IRB: dados de julho dão sinal de que pior já passou, mas analistas ainda se dividem sobre futuro das ações na B3

SÃO PAULO – Pouco menos de um mês após divulgar números do segundo trimestre que não agradaram os investidores, o IRB Brasil RE (IRBR3) viu as suas ações dispararem até 12,70% na Bolsa na sessão em meio a dados de julho que podem trazer mais luz para os ativos da resseguradora. Os papéis fecharam em alta de 9,57%, a R$ 6,30.

Segundo dados não auditados e enviados à Superintendência de Seguros Privados (Susep), a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 62,4 milhões em julho, conforme informou nesta quarta-feira (23) ao mercado.

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Além de ser um prejuízo bem menor do que os R$ 292,6 milhões registrados no mês anterior, a companhia ainda abriu os números mostrando o impacto dos negócios descontinuados.

Excluindo essas operações, o mês de julho registraria lucro líquido R$ 36 milhões, dado este que animou o mercado, conforme aponta Carlos Daltozo, co-head de Renda Variável da Eleven Financial. De acordo com o analista, havia uma incerteza sobre o impacto das operações descontinuadas fizessem efeito nos números da empresa. Agora, apresentado esse resultado, a sinalização é de que o pior pode ter ficado para trás para a resseguradora.

Os números também animaram uma vez que, segundo mensagem apresentada pela própria direção da companhia, ela só atingiria o “breakeven” (ponto que indica que os custos são iguais aos ganhos) a partir de setembro, com algumas melhores graduais mês a mês ao longo do terceiro trimestre. Neste sentido, apesar dos números ainda fracos, há sinais de que ela está melhorando, conforme aponta análise do Brasil Plural.

Também em destaque, o faturamento bruto em julho (prêmio emitido) somou R$ 1,5 bilhão, alta de 100,8% em relação ao mesmo período de 2019, sendo R$ 1 bilhão no Brasil e R$ 531 milhões no exterior – expansões respectivas de 133% e 58,8%.

“O crescimento em julho de 2020, decorre da renovação, com crescimento de coberturas, de um contrato no segmento de petróleo emitido no mês”, afirmou a resseguradora em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A despesa de sinistro foi de R$ 638,3 milhões, com um índice de sinistralidade de 97,1% no mês de julho, revertendo a tendência observada no primeiro semestre de 2020, que apresentou uma sinistralidade de 108%. Quando excluídos os sinistros dos negócios não continuados, o índice fica em 73,2%.

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Já para o Credit Suisse, apesar da melhora sequencial, as operações descontinuadas continuarão a pesar sobre os resultados por um bom tempo. Os analistas do banco seguem com recomendação underperform (desempenho abaixo da média) para os ativos IRBR3, apesar do preço-alvo de R$ 7,50 indicar um potencial de valorização de quase 30% em relação ao fechamento da véspera.

Vale ressaltar que, desde a última atualização do banco no final de agosto (durante a divulgação de resultado), justamente quando estavam cotados a R$ 7,50, até a sessão da véspera, os papéis caíram mais de 23%.

No ano, o IRB registra a maior queda do Ibovespa, com baixa de mais de 80%, em um 2020 marcado por uma tempestade perfeita na Bolsa ao ser alvo de cartas da gestora Squadra apontando uma série de “inconsistências” no balanço da companhia, além de polêmicas envolvendo a saída de Ivan Monteiro do Conselho, a polêmica envolvendo a suposta participação da Berkshire Hathaway em ações IRBR3 (desmentidas posteriormente pelo veículo de investimentos de Warren Buffett) e até ações da Polícia Federal (veja mais aqui).

Desde então, a nova gestão da companhia tem buscado mais transparência com os investidores e analistas e não tem negado que o caminho será árduo.

Porém, apesar do cenário incerto, Daltozo avalia que o atual patamar de negociação de ações, abaixo dos R$ 6,93 da operação de aumento de capital recente, é altamente especulativo e visto pelo analista como uma reação exagerada do mercado.

O analista ressalta que a companhia limpou o balanço e, quando resolver a pendência de liquidez regulatória com a Susep (veja mais clicando aqui), essa pode ser uma sinalização ainda mais efetiva de retomada da companhia. Vale ressaltar que, em teleconferência dos resultados do segundo trimestre, a companhia descartou uma segunda oferta de ações para lidar com a insuficiência de liquidez com a reguladora do setor.

