CEO da BlackRock explica potencial de rentabilidade dos investimentos ESG

A necessidade de que as empresas adotem boas práticas socioambientais e de governança na gestão de seus negócios, dentro dos critérios ESG, não é nova. No entanto, a pandemia tornou ainda mais evidente a importância de adoção de compromissos com o meio ambiente e a sociedade.

Na esteira desta maior consciência ESG, o mercado financeiro vem estruturando produtos e soluções que levem em conta na montagem dos portfólios empresas com boas práticas. Na visão da maior gestora de ativos de terceiros do mundo, a BlackRock, este movimento veio para ficar e dar retorno ao cliente.

“A grande pergunta que todos fazem é se investimentos ESG são bons para o cliente. Vários indicadores mostram que sim. Um portfólio ESG muitas vezes é mais rentável e menos volátil quando comparado a ativos que não aderiram às boas práticas”, comentou Carlos Takahashi, CEO da BlackRock Brasil.

Durante participação em evento da XP, Takahashi destacou estudos comparando o índice global mais antigo, o S&P, com outro incorporando critérios ESG na seleção de ativos. “O retorno acumulado do S&P com critérios ESG superou o índice puro. Também fizemos um trabalho na própria BlackRock buscando esta resposta e o resultado foi semelhante.”

No ano passado, a gestora comparou duas carteiras, uma com critérios ESG e outra sem. O resultado foi que a parcela com ESG mostrou ao longo do ano de pandemia uma volatilidade muito menor. Depois, a gestora avaliou as mesmas carteiras em outras duas janelas, em 2012 e 2015.

Nos dois casos, os ativos ESG se comportaram melhor. “O pior índice foi 78% em favor da carteira com ESG. São achados importantes que mostram retorno melhor e resiliência em momentos de crise”, comenta o CEO da BlackRock.

A diretora de ESG da XP Inc, Marta Pinheiro, lembrou a importância da parceria entre BlackRock e XP para dar visibilidade ao tema e levar informação ao investidor. “Tem muita coisa que no mercado brasileiro ainda é nova. Nosso tempo amostral para estudos como estes ainda é pequena, mas estamos avançando criando produtos e levando informações ao investidor.”

Produtos ESG
A BlackRock, gestora com mais de US$ 8 trilhões sob gestão, tem trazido produtos globais para a plataforma da XP, alguns com a pegada ESG e já prepara novidades. A gestora tem uma parte do portfólio ativa e outra passiva, que replica índices (ETFs). O portfólio ativo global gerido pela BlackRock e que integra os critérios ESG chega a US$ 2,8 trilhões.

Disponível ao investidor brasileiro, na plataforma da XP há o fundo Global Impacto, que investe em empresas públicas globais cuja atividade cause impacto importante, como empresas de inclusão financeira ou voltadas a melhora de moradias na Ásia, por exemplo.

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“Mais recentemente trouxemos o fundo ESG Multi Asset que é bem diversificado e por enquanto sem hedge cambial, mas vamos lançar em breve uma opção com hedge”, comenta o executivo.

A parceria incluiu também um produto da gestora dentro da família Trend, criada pela XP, o fundo ESG Trend.

“É muito interessante porque nós como gestores fiduciários de recursos de terceiros, ou seja, não temos acesso ao cliente, enquanto o trabalho que a XP faz muito bem é ir até o cliente com sua plataforma aberta”, ressalta o CEO da BlackRock acrescentando a importância de ações educativas voltadas para o ESG.

A XP já tem no site uma trilha sobre ESG e prepara novidades. “Em breve vamos anunciar uma parceria com a BlackRock sobre ESG, voltada à educação, que será acessível a todos”, disse Marta, sem dar detalhes, mas acrescentando a relevância cada vez maior do tema com escritórios parceiros criando suas mesas ESG eleva a demanda por informação sobre o tema.

“Isto ajuda a sair daquela visão do passado de que meio ambiente é abraçar árvores. Precisamos colocar a equação no caminho certo. As boas práticas proporcionam melhores resultados”, acrescentou Carlos Takahashi.

Veteranos de Wall Street estão divididos sobre riscos de bolhas

Bolsa, NYSE, Wall Street (Spencer Platt/Getty Images)

(Bloomberg) — O Federal Reserve pode estar preocupado com a euforia especulativa em torno das criptomoedas, empresas de cheque em branco e ações meme, mas muitos em Wall Street veem riscos de bolha cada vez maiores em todos os ativos sistemicamente importantes.

Títulos europeus, Treasuries, dívida de alto rendimento e ações de tecnologia são negociados perto dos maiores preços em décadas, mesmo com a ameaça de que o bicho-papão da inflação finalmente evapore os ganhos.

Participantes do mercado como Goldman Sachs e BlackRock estão divididos sobre se isso constitui um rali insustentável. Para Dan Fuss, o lendário vice-presidente da Loomis Sayles, de 87 anos, parece que sim, devido à liquidez sem precedentes que agora deve ser reduzida com as boas notícias econômicas.

Kathy Jones, da Charles Schwab, recomenda que os clientes tenham cuidado com a “maluquice” dos títulos de dívida de alto risco. E Bob Michele, da JPMorgan Asset Management, diz que as autoridades do Fed deveriam discutir a redução das compras de ativos a tempo, antes da formação de bolhas.

Outros são mais otimistas e apostam que a reabertura econômica e o ciclo de realavancagem abrirão caminho para mais ganhos.

As entrevistas foram editadas.

Dan Fuss, vice-presidente do conselho, Loomis Sayles

“Estamos em território de ‘bolha’. É principalmente uma bolha de liquidez, combinada com a distorção resultante dos valores. Ações com alta relação preço/lucro, títulos de crédito marginais e veículos agrupados são os mais vulneráveis. Nas décadas de 1960 e 1970, tive a sorte de detectar a pequena bolha de valores de small caps e a bolha de ações de crescimento. A semelhança entre aquela época e agora é o valuation. Esta é uma bolha de liquidez única em minha experiência. Quando os preços caem um pouco, pode haver, como ocorreu em março passado, uma queda maior da liquidez, gerando mais vendas. Isso pode desestabilizar o mercado mais amplo.”

Kathy Jones, estrategista-chefe de renda fixa, Charles Schwab

“Estamos alertando as pessoas para não exagerar. Estamos dizendo que tudo bem manter dívida de alto rendimento, mas sem uma posição concentrada na ponta final e perceber que isso pode mudar muito rápido. É quando a diversificação realmente ajuda, quando as coisas estão meio malucas como agora, e você não sabe quando a maluquice vai acabar.”

