“Carry trade”: arbitragem de juros ganha nova vida em mercados emergentes

(Bloomberg) — Operadores de carry trade enfrentaram um mercado turbulento nos últimos meses, pois o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e medidas de afrouxamento monetário em economias emergentes pressionaram a potencial arbitragem de taxas de juros.

Mas a confiança dos traders começou a dar frutos. A estratégia de carry trade – de tomar dólares emprestados para investir em moedas de maior rendimento – agora oferece os maiores retornos em quase quatro anos e é apontada como um dos melhores investimentos para 2021. Os ganhos surgem apesar de taxas de juros domésticas médias perto de mínimas históricas.

A trajetória teve trancos e barrancos. O rendimento extra que investidores conseguem ao comprar títulos de mercados emergentes em vez de notas do Tesouro dos EUA atingiu o menor nível em oito anos, à medida que bancos centrais de países mais pobres cortavam os juros para amenizar o impacto do coronavírus. O aumento dos rendimentos de 10 anos dos Treasuries rumo a 1% levou o JPMorgan Chase a prever a morte do carry trade no mês passado.

Nas últimas semanas, no entanto, uma nova onda de apetite por risco, estimulada pela vitória presidencial de Joe Biden nos Estados Unidos e avanços das vacinas contra o coronavírus, veio em socorro. No mês passado, um indicador de retornos cumulativos de oito moedas de mercados emergentes deu o maior salto desde março de 2016. Todas as 23 taxas de câmbio monitoradas pela Bloomberg, exceto uma, geraram ganhos desde o dia das eleições nos EUA, com duas delas com retornos de dois dígitos.

Ainda atraentes

“Embora os juros domésticos de mercados emergentes estejam baixos em relação aos níveis históricos, isso também é verdade para as taxas globais em geral, e mercados emergentes ainda parecem atraentes em termos relativos”, disse Shamaila Khan, diretora de dívida de mercados emergentes da AllianceBernstein, em Nova York. “Acreditamos que o dólar provavelmente vai se enfraquecer no próximo ano e somos construtivos sobre moedas de mercados emergentes.”

O rendimento de um indicador de títulos em moeda local da Bloomberg Barclays caiu para uma mínima histórica de 3,46% em maio. Embora tenha se recuperado para 3,7%, ainda é menos da metade do nível visto em 2008. Em um mercado inundado com cerca de US$ 17 trilhões de dívida de rendimento negativo, o valor é alto o suficiente para atrair investidores.

“É verdade que carry trades, pela métrica tradicional de diferencial de taxa de juros, podem não parecer tão atraentes, mas neste mundo de baixos rendimentos do mercado desenvolvido, os investidores podem não ter muita escolha”, disse Eugene Leow, estrategista de renda fixa do DBS Group, em Cingapura.

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Sinalização do Federal Reserve dá novo impulso ao carry trade para mercados emergentes

(Bloomberg) — O carry trade de mercados emergentes pode ter recebido um novo impulso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Um índice de retornos de empréstimos em moeda americana e investimentos em oito moedas de países em desenvolvimento, incluindo o peso mexicano, a rupia indiana e a indonésia, subiu 1,7% na sexta-feira, o maior salto em dois anos. Mesmo após esse aumento, o índice teve retorno apenas de 0,2% neste mês, ante um ganho de 2,9% para um indicador de bolsas de nações em desenvolvimento.

“Este último rali é realmente impulsionado por Powell”, disse Edwin Gutierrez, que supervisiona US $ 16 bilhões como chefe de dívida soberana de mercados emergentes na Aberdeen Standard Investments, em Londres.

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“Antes, era evidente como o câmbio tinha atrasado a recuperação mais ampla dos ativos emergentes, considerando que estamos em um ambiente de fraqueza do dólar, o conjunto de commodities teve um bom desempenho, as importações emergentes entraram em colapso e as remessas se mantiveram melhor do que esperado.”

Falando em Jackson Hole na quinta-feira, Powell revelou uma nova abordagem para definir a política monetária dos EUA, permitindo que a inflação e o emprego aumentem, em uma mudança que provavelmente manterá as taxas de juros baixas nos próximos anos. O Fed buscará uma inflação média de 2% ao longo do tempo, um movimento que implica permitir que as pressões sobre os preços avancem após períodos de fraqueza.

O índice de carry trade de mercados emergentes está caminhando para um quarto ganho mensal, a maior sequência de altas desde 2017. O indicador ainda está em queda de 7,6% este ano, depois de ter sido atingido de janeiro a abril pela pandemia do coronavírus.

“O câmbio emergente deveria ter se saído melhor, então, até certo ponto, está tentando recuperar o atraso”, disse Gutierrez. As maiores posições de carry trade em seu portfólio estão em moedas como rupia indiana e a indonésia, rublo russo, peso mexicano e peso uruguaio, disse ele.

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Carry trade em moedas emergentes pode ter mais perdas à frente

(Bloomberg) — A pandemia de coronavírus eliminou uma década de ganhos de carry trade para os mercados emergentes e mais perdas podem estar a caminho.

O declínio dos yields devido aos estímulos dos bancos centrais reduziu a atratividade de muitas moedas emergentes, diminuindo o fascínio do carry trade dessas divisas, de acordo com a TD Securities. As moedas dos países em desenvolvimento permanecem vulneráveis a mais perdas devido a fluxos irregulares e elevada volatilidade, afirma o Bank of America.

