Como o grupo SBF, dono da Centauro e distribuidor da Nike no Brasil, quer virar um verdadeiro ecossistema do esporte

SÃO PAULO – Vencedor do prêmio de revelação da Bolsa em 2021 no ranking InfoMoney, o grupo SBF (SBFG3) –  controlador da Centauro, da NWB e operador da Nike do Brasil –  trabalha para ser cada vez mais multicanal e criar um verdadeiro ecossistema do esporte buscando atender as necessidades do consumidor, que também vem se transformando.

Nesse sentido, para Pedro Zemel, CEO do SBF, a companhia está apenas no começo de uma jornada, em um contexto de forte engajamento da população brasileira no segmento esportivo, seja ou assistindo ou praticando.

“Temos uma convicção de que o esporte tem um poder transformacional e isso dá uma energia muito boa para a empresa e para a nossa capacidade de atrair gente. O que queremos fazer é usar essa forma de engajamento e essa transformação para construirmos uma empresa que de fato se posicione como um ecossistema do esporte”, afirmou o CEO, durante o evento Melhores da Bolsa 2021, promovido pelo InfoMoney e pelo Stock Pickers (assista no player acima).

Zemel destaca que a empresa está no mercado há 40 anos e abriu o capital com uma base muito sólida e estabelecida como varejista, tendo presença em 26 estados e com 200 lojas. Porém, a avaliação é de que essa é apenas uma “parte da história” a ser contada pelo grupo. A companhia, fundada em 1981, fez seu IPO em 2019, captando cerca de R$ 772 milhões.

O momento pós-IPO, aliás, foi de diversas transformações para o grupo, sendo marcado por importantes aquisições. O SBF concluiu no ano passado a compra da operação comercial da Nike do Brasil por R$ 1,032 bilhão. Com o fechamento do negócio o grupo praticamente dobrou de tamanho: de uma receita de um pouco mais de R$ 3 bilhões, foi para cerca de R$ 6 bilhões. Em dezembro, ainda anunciou a compra da produtora de conteúdo NWB, detentora dos canais do YouTube Desimpedidos, Acelerados, Fatality e Falcão 12. O negócio, no valor de R$ 60 milhões, marcou a entrada do grupo no segmento de conteúdo.

“Fomos agregando outros pedaços a esse ecossistema e nos transformando nessa jornada, e evoluindo de uma empresa de varejo para uma empresa que tem uma operação de varejo, que tem a Fisia que distribui a marca Nike, a NWB que produz conteúdo e que chega a dezenas de milhões de espectadores do esporte. O esforço é por buscar aumentar a velocidade de transformação interna”, apontou.

O último ano, porém, foi desafiador não apenas para o grupo, como também para todo o setor varejista, que foi impactado pelo fechamento das lojas físicas por conta da pandemia do coronavírus, que aumentou as restrições à mobilidade e também acelerou a mudança de comportamento do consumidor. No primeiro trimestre de 2021, a companhia registrou prejuízo de cerca de R$ 36 milhões.

Porém, Zemel ressalta que já se nota que, quando há a reabertura de lojas com o relaxamento das restrições, elas têm mostrado uma forte recuperação. Além disso, não há planos de deixá-las de lado e sim integrá-las cada vez mais com as operações digitais.

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“Temos indícios tanto internos quanto externos de que a loja física continua sendo um canal fundamental. Dos meses que as lojas ficam abertas, até independentemente do avanço da vacinação, elas têm registrado um bom desempenho. Estamos confiantes também olhando para os números de fora, de vários players em países em que a vacinação está mais avançada, inclusive com a tendência de que o consumidor volte a fazer mais esporte, o que deve beneficiar a gente”, avalia.

Enquanto as lojas físicas continuam sendo importantes, Zemel aponta que o digital é uma “tendência secular”. Desta forma, a empresa tem uma “visão holística omnichannel’, com o consumidor transitando de maneira fluida pelos diferentes canais, temas que o grupo quer desenvolver cada vez mais.

“O canal para a gente é algo tático. A loja e o e-commerce complementam a oferta para que a gente possa oferecer o melhor para o consumidor em termos de conveniência. Estamos bastante confiantes em como eles se complementam”, afirma.

Neste sentido, na avaliação do CEO, o modelo de megalojas da Centauro também tem espaço para crescer, ainda mais considerando que a empresa está em cerca de 200 dos 600 shoppings do Brasil. Ele destaca que a loja não é mais só um local para “trocar mercadoria por dinheiro”, mas sim um local para conectar clientes com a marca, ser um centro de distribuição e também um espaço para conquistar clientes. Desta forma, o executivo aponta que a loja é central para estratégia, inclusive no digital.

André Ribeiro, sócio-fundador e gestor da Brasil Capital, que tem exposição em ações da SBF, questionou durante a live como a estratégia da empresa se encaixa com as aquisições recentes, com o comando da operação da Nike do Brasil, além da compra da NWB.

Zemel destacou que a Nike do Brasil é enorme e uma das mais admiradas pelo consumidor brasileiro, e que a operação reforça a tese de formar efetivamente um ecossistema e atuar nas diversas etapas de consumo. A grande estratégia da SBF com a Nike é o desenvolvimento de acesso direto ao consumidor, que é uma estratégia global da companhia americana.

O desenvolvimento se dá pelo e-commerce e pela operação de lojas. “A marca Nike merece uma presença importante no mercado brasileiro e a gente está preparando esse avanço em loja física”, afirma. Zemel disse estar otimista e orgulhoso com a operação, a primeira aquisição desde o IPO, com a marca atingindo uma margem Ebitda (Ebitda, ou lucro antes juros, impostos, depreciações e amortizações, sobre receita líquida) de 9% no primeiro trimestre.

Já sobre a NWB, o CEO citou o forte potencial de público, já que o grupo já chegou a cerca de 2 bilhões de visualizações no Youtube por ano e 80 milhões de seguidores no Instagram.

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“É, muito relevante para o público do esporte e encaixa como uma luva na estratégia de ecossistema”, apontando que a estratégia é positiva por construir relação mais profunda para usuários do esporte e apresentar conteúdo que é benéfico para consumidor, aproximando-se dele. Do outro lado, também há uma diminuição do custo para conquistar um novo consumidor, além de garantir a perenidade da relação e também aumentar o relacionamento com uma série de influenciadores do segmento, “abrindo uma avenida de receitas”.

Indo às compras?

Ao ser questionado sobre futuras aquisições – recentemente, houve rumores de movimentações para fusão com a Track & Field ( TFCO4), posteriormente negados -, o executivo afirmou que, antes do IPO e em um momento sem dinheiro tão abundante no país, a empresa já tinha uma lista de empresas que já interessa em adquirir. Contudo, durante a live, ele não citou nomes de possíveis “alvos”.

“O sonho dessa empresa, desde que foi fundada, sempre foi muito ambicioso, muito grande e continua sendo. De fato, que isso seja o começo de uma história, de que a gente consiga multiplicar em muitas vezes o tamanho dessa companhia. A estratégia de adquirir empresas está disponível e com a qual estamos mais confortáveis agora que vivemos uma experiência de fazer uma transição com uma empresa grande, que fatura bilhões. Quando pensamos em quais seriam os caminhos, pensamos no consumidor e no esporte, que tem várias audiências e marcas que são muito relevantes”, ressalta, fazendo a ponderação de que, além de aquisições, a SBF também pode chegar ao seu modelo de ecossistema do esporte através de parcerias.

O grupo, afirmou, tem uma área de fusões e aquisições estruturada e também uma área recém criada chamada SBF Ventures, em que busca criar novos negócios e também buscar aquisições de negócios menores. “A gente entende que M&A [fusões e aquisições] é sim um caminho para fechar esse mapa e chegar a um dia ser um ecossistema super completo e um destino para os consumidores do esporte no Brasil no que eles precisem nessa jornada”, avalia.

Melhores da Bolsa

InfoMoney premia anualmente as melhores empresas da Bolsa, com base num ranking exclusivo feito pela provedora de serviços financeiros Economatica e pela escola de negócios Ibmec.

O ranking analisa critérios quantitativos e qualitativos das empresas de capital aberto num período de três anos – o objetivo de escolher um período superior a um ano é valorizar a consistência de resultados. Com base nesses critérios, são premiadas as melhores empresas entre os principais setores da Bolsa, a empresa revelação (que avaliou as companhias que têm capital aberto há menos de três anos) e a melhor companhia do mercado.

A análise considerou um período de três anos, de 31 de dezembro de 2017 a 31 de dezembro de 2020.  Veja aqui todas as empresas premiadas.

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Centauro conclui compra da Nike no país e quer oferecer também serviços

Centauro - BH Shopping - MG Inauguração da loja da Centauro no BH Shopping, em Belo Horizonte (Foto: MPerez)

O grupo SBF, controlador da Centauro (CNTO3), rede de lojas de artigos esportivos, concluiu a compra da operação comercial da Nike (NIKE34) no Brasil por R$ 1,032 bilhão. Com o fechamento do negócio, anunciado em fevereiro e que recebeu sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no fim do mês passado, o grupo praticamente dobra de tamanho.

De uma receita de um pouco mais de R$ 3 bilhões, vai para cerca de R$ 6 bilhões, e se estrutura para por de pé a estratégia de ser uma empresa de referência no mundo do esporte.

“Quero ser um ecossistema: conhecer não só o que o consumidor compra, mas toda a sua jornada para oferecer produtos e serviços específicos, como personal trainer, indicação de grupos de corrida, por exemplo”, diz Pedro Zemel, presidente do grupo.

Ele frisa que a construção desse novo modelo de negócio começa com dois ativos de peso e que, juntos, têm grande sinergia. Um deles é a rede da Centauro, com 209 lojas em 26 estados e 20 milhões de clientes. A varejista será comandada por Claudio Assis, ex-diretor de operações.

O outro pilar é a distribuição da marca Nike no País, concentrada na nova empresa do grupo que se chamará Fisia. Ela vai reunir as 31 lojas físicas da Nike, o site da marca e a venda dos produtos para outras varejistas. A Fisia será dirigida por Karsten Koeler, que liderava a distribuição da Nike antes da venda da companhia para o grupo SBF. Apesar de a distribuição estar concentrada numa nova empresa, a marca Nike continuará na fachada das lojas. O grupo negociou o direito de explorá-la por dez anos.

Zemel diz que as operações da Centauro e da Fisia serão mantidas separadas, inclusive fisicamente. A sede da Centauro, com 6.300 funcionários continua no bairro paulistano da Lapa, e a da Fisia, com 1.200 empregados, fica no bairro vizinho da zona oeste, na Lapa de Baixo.

