Bancos estrangeiros elevam fortemente exposição a ações do Brasil em carteiras para a América Latina: otimismo está de volta?

grafico (Getty Images)

SÃO PAULO – Ainda longe de controlar a pandemia e tendo superado na última semana a triste marca de 500 mil mortos por coronavírus, o Brasil ainda tem muitos desafios a serem superados para enfrentar a doença e retomar a atividade econômica normalmente.

Porém, com uma maior expectativa de aceleração da vacinação – que ainda anda a passos lentos e bem atrás dos países desenvolvidos, com apenas 11% da população vacinada com duas doses – e sinais de resiliência da economia e das empresas da Bolsa, diversos bancos estrangeiros têm elevado a sua exposição ao Brasil em suas carteiras estratégicas para a América Latina. Porém, não sem destacar os riscos que estão no radar.

Em linha com esse movimento, no acumulado de junho até o fechamento do último dia 22, os estrangeiros têm um saldo positivo (entre saídas e entradas) de R$ 14,22 bilhões em recursos na B3, caminhando para fechar o mês como o terceiro de entrada de capital externo. No acumulado do ano, o saldo positivo é de R$ 49,417 bilhões.

Nas últimas duas semanas, UBS, JPMorgan e Bank of America elevaram a exposição para o Brasil em suas carteiras para a América Latina para acima da média frente outras economias da região (ou o chamado “overweight”, exposição acima da média do mercado).

David Beker, Carlos Peyrelongue e Paula Andrea Soto, do BofA, que fazem parte da equipe de estratégia e de análise do banco americano, destacaram a revisão em suas projeções para o PIB brasileiro, de alta de 3,4% para 5,2% em 2021, apontando que ainda há viés positivo. A exposição anterior era marketweight (em linha com a média do mercado).

Em seguida, o JPMorgan também elevou a sua exposição para overweight dentro do portfólio para a América Latina, após ter reduzido a exposição para neutra em março deste ano.

De acordo a equipe estratégica do JP, liderada por Emy Shayo, embora o Federal Reserve tenha sido um pouco mais agressivo do que o esperado ao sinalizar alta de juros em 2023 (o que poderia prejudicar os emergentes), o crescimento provavelmente continuará a dar o tom nos próximos meses. “Essa dicotomia global favorece ações, mercados emergentes, [ativos categorizados como de] valor, commodities e ciclicidade”, afirma.

Além disso, o potencial de mais revisões de alta para a economia brasileira ainda é possível, avaliam os estrategistas, uma vez que dados de varejo e serviços vieram melhores do que o esperado em abril, apesar das restrições de mobilidade. “O maior crescimento ajuda a impulsionar os lucros mas, mais importante, deve levar a revisões de lucros para cima”. E esse cenário conta ainda com a melhora no ritmo de vacinação contra a covid-19 no Brasil, destacou a equipe de estratégia.

O banco suíço UBS também elevou o Brasil para overweight com revisões positivas para o PIB, melhora fiscal, perspectivas mais positivas para a vacinação, a visão mais favorável para alta de lucros entre os emergentes e valuation atrativo. A projeção do PIB dos economistas do banco para 2021 passou de alta de 4,5% para 5,8%.

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Mas, além de estarem mais otimistas com o cenário nacional em si, a perspectiva de aumento de risco em outros países da região por conta dos ruídos políticos também tem favorecido o aumento da exposição em Brasil dentro do portfólio da América Latina, ao lado do México. Enquanto isso, Chile, Colômbia e Peru veem suas participações nas carteiras estratégicas perderem espaço.

O BofA cortou a exposição do Chile a “underweight” (ante “overweight”) após os resultados das eleições constitucionais e locais naquele país. México teve a recomendação mantida em “overweight”, assim como Colômbia continuou com marketweight (exposição em linha com a média do mercado).

Já os estrategistas do JPMorgan zeraram a sua exposição ao Peru, enquanto a participação do argentino Mercado Livre (MELI34) foi reduzida. Além do Brasil, o JP também tem exposição overweight em México, enquanto tem exposição “em linha” ao Chile, e “abaixo” em Colômbia e Peru.

O UBS, por sua vez, reduziu Chile de exposição “neutra” para “abaixo da média”, devido ao aumento das incertezas políticas
antes das eleições presidenciais de novembro de 2021, renovadas restrições de mobilidade, expectativa de que alta do lucro possa ter atingido o pico e um valuation menos atrativo.

Os estrategistas do banco permaneceram neutros para o Peru: “embora as incertezas eleitorais e políticas tenham subido substancialmente depois que Pedro Castillo, de esquerda, angariou o maior número de votos na eleição presidencial [contra a direitista Keiko Fujimori], a recente liquidação do mercado sugere que muitos desses riscos estão precificados”, apontam. O banco seguiu underweight em Colômbia dada a crescente agitação social.

Assim como as outras duas instituições financeiras, o UBS manteve exposição overweight em relação ao México, “um grande beneficiário da recuperação econômica dos Estados Unidos, com nossa equipe de economia atualizando a projeção de crescimento do PIB em 2021 de 5,6% para 6,3%”. A dinâmica de lucros diminuiu um pouco, mas o UBS avalia como temporário.

Otimismo cauteloso, mas melhorou

Ainda que muitas das revisões de portfólio também tenham sido motivados por uma piora relativa em outros países, a elevação da exposição do Brasil também passa pela melhora do cenário doméstico.

Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do Research da XP, e Caio Megale, economista-chefe da XP, destacaram em relatório as visões dos estrangeiros sobre o país após uma rodada de reuniões com investidores “gringos”.

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Após um começo de ano muito pessimista, o sentimento melhorou. Porém, destaca o relatório, assinado por Ferreira, não há euforia: o sentimento ainda é  “cautelosamente otimista”.

