Mercado deve viver tensão longa com “eleição antecipada”

Brasil em queda/crise (Foto: Getty Images) Brasil em queda/crise (Foto: Getty Images)

Às vésperas do envio do Orçamento de 2022 ao Congresso, previsto para até 31 de agosto, as notícias negativas que chegam de Brasília têm provocado volatilidade e aumentado as incertezas para a economia. A percepção é de que esse ambiente de tensão não deve se dissipar tão cedo, diante do debate antecipado das eleições de 2022 e dos ruídos políticos provocados pela crise entre os poderes alimentada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro.

O gatilho para a crise de confiança foi puxado pela apresentação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de parcelamentos dos precatórios (dívidas da União a empresas, pessoas físicas, Estados e municípios reconhecidas pela Justiça), mas outros fatores compõem essa espiral negativa.

A equipe econômica avalia que a volatilidade de agora será passageira e dissipada assim que ficar mais claro o desenho das novas medidas do governo para 2022, como o valor do auxílio Brasil (programa que vai substituir o Bolsa Família), a definição da PEC dos precatórios, o projeto do Imposto de Renda e o próprio Orçamento.

Porém, o espaço fiscal é pequeno, diante de tantas promessas do presidente Jair Bolsonaro para garantir a sua reeleição, que incluem, além de um programa de transferência de renda turbinado, reajuste para servidores públicos, novo subsídio para o diesel e pacote para estimular o emprego, com bolsa qualificação para os trabalhadores.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o secretário especial de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, fizeram várias aparições públicas ao longo da semana passada para passar confiança, mas as incertezas continuam.

“Reafirmamos o total compromisso com responsabilidade fiscal e controle de contas”, disse Funchal em um desses eventos, tentando transmitir a mensagem de que não haverá adesão ao populismo fiscal. Mas o governo não convenceu ainda. O próprio Funchal definiu os últimos dias como “um dos piores momentos em termos de turbulência”, por conta, sobretudo, das incertezas do mercado em relação à proposta de parcelamento das dívidas judiciais.

No front inverso, o Tesouro Nacional conta com um caixa de R$ 1,1 trilhão – um colchão de liquidez para enfrentar a volatilidade e administrar a oferta de títulos ao mercado.

Turbulência. Para o economista Fábio Terra, professor da Universidade Federal do ABC, essa “tempestade perfeita” deve se manter por um bom tempo. “É uma turbulência muito grande de vários fatores negativos. Num momento como esse, precisaríamos ter serenidade política, ter capacidade de liderança, mas o que está acontecendo é exatamente o inverso”, diz ele, que vê o presidente “esgarçando” o quadro institucional.

No campo econômico, Antonio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), diz que o Banco Central precisará acelerar a alta da Selic, a taxa básica de juros, para controlar a inflação, uma “bomba para 2022” pelo efeito no crescimento menor para o País.

PUBLICIDADE

Veja abaixo os principais fatores que têm formado essa tempestade perfeita, entre eles o aumento dos juros para controlar a disparada da inflação, o fim da bonança internacional e ruídos institucionais e fiscais.

O desafio da inflação e dos juros

Não foi uma semana fácil para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O comandante da política de juros no Brasil teve de fazer várias aparições públicas para transmitir confiança de que o BC vai controlar o processo de aceleração da inflação em meio à piora dos indicadores do mercado. Na sexta-feira, o dólar, por exemplo, chegou a atingir um patamar próximo de R$ 5,50, e acabou fechando em R$ 5,38.

“Temos os instrumentos, podemos fazer o trabalho. Estamos comunicando ao mercado com mais transparência como usamos nossos instrumentos”, disse Campos Neto, na quinta-feira, 19, com a mensagem de que fará tudo o que for possível e necessário para atingir a meta de inflação em 2022. Um trabalho também de coordenação das expectativas futuras da inflação, esforço que, como ele próprio admitiu, está sendo atrapalhado por um “fiscal descontrolado”.

Se o presidente Jair Bolsonaro contava com uma atividade econômica em recuperação e números mais robustos para pavimentar seu caminho à reeleição, esse cenário está cada vez mais distante. A espiral negativa é alimentada por ruídos políticos provocados pela percepção de que o presidente vai gastar mais para se reeleger, o que eleva a volatilidade do mercado e provoca a alta do dólar, que impacta ainda mais a inflação, renovando o círculo vicioso negativo.

O IPCA, índice oficial, fechou o mês passado em 0,96%, com alta acumulada de 8,99% em doze meses. E pior: as previsões do mercado não param de subir e apontavam, na última pesquisa Focus do BC, uma alta de 7,05% no final desse ano e de 3,90% em 2022. Projeções que devem subir ainda mais na pesquisa que será divulgada nesta segunda-feira pelo BC.

