BNDES registra lucro líquido de R$ 5,3 bilhões no 2º trimestre

(Divulgação/BNDES)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 5,3 bilhões no segundo trimestre, informou nesta quinta-feira, 12, a instituição de fomento.

Não foi informada a variação perante o segundo trimestre de 2020. Conforme nota divulgada pelo banco, o resultado recorrente, que exclui operações de desinvestimento da carteira de renda variável e provisões para risco de crédito, ficou em R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre, salto de 75,8% em comparação a igual período de 2020.

Com o resultado do segundo trimestre, o BNDES registrou lucro líquido de R$ 15,1 bilhões no primeiro semestre, o triplo do mesmo período do ano anterior, segundo a instituição de fomento. No primeiro semestre de 2020, o lucro líquido foi de R$ 5,0 bilhões.

No segundo trimestre, o lucro líquido “foi fortemente influenciado pelo resultado líquido na venda de debêntures da Vale, de R$ 2,1 bilhões, e por receita com dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) das empresas investidas, com destaque para Petrobras e Eletrobras”, diz a nota do BNDES.

“O produto de intermediação financeira atingiu R$ 6,6 bilhões, aumento de 50% em comparação ao primeiro trimestre de 2021, impactado pelo resultado bruto na venda de debêntures da Vale (R$ 3,8 bilhões), em abril”, continua o texto.

A carteira de crédito expandida, “que inclui operações via debêntures e outros ativos de crédito”, encerrou o segundo trimestre em R$ 438,4 bilhões, queda de 4,7% em relação a 31 de março de 2021, informou o BNDES. Segundo o banco, a queda foi “impactada pela venda dos papéis da Vale no valor de R$ 3,8 bilhões e pelo impacto negativo da valorização cambial nos contratos em moeda estrangeira no valor de R$ 7,7 bilhões”.

A inadimplência acima de 90 dias ficou em 0,19% no encerramento do segundo trimestre, “inferior à média do Sistema Financeiro Nacional (2,30% em 30 de junho de 2021)”, segundo o BNDES.

Você pode fazer da Bolsa a sua nova fonte de renda. Inscreva-se, participe gratuitamente do maior evento de Trade do Brasil e aprenda como ganhar dinheiro com ações.

BNDES quer Correios e Eletrobras prontas para venda no 1º semestre de 2022

Gustavo Montezano (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, voltou a estimar as operações de privatização da Eletrobras (ELET3;ELET6) e dos Correios para o primeiro semestre de 2022, embora a concretização das vendas dependa do “apetite de mercado” para realizá-las no “preço correto”.

“Esperamos ter os ativos disponíveis para realizar as operações no primeiro semestre do ano que vem”, afirmou Montezano, em palestra durante o TAG Summit 2021, evento online promovido pela gestora TAG Investimentos.

O presidente do BNDES defendeu as duas privatizações. No caso da Eletrobras, mais importante do que os valores que o Tesouro Nacional levantará com a capitalização da companhia, será dar condições à empresa para voltar a investir no setor elétrico.

No caso dos Correios, Montezano disse esperar maior eficiência na logística interna. Segundo o executivo, o comércio eletrônico poderá sair ganhando, especialmente as pequenas empresas, já que os gigantes do setor têm investido em sistemas próprios de entrega. O Mercado Livre está investindo R$ 10 bilhões em logística, disse Montezano.

“O principal beneficiado com a privatização dos Correios é a pequena e média empresa que vende por comércio eletrônico”, afirmou o presidente do BNDES.

Defesa de estratégia para carteira

Montezano voltou a defender a estratégia de vender a carteira de participações acionárias da instituição de fomento. Ele disse que encontrou o banco de fomento com uma carteira de R$ 120 bilhões, diante de um patrimônio de R$ 100 bilhões.

“Como vamos gerir um banco de desenvolvimento cuja carteira de ações é maior do que o patrimônio? É muito arriscado”, afirmou Montezano.

