Repercussões de resultados de Enjoei, Vivara, Boa Safra, Cosan, Méliuz, CVC e outros balanços; Ultrapar vende Oxiteno e mais

Cosan (Foto: Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)

A temporada de resultados chega na sua reta final nesta semana.  Na noite de sexta-feira, foram divulgados os dados da CVC, Cosan, Enjoei, Vivara, entre outras companhias, enquanto Ambipar, Ânima  e Méliuz também divulgaram seus números nesta segunda-feira antes da abertura da Bolsa.

Após o fechamento, IRB (IRBR3), Cemig (CMIG4), entre outras companhias, divulgarão seus resultados. Ainda em destaque, a Ultrapar anunciou a venda da Oxiteno para Indorama Ventures por US$ 1,3 bilhão. Já o grupo de hospitais Rede D’Or informou que o seu conselho de administração aprovou a realização de uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações do Centro de Imagem Diagnósticos Alliar.  Confira mais destaques:

A operadora de viagens CVC reportou prejuízo líquido de R$ 175,570 milhões no segundo trimestre deste ano, perda 30,4% menor que a registrada um ano antes, de R$ 252,129 milhões (veja mais clicando aqui).

Em comentários da administração que acompanham o informe de resultados, a empresa atribui o desempenho do período aos efeitos produzidos pela pandemia da covid-19 em suas operações, especialmente no Brasil. “Permanecemos otimistas com os prognósticos para o segundo semestre e início de 2022 e atentos aos eventuais desdobramentos da pandemia”, acrescenta a CVC. No acumulado do semestre, o prejuízo diminuiu de R$ 1,403 bilhão para R$ 257 milhões.

Na mesma base de comparação, a empresa obteve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado negativo de R$ 130,834 milhões, contra Ebitda também negativo de R$ 164,366 milhões no mesmo período de 2020. No semestre, o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 194,279 milhões, ante R$ 189,769 milhões de um ano antes.

Já a receita líquida ficou em R$ 115,6 milhões no segundo trimestre, ante R$ 3 milhões informado um ano antes. O avanço se deve à retomada das atividades, afirma a companhia, mesmo com a segunda onda de covid tendo impactado o trimestre.

A CVC ainda nomeou Marcelo Kopel, ex-Itaú Unibanco, como novo diretor de finanças e relações com investidores. A companhia ainda elevou a participação na VHC Hospitality, de 69% para 100%.

Na avaliação do Bradesco BBI, os resultados foram mistos com uma tendência mais forte do que o esperado nas reservas, mas por outro lado com uma taxa de aquisição fraca.

Para os analistas, o problema da take rate (percentual da receita liquida sobre as reservas) parece temporário, visto que um dos motivadores foi o embarque de reservas anteriores à Covid que haviam sido adiadas, embora possa haver algum empecilho adicional durante o próximo trimestre.

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“Há um impulso positivo por trás das reservas, com crescimento sequencial de 25% (embora de uma base relativamente baixa no primeiro trimestre de 2021) e a CVC observa que as reservas de junho (queda de 50% versus 2019) foram melhores do que o trimestre como um todo (queda de 61%)”, apontam.

Essa queda em relação a 2019 está amplamente em linha com o número de passageiros e a capacidade disponível de
assentos informados pela companhia aérea Gol no segundo trimestre de 2021.

O progresso do plano de vacinação deve ajudar esse impulso positivo a continuar no segundo semestre, embora os riscos claramente ainda permaneçam com o potencial de impactos negativos da nova variante delta.

“Portanto, embora o ímpeto esteja melhorando, a visibilidade permanece limitada e as ações são negociadas a um forte P/L [preço sobre o lucro] de 38 vezes estimado para 2023”, avalia. O BBI mantém a recomendação neutra, com um novo preço-alvo de R$ 25 (estimado para 2022) contra nosso antigo preço-alvo de R$ 24.

A Cosan teve lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões entre abril e junho, forte alta de 3.105% frente o ganho de R$ 23,4 milhões registrado em igual período de 2020.

A receita líquida totalizou R$ 25,267 bilhões no segundo trimestre de 2021, ante R$ 13,583 bilhões no mesmo intervalo do ano anterior, aumento de 85,9%.

Boa Safra (SOJA3)

A Boa Safra Sementes teve lucro líquido de R$ 8,862 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 314,6% na base anual.

O Ebitda foi de R$ 17,966 milhões, alta de 103% na comparação anual.

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A receita líquida teve queda de 17,6% entre abril e junho, a R$ 41 milhões.

“Todos os contratos de vendas ainda não faturados, principal KPI do que está por vir, atingiram a soma de R$ 546 milhões, um aumento de 188% em relação ao ano anterior. Continuamos otimistas com a Boa Safra e reiteramos nossa recomendação de compra com preço-alvo de R$ 18 por ação até 2021”, aponta a XP.

No segundo trimestre, a Vivara  viu seu lucro líquido atingir R$ 81,7 milhões, mais do que dobrando em relação ao mesmo período de 2019, ainda antes da pandemia. Na comparação com 2020, a companhia conseguiu reverter um prejuízo.

Saiba mais: Com lucro em alta, Vivara diz estar pronta para ir às compras

Segundo o Itaú BBA, a Vivara apresentou ótimos números referentes ao segundo trimestre. As receitas da companhia cresceram 19,3% na comparação com o segundo trimestre de 2019 (cenário pré-pandêmico), com avanço das vendas no conceito mesmas lojas (SSS) de 13,8%.

Em termos operacionais, o destaque do segundo trimestre foi o desempenho do e-commerce: a companhia tem sido capaz de dar escala às operações digitais e diversificar suas vendas desse canal. Historicamente, os produtos mais vendidos no on-line sempre foram relógios e acessórios, que possuem preço inferior às joias. No entanto, no segundo trimestre, cerca de metade das vendas do e-commerce foram joias, uma boa indicação para a rentabilidade no longo-prazo, avaliam os analistas.

Além disso, a Vivara sinalizou que o forte crescimento de vendas visto no segundo trimestre já está sendo verificado também no início deste terceiro trimestre. Ou seja, o bom desempenho operacional da companhia deve ter continuidade.

Do ponto de vista financeiro, a Vivara foi capaz de entregar uma margem bruta de 68% e uma margem Ebitda de 24,5%, refletindo uma maior diversificação de receitas da companhia e a otimização de despesas. O Ebitda da companhia, de R$ 89 milhões, foi 29% superior ao esperado, enquanto lucro líquido, de R$ 82 milhões, veio 64% acima da projeção dos analistas.

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O Enjoei teve alta do prejuízo em 10,9 vezes no segundo trimestre, para R$ 30,040 milhões.

A receita líquida do Enjoei  teve alta de 100%, a R$ 26,4 milhões no segundo trimestre. O volume bruto de mercadoria (GMV) teve alta de 82% na mesma base de comparação, a R$ 205 milhões.

A XP aponta que a Enjoei reportou resultados mistos, referentes ao segundo trimestre de 2021, com a receita líquida 8% acima das estimativas devido a uma taxa de comissão (take-rate) melhor do que esperado.

Em termos de rentabilidade, a companhia registrou queda expressiva na margem bruta (-20,5p.p na base anual), devido a maiores custos com frete e logística, e também com queda de Ebitda ajustado (em R$ 19 milhões negativos), frente a maiores despesas de vendas. Com isso, o prejuízo líquido (excluindo-se o efeito do plano de remuneração em ações) totalizou R$ 18 milhões, versus a estimativa da XP de R$ 15 milhões.

Já o BBI revisou as estimativas, com GMV subindo 1-5% (estimado no período 2021-23), mas as vendas líquidas caindo 12-24% devido à menor taxa de compra.

“Isso posterga o ano em que a Enjoei atinge o ponto de equilíbrio na linha Ebitda em um ano, de 2023 anteriormente a 2024 em nosso modelo mais recente”, apontam os analistas.

Apesar das “dores de crescimento” que os analistas do BBI viram nos últimos trimestres – ou seja, a necessidade de ajustar a estratégia da Enjoei para garantir o crescimento futuro – os analistas mantiveram recomendação de compra à medida que continuam a ver a empresa como a melhor colocada no crescente mercado de revenda. Já o preço-alvo caiu de R$ 23 (para o final de 2021) para R$ 17 (no final de 2022).

O Méliuz teve prejuízo líquido da Méliuz atribuído a controladores de R$ 6,692 milhões no segundo trimestre de 2021. O valor, 2,95% acima frente o segundo trimestre de 2020, quando o prejuízo foi de R$ 6,5 milhões.

