A alta dos combustíveis poderia ser evitada sem o fantasma das intervenções

“Efeito borboleta” é uma analogia criada pelo matemático e meteorologista Edward Lorenz para descrever como um pequeno evento pode ser responsável por causar uma grande consequência em ambiente dinâmico e não linear.

Lorenz utiliza o exemplo de uma borboleta batendo as asas na América do Sul como início de uma cadeia de eventos que culmina em um furacão no Texas, Estados Unidos.

Na prática, o exemplo citado, a despeito de soar absurdo, serve para demonstrar como sistemas complexos e dinâmicos, como o clima, são imprevisíveis, uma vez que podem ser alterados a qualquer instante.

Esta teoria em si acabou por se expandir para diversas áreas do conhecimento humano, como a própria história, ou economia.

Dentre os inúmeros casos do tipo dentro da economia brasileira, por exemplo, talvez o de junho de 2013 seja o mais interessante.

O marco mais relevante dos protestos de rua no Brasil nasceu por uma briga entre a então presidente da República, Dilma Rousseff, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Dilma tentou fazer com que Haddad aumentasse os subsídios e impedisse um aumento nas tarifas de ônibus em São Paulo.

A lógica ali era simples. O aumento de preço das passagens era parte do índice da inflação. Se Haddad usasse dinheiro público para pagar os custos e a passagem não subisse, o índice de inflação não iria subir.

Essa prática de “fraude” nos índices de inflação foi bastante comum, em especial nos chamados “preços administrados”, aqueles que dependem de autorização de agências reguladoras.

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Apenas na política de congelamento de preços da Petrobras (PETR3;PETR4), estimasse que os acionistas (como o governo), tenham perdido R$ 120 bilhões para garantir que a gasolina não subisse de valor na bomba.

No caso de São Paulo e o aumento de “20 centavos”, como no da Petrobras, Dilma derrotou Haddad, mantendo o preço e forçando gastos com subsídios.

No meio do caminho, porém, o país viu uma série de protestos e insatisfações com o governo emergirem na rua, puxada inicialmente por um protesto contra este aumento.

Os protestos se tornaram amplos, e mesmo sem perceber, a população em geral protestava contra as consequências acumuladas por essas medidas fiscais controversas.

A bomba criada pelo represamento de preços de combustíveis, manipulação do orçamento e falta de confiança, explodiria em 2015.

Naquele mesmo ano a conta de luz, outra que havia sido manipulada em 2013, subiu em média 51%. Combustíveis, alimentação, saúde e outros diversos setores também tiveram altas expressivas. No total a inflação chegou a 10.37%.

Deste escombro, em 2016, restaria uma vítima principal: a Petrobras.

A estatal foi abalada sob todas as perspectivas. Pagou caro por produtos de pior qualidade, teve prejuízos sucessivos, sofreu saques em contratos fraudulentos e viu sua dívida explodir.

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Em 2016, a Petrobras chegou a ser a petroleira mais endividada do mundo.

Se hoje a dívida caiu e os lucros voltaram, foi por um longo processo de correções que, como não poderia deixar de ser, também gerou problemas pelo caminho.

A Petrobras assumiu uma política de preços que segue o padrão internacional, deixando de incorrer em prejuízos pra ajudar o consumidor brasileiro.

Pode parecer polêmico, mas convenhamos que não deveria ser tarefa de uma estatal subsidiar a parcela mais rica da população, que pode se dar ao luxo de manter um carro em um país onde metade dos trabalhadores vivem com menos de um salário mínimo.

Ainda que muitos discordem, esta política de paridade de preços tem sido a adotada desde a gestão de Pedro Parente.

Como consequência, vimos uma greve dos caminhoneiros que derrubou a economia e fez o governo incorrer em novos subsídios (desta vez usando diretamente o orçamento e não a estatal).

Neste exato momento, porém, a dose aplicada para corrigir o problema começa a enfrentar desafios maiores.

A Petrobras voltou a ser lucrativa, mas os combustíveis saíram de controle. O preço da gasolina já subiu 28% na bomba neste ano.

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Seria bobo culpar a empresa pelos aumentos de preços atuais, tendo em vista que ela apenas segue preços internacionais.

Neste caso, há de se considerar a política monetária e tributária do país. Os dois grandes vilões atuais.

No caso da política monetária, que envolve a moeda brasileira, há um problema por parte do Banco Central, que errou na dose quando o assunto são os juros e perdeu o controle da inflação e do câmbio.

Por conta disso, o Banco Central deve seguir aumentando os juros.

Mas, como ressalta o próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nem tudo neste caso depende do BC. Há uma agenda fiscal perigosa por parte do governo e congresso.

Dentre os fatores, a possibilidade de que os gastos aumentem para bancar programas sociais em ano eleitoral, uma dívida com precatórios que não se sabe como será paga. Além, é claro, da ausência de uma reforma tributária, parada no Congresso.

Do ponto de vista tributário temos um problema conhecido, e que faz o ICMS ser o outro grande vilão da alta de preços.

Isso ocorre pois o ICMS é calculado com base em um preço de referência. Este preço por sua vez aumenta toda vez em que a Petrobras reajusta seus preços nas refinarias.

Em resumo: imagine que o preço do combustíveis seja de R$ 2, e que o ICMS seja de 20%. O imposto seria de R$ 0,40. Caso o preço base aumente para R$ 3, o imposto seria de R$ 0,60. Como mencionei neste texto aqui, esse é o principal motivo pelo qual a inflação beneficia os governos. Ela eleva a arrecadação mesmo mantendo a alíquota igual.

Boa parte dos estados hoje cobra mais ICMS sobre combustíveis, ainda que as alíquotas tenham se mantido iguais.

Alterar isso é uma das funções de uma reforma tributária. Trata-se de algo urgente, em especial, pois o ICMS é um imposto discricionário.

Na prática, estados cobram mais impostos de combustíveis, energia e telecomunicações, por serem “fáceis de tributar”. Todos os 3 são, além de ótima fonte de arrecadação, insumos básicos para empresas.

Não é razoável portanto cobrar mais impostos pq o custo do produto subiu. Soa anacrônico, como nosso sistema tributário em si.

Sem voltarmos para os tempos onde os subsídios e maquiagens eram escondidos por detrás de balanços da estatal, seria possível, e positivo, agirmos por meio de um fundo de compensação.

