Alta de custos pesa nos balanços do 2º tri para construtoras e incorporadoras: o que esperar para as ações do setor?

SÃO PAULO – No segundo trimestre deste ano, a alta da inflação pressionou os custos de materiais de construção e levou grande parte das incorporadoras e construtoras a apresentarem margens menores no período.

Enquanto o segmento de baixa renda foi o mais impactado, devido à maior sensibilidade dos clientes ao aumento de preços e ao teto de valor dos programas habitacionais, as construtoras residenciais de média e alta renda conseguiram repassar parte do preço – mas não saíram imunes.

Na Bolsa brasileira, todas as ações de incorporadoras apresentam queda no ano, chegando a 46,4% no caso da Plano&Plano (PLPL3).

Em relatório, o Credit Suisse escreve que, ainda que o cenário de curto prazo pareça atrativo para as incorporadoras de média e alta renda, as preocupações para o segundo semestre têm aumentado em função do aumento das taxas de financiamento e do preço dos imóveis, bem como diante de uma competição mais acirrada.

“As empresas acreditam que o pior em termos de custo de material de construção está pra trás e agora estão um pouco mais atentas ao custo de mão de obra”, escrevem os analistas.

Com relação às incorporadoras voltadas para o segmento de baixa renda, a avaliação do banco é negativa, dado que o aumento dos custos de materiais pesou bastante para o segmento.

Segundo o Credit Suisse, os orçamentos foram ajustados e, olhando para frente, as empresas parecem mais otimistas em função de maiores preços de vendas; menor competição de players pequenos; novos métodos de construção; além da possível revisão dos parâmetros dos programas do governo.

Durante live no Instagram do InfoMoney na última quarta-feira (11), Bruno Donadio, sócio da Equitas Investimentos, afirmou que já esteve mais otimista com o setor de construção civil, mas que grande parte do aumento de preço dos imóveis esperado foi corroído este ano pelo aumento dos custos.

“De agora em diante, vemos que os juros vão continuar subindo – o mercado está precificando Selic por volta de 7% ao fim do ano –, o que é ruim para o affordability [custo de aquisição]. Por isso estamos menos otimistas e temos uma exposição menor ao setor do que tínhamos um ano atrás”, afirma.

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A Equitas conta que tem posição em Eztec (EZTC3) na carteira há bastante tempo e que considera as ações “bastante descontadas”. Já o segmento de média renda, em que cita empresas como Direcional (DIRR3), é o que mais preocupa o gestor, uma vez que é fortemente afetado pelo aumento no custo de financiamento.

Destaques positivos da temporada

Entre os destaques positivos da temporada de balanços do segundo trimestre, segundo analistas do mercado financeiro, está a Cyrela (CYRE3).

Em relatório, a XP destaca que a companhia reportou margens brutas melhores e mais fortes do que o esperado, de 37,4%, principalmente devido aos lançamentos recentes com margens superiores, que compensaram o impacto dos maiores custos de construção.

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Cyrela é “medalha de ouro” no pódio das construtoras no 2º tri; segmento de baixa renda sofre por alta dos custos

Os dados da Cyrela também foram interpretados como positivos pelo Itaú BBA, que destaca a intensa compra de terrenos pela companhia, que somou 13 empreendimentos no período, dez deles localizados na cidade de São Paulo.

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Já o Credit Suisse afirma que, apesar da forte performance nos últimos trimestres, a companhia reconhece os desafios atuais e deve adotar uma abordagem mais cautelosa nos próximos meses.

Foco no segmento de alta renda

Com custos mais elevados, incorporadoras têm preferido alocar suas energias em empreendimentos de alto padrão, de forma a conseguirem repassar os preços ao consumidor final. A estratégia tem sido adotada por empresas como Eztec, Even e Lavvi (LAVV3).

Em relatório, o Credit Suisse destaca que o público de alta renda tem absorvido melhor o aumento dos preços e que a construtora Eztec deve aumentar o volume de lançamentos desse segmento nos próximos meses.

Na avaliação do Itaú BBA, os números da Eztec referentes a abril a junho deste ano vieram em linha com as estimativas do banco, uma vez que a receita ligeiramente mais fraca foi mais do que compensada por melhores margens brutas, particularmente aquelas decorrentes de vendas de estoque de unidades acabadas.

O banco tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para as ações da empresa e preço-alvo de R$ 48.

O foco em empreendimentos mais premium também tem sido adotado pela Even (EVEN3). O Credit Suisse destaca o incremento de projetos, como a inclusão de quadras de tênis, por exemplo, tornando os projetos mais atrativos para vendas a preços mais elevados.

Na avaliação do banco, os lançamentos devem acelerar no segundo semestre, com a administração da companhia vendo um cenário de preços mais favoráveis pela frente.

Segundo o Bradesco BBI, os dados do segundo trimestre da Even vieram sólidos. A forte posição de caixa da companhia, bem como o valuation atrativo (de 1 vez o preço sobre o valor patrimonial) levou os analistas a reafirmarem a recomendação de compra para EVEN3, com preço-alvo de R$ 15 por ação para o fim de 2021.

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Ainda no segmento de alta renda, os analistas da XP interpretaram os dados da Lavvi (LAVV3) como sólidos no segundo trimestre, impulsionados pelos lançamentos recentes, em especial o empreendimento Villa Versace.

