Reservas em ouro do BC quase dobram em 3 meses

(Pixabay)

Em movimento iniciado em maio, o Banco Central, comandado por Roberto Campos Neto, voltou a comprar ouro para estocar nas reservas internacionais do Brasil. Em julho, o BC adquiriu no mercado o equivalente a 8,5 toneladas do metal. Em três meses, as compras já somaram 62,3 toneladas e fizeram as reservas em ouro quase dobrar.

Os dados sobre as reservas mostram que o BC adquiriu 11,9 toneladas do metal em maio – ou 384 mil onças troy, considerando a medida utilizada internacionalmente. Em junho, foram mais 41,8 toneladas (1,344 milhão de onças troy), um recorde para um único mês considerando a série histórica do BC, iniciada em dezembro de 2000. Em julho, 8,5 toneladas (274 mil onças troy). Em comparação, as 62,3 toneladas compradas nos três meses pesam o mesmo que 16 elefantes asiáticos.

Com as operações, o BC elevou em 92,4% o volume de ouro nas reservas, para 129,7 toneladas. Em dólares, a quantidade de metal subiu 98,5%, para US$ 7,596 bilhões, já considerando a valorização do ativo nos últimos meses.

O movimento chama a atenção porque, de novembro de 2012 a abril deste ano, o BC pouco havia alterado o montante das reservas aplicado em ouro. Nesse período, comandaram a autarquia os economistas Alexandre Tombini, Ilan Goldfajn e o próprio Campos Neto, a partir de 2019.

Seguro

As reservas internacionais, que no fim de julho somavam US$ 355,7 bilhões, funcionam como uma espécie de “seguro” contra crises cambiais. Os recursos são suficientes para cobrir os atuais compromissos do Brasil em dólar e, por isso, o País se coloca hoje como um credor em moeda estrangeira – e não como um devedor.

A maior parte das reservas é formada por títulos conversíveis em dólares e por dólares depositados em bancos centrais de outros países, no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco de Compensações Internacionais (BIS). No fim de 2020, essa parcela chegava a US$ 332,0 bilhões, ou 93,4% das reservas. Em comparação, o montante de ouro no fim do ano passado era de US$ 4,101 bilhões, ou 1,2% do total.

Ao comprar 62,3 toneladas do metal nos últimos três meses, o BC elevou para US$ 7,596 bilhões a parcela de ouro nas reservas. O ativo corresponde agora a 2,1% do total.

O porcentual ainda não representa uma grande mudança no perfil de alocação dos recursos, mas marca uma diferença de postura do BC de Campos Neto em relação a seus antecessores.

Com a chegada de Campos Neto ao BC, em 2019, surgiram sinais de que a gestão das reservas internacionais poderia mudar, mesmo que pontualmente. Em maio daquele ano, Campos Neto confirmou a jornalistas que havia uma discussão dentro da autarquia sobre a gestão dos ativos. Na ocasião, o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, disse que um dos objetivos era rever a eficiência dos instrumentos de reserva, e não discutir os níveis do seguro.

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Pandemia. No caso específico do ouro, a pandemia afetou de forma substancial as cotações. Em meio à crise, bancos centrais e empresas de todo o mundo foram em busca do metal como ativo de reserva.

Esse aumento de demanda fez a cotação à vista da onça troy na OTC Metals, nos Estados Unidos, subir de US$ 1.515,12 no fim de 2019 para US$ 1.896,49 no encerramento de 2020. O avanço foi de 25,2%. Este ano, com a continuidade da crise, o BC decidiu ir às compras.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Banco Central eleva Selic em 1 ponto, para 5,25%, a maior taxa de juros desde 2019

SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (4) elevar a Selic em 1 ponto percentual, para 5,25% ao ano, em sua maior alta de juros desde 2003. Essa foi a quarta vez seguida que o comitê subiu a Selic, que chega ao seu maior nível desde outubro de 2019.

A decisão seguiu o que esperava a maior parte dos analistas consultados pela Bloomberg, que já enxergava na constante pressão inflacionária um motivo para o Banco Central elevar seu ritmo de alta de juros.

A escalada dos preços de alimentos, combustíveis e energia elétrica fez com que os economistas do mercado financeiro já projetem inflação de 6,79% para 2021, conforme o Relatório de Mercado Focus desta semana. Esse valor está bem acima do teto da meta de inflação, o que tem pressionado o BC a elevar os juros.

Desde o segundo semestre de 2020, os preços de commodities internacionais, como soja e milho, tem aumentado, o que impacta o custo de alimentos também no Brasil. Além disso, combustíveis e gás de cozinha têm pressionado o orçamento das famílias, assim como o custo da energia elétrica. Mais recentemente, a geada em algumas regiões do País prejudicou a produção de alimentos, com impactos nos preços ao consumidor final.

Neste cenário, restou ao BC iniciar em março deste ano o processo de alta da Selic, para que a inflação não dispare em 2022. O ano de 2021 já é considerado perdido para o cumprimento da meta.

Em seu comunicado dessa decisão, o Copom ressaltou que elevar a Selic em 1 p.p. reflete “seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022 e, em grau menor, o de 2023”.

“Esse ajuste também reflete a percepção do Comitê de que a piora recente em componentes inerciais dos índices de preços, em meio à reabertura do setor de serviços, poderia provocar uma deterioração adicional das expectativas de inflação”, diz o texto do BC.

“O Copom considera que, neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, completa.

A expectativa dos analistas é que a autoridade monetária seja obrigada a manter uma alta forte da taxa de juros até o fim do ano, quando, segundo a mediana das projeções compiladas pelo Broadcast, a Selic deve chegar a 7%, acima do patamar considerado neutro (em que os juros não estimulam e nem contraem a economia).

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Nesse sentido, o próprio BC sinalizou em seu comunicado que esse deve ser o cenário: “Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado um ciclo de elevação da taxa de juros para patamar acima do neutro”, diz o texto.

Veja o comunicado na íntegra:

Em sua 240ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 5,25% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • No cenário externo, a evolução da variante Delta da Covid-19 adiciona risco à recuperação da economia global. O Comitê avalia que, a despeito dos movimentos recentes nas curvas de juros, ainda há risco relevante de aumento da inflação nas economias centrais. Ainda assim, o ambiente para países emergentes segue favorável com os estímulos monetários de longa duração, os programas fiscais e a reabertura das principais economias;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, os indicadores recentes continuam mostrando evolução positiva e não ensejam mudança relevante para o cenário prospectivo, o qual contempla recuperação robusta do crescimento econômico ao longo do segundo semestre;
  • A inflação ao consumidor continua se revelando persistente. Os últimos indicadores divulgados mostram composição mais desfavorável. Destacam-se a surpresa com o componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, causando elevação dos núcleos. Além disso, há novas pressões em componentes voláteis, como a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos, ambos decorrentes de condições climáticas adversas. Em conjunto, esses fatores acarretam revisão significativa das projeções de curto prazo;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;
  • As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 6,8%, 3,8% e 3,25%, respectivamente; e
  • No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de USD/BRL 5,15*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 6,5% para 2021, 3,5% para 2022 e 3,2% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 7,00% a.a. neste ano, mantém-se nesse valor durante 2022 e reduz-se para 6,50% a.a. em 2023. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 10,0% para 2021 e 4,6% para 2022 e 2023. Adota-se uma hipótese neutra para a bandeira tarifária de energia elétrica, que se mantém em “vermelha patamar 1” em dezembro de cada ano-calendário.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento recente nos preços das commodities internacionais em moeda local produziria trajetória de inflação abaixo do cenário básico.

