“Tempestade perfeita” derruba cenário de crescimento econômico para 2022

grafico (Getty Images)

Inflação e juros em alta, desemprego, dólar caro, crise hídrica, conflitos institucionais, atropelo nas votações de projetos do Congresso e novos riscos fiscais. A “tempestade perfeita” dos últimos dias obrigou economistas e investidores a reverem suas estimativas para o crescimento da economia no próximo ano para o mesmo patamar baixo comum nos anos pré-pandemia, abaixo de 2%.

Enquanto a população sente os efeitos da deterioração da economia no bolso e reclama da alta dos preços do gás de cozinha, da gasolina, da conta de luz e dos alimentos, o mercado parece estar caindo na real.

O Estadão aponta os principais problemas que azedaram o humor e por que o Brasil segue com risco de ter mais um crescimento estilo “voo de galinha”, depois da retomada mais rápida da crise econômica provocada pela pandemia da covid-19, sem aproveitar todo o potencial do ciclo de commodities (produtos básicos, como alimentos e minério de ferro) que bombou as exportações.

A aceleração da inflação está obrigando o Banco Central a ser mais duro na alta dos juros e esfriar a economia, comprometendo o crescimento do PIB em 2022. O cenário internacional também ficou menos favorável. No front doméstico, a crise política entre os poderes se acirra, elevando a percepção de risco de populismo eleitoral do presidente Jair Bolsonaro para recuperar a popularidade e chegar em 2022 com chances de se reeleger.

“Podemos ter um momento melhor no curto prazo, um ano um pouco melhor, mas a perspectiva é de um País medíocre”, diz o presidente do Insper, Marcos Lisboa, que se diz assustado com a tramitação dos projetos no Congresso: a reforma do Imposto de Renda e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de parcelamentos do precatórios, dívidas judiciais que a União é obrigada pela Justiça a quitar. A aprovação desses projetos é chave para Bolsonaro porque, sem eles, será mais difícil para o governo anunciar um benefício elevado do novo Bolsa Família para impulsionar a campanha eleitoral, sem mudar as regras fiscais. “O governo faz grandes anúncios e, quando se vai ler os projetos, eles decepcionam e, em muitos casos, assustam”, diz.

A PEC dos precatórios reabriu a discussão sobre a quebra do teto de gastos (regra que controla a alta das despesas) e trouxe de volta o fantasma da contabilidade criativa nas contas públicas. Para o consultor do Senado, Leonardo Ribeiro, a PEC promove uma triangulação financeira para abrir espaço no teto de gastos. “Esse triângulo se assemelha às pedaladas fiscais desenhadas pelo ex-secretário do Tesouro, Arno Augustin, do governo Dilma”, diz ele, que defende retirar o precatório do teto com medidas adicionais de controle dessas despesas.

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Jackson Hole, PIB e PCE nos EUA e prévia da inflação no Brasil: o que acompanhar nesta semana

SÃO PAULO – Com o Ibovespa abaixo dos 120 mil pontos, após uma semana de muita volatilidade, o noticiário segue agitado em todas as frentes, mantendo o mercado em clima de alerta nos próximos dias.

No exterior, seguem os temores com relação à pandemia do coronavírus, em especial a variante Delta, ao mesmo tempo em que o cenário no Afeganistão e a forte queda das commodities preocupam, tudo isso após o Federal Reserve indicar que deve começar a reduzir os estímulos à economia dos Estados Unidos em breve.

Com isso, ganha muita importância nesta semana o simpósio anual de Jackson Hole, encontro que ocorre de forma virtual no dia 27, com participação de importantes nomes da economia e política monetária de diferentes países. Anteriormente, estava previsto um evento presencial, como costuma ocorrer, entre 26 e 28, mas por conta da pandemia, na última sexta foi anunciada a mudança de formato.

O destaque fica para o chairman do Fed, Jerome Powell, que pode dar novas sinalizações sobre a redução das compras de títulos por parte do banco central americano, além de quando eles esperam começar a subir os juros nos EUA. Lembrando que em 2020, neste evento, Powell anunciou um novo arcabouço de política monetária, com a implementação de uma meta de inflação média.