Os analistas escrevem que a Lavvi apresentou uma pequena queima de caixa de R$ 6 milhões no balanço patrimonial, já que a entrada de caixa das vendas do projeto Versace foi compensada pela aquisição de terrenos.

A XP tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 11,50 por ação para a construtora.

A opinião é compartilhada pelo BBA, que afirma que a Lavvi relatou resultados robustos, superando as estimativas devido ao bom desempenho de vendas e em meio às margens sólidas provenientes da Villa Versace.

O banco tem recomendação outperform e preço-alvo de R$ 12,20 para os papéis da companhia.

Direcional é destaque no segmento de baixa renda

Por fim, entre as construtoras voltadas para o segmento de média e baixa renda, Direcional (DIRR3) foi um dos principais destaques, segundo analistas do mercado financeiro.

Em relatório, a XP escreveu que os resultados vieram positivos, em linha com o esperado, e que, ao contrário da maioria dos seus pares de mercado, a companhia conseguiu apresentar uma melhora na margem bruta, apesar dos custos crescentes nos materiais de construção.

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Em cenário de custos crescentes impactando resultados de incorporadoras, Direcional é destaque positivo

O Bradesco BBI também vê a Direcional se destacando em relação aos pares, ao combinar crescimento de dois dígitos, potencial de valorização e um múltiplo preço sobre lucro de um dígito (de 7,4 vezes estimado para 2022).

Para os analistas, DIRR3 é uma das histórias “mais baratas” na cobertura do banco e permanece como a principal escolha no setor. O Bradesco BBI tem recomendação de outperform (acima da média do mercado) para os papéis e preço-alvo de R$ 20.

Já o Credit Suisse tem recomendação neutra. “Embora reconheçamos a força desses resultados, continuamos céticos em relação às perspectivas para o setor de construção residencial no Brasil, dada a tendência de alta dos custos e um potencial aumento nas taxas de financiamento”, escreve o time de análise.

Uma visão mais negativa para o setor de construção civil também é adotada por Luiz Garcia, sócio da Apex Investimentos.

Durante live no Instagram do InfoMoney, Garcia afirmou que o setor imobiliário não está em um momento favorável para investimento, o que explica as ações do setor em baixa no ano na Bolsa, diz.

“Quando olhamos o setor hoje, não é o momento ideal para investir. Agora, quem busca o investimento de médio e longo prazo, pode entrar em um ponto atrativo. Mas é preciso buscar empresas vencedoras e mais resilientes do setor, ou seja, aquelas com demanda mais forte e inelástica – caso do setor de baixa renda”, diz.

Segundo ele, empresas ligadas ao setor de baixa renda oferecem hoje melhor relação entre risco e retorno. É o caso de companhias como Cury (CURY3) e Tenda [(ativo=TEND3]). “São empresas que estão negociando a um preço sobre lucro bem baixo, principalmente Cury, na qual todas as métricas, como margem e retorno são recordes no setor”, completa.

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Ação sobe 132% no ano: como esta empresa conseguiu sair da recuperação judicial e planeja pagar dividendos

SÃO PAULO – Mais do que os números do segundo trimestre, o resultado mais recente da incorporadora Viver (VIVR3) veio junto com a aguardada notícia de que a companhia deixou a recuperação judicial após seis anos de luta. Com isso, agora é hora da empresa entrar em uma nova fase.

“Nós estamos bem animados para os próximos tempos, mas estamos sendo bem criteriosos, por outro lado. O foco hoje da companhia é muito mais direção do que velocidade. Nós queremos lançar alguns projetos nesse e no próximo ano, mas o foco é colocar a empresa operacional, começar a dar os resultados sobre os novos projetos, para, aí sim, eventualmente acelerar em uma estratégia ou outra”, afirmou Ricado Piccinini, CEO e diretor de Relações com Investidores da Viver, em live do InfoMoney.

Apesar do novo momento, o executivo destacou que a mudança estrutural dentro da empresa já vinha ocorrendo há dois anos. “Uma das coisas que nós nos preocupamos muito foi não ficar fazendo muita propaganda de mudança sem trazer resultado antes. Eu não gosto de mudança do dia para a noite, eu gosto de mudança construída”, explicou.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Durante a live, Arthur Marin, diretor vice-presidente de operações da companhia explicou ainda que o processo de recuperação judicial serve como uma proteção da empresa, para que ela consiga se reestruturar e voltar a operar melhor e que apesar de ainda ser um momento da Viver em se reerguer, eles entenderam que ela já estava madura o suficiente para sair do processo, o que foi entendido da mesma forma pela Justiça.

Sobre as ações, os espectadores questionaram muito sobre a recente queda de preço, e Piccinini lembrou que desde o começo do ano houve um forte aumento no volume negociado dos papéis da Viver, levando a uma forte alta. Em 2021, os ativos VIVR3 sobem 132%.

Porém, o executivo destacou que parte desse capital recebido no mercado é muito especulativo, o que gera a volatilidade. “Por outro lado, alguns investidores entram na companhia já olhando para o futuro, acreditando nela e em tudo que estamos fazendo. Nós sabemos que é do jogo ter o capital especulativo, mas queremos mesmo é atrair o investidor de longo prazo”, afirma.