Em teoria, este deveria ser o papel da CIDE, que já se perdeu em função e hoje é meramente arrecadatório.

Ainda assim, seria importante buscarmos maneiras de impedir que os preços variem da forma como estão variando.

É uma tarefa importante, dada a capilaridade do setor de transportes sobre os preços na economia e na composição dos custos de diversos produtos.

Sem ideias mirabolantes, utilizando os gordos dividendos que a estatal deve pagar ao governo este ano, seria possível corrigir essas distorções. O problema, é claro, é que este é um desafio político dentre tantos.

Se o governo irá olhar para o preço dos combustíveis ou buscar aumentam benefícios sociais, ou ainda, custear dívida, dependerá da maneira como a política pública é pensada no país. É aí que mora o perigo.

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Emenda altera proposta para dividendos na reforma do Imposto de Renda

(Rmcarvalho/Getty Images)

Uma emenda do PSDB que busca ampliar de forma gradual a taxação dos dividendos de empresas distribuídos à pessoa física tem ganhado apoio nos bastidores do Congresso Nacional para ser incorporada à proposta de reforma do Imposto de Renda (IR), mas a medida ainda enfrenta resistências da equipe econômica e de Estados e municípios, que temem perder arrecadação.

A emenda, cuja coleta de assinaturas de apoio ainda está em andamento, prevê uma tabela de cobrança progressiva do IR sobre dividendos, iniciando em 10%, em 2022, e chegando a 15% a partir de 2023. A alíquota final proposta é menor do que a apresentada pelo governo no projeto de lei, que é de 20%.

Além disso, a emenda costurada pelos parlamentares prevê que os dividendos distribuídos a partir de lucros apurados até 31 de dezembro de 2021 continuariam isentos. Esse ponto também reduziria a taxação, uma vez que a proposta do governo prevê cobrança de IR sobre quaisquer dividendos distribuídos a partir de 2022.

Um integrante da equipe econômica disse ao Estadão/Broadcast que o governo é contrário a essa proposta, pois ela pode causar “desequilíbrio” de arrecadação. Segundo essa fonte, a solução seria “rejeitar” a emenda.

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Câmara pode votar projeto de reforma do Imposto de Renda nesta quinta-feira; veja as mudanças

A tarefa, porém, pode não ser fácil. Um líder de partido de centro disse à reportagem, sob condição de anonimato, que a emenda tem angariado apoio entre os congressistas e há a possibilidade até mesmo de outras propostas na mesma direção surgirem até a votação do parecer do relator, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA).

Na terça-feira, o próprio líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressisas-PR), chegou a dizer que o aumento gradual da taxação dos dividendos tem apoio. Nesse mesmo dia, em meio a mais uma tentativa frustrada de votar o relatório, ele afirmou que, se a proposta for acatada, haverá perda para os municípios.

“Para atendermos ao pedido da maioria dos parlamentares de se reduzirem os dividendos para 10% no primeiro ano e, depois, para 20%, aí haverá perda para os municípios. Então, nós atenderemos um lado e desatenderemos outro”, disse Barros no plenário. “Se atendermos à questão dos dividendos, haverá perda para os municípios; se não atendermos à questão dos dividendos, não teremos votos. E os parlamentares também não querem impor perdas aos municípios”, afirmou o líder.

Ontem, Barros disse ao Estadão/Broadcast que as negociações em torno da taxação dos dividendos seguem em curso. A votação do projeto foi adiada para a semana que vem.

Bastidores

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O adiamento deflagrou uma guerra de bastidores por novas concessões para os governos regionais, que querem mais R$ 18 bilhões para apoiar o texto. Como mostrou o Estadão/Broadcast, os acordos sinalizados até agora pelo governo para destravar a votação já levaram a uma reforma que “não se paga há muito tempo”, na avaliação da “ala fiscalista” do Ministério da Economia.

O texto reduz de 15% para 6,5% a alíquota do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), além de diminuir em 1,5 ponto porcentual a tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

A carga total sobre a renda das empresas cairia de 34% para 24%, uma diminuição total de 29,4% na tributação, calcula Sabino.

As mudanças no IR também abrangem as pessoas físicas, mas, neste caso, há acordo para manter o texto enviado pelo governo. A faixa de isenção subiria de R$ 1.903,98 para R$ 2,5 mil, uma correção de 31%. Com isso, mais de 5,6 milhões passariam a ser considerados isentos.

As demais faixas do IR também foram ajustadas, mas em menor proporção (cerca de 13%).

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Eletrobras vê prazo “desafiador” para privatização; é prudente sobre dividendos

Rodrigo Limp Nascimento (Foto: William Borgmann / Senado Federal)

SÃO PAULO (Reuters) – O cronograma para capitalização da Eletrobras (ELET3;ELET6) é “desafiador”, com uma série de etapas a serem cumpridas até a operação de privatização estimada para fevereiro de 2022, disse o presidente-executivo da companhia, Rodrigo Limp, mas demonstrando confiança de que o “follow-on” ocorrerá dentro do prazo.

“É um cronograma desafiador, muitas etapas para serem concluídas até chegar na operação em si. Mas estamos confiantes na realização da operação neste cronograma”, declarou ele nesta quinta-feira, durante teleconferência com investidores para comentar os resultados do segundo trimestre da elétrica, cujo lucro disparou para R$ 2,5 bilhões.

“É fato que temos de acompanhar e trabalhar com cenários alternativos, mas hoje o nosso cronograma é fevereiro de 2022 (para o ‘follow-on’). Estamos bastante confiantes que vamos conseguir concluir neste prazo.”

Segundo apresentação da Eletrobras, a companhia espera para agosto a definição, pelo governo, do bônus de outorga para a renovação de contratos antigos de hidrelétricas.

O bônus será pago ao Tesouro com recursos levantados na oferta de ações que diluirá a fatia da União na companhia.

Em setembro, a Eletrobras espera ter concluído estudos, laudos e modelos para a capitalização. Em novembro, a companhia aguarda aprovação do órgão antitruste Cade.

Para dezembro, a elétrica aguarda a definição do modelo de segregação de Itaipu e Eletronuclear, que não integrarão a companhia privatizada. No mesmo mês, é aguardada a definição do percentual de diluição da União na empresa, além de autorização da agência reguladora Aneel.