Segundo o executivo, desde que assumiu o comando do BNDES, em julho de 2019, já foram vendidos de R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões da carteira de ações. Hoje, a carteira de ações está em cerca de R$ 70 bilhões, diante de um patrimônio de R$ 120 bilhões, informou Montezano.

“Ainda é elevado, mas o risco está mais mitigado”, afirmou o presidente do BNDES.

PUBLICIDADE

A meta colocada pela gestão de Montezano, ainda em 2019, era reduzir a carteira de ações em 80% até o fim de 2022.

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

BNDES dá mais um passo para efetivar privatização da Eletrobras em fevereiro

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu mais um passo para efetuar a privatização da Eletrobras em fevereiro do ano que vem. O banco de fomento, responsável pela estruturação do processo, publicou o contrato do consórcio que conduzirá a modelagem, além da estruturação financeira e relatório final do processo de desestatização. No mês passado, a Câmara dos Deputados aprovou a medida provisória que permite a saída da União do controle da empresa de energia elétrica.

O Consórcio Genial – Tauil e Chequer, que ganhou o processo de licitação, deve conduzir as tratativas. O valor do contrato, conforme o documento publicado pelo BNDES, é de R$ 3,89 milhões. Pelo acordo, as empresas terão de realizar a avaliação de toda legislação nacional e internacional aplicável à Eletrobras, à Itaipu e à Eletronuclear, assim como a identificação de pontos críticos e riscos.

Para estruturar o processo que culminará na privatização da Eletrobras, o BNDES fez a contratação das empresas que trabalharão em alguns processos necessários para a capitalização, sendo, assim, responsável tanto pela execução quanto pelo acompanhamento do processo de desestatização. Ao todo, são três fases de serviços que serão contratados para a condução da privatização da empresa de energia.

Além desse serviço, cujo contrato acaba de ser publicado, o trabalho de due diligence (auditoria) contábil, patrimonial e jurídica será feito pelo consórcio Nova Eletrobras, formado pela auditoria BDO, o banco Genial, o escritório de advocacia Lefosse e a Thymos Energia, uma consultoria especializada no setor. Já a avaliação econômico-financeira será feita pelo banco BR Partners, cuja escolha já foi homologada, mas ainda falta a publicação do contrato.

Corrida

Com a aprovação da medida provisória, o governo pode seguir com os preparativos para a emissão de novas ações da companhia, o que deve ocorrer no primeiro trimestre de 2022. A União não participará da oferta de ações subsequente (follow-on). Ao deixar de acompanhar essa oferta, sua participação nos papéis ordinários da companhia será diluída, com a parcela caindo para menos de 50%. Dessa maneira, o governo deixa de ser o controlador – o que, na prática, significa uma privatização do negócio.

A capacidade de voto dos acionistas da Eletrobras será, então, limitada a 10%, independentemente da posição acionária. Pelo cronograma do BNDES, a ida à Bolsa deverá ocorrer em fevereiro de 2022.

Essa é a terceira vez que o Estado brasileiro tenta privatizar a Eletrobras. A primeira foi ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002). Na época, a ideia era fazer uma privatização tradicional, vendendo as estatais do grupo (Furnas, Chesf e Eletronorte) separadamente. Mas esse plano foi frustrado.

No governo Lula, que começou em 2003, a empresa foi retirada do Plano Nacional de Desestatização (PND). Na gestão de Michel Temer (2016-2018), uma MP foi enviada ao Congresso, que Bolsonaro usou como base para a privatização atual.

Quer trabalhar como assessor de investimentos? Entre no setor que paga as melhores remunerações de 2021. Inscreva-se no curso gratuito “Carreira no Mercado Financeiro”.

PUBLICIDADE

BNDES e fundo internacional lançam projeto de R$ 1 bi para capacitar produtores rurais no sertão nordestino

Um projeto de R$ 1 bilhão, com apoio internacional, pretende capacitar produtores rurais e aumentar a segurança alimentar no Semiárido do Nordeste. Lançado nesta semana pelo Fundo Internacional para Desenvolvimento Agrícola (Fida), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Economia, o projeto Semeando Resiliência Climática em Comunidades Rurais do Nordeste (PCRP) tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável do sertão nordestino e amenizar os efeitos das mudanças climáticas na região.