Além disso, o CEO da companhia reforçou que o foco é pagar dividendos, mas alertou que ainda deve demorar mais um pouco de tempo. Isso porque a Viver acabou de passar por um longo processo de mudança e precisa voltar a crescer, sendo que no segmento de incorporação, os ciclos não são tão curtos, entre 30 e 36 meses.

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“Temos que ter o primeiro ciclo para avaliar os dividendos, mas o foco é voltar a pagar dividendos o quanto antes possível”, conclui.

Os executivos ainda comentaram o impacto da alta do material de construção e da Selic no negócio da companhia, a venda de ações por parte de seus acionistas majoritários, a estratégia da Solv, braço da Viver focado em terminar obras inacabadas, entre outros temas. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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Follow on em 2021, vendas online e foco na classe emergente: como a RNI, da Rodobens, planeja virar o jogo

SÃO PAULO — A incorporadora RNI Negócios Imobiliários (RDNI3), do grupo Rodobens, tem algumas apostas para virar o jogo e “sair da sombra do mercado“: atuação regionalizada em lugares onde o agronegócio é forte, reforço das vendas online para fazer frente à demanda da pandemia (a modalidade já correspondeu a 10% das vendas no segundo trimestre), foco em clientes emergentes (faixa três do Casa Verde e Amarela e faixa Supereconômica) e, se o cenário permitir, uma oferta de ações (follow on) ainda em 2021.

A estratégia tem mostrado resultado: no primeiro trimestre deste ano, ela registrou lucro líquido de R$ 5,4 milhões, ante prejuízo de R$ 7,3 milhões no mesmo período de 2020; já no segundo trimestre, houve lucro de R$ 1,3 milhão, revertendo prejuízo de R$ 6,2 milhões um ano antes. Sem o desconto da participação dos minoritários, o resultado líquido da empresa ficou em R$ 3 milhões no período.

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“O cliente do supereconômico é um cliente emergente. Quem é ele? É alguém que comprou algum produto dentro do programa [Casa Verde e Amarela] e ele depois quis ter algo um pouco melhor. Aí eu tenho para oferecer para ele um produto que é imediatamente após. No Brasil, essa faixa era desassistida: ou as empresas operavam dentro do programa ou operavam no SBPE, em torno de R$ 380 mil, R$ 450 mil. Pelo menos na macroregião onde nós atuamos, é uma demanda real e a gente consegue fazer conversão [de venda]”, disse Carlos Bianconi, CEO da RNI, em live do InfoMoney.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Henrique Ravazzi, gerente de relações com investidores da companhia e que também participou da live, destacou o forte landbank da companhia no segundo trimestre, de R$ 5,6 bilhões, com os terrenos em permuta. “Eu faço menção ao primeiro semestre de 2019 porque foi quando a companhia iniciou a revisão do seu planejamento estratégico e consequentemente a mudança do seu landbank [banco de terrenos]. Já tivemos um crescimento de 144%”, disse.

Os executivos comentaram ainda sobre o aumento da Selic, que, segundo eles, não assusta (a empresa considerou em seu plano estratégico uma taxa de juros entre 5% e 8% neste ano), falaram também sobre repasses nos preços da inflação de materiais de construção e revisão de contratos trocando indexador IGP-M por IPCA, além de investimentos em inovação. Assista à entrevista completa acima, ou clique aqui.

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Cyrela é “medalha de ouro” no pódio das construtoras no 2º tri; segmento de baixa renda sofre por alta dos custos

SÃO PAULO – Em meio à alta da inflação, que tem elevado os custos e pesado sobre o desempenho de companhias do setor de construção na Bolsa, destacaram-se no segundo trimestre aquelas que conseguiram apresentar bons resultados mesmo em meio aos ventos contrários.

Neste cenário, o destaque entre as companhias que divulgaram resultados na noite da última quinta-feira (12) ficou por conta das construtoras residenciais de média e alta renda, que conseguiram repassar o aumento dos preços aos seus clientes, reportando melhora na margem bruta.

Por outro lado, devido à maior sensibilidade dos clientes do segmento de baixa renda aos aumentos de preços e ao teto de valor do programa habitacional Casa Verde e Amarela, as margens de incorporadoras focadas nesse público permaneceram sob pressão no período.

Em relatório que criou o “pódio das incorporadoras” sob cobertura, a XP atribuiu a medalha de ouro do setor entre as companhias que divulgaram resultado na véspera à Cyrela (CYRE3).

Na avaliação dos analistas, a companhia reportou margens brutas melhores e mais fortes do que o esperado, de 37,4%, principalmente devido aos lançamentos recentes com margens superiores, que compensaram o impacto dos maiores custos de construção.

O desempenho mais forte de suas Joint Ventures também ajudou o lucro líquido a superar a estimativa da casa para o trimestre.

Entre abril e junho deste ano, a Cyrela teve um lucro líquido de R$ 267 milhões, crescimento de 298,2% na base de comparação anual. Já a receita líquida da companhia somou R$ 1,18 bilhão, valor 101,6% superior ao do segundo trimestre de 2020.

A XP tem recomendação de compra para os papéis CYRE3 e preço-alvo de R$ 33 por ação.

