Cade tende a rejeitar fusão entre Localiza e Unidas, diz jornal: qual o impacto para as ações?

Locamerica Unidas locadora de carros (divulgação)

SÃO PAULO – De acordo com informações do jornal Valor Econômico, a fusão entre as locadoras de veículos Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) tem grandes chances de ser rejeitada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A tendência recente era pela aprovação (considerando o mercado com baixa barreira de entradas). No entanto, o Cade estaria vendo maiores riscos à competitividade do setor após analisar mais a fundo acordos de exclusividade com empresas do setor (como por exemplo o da Unidas com a Enterprise).

Segundo a publicação, as equipes do Cade responsáveis pela análise da fusão, anunciada em setembro do ano passado, não estão conseguindo encontrar “remédios” que possibilitem a aprovação do negócio.

A notícia foi divulgada perto do fechamento do pregão da última terça-feira (17). Na véspera, os ativos RENT3 fecharam em baixa de 2,67%, a R$ 54,60, enquanto os papéis LCAM3 tiveram perdas de 2,95%, a R$ 24,32, em uma sessão em que o Ibovespa teve perdas de 1,07%.

De acordo com análise da XP, a notícia é negativa para Localiza e Unidas por sugerir menor chance de aprovação da proposta de fusão.

Porém, os analistas lembram que essa não é a primeira vez que é noticiado na mídia sugestões de não-aprovação da proposta. Eles ressaltam que, desde o início do processo, diversas notícias seguiram tom negativo quanto à aprovação.

Além disso, apontam que, atualmente, não veem as ações precificando os benefícios da materialização da fusão (RENT3 tem alta de 5%, LCAM3 sobe 15%, enquanto o Ibovespa tem alta de 22% desde a proposta de fusão, em setembro de 2020).

“Portanto, por fundamentos, vemos mais upside [potencial de valorização] do que downside [potencial de queda] para as ações da Localiza e da Unidas na resolução desse caso. Os analistas estimam cerca de R$ 8,2 bilhões em sinergias se a fusão for aprovada, algo ainda não precificado na visão da casa.

Leia também: Entre concentração e “dilema” no mercado de carros, o que explica as recentes estratégias das grandes locadoras

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Os analistas reiteram visão positiva com o setor e recomendação de compra para as três empresas com as ações negociadas na Bolsa – além de Localiza e Unidas, a rival Movida (MOVI3). O preço-alvo para RENT3 é de R$ 76, para LCAM3 é de R$ 34 e para MOVI3 é de R$ 23, o que corresponde a potencial de valorização respectivo de 39%, 40% e 28% para os ativos em relação ao fechamento da sessão da última terça-feira.

Eles ainda lembram o rito do Cade, que tem até 330 dias no total para dar o seu parecer (até 6 de janeiro de 2022).” O que deve acontecer em breve é o envio de relatório do corpo técnico do órgão para o seu tribunal tomar a decisão final, sendo  a esse relatório que a notícia faz referência”, apontam.

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“O Cade precisa ter regras claras e pró-competitivas”, diz novo presidente do órgão antitruste

Alexandre Cordeiro Macedo (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

Depois de mais de dois anos como conselheiro e quase quatro anos como superintendente-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o advogado e economista Alexandre Cordeiro, de 45 anos, assumiu nesta semana o posto máximo do órgão como o novo presidente da autoridade responsável por resguardar a concorrência no Brasil.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Cordeiro disse que tenderá a ser “menos intervencionista” em sua atuação na presidência nos próximos quatro anos. “Controlar e regular de maneira antecedente o mercado tem risco maior de prejuízo à sociedade do que fazer esse controle a posteriori.”

Na entrevista, Cordeiro falou de casos específicos que vão a julgamento pelo conselho nos próximos meses, como a fusão das locadoras de veículos Localiza e Unidas, operação que, segundo ele, “demanda atenção”. O novo presidente também comentou a compra da Oi por um consórcio de teles concorrentes, que depende do aval do conselho: “A tendência mundial é que tenha efetivamente poucos players no mercado de telefonia”.

O sr. assume a presidência do Cade depois de ter passado pelos cargos de conselheiro e superintendente-geral. Quais seus objetivos na presidência?

Precisamos ter maior atuação em diversos mercados da economia brasileira. Temos sofrido um aumento inflacionário e a forma de mitigar isso é investimento e competitividade. A pressão de demanda vai gerar aumento de preços. O Cade tem de dar segurança jurídica, não pode brincar com o mercado. Tem de ter normas claras, transparentes, pró-competitivas.

A pandemia levou a um aumento nas fusões e aquisições, que terão de ser analisadas.

Tivemos um aumento de 33% na quantidade de atos de concentração, sem recebermos novos servidores. Isso será um desafio. Outro desafio é como o Cade vai se posicionar nessa nova onda do direito concorrencial que começou na Europa e ganhou força com a chegada de (Joe) Biden na presidência dos Estados Unidos, que tem uma característica mais intervencionista, que considera questões sociais, ambientais.

E qual sua opinião sobre isso?

Tendo a ser menos intervencionista, porque a chance de errarmos no nível de intervenção é muito grande. Controlar e regular de maneira antecedente tem risco maior de prejuízo à sociedade do que fazer esse controle a posteriori, partindo de abuso na posição dominante. Não quer dizer que pleitos sociais, de igualdade e de questão ambiental não são importantes, mas isso não é papel da autoridade antitruste.

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Uma das últimas decisões do ex-presidente Alexandre Barreto no Cade foi determinar a reabertura da fusão Nestlé/Garoto, julgada pelo conselho há 17 anos e judicializada desde então. Qual a sua opinião sobre o processo?