Por outro lado, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país. Apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública, o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

O Copom reitera que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.

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Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual, para 5,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022 e, em grau menor, o de 2023. Esse ajuste também reflete a percepção do Comitê de que a piora recente em componentes inerciais dos índices de preços, em meio à reabertura do setor de serviços, poderia provocar uma deterioração adicional das expectativas de inflação. O Copom considera que, neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado um ciclo de elevação da taxa de juros para patamar acima do neutro.

Para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio USD/BRL observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Mais informações em breve

(Com Estadão Conteúdo)

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Volta ao mundo em 6 minutos

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 31 de julho de 2021. Para recebê-la, clique aqui.

No episódio #107 do Stock Pickers, recebemos um dos gestores que mais ganhou dinheiro no Brasil em 2020 (e vale dizer que ele continua ganhando em 2021) e que tem uma grande habilidade para falar sobre temas diversos de forma simples e compreensível.

Apesar disso, Bruno Garcia, da Truxt, é um daqueles gestores que você não conseguirá acompanhar em velocidade 2.0 no seu podcast. A velocidade de sua fala junto com o acelerador do streaming torna dificil acompanhar o raciocínio.

Para o Salomão, Garcia está no grupo daqueles gestores que precisam ser escutados em no máximo 1,5x.

Como não sabemos em que velocidade você costuma escutar e considerando a aula sobre cenário macro que Garcia nos proporcionou logo no começo do episódio, colocamos logo abaixo a transcrição dos 5 principais blocos de sua análise: cenário global, Estados Unidos, China, Europa e Brasil.

Cenário Global:

O cenário parece muito bom ainda para tomada de risco, estamos num mundo ainda com bastante liquidez. Continuamos num mundo muito pró-risco, propício a tomada de risco, compra de ações e investimentos financeiros de um modo geral.

O mundo, de um modo geral, está crescendo de forma acentuada no pós-pandemia com as economias voltando ao normal.

As empresas que sobreviveram estão numa posição competitiva muito mais forte e ganhando market share com lucros explodindo tanto lá fora como aqui no Brasil.

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Estados Unidos:

Como quase 70% das ações globais estão nos EUA, o Fed acaba sendo o responsável pelo definição da taxa de juros mais importante do mundo.

Toda a discussão lá tem a ver com o timing da retirada dos estímulos. O Fed foi muito agressivo nos estímulos fiscais e monetários e isso resultou numa economia com recuperação em “V” e inflação subindo com força.

O resumo é que a inflação está rodando bem alta e a economia está se recuperando bem. E o mercado começa a discutir quando o Fed irá retirar esses estímulos.

Tudo leva a crer é que a retirada da compra dos títulos feito pelo Tesouro Americano deve começar por volta do final do ano. Mas o aumento da taxa de juros deve iniciar somente em 2023 com o mundo voltando a normalidade.

Pensando em alocação de recursos, o cenário está propício para tomada de risco, mas está tudo apontando para uma alta de juros e por isso estamos comprados nessa tese.

China:

A discussão atual, na China, está relacionada à governança coorporativa e o papel do PCC (Partido Comunista da China) na questão da regulação das empresas, principalmente de techs.

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A bolsa chinesa caiu bastante nos últimos dias por conta de medidas reulgatórias em relação a empresas de educação.

O ponto principal é que a China possui uma economia extremamente centralizada e está muito preocupada com questões de acesso a dados pelos estrangeiros, porque quem tiver o monopólio de dados da população terá uma capacidade absurda em relação a implementação de medidas e desenvolvimento da economia com uso de inteligência artificial.

Essa discussão é muito importante e como o Brasil é um país emergente o que acontece lá acaba repercurtindo aqui, porque, na pior das hipóteses, o dinheiro que não entra lá acaba vindo para cá e pode nos beneficiar em termos relativos.

Europa:

Está se recuperando em meio a toda discussão da variante delta da covid-19, mas o fato é que a economia está reaquecendo.

Os europeus convivem com um problema de inflação grave, ou de falta, na verdade. Por mais que eles façam estímulos a economia é deflacionária.

E, no longo prazo, isso precisa ser muito bem pensado.

Brasil:

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O cenário de curto prazo é conjunturalmente bom, porque temos uma recuperação muito forte após a pandemia, mesmo que tardia por conta de uma vacinação mais demorada.

Mas existem riscos importantes no Brasil que mercem ser monitorados: : inflação, fiscal e defieiência de crescimento de longo prazo.

Estamos trabalhando com uma inflação para esse ano na casa de 6,5% e para o ano que vem a projeção já está alta também.

O Banco Central vendo isso e sabendo que não temos a credibilidade do Fed está tendo que subir os juros, que deve chegar ano que vem a 7,5%.

Isso acaba acentuando nosso problema fiscal, que parece eterno.

Além disso, existe um risco no crescimento estrutural por produtividade muito baixa devido a falta de investimento em estrutura e educação.

Infelizmente o Brasil está tendo um bom momento de curto prazo, impulsionado pelo mundo e pela alta das commodities, mas acaba sendo um país, do ponto de vista macro, de baixo crescimento.

Com esse panorama mundial e local, e enfatizando a necessidade de saber separar o curto prazo do longo, a carteira da Truxt está praticamente 100% alocada em ações: 75% no Brasil e 25% nos EUA.

Para Garcia, enquanto os juros permanecerem nesses patamares (baixíssimos), todo e qualquer ativo de risco será beneficiado.

Se você está achando o papo muito macro, calma!

O panorama mundial foi apenas a introdução da conversa. Bruno, além de outras teses, usou nosso quadro “1 tese em 2 minutos” para explicar duas empresas que estão em sua carteira: Petz e PetroRio. E Leonardo Martins, CIO do Turim Family Office, falou sobre um case de rabertura: Disney.

Sobre um investimento de 12.700% e a arte de stopar a tese, não o preço

No episódio #107 do Stock Pickers, recebemos um dos gestores: Bruno Garcia (Truxt Investimentos), um dos gestores de ações que mais ganhou dinheiro no mercado em 2020, e Leonardo Martins (Turim Family Office), que revelou um investimento que rendeu 12.700% em uma empresa que fez IPO recentemente nos EUA, a RobinHood.

Assista a conversa completa clicando aqui. O episódio também está disponível no Spotify ou em qualquer plataforma de streaming.

