Ibovespa Futuro sobe com exterior em meio a redução dos temores com variante delta na China; dólar futuro cai

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em alta nesta segunda-feira (23) com a recuperação dos principais índices acionários globais e do petróleo depois de muita preocupação na semana passada com a política monetária dos Estados Unidos, a variante delta do coronavírus e o ambiente regulatório da China. O barril do Brent sobe 3,22% a US$ 67,28.

Neste começo de semana, as notícias melhoram no âmbito da pandemia, e as autoridades chinesas informaram que não houve nenhum caso local de Covid-19 pela primeira vez desde julho, o que indica desaceleração da onda atual. Contudo, os investidores seguem monitorando o avanço da variante delta.

Os investidores ficarão atentos ao simpósio de Jackson Hole, que ocorre na sexta-feira (27) e deve trazer mais sinalizações sobre o ritmo da redução das compras mensais de títulos realizadas pelo Federal Reserve e também sobre quando os membros da autoridade monetária dos Estados Unidos esperam iniciar um ciclo de aumento dos juros.

Por aqui, governadores se reunirão para discutir a crise institucional. Depois do presidente Jair Bolsonaro apresentar ao Senado o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de São Paulo, João Doria, disse que a democracia do Brasil nunca esteve tão ameaçada desde o golpe de 1964.

Às 9h10 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em outubro de 2021 tinha alta de 0,38%, a 119.350 pontos.

Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra queda de 0,23% a R$ 5,37.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe dois pontos-base a 6,71%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de um ponto-base a 8,41%, o DI para janeiro de 2025 avança dois pontos-base a 9,58% e DI para janeiro de 2027 opera estável a 10,01%.

Ainda sobre o Fed, o presidente da autoridade monetária de Dallas, Robert Kaplan, um “hawk” (autoridade de posicionamento mais duro) bem conhecido, abalou as expectativas de aperto monetário na sexta-feira, dizendo que pode reconsiderar a necessidade de início precoce do aperto monetário se o coronavírus prejudicar a economia.

Já na Europa, o Índice do Gerente de Compras (PMI na sigla em inglês) Markit composto para a Zona do Euro, que traz dados sobre os setores de serviços e manufatura, registrou o menor patamar em dois meses em agosto, de 59,5 pontos, frente a 60,2 pontos. Qualquer patamar acima de 50 pontos indica expansão; abaixo, retração.

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Já o PMI composto da Alemanha caiu de 62,4 em julho para 60,6 em agosto, segundo dados preliminares divulgados nesta segunda-feira, 23, pela IHS Markit. Apesar da queda, a leitura bem acima da marca de 50 mostra que a atividade da maior economia da Europa segue se expandindo em ritmo forte neste mês, ainda que mais contido.

O índice composto do Reino Unido, por sua vez, caiu de 59,2 em julho para 55,3 em agosto, atingindo o menor patamar em seis meses, segundo dados preliminares divulgados hoje pela IHS Markit em parceria com a CIPS. Apesar de acima de 50, prévia de agosto ficou bem abaixo da expectativa de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam recuo marginal do indicador a 59.

Relatório Focus

As projeções dos economistas do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 foram elevadas mais uma vez, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. Esta semana, a mediana das expectativas para o medidor oficial de inflação subiu de 7,05% para 7,11% em 2021. Para 2022, por sua vez, as previsões foram elevadas de 3,90% para 3,93%.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), as projeções oscilaram para baixo mais uma vez, caindo de 5,28% para 5,27% em 2021 e de 2,04% para 2,00% em 2022.

Sobre o dólar, as previsões se mantiveram em que a moeda dos EUA encerre o ano cotada a R$ 5,10 e termine 2022 cotada em R$ 5,20.

Por fim, a mediana das estimativas para a taxa básica de juros, Selic, continuou em 7,50% ao ano tanto para 2021 quanto para 2022.

Covid 

No domingo (22), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 765, queda de 16% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 331 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.490, o que representa queda de 8% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 14.178 casos.

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Chegou a 122.830.226 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 58,01% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 55.068521 pessoas, ou 26,01% da população.

Pedido de impeachment de Moraes e LDO de 2022

Os investidores monitoram o novo foco de crise política, após o presidente Jair Bolsonaro ingressar, no fim da tarde de sexta-feira (20), com um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no Senado Federal.

A peça encaminhada ao Senado, no entanto, não deve prosperar, na opinião de senadores e consultores, e até mesmo o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a quem cabe dar ou não andamento ao processo, já adiantou que não identifica critérios que justifiquem a destituição do cargo do ministro do STF.

“Sinceramente não antevejo fundamentos técnicos, jurídicos e políticos para impeachment do ministro do Supremo, como também não antevejo em relação a impeachment de presidente da República”, disse o senador a jornalistas, defendendo que o episódio da apresentação do pedido de impeachment haverá de ser “superado”.

O presidente Jair Bolsonaro entrou na noite de quinta-feira com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação de artigo do regimento interno da corte que permite a instauração de inquéritos de ofício –sem um pedido do Ministério Público Federal, como foi o caso do inquérito das Fake News.

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), apresentada pela Advocacia-Geral da União em nome do presidente pede que o artigo 43 do regimento seja suspenso em decisão liminar até que seja julgado pelo pleno do STF.

A alegação é de que o uso do artigo do regimento interno para abrir investigações fere preceitos constitucionais e “os direitos fundamentais dos acusados nos procedimentos inquisitórios dele derivados”.

O inquérito visado pelo presidente foi aberto em março de 2019, de ofício, pelo então presidente da corte, Dias Toffoli, para investigar notícias falsas e ataques constantes aos membros do STF. O ministro Alexandre de Moraes, foi designado como relator, e se tornou um dos alvos da fúria de Bolsonaro.

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Moraes também foi responsável por acolher notícia-crime contra Bolsonaro por vazamento de informações sigilosas de investigação da Polícia Federal.

Ainda em destaque, Bolsonaro sancionou na sexta-feira a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022, mas vetou o trecho da proposta que ampliava o montante a ser repassado a fundo de financiamento eleitoral.

Ao votarem a LDO, parlamentares modificaram as regras Fundo Especial de Financiamento de Campanha, aumentando o montante a ser repassado ao fundo de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões.

Dentre os pontos sancionados, estão metas e prioridades estabelecidas pela LDO para a elaboração do Orçamento do próximo ano, como a meta de déficit primário de R$ 170,47 bilhões para o Orçamento Fiscal e da Seguridade Social e de déficit de R$ 4,42 bilhões para as empresas estatais, informou nota da Assessoria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

A parte sancionada da LDO considera como parâmetro macroeconômico crescimento real do PIB para o ano de 2022 de 2,5%, o IPCA em 3,5%, a taxa Selic em 4,74% e a taxa de câmbio média de R$ 5,15 por dólar.

A LDO também prevê salário mínimo de R$ 1.147 em 2022 como diretriz, mas o valor efetivo precisa ser estabelecido por medida provisória. Também foram vetados parcialmente rubricas referentes às emendas de comissões permanentes e às emendas do relator-geral do Orçamento.

Segundo reportagem de capa publicada nesta segunda pelo jornal O Globo, parlamentares começam agora a se articular para assegurar ao menos R$ 4 bilhões para as campanhas, o que seria mais do que o dobro do R$ 1,7 bilhão destinado aos partidos nas eleições gerais de 2018. Se não houver acordo, a derrubada do veto presidencial é uma alternativa estudada por congressistas, afirma o jornal.

Radar corporativo

No radar corporativo, a EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações. Já a BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações.

Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada.

EzTec (EZTC3)

A EZTec informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 5.035.897 ações.

O programa tem prazo de até seis meses, terminando em 23 de fevereiro de 2022. O montante referido equivale a cerca de 5% das ações da companhia em circulação no mercado.

BR Properties (BRPR3)

A BR Properties comunicou ter encerrado seu plano de recompra de ações. Ele obteve 99,95% dos ativos que havia se proposto a comprar, sendo adquiridas 10.994.600 ações por R$ 94,888 milhões, com o custo médio por ação de R$ 8,63.

Minerva (BEEF3)

Uma unidade da Minerva Foods  em Palmeira de Goiás (GO) foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF) dentro da Operação A Posteriori, que apura supostas irregularidades de auditores fiscais federais agropecuários no período de 2018 a 2019, informou a companhia nesta sexta-feira.

Segundo a empresa, o procedimento, realizado na quinta, teve cooperação dos colaboradores da Minerva e a planta mantém suas atividades regulares.  “Não existe indiciamento ou denúncia contra a companhia, contra seus administradores ou qualquer de seus empregados ou colaboradores no âmbito da operação”, disse em comunicado.

Sabesp (SBSP3)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou no sábado que a Sabesp será preparada para ser privatizada nos próximos anos, e que o governo não realizará nada de forma precipitada.

Ao comentar declarações do recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ), sobre a privatização da Sabesp, Doria ressaltou que a privatização da companhia de saneamento é um projeto de “longo prazo”, não de curto prazo.

“Nosso governo é desestatizante… A Sabesp já é de capital aberto, cotada em bolsa, com performance muito boa e bem administrada. Ao longo dos próximos anos, ela vai ser preparada evidentemente para um programa de privatização, mas não faremos isso de forma precipitada”, comentou Doria a jornalistas, no Rio de Janeiro. As declarações de Maia fizeram disparar as ações da Sabesp na sexta-feira.

