Recompra de ações: 4 empresas do setor imobiliário estão com programas abertos; confira

(Shutterstock)

SÃO PAULO – Quatro companhias do setor imobiliário estão com programas de recompra de ações em andamento e duas já encerraram, totalizando operações de cerca de R$ 750 milhões. São elas JHSF (JHSF3), Eztec (EZTC3), Tenda (TEND3) e Moura Dubeux (MDNE3). Já BR Properties (BRPR3) e Even (EVEN3) encerraram o seu programa na semana passada.

A recompra de ações consiste na compra pelas companhias de suas próprias ações no mercado, seja cancelando-as ou utilizando-as para atender ao exercício de opções de compra dos papéis.

Na prática, a empresa está tirando de circulação parte do seu patrimônio líquido da Bolsa, seja para ajustar sua estrutura de capital e seus níveis de caixa, sinalizar que acredita no potencial de suas ações como para oferecer uma forma de remuneração substituta ao dividendo, dentre outros fatores.

No caso da Even, a quantidade de papéis a serem adquiridos foi limitada a três milhões de ações ordinárias, o que corresponde a 1,48% das ações em circulação no mercado. O encerramento foi aprovado na reunião do conselho de administração da companhia realizada no dia 12 de agosto de 2021.

Na JHSF, o limite é de 28 milhões de ações ordinárias, que representam, aproximadamente, 9,15% do total de ações em circulação no mercado. O programa tem vigência até 17 de fevereiro de 2023.

No caso da EZTec, o programa envolve até 5.035.897 ações. O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

Na Construtora Tenda, o conselho de administração aprovou o aditamento ao plano de recompra de ações, divulgado em dezembro de 2020, e poderá realizar operações com derivativos do programa, que tem validade até dezembro deste ano.

O programa da Moura Dubeux, que começou em abril deste ano, envolve até 5.715.759 de ações ordinárias e encerra-se em 19 de abril de 2022.

Já a BR Properties, assim como a Even, comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ela obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,9 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

PUBLICIDADE

Em relatório, o Bradesco BBI avalia que a onda de programas de recompra envia um forte sinal da confiança das empresas no ciclo de negócios, apesar do recente colapso do valor de mercado do setor.

Leia também:
Alta de custos pesa nos balanços do 2º tri para construtoras e incorporadoras: o que esperar para as ações do setor?

O time de análise destaca que o setor já havia sinalizado uma compra da ordem de R$ 14 milhões por controladores do mercado imobiliário, com Tecnisa, MRV, brMalls, Plano&Plano, bem como Eztec entre os principais compradores. Desde então, as ações já perderam cerca de 26% na B3, em média, escreve.

“Destacamos que a recente crise do setor foi impulsionada pela deterioração das condições macroeconômicas, embora os fundamentos das empresas permaneçam predominantemente robustos”, completam os analistas do banco.

Além das empresas do setor de real estate, de construção e de shopping centers, a empresa de aluguel de veículos Movida (MOVI3) também anunciou nesta segunda-feira (23) o seu programa de recompra, de até 12.335.379 ações. A Locaweb (LWSA3) anunciou também programa de recompra na semana passada, projetando a compra de até 3 milhões de ações até 2023.

Curso gratuito ensina a ter consistência na bolsa para ganhar e rentabilizar capital. Participe!

Ações da Viver fecham com salto de 16% na sessão em recuperação após sequência de quedas na Bolsa

SÃO PAULO – As ações da construtora Viver (VIVR3) registraram fortes ganhos na sessão desta quarta-feira (18). Os ativos VIVR3 fecharam em alta de 16,26%, a R$ 2,86, após chegarem a saltar 26,42%, a R$ 3,11, na máxima do dia.

Cabe ressaltar, contudo, que os últimos pregões foram de forte queda para os ativos. Desde o dia 2 de agosto, quando a companhia anunciou ter saído da recuperação judicial, até o fechamento da véspera, o papel passou de R$ 4 para R$ 2,46, ou uma queda de 38,50% no período. No ano, contudo, os ganhos acumulados são de cerca de 160%.

A companhia participou de live na semana passada do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior.

Ricardo Piccinini, CEO e diretor de Relações com Investidores da Viver, destacou a nova fase da companhia.

“Nós estamos bem animados para os próximos tempos, mas estamos sendo bem criteriosos, por outro lado. O foco hoje da companhia é muito mais direção do que velocidade. Nós queremos lançar alguns projetos nesse e no próximo ano, mas o foco é colocar a empresa operacional, começar a dar os resultados sobre os novos projetos, para, aí sim, eventualmente acelerar em uma estratégia ou outra”.

O CEO da companhia reforçou que o foco é pagar dividendos, mas alertou que ainda deve demorar mais um pouco de tempo. Isso porque a Viver acabou de passar por um longo processo de mudança e precisa voltar a crescer, sendo que no segmento de incorporação, os ciclos não são tão curtos, entre 30 e 36 meses. Saiba mais clicando aqui.

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

Alta de custos pesa nos balanços do 2º tri para construtoras e incorporadoras: o que esperar para as ações do setor?

SÃO PAULO – No segundo trimestre deste ano, a alta da inflação pressionou os custos de materiais de construção e levou grande parte das incorporadoras e construtoras a apresentarem margens menores no período.