Ainda no EUA, o calendário reserva alguns indicadores importantes, como a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, na quinta-feira (26), com projeção, segundo economistas consultados pela Refinitiv, de alta de 6,7%, contra um avanço de 6,5% no dado anterior.

Além disso, na quarta (25) saem os números de pedidos de bens duráveis no país, com expectativa de queda de 0,2% em julho, enquanto no mês anterior houve uma alta de 0,9%. Já na sexta (27) será apresentado o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), um dos principais números de inflação acompanhado pelo Fed.

Agenda doméstica

Por aqui, o ambiente político segue no centro das atenções, com debates sobre reforma do Imposto de Renda, reforma eleitoral, PEC dos Precatórios, além da disputa entre poderes. Tudo isso, junto com um clima de muitas surpresas quase todos os dias no noticiário, tem mantido os investidores receosos no Brasil.

Na agenda de indicadores, o principal destaque fica para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), na quarta-feira (25). Para a equipe do Bradesco, o indicador de inflação “deverá mostrar alguma descompressão, mas núcleos devem se manter com dinâmica desfavorável, indicando que os desafios à política monetária continuam no radar”.

Além disso, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgará as sondagens do consumidor e da indústria, relativas a agosto, que para os analistas do Bradesco deverão apontar continuidade do processo de recuperação da confiança.

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Do lado corporativo, a Petrobras (PETR3; PETR4) reúne os acionistas em assembleia para eleger 8 dos 11 membros do conselho e o presidente do colegiado. O governo federal indicou a recondução de Eduardo Bacellar Leal Ferreira para a presidência do conselho, além de indicar o atual presidente, Joaquim Silva e Luna, para um dos assentos (veja outros eventos corporativos previstos para essa semana clicando aqui).

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A alta dos combustíveis poderia ser evitada sem o fantasma das intervenções

“Efeito borboleta” é uma analogia criada pelo matemático e meteorologista Edward Lorenz para descrever como um pequeno evento pode ser responsável por causar uma grande consequência em ambiente dinâmico e não linear.

Lorenz utiliza o exemplo de uma borboleta batendo as asas na América do Sul como início de uma cadeia de eventos que culmina em um furacão no Texas, Estados Unidos.

Na prática, o exemplo citado, a despeito de soar absurdo, serve para demonstrar como sistemas complexos e dinâmicos, como o clima, são imprevisíveis, uma vez que podem ser alterados a qualquer instante.

Esta teoria em si acabou por se expandir para diversas áreas do conhecimento humano, como a própria história, ou economia.

Dentre os inúmeros casos do tipo dentro da economia brasileira, por exemplo, talvez o de junho de 2013 seja o mais interessante.

O marco mais relevante dos protestos de rua no Brasil nasceu por uma briga entre a então presidente da República, Dilma Rousseff, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Dilma tentou fazer com que Haddad aumentasse os subsídios e impedisse um aumento nas tarifas de ônibus em São Paulo.

A lógica ali era simples. O aumento de preço das passagens era parte do índice da inflação. Se Haddad usasse dinheiro público para pagar os custos e a passagem não subisse, o índice de inflação não iria subir.

Essa prática de “fraude” nos índices de inflação foi bastante comum, em especial nos chamados “preços administrados”, aqueles que dependem de autorização de agências reguladoras.

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Apenas na política de congelamento de preços da Petrobras (PETR3;PETR4), estimasse que os acionistas (como o governo), tenham perdido R$ 120 bilhões para garantir que a gasolina não subisse de valor na bomba.

No caso de São Paulo e o aumento de “20 centavos”, como no da Petrobras, Dilma derrotou Haddad, mantendo o preço e forçando gastos com subsídios.

No meio do caminho, porém, o país viu uma série de protestos e insatisfações com o governo emergirem na rua, puxada inicialmente por um protesto contra este aumento.

Os protestos se tornaram amplos, e mesmo sem perceber, a população em geral protestava contra as consequências acumuladas por essas medidas fiscais controversas.

A bomba criada pelo represamento de preços de combustíveis, manipulação do orçamento e falta de confiança, explodiria em 2015.

Naquele mesmo ano a conta de luz, outra que havia sido manipulada em 2013, subiu em média 51%. Combustíveis, alimentação, saúde e outros diversos setores também tiveram altas expressivas. No total a inflação chegou a 10.37%.