Ferreira lembra que o Brasil chegou a ter a pior Bolsa e a pior moeda do mundo em performance em meados de fevereiro, também vendo cerca de R$ 12 bilhões de fluxo de estrangeiros deixando o país no período com a segunda onda da pandemia dando sinais claros de aceleração, o Brasil flertando com o estouro do teto de gastos sem sinais de aprovação do orçamento de 2021 (nem da PEC emergencial) e o governo passara a intervir nas estatais (Banco do Brasil, saída do CEO da Eletrobrás, e finalmente na Petrobras). Além disso, o cenário para o consumidor brasileiro parecia muito ruim, com uma combinação de inflação alta, crescimento baixo e fim dos auxílios emergenciais. Enquanto isso, reformas ou privatizações pareciam um sonho distante.

De lá pra cá, muita coisa mudou, e para melhor, afirma o estrategista da XP.

“Os números fiscais do governo têm melhorado consistentemente, a economia deu sinais de clara recuperação, levando a uma grande revisão pelo mercado, que já espera um crescimento acima de 5% para o ano – e com viés de alta. O Congresso voltou a avançar na discussão de reformas e privatizações – o Senado aprovou na última quinta feira a MP da Privatização da Eletrobras. O ciclo das commodities também continuou a melhorar , trazendo bons ventos para a economia brasileira, além de ajudar a trazer o câmbio de volta ao patamar de R$ 5 e a impulsionar os 36% da Bolsa brasileira representada pelas empresas ligadas às commodities”, avalia.

Por outro lado, as principais dúvidas que a XP ouviu dos investidores foram, na ordem: 1) as eleições de 2022, 2) o cenário fiscal de curto e longo prazo (há melhoras hoje, mas qual a chance de se deteriorar novamente), 3) a trajetória esperada para a taxa de câmbio e 4) quais setores para se investir no momento – commodities, doméstico, ações de valor ou de crescimento?

“As dúvidas mostram que o investidor estrangeiro ainda não está indo ‘all-in’ no Brasil, e vários receios ainda persistem em relação ao futuro. Isso nos indica que o fluxo forte que tivemos até agora na Bolsa pelos estrangeiros foi uma redução da posição underweight em Brasil, dado que os estrangeiros estavam fora do país de forma relevante já há alguns anos”, aponta Ferreira.

O estrategista-chefe da XP lembra que, em 2007, o Brasil chegou a ter quase 20% de peso no índice de Mercados Emergentes (MSCI). Esse peso hoje se encontra em 4,6%, sendo o 6º país mais relevante do índice, atrás de Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Índia e China. O índice de mercados emergentes se tornou primordialmente um índice focado na Ásia nos últimos anos, enquanto a América Latina vêm perdendo espaço consistentemente no índice – e nas carteiras de investidores globais, como consequência.

A percepção dos investidores é que a maioria deles ainda segue com uma carteira mais defensiva, e expostos a empresas de alta qualidade e de crescimento, e com uma baixa exposição aos grandes setores da Bolsa, como os setores de bancos e commodities. Assim sendo, caso essas “large caps” continuem subindo, a impressão é de que haveria mais fluxo para esses setores, pelo baixo posicionamento dos investidores neles.

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A XP segue construtiva em relação ao Brasil e aos ativos brasileiros. “Acreditamos que a aceleração da vacinação e da economia deve seguir impulsionando as empresas ligadas ao setor doméstico, e levando à revisões positivas de lucros pelo mercado. O ciclo de commodities – caso continue – também deve seguir impulsionando tanto esses setores, quanto a economia como um todo, pelo seu grande efeito indireto. Além disso, os ativos brasileiros ainda seguem baratos, tanto em relação ao seu histórico, quanto em relação a outros países (principalmente Bolsa e câmbio)”, aponta Ferreira.

Para o estrategista-chefe da XP, o sentimento – e o posicionamento – dos investidores ainda está longe de um sentimento de euforia e grande otimismo em relação ao Brasil. Isso indica que há mais fluxo potencial para vir ao Brasil, caso o cenário macro e micro siga melhorando.

O JPMorgan, reforçando maior otimismo, elevou na sequência do aumento de exposição ao Brasil a sua projeção para o Ibovespa de 134 mil para 140 mil pontos ao final de 2021 – ou uma alta de 9% em relação ao fechamento da véspera. Entre os riscos no radar, os estrategistas destacaram a normalização da política monetária no mundo – incluindo o próprio Brasil -, além do cenário político, com destaque para as eleições.

Ações em destaque

Com a perspectiva, no geral, mais otimista para o Brasil, os estrategistas também destacaram quais as ações que eles veem como ganhadoras no cenário de reabertura econômica com aumento do ritmo de vacinação e, por consequência, aceleração da atividade.

Em relação aos setores de destaque, o JP apontou preferência pelo financeiro e de commodities. “Os lucros estão altos, as revisões de lucros estão em alta e os múltiplos estão baixos. É verdade que se deve a finanças e commodities, mas é exatamente onde estamos aumentando a exposição Brasil em nosso portfólio de modelos”, destacou o banco.

No portfólio para a América Latina, os estrategistas do BofA acrescentaram as ações da Natura (NTCO3), que já pertenciam ao portfólio Brasil. Além disso, elevaram a exposição a grandes bancos já na carteira, como Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e também Banco do Brasil (BBAS3) por conta dos sinais de recuperação macroeconômica, melhora da dinâmica de lucros, valuation barato e desempenho abaixo do mercado desde o início da pandemia. “Embora os casos de reabertura e de bancos tenham se recuperado amplamente no mês passado, elas continuam para trás na comparação com as cotações do início da pandemia”, avaliam.

Por outro lado, eles seguem mais cautelosos com setores como de serviços, companhias aéreas e shoppings. Também adicionaram exposição à recuperação econômica do Brasil por meio da Energisa (ENGI11) e removeram a BRF (BRFS3) após a forte alta recente.

Beker, Peyrelongue e Paula também afirmam que continuam gostando de cases relacionadas à inflação conforme o mundo se reabre, como commodities, Hypera (HYPE3) e Carrefour (CRFB3).

Além disso, mantiveram alocação para a Vale (VALE3) por conta do valuation, enquanto possuem exposição ao petróleo por meio da colombiana Ecopetrol e também adicionaram a brasileira Petrobras (PETR4), à medida que avaliam que o ruído político diminui. Não vendo catalisadores de curto prazo, o BofA removeu exposição ao setor de papel e celulose, excluindo a brasileira Klabin (KLBN11) e a chilena CMPC.

