BC: estoque total de crédito sobe 0,9% em junho ante maio, para R$ 4,213 trilhões

Real, Brazilian Currency - BRL. Dinheiro, Brasil, Currency, Reais, Money, Brazil. Real coin on a pile of money bills. (Rmcarvalho/Getty Images)

O estoque total de operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,9% em junho ante maio, para R$ 4,213 trilhões, informou nesta quarta-feira, 28, o Banco Central (BC). Em 12 meses, houve alta de 16,3%. Os números são influenciados pelos efeitos da segunda onda da pandemia de covid-19, que voltou a colocar em isolamento social parte da população e reduziu a atividade das empresas. Em junho ante maio, houve alta de 1,5% no estoque para pessoas físicas e elevação de 0,1% no estoque para pessoas jurídicas.

De acordo com o BC, o estoque de crédito livre avançou 1,3% em junho, enquanto o de crédito direcionado apresentou alta de 0,3%. No crédito livre, houve alta de 1,6% no saldo para pessoas físicas no mês passado. Para as empresas, o estoque avançou 1,0% no período.

O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) foi de 52,7% para 52,6% na passagem de maio para junho.

O estoque das operações de crédito direcionado para habitação no segmento pessoa física cresceu 1,2% em junho ante maio, totalizando R$ 759,055 bilhões, informou o Banco Central. Em 12 meses até junho, o crédito para habitação no segmento pessoa física subiu 13,8%.

Já o estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física subiu 0,9% em junho ante maio, para R$ 229,021 bilhões. Em 12 meses, houve alta de 11,9%.

Setores

O saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro subiu 1,1% em junho ante maio, para R$ 12,549 trilhões. O montante equivale a 156,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, conforme dados agora divulgados Banco Central.

O crédito ampliado inclui, entre outras, as operações de empréstimos feitas no âmbito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e as operações com títulos públicos e privados. A medida permite uma visão mais ampla sobre como empresas, famílias e o governo geral estão se financiando, ao abarcar não apenas os empréstimos bancários.

No caso específico de empresas, o saldo do crédito ampliado cedeu 1,1% em junho ante maio, para R$ 4,264 trilhões. O montante equivale a 53,2% do PIB.

Já o saldo de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas teve baixa de 1,2% em junho ante maio, somando R$ 375,029 bilhões, informou o BC. Em 12 meses, a queda acumulada é de 3,4%. Em junho, houve baixa de 0,8% nas linhas de financiamento agroindustrial do BNDES, queda de 1,2% no financiamento de investimentos e recuo de 1,1% no saldo de capital de giro.

Endividamento das famílias bate recorde

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A crise econômica trazida pela pandemia de coronavírus fez o endividamento das famílias bater novo recorde no Brasil. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que, em abril, o endividamento das famílias com o sistema financeiro chegou aos 58,5%. Este é o maior porcentual da série histórica, iniciada em janeiro de 2005.

O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas bancárias dividido pela renda das famílias no período de 12 meses. Como incorpora dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE, o porcentual possui certa defasagem. Por isso o resultado divulgado hoje é de abril.

Se forem descontadas as dívidas imobiliárias – que geralmente abarcam um montante considerável da renda das famílias – ainda assim o endividamento ficou em níveis elevados, de 36,0% em abril. O porcentual também é recorde para a série histórica.

Em função da pandemia, muitas famílias brasileiras têm tido dificuldades para fechar as contas. Uma consequência disso é a procura maior por crédito, com consequente aumento do endividamento. Para se ter uma ideia, em abril do ano passado – no segundo mês da pandemia – o endividamento total das famílias estava em 49,2%, um porcentual 9,3 pontos porcentuais menor que o visto em abril deste ano.

Os dados do BC mostram ainda dificuldades para as famílias pagarem as obrigações mensais dos empréstimos e financiamentos bancários. O comprometimento da renda mensal com essas dívidas ficou em 30,5% em abril – mesmo porcentual registrado desde fevereiro deste ano. Em abril do ano passado, estava em 30,4%, mas antes da pandemia do novo coronavírus girava abaixo dos 30%.

Se o financiamento imobiliário for excluído da conta, o comprometimento da renda ficou em 28,0% em abril, ante 27,9% em abril do ano passado.

Rotativo do cartão

Em meio às dificuldades das famílias para fechar as contas durante a pandemia do novo coronavírus, o juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito caiu 2,2 pontos porcentuais de maio para junho. A taxa passou de 329,7% para 327,5% ao ano.

Os números são influenciados pelos efeitos da pandemia de covid-19, que mantém em isolamento social parte da população. O rotativo do cartão, juntamente com o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades. No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 164,4% para 164,1% ao ano. Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 61,9% para 61,4%.

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Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado. Atualmente, porém, o risco de inadimplência aumentou, justamente porque muitas famílias estão enfrentando redução de renda, na esteira da pandemia.

Crédito livre

Em meio à pandemia, as concessões dos bancos no crédito livre subiram 5,0% em junho ante maio, para R$ 377,3 bilhões. Nos 12 meses até maio, a alta também foi de 5,0% e, no primeiro semestre deste ano, o avanço foi de 13,5%. Estes dados, apresentados hoje pelo BC, não levam em conta ajustes sazonais. Os números são influenciados pelos efeitos da segunda onda da pandemia de covid-19, que voltou a colocar em isolamento social parte da população e reduziu a atividade das empresas.

