Crise hídrica de um lado, regulamentação do marco legal de outro: os sinais dúbios para as ações de saneamento

SÃO PAULO – O noticiário dos últimos dias têm movimentado o setor de saneamento, com indicações positivas e negativas para as companhias.

Do lado positivo, está o decreto de regulamentação do novo marco legal do saneamento, considerado bastante importante para a transformação do setor (veja mais clicando aqui), principalmente para chegar às metas de universalização num contexto em que o abastecimento de água e do tratamento da rede de esgoto ainda é bastante precário no Brasil.

Por outro, a crise hídrica, ainda que tenha gerado mais preocupações num primeiro momento sobre um possível encarecimento na conta de luz por conta da ativação de energia térmica, é monitorada de perto e pode impactar as empresas de saneamento. As últimas declarações de representante do governo paulista indicando uma privatização mais distante da Sabesp (SBSP3) também acabaram impactando a ação da companhia na B3 nos últimos dias.

Nesta quarta-feira (2), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) publicou, no Diário Oficial da União resolução que declara “situação crítica de escassez quantitativa dos recursos hídricos” na Região Hidrográfica do Paraná, polo de produção agropecuária e de grandes hidrelétricas, até o dia 30 de novembro.

De acordo com a ANA, após a análise de cada situação, poderão ser adotadas medidas, como regras de operação temporárias para os reservatórios preservar seus volumes. “Num primeiro momento, a necessidade de restrições para usos consuntivos [que consomem água], como a irrigação e o abastecimento humano, não é vislumbrada”, esclarece a agência ao informar que, por meio das medidas adotadas “em caráter preventivo” pretende “mitigar possíveis riscos aos usos consuntivos de água, decorrentes do cenário desfavorável de chuvas, até o fim do período seco”.

A agência acrescenta que a Região Hidrográfica do Paraná passa por um “déficit de precipitações severo” desde outubro de 2019, e que diversos locais dessa região registraram vazões baixas a extremamente baixas tanto em 2019 quanto no período chuvoso de 2020/2021, quando foram registradas as menores vazões afluentes.

“Quanto aos volumes armazenados nos reservatórios, em 1º de maio, sete dos 14 principais reservatórios de hidrelétricas da região estavam com seu pior nível desde 1999. E os demais estavam com níveis entre os cinco piores desse período”, informou a ANA. Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná estão na Região Hidrográfica do Paraná; na semana passada, o governo já havia publicado um alerta de emergência hídrica para o período de junho a setembro para esses cinco estados brasileiros.

Em relatório desta semana, os analistas do Credit Suisse apontam que a Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3), estatal mineira de saneamento, estão mais preparadas para enfrentar o cenário atual depois da crise hídrica de 2014, não apenas aumentando a oferta, mas também melhorando a flexibilidade entre os reservatórios.

“Somando-se a isso, ambas as empresas têm observado crescimento limitado do consumo desde a crise, com população mais consciente do uso da água e da mudança de hábitos de consumo”, apontam Carolina Carneiro e Rafael Nagano, analistas do banco suíço.

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Já para a Sanepar (SAPR11), a empresa tem enfrentado limitação de oferta desde 2020 e os clientes na região metropolitana de Curitiba estão sofrendo com o rodízio de abastecimento por mais de um ano. Mesmo assim, o Paraná segue em emergência de crise hídrica.

Novo marco legal 

No noticiário do setor, os analistas do Credit Suisse ainda destacaram a publicação pelo governo federal do decreto de regulamentação do novo marco legal do saneamento na última terça-feira (1). O decreto que disciplina trecho do novo marco, em vigor desde julho, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) e estabelece uma linha de corte para empresas de saneamento atuarem no mercado. O objetivo da comprovação de capacidade econômico-financeira é assegurar que as empresas tenham condições para cumprir as metas de universalização dos serviços.

Em março, o ministro do Desenvolvimento Regional (MDR), Rogério Marinho, adiantou que, considerando o nível atual de caixa, pelo menos dez companhias estaduais de saneamento não conseguiriam atingir os índices necessários para continuarem operando, segundo as regras do decreto.

O ato determina que, se não se regularizarem até março de 2022, prazo final para os contratos em vigor se adequarem às metas de universalização de saneamento, essas empresas devem perder esses negócios. “O processo de comprovação de capacidade econômico-financeira deverá estar concluído, com a inclusão de decisões sobre eventuais recursos administrativos, até 31 de março de 2022”, cita o decreto.

Pelas regras, a avaliação da capacidade econômico-financeira será feita pela entidade reguladora em duas etapas sucessivas. Na primeira etapa, será analisado o cumprimento de índices referenciais mínimos dos indicadores econômico-financeiros e, na segunda etapa, a adequação dos estudos de viabilidade e do plano de captação de recursos. As empresas têm até 31 de dezembro de 2021 para apresentar requerimento de comprovação de sua capacidade à cada entidade reguladora responsável pela fiscalização.

Para a aprovação na primeira etapa, o prestador deverá comprovar que os indicadores econômico-financeiros do grupo econômico a que pertence atendem aos seguintes referenciais mínimos: índice de margem líquida sem depreciação e amortização superior a zero; índice de grau de endividamento inferior ou igual a um; índice de retorno sobre patrimônio líquido superior a zero; e índice de suficiência de caixa superior a um.

Para a aprovação na segunda etapa, a empresa deverá comprovar que os estudos de viabilidade resultam em fluxo de caixa global com valor presente líquido igual ou superior a zero e que o plano de captação de recursos – detalhado no decreto – está compatível com os estudos de viabilidade. Esse plano deve conter os termos e as condições das captações previstas nos estudos de viabilidade para o cumprimento das metas de universalização, além de seguir prazos e fases de implementação.

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As regras do decreto não se aplicam à prestação direta de serviços públicos de abastecimento de água potável ou de esgotamento sanitário pelo município ou pelo Distrito Federal titular do serviço, ainda que seja feita por intermédio de autarquia, empresa pública ou sociedade de economia mista por ele controladas.

Quanto às empresas estatais em processo de privatização, o decreto garante seu pressuposto de capacidade econômica e financeira, uma vez que as empresas atendem a alguns requisitos, incluindo a conclusão da privatização até 31 de março de 2024.

Por fim, os analistas do Credit ainda apontam esperar por mais avanços na agenda da ANA para a definição de novas regras e diretrizes federais para a regulação regional das agências, incluindo metodologia de indenização de ativos, metodologia de revisão tarifária, de metas operacionais e definição da tarifa de resíduos sólidos urbanos.

Carolina e Nagano veem a regulamentação como positiva para o futuro do setor, destacando a definição dos requisitos econômico e financeiro para as empresas nos termos da nova lei de saneamento, uma vez que as prestadoras de serviços menos eficientes tendem a perder participação no mercado, favorecendo assim o atendimento à população.

Além disso, a opção de privatização poderia ser acelerada após as novas metas o que, a rigor, favoreceria mais a Sabesp, apesar de também verem Sanepar e Copasa também sendo beneficiadas com as novas diretriz regulatórias.

Porém, cabe ressaltar, uma notícia negativa sobre o tema afetou a ação da Sabesp desde a última sexta-feira (28). Em apenas três pregões, entre sexta-feira (28) da semana passada e a última terça-feira (1), as ações SBSP3 tiveram queda de 7,5%.

Marcos Penido, secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, afirmou em entrevista ao Valor Econômico que o Governo de São Paulo não deverá levar adiante nem a capitalização nem a privatização da Sabesp até 2022. O foco neste momento, disse ele, é a universalização dos serviços.

De acordo com o Credit Suisse, independentemente do cenário de estrutura de capital no curto prazo, os analistas mantêm a visão de que a Sabesp tem uma valorização descontada e que a perspectiva de lucro é positiva dada a recente revisão tarifária aprovada. Se a revisão tarifária for totalmente implementada, deve implicar em números melhores que o esperado pelos analistas.

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“Ainda assim, o fluxo de notícias relacionado à privatização foi um catalisador potencial para as ações (para desbloquear o potencial de valor para o ativo) e, até que o governo decida sobre essa possibilidade, o desempenho das ações pode ser limitado. Além disso, embora não vejamos risco de racionamento no momento para garantir abastecimento de água em São Paulo, o fluxo de notícias relacionado à hidrologia seca deve continuar e também pode ser um obstáculo para as concessionárias de água”, apontam os analistas do banco suíço.

A recomendação atual do Credit para as ações do setor é de outperform (desempenho acima da média do mercado) para Sabesp, com preço-alvo de R$ 60,90, uma alta de 57% em relação o fechamento da véspera, enquanto possui recomendação neutra para Copasa, com preço-alvo de R$ 17,03 (queda de 2,3%) e possuem recomendação underperform (desempenho abaixo da média) para as units da Sanepar, com preço-alvo de R$ 27,10 (ainda que com um potencial de valorização de 33% frente o último fechamento).

O cenário é de cautela mas, mesmo assim, algumas notícias mostram que o ambiente de longo prazo é de investimentos fortes para o setor, em boa parte em decorrência da aprovação do novo marco legal do saneamento. Na última sexta-feira, em 28 de maio, foi lançado o edital de um novo projeto de saneamento básico no Amapá. A concessão engloba o atendimento de 16 municípios, mais de 90% da população do estado e deverá trazer investimentos da ordem de R$ 3 bilhões para o setor.

A concessão terá prazo de 35 anos. A universalização dos serviços de água deverá, por exigência do contrato, ocorrer em até no máximo 11 anos. “A notícia é positiva uma vez que se projeta a entrada de forte investimento para o projeto de universalização dos serviços de água e esgoto”, avalia a Levante Ideias de Investimentos. Assim, apesar dos sinais contraditórios no curto prazo, a expectativa é de fortes aportes no setor.

Cabe destacar que, no final de abril, o leilão da Cedae, maior concessão de saneamento do Brasil, arrecadou R$ 22,7 bilhões e superou projeções – e mais certames do gênero estão no radar. E, além do Amapá, quatro novos leilões estão no radar do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para serem realizados até o primeiro semestre do ano que vem.

(com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)

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Lucro da M.Dias Branco cai 21% e da Enauta tem baixa de 68,7% no 4º tri; BBA tem recomendação neutra para Gol e mais destaques

SÃO PAULO – O noticiário corporativo é bastante movimentado na sessão desta quinta-feira (1). A indicação do novo presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, foi aprovada em reunião realizada na terça-feira pelo Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade (Corem). Ele foi indicado pela União para substituir André Brandão, que comunicou sua renúncia em março.

Já na temporada de resultados, a fabricante de alimentos M.Dias Branco apresentou lucro líquido de R$ 209,0 milhões no quarto trimestre do ano passado. O resultado representa queda de 21,1% na comparação com igual período de 2019, quando a empresa reportou lucro líquido de R$ 264,9 milhões. Enquanto isso, o lucro líquido da Enauta totalizou R$ 124 milhões em 2020, 32,6% inferior ao lucro registrado em 2019. No quarto trimestre, a companhia contabilizou lucro de R$ 38,2 milhões, queda de 68,7%.

No radar de recomendações, o Itaú BBA iniciou cobertura para a Gol com recomendação equivalente à neutra. Confira os destaques:

Banco do Brasil (BBAS3)

A indicação do novo presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, foi aprovada em reunião realizada na terça-feira pelo Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade (Corem). Ele foi indicado pela União para substituir André Brandão, que comunicou sua renúncia em março.

Em manifestação em separado de seus votos, os membros do comitê Cibele Castro, Luiz Serafim Spinola Santos e Paulo Roberto Evangelista de Lima alertam que “a atuação deste Comitê, no particular, não deveria ser o de exclusivamente verificar a conformidade do processo, o atendimento aos requisitos legais ‘objetivos’ e a ausência de vedações, mas também o de apreciar ‘requisitos subjetivos’”.

E prosseguem em tom crítico. “Em nossa visão, tendo em conta que o indicado exercerá a função de principal executivo da companhia, cumulativamente à de membro do Conselho de Administração, caberia ao Corem ir além de uma análise burocrática, de forma a realizar juízo crítico acerca da aderência do perfil do candidato aos cargos para os quais foi indicado. Tal prática estaria melhor alinhada ao hígido e já usual processo interno da companhia para avaliação, preparação e seleção de seus futuros executivos, no qual a cultura da meritocracia vem sendo priorizada e valorizada”.

Com isso, acrescentam os membros do Corem, “negligenciar ou relegar a segundo plano o papel do Conselho de Administração na seleção e aprovação do principal executivo da companhia, como no presente caso, equivale a reduzir o Conselho a um mero homologador, o que não se coaduna com as Leis 6.404/1976 e 13.303/2016, tampouco com os manuais e códigos de melhores práticas de governança corporativa globalmente reconhecidos. Para enriquecimento do processo de escolha, por exemplo, poderia o controlador ter se valido de empresa especializada em recrutamento de executivos para a indicação do Presidente, ou mesmo envolvido o Conselho de Administração na proposição ou avaliação de potenciais candidatos”.

Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) têm cinco dias úteis para analisar se vão pedir a suspensão da venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) pela Petrobras ao Mubadala, fundo financeiro dos Emirados Árabes, anunciada no último dia 24. A medida tem como objetivo evitar “prejuízo ao interesse público”, como afirmou em plenário o ministro Walton Alencar, na última quarta-feira, 31.

O TCU questiona o valor de US$ 1,65 bilhão fechado com o Mubadala, que estaria abaixo do preço de mercado, de US$ 3,04 bilhões, definido pela própria Petrobras.

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“Recebi Ofício do Subprocurador-Geral, Lucas Rocha Furtado, ressaltando a recente decisão do conselho de administração da Petrobras em vender a Refinaria Landulpho Alves (Rlam) a preços abaixo de seu valor de mercado”, disse o ministro, na sessão de ontem.

Questionada, a empresa enviou ao tribunal as justificativas por que seu conselho de administração e refinaria aprovaram a venda da refinaria abaixo desse valor. Com os documentos em mãos, o ministro repassou à área técnica a responsabilidade de analisar definitivamente o caso.

“Ante o risco de conclusão do negócio antes que este Tribunal possa se debruçar sobre a matéria, com possível prejuízo ao interesse público, bem como considerando as consequências que essa decisão possa carrear para a venda das demais refinarias, entendo fundamental determinar que a Unidade Técnica submeta a este Relator, em 5 dias úteis, análise conclusiva a respeito da necessidade ou não de concessão de cautelar para a suspensão da alienação em andamento”, afirmou o Alencar, em plenário.