A avaliação é de que, somente com a realização de recebíveis, o IRB poderia levantar cerca de R$ 500 milhões. Além disso, a empresa pretende se desfazer de ativos não financeiros que não se enquadram na categoria de ativos de liquidez.

A Eleven Financial possui recomendação de compra para os ativos IRBR3, com preço-alvo de R$ 20 ao final de 2021, 248% frente o fechamento da véspera. Daltozo ressalta que, obviamente, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) da companhia não vai voltar a ser os de 40% observados antes das polêmicas sobre o IRB virem à tona, já que eram baseados em dados errôneos, mas veem o ROE próximo da casa dos 20%. “Lógico que será um retorno gradual, mas deve haver uma retomada, ainda mais considerando as vantagens competitivas da companhia”, aponta o analista.

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Porém, ele destaca que ainda há um grau de desconfiança grande no mercado sobre os possíveis “esqueletos no armário”, uma vez que ainda existe pouca visibilidade sobre a possível rentabilidade dos contratos da resseguradora. O mercado ainda tem muitas dúvidas sobre o patamar de ROE do IRB.

O Brasil Plural, por sua vez, possui recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado) para os ativos, com preço-alvo de R$ 5,75 (upside de 30%).

A divisão do mercado se traduz na compilação das visões das casas de análise, segundo dados da Refinitiv, com 3 recomendando compra, 3 manutenção e 2 venda. Enquanto há quem destaque o potencial de recuperação com a companhia ajeitando a casa, há também quem espere para ver mais dados antes de ficar mais otimista com o IRB. Os dados de julho, a princípio, deram um bom sinal.

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Ibovespa: sinal de retomada das altas será nos 105.700 pontos, diz analista técnica

SÃO PAULO – O Ibovespa há tempos opera em uma tendência de lateralização, sem retomar a alta que vinha experimentando nos meses anteriores nem consolidando uma nova correção. De acordo com a analista técnica Jessica Feitosa, da Eleven Financial Research, só será possível enxergar um sinal de retomada altista do índice quando for rompida a resistência dos 105.700 pontos.

“O benchmark opera entre Bandas de Bollinger paralelas e estreitas com duas resistências relevantes, a dos 104.500 pontos e a dos 105.700 pontos, sendo essa última a que traria um rompimento para cima”, entende.

Caso seja rompida esta segunda resistência, a analista considera pela projeção de Fibonacci que os próximos alvos são os 109.000 ou 110.000 pontos.

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Jéssica lembra que o Índice de Força Relativa (IFR) aponta para uma perda de momentum no gráfico semanal, de modo que ainda não é possível ver com clareza o momento em que haverá explosão para alta ou para baixa.

Do lado negativo, o Ibovespa mostrará que entrou em uma tendência de baixa se perder o suporte dos 101.200 pontos. Confira abaixo o gráfico.

Fonte: BBG, elaboração Eleven Financial

Análise técnica

Chamada de análise gráfica por alguns, ela parte do pressuposto de que tudo o que pode ser medido acerca do desempenho futuro de uma ação já está precificado.

Desse modo, os movimentos diários do papel teriam um componente muito maior de percepção psicológica dos investidores sobre se está caro ou barato, subiu demais ou caiu demais, do que de fundamentos.

As operações em análise técnica, então, são guiadas a partir de um estudo do gráfico do preço da ação, verificando quais patamares de preço geralmente atraem vendas (resistências) e quais outros atraem compras (suportes).

Outras ferramentas da análise técnica incluem o Índice de Força Relativa (IFR), que cruza dados de preço de fechamento com volume negociado de ações, projeção de Fibonacci e análise de médias móveis.

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IRB perde R$ 8,4 bi com nova polêmica envolvendo empresa de Buffett – mas isso não é o pior para a companhia

SÃO PAULO – Quem pensava que a maior polêmica com a resseguradora IRB Brasil (IRBR3) seria o conteúdo das duas cartas da gestora carioca Squadra questionando as práticas contábeis realizadas pela resseguradora se enganou.