Braskem (BRKM5)

A Braskem comunicou que não tem conhecimento sobre a realização de uma oferta pública de ações da companhia como uma possível estratégia de saída dos acionistas, em esclarecimento após notícia da Coluna do Broadcast.

A empresa diz que “não é parte de eventuais discussões de seus acionistas sobre a venda das suas participações acionárias”, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como esclarecimento de notícia veiculada na mídia.

IPOs

A empresa de cibersegurança ISH Tech, com sede em Vitória, pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) em busca de recursos para financiar seu crescimento orgânico e via aquisições, além de investir em pesquisa. A empresa foi fundada em 1996 como consultoria em TI.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa repete dia anterior e zera perdas seguindo Wall Street; dólar vira para queda

(Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa segue o script do dia anterior e, depois de uma queda consistente durante a manhã, passa a subir no início da tarde desta sexta-feira (20) seguindo o desempenho das bolsas dos Estados Unidos, que novamente são puxadas por ações de empresas do setor de tecnologia.

Segundo Leonardo Santana, analista da Top Gain, a Bolsa segue a toada da semana e à medida em que o mercado americano devolve perdas os ativos aqui começam a seguir. “Nas commodities, a prata começou a subir, o cobre também, o petróleo, que caía 2%, já está reduzindo bem as perdas”, avalia.

Todavia, Santana ressalta que as medidas recentes do governo apontando para uma “maquiagem” do teto fiscal, acabarão levando o benchmark da B3 a encerrar a semana em baixa.

O radar macroeconômico ainda conta com focos de incertezas como o avanço da variante delta do coronavírus e a pressão regulatória do governo da China. Na terça, os Estados Unidos registraram mais de mil mortes pela Covid-19 em um dia pela primeira vez desde março.

Também na terça, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “se for para taxas dividendos em 15% é melhor nem ter reforma do Imposto de Renda”, rejeitando a possibilidade de reduzir a alíquota de 20% que propôs.

Já Bruno Funchal, secretário do Tesouro, fala à tarde sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios.

Às 12h44 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha leve variação positiva de 0,11%, a 117.291 pontos.

Vale lembrar que não é incomum um movimento de venda nas sextas-feiras em momentos nos quais o cenário macro está mais incerto, pois os investidores temem entrar no fim de semana posicionados na renda variável.

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Ontem, Bruno Komura, estrategista da Ouro Preto, e Marcus Vinícius Zanetti, gestor da Kinea, falaram ao InfoMoney sobre o horizonte repleto de incertezas para o mercado entre Federal Reserve disposto a reduzir estímulos no fim do ano, riscos fiscais, ruídos políticos e China impondo freios à valorização de algumas commodities.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 0,35% a R$ 5,403 na compra e a R$ 5,404 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro cai 0,35% a R$ 5,406.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe um ponto-base a 6,72%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de dois pontos-base a 8,44%, o DI para janeiro de 2025 recua nove pontos-base a 9,60% e o DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de nove pontos-base a 10,04%.

Voltando ao exterior, no Japão os papéis de empresas do setor automobilístico continuam a registrar perdas, após o anúncio na quinta-feira de que a Toyota deverá cortar em 40% sua produção global em setembro em relação àquilo planejado anteriormente, segundo informações reproduzidas pela agência internacional de notícias Reuters.

Já na Europa, a recuperação dos efeitos da pandemia de Covid é impulsionada pela suspensão de medidas de distanciamento social e pela forte demanda interna após o PIB (Produto Interno Bruto) ter crescido 1,5% no segundo trimestre.

No Reino Unido, dados divulgados pelo Escritório para Estatísticas Nacionais indicam queda de 2,5% nas vendas no varejo em julho em relação ao mês anterior, quando a escassez global de chips e o clima chuvoso impactaram o comportamento dos consumidores britânicos.

Covid, CPI e política

Na quinta (19), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 821, queda de 9 em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.030 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.895, o que representa queda de 9% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.793 casos.

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Chegou a 120.228.060 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,78% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 53.437.018 pessoas, ou 25,24% da população.

Na quinta, falou à CPI da Covid no Senado o dono da farmacêutica Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. Ele limitou-se a responder à CPI da que conhece o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), recusando-se a responder às demais perguntas do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL) amparado em habeas corpus concedido pela ministro Rosa Weber, do STF.

Maximiano disse que seria apenas fiador de um imóvel usado por um amigo de Barros, apesar de aparecer como locatário.

Maximiano evitou perguntas sobre as negociações suspeitas para compra da vacina contra Covid-19 Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, que tinha como representante no Brasil a Precisa. Mas responsabilizou uma empresa localizada nos Emirados Árabes Unidos por falsificar documentos entregues ao Ministério da Saúde.

As denúncias de irregularidades envolvendo as tratativas para compra da Covaxin foram feitas pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde.

Após as denúncias, o Ministério da Saúde cancelou o contrato para compra da Covaxin e a Bharat Biotech encerrou o relacionamento com a Precisa.

Barros tornou-se na quarta-feira formalmente investigado pela CPI da Covid. De acordo com depoimento de Luís Miranda à CPI, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) citou o envolvimento do líder do governo nas supostas irregularidades envolvendo a Covaxin. Bolsonaro não desmentiu o relato de Miranda, e Barros nega quaisquer irregularidades.

Na quinta, a CPI da Covid aprovou novo pedido de quebra de sigilo fiscal de Barros. O colegiado vai requerer os dados à Receita Federal e informações sobre investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU). A CPI também deu aval ao requerimento de quebra de sigilo fiscal do advogado Frederick Wassef, que defende o presidente Bolsonaro e sua família.

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Além disso, nesta semana o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Felipe Salomão, ordenou a plataformas de mídias sociais que suspendam o pagamento por publicidade veiculada de 11 páginas acusadas de publicar notícias falsas e ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Todas elas eram de apoiadores radicais de Bolsonaro e, em vários casos, se sustentam apenas com a chamada monetização.

Segundo reportagem de capa publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta, a suspensão da monetização dos canais bolsonaristas deve congelar valores milionários. Somente no YouTube, os 14 canais atingidos podem gerar até US$ 2,9 milhões (cerca de R$ 15 milhões), de acordo com estimativa da ferramenta Social Blade, que produz estatísticas sobre as redes sociais. O ganho exato dos youtubers foi solicitado às empresas de redes sociais, que têm 20 dias para responder.

Ao participar de evento no Mato Grosso na quinta, o presidente Jair Bolsonaro usou o caso para defender o que chamou de liberdade de imprensa. Ele chamou a suspensão da monetização de “cerceamento de mídias sociais” e “ditadura branca”.

Bolsonaro também afirmou que não cometerá uma ruptura institucional porque sabe das consequências, mas reclamou que o “provocam o tempo todo” e que o país está sendo “sufocado” por uma minoria.

“Da minha parte não haverá ruptura. Sei das consequências internas e externas de uma ruptura. Mas provocam-nos o tempo todo. Não é justo prender quem quer que seja sem o devido processo legal. Não é justo o TSE agora desmonetizar páginas que falam que o voto impresso é necessário, ou que desconfiam do voto eletrônico”, disse o presidente.

Reforma do IR e fundo eleitoral

O jornal O Estado de S. Paulo aponta que, na tentativa de driblar os obstáculos ao avanço da proposta que muda o Imposto de Renda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve se reunir na semana que vem com deputados da oposição na Câmara em busca de um denominador comum que resulte em maior apoio à iniciativa.

Mesmo com esse gesto, porém, as concessões recentes em nome de mais votos acenderam o alerta na equipe econômica, que pode abandonar de vez o projeto caso fique claro que ele será desfavorável para as contas do País.

Integrantes da equipe econômica já têm hoje a avaliação de que a reforma do IR “não se paga” e que as disputas em torno do projeto são até positivas por adiar ainda mais a votação, deixando tudo como está. Apesar do ceticismo dessa ala da equipe, o ministro da Economia tentará buscar na oposição uma “tábua de salvação” para a proposta.

Em live na véspera, o presidente Jair Bolsonaro disse que deve decidir hoje o futuro do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões. A expectativa é que ele vete o fundo e o negocie dentro do orçamento, com um valor esperado entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Líderes no Congresso pressionam para aumentar esse valor para R$ 4 bilhões, segundo apurado pela Folha de S. Paulo.

Já a AGU pediu ao STF a suspensão da decisão que determinou o pagamento de R$ 8,7 bilhões ao Fundef da Bahia e deve fazer o mesmo com a dívida com Pernambuco, Ceará e Amazonas. Com estes estados, o alívio seria de R$ 15,6 bilhões no caixa de 2022.

Ainda em destaque, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), agendou para a próxima terça a sabatina do procurador-geral da República, Augusto Aras, que poderá levar à sua recondução ao cargo. Mas não marcou sabatina para o ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União André Mendonça, que continua na fila de espera apesar de sua indicação ao STF ter chegado ao Senado nove dias antes da formalização do caso de Aras.