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Elga Bartsch, chefe de pesquisa macro, BlackRock

“Os mercados não estão em território de bolha, mas sim em um terreno atípico, pois estamos em um reinício econômico, não em uma recuperação regular do ciclo de negócios. Para que o Fed atue mais rápido do que o indicado pelos preços de mercado, precisaria basicamente abandonar sua nova estrutura de política, que adotou apenas em agosto passado. Consideramos isso improvável e vemos um aumento dos juros mais tarde do que o mercado. Uma pré-condição para o surgimento de bolhas é o acúmulo de desequilíbrios financeiros. Antes da Covid-19, havia poucos indícios de tais desequilíbrios. Desde então, os balanços do setor privado ficaram mais fortes, não mais fracos.”

Peter Oppenheimer, estrategista-chefe de ações globais, Goldman Sachs

“Existem focos de otimismo exagerado e valuations excessivos das ações. Mas o principal é se isso é amplo o suficiente em sua manifestação para se tornar sistematicamente arriscado. Eu diria que ainda não há uma forte evidência disso. Podemos ter múltiplos altos, mas não são tão altos quando você considera onde estão as taxas de juros. Não temos grande alavancagem no setor privado. Descobrimos que a alavancagem do setor privado é um fator muito comum de bolhas financeiras. As famílias têm poupanças muito fortes e não têm níveis elevados de alavancagem. Isso também é válido para os bancos. Esperamos que o crescimento global acelere bastante e de forma sincronizada. Estamos com recomendação acima da média em ações e commodities e abaixo da média em títulos.”

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Fundos de ações globais atraem recorde de US$ 372 bi no 1º tri

dólar bolsa mercado índices alta baixa (Shutterstock)

(Bloomberg) — Investidores compraram ações em valores recordes no primeiro trimestre de 2021, quando a combinação de estímulos generosos e apostas na recuperação econômica injetou US$ 372 bilhões nos fundos de renda variável globais, de acordo com estrategistas do Bank of America.

Os primeiros três meses do ano registraram as maiores entradas em ações globais como proporção dos ativos sob gestão desde 2006, disseram estrategistas em relatório de 1º de abril, citando dados da EPFR Global. Ações cíclicas estavam entre as líderes no início deste ano, enquanto papéis de valor atraíram US$ 35 bilhões e os do setor financeiro receberam US$ 24 bilhões, em meio às apostas de gestores em segmentos impactados e de olho na reabertura econômica.

Os dados sobre os fluxos confirmam a tendência altista que levou índices acionários no mundo todo a máximas históricas, pois o otimismo com a vacinação superou o temor de que rendimentos mais altos dos títulos possam interferir no rali. Ações continuam sendo a classe de ativos preferida dos investidores, enquanto os títulos oferecem retornos limitados: os fundos de renda fixa atraíram apenas US$ 131 bilhões este ano, de acordo com o BofA.

Olhando para o segundo trimestre, estrategistas do BofA liderados por Michael Hartnett dizem que a relação preço/lucro dos EUA é a segunda maior desde 1901 em meio aos estímulos “épicos” e dados econômicos mais fortes desde a 2ª Guerra Mundial. A equipe destaca que os maiores riscos para o rali seriam rendimentos dos títulos públicos acima de 2% e mais “eventos de desalavancagem”.

Investidores saíram de empresas com ações muito caras e nomes defensivos no primeiro trimestre e migraram para setores mais baratos e cíclicos. Ainda assim, ações de tecnologia ainda conseguiram atrair US$ 30 bilhões, de acordo com o BofA.

As maiores gestoras de ativos globais, como BlackRock, permanecem otimistas sobre a continuidade do rali em renda variável.

“As ações devem se beneficiar com o maior crescimento econômico a uma taxa não vista desde 2005”, disse em relatório Nigel Bolton, codiretor de investimentos da BlackRock Fundamental Equities. Ele recomenda foco em ações que possam gerar maiores lucros e diz que alguns dos vencedores da pandemia atingidos pela recente onda vendedora agora oferecem preços melhores.

Na semana até 31 de março, fundos de ações tiveram entradas de US$ 20,7 bilhões, os de títulos receberam US$ 10,4 bilhões, enquanto US$ 48,6 bilhões foram alocados em dinheiro no final do trimestre, disse o BofA. Ações de tecnologia registraram a maior saída desde setembro, com saques de US$ 900 milhões.

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Investidor pessoa física terá acesso a 12 BDRs de ETFs a partir de segunda-feira

(Getty Images)

SÃO PAULO – A partir da próxima segunda-feira (29), 12 BDRs lastreados em cotas de fundos de índices (ETFs, na sigla em inglês) estrangeiros ficarão disponíveis a qualquer investidor pessoa física.

Com isso, o público de varejo poderá ter acesso a BDRs que visam replicar o desempenho de índices de mercados emergentes (MSCI EMGMARK), do Reino Unido (MSCI UK), da Alemanha (MSCI Germany), garantir exposição à prata (Silver Trust), a ações do setor financeiro americano (US Financial) e de empresas de biotecnologia com ações negociadas na Nasdaq (NASDAQ BIOTC), entre outros. A BlackRock é a gestora dos ativos.

Os 12 BDRs de ETFs agora disponíveis à pessoa física foram lançados dentro de um grupo de 37 BDRs de fundos de índice ao fim de novembro de 2020, mas, na ocasião, ficaram restritos a investidores qualificados, aqueles com ao menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

Em fevereiro, o acesso a outros 11 BDRs lastreados em ETFs internacionais negociados na B3 já havia sido liberado para o público de varejo.

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Os BDRs são emitidos no Brasil, mas representam outro ativo emitido por companhias abertas, ou assemelhadas, com sede no exterior. Originalmente, o produto era referenciado apenas em ações de empresas estrangeiras.

Mudanças regulatórias promovidas em setembro pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permitiram ao instrumento ter como referência os ETFs – fundos que se propõem a replicar grandes índices do mercado de ações ou de renda fixa –, além de garantir o acesso dos BDRs por qualquer investidor.

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BlackRock eleva cautela com Brasil e vê desafios à retomada

(Getty Images)

(Bloomberg) — A BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, está mais cautelosa com as ações brasileiras em meio ao riscos crescentes à recuperação econômica.

A BlackRock passou a ficar “underweight” (com exposição abaixo da média) em Brasil neste ano e está mais seletiva, disse Ed Kuczma, gestor que administra cerca de US$ 1,4 bilhão em ações latino-americanas na empresa. O país lida com uma nova variante mais contagiosa do coronavírus e iniciou as campanhas de vacinação com algum atraso. Recentemente, o cenário deteriorado da pandemia fez com que alguns estados endurecessem medidas de isolamento social.

“Começamos 2021 com muito otimismo sobre a retomada econômica global, mas vejo a atividade desafiada na região”, disse Kuczma, em entrevista. “O Brasil tem uma série de desafios, incluindo uma segunda variante do vírus com uma propagação muito rápida e alguma dificuldade para levar as vacinas aos lugares certos. Isso está pesando sobre as perspectivas de reabertura.”