Com as dificuldades de famílias e empresas para fechar as contas em meio à pandemia, a taxa de inadimplência nas operações de crédito livre com os bancos passou de 3,0% para 2,9% de maio para junho, informou o Banco Central.

Para as pessoas físicas, a taxa de inadimplência foi de 4,1% para 4,0% no período. No caso das empresas, a taxa passou de 1,7% para 1,6%. A inadimplência do crédito direcionado (recursos da poupança e do BNDES) continuou em 1,4% na passagem de maio para junho. Já o dado que considera o crédito livre mais o direcionado mostra que a taxa de inadimplência se manteve em 2,3% em junho.

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Quer levar seu empréstimo para outro banco? Chance de obter portabilidade depende da linha de crédito

Peugeot 206 usado carro

SÃO PAULO – Desde 2006, quem tem um empréstimo ou financiamento pode transferir a operação de uma instituição financeira para outra, em busca de condições mais vantajosas. Mas ainda hoje só a menor parte dos pedidos de portabilidade são concretizados – e as chances de realmente conseguir trocar de banco aumentam (ou diminuem) dependendo da linha de crédito escolhida.

O número de contratos de crédito efetivamente transferidos para outra instituição correspondeu a 46% dos pedidos realizados em fevereiro deste ano, segundo os dados mais recentes do Banco Central. A taxa de concretização da portabilidade já foi menor: há um ano, somava 41% e, cinco anos atrás, era de 37%.

A chance de efetivar uma operação de portabilidade, no entanto, não é uniforme entre as linhas de crédito. Ela é maior no crédito consignado – que, aliás, responde pela maioria (98%) dos negócios fechados. A efetivação, nesse caso, é de 46%.

Já nos financiamentos imobiliários, o número cai bastante: 32% dos pedidos de portabilidade são concretizados entre as operações realizadas no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que usa os recursos da poupança na concessão de crédito. Nos financiamentos do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), o número fica em 31%.

No caso dos financiamentos de automóveis, a concretização da portabilidade é ainda menor, alcançando apenas 23% dos pedidos, de acordo com o Banco Central.

As razões para a diferença nos níveis de efetivação da portabilidade passam pelo interesse dos bancos em realizar esse tipo de operação (ou pela falta dele). Isso porque, para conseguir transferir uma dívida já existente, o consumidor precisa encontrar uma instituição financeira que esteja disposta a assumir o negócio, com todos os riscos que ele pode envolver.

“O momento econômico, por exemplo, exerce influência”, diz Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de estudos e pesquisas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças). “Se a economia está crescendo, os bancos têm interesse na portabilidade, porque veem um risco menor. Quando a situação é o contrário disso, eles ficam receosos de aceitar a operação”, explica. Afinal, as chances de os devedores perderem renda antes de quitar o crédito são maiores.

As garantias importam

Outro elemento importante são as garantias envolvidas nas operações. Quanto mais confortáveis os bancos estiverem com elas, maior a possibilidade de que se interessem por aceitar a portabilidade de uma dívida.

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O crédito consignado, por exemplo, tem as parcelas descontadas diretamente na folha de pagamento dos consumidores – elas são pagas, portanto, antes mesmo que ele receba seu salário ou aposentadoria.

“Quem trabalha na iniciativa privada pode perder o emprego, e então a garantia se encerra”, diz Oliveira. “Mas, no caso do crédito consignado para servidores públicos ou aposentados, os bancos têm uma garantia eterna”. Isso ajuda a explicar por que o consignado tem a mais alta efetivação da portabilidade dentre as linhas mais comuns.

No caso do financiamento de veículos, a situação é diferente. “Nessas operações, enquanto as parcelas estiverem sendo pagas, o veículo pertence à instituição financeira”, explica Orlando Seabra, sócio-fundador da Credere, startup especializada em financiamento de veículos. “É uma garantia que fica alienada em nome do banco, porém ela perde valor conforme passa o tempo, porque o carro desvaloriza”.

Do ponto de vista da instituição financeira que receberia o financiamento, esse é um elemento considerado para avaliar a atratividade da operação. Afinal de contas, se o consumidor, por alguma razão, não conseguir continuar pagando as prestações, caberá a ela tomar o veículo e vendê-lo para recuperar o crédito.

O mesmo raciocínio, segundo Oliveira, da Anefac, é levado em conta na portabilidade dos financiamentos imobiliários. Há, porém, uma diferença importante: “Mesmo considerando que poderia ter de levar o imóvel a leilão, trata-se de uma operação interessante para o banco, pois, como costuma ser longa, ela fideliza o cliente por muito tempo”, explica. “Até o financiamento imobiliário ser quitado, a instituição poderá vender muitos outros produtos a ele”.

