Ibovespa fecha em alta de 1,5% após bolsa dos EUA renovar máximas com ata do Fomc; dólar avança a R$ 5,24

gráfico de ações e índices em cuva de alta (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (7) ganhando impulso dos índices americanos em mais um dia de recorde histórico do S&P 500, que subiu 0,34% a 4.358 pontos. O Nasdaq ficou praticamente estável, mas também bateu máximas.

Esse bom humor no mercado internacional foi consequência da divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. O documento mostrou que os membros do Fed não estão com pressa para para começar a reduzir as compras de ativos, embora já estejam pensando no momento mais adequado para fazer isso.

De acordo com o texto, o tão esperado padrão de “melhora substantiva” na economia americana não foi atingido na visão dos participantes do Fomc.

Fora isso, alguns dos membros do Fed enxergaram os dados divulgados nas últimas semanas como menos claros em sinalizar o momentum da economia. Entre os dirigentes, há expectativa de que a autoridade monetária dos EUA terá mais informações nos próximos meses para fazerem uma melhor avaliação do caminho do mercado de trabalho e da inflação.

No entanto, vários membros mencionaram que esperam que as condições para começar a reduzir o ritmo de compras de ativos (atualmente em US$ 120 bilhões por mês) serão atendidas um pouco antes do que tinham antecipado em reuniões anteriores. Essa opinião já havia sido exteriorizada no comunicado da reunião passada, portanto não foi vista como uma novidade hawkish (favorável a apertar a política monetária para conter a inflação).

Mais cedo, a Bolsa já subia conforme os investidores aproveitaram a desvalorização de 2% em dois pregões para comprar ações com desconto.

O Ibovespa teve alta de 1,54%, a 127.018 pontos com volume financeiro negociado de R$ 28,857 bilhões. Na máxima, o índice chegou a bater 127.248 pontos.

Já o dólar comercial chegou a zerar ganhos minutos depois da divulgação da ata do Fomc, mas voltou a subir perto do fim do pregão, embora tenha ficado bem longe da máxima intradiária, atingida nos R$ 5,28. O dólar fechou em alta de 0,6% a R$ 5,239 na compra e R$ 5,24 na venda. O dólar futuro para agosto avança 0,77% a R$ 5,251 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu dois pontos-base a 5,75%, o DI para janeiro de 2023 teve baixa de cinco pontos-base a 7,21%, o DI para janeiro de 2025 recuou nove pontos-base a 8,24% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de oito pontos-base a 8,67%.

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Ontem, um movimento de correção associado a dados fracos do setor de serviço nos EUA no mercado internacional e o clima político mais conturbado por aqui fizeram com que o Ibovespa tivesse forte baixa e o dólar ultrapasse os R$ 5,20 (veja mais clicando aqui).

Já nesta data, as bolsas americanas atingiram recordes porque além das informações trazidas pela ata do Fomc houve queda nos rendimentos dos Treasuries, algo que sustenta as ações de empresas de tecnologia. A sessão foi novamente de baixa para os yields dos títulos americanos, com os rendimentos de dez anos em uma nova mínima em quatro meses e meio.

Segundo Markus Allenspach, estrategista de renda fixa da Julius Baer, o impasse sobre teto da dívida nos EUA pode resultar em maior volatilidade nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. “O declínio dos yields dos treasuries ocorre em um momento em que o mercado debate a próxima escassez de títulos do Tesouro. Isso pode soar bizarro, dado o enorme déficit orçamentário que o governo Biden almeja. O problema é que a suspensão do teto legal da dívida termina em 31 de julho de 2021″, escreve.

Allenspach explica que, em tese, o Tesouro dos EUA deveria reduzir sua liquidez para o nível de quando a suspensão foi implementada pela primeira vez, ou seja, para US$ 133 bilhões, bem abaixo do patamar de US$ 746 bilhões no final do mês passado.

“Mesmo para o governo dos Estados Unidos, não é fácil gastar US$ 613 bilhões extras em um mês. Isso significa que o Tesouro terá que reduzir o montante da dívida pendente já antes do prazo final de julho. E se o teto da dívida não for suspenso ou levantado, ela não poderá emitir mais dívidas a partir de então.”

A suspensão do teto da dívida depende de um acordo bipartidário ou de uma maioria simples no Senado para ser aprovada, mas a ala voltada a pautas de sustentabilidade no Partido Democrata vincula seu apoio a mais gastos para a transição energética, proteção ambiental e moradias populares, algo que pode tirar o apoio dos republicanos ao acordo bipartidário para o pacote de investimento em infraestrutura tradicional.