Zerou bolsa americana e comprado em Brasil: veja como está o fundo XP Macro…

No Coffee & Stocks desta quarta-feira (28), recebemos Bruno Marques, um dos gestores do fundo XP Macro. Ele explicou por que a gestora zerou a posição em bolsa americana e mantiveram em bolsa brasileira (mas trocaram parte dessa posição para ficar comprado no real contra o dólar) e por que está “tomado” em juros tanto aqui mas principalmente nos EUA (tomado em juros = apostando que a curva de juros vai subir).

Confira a entrevista completa direto em nosso canal no Youtube (link aqui).

Convite especial: Como investir baseado em uma visão de longo prazo…

Após quase 2 anos da gravação do epsiódio #18Guilherme Benchimol, Fundador e Presidente Executivo do Conselho de Administração da XP Inc, volta ao Stock Pickers para celebrar os 02 anos da estratégia XP Long Term Equity ao lado do idealizador e gestor da estratégia XP Long Term Equity, Rodrigo Furtado.

Quando gravamos pela primeira vez com Benchimol, a XP ainda não havia realizado seu IPO e tinha sido avaliada, em 2017, em R$ 12 bilhões quando teve parte do seu capital comprado pelo Itaú. Atualmente, após o IPO, o valor de mercado da empresa é de aproximadamente US$ 23,3 bilhões.

Criada em maio de 2001 com com um capital inicial de cerca de R$ 15 mil, suficientes para alugar uma sala comercial e comprar computadores usados de uma lan house, a XP se tornou o que é hoje por conta de um fator extramemente relevante no mundo dos investimento: visão de longo prazo.

E é sobre isso que conversamos com nossos convidados no episódio que irá ao ar no dia 05/08, às 18h. Não perca!

Inscreva-se no canal e ative as notificações: https://lnkd.in/dtaJxaP

Biblioteca Stock Pickers: uma novidade…

Fã de triatlo, Leonardo Martins recomendou um livro sobre resiliência que conta a história da final do campeonato Ironman em 1989 no Havaí: Iron War.

Bruno Garcia, da Truxt, recomendou dois livros que já foram recomendados mais de 1 vez no programa: A psicologia financeira e Fora de série.

Josué Guedes
CMO do Stock Pickers

Na contramão de Bolsonaro, Banco Central pressiona por bancos mais verdes

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central Germano Lüders/InfoMoney

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) – O Banco Central está se preparando para exigir que os bancos contabilizem potenciais perdas advindas de fenômenos relacionados a mudanças climáticas, como secas, inundações e incêndios florestais, posicionando-se como líder global na regulamentação do setor financeiro com base em ESG.

A proposição de novas regras ocorre sob a liderança de Roberto Campos Neto, ex-executivo do Banco Santander Brasil. Ele foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, que governa sob uma onda de desmatamento na Floresta Amazônica e é criticado por ambientalistas.

O Banco Central, no entanto, é totalmente independente, o que reduz a influência de Bolsonaro sobre a política do banco.

As ações do Banco Central, que preveem a inclusão de riscos climáticos nos testes de estresse dos bancos, refletem a pressão crescente sobre os reguladores em todo o mundo para que levem a sério suas credenciais verdes, mesmo sob o risco de alterar o fluxo de crédito para certos tomadores.

O aquecimento global é cada vez mais visto como um risco para a estabilidade financeira. Desastres naturais decorrentes de temperaturas mais altas podem prejudicar os negócios das empresas ou as garantias dadas por elas a empréstimos, colocando em risco uma carteira de crédito de 4,2 trilhões de reais.

Embora atualmente não haja exigência de capital específica para os bancos cobrirem riscos ambientais nas regras propostas pelo regulador, o Banco Central pode impor a constituição de colchões extras no futuro se acreditar que os bancos estão correndo riscos mais elevados, disse Kathleen Krause, chefe- adjunta do departamento de regulação prudencial do Banco Central.

“Nosso objetivo não é proibir os bancos de conceder empréstimos, mas conscientizá-los sobre os riscos que correm relacionados a mudanças climáticas”, disse Krause em uma entrevista.

O aumento do nível do mar pode inundar terras dadas como garantia para um empréstimo, resultando em perdas para os bancos, ela exemplificou.

Para cobrir riscos como esse, os bancos podem ser forçados a reservar mais capital, o que provavelmente se traduziria em empréstimos mais caros e escassos para determinados tomadores.

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Entre os riscos relacionados às mudanças climáticas listados pelo Banco Central nas regras que foram levadas a audiência pública estão as potenciais perdas decorrentes de uma transição para uma economia de baixo carbono, bem como secas e inundações.

Caso o BC incorpore os riscos relacionados às mudanças climáticas nos testes de estresse, o que está sendo considerado, isso o colocaria na vanguarda dos reguladores em todo o mundo.

Alguns poucos países – como França e Holanda – já lançaram esses testes, embora muitos outros estejam em preparação, de acordo com o Financial Stability Institute.

Previsões climáticas

O Banco Central disse que planeja lançar as novas medidas para incorporação do risco climático aos testes de estresse ainda este ano, com implementação a partir de 2022. Mas os bancos estão pedindo até 18 meses para conseguirem se preparar.

Os bancos demandam que o regulador emita previsões climáticas para que todos os credores as utilizem em testes de estresse.

“Se cada banco fizer sua própria previsão, os resultados finais podem acabar sendo muito diferentes dentro do setor bancário”, disse Amaury Oliva, diretor de sustentabilidade da Febraban, entidade que representa os bancos.

O regulador disse que está considerando o pedido e pode fornecer algumas orientações, como os cenários climáticos divulgados pela Network of Central Bank and Supervisors for Greening the Financial System em julho.

Ainda assim, Oliva diz que esses cenários globais são muito genéricos e que o ideal seria um cenário mais tropicalizado.

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Além de incorporar os riscos do aquecimento global aos testes de estresse, o Banco Central, que regulamenta empréstimos para projetos no bioma amazônico desde 2008, também propôs duas novas regras neste ano envolvendo riscos ambientais, sociais e o crédito rural.

Uma dessas regras, que também passou por audiência pública e agora está em fase de análise final pelo regulador, veta o desembolso de crédito rural a projetos em terras indígenas ou desmatadas, ao mesmo tempo em que cria uma espécie de selo de “empréstimo sustentável” para projetos que seguem as melhores práticas para o crédito verde.

O regulador também está exigindo uma divulgação mais detalhada e profunda sobre como os bancos lidam com riscos sociais e ambientais, o que inclui problemas como assédio, preconceito e desmatamento.

Um caso de discriminação racial, por exemplo, pode ferir a imagem de um banco, assustar clientes e levar a penalidades legais.

No caminho certo

A postura do Banco Central está em nítido contraste com o histórico do governo de Bolsonaro em relação à proteção ambiental.

Muitos grandes investidores têm demandado ao governo brasileiro que adote uma postura mais firme em relação à proteção ambiental. Eles acolhem as iniciativas verdes do Banco Central, mas alertam que este é apenas o primeiro passo.

“A iniciativa do Banco Central é um ponto de partida positivo. O Brasil está indo do nada para alguma coisa”, disse Daniela da Costa-Bulthuis, gestora de portfólio da Robeco, com sede na Holanda, que administra 168 bilhões de euros em ativos ESG. “Mas o governo está um pouco atrasado em relação ao regulador.”

