Ray Dalio: mesmo com aperto do cerco regulatório, ações de empresas chinesas ainda merecem espaço na carteira

(Kimberly White/Getty Images)

SÃO PAULO – Ainda que investidores estejam reagindo negativamente às intervenções estatais na China, o mercado acionário do gigante asiático ainda merece atenção e espaço na carteira de investidores. A avaliação é de Ray Dalio, fundador da gestora Bridgewater Associates.

“Tanto o mercado americano quanto o chinês oferecem oportunidades e riscos – e é provável que compitam entre si e contribuam para uma diversificação. Por isso, ambos devem ser considerados importantes na hora de montar um portfólio”, escreveu o guru dos investimentos em texto publicado em sua conta oficial do LinkedIn na sexta-feira (30).

“Recomendo que você não interprete mal esse tipo de movimento, como uma reversão das tendências que existiram nas últimas décadas, e deixe que isso o afaste do investimento”, completou.

Na publicação, Dalio assinala que as repressões dos reguladores da China ligados à listagem da gigante de tecnologia DiDi e do seu uso de dados, bem como relacionadas a empresas de educação, criaram dúvidas sobre o capitalismo e os mercados de capitais na China.

“Eu entendo que seja confuso para as pessoas que não estão próximas do que está acontecendo. Desde que comecei a ir para a China, há 36 anos, descobri que a maioria dos observadores ocidentais que não têm contato direto com os legisladores e não acompanham em detalhes os padrões das mudanças tendem a não acreditar que o uso do Partido Comunista Chinês dos mercados de capitais para promover o desenvolvimento é real”, afirmou.

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Enquanto no caso da Didi o governo sinalizou que talvez não fosse o melhor momento para ir à Bolsa e que é preciso primeiro lidar com os problemas de privacidade de dados, no das empresas de educação, o governo busca reduzir a desigualdade educacional e os encargos financeiros para aqueles que não têm condições financeiras, escreve.

“Eles acreditam que isso é melhor para o país mesmo que os acionistas não gostem”, reforça Dalio.

Na avaliação do guru, para compreender o que está acontecendo, o investidor precisa entender que a China é um sistema capitalista de Estado, ou seja, que o mesmo administra o capitalismo para servir aos interesses da maioria.

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A pessoa também precisa ter em mente, segundo ele, que, neste ambiente de mercado de capitais em rápido desenvolvimento, os reguladores chineses ainda estão descobrindo os regulamentos mais apropriados.

“Alguns investidores céticos consideraram esses movimentos como intervenções anti-mercado inadequadas, embora esses mesmos movimentos tenham acontecido diversas vezes em muitos mercados capitalistas”, escreveu Dalio.

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Ray Dalio diz que prefere investir em Bitcoin em vez de títulos públicos

Ray Dalio (Crédito: Roy Rochlin /Getty Images)

(Bloomberg) – Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, disse que prefere comprar Bitcoins do que títulos.

Se as criptomoedas continuarem a ganhar força, investidores podem decidir investir nesses tokens digitais em vez de títulos públicos, disse Dalio em entrevista gravada e veiculada na segunda-feira na conferência Consenso 2021 da CoinDesk. Segundo ele, isso deve limitar a capacidade de os governos captarem fundos.

Dalio mostra pessimismo em relação aos títulos há algum tempo. Em março, disse que a estratégia de investir em títulos “se tornou estúpida”, porque esses ativos pagam menos do que a inflação.

Mesmo com essa visão, uma grande porcentagem dos US$ 151 bilhões que sua empresa administra está aplicada em títulos do Tesouro dos Estados Unidos e outros títulos públicos.

“Tenho um pouco de Bitcoin”, disse Dalio na entrevista, que foi gravada em 6 de maio, de acordo com a CoinDesk. O investidor não revelou a quantidade.

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Dalio também disse que “o maior risco do Bitcoin é o seu sucesso”.