Desde que as negociações com o Mubadala foram concluídas, o valor de US$ 1,65 bilhão, a ser pago pelo fundo, tem sido questionado pelo mercado. O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) estimou a Rlam em US$ 3 bilhões. Enquanto analistas do banco BTG Pactual dizem que o total a ser pago pelo ativo está 35% abaixo do limite inferior projetado por eles. A XP Investimentos avalia que, com esse dinheiro, a Petrobras vai conseguir atingir uma parcela muito pequena das suas metas financeiras.

Ainda no radar da companhia, a Petrobras informou que recebeu a indicação da Franklin Templeton Investment Fund, acionista detentora de ações preferenciais, sobre candidatos para o conselho fiscal, cuja eleição ocorrerá na Assembleia Geral Ordinária de 14 de abril de 2021. Os nomes são Reginaldo Ferreira Alexandre e Paulo Roberto Franceschi.

Segundo o currículo enviado à Petrobras, Reginaldo Ferreira Alexandre é economista com experiência em análise de investimentos, com passagens por Citibank, Unibanco, BBA (atual Itaú-BBA) e Itaú Corretora de Valores. Ele trabalhou como analista de crédito corporativo no Citibank e como consultor nas áreas de estratégia da Accenture e de corporate finance da Deloitte. Também atuou na ProxyCon Consultoria Empresarial, dedicada a assessoria e prestação de serviços nas áreas de mercado de capitais, finanças e governança corporativa, entre 2003 e 2017. Atualmente, é membro dos conselhos fiscais de Sanepar, Sabesp, CEB, Rumo, Ser Educacional e suplente dos conselhos de CPFL Energia, Braskem e Fras-Le.

Paulo Roberto Franceschi é formado em ciências contábeis pela Fundação de Estudos Sociais de Paraná e em ciências econômicas pela FAE Business School. É sócio da Audicontrol Auditoria e Controle S.S. É titular do conselho fiscal de Equatorial Energia; Celpa Centrais Elétricas do Pará, controlada da Equatorial; Companhia Energética do Maranhão, controlada da Equatorial; Triunfo Participações e Investimentos; Companhia Energética de São Paulo; e Sanepar.

Vale (VALE3) e siderúrgicas

Os futuros do vergalhão de aço e do minério de ferro na China avançaram nesta quinta-feira, apoiados por expectativas de maior demanda em meio a indicadores econômicos positivos e esforços do governo chinês para estimular o consumo. As vendas de escavadeiras nos primeiros dois meses de 2021 saltaram 149% frente ao mesmo período do ano anterior, segundo notícias na mídia estatal, sugerindo um setor de infraestrutura em alta.

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Enquanto isso, o ministério da indústria e outros departamentos emitiram em conjunto um comunicado encorajando vendas de veículos elétricos em cidades menores e áreas rurais. Os futuros do minério de ferro na bolsa de commodities de Xangai DCIOcv1 também recuaram, com o contrato mais ativo, para maio, avançando 1,2%, para 1.104 iuanes por tonelada.

M.Dias Branco (MDIA3)

A fabricante de alimentos M.Dias Branco apresentou lucro líquido de R$ 209,0 milhões no quarto trimestre do ano passado. O resultado representa queda de 21,1% na comparação com igual período de 2019, quando a empresa reportou lucro líquido de R$ 264,9 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) atingiu R$ 192,2 milhões, recuo de 33,5% frente aos R$ 289,2 milhões do quarto trimestre do ano anterior. A margem Ebitda ficou em 11,3%, ante 17,1% de um ano antes, retração de 5,8 pontos porcentuais. A alavancagem da empresa (relação entre dívida líquida e Ebitda) ficou em 0,4 vez, ante 0,8 vez reportada em igual período do ano passado.

A receita líquida subiu 0,4% na mesma base comparativa, alcançando R$ 1,702 bilhão ante R$ 1,694 bilhão do quarto trimestre de 2019. Do montante total, R$ 45,9 milhões vieram da receita com vendas externas – alta de 201,3% na comparação anual.

A variação positiva da receita é atribuída pela companhia ao aumento de 18,9% no preço médio dos produtos, que foi suficiente para compensar a queda de 15,5% do volume de vendas no período. “Observamos desaceleração do nosso crescimento, fruto do arrefecimento da demanda e dos reajustes nos preços, especialmente na região de defesa (Norte e Nordeste)”, destacou a M. Dias em comunicado divulgado para imprensa e investidores.

O resultado da M. Dias Branco interrompe um ciclo de quatro altas consecutivas no lucro líquido. Já a receita cresceu pelo quinto trimestre seguido.

A companhia, assim como outras empresas do setor de alimentos, teve o desempenho nos três primeiros trimestres do ano passado impulsionado, em parte, pelo aumento na demanda doméstica por seus produtos, uma vez que as medidas de isolamento social resultaram no fechamento de food service e exigiram mais refeições em casa. No quarto trimestre, contudo, o desempenho do setor arrefeceu diante da retração no consumo de produtos derivados de farinha de trigo.

Em comunicado, a M. Dias aponta que seus resultados trimestrais foram afetados negativamente pela elevação dos custos dos insumos cotados em dólar, diante da desvalorização do real ante a moeda norte-americana – especialmente das duas principais commodities utilizadas na sua produção, trigo e óleo de palma.

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O Bradesco BBI afirma que o Ebitda ajustado divulgado pela M. Dias Branco para o quarto trimestre ficou 72% abaixo do consenso e 78% abaixo de sua estimativa, com volumes mais fracos do que o esperado. O banco ressalta que a ação da empresa teve desempenho 8 pontos percentuais abaixo da média do Ibovespa nesse ano, com investidores precificando o impacto negativo da alta de preços das commodities sobre os custos. Mas o Bradesco diz que gostaria de ter mais informações sobre o quão temporária essa fraqueza pode ser, após a empresa e a concorrência realizarem aumentos significativos de preços.

Apesar dos resultados abaixo do esperado, o banco mantém avaliação de outperform com preço-alvo em 2021 em R$ 42, frente aos R$ 30,7 negociados na quarta.

O lucro líquido da Enauta totalizou R$ 124 milhões em 2020, 32,6% inferior ao lucro registrado em 2019. No quarto trimestre, a companhia contabilizou lucro de R$ 38,2 milhões, queda de 68,7%.

A receita do quarto trimestre apresentou queda de 53,8% na base anual, para R$ 186,9 milhões, principalmente em função
da redução da produção do Campo de Atlanta. No período, a produção foi realizada por meio de um poço durante 60 dias e teve a produção interrompida nos demais dias. A receita do Campo também foi impactada pela queda do preço da commodity, parcialmente compensada pelo efeito positivo do ganho cambial.

Na comparação anual, a receita registrou queda de 15%, para R$ 945,4 milhões, refletindo principalmente a queda
de produção do Campo de Manati, em função do declínio natural do Campo. “A redução da receita no Campo de Atlanta em 2020 se deve ao Brent médio de venda no período, que apresentou queda de 33,8% em relação ao ano de 2019, efeito compensado pela valorização do dólar médio de 34,4% no mesmo período, variando de uma média de R$ 4,00 ao longo do
ano de 2019 para R$ 5,20 no mesmo período em 2020. Também em 2020, a companhia registrou R$ 71,5 milhões referentes ao exercício das opções de venda, em comparação a um montante negativo de R$ 2,2 milhões em 2019”, destacou a companhia em seu release de resultados.

O Itaú BBA iniciou cobertura para as ações da Gol com recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado) e preço-alvo de R$ 24,50 para os ativos GOLL4 e de US$ 9,50 para os American Depositary Receipts (ADRs, ou ações negociadas na NYSE) dos ativos.

As premissas atuais indicam um potencial de aumento limitado de 14%, mas os analistas apontam “estarem prontos para revisar as projeções para cima no caso de uma recuperação mais rápida”.

Os analistas ressaltam que a Gol tem reconstruído gradualmente sua rede após o forte impacto da crise COVID-19 no tráfego aéreo em 2020. Eles destacam que os ventos contrários de curto prazo com a segunda onda da pandemia impedem uma perspectiva mais construtiva para o primeiro semestre, mas o cenário base ainda indica um segundo semestre melhor.

Os analistas apontam que a oferta doméstica da Gol só retornará aos níveis de 2019 em 2022, seguido por uma adição gradual de capacidade a partir de então. “Esperamos que o setor permaneça racional, com todos os participantes buscando recuperar a lucratividade após os desafios de 2020 e do primeiro semestre de 2021 e com perspectivas ainda incertas; no entanto, é importante monitorar a capacidade dos recém-chegados, a adição de capacidade dos atuais players e os sinais de dinâmica de preços agressiva”, avaliam.

Assim, dado que a recuperação do segmento de negócios permanece um ponto de interrogação, a Gol terá que continuar a otimizar os ganhos com os viajantes a turismo, que não foram capazes de compensar totalmente a queda no tráfego no segmento corporativo até agora – uma tendência que deve continuar. Por outro lado, os rendimentos médios foram um tanto resilientes para a Gol.

“A estratégia de frota única da empresa (em busca constante de aumento da utilização da aeronave), o plano de transformação da frota atual e o controle rígido de custos / despesas continuarão a ser os principais impulsionadores para alcançar o CASK [ custo operacional dividido pelo total de assentos-quilômetro oferecidos]  mais baixo entre os pares e recuperar a lucratividade”, avaliam.

Quanto ao endividamento, os analistas apontam que a empresa tem adotado diversas medidas para preservar o caixa e fortalecer a liquidez, o que será vital para enfrentar a crise. Por outro lado, alguns desembolsos ocorrerão à medida que as operações se recuperarem junto com a melhora da demanda, apesar de alguns ganhos de eficiência em curso.

“Projetamos que a relação dívida líquida / Ebitda encerrará 2021 em 11,5 vezes, significativamente abaixo do nível de 2020, com quedas graduais a partir de então para 5,9 vezes em 2022 e 4,4 vezes em 2023. Não desconsideramos o potencial da GOL acessando o mercado de capitais novamente no próximo futuro, dada a queima de caixa relacionada à pandemia repentina em 2020, ventos contrários de curto prazo com a segunda onda de COVID-19, perspectivas ainda incertas à frente e desembolso de caixa na incorporação da Smiles”, ressaltam.

A Cielo informou na quarta-feira que concluiu a venda dos direitos da plataforma de processamento e ao autorizador de transações desenvolvidos pela empresa para a bandeira Elo por R$ 380 milhões.

A transação acertada com a própria Elo Serviços, deduzida de valores reconhecidos como receitas de licenciamento, de R$ 187,5 milhões, acrescida de atualização monetária, e líquida da baixa de custos residuais de desenvolvimento e efeitos fiscais, “produzirá um efeito inicialmente estimado em R$ 75,9 milhões e será lançada no resultado do primeiro trimestre”, informou a Cielo.

A B3 incluiu Locaweb na primeira carteira teórica do Índice Bovespa válida para o período entre janeiro e abril de 2021. Não houve a exclusão de nenhum papel, e com isso, o Ibovespa passa a contar com 83 ações.

A empresa de tecnologia, que estreou na Bolsa em fevereiro do ano passado e desde então acumula valorização superior a 420%, entra com o peso de 0,46% de participação na primeira prévia do índice. A entrada do papel já era esperada pelo mercado.

Em relatórios, tanto XP quanto Bank of America projetavam alta probabilidade de entrada levando em conta o histórico de volume, número de ações negociadas e número de negociações dos ativos.

A Copasa MG (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) comunicou que a Arsae MG (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais) divulgou os resultados sobre audiências públicas que discutiram metodologias para a reconstrução das tarifas da Copasa MG e da Copanor no próximo ciclo tarifário.

A Copasa diz que vai analisar o material e, possivelmente, se manifestar. A próxima etapa do processo, que compreende a definição da metodologia para os reajustes anuais, está prevista para conclusão em 30 de junho. A finalização do processo está prevista para 2 de julho, e a aplicação, para 1º de agosto.

Empresas de saúde

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) aprovou o reajuste de preços dos remédios a partir desta quinta-feira, 1º de abril. A resolução está publicada em edição extra do Diário Oficial da União que circula desde a noite desta quarta-feira. 31. Segundo o texto, o ajuste máximo de preços permitido chega a 10,08%. A resolução traz três porcentuais máximos, de acordo com a classe terapêutica dos medicamentos: 10,08% (nível 1); 8,44% (nível 2); 6,79% (nível 3).

No último dia 15, a CMED já tinha definido em 4,88% o Fator de Ajuste de Preços Relativos entre Setores, denominado Fator Y, que é um dos itens considerados para se chegar ao índice de ajuste dos preços ao consumidor. Além disso, são levados também em conta a inflação acumulada em 12 meses, o fator de produtividade repassado ao consumidor (Fator X), já fixado em 3,29%.

As empresas produtoras deverão dar ampla publicidade aos preços de seus medicamentos, por meio de publicações em mídias especializadas de grande circulação. Esse preços não poderão ser superior aos preços publicados pela CMED no Portal da Anvisa.

As ações da Atom dispararam 131% na quarta, após a Exame, controlada pelo BTG Pactual, comprar participação de 34,78% na companhia, especialista em publicações e materiais didáticos para o mercado financeiro. Após o acordo, a WHPH Participações e Empreendimentos, que detinha 69,569%, ficará com fatia de 34,78%. No âmbito da operação, ainda foi acertado um acordo de acionistas entre WHPH e Exame, segundo fato relevante mais cedo na quarta.

Vitru (NASDAQ: VITRU)

O Morgan Stanley comentou os resultados divulgados pela Vitru. O banco avaliou os resultados como fortes, e se movimentando na direção correta em 2020, com expansão da margem Ebitda e de resultados acadêmicos. Os dados preliminares do primeiro trimestre indicam um outro ano forte, diz o Morgan Stanley, com um ciclo de matrículas potencialmente forte.

A receita com educação digital subiu 33% na comparação anual, enquanto a receita com aulas presenciais caiu 33% devido à pandemia. A receita líquida de R$ 136 milhões ficou levemente abaixo de suas estimativa. A base de matrículas fechou em 310 mil, acima da estimativa do banco, de 286 mil. A educação digital representou 97,4% do total no quarto trimestre.