O caso está em discussão judicial e estamos perdendo, com chances nulas de reversão. O que o ex-presidente fez foi determinar que a Superintendência-Geral do Cade cumprisse a decisão judicial (que determinava novo julgamento).

Essa fusão tem mais chance de ser aprovada hoje?

A análise de hoje é, sem dúvida, diferente do que em 2004, então eu acho que tem mais chance de ser aprovada, sim. Como relator do caso em 2016, quando fizemos um acordo (que determinava a venda de marcas da Garoto pela Nestlé), já achei isso e proferi decisão de que a operação poderia ser aprovada.

Falando sobre casos específicos, a fusão entre Localiza e Unidas pode ser aprovada com restrições?

Não posso falar do caso concreto porque vou julgar o processo. Mas é um caso que realmente demanda atenção.

E em relação à compra da Oi pelas concorrentes Claro, Tim e Vivo?

Também não posso falar especificamente, mas a tendência mundial é que tenha efetivamente poucos players no mercado de telefonia.

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No setor de combustíveis, o Cade fechou um acordo em 2019 para que a Petrobrás vendesse suas refinarias, mas a empresa vem pedindo mais prazo para que isso ocorra. O Cade vai adiar?

Depende da justificativa. O que a Petrobrás tem pedido é para mudar prazos intermediários, como publicação de editais e etapas desse processo. A ideia é que o prazo final permaneça (dezembro de 2021).

A Europa e os EUA têm fechado o cerco a grandes conglomerados da internet, como o Google e o Facebook. Qual sua visão sobre os mercados digitais?

Ser grande não é um problema, o problema é abusar dessa posição dominante. Pode ser um paradoxo, mas, se você começa a regular setores da economia para impedir que empresas cresçam, pode inibir inovação e eficiência. A diferença do mercado digital e de outros é a velocidade.

Passamos por um momento político turbulento que tem efeitos na economia. Como isso afeta o Cade?

O Cade, pelo fato de ter característica de uma autarquia, não se mistura com a questão política. Todos os membros têm mandato, são cargos que cruzam governos. Não estou dizendo que estamos completamente alheios ao que está acontecendo no Brasil e no mundo, mas o Cade tem sua autonomia administrativa e financeira e capacidade de autogestão que independe do que efetivamente está acontecendo na política brasileira.

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Magalu compra KaBuM! por R$ 1 bilhão mais 75 milhões de ações e anuncia oferta de papéis de quase R$ 4,6 bilhões

Tela de celular com Magazine Luiza (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Magazine Luiza (MGLU3) anunciou nesta quinta-feira (15) acordo para comprar integralmente a plataforma de e-commerce de tecnologia e games KaBuM!.

Em fato relevante, a companhia escreve que a aquisição será feita em etapas. A primeira delas será o pagamento à vista de R$ 1 bilhão.

Na sequência, será feito o pagamento em 75 milhões de ações ordinárias e bônus de subscrição cujo exercício, em 31 de janeiro de 2024, está condicionado ao cumprimento de metas, que darão aos acionistas do KaBuM! o direito de subscrever até 50 milhões de ações do Magalu.

De acordo com o comunicado, as vendas do KaBuM! mais que dobraram em 2020, impulsionadas pela pandemia, com aumento de 128% em relação a 2019.

Já nos primeiros cinco meses de 2021, a empresa de e-commerce registrou crescimento de 62% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita bruta da companhia, por sua vez, foi de R$ 3,4 bilhões nos últimos 12 meses, com lucro líquido de R$ 312 milhões.

Entre as sinergias após a conclusão da aquisição, o Magalu informa que os produtos do KaBuM! serão oferecidos no aplicativo da companhia, que os clientes da plataforma poderão contar com a entrega rápida do Magalu e que diversos produtos do Magalu, como smartphones e TVs, complementarão o portfólio do KaBuM!.

Além disso, produtos financeiros do Magalu, como cartão de crédito e seguros, também serão oferecidos aos clientes do KaBuM!, segundo o comunicado.

“Com a aquisição, o Magalu reforça o pilar estratégico de novas categorias, com um sortimento extremamente
complementar ao atual e com enorme potencial de crescimento. Adicionalmente, em conjunto com as recentes
aquisições Jovem Nerd e CanalTech, o KaBuM! e o Magalu poderão oferecer uma experiência de compra, conteúdo e
entretenimento completa para os amantes de tecnologia”, escreveu a companhia.

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A aquisição ainda está sujeita à aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelos acionistas da companhia.

Na última quarta-feira (14), a ação do Magazine Luiza (MGLU3) fechou em alta de 1,96% na Bolsa brasileira, negociada a R$ 22,93.

Oferta de ações

O Magazine Luiza também anunciou nesta quinta que o conselho de administração da companhia aprovou a realização de oferta pública de distribuição primária (follow-on) de 150 milhões de ações ordinárias, com esforços restritos.

O montante total da oferta, com base no fechamento do último pregão, é de R$ 4,6 bilhões, considerando as ações adicionais.

Projeções de indicadores operacionais

Também em fato relevante divulgado nesta manhã, a companhia anunciou que a partir de hoje passará a divulgar projeções referentes a indicadores operacionais, como número de centros de distribuição (CDs), unidades de cross-docking (em que o produto não é estocado), área total de armazenagem e número de lojas.

Para 2021, a expectativa do Magalu é de 26 centros de distribuição, 199 unidades de cross-docking, 225 unidades logísticas, 1.440 lojas físicas e uma área total das lojas destinadas a armazenagem, além das áreas dos CDs e cross-docking de 1.180 mil metros quadrados.

A companhia também divulgou suas projeções para os próximos dois anos, conforme pode ser visto na imagem abaixo:

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Gol sai na frente com compra “modesta”, mas Azul ganha tempo para proposta por Latam: os caminhos para a consolidação do setor

aeroporto aviões aviação terminal aéreas covid (Getty Images)

SÃO PAULO – Desde o final do mês passado, as ações de aéreas, notoriamente Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4), bastante afetadas durante o período da pandemia, ganharam mais um catalisador: o noticiário de fusões e aquisições.

