JBS compra Vivera e estreia produção de carne vegetal na Europa

Tela de computador com o site da JBS (Shutterstock)

(Bloomberg) — A JBS (JBSS3), maior produtora de carne do mundo, assinou proposta vinculante para adquirir a produtora holandesa de alimentos vegetais Vivera BV, abrindo caminho para ser um player global significativo neste segmento.

A gigante de proteína animal vai pagar 341 milhões de euros pela Vivera, cujos ativos incluem 3 unidades de produção e um centro de pesquisa na Holanda. A Vivera possui um portfólio de 50 produtos e vende para 25 países europeus.

Com a aquisição, cuja conclusão ainda depende de aprovação dos órgãos reguladores, a JBS vai estrear na produção própria de carne vegetal na Europa.

“Essa aquisição agrega muito valor estratégico para a JBS, pois a Vivera é a terceira produtora de alimentos de base vegetal da Europa”, disse o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, à Bloomberg”, disse o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, à Bloomberg.

A receita da indústria global de carne vegetal, ovos e alternativas lácteas deve chegar a US$ 290 bilhões até 2035, ou 11% do mercado de proteína animal, de acordo com o Boston Consulting Group.

A JBS, assim como a rival americana Tyson Foods Inc., entrou no mercado de carnes vegetais em 2019. A empresa já tem um tamanho considerável, com cerca de 57% do mercado de hambúrguer de base vegetal no Brasil. Na Europa, sua subsidiária Moy Park fornece hambúrgueres de frango vegetais. Também possui 10 produtos à base de plantas em mais de 3.000 lojas nos EUA sob a marca OZO, onde as vendas aumentaram 300% no ano passado.

“O negócio com a Vivera fortalece a posição da JBS no segmento de carnes alternativas, abrindo caminho para nossos planos de ser um grande player”, disse Tomazoni.

No início deste ano, o executivo afirmou que estava considerando a criação de uma nova empresa global focada exclusivamente em produtos à base de plantas. A empresa disse que tem um grande apetite por crescimento depois de registrar um fluxo de caixa recorde no ano passado.

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Unilever mira US$ 1 bilhão em vendas de proteínas alternativas

A Unilever quer quintuplicar as vendas de carne e laticínios à base de plantas para atender à crescente demanda por alimentos mais saudáveis e ecologicamente corretos.

A gigante de alimentos tem como meta 1 bilhão de euros (US$ 1,2 bilhão) em vendas de proteínas alternativas nos próximos cinco a sete anos por meio de sua marca de carne vegetal Vegetarian Butcher e versões veganas dos principais produtos, como maionese Hellmann’s e sorvete Magnum.

A empresa também quer reduzir o desperdício de alimentos pela metade em um prazo mais curto do que o planejado anteriormente e dobrar o número de produtos nutritivos até 2025.

“Em um ano de Covid, muitas pessoas estão mais conscientes sobre a saúde”, disse Hanneke Faber, presidente de alimentos e bebidas da Unilever. Produtos vegetais se posicionam “entre a minha própria saúde e a saúde do planeta. É algo que consumidores estão cientes e desejam”, afirmou a executiva em entrevista.

A demanda por proteínas alternativas cresceu rapidamente nos últimos anos. A mudança climática e preocupações com a saúde aumentaram o interesse de consumidores por produtos como hambúrgueres vegetais e leite de aveia.

Outras empresas também investem no setor, como a Nestlé, que projeta potencial de crescimento de dois dígitos a longo prazo para substitutos de carne à base de plantas.

Cerca de 40% das gigantes mundiais de alimentos – como Kroger e Tesco – agora têm equipes dedicadas para desenvolver e vender alternativas vegetais para carnes e laticínios, disse a rede de investidores Fairr.

A Unilever comprou a Vegetarian Butcher há dois anos, e Faber disse que as vendas de hambúrgueres e nuggets de frango à base de plantas estão “crescendo explosivamente”. A marca atende à rede Burger King e está presente em mais de 30 países. A empresa planeja se expandir ainda mais e investir em sorvetes veganos e inovação em maionese, disse.

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A pandemia de coronavírus fez com que consumidores se alimentassem de maneira mais saudável, algo que deve continuar quando a crise passar, disse Faber. À medida que mais pessoas buscam alimentos que ajudem na proteção contra doenças, a Unilever promete dobrar a oferta de produtos ricos em vegetais, proteínas e micronutrientes até 2025 e continuar a reduzir o sal ou o açúcar em alimentos como sopas e sorvetes.