Em 28,2%, a margem Ebitda ajustada de 2020 ficou acima da guidance (documento com previsões e planos divulgado pelas empresas), de entre 26% e 27,2%, e da estimativa do Morgan Stanley, de 27%.

O banco mantém avaliação de overweight (perspectiva de crescimento acima da média do mercado), e preço-alvo de US$ 18,5, frente aos US$ 14,85 para as ações VITRU negociadas na Nasdaq na véspera.

Arco (NASDAQ: ARCE)

O Morgan Stanley comentou os a guidance (previsões e planos divulgados por empresas) da Arco para 2021, de faturamento de R$ 1,163 bilhão confirmando a guidance anterior, e indicando alta de 21%. A nova guidance para o Ebitda ajustado, de entre 35,5% e 37,5% é a mesma de 2020 e em linha com a estimativa do banco, de 36,8%.

O banco aponta que a empresa usa tecnologia de última geração e processamento de dados para melhorar os resultados acadêmicos das escolas do ensino fundamental. Assim, está acelerando a incorporação de novos clientes, com taxa de retenção maior do que 90%, e potencial de vendas em novos segmentos e mercados. Assim, o ano de 2021 é de transição, desacelerando o potencial de crescimento orgânico. Isso impede que o banco seja mais otimista. O Morgan Stanley mantém avaliação equal-weight para a Arco, com preço-alvo de US$ 43,7 para os papéis ARCE, negociados na quarta por US$ 25,34 na Nasdaq.

O Credit Suisse classificou os resultados da Arco como fortes, com a receita indicando alta de 20% na comparação anual acima da guidance. O Ebitda ajustado de R$ 126 milhões representou alta de 18%, fEchando o ano em R$ 381 milhões, e margem de 38%, acima da guidance de entre 35,5% e 37,5%.

O banco reforçou sua visão positiva para a Arco, dizendo avaliar que os problemas são de curto prazo, e de que o faturamento de 2022 deve indicar forte recuperação. Assim, o banco reforça avaliação de outperform para a Arco, e vê a recente venda de ações como injustificada. Fusões e aquisições continuam a ser impulsionadoras das ações, apesar de as metas serem, provavelmente, menores no curto prazo. O banco mantém preço-alvo de US$ 55 para os papéis ARCE cotados na Nasdaq, frente aos R$ 25,34 negociados na quarta.

Lojas Renner (LREN3)

O Bradesco BBI participou do dia do investidor da Renner. O banco ressalta que, em fevereiro, a gestão divulgou uma guidance prevendo contração da margem, que o Bradesco estima em entre 3 e 4 pontos percentuais, em 2021, na comparação com 2019. Isso se deveria em parte a investimentos em transformação digital e em outras áreas.

O banco aponta que, no dia do investidor, o CEO da Renner, Fabio Faccio, apresentou um panorama de como o negócio está evoluindo e sua estratégia. Mas ressaltou que não foi divulgada guidance relativa a aceleração das vendas, que deve ser a questão mais importante a partir de 2022. O banco mantém recomendação outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado) para a Renner, com preço-alvo para 2021 em R$ 50, frente aos R$ 42,5 negociados na quarta.

Já o Credit Suisse, que também participou do evento, afirmou que a empresa apresentou uma abordagem de ecossistema, ampliando as ofertas de serviços financeiros e de varejo, mantendo moda e estilo de vida em foco. O banco espera que a empresa saia mais forte da crise, e mantém avaliação outperform.

O Itaú BBA comentou o processo de consulta aberto para discutir a mudança tarifária na Copel. A parcela B ajustada, de R$ 2,747 bilhões ficou abaixo de sua estimativa de R$ 3,047 bilhões. Mas o banco ressalta que a parcela B ajustada para itens não recorrentes e outras recentes, de R$ 3,085 bilhões, ficou apenas 3,5% abaixo de sua estimativa.

O Ebitda regulatório de R$ 1,374 bilhão fica abaixo de sua estimativa de R$ 1,424 bilhão. O banco diz que vê as notícias como neutras para os papéis da empresa, mantém avaliação de outperform, com preço-alvo de R$ 7,4, frente aos R$ 7,13 para os papéis CPLE6.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Lucro da Aura sobe 93,6% e balanços de Pague Menos, Copasa, PetroRio. Mercado Livre investirá R$ 10 bi no Brasil e mais

Aura Minerals (Divulgação/Aura Minerals)

SÃO PAULO – A temporada de resultados volta a ganhar destaque, com os números da Pague Menos, Copasa, Aura Minerals, PetroRio, além do Mercado Livre. Depois do fechamento, destaque para os resultados da Via Varejo. Confira mais destaques:

Pague Menos (PGMN3)

A rede de farmácias Pague Menos registrou lucro líquido ajustado de R$ 37,5 milhões no quarto trimestre de 2020, alta de 147,7% em relação a igual período de 2019. Em todo o ano passado, o lucro líquido totalizou R$ 96,0 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 6,9 milhões obtido em 2019.

O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, por sua vez, totalizou R$ 157,8 milhões nos meses de outubro a dezembro, ganho de 2,5% ante o mesmo período do ano anterior. Em 2020, o valor subiu 14,2%, para R$ 572,4 milhões.

Já a receita bruta da companhia somou R$ 1,955 bilhão no quarto trimestre, alta de 12,1% em relação ao mesmo trimestre de 2019. No acumulado do ano, a receita bruta acelerou 7,6%, para R$ 7,308 bilhões ante 2019. A venda média mensal por loja atingiu R$ 590 mil nos meses de outubro a dezembro, crescendo 13,8% em relação ao quarto trimestre de 2019.

A rede de farmácias encerrou o ano com uma base de 1.105 lojas distribuídas em 327 municípios. Durante o quarto trimestre não foram realizadas aberturas ou fechamentos de filiais. O crescimento no conceito mesmas lojas foi de 14,0% no quarto trimestre de 2020 e 10,7% no ano, enquanto lojas maduras cresceram 12,3% no quarto trimestre e 8,8% no ano.

Em relação ao ticket médio, houve crescimento de 21,4% no quarto trimestre, enquanto a quantidade de atendimentos reduziu 7,7% em reflexo à mudança de comportamento dos clientes durante a pandemia de covid-19.

“Os resultados são reflexo de uma série de esforços e investimentos realizados ao longo dos últimos anos. Trouxemos ao time novos executivos em áreas estratégicas, investimos muito em tecnologia, inovação, data analytics e em novos processos, que agregados à nossa equipe e 39 anos de história, preparam a companhia para um novo ciclo de crescimento”, afirmou o presidente da rede, Mário Queirós, em nota.

A XP Investimentos diz avaliar que os resultados ficaram acima de suas estimativas e do consenso, principalmente devido a uma alavancagem operacional maior do que o esperado. A XP destacou o desempenho de vendas, que teve alta de 14% na comparação anual, e a melhoria de 0,8 pontos percentuais na margem bruta, na comparação trimestral.

Os analistas apontam uma reação positiva do mercado, avaliando que os fortes resultados são reflexo de iniciativas que a companhia estaria implementando em sua reestruturação. A recomendação para a ação é de compra, e preço-alvo de R$ 13 para o fim de 2021.

Aura Minerals (AURA33)

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A produtora canadense de ouro Aura Minerals registrou lucro líquido de US$ 57,5 milhões no quarto trimestre (US$ 0,81 por ação) de 2020, quase o dobro (alta de 93,60%) dos US$ 29,7 milhões em igual período de 2019.

A receita líquida foi a US$ 100,6 milhões, 44% superior frente igual intervalo de 2019, quando a empresa lucrou R$ 69,6 milhões. No último trimestre de 2020, a Aura registrou produção total de 64.530 onças equivalentes de ouro (GEO), um alta de 20,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre janeiro a dezembro, foram 194.675 onças, ante 177.500 reportadas em 2019. Para 2021, a empresa projeta um montante entre 250 mil e 290 mil onças equivalentes.

O Itaú BBA  destacou o Ebitda de US$ 50 milhões, 14% maior do que o trimestre imediatamente anterior, e quase o dobro do mesmo período de 2019. Os dados ficaram, no entanto, US$ 10 milhões abaixo de sua projeção, devido a volumes de vendas mais baixos do que o determinado.

A Aura vendeu 5.000 onças a menos do que o que produziu no trimestre, mas o banco disse avaliar que a diferença é temporária, e que os volumes excedentes foram vendidos em janeiro. Na comparação trimestral, os resultados foram impulsionados pela alta das exportações, de 13%.

Os resultados também foram beneficiados por preços mais altos do cobre, que “mais do que compensaram” pera queda de 5% nos preços do ouro realizados. O banco também destacou a oferta de dividendos de US$ 18 milhões, o que implica um rendimento de 2,7%.

O Itaú BBA mantém avaliação de outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado) para a Aura Minerals, e preço-alvo de R$ 80, frente aos R$ 53,65 de fechamento na terça.

O Credit Suisse destacou que os resultados são fortes, e indicam progresso na produção comercial do projeto Gold Road, além do progresso na expansão de 30% do projeto Aranzazu, dentro do prazo. O banco mantém recomendação outperform com preço-alvo de R$ 73.

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) registrou lucro líquido de R$ 268,754 milhões entre outubro e dezembro de 2020, resultado 5,3% maior que o apurado no mesmo período de 2019. Em todo o ano passado, o lucro foi de R$ 816,477 milhões, crescimento de 8,2%.

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O Ebitda do quarto trimestre de 2020 chegou a R$ 547,390 milhões, avanço de 7% na comparação anual. O indicador ficou em R$ 1,926 bilhão em todo o ano, alta de 9,6%.

A margem Ebitda ficou em 38,8% no quarto trimestre, avanço de 0,3 ponto porcentual frente ao mesmo período de 2019. A receita líquida de água, esgoto e resíduos sólidos somou R$ 1,344 bilhão nos três últimos meses de 2020, alta de 4,1%.

A dívida líquida da Copasa fechou o ano em R$ 2,999 bilhões, alta anual de 6,4%. O nível de alavancagem, medido pela relação dívida líquida/Ebitda, ficou estável em 1,6 vez.

Mercado Livre (MELI34)

O Mercado Livre investirá R$ 10 bilhões no Brasil neste ano, montante equivalente ao já aportado na operação do País nos últimos quatro anos, informou o presidente de Commerce do Mercado Livre para a América Latina, Stelleo Tolda.

“Os recursos serão usados para dar sequência ao plano de expansão da malha logística, da conta Mercado Pago e da força competitiva do marketplace no Brasil”, disse ele, durante apresentação do resultado da companhia para investidores. Segundo Tolda, os recursos serão também direcionados para iniciativas de impacto social e ambiental ao longo deste ano.

A operação brasileira foi apontada como destaque nas vendas da empresa, mostrando crescimento de 84% em moeda constante. Ao mesmo tempo, o Mercado Livre informa que a operação brasileira foi de US$ 720,5 milhões, um crescimento de 68% em dólar e 120% em real, ano contra ano. Segundo a companhia, a receita líquida do Brasil representou 54% do total da companhia, de US$ 1,3 bilhão no quarto trimestre.

O Mercado Livre fechou o trimestre com lucro bruto de US$ 489 milhões, com margem de 36,8%, ante 45,7% no mesmo trimestre do ano anterior. O resultado líquido foi um prejuízo de US$ 50,6 milhões no trimestre, resultando em um prejuízo líquido de US$ 1,02 por ação, diz a empresa, em nota.

O Morgan Stanley comentou os resultados divulgados, destacando tração nas atividades da empresa, incluindo em logística, atuação em novas áreas, propaganda e crédito. A rede de logística se ampliou, acelerando as entregas e serviços. Com o tempo, uma rede mais densa pode reduzir os custos das entregas, afirma o banco. O faturamento no segmento de “outros países” do Mercado Livre cresceu 90%, impulsionado por Chile e Colômbia. O Mercado Livre vê oportunidade de crescimento, já que esses países respondem por uma parcela reduzida dos ganhos, levando em conta seu PIB.

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O Morgan Stanley reiterou a avaliação de overweight (expectativa de valorização acima da média do mercado) para o Mercado Livre, e elevou em 1% a sua expectativa para a receita do Mercado Livre em 2021, mantendo a expectativa para as margens no curto prazo praticamente inalteradas. A previsão para o Ebitda em 2021 foi reduzida de US$ 427 milhões para US$ 422 milhões. E elevou modestamente o Ebitda em 2022. O banco também elevou o preço-alvo de US$ 1.840 para US$ 1.970, frente os US$ 1.713, 28 do fechamento na véspera das ADRs negociadas na Nasdaq.

PetroRio (PRIO3)

A petroleira PetroRio  teve lucro líquido de R$ 675,8 milhões no quarto trimestre de 2020, queda de 13% ante igual período do ano anterior, em resultado sem IFRS-16.

O Ebitda ajustado na etapa somou R$ 465,1 milhões, alta de 54% na comparação anual. A receita total gerada no último trimestre de 2020 foi de R$ 880,03 milhões, alta de 58% no comparativo anual.

Em relação ao ano completo de 2020, a empresa reportou lucro líquido de R$ 528,1 milhões, queda de 41%, e Ebitda ajustado de R$ 876,7 milhões, alta de 9% frente ao ano anterior, na avaliação sem IRFS-16.

Com IRFS-16, o lucro foi de R$ 452,9 milhões, queda de 46%, enquanto o Ebitda ajustado subiu 13% para R$ 1,094 bilhão.

Segundo a PetroRio, o resultado do ano passado foi impactado positivamente pelo maior volume de vendas –consequência de um aumento na produção–, a redução dos custos operacionais nos ativos de Frade e Polvo, e os contratos de hedge assinados em janeiro, para proteção do fluxo de caixa das oscilações do petróleo Brent.

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A empresa também citou efeitos não-caixa referentes ao ajuste da provisão de abandono do campo de Frade.

“Também é importante destacar o impacto não-caixa da desvalorização do real no resultado financeiro no ano, que foi de 364 milhões de reais”, disse a PetroRio, acrescentando que apesar do impacto contábil no resultado líquido, a queda da moeda local impactou positivamente no Ebitda, já que metade dos gastos são denominados em real e 97% das receitas em dólar. Veja mais clicando aqui. 

