Ações da Azul seguem alta da sexta-feira com notícia do WSJ sobre conversa com credores da Latam

SÃO PAULO – As ações da Azul (AZUL4) seguem com ganhos nesta segunda-feira (23) após a alta de 2,67% na última sexta-feira (20), que chegou a ser de quase 4% durante a última sessão.  Já às 10h59 (horário de Brasília) desta segunda, os ativos AZUL4 subiam 2,21%, a R$ 36,93.

A alta foi motivada após a notícia do jornal americano Wall Street Journal, citando fontes, de que a Azul tem conversado com credores para comprar as operações da rival Latam no Brasil.

De acordo com a publicação, a Azul estaria aberta para comprar a empresa inteira e depois vender operações em outros países. A empresa brasileira também estaria aberta a uma possível joint venture com a Latam para complementar seus negócios atuais no Brasil, conforme as fontes do jornal.

As companhias conversaram sobre um possível negócio no início do processo de falência, mas a Latam interrompeu as negociações porque os proprietários da empresa chilena não queriam abrir mão do controle do grupo, segundo destacou fonte ao WSJ.

As diferentes unidades nacionais da Latam entraram em processo de falência no ano passado em meio à turbulência causada pela pandemia. Um porta-voz da Latam informou que a empresa não tem intenção de vender sua operação brasileira, e que a companhia aérea espera apresentar seu plano de reorganização e sair da recuperação judicial este ano.

Por outro lado, com seu maior caixa da história e aproveitando a demanda represada por viagens por causa da pandemia de coronavírus, que impulsionou principalmente o turismo doméstico em 2021, a Azul já evidenciou a intenção de comprar a operação brasileira da Latam. Em live do InfoMoney, John Rodgerson, CEO da aérea, deu um recado aos deputados que estão analisando a possível operação: “olhem como a Azul mudou o país”.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Rodgerson destacou o desenvolvimento do setor aéreo nacional, parte estimulado pelos investimentos da Azul nos últimos anos. “Os deputados devem olhar isso [a aquisição da Latam pela Azul] por esse contexto. Se você olha outros países do mundo, Air Canada tem 70% do mercado aéreo canadense, Avianca tem 70% do mercado da Colômbia, a LAN tinha 85% do mercado do Chile. Parem de pensar que isso não pode ser benéfico e vejam as oportunidades”, afirmou o CEO.

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Azul e Emirates anunciam acordo de compartilhamento de voos

Azul

A Azul (AZUL4) anunciou nesta quarta-feira, 18, um acordo de compartilhamento de voos com a Emirates. As vendas do codeshare entre as empresas começam nesta data para clientes que quiserem voar a partir do dia 25 de agosto.

Segundo comunicado, neste primeiro momento oito rotas estarão disponíveis através do codeshare, conectando os clientes que chegam e decolam de Guarulhos (SP) com destino a Cuiabá (MT), Santos Dumont (RJ), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Juazeiro do Norte (CE) e Belém (PA).

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Além do acesso à conectividade de malha, o cliente que utilizar o codeshare entre as duas companhias poderá realizar um único check-in e despachar sua bagagem na origem até o destino final.

“Este acordo com a Emirates proporcionará excelentes benefícios e comodidades para nossos clientes, além de acesso a uma ampla malha nacional e internacional”, afirma em nota o vice-presidente de Receitas da Azul, Abhi Shah.

“O Brasil é um importante mercado para a Emirates e o codeshare com a Azul ressalta nosso compromisso em fortalecer nossa presença no País e ampliar as opções para os clientes. Estamos ansiosos para trabalhar com a Azul e fortalecer a parceria nos dias que virão”, diz no comunicado o diretor comercial da Emirates, Adnan Kazim.

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“Queremos comprar a Latam. O que eu diria aos deputados é: olhem como a Azul mudou o país”, diz CEO

SÃO PAULO — Com seu maior caixa da história e aproveitando a demanda represada por viagens por causa da pandemia de coronavírus, que impulsionou principalmente o turismo doméstico em 2021, a Azul (AZUL4) quer comprar a operação brasileira da Latam. Em live do InfoMoney, John Rodgerson, CEO da aérea, deu um recado aos deputados que estão analisando a possível operação: “olhem como a Azul mudou o país”.

“Não é rumor. Eu tenho sido muito vocal neste sentido [de compra da Latam]. Eu tenho muito interesse. É interesse de todo mundo, nossos clientes, pilotos, comissários, aeroportos. Ter uma empresa aérea forte aqui no Brasil está no interesse de todo mundo. Eu acho que isso deve acontecer. Aqui no Brasil tem muito voo de galinha. Se você trabalhou em uma empresa como Avianca, que começou e depois parou, imagina um piloto que ficou 10, 15 anos na empresa e, de repente, ela vai para recuperação judicial. Imagina o estresse daquela família”, disse o executivo.

“O Brasil precisa de empresas grandes, fortes, que paguem impostos, que comprem aeronaves, que abrem novos destinos, acho que isso é muito bom para o mercado. Você tem que o Brasil é um mercado aberto, qualquer um pode entrar. Por que você não pode ter empresas fazendo fusões aqui no Brasil? Eu acho que isso é saudável para o Brasil e para o setor”, completou.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Rodgerson destacou o desenvolvimento do setor aéreo nacional, parte estimulado pelos investimentos da Azul nos últimos anos. “Os deputados devem olhar isso [a aquisição da Latam pela Azul] por esse contexto. Se você olha outros países do mundo, Air Canada tem 70% do mercado aéreo canadense, Avianca tem 70% do mercado da Colômbia, a LAN tinha 85% do mercado do Chile. Parem de pensar que isso não pode ser benéfico e vejam as oportunidades”, afirmou o CEO.

Sobre a Latam Brasil, o processo de recuperação judicial impede que a empresa receba propostas de aquisição durante o chamado período de exclusividade, que se encerra em cerca de um mês. “Um deputado acha uma coisa, outro acha outra. O que eu diria a todos os deputados que se importam com emprego aqui no Brasil é que isso [a aprovação da compra da Latam pela Azul] é muito benéfico ao país”, completou Rodgerson.