5. Radar corporativo

O noticiário corporativo tem como destaque notícias sobre Gerdau, Renner, JBS e BRF. Confira abaixo:

Gerdau (GGBR4)

O Conselho de Administração da Gerdau aprovou a reorganização de subsidiárias no México, informou a companhia em comunicado ao mercado.

Lojas Renner (LREN3)

No final da tarde da véspera, a varejista Lojas Renner informou que sofreu um ataque cibernético em seu ambiente de tecnologia na quinta-feira, que provocou indisponibilidade em parte de seus sistemas. Em comunicado, a companhia afirmou ter atuado para mitigar os efeitos do ataque e que a maior parte das operações já foram restabelecidas, com os principais bancos de dados preservados. Além disso, a Lojas Renner afirmou que suas lojas físicas não tiveram as atividades interrompidas.

JBS (JBSS3)

A Pilgrim’s Pride, controlada da JBS nos Estados Unidos, informou que precificou uma oferta de US$ 900 milhões em notas sênior não garantidas com vencimento em 2032. 

De acordo com comunicado da empresa, os títulos serão emitidos a 100% do valor principal agregado e terão rendimento de 3,5%. Devido à demanda significativa, o montante da emissão foi elevado de US$ 750 milhões iniciais. A venda das notas deve ser concluída em 2 de setembro.

BRF (BRFS3)

O Conselho de Administração da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil, aprovou uma Política de Compra Sustentável de Grãos, conforme ata de reunião do colegiado divulgada na quinta-feira. A aprovação atende o plano Visão 2030 da BRF e o compromisso de rastreabilidade assumido pela empresa em dezembro de 2020, segundo a ata, que não trouxe mais detalhes.

Vibra Energia (BRDT3)

A BR Distribuidora  passa a se chamar Vibra Energia, mas manterá a atual identidade visual e o símbolo BR em sua rede de 8,3 mil postos de combustíveis em todo o Brasil, além de manter outras marcas de produtos e serviços, conforme comunicado enviado pela empresa ao mercado nesta quinta-feira. O movimento ocorre após a Petrobras (PETR3;PETR4) ter vendido sua fatia remanescente na maior distribuidora de combustíveis do país, no fim de junho. Veja mais clicando aqui. 

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

Na quinta-feira, o empresário Nelson Tanure afirmou que fundos com os quais tem ligações compraram cerca de 26% da empresa de diagnósticos médicos Alliar. Isso complica uma proposta de compra pela rede de hospitais Rede D’Or. Tanure diz que não tem planos de mudar a gestão da Alliar.

CVC (CVCB3)

A CVC  teve seu rating elevado de brB para brBB pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

IPOs

A provedora de serviços de internet Vero pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO), ilustrando a movimentação de empresas do setor para buscar recursos no mercado para ganhar musculatura antes do leilão do 5G. Criada em 2019 com a união de oito empresas do interior de Minas Gerais, a empresa se expandiu para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e afirma ter atualmente cerca de 500 mil clientes, com 18,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ata do Fed deve detalhar debate sobre redução de estímulo e temores inflacionários

WASHINGTON (Reuters) – A divulgação da ata da última reunião do banco central dos Estados Unidos, nesta quarta-feira, deve oferecer mais detalhes em relação ao debate em andamento no Federal Reserve sobre quando encerrar os programas emergenciais da pandemia e sinalizar o nível de preocupação entre as autoridades sobre a inflação mais alta do que o esperado.

O documento, que será divulgado às 15h (horário de Brasília), é referente ao encontro realizado nos dias 27 e 28 de julho, sessão em que o Fed disse que ainda tinha fé na recuperação econômica dos EUA, mesmo com a variante Delta do coronavírus gerando um salto no número de casos de Covid-19.

Na ocasião, as autoridades também continuaram discutindo planos para o eventual encerramento de suas compras mensais de títulos, atualmente no valor de 120 bilhões de dólares mensais.

Desde então, a crise sanitária se intensificou. Mas o crescimento do emprego permaneceu forte até julho, a recuperação doméstica dos EUA parece amplamente nos trilhos e a inflação segue bem acima da meta de 2% do Fed — tanto que algumas autoridades têm pressionado por um fim rápido dos programas de emergência, argumentando que eles já não têm mais utilidade.

Analistas esperam que o Fed anuncie seu plano para uma redução gradual das compras de títulos já na reunião de 21 e 22 de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), mas têm menos certeza sobre a rapidez, na prática, da redução das compras mensais.

O chair do Fed, Jerome Powell, também pode fornecer informações em comentários à conferência do Fed em Jackson Hole, Wyoming, já na próxima semana.

Uma “recuperação econômica excepcionalmente desigual levou a uma divisão dentro do (Fomc)”, entre aqueles que acham que as compras devem começar a ser reduzidas logo e encerradas rapidamente e aqueles que acham que o Fed deve ser paciente até que o mercado de trabalho se recupere plenamente, escreveu Kathy Bostjancic, economista-chefe para os EUA da Oxford Economics.

O Fed, em sua última reunião, reconheceu que houve progresso na recuperação dos postos de trabalho perdidos durante a pandemia. A ata pode esclarecer quanto mais avanço deve haver até que as condições que o Fed estabeleceu para reduzir sua compra de títulos sejam atendidas, e se mais um mês ou dois de fortes ganhos de emprego seriam suficientes.

A ata também podem trazer os estágios iniciais de uma discussão sobre outra decisão importante do Fed: quando aumentar a taxa de juros.

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Embora isso seja improvável no curto prazo, várias autoridades do Fed observaram desde a reunião de julho que um dos principais requisitos para aumento de juros já está prestes a ser cumprido, com algumas medidas de inflação se aproximando de uma média plurianual na meta de 2% do Fed, e provavelmente devem permanecer lá.

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Biden pode liberar doses de reforço contra a Covid-19 já em setembro

Joe Biden Joe Biden (Foto: Win McNamee/Getty Images)

(Bloomberg) – O governo dos Estados Unidos planeja oferecer vacinas de reforço contra a Covid-19 já no próximo mês, diante da nova onda de casos no país provocada pela variante delta.

Autoridades do governo Biden finalizam um plano que deverá recomendar vacinas de reforço oito meses depois da aplicação da segunda dose, segundo duas pessoas a par das deliberações que falaram sob anonimato.

O plano ainda não foi finalizado, mas a medida poderia ser anunciada ainda esta semana, disseram.

Se adotado, o plano para as doses de reforço poderia começar já em setembro. A proposta estaria sujeita à autorização da FDA, agência que regula fármacos e alimentos nos EUA, disseram as pessoas.

O plano também diminuiria o ritmo de doações de imunizantes dos EUA a outros países, que até este mês eram feitas com doses excedentes, mas que agora podem ser retidas para servir de reforço. Quase 170 milhões de americanos foram vacinados e, portanto, podem ser elegíveis para doses de reforço nos próximos meses.

As doses de reforço obrigariam Biden a estimular uma campanha de vacinação em declínio, com menos pessoas dispostas a se vacinar.

Leia também:
Covid-19: Brasil avalia aplicar dose de reforço a público específico

O número de casos caiu em todo o país até o fim do segundo trimestre, mas as infecções voltaram a subir com a chegada da variante delta do coronavírus, que se espalhou principalmente entre os não vacinados.

O aumento de casos chegou a estimular um aumento relativamente pequeno das vacinações, com uma média de cerca de 770 mil doses diárias frente a uma média de 500 mil no mês passado.

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O avanço da Covid-19 é mais um ponto do choque de realidade no verão de Biden, que voltou de Camp David na segunda-feira para um pronunciamento sobre o colapso de Cabul e as pressões no Afeganistão.

O desafio duplo ameaça consumir a agenda do presidente dos EUA, enquanto tenta reabrir o país e encaminhar dois projetos de lei importantes para o Congresso.

Autoridades do governo Biden há muito tempo dizem que havia a possibilidade de doses de reforço, mas estas até agora só foram autorizadas para pessoas imunocomprometidas.

Rochelle Walensky, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, disse na semana passada que americanos não deveriam tentar tomar doses de reforço até que fossem elegíveis.

O governo Biden ofereceria uma terceira dose da vacina da Pfizer ou da Moderna, dependendo do imunizante recebido anteriormente, disseram as pessoas. O plano foi divulgado anteriormente pelo New York Times. A grande maioria das pessoas nos EUA foi vacinada com doses da Pfizer ou da Moderna.

As doses de reforço começarão com grupos de alto risco, como trabalhadores da linha de frente e idosos, que foram vacinados primeiro e, portanto, atingiriam a marca de 8 meses mais cedo, disse uma pessoa.

Biden pediu elegibilidade total para todos os adultos até 19 de abril, embora alguns estados tenham antecipado a campanha. Para os que foram vacinados quando toda a população adulta já era elegível, a dose de reforço só seria aplicada em janeiro.

Não está claro qual vacina seria aplicada aos que receberam o imunizante de dose única da Johnson & Johnson; essa vacina só foi autorizada em fevereiro, por isso, se o prazo de oito meses for mantido, essas pessoas não seriam elegíveis para doses de reforço até o fim de outubro, no mínimo.

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O governo está aguardando dados para decidir como proceder no caso da J&J, disseram as pessoas.