No entanto, a configuração poderá permitir que o consumidor compre pelo site da Nike e retire o produto na loja da Centauro. A intenção é dar flexibilidade entre canais de vendas. “A Nike.com tem um potencial enorme e os dois negócios juntos conseguem ter uma oferta maior para o consumidor final do que separados”, afirma.

Novas aquisições

Na nova arquitetura do grupo, a holding, comandada por Zemel, vai reunir as áreas de tecnologia, finanças, marketing, logística e a cadeia de suprimentos. São cerca de 500 funcionários que vão ocupar três andares do tradicional Edifício Birmann, na avenida das Nações Unidas, onde antes funcionava a editora Abril.

Isoladas fisicamente, essas áreas atenderão às duas empresas do grupo por enquanto. “Vamos servir a tantas outras que a gente consiga construir ou comprar”, diz o executivo, dando claras indicações dos próximos movimentos que estão no radar do grupo.

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A companhia encerrou o terceiro trimestre deste ano com R$ 1,5 bilhão em caixa. Zemel diz que parte dessa cifra foi usada na compra da operação de distribuição da Nike no País. O restante do dinheiro será direcionado na abertura e reforma de lojas da Centauro e investimentos em tecnologia. “Aquisições menores evidentemente cabem nesse cheque, mas se tivermos de fazer um movimento maior, daí é outra discussão.”

O executivo não revela quantas lojas da Centauro serão abertas no próximo ano nem fala qual o crescimento esperado para a companhia, após a compra da distribuição da Nike no País. Mas analistas de mercado que acompanham o desempenho da empresa, que tem ações na Bolsa, calculam que existam entre 20 e 30 novas lojas programadas para 2021. Somadas às reformas das que estão em operação, seriam cerca de 50 pontos de vendas, que demandariam investimentos da ordem de R$ 200 milhões.

Tecnologia

Outra alavanca de crescimento do grupo, além de compra empresas, é a inovação. Por isso a companhia está investindo em profissionais de tecnologia para desenvolver produtos e serviços específicos. Recentemente contratou 100 profissionais, entre engenheiros de software, cientistas de dados e designers, além de ter se aproximado de startups.

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Cade aprova aquisição dos contratos e ativos da Nike Brasil por controlador da Centauro

Centauro - Bourbon Shopping - SP Loja da Centauro no Bourbon Shopping em São Paulo (Foto: divulgação)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição da totalidade das quotas da Nike do Brasil pelo Grupo SBF (CNTO3), controlador da Centauro. O despacho da Superintendência-Geral do órgão com a decisão está publicado no Diário Oficial da União (DOU).

O negócio de R$ 900 milhões foi anunciado em fevereiro. A operação compreende a aquisição de todos os contratos e ativos da Nike Brasil.

Com isso, a SBF passará a operar não apenas como distribuidora exclusiva da marca Nike no Brasil, mas também como responsável pela operação de suas lojas físicas e online. O contrato de distribuição da Nike será válido por um período de 10 anos.

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O acordo exclui a coordenação da fabricação dos produtos – que é majoritariamente terceirizada a indústrias locais e continuará a ser feita pela matriz norte-americana -, as marcas e também ativos de marketing.

Segundo as empresas informaram ao Cade, a operação se insere na estratégia do Grupo Nike de otimizar sua atuação e presença em diversos países da América Latina (especificamente, Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) em relação ao seu posicionamento da marca, volume de vendas, relação com parceiros e consumidores.

Para a SBF, a operação representa uma oportunidade de utilizar a integração de seus canais físicos e online, bem como sua experiência e know-how no varejo para ampliar o alcance de determinadas marcas do Grupo Nike no mercado.

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Centauro capta R$ 900 mi em oferta de ações; dona da Le Lis Blanc firma acordo para recuperação extrajudicial e mais

(Divulgação)

SÃO PAULO – O noticiário corporativo é bastante movimentado, com destaque para a Centauro, que levantou R$ 900 milhões.

Os efeitos do isolamento social impostos pela pandemia do novo coronavírus afetam as companhias de diferentes formas. A Restoque, dona das marcas Dudalina e Le Lis Blanc, precisou fazer a renegociação de suas dívidas. Já a Yduqs encontrou espaço para uma nova aquisição.

Funcionários da Gol, segundo a Folha de S. Paulo, aprovam programas de demissão, licença e corte de salários.

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Já entre as empresas que divulgaram balanço, a BR Malls registrou um lucro líquido ajustado de R$ 130 milhões no primeiro trimestre, uma queda de 24% na comparação com os três primeiros meses de 2019. O da Randon recuou 90,5%, para R$ 2,994 milhões.

Confira os destaques:

Centauro (CNTO3)

A Centauro fixou em R$ 30 o preço de sua ação no “follow on”. Com isso, a varejista de artigos esportivos levantou R$ 900 milhões.

A empresa vendeu 30 milhões de ações numa oferta primária subsequente. A oferta poderia chegar a 33,75 milhões de ações, de acordo com um documento anterior. A Centauro disse que usará os recursos em oportunidades de aquisição abertas pela crise provocada pelo coronavírus.

Os recursos devem ser utilizados, principalmente para o pagamento da compra da operação brasileira da Nike. “A companhia pretende utilizar a totalidade dos recursos líquidos provenientes da oferta para o financiamento de aquisições de empresas em curso e futuras que possam contribuir para a execução de sua estratégia de crescimento.”

Restoque (LLIS3)

A Restoque, donas das marcas Dudalina e Le Lis Blanc, anunciou um plano de recuperação extrajudicial de R$ 1,5 bilhão. Segundo a companhia, a reestruturação da dívida foi necessária após o impacto das medidas de isolamento social no setor varejista.

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A dívida renegociada inclui apenas credores financeiros, ou seja, bancos e portadores de títulos de dívida (debenturistas).

A companhia terá uma carência de 12 meses a partir da homologação do acordo para iniciar os pagamentos. O principal começa a ser pago só em junho de 2023, sendo que mais de 70% do total da dívida vencerá ao final de junho de 2025. O custo da renegociação ficou em CDI mais 2,7% e CDI + 2,9% ao ano.

Está previsto ainda um aumento de capital no valor de R$ 150 milhões.

A adesão ao plano foi superior a 70% -o mínimo estipulado para recuperações extrajudiciais é de 60%. O acordo ainda precisa ser homologado pela Justiça.

A Yduqs, antiga Estácio Participações, anunciou a compra do Grupo Athenas por R$ 120 milhões. A empresa adquirida atua na região norte do país.

O acordo prevê que uma fatia de R$ 106 milhões seja paga na assinatura do contrato e uma parcela de R$ 14 milhões após cinco anos. O valor pode subir de acordo com as autorizações para novas vagas nos cursos de medicina.

O Grupo Athenas encerrou o ano de 2019 com uma receita líquida de R$ 94,5 milhões. Atualmente, conta com 9 mil alunos divididos entre 67 cursos de graduação, técnicos superiores e programas de pós-graduação.

A aquisição está sujeita a aprovação de órgãos reguladores.

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Embora dentro de uma estratégia que pode levar a uma reavaliação dos papéis da empresa, os analistas do Morgan Stanley consideraram a aquisição pequena.

Sobre a nova lei fluminense, que sugere um desconto de 30% nas mensalidades, os analistas acreditam que a medida terá pouco impacto para a Yduqs, mesmo com presença relevante no estado. “Em nossos cálculos, a nova regulamentação reduziria a receita consolidada da YDUQS em aproximadamente 1% e, mantendo os custos estáveis, a margem Ebitda seria reduzida de 33,5% para 33,0%”, disseram em relatório a clientes.

A brMalls informou esperar que até julho esteja com todos os seus shoppings em funcionamento.

A administradora de shoppings divulgou, na noite de quinta-feira, um lucro líquido ajustado de R$ 130 milhões no primeiro trimestre, uma queda de 24% na comparação com os três primeiros meses de 2019.

Na mesma base de comparação, a receita líquida caiu 5,8%, para R$ 295,976 milhões. Já o Ebitda passou de R$ 232,512 milhões para R$ 245,812 milhões, uma alta de 5,7%.

Os funcionários da companhia área Gol aprovaram, na quinta-feira à noite, proposta de acordo coletivo que inclui programas voluntários de licença não remunerada, demissão voluntária (PDV), aposentadoria ou redução de salário e jornal (“part-time”), segundo a “Folha de S.Paulo”.

Caso não ocorra adesão voluntária a esses programas, a empresa pode fazer dois programas de redução compulsória de jornada e salário, que irão vigorar até 2021.

A Gol anunciou a prévia dos seus resultados operacionais de maio. O número de voos ao dia aumentou para 70. Ainda assim, o total de decolagens ficou 93% abaixo do registrado em igual mês de 2019, totalizando 1.370 saídas.

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Já o número de decolagens no acumulado de 2020 foi de 61.102, uma queda de 36,2%.

O número de voos diários chegou a 70 devido ao aumento das frequências nos aeroportos do Galeão (Rio de Janeiro) e Brasília, além do reinício de operações nos aeroportos Congonhas (São Paulo), Santos Dumont (Rio de Janeiro), Navegantes (Santa Catarina) e Foz do Iguaçu (Paraná). A demanda subiu 5% em maio sobre abril e a oferta de assentos, 12,1%.

A taxa de ocupação no mês passado foi de 74,8%, ante 83% em maio de 2019. No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, a taxa de ocupação está em 80,9% (era de 82,3% em igual período de 2019).

A Gol não realizou voos internacionais regulares em maio.

A Randon registrou no primeiro trimestre do ano um lucro líquido de R$ 2,994 milhões, uma queda de 90,5% na comparação com igual período do ano passado.

Já a receita líquida subiu 3%, para R$ 1,168 bilhão. O Ebitda recuou 20,3%, para R$ 106,980 milhões. A margem Ebitda passou de 11,8% no primeiro trimestre de 2019 para 9,2% nos três primeiros meses de 2020.

A Petrobras anunciou o início da etapa de divulgação de oportunidades, conhecida como “teaser”, referente à venda de suas participações em empresas de energia.

Esse “teaser” contém informações sobre as participações e os critérios para a seleção de potenciais interessados. As companhias que fazem parte dessa etapa são a Brasympe (participação de 20%), Suape II (20%), Termoelétrica Potiguar (20%), Companhia Energética Manauara (40%) e a Brentech (30%).

Os EUA investigam frigoríficos por prática antitruste, que incluem JBS, disse uma fonte à Bloomberg, que não quis ser identificada porque o inquérito é confidencial.