Biosev (BSEV3) e Cosan (CSAN3

A Raízen, líder mundial em açúcar e etanol de cana-de-açúcar, obteve aval do órgão brasileiro de defesa da concorrência para a aquisição da Biosev, uma transação anunciada pelas empresas no início de fevereiro. (Full Story)

O negócio, que envolve pagamento pela Raízen de 3,6 bilhões de reais e mais um montante em ações, foi aprovado sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), segundo publicação no Diário Oficial da União desta terça-feira.

“A presente operação não levanta maiores preocupações em termos concorrenciais, em função das baixas participações de mercado detidas pelas requerentes nos mercados horizontal e verticalmente relacionados”, disse o Cade em parecer sobre a transação.

O Cade ainda rejeitou um pedido da distribuidora 76 Oil para entrar como “terceiro interessado” no processo, ao apontar que apesar de ser concorrente de Raízen e Biosev a empresa não apresentou elementos suficientes para agregar à análise.

Após a aquisição e integração dos negócios da Biosev, a Raízen– uma joint venture entre Cosan e Shell– passará a contar com um total de 35 unidades produtoras e capacidade instalada de moagem de 105 milhões de toneladas de cana, além de cerca de 1,3 milhão de hectares de cultivos.

Segundo a Raízen, a operação envolve nove unidades da Biosev, com capacidade total de moagem de 32 milhões de toneladas de cana, localizadas em São Paulo (seis), Mato Grosso do Sul (duas) e Minas Gerais (uma), que virão sem qualquer dívida, além de 280 mil hectares de cana.

Infracommerce

A empresa de soluções para comércio eletrônico Infracommerce pediu na segunda o registro para sua oferta inicial de ações. Com sede em São Paulo, a empresa tem entre os sócios os fundos de capital de risco Flybridge, e.Bricks, IGVentures. Ela atua na criação de estrutura de comércio digital para empresas de vários tamanhos, inclusive gigantes como Ambev, Nike, Motorola e Unilever, com operações também no México, Colômbia, Chile e Argentina.

A JBS vai captar até R$ 1,8 bilhão em debêntures simples para comprar bovinos de produtores rurais, segundo ata de reunião do conselho de administração da empresa, que aprovou a proposta. A emissão será feita em até duas séries, com prazos de sete e dez anos, respectivamente.

Bancos 

Após a queda da véspera com os rumores sobre aumento de impostos, os investidores devem seguir repercutindo agora a notícia oficial de que o governo vai aumentar impostos sobre bancos para compensar desoneração do diesel e gás de cozinha. A alíquota da CSLL paga pelos bancos até fim do ano subiu para 25%; Bolsonaro ainda limitou a isenção do IPI para pessoas com deficiência comprar carros acima de R$ 70 mil e acabou com benefícios para a indústria petroquímica.

De acordo com a XP Investimentos, contudo, a queda das ações na véspera foi exagerada, uma vez que: i) o imposto só deve passar a valer a partir de julho; ii) o impacto é limitado para 2021; e iii) o congresso ainda tem que aprovar a medida. “Sendo assim, reiteramos nossa recomendação de compra para Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) e neutra para Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11)”, avalia a XP.

A Diagnósticos da América (DASA) comunicou nesta terça-feira que engajou bancos para coordenar eventual oferta pública de ações com esforços restritos, com potencial listagem da companhia no segmento Novo Mercado da B3.

A empresa de medicina diagnóstica disse que engajou como coordenadores Bradesco BBI, BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch, Credit Suisse, Morgan Stanley, Safra, Santander Brasil e Itaú BBA.

“Destaca-se que não há qualquer decisão tomada acerca da efetiva realização da potencial oferta e da potencial listagem”, ponderou a Dasa.

TIM Brasil (TIMS3)

O Itaú BBA participou do evento TIM Brasil Day, realizado anualmente pela TIM, que teve como anfitrião o CEO Pietro Labriola, o CFO Adrian Calaza, o CTO Leonardo Capdeville, o CRO Alberto Griselli, o chefe de estratégia e transformação Renato Ciuchini e o chefe de assuntos regulatórios Mario Girasole. A gestão falou sobre a estratégia da TIM para fortalecer seus negócios. A empresa pretende promover novos modelos para se beneficiar do crescimento da ultrabandalarga, monetizar os usuários da TIM e fortalecer a infraestrutura, com o 5G e a integração de fusões e aquisições.

O banco mantém avaliação de outperform para os papéis da empresa, com preço-alvo de R$ 22 para o ano de 2020 para as ações TIMS3, frente o fechamento de R$ 12,72 na terça.

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CSN religa alto forno, CVC conclui reestruturação de R$ 1,5 bi em dívidas, Copasa paga dividendo de R$ 6,4 por ação e mais

SÃO PAULO – A Companhia Siderúrgica Natural anunciou na quinta-feira que religou o alto-forno de Volta Redonda (RJ), com o objetivo de atender a alta da demanda do mercado por ferro gusa.

A CVC Brasil informou os detalhes da reestruturação de sua dívida por emissão de debêntures no valor de R$ 1,5 bilhão. Dividendo da Copasa, além do desdobramento das ações da estatal e da Hapvida, o noticiário de recomendações e mais destaques abaixo:

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) retomou a produção do seu Alto-Forno 2, que teve sua paralisação temporária definida pela siderúrgica em maio. Este alto-forno tem capacidade nominal de 1,5 milhão de toneladas por ano, e segundo a CSN, a sua retomada “visa adequação da produção à demanda do mercado”.

Além disso, a companhia afirma que continuará monitorando os desdobramentos e eventuais impactos da pandemia de covid-19.

O Credit Suisse afirmou que encara a reativação do alto forno da CSN como um novo sinal de forte demanda no Brasil, e que espera que o cenário se mantenha no Brasil pelos próximos dois trimestres.

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CVC Brasil (CVCB3)

A CVC Brasil informou na quinta-feira à noite que restringirá o pagamento de dividendos, exceto o mínimo obrigatório, até 31 de dezembro de 2020, ou até que a razão entre dívida líquida e Ebitda seja igual ou menor do que 3,5.

A CVC Brasil também informou na noite de quinta que concluiu a reestruturação de dívidas oriundas da segunda, da terceira e da quarta emissão pública de debêntures, que têm valor de face em aberto de R$ 1,5 bilhão.

A dívida de curto prazo, relacionada à segunda emissão pública de debêntures, teve prazo alongado por um ano, de 21 de novembro de 2020 para 21 de novembro de 2021.

A empresa diz que pretende pagar 10% do total de dívidas em 23 de novembro de 2020.

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No caso da CVCB12, o pagamento será de 57% do total. A amortização ocorrerá mensalmente, a partir de março de 2021, até a data do vencimento.

A terceira emissão pública, CVCB13, terá pagamento de R$ 51 milhões em março de 2021, e o restante em parcelas mensais, a partir de julho de 2021 até a data de vencimento.

Santander Brasil (SANB11)

O Santander Brasil anunciou condições especiais para financiamento de carros híbridos e elétricos no país, em conjunto com o seu portal online de classificados de veículos Webmotors.

O braço de financiamentos da instituição oferecerá taxas a partir de 0,77% ao mês para compras desses carros, com planos de pagamento de 24 a 60 parcelas, informou o banco.

Copasa (CSMG3

O conselho administrativo da Copasa aprovou o desdobramento de 1 ação para 3 com o objetivo, segundo a companhia, de tornar a ação mais acessível aos investidores e elevar a liquidez.

Terão direito ao recebimento das ações os detentores de ações em 25 de novembro. Assim, a partir do dia 26, os papéis passam a ser negociadas “ex-desdobramento”.

Além disso, o Conselho aprovou a distribuição de dividendos extraordinários em reunião nesta quinta-feira no valor total de R$ 820 milhões, segundo comunicado. O valor do dividendo por ação será de R$ 6,4876594827. O pagamento será em moeda corrente nacional e deverá ocorrer ainda no exercício social de 2020, disse a empresa.

A data de corte para identificação do direito ao recebimento foi nesta quinta-feira (19). Desse modo, a data de ex-dividendos será essa sexta-feira (20), um dia após a divulgação da ata da AGE da Copasa.

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A Copasa também anunciou a aprovação da emissão de até R$ 500 milhões em debêntures não conversíveis em ações, com os recursos sendo destinados à execução de parte do programa de investimentos da companhia.

O conselho de administração da Hapvida aprovou o desdobramento das ações na proporção de 1 para 5, com a manutenção do capital social.

As ações passarão a ser negociadas “ex-desdobramento” a partir do dia 25 de novembro. “As ações resultantes do referido desdobramento serão creditadas aos acionistas no dia 27 de novembro de 2020”, comunicou a empresa.

A Cielo comprou a participação de 8,56% que restava na Multidisplay para deter a totalidade do capital social da controlada, com os acionistas minoritários da empresa exercendo a opção de venda de sua participação.

A operação foi aprovada pelo Banco Central (BC). O valor foi de R$ 29,8 milhões.

A Ânima anunciou a compra da startup de tecnologia Medroom, por valor não revelado. A companhia desenvolve soluções de realidade virtual para educação médica.

A companhia afirmou que a Medroom se tornará um dos componentes de uma “plataforma completa de educação médica”.

A empresa também anunciou a criação de um centro de inovação que vai abrigar startups, “além de escolas de mindfulness e de programação”.

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A Petrobras iniciou fase não-vinculante para vender Polo Carmópolis, conjunto de 11 concessões de campos de produção terrestres com instalações integradas localizado em Sergipe, disse a companhia em comunicado.

Potenciais compradores habilitados para essa fase não- vinculante receberão instruções sobre o processo de desinvestimento. O Polo Carmópolis também agrega o Polo Atalaia.

Recomendações

Em destaque entre as recomendações, a AES Tietê (TIET11) foi rebaixada a venda pelo Goldman Sachs, com  preço-alvo R$ 15,10, com preço-alvo de R$ 15,10, o que implica potencial de baixa de 5,3% em relação ao último fechamento.

Já o Santander iniciou a cobertura de Grupo Mateus (GMAT3) como compra, com preço-alvo de R$ 11, o que implica potencial de alta de 27% em relação ao último fechamento.

O Itaú (ITUB4), por sua vez, teve a recomendação elevada de manutenção a compra por HSBC, com preço-alvo de R$ 36, que implica potencial de alta de 25% em relação ao último fechamento. Veja mais recomendações de analistas clicando aqui.

Papel e celulose

O Credit Suisse manteve a Suzano (SUZB3) como top pick do setor de celulose com preço-alvo de R$ 65 por ação, elevou o preço-alvo de Irani (RANI3) de R$ 6,50 para R$ 7,20 por ação com recomendação outperform e manteve recomendação neutra para Klabin (KLBN11), com preço-alvo de R$ 26,50 por unit.

Os analistas destacam que, após quase um ano e meio do preço das commodities abaixo da curva de custo, as cotações voltaram a subir desde o início de setembro, o que deve continuar em 2021, com a recuperação devendo ser apoiada principalmente pela demanda e não pela oferta.

Eles apontam ainda que a maioria da indústria acredita que o pior ficou para trás e que o aumento do preço deve continuar no primeiro trimestre de 2021. Contudo, ainda há algumas questões como o nível de celulose nos portos ainda bastante alto e algumas companhias de papéis segurando um estoque acima da média, além dos possíveis aumentos de capacidade. Por fim, uma segunda onda global de lockdowns poderia prejudicar a recuperação da demanda.

No Brasil, desde julho, o papelão ondulado tem visto demanda bem forte batendo recorde propulsionada pelo crescimento de deliveries e e-commerce, demanda resiliente da indústria de bens e o retorno dos bens de consumo duradouros. A recuperação parece sustentável ate pelo menos a primeira metade de 2021, apontam os analistas.

Ainda no radar do mercado, os preços da celulose de fibra curta tiveram mais uma leve alta na semana (+US$ 0,90 a tonelada), para US$ 460,31 a tonelada, segundo dados do Foex.

Após reunião com o CEO da Oi Rodrigo Abreu e a CFO Camille Faria, o Bradesco BBI divulgou uma série de avaliações e informações sobre a companhia, que passa por recuperação judicial.

A Oi afirmou que o plano de recuperação aprovado não vem sofrendo questionamentos, e que a probabilidade de que passa por mudanças é baixa.

Na quarta-feira, o jornal Valor publicou, no entanto, que os bancos Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa buscam na Justiça suspender a venda de ativos da Oi, ou bloquear recursos dessas vendas. No total, a operadora pretende vender cinco grandes blocos de ativos e estima que possa arrecadar R$ 26,9 bilhões.

A Oi afirmou ao Bradesco BBI que espera poupar entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões em gastos administrativos gerais, com o programa de demissão de cerca de 2.000 funcionários.

Além disso, o Bradesco BBI afirma que a Oi vem realizando mais rápido do que o esperado a expansão das redes no modelo “da fibra para o local”, em que a conexão de internet é fornecida por meio de um cabo de fibra óptica que vai do operador até o cliente. É uma internet mais rápida e segura.

A Oi está adicionando 150 mil novos lares ao modelo por mês, um ritmo superior ao de seu plano inicial. O Bradesco atribui o movimento a uma demanda maior por serviços de alta qualidade devido à expansão do home office e das teleaulas como resultado da pandemia. A empresa afirma que conseguiu reduzir o preço de implementação da tecnologia de R$ 1.200 para R$ 900 por local.

A taxa de adesão ao modelo chegou a 22% no terceiro trimestre e deve mirar na faixa de 30% no médio prazo. A Oi atribui 80% da expansão do modelo à inclusão de novos clientes que optam pela nova tecnologia, enquanto apenas 20% da expansão se deve a clientes antigos que migram de modelo.

O Bradesco BBI afirmou que a mensagem geral da Oi foi “bastante positiva”, com destaque para a ampliação do modelo “da fibra para o local”, que deve levar à receita residencial a crescer em 2021.

O banco reafirmou a posição da Oi entre suas top picks (principais recomendações de compra) entre empresas de telecomunicações na América Latina, com uma avaliação de outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 3,10, alta de 71% frente os R$ 1,81 do fechamento da véspera.