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Ouro cai a menor patamar desde abril em meio a apostas de retirada de estímulos pelo Fed

Gold bars and stock market (Petrovich9/Getty Images)

SÃO PAULO – Em meio às apostas de que o Federal Reserve (o banco central americano) possa reduzir seu amplo estímulo monetário, a cotação do ouro à vista apresentou uma queda acentuada no início do pregão dos mercados asiáticos nesta segunda-feira (9).

Nesta data, o ouro chegou a passar por um “flash crash”, em que a retirada de ordens amplia rapidamente as quedas de preços dos ativos.

Depois de cair mais de 4% em poucos minutos, sendo negociado abaixo dos US$ 1,7 mil (mais precisamente, a US$ 1.689) a onça-troy (uma onça troy equivale a cerca de 31 gramas), o metal precioso se recupera, mas segue pressionado, apresentando o menor patamar desde abril deste ano, quando caiu a US$ 1.736.

Por volta das 10h40, o ouro spot (à vista) era negociado a US$ 1.743, uma queda da ordem de 1% em relação ao valor de sexta-feira (6).

Em quedas consecutivas desde 29 de julho, o ouro já cai quase 4% em agosto e tem baixa acumulada da ordem de 8% no ano até esta segunda.

O movimento acontece em meio à retomada da economia pós-Covid, sinalizando uma possível retirada de estímulos por parte do Fed e aumento das taxas de juros em 2022 e 2023.

Na sexta (6), os dados de desemprego nos Estados Unidos melhor do que o esperado contribuíram para uma maior queda do metal na Bolsa.

A sinalização é negativa para o ouro, uma vez que ele possui forte correlação com a taxa de juros real.

Porém, investidores também atribuem o movimento à liquidação forçada de alguns fundos.

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Marcopolo dá férias coletivas em unidades industriais em meio à falta de componentes eletrônicos

Marcopolo BioSafe (Divulgação)

SÃO PAULO – A Marcopolo (POMO4) informou nesta sexta-feira (6) que, em função da falta de determinados componentes eletrônicos associados ao seu processo produtivo, vai conceder férias coletivas em suas unidades industriais do Brasil.

Com duração de 20 dias na planta San Marino e 30 dias nas plantas de Ana Rech e São Mateus, as férias coletivas começam a partir de 23 de agosto.

De acordo com o Bradesco BBI, a notícia é negativa para a Marcopolo, já que a paralisação da produção em agosto deve ter forte impacto nos volumes do terceiro trimestre, que já devem ser impactados negativamente pelo fim das entregas do programa social “Caminho da Escola”.

A situação de falta de componentes não é exclusiva da Marcopolo. O setor automobilístico brasileiro tem enfrentado dificuldades em conseguir semicondutores para os veículos, levando ao fechamento de fábricas da Volkswagen e da General Motors, por exemplo.

Por causa da escassez de itens eletrônicos, em sistemas de segurança, aceleração, freios e iluminação, entre outros, a indústria global de veículos deve deixar de produzir entre 2,5 milhões e 4 milhões de veículos este ano. Antes, a previsão para o total da produção era de 84 milhões de unidades.

De acordo com estudo da KPMG, a indústria automobilística global terá prejuízo de US$ 100 bilhões em 2021 por conta das paradas de produção. O valor equivale a 80% da perda total de US$ 125 bilhões projetada para os principais setores que usam chips nos produtos

Liderança no programa Caminho da Escola

Em junho, analistas do mercado já se preocupavam com os impactos da pandemia no setor automobilístico.

Tanto que o anúncio da Marcopolo de que conquistou o direito de fornecer até 3,9 mil ônibus para a nova rodada do programa Caminho da Escola, do governo federal, não foi suficiente para reforçar o call positivo para os papéis da companhia.

Apesar de o anúncio ter sido bem recebido pelos investidores, com alta de quase 10% na Bolsa após a notícia, analistas do mercado reforçaram uma posição cautelosa com a empresa.

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A avaliação do Itaú BBA e do Bradesco BBI, na época, era de que, por mais que a notícia implicasse perspectivas promissoras, os números de curto prazo ainda deveriam continuar sendo pressionados pelos setores de mobilidade e turismo (que afetam indiretamente a produção de carrocerias de ônibus), bem como custos e despesas de reestruturação.

Resultados do 2º tri decepcionam

No segundo trimestre de 2021, a Marcopolo somou lucro de R$ 203,3 milhões, alta de 3.663% na comparação anual.

O dado, contudo, não animou o mercado financeiro, levando as ações a caírem 6,05% na B3 no dia da divulgação do balanço, a R$ 2,95.

Isso porque o salto do lucro ocorreu em boa parte por conta do resultado financeiro, motivado pelos créditos por conta da exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, enquanto dados operacionais vieram, mais uma vez, fracos.

Em relatório, o Itaú BBA apontou que a segunda onda da Covid-19 impediu uma recuperação mais forte na venda de carrocerias de ônibus no segundo trimestre, tanto no Brasil quanto no exterior. No mercado nacional, as vendas de modelos voltados para fretamento foram dominantes no segmento de intermunicipais, resultando em um mix pior.

Já a margem bruta ficou pressionada devido à demanda internacional fraca e ao cenário menos favorável de câmbio. Leia mais aqui.

A despeito dos resultados operacionais considerados fracos, a Marcopolo se mostrou confiante de que a demanda será retomada entre o fim do terceiro trimestre e o início do quarto trimestre deste ano.

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Ibovespa sobe recuperando parte das perdas da sexta graças a exterior positivo; dólar cai a R$ 5,14

mercado bolsa índices alta ações gráfico analista trader (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta segunda-feira (2) seguindo o exterior enquanto os investidores se preocupam cada vez menos com a variante delta do coronavírus, uma vez que a vacinação avança globalmente. Continua também a repercussão de resultados corporativos e a expectativa por decisões de juros, já que o Comitê de Política Monetária (Copom), decide a nova taxa Selic na quarta-feira (4).

No Brasil, o cenário político pode voltar a trazer ruídos conforme o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores sobem o tom para a adoção do voto impresso em 2022 por conta de suposta “fraude” nas eleições. No domingo, manifestantes pró-Bolsonaro foram às ruas e ouviram do presidente que “sem eleições limpas e democráticas não haverá eleição”.

Vale lembrar que o Congresso volta do recesso esta semana, assim como a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que deve continuar a pressionar o governo. O Supremo Tribunal Federal (STF), também retoma as sessões plenárias, com promessa do presidente Luiz Fux de responder às ameaças de Bolsonaro às eleições.

Também na política, na última sexta-feira (30) o benchmark da Bolsa brasileira caiu 3% em meio a preocupações com o ambiente fiscal depois de notícias apontarem que o governo estuda deixar o aumento do benefício do Bolsa Família de fora da regra do teto de gastos. Bolsonaro falou que o país poderia se endividar para pagar o programa social.

Já no radar corporativo, a temporada de balanços continua, com a divulgação dos dados de Itaú, Cielo, entre outras empresas após o fechamento do mercado.

Às 10h12 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha alta de 1,23%, a 123.298 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 1,25% a R$ 5,144 na compra e a R$ 5,145 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra perdas de 1,28% a R$ 5,166.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai dois pontos-base a 6,29%, DI para janeiro de 2023 tem queda de nove pontos-base a 7,76%, DI para janeiro de 2025 recua cinco pontos-base a 8,65% e DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de sete pontos-base a 8,97%.

Voltando ao exterior, até o momento, 59% das empresas que compõem o S&P informaram o desempenho no segundo trimestre, dentre as quais 88% superaram o o consenso do mercado, segundo dados compilados pelo FacSet.

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Entre as empresas que devem informar seus resultados nesta semana estão Lyft, Uber e General Motors.

As bolsas asiáticas também tiveram altas, após uma semana turbulenta. Na segunda, a fabricante chinesa de carros elétricos Xpeng anunciou alta recorde de entregas de veículos em julho, o que contribuiu para que suas ações listadas em Hong Kong tivessem um salto de 10,66%.

Na segunda foi divulgado o índice do gerente de compras (PMI na sigla em inglês) Caixin/Markit relativo a julho na China, que marcou 50,3 pontos, abaixo da expectativa de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters, de 51,1 pontos. Em junho o indicador havia marcado 51,3 pontos. Qualquer valor acima de 50 indica expansão; abaixo, retração.

Já no domingo, o lobby de fabricantes de carros CCFA-PFA afirmou que a escassez global de semicondutores e o avanço de novas infecções de Covid vêm prejudicando a perspectiva de recuperação do mercado automobilístico da França.

Também foi divulgado o PMI industrial da Zona do Euro, relativo a julho, que marcou 62,8 pontos, acima da expectativa de 62,6 pontos.

Relatório Focus

Os economistas do mercado financeiro elevaram novamente suas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2021, revelou o Relatório Focus do Banco Central. De uma expansão de 5,29%, agora espera-se um avanço de 5,30%. Para 2022, as expectativas se mantiveram em crescimento de 2,1%.

Já em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) as projeções foram elevadas fortemente de 6,56% para 6,79% em 2021. Para 2022, as expectativas oscilaram de 3,8% para 3,81%.

Para a taxa de câmbio também houve oscilação positiva nas previsões, que saíram de R$ 5,09 para R$ 5,10 o dólar ao final de 2021. Para 2022 as estimativas se mantiveram em R$ 5,20.