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No caso dos financiamentos de veículos, a relativa “homogeneização” das taxas de juros também joga contra a portabilidade. “A diferença entre as taxas de um banco para outro costuma ser pequena e, com isso, o consumidor sente que o ganho que teria não paga o esforço necessário para realizar a transferência”, explica Seabra. Também não são raras as vezes em que as instituições originais, diante da iminência de perder o cliente, oferecem algum benefício para mantê-lo.

De contrapropostas a erros de informação

Há mais fatores que desmotivam as transferências de dívidas. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), de todos os pedidos de portabilidade realizados, cerca de 20% acabam sendo retidos pela instituição financeira original. São casos em que, após solicitar a portabilidade, o cliente recebe uma proposta da instituição da qual pretende sair, e acaba seguindo adiante com ela.

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“O banco original pode oferecer uma contraproposta para manter o cliente que seja mais vantajosa que aquela feita pela instituição financeira que está propondo a portabilidade. Nessa situação, o cliente acaba sendo beneficiado pela competição”, diz a entidade.

De acordo com a Febraban, a instituição original tem prazo de cinco dias úteis após o registro do pedido para oferecer uma contraproposta ao cliente ou enviar as informações do contrato para que a nova instituição finalize a portabilidade.

Outros 15% a 18% dos pedidos de portabilidade são cancelados no decorrer do processo, por desistência do próprio consumidor. E mais 15% a 20% não se concretizam por conta de equívocos ou inconsistências por parte das instituições financeiras no momento em que registram a solicitação na Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), que processa os pedidos.

São, por exemplo, erros cometidos pelo banco interessado em receber o crédito ao registrar o número do contrato, o que impede o banco original de localizá-lo, ou ainda pedidos de portabilidade feitos para contratos já liquidados.

“Os pedidos de portabilidade não concretizados em razão de equívoco dos bancos são analisados por meio de coleta de evidências e monitoramento de eventuais práticas inadequadas, conforme regras do Sistema de Autorregulação Bancária”, explica a Febraban. “Uma vez instaurado procedimento disciplinar e constatado que houve falha na atuação da instituição financeira, esta deverá apresentar um plano de adequação e está sujeita a sanções como advertências e multas”.

Portabilidade de crédito em quatro pontos

Na prática, realizar a portabilidade de um empréstimo demanda liquidar antecipadamente a operação original. Isso é feito pela nova instituição financeira, que quita o saldo devedor no primeiro banco, segundo o Banco Central. Para que isso aconteça, é necessário:

• que o cliente consiga dados detalhados junto ao banco em que tomou o empréstimo, como o saldo devedor, o número de parcelas que ainda precisam ser pagas, a taxa de juros, entre outras. A instituição, segundo o Banco Central, tem um dia útil para prestar essa informação;

• que o devedor, com as informações em mãos, negocie as condições da nova operação com uma instituição financeira interessada em conceder o novo crédito;

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• que o consumidor se certifique de eventuais custos, como taxa de abertura de cadastro, no caso de ainda não ser cliente do banco que propôs a portabilidade. É importante ressaltar, no entanto, que custos relacionados à troca de informações e à transferência dos recursos entre as instituições não podem ser repassados ao devedor;

• que o valor e o prazo da nova operação não sejam superiores ao valor do saldo devedor e ao prazo remanescente da operação original.

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Crédito consignado: com 74 punições, sistema de autorregulação dos bancos bate recorde em março

Entre advertências e suspensões temporárias e definitivas de operação, a Autorregulação do Crédito Consignado aplicou 74 punições no mês de março. O total é maior já registrado desde que as novas regras entraram em vigor em janeiro de 2020, segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da Associação Brasileira de Bancos (ABBC).

“A autorregulação do crédito consignado está evoluindo para monitorar com ainda mais rigor e atenção todos os agentes envolvidos na oferta e concessão de crédito consignado. Assédio comercial ou qualquer outra prática que desrespeite o código de defesa do consumidor serão identificadas e punidas sem demora”, afirma Isaac Sidney, presidente da Febraban. Além dos correspondentes, a Autorregulação do Consignado vai passar a monitorar a ação dos agentes de crédito.

A aplicação da punição máxima prevista pelas normas também bateu recorde em março, com cinco correspondentes bancários tendo suas atividades suspensas definitivamente durante o mês. Desde a entrada em vigor da Autorregulação para o Crédito Consignado, foram aplicadas 450 sanções em razão de reclamações de consumidores sobre oferta irregular do produto.

“Observamos um alto comprometimento da maioria dos correspondentes com a melhoria da oferta e da concessão do crédito consignado aos consumidores e, consequentemente, a redução de reclamações. A autorregulação do consignado constrói bases sólidas para que esse tipo de crédito continue desempenhando o seu papel, que é levar crédito barato ao consumidor, com atendimento de qualidade”, diz Sílvia Scorsato, presidente da ABBC.

“Não me perturbe”

Outra medida integrante do Sistema de Autorregulação do Consignado foi a criação de da ferramenta “Não me perturbe”, por meio da qual os consumidores podem proibir instituições financeiras e correspondentes bancários de entrarem em contato proativamente para oferecer esse tipo de crédito.

Entre 2 de janeiro e 31 de março deste ano, 1,413 milhão de pessoas solicitaram o bloqueio telefônico por meio da plataforma.