O setor é altamente consolidado; 4 empresas – Tyson Foods, JBS, Cargill e National Beef – controlam cerca de 80% do mercado de processamento de carne bovina dos EUA. National Beef, que pertence à brasileira Marfrig, confirmou o recebimento de uma demanda de investigação civil; Tyson, JBS e Cargill não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

São Martinho (SMTO3)

O Morgan Stanley elevou a recomendação das ações da São Martinho para “overweight”. A justificativa é que a cotação está atrasada em relação à recuperação dos preços do açúcar em dólar.

“Nosso preço alvo de R$ 25 implica em uma alta de 25%”, disseram.

O Morgan Stanley não considera uma recuperação adicional nos preços do açúcar no curto prazo, com eles se mantendo próximo aos níveis atuais.

Entre outras recomendações, a Camil (CAML3) teve a sua recomendação reduzida a neutra pelo JPMorgan, com preço-alvo de R$ 11, enquanto a Linx (LINX3) teve a recomendação reduzida a underweight pelo mesmo banco, com preço-alvo de R$ 19. Já a Vale teve o ADR elevado de neutra para outperform pela Exane.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

Em meio à alta da Bolsa, empresas retomam planos de fazer ofertas de ações na B3

bolsa ações mercados alta up sobe índices Foto: reprodução

SÃO PAULO – Após um período em que as operações de captação ficaram praticamente paralisadas na B3 por conta da forte volatilidade do mercado em meio às incertezas causadas pela pandemia do novo coronavírus, as empresas estão retomando os processos de captação, tanto para fortalecer o caixa ou melhorar o perfil de dívida quanto para fazer aquisições.

O movimento ocorre em um cenário de maior calmaria para o mercado, com o Ibovespa superando a barreira dos 90 mil pontos e voltando aos patamares pré-pandemia (veja mais clicando aqui). Desde a mínima do ano de 23 de março até o fechamento da última quarta-feira (4), o Ibovespa já subiu 46,3%.

A última companhia a anunciar o plano de fazer captação foi a Via Varejo (VVAR3). A dona de Casas Bahia e Ponto Frio pretende fazer uma oferta de ações (follow on) de no mínimo 220 milhões papéis, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CMV) na madrugada desta quinta-feira (4).

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Este valor poderá ser acrescido em mais 35%, o que equivale a cerca de 77 milhões de ações. Com a oferta subsequente de ações (follow-on), a empresa pode captar de R$ 2,96 bilhões até R$ 4 bilhões, levando em conta a cotação de R$ 13,48 das ações de fechamento da última quarta-feira (3).

Segundo a companhia, os recursos serão destinados para investimentos em tecnologia e logística, além da otimização da estrutura de capital, incluindo reforço de capital de giro.

A oferta se dará com esforços restritos, ou seja, limitada a um determinado número de investimentos. A operação é coordenada por Bradesco BBI, BTG Pactual, BB Banco de Investimento, Bank of America Merrill Lynch, Santander Brasil, Safra e XP Investimentos.

Também nesta quinta-feira, será definida a precificação da ação da Centauro (CNTO3) no follow-on, que consiste na distribuição de 25 milhões de ações ordinárias. A varejista fez o anúncio no último dia 26 de maio.

A oferta pode aumentar em até 8,75 milhões de papéis ON, equivalente a 35% do número inicialmente ofertado, a depender da demanda. Assim, ao considerar o valor de fechamento da sessão da última quarta (R$ 32,63), a captação pode render até R$ 1,1 bilhão para a companhia.

O follow-on ocorre pouco mais de um ano após a varejista de roupas esportivas realizar a sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Os novos papéis devem começar a ser negociados em 8 de junho.

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Segundo a Centauro, os recursos serão usados para o financiamento de aquisições de empresas que possam contribuir para a execução de sua estratégia de crescimento e a expansão de seus negócios.

Outras empresas estão de olho nessas operações, caso da IMC (MEAL3), que informou nesta quinta-feira a possibilidade de uma captação de recursos.

“Na nossa visão, o retorno das captações via ofertas subsequentes de ações é um sinal de maior visibilidade por parte das empresas. Desta forma, apesar do momento atual conturbado, entendemos que a volta dos follow-ons, ainda que de forma pontual, é uma notícia positiva não apenas para as empresas, mas para o mercado de capitais brasileiro”, destacou em nota recente a equipe de análise da Levante Ideias de Investimento.

Já no início do mês passado, a Natura (NTCO3) anunciou que seu conselho de administração aprovou o aumento do capital social entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões.

Os acionistas do grupo de controle da Natura &Co se comprometeram a participar da operação com investimento total mínimo de R$ 508,095 milhões, via subscrição e integralização de ações decorrentes do exercício de parte de seus direitos de subscrição.

Aliado a isso, alguns investidores financeiros assumiram o compromisso firme de subscrição e integralização de ações de R$ 491,904 milhões. O prazo para exercício do direito de preferência para subscrição será entre 13 de maio e 12 de junho (inclusive).

Os recursos obtidos com a operação, segundo a companhia, serão destinados ao fortalecimento da estrutura de capital, melhora de sua posição de caixa, redução da alavancagem financeira consolidada, além de fins corporativos gerais.

Volta dos IPOs?

As companhias também estão voltando a retomar os seus processos de IPO, ainda que de forma pontual.

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A Allpark (ALPK3), dona da rede de estacionamentos Estapar, chamou atenção por fazer a abertura de capital em meio à pandemia do novo coronavírus em meados de maio, com a captação de R$ 313,2 milhões.

As ações estrearam na Bolsa em 15 de maio, a R$ 10,50 – de lá para cá, porém, os papéis caíram 6%.

No final de maio, a Ambipar, empresa de gestão de resíduos e de resposta a emergências, retomou o processo para a sua oferta inicial de ações, aprovado pelo conselho em 17 de fevereiro de 2020, mas que foi interrompido em 9 de abril.

A operação é parte de um plano para reforçar o crescimento via aquisições e ampliar sua atuação internacional, que envolve desde atuação em desastres ambientais até programas de contenção a epidemias.

Já no início de junho, a Aura Minerals, dona de minas de ouro e cobre em países da América Latina, informou ter retomado o processo de IPO no Brasil, interrompido em 24 de março. A companhia já negocia suas ações na Bolsa de Toronto, no Canadá.

Em 2020, cerca de R$ 30 bilhões foram captados na B3 com ofertas de ações e cinco IPOs – Mitre Realty (MTRE3), Locaweb (LWSA3), Moura Dubeux (MDNE3), Priner (PRNR3) e Allpark (ALPK3).

Até fevereiro, a expectativa de analistas era de que o volume neste ano superasse os R$ 200 bilhões (veja mais clicando aqui).

O número projetado no início do ano seria significativamente superior ao de 2019, em que as operações no mercado de capitais somaram cerca de R$ 90,2 bilhões, com 42 transações, sendo 37 emissões de ações e cinco IPOs.

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No Brasil a fila de interessados em abrir capital chegou a contar com cerca de 25 companhias que protocolaram seus registros na CVM, mas a maior parte das ofertas acabou sendo adiada ou cancelada devido à piora nas condições de mercado por conta da pandemia.

“Contudo, à medida em que estão sendo anunciadas as reaberturas das economias e as Bolsas mundiais já precificaram parte relevante do impacto nos resultados das empresas, os preços das ações retornaram a níveis mais racionais e a tendência é que as ofertas voltem a agitar os mercados internacionais e o do Brasil”, ressalta a Levante.

Nos Estados Unidos, vale ressaltar que, na última quarta-feira, a Warner Music realizou na Nasdaq o maior IPO do país em 2020 até o momento ao captar US$ 1,93 bilhão. A ação estreou com alta expressiva, de 20,38%.

Já nesta quinta-feira, estreou na bolsa a ZoomInfo Technologies, que fornece dados sobre as perspectivas de vendas. A companhia vê seus papéis dobrarem de valor na Bolsa, após captar US$ 935 milhões no IPO na Nasdaq com uma precificação da ação em US$ 21, acima do intervalo estimado entre US$ 19 e US$ 20, enquanto a Pliant Therapeutics também viu seus papéis estrearem em forte alta na mesma bolsa.

Nesta semana, ainda estão previstas as estreias de Applied Molecular Transport e da Shift4 Payments, todas da Nasdaq.

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Ação do Magazine Luiza dispara após resultado; CCR ameniza alta e bancos caem após salto da véspera

SÃO PAULO  – Apesar do Ibovespa ter diminuído o ânimo registrado na abertura com uma nova esperança para vacina e com a reabertura gradual de economias, algumas ações seguem em forte alta nesta sessão: atenção especial para o  Magazine Luiza (MGLU3), com alta que chegou a mais de 10% depois de mais um bom resultado, com um forte destaque para o aumento do e-commerce em meio ao cenário de coronavírus.

Além disso, CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3) chegaram a subir forte, com destaque para a primeira ação, que chegou a subir 12%. As duas companhias tiveram a recomendação elevada para outperform pelo Itaú BBA. Além disso, atenção para as falas do ministro da Infraestrutura, Tarcisio Freitas, em live promovida na última segunda-feira. Ele afirmou que acredita no sucesso dos leilões de concessão dos aeroportos brasileiros mesmo com a pandemia do coronavírus. A expectativa é fazer o leilão de 22 aeroportos em março do ano que vem e de outros 21 em 2022. Contudo, os papéis diminuíram os ganhos, registrando alta bem menos expressiva durante o pregão.

Enquanto isso, as aéreas Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) têm uma sessão de volatilidade após a Latam Airlines pedir recuperação judicial nos EUA – não incluindo a operação brasileira. Os ativos abriram em alta e passaram a operar próximos à estabilidade e depois passaram a perder mais força para depois firmarem baixa, de cerca de 4%. Porém, apesar do ambiente de cautela em meio à redução da demanda por conta do coronavírus, a avaliação é de que o pedido da Latam não é necessariamente ruim para as companhias – veja mais clicando aqui. 

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Em mais uma sessão de alta do petróleo, com alta de 2% do contrato futuro do WTI, na casa dos US$ 34 o barril, e ganhos de 1% do brent, a Petrobras (PETR3;PETR4) vê alta de cerca de 1% de suas ações. O movimento da commodity ocorre após projeção da Rússia de que o mercado poderá se equilibrar no início do próximo mês.

Por outro lado, bancos registram forte queda, caso de Banco do Brasil (BBAS3), Itaú (ITUB4), Santander Brasil (SANB11) e Bradesco (BBDC3;BBDC4), com os investidores embolsando os ganhos após a disparada da véspera (de até 10% para o BB).