A companhia reportou o crescimento de 120% na receita líquida, em comparação ao segundo trimestre de 2020. Além disso, abriu, em média, 39 mil novas contas por dia útil no segundo trimestre de 2021 e apresentou um aumento de 265% no número de usuários ativos, também em relação ao 2T20.

A companhia finalizou o trimestre com um total de 18,8 milhões de contas cadastradas, um crescimento de mais de 2,3 milhões de usuários ou 14,6% em relação ao primeiro trimestre e quase dobrou a base de usuários, em comparação com os últimos 12 meses, findo em 30 de junho de 2020, quando possuía 10 milhões de contas cadastradas.

A Tecnisa teve prejuízo líquido de R$ 54 milhões no segundo trimestre de 2021, um aumento de 33% em relação ao prejuízo de R$ 40 milhões no mesmo período de 2020.

O balanço foi afetado por uma perda de R$ 42 milhões proveniente de um acordo anunciado em maio com a Companhia de Participações e Empreendimentos (CPE) para extinção de um processo que discutia um contrato de compra de terreno.

A Tecnisa ajuizou ação para anular o contrato após o terreno acabar sendo desapropriado pela Prefeitura de São Paulo.

A previsão original era que a Tecnisa pagaria pelo terreno à CPE com as vendas de unidades do futuro empreendimento, que acabou inviabilizado. As partes então optaram por um acordo. Além disso, a Tecnisa espera indenização pela desapropriação.

O Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 42,3 milhões, piora de 60% no resultado. A receita líquida totalizou R$ 65 milhões, crescimento de 94%, devido à expansão de lançamentos e vendas nos últimos meses, além da venda de três terrenos considerados não estratégicos por R$ 19 milhões.

O Itaú BBA avalia os dados resultados pela Tecnisa como fracos e dentro do esperado. O banco ressalta que a empresa lançou um projeto no segundo semestre, com valor potencial de venda (PSV em inglês) de R$ 165 milhões, do qual 23% já foi vendido, e anunciou em julho a abertura de estandes de vendas de dois outros projetos com PSV de R$ 290 milhões.

O Itaú também ressalta forte queima de caixa, de R$ 156 milhões, afetados negativamente pelo acordo com a CPE, de R$ 102 milhões, e desembolso para compra de terrenos, de R$ 30 milhões. O banco mantém avaliação underperform (perspectiva de valorização abaixo da média do mercado), e preço-alvo para 2021 de R$ 9,4, frente à cotação de sexta de R$ 6,34.

A Ânima Educação registrou lucro líquido ajustado de R$ 18,7 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 42,3% ante o mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o indicador teve avanço de 31,7%, para R$ 75,1 milhões. No critério sem ajustes, o lucro foi de R$ 4,9 milhões no trimestre, ante R$ 9,5 milhões em 2020.

O Ebitda foi de R$ 150,1 milhões no trimestre e R$ 287,8 milhões no semestre, alta de 74,7% e 107,7% em relação ao mesmo intervalo de 2020. O Ebitda ajustado foi de R$ 169,2 milhões entre abril e junho e R$ 315,6 milhões, crescimento anual de 84,4% e 50,3%.

A margem Ebitda do segundo trimestre avançou 1,5 ponto porcentual, para 25,6%, enquanto a semestral teve crescimento de 8,8 p.p, para 28,7%.

A empresa atingiu aumento de 64,5% na receita líquida do trimestre, para R$ 586 milhões, e de 44,2% no primeiro semestre, totalizando R$ 1,001 bilhão. A companhia tem ainda contas a receber líquido de R$ 669,6 milhões, R$ 340,9 a mais que na comparação anual por conta das aquisições e dos efeitos de renegociações com estudantes.

A Ambipar registrou um lucro líquido de R$ 41,3 milhões no segundo trimestre de 2021, um crescimento de 241,3% versus igual período de 2020 e 28,0% comparado ao primeiro trimestre de 2021. A margem líquida atingiu 11,9%.

No trimestre, a receita líquida registrou R$165,9 milhões, um aumento de 119,1% na base anual e de 40,5% comparado ao primeiro trimestre de 2021.

Esse crescimento é oriundo principalmente do aumento no número de contratos de gestão total de resíduos com foco na valorização (17 no segundo trimestre de 2020, 66 no primeiro trimestre de 2021 e 69 no segundo trimestre de 2021). O aumento de 44 contratos (no primeiro trimestre) é resultado da incorporação da AFC, empresa adquirida em janeiro de 21, a Metal Ar adicionou 6 novos contratos e adição de 3 novos contratos da Environment, afirmou a companhia.

OceanPact (OPCT3)

A OceanPact teve lucro líquido de R$ 18,5 milhões no segundo trimestre de 2021, ante prejuízo de R$ 20,1 milhões do primeiro trimestre do ano, com melhora do resultado operacional e pelo efeito positivo não caixa de variação cambial sobre a dívida em dólar junto ao BNDES.

A receita líquida foi a R$ 197,1 milhões.

Segundo o BBA, a prestadora de serviços em ambiente marinhoapresentou resultados fracos referentes ao
segundo trimestre, porém, em linha com o esperado. O Ebitda foi de R$ 35 milhões no período.

A empresa também divulgou projeções (ou guidance) do EBITDA para 2021 e 2022. As estimativas da companhia são de R$ 160 – R$ 180 milhões para este ano, 42% abaixo da expectativa do banco; e de R$ 320 -R$ 380 milhões para o ano que vem, 30% inferior aos números dos analistas.

“As novas projeções divulgadas pela Oceanpact estão abaixo dos números discutidos durante o processo de abertura de capital, mas acreditamos que os dados piores já estejam incorporados no atual preço da ação, dado que OPCT3 caiu 65% desde o IPO da companhia, em fevereiro deste ano”, apontou.

Hermes Pardini (PARD3)

O lucro líquido da Hermes Pardini atingiu R$ 70,8 milhões no segundo trimestre de 2021, um novo recorde para a companhia, apresentando aumento de 906,8% quando comparado com o segundo trimestre de 2020, informou a companhia. A margem líquida foi de 13,6% no 2T21, aumento de 1.087 bps . A  alíquota efetiva de IR/CSLL foi de
31,4% no trimestre, sendo de 39,6% no mesmo período do ano passado.

A Priner reverteu parcialmente o prejuízo de R$ 16,7 milhões no segundo trimestre de 2020 e teve lucro de R$ 6,2 milhões no segundo trimestre de 2021.

A receita líquida avançou 131,4% entre abril e junho, para R$ 111,5 milhões.

De acordo com a XP, a Priner divulgou um forte segundo trimestre, marcado pelo robusto crescimento de receitas, em linha com a prévia operacional divulgada pela companhia em julho.

Além do aumento das vendas, destaque para o incremento substancial de margem bruta no período, impulsionado por uma combinação de menores custos relacionados à Covid-19 e melhoria de performance em todos os serviços oferecidos, principalmente naqueles de maior valor agregado (pintura, isolamento térmico e inspeções).

A Priner também entregou um Ebitda e um Lucro Líquido bem acima de nossas expectativas e indicou que o bom momento operacional deve continuar, ao celebrar um volume de novos contratos de R$ 219,9 milhões no trimestre. “Com isso, reiteramos nossa recomendação de compra em PRNR3, com preço-alvo de R$13,40 por ação”, destacam os analistas.

De acordo com a XP, a G2D reportou resultado em linha com o esperado e sem grandes surpresas no segundo trimestre de 2021, uma vez que os principais eventos já haviam sido comunicados.

O Valor Líquido dos Ativos (NAV) atingiu R$ 640 milhões no trimestre, considerando os eventos subsequentes ao trimestre, um Valor Presente Líquido de R$ 1,062 bilhão.

Os principais eventos do período foram: i) Reavaliação da Blu; ii) Reavaliação do Mercado Bitcoin; iii) Reavaliação da NotCo; iv) Venda de participação na Coinbase; v) Investimento na Seed Health e na Freddie’s Flowers.

Com isso, a XP revisou o preço-alvo para R$ 11 por ação (versus R$ 9 por ação anteriormente), pois acreditam que a empresa deva negociar com 0% de deságio em relação ao Valor Presente Líquido.