A maior quantidade de pedidos foi realizada por moradores dos Estados de São Paulo (30,82%), Rio de Janeiro (12,34%) e Minas Gerais (11,18%).

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Cielo se junta ao BNDES para avançar no crédito

Líder de pagamentos eletrônicos por meio das “maquininhas” de cartão no varejo, a Cielo (CIEL3), controlada pelo Banco do Brasil (BBAS3) e pelo Bradesco (BBDC4), agora vai explorar de forma agressiva o mercado de crédito para pequenas e médias empresas.

De carona na iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de pulverizar e popularizar o acesso ao crédito fora dos grandes bancos, a companhia e o banco de fomento constituíram um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), onde foram aportados R$ 529,4 milhões – dos quais R$ 450 milhões do BNDES e R$ 79,4 milhões da Cielo.

Os recursos serão oferecidos a 56 mil empresas com necessidade de capital de giro para atenuar os impactos da pandemia. O juro é de 3,25% ao mês e o prazo máximo do empréstimo é de 30 meses.

“Essa operação marca a nossa entrada no mercado de crédito não performado para ser uma operação regular da Cielo”, afirma o presidente da companhia, Paulo Caffarelli.

A empresa já empresta para os clientes do varejo, mas com a garantia das vendas que passam pelas “maquininhas”. Esse crédito representa 37% do faturamento.

Em meio à concorrência acirrada das startups financeiras, a companhia afirma querer ir além no crédito e ganhar musculatura. Nas contas do executivo, a operação com o BNDES pode girar cerca de R$ 1 bilhão de recursos, na medida em que os financiamentos são quitados e o dinheiro novamente é emprestado. “O montante do FIDC nos coloca no jogo do crédito”, diz.

No entanto, esse fundo se extingue em 30 meses e, como a companhia não é um banco, precisa buscar outras formas de captação de recursos para emprestar.

Segundo Cafarrelli, a empresa vai pleitear autorização para operar como Sociedade de Crédito Direto (SCD). Com isso, poderá conceder crédito com capital próprio, sem precisar constituir fundos.

O lucro líquido da companhia no primeiro trimestre atingiu R$ 241,3 milhões, com avanço de 44,6% em relação a igual período de 2020. Sem a venda da plataforma da Elo e da fatia na Orizon, o resultado cairia para R$ 135,8 milhões, com recuo de 18,4% em relação a igual período de 2020.

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Desconcentração

Bruno Laskowsky, diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito do BNDES, diz que é a primeira vez que o banco usa FDICs para irrigar a economia. A iniciativa faz parte do objetivo estratégico da instituição de desconcentrar o crédito e estimular a competição, constituindo fundos com participação de fintechs, marketplaces e adquirentes, como a Cielo, para que o dinheiro chegue mais rápido às empresas menores.

Hoje, mais de 80% do crédito está concentrado em cinco bancos. “O que catalisou esse processo foi a pandemia”, diz o executivo do BNDES.

Para todos os fundos que serão constituídos, o BNDES reservou cerca de R$ 4 bilhões de recursos próprios e conta com mais R$ 1 bilhão do mercado.

A meta é oferecer o crédito para 500 mil a um milhão de pequenas e médias empresas espalhadas pelo País.

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BC: estoque total de crédito sobe 1,5% em março ante fevereiro, para R$ 4,104 tri

O estoque total de operações de crédito do sistema financeiro subiu 1,5% em março ante fevereiro, para R$ 4,104 trilhões, informou nesta quinta-feira, 29, o Banco Central. Em 12 meses, houve alta de 14,5%. Os números são influenciados pelos efeitos da segunda onda da pandemia de covid-19, que voltou a colocar em isolamento social parte da população e reduziu a atividade das empresas.

Em março ante fevereiro, houve alta de 1,0% no estoque para pessoas físicas e elevação de 2,0% para pessoas jurídicas. De acordo com o BC, o estoque de crédito livre avançou 1,9% em março, enquanto o de crédito direcionado apresentou alta de 0,9%.

No crédito livre, houve alta de 0,9% no saldo para pessoas físicas no mês passado. Para as empresas, o estoque avançou 3,0% no período. O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) foi de 54,0% para 54,4% na passagem de fevereiro para março.

As concessões dos bancos no crédito livre subiram 28,2% em março ante fevereiro, para R$ 366,0 bilhões. Nos 12 meses até março, porém, há um recuo de 4,3%. Estes dados não levam em conta ajustes sazonais. Os números são influenciados pelos efeitos da segunda onda da pandemia de covid-19.

Em março, no crédito para pessoas físicas, as concessões subiram 12,1%, para R$ 172,4 bilhões. Em 12 meses até março, há baixa de 4,1%. Já no caso de pessoas jurídicas, as concessões cresceram 47,0% em março ante fevereiro, para R$ 193,6 bilhões. Em 12 meses até março, o recuo é de 4,6%.

Setores

O saldo de crédito para as empresas do setor de agropecuária subiu 4,5% em março, para R$ 35,897 bilhões.

Já o saldo para a indústria avançou 1,4%, para R$ 729,486 bilhões. O montante para o setor de serviços teve alta de 2,2%, para R$ 1,040 trilhão.