Confira mais destaques:

CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3)

O Itaú BBA elevou a recomendação para as ações das concessionárias CCR e Ecorodovias para “outperform”, ou seja, desempenho acima da média do mercado. Segundo relatório encaminhado a clientes, essa revisão leva em conta os efeitos da pandemia do coronavírus, novos projetos e operações de reequilíbrio contratuais.

Na avaliação dos analistas, ambas as empresas possuem uma taxa interna de retorno implícita nos valores de mercado são atraentes, em especial em um ambiente de queda da taxa de juros.

“É também positivo a opção vinda de novos projetos e reequilíbrios contratuais, apesar do momento de resultados negativos esperados para ambas”, ressaltaram.

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O ministro da Infraestrutura, Tarcisio Freitas, acredita no sucesso dos leilões de concessão dos aeroportos brasileiros mesmo com a pandemia do coronavírus. A expectativa é fazer o leilão de 22 aeroportos em março do ano que vem e de outros 21 em 2022.

Em transmissão pela internet promovida pelo Santander Brasil, na segunda-feira, o ministro ainda sinalizou as esferas decisórias no âmbito federal estão unidas para que o programa de desestatização avance.

Já a expectativa para o leilão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), na Bahia, é que ocorra no final do ano.

Destaque para uma notícia que pode movimentar o setor aéreo, em  meio a um cenário já complicado por conta da pandemia do novo coronavírus. O Grupo Latam Airlines informou em comunicado nesta terça-feira que a companhia e suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos recorreram ao Capítulo 11 da lei de falências americana, que permite prazo para que as companhias se reorganizem financeiramente.

Argentina, Brasil e Paraguai não estão incluídos no processo. No documento, a empresa aérea afirmou que “anuncia reorganização para garantir sustentabilidade no longo prazo”.

No Brasil, a Latam tem conversado com o governo sobre uma saída para a atual situação. Gol e Azul, que possuem capital aberto no Brasil, já avisaram que vão acessar os recursos ofertados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Magazine Luiza (MGLU3)

O Magazine Luiza registrou um lucro líquido de R$ 30,8 milhões no primeiro trimestre do ano, uma queda de 76,7% na comparação com igual período de 2019. As receitas líquidas totalizaram R$ 5,234 bilhões alta de 20,9%.

Apesar da queda do lucro, a empresa mostrou avanço no comércio eletrônico. O e-commerce passou de 41,4% do total das vendas no primeiro trimestre de 2019 para 53,3% nos primeiro três meses de 2020.

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O Ebitda da varejista ficou em R$ 332,6 milhões, queda de 15,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano. A margem passou de 9,1% para 6,4%.

Na avaliação dos analistas do Bradesco BBI, os resultados deixam o Magazine Luiza na posição de um dos vencedores da atual crise. O crescimento do comércio eletrônico, os prazos de entrega e a comercialização de novos segmentos, como cosméticos, foram destacados. “Vemos a queda nos lucros como uma questão menos importante, devido ao progresso estratégico significativo que está sendo feito”, avaliaram.

Para o Itaú BBA, o resultado foi positivo ao mostrar a resiliência da companhia, que conseguiu acelerar as vendas do comércio eletrônico no momento em que as lojas físicas fecharam em meados de março.

A XP Investimentos, por sua vez, destaca que o Magalu reportou resultados do primeiro trimestre que foram negativamente impactados pelo fechamento temporário das lojas no final do mês de março. Entretanto, a operação online cresceu de maneira exponencial no segundo trimestre até o momento.

Conforme destaca o analista Pedro Fagundes, da XP, a receita no período foi em linha com as expectativas, com a operação física apresentando uma queda de vendas no conceito mesmas lojas de -4,5% na base anual (alta de 8,0% ex-Covid), enquanto o e-commerce reportou um crescimento de vendas de 72,6% na comparação anual. Por outro lado, o Ebitda reportado ficou 22% abaixo da projeção da XP, com uma pressão de queda de 3,9 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2019.

“Entretanto, a operação online do Magalu (cerca de 50% das vendas) cresceu de maneira exponencial no segundo trimestre até o momento (alta de 138% na base anual em abril e alta de 203% em maio até o dia 20). Na nossa visão, o ritmo da aceleração é uma surpresa positiva e mostra como a companhia está bem posicionada não só para atravessar os desafios impostos pela crise atual, mas também para continuar acelerando os seus esforços de ganho de participação de mercado e de aumento da monetização da plataforma”, avalia. A XP mantém recomendação de compra e elevou o preço-alvo de R$ 58 para R$ 71 ao final de 2020.

O Credit Suisse aponta ainda que o resultado do Magalu, que era um dos mais esperados da temporada de balanços, não desapontou e passou sinais bastante animadores em termos de vendas para o segundo trimestre de 2020.

Como esperado, os valores de vendas brutas online (GMV) apareceram como grande destaque e avançaram 72,6%, chegando a um total de 53% do GMV da empresa. A rentabilidade sofreu um pouco com a incorporação da Netshoes, investimento em nível de serviço e um mix de vendas um pouco pior. A margem Ebitda caiu cerca de 370 pontos-base na comparação anual e ficou em 5,2%.
Vale ressaltar, contudo, que o Magalu conseguiu aumentar o GMV total em 7% em abril e 46% em maio. O nível de crescimento de GMV online avançou 138% e 203% respectivamente, mesmo com a grande maioria das lojas físicas fechadas.

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“As lojas físicas tem uma rentabilidade melhor do que a operação online e acreditamos que a margem no segundo trimestre deva ser um pouco pior. De toda forma, o grande apelo da história está no crescimento e nos parece razoável acreditar que o mercado irá dar um peso maior a este ponto do que a rentabilidade”, avaliam os analistas do Credit.

Eles apontam reconhecer o que consideram um trabalho brilhante feito pela gestão, mas apontam que o papel negocia a um patamar que implica expectativas bastante altas. Assim, possuem recomendação neutra para a ação, que pode ser justificada pelo ponto de que este patamar indica um nível de crescimento excessivamente forte ou então um destravamento de valor de iniciativas ainda incipientes (Magalupay, MaaS, IDPV).

Centauro (CNTO3)

A varejista de roupas e acessórios esportivos Centauro (Grupo SBF) vai realizar uma oferta pública de ações ordinárias que pode chegar a movimentar até R$ 928,8 milhões. O Conselho de Administração da empresa enviou nesta manhã à CVM o fato relevante da oferta.

A oferta será feita com esforços restritos e considera 25 milhões de ações ON, mas com possibilidade de um lote adicional de até 35% (8,75 milhões). Considerando a cotação do papel na segunda-feira, R$ 27,52, a operação pode movimentar R$ 928,8 milhões. O período de reserva termina em 2 de junho.

Marcopolo (POMO4)

Já a Marcopolo apresentou no primeiro trimestre de 2020 um lucro líquido de R$ 10,7 milhões, uma queda de 60% na comparação com igual período de 2019.

A fabricante de carrocerias de ônibus registrou uma receita líquida de R$ 919,4 milhões, alta de 2,3%. O Ebitda ajustado ficou em R$ 68 milhões, crescimento 13%.

O Bradesco BBI lembra que o fechamento das linhas de produção causado pelo avanço da Covid afetou o resultado da empresa, mas a visão para o resultado da companhia é neutra. “A classificação é baseada pelo provável adiamento dos planos de renovação de frota devido ao impacto da Covid-19; algumas das 4.800 unidades relacionadas ao programa “Estrada para a Escola” do governo federal podem ser canceladas ou adiadas; e os volumes mais baixos devem levar à deterioração da margem” explicaram.

A Vale anunciou, na segunda-feira à noite, que está negociando a venda de sua participação na Vale Nouvelle-Calédonie de forma exclusiva com a australiana New Century Resources.

Segundo comunicado à CVM, as negociações incluem um pacote financeiro para dar suporte a continuidade das operações da Vale Nouvelle-Calédonie.

Para o Bradesco BBI, a venda da VNC é um passo estratégico positivo para a Vale, uma vez que é um ativo de baixo desempenho. “A Vale já havia divulgado que estava analisando sua base de ativos para se concentrar nos ativos principais e rentáveis e que se enquadram na estratégia da empresa”, avaliaram os analistas em relatório a clientes.

Já o Conselho de Administração da JHSF aprovou a aquisição, por R$ 3 milhões, da Casa Fasano, que oferece serviços de buffet em todo o território nacional.

CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5)

A produção de aço bruto foi de 1,8 milhão de toneladas em abril, um recuo de 39% na comparação com igual mês do ano passado. No acumulado do ano, a queda foi de 14,3%, para 9,95 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo Instituo Aço Brasil na segunda-feira.

As exportações caíram de 1 milhão de toneladas para 732 mil toneladas, uma queda de 28,8% em abril. Entre janeiro e abril, a queda foi de 16,6%, para 3,42 milhões de toneladas.

Devido à pandemia do coronavírus, o uso da capacidade instalada da indústria de aço ficou pouco acima de 40%. Em geral, o uso da capacidade instalada fica acima de 80%.

A fabricante de aeronaves Embraer comunicou que a Congo Airways fez uma alteração no pedido firme realizado em dezembro de 2019. Originalmente, o pedido era de duas aeronaves de E175 e passou a ser uma encomenda de dois jatos E190-E2.

A alteração fez com que o valor do contrato passe para US$ 256 milhões, ante US$ 194 milhões do contrato anterior. O início da entrega está previsto para o segundo trimestre de 2022.

Comgás (CGAS5) e Cosan (CSAN3)

A companhia de distribuição de gás Comgás, que faz parte do Grupo Cosan, registrou no primeiro trimestre do ano um lucro líquido de R$ 379 milhões, uma alta de 89,4% na comparação com igual período do ano passado.

Já a receita líquida registrou alta de 12%, para R$ 2,3 bilhões. O Ebitda, na mesma base de comparação, subiu 52,6%, para R$ 447,1 milhões.

A Hypera informou em fato relevante que João Alves de Queiroz Filho concordou em pagar R$ 110,6 milhões como indenização à companhia referentes a pagamentos indevidos realizados na época em que era um dos administradores da companhia.

O pagamento será realizado em quatro parcelas iguais, sendo a primeira à vista e as demais nos anos seguintes.

Os pagamentos indevidos se tornaram públicos em 2016, a partir da “Operação Tira Teima”, conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF).

Em relatório, o Morgan Stanley lembra que a investigação federal segue o seu curso e pode resultar em uma multa à Hypera. Os analistas contabilizam que essa eventual multa possa chegar a R$ 200 milhões e uma definição sobre o tema será positiva para a empresa. “Uma definição acabará por abrir espaço para os investidores estrangeiros voltarem à história”, afirmaram.