Ultrapar (UGPA3)

A Ultrapar fechou acordo para vender 100% de sua empresa de químicos especiais Oxiteno para o grupo tailandês de produtos químicos Indorama Ventures por US$ 1,3 bilhão, informaram as companhias nesta segunda-feira.

Rede D’Or (RDOR3) e Alliar (AALR3)

O grupo de hospitais Rede D’Or informou que o seu conselho de administração aprovou a realização de uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações do Centro de Imagem Diagnósticos Alliar.

Segundo fato relevante, o objetivo da OPA é adquirir a totalidade das 118.292.816 ações ordinárias da Alliar, a um preço equivalente a R$ 11,50 por papel – o que avaliaria o negócio em R$ 1,35 bilhão.

Para a XP, esta transação como um movimento muito interessante para a Rede D’Or, pois amplia seu portfólio de serviços oferecidos com uma sobreposição de operações entre as empresas em 7 Estados dos 12 Estados que a Rede D’Or opera atualmente. Além disso, aumentar sua exposição a diagnósticos ajuda a Rede D’Or a criar um ecossistema de saúde mais forte.

A oferta pública ainda está sujeita à aprovação da CVM. Em seguida, será publicado o edital da OPA estabelecendo os prazos da oferta. Após a publicação do edital da OPA o Conselho de Administração da Alliar terá 15 dias para apresentar sua opinião sobre a oferta aos seus acionistas, recomendando-lhes que aceitem ou não a oferta.

“Reiteramos nossa recomendação de Compra para a Rede D’Or e o preço-alvo de R$ 88 por ação. Para a Alliar, mantemos nossa recomendação neutra e preço alvo de R$ 10 por ação”, afirmam os analistas.

O Itaú BBA atualizou seus modelos para empresas dos setores de aço e mineração sob sua cobertura, apresentando o preço-alvo de 2022, que incorpora os resultados do segundo trimestre de 2021, as previsões sobre PIB e câmbio da equipe macro e as presunções mais altas da equipe de estratégia sobre custo de capital. A previsão para o preço médio do minério de ferro subiu levemente, de US$ 155 por tonelada para US$ 170 por tonelada.

O banco diz que vê um momento desafiador para a commodity, por conta de dados que indicam redução da produção de aço na China. E diz que as perspectivas de valorização da CSN e da Usiminas não representam proposições atraentes de risco e recompensa. Assim, o banco rebaixou ambos os papéis de outperform para market perform (perspectiva de valorização dentro da média do mercado).

Mas manteve as recomendações outperform para Vale e Gerdau, que são suas escolhas favoritas (top picks em inglês) no setor. Para a Vale, o banco apresenta preço-alvo para 2022 em US$ 25, frente ao fechamento de US$ 20,64 de sexta para os papéis VALE na Bolsa de Nova York; para a CSN, de R$ 48, frente a R$ 42,61 de sexta; para Usiminas, R$ 24, frente a R$ 21,15 de sexta para os papéis USIM5; para a Gerdau, R$ 31,32, frente a R$ 40 para os papéis GGBR4.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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CVC registra prejuízo líquido de R$ 175,5 milhões no 2º trimestre, recuo de 30,4%

A CVC Corp (CVCB3), dona, entre outros, da operadora de viagens CVC, reportou prejuízo líquido de R$ 175,570 milhões no segundo trimestre deste ano, perda 30,4% menor que a registrada um ano antes, de R$ 252,129 milhões.

Em comentários da administração que acompanham o informe de resultados, a empresa atribui o desempenho do período aos efeitos produzidos pela pandemia da covid-19 em suas operações, especialmente no Brasil. “Permanecemos otimistas com os prognósticos para o segundo semestre e início de 2022 e atentos aos eventuais desdobramentos da pandemia”, acrescenta a CVC. No acumulado do semestre, o prejuízo diminuiu de R$ 1,403 bilhão para R$ 257 milhões.

Na mesma base de comparação, a empresa obteve Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado negativo de R$ 130,834 milhões, contra Ebitda também negativo de R$ 164,366 milhões no mesmo período de 2020. No semestre, o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 194,279 milhões, ante R$ 189,769 milhões de um ano antes.

Já a receita líquida ficou em R$ 115,6 milhões no segundo trimestre, ante R$ 3 milhões informado um ano antes. O avanço se deve à retomada das atividades, afirma a companhia, mesmo com a segunda onda de covid tendo impactado o trimestre.

No semestre, entretanto, a receita líquida caiu 29,6% no comparativo anual, somando R$ 281,6 milhões.

Enquanto isso, no resultado financeiro se observou um aumento na despesa financeira líquida no segundo trimestre, que somou R$ 35,116 milhões, principalmente em razão de ganhos cambiais e na marcação a mercado de derivativos que foram efetivos no segundo trimestre.

Tal aumento, porém, foi parcialmente compensado pela redução de despesas com: juros sobre financiamentos em R$ 5,9 milhões, R$ 1,6 milhão em tarifas de boleto, R$ 1,7 milhão em IOF, R$ 2,7 milhões em juros sobre arrendamentos e R$ 8,4 milhões em atualização monetária (principalmente de contingências não materializadas e opções de compras – Ola e Bibam). As receitas financeiras do período apresentaram aumento de R$ 3,6 milhões.

No acumulado do semestre, o resultado financeiro se manteve negativo, passando de R$ 33,7 milhões para R$ 45,6 milhões.

Imposto e contribuição social

Entre abril e junho, o imposto de renda e contribuição social líquida totalizou um crédito de R$ 69,4 milhões, ante um valor negativo de R$ 317,4 milhões registrado um ano antes. O crédito, observa a CVC, se deve ao registro de créditos tributários futuros de IR/CSLL relativos aos prejuízos fiscais apurados no período.

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Segundo a companhia, no segundo trimestre de 2020 foram contabilizados Impostos Diferidos de anos anteriores, em função dos riscos de continuidade das operações da companhia existentes naquele período, que foram eliminados com as capitalizações e renegociação de dívidas ocorridas entre setembro 2020 e fevereiro 2021.

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Reforma do IR, fim da temporada de balanços e dados na China e EUA: o que acompanhar nesta semana

O plenário da Câmara dos Deputados (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

SÃO PAULO – Após mais uma semana bastante movimentada na Bolsa brasileira, os investidores agora terão um pequeno “alívio” com o calendário de indicadores, enquanto o lado político do noticiário promete manter a agitação nos negócios.

Um dos principais temas que tem guiado o mercado e que seguirá no radar nos próximos dias é a reforma do Imposto de Renda, cujo debate tem gerado apreensão entre os investidores com a falta de acordos e com as mudanças propostas.

Na semana passada, a Câmara dos Deputados decidiu adiar a votação da reforma para esta terça-feira (17). Entre os motivos para o adiamento, parlamentares avaliaram que é necessário debater o projeto para evitar que estados e municípios sejam prejudicados com perda de arrecadação.

Outra discussão importante no Congresso é a reforma eleitoral, que na última semana teve aprovado o chamado “distritão” e a volta das coligações partidárias nas eleições proporcionais (para deputados federais, estaduais e vereadores). Para esta semana está prevista a votação em segundo turno e os destaques da PEC.

Ainda no campo político, pode impacta o mercado nesta semana a discussão da PEC dos Precatórios, além do reajuste do Bolsa Família. Importante ainda acompanhar os debates da CPI da Covid, que tem sido bastante agitada nas últimas semanas.

Calendário corporativo e de indicadores

Já a agenda corporativa dá uma “folga” para os investidores com o fim da temporada de balanços do segundo trimestre. Nesta segunda-feira (16) estão previstos os últimos 11 resultados, com destaque para IRB Brasil (IRBR3), Méliuz (CASH3), Gafisa (GFSA3) e Yduqs (YDUQ3).

Entre os indicadores, a semana também é um pouco mais tranquila, sendo que no Brasil as atenções se voltam para números de inflação como o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10), divulgado na terça-feira (17).

No exterior, ainda neste domingo à noite sai uma bateria de importantes números na China, com destaque para a Produção Industrial de julho, cujos analistas consultados pela Refinitiv esperam uma alta de 7,8% na comparação anual, contra 8,3% apresentados no mês anterior.

Além disso será apresentado os dados chineses de vendas no varejo, que deve avançar 11,5% contra o mesmo período de 2020, de acordo com os economistas consultados pela Refinitiv. Em junho o varejo do país cresceu 12,1%.