No caso do crédito para pessoa jurídica com sede no exterior e créditos não classificados (outros), o saldo subiu 355,2%, aos R$ 2,599 bilhões.

BNDES

O saldo de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas ficou estável em março na comparação com fevereiro, somando R$ 384,992 bilhões, informou o Banco Central. Em 12 meses, a alta acumulada é de 1,5%. Em março, houve alta de 1,2% nas linhas de financiamento agroindustrial do BNDES, estabilidade no financiamento de investimentos e queda de 1,6% no saldo de capital de giro.

Habitação e veículos

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O estoque das operações de crédito direcionado para habitação no segmento pessoa física cresceu 1,2% em março ante fevereiro, totalizando R$ 732,338 bilhões, informou o Banco Central. Em 12 meses até março, o crédito para habitação no segmento pessoa física subiu 13,0%.

Já o estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física oscilou 0,1% em março ante fevereiro, para R$ 224,230 bilhões. Em 12 meses, houve alta de 7,1%.

Famílias

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro ficou em 57,0% em janeiro, ante 56,5% em dezembro. Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 35,1% em janeiro, ante 34,8% em dezembro.

O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses. Além disso, incorpora os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE.

Em função da metodologia utilizada, os números de endividamento sempre eram divulgados com apenas um mês de defasagem. Em setembro, no entanto, o BC havia adiado a divulgação de dados referentes ao endividamento e ao comprometimento de renda das famílias brasileiras, em função de alterações de datas promovidas pelo IBGE. Agora, o BC atualiza os números, com referência em janeiro.

Segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu 30,9% em janeiro, ante 31,2% em dezembro. Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda ficou em 28,3% em janeiro, ante 28,6% em dezembro.

Setor não financeiro

O saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro subiu 1,5% em março ante fevereiro, para R$ 12,482 trilhões. O montante equivale a 165,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, conforme dados agora divulgados pelo Banco Central.

O crédito ampliado inclui, entre outras, as operações de empréstimos feitas no âmbito do Sistema Financeiro Nacional e as operações com títulos públicos e privados. A medida permite uma visão mais ampla sobre como empresas, famílias e o governo geral estão se financiando, ao abarcar não apenas os empréstimos bancários.

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No caso específico de empresas, o saldo do crédito ampliado avançou 2,8% em março ante fevereiro, para R$ 4,367 trilhões. O montante equivale a 57,9% do PIB.

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Méliuz lança plataforma de empréstimos totalmente online

Israel Salmen, da Méliuz (Germano Lüders)

A empresa de tecnologia Méliuz está lançando a plataforma de empréstimos Méliuz Empréstimos. A partir de agora, toda a base de usuários do Méliuz poderá simular um empréstimo em dezenas de instituições financeiras, em um só lugar, e escolher entre as opções ofertadas, de acordo com perfil e modalidade adequados às suas necessidades.

Em nota, o CEO e fundador do Méliuz, Israel Salmen, explica que o lançamento do Méliuz Empréstimos vai ao encontro do propósito de crescimento da marca no Brasil, expandindo sua atuação no mercado financeiro. A companhia, que desde 2019 oferece um cartão de crédito sem anuidade e com cashback, vem ampliando a gama de serviços financeiros disponíveis na plataforma, atraindo cada vez mais usuários em busca de facilidade e eficiência em sua vida financeira.

“O Méliuz Empréstimos é mais uma forma que o Méliuz encontrou para estar presente na rotina das pessoas, a fim de tornar as relações de consumo mais vantajosas para todas as partes. Com uma única simulação, é possível consultar diversas instituições financeiras, analisar as melhores propostas e solicitar empréstimos de maneira simples e sem burocracia”, destaca Salmen.

História

Lançado em 2011, o Méliuz é uma empresa de tecnologia que oferece soluções digitais para conectar marcas e consumidores, por meio de uma plataforma integrada de marketplace e serviços financeiros. Em 2019, a empresa lançou o Cartão Méliuz, um cartão de crédito sem anuidade que devolve até 1,8% do valor das compras pagas com ele.

Em 2020 a plataforma de cashback, que estreou na B3 em novembro de 2020, teve lucro líquido ajustado de R$ 32,055 milhões, alta de 175% sobre os R$ 11,628 milhões vistos um ano antes. O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no ano somou R$ 30,3 milhões, alta de 186% ante R$ 10,6 milhões em 2019. Sua oferta de ações movimentou R$ 661,7 milhões.

A base de usuários da startup chegou a 14 milhões de contas ao fim do quarto trimestre do ano passado, representando um crescimento de 55% sobre 2019, quando tinha nove milhões de clientes. Em termos de usuários ativos, o número foi a 5,3 milhões no fim do período, alta de 152% sobre outubro a dezembro de 2019.

O volume de vendas (GMV) originado para os parceiros do marketplace por meio do ecossistema do Méliuz atingiu, ao final do quarto trimestre, um total de R$ 955,5 milhões, representando um crescimento de 57% em relação ao ano anterior. No ano de 2020, o GMV foi de R$ 2,5 bilhões, alta de 51% sobre 2019. As operações do cartão de crédito do Méliuz tiveram um volume transacionado (TPV) de R$ 505,6 mi no quarto trimestre, alta de 608% sobre o ano anterior.