O número total de casos no Brasil ultrapassou a marca de 12 milhões nesta semana, enquanto as mortes diárias por Covid-19 superaram 3.000 pela primeira vez nesta terça-feira. O índice MSCI Brazil acumula queda de mais de 10% neste ano, contra um recuo de 6,8% para o MSCI Emerging Markets Latin America.

Kuczma, que estava “overweight” em Brasil no fim de 2020, também mencionou um cenário fiscal mais frágil após o país ter sido um dos emergentes que mais gastaram para combater o impacto da pandemia. A perspectiva de mais gastos pressionou os ativos locais, levando o dólar para acima dos R$ 5,80 no começo do mês. Para combater a inflação, o Banco Central elevou a taxa Selic em 0,75 ponto percentual em sua última reunião, para 2,75%.

“Mesmo após o tom mais agressivo do BC mostrar que ele vai defender a moeda, a dinâmica da inflação preocupa”, disse.

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Entre as ações brasileiras, ele vê oportunidades no setor de saúde e em empresas que estão empenhadas em iniciativas ESG, incluindo alguns nomes no setor de papel e celulose.

Uma distribuição bem-sucedida de vacinas aliviaria muita da preocupação com o país, disse Kuczma. Em meio à pressão crescente de aliados e do setor empresarial, o presidente Jair Bolsonaro adotou um tom mais favorável à vacinação e discutiu em reunião com outros poderes uma resposta mais coordenada contra a pandemia.

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A BlackRock está “overweight” no Chile e no México. Kuczma gosta dos bancos chilenos e disse que as varejistas devem se beneficiar de uma reabertura relativamente mais rápida – o Chile administrou cerca de 45 vacinas para cada 100 habitantes, contra 8 no Brasil. Ele vê espaço para uma revisão positiva nas estimativas de lucros.

No México, Kuczma tem favorecido o setor imobiliário e aeroportos. O país tem atraído apostas otimistas em meio à aceleração da economia em seu vizinho do norte e por conta de sua posição fiscal mais forte.

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BlackRock e Lombard dizem que temores de inflação são prematuros

Businessperson placing shopping cart over stacked coins (AndreyPopov/Getty Images)

(Bloomberg) — Na visão da BlackRock e da Lombard Odier, as expectativas do mercado de uma aceleração sustentada da inflação e da retirada dos estímulos são equivocadas, o que cria oportunidades de compra em títulos corporativos.

Em um ambiente onde a economia começa a se aquecer, mas a alta de preços provavelmente é transitória, a Lombard prefere dívida corporativa de longo prazo na China e na Índia, disse Dhiraj Bajaj, responsável por crédito da Ásia. A BlackRock gosta de papéis corporativos de alto rendimento e títulos chineses, de acordo com Neeraj Seth, que supervisiona crédito asiático em Cingapura.

O crescente debate sobre as perspectivas para a inflação global divide investidores. Bill Gross e a Bridgewater Associates estão preparados para maior pressão de preços, enquanto outros argumentam que a recente onda vendedora do mercado motivada por esses temores resultará em correção.

“Os temores de inflação e, mais importante, as preocupações com as mudanças na política do Fed são prematuros”, disse Seth, da BlackRock. Embora a alta dos preços no curto prazo possa se acelerar com a reabertura das economias, a tendência provavelmente será “transitória”, disse em entrevista.

Outras gestoras, como Pacific Investment Management Co. e Guggenheim Investments, também argumentam que os temores dos riscos de inflação e taxa de juros são exagerados. Em seu relatório mais recente, a Guggenheim disse que dados mostram os ganhos de preços subjacentes em desaceleração. A Aberdeen Standard Investments espera certa inflação nos EUA, embora não “muito alta”.

Também na Europa, qualquer aumento dos preços ao consumidor pode ser passageiro. “Se olharmos além do ruído, a pandemia é, em última análise, deflacionária e isso aparecerá em algum momento nos números”, escreveram analistas do ING, como Carsten Brzeski, em nota para clientes na terça-feira. A equipe espera que a inflação na zona euro se acelere nos próximos meses antes de cair bem abaixo de 2% em 2022.

Para Seth e Bajaj, a recente onda de vendas e suas visões de longo prazo sobre a inflação significam que há oportunidades para aumentar as posições. Os títulos corporativos agora estão mais baratos, de acordo com Bajaj.

O crédito “se tornou mais atraente desde o início do ano, não há dúvida sobre isso”, disse. “A coisa mais lógica a fazer é comprar mais ou aumentar a duração.”

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Mercado financeiro entendeu que tem responsabilidade com as mudanças climáticas

Enquanto o governo brasileiro hesita em tratar a pauta ambiental como prioridade, as empresas, principalmente as que atuam no mercado financeiro, reforçam o seu compromisso com ações sustentáveis, inclusive cobrando umas às outras a adoção de medidas que favorecem a pauta de preservação do meio ambiente. Com isso, de acordo com o CEO da BlackRock no Brasil, Carlos Takahashi, o setor privado está “assumindo o protagonismo” sustentável no País.

Em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Takahashi ressalta que a agenda Ambiental, Social e de Governança Corporativa (ASG) tem recebido cada vez mais destaque no universo empresarial, ao ponto de se tornar requisito fundamental nas decisões de investimento de diversas companhias. Segundo ele, a BlackRock, por exemplo, incentiva que potenciais empresas parceiras tornem a sustentabilidade uma pauta transversal em toda a cadeia do negócio.

“Parece que, definitivamente, o mercado financeiro entendeu a sua responsabilidade e está assumindo um papel de enorme relevância para promover essa agenda. Então, ainda que tenhamos controvérsias com relação às manifestações vindas do lado público, temos o setor privado tomando a frente desta agenda, o que é muito positivo para o País”, salienta o executivo.

De acordo com Takahashi, a pandemia evidenciou que a preocupação com as mudanças climáticas foi, de fato, absorvida pelo mundo corporativo, uma vez que a pauta sustentável não foi deixada de lado em meio à situação calamitosa desencadeada pelo contágio do novo coronavírus.

“O que notamos em relação à retomada verde é, definitivamente, o setor privado assumindo o protagonismo. Então, não é, digamos assim, modismo ou tendência. A ASG – tratar adequadamente as questões ambientais, sociais e de governança – não é apenas incluir. É incorporar nas atividades. Este nível de consciência, de forma geral, parece ter chegado ao setor privado brasileiro em diversos segmentos”, avalia.

Além disso, o executivo pontua que é preciso ficar claro que “se não cuidarmos das questões climáticas, talvez não tenhamos um planeta para cuidar das questões sociais”. Nesse sentido, ele pondera que, apesar de o governo brasileiro negligenciar o tema, o País, por ser detentor de uma “matriz energética favorável”, ainda tem a “possibilidade muito grande de assumir uma posição protagonista no crescimento sustentável”.