Deste escombro, em 2016, restaria uma vítima principal: a Petrobras.

A estatal foi abalada sob todas as perspectivas. Pagou caro por produtos de pior qualidade, teve prejuízos sucessivos, sofreu saques em contratos fraudulentos e viu sua dívida explodir.

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Em 2016, a Petrobras chegou a ser a petroleira mais endividada do mundo.

Se hoje a dívida caiu e os lucros voltaram, foi por um longo processo de correções que, como não poderia deixar de ser, também gerou problemas pelo caminho.

A Petrobras assumiu uma política de preços que segue o padrão internacional, deixando de incorrer em prejuízos pra ajudar o consumidor brasileiro.

Pode parecer polêmico, mas convenhamos que não deveria ser tarefa de uma estatal subsidiar a parcela mais rica da população, que pode se dar ao luxo de manter um carro em um país onde metade dos trabalhadores vivem com menos de um salário mínimo.

Ainda que muitos discordem, esta política de paridade de preços tem sido a adotada desde a gestão de Pedro Parente.

Como consequência, vimos uma greve dos caminhoneiros que derrubou a economia e fez o governo incorrer em novos subsídios (desta vez usando diretamente o orçamento e não a estatal).

Neste exato momento, porém, a dose aplicada para corrigir o problema começa a enfrentar desafios maiores.

A Petrobras voltou a ser lucrativa, mas os combustíveis saíram de controle. O preço da gasolina já subiu 28% na bomba neste ano.

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Seria bobo culpar a empresa pelos aumentos de preços atuais, tendo em vista que ela apenas segue preços internacionais.

Neste caso, há de se considerar a política monetária e tributária do país. Os dois grandes vilões atuais.

No caso da política monetária, que envolve a moeda brasileira, há um problema por parte do Banco Central, que errou na dose quando o assunto são os juros e perdeu o controle da inflação e do câmbio.

Por conta disso, o Banco Central deve seguir aumentando os juros.

Mas, como ressalta o próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nem tudo neste caso depende do BC. Há uma agenda fiscal perigosa por parte do governo e congresso.

Dentre os fatores, a possibilidade de que os gastos aumentem para bancar programas sociais em ano eleitoral, uma dívida com precatórios que não se sabe como será paga. Além, é claro, da ausência de uma reforma tributária, parada no Congresso.

Do ponto de vista tributário temos um problema conhecido, e que faz o ICMS ser o outro grande vilão da alta de preços.

Isso ocorre pois o ICMS é calculado com base em um preço de referência. Este preço por sua vez aumenta toda vez em que a Petrobras reajusta seus preços nas refinarias.

Em resumo: imagine que o preço do combustíveis seja de R$ 2, e que o ICMS seja de 20%. O imposto seria de R$ 0,40. Caso o preço base aumente para R$ 3, o imposto seria de R$ 0,60. Como mencionei neste texto aqui, esse é o principal motivo pelo qual a inflação beneficia os governos. Ela eleva a arrecadação mesmo mantendo a alíquota igual.

Boa parte dos estados hoje cobra mais ICMS sobre combustíveis, ainda que as alíquotas tenham se mantido iguais.

Alterar isso é uma das funções de uma reforma tributária. Trata-se de algo urgente, em especial, pois o ICMS é um imposto discricionário.

Na prática, estados cobram mais impostos de combustíveis, energia e telecomunicações, por serem “fáceis de tributar”. Todos os 3 são, além de ótima fonte de arrecadação, insumos básicos para empresas.

Não é razoável portanto cobrar mais impostos pq o custo do produto subiu. Soa anacrônico, como nosso sistema tributário em si.

Sem voltarmos para os tempos onde os subsídios e maquiagens eram escondidos por detrás de balanços da estatal, seria possível, e positivo, agirmos por meio de um fundo de compensação.

Em teoria, este deveria ser o papel da CIDE, que já se perdeu em função e hoje é meramente arrecadatório.

Ainda assim, seria importante buscarmos maneiras de impedir que os preços variem da forma como estão variando.

É uma tarefa importante, dada a capilaridade do setor de transportes sobre os preços na economia e na composição dos custos de diversos produtos.