Os dados da Cyrela referentes ao segundo trimestre também foram interpretados como positivos pelo Itaú BBA, que destaca a intensa compra de terrenos pela companhia, que totalizou 13 empreendimentos no período, dez deles localizados na cidade de São Paulo.

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O banco tem recomendação de outperform (acima da média do mercado) para os papéis da construtora e preço-alvo de R$ 34,80.

Apesar de uma análise positiva do mercado, as ações CYRE3 encerraram o pregão desta sexta com baixa de 1,5%, negociadas a R$ 19,04.

Eztec ganha medalha de prata…

A medalha de prata entre as construtoras ficou com a Eztec (EZTC3), segundo a XP.

Os analistas avaliam que as margens mais fortes no período foram resultado de um mix mais favorável de projetos sendo reconhecidos, caso do empreendimento Cidade Maia, e de preços de vendas mais elevados.

No último trimestre, a Eztec registrou lucro líquido de R$ 139,5 milhões, montante 104% maior do que no mesmo período de 2020. Já a receita operacional líquida somou R$ 289 milhões, expansão de 89%.

A XP tem recomendação de compra para os papéis da companhia e preço-alvo de R$ 48 por ação.

O Itaú BBA por sua vez, escreve que os números da Eztec vieram amplamente em linha com as estimativas do banco, uma vez que a receita ligeiramente mais fraca foi mais do que compensada por melhores margens brutas, particularmente aquelas decorrentes de vendas de estoque de unidades acabadas.

O banco também tem recomendação outperform para as ações da empresa e preço-alvo de R$ 48.

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Os papéis EZTC3 encerraram o pregão desta sexta em baixa de 0,88%, a R$ 25,88.

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… e o bronze fica com Lavvi

O pódio da XP é completado pela Lavvi (LAVV3), que apresentou resultados sólidos, na opinião dos analistas da XP, impulsionados pelos lançamentos recentes, em especial o empreendimento Villa Versace.

Os analistas escrevem que a Lavvi apresentou uma pequena queima de caixa de R$ 6 milhões no balanço patrimonial, já que a entrada de caixa das vendas do projeto Versace foi compensada pela aquisição de terrenos.

O time de análise também reforça a posição de caixa líquido robusto da companhia, com alavancagem de dívida líquida sobre o patrimônio líquido negativa em 60,5%.

A XP tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 11,50 por ação para a construtora.

A opinião é compartilhada pelo BBA, que afirma que a Lavvi relatou resultados robustos, superando as estimativas devido ao bom desempenho de vendas e em meio às margens sólidas provenientes da Villa Versace.

O banco tem recomendação outperform e preço-alvo de R$ 12,20 para os papéis da companhia.

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Os papéis LAVV3 encerraram o pregão próximos da estabilidade, a R$ 7,18.

Fora do pódio da XP, a Cury publicou resultados positivos, com o robusto crescimento da receita sustentado pelo forte desempenho de vendas no trimestre, apontam os analistas.

O time de análise escreve ainda que as despesas operacionais um pouco maiores foram compensadas por uma menor carga tributária efetiva, o que levou seu lucro líquido para R$ 79 milhões

Entre abril e junho deste ano, a companhia também reportou recorde de receita líquida de R$ 451,2 milhões, alta de 83,3%, com patamares recordes de lançamentos e vendas do período, de R$ 686,2 milhões e R$ 682,6 milhões, respectivamente.

Os resultados levaram a XP a reiterar a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 15.

O Itaú BBA reforça que a Cury apresentou margens “surpreendentemente positivas” mesmo em um cenário desafiador de aumento dos custos.

Com recomendação outperform para os papéis da companhia e preço-alvo de R$ 15,30, o banco enaltece o forte conjunto de números reportados no trimestre, com destaque para a expansão da margem bruta, que ficou em 36,1% entre abril e junho deste ano.

Os papéis CURY3 encerraram o pregão desta sexta em alta de 1,5%, a R$ 8,25.

Os resultados do segundo trimestre da Trisul em linha com as estimativas da XP levou a casa a manter sua visão construtiva para a companhia e a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 14 por ação.

Segundo os analistas, apesar da receita marginalmente abaixo do esperado, ela foi compensada por uma margem bruta de 37,8%, o que levou seu lucro líquido para patamares próximos dos números esperados.

Já no balanço patrimonial, o time cita que a companhia reportou uma pequena geração de caixa operacional de R$ 6,5 milhões, o que é vista pela XP como saudável.

Os papéis TRIS3 encerraram o pregão desta sexta em queda de 4,4%, a R$ 7,57.

Plano&Plano (PLPL3)

Por fim, o Itaú BBA interpreta os resultados do segundo trimestre da construtora voltada para o público de baixa renda Plano&Plano como negativos.

O time avalia que os dados vieram fracos, com forte compressão da margem bruta e maiores despesas com vendas, gerais e administrativas levando a uma perda considerável de lucro por ação.

Os papéis encerraram o pregão desta sexta-feira (13) com forte queda de 9,7%, negociados a R$ 4,29.

Do lado positivo, a casa destaca que mesmo com as aquisições de terrenos no período, a empresa teve uma geração de caixa de R$ 34 milhões no trimestre.

O Itaú BBA tem recomendação outperform para os papéis da construtora e preço-alvo de R$ 12,90.