Na semana passada e no começo desta, mais desdobramentos sobre as aéreas ganharam destaque.

Apesar da Azul ter começado as especulações sobre uma consolidação no setor ao demonstrar interesse na aquisição das operações da Latam Brasil após o anúncio do fim de compartilhamento de voos entre as companhias, em 27 de maio, foi a Gol que saiu na frente ao anunciar uma aquisição na terça-feira da semana passada.

A Gol Linhas Aéreas comunicou a compra da MAP, companhia aérea controlada da Voepass com sede em Manaus.

Os termos da compra definiram pagamentos na ordem de R$ 28 milhões, nos quais R$ 25 milhões pagos em dinheiro para a Voepass e o restante via ações preferenciais da Gol (GOLL4), no volume de 100 mil ações a R$ 28 reais cada.

A MAP opera com uma frota total de sete aeronaves ATR, com foco nas regiões Sul, Sudeste e em Manaus.

Com a aquisição, a Gol, levou todos os 26 slots (horários de partida e chegada) da Voepass em Congonhas. Atualmente, a Gol atua com 234 slots no aeroporto. A Latam tem 236 slots e a Azul tem 41.

Essa é a terceira aquisição realizada pela Gol, tendo comprado em 2007 os ativos da antiga Varig e, em 2011, adquirido sua concorrente Webjet. Após a compra, a Gol reiterou que segue de olho em outras oportunidades, também em busca de consolidação, mas que não assumirá “dívidas impagáveis” para tanto.

Ainda que a valores modestos, a atenção fica para os ganhos estratégicos com a aquisição.

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Para os analistas Thais Cascello, Gabriel Rezende, Luiz Capistrano e Mateus Raffaelli, do Itaú BBA, o negócio com a MAP elevará e complementará a malha aérea da Gol. Essa aquisição trará ainda dois benefícios: i) elevar a oferta de assentos em rotas historicamente mal atendidas e ii) permitir tarifas mais adequadas, uma vez que a Gol deve manter sua estratégia de voar com apenas um tipo de aeronave. Portanto, substituirá os ATRs da MAP pelos seus Boeing 737: a aquisição da MAP não impôs nenhuma obrigação à Gol de manter os atuais aparelhos no ar.

Sobre possíveis, mais uma notícia que vai na linha da estratégia de fusões e aquisições: a Gol levantou R$ 423 milhões para elevar seu capital, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última segunda-feira. A companhia aérea disse que seus acionistas controladores participaram com um aporte de R$ 268 milhões, enquanto os acionistas minoritários contribuíram com o restante.

De acordo com a agência de classificação de risco Moody’s, o aumento de capital que foi anunciado pela aérea é positivo para o perfil de crédito da empresa, à medida que os recursos ajudam a restaurar a posição de caixa e apoiam o seu balanço para outras oportunidades de aquisições. Além disso, também ajudará a restaurar a posição em caixa da aérea após a incorporação da Smiles no fim do mês, que vai representar uma saída de R$ 744 milhões.

Com relação a aquisição da MAP pela Gol, analistas de mercado ainda destacam que a compra é menos complexa em relação a outras que estão no radar do setor, com destaque para as especulações sobre a intenção da compra da Latam Brasil pela Azul.

Vinícius Carvalho, ex-presidente da autoridade antitruste brasileira Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), afirmou em entrevistas recentes que acredita que há um alto risco de o órgão antitruste rejeitar uma eventual transação entre Latam e Azul devido à concentração do mercado. Ele acrescentou que este é um mercado naturalmente altamente concentrado, com altas barreiras à entrada.

Sobre isso, o Bradesco BBI apontou que, durante a pandemia de Covid-19, o Grupo Itapemirim fundou uma nova companhia aérea no Brasil apesar do fato do grupo ainda estar em recuperação judicial. Discordando de Carvalho, os analistas do banco destacaram que há  exemplos que mostram que as barreiras de entradas são baixas – e somente no caso de aeroportos restritos de Congonhas e Santos Dumont, o Cade pode exigir que Azul-Latam devolva alguns slots para estimular a concorrência.

Adiamento de plano de reestruturação: bom sinal para a Azul?

Apesar do cenário bastante nebuloso sobre uma venda da Latam Brasil para a Azul, uma notícia fez com que aumentasse a percepção de que a Azul ganhou tempo para fazer negociações e buscar a aquisição.

A Latam Airlines disse na última quarta-feira que busca estender até setembro o prazo para apresentar seu plano de reestruturação como parte do processo de recuperação judicial iniciado em 2020.

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Um juiz já havia ordenado que a empresa entregasse seu plano de reestruturação até o final de junho, e a companhia disse que espera encerrar o processo em 2021. “O pedido de extensão é uma alternativa comum contemplada no processo e não modifica a intenção do grupo Latam de sair da recuperação judicial até o final deste ano”, disse a empresa em um comunicado.

A Latam também disse no Chile que solicitou um segundo desembolso de US$ 500 milhões sob o Acordo de Crédito DIP (Devedor em Posse). A companhia aérea afirmou que os fundos adicionais são necessários dada “a extensão das restrições de saúde e mobilidade impostas pelas autoridades dos diferentes países em que a companhia opera, bem como a análise da projeção de liquidez da companhia”. A empresa também recebeu um empréstimo DIP de US$ 1,15 bilhão em outubro do ano passado.