O projeto pretende beneficiar 250 mil famílias (1 milhão de pessoas) em até quatro estados do Nordeste, que ainda serão escolhidos. Ao somar os aportes do Fida, do BNDES e a contrapartida dos governos estaduais, os investimentos podem chegar a US$ 202,5 milhões (cerca de R$ 1 bilhão na cotação atual).

As negociações para a captação de recursos foram concluídas nesta semana. Em dezembro, a diretoria-executiva do Fida havia aprovado, por unanimidade, a destinação dos recursos.

O projeto financiará ações de manejo sustentável da água e de enfrentamento da seca e das mudanças climáticas. Entre as principais ações, estão a introdução de tecnologias de coleta, armazenamento e reciclagem da água e a adoção de estratégias de diversificação produtiva no sertão. O programa pretende alcançar uma área de 84 mil hectares, restaurando ecossistemas degradados para prestarem serviços na área ambiental. Uma das metas consiste em evitar a emissão de mais de 11 milhões de toneladas de gás carbônico em 20 anos.

Iniciativa da Organização das Nações Unidas que destina recursos para projetos de adaptação às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento, o Green Climate Fund (GCF) aportará, por meio do Fida, US$ 100 milhões. Desse total, US$ 34,5 milhões entrarão como doação e US$ 65 milhões virão por meio de operações de crédito.

Dos recursos nacionais, o BNDES concederá US$ 73 milhões em financiamentos, como entidade executora do GCF. Os US$ 29,5 milhões restantes serão investidos como contrapartida dos estados.

Próximos passos

Após a aprovação pelo GCF e pelo Fida no fim de 2020, o BNDES, o Ministério da Economia e o fundo internacional concluíram as negociações do contrato de empréstimo na última quarta-feira (30). Os próximos passos são a conclusão dos arranjos de implementação do projeto e sua votação pela Diretoria do BNDES. O Senado precisará aprovar a concessão de garantias da União. A expectativa é que os primeiros financiamentos comecem a ser concedidos em 2022.

As discussões começaram em 2018, quando o governo federal indicou o BNDES como potencial parceiro do Fida no financiamento e desenvolvimento de projetos de desenvolvimento rural sustentável. Em 2019, a Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Economia e a Comissão de Financiamento Externo da pasta deram aval à operação.

Com a missão específica de combate à fome e à pobreza rural, o Fida recebe apoio do governo brasileiro há mais de 40 anos. A instituição financeira internacional está baseada em Roma, onde fica o Fundo de Agricultura e de Alimentos das Nações Unidas.

PUBLICIDADE

Curso gratuito mostra como iniciar carreira no mercado financeiro começando do zero, com direito a certificado. Inscreva-se agora.

S&P Global reafirma rating BB- do BNDES, com perspectiva estável

(Crédito: Shutterstock)

A S&P Global reafirmou nesta terça-feira o rating do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em BB-, com perspectiva estável.

A agência diz que a avaliação continua a refletir a visão de que o BNDES é uma entidade relacionada “crucial” para o governo, por isso alinha os ratings em moeda local e estrangeira aos do soberano.

Segundo a S&P, o BNDES também tem visto melhora em suas métricas de capital, devido a fatores como desalavancagem do portfólio e geração interna forte de capital.

A perspectiva estável é baseada na do Brasil e os ratings do BNDES devem se mover em linha com os do País, aponta a agência em comunicado.

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se já.

Como a caixa-preta do BNDES foi discretamente desarmada

(Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Em setembro de 2014 publiquei a primeira reportagem que escrevi. O título: “20 obras que o BNDES financiou em outros países”.

Olhando em retrospecto, é interessante notar como o tema evoluiu no debate público brasileiro.

Apenas em 2015 o Tribunal de Contas da União conseguiria no STF a liberação de informações sobre dados da área internacional do banco, que na época era peça chave da política externa brasileira.

