Você sabe o que é bull e bear market?

Bear and bull sculptures outside the Frankfurt stock exchange

Tenho certeza de que você já ouviu os termos “bull market” e “bear market”, ainda mais agora com o reforço de peso do “Vaaaaai tourinho” no nosso time da XP.

Notoriamente famosas no universo dos investimentos, essas expressões que em português significam “mercado touro” e “mercado urso”, respectivamente, estão relacionadas aos movimentos de alta e baixa do mercado de ações na Bolsa de Valores.

Como muitos outros termos e expressões utilizadas no cotidiano dos investidores, não existe uma única origem aceita sobre elas. Porém, uma das explicações mais conhecidas é a que diz respeito à forma como esses animais, touro e urso, atacam suas presas.

Bull market

Bull market, ou mercado touro, é o mercado de alta. Por conta do ataque do touro, que vem de baixo para cima, numa ascendente com a chifrada.

Ou seja, essa expressão é utilizada para dizer que o mercado está em um momento bom e otimista. Em outras palavras, a expectativa é que os preços das ações subam e, com isso, os investidores contem com a possibilidade de lucros maiores em suas operações de compra.

Talvez, você também escute a expressão “bullish” (“como um touro”, em tradução livre), que quer dizer a mesma coisa: mercado em ascensão.

Como funciona o bull market?

Um bom exemplo para você entender como funciona o Bull Market é lembrar da lei da oferta e demanda. Com o mercado otimista, mais pessoas querem comprar ações e, com isso, o preço delas sobe.

O brilhantismo no mundo dos investimentos gira em torno do timing perfeito de quem identificou o touro antes de ele aparecer, comprou os ativos mais baratos e, com isso, pôde lucrar com a venda deles no momento de alta.

Bear market

O bear market, ou mercado urso, é o mercado de baixa, ou seja, quando os preços das ações caem e os investidores estão pessimistas em relação ao mercado.

PUBLICIDADE

No momento do ataque, o urso dá sua patada de cima para baixo, fazendo um movimento descendente. Diferente do touro, que reage com o movimento contrário, atacando sua presa com os chifres e jogando-a “para cima”.

Existe também o adjetivo “bearish” ( “como um urso”, em português), que pode descrever um momento ruim da economia: inflação alta, desemprego crescente ou algum segmento do mercado em baixa, por exemplo.

Ou seja, pode ser um evento geral do mercado ou algo pontual em uma análise microeconômica de um determinado setor.

Como funciona o bear market?

No caso do mear market, estamos falando de um mercado pessimista.

Ou seja, mais investidores querendo vender suas ações, receosos com a possibilidade de sofrerem com possíveis prejuízos — o que faz com que a oferta de ativos seja maior do que a demanda e, consequentemente, fazendo com que o preço deles caiam.

Quem optar por comprar nesse momento de baixa pode ter que esperar muito tempo para ver o lucro na aplicação, já que a queda dos preços pode ser longa.

O mais recomendado é que o investidor procure comprar uma ação quando os preços estiverem no fundo do poço, mas já apresentem algumas sinalizações de melhora.

Ou seja, quando começar a dar indícios de que a tendência de baixa está perdendo força e que a demanda esteja aumentando.

Como se preparar para entrar no mercado de renda variável?

PUBLICIDADE

Devemos fazer uma leitura minuciosa do comportamento do preço no tempo. Com isso, conseguimos ver alguns padrões de candles, alterações de volume e outros estudos que nos darão sinais do que deve estar por vir.

Parece complexo, mas com dedicação e estudo qualquer pessoa pode aprender sobre análise técnica.

Morgan Stanley vê “bull market” em ações, mas com desafios

(Bloomberg) — O Morgan Stanley tem uma mensagem tranquilizadora para investidores preocupados que se perguntam se as ações podem subir mais depois do forte rali em relação às mínimas de março.

O chamado “bull market”, de ganhos prolongados, já está em andamento, embora os próximos dois meses possam ser um período desafiador para as ações, de acordo com Andrew Sheets, chefe da estratégia de ativos cruzados do banco em Londres.

“Não acho que seja um rali de ‘bear market’”, disse Sheets em entrevista na quarta-feira, em referência a uma tendência baixista. “Estamos em um novo bull market agora. E estamos em fase inicial do ciclo de recuperação econômica global.”