A inflação mais salgada puxou os juros para o patamar de 5,25% ao ano, e já se espera um aumento de mais 1 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. É uma medida para esfriar a atividade da economia e segurar a disseminação da elevação dos preços. A consequência é menos crescimento em 2022.

“Há uma tempestade perfeita”, diz Antonio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor do Programa de pós-graduação em Economia Política da PUC de São Paulo. Lacerda lembra que a divulgação do PIB no primeiro trimestre gerou euforia, mas, retirando o efeito estatístico, o crescimento não será muito diferente do padrão de 2017-2018-2019, ao redor de 1,5%.

A crise hídrica, que afeta os preços de alimentação e abastecimento de energia, chegou para complicar. “A crise hidrológica tem um impacto grande sobre a capacidade de expansão do PIB”, diz Fabio Terra, professor de economia da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Risco fiscal no radar do mercado

PUBLICIDADE

A inflação mais alta prejudica a população, mas deu um refresco para as contas públicas. Fez aumentar a arrecadação e reduziu a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). Essa melhora fiscal, porém, despertou ainda mais o ímpeto para gastos no governo Bolsonaro e nos seus aliados do Centrão.

Ao invés de melhorar a percepção da política da sustentabilidade das contas públicas, o resultado tem sido mais ruídos que aumentaram o risco fiscal. O temor que ronda as expectativas é a percepção de que a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que vem sendo registrada nas pesquisas, vai levar o governo a adotar medidas mais populistas para buscar a sua reeleição, comprometendo regras fiscais, como o teto de gastos (a norma que limita o crescimento das despesas acima da inflação) e ligando o botão da contabilidade criativa.

Nas últimas três semanas, dois focos de tensão do lado fiscal contaminam as expectativas e têm gerado alta volatilidade no mercado: o projeto que altera o Imposto de Renda (IR) e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que parcela em até dez anos o pagamento de parcela dos precatórios (dívidas que a União precisa quitar depois de decisões judiciais).

As preocupações com o projeto do IR são várias, a depender de quem ganha ou perde mais com a mudança, mas do lado das contas públicas o risco é de queda da arrecadação futura, com as vantagens que estão sendo dadas nessa reta final antes da votação. Além disso, a negociação do projeto, envolve custos adicionais, como o aumento da parcela de recursos da União que é transferida para as prefeituras via Fundo de Participação dos Municípios.

Já a PEC dos precatórios divide o mercado. A maior polêmica é o fato de poder levar o Congresso a retirar essas despesas (só em 2022 são R$ 89 bilhões) do teto de gastos para não comprometer o espaço no Orçamento para o novo Bolsa Família, rebatizado de Auxílio Brasil, para dar um benefício maior que R$ 300. O presidente alimentou o risco do mercado ao falar em subir o benefício para R$ 400.

“A PEC dos precatórios envolve uma operação triangulada com dívidas que ataca de uma vez só duas regras: o teto e as metas fiscais. Ou seja, dribla normas de controle do gasto público e ainda distorce o resultado fiscal do governo central”, avalia Leonardo Ribeiro, analista do Senado e conhecedor dos meandros da confusa legislação fiscal brasileira.

“Não há como cumprir o teto de gastos, pagar os precatórios e manter os programas de governo ao mesmo tempo”, diz. “Esse triângulo se assemelha às pedaladas fiscais desenhadas pelo ex-secretário do Tesouro Arno Augustin, do governo Dilma.”

Crescem os ruídos políticos

Os ruídos políticos e a crise institucional entre os poderes também têm elevado a tensão, nos últimos dias, em meio à pressão do presidente Jair Bolsonaro sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal e ameaças de ruptura institucional.

PUBLICIDADE

Além de trazer o risco de afugentar os investidores, a crise política entre Executivo, Judiciário e Legislativo, amplificada pela briga do presidente pelo voto impresso, tem afetado também o mercado. Uma preocupação adicional é com a antecipação da campanha eleitoral e a sinalização do presidente Jair Bolsonaro de que vai acionar medidas de populismo fiscal para ganhar a eleição em 2022, como aumento de subsídios para a concessão de vale-gás e desoneração do diesel. A crise tem dividido o Senado e a Câmara e deve trazer mais dificuldades para que as votações de projetos em uma Casa se completem na outra.