De qualquer forma, Takahashi afirma que o avanço da agenda ambiental no mercado financeiro é evidente. “Uma grande amiga minha usa esta frase: ‘A ASG passou do anexo para as páginas principais’. Então, é isso que está acontecendo e traz uma implicação profunda em todos os setores. Como falei, a sustentabilidade tem sido incorporada definitivamente em cada uma das atividades”, declara.

BlackRock aperta o cerco para que empresas reduzam emissões

(shutterstock)

(Bloomberg) — A BlackRock forneceu mais detalhes aos diretores de empresas sobre o que quer ver em seus planos para desacelerar o aquecimento global e alertou que pode votar contra aqueles que não atendem aos seus padrões.

A maior acionista do mundo publicou um documento de cinco páginas na quarta-feira com suas expectativas de como as empresas devem lidar com os riscos climáticos. São os primeiros detalhes após a carta em janeiro do CEO da gestora, Larry Fink, na qual pediu que as empresas se alinhem aos esforços globais para zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2050.

“Esperamos que os diretores tenham fluência suficiente em riscos climáticos e na transição energética para permitir que todo o conselho – em vez de um único diretor ‘especialista em clima’ – forneça a supervisão adequada do plano e das metas da empresa”, diz o documento.

A gestora de ativos pode votar contra os diretores se uma empresa não tiver fornecido “um plano confiável para a transição de seu modelo de negócios para uma economia de baixo carbono”. Em outros casos, a BlackRock está aberta a apoiar propostas de acionistas que forçarão a empresa a fazer mudanças, se achar que “a atenção para o assunto pode ser acelerada”.

Nos últimos três anos, a BlackRock aumentou a pressão sobre empresas para que tomem medidas mais ambiciosas para reduzir o impacto ambiental.

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No ano passado, a gestora aderiu ao Climate Action 100+, um grupo de investidores com US$ 52 trilhões em ativos que trabalha para coordenar as iniciativas de investidores para abordar o desafio climático.

O ativismo da BlackRock coincide com a meta de oito das maiores economias do mundo de zerar as emissões líquidas. Esse número aumentará para nove se o presidente dos EUA, Joe Biden, cumprir sua promessa de campanha.

Especialistas em clima disseram que as novas instruções não têm o alcance suficiente para ajudar a evitar um aquecimento catastrófico. Depois de anos de críticas de ativistas, a BlackRock votou no ano passado contra a gerência de 69 empresas que faziam parte de um grupo de 440 companhias que a gestora classifica como intensivas em carbono.

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Neste ano, decidiu expandir esse universo para 1.000 empresas, que respondem por 90% das emissões diretas de todas as companhias em que investe. A BlackRock não quis compartilhar quais empresas estão na lista ampliada.

O foco na gestão de risco “indica que a BlackRock está mais preocupada em se proteger dos impactos das mudanças climáticas, em vez de também limitar suas próprias contribuições”, disse a organização BlackRock’s Big Problem em análise. “A BlackRock insistirá que as empresas estabeleçam metas de emissão compatíveis com o limite da mudança climática em 1,5°C?”.

Embora as instruções da empresa ofereçam mais detalhes sobre sua posição climática do que antes, ainda são menos precisas do que o recomendado por ativistas. Isso possivelmente porque a BlackRock investe em empresas globais e tem que considerar países em diferentes estágios de combate à mudança climática.

“Empresas em mercados desenvolvidos e emergentes não estão igualmente equipadas para fazer a transição de seus negócios e reduzir as emissões no mesmo ritmo”, diz o documento.

Muitos países da Ásia atualmente estão aquém de economias desenvolvidas no estabelecimento de metas climáticas nacionais ambiciosas, afirma o documento, e a BlackRock espera que empresas nessas regiões façam planos “em antecipação” às regulamentações que virão com metas futuras para zerar as emissões líquidas.

O InfoMoney vai premiar, nos dias 23 e 24 de fevereiro, os gestores de fundos de ações, multimercados, renda fixa e de fundos imobiliários que conseguiram entregar aos investidores retornos com consistência nos últimos três anos.

Para participar do evento, conferir os vencedores, ser avisado sobre a agenda e receber posteriormente um compilado com as melhores recomendações de investimento debatidas nos painéis, deixe seu e-mail abaixo:

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Ministro vê capitalização da Eletrobras em 2021; BlackRock compra ações de Via Varejo e Notre Dame e vende de IRB e Cogna

(Eletrobras/ Furnas)

SÃO PAULO – Em destaque no radar corporativo, a Ambev pretende investir R$ 255 milhões para ampliar a capacidade de produção e envase de cerveja em Pernambuco. Já  o ministro de Minas e Energia disse que acredita na capitalização da Eletrobras em 2021. Venda de ativos da Petrobras, dados prévios da Gol e mais notícias ganham destaque no radar. Além disso, atenção para as movimentações da BlackRock no mercado acionário brasileiro. Confira abaixo:

O ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) disse na noite desta quinta, durante transmissão semanal do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais, que acredita na capitalização da Eletrobras em 2021. Acreditamos que será [aprovado o Projeto de Lei], já conversamos com deputados e senadores e tem tudo para ser aprovado no ano de 2021 e nós realizarmos, não diria a privatização, mas uma venda da Eletrobras“, disse o ministro, complementando: “vai ser capitalizada, vai virar uma grande empresa de energia”.

O governo anunciou na última quarta-feira a meta de realizar nove privatizações em 2021, esperando concluir a venda dos Correios e da Eletrobras.

Segundo o jornal Valor Econômico, mesmo com resistências do Congresso ao projeto de lei que autoriza o governo a ceder o controle da Eletrobras, por meio de uma capitalização feita exclusivamente pelos acionistas privados, a equipe econômica já faz planos mais ousados para o futuro da empresa e com impactos na gestão da dívida pública.

A estratégia da equipe de Paulo Guedes, ministro da Economia, é promover, em 2022, a venda no mercado das ações da Eletrobras que ainda vão ficar nas mãos da União e do BNDES – bem como da BNDESPar. Essa operação, que viria na sequência da chamada pública de capital (follow on), é tida  como uma espécie de “fase 2” da privatização e renderia quase R$ 62 bilhões. O governo ficaria apenas com uma “golden share” para manter o poder de veto em decisões estratégicas.

Vale (VALE3) e siderúrgicas 

Os novos recordes para o minério de ferro seguem sendo destaque no noticiário. O preço do minério à vista negociado na China subiu US$ 7,50 a tonelada, com o teor de 62% Platts IODEX atingindo US$ 145,3 a tonelada, no maior nível desde março de 2013.

O Itaú BBA ressalta que a alta é resultado  da demanda mais forte da China, com os níveis de produção de aço renovando recorde de alta e o aumento menor do que o esperado na oferta em 2021, seguindo o guidance de produção para o próximo ano entre 315 milhões e 335 milhões de toneladas (ante a expectativa de mercado de 340 milhões de toneladas.

