R$ 482,3 milhões no primeiro trimestre, mais que o dobro (108,9%) do desempenho do mesmo período do ano passado.

A empresa, que apresentou no final do ano passado uma oferta de compra da rival Unidas (LCAM3), apurou geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 805,8 milhões, crescimento de 27,4% na comparação anual.

Analistas, em média, esperavam que a Localiza divulgasse lucro líquido de R$ 450,5 milhões para o período de janeiro ao fim de março e Ebitda de R$ 836,2 milhões, segundo dados da Refinitiv.

Na semana passada, a Unidas divulgou lucro recorde para o primeiro trimestre, apesar de novas medidas de isolamento social adotadas por vários governos municipais e estaduais entre março e abril que atingiram uma série de setores, incluindo o de locação de carros.

A Localiza apurou um lucro operacional de R$ 708,4 milhões, avanço de cerca de 63% sobre um ano antes, apesar da receita ter ficado praticamente estável, em R$ 2,78 bilhões de reais no trimestre.

Assim como a Unidas, a Localiza cita no balanço dificuldades na oferta de carros novos por parte das montadoras o que contribuiu para uma elevação de mais de 23% nos preços dos carros usados. Esse movimento elevou a margem de lucro da divisão de venda de seminovos em 12 pontos percentuais ao mesmo tempo que contribuiu para reduzir em R$ 100,9 milhões a depreciação da frota da companhia.

Segundo a Localiza, a margem Ebitda da divisão de seminovos, de 13,5% no primeiro trimestre, “tende a sustentar um patamar mais elevado ao longo desse ano”.

Porém, a empresa alertou que “a depreciação média por carro, tenderá a subir à medida que os volumes de compras retomem patamares mais altos e os carros 100% depreciados sejam vendidos”.

A Localiza também citou que o lucro foi ajudado por R$ 105,3 milhões a menos em despesas financeiras decorrentes de menores taxas de juros.

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Na divisão de gestão de frotas para empresas, a Localiza afirmou que a demanda “está forte”, mas a demora nas entregas de veículos novos pelas montadoras tem dificultado a diluição dos custos. Na semana passada, executivos da Unidas afirmaram que as montadoras informaram que devem passar a entregar veículos numa velocidade maior a partir do terceiro trimestre.

A associação de montadoras, Anfavea, divulgará os dados do setor em abril na sexta-feira e deverá se posicionar a respeito das dificuldades na produção geradas por medidas de isolamento social e problemas em fornecimentos de componentes como chips usados em sistemas eletrônicos dos veículos.

Para Pedro Bruno e Lucas Laghi, analistas da XP, a Localiza reportou bons resultados, com lucro superando as estimativas da XP e as de consenso em cerca de 17% e cerca de 6%, respectivamente.

Os analistas apontam que os principais pontos positivos foram: (i) resiliência da receita de aluguel apesar do desafio de suprimento de carros novos, mostrando (a) a capacidade de precificação da Localiza em aluguel de carros e (b) a consistente dinâmica de aluguel de frotas e (ii) sólidos resultados do Seminovos, com menor depreciação em relação ao ano anterior e fortes margens refletindo aumentos nos preços dos carros usados ​. Do lado negativo, estiveram as margens Ebitda de aluguel mais fracas. A XP reitera recomendação de compra e preço alvo de R$ 76,00 por ação.

O Credit Suisse, por sua vez, apontou que os resultados foram em linha com o esperado pelos analistas, ajudado pelo segmento de seminovos, enquanto o aluguel de carros foi mais uma vez foi afetado por não-recorrente e impacto dos lockdowns. A recomendação para a ação RENT3 pelos analistas do banco é outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 74.

(com Reuters)

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Movida dobra lucro líquido no 1º trimestre de 2021, mas paralisação de montadoras preocupa

SÃO PAULO – A Movida (MOVI3) divulgou seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2021 nesta terça-feira (27), após o fechamento do pregão. Após um quarto trimestre positivo, nos primeiros três meses de 2021, a empresa apresentou também bons resultados. Os ganhos foram impulsionados pelo avanço da tecnologia em canais digitais e pela retomada na demanda por carros alugados e seminovos.