Alex Malfitani, cofundador e CFO da Azul, que também participou da live, destacou a retomada da empresa em 2021 e o desempenho positivo no segundo trimestre, apesar de ser sazonalmente um período mais fraco para a aviação. Ele citou que as tarifas atuais cobradas pela companhia já estão maiores do que estavam em 2019, antes da pandemia, e a demanda segue forte.

O CFO falou também sobre a Azul Cargo, braço logístico da companhia aérea. “Tem oportunidade para a gente ser mais eficiente ainda, fazendo parcerias ou aquisições no setor rodoviário para a gente completar essa malha e poder cobrir o Brasil de maneira mais eficiente. Mas vamos crescer de maneira asset light, não vamos comprar caminhão, moto. Vamos conectar nosso aéreo com parcerias”, disse.

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O faturamento da Azul Cargo em 2019 foi de cerca de R$ 500 milhões e a empresa se comprometeu a entregar R$ 1 bilhão de faturamento com o braço logístico neste ano. “A pandemia ajudou com demanda, que aumentou muito no período por causa das vendas online, mas atrapalhou muito a operação porque 90% das entregas no pré-pandemia era usando o porão dos voos comerciais”, explicou.

Os executivos falaram ainda sobre o programa de fidelidade Tudo Azul, sobre como a reforma tributária pode afetar a companhia e sobre a recontratação de funcionários que tiveram que ser demitidos por causa da pandemia no ano passado. “11.716 tripulantes se dispuseram no ano passado a doar parte de sua remuneração para ajudar a companhia. Eu não esqueço nunca disso. Dos que tiveram que ser desligados por causa de fechamento de aeroportos, já recontratamos 800”, disse o CEO. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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Analistas se dividem sobre resultados da Azul no 2º tri; ações fecham em baixa de 1,35%

SÃO PAULO – Em meio ao avanço do calendário de vacinação contra a Covid-19 no Brasil e ajudada pelo efeito cambial, a Azul (AZUL4) registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre, revertendo boa parte do prejuízo de R$ 1,6 bilhão sofrido um ano antes.

A receita líquida total cresceu quatro vezes no período, para R$ 1,7 bilhão, enquanto o total de custos e despesas operacionais subiu 72,1%, para R$ 2,1 bilhões.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado ficou negativo em R$ 50,9 milhões, ante resultado negativo de R$ 324,3 milhões no mesmo período de 2020.

Os números trimestrais foram interpretados de forma mista por analistas do mercado financeiro. Enquanto alguns seguem reforçando o cenário incerto pela frente, com projeções mais modestas apesar de destacarem a capacidade da companhia aérea, outros veem forte potencial de alta para as ações na B3.

Na Bolsa, a reação dos investidores foi negativa, com queda de até 3,8% dos papéis na mínima desta quinta-feira (12), a R$ 36,27. As ações AZUL4 encerraram o pregão com baixa de 1,35%, negociadas a R$ 37,19.

Em relatório, o Itaú BBA escreve que os dados operacionais divulgados anteriormente já tinham dado uma prévia do que era esperado, apontando dados afetados negativamente pela segunda onda da Covid-19, baixa sazonalidade no segundo trimestre, bem como aumento de custos na comparação trimestral.

O time de análise destaca que a Azul tem uma frota diversificada e do tamanho certo, o que historicamente contribuiu para que a empresa tivesse um CASK (custo operacional dividido pelo total de assentos-quilômetro oferecidos) maior do que seus pares.

Os analistas destacam ainda que a empresa possui uma posição única na maioria das rotas que opera e uma ampla rede por meio de seus hubs.

“Acreditamos que esses atributos não apenas desempenharam um papel crucial no fortalecimento da empresa contra o cenário atual de incertezas, mas continuarão a ser as principais vantagens competitivas da Azul em um ambiente normalizado”, escrevem os analistas do Itaú BBA.

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Por ora, contudo, a avaliação do Itaú BBA é de que o valuation não está atrativo, com potencial limitado de alta. O banco manteve sua recomendação market perform (em linha com a média do mercado) e preço alvo de R$ 41 por ação.

O time ressalta, contudo, que pode vir a revisar as projeções para cima caso haja uma retomada mais rápida do que a esperada no tráfego de passageiros, por exemplo.

Na avaliação do banco, a redução do segmento corporativo (que é o mais lucrativo) pode ser parcialmente ofuscada por um aumento no tráfego de lazer, ganho de eficiência, transformação de frota e dinâmica competitiva positiva (redução da capacidade da indústria, racionalidade da tarifa e menor sobreposição da rede), principalmente diante de um potencial de fusões e aquisições.

“Apesar das muitas medidas implementadas pela Azul para proteger sua liquidez e sua capacidade de enfrentar a crise até o momento, o cenário ainda incerto pela frente e sua recente queima de caixa repentina nos levam a acreditar que sua posição financeira deve continuar a ser monitorada”, conclui o Itaú BBA.

Mas há quem siga otimista

Na avaliação do Bradesco BBI, a cia aérea está reconstruindo com sucesso sua rede e aumentando gradualmente as tarifas aéreas. No segundo trimestre, a capacidade chegou a 75% dos níveis encontrados no mesmo período de 2019, enquanto os preços das passagens aéreas subiram 8,9% na base anual.

“Esses dados confirmam nossa visão de que a vacinação contra a Covid-19 é fundamental para a Azul aumentar sua capacidade de crescimento e elevar os preços para recuperar margens”, escrevem os analistas.

O time de análise avalia ainda que os papéis estão sendo negociados com um potencial de alta atrativo, de 96%. O Bradesco BBI manteve sua recomendação outperform (acima da média do mercado) para os papéis da companhia aérea, com preço-alvo de R$ 74 para 2022.

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“A Azul conseguiu aumentar os preços das passagens aéreas no segundo trimestre e seu compromisso de não sacrificar a lucratividade, enquanto se beneficia da recuperação da demanda relacionada à implementação da vacinação no segundo semestre, deve fortalecer o balanço da empresa”, escrevem.