Entre as ações brasileiras que estão na carteira de doze ações da América Latina para ganhar com a tese de reabertura, os estrategistas possuem exposição em Bradesco (BBDC4), BR Distribuidora (BRDT3), Cosan (CSAN3), Hapvida (HAPV3), Itaú Unibanco (ITUB4), PagSeguro (essa negociada na Nasdaq), TIM (TIMS3) e Vale (VALE3), totalizando oito papéis do país no portfólio.

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Bank of America eleva exposição para ações do Brasil de equivalente à neutra para compra

grafico (Getty Images)

SÃO PAULO – Com expectativas mais positivas para a economia brasileira e adicionando exposição a ativos que se beneficiam da reabertura das atividades e a bancos, a equipe de estratégia do Bank of America elevou a sua exposição a  ações brasileiras, passando de marketweight (exposição em linha com a média do mercado) para overweight (exposição acima da média do mercado) dentro do portfólio da América Latina.

David Beker, Carlos Peyrelongue e Paula Andrea Soto, que fazem parte da equipe de estratégia e de análise do banco americano, destacaram a revisão em suas projeções para o PIB brasileiro, de alta de 3,4% para 5,2% em 2021, apontando que ainda há viés positivo.

Ao mesmo tempo em que elevaram o Brasil, reduziram a recomendação do Chile de overweight para underweight (exposição abaixo da média)  após os resultados das eleições constitucionai locais. Os estrategistas seguem com recomendação overweight para o México, por conta da sua correlação com a economia dos EUA, além de verem menos riscos de alta de inflação e de juros. O resultado eleitoral no México, com um menor apoio à agenda do presidente Andrés Manuel López Obrador, também foi visto como positivo.

Com relação ao Brasil, Beker, Peyrelongue e Paula apontam que o foco é a reabertura por meio de nomes de alta qualidade,  afirmando que gostam do varejo tradicional, distribuição de combustível, construção e pagamentos.

No portfólio para a América Latina, acrescentaram as ações da Natura (NTCO3), que já pertenciam ao portfólio Brasil. Além disso, elevaram a exposição a grandes bancos já na carteira, como Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e também Banco do Brasil (BBAS3) por conta dos sinais de recuperação macroeconômica, melhora da dinâmica de lucros, valuation barato e desempenho abaixo do mercado desde o início da pandemia.

“Embora os casos de reabertura e de bancos tenham se recuperado amplamente no mês passado, elas continuam para trás na comparação com as cotações do início da pandemia”, avaliam.

Por outro lado, eles seguem mais cautelosos com setores de maior risco, como de serviços, companhias aéreas e shoppings. Também adicionaram exposição à recuperação econômica do Brasil por meio da Energisa (ENGI11) e removeram a BRF (BRFS3) após a forte alta recente.

Beker, Peyrelongue e Paula também afirmam que continuam gostando de cases relacionadas à inflação conforme o mundo se reabre, como commodities, Hypera (HYPE3) e Carrefour (CRFB3).

Além disso, mantiveram alocação para a Vale por conta do valuation, enquanto possuem exposição ao petróleo por meio da colombiana Ecopetrol e também adicionaram a brasileira Petrobras (PETR4) à medida que avaliam que o ruído político diminui. Não vendo catalisadores de curto prazo, o BofA removeu exposição ao setor de papel e celulose, excluindo a brasileira Klabin (KLBN11) e a chilena CMPC.

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Para Bank of America, governo dos EUA aumenta bolha na bolsa

(Bloomberg) – Estrategistas do Bank of America alertaram que o “avanço extremo” em Wall Street — que levou as ações a recordes e foi embalado por fortes estímulos governamentais nos EUA — está formando uma bolha nos preços dos ativos.

“A bolha de políticas governamentais federais está alimentando a bolha nos preços dos ativos em Wall Street”, escreveram estrategistas liderados por Michael Hartnett em nota divulgada nesta sexta-feira. “Quando aqueles que querem permanecer ricos começam a agir como aqueles que desejam ficar ricos, isso sugere o último estágio no estouro especulativo.”

Os estrategistas preveem correção do mercado e posicionamento para o pico no primeiro trimestre. O indicador BofA Bull & Bear está se aproximando de um “sinal de venda”.

A disparada dos preços no mercado financeiro na esteira do avanço das operações atreladas à inflação vai puxar a inflação da economia real, trazendo a ameaça de reação negativa à retirada de estímulos, condições financeiras mais restritivas e eventos de volatilidade, alertaram os profissionais do banco. Eles destacaram bolhas anteriores nos EUA, incluindo a das empresas ponto-com e a do mercado imobiliário residencial em 2007-2008.

A valorização dos ativos de risco graças às perspectivas de vacinação contra a Covid-19 ganhou fôlego adicional este ano, com a aposta de que a maioria democrata no Senado dos EUA trará mais estímulos fiscais, se somando à mão aberta do banco central (Federal Reserve). O índice S&P 500 subiu mais de 70% desde a mínima atingida em março, enquanto o Nasdaq 100 quase dobrou e a Bitcoin passou de US$ 30.000.

Os balanços patrimoniais dos bancos centrais se avolumaram em 2020, atingindo recordes no caso do Fed e do Banco Central Europeu. O BofA espera que balanço patrimonial do Fed alcance 42% do PIB dos EUA este ano e que o déficit orçamentário chegue a 33% do PIB.

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Bank Of America supera estimativa de lucro líquido no 4º trimestre de 2020, mas receita fica abaixo das projeções

O Bank Of America (BOAC34) informou nesta terça-feira, 19, que registrou lucro líquido de US$ 5,5 bilhões no quarto trimestre de 2020, o equivalente a US$ 0,59 por ação, superando a previsão de analistas consultados pela FactSet, de US$ 0,55.

O resultado, contudo, representou uma queda em relação ao ganho de US$ 7 bilhões – US$ 0,74 por ação – em igual período de 2019.