O gestor de fundos de hedge chegou a chamar o Bitcoin de “invenção infernal” e achava um desafio atribuir um valor aos ativos digitais, já que investir em Bitcoin significa reconhecer a possibilidade de perder cerca de 80%.

Dalio disse em janeiro que estudava as criptomoedas como investimentos para novos fundos que ofereceriam proteção aos clientes contra a desvalorização de moedas fiduciárias.

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A Bridgewater Associates enfrenta obstáculos para melhorar o desempenho de seu fundo macro. No ano passado, o fundo Pure Alpha II perdeu 12,6% e acumulava alta de 4% este ano até abril. No total, a Bridgewater administra US$ 73 bilhões em estratégias macro.

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Ray Dalio alerta para risco de bolha na bolsa, de dimensão entre as das crises de 1929 e da internet, em 2000

Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, em evento realizado em novembro de 2018 (Eoin Noonan/Getty Images)

SÃO PAULO – Com mais dinheiro circulando na economia global em meio aos estímulos fiscais e monetários por conta da pandemia de coronavírus, investidores devem se preparar para uma possível bolha no mercado acionário americano, na visão de Ray Dalio, fundador da gestora Bridgewater Associates, que tem cerca de US$ 150 bilhões em ativos sob gestão.

Durante entrevista ao portal Yahoo Finance na última semana, o megainvestidor afirmou que vê uma bolha no mercado de ações tão perigosa quanto a da internet, nos anos 2000, e como a da Grande Depressão, em 1929.

“Nos ciclos de mercado, novas ideias e tecnologias vêm e fazem revoluções – e isso é ótimo –, mas há uma tendência de investidores em extrapolar o passado e não prestar muita atenção a preço e, quando isso acontece, resulta no surgimento de uma bolha”, afirmou.

Segundo o gestor, algumas companhias de alta performance, como as que estão em um ritmo acelerado de crescimento, têm se beneficiado, no mercado financeiro, de negociações especulativas focadas em preço. E a volatilidade elevada, disse, é resultado de uma rotação setorial na Bolsa entre companhias que tiveram bom desempenho na pandemia, como as de tecnologia, para aquelas ligadas à economia tradicional.

“Segundo nossos cálculos, a bolha não é igual à de 2000, nem à de 1929, mas algo na metade do caminho”, disse ao portal.

Em fevereiro, Dalio já havia questionado esse cenário em uma publicação no LinkedIn. Na ocasião, divulgou um estudo de sua equipe que apontava para uma série de indícios da existência de bolha em alguns setores da Bolsa americana, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade dos preços, além da quantidade de novos investidores.

Em um cenário de pressão inflacionária esperada para os próximos anos como consequência da liquidez injetada nas economias, o gestor tem defendido o investimento em ativos reais.

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Também no LinkedIn, Dalio questionou este mês o investimento em títulos soberanos de renda fixa, em um momento em que esses ativos oferecem “rendimentos ridiculamente baixos”, que não atendem às necessidades de longo prazo dos investidores.

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Nesse cenário, investir em “bonds“, e na maior parte dos ativos financeiros, se tornou algo “estúpido”, provocou o gestor. “Em vez de receber menos do que a inflação, por que não comprar ativos – quaisquer ativos – que igualem ou superem a inflação?”, indagou.

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BlackRock e Lombard dizem que temores de inflação são prematuros

Businessperson placing shopping cart over stacked coins (AndreyPopov/Getty Images)

(Bloomberg) — Na visão da BlackRock e da Lombard Odier, as expectativas do mercado de uma aceleração sustentada da inflação e da retirada dos estímulos são equivocadas, o que cria oportunidades de compra em títulos corporativos.

Em um ambiente onde a economia começa a se aquecer, mas a alta de preços provavelmente é transitória, a Lombard prefere dívida corporativa de longo prazo na China e na Índia, disse Dhiraj Bajaj, responsável por crédito da Ásia. A BlackRock gosta de papéis corporativos de alto rendimento e títulos chineses, de acordo com Neeraj Seth, que supervisiona crédito asiático em Cingapura.