A receita líquida total chegou a R$ 805 milhões no primeiro trimestre de 2021, queda de 20% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. O Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações ajustado (Ebitda, na sigla em inglês), por sua vez, ficou praticamente estável na comparação com o último trimestre de 2020, atingindo R$ 304,5 milhões, retração de 0,3%. Mas o salto foi de 35,3% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

Já o lucro líquido da empresa foi de R$ 109,5 milhões no primeiro trimestre, praticamente o dobro do apresentado no primeiro trimestre de 2020, quando atingiu R$ 55,1 milhões.

“O resultado desse trimestre é reflexo do aprendizado que tivemos com a pandemia. A empresa ficou melhor após enfrentar um cenário adverso e complexo. Melhoramos alguns aspectos: reforçamos os canais digitais e adotamos uma agenda de decisão dinâmica e flexível”, pontuou Edmar Lopes, CFO da empresa em entrevista ao InfoMoney. “Além disso, vimos a demanda por aluguel se recuperar.”

As ações da empresa fecharam o pregão desta terça (27) em queda de 0,9%, cotadas a R$ 16,98. Confira os destaques do balanço:

Aluguel x Carros por assinatura 

A empresa apresentou uma receita líquida recorde no segmento de aluguel tradicional, chamado de RAC (sigla para Rent a Car, em inglês): foram R$ 365,1 milhões no primeiro trimestre de 2021. A alta foi de 12,2% na comparação anual.

Esse segmento atende pessoas físicas e empresas. Conta com produtos que tem prazos menores do que a locação anual, como aluguel diário ou por três a seis meses.

O bom resultado aconteceu mesmo com uma frota de carros menor nesse segmento. Foram cerca de 70 mil unidades, ante cerca de 78,2 mil unidades no primeiro trimestre de 2020. Foram 5 milhões de diárias alugadas no segmento de RAC durante o último trimestre, recorde histórico para a empresa.

Lopes destacou que, neste trimestre, a empresa lidou com uma alta demanda no aluguel. Foi uma continuação da retomada vista no fim do ano passado, apesar de o setor automotivo enfrentar uma fase difícil: as vendas nos primeiros três meses do ano seguem abaixo do mesmo período do ano passado.

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Até março, foram 497.885 emplacamentos em 2021, comparado a 532.506 entre janeiro e março de 2020, uma queda de 6,50%. Nos primeiros dois meses de 2020, ainda não havia o impacto da pandemia do novo coronavírus.

O outro segmento da empresa é o GFT (Gestão e Terceirização de Frotas), que tradicionalmente contava com alugueis mais longos (mais de um ano) de frotas para empresas. Recentemente, a frente ganhou um novo braço de negócio, de carros por assinatura. O cliente pessoa física pode alugar um carro por até três anos.

Nesse caso, a expansão foi de 31% na receita líquida no primeiro trimestre versus o mesmo período de 2020. A frota desse segmento fechou o trimestre com 52,4 mil unidades, acima das 40,8 mil unidades dos três primeiros meses de 2020. “A receita líquida atingiu R$ 165,3 milhões e a receita média por carro chegou a R$ 1.231 por mês”, diz o relatório da empresa.

Segundo Lopes, o GTF deve crescer mais rapidamente neste ano. “Acreditamos que o produto de carro por assinatura deve vai crescer muito em 2021, e vamos apostar bastante nesse segmento, que foi importante nesse primeiro trimestre”, diz Lopes.

Pedro Bruno, analista de transportes e bens de capital da XP, ressalta que não é de hoje que a Movida tem batido na tecla de acelerar o ritmo do GFT. “O segmento está passando por uma transformação. Embora o carro por assinatura hoje seja um complemento de negócio, por ser incipiente no mercado, tem muito potencial em função da mudança de comportamento das pessoas, que começam a ver nessa opção um bom custo-benefício”, diz.

De fato, esse segmento de mercado vem sendo observado de perto pelos players que montam os carros usados nas assinaturas: Volkswagen, Audi, Fiat, Renault, entre outras montadoras já têm serviços de carros por assinatura rodando, além dos programas das principais concorrentes da Movida, Unidas (LCAM3) e Localiza (RENT3).

Seminovos e dependência das montadoras

Outro braço de negócios da Movida é o mercado de venda de seminovos, que vem se beneficiando da falta de oferta de carros zero – o que gerou aumento dos preços nas duas frentes. O InfoMoney explicou essa dinâmica em uma reportagem anterior.