Alguns investidores estão preocupados sobre a possibilidade de os mercados acionários globais conseguirem avançar mais após o ganho de mais de 40% desde o pânico causado pelo coronavírus há quatro meses. Os casos continuam a subir, superando a marca global de 15 milhões, e as economias se recuperam gradualmente das paralisações anteriores.

Agosto e setembro podem ser meses mais difíceis para as ações por causa da possível falta de catalisadores, disse Sheets. Mas ele sinalizou a possibilidade de aumento da confiança, em parte, pelo avanço rumo a uma vacina.

O argumento otimista para a renda variável é desafiado por riscos que variam de um possível resultado negativo no próximo pacote de gastos fiscais dos EUA ao cenário preocupante de vacinas que não funcionam conforme desejado.

Sheets disse que o Morgan Stanley é “construtivo sobre as perspectivas de uma vacina”, acrescentando que tanto a Europa quanto a Ásia também mostraram que é possível reabrir as economias sem um forte aumento de novos casos.

“A mínima de março será a mínima”, disse. “Foi o fim do ‘bear market’.”

Aprenda a identificar as ações com maior potencial de valorização: assista à série gratuita Stock Picking – A Habilidade mais Valiosa do Mercado

Por que não devemos ter um novo bull market tão cedo

dólar e o bull market (Shutterstock)

Os bull markets (em tradução livre, o “mercado do touro”, aquele que vai para cima com força) são os períodos nos quais a valorização dos índices acionários é pelo menos 20% superior a um determinado patamar inicial.

O limite de 20% é uma convenção do mercado financeiro para que o mercado entre num bull ou bear market. Mas, na prática, a maioria destes 34 ciclos de alta ou baixa apresentaram variações muito superiores.

Do período pré-crise de 1929 até o recente crash na pandemia do coronavírus, tivemos 17 ciclos de valorização nas bolsas americanas, aquelas que transacionam os maiores valores diários no mundo.

PUBLICIDADE

O mais longo desses ciclos foi justamente o mais recente, iniciado em março de 2009. Até fevereiro deste ano, quando o mercado percebeu que haveria uma pandemia, passaram-se 133 meses e um ganho acumulado de 325%. Também em 2020, o S&P 500 atingiu seu recorde histórico de 3.393 pontos.

Para efeito de comparação, o bull market anterior a este durou 60 meses e teve 101% de valorização, antes de interrompido pelas crise no sistema financeiro entre 2007 e 2008

A média de duração dos 16 ciclos anteriores foi de 52 meses, com ganhos totais médios de 163%. O ciclo de expansão anterior à crise de 1929, por exemplo, teve 97 meses de duração e valorização do índice Dow Jones de 395%.

Mas também foram 17 os ciclos de baixa, os chamados bear markets (o “mercado do urso”, aquele que dorme ou hiberna na maior parte do inverno), vindos na sequência dos bull markets anteriores, com quedas acumuladas de ao menos 20%.

O bear market da crise de 2008, por exemplo, durou 18 meses. Já o bear market mais longo, o da crise de 1929, durou 34 meses.

Economistas e profissionais ligados ao mercado financeiro podem divergir sobre as razões que levam ao início ou ao fim de um ciclo de expansão na economia e nos mercados acionários.

PUBLICIDADE

Isso porque a incerteza ligada aos eventos de cauda ou os cisnes negros (eventos raros com alto impacto, como apontado pelo matemático e escritor Nassim Taleb), ou mesmo aquela ligada à permanência dos fatores que explicam a duração de um ciclo econômico, tornam impossível prever precisamente quando um ciclo específico acaba e outro começa.

Por outro lado, poucos discordarão que esses ciclos existem. A valorização ou desvalorização contínua dos mercados acionários em algum momento precisa refletir um ciclo de expansão ou contração dos lucros das empresas.

Isso pode parecer elementar para alguém mais afeito ao mundo da macroeconomia e das finanças, mas pode nos ajudar a entender onde estava a economia global e os mercados acionários, do ponto de vista cíclico, quando a pandemia de covid-19 passou a derrubar as bolsas ao redor do mundo.

Também nos ajuda a discutir melhor se a recuperação virá em “V”, “W”, “U’, ou outra forma que significaria um retorno mais rápido ou mais demorado ao ciclo de crescimento da economia global e a um novo bull market.

Ciclos diferentes

Em 2007 e 2008, a economia global vinha de um forte ritmo de crescimento, com uma taxa média de 5% a.a. nos anos anteriores.