A receita do banco caiu quase 10% na mesma base comparativa, a US$ 20,1 bilhões, um pouco abaixo da projeção de US$ 20,6 bilhões do mercado.

Em 2020 como um todo, o lucro líquido cedeu 35% ante o ano anterior, a US$ 17,9 bilhões, enquanto a receita recuou 6%, a US$ 85,5 bilhões.

Após a divulgação do balanço, o papel do Bank Of America perdia 1,73%, a US$ 32,45, no pré-mercado da Bolsa de Nova York, por volta das 10h45 (pelo horário de Brasília).

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Com a privatização ainda incerta, o que os analistas do BofA e Credit esperam para as ações da Eletrobras?

(Divulgação/Eletrobras)

SÃO PAULO – Entre tantas idas e vindas sobre o processo de privatização da Eletrobras (ELET3;ELET6) em meio a resistências no Congresso, o que esperar para as ações da companhia e para o operacional dela?

Recentemente, o Bank of America e o Credit Suisse trouxeram luz ao cenário para a companhia de energia – nos cenários sem ou com privatização da estatal.

Na última sexta-feira, o BofA reiniciou a cobertura para as ações ON da Eletrobras (ELET3), com recomendação de compra um preço-alvo de R$ 47, o que corresponde a um potencial de valorização de 47% em relação ao fechamento da ação na sexta-feira, de R$ 32,07.

Para a os papéis PN (ELET6), o preço-alvo é de R$ 51, o que corresponde a um potencial de valorização de 58% em relação ao valor de fechamento da sexta, de R$ 32,31: “nós preferimos ELET6 em relação à ELET3 dado o prêmio pelos dividendos”, afirma o BofA.

Segundo os analistas do banco, deixar para trás as estratégias feitas no passado permitiu a mudança no case de investimentos da estatal. “Embora o resgate (total) da companhia dependa de uma privatização ainda incerta, vemos as ações sendo negociadas a um valuation atrativo, mesmo em cenários conservadores da empresa ainda como estatal”, avalia o banco.

Além do cenário-base do banco, com a ação a R$ 47 para ELET3, há outros dois cenários: o otimista e o pessimista. Caso a empresa seja privatizada, os analistas veem um potencial de valorização de 72% para o ativo. Já no cenário pessimista – caso a empresa volte para o “limbo” e se torne de novo ineficiente – as projeções para a companhia caem muito, mas os analistas ainda veem um upside de 7% para a ação.

Os analistas ressaltam que o case de investimento em Eletrobras sofreu uma reviravolta quando a administração anterior (do presidente Michel Temer) nomeou uma nova gestão em 2016. “Desde então, a nova gestão liderada pelo executivo Wilson Ferreira Júnior foi implementando custos significativos – redução de R$ 6 bilhões e desinvestimento de ativos (trazendo alavancagem para 2 vezes a relação entre dívida líquida e o Ebitda no segundo trimestre versus 8,5 vezes máximo de 2016). O objetivo da gestão é transformar a Eletrobras em uma empresa de gestão privada”, aponta o BofA.

O caso-base não considera privatização, mas assume que as iniciativas de eficiência implementadas pela nova gestão desde 2016 irão continuar. Os analistas ressaltam que, nos últimos quatro anos, a Eletrobras reduziu as despesas gerenciáveis ​​em R$ 3 bilhões ao ano refletindo principalmente o  corte de 51% na força de trabalho (22.205 funcionários em 2015 para 12.552 funcionários no segundo trimestre de 2020), e a redução nos custos de geração e transmissão. “No total, estimamos que as iniciativas já implementadas representem R$ 15 bilhões de valor presente líquido em economias”, afirmam os analistas.

Para o BofA, ainda há mais espaço para corte de custos. Na estimativa dos analistas, a Eletrobras poderia reduzir os custos em mais R$ 3 bilhões ao ano.

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O Credit Suisse também ressalta preferência pela ELET6 em relação à ELET3, mantendo recomendação neutra para os ativos ordinários e outperform (exposição acima da média do mercado) para PNA. O banco suíço reduziu o preço-alvo para os dois ativos, passando de R$ 45,90 para R$ 36,90 por papel ELET3 e de R$ 50,30 para R$ 40,20 para os ativos PNA. A estimativa é de um potencial de valorização de 25% para os ativos PNA e 15% para as ações ON, mais conservadora em relação ao BofA.

“Nós acreditamos que 2021 virá com longas discussões sobre o processo em potencial de privatização, já que o projeto de lei referente a essa privatização ainda precisa ser analisado para a definição do novo pagamento das taxas de concessão, novos níveis de preços e fundos setoriais aos quais a Eletrobras terá que contribuir se for privatizada”, ressaltam os analistas do banco suíço.

Nesse ínterim, o Credit reforça a avaliação de que a Eletrobras deverá entregar cortes de custos com o programa de demissões em andamento, enquanto a revisão tarifária deve contribuir para os resultados das principais linhas da transmissão. Na análise, o Credit também ressalta que a privatização não está nos números da companhia.

Mas algumas preocupações estão no radar, que são: empréstimo compulsório, privatização e alocação de capital. Eles também apontam que a estratégia de alocação de capital também é impactada por novos investimentos em potencial em projetos centrais visto que o investimento e o retorno para tais projetos ainda são incertos.

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Vacina contra coronavírus pode marcar “topo” para o rali de ações, diz BofA

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(Bloomberg) – O anúncio de uma vacina contra a Covid-19 deve marcar o “big top” para o rali dos mercados acionário e de crédito, de acordo com o Bank of America.

Com a alta dos ativos de risco que recentemente levou o índice S&P 500 para nível recorde, a confirmação de uma vacina e forte recuperação do mercado de trabalho são necessárias para estabelecer um limite no rali, disseram estrategistas liderados por Michael Hartnett.

A equipe destaca que, embora o consenso do mercado seja de otimismo, o posicionamento de ativos cruzados permanece neutro, em vez de “excessivamente” otimista.