De acordo com o Bradesco BBI, a notícia seria um indicativo positivo para uma operação entre a Azul e a Latam Airlines. Se esse período de exclusividade for estendido até 15 de setembro, ante de 30 de junho, credores e também a Azul terão tempo adicional para trabalhar em um plano que, na opinião dos analistas, pode culminar na venda das operações domésticas da Latam Brasil para a Azul.

“Também observamos que esta decisão de sacar US$ 500 milhões do financiamento do devedor em posse sugere que a operação ainda está queimando caixa e sua situação de liquidez de caixa continuará a se deteriorar nos próximos meses. Em abril de 2021, a Latam Airlines Group relatou uma queima de caixa mensal de US $ 126 milhões, com uma posição de liquidez de caixa de US$ 1,2 bilhão. Dito isso, com o passar do tempo, o poder de barganha favorecerá a Azul, uma vez que a posição de caixa da Latam provavelmente continuará caindo, mesmo assumindo pagamentos mínimos de arrendamento de aeronaves”, apontam os analistas do BBI.

De acordo com notícias do  jornal O Globo, a Azul pode fazer oferta pela Latam Brasil em tribunal de falências dos EUA, podendo propor um plano de reestruturação alternativo para adquirir a operação doméstica, enquanto os acionistas controladores da Latam seguem negando essa possibilidade. Ana Carolina Monteiro, do escritório Kincaid Mendes Viana, é cética em relação ao plano alternativo, pois a Azul tem acesso limitado às informações financeiras e precisaria pagar o financiamento DIP. Por outro lado, o advogado Thomas Felsberg é mais construtivo nesta operação de M&A se a Azul propor a amortização deste financiamento DIP como ponto de partida. O advogado Eduardo Gaban, do escritório Nishioka Gaban, acredita que o Cade rejeitará a fusão.

Antes do pedido da Latam de adiamento dos prazos, o BBI divulgou relatório no dia 7 de junho destacando que uma proposta da Azul para comprar a operação brasileira da Latam poderia ser feita em até 90 dias a partir da divulgação da análise do banco. Em relatório distribuído a clientes, os analistas Victor Mizusaki e Pedro Fontanta afirmaram que uma fusão entre as duas empresas é “muito provável”.

No relatório, o Bradesco BBI destacou que dois grandes credores da Latam podem ter interesse na venda, dado que eles também detêm participação na Azul e teriam um bom retorno se o negócio saísse. O Oaktree Capital Management (empresa americana especializada em investimento de risco), é acionista da Azul, e o Knighthead Capital (também americano) detém títulos convertíveis.

Apostando na fusão das companhias, o Bradesco BBI elevou a recomendação das ações da Azul e da Latam. Os papéis da Azul passaram a ser considerados com uma performance superior à da média do mercado e os da Latam com uma neutra (antes, estavam abaixo da média). O banco afirmou ainda que as ações da Azul devem chegar a R$ 75 no ano que vem – uma alta de 59% na comparação com o preço atual – e os da Latam a US$ 3 (alta de 4,9%).

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Ainda segundo o documento do Bradesco BBI, para evitar que o Cade barre o negócio, a Azul pode não incluir a operação internacional da Latam no acordo e abrir mão de alguns horários de pouso e decolagem (slots, no jargão do setor) nos aeroportos de Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio de Janeiro).

Enquanto os analistas do BBI estão otimistas com a operação Azul-Latam, os analistas do Morgan Stanley seguem enxergando grandes dificuldades para que a operação entre as companhias aconteça, vendo grandes obstáculos para a união das operações, ao apontarem que a administração da Latam já foi bastante incisiva ao dizer que não está interessada em vender sua operação no Brasil para a Azul.

O Morgan possui recomendação underweight (ou exposição abaixo da média do mercado) para os ADRs (recibo de ações negociados nos EUA) das aéreas Gol e Azul, além das ações da Latam negociadas nos EUA. O preço-alvo para os ativos da Azul é de US$ 17, um valor 38% maior em relação ao fechamento da véspera enquanto que, para a Gol, o target é de US$ 6,60, ou queda de 34%. Para a Latam, o preço-alvo é de US$ 3,50, ainda representando uma alta de 25% em relação ao fechamento de segunda-feira (14).

O BBI, por sua vez, possui recomendação neutra para as ações da Gol, com preço-alvo de R$ 24 por ativo (queda de 5% frente o fechamento da véspera), assim como o Itaú BBA, que acredita que as perspectivas para o futuro permanecem incertas, o que eleva a cautela quanto ao nome. “A Gol vem gradualmente reconstruindo sua rede após o severo impacto da crise da Covid-19 no tráfego aéreo em 2020. Os ventos contrários de curto prazo da segunda onda da pandemia impedem uma perspectiva mais construtiva para o primeiro semestre de 2021, mas o nosso cenário base ainda é de um segundo semestre mais positivo”, aponta o BBA, que possui preço-alvo de R$ 24,50 para os ativos GOLL4 (ou queda de cerca de 3%).

Os analistas projetam que oferta de voos no mercado doméstico (calculada em assentos/quilômetros ofertados, ASK) só retornará aos níveis de 2019 em 2022, seguido por adição gradual de capacidade depois disso. “Esperamos que a indústria permaneça racional, com todos os participantes buscando recuperar rentabilidade após os desafios de 2020 e primeira metade de 2021 e um panorama ainda incerto. No entanto, é importante monitorar a capacidade dos recém-chegados, a adição de capacidade dos jogadores atuais e sinais de uma dinâmica de preços agressivos. Tendo em vista que a recuperação do segmento de negócios permanece um ponto de interrogação, a Gol terá que continuar a otimizar os  viajantes de lazer, que não foram capazes de compensar totalmente a queda no tráfego no segmento corporativo
até agora – uma tendência que provavelmente continuará”, apontam.