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As projeções para a taxa básica de juros, Selic, por sua vez, não se alteraram nem para 2021 e nem para 2022. Os economistas esperam que os juros encerrem tanto este ano quanto o próximo em 7,00% ao ano.

Covid e CPI

No domingo (1º), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 984, queda de 20% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 449 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 35.645, o que representa queda de 12% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 20.554 casos.

Chegou a 100.871.923 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 47,64% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 41.486.498 pessoas, ou 19,59% da população.

No domingo, o comércio passou a operar no estado de São Paulo até meia-noite, com capacidade ocupada em até 80%. Antes da flexibilização implementada pelo governo, o horário limite era 23h, e a ocupação máxima da capacidade era de 60%.

Após o recesso, a CPI da Covid voltará a funcionar no Senado nesta semana. A fase anterior da CPI ocorreu entre abril e julho, e levantou suspeitas de irregularidades e corrupção nas negociações do governo federal por vacinas.

Entre os pontos que devem ser aprofundados na nova fase da CPI estão: o acordo de venda ao Ministério da Saúde com intermédio da Precisa Medicamentos da vacina Covaxin, produzida pela indiana Bharat Biotech; negociações paralelas de imunizantes; o financiamento de fake news sobre questões ligadas à pandemia de Covid.

Em entrevista à GloboNews no domingo, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que na terça deverá falar o reverendo Amilton Gomes de Paula, que está à frente da Senah (Secretaria de Assuntos Humanitários). Apesar do nome, a Senah não é um órgão público, mas uma ONG, apontada como ponte entre o governo federal e a Davati, empresa representada pelo cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti, que prometia ao Ministério da Saúde 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca.

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Na quarta-feira, deverá ser ouvido o coronel Marcelo Blanco, que foi vinculado ao departamento de logística do Ministério da Saúde durante a gestão de Roberto Dias, e é apontado como um dos participantes das reuniões de negociação com a Davati, inclusive aquela em que Dominguetti acusa Dias de ter cobrado propina pela compra de vacinas. E na quinta-feira deverá ser ouvido o empresário Airton Cascavel, que foi assessor da gestão do general Eduardo Pazuello e, segundo senadores, é implicado em documentos em negociações do Ministério da Saúde.

Gastos federais, Bolsa Família, eleições e investigação sobre Bolsonaro

Na sexta, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo não descumprirá a regra do teto de gastos por causa do Bolsa Família, cujo valor será reajustado segundo anúncio já feito pelo presidente Jair Bolsonaro. Na semana passada, o presidente anunciou que o valor médio do Bolsa Família será reajustado para acima de R$ 300, dos atuais R$ 192.

“Os senhores podem ter certeza que não furaríamos o teto por causa do Bolsa Família, não é nada disso, isso tudo está sendo programado com muita responsabilidade”, disse Guedes a jornalistas após participar de evento no Rio de Janeiro.

Ele destacou, no entanto, que sua equipe tem verificado desde o ano passado o aumento atípico de uma outra despesa pública que poderá demandar uma reação por parte do governo. “Estamos ainda processando algumas informações que estão chegando”, disse Guedes a jornalistas, sem dar detalhes. “Às vezes despesas de outros poderes nos atingem e aí temos que fazer um plano de combate imediato.”

Como exemplo de uma decisão de outro poder que pode afetar as contas públicas, Guedes citou decisão recente do Supremo Tribunal sobre a abrangência de entendimento anterior sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS–Cofins.

Segundo reportagem de capa publicada nesta segunda-feira pelo jornal O Globo, o governo identificou que derrotas judiciais podem queimar boa parte dos recursos previstos para custear a nova versão do Bolsa Família.

Assim, o governo finalizou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevendo o parcelamento em nove anos de dívidas da União reconhecidas pela Justiça (os chamados precatórios). A mudança pode abrir espaço para gastos adicionais de R$ 40 bilhões em 2022, ano eleitoral.

De acordo com o jornal, a maior parte dos recursos seria utilizada para bancar o novo Bolsa Família, que amplia o benefício do valor de R$ 192 para R$ 300, e de 14 milhões para 17 milhões de beneficiários. No próximo ano, o custo total do programa, que deverá ser vitrine do governo Bolsonaro nas próximas eleições, deverá ser de R$ 56 bilhões.

Ainda de acordo com o jornal, o projeto vem sendo discutido há duas semanas pelo Ministério da Economia e pelo Planalto, e deverá ser apresentado na tarde desta segunda aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), pelos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI).

Na sexta, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que o governo também pode prorrogar o auxílio emergencial pago a pessoas vulneráveis e trabalhadores informais se a pandemia de Covid-19 persistir em 2022.

“A gente espera que, com o término da vacina, com a questão da pandemia sendo dissipada, não seja mais preciso isso. Mas, se porventura continuar, nós manteremos aí o auxílio emergencial”, disse o presidente em entrevista à Rádio 89 FM, de São Paulo, quando questionado sobre a possível manutenção do auxílio no ano que vem. O valor pago atualmente varia de R$ 150 a R$ 375 por pessoa.

Além disso, no domingo o presidente voltou a contestar a confiabilidade do atual sistema de votação no país, defender a adoção do voto impresso para as urnas eletrônica e ameaçar a realização das eleições de 2022. As declarações foram feitas durante manifestações em capitais brasileiras como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo em defesa de alterações da forma de votação.

Novamente, o presidente não apresentou provas das supostas irregularidades. Bolsonaro não compareceu pessoalmente às manifestações, mas participou remotamente de algumas delas.

Sem se referir nominalmente ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, contrário à mudança, Bolsonaro avisou que não haverá pleito se não houver eleições limpas e disse que é “mentiroso” quem diz que o atual sistema é seguro e auditável.

“Vocês estão aí, além de clamar pela garantia da nossa liberdade, buscando uma maneira que tenhamos eleições limpas e democráticas no ano que vem. Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição”, disse ele, no vídeo reproduzido da manifestação em frente ao Congresso Nacional, em Brasília.

​​Não é a primeira vez que Bolsonaro coloca em dúvida a realização das eleições marcadas para o ano que vem, apesar de os presidentes do Senado e Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o próprio vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, já terem afirmado que não há risco de o pleito não ser realizado.

Em um debate realizado pelo Conjur TV na sexta, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, afirmou que a proposta defendida por Bolsonaro tem chances mínimas de avançar na Casa. No mesmo debate, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, afirmou:

“Me parece que aqui nós temos talvez uma falsa questão. Me parece que essa ideia de que sem voto impresso não podemos ter eleição, ou não vamos ter eleições confiáveis, na verdade esconde talvez algum tipo de intenção subjacente, uma intenção que não é boa”. “Vamos parar de conversa fiada. A urna eletrônica é auditável. Isso sempre foi aberto e é transparente. Temos que melhorar o controle de recursos e abuso de poder. Nada tem a ver com este processo”, reforçou o ministro do STF.

Além disso, também na sexta o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal retome a investigação sobre se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir no comando da corporação, mesmo sem uma definição a respeito do formato do depoimento do chefe do Executivo no caso, se presencial ou por escrito.

No despacho, Moraes destacou que o inquérito, prorrogado na semana passada por mais três meses, tem outras diligências pendentes a serem cumpridas e não deve ficar paralisado. Citou também que no final de setembro a análise sobre o depoimento do presidente será retomado em plenário.

A pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, o inquérito foi aberto no final de abril de 2020 pelo ministro Celso de Mello, então relator do caso no Supremo tendo como base declarações do ex-juiz Sergio Moro quando deixava o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.

Essa foi a primeira investigação contra Bolsonaro no exercício do mandato. Recentemente o presidente virou alvo de um segundo inquérito no STF, por possível prevaricação ao supostamente não apurar suspeitas de irregularidades no contrato da vacina indiana Covaxin contra Covid-19.

Radar corporativo

A temporada de resultados segue em destaque. Na sexta-feira, a Alpargatas, dona da marca Havaianas, divulgou ter registrado no segundo trimestre de 2021 lucro líquido recorrente de R$ 111,4 milhões, um salto de 228,7% ante o segundo trimestre de 2020. Já a Irani Papel e Embalagem registrou lucro líquido de R$ 68 milhões no segundo trimestre, avanço de 342% na comparação com o mesmo período de 2020. Antes da abertura, o BB Seguridade divulgou que seu lucro atingiu R$ 754 milhões no segundo trimestre de 2021.

Depois do fechamento, Itaú, Cielo, Copasa, Pague Menos, Marcopolo e PetroRio revelam seus balanços trimestrais.

As cimenteiras brasileiras CSN Cimentos, subsidiária da Cia Siderúrgica Nacional, Cimentos Mizu and Cimento Apodi, na qual a Titan Cement International tem uma participação, estão entre os interessados nos ativos da LafargeHolcim, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela agência internacional de notícias Reuters. As maiores cimenteiras brasileiras, Votorantim Cimentos SA e Intercement Brasil SA, também apresentaram ofertas, mas apenas por partes do negócio que tem permissão para adquirir por questões concorrenciais. A Votorantim apresentou oferta por unidades no Nordeste e a Intercement, por unidades no Rio, Espírito Santo e Minas Gerais, segundo as fontes.