Enquanto o segmento de baixa renda foi o mais impactado, devido à maior sensibilidade dos clientes ao aumento de preços e ao teto de valor dos programas habitacionais, as construtoras residenciais de média e alta renda conseguiram repassar parte do preço – mas não saíram imunes.

Na Bolsa brasileira, todas as ações de incorporadoras apresentam queda no ano, chegando a 46,4% no caso da Plano&Plano (PLPL3).

Em relatório, o Credit Suisse escreve que, ainda que o cenário de curto prazo pareça atrativo para as incorporadoras de média e alta renda, as preocupações para o segundo semestre têm aumentado em função do aumento das taxas de financiamento e do preço dos imóveis, bem como diante de uma competição mais acirrada.

“As empresas acreditam que o pior em termos de custo de material de construção está pra trás e agora estão um pouco mais atentas ao custo de mão de obra”, escrevem os analistas.

Com relação às incorporadoras voltadas para o segmento de baixa renda, a avaliação do banco é negativa, dado que o aumento dos custos de materiais pesou bastante para o segmento.

Segundo o Credit Suisse, os orçamentos foram ajustados e, olhando para frente, as empresas parecem mais otimistas em função de maiores preços de vendas; menor competição de players pequenos; novos métodos de construção; além da possível revisão dos parâmetros dos programas do governo.

Durante live no Instagram do InfoMoney na última quarta-feira (11), Bruno Donadio, sócio da Equitas Investimentos, afirmou que já esteve mais otimista com o setor de construção civil, mas que grande parte do aumento de preço dos imóveis esperado foi corroído este ano pelo aumento dos custos.

“De agora em diante, vemos que os juros vão continuar subindo – o mercado está precificando Selic por volta de 7% ao fim do ano –, o que é ruim para o affordability [custo de aquisição]. Por isso estamos menos otimistas e temos uma exposição menor ao setor do que tínhamos um ano atrás”, afirma.

PUBLICIDADE

A Equitas conta que tem posição em Eztec (EZTC3) na carteira há bastante tempo e que considera as ações “bastante descontadas”. Já o segmento de média renda, em que cita empresas como Direcional (DIRR3), é o que mais preocupa o gestor, uma vez que é fortemente afetado pelo aumento no custo de financiamento.

Destaques positivos da temporada

Entre os destaques positivos da temporada de balanços do segundo trimestre, segundo analistas do mercado financeiro, está a Cyrela (CYRE3).

Em relatório, a XP destaca que a companhia reportou margens brutas melhores e mais fortes do que o esperado, de 37,4%, principalmente devido aos lançamentos recentes com margens superiores, que compensaram o impacto dos maiores custos de construção.

Leia também:
Cyrela é “medalha de ouro” no pódio das construtoras no 2º tri; segmento de baixa renda sofre por alta dos custos

Os dados da Cyrela também foram interpretados como positivos pelo Itaú BBA, que destaca a intensa compra de terrenos pela companhia, que somou 13 empreendimentos no período, dez deles localizados na cidade de São Paulo.

PUBLICIDADE

Já o Credit Suisse afirma que, apesar da forte performance nos últimos trimestres, a companhia reconhece os desafios atuais e deve adotar uma abordagem mais cautelosa nos próximos meses.

Foco no segmento de alta renda

Com custos mais elevados, incorporadoras têm preferido alocar suas energias em empreendimentos de alto padrão, de forma a conseguirem repassar os preços ao consumidor final. A estratégia tem sido adotada por empresas como Eztec, Even e Lavvi (LAVV3).

Em relatório, o Credit Suisse destaca que o público de alta renda tem absorvido melhor o aumento dos preços e que a construtora Eztec deve aumentar o volume de lançamentos desse segmento nos próximos meses.

Na avaliação do Itaú BBA, os números da Eztec referentes a abril a junho deste ano vieram em linha com as estimativas do banco, uma vez que a receita ligeiramente mais fraca foi mais do que compensada por melhores margens brutas, particularmente aquelas decorrentes de vendas de estoque de unidades acabadas.

O banco tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para as ações da empresa e preço-alvo de R$ 48.

O foco em empreendimentos mais premium também tem sido adotado pela Even (EVEN3). O Credit Suisse destaca o incremento de projetos, como a inclusão de quadras de tênis, por exemplo, tornando os projetos mais atrativos para vendas a preços mais elevados.

Na avaliação do banco, os lançamentos devem acelerar no segundo semestre, com a administração da companhia vendo um cenário de preços mais favoráveis pela frente.

Segundo o Bradesco BBI, os dados do segundo trimestre da Even vieram sólidos. A forte posição de caixa da companhia, bem como o valuation atrativo (de 1 vez o preço sobre o valor patrimonial) levou os analistas a reafirmarem a recomendação de compra para EVEN3, com preço-alvo de R$ 15 por ação para o fim de 2021.

PUBLICIDADE

Ainda no segmento de alta renda, os analistas da XP interpretaram os dados da Lavvi (LAVV3) como sólidos no segundo trimestre, impulsionados pelos lançamentos recentes, em especial o empreendimento Villa Versace.

Os analistas escrevem que a Lavvi apresentou uma pequena queima de caixa de R$ 6 milhões no balanço patrimonial, já que a entrada de caixa das vendas do projeto Versace foi compensada pela aquisição de terrenos.