“O ambiente para carry provavelmente se tornará mais difícil nos próximos meses se, como é provável, o dólar tiver um rali em meio a um declínio no rendimento real entre muitas moedas emergentes”, disse Mitul Kotecha, estrategista sênior de mercados emergentes da TD Securities em Cingapura. “Uma abordagem mais seletiva de moedas emergentes provavelmente funcionaria melhor no segundo semestre”

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O índice que mede os retornos de empréstimos em dólares e investimento em oito moedas emergentes de alto rendimento, incluindo o real brasileiro e a rupia da Indonésia caiu 16% desde o início do ano, atingindo em abril o menor nível em mais de 10 anos, segundo dados compilados pela Bloomberg. O indicador reduziu algumas perdas até maio, mas a recuperação parou agora, deixando-o em -11% no ano.

Carry trade é um termômetro do sentimento de apetite ao risco, e a previsão de mais perdas contribui para evidenciar que a recuperação global da economia desde a pandemia de coronavírus estará longe de seguir uma linha reta de continuidade. A interrupção da melhora no índice de carry trade também reflete os danos à confiança causados pelo aumento dos déficits fiscais e pelas renovadas tensões EUA-China.

Dólar em debate

A moeda dos EUA provavelmente retomará sua trajetória de valorização nos próximos meses, adicionando outro desafio para os investidores que buscam usá-la como financiamento para carry trade, disse Kotecha da TD Securities.

Mas as perspectivas para o carry trade não são totalmente ruins.

Alguns fatores sugerem que o dólar enfrentará crescentes ventos contrários, incluindo a redução dos diferenciais das taxas de juros, disse Stuart Ritson, gestor de fundos de renda fixa de mercados emergentes da Aviva Investors, em Cingapura.

“O cenário macro tem o potencial de favorecer as operações de carry trade em emergentes, à medida que o crescimento se recupere e os formuladores de políticas globais continuem diminuindo a volatilidade”, disse ele. “Carry trade não precisa necessariamente de um dólar americano mais fraco. Um período de estabilidade poderia ser suficiente para que essa estratégia funcionasse, mas os maiores retornos seriam obtidos com uma tendência de baixa do dólar.”

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Os investidores ainda podem encontrar oportunidades de carry trade com apostas no peso mexicano, rublo russo e rupia da Indonésia, disse Ritson.

A alta volatilidade é um dos principais fatores a impedir que os investidores queiram apostar no carry trade – e, nesse ponto, a situação também parece desanimadora.

A volatilidade implícita é mais alta para opções de um mês do que para contratos de três meses para moedas como o real, peso mexicano e rupia da Indonésia, sugerindo que os mercados veem risco maior no curto prazo, segundo o Bank of America.

Algumas curvas de volatilidade implícita em moedas emergentes ainda estão invertidas, o que sugere que essas divisas ainda estão desancoradas e vulneráveis”, disse Claudio Piron, co-chefe da estratégia de câmbio e juros da Ásia no Bank of America, em Cingapura. Embora o pior do sell-off deste ano em carry trade com emergentes possa ter passado, “não espere um rali dramático”, disse ele.

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Maior “carry trade” global é alimentado por presidente mexicano

(Bloomberg) — De muitas maneiras, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, tem sido tão tóxico para investidores quanto o alertado por seus detratores. As ações registraram desempenho abaixo do esperado durante seu mandato de 14 meses, a estatal de petróleo teve sua nota de crédito rebaixada para alto risco e o crescimento econômico está estagnado, na melhor das hipóteses.

Mas há um segmento do mercado em que o líder de esquerda provou ser um forte aliado dos investidores, proporcionando um ganho inesperado que poucos antecipavam: o chamado carry trade.

Os investidores que seguem a típica estratégia de fazer empréstimos a baixo custo em dólares e depois aplicar os recursos em títulos em peso de curto prazo obtiveram retornos de 16% desde a posse do presidente, em dezembro de 2018, de longe o melhor desempenho entre as principais moedas. (O dólar canadense está em segundo lugar, com um retorno de apenas 1% nesse período.)

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Atraídos pela estabilidade do peso e pelas altas taxas de juros do México, os investidores continuam as apostas na negociação. As posições altistas no peso estão agora perto de nível recorde.

A gênese de grande parte disso parece ser a obsessão de López Obrador pela moeda. Tornou-se sua ferramenta em tempo real para medir o desempenho da economia e a percepção dos investidores sobre seu governo, não muito diferente da maneira como o presidente dos EUA, Donald Trump, se concentra no Dow Jones Industrial Average.

Todas as manhãs, López Obrador verifica a última cotação do mercado e, se notar alguma movimentação significativa de preço, destacará o fato para o amplo público nacional que sintoniza sua entrevista coletiva diária.

O peso se valorizou 8,4% desde que assumiu o cargo, um rali impulsionado em parte pelo orçamento surpreendentemente conservador enviado ao congresso nos últimos dois anos.

Para os investidores, um presidente tão envolvido nas flutuações diárias do peso é aquele que dificilmente permitirá uma queda.

“O governo tem muita consciência de mercado”, disse Danny Fang, estrategista do BBVA em Nova York. Para ele, a baixa volatilidade promovida por López Obrador ajudou o carry trade. “Quando os EUA ameaçaram as tarifas sobre a imigração, que abalaram o peso mexicano, o governo respondeu quase imediatamente. Quando a volatilidade do mercado aumentou, muitas vezes ouvimos as autoridades abordarem a questão.”

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