Para janeiro, a Eletrobras prevê obter a deliberação do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a operação, assim como quer realizar a assembleia de acionistas sobre a capitalização.

Questionado por analista se a companhia e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que participa do processo de privatização, já têm mantido contatos com o TCU para evitar que o órgão seja surpreendido quando receber os documentos para analisar o caso, o CEO respondeu que sim.

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Ele acrescentou que, dessa forma, não acredita que o TCU venha tomar medidas que possam atrasar de forma considerável a operação de oferta de ações, embora o tribunal deva cumprir seu papel de propor eventuais ajustes.

Com a aprovação do TCU e dos acionistas, em fevereiro a companhia espera realizar a oferta de ações, em processo visto pelo governo possivelmente como a maior privatização já feita no país.

A maior parte dos R$ 100 bilhões previstos com a privatização da Eletrobras deverá ser obtida com a venda de fatias do governo na empresa após a capitalização, que deverão render cerca de 80 bilhões de reais, disse em junho o secretário especial de Desestatização do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord.

Prudência

A Eletrobras não mudará sua política de dividendos, apesar de ter reduzido fortemente sua dívida líquida, o que segundo um analista poderia permitir uma maior remuneração ao acionista.

A dívida líquida recuou para 16,9 bilhões de reais no final do segundo trimestre, ante 20,6 bilhões de reais ao final de março, o que permitiu uma redução da alavancagem (dívida/Ebitda) para 1 vez, ante 1,4 vez no período anterior.

Ao ser questionada sobre dividendos, a diretora financeira e de Relações com Investidores da Eletrobras, Elvira Presta, comentou que é tempo de prudência, especialmente antes da definição do valor da outorga para renovação dos contratos da hidrelétricas.

“No momento a gente não tem previsão de alterar essa política de ‘payout’… e também estamos muito atentos ao próprio processo de capitalização, tem que aguardar o bônus de outorga, qual vai ser o tamanho da capitalização, quanto vamos ter que desembolsar”, afirmou ela.

Elvira lembrou que a empresa ainda tem pela frente desembolsos relevantes, como a anunciada antecipação de pagamentos de dividendos de R$ 1,5 bilhão, US$ 632 milhões referentes a bonds e aporte de R$ 1,6 bilhão para Angra 3.

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“Estamos sendo mais prudentes de aguardar esse cenário ficar mais claro antes de pensar em algum eventual ajuste na política (de dividendos), no momento, não é o plano.”

A diretora afirmou ainda que a empresa está começando o processo de planejamento anual, já pensando no cenário da empresa capitalizada, “e como seria o nível de investimento e potenciais operações que podem ser avaliadas”.

Entre os objetivos da privatização está a melhoria da capacidade de investimento da elétrica, considerada a maior da América Latina.

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Dividendos da Petrobras podem ajudar governo a conter preços de combustíveis

Combustíveis (Foto: Getty Images)

A Petrobras (PETR3;PETR4) está disposta a ajudar o governo, mas não com subsídios aos combustíveis. A empresa vai antecipar o pagamento de R$ 32 bilhões em dividendos a seus acionistas. A maior beneficiada, com R$ 15,4 bilhões, será a União, sócia majoritária da petrolífera. Além disso, a estatal trabalha com o Ministério de Minas e Energia (MME) para criar um fundo de estabilização dos preços dos combustíveis. A ideia é, com o dinheiro, aliviar os consumidores, que estão pagando cada vez mais caro pelos produtos da estatal, à medida que a cotação do petróleo dispara no exterior.

O incômodo do governo com a política de preços da Petrobras derrubou Roberto Castello Branco da presidência da estatal. Seu sucessor, Joaquim Silva e Luna, assumiu o cargo com a incumbência de atenuar os efeitos da valorização dos combustíveis no orçamento das famílias e, ao mesmo tempo, garantir o retorno financeiro aos acionistas. Diante da persistência da alta dos preços, o presidente Jair Bolsonaro voltou a se manifestar sobre a Petrobras nos últimos dias. Ele disse estudar com a empresa a criação de um vale-gás.

“A Petrobras terá um fundo de R$ 3 bilhões para um vale-gás. A proposta está bem avançada. A ideia é dar um botijão de gás a cada dois meses para o pessoal do Bolsa Família”, disse Bolsonaro a uma rádio do Rio Grande do Norte, na última quarta-feira.

A Petrobras nega. A empresa disse que, ao menos por enquanto, está ajudando apenas com ideias, que poderão ser usadas na definição do fundo de estabilização dos preços, segundo o diretor de comercialização e logística da estatal, Claudio Mastella, ao detalhar a analistas as demonstrações financeiras do segundo trimestre, quando a companhia registrou lucro de R$ 42,8 bilhões.

Leia mais: Petrobras ganha R$ 30,7 bi de valor com altos dividendos “emocionando” investidores; analistas destacam que mais está por vir

Uma das causas desse resultado é a política de paridade de importação adotada pela empresa, que alinha os seus preços aos do mercado internacional. A diferença, agora, é que ela está demorando mais tempo a repassar ao consumidor as volatilidades externas.

Indiretamente, no entanto, a estatal já está ajudando o governo. Neste mês, vai pagar antecipadamente uma parcela dos R$ 11,6 bilhões em dividendos destinados à União pelo resultado do fechamento de 2021. Considerando outras parcelas já pagas, o Tesouro vai ficar com R$ 15,4 bilhões de retorno pelo controle da estatal. Trata-se da maior distribuição de dividendos pela estatal desde 2018.

Reações

A antecipação dos dividendos foi bem recebida pelo mercado, que viu na medida a melhor solução para evitar possíveis intervenções políticas na gestão da empresa para baixar os preços dos combustíveis. “O Fundo Brasil, a ser integrado pela rede de resultados que a União tem direito e por recursos de privatizações e de venda de imóveis públicos, alinharia o interesse da Petrobras, minoritários e controlador”, disse o UBS, em relatório, projetando para 2022 dividendos de U$ 15 bilhões.

O Fundo Brasil é uma proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, para pagar precatórios e benefícios sociais. Mas não foi definido, por enquanto, se o fundo de estabilização dos preços dos combustíveis terá relação com o Fundo Brasil. De qualquer forma, a ideia de utilizar os ganhos com as estatais para solucionar lacunas econômicas agrada o mercado.