A XP tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 11,50 por ação para a construtora.

A opinião é compartilhada pelo BBA, que afirma que a Lavvi relatou resultados robustos, superando as estimativas devido ao bom desempenho de vendas e em meio às margens sólidas provenientes da Villa Versace.

O banco tem recomendação outperform e preço-alvo de R$ 12,20 para os papéis da companhia.

Direcional é destaque no segmento de baixa renda

Por fim, entre as construtoras voltadas para o segmento de média e baixa renda, Direcional (DIRR3) foi um dos principais destaques, segundo analistas do mercado financeiro.

Em relatório, a XP escreveu que os resultados vieram positivos, em linha com o esperado, e que, ao contrário da maioria dos seus pares de mercado, a companhia conseguiu apresentar uma melhora na margem bruta, apesar dos custos crescentes nos materiais de construção.

Leia mais:
Em cenário de custos crescentes impactando resultados de incorporadoras, Direcional é destaque positivo

O Bradesco BBI também vê a Direcional se destacando em relação aos pares, ao combinar crescimento de dois dígitos, potencial de valorização e um múltiplo preço sobre lucro de um dígito (de 7,4 vezes estimado para 2022).

Para os analistas, DIRR3 é uma das histórias “mais baratas” na cobertura do banco e permanece como a principal escolha no setor. O Bradesco BBI tem recomendação de outperform (acima da média do mercado) para os papéis e preço-alvo de R$ 20.

Já o Credit Suisse tem recomendação neutra. “Embora reconheçamos a força desses resultados, continuamos céticos em relação às perspectivas para o setor de construção residencial no Brasil, dada a tendência de alta dos custos e um potencial aumento nas taxas de financiamento”, escreve o time de análise.

Uma visão mais negativa para o setor de construção civil também é adotada por Luiz Garcia, sócio da Apex Investimentos.

Durante live no Instagram do InfoMoney, Garcia afirmou que o setor imobiliário não está em um momento favorável para investimento, o que explica as ações do setor em baixa no ano na Bolsa, diz.

“Quando olhamos o setor hoje, não é o momento ideal para investir. Agora, quem busca o investimento de médio e longo prazo, pode entrar em um ponto atrativo. Mas é preciso buscar empresas vencedoras e mais resilientes do setor, ou seja, aquelas com demanda mais forte e inelástica – caso do setor de baixa renda”, diz.

Segundo ele, empresas ligadas ao setor de baixa renda oferecem hoje melhor relação entre risco e retorno. É o caso de companhias como Cury (CURY3) e Tenda [(ativo=TEND3]). “São empresas que estão negociando a um preço sobre lucro bem baixo, principalmente Cury, na qual todas as métricas, como margem e retorno são recordes no setor”, completa.

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

Follow on em 2021, vendas online e foco na classe emergente: como a RNI, da Rodobens, planeja virar o jogo

SÃO PAULO — A incorporadora RNI Negócios Imobiliários (RDNI3), do grupo Rodobens, tem algumas apostas para virar o jogo e “sair da sombra do mercado“: atuação regionalizada em lugares onde o agronegócio é forte, reforço das vendas online para fazer frente à demanda da pandemia (a modalidade já correspondeu a 10% das vendas no segundo trimestre), foco em clientes emergentes (faixa três do Casa Verde e Amarela e faixa Supereconômica) e, se o cenário permitir, uma oferta de ações (follow on) ainda em 2021.

A estratégia tem mostrado resultado: no primeiro trimestre deste ano, ela registrou lucro líquido de R$ 5,4 milhões, ante prejuízo de R$ 7,3 milhões no mesmo período de 2020; já no segundo trimestre, houve lucro de R$ 1,3 milhão, revertendo prejuízo de R$ 6,2 milhões um ano antes. Sem o desconto da participação dos minoritários, o resultado líquido da empresa ficou em R$ 3 milhões no período.

Leia também:

“O cliente do supereconômico é um cliente emergente. Quem é ele? É alguém que comprou algum produto dentro do programa [Casa Verde e Amarela] e ele depois quis ter algo um pouco melhor. Aí eu tenho para oferecer para ele um produto que é imediatamente após. No Brasil, essa faixa era desassistida: ou as empresas operavam dentro do programa ou operavam no SBPE, em torno de R$ 380 mil, R$ 450 mil. Pelo menos na macroregião onde nós atuamos, é uma demanda real e a gente consegue fazer conversão [de venda]”, disse Carlos Bianconi, CEO da RNI, em live do InfoMoney.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Henrique Ravazzi, gerente de relações com investidores da companhia e que também participou da live, destacou o forte landbank da companhia no segundo trimestre, de R$ 5,6 bilhões, com os terrenos em permuta. “Eu faço menção ao primeiro semestre de 2019 porque foi quando a companhia iniciou a revisão do seu planejamento estratégico e consequentemente a mudança do seu landbank [banco de terrenos]. Já tivemos um crescimento de 144%”, disse.

Os executivos comentaram ainda sobre o aumento da Selic, que, segundo eles, não assusta (a empresa considerou em seu plano estratégico uma taxa de juros entre 5% e 8% neste ano), falaram também sobre repasses nos preços da inflação de materiais de construção e revisão de contratos trocando indexador IGP-M por IPCA, além de investimentos em inovação. Assista à entrevista completa acima, ou clique aqui.