O banco também espera que a Azul proponha um novo plano de aquisição da Latam Brasil assim que o grupo em recuperação judicial entregar seu plano de reestruturação.

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Variação cambial faz Azul reverter prejuízo e ter lucro de R$ 1,16 bilhão no 2º trimestre de 2021

Avião da Azul com as cores da bandeira brasileira. Turbina possui as estrelas (Divulgação/Azul)

SÃO PAULO, 12 Ago (Reuters) – A Azul (AZUL4) reportou nesta quinta-feira lucro líquido de R$ 1,16 bilhão para o segundo trimestre, revertendo prejuízo de R$ 1,62 bilhão sofrido um ano antes, ajudado pela aceleração da vacinação no Brasil e efeito cambial.

A receita líquida total cresceu quatro vezes no período, para R$ 1,7 bilhão, enquanto o total de custos e despesas operacionais subiu 72,1%, para 2,1 bilhões de reais, refletindo a retomada de voos conforme medidas de isolamento social são retiradas.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo em R$ 50,9 milhões, ante resultado negativo de R$ 324,3 milhões um ano antes.

A Azul registrou um ganho não-monetário em moeda estrangeira de R$ 2,3 bilhões no período, principalmente devido à apreciação do real em relação ao dólar, resultando em uma diminuição nas dívidas denominadas em moeda estrangeira.

A companhia aérea disse que encerrou o trimestre com um recorde de R$ 5,5 bilhões de liquidez imediata, incluindo caixa, equivalentes de caixa, investimentos e recebíveis de curto prazo. Isto representa 90,4% da receita dos últimos doze meses.

A dívida bruta total subiu em R$ 995,5 milhões no final de junho, para R$ 20,4 bilhões, principalmente devido à captação de US$ 3 bilhões, que foi parcialmente compensada pela apreciação do real em relação ao dólar e ao pagamento de arrendamentos e passivos.

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Azul faz parceria de até US$ 1 bilhão com empresa alemã do “carro voador” eVTOL

Avião da Azul com as cores da bandeira brasileira. Turbina possui as estrelas (Divulgação/Azul)

A Azul (AZUL4) atualizou nesta segunda-feira (2) seus planos de parceria estratégica com a startup alemã Lilium GmbH para construir uma malha exclusiva com aeronaves “eVTOL”, o carro voador elétrico, no Brasil.

Essa potencial parceria pode ter um valor total de até US$ 1 bilhão e inclui uma frota de 220 aeronaves eVTOL, com operação prevista a partir de 2025.

Esta aliança estratégica e pedido de aeronaves permanecem sujeitas à finalização dos termos comerciais entre as partes e documentação definitiva relacionada ao acordo.

Por meio dessa potencial malha aérea, a Azul pretende aumentar a conectividade no Brasil. Segundo a companhia aérea, a parceria reforça a estratégia da Azul em acelerar seus compromissos “ESG” por meio de uma aeronave 100% elétrica e com emissão zero de carbono.

“A Azul tem o mais exclusivo e sustentável modelo de negócios do Brasil. Nossa presença de marca, nossa malha com exclusiva conectividade e nosso robusto programa de fidelidade nos fornecem as ferramentas para criar os mercados e a demanda para a operação com jatos Lilium no Brasil. Assim como fizemos no mercado doméstico brasileiro nos últimos 13 anos, esperamos novamente, agora com os jatos da Lilium, criar um mercado totalmente inovador nos próximos anos”, afirma em comunicado John Rodgerson, CEO da Azul.

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Saudades de viajar, não é?

aeroporto aviões aviação terminal aéreas covid (Getty Images)

Toda vez que passo pelo aeroporto, olho como está o tamanho das filas de embarque, o passa-passa de gente e pergunto no ponto de táxi como anda o movimento. Afinal, além de curiosa, sou investidora e analista de ações. Praticamente todas as grandes companhias aéreas têm suas ações negociadas em Bolsa e, tão importante quanto uma análise financeira, é o termômetro do dia a dia.

Não é novidade que a pandemia atrapalhou os planos de viagens de quase todo mundo, normalizando reuniões e encontros virtuais. Logo, também não deveria ser surpresa o fato de que as ações ligadas a esse setor despencaram ao longo de 2020: Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) fecharam o ano com mais de 30% de queda.

Mas, se você frequentou algum aeroporto nos últimos 12 meses ou está acompanhando o noticiário, também deve ter percebido que as pessoas vêm retomando a dinâmica das viagens.

Essa percepção empírica reforça um dado recente, divulgado pela Azul, que mostrou um aumento de 280% da demanda por voos em junho de 2021 em relação ao mesmo mês do ano passado.

Caso você seja um frequentador antigo dos aeroportos, já imagina que, apesar da retomada da demanda, as viagens ainda não retornaram aos níveis pré-pandemia.

A mesma pesquisa mostrou uma demanda 24% menor quando comparada com junho de 2019. Parte disso se deve ao cenário pandêmico, que ainda persiste, somado a nova dinâmica de trabalho.

Lembro de pegar aviões cheios de pessoas engravatadas, só com a maleta do computador na mão, que faziam viagens bate-volta para reuniões. Hoje, esse é um perfil menos comum nos aeroportos e que faz falta para as empresas aéreas. Parte importante da receita das companhias eram as viagens a trabalho.

Nesse cenário ainda incerto, as ações de empresas aéreas têm performado de formas diferentes. Enquanto a Azul mostra sinais de recuperação, com uma variação positiva no acumulado de janeiro a julho de 2021, a Gol segue em queda.

Isso reflete, além da demanda de forma geral por voos, os serviços que cada uma oferece ao consumidor e o plano de reorganização financeira. Afinal, os impactos da pandemia deixaram marcas nos balanços das empresas, como o aumento da dívida.

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Por isso a importância da análise financeira, que acompanha o termômetro do dia a dia nas decisões de investimento.

Enquanto alguns fatores macroeconômicos impactam de forma parecida as empresas do mesmo setor, a gestão financeira de cada uma é um divisor de águas para o sucesso da companhia e consequente valorização das ações. A Gol, por exemplo, acabou de revisar para baixo a expectativa do resultado operacional para esse ano.