Sem ideias mirabolantes, utilizando os gordos dividendos que a estatal deve pagar ao governo este ano, seria possível corrigir essas distorções. O problema, é claro, é que este é um desafio político dentre tantos.

Se o governo irá olhar para o preço dos combustíveis ou buscar aumentam benefícios sociais, ou ainda, custear dívida, dependerá da maneira como a política pública é pensada no país. É aí que mora o perigo.

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Pressão regulatória atinge mais setores em “nova China” de Xi Jinping

(Crédito: Shutterstock)

(Bloomberg) — A repressão regulatória da China sobre mercados vistos como injustos encontrou mais alvos na sexta-feira entre fabricantes de bebidas, empresas de cosméticos e farmácias online.

Uma série de comentários e artigos na mídia estatal defendiam uma supervisão mais rigorosa para proteger consumidores, uma vez que a campanha do presidente Xi Jinping para abordar a desigualdade amplia seu alcance por meio dos setores de tecnologia e saúde. Isso trouxe mais dor de cabeça para investidores, com instituições globais vendendo US$ 1 bilhão em ações da China continental por meio de links de trading na sexta-feira, enquanto empresas chinesas negociadas nos EUA enfrentam semanas de perdas.

“Com as preocupações sobre regulamentação e o início de uma desaceleração do crescimento econômico, é extremamente difícil ganhar dinheiro agora”, disse Hou Anyang, gestor da Frontsea Asset Management, em Shenzhen. “Nesse ritmo, mesmo ações vencedoras em veículos elétricos e chips podem não permanecer fortes por muito mais tempo.”

Destiladoras estavam entre os destaques de queda no índice CSI 300, referência da China continental, enquanto o indicador Hang Seng de Hong Kong entrou em mercado baixista, tendo caído 20% em relação à máxima no início deste ano.

A ação da Kweichow Moutai, maior fabricante de bebidas da China, perdeu 4,4%. Os papéis do setor saúde online também caíram. A JD Health International despencou 10% após o People’s Daily ter pedido mais proteções e garantias para medicamentos vendidos na Internet.

O indicador CSI caiu cerca de 3,6% nesta semana e fechou no menor nível desde 28 de julho.

A mídia estatal também aumentou a pressão sobre o setor de cirurgia estética, pedindo mais escrutínio de regulamentações incompletas e aumento das disputas médicas. A ação da Ping An Healthcare & Technology se desvalorizou 14%, uma queda recorde.

As perdas nesses novos setores chegam em um momento de apreensão de investidores sobre quais empresas podem entrar na mira de autoridades. Nas últimas semanas, vários setores foram atingidos, como de reforço escolar, cigarros eletrônicos, jogos e fórmulas infantis.

O foco em compartilhar a prosperidade na sociedade se traduz em “menores ganhos e maior prêmio de risco, e bastante incerteza”, disse Sean Taylor, diretor de investimentos para Ásia-Pacífico do DWS Group, em entrevista à Bloomberg Television. “Tivemos mudanças regulatórias no passado e, no geral, foram muito boas para ações de maior peso, porque estimularam a concorrência. Mas isso é muito diferente, porque não sabemos onde está o poço.”

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Emenda altera proposta para dividendos na reforma do Imposto de Renda

(Rmcarvalho/Getty Images)

Uma emenda do PSDB que busca ampliar de forma gradual a taxação dos dividendos de empresas distribuídos à pessoa física tem ganhado apoio nos bastidores do Congresso Nacional para ser incorporada à proposta de reforma do Imposto de Renda (IR), mas a medida ainda enfrenta resistências da equipe econômica e de Estados e municípios, que temem perder arrecadação.

A emenda, cuja coleta de assinaturas de apoio ainda está em andamento, prevê uma tabela de cobrança progressiva do IR sobre dividendos, iniciando em 10%, em 2022, e chegando a 15% a partir de 2023. A alíquota final proposta é menor do que a apresentada pelo governo no projeto de lei, que é de 20%.

Além disso, a emenda costurada pelos parlamentares prevê que os dividendos distribuídos a partir de lucros apurados até 31 de dezembro de 2021 continuariam isentos. Esse ponto também reduziria a taxação, uma vez que a proposta do governo prevê cobrança de IR sobre quaisquer dividendos distribuídos a partir de 2022.