A taxa básica de juros do Fed (o Banco Central americano), equivalente à taxa Selic do Banco Central do Brasil, chegou a 5% a.a. em 2006. Se manteve em 4,5% a.a. ao final do ciclo de crescimento (ao final de 2008, essa taxa seria reduzida para um patamar flutuante entre 0 e 0,25% a.a.), com a economia americana vindo de taxas de crescimento próximas a 3,5% a.a. em 2005 e 2006.

A China, na reta final do ciclo de crescimento, crescia a 12% a.a. Mesmo a Europa crescia bem acima da sua média recente, com taxas próximas a 3,5% em 2005 e 2006.

Assim, ao final do ciclo de expansão global em 2007, tínhamos uma economia global que vinha de forte crescimento nos anos anteriores e com um nível também elevado de taxas de juros. Um cenário típico das etapas finais dos ciclos de crescimento econômico e bull markets nas bolsas.

A crise de 2007-2008 foi intensa, marcada pela falência do banco Lehman Brothers em setembro de 2008, mas com uma recuperação relativamente rápida e vigorosa da economia global e das bolsas de valores a partir de 2009.

Essa velocidade de recuperação foi possível em grande parte por uma ação maciça e coordenada de bancos centrais que, seguindo o Fed, rapidamente foram convergindo suas taxas de juros para próximo de zero.

Simultaneamente, diferentes programas de compra de ativos injetaram uma quantidade de liquidez até então jamais vista no sistema financeiro global.

De lá para cá o que assistimos foi um novo ciclo de bull market nas bolsas globais, com o S&P batendo recordes atrás de recordes, até atingir mais uma máxima histórica em fevereiro deste ano, no ciclo mais longo de valorização das bolsas americanas desde 1921.

Há os que afirmam que, como este ciclo foi interrompido bruscamente pela pandemia global, não há motivos para que o crescimento econômico e as bolsas não voltem a se recuperar rapidamente. Bastaria a mobilidade das pessoas voltar ao normal ou perto disto.

Este pensamento (independente das projeções sobre o quanto durará a pandemia) sugere que não havia sinais de esgotamento do ciclo de crescimento econômico e de valorização das bolsas antes da pandemia.
Mas os dados não sugerem isso.

Diferentemente do final do ciclo anterior, interrompido em 2007/2008, no início deste ano, e antes da covid-19, o mundo já crescia menos. As projeções de crescimento global eram próximas de 3% a.a.

A China, diferentemente do ciclo anterior, crescia próximo a 6% a.a. e não mais a 12% a.a. A Europa lutava para recuperar taxas próximas a 1,5%, e não mais 3,5%, como no fim do ciclo anterior.

Os Estados Unidos ainda eram a última grande economia a tentar sustentar a sua recente taxa média de crescimento, mas com vários sinais de desaceleração para menos de 2% a.a. na virada de 2019 para 2020.

Neste cenário, alguém diria que os bancos centrais já estavam perto de mais uma rodada de intervenções, mesmo antes da covid-19. É provável. Era esperado.

Mas as margens de intervenção eram muito menores do que aquelas que existiam em 2007/2008, num mundo onde a maioria dos países já operava com taxas de juros negativas, mesmo na parte mais longa das suas curvas de juros.

Acrescente-se a esse cenário os efeitos de uma década de juros muito baixos, que estimularam o apetite por emissões high yield (papéis de dívidas que, por apresentarem risco maior em condições normais de mercado, pagam retornos maiores) e outros ativos de risco elevados.

Antes do início da pandemia ficaram mais intensas as discussões sobre possíveis pacotes de estímulo fiscal, dada a menor capacidade relativa de redução de taxas de juros por parte dos bancos centrais, principalmente na Europa.

Em novembro de 2019, no seu primeiro discurso à frente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde defendeu que governos deveriam recorrer a estímulos fiscais para recuperarem o crescimento econômico na região e que isto não seria mais possível apenas com estímulos monetários.

Um dia depois do discurso de Lagarde, a OCDE fez uma manifestação semelhante. Então, veio a covid-19.

Recuperação rápida?

A queda do PMI chinês (o Índice de Atividades dos Gerentes de Compras, em português) para 40,3 pontos em fevereiro foi a maior da série histórica, que começou em 2004.

A partir da divulgação do PMI chinês, começou um processo de desvalorizações acentuadas e generalizadas nas bolsas mundiais.