Se, no começo do mês passado, foi essa notícia que abalou as ações da companhia, desta vez, o que está afetando fortemente as ações é um imbróglio que envolve a Berkshire Hathaway, veículo de investimentos do lendário megainvestidor Warren Buffett.

Com isso, os papéis chegaram a registrar forte baixa de mais de 40% apenas no pregão desta quarta-feira (4). Na mínima do dia, caíram 41,75%, a R$ 16,31, representando uma perda de R$ 10,9 bilhões de valor de mercado; a ação fechou em baixa de 31,96%, a R$ 19,05. Assim, a perda de valor de mercado foi menor, de R$ 8,37 bilhões, mas ainda muito significativa para apenas uma sessão.

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Na noite da última terça-feira (3), a Berkshire emitiu comunicado negando possuir qualquer participação acionária na resseguradora. De acordo com a nota, a companhia de Buffett nunca foi acionista e nem tem intenção de comprar ações do IRB.

A nota foi enviada após uma notícia do dia 27 de fevereiro, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, de que a Berkshire, que já seria acionista do IRB, teria triplicado sua posição na resseguradora.

Repercutindo a reportagem, naquela sessão, os papéis do IRB chegaram a disparar 9%, encerrando o pregão com ganhos de 6,66%.

A notícia foi bem recebida pelo mercado uma vez que a entrada de um veículo de investimento tradicional como a Berkshire na companhia poderia dar um sinal de confiança no case.

Isso seria particularmente importante após a forte queda das ações depois do caso Squadra, que tinha feito, até então, os papéis caírem quase 30% no mês de fevereiro. A alta daquela sessão, porém, não evitou a forte queda de 25,83% dos ativos no mês passado.

Contudo, no comunicado do dia 3, a Berkshire foi categórica ao negar a informação e, mais ainda, ao afirmar que não tem a intenção de investir na empresa: “Foram publicadas recentemente matérias na imprensa brasileira de que a Berkshire Hathaway é uma acionista do IBR Brasil Re. Essas matérias são incorretas. A Berkshire Hathaway não é acionista do IRB atualmente, nunca foi acionista do IRB e não tem a intenção de se tornar um acionista do IRB”.

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Logo após a Berkshire publicar sua nota, o IRB enviou um comunicado em que afirma que verificou, em 27 de fevereiro, que a empresa de Buffett não era acionista detentora de mais de 5%, quando é necessária, pela lei, dar publicidade; a companhia apontou ainda que “nunca afirmou que tal grupo fosse seu acionista”.

Essa foi a grande questão que mexeu no mercado. Afinal, no dia anterior, o IRB havia realizado uma conferência com analistas de mercado, com a participação dos dois principais executivos da companhia: José Carlos Cardoso (CEO) e Fernando Passos (CFO), em que o tema era falar sobre a saída do presidente do Conselho de Administração, Ivan Monteiro, que também estava abalando as ações da companhia quase no mesmo período em que estavam saindo as notícias sobre a Berkshire.

Após a fala inicial, foi aberto um espaço para perguntas. Foi aí que os executivos foram questionados sobre a participação da Berkshire Hathaway na companhia. Em relatório, Carlos Daltozo e Tatiana Brandt, analistas da Eleven Financial Research, destacaram que a informação de que a empresa de Buffett tinha participação na resseguradora foi confirmada pelos dois nomes fortes do IRB. XP Investimentos e Brasil Plural também reiteraram a informação.

Segundo o relatório da Eleven, os executivos da resseguradora apontaram que tinham uma relação próxima com Ajit Jain, homem forte da Berkshire e responsável pela operação de seguros da holding americana.

Além disso, continua o texto, afirmaram que a Berkshire é cliente e uma das retrocessionárias do IRB desde a época da abertura de capital na bolsa (IPO, na sigla em inglês) e que depois, passaram a ser investidores e, recentemente, teriam aumentado a posição via Berkshire Hathaway International Insurance Ltd (justamente o trecho desmentido pela companhia americana).

Em conversa com o InfoMoney, um analista de mercado que não quis se identificar apontou ainda a fala dos executivos de que a indicação de Márcia Cicarelli para o conselho fiscal do IRB teria relação com essa elevação de participação. Ela é procuradora do ressegurador eventual Berkshire Hathaway International Insurance Limited no Brasil.