O crescente debate sobre as perspectivas para a inflação global divide investidores. Bill Gross e a Bridgewater Associates estão preparados para maior pressão de preços, enquanto outros argumentam que a recente onda vendedora do mercado motivada por esses temores resultará em correção.

“Os temores de inflação e, mais importante, as preocupações com as mudanças na política do Fed são prematuros”, disse Seth, da BlackRock. Embora a alta dos preços no curto prazo possa se acelerar com a reabertura das economias, a tendência provavelmente será “transitória”, disse em entrevista.

Outras gestoras, como Pacific Investment Management Co. e Guggenheim Investments, também argumentam que os temores dos riscos de inflação e taxa de juros são exagerados. Em seu relatório mais recente, a Guggenheim disse que dados mostram os ganhos de preços subjacentes em desaceleração. A Aberdeen Standard Investments espera certa inflação nos EUA, embora não “muito alta”.

Também na Europa, qualquer aumento dos preços ao consumidor pode ser passageiro. “Se olharmos além do ruído, a pandemia é, em última análise, deflacionária e isso aparecerá em algum momento nos números”, escreveram analistas do ING, como Carsten Brzeski, em nota para clientes na terça-feira. A equipe espera que a inflação na zona euro se acelere nos próximos meses antes de cair bem abaixo de 2% em 2022.

Para Seth e Bajaj, a recente onda de vendas e suas visões de longo prazo sobre a inflação significam que há oportunidades para aumentar as posições. Os títulos corporativos agora estão mais baratos, de acordo com Bajaj.

O crédito “se tornou mais atraente desde o início do ano, não há dúvida sobre isso”, disse. “A coisa mais lógica a fazer é comprar mais ou aumentar a duração.”

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Transparência radical: como a tese de Ray Dalio pode ser aplicada ao mercado brasileiro de fundos de investimento

(Kimberly White/Getty Images)

Uma das dúvidas recorrentes que recebo é por que não recomendo o fundo All Weather (AW) da Bridgewater Associates, uma das gestoras mais famosas do mundo, com US$ 138 bilhões sob gestão.

Para quem não conhece, ele é um dos fundos mais famosos de Ray Dalio, o fundador da gestora. Além de investidor, ele é filantropo e escritor com vários livros publicados, com destaque para “Princípios”, best-seller do The New York Times que já vendeu mais de 2 milhões de cópias.

Criado em 1996 com o intuito de gerir o patrimônio do próprio Dalio e de seu trust – recursos que sua família vai herdar quando ele falecer –, o All Weather (em tradução livre, “todos os climas”) está disponível aqui no Brasil nas plataformas das corretoras Vitreo e XP.

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O nome do fundo foi inspirado na pergunta que Dalio procurou responder para criá-lo:

Qual portfólio é mais adequado para performar bem em todos os tipos de ambientes econômicos?

Ele chegou à conclusão que a resposta era:

Um portfólio global e balanceado, estruturado para ser indiferente às mudanças nas condições econômicas, através de: alocação global, diversificação, paridade de risco e liquidez.

Ray Dalio reconhece que é quase impossível prever e acertar todos os cenários. Portanto, ele usa o fundo para montar uma carteira que cubra “todos os cenários”. Muitos executivos da Bridgewater dizem que o fundo opera com a ótica de uma carteira que funciona bem atualmente e funcionará bem daqui 20 anos.

Eu sou fã assumida de Ray Dalio e já tive a oportunidade de fazer diversas reuniões no escritório da Bridgewater, em Connecticut – infelizmente, não com o próprio Dalio, mas com alguns de seus brilhantes colegas. E foi nessas ocasiões que vi pessoalmente a aplicação de um dos seus princípios: a transparência radical dentro da gestora.

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Como falo muito de Dalio, sou muito questionada sobre a recomendação do fundo, ou melhor, sobre a falta dela entre os fundos de investimento recomendados na minha série da Spiti, “Você, Investidor Global”.