Governos e bancos centrais passaram agir ainda mais vigorosamente do que em 2008, frente às projeções de quedas bruscas no nível de atividade, renda e emprego no mundo todo.

Com as novas rodadas de estímulos monetários e fiscais, foi reforçada a visão daqueles que acreditam que o mundo pode retornar ao ciclo anterior de crescimento econômico e de valorização das bolsas, logo que cessem os efeitos mais intensos da pandemia.

Muitos enxergaram nas primeiras fortes quedas das bolsas em fevereiro e março uma excelente oportunidade de compras. Lembraram que a pandemia é um choque transitório na macroeconomia global, por mais severo que seja.

Os fatos e o raciocínio apresentados aqui procuram apontar noutra direção. A recuperação em “V” parece menos provável. As razões deste ceticismo são, pela ordem:

  1. a existência de fortes sinais de desaceleração do crescimento global antes mesmo da pandemia;
  2. o fato de a economia global vir do seu mais longo período de crescimento contínuo;
  3. ações e outros ativos financeiros batiam recordes de valorização, mesmo com desaceleração econômica e projeções de queda nos lucros futuros (o que fez não só o S&P 500 bater sucessivos recordes, mas também a relação de price/earnings médios) , amparados numa oferta de liquidez global jamais vista;
  4. vivíamos num mundo de taxas de juros próximas a zero ou negativas, com significativo encurtamento do espaço do uso de políticas monetárias contracíclicas
  5. as principais economias globais viram crescer significativamente suas relações dívida pública/PIB (diferentemente de ciclos anteriores de crescimento); e
  6. o longo período de taxas de juros muito baixas gerou um novo portfólio de ativos (e passivos) de elevado risco na economia global, com ajustes ainda desconhecidos num período de reversão do ciclo de crescimento

Notem que do ponto 1 ao 6 não há nada que diga respeito ao choque econômico oriundo da pandemia global e às restrições à mobilidade humana.

A pandemia gera um choque (de oferta e de demanda, simultaneamente) numa economia global já com várias características de final de ciclo econômico. E um final de ciclo com desafios provavelmente maiores do que aqueles acumulados no final do ciclo anterior.

Ao final de cada um dos 17 ciclos anteriores de expansão econômica e dos chamados bull markets, o mundo ficou mais rico e mais próspero.

Baseado nos últimos 100 anos, nada indica que isso não se repetirá no futuro e que não teremos lá na frente outro ciclo de crescimento e de valorização das bolsas.

A questão aqui é o timing da recuperação. Antes de um novo bull market, é provável que a economia global se depare com um novo ciclo de retração econômica e de ajustes nos preços de ativos no mercado financeiro, incluindo as ações negociadas nas bolsas de valores.

O raciocínio acima não é baseado na pandemia global, por mais intensa que essa seja.

Mesmo que ela termine relativamente cedo, os ajustes de preços, com todas as incertezas do momento atual, podem ter uma duração mais longa e uma direção oposta daquela que as altas do S&P 500 em março e abril sugerem.

Quer viver do mercado financeiro ou ter renda extra? Experimente de graça o curso do Wilson Neto, um dos melhores scalpers do Brasil

Bolsas dos EUA caem mais de 5% e entram em bear market com coronavírus

SÃO PAULO – As bolsas dos Estados Unidos fecharam em forte queda nesta quarta-feira (11) e entraram oficialmente em bear market, quando da máxima à mínima no ano a oscilação dos índices acionários supera 20% de baixa.

O Dow Jones caiu 5,86%, a 23.553 pontos. O S&P 500 teve queda de 4,89%, a 2.741 pontos, e o Nasdaq recuou 4,7%, a 7.952 pontos.

O movimento foi atribuído pelos analistas à decepção dos investidores com a falta de medidas concretas e radicais do governo do presidente Donald Trump para mitigar os impactos econômicos do coronavírus. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a doença oficialmente como uma pandemia.

PUBLICIDADE

De acordo com a organização, o número de casos de coronavírus no mundo atingiram mais de 100 mil e só nos EUA mais de mil novos diagnósticos foram confirmados.

À CNBC, o analista político da KBW, Brian Gardner, disse que os mercados não gostaram da falta de detalhamento acerca do plano de Trump para reaquecer a economia.

Aproveite as oportunidades para fazer seu dinheiro render mais: abra uma conta na Clear com taxa ZERO para corretagem de ações!