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

PUBLICIDADE

Como a operação da MRV nos EUA deve se tornar maior do que a do Brasil — e não vai demorar muito

SÃO PAULO — A compra da AHS pela MRV (MRVE3) em 2020 por cerca de US$ 220 milhões foi “baratíssima”, na visão do CEO do grupo, Rafael Menin. Segundo ele, as operações da subsidiária em três estados americanos é promissora e tem crescido — e deve superar o tamanho do negócio brasileiro nos próximos anos.

“É uma operação que a gente está muito otimista. A gente quer chegar em 6.000 unidades por ano no primeiro ciclo [de crescimento]. A partir de 2025, a gente acha que essa empresa tem totais condições de chegar a 10.000 unidades por ano, a um valor médio de mais ou menos US$ 250 mil. Pode ser uma empresa de US$ 2 bilhões, US$ 2,5 bilhões por ano”, disse o executivo, em live do InfoMoney.

“Isso daria uma operação de R$ 12 bilhões, com uma rentabilidade muito elevada. Em algum momento, essa companhia que hoje, na minha opinião, ela vale zero no valor do nosso papel, ela vai ter uma representatividade no resultado da companhia muito importante. E possivelmente a AHS vai ser maior do que a operação no Brasil”, completou o executivo.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Enquanto os negócios da AHS não decolam, os executivos seguem focados no Brasil e de olho em alguns temas importantes, como a reforma tributária. “A reforma tinha alguns aspectos peculiares dentro do nosso segmento. Um deles era a tributação dos dividendos dentro do fundo imobiliário, isso já ficou para trás. Tinha também uma discussão de tributação dentro da estrutura da holding (…), isso também já ficou para trás. Em relação à tributação de dividendos, a MRV vai ser impactada com qualquer outra empresa. Empresas listadas têm uma alternativa, que é a recompra de ação, mas não vejo como algo sustentável”, disse Ricardo Paixão, CFO do grupo.

Os executivos falaram ainda sobre impacto do aumento da Selic sobre os negócios, pagamento de dividendos, sobre as operações da Luggo no Brasil, além do preço atual das ações da MRV na Bolsa atualmente. “A AHS, como eu disse, pode ser uma operação bem maior que a brasileira. A empresa deveria estar valendo R$ 20 bilhões, R$ 30 bilhões, R$ 40 bilhões, que é o valor que eu vejo para empresas com lucro parecido. A gente está valendo hoje menos de R$ 7 bilhões. Muito menos que as empresas de outras indústrias com o mesmo tamanho que a MRV. Isso é totalmente injustificável”, disse Menin.

“Por algum motivo os investidores estão olhando a fotografia de curto prazo e estão deixando de olhar para esse longo prazo. Quem operar bem nesse segmento, quem está fazendo um bom trabalho, como o nosso, com atuação nacional, sendo exposto a várias fontes de funding, investimento maciço em tecnologia, a empresa disparada mais tecnológica do setor, eu não tenho a menor dúvida que a gente deveria valer muito mais do que a gente vale hoje”, completou o CEO. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

PUBLICIDADE

Tenda: alta dos custos de construção é principal desafio e deve continuar pressionando ações no curto prazo

SÃO PAULO – O recorde de lançamentos e vendas no segundo trimestre da construtora Tenda (TEND3) animaram os investidores, levando a ação a apresentar alta na Bolsa nesta sexta-feira (6), mas não foram suficientes para animar os analistas do mercado financeiro.

Isso porque, apesar do bom volume de vendas no período, a companhia decepcionou ao registrar queda nas margens devido ao aumento dos custos de construção – algo que tem afetado todas as empresas do setor.

Entre abril e junho, a Tenda somou lucro líquido de R$ 34 milhões, queda de 16,1% na base de comparação anual.

Diante da alta nos preços dos insumos, a margem bruta ajustada ficou em 27,8% no trimestre, queda de 4,5 pontos percentuais na comparação anual e de 3,3 pontos na base trimestral.

No ano, as ações TEND3 apresentam queda da ordem de 30% na Bolsa, ante alta de 2,2% do Ibovespa. Nesta sexta, os papéis fecharam o pregão com alta de 1,71%, negociados a R$ 21,41.

Em relatório, o Itaú BBA destaca que, apesar da alta de 50% das vendas líquidas no período, que somaram R$ 862 milhões, e do controle da companhia na despesa administrativa, a construtora mostrou uma margem de lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) de 11,2%, abaixo das expectativas do banco de 12,5%.

O fraco desempenho no Ebitda e o aumento nas despesas financeiras também resultou em um lucro líquido 21% abaixo do esperado pelo banco.

Por conta do impacto nas margens, a Tenda anunciou nesta sexta que revisou suas projeções para o ano de 2021, reduzindo a estimativa de margem bruta do intervalo de 30% e 32% para 28% a 30%.

As estimativas de vendas líquidas no ano, por outro lado, foram revisadas para cima, com aumento de R$ 200 milhões.

PUBLICIDADE

Em relatório, a XP escreve que os resultados mais amenos já eram esperados no último trimestre, levando a receita mais forte a ser compensada por uma margem bruta menor do que o esperado.