A alta do minério é destacada como positiva para Vale, CSN e Usiminas, destacando que a Vale ainda negocia com um desconto entre 35% e 40% ante os pares australianos, o que o Itaú BBA classifica como exagerado.

Ainda no radar dos mercados, o BB Investimentos elevou o preço-alvo para o papel da Vale de R$ 78 para R$ 99 e dos ADRs de US$ 15 para US$ 19, com recomendação de compra, destacando os preços do minério de ferro mais altos que os projetados anteriormente, melhora na visibilidade em termos de processos ambientais e de governança pós-Brumadinho e projeção de maiores lucros e de mais pagamentos de dividendos.

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A Ambev vai investir R$ 255 milhões em sua cervejaria de Pernambuco para ampliar a capacidade de produção de cervejas puro malte e uma nova linha de envase de latas para abastecer o Norte e Nordeste.

Em 2021, a Ambev passará a ser a cervejaria com a maior capacidade de produção de puro malte no Norte e Nordeste, aumentando a capacidade de produção de cervejas como Stella Artois, Skol Puro Malte, Bohemia, Brahma Extra e Brahma Duplo Malte. A linha de lata terá capacidade de produzir 120 mil latas por hora, sendo a linha mais inovadora da América do Sul, projetada com tecnologias da indústria 4.0, informou a companhia. Na última década, a Ambev investiu mais de R$ 1,5 bilhão na unidade de Itapissuma. O governador Paulo Câmara visita a unidade nesta sexta para o anúncio.

“Não vemos este investimento de  R$ 255 milhões como relevante para as ações da Ambev, embora haja destaque no foco crescente da empresa no segmento de malte puro emergente no Brasil (compreendendo mais marcas mainstream premium e também marcas premium). Dito isso, a alta participação de mercado que a reportagem [do Valor, anterior ao anúncio oficial] destaca que a Heineken detém no segmento premium no Nordeste (66%) chamou nossa atenção, destacando que os desafios competitivos da Ambev são maiores no segmento premium de crescimento mais rápido”, avalia o Bradesco BBI, que mantém recomendação neutra para o papel ABEV3, com preço-alvo de R$ 15,50. Veja mais sobre as perspectivas para a ação clicando aqui. 

Neoenergia (NEOE3)

A Neoenergia , representada pela Bahia Geração de Energia, venceu o leilão pela distribuidora de energia elétrica CEB-D, que atende aos consumidores do Distrito Federal. A empresa ofereceu R$ 2,515 bilhões em lance vencedor, o que representou um ágio de 76,63% em relação ao valor mínimo de R$ 1,4 bilhão e superou as concorrentes CPFL Energia e Equatorial.

Na primeira etapa do leilão, de abertura dos envelopes com as propostas econômicas, a Neoenergia já havia apresentado o melhor lance, de R$ 2,2 bilhões, dando uma mostra de seu apetite. A CPFL Energia (CPFE3) ofereceu lance de R$ 1,95 bilhão, nesta etapa, enquanto Equatorial Energia propôs R$ 1,485 bilhão.

Conforme estabelecido no edital, foi aberta segunda fase de ofertas, com lances a viva-voz e CPFL Energia e Neoenergia seguiram em intensa disputa, impulsionando o ágio. Equatorial, embora pudesse, não chegou a apresentar lances nesta fase.

A grande surpresa do leilão foi a ausência da Enel. O grupo italiano era visto por especialistas no setor elétrico como grande favorito, tendo em vista o maior potencial de sinergias, já que opera a concessionária de distribuição de Goiás, atual Enel Goiás, que circunda a área de concessão da CEB-D. No entanto, semana passada o presidente global do grupo, Francesco Starace, já havia sinalizado que poderia ficar de fora da disputa.

Starace comentou que a operação brasileira tinha desbalanceamento entre as operações da companhia nos segmentos de geração e distribuição, e no momento a empresa precisa adicionar mais ativos geração. Além disso, ele comentou que, embora seguisse avaliando potenciais ativos de distribuição, nem todos seriam do interesse da companhia, “seja por conta da posição no País ou porque talvez há expectativas irreais do lado vendedor”. Havia comentários de que o valor mínimo proposto já estaria elevado.

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A CEB-D possui cerca de 1,1 milhão de clientes em uma área considerava atraente, tendo em vista a alta densidade populacional e o alto poder aquisitivo, com PIB per capita quase 2,5 vezes a média brasileira.

Os termos da vitória da Neonergia na disputa, contudo, não agradaram o Credit Suisse, pois os múltiplos implícitos não deixam espaço para muitos upsides, avaliam os analistas, mesmo com grandes ganhos potenciais em perdas e custos. “A empresa precisa detalhar premissas e explicar a estratégia de alocação de capital”, avaliam os analistas.

A elétrica paranaense Copel concluiu nesta semana um plano de demissão incentivada (PDI) com o desligamento de 311 funcionários, informou a empresa em comunicado, anunciando também o lançamento de um novo PDI.

De acordo com a empresa, o plano encerrado na última terça-feira possui perspectiva de redução de custo anual de R$ 68,1 milhões, enquanto o montante das indenizações totalizou R$ 36,6 milhões, sendo desligados 196 empregados da Copel Distribuição, 71 da Copel GeT, 31 da Copel Holding, 12 da Copel Telecom e um da Copel Comercialização, acrescentou a companhia.

O novo PDI, por sua vez, é destinado a funcionários lotados no call center da Copel Distribuição que atuem nas funções de monitor de teleatendimento, monitor de suporte de teleatendimento e teleatendente, disse a empresa, que vê 375 empregados enquadrados nos requisitos de adesão.

O Credit Suisse avalia os desligamentos como “levemente positivo”, à medida que o plano foi concluído próximo ao seu potencial total. O Credit Suisse diz que o novo programa deve poupar R$ 20 milhões por ano a partir de 2022.

O noticiário sobre venda de ativos continua no radar da Petrobras. Em comunicado, ela informou que concluiu a fase de negociação com o Grupo Mubadala no âmbito do processo para desinvestimento da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia.

“Conforme prevê a Sistemática de Desinvestimos da Petrobras, o processo está, atualmente, em fase de nova rodada de propostas vinculantes. Nesta nova rodada a Petrobras solicitou a todos os participantes que submeteram propostas vinculantes, inclusive o Grupo Mubadala, que apresentem suas ofertas finais com base nas versões negociadas dos contratos com o Mubadala. A Petrobras espera receber essas ofertas em janeiro de 2021”, destacou.

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Já em relação à Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (LUBNOR) e à Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), a companhia informa que também já recebeu propostas pelos dois ativos.