Em relatório, a XP também chama atenção para os resultados mais amenos da companhia devido às maiores despesas operacionais, que pressionaram seus resultados trimestrais e levaram a um lucro líquido abaixo das estimativas da casa.

Apesar dos resultados mais amenos no curto prazo, a XP mantém sua visão positiva para o papel no longo prazo e a recomendação de compra, com preço-alvo de R$10 por ação.

Na avaliação da XP, o desempenho recorde de vendas abre espaço para que as companhias de baixa renda aumentem gradativamente os preços e recuperem suas margens no longo prazo, sem comprometer a velocidade de vendas.

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Eztec tem lucro líquido de R$ 139,5 milhões no 2º trimestre, alta de 104%

A incorporadora paulistana Eztec (EZTC3) obteve lucro líquido de R$ 139,5 milhões no segundo trimestre de 2021, montante 104% maior do que no mesmo período de 2020.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 109 milhões, 101% superior na mesma base de comparação. A margem Ebitda subiu 2 pontos porcentuais, para 38%.

A receita operacional líquida totalizou R$ 289 milhões, expansão de 89%. O aumento foi reflexo do crescimento do volume de vendas, especialmente do estoque pronto, que correspondeu a 32% das unidades comercializadas.

A Eztec também apresentou um crescimento expressivo na linha de equivalência patrimonial, que quadruplicou, chegando a R$ 26 milhões. Houve aí o reconhecimento do resultado de três projetos (Ereditá, Signature by Ott e Meu Mundo Estação Mooca) lançados no fim do ano passado.

A margem bruta caiu 5 pontos porcentuais na comparação anual, para 46%, mas mostrou recuperação na comparação trimestral, com ganho de 4 pontos porcentuais desde então.

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Houve aumento de 129% nas despesas comerciais na comparação anual, para R$ 24,5 milhões, devido à montagem de novos estandes de vendas com o avanço dos lançamentos. As despesas gerais e administrativas subiram 33%, para R$ 28 milhões.

O resultado financeiro ficou positivo em R$ 46 milhões, um avanço de 119%. O salto veio, principalmente, da correção das parcelas de financiamento aos clientes pelo IGP-D.

A Eztec informou ainda que lançou um novo projeto neste segundo semestre, o residencial de alto padrão Arkadio EZ by Ott, com R$ 460 milhões de valor geral de vendas (VGV).

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Com isso, o VGV acumulado do ano totalizou R$ 1,4 bilhão, o equivalente a metade da meta de R$ 2,8 bilhões para 2021 inteiro. “É um volume importante e que reforça a intenção de cumprimento dos R$ 2,8 bi para 2021, como proposto pelo guidance”, descreveu a direção, no balanço.

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Lucro líquido da MRV sobe 86% e vai a R$ 203 milhões no 2º trimestre

Prédios de baixa renda (Divulgação/MRV)

SÃO PAULO – A construtora MRV (MRVE3) fechou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 203 milhões, uma alta de 86,1% sobre o mesmo período de 2020 e 48,5% maior que os três primeiros meses deste ano.

Segundo a companhia, a melhora do lucro refletiu o mercado imobiliário ainda aquecido no Brasil, além de uma melhora na linha “outras receitas (despesas) operacionais”, que ficou positiva em R$ 56 milhões, ante R$ 31 milhões negativos um ano antes.

Nesta quinta-feira (12), às 18h (horário de Brasília), Rafael Menin, co-presidente da MRV, e Ricardo Paixão, CFO do grupo, participam do projeto “Por Dentro do Resultados“, com uma live no YouTube do InfoMoney para comentarem os números do balanço (clique aqui para acompanhar).

Já a receita líquida da companhia ficou em R$ 1,82 bilhão, uma alta de 9,7% na comparação anual. Por outro lado, a margem bruta caiu 2,8 pontos percentuais, para 25,4%, o que a companhia atribuiu ao forte aumento de custo com matérias-primas.

“Uma vez que o aumento de preços implementado nos últimos trimestres foi inferior à inflação, o resultado foi a compressão da margem bruta”, disse a MRV, adiantando que partir de julho adotou uma política de alta de preços mais agressiva.

Ainda assim, o resultado operacional da empresa medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 29,8%, para R$ 296 milhões. A margem Ebitda, por sua vez, subiu 2,5 pontos percentuais, para 16,3%.

(Com Reuters)

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Com custos crescentes de construção impactando resultados, Direcional é destaque positivo entre as incorporadoras

Guindaste

SÃO PAULO – Em meio à temporada de balanços do segundo trimestre de 2021, as incorporadoras Direcional (DIRR3), Even (EVEN3), Melnick (MELK3) e Mitre (MTRE3) reportaram na noite da última segunda-feira (9) números positivos no período.

Ainda que as companhias tenham apresentado, em sua maioria, crescimento no lucro líquido e na receita, o aumento dos custos em meio à alta da inflação pesou nos resultados de abril a junho deste ano.

Neste cenário, o grande destaque, segundo analistas do mercado financeiro, ficou por conta da Direcional, que reportou uma margem bruta recorde, apesar dos custos crescentes de construção.

Mesmo assim, as ações DIRR3 apresentavam queda na Bolsa brasileira nesta terça-feira (10). Por volta das 11h40, as ações da companhia recuavam cerca de 3,6%, a R$ 13,23.