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Os mesmo dois indicadores serão divulgados nos Estados Unidos na terça, com projeção dos analistas de que o varejo recue 0,2% em julho na comparação mensal (contra alta de 0,6% em junho), enquanto a produção industrial tenha crescimento de 0,5%, leve melhora sobre a alta de 0,4% no mês anterior.

“Os indicadores [na China e EUA] devem seguir mostrando avanço da atividade econômica no terceiro trimestre embora com sinais de acomodação, em especial no caso da economia chinesa”, avaliam os analistas do Bradesco.

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Follow on em 2021, vendas online e foco na classe emergente: como a RNI, da Rodobens, planeja virar o jogo

SÃO PAULO — A incorporadora RNI Negócios Imobiliários (RDNI3), do grupo Rodobens, tem algumas apostas para virar o jogo e “sair da sombra do mercado“: atuação regionalizada em lugares onde o agronegócio é forte, reforço das vendas online para fazer frente à demanda da pandemia (a modalidade já correspondeu a 10% das vendas no segundo trimestre), foco em clientes emergentes (faixa três do Casa Verde e Amarela e faixa Supereconômica) e, se o cenário permitir, uma oferta de ações (follow on) ainda em 2021.

A estratégia tem mostrado resultado: no primeiro trimestre deste ano, ela registrou lucro líquido de R$ 5,4 milhões, ante prejuízo de R$ 7,3 milhões no mesmo período de 2020; já no segundo trimestre, houve lucro de R$ 1,3 milhão, revertendo prejuízo de R$ 6,2 milhões um ano antes. Sem o desconto da participação dos minoritários, o resultado líquido da empresa ficou em R$ 3 milhões no período.

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“O cliente do supereconômico é um cliente emergente. Quem é ele? É alguém que comprou algum produto dentro do programa [Casa Verde e Amarela] e ele depois quis ter algo um pouco melhor. Aí eu tenho para oferecer para ele um produto que é imediatamente após. No Brasil, essa faixa era desassistida: ou as empresas operavam dentro do programa ou operavam no SBPE, em torno de R$ 380 mil, R$ 450 mil. Pelo menos na macroregião onde nós atuamos, é uma demanda real e a gente consegue fazer conversão [de venda]”, disse Carlos Bianconi, CEO da RNI, em live do InfoMoney.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Henrique Ravazzi, gerente de relações com investidores da companhia e que também participou da live, destacou o forte landbank da companhia no segundo trimestre, de R$ 5,6 bilhões, com os terrenos em permuta. “Eu faço menção ao primeiro semestre de 2019 porque foi quando a companhia iniciou a revisão do seu planejamento estratégico e consequentemente a mudança do seu landbank [banco de terrenos]. Já tivemos um crescimento de 144%”, disse.

Os executivos comentaram ainda sobre o aumento da Selic, que, segundo eles, não assusta (a empresa considerou em seu plano estratégico uma taxa de juros entre 5% e 8% neste ano), falaram também sobre repasses nos preços da inflação de materiais de construção e revisão de contratos trocando indexador IGP-M por IPCA, além de investimentos em inovação. Assista à entrevista completa acima, ou clique aqui.

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Como a operação da MRV nos EUA deve se tornar maior do que a do Brasil — e não vai demorar muito

SÃO PAULO — A compra da AHS pela MRV (MRVE3) em 2020 por cerca de US$ 220 milhões foi “baratíssima”, na visão do CEO do grupo, Rafael Menin. Segundo ele, as operações da subsidiária em três estados americanos é promissora e tem crescido — e deve superar o tamanho do negócio brasileiro nos próximos anos.

“É uma operação que a gente está muito otimista. A gente quer chegar em 6.000 unidades por ano no primeiro ciclo [de crescimento]. A partir de 2025, a gente acha que essa empresa tem totais condições de chegar a 10.000 unidades por ano, a um valor médio de mais ou menos US$ 250 mil. Pode ser uma empresa de US$ 2 bilhões, US$ 2,5 bilhões por ano”, disse o executivo, em live do InfoMoney.

“Isso daria uma operação de R$ 12 bilhões, com uma rentabilidade muito elevada. Em algum momento, essa companhia que hoje, na minha opinião, ela vale zero no valor do nosso papel, ela vai ter uma representatividade no resultado da companhia muito importante. E possivelmente a AHS vai ser maior do que a operação no Brasil”, completou o executivo.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Enquanto os negócios da AHS não decolam, os executivos seguem focados no Brasil e de olho em alguns temas importantes, como a reforma tributária. “A reforma tinha alguns aspectos peculiares dentro do nosso segmento. Um deles era a tributação dos dividendos dentro do fundo imobiliário, isso já ficou para trás. Tinha também uma discussão de tributação dentro da estrutura da holding (…), isso também já ficou para trás. Em relação à tributação de dividendos, a MRV vai ser impactada com qualquer outra empresa. Empresas listadas têm uma alternativa, que é a recompra de ação, mas não vejo como algo sustentável”, disse Ricardo Paixão, CFO do grupo.

Os executivos falaram ainda sobre impacto do aumento da Selic sobre os negócios, pagamento de dividendos, sobre as operações da Luggo no Brasil, além do preço atual das ações da MRV na Bolsa atualmente. “A AHS, como eu disse, pode ser uma operação bem maior que a brasileira. A empresa deveria estar valendo R$ 20 bilhões, R$ 30 bilhões, R$ 40 bilhões, que é o valor que eu vejo para empresas com lucro parecido. A gente está valendo hoje menos de R$ 7 bilhões. Muito menos que as empresas de outras indústrias com o mesmo tamanho que a MRV. Isso é totalmente injustificável”, disse Menin.

“Por algum motivo os investidores estão olhando a fotografia de curto prazo e estão deixando de olhar para esse longo prazo. Quem operar bem nesse segmento, quem está fazendo um bom trabalho, como o nosso, com atuação nacional, sendo exposto a várias fontes de funding, investimento maciço em tecnologia, a empresa disparada mais tecnológica do setor, eu não tenho a menor dúvida que a gente deveria valer muito mais do que a gente vale hoje”, completou o CEO. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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Mais de 70% da receita: como a Marfrig ancorou seu balanço na forte demanda por carne bovina dos americanos

SÃO PAULO — Maior produtora global de hambúrgueres, a Marfrig (MRFG3) ancorou seu balanço na forte demanda por carne bovina dos americanos. A operação da empresa na América do Norte já é responsável por mais de 70% da receita do grupo no segundo trimestre deste ano — e a expectativa dos diretores da companhia é de que esse percentual pode aumentar.

“A gente tem visto desde o início do ano uma demanda crescente por carne bovina na América do Norte. O primeiro trimestre já trouxe números pujantes em relação à demanda, muito puxado pelo pacote de incentivos do governo americano, pela retomada da economia e avanço da vacinação nos Estados Unidos”, disse Eduardo Puzziello, diretor de relações com investidores da companhia, em live do InfoMoney.

“No segundo trimestre, a gente observou não só o efeito sazonal do barbecue season, mas também a retomada do food service por lá. Isso fez com que as margens da indústria subissem muito forte. (…) A gente trouxe margem em torno de 24,5% nos Estados Unidos. Normalmente a gente vê um segundo semestre um pouco mais suave, mas estamos vendo uma contínua demanda por carne bovina. (…) É provável que o segundo semestre de 2021 seja superior ao segundo semestre de 2020. Para o ano que vem, a gente espera ter uma demanda ainda muito forte e saudável, embora não tão forte quanto 2020 e 2021, mas mais forte do que 2019″, completou o executivo.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Miguel Gularte, CEO da Marfrig e que também participou da live, comentou sobre algumas dificuldades logísticas no trimestre, como aumento do custo dos fretes e atraso na partida de navios, o que fez a companhia compensar a menor exportação com o mercado interno.

“O nosso modelo no ano passado estava focado em 70/30, sendo 70% exportação e 30% mercado interno. Agora, com esse problema logístico, estamos em 60/40, sendo 60% exportação e 40% mercado interno”, disse. “O dólar beneficia as exportadoras e ano que vem é um ano eleitoral. Geralmente o dólar tende a ficar mais valorizado em anos eleitorais, beneficiando o negócio”, completou.

Tang David, CFO do grupo, também participou da live e ressaltou que a Marfrig conseguiu encerrar o segundo trimestre de 2021 com sua menor alavancagem da história, de 1,45x o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

“Isso é fruto da nossa disciplina financeira. Continuaremos com essa disciplina financeira. Não temos nenhum M&A [fusão e aquisição] em planejamento. Nossa prioridade na gestão do capital é reduzir o endividamento, o que reduz despesa financeira e isso gera mais lucro. Aí eu remunero o acionista através da distribuição de dividendo”, afirmou o executivo.