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O Bradesco BBI avaliou que a “Petrobras deve se tornar uma poderosa e sustentável pagadora de dividendos”. Em relatório, o banco disse que os proventos podem aumentar nos próximos dez anos. “Um risco importante agora é a aproximação das eleições presidenciais de 2022.”

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Vale tem alta probabilidade de pagar mais dividendos além dos anunciados para setembro, aponta Credit Suisse

(Divulgação)

SÃO PAULO – Em relatório sobre o setor de mineração e as perspectivas de retorno de caixa das companhias do setor, os analistas do Credit Suisse apontaram que têm recebido muitos questionamentos sobre o tema, especialmente devido ao aumento nos preços das commodities em 2021, que deixou as grandes empresas com muito caixa e baixa alavancagem.

Para Caio Ribeiro, Saul Kavonic, Gabriel Galvão e Alex Ren, analistas do banco, a combinação de forte fluxo de caixa livre e forte e baixa alavancagem deve continuar apoiando perspectivas de retorno de caixa forte na segunda metade deste ano e em 2022.

Para a segunda metade deste ano, a expectativa é de que as grandes mineradoras distribuam uma média de 95% de seu Fluxo de Caixa Livre para o Patrimônio Líquido (FCFE, na sigla em inglês), uma medida de quanto pode ser distribuído aos acionistas da empresa como dividendos ou recompra de ações depois de pagamento de despesas, reinvestimentos e dívida. Para 2022, os analistas veem as companhias distribuindo uma média de 74% de seu FCFE.

Com relação à Vale (VALE3) especificamente, os analistas comentam que a brasileira, inclusive, pode pagar mais dividendos além dos previstos: “há uma grande probabilidade”.

Eles ressaltam que os investidores vêm antecipando que a empresa poderia anunciar um dividendo extraordinário adicional ao valor mínimo a ser pago de US$ 5,3 bilhões para setembro (com base em sua política de dividendos mínimos).

Veja também: Vale anuncia distribuição de dividendos de R$ 2,177 por ação; analistas veem espaço para ainda mais proventos

Isso porque US$ 10,844 bilhões é o valor que a Vale tem disponível para distribuir na forma de dividendos e recompra no terceiro trimestre de 2021. Assim, a mineradora brasileira teria US$ 5,544 bilhões adicionais de remuneração para os acionistas.

Os analistas ainda destacam que, no final do segundo trimestre, a Vale já tinha executado 34% do seu programa de recompra. Levando em conta que ela executaria o restante no terceiro trimestre, isso exigiria US$ 3,874 bilhões (assumindo os preços atuais das ações), e ainda sobraria US$ 1,670 bilhão para dividendos extraordinários a serem adicionados ao dividendo anunciado para o início do mês de setembro.

Para o Credit, naturalmente, a Vale pode optar por não executar integralmente seu programa de recompra no terceiro trimestre, o que abriria espaço para mais dividendos.

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No entanto, o importante a notar é que a perspectiva de retorno máximo de caixa para o terceiro trimestre deve totalizar US$ 10,844 bilhões. “Esta é uma restrição temporária já que a Vale deve gerar lucro líquido adicional no segundo trimestre que abriria espaço para mais retornos de caixa em períodos futuros”, avaliam.

Os analistas do Credit possuem recomendação outperform para os ADRs (American Depositary Receipts, ou as ações negociadas pela Vale na Bolsa de Nova York), com preço-alvo de US$ 28, o que corresponde a um potencial de 32% em relação ao fechamento de quinta-feira.

Segundo compilação da Refinitiv, de 23 casas que cobrem os ADRs da Vale, 20 recomendam compra, 2 manutenção e apenas 1 recomenda venda. O preço-alvo médio é de US$ 25,32, alta de cerca de 20% em relação ao fechamento de quinta-feira. Para os papéis VALE3, de 9 casas que cobrem a ação, 7 estão com recomendação de compra e 2 têm recomendação neutra, com preço-alvo médio de R$ 130,35, ou upside de 19,5%.

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20 ações que devem pagar dividendos acima da Selic, agora em 5,25% ao ano

SÃO PAULO – Como esperado pelo mercado financeiro, o Banco Central elevou novamente a taxa Selic, desta vez em 1 ponto, para 5,25% ao ano, e deixou a porta aberta para uma nova alta na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro.

Ainda que o aumento da taxa básica de juros possa deixar a renda fixa mais atrativa, a inflação continua em patamares elevados, corroendo o retorno dos investidores. Com isso, aplicações mais arrojadas, como ações na Bolsa, seguem na preferência de gestores de patrimônio.

Isso porque os juros reais (acima da inflação) devem continuar próximos de zero no horizonte próximo.

No relatório Focus, do Banco Central, mais recente, as projeções apontam para Selic de 7% em dezembro e inflação de 6,79% em 2021 – o que implica baixo retorno real para investidores em renda fixa.

Neste cenário, rendimentos de dividendos acima da taxa de juros para algumas empresas são vistos como uma boa oportunidade, uma vez que, além da possibilidade de ganho de capital, o investidor conta também com uma rentabilidade adicional na forma de proventos.

Leia também:
Taxa Selic sobe conforme o esperado, mas indicação de aumento para patamar acima do “neutro” surpreende mercado

A XP fez um levantamento com 20 ações da cobertura que podem pagar um dividend yield (rendimento dos dividendos) acima de 5,3% ao ano.

Desta lista, que inclui geradoras de energia, bancos e uma construtora, 12 papéis devem pagar um dividend yield acima de 7%, que é a projeção do Focus para a taxa de juros no fim do ano. Confira:

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Vale lembrar que as companhias têm a obrigatoriedade, por lei, de remanejar pelo menos 25% de seus proventos para os acionistas.

Confira as recomendações da XP para as 10 maiores pagadoras de dividendos:

Banco do Brasil (BBAS3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 13,7%

Na avaliação dos analistas da XP, o banco combina preço atrativo, pela sua carteira de crédito defendida, e uma frente digital competitiva.

“Acreditamos que a distribuição de dividendos do Banco do Brasil deve se tornar relevante, pois o banco deve aumentar seu payout em um cenário de maior capitalização, recuperação de lucros e Previ I com superávit de R$ 22 bilhões”, escrevem, em relatório.