O jornal O Globo, por sua vez, informa que a estatal fará uma nova licitação para a venda do polo de Urucu, localizado na Bacia do Solimões (AM).  Segundo o colunista Lauro Jardim, a 3R, que no certame anterior fez uma oferta de US$ 1,1 bilhão (contra uma oferta de US$ 600 milhões feita pela Eneva), não conseguiu apresentar as garantias bancárias da operação.

Em esclarecimento à notícia divulgada pelo jornal, a companhia afirmou que recebeu propostas vinculantes da 3R Petroleum e da Eneva que estão em etapa de avaliação pela companhia, o que subsidiará a sua tomada de decisão acerca dos próximos passos do desinvestimento.

“Com relação aos valores veiculados na mídia de US$ 1 bilhão e US$ 600 milhões, a Petrobras esclarece que eles guardam proximidade com as parcelas firmes das propostas. A Petrobras informa ainda que leva em consideração na análise das ofertas todas as componentes de valor e demais condições refletidas nas propostas, incluindo pagamentos firmes, pagamentos contingentes e outras condições contratuais relevantes, de tal forma que os valores veiculados na mídia não proporcionam uma base suficiente para comparação das ofertas recebidas”, destacou.

Segundo ela, a depender do resultado dessa avaliação, a companhia poderá promover nova rodada de solicitação de propostas vinculantes a todos os participantes do processo, com base na Sistemática de Desinvestimentos.

A Petrobras esclarece ainda que a Sistemática de Desinvestimentos prevê somente a divulgação ao mercado das seguintes etapas do processo: teaser, início da fase não vinculante, início da fase vinculante, celebração de acordo de exclusividade (quando aplicável), signing e closing.

A Gol divulgou as prévias operacionais do mês de novembro. A companhia aérea registrou queda na demanda de passageiros de 43,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto a oferta recuou 46,3% na mesma base de comparação. Assim, a taxa de ocupação teve alta de 3,7 pontos porcentuais no período, para 84,5%.

No acumulado em 11 meses, a demanda tem recuo de 53,6% na comparação com 2019, enquanto a oferta recuou 52,4%. A taxa de ocupação nesta ano é 2,1 pontos menor, em 79,9%.

Em novembro, a Gol não realizou voos internacionais. No mercado doméstico, houve queda de 39,3% na oferta, e de 37,3% na demanda. A taxa de ocupação cresceu 2,7 pontos, para 84,5%.

No acumulado de 2020, a oferta nos voos domésticos tem queda de 49%, enquanto a demanda cai 50,4%. Assim, a taxa de ocupação caiu 2,3 pontos, para 80,6%.

Itaú Unibanco (ITUB4)

O Itaú Unibanco informou a emissão de R$ 2,1 bilhões em letras financeiras, com opção de recompra a partir de 2025.

A abertura de capital da CSN Mineração, subsidiária de mineração da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) faz com que o atual presidente, Benjamin Steinbruch, 67, fale sobre sua sucessão. Ele está há quase duas décadas à frente da empresa, controlada pela sua família.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o assunto teria surgido em conversas com potenciais investidores, que tinham dúvidas sobre o planejamento sucessório.

Segundo fontes citadas pelo Estadão cujos nomes não foram divulgados, a sucessão deve ocorrer em três anos, após Steinbruch completar 70. A filha mais velha, Victoria, é apontada como provável sucessora.

Nesta sexta, a Marfrig anunciou a criação de um novo departamento de inovação e novos negócios, que será comandado pelo executivo Rafael Braz, que reportará diretamente a Miguel Gularte. O novo departamento deve supervisionar a inovação tecnológica na Marfrig, seus modelos de negócios e estimular novos negócios para que contribuam com o crescimento da empresa.

A Marfrig também anunciou que Eduardo Puzziello passará a ocupar o cargo de gerente de relações com investidores, reportando diretamente ao CFO e IRO Tang David.

Santos Brasil (STBP3)

Com as negociações da renovação do contrato com Hamburg Sud tendo começado, os analistas do Bradesco BBI analisaram os potenciais resultados dessa renovação para a Santos Brasil, mantendo recomendação outperform (desempenho acima da média para a ação) e elevando o preço-alvo de R$ 7 para R$ 10, o que configura um potencial de valorização de 104% em relação ao fechamento de R$ 4,90 da última quinta-feira.

Nos três dos quatro potenciais cenários, o papel tem potencial de valorização  bastante atrativo.  Na avaliação do Bradesco BBI, o movimento pode elevar em 50% o frete pego pela Hamburg Süd, que em troca assegura capacidade de crescimento por entre 5 e 10 anos. O banco ressalta que não há nenhum outro ator no mercado com capacidade disponível para servir completamente a Hamburg Süd.

Tendo isso em vista, o Bradesco BBI atualizou seu modelo de valorização da Santos Brasil para incorporar o aumento do frete pago pela Hamburg Süd, elevando a estimativa para o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] em 2021 e 2022 em 13% e 20% respectivamente.

Na avaliação do banco, o Ebitda de 2021 pode ser elevado em R$ 313 milhões, 26% acima da expectativa do mercado.

O papel precifica, entretanto, um evento de “deal break” improvável, com volume total 12% para baixo em 2021, avalia o BBI, destacou que a ação negocia a um múltiplo atrativo de 11,5 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda esperado para 2021, um desconto de 28% para a média histórica.

Em recuperação judicial, a Oi tem como meta ter, em dois anos, 100% de sua energia fornecida a partir de fontes renováveis, destaca o Estadão. O grupo deve encerrar 2020 com o patamar de 60% alcançado, o que teria gerado uma economia de R$ 400 milhões em energia elétrica no ano.

Via Varejo (VVAR3), IRB (IRBR3), Cogna (COGN3)e Notre Dame (GNDI3

Na quinta-feira, a Via Varejo informou que a BlackRock, maior gestora de fundos do mundo, elevou sua participação acionária na empresa para 5%. Assim, a gestora de fundos de investimento passou a deter 79,9 milhões de ações da varejista.

A gestora também adquiriu ações ordinárias de emissão da NotreDame, de modo que as suas participações passaram a ser, de forma agregada, 30.791.073 ações ordinárias, correspondentes a aproximadamente 5,04% do total de ações
ordinárias de emissão da Companhia

Por outro lado, ela diminuiu sua participação acionária no IRB para 2,84%. Com isso, a gestora passou a deter 36 milhões de ações da resseguradora.

A BlackRock também diminuiu sua participação acionária na Cogna para 3,21%. Com isso, passou a deter 60 milhões de ações ordinárias e 54 mil ADRs da companhia.

“O objetivo da participação acionária acima mencionada é estritamente de investimento, não tendo como fim alteração do controle ou da estrutura administrativa”, informou a BlackRock.

O Conselho de Administração da Camil anunciou a aprovação do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) e dividendos no valor de R$ 170 milhões: são R$ 20 milhões em JCP e R$ 150 milhões em dividendos referente ao segundo trimestre de 2020.