“A pandemia, a demanda, a cadeia de fornecimento de peças e outros imprevistos que estão afetando a produção de carros estão também impulsionando o preço do seminovo. A gente se beneficia disso. A margem bruta [diferença entre o preço de venda e seu custo de aquisição do carro] de seminovos atingiu recorde de 22%”, ressalta Lopes.

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Em termos de receita líquida, o segmento apresentou R$ 274,5 milhões no primeiro trimestre de 2021, queda de 51% na comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, foram 5.356 unidades vendidas, com um preço médio de cerca de R$ 52 mil – o que representa 29% a mais do que o visto no mesmo trimestre do ano passado.

“Essa situação é temporária, deve se normalizar no segundo semestre, e estamos cientes disso. Mas o preço no patamar atual nos dá mais margem e reduz a depreciação”, diz Lopes.

Bruno, da XP, pontua que a dinâmica da Movida e de outras locadoras é clara: vender seminovos por necessidade, para reciclar a frota de carros. “É um negócio de eficiência. O core dela é alugar, e para fazer isso precisa comprar e vender. Embora a venda de seminovos seja um negócio anexo importante, está longe de ser um dos principais resultados da empresa”, diz o analista.

“Isso porque, na prática, a venda de seminovos tem peso importante na composição da receita mas não representa nada. A empresa precisa comprar o carro, que vai depreciar, e vender basicamente para repor o valor da compra. Geralmente, não há ganhos reais nesse processo, não é daí que vem o lucro principal. Tem que reciclar a frota, porque precisa disponibilizar o carro para o cliente com qualidade, mas não tem como jogar fora, então a empresa vende. A rede própria de seminovos foi uma saída que as empresas do setor como um todo encontraram de viabilizar a necessidade de trocar a frota da melhor maneira possível”, complementa.

Porém, como ressaltou Lopes, a dinâmica positiva com os seminovos tem data marcada para acabar. “O principal ativo da Movida é o carro. Se o preço está subindo, o estoque da empresa se valoriza. Assim, quando vende, perde menos dinheiro. O problema é que o estoque vai acabar, e esse é o prazo que a empresa tem com esse ciclo positivo”, avalia Bruno.

Segundo ele, o desafio da empresa daqui para frente será conseguir manter a rentabilidade quando o estoque a acabar e precisar comprar carros novos. “Vai pagar mais caro enquanto não houver a normalização da produção, que deve acontecer de forma suave, mas é um processo que não é de um dia para o outro. Como consequência, vai ter que ajustar a precificação do aluguel, eventualmente podendo aumentar os preços para o cliente final. É um equilíbrio complexo e que a empresa deve lidar ainda neste ano”, explica o analista da XP.

A Movida, bem como outras locadoras do setor, depende diretamente do ritmo de produção das montadoras. A demora para a retomada e normalização nos processos das fábricas é uma grande preocupação. “Para a Movida, é super interessante que as fábricas voltem a funcionar. Entendemos que a demanda existe e precisamos atendê-la sob a ótica do aluguel. A suspensão da produção limita nosso crescimento em todas as frentes”, diz Lopes.

Apesar de pontuar que a empresa vem aprendendo muito desde o ano passado, conseguindo navegar pelo contexto de pandemia, a imprevisibilidade não ajuda na criação de boas expectativas. “É um desafio lidar com tanta volatilidade e abre e fecha e função de restrições e lockdowns. Não sabemos quando as montadoras vão regularizar a oferta de carros. Hoje, temos pouca visibilidade. Começamos o ano imaginando que a regularização aconteceria até julho, e não vai acontecer. Esse é o maior desafio, um ponto de interrogação”, diz Lopes.

Aposta na tecnologia

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Lopes credita boa parte dos resultados vem do esforço da companhia em melhorar seus canais digitais, focar na experiência do cliente e facilitar o processo de aluguel. “É uma estratégia perene na companhia: queremos cada vez mais melhorar toda a estrutura de tecnologia. Incluindo canais próprios como o site e o aplicativo, mas também canais indiretos para captura de leads“, diz.

Um diferencial vem sendo web check-in, que permite o aluguel de carros via apresentação de QR Code após o cliente escolher modelo e placa pela internet, segundo Lopes. “Queremos agilizar os procedimentos e chegar à precificação personalizada e individualização das ofertas de marketing. Com a tecnologia, consigo identificar hábitos. Já começamos a fazer isso, mas ainda nada massivo. Por exemplo, se a pessoa sai de São Paulo para o Rio de Janeiro com um SUV uma vez por mês, já sei que tipo de modelo oferecer e de repente penso em descontos. Essa estratégia leva valor para o cliente”, afirma.