Na sexta-feira, 20, a notícia da agência Associated Press de que o presidente teria falado abertamente sobre seu arrependimento de apoiar a autonomia do BC reforçou a preocupação. O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, teve de sair a campo para garantir a autonomia do BC. O desconforto do presidente com a inflação, com o desemprego e com a queda de popularidade é cada vez maior, o que coloca pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

“A tensão política é bastante sentida no mercado e existe um sentimento de que ficou mais provável o cenário negativo do que positivo olhando para o futuro”, diz o economista Gabriel Galípolo. Ele pondera, no entanto, que não consegue enxergar a ideia de que o mercado esteja fazendo uma ruptura com ideias que são representadas pelo governo Bolsonaro no campo econômico. Para ele, hoje a preocupação fiscal é mais uma questão de expectativas e apostas, especulando sobre o que vai ser o futuro, porque no quadro atual as contas públicas estão numa situação melhor, com déficit menor. “Mas o ambiente político está muito conflagrado e isso colabora para uma tensão interna, que, somado ao cenário externo, azedou o mercado.”

Na avaliação do professor da PUC de São Paulo Antônio Corrêa de Lacerda, o presidente Bolsonaro, em meio à pressão, cria factoides, sendo o mais recente o pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. Bolsonaro prometeu entregar “nos próximos dias” outro pedido de afastamento tendo como alvo o ministro Luís Roberto Barroso, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TST). “No campo econômico, claramente ele vai jogar todas as fichas num auxílio emergencial turbinado que seria uma combinação de Bolsa Família visando criar algum impacto eleitoral”, avalia Lacerda.

Cenário externo em mutação

Grande exportador de alimentos e minérios, o Brasil tem sido favorecido desde o ano passado com o boom dos preços das commodities (produtos básicos), que se seguiu ao processo de recuperação da economia global depois da pandemia. Agora, os ventos começam a ficar diferentes com impacto na economia, que já passa por problemas domésticos como inflação e juros altos e desemprego resistente e persistente.

A desaceleração da China acendeu o alerta para o Brasil. E, como mostrou reportagem do Estadão, o avanço da variante Delta da covid-19 também tem reduzido o otimismo dos economistas em relação à recuperação da atividade global neste ano. A nova cepa tem levado a China a fechar cidades, freando a retomada. O governo chinês vem retirando estímulos econômicos, o que acaba impactando os preços de commodities importantes para a atividade econômica brasileira, como o minério de ferro.

“De repente, o que acontece no mundo deu uma virada e temos uma desaceleração da China e uma nebulosidade sobre o que o Banco Central dos Estados Unidos vai fazer na política de juros”, diz o economista Fábio Terra, da Universidade Federal do ABC (UFABC). “Tudo que o Fed (o banco central americano) decide é política monetária (no sentido de controlar a inflação) para eles, mas para a gente é política cambial (afeta o valor do real)”, diz Terra, para explicar a importância da conexão dos juros americanos com o comportamento do dólar no Brasil.

Para o economista, o mundo está muito ressabiado com a variante Delta, o que atrapalha o cenário externo. “Isso sozinho nos atrapalharia bastante, só que ainda se soma aos problemas internos, como a crise hidrológica”, diz.

Antônio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor da PUC de São Paulo, ressalta que a possível elevação da taxa de juros americana é sempre um problema para a economia global e para o Brasil. Para ele, a desaceleração do ritmo de crescimento chinês é uma má notícia para as exportações brasileiras, porque o Brasil é dependente das commodities.

Curso gratuito ensina a ter consistência na bolsa para ganhar e rentabilizar capital. Participe!

Mercado sente baque com renovado risco fiscal apontando 2º semestre volátil

The businesswoman in glasses standing near the display (Artem Peretiatko/ Getty Images)

SÃO PAULO (Reuters) – Os mercados financeiros no Brasil começaram agosto sob renovadas pressões fiscais, e segundo analistas esse aumento de prêmio de risco dá o pontapé inicial de um potencial recrudescimento de temores com as contas públicas até dezembro, quando ganhará corpo a discussão sobre o Orçamento 2022 e a eleição do ano vem ficará menos distante.

Desde o fim da semana passada o sentimento voltou a cambalear com manchetes do lado fiscal. Primeiro, por rumores de que o governo estudaria deixar o Bolsa Família fora do teto de gastos. Na sequência, e de forma relacionada, por alertas sobre um forte aumento no volume de pagamentos de precatórios para 2022, que abocanharia boa parte do espaço fiscal esperado para o ano que vem.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi explícito ao dizer que um pagamento integral dessa conta, que soma em torno de 90 bilhões de reais em 2022, atingiria as despesas do governo como um todo e não só o programa Bolsa Família, razão pela qual a União está trabalhando em proposta para flexibilizar as regras desse pagamento. Guedes reconheceu que o governo pode ter “dormido no ponto”.

O reflexo desse novo episódio de ruído fiscal ficava claro nos preços do dólar e dos juros. O dólar futuro saltou 5% entre a mínima de quinta passada e a máxima desta terça. Nos juros, o spread entre os DIs janeiro de 2027 e janeiro de 2022 subiu de 252 pontos-base para 287 pontos-base.