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Os estrategistas também alertam no relatório sobre o risco crescente de uma correção do mercado e aumento da volatilidade com a aproximação das eleições nos Estados Unidos, aconselhando investidores a fazerem hedge da exposição por meio de títulos de alto rendimento e de mercados emergentes, além de ações de concessionárias, trusts de investimento imobiliário e fundos de índice de dividendos.

A equipe projeta o S&P 500 em 3.630 pontos antes das eleições nos EUA – cerca de 5% acima do fechamento na quinta-feira.

De acordo com o BofA, o otimismo da vacina pode marcar o fim do domínio do setor de tecnologia, aumentar o apelo de ações de valor mais baratas e elevar os rendimentos.

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Além de poderosas medidas de estímulo, as expectativas de um tratamento para a Covid-19 ajudaram a impulsionar os ganhos das bolsas nas últimas semanas.

A pesquisa de agosto do BofA com gestores de fundos mostrou que investidores institucionais esperam que o anúncio da vacina aconteça no início do primeiro trimestre de 2021.

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Katherine Davidson, gestora de ações globais e internacionais da Schroders, alerta que investidores podem estar se adiantando no otimismo sobre o momento da descoberta da vacina.

“Há muita coisa precificada no momento e há um risco real de não recebermos uma vacina neste ano”, disse Davidson por telefone.

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BNDES, recomendação cortada e sem interesse chinês: as notícias sobre Embraer que fizeram a ação cair 10%

SÃO PAULO – Após o fracasso da joint venture com a Boeing, por mais que alguns caminhos tenham se desenhado para a Embraer (EMBR3), ainda há muita incerteza no radar, que levou a ação a cair 10,75% na sessão desta segunda-feira (4) a R$ 7,72, após registrar a maior queda do Ibovespa em abril (veja mais clicando aqui).

Nos últimos dias, ganharam destaque as notícias de que a companhia não teria despertado o interesse (pelo menos não no atual momento) dos chineses e que, no curto prazo, a companhia pode receber aporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), 26 anos após a sua privatização. Vale destacar que, dias atrás, o senador Jacques Wagner (PT-BA) apresentou projeto para reestatizar a companhia.

Sobre o projeto de lei 2.195/2020 do setor petista, o Bradesco BBI aponta que, se ele fosse aprovado, o governo Federal poderia assumir o controle por meio de uma oferta pública ou aumento de capital.

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Na avaliação do banco, o governo federal não poderá expropriar o controle da Embraer pelo fato da fabricante de aeronaves ser uma corporação, o que significa que a oferta pública de aquisição ou o aumento do capital por subscrição seriam as alternativas mais prováveis.

A oferta pública pode implicar em desembolso de caixa de US$ 14 bilhões, em comparação com o valor de mercado da Embraer de US$ 1 bilhão o que, na avaliação do BBI, tornaria essa operação improvável.

De acordo com os estatutos da Embraer, se a participação de um investidor ultrapassar 35% do total de ações, uma poison pill (“pílula de veneno” em tradução livre, cláusula presente no estatuto para proteger o minoritário)  será acionada e o investidor deverá lançar uma oferta pública.

O preço da oferta que está detalhado exige um prêmio de 50% sobre o preço mais alto entre três parâmetros: a) preço mais alto das ações nos últimos 12 meses (valor patrimonial de US$ 8,6 bilhões); b) o preço mais alto pago pelo investidor nos últimos três anos (US$ 11,6 bilhões), c) a relação de 14,5 vezes o EV sobre o Ebitda, que seria o valor de mercado sobre o Ebitda (US $ 3,4 bilhões) ou d) 0,6 vez o EV sobre o backlog (US$ 14,2 bilhões).

O que vem ganhando força, enquanto isso, é o noticiário de que a companhia receberá um aporte bilionário, mas ainda está sendo estudada a forma como isso se dará.

No fim de semana, a Reuters apontou que a Embraer poderia obter um crédito de US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão junto ao BNDES e bancos comerciais para capital de giro e financiar a exportação de aeronaves, citando duas fontes do governo próximas às negociações.

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A Embraer poderia também entrar em um programa de socorro às companhias aéreas nacionais afetadas pelos impactos da pandemia de covid-19.

“A Embraer virou candidata de uma possível sindicalização entre os bancos e BNDES. É uma empresa aberta, de capital pulverizado que permite fazer algo como bônus com subscrição ou uma conversibilidade (em ações). É consenso dos bancos que a Embraer é uma natural candidata a um apoio…para dar capital de giro a ela e para financiar a venda dos aviões”, afirmou a fonte.

Já o Valor Econômico divulgou nesta segunda que o aporte do BNDES deve se dar pela emissão de, pelo menos, US$ 1 bilhão em ações e diluição dos atuais sócios.

De acordo com a publicação, uma emissão para o mercado de capitais foi descartada pela crise e novas parcerias apenas serão buscadas quando a pandemia estiver superada. A ideia não é que a União, que hoje tem, por meio da BNDESPar, cerca de 5% da empresa, volte a controlá-la, o que a engessaria na disputa de mercado. A busca é por liquidez para atravessar o fundo do poço com o coronavírus.

Sobre essa hipótese, os analistas do Bradesco BBI avaliam que, para que a participação do governo na companhia não supere os 35% e a “poison pill” seja acionada, o aumento de capital precisaria ser superior a US$ 18,25 por ADR da companhia, resultando em um prêmio de 214%. Se estes termos forem confirmados, o preço das ações poderia subir para US$ 8,65 por ADR (ante os US$ 5,60 negociados nesta segunda-feira).

Porém, ainda há muitas incertezas no radar sobre a estratégia para a companhia após o fracasso da joint venture com a Boeing. Nesta segunda-feira, o Bank of America reduziu a recomendação para os ADRs (na prática, as ações da companhia negociadas na bolsa americana) ERJ de outperform para neutra, reduzindo o preço-alvo de US$ 15 para US$ 8, apontando principalmente para os planos pouco claros para a área de aviação comercial, principal ponto da proposta de parceria não efetivada entre Boeing e a brasileira. 