Também no radar, estão as preocupações sobre um possível desaceleração no crescimento econômico americano.

Cabe destacar que, mais cedo nesta sessão, o Ibovespa chegou a amenizar os ganhos após a divulgação pelo Departamento do Trabalho dos EUA do relatório “Job Openings and Labor Turnover Survey” (JOLTS), apontando que o número de vagas de trabalho em aberto na economia dos EUA ficou praticamente estável em 9,2 milhões no último dia útil de maio.

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Já na véspera, o indicador do ISM para o setor de serviços dos EUA, que responde por cerca de dois terços da atividade econômica do país, mostrou crescimento moderado em junho e abaixo do ritmo recorde de maio. Os dados vieram na esteira de um relatório de emprego divulgado na sexta-feira, que foi analisado como um indicativo de melhora no mercado de trabalho, mas ainda não suficiente para sinalizar uma economia que pode estar sujeita a um superaquecimento.

Por outro lado, cabe destacar que o dado caiu para 60,1 pontos em junho, de 64,0 pontos em maio, número acima de 50, que indica expansão da atividade, enquanto números menores sugerem contração. Analistas, contudo, previam baixa menor, para 63,3 pontos.

Além das indicações de desaceleração da atividade contribuindo para a aversão a risco no mercado brasileiro na véspera, a turbulência política também segue no radar, com mais eventos potenciais a serem acompanhados. A CPI da Covid ouve nesta data o ex-diretor do departamento de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, exonerado na semana passada depois de acusações de ter pedido propina de US$ 1 por dose em negociações sobre a compra da vacina AstraZeneca pelo governo.

Ferreira Dias negou que tenha pedido propina ao ex-cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Dominguetti em troca da assinatura de um contrato para compra de vacinas da AstraZeneca e que tenha pressionado um servidor da pasta a favor da vacina Covaxin.

Além disso, o dia foi marcado pela participação de Paulo Guedes, ministro da Economia, de reunião da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. O ministro afirmou que o Brasil vai crescer este ano de 5% a 5,5%, exaltando a recuperação da economia brasileira em meio à pandemia de coronavírus. As projeções econômicas para o PIB de 2021 apontados por Guedes nesta quarta foram maiores do que projeções recentes feitos pelo Ministério da Economia ou pelo próprio ministro.

Já durante a tarde, Guedes teve audiência pública na Comissão Especial da Reforma Administrativa, ambos na Câmara dos Deputados. Lá, o ministro disse que o patamar atual do câmbio favorece o turismo brasileiro, pois as famílias ricas estão trocando viagens ao exterior para visitas a destinos dentro do país.

“O turismo pelo Brasil está subindo fortemente. Todo mundo que tem pousada, gente simples do interior da Bahia, na costa de Pernambuco, todo mundo está se beneficiando do turismo local.”

Hoje, os investidores também acompanharam os indicadores econômicos domésticos. As vendas do comércio varejista subiram 1,4% em maio de 2021 ante abril, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Com isso, o resultado de maio é o segundo crescimento consecutivo do varejo, que se encontra 3,9% acima do patamar pré-pandemia. O setor acumula ganho de 6,8% no ano e de 5,4% nos últimos 12 meses. Na comparação com maio do ano passado, o volume de vendas no varejo cresceu 16%.

Todavia, o número ficou abaixo do esperado. A expectativa, segundo projeções da Refinitiv, era de alta de 2,4% na comparação com abril e de 16,5% frente o mesmo período de 2020.

Já a a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou o IGP-DI de junho, que desacelerou a alta para 0,11% em junho, depois de subir 3,40% em maio, uma vez que commodities importantes aliviaram a inflação no atacado.

No mercado de commodities, a sessão foi de queda para o petróleo, que abriu em alta, mas enfrentou forte volatilidade devido ao adiamento indefinido das conversas entre membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e seus aliados (grupo conhecido como Opep+), após os países não serem capazes de atingir um consenso sobre qual será sua política de produção a partir de agosto.

Na China, a referência do minério de ferro para entrega em setembro negociada na Bolsa de Dalian recuperou-se de perdas registradas na parte matutina da sessão e fechou em alta de 1%, a 1.244 iuanes por tonelada.

Covid e CPI

Na terça (6), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.557, queda de 19% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.787 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 48.954, queda de 37% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 62.730 casos.