A Minerva informou que a unidade de Palmeiras de Goiás (GO) foi habilitada para as exportações de carne para a Tailândia, país do sudeste asiático que conta com uma população de 70 milhões de habitantes.

A unidade de Palmeiras de Goiás tem capacidade diária de abate de 2 mil cabeças.

Ainda no segmento de proteína, o Bradesco BBI ressaltou que exige atenção a possibilidade de suspensão das operações dos frigoríficos devido à pandemia do coronavírus. “Continuamos a monitorar como a situação evolui no Brasil e seguimos preocupados com o impacto de possíveis reduções forçadas na produção dos negócios integrados e não integrado devido à Covid-19”, afirmar os analistas em relatório que trata dos casos da doença em uma das unidades da BRF.

A BRF informou, na segunda-feira à noite, que quase 340 dos 5.132 trabalhadores do frigorífico de Concórdia (SC) testaram positivo para Covid-19 e estão afastados. Todas as unidades da companhia estão operacionais.

Ambipar

A empresa de gestão ambiental Ambipar retomou o seu plano de abertura de capital. A companhia entrou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um pedido de reanálise de sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

O registro do pedido do IPO foi feito em fevereiro, mas suspenso com o agravamento da pandemia causada pelo coronavírus.

Como ler o mercado financeiro e aproveitar as oportunidades: conheça o curso A Grande Tacada, do Fernando Góes – de graça nos próximos dias!

(Com Agência Estado)

E-commerce do Magalu anima após resultado do 1º tri; Centauro pode captar até R$ 928 mi em follow-on e mais notícias

A crise provocada pela pandemia começa a ficar ainda mais visível nas empresas que atuam no Brasil e tem exigido medidas mais severas. O Grupo Latam Airlines informou que as afiliadas do Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos entraram com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos.

Embora a decisão não englobe as operações na Argentina, Brasil e Paraguai, a notícia pode repercutir na negociação das ações das empresas aéreas negociadas na B3.

Os balanços das companhias brasileiras também mostram os efeitos econômicos da pandemia do coronavírus, mas revelam que as empresas mais adiantadas no processo de transformação digital conseguiram compensar parte das perdas causadas pelo isolamento social. No caso do Magazine Luiza, o comércio eletrônico atingiu 53,3% das vendas totais no primeiro trimestre do ano. Confira os destaques:

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Destaque para uma notícia que pode movimentar o setor aéreo, em  meio a um cenário já complicado por conta da pandemia do novo coronavírus. O Grupo Latam Airlines informou em comunicado nesta terça-feira que a companhia e suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos recorreram ao Capítulo 11 da lei de falências americana, que permite prazo para que as companhias se reorganizem financeiramente.

Argentina, Brasil e Paraguai não estão incluídos no processo. No documento, a empresa aérea afirmou que “anuncia reorganização para garantir sustentabilidade no longo prazo”.

No Brasil, a Latam tem conversado com o governo sobre uma saída para a atual situação. Gol e Azul, que possuem capital aberto no Brasil, já avisaram que vão acessar os recursos ofertados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Magazine Luiza (MGLU3)

O Magazine Luiza registrou um lucro líquido de R$ 30,8 milhões no primeiro trimestre do ano, uma queda de 76,7% na comparação com igual período de 2019. As receitas líquidas totalizaram R$ 5,234 bilhões alta de 20,9%.

Apesar da queda do lucro, a empresa mostrou avanço no comércio eletrônico. O e-commerce passou de 41,4% do total das vendas no primeiro trimestre de 2019 para 53,3% nos primeiro três meses de 2020.

O Ebitda da varejista ficou em R$ 332,6 milhões, queda de 15,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano. A margem passou de 9,1% para 6,4%.

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Na avaliação dos analistas do Bradesco BBI, os resultados deixam o Magazine Luiza na posição de um dos vencedores da atual crise. O crescimento do comércio eletrônico, os prazos de entrega e a comercialização de novos segmentos, como cosméticos, foram destacados. “Vemos a queda nos lucros como uma questão menos importante, devido ao progresso estratégico significativo que está sendo feito”, avaliaram.

Para o Itaú BBA, o resultado foi positivo ao mostrar a resiliência da companhia, que conseguiu acelerar as vendas do comércio eletrônico no momento em que as lojas físicas fecharam em meados de março.

A XP Investimentos, por sua vez, destaca que o Magalu reportou resultados do primeiro trimestre que foram negativamente impactados pelo fechamento temporário das lojas no final do mês de março. Entretanto, a operação online cresceu de maneira exponencial no segundo trimestre até o momento.

Conforme destaca o analista Pedro Fagundes, da XP, a receita no período foi em linha com as expectativas, com a operação física apresentando uma queda de vendas no conceito mesmas lojas de -4,5% na base anual (alta de 8,0% ex-Covid), enquanto o e-commerce reportou um crescimento de vendas de 72,6% na comparação anual. Por outro lado, o Ebitda reportado ficou 22% abaixo da projeção da XP, com uma pressão de queda de 3,9 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2019.

“Entretanto, a operação online do Magalu (cerca de 50% das vendas) cresceu de maneira exponencial no segundo trimestre até o momento (alta de 138% na base anual em abril e alta de 203% em maio até o dia 20). Na nossa visão, o ritmo da aceleração é uma surpresa positiva e mostra como a companhia está bem posicionada não só para atravessar os desafios impostos pela crise atual, mas também para continuar acelerando os seus esforços de ganho de participação de mercado e de aumento da monetização da plataforma”, avalia. A XP mantém recomendação de compra e elevou o preço-alvo de R$ 58 para R$ 71 ao final de 2020.

O Credit Suisse aponta ainda que o resultado do Magalu, que era um dos mais esperados da temporada de balanços, não desapontou e passou sinais bastante animadores em termos de vendas para o segundo trimestre de 2020.

Como esperado, os valores de vendas brutas online (GMV) apareceram como grande destaque e avançaram 72,6%, chegando a um total de 53% do GMV da empresa. A rentabilidade sofreu um pouco com a incorporação da Netshoes, investimento em nível de serviço e um mix de vendas um pouco pior. A margem Ebitda caiu cerca de 370 pontos-base na comparação anual e ficou em 5,2%.
Vale ressaltar, contudo, que o Magalu conseguiu aumentar o GMV total em 7% em abril e 46% em maio. O nível de crescimento de GMV online avançou 138% e 203% respectivamente, mesmo com a grande maioria das lojas físicas fechadas.

“As lojas físicas tem uma rentabilidade melhor do que a operação online e acreditamos que a margem no segundo trimestre deva ser um pouco pior. De toda forma, o grande apelo da história está no crescimento e nos parece razoável acreditar que o mercado irá dar um peso maior a este ponto do que a rentabilidade”, avaliam os analistas do Credit.

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Eles apontam reconhecer o que consideram um trabalho brilhante feito pela gestão, mas apontam que o papel negocia a um patamar que implica expectativas bastante altas. Assim, possuem recomendação neutra para a ação, que pode ser justificada pelo ponto de que este patamar indica um nível de crescimento excessivamente forte ou então um destravamento de valor de iniciativas ainda incipientes (Magalupay, MaaS, IDPV).

Centauro (CNTO3)

A varejista de roupas e acessórios esportivos Centauro (Grupo SBF) vai realizar uma oferta pública de ações ordinárias que pode chegar a movimentar até R$ 928,8 milhões. O Conselho de Administração da empresa enviou nesta manhã à CVM o fato relevante da oferta.

A oferta será feita com esforços restritos e considera 25 milhões de ações ON, mas com possibilidade de um lote adicional de até 35% (8,75 milhões). Considerando a cotação do papel na segunda-feira, R$ 27,52, a operação pode movimentar R$ 928,8 milhões. O período de reserva termina em 2 de junho.

Marcopolo (POMO4)

Já a Marcopolo apresentou no primeiro trimestre de 2020 um lucro líquido de R$ 10,7 milhões, uma queda de 60% na comparação com igual período de 2019.

A fabricante de carrocerias de ônibus registrou uma receita líquida de R$ 919,4 milhões, alta de 2,3%. O Ebitda ajustado ficou em R$ 68 milhões, crescimento 13%.

O Bradesco BBI lembra que o fechamento das linhas de produção causado pelo avanço da Covid afetou o resultado da empresa, mas a visão para o resultado da companhia é neutra. “A classificação é baseada pelo provável adiamento dos planos de renovação de frota devido ao impacto da Covid-19; algumas das 4.800 unidades relacionadas ao programa “Estrada para a Escola” do governo federal podem ser canceladas ou adiadas; e os volumes mais baixos devem levar à deterioração da margem” explicaram.

A Vale anunciou, na segunda-feira à noite, que está negociando a venda de sua participação na Vale Nouvelle-Calédonie de forma exclusiva com a australiana New Century Resources.

Segundo comunicado à CVM, as negociações incluem um pacote financeiro para dar suporte a continuidade das operações da Vale Nouvelle-Calédonie.

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Para o Bradesco BBI, a venda da VNC é um passo estratégico positivo para a Vale, uma vez que é um ativo de baixo desempenho. “A Vale já havia divulgado que estava analisando sua base de ativos para se concentrar nos ativos principais e rentáveis e que se enquadram na estratégia da empresa”, avaliaram os analistas em relatório a clientes.

Já o Conselho de Administração da JHSF aprovou a aquisição, por R$ 3 milhões, da Casa Fasano, que oferece serviços de buffet em todo o território nacional.

CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5)

A produção de aço bruto foi de 1,8 milhão de toneladas em abril, um recuo de 39% na comparação com igual mês do ano passado. No acumulado do ano, a queda foi de 14,3%, para 9,95 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo Instituo Aço Brasil na segunda-feira.

As exportações caíram de 1 milhão de toneladas para 732 mil toneladas, uma queda de 28,8% em abril. Entre janeiro e abril, a queda foi de 16,6%, para 3,42 milhões de toneladas.

Devido à pandemia do coronavírus, o uso da capacidade instalada da indústria de aço ficou pouco acima de 40%. Em geral, o uso da capacidade instalada fica acima de 80%.

A fabricante de aeronaves Embraer comunicou que a Congo Airways fez uma alteração no pedido firme realizado em dezembro de 2019. Originalmente, o pedido era de duas aeronaves de E175 e passou a ser uma encomenda de dois jatos E190-E2.

A alteração fez com que o valor do contrato passe para US$ 256 milhões, ante US$ 194 milhões do contrato anterior. O início da entrega está previsto para o segundo trimestre de 2022.