O Conselho de administração da Ânima aprovou o preço de R$ 34,00 por ação mediante a emissão de 27 milhões de novas ações no follow on da empresa, aumentando o capital em R$ 918 milhões, passando para R$ 2,56 bilhões.

A Rede Energia convocou nova assembleia para avaliação do valor justo na oferta de aquisição de ações (OPA) da Energisa: a a assembleia será realizada no dia 18 de dezembro deste ano.

Carrefour Brasil (CRFB3)

O Carrefour Brasil anunciou nesta quinta-feira que concluiu a compra ou locação de 4 lojas (sendo 3 próprias e 1 alugada) e 2 postos de combustíveis da rede Makro, negócio pelo qual pagou R$ 247,4 milhões.

As demais lojas e postos de gasolina da operação anunciada em fevereiro serão transferidas logo que forem concluídos processos em cartórios de registro de imóveis.

O Grupo Dasa anunciou na noite de quinta a aquisição da rede de hospitais Leforte, em São Paulo. O valor da transação foi de R$ 1,77 bilhão. A operação compreende oito ativos, incluindo os hospitais Leforte Morumbi, Leforte Liberdade e Hospital e Maternidade Christovão da Gama, além de clínicas gerais e uma especializada em pediatria.

Após a compra, a companhia passará de dois para cinco hospitais na região metropolitana de São Paulo, e expandirá os leitos de internação de 2,1 mil para 2,6 mil. O faturamento combinado dos negócios soma quase R$ 9 bilhões, e a fusão fará com que o grupo tenha mais de 40 mil funcionários.

Na avaliação do Bradesco BBI, o segmento de hospitais é cada vez mais central para a Dasa. A aquisição do grupo Leforte transforma a empresa em uma das maiores redes de hospitais. O banco avalia, no entanto, o preço pago por leito, de R$ 3,5 milhões como muito acima dos cerca de R$ 1 milhão pagos pelas concorrentes Hapvida e GNDI.

A Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) adiou para maio de 2021 o reajuste das tarifas em Santo André, Mauá, Guarulhos e Tapirituba. Os ajustes estavam inicialmente previstos para janeiro, março e abril de 2021.

O Credit Suisse avalia a notícia como neutra, ressaltando que o regulador deve também determinar uma compensação total pelo adiamento.

Hypera Pharma (HYPE3)

A Hypera Pharma anunciou na quinta a aquisição da Simple Organic, marca de cosméticos naturais, orgânicos e veganos, por meio do Hypera Ventures, programa corporativo de venture capital da empresa. O valor da transação não foi divulgado. O fundo pretende investir até R$ 200 milhões em startups nos próximos anos.

A Simple Organic foi fundada em Florianópolis, e atua no mercado de cosméticos desde 2017. A companhia inaugurou o primeiro modelo de franquias do segmento de beleza natural no Brasil.

A Simple Organic também confirmou que investirá no Amazon lab, um programa de regeneração da Floresta Amazônica, a partir de ações e projetos que visam a construção de cidades inteligentes e sustentáveis.

Na avaliação do Bradesco BBI, a compra da Simple Organic pela Hypera Ventures é um primeiro passo para a empresa mostrar que é capaz de trabalhar bem no meio digital, que pode se mostrar um canal importante para a empresa, que busca eficiência no mercado. Atualmente, 55% de seus gastos em marketing são em anúncios na TV.

Hermes Pardini (PARD3)

O Instituto Hermes Pardini anunciou na quinta uma parceria com a startup Speedbird Aero para desenvolver logística de transporte de amostras biológicas por meio de drones, assim como para obter liberações de Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e de Vigilâncias Sanitárias Estaduais e Municipais.

A startup é a primeira da América Latina a utilizar drones para o transporte aéreo de produtos e medicamentos, com capacidade de até 8kg. A empresa faz entregas com drones desde 2018.

O Bradesco BBI diz avaliar que a parceria parece interessante porque drones podem aumentar a eficiência logística. Fretes custam cerca de 10% dos custos da Pardini, diz o banco. A capacidade de oferecer seus serviços mais rapidamente pode também representar uma grande vantagem competitiva para a empresa, diz o Bradesco. O banco reiterou recomendação outperform, com preço-alvo em R$ 32, frente os R$ 23,59 do fechamento da véspera.

A Panvel anunciou que teve alta de vendas digitais de 75% na Black Friday em comparação com o mesmo período do ano anterior. O valor médio gasto pelos compradores teve alta de 54%, e o número de clientes subiu 33%, na mesma comparação.

Na avaliação do Bradesco BBI, os resultados indicam que a empresa está consolidando o uso de suas aplicações. O banco também avalia que a criação de um novo espaço para armazenamento em São Paulo pode levar a empresa a realizar entregas mais rápidas e mais vendas digitais para além do Sul, onde a maior parte das lojas está localizada. O banco reitera a avaliação de outperform para a empresa, com preço-alvo de R$ 36, frente os R$ 22,75 atuais.

Afya (NASDAQ: AFYA) e Yduqs (YDUQ3)

O Morgan Stanley comentou os resultados da Afya no terceiro trimestre. O banco avalia que a alta de 2,75% na margem Ebitda, de 47%, foi forte, impulsionada pela maturação maior e expansão mais rápida de negócios na área médica, além uma boa integração de empresas por meio de fusões e aquisições. O avanço foi 4% maior do que a estimativa do banco e 9% maior do que aquela do mercado.

O banco diz que o aumento de 50% na receita indica a resiliência do segmento de medicina, e diz que a empresa tem um dos melhores balanços no setor E avalia que a meta para o segundo semestre de 2020 parece ser alcançável.

No setor de educação, o banco diz preferir empresas focadas em medicina, como a Afya, ou com boas perspectivas de crescimento por meio de fusões e aquisições. Por isso, recomenda como outperform a Afya, com preço-alvo das ADRs em US$ 27,5, frente os US$ 25,38 atuais. E a Ydus, com preço-alvo de R$ 41, frente os R$ 37,04 atuais.

Construtoras

A Câmara concluiu na noite de quinta a votação da medida provisória da Casa Amarela e o texto segue agora para o Senado. Todos os destaques ao texto foram rejeitados.

Antes, os deputados aprovaram o texto-base da MP, substituto do Minha Casa Minha Vida. O relatório do deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL) foi aprovado por 367 votos favoráveis, contra 7.

O Congresso tem até 2 de fevereiro do próximo ano para concluir a tramitação da medida sem que ela perca a validade. O prazo já considera o recesso parlamentar que ocorre entre 23 de dezembro e 1º de fevereiro.