Planos de saúde

Em agosto, a ANS (Agência Nacional de Saúde) decidiu que os ajustes anuais dos planos de saúde deveriam ser suspensos em 2020, devido às dificuldades causadas pela pandemia. Nesta quinta-feira, a empresa afirmou que os ajustes devem ser parcelados em 12 vezes em 2021.

A decisão afeta 20,2 milhões de beneficiários que, em condições normais, teriam tido ajuste em 2020. E 5,3 milhões de beneficiários que teriam ajustes devido à idade. A ANS também estabeleceu que o ajuste máximo deverá ser de 8,4%.

Na avaliação do Bradesco BBI, a decisão anunciada na quinta-feira traz mais certeza para o mercado sobre como o ajuste deverá ocorrer. O banco avaliou a correção de até 8,4% como razoável, e próximo ao observado em períodos anteriores.

Ainda no radar do setor, a empresa focada em planos de saúde Amil pretende vender portifólios de planos de saúde individuais em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, informa o jornal Valor. A negociação envolve os hospitais Paulistano, Caieiras e Sumaré, na cidade de São Paulo, e o hospital Vitória, localizado em Curitiba. A ideia é vender os ativos conjuntamente.

O portfólio a venda representa 370 mil dos 465 mil beneficiários da Amil, ou 80% do total. Representa um lucro operacional de R$ 264 milhões. O banco contratado para viabilizar a operação é o BTG Pactual, que afirma que já conversou com 15 potenciais compradores, mas que a transação não tem avançado.

Segundo fontes consultadas pelo Valor, um ponto negativo dos ativos é a alta sinistralidade, ou seja, o valor gasto por serviços e equipamentos do plano de saúde para cada segurado. No portfólio de São Paulo, que tem 272 mil vidas, a sinistralidade em 2019 foi de entre 91% e 112%. No Rio de Janeiro, que tem 95 mil clientesa faixa foi de entre 78% e 82%. Em Curitiba, com 26 mil vidas, foi de entre 90% e 109%. Isso significa que parte dos negócios é deficitária.

O Bradesco BBI avalia que o negócio não é novidade para o mercado, mas afirma que é interessante saber detalhes da operação. Em sua avaliação, há um número limitado de operadoras com apetite por planos individuais de saúde.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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BB Seguridade tem lucro ajustado de R$ 1,09 bi no 3º tri e mais resultados; Ânima, Petrobras e outras notícias no radar

SÃO PAULO – A volta dos feriados tem como destaque os resultados da BB Seguridade, Copasa e Irani e com expectativa principalmente para os resultados do IRB e do Itaú após o fechamento do mercado.

Além disso, a concessionária CCR anunciou que, pela primeira vez desde a pandemia, registrou aumento do tráfego nas vias que controla, na comparação com 2019. O anúncio se baseia nos dados entre 23 e 29 de outubro. Confira os destaques:

BB Seguridade (BBSE3)

A BB Seguridade, holding de seguros do Banco do Brasil, registrou lucro líquido de R$ 1,096 bilhão no terceiro trimestre, alta de 1,4% em relação a igual período do ano passado e de 11,6% na comparação com o trimestre anterior, segundo balanço publicado nesta terça-feira, 3, pela companhia.

Entre os negócios da holding, a BB Corretora teve resultado operacional positivo de R$ 57,5 milhões, explicado pela alta nas receitas de corretagem, de 12%, decorrente do aumento nas vendas e melhora da margem operacional.

A Brasilprev também ajudou a impulsionar os números, com resultado positivo de R$ 16,5 milhões, justificado por incremento nas receitas com taxas de gestão, de 5,8%, melhora do índice de eficiência e evolução do resultado financeiro. A Brasilcap também ajudou, com resultado positivo em R$ 10,5 milhões.

Na contramão, pesou principalmente o resultado negativo de R$ 38,6 milhões da Brasilseg, decorrente do avanço da sinistralidade e da queda do resultado financeiro, parcialmente compensado pelo aumento de 20,4% dos prêmios.

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Além disso, houve pressão do resultado financeiro da holding, que caiu R$ 20,9 milhões e foi afetado principalmente pela restituição de capital aos acionistas, pela menor taxa média Selic e pela distribuição dos recursos provenientes da alienação do IRB.

No acumulado do ano, o lucro líquido da holding soma R$ 212,8 milhões, recuo de 6,7% em relação aos primeiros nove meses do ano passado. O ritmo de retração, contudo, foi reduzido em relação ao resultado acumulado no primeiro semestre, de 10,9%.

Com a recuperação da demanda por móveis e materiais de construção, a Duratex (dona de marcas como Deca, Hidra, Durafloor, entre outros) apresentou lucro líquido de R$ 123,939 milhões no terceiro trimestre de 2020, aumento de 347,2% ante os R$ 27,715 milhões anotados no mesmo período de 2019.

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Já o lucro líquido recorrente (que desconsidera efeitos de reestruturações fabris e venda de ativos, entre outros eventos considerados não recorrentes) foi a R$ 175,719 milhões, expansão de R$ 30,472 milhões na mesma base de comparação.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) atingiu R$ 391,085 milhões, crescimento de 58,5%. A margem Ebitda cresceu 3,1 pontos porcentuais, para 22,0%. O Ebitda ajustado e recorrente foi a R$ 433,787 milhões, alta de 82,3%. A margem cresceu 6,2 pontos, para 24,4%.

A receita operacional líquida totalizou R$ 1,778 bilhão, avanço de 35,9%. O resultado financeiro gerou uma despesa de R$ 32,941 milhões, queda de 41,9%.

O salto nos resultados da Duratex ocorreu por uma combinação de fatores positivos, sendo o principal deles o crescimento na expedição de painéis de madeiras (38,5%), revestimentos cerâmicos (46,7%) e Deca, de louças e metais sanitários (25,3%), o que elevou o faturamento no período.

Conforme a direção da empresa havia previsto por volta da metade do ano, a produção terminará 2020 acima dos níveis de 2019, graças ao avanço na demanda tanto no varejo quanto no atacado.

A empresa tem se beneficiado do aumento no consumo de móveis e materiais de construção, já que as pessoas têm ficado mais tempo em casa, e novos canteiros de obras estão sendo abertos.

O balanço do terceiro trimestre deste ano também contabilizou na íntegra os resultados da Cecrisa, unidade industrial adquirida pela Duratex e que teve apenas os resultados de agosto e setembro apurados no balanço do trimestre no ano passado.

Além disso, a companhia avançou nas medidas de melhoria das plantas industriais para ganho de escala, diluição de custos e aumento de eficiência, o que aumentou as margens; e diminuiu suas despesas com pagamentos de juros, o que aparece na melhora do resultado financeiro.

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Por outro lado, o custo dos produtos vendidos subiu 28,8%, para R$ 1,069 bilhão, influenciado pela desvalorização do real, já que muitos insumos como metais e resinas são importados.

A Copasa anunciou lucro líquido de R$ 240,5 milhões no terceiro trimestre. A receita líquida avançou 2% no período, para R$ 1,36 bilhão. O segmento de água, esgoto e resíduos sólidos subiu 6,1% alta de R$ 1,27 bilhão, excluídas as receitas de construção. A empresa afirmou que os resultados foram impulsionados pelo reajuste tarifário médio de 8,38%, aplicado para consumos registrados a partir de agosto. O Ebitda ajustado foi de R$ 497 milhões, alta de 2,9% na comparação anual.

O Itaú BBA afirmou que o Ebitda ajustado está em linha com as estimativas, e a receita foi acima do esperado, devido a alta do volume maior do que o esperado, de 2,5% na comparação anual, quando se considera água e esgoto. A estimativa era de alta de 1,2%. O banco tem recomendação market perform (em linha com a média do mercado) para a ação, com preço-alvo das ações em R$ 57.

O Morgan Stanley afirmou que o Ebitda ajustado foi 15% acima de sua expectativ, e 20% acima do consenso do mercado. Isso se deve a volumes acima do esperado e reversão de R$ 46 milhões em provisões legais e despesas com pessoal, material, serviços de terceiros e outras. Além disso, o banco ressaltou que o Conselho da Copasa anunciou distribuição de R$ 820 milhões em dividendos extraordinários.

O Morgan Stanley destaca que as ações tiveram queda de 34% em um ano, a pior performance de seu portfólio no Brasil. Mas avalia que elas oferecem uma boa recompensa pelo risco de compra. A empresa seria, assim, o melhor nome na indústria do saneamento. O banco também avalia que os dividendos extraordinários serão bem aceitos. Por isso, recomenda a ação como overweight (previsão de desempenho acima do mercado), e preço-alvo de R$ 62.

O Credit Suisse avaliou que os resultados do terceiro trimestre foram acima do esperado, principalmente devido a aumento de volume e provisões abaixo do esperado. Mas os resultados ainda são afetados pela pandemia, com taxa de inadimplência alta e atraso no ajuste de tarifas. O banco mantém recomendação neutra para as ações da Copasa, com preço-alvo de R$ 51,10, frente os atuais R$ 42,80.

Porto Seguro (PSSA3)

A Porto Seguro teve lucro líquido – sem combinação de negócios – de R$ 401,5 milhões no terceiro trimestre, 19,8% superior frente igual período de 2019. As receitas totais, que incluem prêmios de seguros e de outros produtos, como cartões e consórcios, tiveram alta de 4,7%, para R$ 4,9 bilhões no terceiro trimestre, comparado ao mesmo período de 2019.

Paranapanema (PMAM3)

A produtora de cobre refinado Paranapanema teve prejuízo de R$ 166,2 milhões no terceiro trimestre de 2020, revertendo lucro de R$ 156,3 milhões  na base anual. Já a receita teve queda de 36,9%, para R$ 838,3 milhões, ante um montante de R$ 1,329 bilhão no mesmo período do ano passado.

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Também na sexta, a Irani Papel e Embalagem registrou lucro líquido de R$ 25,5 milhões no terceiro trimestre de 2020. Ela reverte desta forma prejuízo de R$ 58,8 milhões no terceiro trimestre de 2019. A empresa afirmou que a alta foi impulsionada pelo aumento da receita líquida, e melhora das margens.

O Ebitda ajustado das operações continuadas foi de R$ 55,6 milhões, alta de 10,4%. A margem Ebitda da companhia foi de 21,3%, uma queda de 1,8 ponto percentual. A margem líquida subiu 3,5 pontos percentuais, a 9,8%.

O Credit Suisse afirmou que o lucro Ebitda está em linha com sua expectativa, e que 80% de seu volume é vendido a setores mais protegidos de ciclos de negócios. Seus preços movem-se em linha com a inflação, e a empresa mantém projetos focados em crescimento e redução de custo nos próximos anos. Por isso, o banco mantém a avaliação em outperform, com preço-alvo de R$ 6,50, frente os R$ 4,47 atuais.

Na sexta, a Eletrobras anunciou que aprovou a captação de debêntures por meio das subsidiárias Eletronorte e CGT Eletrosul, no valor e R$ 750 milhões.

Na sexta, a CCR anunciou que, pela primeira vez durante a pandemia, o tráfego semanal em estradas cresceu frente a 2019 entre as rodovias sob sua administração, no que pode ser atribuído ao relaxamento das medidas de isolamento social.

Entre 23 e 29 de outubro houve alta de 0,5% no tráfego, frente o mesmo período do ano anterior. Isso Não ocorria desde março. A CCR administra o Sistema Anhanguera/Bandeirantes, que liga a cidade de São Paulo ao interior do Estado, e a Via Dutra, que é a principal ligação rodoviária entre Rio de Janeiro e São Paulo.

De acordo com a concessionária, o resultado foi puxado pelo tráfego de veículos comerciais, que foi 8,1% maior. Já o tráfego de carros de passeio ainda foi 9% menor na comparação anual. No acumulado do ano até 29 de outubro, no entanto, o tráfego total foi 8,9% menor.

Já no caso dos aeroportos geridos pela CCR, o que inclui os terminais de Confins (MG) e Viracopos (SP), o movimento na semana foi 66,8% mais baixo do que no mesmo período de 2019.

Segundo a coluna de Lauro Jardim, do O Globo, deve ser assinada em dezembro a venda da refinaria Landulpho Alves (BA), da Petrobras, para o Mubadala, o fundo soberano de Abu Dhabi, por pouco menos de US$ 2 bilhões.

A Ânima Educação informou que faz parte da operação da compra das operações da Laureate no Brasil, a venda concomitante de 100% da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) ao fundo Farallon.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Ânima informou que nos termos do acordo já celebrado, em que a Farallon assumiu a obrigação de comprar todas as participações futuras na FMU, por um valor de R$ 500 milhões, simultaneamente à compra dos ativos da Laureate pela Ânima Educação.

“Dentre as condições para implementação da transação e para a venda da FMU à Farallon, ressalta-se a condição suspensiva de aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), nos termos da legislação aplicável”, explica o documento. Ou seja, em outras palavras, a venda da FMU ao fundo Farallon está atrelada à aprovação pelo Cade da compra da Laureate pela Ânima Educação.

A companhia informou que o contrato de compra da Laureate no Brasil prevê, em síntese, um preço, no fechamento, de R$ 4,4 bilhões, sendo R$ 3,777 bilhões a serem pagos a Laureate em dinheiro e R$ 623 milhões de dívidas dos ativos a serem assumidas pela Ânima Educação.

Em fato relevante enviado à CVM, a empresa diz que a proposta inclui, ainda, R$ 203 milhões a título de earn-out por 135 vagas de medicina pendentes de aprovação.

O Bradesco concluiu na última sexta a compra do BAC Florida Bank, que foi anunciada em 6 de maio de 2019. A operação reduzirá o índice de Basileia do Bradesco em 0,2 ponto percentual.

O IRB reporta hoje após o fechamento do mercado. O Brasil Plural espera mais um trimestre de perdas. “Após registrar seu primeiro prejuízo desde o IPO no segundo trimestre de 2020 (R$ 685 milhões), esperamos que a resseguradora reporte outro prejuízo líquido de cerca de R$ 185 milhões no terceiro trimestre. O IRB já reportou dois meses de resultado do terceiro trimestre, apresentando prejuízo de R$ 128 milhões”, destacam os analistas.

A XP Investimentos elevou a recomendação de Tenda de neutro para compra, com o preço-alvo de R$37,20 por ação, o que representa um potencial de valorização de 38% sobre o último preço de fechamento.