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Puzziello, Gularte e David falaram ainda sobre e-commerce de carne, programa de recompra, demanda crescente da China, especialmente de carne suína, do cenário na América Latina, inclusive a paralisação das exportações na Argentina durante o segundo trimestre, e sobre a nova fábrica de hambúrguer da empresa no Brasil. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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Radar da próxima semana: Ânima, Gafisa, IRB Brasil e mais empresas encerram a temporada de balanços

IRB

(Bloomberg) — A safra de balanços do 2º trimestre chega ao fim em meio ao avanço da vacinação contra o Covid-19 e à queda no número de internações, mas seus efeitos são atenuados internamente pelos ruídos políticos e o risco fiscal. Acompanhe a movimentação no mercado corporativo:

A semana

  • 16/agosto: Ânima, Boa Vista, Cemig, Cruzeiro do Sul, Focus Energia, Gafisa, Instituto Hermes Pardini, IRB Brasil, Méliuz, Mosaico, Yduqs informam seus resultados trimestrais
  • 17/agosto: Nada previsto até o momento
  • 18/agosto: Vencimento de opções sobre Ibovespa na B3
  • 19/agosto: Arco Platform, startup brasileira de educação listada na Nasdaq, divulga resultados
  • 20/agosto: Vencimento de opções sobre ações na B3

Modelo de venda

A Petrobras contratou o JPMorgan como assessor financeiro em eventual venda da sua participação na Braskem, empresa que já faz parte da carteira de ativos para desinvestimento da estatal. Ainda não há, até o momento, definição ou decisão sobre o modelo de venda, disse a Petrobras. A Braskem reverteu o prejuízo com um lucro líquido de US$ 7,42 bilhões no 2T21

Quem leva?

O projeto de lei que prevê a privatização dos Correios passou pela Câmara dos Deputados e agora precisa ser aprovada pelo Senado, mas as manifestações de empresas já começam a aparecer, tanto mostrando interesse quanto descartando o negócio. De um lado, a JSL admite avaliar, mas só depois de conhecer as regras do leilão. Já o Mercado Livre nega interesse na aquisição.

Discute fechar

Os controladores da Minerva, VDQ e Salic, começam a discutir a possibilidade de fechar o capital da companhia e aproveitar o desconto implícito que os acionistas enxergam na empresa, disse o Valor sem revelar como obteve a informação. Os controladores fariam OPA a R$ 12 por ação, um prêmio de 40% sobre a atual cotação, segundo a reportagem. A própria Minerva, em comunicado de esclarecimento ao mercado, disse que não há qualquer informação passível de divulgação sobre o assunto e que não pretende fechar o seu capital.

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Cyrela é “medalha de ouro” no pódio das construtoras no 2º tri; segmento de baixa renda sofre por alta dos custos

SÃO PAULO – Em meio à alta da inflação, que tem elevado os custos e pesado sobre o desempenho de companhias do setor de construção na Bolsa, destacaram-se no segundo trimestre aquelas que conseguiram apresentar bons resultados mesmo em meio aos ventos contrários.

Neste cenário, o destaque entre as companhias que divulgaram resultados na noite da última quinta-feira (12) ficou por conta das construtoras residenciais de média e alta renda, que conseguiram repassar o aumento dos preços aos seus clientes, reportando melhora na margem bruta.

Por outro lado, devido à maior sensibilidade dos clientes do segmento de baixa renda aos aumentos de preços e ao teto de valor do programa habitacional Casa Verde e Amarela, as margens de incorporadoras focadas nesse público permaneceram sob pressão no período.

Em relatório que criou o “pódio das incorporadoras” sob cobertura, a XP atribuiu a medalha de ouro do setor entre as companhias que divulgaram resultado na véspera à Cyrela (CYRE3).

Na avaliação dos analistas, a companhia reportou margens brutas melhores e mais fortes do que o esperado, de 37,4%, principalmente devido aos lançamentos recentes com margens superiores, que compensaram o impacto dos maiores custos de construção.

O desempenho mais forte de suas Joint Ventures também ajudou o lucro líquido a superar a estimativa da casa para o trimestre.

Entre abril e junho deste ano, a Cyrela teve um lucro líquido de R$ 267 milhões, crescimento de 298,2% na base de comparação anual. Já a receita líquida da companhia somou R$ 1,18 bilhão, valor 101,6% superior ao do segundo trimestre de 2020.

A XP tem recomendação de compra para os papéis CYRE3 e preço-alvo de R$ 33 por ação.

Os dados da Cyrela referentes ao segundo trimestre também foram interpretados como positivos pelo Itaú BBA, que destaca a intensa compra de terrenos pela companhia, que totalizou 13 empreendimentos no período, dez deles localizados na cidade de São Paulo.

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O banco tem recomendação de outperform (acima da média do mercado) para os papéis da construtora e preço-alvo de R$ 34,80.

Apesar de uma análise positiva do mercado, as ações CYRE3 encerraram o pregão desta sexta com baixa de 1,5%, negociadas a R$ 19,04.

Eztec ganha medalha de prata…

A medalha de prata entre as construtoras ficou com a Eztec (EZTC3), segundo a XP.

Os analistas avaliam que as margens mais fortes no período foram resultado de um mix mais favorável de projetos sendo reconhecidos, caso do empreendimento Cidade Maia, e de preços de vendas mais elevados.

No último trimestre, a Eztec registrou lucro líquido de R$ 139,5 milhões, montante 104% maior do que no mesmo período de 2020. Já a receita operacional líquida somou R$ 289 milhões, expansão de 89%.

A XP tem recomendação de compra para os papéis da companhia e preço-alvo de R$ 48 por ação.

O Itaú BBA por sua vez, escreve que os números da Eztec vieram amplamente em linha com as estimativas do banco, uma vez que a receita ligeiramente mais fraca foi mais do que compensada por melhores margens brutas, particularmente aquelas decorrentes de vendas de estoque de unidades acabadas.

O banco também tem recomendação outperform para as ações da empresa e preço-alvo de R$ 48.

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Os papéis EZTC3 encerraram o pregão desta sexta em baixa de 0,88%, a R$ 25,88.

Leia também:
Em cenário de custos crescentes impactando resultados de incorporadoras, Direcional é destaque positivo

… e o bronze fica com Lavvi

O pódio da XP é completado pela Lavvi (LAVV3), que apresentou resultados sólidos, na opinião dos analistas da XP, impulsionados pelos lançamentos recentes, em especial o empreendimento Villa Versace.

Os analistas escrevem que a Lavvi apresentou uma pequena queima de caixa de R$ 6 milhões no balanço patrimonial, já que a entrada de caixa das vendas do projeto Versace foi compensada pela aquisição de terrenos.

O time de análise também reforça a posição de caixa líquido robusto da companhia, com alavancagem de dívida líquida sobre o patrimônio líquido negativa em 60,5%.

A XP tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 11,50 por ação para a construtora.

A opinião é compartilhada pelo BBA, que afirma que a Lavvi relatou resultados robustos, superando as estimativas devido ao bom desempenho de vendas e em meio às margens sólidas provenientes da Villa Versace.

O banco tem recomendação outperform e preço-alvo de R$ 12,20 para os papéis da companhia.

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Os papéis LAVV3 encerraram o pregão próximos da estabilidade, a R$ 7,18.

Fora do pódio da XP, a Cury publicou resultados positivos, com o robusto crescimento da receita sustentado pelo forte desempenho de vendas no trimestre, apontam os analistas.

O time de análise escreve ainda que as despesas operacionais um pouco maiores foram compensadas por uma menor carga tributária efetiva, o que levou seu lucro líquido para R$ 79 milhões

Entre abril e junho deste ano, a companhia também reportou recorde de receita líquida de R$ 451,2 milhões, alta de 83,3%, com patamares recordes de lançamentos e vendas do período, de R$ 686,2 milhões e R$ 682,6 milhões, respectivamente.

Os resultados levaram a XP a reiterar a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 15.

O Itaú BBA reforça que a Cury apresentou margens “surpreendentemente positivas” mesmo em um cenário desafiador de aumento dos custos.

Com recomendação outperform para os papéis da companhia e preço-alvo de R$ 15,30, o banco enaltece o forte conjunto de números reportados no trimestre, com destaque para a expansão da margem bruta, que ficou em 36,1% entre abril e junho deste ano.