ESG

A sigla ESG representa a busca por melhores práticas ambientais, sociais e de governança, e se tornou conhecida inclusive no mundo dos investimentos. O movimento significa aplicar o dinheiro de maneira responsável, indo além da rentabilidade. Para uma empresa de carros à combustão, a pressão por parte dos investidores pode aumentar com o passar do tempo.

Lopes garante, no entanto, que a empresa vem desenvolvendo planos para se alinhar às métricas de ESG. “Somos a primeira empresa de carros a integrar o Índice de Sustentabilidade Empresarial [ISE] da B3. […] Também temos compromisso com redução da emissão de carbono: até 2030, devemos ter 20% da frota total elétrica e híbrida. Mas vamos depender do ritmo da indústria. Os números de carros desse segmento ainda são tímidos”, diz.

Ainda há espaço para crescer?

O diretor financeiro da Movida já havia afirmado que a companhia vai continuar crescendo em 2021, mas em um ritmo cauteloso, já que a pandemia continua em estágio avançado no país.

“Temos ciência do cenário, mas ainda entregamos um trimestre positivo. Entendo que o mercado é grande. Vai ter espaço para o carro de assinatura, bem como para o aluguel mais tradicional, e também para a venda. A concorrência, inclusive das montadoras, é bem-vinda. Nos beneficiamos pela economia do uso no lugar da posse e há uma tendência nesse sentido no Brasil, impulsionada pela pandemia. Estamos otimistas com os fundamentos do mercado”, avalia Lopes.

Em relatório assinado por Bruno e outros analistas da XP, é explicado que, apesar do forte crescimento vivenciado por Movida, Localiza e Unidas desde 2015, “ainda há espaço tanto para maior consolidação de concorrentes de baixa escala, quanto para forte crescimento orgânico no segmento RAC. Do lado do aluguel de frotas (GFT), as avenidas de crescimento permanecem sólidas, com um mercado ainda subpenetrado de aluguéis corporativos de longo prazo e desenvolvimento de novos produtos [carros por assinatura], ampliando a demanda”.

Para ter uma ideia do potencial de crescimento, o relatório da XP mostra que o mercado potencial endereçável ao setor no Brasil chega a cerca de 23 milhões de carros no segmento GFT, enquanto as três principais empresas do setor possuem juntas uma frota total de apenas 193 mil unidades no setor de carros por assinatura e de aluguel de frotas para empresas. “Ou seja, há muito espaço para crescimento”, diz Bruno.

Para Lopes, em meio à concorrência e o espaço que ainda há para se capturar no mercado, o nível de serviço e o foco em pessoa física serão diferenciais para a Movida. “Nosso foco em experiência do cliente no digital e na loja, além do estado da nossa frota, vão ser atrativos. Além disso, a gente escolhe as batalhas. Temos a vocação do cliente pessoa física e vamos focar cada vez mais nisso”, diz o CFO da Movida.

Bruno diz que o segmento de aluguel tem margens boas, mas que é super concentrado, e que a Movida não se diferencia de forma evidente das principais concorrentes. “Movida, Localiza e Unidas dominam o setor hoje e vêm se consolidando como os principais players. O que eu vejo é uma grande diferença de performance dessas três companhias na comparação com empresas de aluguel de menor porte, devido ao foco em inovação e infraestrutura, o que permite escalar o negócio”, diz.

Fusão Localiza e Unidas

A Movida surpreendeu o mercado ao pedir ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a reprovação do acordo de fusão entre Localiza e Unidas no início de março, alegando “preocupações concorrenciais dela decorrentes”. As ações desabaram na B3, caindo mais de 9% no pregão do dia 8 de março.

Ao InfoMoney, Lopes afirmou que a empresa só vai se posicionar sobre o assunto no processo no Cade. Durante a entrevista no projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços trimestrais, Lopes comentou sobre a mudança na visão da Movida em relação à fusão entre as concorrentes Unidas e Localiza.

“Sim, nós mudamos de ideia. Num primeiro momento, a gente disse que não iríamos nos opor. A nossa visão sobre a transição não muda, ela é neutra. Mas, ao longo do tempo, a gente recebeu diversos questionamentos de investidores, clientes, fornecedores e analistas sobre o que a gente ia fazer sobre a operação. Discutindo com advogados, a gente chegou à conclusão de que estar presente, se manifestar, temos mais upside do que downside, como a gente diz no jargão financeiro”, disse.