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Nova regra do BC começa a transformar o mercado de crédito privado

Guia de proventos (Crédito: Getty Images)

O mercado de crédito está prestes a dar um salto importante no país. O segmento de antecipação de recebíveis, que movimenta trilhões de reais a cada ano, deve passar por uma transformação com a entrada em operação das duplicatas escriturais.

As duplicatas escriturais (ou eletrônicas) foram regulamentadas pelo Banco Central em 2020, por meio da resolução 4.815. Elas são como documentos eletrônicos, disponíveis em câmaras de registro, que contêm as informações de empresas que tomaram empréstimos por meio de linhas de antecipação de recebíveis.

É o caso, por exemplo, de lojistas que têm pagamentos a receber no futuro, mas pedem a antecipação para ter acesso a esses recursos num prazo mais curto.

Hoje, antes da entrada em vigor da nova regra – a expectativa do mercado é que ela comece a valer nas próximas semanas, com a aprovação de todos os requerimentos técnicos pelo BC –, as duplicatas são negociadas sem um registro central.

Existe, assim, risco de fraude e de múltiplas negociações. A possibilidade de ocorrer uma “triplicata” torna essas operações onerosas pela dúvida gerada em quem oferece o financiamento sobre sua duplicidade e existência de lastro.

“O novo sistema elimina a assimetria de informação”, diz Mardilson Queiroz, consultor do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro (Denor) do BC.

“Qualquer um vai poder enxergar se existe ou não a duplicata para negociá-la. Vai dar maior qualidade ao ativo, desde o escriturador, que vai fazer nascer a duplicata, até a registradora, que terá poder de cartório para dizer quem é o dono da emissão”, completa. Ou seja, tem-se a transparência e garantia de que a operação de fato existe.

Maior acesso a crédito

Queiroz, do BC, lembra ainda que, ao tornar visível toda a carteira de duplicatas do lojista, esta informação fica disponível a outros agentes que podem oferecer crédito a ele, o que aumenta a competição.

“O BC aumentou o perímetro regulatório e autorizou as fintech de crédito a participarem dessas operações. Até o final de fevereiro eram 36 já autorizadas”, diz Queiroz.

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Uma dessas fintechs é a da CERC (Central de Recebíveis), primeira registradora de recebíveis de crédito autorizada pelo BC. Nas contas de seu sócio e fundador, Marcelo Maziero, o mercado de recebíveis de duplicatas tende a atingir R$ 5,2 trilhões.

Hoje, esse é um mercado que movimenta R$ 2,8 trilhões por ano, somando-se recebíveis de duplicatas e de cartões de crédito, excluindo as antecipações feitas pelas próprias credenciadoras.

“Com as duplicatas eletrônicas não existe a não existência da liquidação. Está em registro e ninguém bota a mão naquele ativo. Isso deve baratear e expandir drasticamente o crédito que terá os recebíveis como garantia”, explica Carlos Maggioli, CEO da fintech Quasar Flash International, uma plataforma para desconto de recebíveis de duplicatas,

Já aconteceu na Bolsa

Para Maggioli, é possível comparar o potencial da regulamentação desse mercado de recebíveis com a revolução que ocorreu com o mercado acionário na década de 90. Naquela época, entrou em vigor a lei 8.021, que estabeleceu que as ações das companhias fossem mantidas em contas depósito, criando assim as ações escriturais.

Antes disso, as ações eram nominativas e guardadas em papel, o que também abria espaço para fraudes.

A tecnologia, por sua vez, acabou com as assimetrias de informações, fazendo com que um mercado que negociava R$ 100 milhões por dia atingisse R$ 25 bilhões por dia, em média, atualmente.

A expectativa do mercado é de que até abril deste ano, o BC aprove a convenção de todos os requerimentos técnicos de como irá funcionar a parte operacional das registradoras, das escrituradoras e de liquidação.

Daí para frente, segue o cronograma já definido que estabelece 180 dias para que as operações se tornem obrigatórias e dois anos para que 100% das duplicatas sejam eletrônicas.

O mercado se prepara

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A Cerc já vem desempenhando sua função de registradora antes mesmo da entrada em vigor das novas regras. O volume de duplicatas eletrônicas que passa pelo seu sistema hoje representa entre R$ 5 bilhões e R$ 7 bilhões por mês.

“Temos uma centena de bancos, FIDCs e fintechs que usam a Cerc para fazer checagem de dados e registrar suas operações. Mas estamos só no começo, pois as operações via registradora ainda não são obrigatórias”, observa Maziero. FIDCs são fundos de direitos creditórios que investem em papéis cujo lastro são créditos a receber.

Mas não é só a Cerc que está se antecipando. A XP, pioneira no segmento de plataforma aberta de investimentos no país, diz que o novo modelo combina com o seu DNA.