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A maior vendedora de maionese e sorvetes do mundo agora planeja reduzir pela metade o desperdício de alimentos até 2025 – antecipando a meta original em cinco anos – por meio de uma série de medidas, como o uso de inteligência artificial para prever melhor as compras e vendas. A empresa também usará campanhas de marca para incentivar consumidores a reduzirem o desperdício.

“Usaremos nossas marcas para que os consumidores mudem”, disse Faber. “Não depende de nós decidirmos o que as pessoas querem comer, mas depende de nós tornarmos opções mais saudáveis e à base de plantas acessíveis a todos.”

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Ações de frigoríficos disparam apesar do sucesso da onda vegana

(Bloomberg) — Produtos que imitam a carne podem ser a onda do momento, mas os produtores da carne de verdade vão muito bem, obrigado.

A fabricante de hambúrgueres veganos Beyond Meat dominou o noticiário este ano com uma estreia de enorme sucesso e uma vertiginosa valorização de 200%.

Mas os frigoríficos Minerva (BEEF3) e JBS (JBSS3) não estão muito atrás. Até empresas americanas prejudicadas pela guerra comercial com a China, como a Tyson Foods, tiveram os maiores ganhos nas ações em anos

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Por trás da disparada está a escassez de proteína animal na Ásia, onde a demanda por importações de carne suína, bovina e de frango aumentou. A peste suína africana está dizimando rebanhos da China ao Vietnã, provocando situações que vão afetar o comércio de carne por anos.

Enquanto a oferta nos EUA bate recordes, a demanda por lá também começa a dar sinais de aceleração. Os preços do presunto estão próximos aos maiores níveis sazonais devido à forte procura externa, elevando os preços da carne de porco. Empresas como a Tyson, com sede em Springdale, Arkansas, relatam interesse “extremo” de compradores chineses por carne de frango, após a suspensão de uma proibição que vigorou por vários anos.

A demanda doméstica também é robusta, à medida que o consumo de carne aumenta junto com a renda dos consumidores, explicou Mike Sands, dono da consultoria MBS Research, sediada em Memphis.

O movimento ainda tem fôlego, de acordo com Heather Jones, analista de renda variável e proprietária da Heather Jones Research. Cerca de 8% do volume mundial de proteína foi exterminado pela peste suína e a oferta deve chegar ao ponto mínimo no primeiro semestre do próximo ano.

“Os investidores começaram a desvendar as implicações para a geração de lucros e ficou claro o potencial muito forte de valorização a partir da taxa de execução atual, o que jogou as ações para cima”, disse Jones.

O salto das ações de empresas de proteína animal coincide com o avanço de negócios de imitação de carne. Em novembro, as vendas de alternativas à carne subiram 40% com a chegada de mais produtos aos supermercados, de acordo com dados da firma de pesquisas IRI.

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Embora substitutos à base de plantas representem apenas 1% do mercado de carne dos EUA, que movimenta US$ 86 bilhões, as vendas podem chegar a US$ 15 bilhões nos próximos cinco a sete anos, segundo a Hormel Foods, que lançou uma linha própria.

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Por ora, as empresas tradicionais não parecem temer a perda de clientes. Além do movimento causado pela peste suína, a expansão da população global significa que a produção de alimentos precisa aumentar 70% até 2050, de acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês). O aumento da renda geralmente significa aumento do consumo de proteína.

Nos EUA, os frigoríficos também se beneficiaram após um incêndio atingir uma unidade da Tyson em agosto. Com a capacidade reduzida, criou-se um excesso de animais vivos, o que derrubou os preços do gado.

Paralelamente, compradores de carne bovina entraram em pânico com a perspectiva de escassez e aceitaram pagar mais caro. Assim, as margens dos frigoríficos bateram recordes.

Nos EUA, quatro empresas dominam o segmento de processamento de carne bovina e o Departamento de Agricultura iniciou uma investigação sobre concorrência desleal.

“As margens dos frigoríficos melhoraram até que fez sentido economicamente funcionar agressivamente não apenas durante a semana, mas também aos sábados”, disse Sands, da MBS. “As margens da carne bovina têm sido muito boas, mas isso é necessário para impedir que o setor fique com gado sem condições.”