Nesta sessão, o real tinha, com folga, o pior desempenho entre as principais moedas globais.

“O mercado segue encontrando dificuldades para acompanhar o bom humor externo, principalmente com a volta do receio com tentativas do governo de furar o teto de gastos voltando aos holofotes neste segundo semestre –a tendência é que isso se mantenha tendo em vista que ano que vem teremos eleições presidenciais”, disse Victor Beyruti, economista da Guide.

Nesta semana, estrategistas do Morgan Stanley alertaram que a cada vez maior desaprovação do governo e a proximidade da eleição de 2022 sugerem potenciais riscos em direção a uma política fiscal menos austera.

“Isso poderia, em último caso, criar renovada pressão de alta para os juros longos, especialmente com o excesso de prêmio a termo se movendo para perto de zero”, disseram em relatório da véspera.

A Rio Bravo vai na mesma linha.

PUBLICIDADE

“No segundo semestre ainda teremos a intensificação das discussões sobre a eleição do próximo ano. Promete ser um final de ano de muita incerteza econômica e fiscal, de elevado risco país e, consequentemente, de volatilidade no mercado”, disse a gestora em comentário.

Essa potencial fonte de mais volatilidade acaba reduzindo o otimismo decorrente de outras variáveis que influenciam os preços dos ativos –como a alta de juros para a taxa de câmbio, por exemplo.

Os economistas Carlos Pedroso e Mauricio Nakahodo, do grupo financeiro MUFG, ainda projetam que o dólar terminará este ano em 5,10 reais, mas sob risco de deterioração do noticiário fiscal, especialmente depois das recentes manchetes sobre o Bolsa Família e o susto com os precatórios.

“Isso é preocupante, porque seria de se esperar a retomada do ajuste fiscal assim que a pandemia estivesse sob controle. Além disso, sinalizaria risco de populismo no ano eleitoral de 2022 se a chapa presidencial não estiver indo bem para a reeleição”, disseram em relatório.

Saindo do campo da expectativa, recentemente os dados fiscais divulgados já vieram piores. O setor público consolidado brasileiro registrou déficit primário de 65,508 bilhões de reais em junho, acima dos 60,0 bilhões de reais previstos em pesquisa da Reuters. A dívida bruta caiu, mas ainda ficou em 84% do PIB.

“Dado o elevado patamar da dívida pública, nesse ano, é fundamental conciliar responsabilidade fiscal com a pressão por novos gastos de combate a pandemia”, disse o Itaú Unibanco.

“Para os próximos anos, o principal risco é que haja uma flexibilização do regime fiscal do teto de gastos, o que ocasionaria deterioração adicional das condições financeiras, com impacto negativo sobre a atividade econômica.”

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

PUBLICIDADE

Orçamento evitou o pior cenário, mas o país segue no labirinto fiscal e corre risco de shutdown

Diante do dilema entre aumentar gastos públicos para estimular a economia e cumprir as regras fiscais vigentes, a solução politicamente construída para o impasse sobre a Lei Orçamentária de 2021 foi retirar os gastos da União com o combate à Covid-19 das despesas sujeitas ao teto de gastos, sendo algumas delas também retiradas do cálculo para a meta primária.

Essas ações afastaram o fantasma do decreto de calamidade pública, que poderia escancarar os gastos neste ano, como aconteceu em 2020. Contudo, evitar o pior cenário pode não ser suficiente para tirar o país do labirinto fiscal em que se meteu nos últimos anos. Nem sempre as soluções políticas resolvem as questões econômicas. Duas questões econômicas a considerar aqui: viabilidade da execução orçamentária e credibilidade fiscal.

Com relação à execução orçamentária: os cortes não são suficientes e ainda podem levar ao shutdown da máquina administrativa – a suspensão de serviços públicos por falta de recursos para pagar despesas tão necessárias como a conta de luz de órgãos públicos e a emissão de passaportes, por exemplo.

Segundo a consultoria da Câmara dos Deputados, as despesas primárias orçadas já excedem o teto em R$ 31,2 bilhões, sendo que o valor pode ser maior que isso, a depender do impacto do ajuste do salário mínimo nas despesas previdenciárias. Contudo, o governo sancionou o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021 com vetos de R$ 28,8 bilhões. Ou seja, somando os vetos de R$ 19,8 bilhões e o bloqueio de recursos de R$ 9 bilhões, o governo ainda teria que cortar mais R$ 2,4 bilhões para compensar os R$ 31,2 bilhões que ultrapassam o teto.