Em entrevista veiculada no Programa do Ratinho, na SBT, na noite de sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Petrobras tem uma reserva de R$ 3 bilhões para custear as despesas com o pagamento de um vale-gás para a população de baixa renda, no momento em que o governo tem sido alvo de críticas em razão do elevado preço do produto. “O novo presidente da Petrobras, o general (Joaquim) Silva e Luna, está com uma reserva de aproximadamente R$ 3 bilhões para atender realmente esses mais necessitados”. O presidente não deu qualquer detalhe sobre como seria o critério para os beneficiários do repasse ou sobre a reserva que a Petrobras teria para esse objetivo.

Já a Petrobras informou que “não há definição” quanto à implementação e o montante de participação em eventuais programas e que qualquer decisão estará “sujeita à governança de aprovação e em conformidade com as políticas internas da companhia”.

A elétrica Cemig informou na sexta-feira que o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) indeferiu um pedido de liminar que pleiteava a suspensão do processo de desinvestimento da companhia na transmissora de energia Taesa. Segundo fato relevante divulgado pela companhia mineira, o tribunal também revogou uma recomendação anterior para que a Cemig se abstivesse de realizar qualquer ato relacionado à alienação das ações da Taesa.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ambev superará principal desafio? Analistas se dividem após pressão de custos impactar de novo a companhia no 2º tri

SÃO PAULO – A Ambev (ABEV3) reportou na manhã desta quinta-feira (29) seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2021.

Os resultados, a princípio, se apresentaram como bastante sólidos, com a companhia mais que dobrando o seu lucro, chegando perto dos R$ 3 bilhões.

Apesar disso, e embora tenha apresentado um forte volume de vendas no período, tanto no mercado doméstico quanto internacional, o grande desafio para a companhia permanece o da pressão de custos, que teve aumento da ordem de 20% no período, com preços altos para a maioria das matérias-primas e real desvalorizado frente ao dólar, levando o custo por hectolitro a subir mais rápido do que os preços médios.

Por conta disso, após os resultados, os papéis da cervejaria registram queda na sessão desta quinta-feira (29), chegando a ter baixa de 4,62% na mínima do dia. Às 12h20 (horário de Brasília), a baixa era de 2,77%, a R$ 16,85.

Olhando para frente, os analistas de mercado seguem divididos. Enquanto alguns seguem otimistas com a tese, de olho em melhorias no futuro e estratégias de inovação da companhia, apesar dos custos mais elevados, há quem defenda que o cenário é desafiador e que as despesas devem pesar ainda mais no próximo ano.

Em relatório, o Itaú BBA escreve que a expectativa é de que a pressão de custos continue nos próximos trimestres, mas em um ritmo de crescimento mais lento na base anual de comparação.

“Esperamos que essa tendência diminua no restante de 2021, mas o cenário de pressão de custos deve continuar a gerar alguns obstáculos para a recuperação da lucratividade da Ambev”, escreve o time de análise.

Segundo o banco, apesar de esperar uma reação negativa do mercado ao balanço, o Itaú já tinha rebaixado os papéis para recomendação de market perform (em linha com o mercado) após o balanço do primeiro trimestre e, com isso, já estava esperando resultados menos animadores.

Um ponto a ser destacado, de acordo com os analistas, é que as despesas com vendas, gerais e administrativas aumentaram devido aos investimentos em novas iniciativas (como Zé Delivery e BEES).

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“Se essas iniciativas derem frutos no médio e longo prazo, será uma parte fundamental da tese de investimento, e vamos monitorar isso de perto”, conclui o Itaú BBA.

Copo meio cheio

Na avaliação do Bradesco BBI, a pressão de custos que a Ambev está enfrentando com as matérias-primas será positivo para os resultados no futuro, uma vez que está permitindo que a empresa aumente os preços – que historicamente se fixam ou continuam a aumentar mesmo quando os custos caem –, impulsionando os ganhos futuros.

“Esperamos que os preços das commodities agrícolas caiam 21% em 2022 e mais 7% em 2023, após um aumento esperado de 17% para 2021”, escrevem os analistas, em relatório.

Neste cenário, o banco diz ver a relação preço sobre lucro (P/E) da Ambev em 20 vezes para 2022, abaixo da média histórica, de 23 vezes, caindo para um múltiplo atrativo de 17 vezes em 2023, dado o alívio dos custos de insumos.

O Bradesco BBI manteve sua recomendação outperform (acima da média do mercado), com preço-alvo estimado de R$ 21.

Para o Credit Suisse, apesar dos ventos contrários da pressão de custos e um ambiente de consumo ainda incerto no Brasil, a Ambev continua a se mostrar bem posicionada para navegar em meio a turbulências, superar o desempenho da indústria (como tem sido o caso) e gerar caixa.

O banco manteve sua recomendação outperform com preço-alvo estimado de R$ 21,50.

Inovação como destaque

Apesar da pressão de custos, a XP diz acreditar que a companhia continua a superar seus pares diante de iniciativas de inovação (BEES, Zé Delivery, Donus), capilaridade comercial, base de clientes atomizada e processo contínuo de desenvolvimento de portfólio, especialmente no core-plus.

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Em relatório, os analistas escrevem que a inovação tem desempenhado um papel cada vez mais importante à medida que a plataforma BEES aumenta sua presença e já é utilizada por mais de 70% dos clientes ativos no Brasil, enquanto o aplicativo Zé Delivery entregou 15 milhões de pedidos no trimestre e a Donus atingiu 80 mil clientes.

“São inúmeros os desafios de curto prazo, mas seguimos otimistas com a AmBev uma vez que a empresa tem conseguido mudar seu DNA e construir novas avenidas de crescimento futuro, apesar de passar por uma das piores crises já registradas”, escrevem os analistas da XP.

A casa reiterou sua recomendação de compra para os papéis da Ambev, com preço-alvo de R$ 20 para o fim de 2022.

Mas nem todos estão otimistas…

Em relatório divulgado nesta quinta, o Morgan Stanley escreve que apesar de boa parte do mercado financeiro ter dado destaque para a receita da Ambev no segundo trimestre, que veio forte, a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) decepcionou e prejudicou o resultado no período.

A margem Ebitda recorrente ficou em 14,8% no trimestre, abaixo do dado já deprimido de 17,8% um ano antes e da expectativa do Morgan Stanley, de 17,7%.

O banco americano manteve sua recomendação underweight (abaixo da média do mercado) diante de um cenário ainda desafiador para a companhia, de redução da demanda por cerveja no Brasil, maior capacidade de concorrentes e investidores voltando suas atenções para os custos da empresa em 2022.

Na avaliação dos analistas, ainda que a companhia tenha sido transparente e abordado a questão dos custos do segundo trimestre nas conversas com investidores, o Morgan permanece cauteloso com relação às despesas esperadas para o próximo ano. O preço-alvo para os ativos é de R$ 13,80, o que representa uma queda de 20% em relação ao fechamento da véspera.

Assim, analistas de mercado, no geral, seguem divididos com a tese de investimentos na companhia. De quatorze casas que cobrem o papel, quatro têm recomendação de compra para os ativos, sete de manutenção e três de venda. O preço-alvo médio é de R$ 17,32, o que corresponde a uma quase estabilidade em relação ao fechamento da véspera, de R$ 17,33.

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Pfizer tem salto de 59% no lucro líquido no 2º tri; receita com vacinas cresce 640,5%, para US$ 9,2 bi

Vacina contra Covid-19 da Pfizer (REUTERS/Dado Ruvic) Vacina contra Covid-19 da Pfizer (REUTERS/Dado Ruvic)

A farmacêutica americana Pfizer teve lucro líquido de US$ 5,563 bilhões no segundo trimestre deste ano, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira, 28. O resultado é 59% maior do que o ganho de US$ 3,489 bilhões registrado em igual período do ano passado.

Em parceria com a alemã BioNTech, a Pfizer fabricou uma das principais vacinas contra a Covid-19. Com ajustes, o lucro por ação entre abril e junho foi de US$ 1,07, valor acima da previsão de analistas consultados pela FactSet, de US$ 0,97.

A receita da Pfizer, por sua vez, teve crescimento anual de 92% no segundo trimestre, a US$ 18,977 bilhões. Apenas o faturamento com vacinas cresceu 640,5%, a US$ 9,234 bilhões.

Para o ano inteiro, a Pfizer elevou sua previsão de lucro ajustado por ação, de uma faixa de US$ 3,55 a US$ 3,65, no balanço anterior, para um intervalo entre US$ 3,95 e US$ 4,05.

A projeção de receita, por sua vez, aumentou da faixa de US$ 70,5 bilhões a US$ 72,5 bilhões para o intervalo de US$ 78 bilhões a US$ 80 bilhões.

“O segundo trimestre foi notável de várias maneiras. Mais visivelmente, a velocidade e eficiência de nossos esforços com a BioNTech para ajudar a vacinar o mundo contra covid-19 foram sem precedentes, com mais de um bilhão de doses de BNT162b2 sendo entregues globalmente”, afirmou o CEO da Pfizer, Albert Bourla, no comunicado aos acionistas.

Após a divulgação do balanço, a ação da farmacêutica oscilava no pré-mercado de Nova York. Às 8h05 (de Brasília), o papel caía 0,26%, depois de ter operado em alta.