Do lado positivo, a estratégia de frota única da empresa (em constante busca por utilização de aeronaves maiores), plano de transformação da frota atual e controle rígido de custos e de despesas continuarão a ser os principais catalisadores para um custo por assento oferecido (CASK) mais baixo entre os pares e levando a uma recuperação de lucratividade. Quanto ao seu endividamento, a Gol adotou diversas medidas para preservar o caixa e fortalecer a liquidez, que serão vitais para enfrentar a crise. Por outro lado, alguns desembolsos ocorrerão à medida que as operações se recuperarem junto com a melhora da demanda, apesar de alguns ganhos de eficiência contínuos.

Assim, apesar da alta recente dos papéis – no acumulado dos últimos 365 pregões, AZUL4 sobe 109% , enquanto GOLL4 avança 29% – também levando em conta as perspectivas mais positivas para a economia com a aceleração do ritmo de vacinação no país, a maior parte dos analistas segue cautelosa com o setor.

De acordo com compilação da Refinitiv com recomendações de casas de análise, duas casas de análise possuem recomendação de compra para Gol, sete possuem recomendação neutra e duas têm venda, com preço-alvo médio de R$ 24,35, ou um valor 3,5% menor frente o fechamento de terça-feira. Para a Azul, há três recomendações de compra, seis de manutenção e duas de venda, com preço-alvo médio de R$ 37,88 para AZUL4, ou queda de 18% frente as cotações atuais. Para a Latam Airlines, negociada no mercado de balcão nos EUA, duas recomendações são neutras e duas são de venda, com preço-alvo de US$ 2,18, ou queda de 22% em relação ao fechamento da véspera.

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Cade aprova compra de térmicas do Polo Camaçari da Petrobras pela SFE

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a venda de três usinas termelétricas da Petrobras (PETR3;PETR4) localizadas no Polo Camaçari para a São Francisco Energia (SFE), subsidiária da Global Participações em Energia. A decisão está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira, 10.

A operação abrange ativos, direitos e licenças que compõem as térmicas Arembepe, Bahia 1 e Muricy, situadas no município de Camaçari, no Estado da Bahia. O contrato, no valor de R$ 95 milhões, foi anunciado em maio pelas empresas.

Juntas, as usinas do Polo Camaçari têm potência total instalada de 329 MW. Elas operam com óleo combustível e têm contratos de comercialização de energia no ambiente regulado com vigência até dezembro de 2023, no caso das UTEs Arembepe e Muricy, e até dezembro de 2025 para a UTE Bahia 1.

Conforme disseram as empresas ao Cade, para a SFE, “a operação representa uma boa oportunidade de expandir a sua atuação no setor de geração de energia elétrica, especialmente na modalidade termelétrica. Para a Petrobras, a operação está alinhada à estratégia de otimização do portfólio e à melhora de alocação do capital da companhia, visando à maximização de valor para os seus acionistas”.

Além do Cade, a transação também está sujeita à aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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Petrobras tem aprovação do Cade para venda da refinaria RLAM ao grupo Mubadala

Petrobras (Foto: Mario Tama/Getty Images)

SÃO PAULO (Reuters) – A Petrobras (PETR3;PETR4) teve aval do órgão brasileiro de defesa da concorrência para a operação de venda de sua refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, ao Mubadala Investment Company, fundo soberano do governo de Abu Dhabi.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a transação sem restrições, segundo publicação no Diário Oficial da União desta quarta-feira.

A Petrobras anunciou no final de março que fechou negócio de 1,65 bilhão de dólares junto ao Mubadala pela RLAM, a primeira de oito refinarias colocadas no mercado pela estatal a ter seu contrato de venda assinado.

A operação chegou a ser questionada no Tribunal de Contas da União (TCU) por acusações de que a operação teria sido fechada por valores abaixo de mercado, mas o tribunal julgou improcedente uma denúncia nesse sentido.

Em parece, o Cade destacou que o grupo Mubadala não atua no setor de refino no Brasil, o que faz que a transação possa ser vista como pró-competição, “por gerar desconcentração no setor de produtos derivados de petróleo”.

O órgão lembrou ainda que a negociação da refinaria atendeu um termo (TCC) selado entre Cade e Petrobras mirando diminuição da posição dominante da estatal no setor de refino.

Por esse acordo, a Petrobras tem prazo até o final do ano para concluir os desinvestimentos anunciados no setor de refino.

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O que explica a disparada das ações de Localiza e Unidas na quinta, mesmo após a avaliação do Cade sobre a fusão?

SÃO PAULO – Na última quinta-feira (20), um movimento na Bolsa intrigou muitos investidores. Unidas (LCAM3, R$ 26,29, +5,12%) e Localiza (RENT3, R$ 62,47, +4,53%) se destacaram entre as maiores altas do Ibovespa mesmo após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) enxergar concentração excessiva na fusão das empresas o que, a princípio, poderia evidenciar mais desafios para a união das locadoras de automóveis.

A Superintendência-Geral do órgão antitruste avaliou que a união das companhias necessita de análise mais aprofundada pelo conselho. De acordo com despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU), a superintendência declarou o negócio “complexo”, o que significa que a operação irá para análise do tribunal do Cade, composto por seis conselheiros e o presidente (veja mais clicando aqui).

A avaliação corrente que surgiu na véspera foi de que, apesar do órgão decidir aprofundar a análise da fusão das empresas, houve certo alívio a receios no mercado de que ele recomendasse de primeira a não aprovação do acordo.

Contudo, vale destacar que, fora do índice, a rival Movida (MOVI3, R$ 17,78, +7,24%) também subiu forte.

Pedro Bruno e Lucas Laghi, analistas da XP apontaram em relatório que, embora reconheçam a importância do resultado da fusão para o setor, não veem uma ligação entre a alta dos ativos na data de ontem e a avaliação do Cade.