Além disso, cerca de R$ 16,9 bilhões dos R$ 28,8 bilhões são cortes ou bloqueios de despesas discricionárias (dinheiro que sustenta a máquina administrativa), o que pode reduzir o montante disponível para o custeio da máquina pública para abaixo do mínimo necessário de cerca de R$ 90 bilhões, segundo cálculos do Instituto Fiscal Independente (IFI).

Abstraindo o absurdo de erros e a lentidão do processo de aprovação do Orçamento de 2021, as expectativas fiscais do final de 2020 foram frustradas, o que reduz a credibilidade fiscal. Esperava-se, entre outros pontos, o fim dos gastos extraordinários, a não retirada de despesas do teto de gastos e da meta primária (com o déficit primário encolhendo para 3% do PIB no fim do ano, dos 9,23% de fevereiro passado, de acordo com a mediana das expectativas da pesquisa Focus).

Até agora, com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) Emergencial – que criou novas regras fiscais que permitiram a retomada do auxílio- e o Projeto de Lei do Congresso Nacional 2 (PLN 2/21) – que traz ajustes à LDO de 2021, flexibilizando regras para despesas com combate à pandemia -, as despesas fora do teto de gastos devem somar no ano R$ 128 bilhões, das quais R$ 84 bilhões também estarão fora da meta primária. Ações que não só ferem a credibilidade fiscal per se, mas aumentam o tamanho do endividamento público e, consequentemente, seu custeio no tempo.

Fato é que a credibilidade fiscal vem sendo reduzida desde a extensão do auxílio emergencial em setembro de 2020. Se adotarmos a abordagem de medir credibilidade pela expectativa dos agentes em relação à sustentabilidade da dívida, temos que observar duas dimensões: a projeção da evolução do resultado primário e a projeção da evolução da dívida bruta. Segundo a pesquisa Focus, o consenso ainda espera aumento do superávit primário ao longo do tempo – acreditando em algum esforço do governo em para controlar a dívida, contudo não tão eficiente porque a trajetória esperada da dívida bruta em relação ao PIB é ascendente por mais sete anos: dos 88,6% projetado para 2021, alcança 97,6% em 2028 e se estabiliza em 95,8% em 2030, 7 pontos percentuais acima do patamar atual.

E pensar que desde o final de julho de 2019, com a expectativa da aprovação da Reforma da Previdência (concluída em outubro e sancionada em novembro do mesmo ano), o consenso de mercado projetava dinâmica cadente para a relação entre a dívida pública bruta e o PIB.

PUBLICIDADE

É curioso que nas negociações em torno do Orçamento o time econômico aparentemente não tenha dado a devida importância à questão da credibilidade fiscal na evolução das expectativas macroeconômicas e nos preços dos ativos financeiros.

Era razoável esperar que o governo conseguisse negociar com o Congresso o adiamento de parte das emendas deste ano para o ano que vem, uma vez que o cenário para o orçamento de 2022 conta com folga de R$ 60 bilhões, conforme estimativa apresentada no projeto da LDO de 2022, enviada ao Congresso na semana passada. O teto de gastos em 2022 deve aumentar em R$ 110 bilhões (ajuste de 7,1%, que se refere à inflação acumulada em 12 meses até junho deste ano), enquanto as despesas indexadas à inflação sujeitas ao teto devem crescer R$ 50 bilhões (caso a inflação de 2021 fique em 4,4%).

À vista do impasse, conclui-se que a boa-fé supostamente construída entre governo e Congresso não foi suficiente para que a negociação alcançasse a cooperação necessária para o governo honrar acordos políticos sem correr o risco de cometer crime fiscal.

Definitivamente, há melhor solução que a atual escapada das regras fiscais estabelecidas. A negociação de menos investimentos em 2021 por mais investimentos em 2022 resolveria o impasse orçamentário deste ano e evitaria maior perda de credibilidade. Era necessário, porém, o diálogo e a negociação baseada em boa-fé e cooperação mútua.

Talvez a não postergação de emendas para 2022 seja explicada pela intenção de realizar gastos maiores ainda no ano que vem, às vésperas das eleições.

Enfim, enquanto a comunicação e confiança entre governo e Congresso não forem reconstruídas, e com elas a credibilidade fiscal, permaneceremos neste labirinto fiscal, escapando (ou não) dos fantasmas da vez.

Grandes economias têm US$ 13 trilhões em dívidas a vencer

mercados internacionais

(Bloomberg) — As maiores economias do mundo com níveis recordes de endividamento estão prestes a enfrentar um legado indesejável da crise financeira: uma dívida de US$ 13 trilhões.

Países do G-7 e os principais mercados emergentes estão diante dos vencimentos de títulos mais pesados em pelo menos uma década, muitos deles empréstimos para tirar suas economias da pior recessão desde a Grande Depressão. De acordo com dados compilados pela Bloomberg, esses governos podem precisar rolar 51% mais dívida do que em 2020.