“Em nossa opinião, a combinação da recente correção dos preços da ação e a melhora significativa de sua performance operacional nos últimos meses criou uma oportunidade de entrada no papel, que hoje está negociando a múltiplos atrativos de 1,9 vez valor de mercado pelo valor patrimonial e 10,4 vezes o preço sobre lucro projetado para 2021”, apontam os analistas.

No sábado, a montadora Ford anunciou a venda de suas fábricas no Brasil para a empresa de construção civil e logística São José e a gestora de ativos Fram Capital, sem informar o valor. A fábrica atuou por 52 anos na produção de veículos em São Bernardo, e foi fechada há um ano. A Ford diz que o movimento é um marco no retorno à lucratividade sustentável na América do Sul.

(Com Agência Estado)

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Após reveses recentes de Sabesp e Sanepar, o que os analistas esperam para as ações do setor?

SÃO PAULO – Depois do ânimo com as empresas de saneamento após a aprovação do marco legal do setor no final de junho e a sanção da lei por Jair Bolsonaro, duas companhias do setor listadas em Bolsa sofreram alguns contratempos por conta de recentes sinalizações dos seus respectivos controladores, os governos estaduais.

Na terça-feira da semana passada (19), a fala do governador de São Paulo, João Doria, dando sinais de que a privatização da Sabesp (SBSP3) estaria mais distante do que um modelo de capitalização – ainda que nada tenha sido decidido ainda -, fez com que as ações caíssem forte e levou os analistas a revisarem as suas expectativas para a estatal de saneamento paulista (veja mais clicando aqui).

Já nesta semana, as units da paranaense da Sanepar (SAPR11) tiveram forte volatilidade: na terça-feira (25), os ativos saltaram 7,63% após a agência reguladora autorizar, a partir de novembro, o reajuste tarifário anual de 2020 em 9,6%, que vinha sendo adiado desde maio em função da pandemia. Contudo, dois dias depois, a ação fechou em baixa de 6,21%, após o governo do Paraná pedir suspensão do reajuste de tarifa. O governo alega que o aumento compromete ainda mais o orçamento doméstico de grande parte da população, que já convive com a queda de renda em razão dos efeitos adversos da pandemia do novo coronavírus sobre o mercado de trabalho e também por causa da calamidade hídrica.

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Cabe destacar que, um pouco antes da publicação do pedido de suspensão, o Bradesco BBI havia revisado em relatório as expectativas para a companhia, reforçando recomendação de compra e destacando que o ativo era o mais descontado do setor e colocando preço-alvo em R$ 40, um potencial de valorização de quase 50% em relação ao fechamento da véspera.

Entre os motivos para o otimismo do banco até então, estava justamente a redução do risco regulatório com a autorização do reajuste, com os analistas reforçando que a companhia é  bem administrada e, embora a privatização não fizesse parte da tese de investimento (o Paraná não tem intenção de vender a empresa pelo menos por enquanto), a dinâmica de ganhos é positiva dada a redução de 7% do quadro de colaboradores que deve se apresentar integralmente no quarto trimestre.

Contudo, a notícia sobre o pedido para suspensão do reajuste acabou reacendendo os temores sobre a companhia, que vinham desde 2017, quando ela estendeu o seu reajuste tarifário por um período de oito anos e decepcionou os investidores na estatal.

“Embora a agência reguladora não seja obrigada a suspender as tarifas (e tenha aprovado corretamente o aumento), a governança da empresa não está clara”, apontaram os analistas do Credit Suisse.

Na mesma linha, Gabriel Francisco, analista da XP Investimentos, destacou ver a notícia como negativa para a Sanepar, também destacando o seu histórico atribulado com respeito a revisões e reajustes tarifários e a incerteza que o tema inspira em seus investidores.

“Apesar disso, notamos que as ações já negociam a um elevado desconto em relação às suas pares como reflexo deste cenário regulatório mais incerto”, afirma o analista, mantendo a recomendação de compra nas ações da Sanepar com preço alvo de R$ 32 por unit, o que corresponde a um potencial de valorização de 20% frente o fechamento da véspera.

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Na mesma linha, está o Morgan Stanley que, ao realizar reuniões com investidores estrangeiros para debater o setor, reforçou que a ação é a mais descontada entre os seus pares, com um múltiplo de EV/RAB (EV = enterprise value, ou valor de mercado + dívida líquida”; RAB = base de ativos regulatórios) de 0,75 vez, mas aponta duas razões para isso. Um deles é o risco sobre a tarifação e o outro é a crise hidrológica do Paraná, que está impactando negativamente os volumes devido às contínuas medidas preventivas para redução de consumo.

Os analistas seguem com recomendação overweight (exposição acima da média) para o papel, mas estão taticamente mais cautelosos justamente por conta desses riscos.

Por outro lado, Miguel Rodrigues, Fernando Amaral, Alexandre Zimmermann, possuem preferência pela Copasa (CSMG3), estatal de Minas Gerais. Apesar de não enxergarem a privatização da companhia no horizonte de curto prazo, eles destacam ver uma relação de risco-retorno atrativa, uma exposição ao cenário macroeconômico menor, (o segmento industrial representa 4% e o comercial 14% do volume distribuído de água) e o fato de ter um balanço sólido apesar de ter dívida em moeda estrangeira. Além disso, apontam evolução operacional e que ela é relativamente uma melhor pagadora de dividendos. A ação negocia a um múltiplo de 0,8 vez o EV/RAB.

A visão mais positiva contrasta com a da XP e do BBI. A XP segue com recomendação de venda para os ativos CSMG3, com preço-alvo de R$ 46 por ação (queda de 7%), destacando justamente o cenário complexo para a concretização de uma eventual privatização da companhia nos ambientes estadual e municipal, apesar das declarações reiteradas do governo estadual a favor de mudar o controle da companhia para as mãos privadas.

Atualmente, a alienação de uma empresa estatal no Estado de Minas Gerais necessita ser aprovada por três quintos dos votos da Assembleia Legislativa (na qual o partido do governador Romeu Zema, o Novo, elegeu 3 de 77 representantes) e aprovação em um referendo popular. E alterar a Constituição do Estado também exigiria uma maioria de três quintos dos votos, o que é considerado desafiador.

Já o BBI possui recomendação neutra e um preço-alvo de R$ 64 para os ativos CSMG3, destacando que o múltiplo negociado menor é justificado também devido à falta de progresso pelo estado de Minas Gerais quanto às mudanças necessárias na legislação estadual para permitir a privatização de ativos.

Com relação à Sabesp, os analistas do BBI possuem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 70 (upside de 38%) para os ativos para o final de 2021. “Destes três, escolhemos a Sabesp como a melhor opção relacionada ao tema da privatização. Sua avaliação atual implica que a privatização não está precificada, enquanto em um cenário de que o estado de São Paulo decida vender a empresa, o valor justo poderia subir para R$ 94,00 (upside de 86%)”, apontam.

Já o Morgan Stanley possui recomendação equalweight para os ativos, destacando que o múltiplo de 1 vez o EV/RAB está acima das ações das demais companhias do setor e, apesar de ver um potencial de valorização de 65% dos ativos em um cenário de privatização, há desafios nesse processo e não há convicção quanto à vontade do governo de avançar com esta opção. Também ressaltando os desafios com a privatização, a XP possui recomendação neutra para SBSP3, com preço alvo de R$ 51 por papel (upside de 1%).

Importância do marco legal

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De qualquer forma, mesmo com visões bastante diferentes sobre as ações, os analistas destacam a importância da aprovação do marco legal do saneamento para o setor.

“A oportunidade de investimento no setor de saneamento é enorme. Com investimentos de aproximadamente R$ 700 bilhões sendo necessários para atingir as metas de universalização do serviço até 2033, e o novo marco do setor de saneamento deve ajudar a atrair capital privado, sem o qual esta será uma missão impossível”, avalia o BBI.

Por outro lado, o Morgan destacou que os investidores estrangeiros acreditam que grandes players europeus de saneamento não estariam interessados ​​em expandir suas operações para o mercado de saneamento no Brasil. Isso ocorre principalmente porque, embora o marco do saneamento provavelmente melhore a perspectiva legal e regulatória do setor, as mudanças provavelmente levarão tempo para se materializar. Além disso, haveria apenas algumas empresas de saneamento no Brasil grandes o suficiente para atrair esses players.

Ainda assim, a maioria dos investidores concorda que outros players internacionais podem estar interessados, assim como empresas locais, como a Equatorial (EQTL3), avaliam.

Confira as recomendações dos analistas para as ações do setor de saneamento (compilação Bloomberg):

Empresa Ticker Recomendação de compra Recomendação neutra Recomendação de venda
Sabesp SBSP3 9 9 0
Sanepar SAPR11 11 2 0
Copasa CSMG3 6 10 1

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Ações de Sabesp, Sanepar e Copasa saltam até 8% após Bolsonaro sancionar novo marco do saneamento: o que mudou?

Jair Bolsonaro Presidente da República, Jair Bolsonaro sanciona marco legal do saneamento básico (Foto: Marcos Corrêa/PR)

SÃO PAULO – A sessão desta quarta-feira (15) foi de fortes ganhos para as ações de saneamento, principalmente para os papéis da Sabesp (SBSP3), que subiram 8,06%, a R$ 61,38, enquanto os ativos da Sanepar (SAPR11) também registraram alta bastante expressiva, de 6,56%, a R$ 32,48, sendo seguidos por Copasa (CSMG3), com ganhos de 4,39%, a R$ 58,98.

O principal motivo por trás da forte alta dos ativos foi a sanção, na tarde desta quarta, do novo marco legal do saneamento pelo presidente Jair Bolsonaro, o que deve impulsionar mais investimentos privados no setor.

Mas, mais do que a cerimônia em si, que já era esperada uma vez que o mandatário tinha até esta data para a sanção, os vetos de Bolsonaro à lei aprovada pelo Senado no último dia 24 de junho eram particularmente esperados pelos investidores. E justamente o que foi decidido a partir daí que animou o mercado nesta sessão.

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Vale relembrar que o Senado aprovou o novo marco sem nenhuma alteração no mérito do texto que partiu da Câmara dos Deputados, de forma a seguir diretamente para a sanção presidencial com uma tramitação mais rápida. Os senadores que propuseram alterações retiraram os destaques por conta de um acordo com o governo federal para que fossem vetados três artigos da lei, segundo noticiado na ocasião.

A perspectiva de veto que mais trazia temor era do artigo 14, parágrafo 1. O artigo aponta que, no caso de um processo de privatização de uma empresa de saneamento estatal, não há necessidade de consentimento dos titulares (municípios) caso não haja alterações no objeto e na duração do contrato de programa.

Os contratos de programa, vale destacar, são mecanismos que permitem a dispensa de licitação pelo prefeito ao contratar estatais – ou seja, não sendo necessário um processo de concorrência aberto, em que várias empresas (públicas ou privadas) concorrem pela gestão da rede de água e esgoto.

Assim, caso o artigo 14, parágrafo 1, fosse vetado, haveria impactos negativos a processos futuros de privatização de empresas estatais de saneamento, um ponto de grande importância para Sabesp e Copasa. Isso porque as propostas de privatização exigiriam o consentimento de 374 municípios no caso da Sabesp e 641 municípios no caso da Copasa, o que aumentaria em muito a complexidade de projetos de venda destas estatais.

Contudo, surpreendendo o mercado, o artigo não foi vetado, deixando o caminho mais livre para privatizações no setor, o que animou os investidores e levou à alta das ações.

Mas, conforme destaca Gabriel Fonseca, analista da XP Investimentos, não se pode descartar uma judicialização nem mesmo sem esse veto, uma vez que leis de alguns municípios contêm dispositivos para extinção do convênio em caso de privatização. De qualquer forma, o não-veto ao artigo pode levar a um processo de convencimento dos municípios mais bem-sucedido.

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No caso da Copasa, o cenário que se desenha é mais turbulento, ainda que o não-veto seja uma notícia positiva. A privatização de estatais em Minas depende da alteração de dois trechos da Constituição Estadual de Minas Gerais que afirmam que processos de venda de empresas estatais no Estado dependem de aprovação por três quintos dos votos da Assembleia Legislativa e validação em um plebiscito. A avaliação é de que não há apoio político para isso, aponta Fonseca, da XP.

Contudo, mesmo que houvesse autorização da Assembleia para realizar o processo de privatização, há um outro obstáculo: o contrato de programa da capital do estado, Belo Horizonte (município mais importante, que gera 30,8% das receitas da Copasa) contém uma cláusula afirmando sua nulidade caso a estatal seja privatizada, o que poderia causar instabilidade jurídica em uma eventual tentativa de privatização.

Já no caso da Sanepar, que não é citada como uma das candidatas à privatização, um veto não esperado acabou impulsionando os papéis. Trata-se do veto ao artigo 16, que autorizava que as estatais renovassem por mais 30 anos os contratos de programa atuais e vencidos, desde que isso ocorresse até março de 2022. O prazo também valeria para formalização das “situações de fato”, quando há prestação de serviço sem contrato assinado.

A sobrevida aos contratos, que foi barrada, é considerada importante para as estatais uma vez que o novo marco legal proíbe que novos contratos sem licitação sejam fechados. Agora, a concorrência será uma regra no setor, o que vai de encontro ao domínio das empresas públicas nesse mercado.

Em nota, o Planalto alegou que o artigo posterga soluções para os impactos ambientais e de saúde pública decorrentes da falta de saneamento básico e da gestão inadequada da limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. “Ademais, os dispositivos foram vetados por estarem em descompasso com os objetivos do novo marco legal do saneamento básico, que orientam a celebração de contratos de concessão, mediante prévia licitação, estimulando a competitividade da prestação desses serviços com eficiência e eficácia, o que por sua vez contribui para melhores resultados”, aponta, como motivo para o veto.

Para Fonseca, da XP, o veto a esse artigo implica “tirar as empresas estatais da zona de conforto”, uma vez que elas correm o risco de perder contratos, sendo que muitos deles podem estar perto de vencer. Assim, mesmo que não haja menção ainda à privatização de algumas companhias, as chances se elevam pois seria a única alternativa para que se tornassem mais competitivas nos processos licitatórios. Em outro caso, se não houvesse o veto, as estatais teriam mais tempo, já que o contrato poderia ser renovado por mais trinta anos, sem licitação. A recomendação do analista para as ações da Sanepar é de compra, neutra para Sabesp e de venda para a Copasa.