O BofA aponta que a ação já caiu 68% no acumulado do ano com o cancelamento da joint venture adicionando ainda mais pressão ao ambiente já desafiador em meio ao COVID-19.” Em nossa opinião, esses ventos contrários já estão precificados nos níveis atuais de preço das ações. No entanto, esperamos um upside limitado para o preço das ações até que os investidores tenham mais clareza sobre os planos da Embraer”, avaliam.

Eles apontam, contudo, que veem a Embraer como uma sobrevivente, também citando como alternativas o aporte do BNDES/governo. “Não esperamos que a recuperação da companhia após o encerramento da transação neste momento de coronavírus seja fácil, mas a Embraer passou com sucesso por dificuldades no passado”, destacam.

Além disso, ela poderia encontrar outro parceiro ou optar por manter toda a propriedade do comercial negócio da aviação. Neste sentido, o Bradesco BBI reforça que a chinesa Comac seria a compradora natural – mas o tempo não favorece a Embraer. “Se a situação financeira da Embraer começar a se deteriorar nos próximos trimestres, o preço de aquisição cairia. Para superar a ‘poison pill’ da Embraer, a Comac poderia usar a mesma estrutura de negócios negociada entre a Embraer e a Boeing, o que significa que a chinesa compraria 80% da unidade de negócios de aviação comercial”, avaliam.

A eventual parceria chinesa também é permeada por dúvidas, conforme destacou a Forbes. Segundo a publicação, a China poderia não ter interesse em adquirir a Embraer, pois :i) o país pode não fazer uma grande aquisição aeroespacial em um momento difícil para o setor, 2) há sobreposição de produtos, 3) há mensagens políticas contraditórias no Brasil e 4) a China não teria o que a Embraer precisa. Assim, destaca a publicação, o cenário da Boeing retomar as negociações com a Embraer é mais provável do que um possível acordo entre a China e a Embraer.

Porém, pondera o Bradesco BBI, a China tentou adquirir a série de aeronaves CSeries da Bombardier antes da união da última com a Airbus, o que, na opinião dos analistas, sugere que um possível acordo entre Comac e Embraer poderia ser alcançado.

De qualquer forma, os analistas do banco permanecem com a recomendação underperform para os ativos da Embraer, com preço-alvo para 2020 de US$ 4,00, destacando quatro questões: 1) as companhias aéreas adiarão a maioria das entregas de aeronaves esperadas para 2020 e 2021; 2) a Embraer enfrentará uma concorrência acirrada com a Airbus por novos pedidos de jatos regionais; 3) queima de caixa que provavelmente aumentará nos próximos trimestres e 4) o valuation pouco atraente.

Lucro do BofA encolhe 45%; banco segue rivais com provisão de bilhões para empréstimos

(Bloomberg) — O Bank of America seguiu os passos de dois grandes rivais e fez provisões de bilhões de dólares para empréstimos que provavelmente não serão pagos em meio à paralisação econômica quase total nos Estados Unidos.

O lucro do banco encolheu 45% no primeiro trimestre de 2020 na base de comparação anual com provisões de US$ 4,76 bilhões para perdas com empréstimos, o maior valor desde 2010, diante do impacto da crise econômica causada pela pandemia de coronavírus sobre empresas e famílias.

O banco segue o JPMorgan Chase e Wells Fargo, que divulgaram as maiores provisões em uma década na terça-feira. Juntos, os três bancos fizeram reservas de mais de US$ 17 bilhões para cobrir inadimplências.

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Os bancos tentam se antecipar às perdas com empréstimos provocadas pela pandemia, que paralisa grande parte da economia global. Embora os indicadores de inadimplência ainda não tenham aumentado significativamente, as medidas para elevar as provisões mostram que os bancos se preparam para uma recessão grave.

A provisão do Bank of America para empréstimos de risco no primeiro trimestre ficou quase cinco vezes acima da reserva de US$ 1 bilhão um ano antes.

Além do pior cenário econômico, os bancos precisam adotar um novo padrão contábil este ano, conhecido como CECL, segundo o qual as provisões são feitas no início de um ciclo.

BofA corta novamente projeção do Ibovespa para 76 mil pontos em 2020; confira os 3 cenários do banco

ações índices gráfico bolsa mercados stocks alta (Shutterstock)

SÃO PAULO – Em apenas uma semana, o Bank of America (BofA) revisou novamente para baixo as suas projeções para o Ibovespa em meio ao impacto da pandemia do coronavírus e das medidas de isolamento social nos resultados das empresas.

Os estrategistas veem agora que o índice chegará a 76 mil pontos até o fim de 2020, um potencial de valorização de 9% frente o fechamento de sexta-feira (3), ante previsão anterior de 87 mil pontos. Na última semana, a revisão foi de 130 mil pontos para 87 mil pontos.

“No nosso cenário base, a economia recua significativamente e aos poucos vai se recuperando a partir do fim do ano. Mesmo assim, o lucro das empresas vai ser menor em 2021 do que em 2019. O lucro por ação [das empresas que compõem] do Ibovespa deve cair 20% em 2020, e se recuperar em 2021 com alta de 15%”, apontaram os analistas do BofA em relatório.

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Apesar dessa revisão para baixo, o BofA manteve o Brasil como overweight (exposição acima da média), ainda que reduzindo a exposição dentro do portfolio de América Latina. Os analistas seguem underweight (exposição abaixo da média) em Peru e não possuem alocação em Argentina. Já o México foi reduzido de marketweight (exposição em linha com a média) para underweight, enquanto Chile foi elevado de underweight para marketweight, assim como a Colômbia.

O banco ainda apontou mais dois cenários para o Ibovespa além do base, que são o otimista e o pessimista. Confira abaixo os três cenários projetados pelo banco americano:

Cenário base (76 mil pontos, 9% de upside): desaceleração profunda, mas com normalização gradual da atividade até o final do ano. A economia se recupera em 2021, mas os ganhos permanecem abaixo dos níveis de 2019. O crescimento do lucro por ação do Ibovespa cai 20% e se recupera em 2021 em 15%.

“Nosso caso base difere significativamente das estimativas de consenso atuais, que atualmente estão em queda de 1% para 2020 e alta de 20% em 2021. O Ibovespa negociará abaixo dos níveis históricos devido à incerteza na recuperação e também com possível retomada dos casos de coronavírus (múltiplo 11,5 vezes a relação entre preço sobre lucro esperada em 12 meses).