A XP tem recomendação de compra para os papéis BBAS3 e preço-alvo de R$ 52 por ação.

Engie ([ativo=EGIE3]) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 11,7%

No caso da geradora de energia elétrica, a XP destaca a capacidade diferenciada de a empresa se proteger de efeitos hidrológicos adversos, somada à sua diversificação de portfólio com a entrada nos setores de transmissão de energia e transporte de gás.

“Acreditamos que a companhia deverá manter uma prática de distribuição de 100% do lucro líquido aos acionistas em 2021, assim como ocorreu em 2020”, escreve o time de análise.

A XP tem recomendação neutra para os papéis EGIE3 e preço-alvo de R$ 48 por ação.

Taesa (TAEE11) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 9,2%

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Outra empresa do setor elétrico, Taesa está confortável para manter a distribuição de 100% de lucros em 2021, segundo a XP.

Os analistas escrevem que a companhia vem apresentando um histórico de pagamento de dividendos bem acima da remuneração mínima que consta em seu estatuto. A XP tem recomendação neutra para a Taesa, com preço-alvo de R$ 37 por ação.

Copel (CPLE6) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 9,2%

De acordo com a XP, a Copel divulgou uma nova e robusta política de dividendos em 2021, na qual os proventos serão calculados conforme alguns critérios, como o de alavancagem abaixo de 1,5 vez ou igual a 65% do lucro líquido ajustado, por exemplo.

O time de análise estima um dividend yield de 12,2% em 2021 e 2022 para CPLE6, mantém a recomendação de compra para as ações e vê um preço-alvo de R$ 7,5 por ação, para CPLE6, e de R$ 37,50 por unit para CPLE11.

Bradesco (BBDC4) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 9,3%

Do setor financeiro, Bradesco possui uma fonte diversificada de receitas, incluindo a maior seguradora do Brasil em participação de mercado, destaca a XP.

Os analistas ressaltam ainda a carteira de crédito do banco, a terceira maior do mercado, bem como o maior espaço para corte de custos em relação a pares como Itaú e Santander, além da boa sinergia entre seus negócios.

“Embora o banco tenha mostrado esforços em iniciativas como o banco Next, Ágora e Cielo, acreditamos que não haja claras oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com altas taxas de retorno, tornando atrativa a distribuição de dividendos”, escrevem os analistas.

A XP tem recomendação neutra para o Bradesco e preço-alvo de R$ 26 por ação.

BB Seguridade (BBSE3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,6%

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Também do setor financeiro, BB Seguridade deve se beneficiar, segundo o time de análise da XP, de um crescimento de prêmios impulsionado pela retomada econômica, bem como da capacidade de distribuição pelas agências do Banco do Brasil.

Desta forma, escreve a XP, dada a baixa necessidade de capital, a BB Corretora apresenta margens altas impulsionando os retornos da companhia e, consequentemente, os proventos.

A XP tem recomendação de compra para a BB Seguridade com preço-alvo de R$ 35 por ação.

Plano & Plano (PLPL3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,5%

A Plano&Plano é uma incorporadora focada no segmento de baixa renda que opera principalmente na região metropolitana de São Paulo.

“Vemos a combinação de execução sólida e sua abordagem mais asset-light impulsionando suas operações nos próximos anos com um dos maiores retornos do segmento e baixa alavancagem financeira, o que deve levar a companhia pagar dividendos robustos nos próximos anos”, escreve a XP.

AES Brasil (AESB3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,2%

Na avaliação da XP, AES Brasil (antiga AES Tietê) é uma das pagadoras de dividendos preferidas da casa, dado que costuma apresentar lucros consistentes.

Os analistas escrevem que, apesar de possuir um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas, a companhia apresentou um payout de 88% em 2020, o que se traduz em um atraente dividend yield de 5,4% no ano.

A XP tem recomendação de compra para AESB3 e preço-alvo de R$ 17 por ação.

Santander (SANB11) – recomendação de venda e dividend yield esperado de 8,1%

Segundo a XP, apesar de o Santander ser o banco com a menor diversificação de receita entre os pares, apresenta uma combinação de alta exposição ao crédito de varejo e níveis de inadimplência relativamente abaixo da média.

“Acreditamos que, enquanto não haja boas oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com altas taxas de retorno, a distribuição de dividendos pode ser uma alternativa atrativa”, avalia a XP.

Cesp (CESP6) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 7,9%

Por fim, a companhia de geração de energia elétrica Cesp também está entre as preferidas da XP para pagar bons dividendos, acima da Selic.

Os analistas escrevem que a companhia vem reforçando sua sólida geração de caixa nos últimos trimestres e que, por isso, a expectativa é de que deva continuar a distribuir ao menos o dividendo mínimo de R$ R$ 1,85 por ação previsto pelo seu estatuto.

A XP tem recomendação de compra para os papéis CESP6 e preço-alvo de R$ 34.

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Petrobras faz as pazes com acionistas com altos dividendos, ações saltam até 10%, bancos sobem projeções e apontam: mais está por vir

SÃO PAULO – A transformação de prejuízo em um lucro expressivo de R$ 42,855 bilhões, números acima das expectativas em outras linhas do balanço, forte redução da dívida e o pagamento de dividendos no valor de R$ 31,6 bilhões fazem com que os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4) disparem na Bolsa brasileira nesta quinta-feira (5). Na abertura do mercado, às 10h17, PETR3 saltava 10,04%, a R$ 29,38 e PETR4 disparava 8,56%, a R$ 28,53.

Ontem logo, após a divulgação do balanço, os ADRs da Petrobras PBR, equivalente aos preferenciais, chegaram a saltar mais de 14% no after market da Bolsa de Nova York. Nesta quinta, os papéis PBR chegaram a saltar cerca de 12%, a US$ 11,50, no pré-market da Bolsa de Nova York, já dando um indicativo que a sessão seria bem positiva para os ativos também na B3.

O Itaú BBA destaca que a estatal brasileira reportou resultados fortes, com um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) recorrente R$ 60,033 bilhões, em alta de 239,1% na base anual e de 25,7% na comparação com o primeiro trimestre deste ano. O número ficou 6,6% acima da expectativa do banco e 12% superior ao consenso de mercado da Bloomberg.