Para eles, o que pode explicar o desempenho das ações é a forte correlação inversa entre as ações de locadoras de automóveis e as taxas de juros de longo prazo (taxa americana de 10 anos, no caso). Na véspera, houve recuo dos rendimentos das taxas futuras dos títulos do governo norte-americano (treasuries), com o vencimento de 10 anos na última sessão ficando em 1,62%, após se aproximar de 1,70% na quarta-feira.

Bruno e Laghi ressaltam que o valuation de locadoras de automóveis é altamente correlacionado com as taxas de juros de longo prazo, uma vez que as companhias do setor possuem um perfil de fluxo de caixa de duration [tempo médio em que se recebe os pagamentos de um investimento] alto.

Assim, maior parte de seu valor patrimonial está na perpetuidade, uma vez que é um setor que combina alta intensidade de capital com forte crescimento no médio prazo.

Portanto, taxas de juros de longo prazo menores, causam valorizações significativamente maiores, e vice-versa. A volatilidade das ações do setor, eles apontam, aumentou desde que o mercado levantou preocupações com a inflação nos EUA, em meio a programas trilionários de governo, uma vez que mexeram substancialmente com o movimento dos juros nos EUA.

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Já sobre a avaliação do Cade em relação à fusão de Localiza e Unidas, os analistas a veem como neutra, uma vez que as duas implicações práticas já eram de certa forma esperadas.

São elas: (i) o processo sendo caracterizado como “complexo” permite que o conselho prorrogue sua decisão final por 90 dias. Assim, dos 240 dias previamente definidos para sua visão final sobre o caso, encerrados em 6 de outubro, o órgão pode estender a decisão final para 6 de janeiro de 2022; e (ii) o conselho confirmou que será necessária uma análise mais aprofundada para avaliar a proposta, tendo em vista as preocupações levantadas por terceiros-interessados que impetraram contra a fusão (Movida e Fleetzil, por exemplo).

Assim, os analistas reiteraram a visão positiva para o setor e também a visão de que a fusão entre Localiza e Unidas ainda não está precificada pelo mercado.

A recomendação da XP para as ações de Unidas, Localiza e Movida é de compra. A Localiza é a preferida do setor para a XP, com preço-alvo de R$ 76, alta de 21,66% em relação ao fechamento de quinta-feira; o preço-alvo de LCAM3 é de R$ 34, valor 29,33% frente o fechamento da véspera. Já para a Movida, o target é de R$ 23, ou potencial de alta de 29,36% frente o último fechamento.

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Superintendência do Cade vê concentração elevada em fusão Localiza-Unidas

Locamerica Unidas locadora de carros (divulgação)

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) avaliou que a compra da Unidas (LCAM3) pela Localiza (RENT3) resulta em concentração elevada de mercado e necessita de análise mais aprofundada pelo conselho. De acordo com despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU), a superintendência declarou o negócio “complexo”, o que significa que a operação irá para análise do tribunal do Cade, composto por seis conselheiros e o presidente.

Em setembro de 2020, logo após o anúncio do negócio, o Broadcast (sistema de notícias em tempo real Grupo Estado) antecipou que a operação poderia enfrentar problemas no Cade.

A Superintendência-Geral é a responsável pela análise inicial de todas as fusões e aquisições apresentadas ao Cade. Quando entende que o negócio não apresenta risco concorrencial, a própria superintendência pode aprovar a operação, sem submetê-la ao tribunal. Quando há suspeita de concentração de mercado elevada, como na fusão das locadoras de automóveis, a superintendência envia a operação para a análise do tribunal, que dará a palavra final.

Em nota técnica sobre o negócio, a superintendência afirma que a análise até o momento aponta que a operação “resulta em concentrações elevadas nos mercados de aluguel de veículos, tanto sob a ótica nacional como na maioria dos municípios e aeroportos em que ambas as empresas atuam, e de gestão de frotas no âmbito nacional”. A superintendência destacou que se trata da líder de mercado (Localiza) adquirindo a vice-líder (Unidas) e que a operação leva a uma concentração de mercado entre 60% e 70%.

De acordo com a nota, concorrentes consultados levantaram preocupações sobre questões como possível aumento do poder de barganha na aquisição de veículos novos pela Localiza e Unidas e baixa probabilidade de entrada de novos competidores no mercado de locação de veículos e gestão de frotas.

“Diante dos pontos de atenção mencionados, esta SG reputa ser necessário realizar novas diligências, de forma a aprofundar a análise do caso, bem como entender se tais preocupações causam efetivamente prejuízo à concorrência ou se algumas delas podem ser consideradas eficiências”, completou.

Fundada pelo ex-secretário de Desestatizações do Ministério da Economia, Salim Mattar, a Localiza anunciou a fusão com a Unidas em setembro do ano passado, o que criaria uma empresa com valor de mercado consolidado de R$ 48 bilhões.

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Ultrapar assina venda da Extrafarma para Pague Menos por valor total de R$ 700 mi; para qual delas o negócio é melhor?

SÃO PAULO – Seguindo a intensa agenda de fusões e aquisições nos últimos meses entre empresas da Bolsa, nesta terça-feira (18) de manhã os investidores receberam a notícia da Reuters de que a Pague Menos (PGMN3) teria comprado a Extrafarma, do conglomerado Ultrapar (UGPA3), por R$ 600 milhões mais dívida e caixa, que totalizaram assim R$ 700 milhões.

A notícia oficial da transação, contudo, aconteceu depois do fechamento do mercado, após as companhias terem confirmado durante a manhã desta terça-feira (18) apenas que estavam em negociação, mas sem os termos do acordo.