“Num modelo de acesso via antecipação de recebíveis, oferecer isso para o nosso ecossistema é como colocar oxigênio lá. Tanto para provedores como para clientes. Pensa nas empresas que oferecem credito imobiliário. Elas fazem parte do nosso ecossistema, porque estruturamos FIDCs para participar disso”, explica Rodrigo Moreira, head da XP Empresas.
O executivo diz que a maior competição em recebíveis pode gerar ‘players’ que oferecem antecipação. “O FIDC faz a securitização e muitas empresas que buscam funding fazem isso por meio do FIDC. Estamos atentos a esta oportunidade de mercado”, observa Moreira.

De olho no novo cenário, a Quasar Flash está criando um banco digital com foco em concessão de crédito utilizando como garantia recebíveis tanto de duplicatas quanto de cartões de crédito.

Oportunidade também vista por fintechs que já criaram caminhos alternativos para operar nessas transações. Líber e Monkey colocaram em seus marketplaces sacados (termo técnico deste mercado para designar grandes empresas que compram produtos e serviços) fornecedores (de produtos e serviços) e financiadores (bancos, FIDCs e pessoas físicas).

A ideia foi criar um ambiente controlado e mais seguro para a antecipação de recebíveis. O papel do marketplace é validar com a grande empresa se o recebível de seu fornecedor realmente existe, o que diminui o risco e o custo do crédito, pois o pagamento daquele recebível vai direto para a instituição financiadora da transação.

A Monkey colocou em seu marketplace 60 grandes grupos econômicos, 300 mil fornecedores que integram suas cadeias e 30 investidores (entre bancos e FDICS), que movimentaram R$ 8,5 bilhões de antecipação de recebíveis em 2020. O volume foi mais do que o dobro do ano anterior.

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“Até o final de 2021, minha meta é chegar em 100 grupos econômicos, 500 mil fornecedores e movimentar R$ 25 bilhões”, afirma Gustavo Müller, sócio e fundador da Monkey. Com a chegada das novas normas, Müller vê um potencial enorme para o seu negócio, pois poderá colocar dentro da plataforma muitos mais fornecedores sem a necessidade de ter que checar a existência daquela operação com a empresa compradora.

Na visão da Líber, que tem um modelo de negócios e volume de transações parecidos com os da Monkey, o mercado de antecipação de recebíveis vai ficar mais eficiente e mais barato com a duplicata escritural.

“Quem não usava pode começar a usar. Com a duplicata escritural, o aceite e a liquidação resolvidos, as operações de crédito para recebíveis devem dobrar de volume”, avalia Victor Stabile, fundador e CEO da Líber, que movimentou R$ 8 bilhões em seu marketplace em 2020 e espera que este número cresça três vezes este ano.

“Hoje para eu conseguir transacionar duplicata no marketplace dependo da parceria com as grandes empresas para controlar a liquidação. Com a duplicata escritural qualquer empresa poderia entrar no meu ambiente e firmar um acordo sem eu precisar entrar em contato com os fornecedores dela”, explica Stabile.

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Melhora de desempenho e crédito elevam caixa das empresas gigantes, como Petrobras, Vale, Ambev e JBS

notas de 100 e 50 reais (Shutterstock)

Entre as empresas que mais elevaram a poupança financeira em 2020 estão Petrobras (PETR3;PETR4), Vale (VALE3), Ambev (ABEV3) e JBS (JBSS3). Só essas quatro companhias conseguiram elevar em R$ 50 bilhões o volume disponível até o terceiro trimestre do ano passado, segundo o levantamento do Cemec-Fipe.

Nessas gigantes, o crescimento da poupança financeira é atribuído a uma série de fatores, desde a captação no mercado de capitais até a melhora operacional das empresas, como foi o caso da Vale. A mineradora afirmou que o aumento do “caixa e equivalentes de caixa (forma contábil usada nos balanços)” é resultado do melhor desempenho da companhia no período, que foi beneficiada pelo preço internacional das commodities e pela desvalorização do real.

Na Ambev, a expansão da poupança financeira está associada à busca de recursos no Brasil e no exterior. Com o avanço acelerado da pandemia, a empresa decidiu elevar sua liquidez e garantir uma travessia mais tranquila durante o período. No segundo trimestre de 2020, a administração da companhia aprovou a contratação de empréstimos para financiar o seu capital de giro.

Para isso, foram feitas emissões de notas promissórias comerciais e a contratação de cédulas de crédito bancário, entre outras modalidades de empréstimos. Parte do volume captado, no entanto, foi liquidada antecipadamente no quarto trimestre.

No caso da Petrobras, o aumento do volume disponível se deve a um conjunto de medidas para reduzir os impactos da pandemia. Com a redução abrupta dos preços e da demanda de petróleo e combustíveis, a companhia optou pela redução de desembolsos (como a prorrogação do pagamento de impostos, permitidos pelo governo) e uso de todas as linhas de crédito disponíveis para preservar o caixa. No último trimestre, a Petrobrás usou parte desse caixa para operações de redução de dívida, mas ainda assim conseguiu manter a poupança elevada.

No JBS, a melhora do desempenho permitiu elevar o caixa, fazer aquisições e ainda reduzir o endividamento em 2020 – cenário bem diferente de muitas empresas brasileiras.