Um integrante da equipe econômica disse ao Estadão/Broadcast que o governo é contrário a essa proposta, pois ela pode causar “desequilíbrio” de arrecadação. Segundo essa fonte, a solução seria “rejeitar” a emenda.

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A tarefa, porém, pode não ser fácil. Um líder de partido de centro disse à reportagem, sob condição de anonimato, que a emenda tem angariado apoio entre os congressistas e há a possibilidade até mesmo de outras propostas na mesma direção surgirem até a votação do parecer do relator, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA).

Na terça-feira, o próprio líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressisas-PR), chegou a dizer que o aumento gradual da taxação dos dividendos tem apoio. Nesse mesmo dia, em meio a mais uma tentativa frustrada de votar o relatório, ele afirmou que, se a proposta for acatada, haverá perda para os municípios.

“Para atendermos ao pedido da maioria dos parlamentares de se reduzirem os dividendos para 10% no primeiro ano e, depois, para 20%, aí haverá perda para os municípios. Então, nós atenderemos um lado e desatenderemos outro”, disse Barros no plenário. “Se atendermos à questão dos dividendos, haverá perda para os municípios; se não atendermos à questão dos dividendos, não teremos votos. E os parlamentares também não querem impor perdas aos municípios”, afirmou o líder.

Ontem, Barros disse ao Estadão/Broadcast que as negociações em torno da taxação dos dividendos seguem em curso. A votação do projeto foi adiada para a semana que vem.

Bastidores

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O adiamento deflagrou uma guerra de bastidores por novas concessões para os governos regionais, que querem mais R$ 18 bilhões para apoiar o texto. Como mostrou o Estadão/Broadcast, os acordos sinalizados até agora pelo governo para destravar a votação já levaram a uma reforma que “não se paga há muito tempo”, na avaliação da “ala fiscalista” do Ministério da Economia.

O texto reduz de 15% para 6,5% a alíquota do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), além de diminuir em 1,5 ponto porcentual a tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

A carga total sobre a renda das empresas cairia de 34% para 24%, uma diminuição total de 29,4% na tributação, calcula Sabino.

As mudanças no IR também abrangem as pessoas físicas, mas, neste caso, há acordo para manter o texto enviado pelo governo. A faixa de isenção subiria de R$ 1.903,98 para R$ 2,5 mil, uma correção de 31%. Com isso, mais de 5,6 milhões passariam a ser considerados isentos.

As demais faixas do IR também foram ajustadas, mas em menor proporção (cerca de 13%).

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PF investiga propina para servidores do Ministério da Agricultura e Pecuária não fiscalizarem frigoríficos

boi gado nelore na amazônia (Shutterstock)

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta, 19, a Operação ‘a Posteriori’ para investigar supostas propinas a servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para que eles não fiscalizassem o processamento de produtos de origem animal. A ofensiva mira possíveis crimes de associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.

Um efetivo de 12 policiais federais cumpre dois mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia e Palmeiras de Goiás (GO). As ordens foram expedidas pelo juízo da 11ª Vara Federal Criminal de Goiás.

A investigação teve início em julho de 2018, após uma denúncia ser encaminhada ao MAPA relatando suposta atividade criminosa envolvendo servidores públicos agropecuários e um frigorífico da cidade de Palmeiras de Goiás.

De acordo com a PF, as apurações indicaram que os auditores fiscais emitiam certificados sanitários ‘a posteriori’, com data retroativa, ‘sugerindo a falta de fiscalização “in loco” dos produtos de origem animal comercializados’.

Levantamentos apontaram para uma evolução patrimonial supostamente incompatível com os rendimentos do servidor público do MAPA, dizem os investigadores.

A PF diz ter identificado, entre 2018 e 2019, depósitos mensais suspeitos que variavam de R$ 5 mil a R$ 10 mil. Os valores representaram quase 50% da remuneração do cargo de auditor agropecuário para o período.

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (19), a Operação A POSTERIORI, que investiga suposto atos ilícitos praticados por servidor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). De forma cautelar, o servidor já foi afastado de suas funções junto ao estabelecimento e o Mapa vinha investigando internamente o caso.

O Ministério da Agricultura segue, agora, buscando informações mais detalhadas com a Polícia Federal e garante à população o funcionamento do sistema de certificação sanitária.