Comgás (CGAS5) e Cosan (CSAN3)

A companhia de distribuição de gás Comgás, que faz parte do Grupo Cosan, registrou no primeiro trimestre do ano um lucro líquido de R$ 379 milhões, uma alta de 89,4% na comparação com igual período do ano passado.

Já a receita líquida registrou alta de 12%, para R$ 2,3 bilhões. O Ebitda, na mesma base de comparação, subiu 52,6%, para R$ 447,1 milhões.

A Hypera informou em fato relevante que João Alves de Queiroz Filho concordou em pagar R$ 110,6 milhões como indenização à companhia referentes a pagamentos indevidos realizados na época em que era o administrador da companhia.

O pagamento será realizado em quatro parcelas iguais, sendo a primeira à vista e as demais nos anos seguintes.

Os pagamentos indevidos se tornaram públicos em 2016, a partir da “Operação Tira Teima”, conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF).

Em relatório, o Morgan Stanley lembra que a investigação federal segue o seu curso e pode resultar em uma multa à Hypera. Os analistas contabilizam que essa eventual multa possa chegar a R$ 200 milhões e uma definição sobre o tema será positiva para a empresa. “Uma definição acabará por abrir espaço para os investidores estrangeiros voltarem à história”, afirmaram.

A Minerva informou que a unidade de Palmeiras de Goiás (GO) foi habilitada para as exportações de carne para a Tailândia, país do sudeste asiático que conta com uma população de 70 milhões de habitantes.

A unidade de Palmeiras de Goiás tem capacidade diária de abate de 2 mil cabeças.

Ainda no segmento de proteína, o Bradesco BBI ressaltou que exige atenção a possibilidade de suspensão das operações dos frigoríficos devido à pandemia do coronavírus. “Continuamos a monitorar como a situação evolui no Brasil e seguimos preocupados com o impacto de possíveis reduções forçadas na produção dos negócios integrados e não integrado devido à Covid-19”, afirmar os analistas em relatório que trata dos casos da doença em uma das unidades da BRF.

A BRF informou, na segunda-feira à noite, que quase 340 dos 5.132 trabalhadores do frigorífico de Concórdia (SC) testaram positivo para Covid-19 e estão afastados. Todas as unidades da companhia estão operacionais.

Ambipar

A empresa de gestão ambiental Ambipar retomou o seu plano de abertura de capital. A companhia entrou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um pedido de reanálise de sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

O registro do pedido do IPO foi feito em fevereiro, mas suspenso com o agravamento da pandemia causada pelo coronavírus.

Como ler o mercado financeiro e aproveitar as oportunidades: conheça o curso A Grande Tacada, do Fernando Góes – de graça nos próximos dias!

(Com Agência Estado)

Ação da BRF dispara 11% após balanço e IRB despenca 15% com fiscalização da Susep; Gol e Azul caem 5%

O noticiário corporativo é movimentado, com os investidores atentos principalmente à temporada de resultados.

A BRF (BRFS3) vê suas ações subirem mais de 11% após o resultado do primeiro trimestre após resultados fortes, em que a empresa teve expansão de 21% na receita líquida, para R$ 8,9 bilhões. M. Dias Branco (MDIA3) também vê suas ações subirem, cerca de 6%, após o balanço.

Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4), por sua vez, caem 5%, após a Avianca Holdings, uma das maiores aéreas da América Latina, entrar com pedido de recuperação judicial no domingo (10) em Nova York, sem conseguir arcar com suas dívidas no que seu CEO, Anko van der Werff, chamou de “crise mais desafiadora de seus 100 anos de história”.

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Em um comunicado, a companhia diz que o pedido foi necessário “pelo imprevisto impacto da pandemia de Covid-19, que resultou em um declínio global de 90% no tráfego de passageiros e deve reduzir as receitas da indústria mundialmente em US$ 314 bilhões”. Veja mais clicando aqui. A Azul ainda divulgou os dados operacionais de abril, informando que teve uma queda de 90% no tráfego de passageiros consolidado, em comparação a abril do ano passado.

Já as ações do IRB (IRBR3) têm uma nova sessão de forte queda, de mais de 15%, após a Susep iniciar fiscalização na empresa.

Enquanto isso, papéis de Vale e Petrobras abriram em queda em meio a preocupações com reabertura econômica e possível reaceleração do número de casos em alguns países da Europa e da Ásia, mas a petroleira virou para leve alta. Vale ressaltar que o petróleo virou para ganhos durante a manhã após a Aramco dizer que vai cortar unilateralmente a produção de petróleo em mais 1 milhão de barris por dia. Confira os destaques:

A BRF informou que teve um prejuízo de R$ 38 milhões no 1º trimestre de 2020, um resultado melhor que em igual período do ano passado, quando os prejuízos foram de R$ 101 milhões. A empresa informou que pagou R$ 204 milhões para encerrar uma ação judicial nos Estados Unidos, enquanto seus resultados foram afetados pelos impactos da forte desvalorização do real frente ao dólar – parte da dívida da BRF está em dólares.

Apesar do resultado negativo, a BRF informou ter encerrado o 1º trimestre com caixa líquido de R$ 10,5 bilhões, uma posição melhor que no final de igual período de 2019, quando chegou ao fim de março com R$ 2 bilhões no caixa.

A receita líquida avançou 21% sobre o 1º trimestre de 2019 para R$ 8,9 bilhões. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 1,2 bilhão no 1º trimestre deste ano, um crescimento de 67,2% sobre igual trimestre de 2019. A margem Ebitda ficou em 14%, um avanço de 3,8 pontos porcentuais. O crescimento da BRF foi maior no exterior do que no Brasil. As operações no exterior tiveram avanço de 25,6% na receita líquida, para R$ 4 bilhões.

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No Brasil, o crescimento foi menor, de 18,1% para R$ 4,65 bilhões. O volume comercializado pela BRF cresceu 8%, o que representou 1,1 milhão de toneladas de carnes. A desvalorização do real frente ao dólar piorou a alavancagem da empresa, com a relação dívida líquida sobre o Ebitda em 2,65 vezes (2,65x), um leve aumento de 0,18 vezes sobre o 4º trimestre de 2019. Ainda assim, a alavancagem caiu drasticamente em relação ao 1º trimestre de 2019, quando estava em 5,68 vezes (5,68x).

A BRF afirma que intensificou a exportação de carnes de aves para a China no 1º trimestre, mesmo com os impactos da epidemia da Covid-19. A empresa também lançou carne suína da marca Sadia no mercado chinês, em associação com uma empresa local. No Brasil a empresa lançou costelas em tiras e linhas de produtos vegetarianos. No mercado halal, a BRF retomou as exportações para o Iraque e avançou a participação das suas marcas Sadia e Banvit para 77% do mercado de frango na Turquia.

Betina Roxo, analista da XP Investimentos, destaca que a BRF reportou resultados mais fortes do que o esperado. A analista destaca que a relação dívida líquida / EBITDA da BRF caiu de 6,1 vezes no primeiro trimestre de 2019 para 2,7 vezes neste ano, mas cresceu um pouco na comparação trimestral (2,5 vezes no quarto trimestre) devido a efeitos cambiais não-caixa (aumento de 0,36 vez atribuível exclusivamente a esse efeito, de acordo com a empresa), parcialmente compensados pela sólida geração de caixa.

“Vemos as ações negociando a um patamar atrativo de 5,7 vezes oEV/EBITDA em 2020 e mantemos nossa recomendação de compra”, destaca a XP.

Os bancos Itaú BBA e Morgan Stanley também avaliaram como “fortes e sólidos” os resultados do 1º trimestre da BRF, com destaque para as vendas no Brasil e na China. O Itaú BBA destacou que o Ebitda de R$ 1,2 bilhão chegou 14% acima da projeção. “Os resultados foram amplamente bons, com destaque para as vendas em vários mercados internacionais, pois a empresa se aproveitou da depreciação do real e do aumento do número de frigoríficos aptos a exportar para a China”, avalia o Itaú BBA. O BBA comenta que o crescimento foi forte também no Brasil, com a divisão de alimentos processados puxando a atividade. Embora a empresa tenha reportado prejuízo de R$ 38 milhões, o mercado estimava prejuízo até maior, de R$ 104 milhões, por isto este resultado não surpreendeu.

“Nós ficamos positivamente surpresos com o aumento das exportações, principalmente para a China. Houve um crescimento de 11% no Ebitda no mercado internacional, para R$ 445 milhões no trimestre, e isto sobre uma base forte no ano passado”, destacou o BBA, notando que a peste suína africana atingiu os países asiáticos e abriu mercado para a BRF, principalmente na China. O BBA mantém a recomendação outperform – acima da média – para a ação BRFS3, com preço-alvo de R$ 42,00, uma alta de 126% sobre o preço do papel na B3 no dia 8.

Para o banco Morgan Stanley, os resultados trimestrais da BRF vieram acima das expectativas. “Os resultados da BRF chegaram 13% acima das nossas projeções. Sem surpresas no Brasil, o principal motor de expansão foi o mercado externo, principalmente a China. A China continua a ser a principal importadora, as vendas as BRF aumentaram em 90% para o país asiático na base anual, com um número maior de frigoríficos da empresa autorizados a exportar para lá”, destacou o Morgan Stanley.

O banco detalhou que a exportação para o mercado halal cresceu apenas 3%, em parte por restrições da Turquia, em parte pelo fechamento temporário da planta em Abu Dhabi, que exporta para a Arábia Saudita. No balanço, a BRF anunciou a aquisição de um frigorífico na Arábia Saudita. Embora o Morgan tenha feito análise positiva, a ação da BRF continua com nota underweight – peso abaixo da média do mercado – e preço-alvo de R$ 18,00 para 2020.

A BRF ainda anunciou a compra da Joody Al Sharqiya Food Production por US$ 8 milhões.

M.Dias Branco (MDIA3)

A M.Dias Branco viu seu lucro subir 140,8% no primeiro trimestre de 2020, de R$ 56 milhões para R$ 137 milhões. Já o Ebitda foi de R$ 228,5 milhões, alta de 103%.

A margem Ebitda teve alta de 5,5 pontos percentuais, de 8,5% para 14%. A receita líquida subiu 24,3% e foi a R$ 1,6 bilhão com o crescimento de dois dígitos nos volumes de biscoitos, massas, farinha, margarinas e gorduras.

“Observamos um forte desempenho das vendas na segunda quinzena de março, fruto das medidas de distanciamento social para a contenção da pandemia de Covid-19”, destacou a companhia.