De acordo com o Positive Money, um grupo de defesa a uma economia sustentável sediado em Londres, o Brasil tem o segundo Banco Central “mais verde” do mundo depois da China, mas as perspectivas de progresso social e política ambiental mais amplas no Brasil permanecem fracas sob Bolsonaro.

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Em última análise, o impacto das políticas do Banco Central será limitado até que o governo brasileiro implemente políticas fiscais e industriais necessárias para enfrentar os problemas ambientais.

“Ao redirecionar as finanças, as alavancas do Banco Central podem ajudar enormemente ou dificultar a transição”, disse o economista da Positive Money David Barmes. “Mas ainda precisamos que os governos liderem o caminho.”

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BC: estoque total de crédito sobe 0,9% em junho ante maio, para R$ 4,213 trilhões

Real, Brazilian Currency - BRL. Dinheiro, Brasil, Currency, Reais, Money, Brazil. Real coin on a pile of money bills. (Rmcarvalho/Getty Images)

O estoque total de operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,9% em junho ante maio, para R$ 4,213 trilhões, informou nesta quarta-feira, 28, o Banco Central (BC). Em 12 meses, houve alta de 16,3%. Os números são influenciados pelos efeitos da segunda onda da pandemia de covid-19, que voltou a colocar em isolamento social parte da população e reduziu a atividade das empresas. Em junho ante maio, houve alta de 1,5% no estoque para pessoas físicas e elevação de 0,1% no estoque para pessoas jurídicas.

De acordo com o BC, o estoque de crédito livre avançou 1,3% em junho, enquanto o de crédito direcionado apresentou alta de 0,3%. No crédito livre, houve alta de 1,6% no saldo para pessoas físicas no mês passado. Para as empresas, o estoque avançou 1,0% no período.

O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) foi de 52,7% para 52,6% na passagem de maio para junho.

O estoque das operações de crédito direcionado para habitação no segmento pessoa física cresceu 1,2% em junho ante maio, totalizando R$ 759,055 bilhões, informou o Banco Central. Em 12 meses até junho, o crédito para habitação no segmento pessoa física subiu 13,8%.

Já o estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física subiu 0,9% em junho ante maio, para R$ 229,021 bilhões. Em 12 meses, houve alta de 11,9%.

Setores

O saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro subiu 1,1% em junho ante maio, para R$ 12,549 trilhões. O montante equivale a 156,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, conforme dados agora divulgados Banco Central.

O crédito ampliado inclui, entre outras, as operações de empréstimos feitas no âmbito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e as operações com títulos públicos e privados. A medida permite uma visão mais ampla sobre como empresas, famílias e o governo geral estão se financiando, ao abarcar não apenas os empréstimos bancários.

No caso específico de empresas, o saldo do crédito ampliado cedeu 1,1% em junho ante maio, para R$ 4,264 trilhões. O montante equivale a 53,2% do PIB.

Já o saldo de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas teve baixa de 1,2% em junho ante maio, somando R$ 375,029 bilhões, informou o BC. Em 12 meses, a queda acumulada é de 3,4%. Em junho, houve baixa de 0,8% nas linhas de financiamento agroindustrial do BNDES, queda de 1,2% no financiamento de investimentos e recuo de 1,1% no saldo de capital de giro.

Endividamento das famílias bate recorde

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A crise econômica trazida pela pandemia de coronavírus fez o endividamento das famílias bater novo recorde no Brasil. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que, em abril, o endividamento das famílias com o sistema financeiro chegou aos 58,5%. Este é o maior porcentual da série histórica, iniciada em janeiro de 2005.

O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas bancárias dividido pela renda das famílias no período de 12 meses. Como incorpora dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE, o porcentual possui certa defasagem. Por isso o resultado divulgado hoje é de abril.

Se forem descontadas as dívidas imobiliárias – que geralmente abarcam um montante considerável da renda das famílias – ainda assim o endividamento ficou em níveis elevados, de 36,0% em abril. O porcentual também é recorde para a série histórica.

Em função da pandemia, muitas famílias brasileiras têm tido dificuldades para fechar as contas. Uma consequência disso é a procura maior por crédito, com consequente aumento do endividamento. Para se ter uma ideia, em abril do ano passado – no segundo mês da pandemia – o endividamento total das famílias estava em 49,2%, um porcentual 9,3 pontos porcentuais menor que o visto em abril deste ano.

Os dados do BC mostram ainda dificuldades para as famílias pagarem as obrigações mensais dos empréstimos e financiamentos bancários. O comprometimento da renda mensal com essas dívidas ficou em 30,5% em abril – mesmo porcentual registrado desde fevereiro deste ano. Em abril do ano passado, estava em 30,4%, mas antes da pandemia do novo coronavírus girava abaixo dos 30%.

Se o financiamento imobiliário for excluído da conta, o comprometimento da renda ficou em 28,0% em abril, ante 27,9% em abril do ano passado.

Rotativo do cartão

Em meio às dificuldades das famílias para fechar as contas durante a pandemia do novo coronavírus, o juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito caiu 2,2 pontos porcentuais de maio para junho. A taxa passou de 329,7% para 327,5% ao ano.

Os números são influenciados pelos efeitos da pandemia de covid-19, que mantém em isolamento social parte da população. O rotativo do cartão, juntamente com o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades. No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 164,4% para 164,1% ao ano. Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 61,9% para 61,4%.

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Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado. Atualmente, porém, o risco de inadimplência aumentou, justamente porque muitas famílias estão enfrentando redução de renda, na esteira da pandemia.

Crédito livre

Em meio à pandemia, as concessões dos bancos no crédito livre subiram 5,0% em junho ante maio, para R$ 377,3 bilhões. Nos 12 meses até maio, a alta também foi de 5,0% e, no primeiro semestre deste ano, o avanço foi de 13,5%. Estes dados, apresentados hoje pelo BC, não levam em conta ajustes sazonais. Os números são influenciados pelos efeitos da segunda onda da pandemia de covid-19, que voltou a colocar em isolamento social parte da população e reduziu a atividade das empresas.

Com as dificuldades de famílias e empresas para fechar as contas em meio à pandemia, a taxa de inadimplência nas operações de crédito livre com os bancos passou de 3,0% para 2,9% de maio para junho, informou o Banco Central.

Para as pessoas físicas, a taxa de inadimplência foi de 4,1% para 4,0% no período. No caso das empresas, a taxa passou de 1,7% para 1,6%. A inadimplência do crédito direcionado (recursos da poupança e do BNDES) continuou em 1,4% na passagem de maio para junho. Já o dado que considera o crédito livre mais o direcionado mostra que a taxa de inadimplência se manteve em 2,3% em junho.

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BC espera um novo superávit nas transações correntes em julho

(Getty Images)

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, disse nesta terça-feira, 27, que o superávit nas transações correntes em junho veio abaixo do esperado pelo BC devido à importações feitas de US$ 2,5 bilhões no âmbito do Repetro no mês passado. O BC esperava um superávit de US$ 6,5 bilhões em julho, mas o desempenho foi US$ 3,7 bilhões inferior, ficando positivo em US$ 2,791 bilhões.