O fundo AW só está disponível no Brasil para investidores profissionais, aqueles com mais de R$ 10 milhões em investimentos. Como sempre busco a democratização dos investimentos, não me parece coerente recomendar um fundo para investidores profissionais quando a grande maioria dos meus assinantes é de investidores e investidoras de varejo, ou seja, investidores comuns.

Obviamente, gostaria de ver uma versão do fundo All Weather e de alguns outros fundos disponíveis somente para investidores profissionais e institucionais, como o Hillhouse Capital, disponíveis para outros perfis de investidores aqui no Brasil.

Mas, neste caso, acreditem, eu concordo com a CVM, nosso regulador, quando ela coloca uma régua alta para que se possa investir nesses produtos, já que o fundo domiciliado no Brasil vai investir 100% dos seus recursos em um fundo de investimento domiciliado nas Ilhas Cayman, com regras bastante flexíveis e sem praticamente nenhum monitoramento regulatório.

Aliás, esse tipo de fundo é muito comum no exterior. São os chamados hedge funds puros, primos dos nossos fundos multimercados, mas menos regulamentados. Além de serem formados de maneira privada, voltados para investidores mais sofisticados, eles não têm regra de cálculo de cota e liquidez, por exemplo. Há alguns anos, eram até conhecidos como fundos do “Wild Wild West”, uma analogia aos caubóis americanos que viviam em territórios sem leis.

As regras dos hedge funds estão todas explicadas no regulamento dos fundos, e eles têm muita flexibilidade: cabe ao investidor ou à investidora aceitar ou não os termos, pois os reguladores no exterior, no caso de hedge funds, pouco se envolvem com questões de obrigações de cálculo de cota diária ou de auditoria.

Enfim, entendo perfeitamente o porquê de esses fundos estarem disponíveis somente para investidores profissionais. No entanto, os fundos de investimento no exterior, conhecidos como fundos IE, aqueles que podem investir até 100% do seu patrimônio no exterior e estão disponíveis no Brasil para investidores qualificados, seguem outro tipo de regra.

Para poderem ser distribuídos para investidores qualificados no Brasil, aqueles com mais de R$ 1 milhão em investimentos, eles precisam investir em fundos com algumas características básicas, tais como:

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– Não pode haver alavancagem financeira;
– A liquidez dos ativos é diária, em geral;
– A cota é atualizada diariamente

Além de regras sobre custodiante local em jurisdição reconhecida, autoria e gestão de risco, e uma infinidade de outras obrigações, que normalmente são cumpridas através de um veículo UCITS (Undertakings Collective Investment in Transferable Securities), um regulamento padrão da Comissão Europeia que cria um regime harmonizado em toda a Europa para a gestão e venda de fundos de investimento em Luxemburgo.

A ironia aqui, no entanto, é que esses veículos UCITS são produtos para investidores de varejo na Europa e são altamente regulados, assim como nossos fundos locais.

Por conta disso, é inevitável que surjam certos questionamentos, como quais são as razões pelas quais nós não podemos aportar nesses fundos, uma vez que, no exterior, qualquer perfil de investidor tem acesso a eles, ou por quais motivos ficamos excluídos deles.

Assim, esta é a pergunta que faço ao nosso regulador, me apropriando de um dos princípios de Ray Dalio, o da transparência radical:

“Por que não podemos aportar nos fundos que, na Europa, são para o varejo através de estruturas brasileiras e que cumprem todas as regras locais brasileiras?”

Aproveito para revelar um anseio meu – e, provavelmente, de muita gente: que o regulador reveja algumas de suas regras ou, pelo menos, pense em modular os produtos para que fundos de investimento no exterior que cumprem as regras de locais sejam flexibilizados para todos os perfis de investidores.

Ou que, ao menos, encontremos um meio-termo para auxiliar investidores e investidoras de varejo brasileiros a terem acesso aos melhores produtos globais.

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Um abraço,

Fran Balbina

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