Anbima: empresas captam recorde de R$ 253 bilhões no mercado de capitais no 1º semestre

Real, Brazilian Currency - BRL. Dinheiro, Brasil, Currency, Reais, Money, Brazil. Real coin on a pile of money bills. (Rmcarvalho/Getty Images)

As empresas captaram R$ 253 bilhões no mercado de capitais brasileiro no primeiro semestre, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira, 8, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O volume é recorde.

Nas debêntures, o volume do primeiro semestre equivale a 82% de tudo que foi captado em 2020. Além disso, as empresas estão conseguindo lançar papéis com prazos mais longos, voltando a patamares de alongamento de antes da pandemia.

Na renda variável, o volume de operações somou R$ 68 bilhões, nível também recorde. Desse total, R$ 35 bilhões foram de aberturas de capital (IPO, na sigla em inglês).

Em apresentação à imprensa nesta quinta-feira, o vice-presidente da Anbima, José Eduardo Laloni, do ABC Brasil, disse que apesar de alguns percalços na primeira metade do ano, como em março, mês de piora da pandemia, as emissões, sobretudo de ações, continuaram fortes. “Apesar de ter tido alguns adiamentos e cancelamos no mercado de IPO, entendemos como uma coisa normal, é o mercado funcionando.”

Para o segundo semestre, Laloni destaca que existem 29 empresas na fila na lançar ações, dos quais 28 são de aberturas de capital.

Sobre os juros, com a Selic podendo chegar a 6% ou 6,5% ao final do ano, o executivo destaca que ainda é um patamar baixo historicamente, considerando que o Brasil teve por anos taxas em dois dígitos. “A diversificação de carteiras veio para ficar”, disse ele.

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Diversificar a base de investidores e desenvolver a renda fixa: os desafios do mercado de capitais brasileiro para 2021

Gráfico de ações (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – De 2011 a 2019, o mercado de capitais brasileiro teve, em média, cinco operações de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) na B3, por ano.

Em 2020, mesmo em meio à pandemia da Covid-19, foram 25 IPOs na Bolsa brasileira, muito por conta dos juros baixos e do aumento significativo do apetite por risco dos investidores locais.

No entanto, para que o financiamento corporativo por meio do mercado de capitais siga pujante em 2021, os grandes bolsos de investidores internacionais, que se mantiveram afastados nos últimos meses, serão fundamentais.

E para esse movimento acontecer, o país precisa mostrar que tem compromisso com uma agenda fiscal responsável, e oferecer uma perspectiva de médio e longo prazo menos nebulosa do que hoje, afirmou Gilson Finkelsztain, presidente da B3, na abertura do Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais nesta segunda-feira.

“Foi ótimo o que vimos esse ano com o protagonismo do investidor local, mas precisamos, sim, do investidor estrangeiro”, afirmou o executivo, com um discurso reforçado por José Eduardo Laloni, vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). “Nenhum mercado de capitais desenvolvido vive só do mercado local.”

A diversificação da base de investidores, com a participação crescente do investidor pessoa física complementada com o capital estrangeiro de longuíssimo prazo, é um dos quatro desafios traçados pela B3 e pela Anbima para o mercado de capitais brasileiro em 2021.

A atração de pequenas e médias empresas (PMEs) por meio da redução dos custos de uma oferta de renda fixa ou de ações também foi elencada como um dos principais obstáculos a serem enfrentados pelo mercado.

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O desenvolvimento do mercado secundário de renda fixa, com maior padronização e precificação das emissões, e o estímulo ao mercado de securitização completam a lista de prioridades da B3 e da Anbima para 2021.

Empresas do setor imobiliário e do agronegócio são costumeiramente as que mais acessam o mercado via securitização das dívidas, que consiste na antecipação do pagamento de um fluxo de caixa futuro.

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Segundo Laloni, da Anbima, discussões com os reguladores têm sido realizadas para viabilizar operações de securitização do segmento educacional.

Investidor pessoa física pede passagem

Permitir o acesso a investimentos mais sofisticados à pessoa física também foi apontado por Laloni como um dos temas prioritários dentro da agenda de contínua atração de investidores ao mercado.

“Precisamos dar mais opções e educação para o investidor”, afirmou o vice-presidente da Anbima. O nível de conhecimento sobre os produtos financeiros e o momento de vida do investidor precisam ser levados em conta ao estabelecer o limite de acesso a determinados produtos com maior risco, disse o executivo.