O movimento de queda também era visto em MTRE3, com baixa de 1,8% na B3, a R$ 11,07, e em EVEN3, com recuo de 0,5%, a R$ 8,74.

Já os papéis MELK3 subiam cerca de 0,9%, a R$ 5,50.

Confira a seguir como o mercado interpretou os resultados do segundo trimestre das empresas:

Direcional (DIRR3)

No segundo trimestre, a Direcional apresentou lucro líquido de R$ 40,7 milhões, crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2020.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou cerca de R$ 90 milhões, avanço de 47,8% na mesma margem de comparação. Já a margem Ebitda ajustada cresceu 6,4 pontos porcentuais, para 21,3%.

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A margem bruta subiu 5 pontos porcentuais, para 38% – o maior patamar já registrado pela Direcional desde o seu IPO.

Segundo a companhia, a melhora nas margens decorreu da apuração de economias nas obra dos projetos que estão em estágio avançado de construção e, portanto, com menor exposição ao aumento de custo de insumos que tem pressionado todo o setor.

Este, inclusive, foi o grande destaque do balanço, na avaliação de analistas do mercado financeiro.

Em relatório, a XP escreve que os resultados vieram positivos, em linha com o esperado, e que, ao contrário da maioria dos seus pares de mercado, a companhia conseguiu apresentar uma melhora na margem bruta, apesar dos custos crescentes nos materiais de construção.

“O resultado reforça nossa visão positiva para o papel e reiteramos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20,50 por ação”, escreve o time de análise.

O Bradesco BBI também vê a Direcional se destacando em relação aos pares, ao combinar crescimento de dois dígitos, potencial de valorização e um múltiplo preço sobre lucro de um dígito (de 7,4 vezes estimado para 2022).

Para os analistas, DIRR3 é uma das histórias “mais baratas” na cobertura do banco e permanece como a principal escolha no setor. O Bradesco BBI tem recomendação de outperform (acima da média do mercado) para os papéis e preço-alvo de R$ 20.

Margens surpreendentemente fortes também foram mencionadas pelo Itaú BBA e pelo Credit Suisse.

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A avaliação é de que a economia em projetos em estágios avançados de construção, os ajustes no mix de produtos da empresa e uma estratégia de preços aprimorada foram acertados e contribuíram para os números “impressionantes” no último trimestre.

Enquanto o Itaú BBA tem recomendação outperform (acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 19,70, o Credit Suisse tem recomendação neutra.

“Embora reconheçamos a força desses resultados, continuamos céticos em relação às perspectivas para o setor de construção residencial no Brasil, dada a tendência de alta dos custos e um potencial aumento nas taxas de hipotecas”, escreve o Credit Suisse.

A construtora Even registrou lucro líquido de R$ 54 milhões entre abril e junho deste ano, uma alta de 102% na comparação com o mesmo período de 2020.

Já o Ebitda ajustado teve um crescimento de 17,3% na comparação anual, ficando em R$ 65 milhões.

A receita líquida, por sua vez, cresceu 39,5%, ficando em R$ 522,38 milhões, puxada principalmente pelas vendas de R$ 354 milhões, com VSO consolidada de 16%.

Para o time de análise do Bradesco BBI, os números vieram sólidos, superando as estimativas do banco. A forte posição de caixa da companhia, bem como o valuation atrativo (de 1 vez o preço sobre o valor patrimonial) levou os analistas a reafirmarem a recomendação de compra para EVEN3, com preço-alvo de R$ 15 por ação para o fim de 2021.

Já o Itaú BBA vê os resultados ligeiramente positivos, com uma receita melhor do que o esperado, apesar de a surpresa positiva ter sido parcialmente compensada por uma margem bruta mais fraca e contingências pesadas.

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O banco tem recomendação market perform (em linha com a performance do mercado) e preço-alvo de R$ 14,30.

Segundo a XP, embora possa haver uma reação positiva do mercado, a casa optou por manter a visão conservadora sobre a ação e preço-alvo de R$ 13, por ação.

O mesmo aconteceu com o Credit Suisse, que se diz cético em relação às perspectivas para o setor de construção residencial. Segundo os analistas, não há gatilhos claros para que a Even expanda suas margens, ainda que considerando o cenário de aumento de custos.

Também em meio à temporada de resultados, a Melnick lucrou R$ 12,32 milhões no segundo trimestre, queda da ordem de 45% ante o lucro de R$ 22,35 milhões registrado em igual período do ano passado.

Já a receita líquida de vendas e serviço teve baixa de 2,16%, a R$ 183 milhões.

De acordo com o Itaú BBA, os resultados da Melnick vieram neutros, com a boa receita sendo parcialmente compensada por margens ainda apertadas e provisões mais altas, levando a um lucro por ação em linha com o esperado.

Do lado positivo, a Melnick foi bastante ativa na aquisição de terrenos, adicionando um valor geral de vendas (VGV) de R$ 383 milhões ao seu estoque de terrenos, destacam os analistas.

O banco tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para os papéis da companhia e preço-alvo de R$ 11,40.

A avaliação é compartilhada pela XP, que destaca que a receita líquida ficou acima do estimado, mas que foi compensada pela margem bruta mais fraca de 24,5% devido ao impacto dos custos mais elevados de material de construção.