Segundo Rocha os maiores déficits nas contas de serviços e rendas foram contrabalançados por um aumento expressivo no superávit da balança comercial. Em junho do ano passado, o superávit das transações externas havia sido de US$ 3,056 bilhões. “A ligeira redução interanual do superávit em conta corrente deve-se a aumento do déficit de serviços em junho e à alta de despesas primárias”, completou.

Para julho, o BC espera um novo superávit, de US$ 1,3 bilhão. “Se isso se confirmar, haverá manutenção na trajetória de queda do déficit em conta corrente acumulado em 12 meses”, acrescentou Rocha.

Fernando Rocha, admitiu o “baixo resultado” dos Investimentos Diretos no País (IDP), que somaram apenas US$ 174 milhões em junho. O BC esperava uma entrada de US$ 2,5 bilhões nessa conta no mês passado. No mesmo período do ano passado, o montante havia sido de US$ 5,165 bilhões.

“A conta de lucros reinvestidos e as operações intercompanhia tiveram resultados negativos no mês passado. Embora o BC não esperasse esses resultados na sua projeção, são resultados normais que podem ocorrer em alguns momentos durante o ano”, alegou.

Rocha destacou que, no acumulado do primeiro semestre, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 25,691 bilhões, um valor bem superior ao rombo nas contas externas de US$ 6,975 bilhões no mesmo período.

Para julho, o BC estima uma entrada de US$ 4,7 bilhões em IDP. “Caso essa projeção se confirme, veremos uma nova redução do IDP acumulado em 12 meses em julho”, completou.

Fernando Rocha também destacou que investidores não residentes já recompuseram de forma integral posição em carteira no País, após saída intensa no primeiro semestre do ano passado em meio à crise da pandemia de covid-19.

O investimento estrangeiro em ações brasileiras ficou positivo em US$ 2,523 bilhões em junho, informou nesta terça o Banco Central. No acumulado do primeiro semestre, o saldo ficou positivo em US$ 8,695 bilhões.

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Já o investimento líquido em fundos de investimentos no Brasil ficou negativo em US$ 4,69 milhões em junho. No primeiro semestre, os fundos registram saídas líquidas de US$ 284 milhões.

O saldo de investimento estrangeiro em títulos de renda fixa negociados no País ficou positivo em US$ 2,560 bilhões em junho. No acumulado do primeiro semestre, o saldo em renda fixa ficou positivo em US$ 12,095 bilhões.

Viagens internacionais

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central também disse que, após de longa série de redução nas despesas líquidas com viagens internacionais, já há algum aumento nos últimos meses.

Ainda sob os efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia, a conta de viagens internacionais registrou déficit de US$ 221 milhões em junho. Em junho de 2020, o déficit nessa conta foi de US$ 72 milhões.

“O déficit de viagens em junho foi o maior desde março do ano passado, superando pela primeira vez os US$ 200 milhões. Claro que ainda está muito abaixo dos valores de antes da pandemia, quando o saldo negativo superava a casa de US$ 1 bilhão”, apontou.

Na prática, com o dólar mais elevado e a restrição de voos em vários países, os gastos líquidos dos brasileiros no exterior despencaram nos últimos meses.

O desempenho da conta de viagens internacionais no mês passado foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 449 milhões – que também foram as maiores desde março de 2020. “Em relação a junho do ano passado, o aumento foi de 88%”, acrescentou Rocha.

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Banco Central aprova cisão da participação do Itaú Unibanco na XP

XP inc.

SÃO PAULO – O Banco Central informou nesta terça-feira (27) que autorizou, após análise concorrencial e prudencial, a alteração societária relacionada ao Itaú Unibanco (ITUB4) na XP o que, na prática, é mais um passo para a saída do banco da companhia.

A operação já havia recebido manifestação favorável do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano).

De acordo com comunicado, a alteração decorreu da transferência das ações da XP Inc. de titularidade do Itaú para a XPart, uma nova empresa do grupo econômico Itaú, com sede nos Estados Unidos e não pertencente ao conglomerado bancário.

A XPart, por sua vez, torna-se parte do acordo de acionistas com a XP, com os mesmos direitos e obrigações atribuídos até então ao Itaú, de modo que o banco deixa de participar da administração da companhia.

A XPart é a fatia do Itaú na XP segregada. O Itaú comprou uma participação de 49,9% da XP em maio de 2017 por R$ 6,3 bilhões, reduzindo sua participação para 46,05% após a abertura de capital da XP na Nasdaq. Em dezembro de 2020, o banco vendeu uma fatia de 5% na companhia.

Essa fatia restante de 41,5% foi incorporada na XPart; assim, os atuais acionistas do Itaú vão receber os ativos desta empresa de forma proporcional às suas participações no banco, recebendo ações Classe A da XP. Posteriormente, haverá a extinção da XPart, que terá seu capital convertido em ações da XP.

Vale ressaltar que a XP tem dois tipos de ações: as de classe A, que são negociadas na Nasdaq e dão o direito a um voto cada, e as de classe B, que pertencem aos controladores e dão direito a 10 votos. Com a mudança, o poder de voto dos controladores da XP passará de 55,4% para 68,3%. Saiba mais sobre a operação clicando aqui. 

Por conta da alteração societária, as Compromissárias Itaú Unibanco, compostas pelas empresas controladas direta ou indiretamente pelo Itaú, e as Compromissárias XP Investimentos, compostas pelas empresas controladas direta ou indiretamente pela XP Controle Participações S/A, tiveram sua vigência encerrada.

Esse encerramento ocorreu, segundo o BC, porque o Acordo em Controle de Concentração (ACC) previa que as obrigações nele elencadas, com prazo de vigência de oito a quinze anos, perdurariam enquanto as Compromissárias Itaú Unibanco detivessem, direta ou indiretamente, 15% ou mais do capital social da XP Inc.

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Como a reorganização societária comportou a transferência das ações da XP Inc. pertencentes ao Itaú para uma empresa do mesmo grupo econômico, mas fora da estrutura desse conglomerado, verificou-se, portanto, a extinção do ACC.

“Registra-se que não se verificaram riscos prudenciais ou concorrenciais para o Sistema Financeiro Nacional (SFN) nessa alteração organizacional. Não obstante, é importante ressaltar que o Banco Central do Brasil permanecerá vigilante aos efeitos concorrenciais de movimentações societárias ocorridas nos mercados sob sua supervisão, podendo adotar medidas de ajuste que se façam necessárias à preservação da concorrência”, escreveu a autoridade monetária, em nota.

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BCE lança próxima fase de pesquisas para euro digital

(Bloomberg) – O Banco Central Europeu deu um grande passo em direção ao euro digital na quarta-feira (14) ao aprovar uma “fase de investigação” que pode levar à implementação de uma moeda virtual em meados da década.

A próxima fase vai durar 24 meses e visa abordar questões-chave sobre design e distribuição, disse o BCE em comunicado.

