Arezzo compra marca MyShoes e faz parceria com Mercado Livre para ampliar venda de produtos

SÃO PAULO – A Arezzo (ARZZ3) informou nesta quarta-feira (14) que adquiriu a marca MyShoes, voltada para o comércio de calçados e bolsas femininos e que estava inativa nos últimos três anos. O valor da transação não foi informado.

De acordo com a empresa, a aquisição permite a entrada da companhia em um segmento mais acessível de produtos, voltados aos públicos das classes B- e C+, que representam cerca de 44% do mercado consumidor nacional.

Além disso, destacou a companhia, a MyShoes possui forte lembrança de marca no mercado da moda, bem como centenas de milhares de seguidores fiéis em suas redes sociais, destaca a Arezzo.

“A iniciativa é resultante de uma série de estudos e pesquisas realizados com consumidoras e lojistas nos últimos 24 meses, que evidenciaram a carência do mercado por um marca democrática e com informação de moda”, escreveu a companhia, em comunicado ao mercado.

A Arezzo também informou que celebrou acordo comercial com o Mercado Livre, estabelecendo uma parceria de longo prazo para anúncio, comercialização e distribuição, pela empresa, dos produtos da categoria de calçados femininos e acessórios da marca MyShoes.

O acordo comercial também prevê, segundo o comunicado, a utilização dos serviços de Mercado Shops para a criação de loja online exclusiva da marca recém-adquirida.

“A aquisição da marca MyShoes e a parceria com o Mercado Livre estão de acordo com a estratégia de complementar os negócios da Arezzo&Co no setor de moda, varejo e vestuário, ampliando seu mercado endereçável, sua oferta de produtos e seu o portfólio de marcas, buscando consolidar a companhia como uma house of brands“, escreveu a Arezzo, em comunicado.

Na avaliação do Itaú BBA, a compra da MyShoes é positiva e está em linha com a estratégia da companhia de ampliar seu mercado endereçável e criar novas formas de crescimento. Outra surpresa positiva, segundo os analistas, foi o anúncio da parceria com o Mercado Livre e a proximidade da Arezzo com a companhia.

“Mas é importante destacar que a aquisição ainda é pequena e não afetará significativamente as finanças da empresa no curto prazo”, reforça o time de análise.

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Ação da Alpargatas, dona da Havaianas, fecha com salto de 14% após resultado forte e aquisição

SÃO PAULO – A fabricante de calçados Alpargatas (ALPA4) divulgou fortes resultados no primeiro trimestre de 2021, o que não passou batido pelos investidores. As ações da companhia dispararam 13,77%, a R$ 45,19, na sessão desta terça-feira (4) pós resultado.

O lucro líquido recorrente da empresa atingiu R$ 135 milhões, valor 73,5% superior ao do mesmo período do ano passado. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da Alpargatas foi de R$ 175 milhões, mostrando uma forte recuperação depois da companhia ter reportado um Ebitda negativo de R$ 1,3 milhão no primeiro trimestre de 2020.

A receita líquida por sua vez, foi de R$ 901,3 milhões, um dado 32,7% maior que o dos primeiros três meses do ano passado.

Richard Cathcart, João Andrade e Victor Gaspar, analistas do Bradesco BBI, escrevem em relatório que foi positivo o aumento de 18% na comparação anual do volume de vendas, uma vez que isso impulsionou em 33% a receita líquida também na base anual, tornando o faturamento 4% maior do que esperava o banco.

A margem Ebitda, obtida por meio da divisão do Ebitda pela receita líquida, também foi um ponto apontado como forte pela equipe do BBI, expandindo-se em quase 6 pontos percentuais e ficando 1 ponto percentual acima do esperado, em 19,5%.

Na parte de negócios internacionais, a equipe do banco viu com surpresa o volume de vendas, que atingiu seu maior nível para um primeiro trimestre desde 2017, o que demonstra uma recuperação robusta dos impactos do coronavírus em 2020.

Houve um crescimento de 34% no volume, valor 20 pontos percentuais acima do que previa o Bradesco para o período.

“No geral, vemos isso como um forte resultado que mostra o progresso em várias áreas-chave, como mix de preços no Brasil, crescimento de volume na Internacional e expansão da margem Ebitda. A estratégia da administração está, portanto, dando frutos”, avaliam os analistas do Bradesco BBI.

De acordo com os analistas também há uma sensação de ímpeto crescente em toda a empresa e a força do resultado internacional deve dar aos investidores uma confiança cada vez maior de que a Alpargatas está finalmente começando a perceber todo o potencial da marca Havaianas fora do Brasil.