A boa notícia é que contam com o apoio tanto de bancos centrais quanto de investidores. Autoridades monetárias com desafios econômicos da pandemia devem manter as políticas acomodatícias e os juros baixos. Títulos continuam sendo vistos como refúgio em meio ao impacto do coronavírus na saúde e nas economias.

“As proporções da dívida pública explodiram, mas acredito que as preocupações de curto prazo com o aumento da dívida são infrutíferas”, disse Gregory Perdon, codiretor de investimentos da Arbuthnot Latham. “A dívida é uma alavanca e, presumindo que não haja abuso, é uma das melhores ferramentas para aumentar a riqueza.”

As necessidades de refinanciamento são maiores nos EUA, com US$ 7,7 trilhões em dívidas a vencer, seguidos pelo Japão, com US$ 2,9 trilhões, de acordo com dados da Bloomberg. A conta da China subiu para US$ 577 bilhões em relação aos US$ 345 bilhões no ano passado. Na Europa, a Itália tem a conta mais pesada, de US$ 433 bilhões, seguida pela França, com US$ 348 bilhões. A Alemanha tem US$ 325 bilhões em dívidas a vencer contra US$ 201 bilhões no ano passado. Nem todos esses vencimentos serão necessariamente estendidos com novos empréstimos.

No entanto, o maior endividamento ainda deve se traduzir em rendimentos mais altos. A mediana de economistas pesquisados pela Bloomberg aponta rendimento de 1,24% para os títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA até o quarto trimestre em relação a 0,93% atualmente.

Ainda assim, bancos centrais carregarão o peso de manter os juros baixos para promover a recuperação econômica global. O Federal Reserve deve comprar quase metade dos US$ 2 trilhões de oferta líquida de dívida que, segundo a TD Securities, será emitida pelo governo dos EUA neste ano.

Na Europa, o resultado da compra de títulos do banco central ajudará a criar um déficit de 133 bilhões de euros (US$ 164 bilhões), de acordo com a Jefferies International.

“A realidade prática é que os níveis de dívida e os juros estão atrelados, porque a maior parte do mundo desenvolvido não pode pagar taxas de juros mais altas”, disse Steven Major, responsável global por pesquisa de renda fixa do HSBC.

Newsletter InfoMoney
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro, todos os dias no seu email:

PUBLICIDADE

Selic baixa pode perder eficácia em meio à dívida alta e dominância fiscal volta ao debate no Brasil

moeda de R$ 1 notas de R$ 50 e R$ 100 real dinheiro (Shutterstock)

O aumento substancial da dívida pública, a manutenção dos juros no seu piso histórico de 2% ao ano, mesmo com inflação em aceleração, e a desconfiança cada vez maior de que o País está à beira de um “populismo fiscal” realimentaram o debate sobre o risco de dominância fiscal no Brasil.

O tema é árido e pouco conhecido fora das rodas de debate econômico, mas tem repercussão direta no bolso dos brasileiros. Numa situação de dominância, as ferramentas que o Banco Central tem para controlar o avanço dos preços, entre elas a Selic, perdem potência, e seu uso pode até mesmo provocar o efeito inverso de impulsionar a inflação, dado o impacto que teriam no aumento do custo do endividamento da União.

Para abordar as saídas da crise fiscal provocada pela alta do endividamento do País, o Estadão começa a partir de amanhã uma série de entrevistas com especialistas. A primeira delas será com o ex-presidente do BC Affonso Celso Pastore.

Na dominância fiscal, é como se o BC estivesse numa encruzilhada. Se eleva os juros para conter a alta de preços, traz problema ao Tesouro Nacional, elevando ainda mais o endividamento e, no limite, abrindo a porta para mais inflação. Se não faz nada, a inflação pode ganhar força de qualquer maneira.

O diagnóstico atual é que o Brasil ainda não vive essa situação, considerada o pior dos mundos pelos economistas, uma vez que a aceleração da inflação força um ajuste fiscal pelo lado mais perverso: corroendo o poder de compra de famílias, sobretudo de menor renda. Mas os economistas alertam que é preciso agir com firmeza para mostrar compromisso com o ajuste nas contas públicas e fugir desse caminho.

A fotografia das finanças e do cenário político trouxe à tona a preocupação com a dominância, que já foi tema de debate na transição entre os governos FHC e Lula e em 2015/2016, no auge da crise durante o governo Dilma Rousseff. Tanto em 2002 quanto em 2016, as incertezas se dissiparam após sinalizações de compromisso com medidas de ajuste.