A instituição também afirmou que a medida não influenciará antecipadamente “qualquer futura decisão sobre a possível emissão de um euro digital, que só acontecerá posteriormente. Em qualquer caso, um euro digital complementaria o dinheiro, não o substituiria”.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, está entusiasmada com a moeda digital do banco central, e a instituição alertou que não implementá-la poderia minar a autonomia monetária do bloco com o avanço de provedores de pagamento, como gigantes de tecnologia estrangeiras.

Se o BCE adotar uma moeda virtual, provavelmente seguirá os passos da China, onde os testes começaram em várias cidades. As ilhas do Caribe Oriental que compartilham um banco central, incluindo Granada e São Cristóvão e Nevis, já lançaram suas próprias versões. O Federal Reserve e o Banco da Inglaterra examinam as possibilidades para suas economias.

As características prováveis de um euro digital já ganham forma: pesquisas e comentários oficiais retratam um sistema de pagamento rápido, fácil de usar e seguro. Crucialmente para Lagarde, que tem criticado criptoativos privados, também ofereceria uma alternativa ao bitcoin e outras moedas digitais.

“Já são nove meses desde que publicamos nosso relatório sobre o euro digital. Nesse período, realizamos análises mais aprofundadas, buscamos contribuições de cidadãos e profissionais e realizamos algumas experiências, com resultados animadores”, disse Lagarde em comunicado. “Tudo isso nos levou a decidir avançar uma marcha e iniciar o projeto do euro digital.”

Parecido com dinheiro

O site do BCE diz que o euro digital seria semelhante às notas, mas digitais. Na realidade, uma característica fundamental das notas e moedas – a capacidade de fazer pagamentos simultaneamente de forma anônima e offline – será um desafio para replicar.

O Riksbank da Suécia observou em relatório este ano que as moedas digitais precisarão ser verificadas por um livro razão remoto para evitar a falsificação, comprometendo o anonimato.

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O BCE parece ter reconhecido isso, dizendo em relatório no ano passado que o “eurossistema estaria em melhor posição para ganhar a confiança dos cidadãos europeus numa ferramenta de pagamento offline” e que “o anonimato pode ter de ser excluído”.

No entanto, o BCE vê espaço para uma abordagem “seletiva” da privacidade. O sistema pode permitir que certos tipos de transação sejam executados sem registrar a identidade do pagador e do beneficiário.

Mais limpo e mais ecológico

Na quarta-feira, o BCE disse que os experimentos até agora mostram que a infraestrutura central do euro digital seria ecologicamente correta – usando energia “insignificante” em comparação com criptoativos como o bitcoin que, segundo Fabio Panetta, membro do conselho executivo do BCE, consome mais eletricidade do que Grécia ou Portugal.

O bitcoin atraiu muitas críticas pela grande quantidade de energia necessária para alimentar os computadores que executam cálculos complexos para a manutenção da rede.

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Como os diferentes setores da economia brasileira devem se recuperar nos próximos meses (e as lições dos outros países)

(Getty Images)

SÃO PAULO – A primeira metade de 2021, mesmo que não tenha números fechados, foi considerada surpreendentemente positiva para a recuperação da economia do Brasil, ainda que haja muitos desafios para superar a pandemia do coronavírus. Para o segundo semestre, a expectativa é de continuidade da recuperação com a expectativa de aceleração da vacinação, que ainda anda a passos lentos, além do país ser guiado também pela melhora da economia internacional, impulsionando as commodities.

Os últimos dados da economia, com destaque para os números do primeiro trimestre – que subiu 1,2% na comparação com os últimos três meses de 2020 -, levaram diversas casas a revisarem as suas projeções econômicas para cima, com alta de até 5,5% para 2021. A resiliência da economia foi apoiada em juros reais baixos, ampla oferta de crédito, níveis elevados de poupança, recuperação do emprego formal, forte crescimento global e adaptação às medidas de restrição.

Conforme ressaltam os economistas do Bradesco, apesar de indústria, comércio e serviços ainda estarem sujeitos a restrições sanitárias, os números desses setores têm se mostrado melhores do que o esperado. A retomada, apesar das medidas de distanciamento ainda presentes, também tem ocorrido de forma mais célere. A projeção dos economistas do banco é de alta de 5,2% do PIB do Brasil neste ano.

A expectativa é de que a abertura da economia, com o avanço da vacinação, leve a favorecimento sobretudo o setor de serviços, mas a agricultura segue se destacando em 2021, avalia a equipe.

De acordo com os economistas do Bradesco, na agricultura, o balanço global entre oferta e demanda segue muito apertado, mantendo os preços elevados e as margens positivas. A pecuária, por sua vez, segue com grandes pressões de custos de ração. A seca deve reduzir o nível de confinamento nesta entressafra, aumentando a oferta (maior abate) de boi gordo no curto prazo e gerando menor pressão nos preços. Entretanto, o alívio deve ser temporário, uma vez que o número de animais abatidos no final do ano tende a ser menor, levando a novos aumentos de preços.

Já com relação à indústria, ela tem reportado falta de insumos e estoques baixos como limitantes ao crescimento. O nível de estoques ainda está abaixo do padrão, tanto na indústria como no comércio, e algumas anunciaram paralisação por conta da falta de insumos Assim, o setor continuará recompondo estoques nos próximos trimestres. A indústria de bens intermediários tende a seguir se beneficiando, impulsionada pela demanda e pela recomposição de estoques. A produção de madeira, produtos metalúrgicos, celulose, químicos, borracha e plásticos segue em patamar elevado. Tais setores estão com níveis de estoque em baixo patamar. Além disso, a demanda interna segue positiva, apontam os economistas.

Na construção civil, o desempenho tem sido positivo, mas a elevação de custos é um ponto de atenção. A demanda por imóveis residenciais segue aquecida, após a forte queda de estoques em 2020. Já em infraestrutura, a retomada dos leilões traz um cenário positivo à frente, apontam os economistas. Em 2021 o governo federal já realizou a concessão de 29 projetos, sendo 22 aeroportos, 5 portos, uma rodovia e uma ferrovia.  A lista para o ano ainda é grande e algum atraso pode ocorrer. “Mesmo que parte dos leilões fique para 2022 o ano de 2021 será marcado pela retomada das concessões de infraestrutura, com efeitos sobre a economia que se espalham no tempo”, avaliam.

No comércio, a demanda segue especialmente favorável para bens duráveis e materiais de construção. “Veículos, móveis e
eletrônicos e materiais de construção ainda são beneficiados por juros baixos e pela retomada do emprego com carteira assinada, além do acúmulo de poupança no ano passado. O desempenho apenas não é melhor em razão da falta de insumos, algo que a indústria desses bens tem chamado atenção nas últimas sondagens e que mantém os prazos de entregas mais dilatados.

A inflação de alimentos e redução dos programas governamentais, por sua vez, já afetam as vendas em supermercados, assim como a reabertura gradual de restaurantes. Já as vendas de bens semi-duráveis seguem atrasadas no ciclo, mas tendem a acelerar com reabertura da economia. Nesse segmento estão vestuário, calçados e combustíveis. Se não houver retrocessos na imunização ou complicações adicionais vindas da pandemia, as perspectivas para o setor serão encorajadoras, aponta o Bradesco.