(com informações da Agência Estado, Reuters e Bloomberg)

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Fundos e empresas superestimaram a crise e agora sobra dinheiro em caixa, diz CEO da BlackRock

Larry Fink, CEO da BlackRock, na Expert XP 2020 (Leo Albertino/GettyImages)

SÃO PAULO – As notícias sobre a pandemia não param de chegar. Novos ângulos, cada vez mais dramáticos, aparecem a cada momento, mas o mercado financeiro e as empresas parecem se importar cada vez menos.

Para Larry Fink, fundador e CEO da BlackRock, a maior gestora de recursos do mundo, existe explicação: as empresas e os investidores se prepararam para uma crise pior e, agora, estão cheios de recursos em caixa.

“Conversando com clientes do mundo todo, vimos que existe uma liquidez inédita no caixa de várias companhias agora. A maioria dos investidores está menos ‘aplicada’ do que poderia porque achou que o mercado sofreria muito mais. A quantidade de dinheiro parada em fundos ligados a juros nunca foi maior. Então, existe uma quantidade enorme de dinheiro que precisa ser investida”, diz Fink.

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É essa sobra de dinheiro em caixa que explica os últimos ralis do mercado, segundo a análise feita pelo CEO da BlackRock durante o painel “ESG: o retorno de um futuro melhor”, que aconteceu nesta sexta-feira (17), na Expert XP 2020, congresso anual de investimentos promovido pelo grupo XP Inc. A conversa foi mediada por Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP.

Fink citou grandes empresas, fundos de pensão e seguradoras ao especificar quais clientes são donos dessa “liquidez sem precedentes”. Com juros básicos zerados ou negativos em diversos países, eles não veem sentido em investir em títulos públicos com prazos longos, segundo o CEO. “Muito disso tem a ver com o fato de que as alternativas são piores do que manter o dinheiro em caixa.”

É essa combinação entre liquidez de sobra e rendimentos de menos que dificulta um prognóstico sobre onde estará o mercado dentro de dois ou três meses, segundo Fink. “Eu diria com certeza, porém, que se a taxa de contágio continuar crescendo e, com isso, a taxa de mortalidade crescer, então veremos outra forte reversão das economias”, disse.

Ao ser questionado sobre as perspectivas em relação à pandemia, ele foi enfático: “Não, nós ainda não vimos o pior em relação ao vírus. A taxa de infecção, na verdade, hoje é maior do que qualquer dia em março, a taxa está acelerando no mundo”, disse.

E acrescentou que a crise humanitária está provocando uma mudança psicológica notável no mundo: “Passamos de um mundo medroso e compassivo para um mundo muito mais pragmático.”

De onde vem todo esse dinheiro em plena crise?

Fink contou que a BlackRock, que tem cerca de US$ 7 trilhões sob gestão, foi contratada por cinco governos para auxiliá-los a implementar medidas econômicas de combate à pandemia. E a principal conclusão sobre esse contato mais próximo com o poderes públicos foi que o volume dos estímulos monetários e fiscais chegou a um nível jamais visto antes na história.

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“Esse apoio inédito ao estímulo fiscal realmente impulsionou os mercados financeiros. E ainda que a taxa de desemprego esteja muito alta, se não tivéssemos essas políticas teria sido muito pior. Empresas que têm acesso ao mercado de capitais têm uma capacidade sem precedentes de levantar recursos com títulos de dívidas e ações”, diz Fink.

Ele citou, por exemplo, o caso da fabricante de aviões americana Boeing, que após uma série de medidas de incentivos do governo americano ao setor aéreo, conseguiu levantar US$ 25 bilhões no mercado.

O problema, prossegue Fink, está nas empresas menores, que não têm acesso ao mercado de capitais. Segundo ele, isso levanta a seguinte questão: negócios afetados pela pandemia como restaurantes, empresas ligados ao turismo e centros de convenções serão viáveis no futuro? Consumidores voltarão às lojas de departamento depois de aprender a comprar pela internet?

“Essas perguntas serão respondidas nos próximos dois a três meses. Mas o grande problema hoje é: vamos ver essa recuperação [que o mercado financeiro viu] nas pequenas e médias empresas? Se não – e se essa recuperação demorar mais, e a inadimplência subir-, aí eu vou dizer que provavelmente o mercado de capitais provavelmente ‘andou demais’ à frente deles. Descobriremos em três meses.”

Risco ambiental, sanitário e existencial

Apesar das considerações sobre liquidez, o tema mais discutido no painel não poderia deixar de ser a sigla do momento: o ESG (environmental, social and governance, em inglês), que representa a adoção de critérios ambientais, sociais e de governança nos investimentos.

Fink é um dos responsáveis por catapultar o assunto no mercado, depois de escrever em janeiro sua famosa carta anual aos investidores, na qual se comprometeu a elevar de US$ 90 bilhões para US$ 1 trilhão o valor investido em ativos sustentáveis pela BlackRock em uma década – além de sinalizar que iria ‘cortar na carne’ ao deixar de investir em ativos com mais de um quarto da receita ligada à produção de carvão.

O CEO disse que, particularmente, sempre foi um defensor do meio ambiente, mas a grande motivação para colocar o assunto no centro da estratégia da BlackRock veio dos próprios clientes.

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“Mais e mais clientes do mundo todo estavam me perguntando como pensar nas mudanças climáticas em seus portfólios. […] Então a frase mais importante que eu escrevi na carta anual aos investidores foi: ‘O risco climático é risco de investimento’”, afirmou.

Passados os seis primeiros meses de teste da nova estratégia, Fink disse que se sente muito satisfeito em dizer que, mesmo em meio à crise, 80% dos ativos ligados à sustentabilidade superaram índices tradicionais de referência de mercado.

Ele disse que o tema ganhou ainda mais importância porque as reflexões provocadas pela pandemia trouxeram para o presente a dimensão do problema.“O risco existencial da Covid é exatamente o mesmo risco existencial das mudanças climáticas. O risco da Covid é mais imediato, as mudanças climáticas estão evoluindo, mas vemos evidências do impacto das mudanças climáticas no mundo todos os dias.”

Fink acrescentou que a crise econômica causada pela pandemia e suas consequências, como o aumento da desigualdade social, devem colocar no centro das discussões o “S” da sigla ESG. “Todo o avanço do ESG, não apenas na sustentabilidade, mas principalmente no ‘S’ se tornará um assunto dominante nas conversas.”

E uma vez que no âmbito público essas conversas têm sido decepcionantes, segundo Fink, as mudanças devem ser lideradas pelas empresas.

“O cidadão comum no Brasil e nos Estados Unidos está mais frustrado que nunca com seus governos, assim como todos nós. Eu escrevi nas últimas cartas: há mais pressão social sobre as empresas e ela está aumentando. As empresas que se concentram nesses problemas, na tecnologia, nas necessidades dos clientes e principalmente nas de seus funcionários, essas serão as grandes empresas do amanhã”, concluiu.

O passo a passo para trabalhar no mercado financeiro foi revelado: assista nesta série gratuita do InfoMoney