Sem dados públicos na época, vasculhei ao menos 130 reportagens de portais de notícias de Brasil, Panamá, Costa Rica e EUA para encontrar o que de fato o Brasil estava financiando no exterior.

A prática, claro, não era nova. Como a jornalista Malu Gaspar conta em “A Organização”, seu livro sobre a Odebrecht, o Brasil já era um proeminente financiador de obras em países como Angola, Argentina e Venezuela ao menos desde 1980.

O fato de esse simples texto ter se tornado viral na internet, atingindo cerca de 4 milhões de leitores, não decorreu de qualquer acusação de propina ou atos ilícitos. Isso, por sua vez, estaria a cargo da Lava Jato nos anos seguintes.

O texto em questão, que você ainda encontra republicado, partia de um questionamento moral: é válido que um país com tantas carências em infraestrutura destinasse recursos para bancar obras em outros países?

Para o governo da época, era uma escolha razoável, tendo em vista que ela financiava a geração de empregos no Brasil, além de fomentar as exportações (uma prática comum em países como Alemanha, Estados Unidos ou França).

Ao longo dos anos, outras questões foram sendo abordadas quando o assunto era a tal “Caixa Preta” do BNDES (que foi extensivamente aberta entre 2015 e 2017).

PUBLICIDADE

Ficou claro que o banco havia sido turbinado com empréstimos do Tesouro, que injetaram R$ 496 bilhões em títulos públicos a juros de 5,5% ao ano.

Na época, a Selic, taxa básica de juros do país, chegou a 14% ao ano. Na prática, isso significava que os brasileiros tomavam empréstimos a 14% ao ano e emprestavam essa grana ao BNDES por 5,5%.

Para piorar, o banco alegava lucro, tendo em vista que emprestava recursos a juros acima destes 5,5%, repassando os lucros como dividendos ao governo, o que inflava os gastos públicos em uma triangulação perigosa.

Tais empréstimos do Tesouro garantiram ao banco uma carteira de crédito que superou R$ 1,2 trilhão. Desse valor, ao menos 70% se destinava a grandes empresas. Afinal, o foco do banco era infraestrutura e projetos pesados.

Dentre os programas, havia desde os tais financiamentos ao exterior até projetos como o Finame, que financiou caminhões – ajudando a criar uma bolha no setor que levaria a queda de receita e endividamento dos caminhoneiros, contribuindo para a crise.

Os tais jatinhos da Embraer também entraram na conta. Foram ao menos 134 aeronaves financiadas, com recursos totais de R$ 1,9 bilhão. Segundo nota oficial do BNDES, o subsídio (ou, em outras palavras, o valor que a população bancou dos empréstimos) foi de R$ 693 milhões.

Inúmeras reportagens agregaram outras informações ao longo dos anos. Matéria do jornal O Globo, por exemplo, esclareceu que o BNDES se utilizava do chamado “FAT Cambial”, uma conta do Fundo de Amparo ao Trabalhador, que, em tese, banca o seguro desemprego e outros benefícios, para financiar as obras no exterior.

O prejuízo total ao fundo dos trabalhadores foi estimado em R$ 11 bilhões apenas no diferencial de juros cobrados. Na prática, cada trabalhador brasileiro bancava, na época, R$ 35 por ano para subsidiar obras de empreiteiras brasileiras no exterior.

PUBLICIDADE

Outra grande questão também ganhou evidência. A chamada BNDESpar, o braço de participação do banco, que comprava ações de empresas, ou debêntures conversíveis em ações, para financiar expansões.

Como a própria prática de destinar recursos do fundo dos trabalhadores para bancar empréstimos do banco, ou aportes do tesouro, essa também era uma novidade. A novidade, entretanto, estava no porte que a questão tomaria.

Ao longo dos anos, o BNDES se tornou o maior acionista de empresas como a JBS, financiando a compra de rivais, a aquisição de empresas no exterior e investimentos por meio de investimento direto. Ainda hoje, o banco é dono de 23% do capital da produtora de carne.