“Apesar da pressão momentânea nas margens por conta do aumento dos custos, esperamos uma recuperação gradual nos próximos trimestres à medida que a companhia consiga repassar inflação para os preços”, justificam os analistas.

A XP tem recomendação de compra para os papéis MELK3 e preço-alvo de R$ 9 por ação.

Já a incorporadora Mitre teve lucro líquido de R$ 21,2 milhões no segundo trimestre, alta de 113% na base anual.

A receita líquida, por sua vez, aumentou 153%, para R$ 164,7 milhões, refletindo a aceleração da evolução física de obras e início das atividades em alguns canteiros.

A margem bruta da companhia, por sua vez, passou de 31,9%, no segundo trimestre do ano passado, para 34,7% entre abril e junho de 2021, enquanto a margem bruta ajustada foi de 35,5%.

Ainda que os resultados tenham sido positivos, analistas têm preferido adotar uma posição mais cautelosa para os papéis da companhia.

O Credit Suisse, por exemplo, cita uma possível deterioração das perspectivas para o segmento de média e alta renda diante de um potencial fluxo de notícias negativas em relação às taxas de hipotecas e aumento dos custos.

Para o Itaú BBA, ainda que os resultados tenham superado as expectativas, suportados por uma melhora na margem bruta, a empresa relatou uma grande queima de caixa devido aos desembolsos para a aquisição de terrenos. O banco tem recomendação market perform para os papéis da construtora e preço-alvo de R$ 18,50.

A posição neutra também é adotada pelo Bradesco BBI, que prevê “atritos operacionais que podem ser particularmente onerosos para histórias crescentes como Mitre”.

“Estamos fora do nome, porque preferimos histórias estáveis”, escrevem os analistas, que têm preço-alvo de R$ 19,00 para MTRE3.

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Viver anuncia que saiu de recuperação judicial; ações VIVR3 fecham em alta de 15,61%

A incorporadora e construtora Viver (VIVR3) informou nesta segunda-feira (2) que foi proferida sentença determinando o encerramento da recuperação judicial do grupo. O processo tramitava na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível da Comarca da Capital de São Paulo.

Em meio à notícia, as ações VIVR3 fecharam com um salto de 15,61%, a R$ 4. No acumulado de 2021, os ganhos são de 254,80%.

Paulo Furtado de Oliveira Filho, juiz da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, ao decretar o fim do processo, determinou que seja feita a apuração das custas a serem recolhidas pela empresa; a exoneração do administrador judicial; a comunicação da decisão à junta comercial (Jucesp); e o pagamento das dívidas da empresa diretamente aos credores, sem depósito judicial.

A construtora entrou com pedido para sair do processo de recuperação judicial em 14 de junho.

De acordo com comunicado da Viver, o período de recuperação judicial representou a fase de reestruturação financeira da
companhia, sendo convertidas dívidas habilitadas no âmbito da recuperação judicial, em capital, e consequente pagamento dos respectivos credores. Por meio dessas capitalizações, a empresa sucedeu na quitação de 98% da dívida habilitada perante o processo, destacou.

Veja também: Para se reerguer, Viver cria negócio para terminar as obras que deixou inacabadas

“A recuperação judicial cumpriu, portanto, com o objetivo de (i) preservar a continuidade das atividades do Grupo Viver e sua função social, (ii) preservar os interesses e direitos de seus clientes, fornecedores, credores, colaboradores e acionistas, (iii) proteger a situação financeira do Grupo Viver e reforçá-la continuamente”, apontou.

Destaca-se que os valores remanescentes, assim como todos os créditos ilíquidos, cujo fato gerador seja anterior ao pedido da RJ (Recuperação Judicial), continuam sujeitos aos efeitos do Plano, ainda que tais débitos venham a ser liquidados após o
encerramento do processo de Recuperação Judicial.

“A Companhia entende que este é o momento de crescer e se fortalecer visando uma estrutura cada vez mais sólida, retomando os lançamentos imobiliários cautelosamente”, afirmou, destacando que vai manter seus acionistas e o mercado em geral informados sobre qualquer evento relevante no âmbito do processo.

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Destacando crescimento, XP recomenda compra de ações de Cury, Direcional e Plano&Plano; inflação de custos é risco

SÃO PAULO – A XP iniciou a cobertura para as ações das incorporadoras e construtoras voltadas aos segmentos mais populares Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), Plano&Plano (PLPL3) com recomendação de compra. Os analistas também atualizaram as estimativas para Tenda (TEND3), com recomendação de compra, e para a MRV (MRVE3), com recomendação neutra.

O preço-alvo para a CURY3 é de R$ 15 por ação, de R$ 20,50 para DIRR3 e de R$ 10 para Plano&Plano, o que correspondem a altas respectivas de 53,53%, 41,37% e 61,29% em relação ao fechamento da última quinta-feira.

De acordo com os analistas Renan Manda, Lucas Hoon e Marcella Ungaretti, a demanda resiliente deve continuar alimentando o plano de crescimento das companhias. Apesar do espaço limitado de crescimento do programa habitacional Casa Verde e Amarela (CVA), eles avaliam que as grandes companhias e as mais líquidas estão bem-posicionadas para continuar crescendo e ganhando participação de mercado do programa.

Já os crescentes custos de construção devem continuar a ser o principal risco para o segmento neste ano e esperam pressão adicional nos materiais de construção nos próximos meses.