Chegou a 78.474.659 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 37,06% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 27.795.289 pessoas, ou 13,13% da população.

Na terça, a CPI da Covid ouviu o depoimento da servidora do Ministério da Saúde Regina Célia Oliveira, fiscal do contrato para a compra da vacina indiana Covaxin, da Bharat Biotech, comercializada no Brasil com intermédio da Precisa Medicamentos.

Ela confirmou que só foi nomeada para fiscalizar o contrato para a compra da vacina indiana Covaxin no dia 22 de março, quase um mês depois da assinatura do acordo, dia 25 de fevereiro, que está sob suspeita de irregularidades.

“Eu gostaria de explicar, porque a portaria de nomeação que me indicou como fiscal desse contrato só foi publicada no dia 22. Eu não poderia me manifestar antes disso”, disse. Ainda assim, a servidora afirmou não ter visto nada de “atípico” na documentação referente ao processo de importação da vacina indiana.

Além disso, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) apontou à CPI indícios de manipulação de documento utilizado pelo governo federal para tentar desacreditar as denúncias de possíveis irregularidades no processo de importação da vacina indiana.

O documento havia sido apresentado pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e atual assessor especial do Palácio do Planalto, coronel da reserva Elcio Franco, ao lado do ministro da Secretaria de Governo, Onyx Lorenzoni, para rebater as denúncias de irregularidades relatadas à CPI pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda.

À CPI, os irmãos Miranda apresentaram versões de invoices apresentadas ao longo da negociação para a compra das vacinas. Uma dessas versões foi apontada pelo ministro Onyx Lorenzoni e pelo assessor especial Elcio Franco como falsa, ocasião em que mostraram o que seria a versão verdadeira agora denunciada por Tebet.

Tebet apontou o que considerou indicações de “clara comprovação de falsidade”. “Nós estamos falando de falsidade ideológica formulada por alguém. Ele tem a marca e o logotipo desenquadrados, não estão alinhados em alguns pontos, como se fosse uma montagem. Eu tenho inúmeros erros de inglês, e, talvez, o mais desmoralizante dele seja o (erro) 17: no lugar de preço, ‘price’, está ‘prince’”, descreveu.

Após a intervenção de Tebet, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) pediu a realização de perícia técnica nas invoices que tratam da Covaxin.

Em seu depoimento à CPI, os irmãos Miranda afirmaram que informaram o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre suas suspeitas de irregularidade, e que o presidente teria afirmado que acionaria a Polícia Federal, o que não ocorreu. Miranda chegou a afirmar, em entrevista, que recebeu oferta de propina para não atrapalhar o contrato da Covaxin.

Com base nas afirmações dos irmãos, os senadores pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira uma investigação de Bolsonaro, afirmando haver “grandes chances” de o mandatário ter cometido o crime de prevaricação ao não ter atuado. Bolsonaro afirma que teria determinado ao então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, apurar o caso e que este não teria encontrado qualquer irregularidade na negociação.

Os irmãos Miranda também afirmaram que, na conversa com Bolsonaro, o presidente teria atribuído o caso a Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo no Congresso. Posteriormente, em depoimento à CPI, o intermediário de vendas de vacina da empresa Davati, o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, afirmou que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose de imunizante do então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias. Barros é apontado como um dos fiadores da nomeação de Dias, o que o deputado federal nega.

Reportagem publicada na terça à noite pelo jornal Folha de S. Paulo afirma que a Receita Federal acusa Barros de ter montado uma “engenharia” com empresas para simular operações financeiras. E de não ter comprovado a origem de depósitos bancários que somam R$ 2,2 milhões entre 2013 e 2015. A cobrança contra barros, que inclui juros de mora e multa de 150% sobre o valor devido, índice cobrado em casos de sonegação, fraude ou conluio, chega a R$ 3,7 milhões.

A investigação da Receita levou à abertura de um inquérito da Polícia Federal sobre suspeita da prática de lavagem de dinheiro decorrente de corrupção. Barros nega ter cometido crimes, e diz ser “mais uma vítima do ativismo político que imperou nos órgãos de fiscalização nesse período recente”. Ele afirma que a PF teria sido “induzida a erro pela Receita, que simulou uma situação contábil fictícia”.

Nesta quarta, a CPI ouve Roberto Ferreira Dias, o ex-diretor de logística citado pelo PM Dominguetti como responsável por pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina.