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Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caem 29 mil na semana, a 348 mil

O número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos teve queda de 29 mil na semana encerrada em 14 de agosto, a 348 mil, segundo dados com ajustes sazonais publicados nesta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho americano.

O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam 365 mil solicitações. O total da semana anterior foi ligeiramente revisado para cima, de 375 mil para 377 mil pedidos.

O número de pedidos continuados, por sua vez, apresentou recuo de 79 mil na semana encerrada em 7 de agosto, a 2,82 milhões. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.

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Federal Reserve prepara para reduzir programa de estímulos ainda este ano, diz ata do Fomc

SÃO PAULO – Integrantes do Federal Reserve (como é conhecido o Banco Central dos Estados Unidos) discutiram em sua reunião de julho o início da redução do ritmo de suas compras mensais de títulos, indicando que isso deve ocorrer até o fim deste ano. Os dados são da ata da reunião divulgada nesta quarta-feira (18).

No entanto, o documento que trata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) indicou que os integrantes queriam deixar claro que a redução não era um precursor para um aumento iminente das taxas de juros.

“Olhando para o futuro, a maioria dos participantes observou que, desde que a economia evolua amplamente como eles anteciparam, eles julgaram que pode ser apropriado começar a reduzir o ritmo de compras de ativos neste ano”, diz a ata, acrescentando que a economia havia alcançado sua meta para a inflação e estava “perto de ficar satisfeita” com a evolução do crescimento do emprego.

Apesar disso, a ata mostra que alguns integrantes do grupo ponderaram o risco da inflação ultrapassar a meta de 2% por mais tempo que o previsto.

O documento afirma também que, “alguns” membros do Fed disseram preferir esperar até o começo de 2022 para iniciar o processo de redução de estímulos econômicos.

Os membros do comitê enfatizaram ainda a necessidade de “reafirmar a ausência de qualquer ligação mecânica entre o momento da redução gradual e o de um eventual aumento na taxa de juros”.

A ata do Fomc ainda mostra os integrantes do Fed reforçando que primeiro irá ocorrer a redução do programa de compras de título, com um aumento dos juros sendo improvável antes desse processo ser concluído e o BC americano não estar mais aumentando seu balanço patrimonial.

Segundo a Reuters, analistas esperam que o Fed anuncie seu plano para uma redução gradual das compras de títulos já na reunião de 21 e 22 de setembro do Fomc, mas têm menos certeza sobre a rapidez, na prática, da redução das compras mensais.

O chair do Fed, Jerome Powell, também pode fornecer informações em comentários à conferência anual do Fed em Jackson Hole, Wyoming, já na próxima semana.

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O Fed, em sua última reunião, reconheceu que houve progresso na recuperação dos postos de trabalho perdidos durante a pandemia.

Em dezembro, o banco central havia dito que não reduziria as compras até que houvesse “mais avanço substancial” na recuperação do emprego. Naquele ponto, a economia estava com cerca de 10 milhões de vagas abaixo do nível de antes da pandemia.

Os empregadores criaram 4,3 milhões de vagas desde então, incluindo um total de quase 1,9 milhão em junho e julho, ritmo que analistas esperam que continuem por enquanto.

A medida preferida de preços do Fed, o índice PCE excluindo alimentos e energia, subiu a uma taxa anual de 3,5% em junho, ritmo mais forte em quase 30 anos. O dado de julho será divulgado na próxima semana.

(Com Reuters)

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Expert XP confirma Hillary Clinton como palestrante; veja os demais painéis do evento que começa dia 24

SÃO PAULO – Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e ex-senadora dos Estados Unidos, é a mais nova palestrante confirmada para a 11ª edição da Expert XP, evento anual realizado pela companhia e um dos maiores festivais de investimentos do mundo.

O evento, que acontece de forma online e gratuita entre os dias 24 e 26 de agosto, conta ainda com a participação de nomes como Michael Bloomberg, empresário e ex-prefeito de Nova York, Randi Zuckerberg, CEO da Zuckerberg Media e irmã do cofundador do Facebook, e a renomada jogadora de futebol brasileira Marta Silva.