Melhores da Bolsa 2020
Cadastre-se gratuitamente para participar do encontro entre os CEOs das melhores empresas listadas na Bolsa e gestores de grandes fundos, entre os dias 24 e 26 de novembro:

A perspectiva hoje é de que a dívida bruta do governo termine o ano em 96% do PIB e passe dos 100% em 2025, segundo o Tesouro, sendo que dois terços têm custo diretamente atrelado à Selic, a taxa básica de juros. O BC, por sua vez, tem sido cada vez mais cobrado a alterar sua prescrição futura para os juros, indicando possível aumento da Selic, diante da aceleração dos preços de matérias-primas e insumos para a indústria.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem reforçado em seus discursos a necessidade de ter “disciplina fiscal”. “É responsabilidade de todos entender que temos agora um problema”, disse ontem em entrevista à GloboNews.

O economista Carlos Kawall, diretor do Asa Bank e ex-secretário do Tesouro Nacional, explica que, numa situação de dominância, a própria alta da taxa de juros se torna contraproducente porque eleva ainda mais a dívida e amplia a desconfiança em relação ao problema fiscal. “Aí, a única solução é deixar a taxa de juros mais baixa, de tal forma que a inflação ao final se torne a maneira de ajustar as contas públicas.”

PUBLICIDADE

Já o economista José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Ibre/FGV e ex-diretor do Banco Central, alerta que só manter o teto não resolve. “Não adianta atacar um ou dois elementos da despesa, tem de ser ‘arrasa quarteirão’. Frear as quatro rodas.”

O economista Fabio Terra, professor da Universidade Federal do ABC e diretor da Associação Keynesiana Brasileira (AKB), entende que a dominância fiscal seria uma “hipótese exagerada”. “Hoje nem sequer temos dinâmica inflacionária para se falar de dominância fiscal ocorrendo”, avalia.

Para o economista Roberto Ellery, professor da Universidade de Brasília, há risco de o Brasil chegar a uma situação de dominância fiscal. “A dívida está subindo muito, e não está claro como vai ser o próximo ano. As pessoas podem começar a achar que a dívida pode sair de controle, e isso abre a porta para a dominância fiscal.”

O lado desconhecido das opções: treinamento gratuito do InfoMoney ensina a transformar ativo em fonte recorrente de ganhos – assista!

Rombo nas contas do governo soma R$ 647,8 bilhões até agosto

As contas do governo central registraram um déficit primário de R$ 96,096 bilhões em agosto, o pior desempenho para o mês da série histórica, que tem o início de 1997. O resultado, que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, sucede o déficit de R$ 87,835 bilhões de julho. Em agosto de 2019, o resultado havia sido negativo em R$ 16,821 bilhões.

O rombo do mês passado foi menor que as expectativas do mercado financeiro, cuja mediana apontava um déficit de R$ 100,05 bilhões, de acordo com levantamento do Projeções Broadcast junto a 21 instituições financeiras. O dado do mês passado ficou dentro do intervalo das estimativas, que eram de déficit de R$ 123,60 bilhões a R$ 66,30 bilhões.

Em agosto, as receitas tiveram alta real de 1,0% em relação a igual mês do ano passado. Já as despesas subiram 74,3% na mesma comparação, já descontada a inflação, devido ao aumento dos gastos para fazer frente à pandemia do coronavírus.

PUBLICIDADE

No acumulado dos primeiros oito meses do ano, o resultado primário é negativo em R$ 601,283 bilhões, também o pior desempenho para o período da série histórica. Em relação a igual período de 2019, há queda de 15,0% nas receitas e avanço de 45,1% nas despesas em termos reais.

Em 12 meses até agosto, o governo central apresenta um déficit de R$ 647,8 bilhões – equivalente a 8,96% do PIB. A meta fiscal para este ano admitia um déficit de até R$ 124 bilhões nas contas do governo central, mas a aprovação pelo Congresso do decreto de calamidade pública para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus autoriza o governo a descumprir essa meta em 2020.

Ontem, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, atualizou a projeção da equipe econômica para o rombo do Governo Central em 2020, com uma estimativa de déficit de R$ 871 bilhões (12% do PIB), ante projeção anterior de R$ 866,4 bilhões (12,1%). Já a Proposta de Lei Orçamentária (PLOA) de 2021 prevê um novo déficit de R$ 233,6 bilhões no próximo ano. Em 2019, o déficit do governo central ficou em R$ 95,065 bilhões.

Receba o Barômetro do Poder e tenha acesso exclusivo às expectativas dos principais analistas de risco político do país

SPX se prepara para subida dos juros no Brasil e encerra posição comprada em techs americanas

SÃO PAULO – Em meio à ampla visão do mercado de que o Banco Central encerrou o ciclo de cortes da taxa básica de juros brasileira, há quem já esteja se posicionando para um aumento da Selic, ainda que o momento de elevação seja incerto.