Além disso, o presidente da CPI da Covid no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), disse nesta terça-feira que a comissão vai funcionar durante um eventual recesso parlamentar em julho. Os parlamentares poderão entrar em recesso na segunda quinzena do mês caso o Congresso vote a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) até o dia 17 de julho.

Indicação ao STF e reforma tributária

Segundo reportagem de capa do jornal O Estado de S. Paulo, com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello, o presidente Jair Bolsonaro anunciou na terça em reunião com sua equipe que decidiu indicar o ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), André Mendonça, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.

Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília, e conta com o apoio da maioria dos líderes evangélicos cortejados por Bolsonaro para a campanha das Eleições de 2022. Mas ele enfrenta resistência no Senado, que apreciará a indicação. Quando foi ministro da Justiça, ele se desgastou com o Congresso e com o Judiciário, após requisitar à Polícia Federal a abertura de inquéritos contra críticos e adversários de Bolsonaro com base na Lei de Segurança Nacional.

Segundo reportagem do jornal O Globo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já aceita realizar mudanças na proposta sobre a segunda etapa da reforma tributária, que altera o Imposto de Renda e foi encaminhada há duas semanas pelo governo ao Congresso.

A versão enviada ao Congresso previa a redução de cinco pontos percentuais do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) até 2023, de 25% para 20%. Agora, Guedes aceita a redução para 15% já em 2022.

Nos cálculos do governo, uma redução de 7,5 pontos exigiria um corte de R$ 20 bilhões em subsídios. Segundo O Globo, para cobrir a redução do imposto de renda e reduzir a resistência ao projeto de reforma tributária, o governo teria um custo total de R$ 80 bilhões. Parte seria coberta pelo corte de subsídio e parte por dividendos.

Assim, de acordo com o jornal, o ministro aceitou cortes de subsídios e regimes especiais que equivaleriam a R$ 40 bilhões. Estão na mira do ministério o regime especial para a indústria petroquímica e isenções para xarope de refrigerantes produzidos na Zona Franca de Manaus.

O relator da reforma do Imposto de Renda, Celso Sabino, reafirmou em entrevista ao Estadão seu desejo de manter a alíquota de 20% sobre lucros e dividendos, mas diz que a redução no IRPJ, originalmente prevista de 25% para 20%, pode ser maior. Nas suas contas, a cada 2,5 pp. de redução do IRPJ, o impacto arrecadatório é de R$ 19 bilhões. Ainda segundo ele, medidas de controle e contra a elisão fiscal podem ser enxugadas. O deputado não deu resposta objetiva sobre a restrição da declaração simplificada para quem ganha até R$ 40 mil por ano, sobre a faixa de isenção de R$ 20 mil para tributação de lucros e dividendos nem sobre o fim da dedutibilidade de Juros sobre Capital Próprio.

Por meio de nota, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia afirmou na terça que a economia brasileira apresenta “bons motivos” para expectativa de “forte crescimento” em 2021. A secretaria disse avaliar que a consolidação fiscal e as reformas pró-mercado continuam e que há muito a ser feito.

“Maior crescimento do PIB, aumento da produtividade, aumento do investimento privado, aumento do emprego e de renda dos brasileiros, taxa de juros estrutural mais baixa e inflação mais baixa são alguns dos benefícios provenientes do binômio de reformas pró-mercado e aprofundamento no processo de consolidação fiscal”, afirmou a secretaria do Ministério da Economia.

A nota destacou que a continuidade da agenda é de “suma importância” para o desenvolvimento do país e que “há muito para ser feito”, mesmo depois da aprovação recente da MP da Eletrobras e do projeto de lei que autoriza o Banco Central a receber depósitos voluntários remunerados, em consonância com outros bancos centrais.

Entre os projetos em tramitação estão a reforma tributária, a modernização do setor elétrico e a reforma administrativa (na Câmara dos Deputados) e o marco legal do mercado de câmbio, autorização de ferrovias e a mudança do regime de partilha para concessão na exploração de petróleo no pré-sal (no Senado Federal).

Radar corporativo

A Oi realizou nesta quarta-feira o leilão do controle da InfraCo, que concentra rede de fibra óptica com mais de 400 mil quilômetros de extensão. Sem surpresas, a venda de 57,9% do ativo foi realizada por um valor de R$ 12,9 bilhões. Como esperado, apenas uma proposta – a dos fundos do BTG Pactual em conjunto com a Globenet Cabos Submarinos – foi apresentada, sendo a vencedora. A Oi permanecerá como sócia minoritária, com 42,1%.