Cenário otimista (89 mil pontos, alta de 28%): desaceleração profunda, mas mais curta do que o esperado neste ano. Atividade normalizada no segundo semestre. O crescimento do lucro por ação do Ibovespa cai apenas 15% e se recupera em 2021 com alta de 20% (recuperação média após um ano de crescimento negativo do lucro por ação). O valuation permanece em linha com os níveis históricos (12 vezes a relação preço sobre lucro esperada para 12 meses).

Cenário pessimista (60 mil pontos, queda de 14%): impacto mais longo do que o esperado na atividade com períodos prolongados de restrições de circulação. O lucro por ação cai 25% em 2020 (contração semelhante a 2009) e estagna em 2021 com 0% de crescimento. Nesse cenário, o valuation do Ibovespa permanece com desconto versus níveis históricos (11 vezes o preço sobre o lucro projetado para 12 meses, 8% de desconto em níveis históricos).

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XP e BofA cortam projeções e se unem às expectativas de Ibovespa abaixo dos 100 mil pontos em 2020

B3 (Shutterstock) (Shutterstock)

SÃO PAULO – Destacando o forte impacto nos lucros das empresas previstos em 2020 por conta da crise com o coronavírus, a XP Investimentos e o Bank of America cortaram projeções para o Ibovespa para este ano.

A XP diminuiu a estimativa para o Ibovespa de 132 mil pontos para 94 mil pontos ao final de 2020 (o que corresponderia a um potencial de valorização de 28% frente o fechamento de sexta-feira), enquanto o Bank of America cortou a projeção de 130 mil pontos para 87 mil pontos (representando um upside de 18,5% frente sexta-feira).

Nas últimas semanas, o Morgan Stanley já havia cortado a projeção de 125 mil pontos para 85 mil pontos (veja aqui), o Itaú BBA passou de 132 mil pontos para 94 mil pontos (veja aqui), enquanto a revisão mais drástica ficou com o JPMorgan, que cortou de 126 mil para 80.500 pontos (confira aqui), todos eles agora vendo o índice abaixo dos 100 mil pontos em 2020.

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David Beker, estrategista do Bank of America, destacou em nota que agora espera uma contração de 9% no lucro das empresas no Brasil em 2020, seguida por um crescimento de 10% em 2021. “O cenário-base do BofA prevê recessão profunda, mas de curta duração no país, com atividade econômica normalizando no fim do ano”, avalia.

A projeção otimista do banco americano vê o Ibovespa a 100 mil pontos no fim do ano (upside de 36,2%), enquanto estimativa pessimista vê o índice a 63 mil pontos (projeção de queda de 14,2%). De acordo com o estrategista do BofA, o mercado brasileiro atualmente precifica uma contração de 21% no lucro das empresas em 2020.

Para o BofA, embora o risco-país tenha subido no mês passado, espera-se que ele diminua assim que a o cenário da crise atual arrefeça, desde que grandes rupturas estruturais sejam evitadas. Esse foi o caso após a crise de 2009. “Dito isto, acreditamos que, mesmo em um cenário otimista, […] provavelmente o re-rating do Brasil será adiado para 2021”, avalia.

Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do research da XP, por sua vez, destacou em relatório (confira clicando aqui) que a projeção é de que o índice atingirá um múltiplo de 10,7 vezes o preço sobre o lucro projetado para 2021, ainda abaixo da média histórica de 12,5 vezes e o pico recente de 14 vezes.

Mesmo com a projeção para o final do ano acima dos 90 mil pontos, Ferreira destaca ser importante frisar que é possível que haja novas baixas no mercado no curto prazo, antes que o índice aponte para uma recuperação no segundo semestre.

O índice poderia chegar a 60 mil pontos caso o mercado caísse a média do que caiu em recessões globais passadas, o que seria equivalente a uma baixa de 18% em relação ao fechamento de sexta-feira.

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“Caso a situação se deteriore na mesma medida que chegou em 2008, o índice poderia cair para um intervalo de 46 mil até 50 mil pontos, um cenário que hoje nos parece pouco provável”, avalia.

Conforme avalia Ferreira, a rápida atuação dos governos e Bancos Centrais ao redor do mundo visando tentar conter o impacto econômico das medidas de controle do vírus é algo muito positivo, e reduz drasticamente o potencial da crise se deteriorar para uma depressão econômica. “Isso é uma mudança drástica de atitude frente ao que ocorreu em 2008, onde grandes bancos foram permitidos de ser levados à falência”, apontou.

Além disso, a China e a Ásia começam a dar sinais de voltar ao normal, o que é positivo para as commodities no Brasil. Também do lado positivo, o estrategista-chefe da XP avalia que Paulo Guedes, ministro da Economia, deixou claro que o governo tem mapeado o tamanho do problema e está agindo com um grande senso de urgência para anunciar as medidas necessárias.

Por outro lado, os indicadores econômicos e das empresas continuarão se deteriorando nas próximas semanas, o tempo necessário para voltarmos à normalidade permanece incerto, e as notícias positivas referentes aos pacotes anunciados ao redor do mundo (EUA, Europa) ficaram para trás.

Veja as projeções revisadas das instituições para o Ibovespa em 2020: 

Instituição Projeção anterior (em pontos) Projeção atual (em pontos) Potencial de valorização*
Bank of America 130 mil 87 mil +18,5%
Itaú BBA 132 mil 94 mil +28%
JPMorgan 126 mil 80,5 mil +9,6%
Morgan Stanley 125 mil 85 mil +15,75%
XP Investimentos 132 mil 94 mil +28%

*em relação ao fechamento de sexta-feira (27)

O BofA, por sua vez, detalhou os três cenários para o Ibovespa que possui, destacados abaixo:

1. Caso base (87 mil pontos): desaceleração profunda, mas relativamente contida. A atividade normaliza até o final do ano e a economia recupera em 2021. O crescimento do lucro por ação do Ibovespa cai 9%, mas recupera em 2021 com alta de 10%, com o Ibovespa continuando a ser negociado em linha com a média histórica, de 12 vezes o preço sobre lucro projetado para 12 meses.