Os papéis CURY3 encerraram o pregão desta sexta em alta de 1,5%, a R$ 8,25.

Os resultados do segundo trimestre da Trisul em linha com as estimativas da XP levou a casa a manter sua visão construtiva para a companhia e a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 14 por ação.

Segundo os analistas, apesar da receita marginalmente abaixo do esperado, ela foi compensada por uma margem bruta de 37,8%, o que levou seu lucro líquido para patamares próximos dos números esperados.

Já no balanço patrimonial, o time cita que a companhia reportou uma pequena geração de caixa operacional de R$ 6,5 milhões, o que é vista pela XP como saudável.

Os papéis TRIS3 encerraram o pregão desta sexta em queda de 4,4%, a R$ 7,57.

Plano&Plano (PLPL3)

Por fim, o Itaú BBA interpreta os resultados do segundo trimestre da construtora voltada para o público de baixa renda Plano&Plano como negativos.

O time avalia que os dados vieram fracos, com forte compressão da margem bruta e maiores despesas com vendas, gerais e administrativas levando a uma perda considerável de lucro por ação.

Os papéis encerraram o pregão desta sexta-feira (13) com forte queda de 9,7%, negociados a R$ 4,29.

Do lado positivo, a casa destaca que mesmo com as aquisições de terrenos no período, a empresa teve uma geração de caixa de R$ 34 milhões no trimestre.

O Itaú BBA tem recomendação outperform para os papéis da construtora e preço-alvo de R$ 12,90.

Em relatório, a XP também chama atenção para os resultados mais amenos da companhia devido às maiores despesas operacionais, que pressionaram seus resultados trimestrais e levaram a um lucro líquido abaixo das estimativas da casa.

Apesar dos resultados mais amenos no curto prazo, a XP mantém sua visão positiva para o papel no longo prazo e a recomendação de compra, com preço-alvo de R$10 por ação.

Na avaliação da XP, o desempenho recorde de vendas abre espaço para que as companhias de baixa renda aumentem gradativamente os preços e recuperem suas margens no longo prazo, sem comprometer a velocidade de vendas.

Por Dentro dos Resultados
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Ibovespa fecha em alta, mas não evita perdas de 1,3% em semana marcada por política e resultados; dólar cai a R$ 5,24

financial charts, business analytics and intelligence concept (Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em leve alta de 0,41% depois de uma sessão extremamente volátil nesta sexta-feira (13), dia em que a bateria de resultados divulgada no dia anterior foi o principal driver do mercado. Apesar da valorização, o índice não conseguiu apagar as perdas de 1,32% na semana, que teve como destaques a temporada de balanços e o clima de muita tensão e incerteza em Brasília.

Na véspera, o índice havia recuado 1,11% a 120.700 pontos, seu menor patamar de fechamento desde 12 de maio. Com a recuperação de hoje, o Ibovespa volta a ficar acima dos 121 mil pontos, porém ainda com muita política ainda no horizonte.

A votação da reforma do Imposto de Renda na Câmara dos Deputados foi adiada para terça-feira (17) em meio a divergências entre governadores, prefeitos e empresários sobre o texto apresentado pelo relator, deputado Celso Sabino (PSDB-PA).

Sobre resultados, João Beck, economista e sócio da BRA, acredita que chama a atenção o fato dos balanços positivos que vem sendo reportados pelas empresas atingirem níveis bastante superiores aos do período anterior à pandemia. No entanto, Beck ressalta que Bolsa e dólar continuam operando em tom morno.

Uma das ações que representam isso é a da Magazine Luiza (MGLU3), que a despeito de números positivos, chegou a puxar a queda do benchmark da B3 com desvalorização de aproximadamente 3% depois do balanço. Para mais destaques de ações, clique aqui.

Lá fora, os índices das bolsas dos Estados Unidos registraram leves ganhos depois de forte resultado da Disney, cujas ações subiram 1% após terem chegado a mostrar valorização de 5% no início do dia.

Entre os indicadores, foi divulgado por aqui o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) relativo a junho, que mostrou um avanço de 1,14% na economia brasileira no período, número acima dos 0,4% previstos pelos economistas segundo dados compilados pela Refinitiv. O IBC-Br é considerado uma prévia do dado do Produto Interno Bruto (PIB).

Já o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar das Forças Armadas como poder moderador ao criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar inquérito contra ele por quebrar o sigilo das investigações da Polícia Federal sobre a invasão dos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente disse que a investigação interessa a todos e, por isso, deveria ser pública.

Hoje, Moraes também determinou a prisão de Roberto Jefferson (PTB-RJ) por participação em uma milícia digital que comete ataques à democracia.

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O Ibovespa teve alta de 0,41%, a 121.193 pontos com volume financeiro negociado de R$ 30,862 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial caiu 0,21% a R$ 5,244 na compra e a R$ 5,245 na venda. Na semana, a moeda dos Estados Unidos teve uma apreciação de 0,17% ante o real. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra leve variação negativa de 0,06% a R$ 5,262 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu três pontos-base a 6,61%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de oito pontos-base a 8,37%, o DI para janeiro de 2025 avançou 13 pontos-base a 9,42% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de 15 pontos-base a 9,83%.

Voltando ao exterior, na Ásia, a maior parte das bolsas fechou em queda, com destaque negativo para bolsas da Coreia do Sul, que caíram 1,16%, e para as de Taiwan, que recuaram 1,38%.

Entre os destaques negativos nas bolsas coreanas estão aquelas da Samsung Electronics, que caíram 3,38%; as da Samsung C&T, que recuaram 0,74%; as da Samsung Life Insurance, que perderam 0,39%; e as da Samsung SDS, que caíram 1,96%.

As perdas ocorreram após o vice-presidente da Samsung Electronics, Jay Y. Lee ser libertado da prisão nesta sexta. Ele foi condenado por corrupção e, mais cedo na semana o ministro da Justiça do país havia anunciado que ele poderia pedir liberdade condicional.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng perdeu 0,7%; na China continental as bolsas perderam 0,24%; no Japão, o Nikkei perdeu 0,14%.

Covid e CPI

Na quinta (12), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 884, queda de 13% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 975 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

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A média móvel de novos casos em sete dias foi de 31.229, o que representa queda de 12% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.571 casos.

Chegou a 112.046.147 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 52,91% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 48.269.832 pessoas, ou 22,8% da população.

Na quinta a CPI da Covid no Senado ouviu o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), acusado de envolvimento na pressão para que o Ministério da Saúde assinasse o contrato para compra da vacina indiana Covaxin, produzida pela Bharat Biotech. De acordo com o deputado Luís Miranda (DEM-DF), que fez a denúncia sobre os supostos problemas na compra da vacina, ao contar ao presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto, teria ouvido que se tratava de um esquema de Barros.

O líder do governo afirmou que foi um mal-entendido, e que Bolsonaro teria apenas perguntado se ele estaria envolvido ao ver sua foto em uma reportagem sobre o caso da empresa Global –proprietária da Precisa, então representante da Covaxin no Brasil– em que Barros é investigado.

Barros negou qualquer envolvimento com o caso da Covaxin e alegou nunca ter tratado do tema com ninguém no Ministério da Saúde.

O deputado também disse acreditar que produtores de vacina se afastaram do Brasil após a atuação da CPI. Senadores reagiram pontuando que a CPI tem pouco mais de 90 dias de atuação, e que o governo federal deixou de assinar contratos de compras de vacina com empresas grandes, como a Pfizer, ainda no ano passado.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) suspendeu a sessão após fala de Barros. Ele afirmou que o deputado voltará a ser ouvido, mas da próxima vez não como testemunha, e sim como investigado.

Após a sessão, Barros voltou a realizar a acusação: “A CPI faz seu trabalho, mas o fato é que não há mais laboratórios procurando o Brasil porque não querem se expor a esse tipo de inquirição que a CPI faz”.

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Aparentemente, Barros se referia à vacina chinesa CanSino, que tinha, até o mês passado, a empresa farmacêutica Belcher como sua representante. Os donos da Belcher são amigos pessoais do deputado. A CanSino cancelou o contrato com a empresa e está, no momento, sem representante para poder vender vacinas ao país.

No entanto, procurado pelo jornal Valor Econômico, o vice-presidente de Negócios Internacionais da farmacêutica chinesa, Pierre Morgon, negou que a decisão tenha relação com a CPI. Ao contrário, afirmou que a decisão foi tomada por questões de compliance da Belcher e que segue interessado em vender a vacina para o Brasil.