A prática ganhou força após a crise de 2008, quando o banco foi chamado a participar da fusão da Brasil Telecom com Oi. A participação do BNDES também foi cogitada na disputa pelo controle do Pão de Açúcar entre Abilio Diniz e os franceses do Casino (algo que terminou não acontecendo por pressão pública contra a operação).

O banco ainda ajudou no resgate ao setor de papel e celulose, criando a Fibra, além da fusão entre Sadia e Perdigão, que criaria a BRF.

Em suma, durante a crise de 2008, mais do que resgatar empresas, o banco ajudou a concentrar o mercado e criar os chamados “Campeões Nacionais”

Entre 2005 e 2015, o banco concedeu R$ 14,3 bilhões para “consolidar” o setor de carnes, diminuindo a concorrência.

Toda essa questão, porém, começou a mudar em 2017. Uma das mais relevantes reformas que fizemos, e das mais discretas, criaria a TJLP, ou Taxa de Juros de Longo Prazo.

PUBLICIDADE

Com o governo em crise, déficits públicos crescentes, o ralo dos subsídios começou a ser tapado.

Entre 2008 e 2018, o governo concedeu R$ 190 bilhões em subsídios, uma média de R$ 19 bilhões por ano. Com a TJLP e a política de devolução de recursos, os subsídios caíram pra R$ 13,5 bilhões ainda em 2018, indo para R$ 2,4 bilhão e R$ 1,1 bilhão em 2019 e 2020, respectivamente.

A política de devolução garantiu que o banco entregasse ao governo R$ 300 bilhões até 2018, além de R$ 123 bilhões em 2019 e R$ 75 bilhões em 2020.

Os recursos devolvidos pelo banco foram utilizados para resgatar a dívida pública, evitando um crescimento ainda maior dela.

Na parte de ações em poder do banco, as vendas se aceleraram desde 2019. Mesmo que longe da famosa promessa de “R$ 1 trilhão em Privatizações” de Paulo Guedes, o presidente do banco, Gustavo Montezano, vem conduzindo de maneira exemplar a desalavancagem.

Desde 2019, o BNDES já vendeu R$ 74 bilhões em ações da Petrobras, Vale, Suzano, entre outras.

A mudança de papel de um banco especulador do mercado de ações, ou apoiador de uma concentração em setores econômicos, tem sido fundamental em redefinir prioridades em um país que deve, na melhor das hipóteses, passar uma década gastando mais do que arrecada.

Reduzir os repasses a grandes empresas tem sido uma tarefa difícil, em especial quando olhamos para o orçamento público, que comporta R$ 348 bilhões em subsídios e desonerações. Mas ela é um passo fundamental para melhorar a gestão e competitividade de nossas empresas.

Claro que uma postura mais radical ainda depende de uma reforma tributária. Mas os avanços até aqui são positivos. E muitos deles ainda são difíceis de se medir.

Olhando em retrospecto, é possível ver que o período em que o banco mais emprestou, entre 2011 e 2014, foi um período em que nossa Bolsa de Valores minguou.

Não é difícil entender os motivos. Se um empresário pode pegar um empréstimo com juros menores que a inflação, por que ele iria abrir o capital, buscar dinheiro em Bolsa e dar satisfação aos acionistas?

Esse efeito, chamado de “crowding-out” pelos economistas, piora a gestão das empresas. Acionistas cobram resultados e eficiência. Os bancos, por outro lado, não.

Desde 2017, temos visto um avanço significativo no nosso mercado de capitais, que agora inclui 3,4 milhões de pessoas físicas na Bolsa. É um ganho para o país que se deve, em boa medida, a bem sucedida reformulação do banco dos ricos.

Se você gostou do artigo ou tem alguma crítica a fazer, pode me encontrar pelo Twitter  e pelo Instagram 

BNDES: Expectativa é mandar proposta de edital dos Correios ainda no 2º semestre

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reafirmou nesta quinta-feira, 27, a meta de publicar o edital para a privatização dos Correios até o fim deste ano, para levar a estatal a leilão em janeiro ou fevereiro de 2022, mas alertou que a “fase 3” dos estudos sobre a operação, prevista para começar após setembro, depende da aprovação do Projeto de Lei 591/21, o “novo marco regulatório do setor postal brasileiro”. Até setembro, a previsão é definir um valor mínimo para a venda da estatal.