A companhia reduziu sua dívida bruta em 10,3% em relação ao primeiro trimestre, para US$ 63,6 bilhões – bem perto da meta de US$ 60 bilhões para a nova política de dividendos. A forte geração de caixa no segundo trimestre, de R$ 40,3 bilhões (excluindo ganhos com vendas de ativos), permitiu uma amortização e pré-pagamento de dívida da ordem de R$ 55,7 bilhões.

O grande destaque foi a aprovação de R$ 31,6 bilhões em dividendos antecipados, sendo R$ 21 bilhões a serem pagos em 25 de agosto e R$ 10,6 bilhões em 15 de dezembro deste ano. Isso corresponde a um dividend yield (dividendo dividido pelo preço da ação) de 9,1%.

“Nós reiteramos nossa recomendação de compra para Petrobras dado o desconto com que a ação vem sendo negociada em relação ao preço de outros players globais e diante das perspectivas sólidas de geração de caixa. Mesmo em cenários de estresse no que diz respeito aos preços do petróleo, vemos o valor da companhia e a capacidade de geração de caixa em patamares interessantes”, apontam os analistas do BBA, que possuem preço-alvo de R$ 38 para os ativos PETR4, 44,6% acima frente o fechamento da última quarta-feira e de US$ 14 para os ADRs PBR-A, equivalente aos preferenciais, um valor 38,6% acima do fechamento da véspera.

Para o Bradesco BBI, mais uma vez, o pré-sal brasileiro mostrou sua força de longo prazo. A Petrobras gerou US$ 7,6 bilhões de fluxo de caixa livre para o patrimônio líquido (FCFE), ajudado por alguns diferimentos de imposto, totalizando um valor de US$ 10,7 bilhões no primeiro semestre de 2021. Os analistas ainda fazem uma comparação, destacando que o valor registrado foi equivalente a quase duas “Bolsa Família”, que custa R$ 33 bilhões por ano aos contribuintes.

O BBI ainda aponta que, “felizmente, 2021 é o ano em que o acionista controlador percebe que a Petrobras não precisa prejudicar seu acionista minoritário para entregar uma agenda social robusta”.

Vicente Falanga e Gustavo Sadka, do BBI, que assinam o relatório, apontam que, em 2010, quando a Petrobras foi capitalizada com cerca de US$ 70 bilhões, os acionistas minoritários foram uma fonte importante de financiamento para realizar o sonho do pré-sal.

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E, embora o caminho tenha sido muito acidentado – com subsídios a combustíveis, escândalos de corrupção, greve de caminhoneiros – , 2021 deve finalmente ser o ano em que o empreendimento do pré-sal brasileiro começa a recompensar acionistas e brasileiros, avaliam.

Com relação à operação, o BBI destaca que, mais uma vez, exploração e produção superou os outros segmentos, upstream (exploração e desenvolvimento de campos de petróleo e gás) ficou acima da expectativa, enquanto downstream (operações ou atividades de refino de petróleo, venda distribuição de gás natural e de produtos derivados do petróleo) ficou praticamente em linha com as projeções do banco.

O FCFE da PBR totalizou R$ 40,3 bilhões (US $ 7,6 bilhões), uma alta acentuada em relação aos US$ 3,1 bilhões do último trimestre, principalmente devido a uma queda significativa no consumo de capital de giro, mas também impulsionado por algum diferimento do imposto de renda. A dívida bruta está atualmente em US $ 63 bilhões e, para os analistas do banco, muito provavelmente deve cair abaixo de sua meta de US$ 60 bilhões no terceiro trimestre de 2021 (que desencadeia a nova política de dividendos).

Como resultado, a empresa anunciou a antecipação de US $ 6 bilhões em dividendos relativos aos resultados de 2021, dos quais 66% devem ser pagos em 25 de agosto e 33% em 15 de dezembro de 2021. “Nós esperamos que outros cerca US $ 6 bilhões sejam anunciados com os resultados consolidados do ano em fevereiro e março de 2022”, avaliam.

O BBI também está incorporando uma curva de preços do petróleo brent mais alta, elevando a estimativa do petróleo para 2021 de US$ 65 para US$ 68 o barril, de US$ 62 para US$ 68 em 2022 e de US$ 60 para US$ 63 em 2023, mantendo a projeção de longo prazo em US$ 60 o barril. “Nossa nova curva de preços está mais alinhada com a atual curva de futuros do brent e reflete o atual acordo da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados), a recuperação da demanda apoiada pela vacinação contra o coronavírus em todo o mundo e uma lenta recuperação da produção de xisto nos EUA”, apontam.

Assim, e levando em conta os dividendos projetados para a Petrobras, o BBI subiu o preço-alvo para 2022 dos ativos PETR4 para R$ 42, um valor 60% em relação ao fechamento de quarta, além de um preço-alvo de US$ 15,50 para os ADRs PBR da companhia (ou upside de 53%). “Agora esperamos que a Petrobras pague cerca de US$ 12 bilhões em dividendos de 2021 (rendimento de cerca 18%), o que impulsiona nosso novo preço-alvo, com base em um ‘rendimento justo’ de 12% (versus 6,8% médio dos pares globais), levando em conta um maior risco político na Petrobras”, destacam. A recomendação para os ativos é outperform (desempenho acima da média do mercado).

O Credit Suisse, após o resultado, elevou a recomendação para os ADRs PBR de neutra para outperform, com elevação do preço-alvo de US$ 11 para US$ 14. “Reconhecemos que existem riscos significativos no horizonte. No entanto, acreditamos que a combinação de uma avaliação muito descontada e altos rendimentos no curto prazo supera os riscos”, apontam Regis Cardoso e Marcelo Gumiero.

Ao argumentarem os motivos para a elevação no momento da recomendação, os analistas do banco suíço apontam que, do ponto de vista do case do papel, não houve muita mudança em relação a abril, quando elevaram a recomendação do papel para neutro.

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O valuation segue sendo o principal argumento de alta e leva a um case de altos retornos, enquanto riscos significativos operam na direção oposta (por exemplo, eleições, inflação, capex, intervenção de política de preços), avaliam. Mas, nos últimos meses, alguns eventos que esperavam realmente se materializaram (por exemplo, compensação por Búzios e venda da BR Distribuidora) e o processo de desalavancagem está sendo concluído. “O que muda, em nossa opinião, é que os acionistas podem usufruir imediatamente dos benefícios desses temas com desconto ao receber os altos rendimentos de dividendos que a Petrobras começou a pagar”, apontam.

