Por que as ações da Oi zeraram a queda de 11% apesar do prejuízo de R$ 5,7 bilhões?

SÃO PAULO – Depois de adiar seu balanço para realizar uma auditoria nos números e cumprir um acordo feito com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), a Oi (OIBR3; OIBR4) apresentou seu resultado do terceiro trimestre com um prejuízo R$ 5,74 bilhões.

Esse não apenas o pior resultado apresentado por uma empresa brasileira de capital aberto no período, como representou uma piora de 340%. E este cenário assustou os investidores, levando as ações ordinárias da empresa de telefonia a caírem 10,87% durante a manhã, cotadas a R$ 0,82.

A Oi explicou que todos os segmentos continuam sendo impactados pela queda do tráfego de voz. Por outro lado, o crescimento da receita de dados do segmento de mobilidade, da receita de fibra ótica e de TI corporativa compensaram parcialmente a queda no faturamento.

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Por outro lado, mesmo com esse “susto”, analistas não viram os números de forma tão negativa, apontando que o balanço ficou em linha com o esperado.

Segundo a analista do Itaú BBA, Susana Salaru, de um lado, as receitas seguem bastante pressionadas, principalmente no segmento residencial fixo. Porém, os R$ 4,9 bilhões da receita operacional e o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 1,3 bilhão ficaram em linha com o esperado.

Ela destaca ainda que a companhia anunciou uma série de iniciativas para redução de custos que “provavelmente serão refletidas nos resultados financeiros de 2020”. “Acreditamos que o gatilho para a ação será o lançamento de seu plano estratégico, particularmente a venda de ativos não essenciais”, afirma.

Entre os fatores positivos do resultado, Susana apontou para o progresso nos pontos de fibra ótica (HP na sigla em inglês), além do crescimento da receita do pós-pago móvel, queda no custo de manutenção da rede e redução da folha de pagamento.

A Oi registrou um aumento de 1,8% na receita móvel no trimestre, favorecida principalmente pelo desempenho dos planos pós-pago, impulsionados pela migração de assinantes pré para pós-pago e por maiores adições líquidas de participação de mercado.

Já para Fred Mendes, analista do Bradesco BBI, a queda do Ebitda foi maior que a esperada, ficando 15% abaixo da projeção. Enquanto isso, a receita frustrou as expectativas em 1,3%.

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Para ele, “a Oi é uma história impulsionada por eventos e a venda de sua participação na Unitel é o principal potencial gatilho de curto prazo para as ações”.

Tanto Bradesco quanto Itaú têm recomendação outperform (acima da média de mercado) para os papéis da Oi. No caso do Bradesco, o preço-alvo é de R$ 1,80, enquanto o Itaú fala em preço justo de R$ 1,00 para as ações em 2020.

Passada a turbulência da manhã e a análise mais profunda dos números, os papéis ON da companhia se recuperaram, caminhando para fecharem estáveis, a R$ 0,92. Já os ativos OIBR4 registravam leve queda de 0,80%, a R$ 1,24.

Esperança na teleconferência

No fim da manhã, a Oi realizou uma teleconferência para falar sobre os números do balanço e, para Mendes, do Bradesco BBI, a apresentação foi positiva.

“Apesar de todos os desafios de curto prazo, a administração forneceu uma visão mais clara sobre suas oportunidades de melhorar os resultados operacionais e deu maior granularidade sobre os custos, com potencial para atingir R$ 1 bilhão por ano, o que foi o destaque negativo no terceiro trimestre”, avalia.

Além disso, o analista destacou que a Oi está confiante em vender a Unitel até o fim do ano, o que, segundo ele, significa que a empresa terá essa quantia bilionária nas próximas semanas, excluindo a possibilidade de um potencial aumento de capital.

“Em termos de Ebitda, não há atalhos, pois os produtos herdados continuam a pesar sobre os resultados. No entanto, a fibra ótica está começando a dar frutos e vemos espaço para aceleração da receita”, afirma.

Outro ponto positivo da teleconferência foi o cronograma de vendas de outros ativos, como torres, imóveis, data centers e ativos não essenciais de fibra, que devem ocorrer no primeiro semestre de 2020 e, de acordo com Mendes vão “ajudar ainda mais a Oi a desalavancar seu balanço”.

“No fim das contas, estamos finalmente começando a ver alguma luz no final do túnel para a Oi, pois a nova administração está ganhando forma e está alinhada ao cumprimento do plano de investimento, mesmo sabendo que será altamente dependente da venda de ativos”, conclui.

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Petrobras e Banco do Brasil: o que esperar das principais estatais brasileiras em 2020?

Edifício da Petrobras (Shutterstock)

SÃO PAULO — O plano estratégico da Petrobras (PETR3, PETR4) para o período de 2020 a 2024 foi bem-recebido por analistas, que seguem otimistas para a estatal no longo prazo.