Por outro lado, os analistas destacam que a companhia vem aumentando o preço das unidades (cerca de 8% acima de 2020) – o que deve diminuir o risco de novas revisões nas margens.

“Embora não descartemos resultados momentaneamente mais fracos, continuamos com visão construtiva para as ações no longo prazo e mantemos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação”, escreve o time de análise.

Repasse e aumento dos preços

De forma a controlar os custos, a Tenda sinalizou em teleconferência com analistas que está adotando diferentes estratégias para superar essa tendência, como o aumento dos preços e antecipação da compra de materiais.

De acordo com o Credit Suisse, as margens podem melhorar daqui para frente com a nova estratégia de precificação da empresa, embora isso possa prejudicar a velocidade de vendas.

A princípio, contudo, o banco prefere manter sua recomendação neutra para os papéis TEND3 e preço-alvo de R$ 35.

Leia também:
Gafisa vende terrenos por R$ 200 milhões, cria gestora e dá 1º passo no mercado de fundos imobiliários; Bradesco BBI aprova

“Com as empresas acelerando os lançamentos no segundo semestre deste ano e a cadeia de suprimentos da construção civil não apresentando sinais de desaceleração de custos, continuamos cautelosos com os próximos resultados, pois acreditamos que as margens podem se deteriorar”, escreve o banco.

PUBLICIDADE

Ainda que o repasse do aumento dos custos tenha aumentado, o Bank of America reconhece que a estratégia seja limitada, dado que a Tenda está focada exclusivamente no programa habitacional, que oferece menor flexibilidade.

Além disso, os analistas avaliam que a concorrência em São Paulo, onde a empresa pretende aumentar a exposição, é forte.

O BofA manteve sua recomendação neutra para os papéis da companhia, com preço-alvo de R$ 32, dada a perspectiva de crescimento mais suave em relação aos pares de baixa renda, como Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3).

Cenário competitivo benigno

Para o Bradesco BBI, a decisão da Tenda de aumentar os preços parece necessária e indica uma mudança na abordagem de mercado. Os analistas avaliam que os preços mais altos estão sendo bem aceitos, o que sugere que a concorrência possa estar enfraquecendo (em especial os players menores).

Ainda que o aumento dos custos esteja atingindo o setor de construção civil como um todo, os analistas defendem que Direcional começou a reajustar seus preços mais cedo este ano, o que indica que as margens da companhia devem sofrer menos do que as da Tenda.

“De qualquer forma, preços mais altos devem levar pelo menos dois ou três trimestres para começarem a aparecer nas margens da Tenda, o que nos leva a manter nossa preferência relativa pela Direcional, que esperamos ter um desempenho significativamente superior ao de seus pares”, escreve o Bradesco BBI.

Mesmo assim, o banco  tem recomendação outperform (performance acima da média do mercado) para os papéis da Tenda e preço-alvo de R$ 36.

Segundo o time de análise, os papéis da construtora oferecem uma grande – e positiva – assimetria de valor.

PUBLICIDADE

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

Gafisa vende terrenos por R$ 200 milhões, cria gestora e dá 1º passo no mercado de fundos imobiliários; Bradesco BBI aprova

(Divulgação)

SÃO PAULO – A construtora Gafisa (GFSA3) anunciou na terça-feira (3) que aprovou a venda de terrenos no valor agregado de R$ 200 milhões para um novo fundo imobiliário, gerido pela própria empresa, inaugurando sua participação no crescente mercado de FIIs.

Em fato relevante, a Gafisa afirmou que a operação visa reciclar capital próprio investido em terrenos que já estão no balanço da companhia, mantendo, no entanto, a empresa como incorporadora dos projetos.

“Este é o primeiro passo para a Gafisa atuar diretamente no mercado de fundos de investimentos imobiliários e pavimentar o caminho para um novo modelo de atuação imobiliária e financeira”, afirmou a empresa, em comunicado ao mercado.

Para isso, a companhia anunciou a criação da Gafisa Capital, que será liderada por Ian Andrade. Ele agregará o cargo de CEO da Gafisa Capital às atribuições atuais de diretor financeiro e de relações com investidores.

A Gafisa Capital será uma nova unidade de negócios com foco na estruturação e atuação no mercado de FIIs para empreendimentos e ativos imobiliários da Gafisa.

Leia também:
Fundos de fundos imobiliários: é hora de investir? Confira as mudanças na carteira da RBR

Além de reciclar e destravar capital próprio investido em ativos imobiliários que já estão no balanço da companhia, a gestora permitirá à empresa captar recursos para novos terrenos e capturar os benefícios de desintermediação financeira, diz a Gafisa.

Segundo dados da B3, o número de investidores em FIIs na Bolsa era de 1,4 milhão em junho, um aumento da ordem de 20% em 2021.

Avaliação positiva do Bradesco

Em relatório, o Bradesco BBI diz ver o anúncio como positivo no processo de recuperação em andamento da construtora.

PUBLICIDADE

“Se for bem-sucedida, a Gafisa Capital pode ajudar a Gafisa a manter seu balanço patrimonial enxuto e, ao mesmo tempo, acelerar os lançamentos em seu segmento de construção residencial tradicional, que consideramos necessário para atender ao desafio de renovar a geração de valor, após as conquistas positivas dos últimos dois anos no balanço patrimonial”, escrevem os analistas.