O banco Itaú BBA avaliou como positivos os resultados do 1º trimestre da M. Dias Branco, maior indústria moageira e fabricante de bolachas do país. “Houve um forte crescimento no volume de vendas, de 25% nas bolachas e de 27% nas massas de espaguete e macarrão na base anual. O Ebitda chegou 15% acima das nossas estimativas”, comentou o BBA. Segundo o banco, o portfólio da M. Dias Branco deve se mostrar resiliente durante a epidemia do coronavírus.

O BBA comenta que a forte desvalorização do real pode representar um aumento de custos para a empresa mais tarde em 2020, porque o Brasil ainda importa mais de 50% do trigo que consome. O banco mantém a nota market perform – média de mercado, com preço-alvo de R$ 39,00 para ação MDIA3 em 2020, uma alta de 22,8% sobre o preço na B3 no dia 8.

IRB Brasil (IRBR3)

O IRB foi informado sobre instauração de Fiscalização Especial devido a uma insuficiência na composição dos ativos garantidores de provisões técnicas, e consequentemente da liquidez regulatória, segundo fato relevante divulgado pelo IRB.

A situação decorre, em especial, dos efeitos da variação cambial sobre provisões técnicas em moeda estrangeira, tendo em vista o cenário causado pelo Covid-19, diz o IRB.

Outro fator identificado foi o aumento das provisões de sinistros a liquidar durante o primeiro quadrimestre de 2020. A decisão poderá ser revertida assim que as provisões técnicas se adequarem às normas vigentes, a critério da Susep.

“A companhia observa elevado índice de solvência e de volume de ativos livres”, ressaltou, explicando que, em virtude de determinadas características, esses ativos não são aceitos pelo órgão regulador para coberturas das provisões técnicas e da margem adicional de liquidez regulatória.

O IRB afirmou que está comprometido e empenhado “em encontrar alternativas para solucionar a questão, com a maior brevidade possível, mesmo no atual cenário adverso motivado pelo Covid-19”.

A decisão não afeta a administração regular dos negócios da empresa, destacou.

Segundo o Itaú BBA, a notícia é claramente negativa e fará o mercado questionar novamente a governança corporativa da empresa, bem como suas práticas contábeis (como foi o caso durante o mandato de sua antiga administração – que deixou a empresa em março de 2020).

“Embora a empresa tenha deixado claro que não possui nenhum problema de solvência para cobrir provisões técnicas, esclareceremos com a administração quais são as próximas etapas do ponto de vista regulatório. No entanto, apesar de estar parcialmente relacionado aos números de 2020, deve levantar novas questões sobre a agressividade contábil da empresa em relação às demonstrações financeiras do passado”, afirmam os analistas do banco.

Centauro (CNTO3)

O Grupo SBF, dono da rede de lojas Centauro, busca recursos para reduzir o endividamento, segundo informações do Valor Econômico, citando três fontes não identificadas. A redução do endividamento vinha sendo feita com geração de caixa, que foi afetada pela crise.

A companhia contratou basicamente os mesmos bancos do IPO em 2019, BTG Pactual, Bradesco BBI e Itaú BBA; o Banco do Brasil foi substituído pelo Santander, diz a publicação.

O banco Morgan Stanley rebaixou a recomendação para a ação da Gerdau para equal-weight – exposição abaixo da média do mercado – citando como motivo os fatores desfavoráveis na economia brasileira, não na siderúrgica em si, que o banco define como uma “empresa bem dirigida”.

Segundo o Morgan Stanley, o papel da Gerdau oferece uma possibilidade limitada de alta. “A partir de março as ações da Gerdau tiveram uma performance superior em 20 pontos porcentuais ao Ibovespa, mas agora alguns ventos contrários sopram: o setor de construção civil se enfraquece nos Estados Unidos e a perspectiva é de crescimento econômico anêmico no Brasil. Acreditamos que a relação risco-recompensa no papel está em 1 por 1”, avalia o Morgan. O banco cortou o preço-alvo do papel GGBR4 para R$ 13,70 em 2020, avaliando que agora o potencial de alta da ação está limitado.

A Petrobras confirmou óleo de ótima qualidade na área sudeste do campo de Búzios e maior potencial no pré-sal
do campo de Albacora, segundo comunicado ao mercado. No campo de Búzios, o poço possui profundidade d’água de 2.108 metros. Já foram identificados 208 metros de reservatórios confirmando óleo com a mesma qualidade do que está sendo produzido hoje no campo.

A Petrobras é a operadora do consórcio no campo de Búzios, com participação de 90%. Em Albacora, a descoberta consiste em cerca de 214 metros de reservatórios, com presença de óleo leve. A Petrobras é a operadora do campo de Albacora, com participação de 100%.

Notre Dame Intermédica (GNDI3

O Grupo Notre Dame Intermédica informou ao mercado que encerrou no dia 8 de maio o seu programa de recompra de ações. A empresa de planos de saúde, laboratórios e hospitais adquiriu 3,36 milhões de ações ordinárias GNDI3, ou 0,56% do capital social da companhia, em operações na B3.

A Azul informou na manhã de hoje seus dados operacionais preliminares de abril e comunicou que teve uma queda de 90% no tráfego de passageiros consolidado, em comparação a abril do ano passado. Segundo a empresa aérea, houve redução de 87,7% na capacidade. Os dados se refletiram em uma taxa de ocupação de 69,8% nos voos domésticos e de 64% nos voos internacionais.

“De 25 de março a 30 de abril, operamos uma malha essencial com 70 voos diretos por dia para 25 cidades, representando uma redução de 87% na capacidade doméstica em comparação a igual período do ano passado”, comentou o executivo-chefe da Azul, John Rodgerson. Segundo ele, a taxa de ocupação de quase 70% nos voos domésticos foi suficiente para cobrir os custos operacionais e a empresa projeta aumentar os voos nos próximos meses, à medida em que a demanda voltar a crescer.

A AutoBan, concessionária do Grupo CCR que administra as rodovias Anhangüera e Bandeirantes, que ligam a capital paulista ao interior do Estado, informou que houve uma queda de 25,7% no tráfego de veículos pagantes nas duas autoestradas entre os dias 1º e 7 de maio, em comparação a igual período do ano passado. Entre os automóveis, a queda do tráfego foi de 50,71%; entre os veículos comerciais, houve recuo de 1,5%.

No acumulado do ano de 2020, houve queda de 21,4% no tráfego pagante de veículos de passeio e leve crescimento de 0,1% no de veículos comerciais. No total, houve queda de 10,4% no tráfego total do sistema Anhangüera-Bandeirantes de 1º de janeiro a 7 de maio de 2020.

Paranapanema (PMAM3

A Paranapanema teve um prejuízo líquido de R$ 569,7 milhões no 1º trimestre deste ano, informou a empresa em balanço. O resultado mostrou que as perdas se aprofundaram muito em relação a igual período do ano passado, quando o prejuízo foi de R$ 38,9 milhões.

Segundo a fabricante de produtos de cobre, o prejuízo ocorreu por causa dos efeitos da desvalorização do real frente ao dólar sobre a sua dívida em moeda americana. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 61,1 milhões no 1º trimestre, uma queda de 7% sobre igual trimestre de 2019.

A receita líquida da empresa recuou 32% na base anual, para R$ 909,7 milhões no 1º trimestre. A dívida líquida da Paranapanema saltou de R$ 2 bilhões no 1º trimestre do ano passado para R$ 2,7 bilhões no 1º trimestre de 2020. Segundo a indústria, 95% da sua dívida está indexada ao dólar.

A relação dívida líquida sobre o Ebitda, que estava em 12,8 vezes (12,8x) no 1 º trimestre de 2019, caiu para 10,7 vezes (10,7x) no final de março deste ano. Em 6 de maio, a Paranapanema fechou um novo Acordo de Consentimento (Standstill) com seus principais credores, para que não executem as dívidas durante 30 dias.

Avianca 

O banco Bradesco BBI avaliou o pedido de falência que a empresa aérea Avianca fez no sábado a um tribunal em Nova York. Segundo o BBI, a Avianca já era a empresa com a posição mais frágil na América Latina antes da epidemia do coronavírus. “O plano de reestruturação da empresa, anunciado em dezembro de 2019, não teve tempo para dar frutos. Para sobreviver à Covid-19, no dia 10 a Avianca entrou com um pedido de proteção contra os credores em um tribunal de Nova York. A empresa apresentou um plano para reestruturar suas dívidas de US$ 10 bilhões”, comentou o BBI. O banco também comentou que a empresa aérea colombiana busca algum tipo de financiamento do governo colombiano. Na manhã de hoje, Bogotá descartou uma injeção de capital na empresa privada, mas sinalizou com um possível “crédito extraordinário” para a Avianca. O Bradesco BBI mantém a nota underperform – abaixo da média de mercado, para o ADR da Avianca negociado em Nova York, com preço-alvo de 50 centavos de dólar para o papel em 2020. “Nós acreditamos que o pedido de falência tende a beneficiar a Latam Airlines e a Copa Airlines na região latino-americana”, avalia o BBI.

A Vale iniciou o protocolo de emergência nível 1 da barragem Dicão Leste.

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(Com Bloomberg, Agência Estado e Agência Brasil)

“99% investidos”: As ações que ficaram baratas, segundo a HIX Capital

Carrinho de supermercado (Shutterstock)

Uma crise grave, mas repleta de oportunidades. É assim que Gustavo Heilberg, gestor da HIX Capital, vê a tempestade pela qual os mercados têm passado nas últimas semanas.

Durante entrevista concedida ao analista Thiago Salomão no Instagram do Stock Pickers nesta quarta-feira (25), Heilberg falou das diferenças entre a crise que vivemos e as anteriores, e revelou as mudanças realizadas na carteira do fundo nos últimos dias.

A transmissão faz parte do quadro Coffee & Stocks, uma série de conversas com alguns dos principais gestores do país, que vai ao ar todos os dias, às 7h15, no Instagram do Stock Pickers.

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“Estamos acostumados a crises que se alastraram pelo mundo através do mercado financeiro e que demoraram algum tempo para chegar na economia real. Dessa vez, os empresários estão tão desesperados quanto o mercado financeiro, porque nunca vimos uma situação como essa de paralisação total”, afirmou.

Segundo ele, essa preocupação generalizada tem dificultado o trabalho de gestão, já que o diálogo com os empresários faz parte de seu processo de investimento. “É comum você ver pânico no mercado, mas não tão comum ver pânico na economia real. Está ficando cada vez mais claro que, pelo menos por enquanto, o shutdown é a melhor solução que temos, mas isso está trazendo apreensão para os empresários”, disse.