Hoje, o patrimônio é o principal ponto levado em consideração pelo órgão regulador ao estabelecer quais fundos podem ser acessados pelo investidor do varejo, com as classificações de qualificado (com ao menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras) e profissional (a partir dos R$ 10 milhões).

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Mercado de capitais tem queda na captação no 1º semestre, mas emissões em renda variável sobem 52,5%

(Rmcarvalho/Getty Images)

SÃO PAULO – Em um semestre atípico em função da pandemia do coronavírus, o mercado de capitais teve uma queda de 13,6% na captação na primeira metade de 2020, a R$ 150,1 bilhões, na comparação com os R$ 173,8 bilhões registrados em igual período de 2019. Os dados foram apresentados pela Anbima nesta terça-feira (7).

No mercado de ações, contudo, as emissões no ano representaram 24,6% do total, o correspondente a um volume de R$ 36,9 bilhões, alta de 52,5% contra R$ 24,2 bilhões do mesmo período de 2019.

As ofertas subsequentes de ações foram as de maior volume no segmento de renda variável, com montante de R$ 32,6 bilhões, mesmo sem que tenha ocorrido nenhuma operação dessa natureza entre março e maio deste ano, destaca a Anbima.

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Já com relação às ofertas primárias (IPO), o volume foi de R$ 4,3 bilhões, 5,57 vezes o registrado no primeiro semestre do ano passado, que foi de R$ 772 milhões.

“A expectativa de crescimento das emissões de renda variável, em um contexto no qual as taxas de juros estão em sucessivos patamares mínimos históricos, estará correlacionada com a perspectiva de crescimento da economia e com a demanda dos investidores em alocar recursos no segmento. Em junho, foram registradas somente operações de ofertas subsequentes (follow-ons), no valor de R$ 5,4 bilhões”, destaca o relatório da Anbima.

A participação de investidores estrangeiros ficou em 27,9% nas ofertas de ações realizadas no primeiro semestre, uma baixa de 13,1 pontos percentuais. Enquanto isso, houve um crescimento expressivo de pessoas físicas em ofertas públicas, que passou de 2% para 8,9%.

Já as emissões de debêntures no semestre registraram volume de R$ 48,6 bilhões, uma queda de 50% em relação ao que foi captado no mesmo período de 2019.

Contudo, as debêntures incentivadas se mostraram mais resilientes no semestre, com recuo de 5%, atingindo R$ 9,9 bilhões.

Já a renda fixa e os híbridos tiveram baixa de 24%, atingindo R$ 113,2 bilhões.

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Os fundos de investimentos, que no primeiro semestre do ano passado eram detentores de 59,3% do volume ofertado, tiveram sua participação reduzida para 9%. “Vale mencionar que esse perfil já era observado no início deste ano, antes da pandemia, e estava relacionado aos impactos das reduções adicionais dos juros no mercado de renda fixa”, destaca a Anbima.

Ainda em destaque, houve a emissão de R$ 45,6 bilhões em produtos de securitização e fundos imobiliários, 32,2% superior ao volume de emissões do primeiro semestre de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019.

As emissões de CRA e CRI tiveram alta no período de 16,3% e 30,2%, respectivamente. Os FIDC somaram R$ 14,8 bilhões, desempenho 19,4% superior ao registrado em igual período de 2019. Enquanto isso, os fundos imobiliários somaram R$ 18,2 bilhões, alta de 51,7%.

As operações estruturadas de fundos de investimentos imobiliários se mostraram resilientes à conjuntura econômica adversa e registraram captação no período de R$ 18, 2 bilhões, 51,8% acima do ocorrido no primeiro semestre do ano passado (R$ 12 bilhões). Segundo a Anbima, isso indica o potencial de crescimento que o segmento apresenta, diante da possibilidade de uma recuperação econômica no médio e longo prazo.

No mercado externo, ocorreram 13 operações no semestre, sendo somente uma de renda variável. O mercado de renda fixa apresentou volume de US$ 14,8 bilhões e o de renda variável registrou R$ 1,2 bilhão. Os destaques foram as emissões de bônus soberano e da Petrobras ocorridas em junho, que registraram volumes de US$ 3,5 bilhões e US$ 3,3 bilhões, respectivamente.

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