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Os analistas do BBI possuem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 46, o que passa a configurar uma alta de apenas 1,79% levando em conta o forte desempenho dos papéis na sessão desta terça-feira. De acordo com compilação da Refinitiv com casas de análise, das quatro que cobrem o papel, três possuem recomendação de compra, enquanto apenas uma tem recomendação neutra no ativo.

Aquisição

Fora o resultado, a companhia anunciou ontem (3) que firmou um memorando de entendimentos para aquisição de 100% do capital social da Ioasys, empresa de software e sistemas de gestão.

O valor atribuído ao ativo é de até R$ 200 milhões, com pagamento ao longo de cinco anos, que será pago parte em dinheiro e parte em ações da Alpargatas.

Em teleconferência, Roberto Funari, presidente da Alpargatas, destacou que a aquisição da Ioasys, tem como principal objetivo dinamizar o potencial de crescimento da marca Havaianas.

A Ioasys seguirá sendo uma empresa independente e atendendo clientes. Funari destaca que já há  uma equipe dedicada à estratégia de Havaianas e que os primeiros resultados devem ser entregues já no segundo trimestre de 2021, tendo três pilares de trabalho: internacional, aceleração de vendas on-line e expansão do portfólio.

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Vulcabras, Alpargatas e Grendene: o que os acordos recentes indicam sobre o setor de calçados na B3

Mizuno (Foto: Reuters)

SÃO PAULO – A Vulcabras (VULC3) anunciou ontem que licenciou por três anos a marca Azaleia para a Grendene (GRND3), movimento que vem dias depois da fabricante dos tênis Olympikus adquirir a Mizuno da Alpargatas (ALPA4) por R$ 32,5 milhões.

Com a combinação das duas operações, a Vulcabras agora foca em tênis esportivos e deixa de lado os negócios de calçados femininos. Para a equipe de análise da Levante Ideias de Investimentos, a troca é positiva, pois a Azaleia trazia um faturamento de R$ 100 milhões anuais para a Vulcabras, enquanto a Mizuno possui uma receita anual de R$ 450 milhões.

Para os analistas da Levante, com esses acordos, as três principais representantes do setor saem ganhando em termos de operação e de sinergia, agora sem a concorrência direta pelo mercado, com segmentações bem definidas. “A Alpargatas poderá focar seus esforços em sua expertise e na expansão internacional da marca Havaianas, seu principal ativo. A Grendene por sua vez, aumenta o foco em calçados voltados ao público feminino, complementando o portfólio de de marcas como Melissa, Ipanema e Grendha”.

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Já a Vulcabras passaria a ter melhor eficiência na operação com o foco em calçados esportivos. Os métodos de fabricação, uso comum de maquinários e insumos similares mostrariam sinergia perfeita entre Olympikus e Mizuno. Além de que a compra da marca permitiria à empresa atingir todas as faixas de renda no segmento, pois Mizuno é um tênis mais premium.

“Enxergamos um impacto levemente positivo no curto prazo para as ações da Vulcabras e Grendene com a operação”, avaliam os analistas da Levante.

Bruce Barbosa, analista da Nord Research, avalia que, a longo prazo, faz muito sentido para a Vulcabras incorporar a Mizuno. “Libera espaço na fábrica e ganha mais mercado em algo em que o know how deles é forte”, diz.

Barbosa conta que está otimista com as ações da Vulcabras após a operação, uma vez que apesar da forte queda registrada pelos papéis durante a pandemia, o futuro não parece assim tão ruim para a companhia.

“Com a compra da Mizuno ela ganha mais faturamento e expande a penetração, ao mesmo tempo em que se fortalece por conta do dólar mais alto, que reduz a competitividade dos calçados importados.”

O analista da Nord lembra que alguns tênis de concorrentes como a Nike já saíram dos R$ 500 para os R$ 700 nesses tempos de depreciação do real, o que aumenta a competitividade do Olympikus na faixa mais popular e do Mizuno no segmento de calçados ideais para corrida.

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“Nosso salário não subiu com o dólar, muito menos o [Produto Interno Bruto] PIB, então muitos consumidores de Nike devem procurar tênis mais baratos”, explica.

Para o futuro, o grande desafio da Vulcabras é conseguir superar o impacto da pandemia de coronavírus, que teve como consequência um desaquecimento no mercado de calçados, potencializado pela falta de foco no e-commerce da empresa.

O lado bom é que Barbosa lembra que dificilmente teremos outro 2020. “A economia vai melhorar em 2021, até porque o espaço para piorar é bem curto”, conclui.

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