O combate à pandemia do novo coronavírus fez com que o governo do Estado de São Paulo estabelecesse quarentena por ao menos 15 dias em todas as 645 cidades do estado a registrar casos e mortes.

A medida também foi tomada pela administração de outros municípios do país, como o Rio de Janeiro, apesar de ter recebido críticas de vários empresários.

“Nosso trabalho como gestores é separar sinais de ruídos, conversar com muita gente e estudar muito para entender quem vai passar pela crise”, ressaltou Heilberg. “Essa crise tem começo, meio e fim, e quem passar por ela e tiver bons fundamentos vai sobreviver.”

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A estratégia da HIX

Antes de partir para as compras, a HIX tratou de desinvestir de negócios com grande endividamento.

Heilberg prefere não revelar as empresas que saíram da carteira do fundo. Limita-se a dizer que vendeu ações de companhias de varejo com custo fixo elevado, margem baixa e alavancagem alta. Ele acrescentou que o portfólio do fundo já não contava com papéis “da CVC e de companhias aéreas”.

Feito isso, o fundo tratou de alocar o dinheiro que vinha acumulando em caixa. “Estamos praticamente 99% investidos e creio que esse seja o maior nível desde quando a HIX começou”.

A nova realidade do mercado brasileiro também fez com que o fundo pulverizasse suas posições. “Estamos mais diversificados do que costumamos ser. Normalmente o fundo chega a ter 20% em uma posição. Hoje, nossa maior está com 10%, e estamos com quase 30 posições”, afirma Heilberg.

Para ele, o fluxo vendedor da Bolsa nas últimas semanas fez com que muitas empresas passassem a negociar a valores descontados. “Tem muita coisa atrativa. Está mais fácil achar o que você quer comprar do que o que não quer comprar. É o inverso do que tínhamos em janeiro. Não à toa, tínhamos mais caixa naquele momento”.

A diversificação, porém, é mais do que uma forma de aproveitar o potencial de diferentes ativos. É uma estratégia de proteção em um cenário ainda nebuloso. “Hoje, o risco de apostar em um só cavalo não compensa. Faz sentido essa diversificação um pouco maior do que o comum”, defende.

O que está no carrinho

A empresa de energia Eneva, que viu seus papéis caírem quase 40% nos últimos dias, voltou a entrar para o radar de oportunidades da HIX.

Heilberg conta que o fundo vinha diminuindo gradativamente sua posição no ativo, que chegou a compor mais de 20% da carteira. Agora, com a queda recente, chegou a hora de encher o carrinho novamente. Hoje, mesmo com apenas 10% de participação, a empresa representa a maior posição do fundo.

“O impacto do coronavírus sobre a Eneva é praticamente zero. O único impacto que poderiam argumentar é custo de capital, o risco país e a mudança na taxa de desconto, porque ela tem receita contratada com volume e preço definido. Mas é um negócio resistente a crises”, defende.

Segundo ele, dois fatores ajudam a explicar o tombo dos papéis nas últimas semanas. O primeiro, de natureza macro, é a pressão vendedora que contaminou todo o Ibovespa nos últimos dias. O segundo foi a posição alavancada de outro fundo na companhia de energia. Quando ele foi estopado, teve que se desfazer dos papéis da companhia na baixa.

Heilberg conta que também aproveitou o momento para ampliar a participação do fundo em sua segunda maior posição, A AES Tietê. De acordo com ele, o racional por trás da compra é o mesmo: a crise atual não deve impactar significativamente os resultados da empresa.

Outro upside para a empresa está em uma possível fusão com a própria Eneva, que pode trazer bastante sinergia para ambas as operações.

A terceira maior posição do fundo, também ampliada nos últimos dias, é a fabricante de alimentos Camil. “As pessoas vão continuar comendo. Talvez comam menos fora e mais em casa, o que as levará mais aos supermercados. E a Camil está conseguindo operar super bem. Conversamos com a companhia esses dias, e estamos muito tranquilos”, afirma.

Farinha de outro saco

Muitos investidores têm fugido de empresas de setores mais cíclicos (sensíveis aos momentos da economia) para proteger sua carteira. Para Heilberg, jogar todas elas em uma vala comum pode ser um erro. Dois casos citados pelo gestor são as operadoras de planos de saúde Sul América e Hapvida.

“O mercado colocou que vai haver aumento da sinistralidade devido ao aumento de casos de coronavírus. Conversamos com diretores de hospitais para entender os impactos na cadeia de custos do coronavírus. E o tratamento em si é barato, o problema é a falta de infraestrutura hospitalar. E isso faz com que você não tenha um aumento tão grande de custos para as operadoras como o que tem sido colocado na conta”.

Além disso, segundo Heilberg, a falta de infraestrutura e a própria quarentena têm feito com que muitos pacientes adiem ou cancelem procedimentos mais caros e menos urgentes, como cirurgias estéticas, exames de rotina e consultas.

“Para completar, essas empresas estão super sólidas. A Hapvida passou por um follow on recentemente e a Sul América vendeu uma de suas divisões por pouco mais de R$ 3 bilhões”, ressalta. “No longo prazo, o Brasil continua sendo subpenetrado no sistema de Saúde, o SUS continua sendo ruim, e esses caras continuam sendo dois dos maiores operadores de Saúde do país”, afirma.

O hambúrguer sobrevive

Heilberg vê boas oportunidades até mesmo em empresas que já estão sofrendo com os impactos da crise na economia real. Alguns exemplos são a Centauro, o Burger King e a Jereissati e Iguatemi, que também entraram para a carteira do fundo.

“A Centauro vai sofrer, mas é bem gerida e está em uma situação confortável. Sobre o Burger King, as pessoas vão voltar a comer hambúrguer no dia em que a crise acabar. Jereissati e Iguatemi é outro. Se os shoppings ficam fechados por um ano, o impacto nos papéis deveria ser da ordem de 5%, mas eles caíram 50%, 60%”.

Lockdown seletivo ou total?

O Stock Pickers perguntou ao gestor se ele é a favor de um lockdown total ou seletivo da economia. Para ele, deveríamos “evoluir gradativamente” para a segunda opção.

“O resultado de ficarmos completamente fechados por um período muito longo é devastador. O impacto disso via aumento da miséria, violência, é muito grande. A empresa média no Brasil tem 27 dias de caixa. Ficar 1 ou 2 meses fechado é horroroso. O problema é tão grande que virou um problema de governo. O caminho talvez seja isolar as pessoas com idade ou comorbidades, mas sem parar completamente tudo”, defende.

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Como a parceria entre Centauro e Nike pode afetar o Magazine Luiza?

SÃO PAULO – A parceria estratégica entre o Grupo SBF e a Nike, que inclui a compra da Nike do Brasil e exclusividade de distribuição dos produtos, foi vista pelo mercado como extremamente positiva para a Centauro (CNTO3), que disparou na Bolsa em seguida ao anúncio. Já o Magazine Luiza (MGLU3), dono da Netshoes, chegou a ser a maior queda do Ibovespa no início do pregão – ainda que sua desvalorização não tenha superado 1,55%.

Com 21% do mercado de artigos esportivos do país, a Nike é uma marca relevante para quaisquer varejistas do segmento. Uma fonte do mercado estima que algo em torno de 15% a 20% das vendas da Netshoes sejam Nike. Na Centauro, o número atinge 25%.

Leia também:
• Ações da Centauro disparam após anúncio da compra da Nike do Brasil

Especialistas argumentam que é cedo para estimar o impacto da parceria nas contas da Centauro, já que os royalties e receitas de marketing não fazem parte do acordo. O Itaú BBA estima receita líquida entre R$ 62 milhões e R$ 102 milhões. As empresas divulgaram que a Nike do Brasil faturou R$ 2 bilhões  no exercício encerrado em 31 de maio de 2019.

Para a concorrência, aparentemente, os termos do acordo não são tão dramáticos, já que o grupo SBF manterá todos os compromissos já firmados com varejistas brasileiras. “Esperamos que a Centauro opere a distribuição da Nike separadamente da operação de varejo, que tem equipe e CNPJ próprios”, escreveu o analista Richard Cathcart, do Bradesco BBI. “Entendemos que a Nike não deseja diminuir seus canais de distribuição no Brasil”.

Pedro Fagundes, analista da XP Research, avalia que, para o Magalu, este acordo é “dos males, o menor”. Ele argumenta que uma exclusividade de distribuição no varejo seria “péssima”, já que impediria as vendas de qualquer produto Nike em lojas sem selo SBF.

“Se o contrato da Nike com a Netshoes for mantido, a empresa não perderia receita de maneira tão rápida”, diz. Mas pondera: “Ainda assim, o maior concorrente [da Netshoes] está controlando a sua maior fonte de receita. Tem que ver como serão os termos de SKU [distribuição de estoque], mark-up [definição de preços]”. E aposta: “Duvido que a Centauro vá disponibilizar o Pegasus 2021 para o Magalu”.

O BBI tem a mesma aposta: “esperamos que a Centauro mantenha as políticas de segmentação da Nike, o que significa que certos produtos não estarão disponíveis na Netshoes (que é o caso atualmente”. Desde 2017, a Nike já tem como distribuidora preferencial a Centauro, o que significa que parte dos produtos chega primeiro nas lojas da marca e só depois na concorrência.

“A princípio eu diria que nada muda, mas o mercado está reagindo a uma incerteza sobre os termos comerciais, que podem não continuar os mesmos”, conclui Fagundes.

Na outra ponta, os CNPJs separados também indicam que a Centauro evita perder relacionamento com outros nomes relevantes, como Adidas, Puma ou Under Armour. A empresa diz que nenhum acordo com outras marcas será descartado por conta do relacionamento com a Nike.

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• Como comprar ações da Centauro (CNTO3); passo a passo para investir

O que deve mudar

Para o consumidor, segundo Cathcart, espera-se uma mudança mais significativa nas vendas diretas. “De uma perspectiva mais estratégica, acreditamos que o acordo diminui algumas preocupações de investidores sobre a Nike potencialmente buscar uma estratégia mais direct-to-consumer (DTC) no Brasil e sobre a potencial diluição da capacidade da Centauro de garantir lançamentos e exclusividade de produtos ao longo do tempo”.

Espera-se a partir de agora um foco maior nas vendas online da marca. O BBA avalia que aumenta o espaço para outras grandes marcas esportivas, como Adidas, apostarem mais forte em B2C (business to consumer) no país.

Contatado, o Grupo SBF garantiu que todos os contratos atuais da Nike serão honrados e que as operações de Centauro e Nike, sob a holding SBF, permanecem as mesmas. O Magazine Luiza não quis comentar.

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