“Com o fiscal deteriorando e a inflação dando sinais de normalização, acreditamos que as posições tomadas [em juros] começam a fazer sentido no nosso portfólio”, afirmou a gestora SPX, em carta a cotistas do fundo Nimitz referente ao mês de agosto.

Depois do último corte de juros promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no mês passado, levando a Selic para 2% ao ano, a SPX destacou que a discussão atual é sobre quando as taxas começarão a subir.

A visão da casa é de que as políticas monetária e fiscal continuarão a prover suporte para a economia global e, portanto, a busca se dá por alocações em países com espaço para uma acomodação adicional ou com distorções nos preços.

Mais uma vez, a gestora de Rogério Xavier deixou claras as suas preocupações com o rumo das medidas fiscais e monetárias adotadas globalmente para conter os efeitos da crise provocada pela epidemia de coronavírus, com atenção especial sobre o Brasil.

De um lado, a gestora assinala que, “no contexto delicado da crise de saúde, com gigantescas consequências econômicas em um Brasil de contas públicas frágeis, o presidente já mira o jogo eleitoral de 2022 e não consegue renunciar às políticas populistas que aceleraram a discussão do teto dos gastos para esse ano”.

De outro, “a falta de habilidade de execução e a desorganização da equipe econômica tornam o desafio ainda maior para a agenda de reformas, que é fundamental para garantir a solvência do país no longo prazo”.

Para a SPX, a qualidade da equipe do ministro Paulo Guedes diminui com a saída de figuras importantes do governo, com uma agenda tida como “esvaziada” e com maior valorização de pares com ideias consideradas desenvolvimentistas.

“Não vemos ruído nessa esfera e, sim, um claro sinal de deterioração e potencial perda da âncora fiscal. A cauda está ficando cada vez mais larga”, destacou a gestora, na carta.

Fragilidades pós-coronavírus

Ainda que, de maneira geral, a recuperação do consumo venha surpreendendo favoravelmente o mercado, assim como a queda do PIB, a SPX assinala que a dúvida em relação ao formato da curva de recuperação – em V, raiz quadrada ou “Nike” – prevalece.

Na avaliação da gestora, a pandemia acelerou tendências negativas, como de uma crise em economias emergentes e a perda de graus de liberdade pelos formuladores de políticas, além de ter introduzido e ampliado desequilíbrios.

Leia também:
Mercado não está dando o devido valor à fragilidade da economia brasileira, diz Stuhlberger

Na carta, a SPX aponta para grandes fragilidades a serem deixadas pela reação da política econômica ao coronavírus, no médio e no longo prazo.

“Haverá necessidade de superávits fiscais vultosos para estabilizar a dívida pública sem despertar os Deuses da Inflação. O futuro ficou, assim, comprometido, e países como o Brasil terão um acerto de contas que precisará de um consenso da população e de maturidade da classe política. No abismo fiscal e na verdadeira reabertura da economia, veremos esqueletos corporativos e um nível elevado de desemprego. Adiciona-se o fato de que o nível da renda atual não é sustentável.”

Fim da aposta nas techs

Na parte de ações internacionais, a SPX diz ter encerrado a posição “comprada” (com aposta na alta) no setor de tecnologia e “vendida” (aposta na queda) em small caps nos Estados Unidos.

A gestora segue com as posições relacionadas à eleição americana, consideradas assimétricas em um cenário de vitória democrata na Presidência e no Congresso.

Leia mais:
Toada positiva de ações de tecnologia poderá dar espaço para retomada de setores tradicionais e commodities, diz Ashmore

No que tange à bolsa brasileira, a alocação seguiu intacta, com teses compradas em empresas dos setores de utilities, telecomunicações, consumo e mineração, contra o Ibovespa.

Em termos de moedas, a gestora reduziu a alocação comprada em euro e seguiu vendida em divisas de países emergentes. Já na parte de commodities, a SPX está comprada em metais preciosos e industriais.

Por fim, em crédito, a SPX adicionou posições no mercado americano em títulos de empresas grau de investimento protegidos de oscilações de taxas de juros, além de nomes específicos de melhor qualidade no segmento high yield (papéis mais arriscados e com maior perspectiva de retorno).

Ao mesmo tempo, a gestora ficou mais seletiva na parte de América Latina, mantendo posições compradas em títulos corporativos, mas com menor exposição aos nomes “high beta”, após um bom desempenho do mercado nos últimos meses.

Em agosto, o SPX Nimitz rendeu 1,59%, com ganho de 5,67% em 2020, contra variações de 0,16%, e 2,12% do CDI, nos mesmos períodos.

Curso gratuito: aprenda a fazer das opções uma fonte recorrente de ganhos, de forma responsável e partindo do completo zero. Inscreva-se já!!