A Ambipar informou na noite da véspera que comprou integralmente a Swat Consulting Inc., por meio de sua controlada indireta Ambipar Holding USA.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
LCAM3 5.45588 28.8
RENT3 5.41786 66.35
RADL3 5.07099 25.9
RAIL3 4.70041 20.27
MGLU3 4.46132 22.01

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
PRIO3 -1.97628 19.84
CVCB3 -0.95093 26.04
PCAR3 -0.40021 37.33
BRKM5 -0.32192 58.83
BIDI11 -0.27104 77.27

Já a Petrobras informou na terça que vai promover um aumento de 7% nos preços de venda de gás natural para as distribuidoras a partir de 1º de agosto. A empresa cita a valorização do petróleo no segundo trimestre deste ano. Os reajustes da companhia são realizados trimestralmente, com variações que decorrem da aplicação de fórmulas negociadas nos contratos de fornecimento.

O Ministério Público Federal informou na terça que o procurador-geral da República, Augusto Aras, se posicionou na terça de maneira contrária à privatização de serviços postais e correio aéreo nacional da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A manifestação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada pela Associação dos Profissionais dos Correios (ADCap). Aras ratifica posição já fornecida pela PGR em que argumenta que a Constituição não permite a prestação indireta dos serviços postais e do correio aéreo nacional.

A BRF comunicou, em consonância com o comunicado ao mercado de 04 de março de 2021, que participou na rodada de investimentos (Série B) promovida pela Aleph Farms, startup israelense que desenvolve proteínas em laboratório a partir das células animais, no montante de US$ 2,5 milhões. “Em conexão com este aporte e o capital alocado por outros investidores, os recursos desta captação serão destinados à comercialização global em larga escala dos produtos feitos a partir de carne cultivada, assim como expansão do portfolio da startup”, destaca a empresa.

O Hospital Mater Dei informou na terça-feira que seu conselho de administração aprovou compra do Grupo Porto Dias, maior rede de hospitais da região Norte do país, em uma transação que envolve R$ 800 milhões, além da emissão de ações. O acordo foi acertado sobre uma participação de 70% do Grupo Porto Dias e a Mater Dei vai emitir 27,27 milhões de papéis como parte do pagamento, cerca de 7,1% do capital social total da companhia.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ata do Fomc mostra que membros veem menor clareza em dados, mas se preparam para reduzir compras de ativos

SÃO PAULO – A ata da reunião de junho do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) revelou que os membros do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, não estão com pressa para começar a reduzir as compras de ativos, embora já estejam pensando no momento mais adequado para fazer isso.

De acordo com o texto, o tão esperado padrão de “melhora substantiva” na economia americana não foi atingido na visão dos participantes do Fomc. Fora isso, alguns dos membros enxergaram os dados divulgados nas últimas semanas como menos claros em sinalizar o momentum da economia.

Entre eles, há expectativa de que a autoridade monetária dos EUA terá mais informações nos próximos meses para permitir uma melhor avaliação do caminho do mercado de trabalho e da inflação.

No entanto, vários membros mencionaram que esperam que as condições para começar a reduzir o ritmo de compras de ativos serão atendidas um pouco antes do que tinham antecipado em reuniões anteriores.

Em geral, os membros do Fomc julgaram que, “por uma questão de planejamento prudente, era importante estar bem posicionado para reduzir o ritmo de compras de ativos, se apropriado, em resposta a desenvolvimentos econômicos inesperados, incluindo um progresso mais rápido do que o previsto em direção às metas do Comitê ou o surgimento de riscos que possam impedir o cumprimento dos objetivos do Comitê ”, aponta a ata.

Como analisou a CNBC, a sensação que prevaleceu entre os membros do Fed é de que a economia ainda tem que atingir um progresso substantivo adicional antes de serem feitas quaisquer mudanças significativas na política monetária.

Além disso, os membros entendem que os mercados devem estar bem preparados para quando os estímulos forem retirados e a política monetária deixe de ser ultraestimulativa.

“Nas próximas reuniões, os participantes concordaram em continuar avaliando o progresso da economia em direção às metas do Comitê e em começar a discutir seus planos para ajustar o caminho e a composição das compras de ativos”, afirma a ata. “Além disso, os participantes reiteraram sua intenção de avisar com bastante antecedência uma decisão para reduzir o ritmo de compras.”

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