Inquérito contra Bolsonaro, precatórios, inflação e Auxílio Brasil

A Câmara dos Deputados concluiu na quinta-feira a votação em primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma eleitoral, que introduziu a volta das coligações nas eleições proporcionais e alterou a data de posse dos governadores.

Durante a análise dos destaques ainda na quarta-feira havia sido retirada do texto a implantação do chamado distritão para a eleição de deputados federais, distritais e estaduais e vereadores.

Já a votação da proposta de reforma do IR foi adiada para a próxima terça-feira após decisão de líderes na Câmara. O relator da proposta, Celso Sabino, recuou ainda mais na proposta de redução de IR, que agora passará a ser de 8,5 pp de 25% para 16,5%. As alíquotas de CSLL, por sua vez, cairão em 1,5 pp.

Além disso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou na quinta a abertura de um novo inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro pelo vazamento da íntegra da investigação sigilosa da Polícia Federal sobre o ataque hacker sofrido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018, meses antes das eleições daquele ano. A investigação havia sido publicada pelo presidente em redes sociais.

A decisão de Moraes também determina que Facebook, Twitter e outras redes sociais retirem imediatamente do ar publicações de Bolsonaro. Pede, ainda, o afastamento do delegado que preside o inquérito em questão.

Não há, no inquérito, qualquer conclusão que sugira risco de adulteração das urnas, ao contrário do que diz o presidente. A divulgação de segredo está tipificada no Código Penal.

“Levando em consideração que a divulgação de dados de inquérito sigiloso da Polícia Federal pelo presidente da República, através de perfis verificados nas redes sociais, teria o objetivo de expandir a narrativa fraudulenta que se estabelece contra o processo eleitoral brasileiro, com objetivo de tumultuá-lo, dificultá-lo, frustrá-lo ou impedi-lo, atribuindo-lhe, sem quaisquer provas ou indícios, caráter duvidoso acerca de sua lisura, revela-se imprescindível a adoção de medidas que elucidem os fatos investigados”, escreveu Moraes em sua decisão.

Também na quinta, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, anunciou a ampliação das medidas de auditoria do sistema eletrônico de votação, visando aumentar a transparência da urna eletrônica. O anúncio vem após a rejeição pela Câmara dos Deputados de proposta que obrigaria a impressão do voto pela urna.

Além disso, em nota na quinta-feira, o Ministério da Economia disse que o fundo criado pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios não ficará fora do Orçamento, afetando, portanto, o resultado primário da União.

Por outro lado, o ministério reconheceu que o pagamento antecipado de precatórios com recursos do fundo ficará, pela proposta, fora da regra do teto de gastos, que é vista como a única âncora fiscal do país.

“Dado que as principais receitas que compõem o Fundo têm natureza extraordinária, a quitação antecipada desse passivo é incerta quanto ao momento e à magnitude, de modo que sua inclusão no teto dos gastos acabaria por afetar negativamente a execução de outras despesas, que teriam que sofrer fortes ajustes intempestivamente”, justificou o ministério.

Requisições de pagamento expedidas pela Justiça após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais, os precatórios são despesas obrigatórias. Como têm crescido vertiginosamente, eles têm na prática comido espaço, sob a regra do teto, para outros gastos públicos.

Pela proposta do Executivo, o fundo alimentado com venda de ativos do governo previsto na PEC poderá apenas pagar a dívida pública (possibilidade que já fica hoje fora da regra do teto) e antecipar a quitação de precatórios parcelados.

Além disso, o presidente Jair Bolsonaro avaliou em sua transmissão semanal das redes sociais na quinta que a inflação de quase 9% acumulada em 12 meses é um “número grande”, e disse que medidas têm sido tomadas para combater a alta de preços.

A inflação oficial brasileira acelerou com força em julho e atingiu o nível mais alto para o mês em quase 20 anos, ainda sob intensa pressão dos preços da energia elétrica e levando a taxa acumulada em 12 meses a encostar em 9%, enquanto o Banco Central intensifica o aperto monetário.

“Não queiram que o governo federal resolva tudo, não dá para resolver”, disse o presidente. “No mais, estamos tendo inflação? Sim. E é no mundo todo.”

Bolsonaro afirmou que conversa com frequência com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o assunto. Defendeu ainda que a adoção do isolamento social como instrumento de prevenção à disseminação da Covid-19 por Estados e municípios teria prejudicado a economia, com reflexos na inflação.

O presidente também confirmou na quinta que o governo federal vai encerrar em outubro o pagamento do auxílio emergencial concedido por causa da pandemia de Covid-19, com o início do pagamento do novo programa social, Auxílio Brasil, a partir de novembro. O programa também deverá substituir o Bolsa Família.

O auxílio emergencial foi lançado originalmente no ano passado com o valor mensal de R$ 600, sendo posteriormente reduzido para R$ 300. O valor atual médio do auxílio é de R$ 230.

Além disso, projeções divulgadas na quinta pelo Ministério da Agricultura, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Brasil deverá atingir R$ 1,109 trilhão em 2021, acima da estimativa divulgada no mês passado, de R$ 1,099 trilhão. Na comparação anual, a nova estimativa representa alta de 9,8%, acrescentou a pasta em comunicado.

Do valor apresentado, as lavouras são responsáveis por R$ 757 bilhões, cifra 12,8% superior à de 2020, enquanto a pecuária responde por R$ 352 bilhões, crescimento de 4% em relação ao ano passado.

A pasta destacou que o milho, citada como a lavoura mais prejudica pelos efeitos climáticos representados pela estiagem e pelas geadas, especialmente no Sul do país, teve sua perda de produção compensada pelos preços, que avançaram 26,1% em valor real.

Radar corporativo

A sessão marcou a estreia da ação da Kora Saúde na Bolsa com forte alta de 11,67%.

Ainda em destaque, em teleconferência com investidores na quinta para comentar os resultados da Eletrobras relativos ao segundo trimestre, o presidente da empresa, Rodrigo Limp, disse que o cronograma para privatização é “desafiador”, com uma série de etapas a serem cumpridas até a operação de privatização estimada para fevereiro de 2022. Mas ele disse que o “follow-on” ocorrerá dentro do prazo.

A temporada de balanços segue no radar: a Embraer apresentou lucro líquido ajustado (excluindo-se impostos diferidos e itens especiais) de R$ 212,8 milhões e lucro por ação ajustado de R$ 0,29. Este é o primeiro lucro líquido ajustado trimestral da companhia relatado desde o primeiro trimestre de 2018.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
CPFE3 8.27869 26.42
EMBR3 7.27554 20.79
HGTX3 5.404 40.57
B3SA3 5.39957 14.64
ENGI11 5.34629 43.35

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
LAME4 -9.13242 5.97
AMER3 -7.87956 43.14
VVAR3 -6.37945 11.3
MGLU3 -3.3381 20.27
QUAL3 -2.96827 18.96

A Cogna teve prejuízo líquido ajustado de R$ 20,376 milhões no segundo trimestre, queda de 85,4% nas perdas na comparação com igual período de 2020. A receita líquida foi a R$ 1,3 bilhão, uma redução de 5% refletindo as pressões de receita no ensino superior presencial, cujo resultado foi parcialmente compensado pelo crescimento observado nas receitas de ensino superior EAD e Vasta.

Já a Americanas divulgou na quinta-feira seu primeiro resultado após a combinação dos ativos da antiga B2W com os da Lojas Americanas, um desempenho que reverteu prejuízo proforma de um ano antes com lucro líquido de R$ 225 milhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,07 bilhão de abril a junho, crescimento proforma de 44,9% sobre um ano antes.

A Sabesp teve lucro de abril a junho de R$ 773,1 milhões, um salto de 104,4% ante mesma etapa de 2020. Porém, o resultado veio pouco abaixo da previsão de analistas compilada pela Refinitiv, de R$ 819,5 milhões de reais.

A CPFL registrou lucro líquido de R$ 1,126 bilhão no primeiro trimestre de 2021, salto de 143,6% ante igual período do ano passado, em meio a uma retomada no consumo de eletricidade no país, informou a empresa nesta quinta-feira. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) consolidado atingiu R$ 2,054 bilhões, avanço de 70% na comparação anual, acrescentou a CPFL, do grupo chinês State Grid.