Grandes gestores de fundos de investimento também estão com presença confirmada, como Howard Marks (Oaktree), Larry Fink (BlackRock), Luis Stuhlberger (Verde Asset) e Mohamed El-Erian (Allianz), além de Manny Roman, CFO da gestora Pimco.

Todos os conteúdos da Expert, que incluem palestras, mesas redondas, talks e entrevistas, serão transmitidos via plataforma da XP. Serão ao todo seis palcos pelos quais vão passar alguns dos nomes mais importantes da atualidade, com mediação de jornalistas e do time de profissionais da XP.

Dentre os assuntos que serão abordados, destaque para a retomada global da economia, open banking, eleições de 2022, tendências em relação às criptomoedas e ao mercado de investimentos, bem como o papel dos influenciadores digitais na educação financeira.

“Buscamos trazer as melhores referências e especialistas do Brasil e mundo afora para compartilhar com o público suas visões de mundo e os principais temas da atualidade, assim como histórias inspiradoras. Essa edição não será diferente, com nomes de peso já confirmados e muitos outros que ainda serão anunciados”, afirma Karel Luketic, diretor de conteúdos digitais da XP Inc, em nota.

Na edição de 2020, a primeira a ser realizada de forma online, por conta da pandemia de Covid-19, o evento impactou mais de cinco milhões de pessoas e contou com mais de 200 palestrantes.

Para conferir a programação da Expert 2021, bem como acompanhar as palestras, basta fazer a inscrição no site do evento.

Ata do Fed deve detalhar debate sobre redução de estímulo e temores inflacionários

WASHINGTON (Reuters) – A divulgação da ata da última reunião do banco central dos Estados Unidos, nesta quarta-feira, deve oferecer mais detalhes em relação ao debate em andamento no Federal Reserve sobre quando encerrar os programas emergenciais da pandemia e sinalizar o nível de preocupação entre as autoridades sobre a inflação mais alta do que o esperado.

O documento, que será divulgado às 15h (horário de Brasília), é referente ao encontro realizado nos dias 27 e 28 de julho, sessão em que o Fed disse que ainda tinha fé na recuperação econômica dos EUA, mesmo com a variante Delta do coronavírus gerando um salto no número de casos de Covid-19.

Na ocasião, as autoridades também continuaram discutindo planos para o eventual encerramento de suas compras mensais de títulos, atualmente no valor de 120 bilhões de dólares mensais.

Desde então, a crise sanitária se intensificou. Mas o crescimento do emprego permaneceu forte até julho, a recuperação doméstica dos EUA parece amplamente nos trilhos e a inflação segue bem acima da meta de 2% do Fed — tanto que algumas autoridades têm pressionado por um fim rápido dos programas de emergência, argumentando que eles já não têm mais utilidade.

Analistas esperam que o Fed anuncie seu plano para uma redução gradual das compras de títulos já na reunião de 21 e 22 de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), mas têm menos certeza sobre a rapidez, na prática, da redução das compras mensais.

O chair do Fed, Jerome Powell, também pode fornecer informações em comentários à conferência do Fed em Jackson Hole, Wyoming, já na próxima semana.

Uma “recuperação econômica excepcionalmente desigual levou a uma divisão dentro do (Fomc)”, entre aqueles que acham que as compras devem começar a ser reduzidas logo e encerradas rapidamente e aqueles que acham que o Fed deve ser paciente até que o mercado de trabalho se recupere plenamente, escreveu Kathy Bostjancic, economista-chefe para os EUA da Oxford Economics.

O Fed, em sua última reunião, reconheceu que houve progresso na recuperação dos postos de trabalho perdidos durante a pandemia. A ata pode esclarecer quanto mais avanço deve haver até que as condições que o Fed estabeleceu para reduzir sua compra de títulos sejam atendidas, e se mais um mês ou dois de fortes ganhos de emprego seriam suficientes.

A ata também podem trazer os estágios iniciais de uma discussão sobre outra decisão importante do Fed: quando aumentar a taxa de juros.

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Embora isso seja improvável no curto prazo, várias autoridades do Fed observaram desde a reunião de julho que um dos principais requisitos para aumento de juros já está prestes a ser cumprido, com algumas medidas de inflação se aproximando de uma média plurianual na meta de 2% do Fed, e provavelmente devem permanecer lá.

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