Em nota divulgada hoje, o banco de fomento destacou que o PL “teve regime de urgência aprovado pelo Plenário da Câmara Federal”, o que “permite acelerar a análise do texto”, mas “ainda não há definição sobre a data de votação do mérito do projeto”.

Na tarde desta quinta-feira, 27, houve uma reunião entre o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, os ministros Fábio Faria (das Comunicações) e Paulo Guedes (da Economia), e representantes das empresas responsáveis pelos estudos sobre a privatização dos Correios.

Mesmo sem uma definição sobre a data de votação do PL que cria o novo marco regulatório do setor postal, o BNDES informou que a “expectativa é que a proposta de edital seja encaminhada para a análise do Tribunal de Contas da União (TCU) ainda no segundo semestre”, como já haviam sinalizados diretores do banco de fomento recentemente.

“Após o crivo do TCU, o edital será publicado, com o leilão podendo ocorrer em janeiro ou fevereiro de 2022”, diz a nota, que ressalta uma declaração de Montezano: “Os próximos meses até o fim do ano serão de estudos e debates intensos”.

Em abril, os Correios foram incluídos no Programa Nacional de Desestatização (PND), o que marcou a “fase 2” do processo de desestatização. Há duas semanas, o BNDES já havia comunicado a seleção do consórcio formado pela consultoria KPMG e pelo escritório Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques Sociedade de Advogados para realizar estudos e fazer uma “due diligence”, levantamento contábil, jurídico e financeiro para avaliar condições e riscos dos Correios.

Segundo o BNDES, o trabalho de estruturação da privatização começou em agosto passado e passou pela contratação de outro consórcio, formado pela consultoria Accenture e o escritório Machado, Meyer, Sendacz, Opice e Falcão Advogados, que seguirá trabalhando na atual “fase 2”, com “conclusão prevista para setembro de 2021”. Os trabalhos nessa fase englobam as “análises necessárias para definir o valor mínimo da companhia para fins de uma operação de alienação”, diz a nota.

Segundo o BNDES, até aqui, os estudos apontam que uma “desestatização unificada”, com a “alienação de controle acionário” dos Correios, “gera mais valor para o acionista e para a sociedade”. Além disso, a venda unificada do controle da estatal permitiria “a manutenção do serviço postal universal, com qualidade e preços justos para todos os usuários dos Correios”.

Sócia da XP Investimentos oferece curso gratuito de como alcançar a liberdade financeira. Clique aqui para se inscrever.

PUBLICIDADE

BNDES seguirá vendendo participações acionárias, diz Montezano

Gustavo Montezano (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, reafirmou nesta terça-feira que a instituição de fomento seguirá em sua estratégia de vender suas participações acionárias com o objetivo de realocar o capital em atividades que gerem desenvolvimento.

“Estamos fazendo os desinvestimentos com parcimônia e cautela, para realocar esse capital em atividades que tenham risco, mas gerem desenvolvimento”, afirmou Montezano, em palestra durante a CEO Conference, evento online promovido pelo banco BTG Pactual.

Desde que assumiu o comando do BNDES, em julho de 2019, o banco já vendeu R$ 65 bilhões em ações, informou Montezano.

É o mesmo valor informado quando divulgou os resultados financeiros do primeiro trimestre, sem novas operações após terminar de vender papéis da Klabin e da Vale.

O montante sobe para R$ 77 bilhões com a venda das debêntures participativas da mineradora, papéis que o BNDES carregava desde a privatização da companhia, no fim dos anos 1990.

O próprio BNDES já informou que o próximo passo será uma oferta de seus papéis da Copel.