Mas, para fazer uma boa análise dos números das empresas, continuarei prestando atenção em tudo quando passar pelos aeroportos, perguntando para os taxistas sobre os movimentos e acompanhando o noticiário.

Esses são faróis importantes, que mostram como a empresa está no dia a dia e muitas vezes antecipam os dados que serão divulgados.

Assim, quando for analisar os números para tomar a decisão financeira, eles tendem a refletir essa visão da vida real: a perspectiva positiva das companhias aéreas com a retomada das viagens, mas em um cenário ainda complicado dado todos os impactos da pandemia.

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Oferta de ações do Soma, estreia da 3tentos na B3, união BK Brasil-Domino’s, dados de Azul e Gol, notícias de estatais e mais

Farm Loja da Farm (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO – O noticiário corporativo da volta do feriado na B3 deve contar principalmente com o ajuste dos ADRs após a alta do principal índice na última sexta-feira, com destaque para a alta de Vale e siderúrgicas (confira o desempenho dos papéis clicando aqui), ainda que as preocupações sobre a disseminação da variante delta do coronavírus sigam no radar dos investidores.

A sessão desta segunda-feira também conta com a estreia da 3tentos na B3, a repercussão da compra da operação brasileira da Domino’s pela BK Brasil, o Grupo Soma informando que fará uma oferta primária de ações que pode levantar R$ 750 milhões, além do noticiário de estatais na quinta à noite, entre outros destaques. Confira no que ficar de olho:

Nesta segunda-feira, os papéis da 3tentos fazem sua estreia na B3 com o ticker TTEN3, após a companhia do agronegócio levantar R$ 1,35 bilhão com o IPO, precificando as ações a R$ 12,25.

A 3tentos atua no gerenciamento de grãos, armazenagem, defensivos agrícolas, fertilizantes e gestão de produção. A empresa foi fundada em 1995 em Santa Bárbara do Sul (RS), começando na produção de sementes e depois expandindo seu escopo de atuação.

A companhia conta com 43 unidades e 2 parques industriais, distribuídos em 40 cidades, nas quais atende a 17 mil clientes.

BK Brasil (BKBR3

A BK Brasil, dona das marcas Burger King e Popeyes no Brasil, anunciou fusão com a rede de pizzaria Domino’s na noite de sexta-feira. Com esse passo, a companhia passará a operar 1,2 mil restaurantes no País.

A operação será feita por meio de uma troca de ações, sendo que os acionistas da DP Brasil, dona da Domino’s localmente, terão cerca de 16% do Burger King no Brasil, hoje avaliada em R$ 3,3 bilhões na B3.

O Grupo Soma – dono das marcas Farm e Animale, que recentemente comprou o Grupo Hering, superando a Arezzo na disputa pelo ativo – informou que fará uma oferta primária de ações que pode levantar R$ 750 milhões, considerando o valor dos papéis da empresa no fechamento do pregão de quinta-feira, a R$ 16,30. A transação envolve 46 milhões de ações ordinárias a serem emitidas pela companhia e não há previsão de lotes adicionais.

A operação está sob a coordenação do Banco Itaú BBA, com participação de instituições como Bank of America Merrill Lynch, Banco BTG Pactual, Santander e XP Investimentos. Simultaneamente serão feitos esforços de colocação das ações no exterior.

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Os recursos serão destinados à aquisição da Hering, realizada depois de uma negociação “relâmpago”, por R$ 5 bilhões.

O Grupo Soma é conhecido, principalmente, pelas marcas de alto valor agregado, voltadas à alta renda. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, na semana passada, o presidente da empresa, Roberto Jatahy, afirmou que a intenção é repaginar completamente a Hering nos próximos meses.

A Azul divulgou os dados preliminares de junho na noite da última sexta-feira. O tráfego doméstico de passageiros, medido pelo RPK, teve alta de 280,4% em relação a junho de 2020. O tráfego doméstico avançou 328,2% em junho, enquanto o tráfego internacional cresceu 21,2%.

A companhia destaca que recuperou 96,6% dos níveis de 2019, enquanto a capacidade doméstica (ASKs) recuperou 101%, resultando em uma taxa de ocupação de 79%.

“Nos últimos meses demonstramos na prática a força e singularidade do nosso modelo de negócio. Com os esforços contínuos para a vacinação no Brasil, a demanda doméstica já está nos níveis de 2019 e atingimos nosso recorde, voando para 120 destinos. Continuamos reconstruindo nossa malha, enquanto mantemos nossa expansão de margem e desenvolvemos nosso negócio de logística”, disse John Rodgerson, CEO da Azul.

Já a Gol divulgou nesta segunda-feira uma atualização ao investidor sobre suas expectativas para o segundo trimestre de 2021.

A companhia estima Prejuízo Por Ação (LPA) e Prejuízo Por Ação Depositária Americana (LPADS) de aproximadamente R$ 3,25 e US$ 1,23, respectivamente. A margem Ebitda no segundo trimestre, excluindo despesas não operacionais e não
recorrentes, está estimada entre 16% e 18%, uma redução em relação à margem do trimestre findo em junho de 2020 (28%).

Já a receita unitária de passageiro (PRASK) para o segundo trimestre tende a ser menor em aproximadamente 17%, quando comparada ao mesmo período do ano passado. A Gol espera uma receita unitária (RASK) 33% inferior em relação ao 2T20. As vendas diárias encerraram o trimestre em torno de R$ 21 milhões, representando um aumento de 200% em relação ao final do 1T21. A taxa de ocupação da GOL, em 85%, continua eficientemente casando a oferta com a demanda.

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Os custos unitários ex-combustíveis do trimestre, excluindo despesas não operacionais e não recorrentes, deverão reduzir aproximadamente 55% na base anual, principalmente devido ao número de ASKs quatro vezes maior e a apreciação de 1% do real.

A liquidez total ao final de junho de 2021 foi R$ 1,7 bilhão, composta por R$ 1,0 bilhão em caixa e aplicações financeiras e R$ 0,7 bilhão em recebíveis. Contemplando os valores financiáveis de depósitos, as fontes de liquidez da Gol totalizam aproximadamente R$ 3,7 bilhões. Isso é consistente com os patamares de liquidez ao longo da pandemia, afirmou a aérea.