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No setor de serviços, a expectativa é de que a reabertura impulsionará os segmentos voltados às famílias e transportes, destacando projeção de recuperação também ao fazer uma análise comparativa com outros países que estão com um processo de vacinação mais avançado, como Reino Unido e Israel, ainda que haja uma retomada de forma diferente dependendo do segmento.

A recuperação do setor continua aquém dos demais setores no Brasil por conta do fraco desempenho da linha de serviços prestados às famílias, uma vez que as medidas de distanciamento social ainda impedem a utilização plena desses serviços, especialmente de alojamento e alimentação. Isso também deve ser atenuado com a continuidade do processo de vacinação no país e a reabertura da economia. Os serviços de tecnologia da informação são o destaque positivo até o momento, enquanto os de armazenamento e logística também estão sendo favorecidos, com maior demanda do comércio eletrônico, apesar dos serviços de transportes estarem mais fragilizados por conta do transporte aéreo.

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Vacinação guiará retomada da economia brasileira no 2º semestre, apontam economistas: quais ações devem se beneficiar mais?

Os serviços de saúde seguem se beneficiando da reabertura e do avanço dos beneficiários de planos de saúde. Os procedimentos eletivos foram interrompidos temporariamente durante a 2ª onda de Covid 19 em diversos estados, mas já foram retomados. Além disso, o número de beneficiários de planos de saúde vem se elevando, acompanhando a recuperação do emprego formal.

O setor de educação, por sua vez, está em recuperação, mas a captação de alunos ainda é um desafio, avaliam os economistas. No ensino básico, a demanda tem apresentado alguma melhora e, como consequência, os ajustes das matrículas e as renegociações de parcelas cessaram. No ensino superior, a captura de alunos ainda é um grande desafio, mas a recuperação da atividade e do emprego devem impulsionar o segmento nos próximos trimestres, ainda que de forma gradual, aponta o Bradesco.

Quando as economias pelo mundo devem se recuperar?

O Itaú também aponta que a vacinação está permitindo o controle da pandemia pelo mundo, destacando o desempenho de outros países. Entre as grandes regiões, o controle ocorreu primeiro na China, depois nos EUA, posteriormente na Europa e agora deve avançar em mercados emergentes. Nos EUA, o pico da pandemia foi em janeiro/fevereiro. O contágio começou a recuar com 20% da população vacinada em fevereiro. Agora, com mais de 67% da população vacinada com ao menos uma dose, o número de mortes por Covid está nas mínimas.

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A Europa segue a mesma dinâmica, com dois meses de diferença ante os EUA, e vê recuo consistente da pandemia desde abril, quando a vacinação atingiu pelo menos 20% da população. Na China, a vacinação acelerou somente nos últimos dois meses. Mas o controle da pandemia ocorreu com a eficácia das medidas de contenção do vírus (testagem em massa, rastreamento de contatos e isolamento) no segundo trimestre de 2020.

Já os demais países emergentes devem começar a ver benefícios de sua vacinação no terceiro trimestre de 2021. Países como Brasil possuem um mix diverso de vacinas e estão no limiar dos níveis de vacinação que geraram melhora nos EUA e Europa, aponta o banco. Outros países também devem começar a ter ganhos. A disponibilidade global de oferta de vacinas está subindo e, partir de agora, novas doses serão destinadas principalmente para países emergentes, avalia a equipe de análise econômica, com aproximadamente 6,4 bilhões de doses na segunda metade do ano.

Segundo os economistas Guilherme Martins, Laura Pitta e Matheus Franciscão, todos os países desenvolvidos devem recuperar o nível do PIB de 2019 em 2021, enquanto que, para os emergentes, esse momento varia, podendo ser até a metade de 2022. Entre os desenvolvidos, Austrália e Nova Zelândia tiveram uma recuperação mais rápida, já tendo retornado ao nível pré-Covid nos primeiros três meses deste ano, Estados Unidos e Noruega no segundo trimestre, enquanto Japão, Canadá e demais europeus devem atingi-lo somente no segundo semestre.

Já entre os emergentes, a retomada dos níveis anteriores à crise é bem mais heterogênea: enquanto China, Turquia e Índia já retornaram em 2020, temos outros tais como México, República Tcheca e África do Sul, que devem voltar somente no próximo ano.

Para além do nível do PIB, os países desenvolvidos devem apresentar recuperação completa e retornar à tendência pré-pandemia entre o terceiro trimestre de 2020 e primeiro trimestre de 2022, mas os emergentes podem levar até depois de 2023 para voltarem à tendência. No Brasil, a expectativa é de que o PIB retorne à tendência pré-vírus em 2023 ou depois. Isso vale também para Colômbia e Chile, além dos países emergentes asiáticos cujas economias dependem muito do turismo. Por outro lado, os países emergentes da Europa (Polônia, República Tcheca e Hungria) voltam à tendência pré-pandemia em 2022, uma vez que acompanharam o ritmo de vacinação da Zona do Euro.

Na avaliação dos economistas do Itaú, a severidade da pandemia (medida em termos de óbitos per capita) explica uma pequena parte da diferenciação da recuperação entre países.

Para eles, dois outros fatores explicam melhor o ocorrido. O primeiro deles é a maior velocidade da vacinação, que implica em retorno mais rápido à normalidade econômica.

Já o segundo fator é o tamanho (e espaço) do estímulo fiscal. “Há uma correlação positiva entre a expectativa do PIB ao fim deste ano em relação à tendência com o tamanho do estímulo fiscal, mostrando um efeito positivo dos pacotes adotados, que resultam em menor queda e/ou recuperação mais forte. Porém, nota-se que para um mesmo tamanho de estímulo, o crescimento foi em média, superior nos mercados desenvolvidos que nos emergentes, mostrando que além das quantias dispendidas, o espaço para política fiscal (que se espera ser maior entre os desenvolvidos) tem papel relevante. Estímulos fiscais em economias maduras têm menos impacto sobre condições financeiras, ao passo que, em países emergentes, o aperto das mesmas tende a amortecer, ao menos parcialmente, o efeito das medidas fiscais expansionistas”, apontam.

Caso Brasil e riscos no radar

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Para o Itaú, que projeta alta de 5,5% do PIB do Brasil em 2021, no caso doméstico, o avanço da vacinação deve permitir um retorno à normalidade econômica no quarto trimestre, com a expectativa de que toda a população acima de 18 anos esteja com a primeira dose aplicada em novembro.

“Apesar da dependência da chegada de insumos e imunizantes prontos do exterior, que geram periódicos gargalos de curto prazo, há cerca de 600 milhões de vacinas compradas com previsão de entrega até o fim do ano, frente a uma população acima de 18 anos de 158 milhões de pessoas”.

O principal risco adiante é o surgimento de variantes do vírus que afetem a eficácia das vacinas aqui aplicadas. Entretanto, a disponibilidade de vacinas no segundo semestre será mais diversificada, com tecnologias diversas e com indicações iniciais de que as mesmas podem se adaptar a novas variantes.

