Tesouro emite US$ 2,25 bilhões em títulos em dólares no exterior

(Shutterstock)

Com um cenário fiscal mais benigno e ampla liquidez de recursos no mercado internacional, o Tesouro Nacional emitiu US$ 2,25 bilhões em dois tipos de bônus soberanos em dólar nesta terça-feira (29).

Mais cedo, o Broadcast mostrou que o governo brasileiro observou demanda expressiva, equivalente a US$ 7,5 bilhões.

As taxas de retorno asseguradas aos investidores ficaram maiores do que na última vez que o Brasil acessou o mercado internacional. Isso significa que o Tesouro precisou oferecer uma remuneração maior aos investidores. Ainda assim, elas são menores do que em algumas emissões realizadas quando o País tinha grau de investimento, o selo de bom pagador perdido em 2015. O resultado da emissão é considerado uma “janela bem aproveitada”.

A emissão foi feita com um novo vencimento de 10 anos (Global 2031) e a reabertura do papel de 30 anos (Global 2050), inaugurado em 2019 e que já havia tido uma nova emissão em dezembro do ano passado.

O governo foi ao mercado para levantar recursos e cobrir a necessidade de financiamento para vencimentos da dívida em moeda estrangeira programados para 2022. No início do ano, o Tesouro Nacional já havia informado ter os recursos em moeda estrangeira necessários para fazer frente à totalidade dos vencimentos da dívida externa em 2021.

A venda sincronizada de bônus de médio e longo prazos também servirá de referência para as captações externas de empresas brasileiras num cenário de grande liquidez de recursos no mercado internacional.

Segundo o Tesouro, foi emitido US$ 1,5 bilhão do Global 2031, com vencimento em 12 de setembro de 2031. O papel tem cupom de juros de 3,750% ao ano, com pagamento em 12 de março e 12 de setembro de cada ano. A emissão foi realizada ao preço de 98,948% do seu valor de face, resultando em uma taxa de retorno para o investidor de 3,875% ao ano, o que corresponde a um spread de 240,2 pontos-base acima da treasury (título do Tesouro dos Estados Unidos) de referência.

Em dezembro passado, a reabertura do Global 2030, até então o benchmark de 10 anos nas emissões externas do Tesouro, havia assegurado um yield de 3,450% ao ano ao investidor.

Já o Global 2050, com vencimento em 14 de janeiro de 2050, teve nova emissão de US$ 750 milhões. Com isso, o papel atinge um volume total em mercado de US$ 4,0 bilhões. Esse título possui cupom de juros de 4,750% ao ano, com pagamento nos dias 14 de janeiro e 14 de julho de cada ano. A emissão foi realizada ao preço de 97,333% do seu valor de face, resultando em uma taxa de retorno para o investidor de 4,925% ao ano, o que corresponde a um spread de 282,5 pontos-base acima da treasury de referência.

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Em dezembro passado, uma primeira reabertura do Global 2050, mesmo título emitido hoje, havia assegurado um yield de 4,500% ao ano ao investidor.

A operação foi liderada pelos bancos Bradesco BBI, Goldman Sachs e HSBC e será liquidada em 7 de julho de 2021.

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Argentina planeja buscar novo plano com FMI, diz ministro da Economia

(Bloomberg) — A Argentina vai buscar um novo programa com o Fundo Monetário Internacional, independentemente do resultado das negociações com credores de US$ 65 bilhões de títulos internacionais em default, disse o ministro da Economia, Martín Guzmán.

Guzmán também reiterou que o país atingiu o limite máximo no que está preparado para oferecer aos credores, embora tenha dito que o governo consideraria melhorar os termos legais da oferta.

“Após o processo de reestruturação da dívida com os credores privados, esperamos solicitar um novo programa do FMI que substitua o anterior, que não funcionou”, disse Guzmán em entrevista à Bloomberg Television na terça-feira. “Isso vai ocorrer independentemente do que acontecer com os credores privados.”

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A segunda maior economia da América do Sul, que está em um momento-chave do processo de reestruturação da dívida, também tem pendente um acordo de US$ 56 bilhões negociado com o FMI pelo governo anterior. O governo da Argentina trabalha para aumentar a arrecadação e reduzir o déficit fiscal, embora isso levará mais tempo do que o país e o FMI projetaram originalmente devido à pandemia de coronavírus, disse Guzmán.

“A consolidação fiscal deve ocorrer em um ritmo que permita à economia se recuperar e para sustentar essa recuperação”, disse.

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A Argentina tem até 4 de agosto para reestruturar US$ 65 bilhões em dívida externa, depois de entrar em default pela nona vez na história do país.

“Melhoramos significativamente a oferta e chegamos a um ponto em que é o esforço máximo que a Argentina pode fazer sem comprometer o curso social que tentamos alcançar”, disse Guzmán, ecoando comentários feitos recentemente pelo presidente da Argentina, Alberto Fernández. “Fizemos um grande esforço.”

O país ainda não conta com o apoio dos três principais grupos de credores, que afirmam representar detentores de mais de 50% da dívida externa da Argentina depois de unir forças com outros fundos nesta semana. A proposta mais recente dos credores exige um valor presente líquido de cerca de 3 centavos por dólar acima da oferta atual do governo, de cerca de 53 centavos, de acordo com relatório do Goldman Sachs.

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Os grupos originalmente incluíam fundos como BlackRock, AllianceBernstein e Monarch Alternative Capital, e agora incluem BlueBay Asset Management, Fidelity Management & Research e Amundi Asset Management, entre trinta empresas que se uniram.

Qualquer que seja o resultado, a Argentina passará muito tempo sem emitir dívida nova em moeda estrangeira, disse Guzmán.

“Não esperamos acessar os mercados internacionais por um tempo”, afirmou.

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