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Banco Central decreta liquidação da Companhia Hipotecária Brasileira; saiba como proceder com FGC

(Matéria atualizada às 12h55 com informações do Fundo Garantidor de Créditos.)

SÃO PAULO – O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (11) a liquidação extrajudicial da Companhia Hipotecária Brasileira (CHB), instituição fundada em 1968, em Natal.

Segundo ato assinado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, a decisão considerou o “comprometimento patrimonial da instituição, a situação de anormalidade operacional e as graves violações às normas legais que regulamentam o funcionamento da instituição”.

As atividades da CHB são voltadas basicamente para os financiamentos e empréstimos, seja para aquisição, quitação ou amortização de bens ou serviços, e até para reforço de capital de giro das empresas ou emergências familiares, desde que a operação tenha garantia de bens imóveis, de acordo com informação do site da CHB.

Segundo informações do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) referentes a janeiro, a instituição tem cerca de 2 mil credores, com depósitos que somam pouco mais de R$ 128 milhões, referentes principalmente a letras de crédito imobiliário (LCI).

Saiba mais:
O que é FGC e quais investimentos são garantidos pelo fundo?

Em nota à imprensa, o fundo informou que os depositantes da CHB já podem iniciar o processo de solicitação do pagamento das garantias pelo “Aplicativo FGC” para smartphones. O app está disponível para download nos sistemas operacionais Android e iOS.

“O aplicativo permite que o credor realize a solicitação da garantia totalmente on-line, com a segurança da identificação biométrica e sem a necessidade de comparecer com cópia dos documentos a uma agência bancária. Após realizar o cadastro, processadas as informações e recebido os dados do liquidante, o pagamento será realizado diretamente em conta corrente ou poupança do titular”, informou o FGC, por meio de nota à imprensa.

O valor total coberto pelo FGC é limitado ao teto de R$ 250 mil por CPF/CNPJ em cada conglomerado financeiro, com um limite de R$ 1 milhão renovado a cada quatro anos.

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Para dúvidas e solicitações, é possível entrar em contato com o FGC pelo e-mail credores.chb@fgc.org.br.

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Emissões de títulos brasileiros com perfil ESG atingem em janeiro o volume de 2020

Energy innovation light bulb graphic interface. (Getty Images)

(Bloomberg) — A André Maggi Participações, uma das maiores empresas agrícolas do Brasil, planejava levantar US$ 500 milhões com a venda de títulos verdes em sua estreia no mercado internacional de capitais. Até que se deu conta do tamanho da demanda.

Com os investidores clamando por títulos que financiem projetos benéficos ao meio ambiente, esta companhia familiar que produz e comercializa soja e milho decidiu ampliar a operação em 50%, emitindo US$ 750 milhões em títulos com prazo de sete anos a uma taxa de 5,25%.

“No fim das contas, os investidores ESG desempenharam um papel importante no sentido de nos permitir o aumento do tamanho da transação”, disse Dante Pozzi, diretor financeiro da Amaggi, se referindo à sigla em inglês para questões ambientais, sociais e de governança corporativa.

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A colocação da Amaggi na semana passada foi a maior em uma sequência recente de emissões de junk bonds sustentáveis ou verdes por empresas brasileiras.

Cinco delas venderam mais de US$ 2,8 bilhões em notas desse tipo este mês, aproximadamente a mesma quantia emitida por companhias brasileiras durante todo o ano passado, de acordo com dados compilados pela BloombergNEF.

“É o tema quente do momento”, disse Cristina Schulman, responsável por mercados de capitais de dívida da América Latina no Banco Santander. “Em todos os nossos diálogos hoje em dia, estamos conversando sobre sustentabilidade ou qualquer coisa relacionada a ESG.”

As captações aproveitam a crescente demanda por dívida que atenda critérios ambientais, sociais e de governança.

Empresas e governos da América Latina e Caribe venderam uma quantia recorde de US$ 17,6 bilhões em instrumentos no ano passado. As companhias com grau de investimento foram as primeiras a acessar o mercado, mas a última onda veio de empreendimentos na categoria de alto rendimento.

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Além da Amaggi, a fabricante de embalagens Klabin, a holding Simpar, o Itaú Unibanco Holding e o Banco BTG Pactual venderam bônus com elemento sustentável.

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Uma sexta empresa, a locadora de veículos Movida Participações, que é controlada pela Simpar, deve vender títulos ligados à sustentabilidade nesta quinta-feira, segundo uma pessoa a par do assunto. Todos os papéis têm classificação de risco igual ou inferior a BB+, de acordo com os dados compilados pela Bloomberg.

A Amaggi usará os recursos captados para financiar projetos de energia renovável, incluindo uma usina hidroelétrica e a instalação de painéis de energia solar. A companhia também ajudará pequenos fornecedores agrícolas a produzir mais soja certificada que não contribui para o desmatamento.

Os novos títulos da empresa subiram 1 centavo para 101 centavos de dólar desde que começaram a ser negociados, há menos de uma semana, segundo dados do sistema Trace.

É provável que a Amaggi continue estruturando títulos de sustentabilidade, disse Pozzi. “Não só a demanda, mas também a qualidade dos investidores é muito forte”, acrescentou o executivo.

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