Ainda do lado dos riscos, para 2021 os economistas ainda avaliam possíveis restrições na oferta de energia elétrica por conta da crise hídrica como entrave à evolução da atividade.

Com relação à crise hídrica, o Bradesco vê ainda como baixo o risco de racionamento, chance que pode aumentar em 2022 caso as condições hidrológicas permaneçam desafiadoras em 2022. Em estudo, a XP apontou chance de apenas 3% de racionamento nos próximos doze meses.

Os economistas do Bradesco ressaltam ainda que mesmo em um cenário hidrológico menos agudo, há um potencial impacto baixista sobre a atividade econômica. Em comparação às demais fontes de energia, as usinas termelétricas contribuem com menor valor agregado à produção e, assim, seu mero acionamento impacta negativamente o componente “Produção e distribuição de eletricidade, gás e água” na indústria.

“De acordo com os nossos cálculos, um acréscimo de 10 pontos percentuais na participação das usinas termelétricas na geração total reduz em cerca de 0,2 ponto por trimestre o índice agregado do PIB, na comparação interanual. Nesse sentido, mesmo que um quadro mais agudo de racionamento não se materialize, esse é um risco em caso de acionamento prolongado destas usinas ao longo do ano”, apontam.

Enquanto isso, o maior impacto a ser sentido deve ser na inflação. O Bradesco ressalta ser válido destacar que o aumento de custos não é repassado ao consumidor apenas via bandeiras tarifárias, mas, também através de reajustes tarifários anuais das distribuidoras de energia. Dessa forma, os reajustes das distribuidoras podem ser mais elevados no próximo ano, considerando o repasse de custos ao consumidor.

Cabe destacar que o último relatório Focus, que mostra a projeção dos economistas para os principais indicadores da economia, projetou a inflação deste ano ultrapassando os 6% – a 6,07% ante 5,97% da semana anterior – superando muito o teto da meta oficial, de 3,75% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para 2022 o cálculo para a inflação teve leve ajuste para baixo de 0,01 ponto percentual, a 3,77%, contra meta de 3,50% também com margem de 1,5 ponto.

A expectativa, em meio à inflação mais alta, é de que a Selic vá para 6,5% ao final deste ano, enquanto a projeção é de elevação a 6,75% no próximo, patamar considerado “neutro” para a atividade (nem levando a condições estimulativas nem contracionistas).

Porém, algumas casas, como o Credit Suisse, veem que a retomada associada à forte alta de preços ao produtor e câmbio depreciado devem manter a inflação em patamares elevados, levando o Banco Central a elevar a taxa básica de juros para 7,25% ao ano ainda em 2021, patamar este que teria impacto negativo na atividade.

Fiscal também segue gerando cautela

O Credit Suisse, cabe ressaltar, revisou recentemente a sua projeção para o PIB para avanço de 5,5% em 2021, também esperando que a aceleração do programa de imunização, reabertura da economia e termos de troca favoráveis impulsionem a atividade após a forte contração de 4,1% em 2020.

Os economistas do banco suíço também apontam que os ventos favoráveis ​​de preços de commodities acentuadamente mais altos e a inflação estão levando o PIB nominal para cima. A relação entre dívida bruta e o PIB esperada para o fim do ano é de 82%, muito mais baixo do que a razão de 89% do ano passado. Por outro lado, déficits primários não deverão se transformar em superávits até 2026, e o fiscal continuará sendo o principal ponto fraco do país em meio a preocupação de muitos investidores rumo às eleições presidenciais de 2022.

O possível aumento dos gastos em meio à proximidade do ano eleitoral, vale destacar, também está no radar dos economistas como um possível risco. Na avaliação dos economistas da XP em seu último relatório mensal de conjuntura econômica, o risco para frente pode voltar a ser o fiscal se a proximidade do ciclo eleitoral elevar a pressão por gastos populistas ou acima do teto constitucional. “Se isso acontecer junto com uma mudança na postura da política monetária nos países desenvolvidos, podemos assistir a volatilidade voltar aos mercados”, aponta a equipe de análise da XP, que possui projeção de alta de 5,2% do PIB para esse ano.

Um outro fator a ser monitorado de perto pelos investidores é o processo de alta dos juros nos Estados Unidos, que antecipou a sinalização de alta de juros de 2024 para 2023 e, a depender das sinalizações futuras, pode levar à redução de atratividade dos investimentos nos emergentes, caso do Brasil.

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Setor público tem déficit primário de R$ 15,541 bilhões em maio, revela BC

Notas de 100 e 50 reais (Pixabay)

Em meio aos efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus, o setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras) apresentou déficit primário de R$ 15,541 bilhões em maio, informou nesta quarta-feira o Banco Central. Em abril deste ano, havia sido registrado superávit de R$ 24,255 bilhões e, em maio de 2020, déficit de R$ 131,428 bilhões.

O resultado primário reflete a diferença entre receitas e despesas do setor público, antes do pagamento dos juros da dívida pública.

O déficit primário consolidado do mês passado ficou dentro do intervalo das estimativas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que iam de déficit de R$ 27,000 bilhões a R$ 11,125 bilhões. A mediana estava negativa em R$ 20,123 bilhões.

Composição

O resultado fiscal de maio foi composto por um déficit de R$ 20,924 bilhões do Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e INSS). Já os governos regionais (Estados e municípios) influenciaram o resultado positivamente com R$ 5,248 bilhões no mês.

Enquanto os Estados registraram um superávit de R$ 4,292 bilhões, os municípios tiveram resultado positivo de R$ 957 milhões. As empresas estatais registraram superávit primário de R$ 134 milhões.

Acumulado do ano

As contas do setor público acumularam um superávit primário de R$ 60,300 bilhões no ano até maio, o equivalente a 1,76% do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central.

O superávit fiscal no ano até maio ocorreu na esteira do superávit de R$ 19,928 bilhões do Governo Central (0,58% do PIB). Os governos regionais apresentaram um superávit de R$ 38,615 bilhões (1,13% do PIB) no período. Enquanto os Estados registraram um superávit de R$ 33,369 bilhões, os municípios tiveram um saldo positivo de R$ 5,245 bilhões. As empresas estatais registraram um resultado positivo de R$ 1,757 bilhão no período.

Acumulado em 12 meses

As contas do setor público acumulam um déficit primário de R$ 428,629 bilhões em 12 meses até maio, o equivalente a 5,41% do PIB, informou o Banco Central.

O déficit fiscal nos 12 meses encerrados em maio pode ser atribuído ao rombo de R$ 503,277 bilhões do Governo Central (6,35% do PIB). Os governos regionais apresentaram um superávit de R$ 71,326 bilhões (0,90% do PIB) em 12 meses até maio.

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Enquanto os Estados registraram um superávit de R$ 65,517 bilhões, os municípios tiveram um saldo positivo de R$ 5,845 bilhões. As empresas estatais registraram um resultado positivo de R$ 3,286 bilhões no período.

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