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Ibovespa fecha em leve alta seguindo Wall Street apesar de desempenho fraco das blue chips; dólar sobe a R$ 5,21

ações bolsa gráfico índice mercado opções compra venda sell buy (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em leve alta nesta quinta-feira (22) puxado pelo dia positivo em Wall Street apesar do desempenho fraco das blue chips, uma vez que bancos como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC3; BBDC4) caíram perto de 1%, enquanto Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3) encerraram o pregão em leves perdas.

Lá fora, houve continuidade do movimento de recuperação posterior ao “sell-off” de segunda-feira, embora com menor ímpeto. O dia foi marcado pelos dados de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos.

Segundo o Departamento de Emprego dos EUA, as solicitações de seguro-desemprego aumentaram em 51 mil, para um número com ajuste sazonal de 419 mil na semana encerrada em 17 de julho. Economistas consultados pela Reuters previam 350 mil novos pedidos.

Além disso, as atenções seguem para a temporada de resultados do segundo trimestre. Até ontem, 15% das empresas listadas no índice S&P 500 divulgaram seus resultados. Do total, 88% superaram as estimativas de lucro, segundo dados da Refinitiv.

Por aqui, mesmo com o recesso parlamentar, o noticiário político segue movimentado. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, fez uma ameaça ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), contra a realização das eleições no ano que vem e afirmou que o pleito só seria realizado caso o Congresso Nacional aprovasse a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso.

De acordo com a publicação, ao dar o aviso, Braga Netto estava acompanhado dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. O jornal afirmou que a ameaça foi feita por Braga Netto no dia 8 de julho, mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro fez uma ameaça pública contra as eleições, cuja realização está prevista na Constituição. “Eleições no ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, disse o presidente a apoiadores no Palácio da Alvorada na ocasião.

Ao G1, porém, o presidente da Câmara afirmou que é “mentira” a informação do Estadão. Já Braga Netto, questionado por jornalistas, disse que a notícia é “invenção”.

De acordo com Lucas Monteiro, trader de multimercados da Quantitas, a questão da suposta ameaça de Braga Netto parece ser mais um ruído, algo com o que o mercado tem aprendido a conviver. “Acho que a Bolsa tem trabalhado constantemente com algum prêmio por causa dos ruídos. Hoje o mercado parece mais estar buscando uma acomodação antes de continuar o movimento”, avalia.

Na mesma linha, Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, diz que a Bolsa ficou praticamente estável no dia todo, o que sugere não haver muita preocupação com mais essa crise política.

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A equipe de análise da XP Política comenta que a resposta oficial de Arthur Lira ao caso sutilmente garante a eleição, pois em um dos tuítes ele diz: “o fato é: o brasileiro quer vacina, quer trabalho e vai julgar os seus representantes em outubro do ano que vem através do voto popular, secreto e soberano”.

Não só, Lira teria ainda visto como elemento pacificador das relações entre Executivo e Congresso a articulação para nomeação de Ciro Nogueira (PP-PI) ao Ministério da Casa Civil. “Apesar de não desmentir veementemente o Estadão, é importante que ele se manifeste, já que o voto impresso não será aprovado. Nosso call é que as eleições acontecem e algum ruído, caso haja, tem mais chances de acontecer depois do pleito, principalmente em caso de derrota do presidente Jair Bolsonaro.”

Enquanto isso, Bolsonaro confirmou o convite a Nogueira para assumir a Casa Civil, o que deve ocorrer na próxima semana. Além disso, ele disse que irá recriar o Ministério do Trabalho, que se chamará Ministério do Emprego e Previdência. O atual ministro da Secretaria Geral, Onyx Lorenzoni, será o titular deste novo ministério e o atual chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, assumirá seu lugar na Secretaria Geral.

O Ibovespa teve leve alta de 0,17%, a 126.146 pontos com volume financeiro negociado de R$ 21,791 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,41% a R$ 5,212 na compra e a R$ 5,213 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em agosto registra valorização de 0,3% a R$ 5,21 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu cinco pontos-base a 5,82%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de seis pontos-base a 7,19%, o DI para janeiro de 2025 recuou dois pontos-base a 8,11% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de quatro pontos-base a 8,55%.

De volta aos EUA, atenção ainda para o pacote de estímulos. O senador democrata Joe Manchin afirmou na véspera que foram realizados progressos significativos para um acordo bipartidário de infraestrutura, e que um acerto final está “próximo”.

O comunicado foi emitido após o Senado dos EUA votar de maneira contrária a um procedimento de abertura de negociações por um pacote bipartidário de infraestrutura. A medida precisava do apoio de ao menos 60 dentre os 100 parlamentares, mas contou apenas com 49 senadores. No entanto, a expectativa é de que o projeto volte a ser apreciado na próxima semana, após maiores discussões e apresentação de detalhes.

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Na quinta, os mercados permaneceram fechados no Japão por conta de um feriado. O índice Hang Seng, de Hong Kong, teve uma das maiores altas, de 1,83%. As ações do China Evergrande Group tiveram alta de 7,87%, após a empresa anunciar que solucionou disputas legais com o China Guangfa Bank, segundo informações da agência internacional de notícias Reuters.

Investidores continuam a monitorar o avanço da variante delta do coronavírus, originária da Índia, que é altamente contagiosa. Os dois maiores estados australianos informaram forte alta nas novas contaminações, e a Indonésia tem número recorde de mortes, segundo informações da Reuters.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de depósitos em -0,50% e a taxa de refinanciamento em 0%. Além disso, a autoridade monetária manteve o volume do Programa de Compras de Emergência da Pandemia (PEPP) em 1,85 trilhão de euros.

O BC europeu também reiterou que as compras pelo PEPP continuarão em “ritmo significativamente mais alto” do que no início do ano e terminam em março de 2022 ou quando a crise provocada pelo coronavírus acabar. “O Conselho do BCE está pronto para ajustar todos os seus instrumentos, conforme apropriado”, conclui a nota.

Covid no Brasil

Na quarta (21), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.170, queda de 19% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.388 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 37.924, queda de 22% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 54.748 casos.

Chegou a 92.089.321 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 43,49% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 35.619.631 pessoas, ou 16,82% da população.

Segundo reportagem publicada pelo UOL nesta quinta-feira, o portal teve acesso a conversas via WhatsApp realizadas entre o cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, Luiz Paulo Dominghetti, em que este afirma que o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, manifestou interesse em comprar lotes de vacinas contra a Covid oferecidas pela Davati Medical Supply visando abastecer o Programa Nacional de Imunizações (PNI) no segundo semestre de 2021.

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Segundo o site, a troca de mensagens entre o PM e seu pai, Paulo César Pereira, ocorreu em 23 de fevereiro de 2021, dia em que o policial diz ter participado de reuniões na sede do Ministério da Saúde. Em depoimento à CPI da Covid no Senado, Dominghetti afirmou que em fevereiro a Davati buscava vender 400 milhões de doses da vacina desenvolvida em parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, mas a oferta teria não se concretizado após um suposto pedido de propina do então diretor de logística da Saúde, Roberto Ferreira Dias. O UOL afirma que não conseguiu contatar o general Pazuello, e que a assessoria da pasta da Saúde, a Presidência da República e a Casa Civil não se manifestaram.

Na quarta, o YouTube removeu vídeos do canal do presidente Jair Bolsonaro (sem partida) publicados neste ano e no ano anterior, nos quais ele defendia o uso dos remédios cloroquina e ivermectina contra a Covid-19. Há comprovação científica da ineficácia de ambos os medicamentos contra a doença.

Em comunicado, a plataforma disse que, após análise cuidadosa, vídeos foram removidos por violar as políticas do YouTube em relação a informações médicas incorretas sobre a Covid-19.

“Nossas regras não permitem conteúdo que afirma que hidroxicloroquina e/ou ivermectina são eficazes para tratar ou prevenir Covid-19; garante que há uma cura para a doença; ou assegura que as máscaras não funcionam para evitar a propagação do vírus”, informou o YouTube.

“Essas diretrizes estão de acordo com a orientação das autoridades de saúde locais e globais e atualizamos nossas políticas conforme as mudanças nessas orientações. Aplicamos nossas políticas de forma consistente em toda a plataforma, independentemente de quem seja o produtor de conteúdo ou de visão política”, reforçou a empresa.

Procurada pela Reuters, a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

A agência de notícias analisou o conteúdo do canal do presidente no YouTube, e confirmou que foram retirados do ar inclusive vídeos das transmissões ao vivo que Bolsonaro costuma fazer às quintas-feiras. De modo geral, o presidente convida ministros de Estado e outras autoridades.

Um dos vídeos removidos foi uma live do dia 27 de maio, em que Bolsonaro sugeriu que se tomem chás usados por indígenas para combater a Covid-19 e fez novamente defesa enfática da cloroquina e outros medicamentos sem eficácia cientificamente comprovada contra o coronavírus.

Essa transmissão do presidente ocorreu a partir de Matucará (AM), onde Bolsonaro cumpriu agenda pública em que visitou comunidades indígenas.

“Este vídeo foi removido por violar as diretrizes da comunidade do YouTube”, diz uma mensagem para quem, agora, tenta assistir ao vídeo na plataforma de vídeos da Alphabet.