De acordo com o advogado Fernando Vernalha, sócio do Vernalha Guimarães e Pereira Advogados, o veto ao artigo foi importante e tem o potencial de abreviar a abertura do mercado para os operadores privados uma vez, que a partir da vigência da lei, não se pode mais dispensar a licitação.

Porém, avalia, mesmo sem esse veto, o novo marco legal já induzia a uma abertura do mercado no curto prazo por contas das metas para universalização e necessidade dos operadores estatais de demonstrarem capacidade financeira para realizarem os investimentos necessários, de forma a atingir as metas de universalização dos serviços de água e esgoto.

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“Isso faria com que os estados tivessem incentivo de realizarem a venda de companhias estatais ou estruturarem concessões para que operadores privados pudessem atuar, uma vez que as estatais perderam a capacidade de investimento no setor”, avalia Vernalha. Com o veto, contudo, não há sequer a possibilidade de uma renovação sem licitação, abrindo mais o mercado para operadores privados.

Vale destacar que o governo estima investimentos de R$ 500 bilhões a R$ 700 bilhões para cumprir as metas determinadas de universalização até o fim de 2033: cobertura de 99% para o fornecimento de água potável e de 90% para coleta e tratamento de esgoto. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Regional, 16,4% dos brasileiros não tinham acesso à rede de abastecimento de água até o ano passado. Do lado do tratamento do esgoto, os números são ainda mais alarmantes: apenas 53,2% tinham acesso ao serviço em 2018.

Para Vernalha, a tendência de mercado será a organização de municípios em bloco, em que o estado deva assumir o protagonismo como concedente. Nesse modelo, o dono do serviço é o município, ele celebra o convênio e delega atribuições ao estado, que atua como representante e concede ao operador privado o direito de explorar os serviços nos municípios. ‘Esse modelo funcionaria até sem a necessidade de vender as companhias estaduais, uma vez que elas podem ficar apenas com a captação da água”, destaca o advogado.

Próximo passo: derrubada ao veto?

Apesar do ânimo dos investidores, cabe ressaltar que o tema ainda não foi esgotado. Tasso Jereissati (PSDB-CE), relator da lei do saneamento no Senado, defendeu a derrubada do veto à renovação de contratos de saneamento: “fiquei extremamente surpreendido”. Segundo ele, os vetos de Bolsonaro foram um “tiro no pé”; já Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado, afirmou que vai abrir diálogo para conversar sobre os vetos.

Vale destacar que o artigo, inserido durante as discussões do novo marco legal na Câmara, foi importante para o novo marco legal vencer forte resistência de algumas bancadas, principalmente a do Nordeste.

Na mesma linha, Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado e do Congresso, indicou apoio para derrubar o veto do presidente e retomar a sobrevida aos contratos. “Não pode fazer o entendimento e não cumprir o entendimento. O que é combinado não é caro nem barato”, disse Alcolumbre em sessão do Senado. “Se por parte do governo não houve a eficácia, houve um lapso da parte do Executivo, que eu reputo que não é certo, temos como corrigir aqui na sessão do Congresso Nacional e dar a resposta do que foi construído.” Assim, continuará sendo importante para os investidores do setor acompanhar as discussões no Legislativo.

(com informações da Agência Estado)

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Efeitos do novo marco do saneamento virão em três ondas, avalia secretário

(Marcello Casal Jr/ABr)

Os efeitos do novo marco legal do saneamento, aprovado nesta semana pelo Congresso, serão percebidos em “três ondas”, avalia o secretário de Desenvolvimento da Infraestrutura do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord. A primeira poderá ser observada em breve, com possíveis processos de privatização de empresas estatais.

Apesar da avaliação de especialistas de que esse tipo de estruturação levará mais tempo, Mac Cord acredita que companhias com capital já negociado na Bolsa de Valores, como a Sabesp (SP) e a Copasa (MG), não terão dificuldades em seguir com planos de privatização, se optarem por esse caminho.

“Nessa primeira onda, que é espontânea, você tem governadores que já queriam privatizar ou conceder, então isso já acontece imediatamente. Há razão quando se diz que as modelagens demoram um pouco, mas não é tão traumático assim modelar uma privatização de empresas que já tem capital aberto”, disse Mac Cord.

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Para essa primeira onda, Mac Cord também inclui o avanço dos projetos de concessão já estruturados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para alguns Estados, como Rio de Janeiro e Alagoas. Esses, no entanto, não dependem do novo marco legal.

Já o segundo momento de resultados do novo marco será visto em 2022, avalia o secretário. A data marca o prazo final para que as companhias estaduais renovem seus contratos atuais por mais 30 anos.

Para isso, no entanto, vão precisar comprovar que têm capacidade econômico-financeira para fazer frente aos investimentos necessários.

A terceira onda, avalia o secretário, será percebida em sete ou oito anos, resultado de eventuais caducidades contratuais após empresas não conseguirem bancar com o cronograma de universalização previstos nos contratos.

O novo marco legal estabelece que as empresas terão de garantir o atendimento de 99% da população com água potável e de 90% da população com coleta e tratamento de esgoto até o fim de 2033.

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Marco do saneamento é aprovado: quais os cenários (e os riscos) para as ações de Sabesp, Copasa e Sanepar?

Saneamento-Oficial

SÃO PAULO – Histórica. É assim que boa parte dos analistas de mercado definiu a aprovação do novo marco legal do saneamento pelo Senado na noite da última quarta-feira (24), que abrirá caminho para investimentos privados no setor de infraestrutura considerado mais atrasado no Brasil.

O governo estima investimentos de R$ 500 bilhões a R$ 700 bilhões para cumprir as metas determinadas de universalização até o fim de 2033: cobertura de 99% para o fornecimento de água potável e de 90% para coleta e tratamento de esgoto. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Regional, 16,4% dos brasileiros não tinham acesso à rede de abastecimento de água até o ano passado. Do lado do tratamento do esgoto, os números são ainda mais alarmantes: apenas 53,2% tinham acesso ao serviço em 2018.

A aposta na entrada de capital privado se dá por alguns pontos principais com a aprovação do novo marco. Em primeiro lugar, a Agência Nacional de Águas (ANA) será fortalecida, uma vez que instituirá diretrizes de referência para agências reguladoras e prestadoras de serviços de saneamento. “Isso é muito positivo e necessário para atrair o investimento privado. Atualmente, a regulação é muito fragmentada, com agências municipais, estaduais e de consórcios de municípios, sendo muito diversificada e de baixa qualidade”, destaca o advogado Fernando Vernalha, sócio do Vernalha Guimarães e Pereira Advogados.

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A lei também prevê uma mudança bastante importante sobre os chamados contratos de programa previstos atualmente. Eles são mecanismos que permitem a dispensa de licitação pelo prefeito ao contratar estatais. Ou seja, no modelo em vigor atualmente, não é necessário um processo de concorrência aberto, em que várias empresas (públicas ou privadas) concorrem pela gestão da rede de água e esgoto. O marco legal do saneamento veda a assinatura de novos contratos de programa; por outro lado, os existentes poderão ser renovados até 31 de março de 2022.

Além disso, a lei aprovada define prazos e penalidades caso os planos de investimentos sejam atrasados ou perdidos e viabiliza a privatização das companhias do setor, permitindo a prorrogação da contratação de serviços pelos municípios (concessionários) em caso de mudança de controle (hoje não permitido).

Desta forma, as discussões e trâmites para aprovação do novo marco legal de saneamento eram acompanhadas de perto pelos investidores, principalmente daqueles de ações de três estatais, Sabesp (SBSP3), Copasa (CSMG3) e Sanepar (SAPR11), sendo que as duas primeiras estão na rota para privatização.

Contudo, na sessão seguinte após a aprovação do plano, as ações de saneamento não tiveram tanto ânimo, o que foi o caso da Sabesp, que está com o caminho mais “fácil” para uma privatização, fechando em queda de 1,33%, a R$ 59,27. Sanepar, por sua vez, que não tem uma mudança de controle no radar, registrou baixa de 1,12%, a R$ 31,85, enquanto Copasa fechou com a maior queda, de 2,81%, a R$ 58,75.

Além do clássico “sobe no boato, cai no fato” – a ação da Sabesp, por exemplo, saltou 66% nos últimos três meses, enquanto o Ibovespa subiu 27% -, algumas questões estão no radar dos investidores, apontando que a privatização das companhias não será um processo simples.

Soma-se a isso a expectativa pelos possíveis vetos de Jair Bolsonaro, uma vez que a lei agora seguirá para a sanção presidencial – o presidente terá 15 dias para apresentá-los. Conforme mencionado durante a sessão de aprovação do novo marco, houve um acordo com o governo federal para que sejam vetados três artigos da lei, sendo o principal deles o artigo 14, parágrafo 1. O acordo foi feito de forma a evitar alterações na proposta, que seria então devolvida para a Câmara dos Deputados.

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O artigo aponta que, no caso de um processo de privatização de uma empresa de saneamento estatal, não há necessidade de consentimento dos titulares (municípios) caso não haja alterações no objeto e na duração do Contrato de Programa.

Para Gabriel Fonseca, analista da XP Investimentos, a remoção deste artigo impactará negativamente potenciais processos futuros de privatização de empresas estatais de saneamento, um ponto de grande importância para Sabesp e Copasa. Isso porque, avalia ele, as propostas de privatização exigiriam o consentimento de 374 municípios no caso da Sabesp e 641 municípios no caso da Copasa, o que aumentaria em muito a complexidade de projetos de venda destas estatais.

Fernando Vernalha, por sua vez, avalia que esse dispositivo não deveria ser suprimido mas que, em um contexto de privatização de uma companhia, é natural que o estado faça a articulação política com os municípios para renovar os contratos. Assim, suprimir o artigo não deve mexer na “espinha dorsal” da nova lei.

De qualquer forma, no médio prazo, o advogado aponta que a tendência no geral para o setor será por uma “privatização branca”, em que não haverá uma mudança de controle do público para o privado (ainda mais levando em conta questões políticas), mas sim mais concessões para os segmentos de abastecimento e esgotamento, que respondem pela maior parte dos negócios.

Todas essas discussões estão sendo monitoradas de perto pelos investidores, uma vez que as possibilidades de privatização ou capitalização entraram de vez na conta dos analistas de mercado para analisar as empresas listadas na B3, conforme destaca a seguir.

Sabesp: privatização ou capitalização?

A possibilidade de capitalização é uma das possibilidades no caso da Sabesp. Desde a primeira vez que foi sinalizada a privatização da empresa, o outro modelo também foi colocado como alternativa.

Através da capitalização, o estado venderia cerca de metade de suas ações da Sabesp a um parceiro minoritário por meio de uma nova holding company (não com as ações da Sabesp diretamente), mas ainda manteria o controle da empresa.

No entanto, na avaliação do Bradesco BBI, esse parece ser um cenário menos provável, pois: (i) São Paulo conseguiria menos recursos versus uma privatização total; e (ii) seria muito difícil encontrar um parceiro minoritário (operador ou investidor de longo prazo) para comprar uma grande participação em uma holding ilíquida, uma vez que a Sabesp continuaria sendo uma estatal.

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Na avaliação dos analistas do BBI, desta forma, São Paulo deve reafirmar os seus planos de privatizar a companhia – a fatia atual de 50,1% do estado na Sabesp pode valer mais de R$ 30 bilhões em um leilão de privatização. Contudo, o processo de privatização não acontecerá da noite para o dia,
e haverá uma oposição na Assembleia Legislativa do Estado (é necessária a aprovação por maioria simples para vender a Sabesp).

No entanto, eles reforçam que recentemente alteraram a recomendação para as ações da Sabesp de neutra para a compra uma vez que, nos preços atuais, a ação embute uma probabilidade de apenas 20% de privatização. Assim, a relação risco-retorno ainda é vista como favorável, uma vez que os analistas veem uma chance de 50% de privatização e 50% da companhia se manter estatal.

Os analistas projetam que, no caso de privatização, a Sabesp poderia valer R$ 104, um potencial de valorização de 73% frente o fechamento de quarta-feira. Por outro lado, caso ela se mantenha estatal, o valor justo das ações seria de cerca de R$ 54, uma queda de 10% em relação ao fechamento da véspera.

Assim, o preço-alvo atual de R$ 79 (31% de potencial de valorização) é baseado no cenário 50% de privatização e 50% da empresa continuar estatal. Eles apontam ainda que, mesmo no cenário em que a companhia continuasse estatal, ela teria mudanças pois, para atrair um parceiro minoritário, faria  melhorias substanciais na governança corporativa e/ou no processo de revisão tarifária da Sabesp definido para 2021.

Já na avaliação do UBS, a Sabesp privatizada poderia valer R$ 98 (um potencial de valorização de 63%). O preço-alvo atual do banco suíço para as ações SBSP3 é de R$ 58, seguindo com recomendação de compra para os ativos. Já o Credit Suisse avalia que, no cenário mais otimista, os ativos da Sabesp possam valer R$ 81,40 (valorização de 35%).

O Morgan Stanley também reforça que, considerando que agora, com o novo marco aprovado, que o governo do estado de São Paulo já deve começar a conduzir as iniciativas em direção à privatização do companhia, exigindo aprovações no Legislativo menos desafiadoras do que os seus pares.

Dito isto, embora ainda vejam um potencial de valorização de 37% no cenário de privatização, ao projetarem a ação a R$ 82 nessa hipótese, os analistas do banco americano acreditam que as ações do já estão precificando uma probabilidade de privatização mais alta. “Como reconhecemos os desafios de qualquer processo de privatização e, considerando o valuation atual, continuamos com recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado)”, aponta a equipe de análise do Morgan em relatório.

Na mesma linha, a XP possui recomendação neutra para os ativos da Sabesp, avaliando que as propostas de privatização não devem ser apresentadas antes da eleição de 2020, uma vez que o tema é de grande sensibilidade a municípios.