O banco tem recomendação neutra para os papéis GFSA3 e preço-alvo de R$ 5,50, o que implica potencial de alta de 45,9% em relação ao fechamento de terça-feira (3).

Ontem, os papéis encerraram o pregão com alta de 1,9%, a R$ 3,77.

Ação da Gafisa volta aos poucos ao radar do mercado após crise, mas BBI destaca que ainda há muito a ser (re)construído

(Divulgação)

SÃO PAULO – Em meio a um período de grande desconfiança no mercado, em que passou por processo de encolhimento, suspensão de lançamentos (sem lançar nada entre 2018 e 2019), endividamento elevado e mudanças em sua administração, a Gafisa (GFSA3) saiu do radar dos analistas.

Porém, com aumento de capital, melhora de indicadores financeiros e voltando a entregar resultados, a ação da companhia está voltando a chamar a atenção.

Em relatório na última quinta-feira (22), o Bradesco BBI informou ter voltado a cobrir o papel GFSA3, com recomendação neutra, destacando que a companhia atingiu conquistas notáveis, mas que ainda há muito a ser (re)construído. O preço-alvo para a ação é de R$ 5,50, uma alta de 34% em relação ao fechamento de quinta-feira (22).

Para os analistas Bruno Mendonça, Hugo Grassi e Pedro Lobato, que assinam o relatório, a relação entre risco e retorno da ação está bastante equilibrada neste ponto, o que justifica a recomendação neutra. “Reconhecemos, no entanto, a evolução positiva em direção às metas de recuperação da administração, embora seja muito cedo para considerá-la concluída”, destacam.

Eles avaliam, contudo, que vale a pena trazer o “nome de volta à tela”, dado o seu volume médio diário de negócios, de R$ 21 milhões, um dos mais altos entre os pares da Gafisa listados no Brasil. Segundo os analistas, as preocupações com o balanço parecem estar resolvidas, com uma relação entre dívida e patrimônio líquido de 40%.

De acordo com eles, esse número é notável em comparação com a empresa aparentemente devastada que a gestão atual assumiu em 2019, com uma relação entre dívida líquida e patrimônio líquido no primeiro trimestre daquele ano de 162%.

Veja mais
Turnaround: como a Gafisa entregou 12 obras em 2020 após 2 anos sem lançamentos e agora foca em inovação

Os analistas também apontam o que poderia levar a uma “reclassificação” das ações, tornando-as mais atrativas. “Acreditamos que os desafios estão na geração de valor para o acionista, atualizando efetivamente os lançamentos residenciais, cumprindo adequadamente sua estratégia de fusões e aquisições e diversificando em propriedades geradoras de renda – todas viáveis, mas não óbvias”, apontam.

O banco vê a Gafisa em linha com outras histórias da cobertura dos analistas, como Moura Dubeux (MDNE3), com recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média) e preço-alvo de R$ 16; e Helbor (HBOR3), com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12,50, embora tenha maiores riscos de execução em sua estratégia de M&A. Os analistas destacam preferência por cases mais estáveis, como a da Trisul (TRIS3), para a qual tem avaliação outperform e preço-alvo de R$ 15.

Prévia operacional do 2º tri: vendas animam, estoques preocupam

PUBLICIDADE

Na segunda-feira, a Gafisa divulgou sua prévia operacional do segundo trimestre de 2021. Na avaliação da casa de análise Levante Ideias de Investimentos, seus números vieram mistos, com destaque positivo para suas vendas líquidas, porém desapontando com um estoque mais elevado.

Em relação às vendas líquidas, a companhia apresentou um avanço de 39,6% na comparação trimestral, totalizando R$ 180 milhões no trimestre. Já o aumento de estoques foi de 22% na base trimestral, a R$ 1,2 bilhão.

A taxa de velocidade de vendas, medida pelo indicador VSO, apresentou alta de 1,4 ponto percentual, registrando 13,1% no período. A companhia também apresentou um aumento de 46,2% em seus lançamentos, atingindo R$ 905,5 milhões no período.

“Vemos como ponto preocupante o estoque de R$ 1,2 bilhão, que representaria 2 anos de vendas iguais ao primeiro semestre de 2021”, aponta a Levante. Os analistas da casa destacam que, apesar de parte destes se tratar de herança da “velha” Gafisa, a “nova” Gafisa terá como desafio a venda desses imóveis.

Já do lado positivo, a companhia apresentou melhora em suas vendas líquidas no segundo trimestre de 2021, de R$ 129 milhões para R$ 180 milhões. “Apesar de ser usual comparar anualmente, tanto nas construtoras como nas outras empresas por conta da sazonalidade, esta não se mostra a prática mais adequada para a análise, com o segundo trimestre de 2020 praticamente não existindo para as construtoras devido a explosão da covid-19 na época”, apontam. Assim, ao comparar com o primeiro trimestre, o resultado neste ponto foi positivo, apesar de o primeiro trimestre apresentar dificuldades de venda por conta do verão, férias e isolamento social em 2021.

Para a Levante, contudo, mais informações sobre a companhia só serão conhecidos no dia 17 de agosto, quando serão divulgados os resultados completos do segundo trimestre. Isso porque o principal problema da Gafisa sempre foi o de margens baixas e consumo de caixa, “cujos números ainda não sabemos se virão animadores ou não”.