A Gol ainda destacou que planeja aumentar sua capacidade no terceiro trimestre em aproximadamente 80% comparativamente ao segundo trimestre, antecipando uma demanda sazonal mais forte.

O Bradesco BBI atualizou sua avaliação sobre a Ambipar, que classificou como “um dos poucos ativos” com verdadeira governança ambiental e social (ESG na sigla em inglês). Segundo o banco, a empresa, que passou pela sua oferta pública inicial de ações (IPO em inglês) faz um ano, começa a mostrar seu potencial de forte crescimento no Brasil, no resto da América Latina e nos Estados Unidos.

O banco diz que, desde o IPO, a empresa teve desempenho além de seu plano inicial, e está a caminho de superar sua guidance (conjunto de previsões e planos) para crescimento orgânico, e realizando movimentos de fusões e aquisições nos Estados Unidos. O banco destaca a compra da chilena Disal, que tem ativos também no Peru e no Paraguai, e que deve contribuir para dobrar o lucro Ebitda da unidade ambiental da Ambipar até o ano fiscal de 2022.

O banco tem preço-alvo para 2022 para a Ambipar, de R$ 63, alta de 44% frente o fechamento de quinta-feira, com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado).

O Itaú BBA reiniciou a cobertura de Wiz, gestora de canais de distribuição de seguros e produtos financeiros, com um preço-alvo de R$ 23 para a ação ao fim de 2021, o que representa um potencial upside de 33% em relação ao preço atual do papel.

“Na nossa visão, a  companhia vem passando por uma transformação salutar após o fim do contrato de exclusividade
com a Caixa, em fevereiro deste ano. Desde então, a Wiz passou a diversificar seus negócios, anunciando acordos comerciais e parcerias para atuar como corretora em outros balcões, sejam de bancos tradicionais ou digitais. Acreditamos que as recentes parcerias firmadas com Inter, BRB e BMG darão suporte a um bom crescimento dos negócios da companhia. Com os acordos, a Wiz passa a ser sócia desses bancos na operação de venda de seguros – o que naturalmente traz crescimento associado a uma maior exploração da base de cliente dessas instituições. Nessa frente, destacamos em especial a Inter
Seguros, em que a Wiz possui participação de 40% e que deve representar uma parte substancial do negócio da gestora nos próximos anos”, apontam os analistas.

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A Wiz, na visão dos analistas, tem passado por uma mudança substancial; de uma companhia antes bastante concentrada nos negócios associados à Caixa para uma empresa de perfil diversificado no segmento de corretagem de seguros.

“Mesmo considerando a alta recente do papel, que subiu 121% neste ano, ainda vemos um bom retorno potencial para o investimento na companhia, que tem nossa recomendação de outperform (desempenho acima do mercado)”, apontam os analistas. Eles ressaltam que o cálculo do preço-alvo de R$ 23 por ação foi obtido por meio da metodologia de soma-das-partes nos principais negócios da empresa.

A Petrobras informou na segunda-feira ter assinado com a empresa 3R Petroleum (RRRP3) contrato para a venda da totalidade de sua participação no campo de produção de Papa-Terra, localizado na Bacia de Campos.

O valor da venda é de US$ 105,6 milhões, sendo (a) US$ 6,0 milhões pagos na presente data; (b) US$ 9,6 milhões no fechamento da transação e (c) US$ 90,0 milhões em pagamentos contingentes previstos em contrato, relacionados a níveis de produção do ativo e preços futuros do petróleo. Os valores não consideram os ajustes devidos e o fechamento da transação está sujeito ao cumprimento de condições precedentes, tais como a aprovação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Essa operação está alinhada à estratégia de otimização de portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, passando a concentrar cada vez mais os seus recursos em ativos de classe mundial em águas profundas e ultra-profundas, onde a Petrobras tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos”, destacou a estatal.

O campo de Papa-Terra faz parte da concessão BC-20 e está localizado em lâmina d’água de 1.200 m. O campo iniciou sua operação em 2013 e sua produção média de óleo e gás em 2021, até junho, foi de 17,9 mil boe/dia, através de duas plataformas, P-61 do tipo TLWP (Tension Leg Wellhead Platform) e P-63 do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offloading), onde é realizado o processamento de toda a produção. A Petrobras é a operadora do campo, com 62,5% de participação, em parceria com a Chevron, que detém os 37,5% restantes.

A Petrobras informa que assinou com a Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA) o Acordo de Coparticipação de Itapu, que regulará a coexistência do Contrato de Cessão Onerosa e do Contrato de Partilha de Produção do Excedente da Cessão Onerosa para o campo de Itapu, no pré-sal da Bacia de Santos.

As negociações foram iniciadas logo após a licitação, ocorrida em 6 de novembro de 2019, em que a Petrobras adquiriu 100% dos direitos de exploração e produção do volume excedente da Cessão Onerosa do campo de Itapu. Em conjunto, Petrobras e PPSA definiram o Plano de Desenvolvimento do campo, estimativas de curva de produção e volumes recuperáveis.

Já na quinta à noite, a Petrobras comunicou que iniciou a etapa de divulgação do teaser para a venda, em conjunto com a Sonangol Hidrocarbonetos Brasil, da totalidade da participação de ambas as empresas no bloco exploratório terrestre POT-T-794, pertencente à concessão BT-POT-55A, localizada na Bacia Potiguar, no estado do Rio Grande do Norte. A Petrobras detém 70% de participação e a Sonangol é a operadora, com 30% de participação no bloco.

Hapvida (HAPV3) e Notre Dame (GNDI3)

O Itaú BBA comentou a confirmação pela Agência Nacional de Saúde (ANS) do reajuste negativo para planos de saúde individuais, de até 8,19% para o período de maio de 2021 a abril de 2022. O ajuste reflete a redução de gastos com assistência no setor em 2020 devido à pandemia de Covid, e deve resultar na redução de premiums para seguradoras de saúde, que não podem fazer ajustes maiores do que os definidos pela ANS. É a primeira vez que um reajuste negativo foi aplicado sobre planos de saúde individuais.