Cedae

Ao tratar da atuação do BNDES no setor de infraestrutura, Montezano comparou a concessão de parte dos serviços da Cedae, a estatal de saneamento do Rio, à privatização do sistema Telebrás, nos anos 1990. Estruturada pelo banco, a concessão dos serviços de água e esgoto na região metropolitana do Rio, e em algumas cidades do interior, foi a leilão mês passado.

Foram concedidos três dos quatro blocos oferecidos pelo governo estadual do Rio. As concessões envolvem investimentos da ordem de R$ 50 bilhões, incluindo obras e taxas de outorga, mas Montezano chamou a atenção para os benefícios da melhoria na prestação dos serviços e da infraestrutura. “Desconheço outro projeto na América Latina com o impacto ambiental como o da Cedae”, afirmou.

O presidente do BNDES disse que a sociedade civil de cada localidade “tem que pedir, tem que clamar” por concessões de saneamento básico, pois, segundo ele, a mobilização social, apoiando a privatização, foi importante para o projeto do Rio finalmente sair do papel.

PUBLICIDADE

Aprenda a identificar os produtos financeiros para blindar seu patrimônio contra o “Risco Brasil”. Inscreva-se no curso gratuito.

Objetivo é “viabilizar privatização” da Eletrobras, diz diretor do BNDES

(Divulgação/Eletrobras)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) trabalha na estruturação da capitalização da holding estatal Eletrobras (ELET3; ELET6), com o objetivo de “viabilizar a privatização” da empresa, e não avalia, no momento, vender suas ações na companhia junto da operação, afirmou nesta quinta-feira, 13, o diretor de Privatizações da instituição de fomento, Leonardo Cabral.

“O BNDES, hoje, não está avaliando a hipótese de vender ações em conjunto com a oferta. O nosso foco é realizar o aumento de capital da Eletrobras para que ela pague a sua descotização”, afirmou Cabral, em apresentação online para comentar os resultados financeiros do primeiro trimestre.

O diretor do BNDES reafirmou que a continuidade do trabalho de estruturação da operação da Eletrobras depende da conversão em lei da Medida Provisória (MP) que autoriza a venda do controle da holding pela União. Cabral lembrou que o prazo final para a MP ser convertida termina em 22 de junho.

O executivo também reafirmou as perspectivas de cronograma. Com a aprovação da MP em junho, é possível chegar ao fim do ano com a operação estruturada.

O BNDES mira a “janela de mercado” entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022 para fazer a capitalização, reafirmou Cabral, como já foi sinalizado em outras ocasiões.

Sobre o modelo da privatização, Cabral reafirmou que a União seguirá com participação na Eletrobras, mas será diluída.

O executivo disse que a equipe do BNDES entende que o uso de uma “golden share” seria, sim, um veículo para a União ter poderes especiais nas decisões da empresa, mas ressaltou que esse ponto está em discussão na conversão da MP em lei no Congresso.

Stock Pickers lança curso online e gratuito que ensina a identificar ativos com ótimo potencial de valorização. Inscreva-se.

BNDES vai esperar o “melhor momento” para fazer oferta de ações da Copel

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) esperará o “melhor momento” para fazer a oferta de ações da Copel (CPLE6), afirmou nesta quinta-feira, 13, o diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto da instituição de fomento, Bruno Laskowsky.

Na quarta-feira, 12, a BNDESPar, empresa de participações do BNDES, comunicou ao mercado que seu Conselho de Administração aprovou a venda de sua participação na Copel por meio de oferta pública secundária de “units”, mediante registro nos Estados Unidos. A oferta será coordenada pelo banco BTG Pactual.

A BNDESPar possui participação de 24% na Copel. No fim do ano passado, o banco já havia anunciado sua intenção de se desfazer dos ativos. Recentemente, seus diretores vinham reafirmando que a realização da oferta estava próxima.

“Vamos esperar o melhor momento para fazer a transação e informaremos o mercado juntamente com companhia”, afirmou Laskowsky, na apresentação online dos resultados financeiros do primeiro trimestre.

Stock Pickers lança curso online e gratuito que ensina a identificar ativos com ótimo potencial de valorização. Inscreva-se.