Guilherme Benchimol revela os segredos de gestão das maiores empresas do mundo no curso gratuito Jornada Rumo ao Topo. Inscreva-se já.

Para se reerguer, Viver cria negócio para terminar as obras que deixou inacabadas

Após atravessar uma crise financeira de mais de uma década e recém-saída de uma recuperação judicial, a construtora Viver (VIVR3) achou uma alternativa para se manter de pé: para isso, criou a Solv, braço especializado em terminar edifícios residenciais que ela própria deixou inacabados pelo País.

Hoje, a companhia realiza obras em quatro torres na região metropolitana de Recife, seis em Minas Gerais e mais oito em Goiânia. Todos os empreendimentos eram da InPar, antigo nome da Viver – havia casos de obras paradas há quase dez anos.

“Fizemos um laboratório na empresa e decidimos transformar em negócio (as construções inacabadas)”, afirma Ricardo Piccinini, presidente da Viver e também da Solv. O executivo define o trabalho da Solv como uma espécie de “quimioterapia” nesses edifícios.

Esse tipo de tratamento não é uma tarefa fácil. Isso porque, apesar do dinheiro investido nas obras pela metade, o novo negócio tem de enfrentar a falta de caixa dos empreendimentos e processos judiciais movidos por fornecedores e compradores de imóveis. Apesar disso, a empresa tem conseguido chegar a acordos e voltar ao trabalho.

Com a experiência acumulada com o “espólio” da própria Viver, a Solv quer agora partir para obras inacabadas de terceiros. A companhia mapeou 2 mil obras de edifícios residenciais paradas pelo Brasil e está olhando mais a fundo 167 delas. Entre os edifícios na mira da Solv, estão obras populares inacabadas de construtoras como OAS e Atlântica.

As margens desses negócios, segundo o executivo, são maiores do que vistas no mercado (que são em média de 15%), e o tempo de construção é mais curto, cerca de 24 meses – afinal, parte da estrutura já está pronta. A ideia é que a Solv passe a representar 50% do negócio da Viver nos próximos anos.

Para assumir essas obras, consideradas investimento de alto risco por causa do passivo, a Solv foi atrás de parceiros. Alguns deles são os fundos Jive (de ativos de difícil recuperação), que tem mais de 40% de participação na empresa, e Brick.

A criação da Solv coincide com a saída da Viver da recuperação judicial – caminho que ela tomou em 2016, com dívidas de R$ 1 bilhão. Nesse processo, a empresa também reestruturou a companhia: Ricardo Piccinini assumiu o cargo de presidente após passar seis anos na PDG, outra empresa do mercado de habitação popular que sofreu muito na década passada. Já Arthur Marin, diretor de operações, teve passagens pela própria PDG e pela Odebrecht. A empresa diz hoje que 98% das dívidas foram pagas.

A empresa encolheu muito desde seu auge. No primeiro trimestre, teve receita de R$ 23,9 milhões e lucro de R$ 113 mil. O número de colaboradores chegou a 120 – na época do pedido de recuperação eram menos de 90. Os acionistas estão dando um voto de confiança para a companhia, que viu as suas ações dispararem 220% desde o início do ano.

PUBLICIDADE

Apesar de estar concentrada, por ora, nesses ativos podres, a Viver também quer retomar a agenda de lançamentos. O banco de terrenos da companhia corresponde a R$ 153,7 milhões, sendo 40% no Estado de São Paulo. “A Viver retomará o ciclo de incorporadora normal ainda neste ano”, diz Marin.

Limites

Para Alberto Ajzental, coordenador do curso de negócios imobiliários da Fundação Getúlio Vargas, o negócio faz sentido, mas pode esbarrar no futuro com a falta de obras paradas. “Uma quebra generalizada, como aconteceu no começo da década passada, nunca mais aconteceu. É possível que tenhamos problemas isolados nos próximos anos, mas se torna um mercado menor”, diz Ajzental.

De acordo com projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor deve ter uma alta de 5% nos lançamentos e 10% nas vendas em 2021, embora haja dificuldades no horizonte. “O crescimento poderia ser maior, mas estamos sofrendo com a falta de insumos”, diz José Carlos Martins, presidente da CBIC.

Guilherme Benchimol revela os segredos de gestão das maiores empresas do mundo no curso gratuito Jornada Rumo ao Topo. Inscreva-se já.

Seguro garantia ganha força no setor de construção civil

A indústria da construção civil deve crescer 2,5% em 2021, de acordo com previsões da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). No começo do ano, a projeção era de alta de 4%, mas questões como desabastecimento e aumento dos preços dos insumos provocaram uma revisão.

Responsável por 6,2% do PIB do país, este mercado representa 34% do total da indústria brasileira e serve de termômetro para a economia. Para garantir o crescimento em um cenário desafiador, as empresas do setor apostam em todos os tipos de garantia possíveis. Nessa toada, o seguro garantia ganha força no segmento.

Vários indicadores explicam os desafios da indústria da construção civil. Além do contexto geral de desemprego e problemas para concessão de crédito, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) de materiais e equipamentos, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), já tem alta de 6,92% no ano, até maio, e de 14,62% em 12 meses.