Na semana passada, a empresa anunciou que prevê investimento total de cerca de US$ 75,7 bilhões nos próximos quatro anos. Desse total, US$ 64,3 bilhões (85%) serão alocados em exploração e produção de petróleo (E&P).

A estimativa para produção de petróleo e gás consolidada foi de 3,5 milhões de barris equivalentes/dia (mboed) em 2024, em comparação a estimativa anterior para 2023 de 3,4 mboed. Isso implica um aumento na produção de 6,7% em 2020 a 2024 em comparação a 5,0% no plano anterior.

A estatal também revelou uma meta de venda de ativos entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões para o período de 2020 a 2024, da qual a maior parte deve ser concentrada entre 2020 e 2021. Essa meta se compara aos US$ 26,9 no plano anterior.

A empresa também manteve a meta de atingir a relação Dívida Líquida/Ebitda de 1,5x ainda em 2020. Em 2021, a Petrobras acredita que deve atingir sua meta de US$ 60 bilhões de dívida bruta, ponto a partir do qual a companhia poderá começar a pagar dividendos segundo sua nova política (60% de sua geração de caixa operacional menos investimentos).

Para o analista Gabriel Fonseca, da XP, o plano não trouxe grandes surpresas. “Apesar de reconhecermos que a companhia apresentou metas mais realistas de produção no curto prazo, acreditamos que deverá haver volatilidade nas estimativas de produção de petróleo e gás no longo prazo, uma vez que um aumento de 6,7% da produção ao ano não parece tão óbvio com estimativas de investimentos menores em relação ao plano anterior.”

Fonseca afirmou que segue otimista com as ações da Petrobras. Isso porque a direção da companhia, na visão do analista da XP, permanece comprometida com suas metas de melhora operacional e redução do endividamento.

“A peça chave desse processo é o plano de venda de ativos da companhia, para o qual estimamos um potencial de arrecadação entre US$19,8 bilhões e US$23,3 bilhões (ou R$75,2 a R$88,4 bilhões)”, disse.

“Além disso, notamos que por mais que a nova política de dividendos da companhia de 60% da geração de caixa pareça muito distante agora, ela se traduz em um potencial dividend yield de 9%, o que acreditamos que não estar precificado atualmente”, completou Fonseca.

Também otimistas, os analistas Vicente Falanga e Gustavo Sadka, do Bradesco BBI, destacaram o capex mais baixo e o crescimento saudável da produção, o que, na visão deles, deve melhorar os níveis de ROIC (retorno sobre capital).

“A chave parece ser entender por que a produção de 2020 parece nitidamente abaixo das expectativas do mercado. Também acreditamos que será vital abordar outras questões, como: o plano inclui o acordo de transferência de direitos (ToR) com os chineses? (acreditamos que não); o plano inclui qualquer refino nas vendas? (também acreditamos que não); e quais ativos poderiam ser vendidos como parte de seu programa atualizado?”, disseram.

A equipe de análise do Itaú BBA ressaltou que a meta de produção da estatal ficou abaixo de suas expectativas e que provavelmente revisará seus números para baixo. Ainda assim, o analista André Hachem manteve a recomendação outperform — desempenho acima da média do mercado — para a petroleira.

“Atualmente estamos subestimando a baixa participação do governo, pois a produção da Petrobras está migrando para os regimes de ToR (transferência de direitos de exploração) e de compartilhamento de produção no campo de Búzios — isso provavelmente compensará a meta menor de produção”, afirmou Hachem.

Banco do Brasil

Outra estatal no radar dos investidores é o Banco do Brasil (BBAS3), que realizou na semana passada uma reunião com analistas e investidores, durante a qual a alta administração discutiu resultados recentes e a estratégia do banco.

Segundo Marcos Assumpção, do Itaú BBA, apesar de uma perspectiva desafiadora (aumento da concorrência e impostos mais altos), a administração observou que o lucro líquido poderia crescer 10% anualmente, suportado por sólida expansão de crédito (principalmente no varejo e PME) e controle de custos.

“O banco também lançou luz sobre seus esforços para se tornar mais digital e para crescer e renovar sua base de clientes”, disse. “O lucro líquido pode crescer 10% em 2020, em um forte ciclo de crédito e iniciativas de redução de custos.”

Os analistas do BTG, por sua vez, enxergaram uma melhora nos resultados do banco desde o início do ano. “A parceria anunciada com o UBS no setor de banco de investimento foi bem-vinda pelo mercado e, se ela for replicada para o braço de gerenciamento de ativos, com um parceiro internacional importante, então um valor adicional poderá ser desbloqueado.”

Eles continuam com uma visão positiva para as ações do Banco do Brasil nos níveis atuais, mas afirmaram que sua recomendação neutra para os papéis permanece inalterada, por ora.

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