Grande parte da deterioração dos lucros neste ano deve-se a setores cíclicos, que tem uma participação importante ​​no Ibovespa, avalia o BofA. Empresa de petróleo e de commodities em geral precisarão enfrentar a desaceleração do crescimento global, enquanto espera-se que players de consumo local sejam impactados pelas medidas de restrição à circulação. Enquanto isso, o setor financeiro enfrentará um ambiente de taxas ainda mais baixas e a piora das carteiras de crédito.

Contudo, a depreciação do real (positiva para os exportadores) e a implantação antecipada de estímulos monetários e fiscais devem amenizar o impacto no lucro por ação, avalia.

2. Cenário otimista (100 mil pontos): desaceleração limitada este ano, com o número de novos casos diminuindo mais rapidamente do que o esperado e a atividade se normalizando no segundo semestre de 2020. O lucro por ação do Ibovespa cairia apenas 5% e se recuperaria em 2021 com alta de 20% O valuation permanece nos níveis históricos (12 vezes o preço sobre o lucro esperado para 12 meses) neste cenário.

3. Cenário pessimista (63 mil pontos): Impacto mais longo do que o esperado do coronavírus na atividade com períodos de lockdown prolongados. O cenário de queda da atividade global se estende até 2021. O lucro por ação cai 20% em 2020 (contração semelhante a de 2009) e estagna em 2021. O valuation permanece com desconto frente à média histórica (11 vezes a projeção de lucro por ação, 8% de desconto) nesse cenário.

Diferenças com 2008

Para Ferreira, da XP, essa crise é diferente do que ocorreu em 2008 e, quando se olha para 2021, a expectativa é de que o mundo volte ao normal.

“Ela não se originou no mercado financeiro (como a bolha da internet em 2000, ou a bolha imobiliária em 2008) e depois se espalhou para a economia real. Essa crise é em primeiro lugar uma crise de saúde, e as vidas das pessoas é e tem que ser a preocupação principal”, aponta.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e vários economistas no mundo já preveem um impacto de no mínimo US$ 3 trilhões na economia mundial em 2020, com base apenas em dados preliminares de impactos vistos até agora.

“Porém, da mesma forma que a queda será brusca, o exemplo da China mostra que a recuperação também pode ser relativamente rápida – os dados mostram que a China já voltou a 85% do consumo de carvão versus antes do Ano Novo Chinês, enquanto que 84% das pessoas que saíram das cidades durante o Ano Novo, já retornaram a suas casas, e o tráfego de veículos já voltou a quase normalidade”, ressalta Ferreira.

O estrategista-chefe da XP também destaca que, nas últimas semanas, mais de 40 bancos centrais no mundo cortaram juros, além de realizarem pacotes de compras de títulos (“Quantitative Easing”) em nível recorde por parte dos EUA, Europa e Japão.

Além disso, o Congresso e o governo americano aprovaram um pacote de US$ 2 trilhões de auxílio, que equivale a quase 10% do PIB americano, enquanto a Alemanha aceitou usar política fiscal para combater a crise, com um pacote que poderia ser de 750 bilhões de euros. O Banco Central Europeu também anunciou 750 bilhões de euros em compras de títulos no mercado.

Apesar das medidas anunciadas serem muito positivas para absorver os impactos da crise, avalia, a urgência nos seus anúncios também demonstra a gravidade da crise que os governos também enxergam.

“O ponto que mais nos preocupa é o risco de muitas pequenas empresas ficarem pelo caminho, e não conseguirem sobreviver a um cenário sem nenhuma ou com baixa receita por 2 a 3 meses. Além de um número recorde de falências, isso também levará a um aumento exponencial no desemprego e também nos gastos fiscais e alavancagem dos governos e Bancos Centrais”, avalia, ressaltando que a sondagem com empresas privadas brasileiras feitas pela XP na última semana mostrou que 60% das empresas brasileiras não conseguem aguentar um cenário de interrupção de 60 dias, e 40% não sobrevivem até mesmo com uma interrupção de 30 dias.

Caso esse cenário ocorra, a recuperação após uma brusca recessão dessa poderá lenta, pois os danos causados às PMEs (pequenas e médias empresas) demoraria muito mais a se resolver. Esse problema de liquidez de pequenas e médias empresas, além dos setores mais afetados como bares e restaurantes, varejo e turismo e transporte aéreo, é a principal preocupação que os governos estão tentando evitar com esses pacotes anunciados.

Hora de ter cautela

A XP destaca 4 principais pontos que podem reverter esse ambiente negativo: i) sucesso confirmado nos remédios antivirais ou uma vacina efetiva surgindo no curto prazo (esse último menos provável); ii) a curva de mortes associadas ao COVID-19 chegar em um pico e começar a desacelerar nas principais economias; iii) governos voltarem atrás nas medidas draconianas de quarentenas e fechamento de fronteiras, flexibilizando-as; iv) governos e bancos ceentrais anunciando drásticas medidas de controle da crise e de investimentos na economia e na saúde.

“Dessas quatro razões, a quarta é a que já tem ocorrido de forma mais clara, e o que tem levado a uma recuperação recente dos mercados. Em relação às restrições, é discutível se os governantes conseguirão relaxar as quarentenas sem antes ter havido ainda uma redução no número de mortes geradas pelo coronavírus, ou um importante achatamento da curva’, avalia.

Assim, avalia Ferreira, as medidas drásticas que os governos estão sendo forçados a tomar no mundo para conter a pandemia estão tendo grandes impactos para a economia e para as empresas, levando a um enorme choque de demanda e de oferta ao mesmo tempo, para vários setores importantes para a economia.

“Com isso, a crise da saúde rapidamente se transforma em uma crise econômica. Dado que as notícias nas próximas semanas devem seguir piorando, tanto do lado da saúde quanto do lado das empresas, e as notícias positivas dos pacotes anti-crise já ficaram para trás, acreditamos que o momento segue exigindo cautela”, conclui.

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