No ano, todas as empresas têm quedas acumuladas de dois dígitos: Movida acumula baixa de 15,93%, enquanto Localiza tem queda de 10,73% e Unidas, caída de 14,56%.

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Lucro da Localiza dispara 76% no 4º tri, com aumento de preços dos veículos

SÃO PAULO (Reuters) – A Localiza (RENT3) teve um salto no lucro do quarto trimestre, uma vez o aumento dos preços dos veículos a permitiu margens maiores no negócio de seminovos, além de aceleração nos negócios de locação e de gestão de frotas.

A companhia anunciou nesta quinta-feira que seu lucro líquido de outubro a dezembro somou um recorde de 401,8 milhões de reais, 75,9% a mais do que um ano antes.

A receita líquida caiu 2,2%, para 2,875 bilhões de reais, devido a menores vendas de seminovos para atender ao pico de férias no aluguel de carros, diante da menor disponibilidade de carros novos. Porém, isso foi compensando pelo aumento de 15,7% no preço médio de venda.

Os preços de automóveis dispararam no Brasil ao longo de 2020, impulsionados entre outros fatores pelo salto nos preços de matérias-primas, como do aço, e dificuldade das fábricas na produção.

Além disso, a frota média de carros alugados subiu 4,1%, para 156.615 unidades, enquanto em gestão de frotas esse número subiu 5,1%, para 60.530. Em ambos os casos, tanto a diária média quanto a taxa de utilização cresceram no comparativo anual.

Assim, o resultado operacional medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 19,5%, para 752,5 milhões de reais.

A companhia ainda teve menores despesas financeiras no trimestre, devido à queda no serviço da dívida, acompanhando a redução da Selic para o piso histórico de 2% ao ano.

Em fato relevante separado, a Localiza informou que seu conselho de administração nomeou Bruno Lasansky como próximo presidente-executivo, a partir de 27 de abril.

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Cade pode barrar fusão de Localiza e Unidas, diz fonte à Bloomberg; ações chegam a cair 9%, mas amenizam

Locamerica Unidas locadora de carros (divulgação)

Segundo informou uma fonte à Bloomberg, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) provavelmente bloqueará a proposta de fusão entre as locadoras de veículos Localiza Rent a Car (RENT3) e a Cia de Locação das Américas (LCAM3) em meio a preocupações com a concorrência desleal, informou uma fonte à Bloomberg.

Minutos após a divulgação da notícia, por volta das 14h20, os papéis de ambas as companhias começaram a despencar: os ativos RENT3 chegaram a cair 9,04% na mínima do dia, a R$ 67,25, enquanto os papéis LCAM3 caíram ainda mais, até 9,66%, a R$ 27,69, para depois amenizarem as baixas.

Segundo a fonte ouvida pela agência, a única maneira de garantir o apoio do órgão regulatório seria pela adoção de medidas restritivas, como vendas de ativos e restrições comportamentais. Se aprovado em seu formato atual, a fusão criaria uma empresa com 60% de participação de mercado que poderia sufocar outras firmas do setor, disse a pessoa, que pediu anonimato porque as negociações não são públicas.

As assessorias de imprensa da Localiza e Unidas escreveram por e-mail que não comentam especulações de mercado e que acompanharão o caso. O Cade não quis comentar.

No ano passado, as duas empresas concordaram em combinar seus negócios em acordo que criaria um gigante de cerca de R$ 50 bilhões. A aquisição foi aprovada pelos acionistas, mas gerou ceticismo no mercado financeiro. O Bradesco BBI classificou o Cade como o principal risco para o negócio, enquanto o Credit Suisse disse que remédios “substanciais” podem ser necessários, principalmente no segmento de aluguel de carros.

A proposta foi apresentada formalmente ao Cade no início de 2021, e o fato de a Localiza já ter firmado parceria com a Hertz no Brasil vai complicar ainda mais o pedido, acrescentou a pessoa. O órgão tem agora 240 dias para julgar o caso.