A gestão Bolsonaro vem sendo criticado pela promoção de remédios sem eficácia cientificamente comprovada, ao mesmo tempo em que o presidente levantou suspeitas sobre vacinas, e relutou em fechar acordos de compra com produtoras conhecidas, como a Pfizer. Em paralelo, o governo negociava com intermediários suspeitos, como a Precisa Medicamentos, que representava no Brasil a indiana Bharat Biotech, produtora da Covaxin.

Na quarta-feira, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, afirmou: “Enfrentamos uma pandemia de pessoas não vacinadas e a única maneira de impedi-la é expandir a vacinação (…) As vacinas são críticas, mesmo que nenhuma vacina seja 100% eficaz”.

Um estudo publicado na quarta no New England Journal of Medicine confirmou que duas doses das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca contra a Covid-19 são quase tão eficazes contra a altamente transmissível variante Delta do coronavírus quanto contra a variante Alfa, anteriormente dominante em vários países do mundo.

O trabalho confirma as principais descobertas fornecidas pelo governo britânico em maio sobre a eficácia das vacinas contra Covid-19 feitas por Pfizer-BioNTech e Oxford-AstraZeneca, com base em dados do mundo real.

O trabalho concluiu que duas doses da vacina da Pfizer resultaram em 88% de eficácia na prevenção de doenças sintomáticas da variante Delta, em comparação com 93,7% contra a variante Alfa, em linha com o relatado anteriormente.

Duas doses da vacina da AstraZeneca resultaram em eficácia de 67% contra a variante Delta, acima dos 60% relatados originalmente, ante 74,5% contra a variante Alfa, em comparação com uma estimativa original de 66% de eficácia.

Segundo o trabalho, uma dose da Pfizer foi 36% eficaz, e uma dose da vacina da AstraZeneca foi cerca de 30% eficaz.

“Nossa descoberta de eficácia reduzida após a primeira dose apoia os esforços para maximizar a aplicação da vacina com duas doses entre grupos vulneráveis no contexto da circulação da variante Delta”, disseram os autores.

Reformas ministerial e tributária, e eleições

O presidente Jair Bolsonaro decidiu recriar o Ministério do Trabalho, hoje uma secretaria especial do Ministério da Economia, em uma pequena reforma ministerial que planeja fazer. Segundo informações de bastidores divulgadas pela imprensa, Bolsonaro pretende entregar a nova pasta a Onyx Lorenzoni, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

A mudança faz parte de movimentos do governo para tentar agradar o centrão em um momento de fragilidade do governo, que enfrente acusações de corrupção, a CPI da Covid no Senado e uma queda drástica na popularidade.

De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, apesar da resistência do ministro da Economia, Paulo Guedes, em dividir sua pasta, ele terminou por concordar em abrir mão do Trabalho. “O que se disse é que essa é uma área já resolvida”, disse a fonte.

Onyx se reuniu com Guedes na manhã de quarta na Economia para tratar da mudança, disseram duas fontes ouvidas pela Reuters. A divisão do Ministério da Economia é uma das cobranças do centrão, base de apoio do presidente Bolsonaro. O grupo de parlamentares pedia a separação de áreas como Trabalho e Comércio Exterior, mas Guedes resiste a mudanças.

Reportagem do jornal Valor Econômico destaca que, com as mudanças, Guedes perde controle sobre a elaboração de políticas voltadas a grupos vulneráveis no mercado de trabalho, uma das principais discussões atuais na pasta.

O próprio presidente confirmou, em entrevista à rádio Jovem Pan de Itapetininga na manhã de quarta que fará uma “pequena mudança ministerial”.

Dentre as alterações está a ida de Luiz Eduardo Ramos para a Secretaria-Geral –daí a necessidade de deslocar Onyx– para abrir a Casa Civil para um nome do Senado. No momento, de acordo com fontes, o nome mais provável é do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Presidente do partido, Ciro é considerado um nome chave para assegurar o apoio ao governo no Congresso. Segundo o Valor, a expectativa é de que a mudança contribua para que o governo volte a ter uma boa relação com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que se deteriorou desde o início da CPI da Covid no Senado.

À Reuters, a senadora Kátia Abreu (PP-TO) confirmou a decisão de Ciro de aceitar o cargo, e avaliou que a mudança fará bem à relação política do governo. “É um político experiente, com certeza vai fazer bom trabalho. Ele e a Flávia Arruda (ministra da Secretaria de Governo) formarão uma ótima dupla no Palácio, são ambos da política, saberão tratar o Congresso e fazer as articulações necessárias”, disse.

À rádio, Bolsonaro também afirmou que não se decidiu se disputará a eleição de 2022. “Eu não me lancei, ainda não sei se vou ser candidato”, disse Bolsonaro, na sequência de uma crítica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem acusou de já ter se apresentado como presidenciável. Pesquisas eleitorais mostram que Bolsonaro pode ser derrotado pelo petista por uma larga margem em 2022.

Em conversa com apoiadores na segunda-feira, Bolsonaro chegou a dizer que não sabe se seria candidato com o atual sistema de urnas eletrônicas. Segundo reportagem de capa publicada nesta quinta pelo jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, mandou por meio de um interlocutor o que o jornal definiu como “um duro recado” ao presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), há 14 dias. O general afirmou que, se o Congresso não aprovar o voto impresso não haveria eleição em 2022. “A quem interessar, diga que, se não tiver eleição auditável, não terá eleição”, teria afirmado o general.

Além disso, em coletiva de imprensa para comentar os dados da arrecadação de junho, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na quarta que o governo está decidido a ser ousado em sua reforma tributária, favorecendo as empresas e os trabalhadores. Mas reiterou a disposição de taxar os dividendos distribuídos às pessoas físicas em 20% de forma a aumentar a tributação dos “super-ricos”.

O ministro afirmou que sua equipe está ouvindo o setor privado sobre sua proposta de reforma tributária e indicou que alguns pontos da versão original encaminhada ao Congresso poderão ser alterados ou retirados. “Mas o essencial nós faremos, que é tributar juros e dividendos, reduzir a tributação para 31 milhões de brasileiros, os contribuintes assalariados, e isentar os profissionais liberais, que se chamam os pejotinhas”, afirmou. Guedes acrescentou que o governo não pretende taxar médicos e dentistas, mas os grandes escritórios e os super-ricos.

“Nós estamos querendo justamente baixar (tributação das empresas) de 34% para alguns setores para 21,5%. E nós queremos da mesma forma subir de zero para 20% o imposto sobre dividendos”, acrescentou o ministro. Para Guedes, o nível de arrecadação recorde alcançado pelo país no primeiro semestre é sustentável e independe do crescimento da economia à frente.

Dados da Receita mostraram que a arrecadação cresceu 24,5% em termos reais no primeiro semestre do ano, para R$ 881,966 bilhões, maior valor da série. “O que nós vamos fazer é justamente pegar uma parte desse aumento de arrecadação e transformar isso numa redução de alíquotas e simplificação de impostos, como sempre prometemos”, disse o ministro.

Radar corporativo

As ações da Multilaser estreiam nesta quinta na Bolsa com o ticker MLAS3. A empresa levantou R$ 2,2 bilhões em oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Já o Magazine Luiza precifica nesta quinta seu follow-on, ou oferta subsequente de ações, na sigla em inglês, de 150 milhões de papéis.

A Eletrobras informou na quarta-feira que a Eletronorte celebrou um Instrumento de Confissão de Dívidas com a Amazonas Energia (AmE) no valor de R$ 808,75 milhões, visando a repactuação da dívida detida pela AmE com a controlada da elétrica estatal. A dívida diz respeito a faturas de Operação, Manutenção e Potência de ativos localizados em Manaus. Segundo fato relevante divulgado pela Eletrobras, essas faturas venceram entre novembro de 2020 e julho deste ano.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
LWSA3 5.49242 27.85
MRFG3 3.33676 20.13
CSAN3 3.18665 27.2
TOTS3 2.30934 38.1
HYPE3 2.28919 35.3

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
BIDI11 -2.48528 82.79
PCAR3 -1.95204 35.16
IRBR3 -1.5 5.91
BBAS3 -1.48011 31.95
AZUL4 -1.32548 40.2

O conselho de administração da produtora de açúcar e etanol Jalles Machado aprovou, em assembleia realizada na terça, investimentos de R$ 517,4 milhões para que a companhia expanda o volume de moagem de cana-de-açúcar em suas duas unidades industriais em 1 milhão de toneladas. De acordo com fato relevante divulgado pela empresa na quarta os investimentos foram feitos com recursos obtidos por meio de sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Realizado no início de fevereiro, o IPO movimentou R$ 741,5 milhões.

A Mubadala Investment Company, de Abu Dhabi, conquistou na quarta o direito de igualar a oferta de quaisquer outros interessados em alguns ativos da Renova Energia, disse na quarta a companhia brasileira, que está em recuperação judicial. De acordo com fato relevante publicado pela Renova, a Mubadala realizou uma oferta vinculante de R$ 1,1 bilhão pela fatia de 51% detida pela empresa na Brasil PCH, que possui 13 pequenas centrais hidrelétricas

(com Estadão Conteúdo e Reuters)

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