O reajuste foi pior do que a expectativa do mercado e as estimativas do Itaú, mas que já era parcialmente contabilizado pelo consenso de mercado. O banco diz que operadores menores e menos verticalizados devem ser especialmente afetados. E acredita que a ANS está mandando a mensagem correta, por estar seguindo sua metodologia. O banco espera que o próximo reajuste compense parcialmente o atual, levando em conta os papéis de Hapvida e Notre Dame.

Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu mais um passo para efetuar a privatização da Eletrobras em fevereiro do ano que vem. O banco de fomento, responsável pela estruturação do processo, publicou o contrato do consórcio que conduzirá a modelagem, além da estruturação financeira e relatório final do processo de desestatização. No mês passado, a Câmara dos Deputados aprovou a medida provisória que permite a saída da União do controle da empresa de energia elétrica.

Banco do Brasil(BBAS3)

O conselho de administração do Banco do Brasil, por sua vez, aprovou a adequação da sua estrutura organizacional com a extinção da unidade Negócios PF, MPE e Agro e de Negócios Varejo e Setor Público, além da criação da diretoria Comercial Alto Varejo.

Rede D’Or (RDOR3)

As aquisições também estiveram no radar: a  Rede D’Or anunciou a compra de 51% do Hospital Proncor, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O valor de firma (firm value) para 100% do Proncor é de R$ 290 milhões; deste valor, será deduzido o endividamento líquido.

Confira mais destaques do noticiário corporativo do feriado clicando aqui. 

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Recuperação no mercado e Cade podendo aprovar fusão Azul-Latam: as projeções da Gol em seus 17 anos de Bolsa

SÃO PAULO – Em evento chamado “The Future of Flying” ocorrido na última quinta-feira (24), a aérea Gol (GOLL4) passou uma mensagem positiva sobre a recuperação no final deste ano e no começo do próximo, de acordo com analistas que participam do evento. A ocasião foi para celebrar os 17 anos da empresa listada na B3 e na bolsa de Nova York.

O Bradesco BBI destaca três pontos principais do evento apontados pela companhia: 1) uma previsão positiva com a demanda de viagens aéreas se recuperando até o quarto trimestre de 2021 ou o primeiro trimestre de 2022, 2) a companhia tendo acesso aos mercados de dívida e de ações e 3) um modelo de negócios sólido para enfrentar a concorrência.

A Gol aponta que a demanda corporativa doméstica em 2021 deva ficar entre 30% a 40% do que costumava ser em 2019 sendo que, para o primeiro trimestre de 2022, a projeção é de que o mercado corporativo doméstico já estará recuperado. No segundo trimestre deste ano, a Gol operou em média 220 voos por dia, atendendo a 114 mercados; para o segundo semestre, a expectativa é de que a média seja de 500 voos por dia, com 159 mercados atendidos.

Paulo Kakinoff, presidente da Gol, também comentou sobre as movimentações dos concorrentes. De acordo com ele, é difícil especular sobre as possibilidades envolvendo uma possível fusão entre Latam Brasil e Azul (AZUL4). Mas apontou que um eventual acordo seria aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Acho que pode ser aprovado, mas há discussões sobre remédios na mesa”, destacou.

A empresa ainda apontou que está aberta a aquisições, parcerias e outras operações que possam melhorar a sua posição no mercado, embora não tenha dado detalhes sobre alguma negociação em andamento ou a expectativa para o cenário caso a a Azul compre a Latam Brasil. A Gol anunciou a compra da MAP Transportes Aéreos, aérea doméstica com rotas regionais e do Aeroporto de Congonhas em São Paulo, no começo de junho.

Os executivos da companhia ainda avaliaram que o fechamento do capital da Smiles deve ter um impacto positivo na gestão de receitas dado que agora a companhia tem, a partir deste episódio, total controle dos preços das passagens aéreas e dos preços de seu programa de fidelidade.

O Bradesco BBI segue com recomendação neutra para a Gol, com preço-alvo de R$ 24 para o final de 2021, ou queda de 3,15% em relação ao fechamento de quinta-feira.

O BTG Pactual, por sua vez, está mais positivo, com preço-alvo em R$ 31, ou upside de 25,1% frente o fechamento da véspera.

Em relatório, os analistas apontaram que, apesar de avaliarem que o setor aéreo vai permanecer volátil no curto prazo por conta das incertezas sobre uma nova onda de casos de Covid-19, veem a Gol tomando os passos necessários para minimizar a queima de caixa e retomar operações com a vacinação.

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O banco também destaca o plano apontado pela companhia, durante o evento, de encerrar 2021 com 129 aeronaves, recebendo 11 Max da Boeing, o que deve elevar os gastos com eficiência; e os 159 destinos que vai atender no segundo semestre.

De acordo com compilação feita pela Refinitiv com casas de análise que cobrem as ações GOLL4, duas delas têm recomendação de compra, sete de manutenção e duas de venda, com preço-alvo de R$ 24,35, o que corresponde a uma baixa de 1,75% em relação ao fechamento da véspera.

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Gol sai na frente com compra “modesta”, mas Azul ganha tempo para proposta por Latam: os caminhos para a consolidação do setor

aeroporto aviões aviação terminal aéreas covid (Getty Images)

SÃO PAULO – Desde o final do mês passado, as ações de aéreas, notoriamente Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4), bastante afetadas durante o período da pandemia, ganharam mais um catalisador: o noticiário de fusões e aquisições.

Na semana passada e no começo desta, mais desdobramentos sobre as aéreas ganharam destaque.

Apesar da Azul ter começado as especulações sobre uma consolidação no setor ao demonstrar interesse na aquisição das operações da Latam Brasil após o anúncio do fim de compartilhamento de voos entre as companhias, em 27 de maio, foi a Gol que saiu na frente ao anunciar uma aquisição na terça-feira da semana passada.

A Gol Linhas Aéreas comunicou a compra da MAP, companhia aérea controlada da Voepass com sede em Manaus.