Levando em conta que a proposta nem foi para o Conselho, o Credit Suisse destacou em breve nota a clientes que ainda é muito cedo para dizer que a fusão será barrada. “Localiza e Unidas ainda não entraram com o processo de fusão. Acreditamos que a união entre as duas exigirá remédios substanciais no segmento de aluguel de carros, mas pode eventualmente ser aprovada”, apontou. Por conta dessas avaliações de que ainda é cedo demais para dizer se a fusão será ou não barrada, após o susto com a notícia, os papéis amenizaram as perdas: os ativos RENT3 fecharam em queda de de 4,36%, a R$ 70,71, enquanto LCAM3 teve desvalorização de 5,94%, a R$ 28,83.

(com Bloomberg)

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Log tem locação recorde no trimestre e CEO cita crescimento do e-commerce; pandemia acelerou tendência

Sergio Fischer, CEO da Log

SÃO PAULO – A Log Commercial Properties (LOGG3), empresa de condomínios logísticos, reportou um lucro líquido de R$ 21,9 milhões no segundo trimestre de 2020, o que representa um crescimento de 33,4% sobre o mesmo período do ano passado. A companhia ainda teve seu melhor semestre em novas locações de galpões logísticos (231,2 mil m²) e sua menor taxa de vacância da história (4,5%), tudo em meio à pandemia de coronavírus.

Em entrevista ao InfoMoney, o presidente da Log, Sérgio Fischer, afirma que o isolamento social promovido para evitar um contágio ainda maior pela Covid-19 acelerou a tendência que já existia de aumento da importância do comércio eletrônico no varejo brasileiro. Como consequência, mais empresas foram obrigadas a comprar ou alugar galpões para distribuir suas mercadorias vendidas online.

“Em torno de 13% dos brasileiros compraram online pela primeira vez na pandemia. As pessoas hoje estão comprando até produtos de limpeza pela internet, algo que não ocorria antes”, explica.

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Para Fischer, esta mudança de comportamento do consumidor é definitiva, embora algumas tendências de curto prazo possam se reverter passada a pandemia. “O mix de produtos comprados online pode voltar aos níveis pré-coronavírus, porém a participação do e-commerce no varejo deve continuar a aumentar.”

O executivo lembra que nos EUA o comércio eletrônico responde por 12% do total das vendas do varejo, enquanto no Brasil esta fatia está perto de 5%, de modo que haveria ainda muito espaço para crescer.

Para além do avanço do e-commerce, os números do segundo trimestre também refletem um movimento de flight to quality, que é a  transição de inquilinos de galpões obsoletos para imóveis de qualidade, Classe A.

A ideia a partir de agora, segundo Fischer, é investir organicamente na diversificação geográfica dos galpões para que a empresa fique bem posicionada de forma a capturar essas duas tendências. “Salvador [BA] tem 5 milhões de habitantes e muito pouco galpão classe A. Ou seja, há ainda uma demanda expressiva para os grandes centros do País”, avalia.

O plano de expansão batizado de “Todos por 1” remete à meta de adicionar 1 milhão de m² de Área Bruta Locável (ABL) entre 2020 e 2024. “Fizemos a entrega no segundo trimestre de 2020 da totalidade da área prevista conforme cronograma, quase 20 mil m², e iniciamos duas novas obras”, aponta a mensagem da administração no release de resultados.

Um ponto positivo é que esses investimentos para deixar a empresa mais próxima dos consumidores estão longe de trazer alguma preocupação a respeito da saúde financeira da companhia.

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Com uma alavancagem em pouco mais de uma vez no múltiplo dívida líquida dividido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês), a empresa pretende buscar mais financiamento para esses projetos sem medo de ficar refém do capital de terceiros.

“A diferença entre nossa rentabilidade e o custo da nossa dívida está em um momento de recorde. Nossa dívida é CDI mais 1% e entregamos um produto que rende 12% mais a inflação”, comemora.

Vale lembrar que no ano passado, a Log já captou R$ 600 milhões via emissão de mais ações (follow-on) no mercado.

Expansão precificada

A receita líquida da Log cresceu 13% a R$ 35 milhões no trimestre na comparação anual, dentro das projeções da equipe de análise do Bradesco BBI. De acordo com os analistas do banco, Victor Tapia e Pedro Hajnal, o dado reflete o aumento da atividade de leasing.

O Bradesco BBI destaca também que, apesar do aumento de 8% nas despesas gerais e administrativas e de 18% nas despesas com vendas, o Ebitda ajustado da Log cresceu 14% na base anual para R$ 28 milhões impulsionado pelo crescimento nas receitas. Ao mesmo tempo, as despesas financeiras caíram 39% em relação ao segundo trimestre de 2019.