Já depois do fechamento do mercado, além da confirmação do negócio, mais detalhes foram dados. A Ultrapar confirmou que assinou o contrato por um valor total da venda (EV – enterprise value) de R$ 700 milhões, sujeito a ajustes em razão principalmente das variações de capital de giro e da posição da dívida líquida da Extrafarma na data de fechamento da transação.

A companhia destacou que está em processo de revisão de seu portfólio de negócios, buscando maior complementariedade e sinergias, com investimentos centrados nas oportunidades existentes na cadeia downstream de óleo e gás no Brasil, na qual possui forte escala operacional e conta com vantagens competitivas estruturais, permitindo maior eficiência e potencial de geração de valor. O foco da gestão e a redução da alavancagem são benefícios adicionais da transação para a Ultrapar, apontou.

Já a Pague Menos destacou que a combinação com a Extrafarma acelerará seu plano de expansão, ampliará sua presença nas regiões Norte e Nordeste.

Desta forma, a transação, enquanto beneficia o grupo Ultra por fazer com que ele volte a seus negócios principais, torna a rede de farmácias Pague Menos a segunda maior do país em um setor ainda altamente pulverizado, ficando atrás apenas da RD (RADL3).

Com os números da transação agora confirmados, a avaliação é de que, mesmo sendo uma relação ganha-ganha, a Pague Menos se beneficia mais, pagando relativamente barato pelas lojas da Extrafarma. Cabe ressaltar que, como referência, a Ultrapar pagou R$ 1 bilhão pela rede farmácias em novembro de 2013.

O ânimo com a transação foi visto observando o desempenho de ambas as ações na B3 na sessão desta terça-feira: enquanto PGMN3 disparou em boa parte da sessão e fechou com alta de 9,59% (a R$ 11,77), chegando a saltar 14,5% na máxima do dia, os ganhos de UGPA3 se concentraram durante a manhã, com alta de cerca de 2% na máxima do dia, para depois chegarem a cair 2% na mínima e fechando em baixa de 1,18%, a R$ 20,16.

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Atualmente a terceira maior cadeia de farmácias, a Pague Menos pode elevar em mais de um terço o número de lojas da Pague Menos, a 1.503 unidades, reforçando a sua presença principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, de acordo com uma das fontes. A Extrafarma possui 402 lojas.

O pagamento da transação será em três parcelas: 50% na data de fechamento e 25% em cada aniversário de um e dois anos do fechamento, com fiança prestada por acionista como garantia para as duas últimas parcelas.

A consumação da transação está sujeita a determinadas condições usuais em negócios desta natureza, incluindo aprovação pelas autoridades concorrenciais brasileiras (Cade) e pela assembleia geral de acionistas da Pague Menos, a ser oportunamente convocada pela empresa compradora, já referendada por seu acionista controlador.

Será concedido, ainda, direito de preferência aos acionistas da Ultrapar que desejarem adquirir ações da Extrafarma, na proporção das respectivas participações no capital social da Ultrapar e pelo mesmo preço por ação a ser pago pela Pague Menos.

Os acionistas da Ultrapar que exercerem tal direito passarão a ser acionistas diretamente da Extrafarma, companhia de capital fechado e sem liquidez. A Ultrapar informou que convocará brevemente uma assembleia geral de acionistas na qual será formalizado o oferecimento do referido direito de preferência, com o detalhamento do procedimento para o seu eventual exercício.

A expectativa é de que o negócio crie sinergias entre R$ 150 milhões e R$ 250 milhões nos próximos três anos para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Pague Menos, principalmente pelo potencial aumento de vendas da Extrafarma, segundo uma das fontes ouvidas pela agência.

Vantagens para a Pague Menos

O Bradesco BBI aponta que o valor total de R$ 700 milhões, considerando dívida e caixa (EV), ficaria abaixo da avaliação dos analistas de R$ 1 bilhão. O valuation da transação ficou em 5 vezes o EV sobre Ebitda, o que os analistas consideram barato, especialmente dadas as sinergias esperadas com as fusões e aquisições para a Pague Menos.

Em relatório, a XP destaca que a transação seria positiva para a Pague Menos levando três pontos em consideração. Em primeiro lugar, fortaleceria o posicionamento da companhia  em seu público alvo, uma vez que a Extrafarma foca nas regiões Norte/Nordeste e na classe média expandida, assim como a Pague Menos.

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Ela também protegeria a companhia de um potencial competidor entrando no seu mercado e prejudicando seus resultados.

Os analistas Danniela Eiger, Thiago Suedt e Gustavo Senday, da XP, também apontam o valuation atrativo, com o múltiplo da potencial aquisição abaixo da Pague Menos (em 14,4 vezes a relação entre o valor da empresa e o Ebitda esperado para 2021) e com o valor pago por loja em R$ 1,5 milhão, versus R$ 4,3 milhões para Pague Menos, R$ 19,1 milhões para RD e de R$ 2,4 milhões para d1000 (DMVF3).

Além disso, haveria muito espaço para captura de sinergias, uma vez que a Extrafarma tem enfrentado dificuldades em realizar sua reestruturação, apesar de ter apresentado uma melhora gradual recente. “Nós vemos a Pague Menos como muito melhor posicionada para liderar essa reestruturação (em relação à Ultrapar) dada a sua experiência no setor, público alvo e regiões Norte e Nordeste. Além disso, a companhia conta com diversos executivos experientes que já estiveram envolvidos em transações de fusões e aquisições no setor.

O Bradesco BBI também destaca que, em termos financeiros, a aquisição da Pague Menos parece interessante em cerca do valor de R$ 1,5 milhão por loja, ainda mais sabendo que o valor para a abertura de uma nova loja varia de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.

Contudo, os analistas do BBI apontam que, levando em consideração que as duas têm alta exposição ao Nordeste, espera-se um reequilíbrio do posicionamento das duas marcas, o que pode significar o fechamento de lojas para não haver canibalização entre as marcas.