Os termos da compra definiram pagamentos na ordem de R$ 28 milhões, nos quais R$ 25 milhões pagos em dinheiro para a Voepass e o restante via ações preferenciais da Gol (GOLL4), no volume de 100 mil ações a R$ 28 reais cada.

A MAP opera com uma frota total de sete aeronaves ATR, com foco nas regiões Sul, Sudeste e em Manaus.

Com a aquisição, a Gol, levou todos os 26 slots (horários de partida e chegada) da Voepass em Congonhas. Atualmente, a Gol atua com 234 slots no aeroporto. A Latam tem 236 slots e a Azul tem 41.

Essa é a terceira aquisição realizada pela Gol, tendo comprado em 2007 os ativos da antiga Varig e, em 2011, adquirido sua concorrente Webjet. Após a compra, a Gol reiterou que segue de olho em outras oportunidades, também em busca de consolidação, mas que não assumirá “dívidas impagáveis” para tanto.

Ainda que a valores modestos, a atenção fica para os ganhos estratégicos com a aquisição.

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Para os analistas Thais Cascello, Gabriel Rezende, Luiz Capistrano e Mateus Raffaelli, do Itaú BBA, o negócio com a MAP elevará e complementará a malha aérea da Gol. Essa aquisição trará ainda dois benefícios: i) elevar a oferta de assentos em rotas historicamente mal atendidas e ii) permitir tarifas mais adequadas, uma vez que a Gol deve manter sua estratégia de voar com apenas um tipo de aeronave. Portanto, substituirá os ATRs da MAP pelos seus Boeing 737: a aquisição da MAP não impôs nenhuma obrigação à Gol de manter os atuais aparelhos no ar.

Sobre possíveis, mais uma notícia que vai na linha da estratégia de fusões e aquisições: a Gol levantou R$ 423 milhões para elevar seu capital, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última segunda-feira. A companhia aérea disse que seus acionistas controladores participaram com um aporte de R$ 268 milhões, enquanto os acionistas minoritários contribuíram com o restante.

De acordo com a agência de classificação de risco Moody’s, o aumento de capital que foi anunciado pela aérea é positivo para o perfil de crédito da empresa, à medida que os recursos ajudam a restaurar a posição de caixa e apoiam o seu balanço para outras oportunidades de aquisições. Além disso, também ajudará a restaurar a posição em caixa da aérea após a incorporação da Smiles no fim do mês, que vai representar uma saída de R$ 744 milhões.

Com relação a aquisição da MAP pela Gol, analistas de mercado ainda destacam que a compra é menos complexa em relação a outras que estão no radar do setor, com destaque para as especulações sobre a intenção da compra da Latam Brasil pela Azul.

Vinícius Carvalho, ex-presidente da autoridade antitruste brasileira Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), afirmou em entrevistas recentes que acredita que há um alto risco de o órgão antitruste rejeitar uma eventual transação entre Latam e Azul devido à concentração do mercado. Ele acrescentou que este é um mercado naturalmente altamente concentrado, com altas barreiras à entrada.

Sobre isso, o Bradesco BBI apontou que, durante a pandemia de Covid-19, o Grupo Itapemirim fundou uma nova companhia aérea no Brasil apesar do fato do grupo ainda estar em recuperação judicial. Discordando de Carvalho, os analistas do banco destacaram que há  exemplos que mostram que as barreiras de entradas são baixas – e somente no caso de aeroportos restritos de Congonhas e Santos Dumont, o Cade pode exigir que Azul-Latam devolva alguns slots para estimular a concorrência.

Adiamento de plano de reestruturação: bom sinal para a Azul?

Apesar do cenário bastante nebuloso sobre uma venda da Latam Brasil para a Azul, uma notícia fez com que aumentasse a percepção de que a Azul ganhou tempo para fazer negociações e buscar a aquisição.

A Latam Airlines disse na última quarta-feira que busca estender até setembro o prazo para apresentar seu plano de reestruturação como parte do processo de recuperação judicial iniciado em 2020.

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Um juiz já havia ordenado que a empresa entregasse seu plano de reestruturação até o final de junho, e a companhia disse que espera encerrar o processo em 2021. “O pedido de extensão é uma alternativa comum contemplada no processo e não modifica a intenção do grupo Latam de sair da recuperação judicial até o final deste ano”, disse a empresa em um comunicado.

A Latam também disse no Chile que solicitou um segundo desembolso de US$ 500 milhões sob o Acordo de Crédito DIP (Devedor em Posse). A companhia aérea afirmou que os fundos adicionais são necessários dada “a extensão das restrições de saúde e mobilidade impostas pelas autoridades dos diferentes países em que a companhia opera, bem como a análise da projeção de liquidez da companhia”. A empresa também recebeu um empréstimo DIP de US$ 1,15 bilhão em outubro do ano passado.

De acordo com o Bradesco BBI, a notícia seria um indicativo positivo para uma operação entre a Azul e a Latam Airlines. Se esse período de exclusividade for estendido até 15 de setembro, ante de 30 de junho, credores e também a Azul terão tempo adicional para trabalhar em um plano que, na opinião dos analistas, pode culminar na venda das operações domésticas da Latam Brasil para a Azul.

“Também observamos que esta decisão de sacar US$ 500 milhões do financiamento do devedor em posse sugere que a operação ainda está queimando caixa e sua situação de liquidez de caixa continuará a se deteriorar nos próximos meses. Em abril de 2021, a Latam Airlines Group relatou uma queima de caixa mensal de US $ 126 milhões, com uma posição de liquidez de caixa de US$ 1,2 bilhão. Dito isso, com o passar do tempo, o poder de barganha favorecerá a Azul, uma vez que a posição de caixa da Latam provavelmente continuará caindo, mesmo assumindo pagamentos mínimos de arrendamento de aeronaves”, apontam os analistas do BBI.