Sobre o resultado, os analistas apontam que ele foi ótimo, mas que o principal evento foi o anúncio dos proventos . A antecipação foi possibilitada pelo forte ritmo de geração de fluxo de caixa livre, bem como o caixa proveniente da venda de ativos.

Para os analistas do Credit, há mais por vir para o ano fiscal de 2021. Com US$ 64 bilhões em dívida bruta e quase US $ 4 bilhões em excesso de caixa no balanço, a empresa praticamente atingiu a meta de dívida de US$ 60 bilhões, em linha com o destacado pelos analistas do BBI e BBA.

Isso significa que a empresa agora pode distribuir todo o caixa livre que gerar nos próximos trimestres. A preços do brent de US$ 70 o barril, os analistas esperam que ela continue gerando cerca de US$ 5 bilhões por trimestre em FCFE recorrente (ex- desinvestimentos). Isso significa que a empresa pode ter, além das distribuições de US$ 6 bilhões já anunciadas, outros US$ 4 bilhões a mais para distribuir em 2021, antes de qualquer desinvestimento ou novos arrendamentos operacionais. “Todas as evidências apontam para rendimentos ainda mais significativos”, avaliam.

Assim, Cardoso e Rumiero apontam que “a hora chegou”. Desde 2015, a Petrobras tem se concentrado principalmente em reverter as operações e desalavancar o balanço. “Ela tem tido muito sucesso nisso, então vínhamos afirmando que a jornada estava prestes a ser concluída e que os dividendos estavam ‘ao virar da esquina’. Isso é importante porque, em nossa opinião, os dividendos são potencialmente o catalisador mais importante para as ações. É a única coisa que pode converter os altos rendimentos do FCFE (como visto em períodos recentes) em altos retornos para os acionistas no futuro. Melhor ainda, os dividendos têm o potencial de finalmente reconciliar os interesses do governo e dos acionistas minoritários. Eles estão finalmente aqui”, apontam.

Assim como o BBI, o Credit também reforça que parte da sua visão mais otimista se deve à previsão do brent. “O manejo do mercado pela Opep+ tem sido capaz de drenar rapidamente os estoques excedentes. Também acreditamos que o petróleo oferece longa exposição a alguns dos principais temas de investimento globalmente, como vacinação, reabertura e reflação”, avaliam.

Riscos no radar? Eles continuam, mas…

Por outro lado, com a alta dos preços, o Credit Suisse aponta que a Petrobras pode não ser capaz de capturar o lado positivo em toda a sua extensão nos preços domésticos da gasolina e do diesel. O CEO Joaquim Silva e Luna sinalizou continuar a seguir a paridade internacional, mas, na visão do Credit, uma solução ainda mais eficaz é que a estatal continue a alienar refinarias (por exemplo, RLAM e REFAP).

Finalmente, há também o risco de queda para os preços do petróleo, incluindo novas ondas potenciais de covid-19 e um aumento das exportações iranianas. Caso os preços do petróleo caiam, a empresa estará exposta a isso.

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Além disso, há o “risco capex”, ou aumento de investimentos. Agora que o balanço patrimonial foi desalavancado, Cardoso e Gumiero avaliam que será difícil resistir à pressão para aumentar os gastos de capital, principalmente com uma geração de caixa livre tão elevada.

“É provável que os níveis de capex aumentem com o tempo. Isso não é necessariamente ruim, mas o risco é que capital adicional possa ser alocado para projetos com retornos menores. Não acreditamos que esse risco se materialize imediatamente, mas esperamos um capex mais alto no próximo plano de negócios. Para compensar esse risco, incorporamos em nosso modelo de avaliação um aumento de investimento de US$ 2 bilhões em 2022 e de US$ 4 bilhões a partir de 2023 em relação ao plano de negócios anterior”, avaliam.

Por fim, como em todas as empresas estatais (SOE), as eleições são de particular importância para os investidores da companhia. O Brasil terá eleições presidenciais em 2022, em um cenário em que a polarização política aumenta. “Em nossa opinião, parte da incerteza eleitoral foi antecipada para 2021 e pode continuar pesando sobre as ações”.

Além disso, os investidores podem levar em consideração que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda detém cerca de 1 bilhão de ações da PETR4. Isso pode representar um overhang [excesso de ações no mercado, levando à queda do preço dos ativos] futuro, caso o banco de desenvolvimento decida vender sua posição. Em fevereiro de 2020, o BNDES vendeu cerca de 734 milhões de ações PETR3 em um follow-on com preço de R$ 30 por ativo PETR3.

A incerteza eleitoral, por sinal, faz com que os analistas do Morgan Stanley sigam com recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado) para os ativos PBR, com preço-alvo de US$ 11,60 (ou potencial de valorização de 15%).

“Apesar de não haver mudanças aparentes ou desvio de estratégia sob a nova equipe de gestão, a percepção de potencial intervenção governamental na política da empresa é preocupante, especialmente enquanto a agenda de privatização das refinarias não estiver concluída (apenas uma refinaria foi vendida). Preferimos ficar de fora por enquanto, pois achamos que nossos cenários base e pessimista parecem igualmente plausíveis”, afirmam os analistas do banco.

Com relação ao resultado, o Morgan destaca o dividendo de US $ 6 bilhões, o que mostra a confiança da administração nos resultados da Petrobras em 2021. Por outro lado, avaliam: “Esperamos uma forte reação positiva no curto prazo. Ainda assim, nos perguntamos se as tendências impressionantes podem ser sustentáveis ​​à medida que nos aproximamos de um intenso ciclo eleitoral”.

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Petrobras aprova pagamento total de R$ 31,6 bilhões, R$ 2,42 por ação, em dividendos; saiba como aproveitar

SÃO PAULO – A Petrobras (PETR3; PETR4) aprovou nesta quarta-feira (4) o pagamento de R$ 31,6 bilhões em dividendos relativos aos resultados obtidos em 2021.

Os valores serão pagos da seguinte maneira: a primeira parcela, de R$ 21 bilhões, com valor bruto por ação de R$ 1,609911, terá “data-com”, ou seja, último dia em que as ações darão direito aos proventos, no dia 16 de agosto. A partir do dia 17, os papéis PETR3 e PETR4 serão negociados “ex-dividendos”, o que significa que quem não tiver essas ações em carteira no fechamento do dia anterior perderá o direito de receber os valores.