Com preços mais altos para construir e o desabastecimento de itens importantes, o risco de atraso na entrega das obras aumenta. Segundo o engenheiro civil Joni Matos Incheglu, diretor administrativo do Crea-SP (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), o seguro garantia ganha ainda mais destaque no setor.

“A possibilidade de parada nas obras, tendo em vista esse desequilíbrio financeiro, é muito grande. As construtoras estão passando por um momento de escassez de contratos e garantir a entrega dos empreendimentos em andamento é fundamental para atrair novos negócios”, diz.

Outro ponto é a questão da reputação no mercado financeiro. “Muitas companhias do setor são listadas na Bolsa de Valores e a reputação é fundamental para o valor de mercado e a relação com os acionistas”, avalia Joni.

Por isso, o seguro garantia, que atua para que os contratos sejam executados, seja por meio da entrega do acordado no objeto ou por ressarcimento financeiro, está em alta.

A ferramenta surgiu há alguns anos como uma demanda do setor da construção civil. O objetivo é assegurar o cumprimento do cronograma nos casos de obras não entregues no prazo ou nas condições adequadas e é amplamente usada por empresas, especialmente as de médio e grande porte, do setor.

“Os pequenos construtores, que fazem os villagios e pequenos prédios, ainda não usam muito a ferramenta, seja por falta de conhecimento ou mesmo por acreditarem que o preço é impeditivo. A verdade é que o prejuízo de entrega de uma obra afeta toda uma cadeia e pode comprometer a continuidade de um negócio”, afirma Joni.

PUBLICIDADE

Além de arcar com os custos jurídicos e de indenizações em casos de atrasos nas obras, o seguro garantia acaba sendo uma ferramenta importante na questão de crédito. “Nas obras do setor público, por exemplo, é mandatória a contratação do seguro garantia para conseguir o contrato”, explica o diretor do Crea-SP.

Novas oportunidades devem aquecer a modalidade

Com a expectativa de retomada das obras públicas, algumas medidas já começam a ser formuladas para garantir a segurança dos investimentos. A aprovação da nova Lei de Licitações nª 14.133/21 traz a possibilidade de apresentar, no edital, o seguro garantia como um instrumento de cumprimento, por exemplo.

Além disso, o seguro garantia também pode ser usado para outras frentes. São mais de 15 modalidades que atendem vários setores. Entre eles, está o seguro garantia judicial, que surge como alternativa segura para evitar o comprometimento do fluxo de caixa das empresas.

Para entrar com recurso em ações trabalhistas, as empresas necessariamente precisam depositar valores pertinentes aos recursos que vão interpor.

Com a Reforma Trabalhista, que alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 2020, as companhias que desejam recorrer de decisões judiciais de causas trabalhistas podem substituir o depósito recursal em dinheiro pelo seguro garantia judicial.

Uma das vantagens dessa modalidade é que, além de focar no cumprimento da ação judicial da empresa, o seguro garantia possibilita que as empresas façam depósitos recursais e judiciais sem perder capital de giro. O pagamento desse recurso está limitado ao valor da garantia do depósito recursal e só tem efeito após a decisão e/ou acordo transitado e julgado.

“Na prática, uma ação de R$ 10 mil, que pode levar anos para ser solucionada, pode ser paga com uma apólice que custa R$ 300 ou R$ 400. A empresa deixa de usar caixa para esse fim e pode direcionar os recursos para a expansão do negócio”, diz Emerson Barbosa, especialista em seguros.

PUBLICIDADE

Uma outra opção que pode ser utilizada pelos empresários é a possibilidade de recuperar créditos por meio do seguro garantia de depósito recursal. Funciona assim: companhias que estão com ações

trabalhistas em andamento e já depositaram quantias ao longo dos anos podem reaver esses valores ao contratar o seguro garantia para este fim. Desta forma é feita uma substituição dos valores pela apólice.

A estimativa do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) é que R$ 65 bilhões em recursos já depositados por empresas brasileiras que ainda aguardam os trâmites de processos trabalhistas possam ser revistos com o uso do seguro garantia de depósito recursal.

“Essa modalidade de seguro proporciona a troca rápida da apólice pela quantia em dinheiro que a

empresa já depositou em juízo. Enquanto espera o desenrolar do processo, a companhia tem acesso ao valor e pode utilizar para fluxo de caixa”, explica Barbosa.

Mercado de seguro garantia movimenta R$ 3 bilhões

A flexibilidade do seguro garantia movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano no país em apólices. A participação da modalidade dentro do mix de seguros da Tokio Marine, uma das principais players do setor, dobrou nos dois últimos anos, saltando de 4,1% para 8,3%.

A seguradora vem tornando o processo de contratação do seguro ainda mais ágil e desburocratizado. Na modalidade de depósito recursal, por exemplo, os segurados conseguem gerar uma nova apólice em apenas três passos. E o tomador pode gerar boleto unificado, boletos avulsos e alterar datas de pagamento.

PUBLICIDADE

Quer saber mais sobre o Seguro Garantia da Tokio? Clique aqui.

Importante: A publicação acima é um conteúdo patrocinado, sendo que a Infostocks Informações e Sistemas Ltda. (“InfoMoney”) não tem qualquer responsabilidade pelo conteúdo e informações disponibilizadas, não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações, não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. O autor ou empresa responsável pelo conteúdo estão indicados na própria publicação.