Copasa: caminhos mais difíceis

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Se, para a Sabesp, já há desafios na privatização, ela pode ser ainda mais complicada para a mineira Copasa. Apesar do sinal verde do governo de Minas Gerais para que ela mude de controle,  a privatização de estatais em Minas depende da alteração de dois trechos da Constituição Estadual de Minas Gerais que afirmam que processos de venda de empresas estatais no Estado dependem de aprovação por três quintos dos votos da Assembleia Legislativa e validação em um plebiscito. A avaliação é de que não há apoio político para isso, conforme destaca Fonseca, da XP.

Contudo, avalia, mesmo que houvesse autorização da Assembleia para realizar o processo de privatização, há um outro obstáculo: o contrato de programa da capital do estado, Belo Horizonte (município mais importante, que gera 30,8% das receitas da Copasa) contém uma cláusula afirmando sua nulidade caso a estatal seja privatizada, o que poderia causar instabilidade jurídica em uma eventual tentativa de privatização. Desta forma, a recomendação para a XP é de venda para os ativos CSMG3, considerando que os papéis já estão excessivamente valorizados.

O Morgan Stanley também ressalta que o cenário de privatização para a Copasa é bem mais desafiador do que para a Sabesp, o que justifica o maior potencial de alta para os ativos em caso de mudança de controle.

Na avaliação do banco, caso a empresa seja privatizada, o papel pode ir a R$ 107, correspondendo a um potencial de valorização de 77%. O preço-alvo atual para os ativos é de R$ 56 (downside de 7%). De qualquer forma, os analistas acreditam que, com a aprovação do marco legal do saneamento, a companhia vai se beneficiar pela melhor regulação. Já o UBS, ainda que positivo, vê a privatização podendo levar as ações da companhia a R$ 87, ou uma alta de 44%.

Sanepar: sem perspectiva para privatização, mas barata

Sem perspectiva de privatização – conforme destaca o Bradesco BBI, ao contrário de Minas, a situação fiscal do Paraná não é complicada -, a Sanepar é vista como atrativa pelos analistas pelo seu valuation atrativo – apesar do cenário complicado no curto prazo.

De acordo com o Morgan Stanley, a empresa continua enfrentando ventos contrários devido a uma crise hídrica em curso no estado do Paraná, que levou o governo estadual a declarar uma situação de emergência e a empresa a implementar rodizio no fornecimento de água na região metropolitana de Curitiba.

“Ainda assim, apesar de permanecermos taticamente cautelosos no curto prazo, vemos um perfil atraente de recompensa de risco a longo prazo”, destacam os analistas, que possuem recomendação equivalente à compra para o papel. Na mesma linha, os analistas do Bradesco BBI e da XP mantêm recomendação de compra para a paranaense.

Próximos passos

Com o marco legal do saneamento aprovado, os investidores ficarão de olho nos próximos passos para a regulamentação do setor, além dos possíveis vetos de Bolsonaro.

Conforme ressalta o Bradesco BBI, a nova lei de saneamento terá que ser complementada por decretos específicos, para definir os detalhes operacionais de como será implementada. Ou seja, a extensão dos poderes da ANA, como a regionalização dos serviços de saneamento será estabelecida, os limites para as estatais investirem, entre outros pontos. O decreto regulamentar deve tratar sobre como as empresas solicitarão financiamento federal para investimentos em universalização.

Essa tarefa provavelmente será liderada pelo Ministério do Desenvolvimento Regional que, nos próximos meses, trabalhará nos decretos necessários.

O UBS ressalta que o passo seguinte pode ser o desenvolvimento do setor no mercados de capitais. “Existem apenas três empresas de serviços públicos de água listadas na Bolsa de Valores de São Paulo, o que representa uma incompatibilidade em relação ao tamanho da oportunidade”, afirmam os analistas. Assim, consequentemente, esperam-se mais IPOs e privatizações.

“Outro passo seria a fase de investimentos. Com o consolidação da ANA atuando como agência reguladora de referência, acreditamos que investimentos em saneamento no Brasil poderiam ser multiplicado em cinco, o que resultaria em mais empregos e melhora do sistema de saúde”, avaliam.

Assim, as oportunidades para os investidores com a aprovação do novo marco podem acontecer não só em termos das empresas que estão atualmente na B3, mas com as companhias que podem acessar o mercado de capitais – além da maior expectativa para entrada de investimentos no país.

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Ação da Cielo sobe 3,6% após derrocada da véspera; bancos avançam e saneamento caem após aprovação do novo marco

SÃO PAULO – Em dia de agenda repleta de indicadores e após a forte queda da véspera, o Ibovespa seguiu o exterior em uma sessão bastante volátil: abriu em alta, virou para queda, mas ganhou força no fim do pregão e fechou com ganhos de mais de 1%.

As ações do setor de bancos guiaram o desempenho da sessão: após abrirem em alta, Santander Brasil (SANB11, R$ 29,24, +1,70%), Bradesco (BBDC3, R$ 19,63, +2,13%; BBDC4, R$ 21,44, +2,83%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,25, +1,59%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 33,01, +2,45%) diminuíram fortemente os ganhos, para depois voltarem a registrar maiores altas.

As ações da Cielo (CIEL3, R$ 4,87, +3,62%), por sua vez, avançaram após despencarem na véspera em meio à suspensão do uso do WhatsApp para pagamentos e transferências; a companhia também anunciou programa de recompra de ações.

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Ainda em destaque, representantes do WhatsApp afirmaram, após se reunirem com representantes do Banco Central, que trabalha para restaurar os serviços de pagamentos no Brasil, o que ajuda a guiar o desempenho mais positivo dos ativos.

No setor de saneamento, Sabesp (SBSP3, R$ 58,90, -1,95%), Copasa (CSMG3, R$ 58,75, -2,81%) e Sanepar (SAPR11, R$ 31,85, -1,12%) tiveram uma reação tímida à aprovação do novo marco do setor pelo Senado na véspera. As ações caíram após o bom desempenho nas últimas sessões na expectativa pela aprovação da nova regulamentação. Os investidores ficam ainda de olho para os possíveis vetos à lei.

Confira mais destaques:

 Sabesp (SBSP3, R$ 58,90, -1,95%), Copasa (CSMG3, R$ 58,75, -2,81%) e Sanepar (SAPR11, R$ 31,85, -1,12%)

No cenário corporativo, o destaque é a aprovação, na noite de quarta-feira, do marco legal do saneamento básico.

O projeto agora seguirá para a sanção presidencial. O Presidente da República tem 15 dias para apresentar possíveis vetos à lei. Sobre isso, vale destacar o possível veto a três artigos da lei.

O possível veto a um deles é monitorado de perto pelo mercado, conforme destaca a XP Investimentos. Trata-se do Artigo 14, parágrafo 1, em que aponta que, no caso de um processo de privatização de uma empresa de saneamento estatal, não há necessidade de consentimento dos titulares (municípios), caso não haja alterações no objeto e na duração do Contrato de Programa.

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“Na nossa opinião, a remoção deste mecanismo do Novo Marco impactará negativamente potenciais processos futuros de privatização de empresas estatais de saneamento. Este ponto é de grande importância para Sabesp e Copasa”, afirma Gabriel Fonseca, analista da XP.

Mesmo após sanção, os analistas do Bradesco BBI ainda lembram que é necessário a divulgação de uma série de decretos para que a nova regulamentação possa ser implementada.

Eles lembram ainda que esperam que o governo de São Paulo confirme os planos de privatização da Sabesp. O mesmo deve ocorrer com a Copasa, mas o governo mineiro precisa primeiro garantir apoio na assembleia local. Já sobre a Sanepar, lembram que o governo do Paraná informou que não tinha, por hora, intenção de privatização.

O Bradesco lembra ainda que, mesmo no caso de São Paulo, é necessária aprovação na Assembleia por maioria simples.  “Acreditamos que um processo de privatização não acontecerá da noite para o dia e haverá uma forte oposição na legislatura do estado. No entanto, atualizamos recentemente a Sabesp para “outperform”, disseram, em relatório a clientes.

Gol (GOLL4, R$ 19,15, +4,99%)

As conversas entre companhias aéreas, o governo brasileiro e os bancos sobre uma linha de crédito para o setor progrediram e os termos finais podem ser apresentados até o final da próxima semana, disse o presidente da Gol Linhas Aéreas Inteligentes, Paulo Kakinoff, durante uma teleconferência
com investidores nesta quarta-feira.

A empresa está em discussões diárias com o BNDES e os bancos para definir a proposta de linha de crédito para tornar os termos “mais atraentes”. Após a apresentação dos termos finais, a execução da linha de crédito levaria “algum tempo”, disse ele. A Gol não decidiu se vai utilizar a linha, mas gostaria que fosse uma alternativa.

O governo brasileiro também considera comprar cerca de R$ 100 milhões em passagens antecipadas da empresa aérea. A Gol tinha R$ 3,5 bilhões disponíveis em 31 de maio, caixa equivalentes a 12 meses, disse Richard Freeman Lark Jr., diretor financeiro. O dinheiro é suficiente para cobrir a amortização de agosto de empréstimos a prazo e outras obrigações, apontou.

Azul (AZUL4, R$ 21,12, +0,09%)

A Azul anunciou que conseguiu junto aos sindicatos de pilotos e comissários um acordo coletivo para a redução da jornada de trabalho e dos salários.

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A medida foi tomada em meio à crise causada pela pandemia do novo coronavírus, que restringiu voos para uma série de localidades.

O acordo tem duração de 18 meses e permite à flexibilidade em termos de custos de pessoal à medida em que retoma sua malha de acordo com a recuperação da demanda.

Eletrobras (ELET3, R$ 30,59, +3,94%; ELET6, R$ 31,95, +3,73%)

A Eletrobras informou em comunicado que acompanha operação da PF sobre Eletronuclear e que vai manter mercado informado, segundo comunicado. A companhia disse que tomou conhecimento pela imprensa da operação da Polícia Federal que “envolve supostas fraudes na controlada”.

Em comunicado, a Polícia Federal informou que cumpre 17 mandados de busca e apreensão e 12 de prisão temporária nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo e no Distrito Federal.

Cielo (CIEL3, R$ 4,87, +3,62%)

A Cielo anunciou  um programa de recompra de ações, em complemento ao aprovado em 19 de fevereiro.

O programa será para a aquisição de até 2.595.332 ações ordinárias. O prazo de vigência será de 25 de junho a 3 de julho. “Os membros do conselho de administração […] se sentem confortáveis de que a recompra de ações não prejudicará o cumprimento das obrigações assumidas com credores nem o pagamento de dividendos obrigatórios mínimos”, diz a Cielo em comunicado.

O anúncio do programa ocorre em um momento que as ações da empresa sofrem forte desvalorização. O último contratempo da empresa foi a suspensão do acordo firmado com o Whatsapp para realização de transferências pela aplicativo de mensagens.

A decisão foi motivada por Banco Central e Conselho Administrativos de Defesa Econômica (Cade), que querem analisar o efeito de parcerias como essa no sistema de pagamentos brasileiro e na concorrência. No acumulado do ano, as ações CIEL3 caem 43%, sendo que a queda na última quarta-feira foi de quase 13%.

Oi (OIBR3, R$ 1,23, +6,96%; OIBR4, R$ 1,54, +2,67%)

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O Bradesco BBI vê como positiva a estratégia de recuperação da OI e por isso atualizou o preço alvo das ações da companhia de R$ 1,80 a para R$ 2,10. Os papéis têm recomendação de “outperform”.

Apesar do otimismo com a empresa, o preço alvo representa um potencial de valorização de 83%, os analistas lembram que é preciso aprovar o plano, que envolve a venda de unidades de negócios. A reunião com credores está marcada para o dia 15 de agosto e o BBI vê probabilidade de 60% de aprovação.

“Vemos a empresa caminhando na direção certa, pois o “Baby Oi” é uma realidade e deve impulsionar o crescimento sustentável”, avaliaram.

Em meio a esse cenário, GoldenTree Asset Management reduziu de 9,8% para 4,7% sua participação na Oi, segundo o jornal “O Globo”.

“Já tínhamos reforçado a possibilidade de grandes acionistas aproveitarem as condições atuais, com maior liquidez, para reduzir suas posições”, avaliaram os analistas do Bradesco BBI.

Restoque (LLIS3, R$ 7,39, -0,14%)

O presidente da Restoque, dona das marcas Le Lis Blanc e Dudalina, Marcelo Lima, afirmou que as margens da companhia devem ser pressionadas em 2020, mas que o acordo de reestruturação das dívidas, anunciado no início do mês, foi benéfico ao grupo, segundo reportagem do jornal “O Estado de São Paulo”.

A empresa obteve, por meio de um acordo de recuperação extrajudicial que aguarda homologação da Justiça, uma trégua até abril do próximo ano de compromissos relacionados a uma dívida de R$ 1,4 bilhão junto a bancos e debenturistas.

Engie Brasil (EGIE3, R$ 42,78, +0,94%)

A Engie Brasil reportou lucro líquido de R$ 512 milhões no primeiro trimestre, um recuo de 9,5% na comparação com igual período de 2019 e também abaixo dos R$ 615,4 milhões esperados.

Já o Ebitda ficou em R$ 1,33 bilhão, alta de 9,8%. A receita operacional líquida alcançou R$ 2,6 bilhões, um crescimento de 11% na mesma base de comparação.

O Credit Suisse considerou os resultada da Engie fracos, uma vez que os custos da geração térmica e outras despesas afetaram as margens.

“A receita líquida foi impactada por um resultado financeiro mais fraco frente a uma alta no uso do caixa e uma contribuição da TAG (empresa de gás) mais baixa que a esperada”, explicaram, em relatório a clientes.

Ecorodovias (ECOR3, R$ 13,42, +5,75%)

A Ecorodovias divulgou nova parcial do tráfego nas concessões em que administra. Os dados levam em conta o período de 16 de março a 23 de junho, ou seja, levam em conta o início do período das medidas de distanciamento social adotadas para conter a propagação do novo coronavírus.

O tráfego de veículos leves e pesados recuou 19,7% na comparação com igual período do ano passado. Os maiores recuos foram registrados na Ecopistas e Ecoponto, com quedas de, respectivamente, 41,3% e 40,9%.

Na Ecovias, que administração o sistema Anchieta/Imigrantes, a retração foi de 23%. Já no acumulado do ano até junho, o tráfego de veículos nas concessões da Ecorodovias registra queda de 6,7%.

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