De acordo com notícias do  jornal O Globo, a Azul pode fazer oferta pela Latam Brasil em tribunal de falências dos EUA, podendo propor um plano de reestruturação alternativo para adquirir a operação doméstica, enquanto os acionistas controladores da Latam seguem negando essa possibilidade. Ana Carolina Monteiro, do escritório Kincaid Mendes Viana, é cética em relação ao plano alternativo, pois a Azul tem acesso limitado às informações financeiras e precisaria pagar o financiamento DIP. Por outro lado, o advogado Thomas Felsberg é mais construtivo nesta operação de M&A se a Azul propor a amortização deste financiamento DIP como ponto de partida. O advogado Eduardo Gaban, do escritório Nishioka Gaban, acredita que o Cade rejeitará a fusão.

Antes do pedido da Latam de adiamento dos prazos, o BBI divulgou relatório no dia 7 de junho destacando que uma proposta da Azul para comprar a operação brasileira da Latam poderia ser feita em até 90 dias a partir da divulgação da análise do banco. Em relatório distribuído a clientes, os analistas Victor Mizusaki e Pedro Fontanta afirmaram que uma fusão entre as duas empresas é “muito provável”.

No relatório, o Bradesco BBI destacou que dois grandes credores da Latam podem ter interesse na venda, dado que eles também detêm participação na Azul e teriam um bom retorno se o negócio saísse. O Oaktree Capital Management (empresa americana especializada em investimento de risco), é acionista da Azul, e o Knighthead Capital (também americano) detém títulos convertíveis.

Apostando na fusão das companhias, o Bradesco BBI elevou a recomendação das ações da Azul e da Latam. Os papéis da Azul passaram a ser considerados com uma performance superior à da média do mercado e os da Latam com uma neutra (antes, estavam abaixo da média). O banco afirmou ainda que as ações da Azul devem chegar a R$ 75 no ano que vem – uma alta de 59% na comparação com o preço atual – e os da Latam a US$ 3 (alta de 4,9%).

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Ainda segundo o documento do Bradesco BBI, para evitar que o Cade barre o negócio, a Azul pode não incluir a operação internacional da Latam no acordo e abrir mão de alguns horários de pouso e decolagem (slots, no jargão do setor) nos aeroportos de Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio de Janeiro).

Enquanto os analistas do BBI estão otimistas com a operação Azul-Latam, os analistas do Morgan Stanley seguem enxergando grandes dificuldades para que a operação entre as companhias aconteça, vendo grandes obstáculos para a união das operações, ao apontarem que a administração da Latam já foi bastante incisiva ao dizer que não está interessada em vender sua operação no Brasil para a Azul.

O Morgan possui recomendação underweight (ou exposição abaixo da média do mercado) para os ADRs (recibo de ações negociados nos EUA) das aéreas Gol e Azul, além das ações da Latam negociadas nos EUA. O preço-alvo para os ativos da Azul é de US$ 17, um valor 38% maior em relação ao fechamento da véspera enquanto que, para a Gol, o target é de US$ 6,60, ou queda de 34%. Para a Latam, o preço-alvo é de US$ 3,50, ainda representando uma alta de 25% em relação ao fechamento de segunda-feira (14).

O BBI, por sua vez, possui recomendação neutra para as ações da Gol, com preço-alvo de R$ 24 por ativo (queda de 5% frente o fechamento da véspera), assim como o Itaú BBA, que acredita que as perspectivas para o futuro permanecem incertas, o que eleva a cautela quanto ao nome. “A Gol vem gradualmente reconstruindo sua rede após o severo impacto da crise da Covid-19 no tráfego aéreo em 2020. Os ventos contrários de curto prazo da segunda onda da pandemia impedem uma perspectiva mais construtiva para o primeiro semestre de 2021, mas o nosso cenário base ainda é de um segundo semestre mais positivo”, aponta o BBA, que possui preço-alvo de R$ 24,50 para os ativos GOLL4 (ou queda de cerca de 3%).

Os analistas projetam que oferta de voos no mercado doméstico (calculada em assentos/quilômetros ofertados, ASK) só retornará aos níveis de 2019 em 2022, seguido por adição gradual de capacidade depois disso. “Esperamos que a indústria permaneça racional, com todos os participantes buscando recuperar rentabilidade após os desafios de 2020 e primeira metade de 2021 e um panorama ainda incerto. No entanto, é importante monitorar a capacidade dos recém-chegados, a adição de capacidade dos jogadores atuais e sinais de uma dinâmica de preços agressivos. Tendo em vista que a recuperação do segmento de negócios permanece um ponto de interrogação, a Gol terá que continuar a otimizar os  viajantes de lazer, que não foram capazes de compensar totalmente a queda no tráfego no segmento corporativo
até agora – uma tendência que provavelmente continuará”, apontam.

Do lado positivo, a estratégia de frota única da empresa (em constante busca por utilização de aeronaves maiores), plano de transformação da frota atual e controle rígido de custos e de despesas continuarão a ser os principais catalisadores para um custo por assento oferecido (CASK) mais baixo entre os pares e levando a uma recuperação de lucratividade. Quanto ao seu endividamento, a Gol adotou diversas medidas para preservar o caixa e fortalecer a liquidez, que serão vitais para enfrentar a crise. Por outro lado, alguns desembolsos ocorrerão à medida que as operações se recuperarem junto com a melhora da demanda, apesar de alguns ganhos de eficiência contínuos.

Assim, apesar da alta recente dos papéis – no acumulado dos últimos 365 pregões, AZUL4 sobe 109% , enquanto GOLL4 avança 29% – também levando em conta as perspectivas mais positivas para a economia com a aceleração do ritmo de vacinação no país, a maior parte dos analistas segue cautelosa com o setor.

De acordo com compilação da Refinitiv com recomendações de casas de análise, duas casas de análise possuem recomendação de compra para Gol, sete possuem recomendação neutra e duas têm venda, com preço-alvo médio de R$ 24,35, ou um valor 3,5% menor frente o fechamento de terça-feira. Para a Azul, há três recomendações de compra, seis de manutenção e duas de venda, com preço-alvo médio de R$ 37,88 para AZUL4, ou queda de 18% frente as cotações atuais. Para a Latam Airlines, negociada no mercado de balcão nos EUA, duas recomendações são neutras e duas são de venda, com preço-alvo de US$ 2,18, ou queda de 22% em relação ao fechamento da véspera.

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