A XP ainda aponta que há o “risco Cade” (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), dado que as duas companhias possuem uma forte sobreposição das suas operações. O Cade poderia recomendar alguns remédios regionais, apesar dos analistas acreditarem que ele não vetaria a operação dado que as duas companhias somadas ainda ficariam atrás da RD.

Outros dois riscos são apontados pelos analistas. O primeiro é de execução, uma vez que a Extrafarma está passando por um processo de reestruturação há bastante tempo. “Entretanto, a empresa tem apresentado melhora em alguns indicadores, enquanto acreditamos que a experiência da Pague Menos poderia acelerar esse processo. Ainda, dado que a Pague Menos vem entregando a sua própria reestruturação de uma forma bem sucedida, ela já teria uma diretriz a ser seguida”, avaliam Danniela, Suedt e Senday.

O segundo risco seria relacionado ao anterior, de perda de foco na própria reestruturação da Pague Menos, dado que o processo da Extrafarma tomaria tempo e foco para ser entregue. “Porém, esse risco poderia ser mitigado pelo fato de que os dois ativos possuem o mesmo posicionamento e estratégia e, portanto, as iniciativas seriam apenas extrapoladas para a Extrafarma”, avaliam.

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Ao realizarem uma análise de sensibilidade para entender melhor o valor que poderia ser destravado com a potencial transação, os analistas da XP avaliam que ela pode adicionar até R$ 3,50 por ação, assumindo que a companhia capture o topo da estimativa de sinergias. A recomendação atual da XP é de compra para os ativos PGMN3, com preço-alvo de R$ 13 por papel.

Destacando que a Extrafarma busca um “turnaround” de suas ações já faz algum tempo, enquanto a Pague Menos tem tido sucesso em sua própria história de reviravolta para uma empresa semelhante localizada em regiões semelhantes, o Itaú BBA reforça que a Pague Menos pode ter as ferramentas certas para ajudar a Extrafarma em seu caminho de recuperação.

Além disso, a conclusão deste negócio acelera o plano de abertura de lojas da empresa (consolidando 1.507 lojas em 2021 – o que seria alcançado apenas em 2024 de acordo com as estimativas oficiais).

“O negócio parece ser extremamente positivo para a história de investimento da Pague Menos”, destacou o Itaú BBA antes do anúncio da operação, seguindo com recomendação outperform para PGMN3 e o preço-alvo em R$ 13 por ação”, destacam os analistas.

Valuation em questão 

Já no caso da Ultrapar, o Itaú BBA aponta que a venda da Extrafarma é uma notícia positiva por se tratar de uma primeira etapa na redefinição do portfólio do grupo, mas não traz ganhos materiais para o conglomerado em termos de valuation.

A Extrafarma, no contexto da Ultrapar, sempre foi considerada uma “distração” porque a divisão nunca realmente atendeu às expectativas e foi um grande desvio da atividade principal da empresa de distribuição de combustível e gás e fabricante petroquímica. Assim, a venda eliminaria essa distração e marcaria o primeiro movimento efetivo de redefinição do novo portfólio da Ultrapar.

Olhando para o valor do negócio, por outro lado, não traz ganhos, uma vez que os analistas do BBA calculam o valor de mercado de R$ 711 milhões no modelo (caso a transação seja confirmada). Além disso, de uma perspectiva de redução de alavancagem, o impacto também seria imaterial, dado o tamanho da transação e o fato de que os pagamentos serão feitos em parcelas.

Assim, com os valores agora confirmados, a aquisição da Extrafarma é vista como um ótimo negócio para a Pague Menos, mas não tão positiva (apesar de também ser boa) para a Ultrapar.

Ajuste no radar? 

Na contramão, contudo, Gustavo Cruz, estrategista chefe da RB Investimentos, afirma que após a forte alta nesta terça-feira, as ações da Pague Menos podem sofrer um ajuste. Já as ações da Ultrapar, que fecharam em queda, podem apresentar tendência oposta.

“Me surpreende o upside gigante da Pague Menos, porque a Extrafarma não estava trazendo valor nos últimos anos. Ela estava tentando seguir o movimento de abrir uma farmácia em cada esquina, que a RD fez e outros tentaram fazer parecido, mas viram que precisava de algo mais além de ficar só abrindo loja sem lógica”, diz.

Portanto, o estrategista acredita que depois que os investidores digerirem mais a notícia e a euforia com a fusão passar, as ações podem ter um ajuste. Já a Ultrapar pode subir depois que a decepção com a venda da Extrafarma sem prêmio passar e o mercado assimilar que o portfólio da empresa fica mais direcionado.

(com Reuters)

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Cade aprova cessão onerosa de rede entre Telefônica Brasil e Claro

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições operação de cessão onerosa de rede entre Telefônica Brasil (VIVT3) e Claro, conforme despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 18.

Parecer do órgão explica que a o operação consiste em um contrato de RAN sharing com cessão unilateral, envolvendo 81 Estações Rádio Base (ERB) ou sites, no qual a Telefônica compartilhará sua rede de acesso e espectro de radiofrequência à Claro por meio de contraprestação financeira.

As empresas argumentaram ao Cade que esse compartilhamento unilateral não configura qualquer divisão de riscos nem de resultados, “tratando-se apenas de fornecimento, pela Telefônica, do acesso à rede por meio de contrato que prevê remuneração”.

Com isso, segundo as companhias, cada empresa continuará responsável, individualmente, por seus custos, estrutura organizacional e tomada de decisão.

Elas reforçam que “a operação não representa qualquer transferência de ativos entre as requerentes, não alterando a independência da Claro e da Telefônica na prestação de serviços de SMP e não impactando as suas estratégias comerciais”.

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