Já a data de pagamento desta primeira parcela será no dia 25 de agosto para os investidores detentores dos papéis na B3 e no dia 1º de setembro para quem detiver ADRs (na prática, os recibos de ações da Petrobras negociados na Bolsa de Nova York).

A segunda parcela, por sua vez, é de dividendos num total de R$ 10,6 bilhões, ou R$ 0,812622 por ação e terá “data-com” no dia 1º de dezembro. O pagamento será no dia 15 de dezembro para quem detiver papéis na B3 e 22 de dezembro para quem detiver ADRs na Nyse.

No total, serão pagos R$ 2,422533 por papel da estatal, o que resulta em um dividend yield (dividendo dividido pelo preço da ação) de 9,07% para as ações ordinárias PETR3 e de 9,22% para as preferenciais PETR4 considerando o valor de fechamento de cada uma nesta quarta-feira (4).

Como aproveitar

O primeiro passo é preciso abrir uma conta em uma corretora de valores credenciada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Lembre-se que quanto menores os custos operacionais, maior será a sua rentabilidade, portanto dê preferência para corretoras que não cobram taxa pela corretagem de ações.

Uma vez com a conta aberta, basta transferir o dinheiro a ser investido de sua conta corrente para a conta da corretora e enviar uma ordem de compra de ações da empresa, informando a quantidade de ações que você deseja comprar.

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Relator da reforma tributária confirma que dividendos de empresas do Simples seguirão isentos

Deputado Celso Sabino (fonte: Câmara dos Deputados)

(Reuters) – O relator da reforma tributária na Câmara dos Deputados, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), confirmou nesta quarta-feira que seu parecer vai isentar as empresas declarantes pelo regime do Simples da taxação sobre a distribuição de dividendos.

Sabino também indicou haver “grande possibilidade” de ele propor a redução da faixa de isenção da tributação, prevista originalmente pelo governo em 20 mil reais por mês.

O deputado também anunciou que retirará do projeto qualquer menção ao programa de alimentação ao trabalhador, após empresas do setor de vales e tíquetes refeição terem argumentado que o projeto do governo previa mudanças que trariam prejuízos ao segmento.

Ele afirmou que nos próximos dias vai se reunir com representantes dos prefeitos e governadores para discutir a proposta, confirmando a intenção de incorporar ao projeto algum tipo de “gatilho” que garanta que os municípios não sofram perdas com as reforma.

“Estamos muito próximos de um texto maduro para ser votado”, afirmou Sabino após reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

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WEG lucra R$ 1,13 bilhão no 2º tri, alta de 120%, e anuncia dividendos intermediários de R$ 663,7 milhões

Weg (Divulgação: Linkedin)

SÃO PAULO – A WEG (WEGE3) registrou lucro líquido de R$ 1,13 bilhão no segundo trimestre de 2021, aumento de 120,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 48,5% ante o trimestre imediatamente anterior. O balanço foi divulgado nesta quarta-feira (28), antes da abertura do pregão.

De acordo com a companhia, o resultado foi beneficiado pela continuidade da demanda consistente no mercado doméstico, bem como pela aceleração da atividade industrial no exterior.

O lucro líquido também foi positivamente impactado pelo reconhecimento dos créditos tributários referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e Cofins.

Além dos efeitos no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), a WEG também teve um impacto positivo no resultado financeiro, de R$ 129,9 milhões, e um aumento no imposto de renda auferido destes créditos, de R$ 147,5 milhões.

Desconsiderando estes efeitos não recorrentes, o lucro líquido foi de R$ 851,9 milhões entre abril e junho, crescimento de 65,6% na base anual, com uma margem líquida de 14,8%.

“Seguimos cumprindo nossa estratégia para superar este período de grandes desafios, trabalhando com todo o cuidado e segurança necessários para preservar a integridade de nossos colaboradores e minimizar, tanto quanto possível, impactos em nossas operações”, escreveu a companhia, em nota.

No período, a Receita Operacional Líquida (ROL) foi de R$ 5,7 bilhões, 41,4% superior ao segundo trimestre de 2020 e 13,2% acima do registrado nos primeiros três meses de 2021.

Já o Ebitda atingiu R$ 1,4 bilhão, 90,2% superior ao mesmo trimestre do ano anterior e 37% acima quando na comparação trimestral. A margem Ebitda, por sua vez, foi de 24,2%, 6,2 pontos percentuais maior quando na comparação anual.

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Entre as áreas de negócio da companhia, o destaque ficou com o segmento de geração, transmissão e distribuição de energia (GTD) no mercado interno, com crescimento de 59,4% na Receita Operacional Líquida na base anual, para R$ 1,2 bilhão.

Segundo a WEG, todos os negócios apresentaram crescimento neste trimestre, em meio à volta dos fornecimentos de aerogeradores, boa demanda por geração solar distribuída (GD) – que continua apresentando evolução em relação aos trimestres anteriores –, e diante do aumento da demanda por alternadores.

Atenção ainda para o segmento de motores comerciais e appllance, com aumento da ROL na base anual de 188,8%, no mercado interno, e de 111,9% no mercado externo, por conta da base fraca de comparação do segundo trimestre de 2020, quando sob os maiores impactos da pandemia de coronavírus.

Dividendos e JCP

A WEG também anunciou que o Conselho de Administração aprovou o pagamento de dividendos intermediários relativos aos resultados do primeiro semestre de 2021 no valor total de R$ 663,7 milhões, que serão pagos em 11 de agosto. O valor corresponde a R$ 0,158175000 por ação.

Para ter direito ao dividendo, o acionista deve estar com posição no papel em 30 de julho de 2021. De 2 de agosto de 2021 em diante, as ações serão negociadas “ex-dividendos intermediários”.

Ao longo da primeira metade do ano, a companhia pagou R$ 157,1 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), distribuídos nos meses de março e junho.

Com isso, os valores declarados como remuneração aos acionistas relativos ao primeiro semestre representam 43,2% do lucro líquido obtido no período.

Na terça-feira (27), os papéis WEGE3 fecharam o pregão próximos da estabilidade, com queda de 0,32%, a R$ 34,39. No ano, os papéis têm queda de 8,68% até ontem.

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