A Cyrela teve lucro líquido de R$ 267 milhões para o segundo trimestre, evolução de 39% sobre os três primeiros meses do ano e forte incremento sobre o resultado positivo de R$ 68 milhões de um ano antes. Analistas, em média, esperavam lucro líquido de cerca de R$ 209 milhões para a companhia de abril ao fim de junho, segundo dados da Refinitiv.

A Lojas Renner divulgou na quinta-feira queda de 76,4% no lucro líquido do segundo trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, pressionada em parte por expansão nas despesas operacionais. A empresa teve lucro líquido de R$ 193 milhões ante expectativa média de analistas de R$ 131,7 milhões, segundo dados da Refinitv.

A companhia de alimentos BRF registrou prejuízo líquido de R$ 199 milhões no segundo trimestre de 2021, revertendo lucro de 307 milhões de reais visto no mesmo período do ano passado.

O Magazine Luiza afirmou que, entre abril e junho, as vendas totais do grupo cresceram 60,5%, para R$ 13,7 bilhões, refletindo aumento de 46,4% no e-commerce e de 111,6% nas lojas físicas. O lucro líquido ajustado atingiu R$ 89 milhões, ante prejuízo de R$ 62 milhões de um ano antes. No trimestre, o lucro Ebitda ajustado cresceu 209% na comparação anual, com avanço de 2,5 pontos percentuais na margem.

O BNDES informou na quinta lucro líquido no segundo trimestre de R$ 5,3 bilhões. As vendas de ações de Vale e Klabin, contribuíram com um lucro líquido de R$ 7 bilhões e o desempenho no semestre ainda foi impulsionado pelo resultado positivo de R$ 1,4 bilhão com equivalência patrimonial da JBS.

A elétrica Energisa informou na quinta-feira lucro líquido consolidado de R$ 749 milhões no segundo trimestre de 2021, revertendo o prejuízo de R$ 88 milhões apurado em igual período do ano passado.

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Além da temporada, o conselho de administração da JBS aprovou na quinta-feira o envio de uma carta-proposta à Pilgrim’s Pride (PPC) para aquisição da totalidade das ações ordinárias em circulação de emissão da companhia, com o objetivo de realizar o fechamento de capital da empresa norte-americana. A oferta é de US$ 26,50 para cada ação da PPC, conforme fato relevante publicado pela companhia brasileira.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Cogna tem “finalmente” um trimestre melhor do que o esperado e ação fecha em alta, mas analistas ainda preferem esperar para ver

Kroton passa a se chamar Cogna NOVA EMPRESA: Kroton passa a se chamar Cogna, holding reunindo quatro companhiar

SÃO PAULO – O momento chegou. Depois de diversos trimestres decepcionando os investidores, ainda que mostrando aos poucos os seus progressos em fazer uma reestruturação na operação, a companhia de educação Cogna (COGN3) finalmente divulgou resultados acima das expectativas. Com isso, os ativos chegaram a subir 5,81% na máxima do dia, ainda que amenizando a alta e fechando com ganhos de 1,53%, a R$ 3,32.

“Depois de decepcionar o mercado nos últimos trimestres, a Cogna registrou um segundo trimestre de 2021 melhor do que o esperado devido ao forte desempenho de sua divisão de ensino superior – Kroton”, destacam em relatório Vitor Pini e Matheus Soares, analistas da XP.

A companhia registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 20,376 milhões no segundo trimestre, queda de 85,4% nas perdas na comparação com igual período de 2020, quando teve perdas de R$ 139,987 milhões.

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A receita líquida foi a R$ 1,3 bilhão, uma redução de 5% refletindo as pressões de receita no ensino superior presencial, cujo resultado foi parcialmente compensado pelo crescimento observado nas receitas de ensino superior à distância e Vasta. O número ficou 11% acima das estimativas dos analistas da XP, principalmente devido à Kroton e seu tíquete médio melhor que o esperado.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) recorrente da Cogna foi de R$ 329,5 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa um crescimento de 173,2% na comparação com o mesmo período de 2020.

No mesmo período, a margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) recorrente atingiu 25,3%, uma expansão de 16,5 pontos percentuais, 2,6 pontos percentuais acima da estimativa dos analistas da XP por conta da graduação, o que compensou a margem negativa da Vasta.

O Morgan Stanley também destaca que  principal destaque foi a margem da Kroton, expandindo 29 pontos percentuais em relação ao ano anterior, impulsionada por menores despesas com marketing e provisões. “A receita continuou sob pressão, principalmente pelo ensino presencial, com queda de 21%, mas também superou as estimativas do consenso”, avaliam os analistas.

Para os analistas do banco americano, os resultados do Cogna estão começando a melhorar, com melhoria impulsionada por despesas menores, melhor dinâmica de provisões e despesas de marketing muito mais baixas. “Nesse ponto, preferimos ver melhorias no patamar de margem bruta, que a nosso ver deve ser o principal beneficiário de todo o esforço de reestruturação que a Cogna vem fazendo na Kroton”, avaliam.

Cabe destacar que, em meados de 2020, a Cogna anunciou a reestruturação no segmento de ensino superior, de forma a focar os negócios em cursos de mensalidades elevadas, considerados “premium”, além da hibridização do ensino, com aulas online e presenciais. As mudanças, assim, parecem dar frutos.

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Por outro lado, alguns outros segmentos tiveram surpresas negativas. A Saber, rede dedicada à educação básica do grupo, segue pressionada pela pandemia da Covid-19. As receitas permanecem sob pressão, em queda de 3%, puxadas por uma queda na base de alunos e fraco desempenho da Red Balloon, com queda de 16% das receitas na base anual. Outras margens de negócios também tiveram um desempenho negativo, aponta o Morgan.

Contudo, o banco destaca que a relação de dívida líquida e Ebitda ficou em 2,13 vezes, abaixo do limite de 3 vezes dos covenants. Os covenants são obrigações associadas às debêntures, que preveem garantias aos investidores que compram os títulos. No caso específico da Cogna, os covenants das debêntures referidas preveem que, se a empresa superar o patamar de endividamento de 3 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda, a dívida vence imediatamente e o emissor, no caso a Cogna, deve pagar os donos das debêntures.

A empresa anunciou processo de captação de R$ 1,25 bilhão cujos recursos serão utilizados para alongamento do prazo médio da dívida.

O Bradesco BBI aponta que os resultados foram mistos, com a Kroton impulsionando o forte crescimento do Ebitda devido ao declínio da provisão para devedores duvidosos, apesar do desempenho mais fraco em outras divisões.

Eles ressaltam ainda que, no caso da Vasta, de educação básica e que fornece soluções digitais, as receitas crescentes não foram suficientes para compensar os custos. A receita líquida para o segmento ficou em R$ 141 milhões, um aumento de 28% anualmente, principalmente com a base de comparação menor. Mas o Ebitda recorrente foi negativo em R$ 24 milhões tendo, entre os motivos, menor diluição de custos e e maior estrutura administrativa após o IPO.

Na avaliação dos analistas do banco, no geral, os impactos da reestruturação devem permanecer a longo prazo, enquanto os resultados de Vasta e os números de matrículas da Kroton poderiam começar a se recuperar devido à flexibilização das medidas de restrição à mobilidade por conta da pandemia.

No momento, o BBI segue com recomendação neutra para a Cogna, com preço-alvo de R$ 5,20, ainda que representando um expressivo potencial de valorização de 59% em relação ao fechamento de quinta-feira.

Os analistas da XP vão na mesma linha: “apesar de apreciarmos a melhoria dos resultados da Kroton, ainda é cedo para mudar nossa visão estrutural sobre a companhia”. Eles reiteram recomendação neutra e preço-alvo de R$ 5,10 por ação, ou potencial de alta de 56%.

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O Morgan Stanley mostra ainda maior pessimismo, seguindo com recomendação underweight (exposição abaixo da média), com preço-alvo de R$ 4,50 (ainda um potencial de alta de 38%). A preços atuais, os analistas têm preferência pelas ações da Cruzeiro do Sul (CSED3), seguida de Yduqs (YDUQ3) e Vitru, essa última negociada na Nasdaq.

De acordo com compilação feita pela Refinitiv com 13 casas que cobrem o papel, 10 possuem recomendação equivalente à neutra, enquanto 3 possuem recomendação de venda, sendo o preço-alvo médio de R$ 5,29 (62% acima do fechamento da véspera). Os analistas destacam os progressos obtidos pela Cogna no ensino superior, mas ainda destacam outras opções no segmento como mais atrativas.

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