Não obstante, os analistas mantiveram recomendação neutra para a companhia por acreditarem que, embora o e-commerce deva ganhar mais peso no varejo brasileiro, esse potencial de expansão já está parcialmente precificado pelo mercado.

“Adicionalmente, embora o curto prazo seja desafiador para os shopping centers no Brasil, vemos melhores oportunidades no futuro para os centros de compras e não esperamos que a Covid-19 traga mudanças estruturais de longo prazo para esse tipo de negócio, algo que não está refletido nos preços das ações do setor atualmente”, comentam Tapia e Hajnal.

Todavia, a visão do Bradesco é minoritária. Das cinco casas de análise consultadas pela Reuters, três recomendam compra e duas recomendam forte compra nos papéis LOGG3. O preço-alvo médio está em R$ 35,48, cotação 2,15% menor que o patamar atual das ações. Na sessão desta quinta-feira, os papéis LOGG3 avançam cerca de 5%, na casa dos R$ 36,00.

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Setor imobiliário reage com soluções para enfrentar a crise

A Covid-19 afetou a economia e todos os setores da sociedade, que precisaram buscar soluções para enfrentar a crise. No segmento de locação de imóveis, por exemplo, para evitar inadimplência e quebras de contrato, a regra é renegociar valores.

Os números comprovam o tamanho do desafio. A inadimplência no pagamento de aluguel aumentou 48,79% entre os meses de março e fevereiro, de acordo com o CRECISP (Conselho Regional de Corretores de Móveis de São Paulo).

Segundo pesquisa da entidade, na capital paulista ao menos 547 inquilinos devolveram os apartamentos no período, 35% por motivos financeiros, enquanto as locações de imóveis diminuíram 41,23%.

Público se adaptou à transformação digital

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Nesse contexto, o uso da tecnologia para possibilitar negociações e novos contratos de aluguel ganhou ainda mais espaço.

Na avaliação de José Osse, head de Comunicação do QuintoAndar, imobiliária digital com mais de R$ 28 bilhões em ativos sob gestão, o novo cenário deve acelerar uma transformação que já estava em curso no mercado desde quando a empresa surgiu, trazendo uma melhor experiência para clientes com base em tecnologia e digitalização de processos.

“O distanciamento social levou muitas empresas a mudar rapidamente a forma como atuam para continuar operando. Passaram a usar assinatura digital, realizar visitas por vídeo e várias outras iniciativas que o QuintoAndar já oferecia”, explica Osse.

Na imobiliária, em que a maioria dos processos já era digital, foi mais rápido encontrar soluções que respondessem às demandas específicas causadas pela pandemia, como o botão “Fale com o Corretor” que permite um processo 100% online para o aluguel de imóveis.

Apoio para renegociações e garantia de pagamento

Foi também o uso da tecnologia que permitiu ao QuintoAndar inovar no setor, assegurando o pagamento do aluguel ao proprietário mesmo se o locatário ficar inadimplente, e oferecendo uma garantia de até R$ 50 mil para danos ao imóvel ao final do contrato. Em sete anos de vida, a operação já chegou a 29 cidades e, neste ano, começou também a atuar na compra e venda de imóveis.

O executivo destaca, ainda, que o cenário de pandemia levou muitas pessoas a reverem seus orçamentos, elevando os pedidos de renegociação entre inquilinos e proprietários. “As empresas que criaram soluções para acompanhar e apoiar seus clientes nesse momento tão delicado com certeza se destacaram”, comenta Osse.

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Baixa na procura foi menor que o esperado
A empresa percebeu queda na procura por imóveis, mas para um patamar melhor do que o previsto no início da pandemia. Também foi observada uma mudança no padrão de produtos acessados pelo consumidor. “Ao mesmo tempo em que cresceu a busca por produtos mais baratos, uma parte dos clientes optou por imóveis com mais quartos, o que pode ser um indicativo de que o home office deve se tornar parte da rotina daqui pra frente”, analisa Osse.

Queda no valor do aluguel
Outra consequência da pandemia foi a queda nos valores de locação, segundo pesquisa do Secovi-SP (Sindicato da Habitação). Em abril, os imóveis de 2 dormitórios tiveram os valores de locação reduzidos, na média, em 1,20%; nos produtos com três quartos, a redução chegou a 3,60%.imo

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