Dito isso, veem os esforços das companhias para atenuar os custos mais altos (por exemplo, por meio de compra antecipada de materiais, materiais alternativos e ganhos de eficiência), amenizando os impactos nas margens brutas, resultando em uma pequena compressão nas margens em 2021 (1,5 ponto percentual nas estimativas dos analistas, na média).

Eles ainda ressaltam que as diferentes estratégias adotadas pelas incorporadoras poderão resultar em crescimento adicional fora do programa Casa Verde e Amarelo.

As operações na média renda devem continuar ganhando tração para a Direcional (por meio da subsidiária Riva) e MRV, enquanto esperam que a Cury e a Plano&Plano comecem a explorar esse segmento neste ano. Enquanto isso, o desenvolvimento do modelo remoto (off-site) trará um crescimento mais robusto no segmento de baixa renda para a Tenda a partir de 2022. Já as demais subsidiárias da MRV (com destaque para AHS) possuem o potencial de contribuir cada vez mais nos resultados operacionais e financeiros da companhia.

A Cury é a preferência da XP no segmento popular, dada a combinação de: i) sólida execução e executivos experientes; ii) baixa alavancagem da companhia; iii) uma das maiores rentabilidades do mercado (retorno sobre patrimônio líquido esperado para 2022 de 59% para 2022 versus 32% da média dos pares) e iv) valuation atrativo, sendo negociado a 7,4 vezes o preço sobre o lucro para 2022.

“Apesar da nossa visão mais conservadora para a MRV, destacamos a sua liderança na frente ESG [melhores práticas de meio ambiente, social e governança corporativa], com sólidos compromissos nos pilares E e S. Em seguida, a Tenda se destaca na frente G, além do desenvolvimento de uma solução mais verde através da construção com placas de madeira (wood frame)”, ressaltam.

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Sobre a MRV, a XP reiterou recomendação neutra com preço-alvo em R$ 23, ou potencial de alta de 30,68% frente o fechamento da véspera e de compra para Tenda, elevando o preço-alvo em R$ 4,70, para R$ 38, ou potencial de alta de 47,98%.

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Credit Suisse reduz recomendação para ações de quatro construtoras e vê cenário mais desafiador para o setor

SÃO PAULO – Os analistas do Credit Suisse revisaram a cobertura para o setor de construção, reduzindo a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) das ações das companhias EzTec (EZTC3) e Mitre (MTRE3), por serem dependentes de crescimento, da Even (EVEN3), por falta de catalisador, e da Direcional (DIRR3) por já ser precificada.

Cyela (CYRE3) e Moura Dubeux (MDNE3) tiveram a recomendação mantida em outperform, enquanto houve manutenção de Tenda (TEND3) e MRV (MRVE3) como neutras.

Os analistas Daniel Gasparete, Pedro Hajnal e Vanessa Quiroga apontam que, apesar dos dados ainda indicarem um ambiente favorável para o setor, há maior preocupação com o ambiente macroeconômico, o que torna a assimetria mais inclinada para o lado negativo.

Eles apontam que o ciclo de aperto monetário pode ser prejudicial, avaliando que a alta da Selic não é “amiga do setor imobiliário”. De acordo com o time de análise, há risco de queda na demanda nos próximos doze meses, pois o ciclo de aperto monetário que está em curso (a projeção do banco é de que a Selic deva chegar a 6,5% até o fim do ano, ante 2% no início de 2021) deve prejudicar a acessibilidade ao crédito.

Apesar de não esperarem que as taxas de juros voltem para dois dígitos no curto prazo, os analistas ressaltam que cada aumento de 100 pontos-base nas taxas de financiamento afeta o poder de compra do comprador em cerca de 10%. “Portanto, concluímos que existe um risco maior de queda para a demanda agora”, destacam.

Os analistas também apontam que existe a preocupação de que a forte concentração de lançamentos no segundo semestre de 2021 possa vir acompanhada de uma possível desaceleração da demanda (ainda que marginal), potencialmente levando a velocidade de vendas para baixo das expectativas do mercado e limitando a capacidade das empresas de aumentar os preços dos imóveis.

Já do lado de custos, o Credit acredita que gastos com materiais devem continuar altos no curto e médio prazos dada a dinâmica de demanda e oferta. Porém, o principal tema do setor na verdade deve ser o custo de mão de obra, que deve acelerar no segundo semestre e se tornar uma preocupação em 2022 (os canais de checagem do banco indicam aumento de mais de 20%).

“No geral, preferimos os cases de renda mais baixa, mas avaliamos ser melhor esperar ate que a pressão de custo sobre as margens seja aliviada ou esteja melhor precificada”, apontam.

Os analistas possuem os seguintes preços-alvos para as ações do setor: R$ 24 para MRV (potencial de alta de 36% com relação ao fechamento de segunda-feira), R$ 32 para a Cyrela (upside de 31%), de R$ 15 para a Even (upside de 42%), de R$ 19 para Direcional (upside de 32%), R$ 44 para EzTec (upside de 33%), R$ 35 para Tenda (upside de 37%), R$ 14 para Moura Dubeux (upside de 57%) e de R$ 15 para Mitre (potencial de valorização de 33% frente o fechamento da véspera).

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