Mas não foi só isso: a polêmica sobre a companhia gerou tamanha repercussão que invadiu as discussões nas arenas do chamado “fintwit”, ou seja, as contas de investidores e de participantes do mercado financeiro na rede social Twitter.

Muitas dessas contas repercutiram a informação de que próprios executivos do IRB teriam divulgado uma lista de acionistas da companhia – e nela constava a Berkshire.

No começo da tarde desta quarta, a Coluna do Broadcast, que inicialmente divulgou a notícia de que a empresa de Buffett havia aumentado a sua participação no IRB, destacou que os acionistas da resseguradora que procuraram a companhia receberam a tabela de acionistas da própria empresa.

“Era a mesma a qual o Estadão/Broadcast havia tido acesso e que agora circula nas redes sociais”, afirma a reportagem. Segue a lista abaixo:

Após a abertura do mercado, o IRB mandou novo comunicado ao mercado afirmando que seu conselho de administração determinou a realização de uma “análise criteriosa” de sua base acionária. Procurado pelo InfoMoney, o IRB não se manifestou sobre o caso.

Cabe lembrar que não é de hoje que havia a informação de que Buffett estaria interessado em se tornar sócio do IRB; porém, conforme apontou hoje o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, quem estaria alimentando essa informação – já há quase dois anos – seria justamente o alto comando da empresa.

Governança corporativa em xeque

Conforme destaca a Eleven, tanta confusão sobre o caso gerou um fluxo muito negativo de notícias para ação e gerou uma questão muito importante sobre a governança corporativa do IRB.

“A questão do investimento ou não da Berkshire no IRB é irrelevante para nosso modelo de valuation. Porém, a saída de Monteiro foi feita em um péssimo momento. A cronologia dos fatos deve ser investigada pelos órgãos competentes, principalmente a CVM que, após a carta da Squadra, abriu
alguns processos administrativos contra o IRB. Caso seja detectada alguma falha de conduta, medidas punitivas deverão ser tomadas”, avaliam os analistas da Eleven.

No site da CVM, consta o processo administrativo envolvendo a IRB, como segue abaixo, mas não há mais detalhes, já que ele segue em sigilo.

(Reprodução: CVM)

Vale ressaltar que a conferência com analistas do IRB tinha o objetivo de esclarecer a saída de Monteiro, uma vez que esse caso também foi alvo de muitas polêmicas e repercutiu negativamente nas ações da empresa. A companhia negou a saída (noticiada pelo Valor Econômico) um dia antes para depois confirmar a renúncia.

Os executivos do IRB se explicaram e afirmaram que, segundo comunicado publicado no dia 28 de fevereiro, receberam a carta de renúncia de Monteiro às 18h10 daquele dia e, portanto, no dia 27 de fevereiro, não tinham nenhuma informação sobre a possível renúncia do presidente do conselho e, por este motivo, publicaram um comunicado negando a saída.

Eles ainda buscaram deixar claro que a saída do chairman ocorreu estritamente por motivos de saúde.

Com esse cenário de grande incerteza no radar, a Eleven reduziu, num primeiro momento, o preço-alvo para as ações da companhia de R$ 54 para R$ 38 (uma queda de cerca de 30%). Contudo, ainda representaria uma alta de 100% em relação aos R$ 19 negociados durante a tarde desta quarta-feira.

“Por ora, mantemos a recomendação de compra por entendermos que, conforme escrevemos no relatório de resultados divulgado no dia 19 de fevereiro, os números divulgados pela companhia, assinados por auditores, conselheiros dentre outros, são informações de fontes fidedignas e o guidance divulgado prevê a continuidade do ritmo de crescimento da companhia. Entendemos também que há uma assimetria importante entre preço de tela e o valor”, afirmam os analistas da Eleven. Na mesma linha, das 16 casas de análise consultadas pelo Bloomberg, 12 recomendam compra e apenas 4 recomendam manutenção para as ações.

O Bank of America, que possuía recomendação de compra para as ações da companhia, colocou a recomendação em revisão, citando “mensagens conflitantes”. O relatório também cita questões relacionadas à contabilidade que resultaram na contratação da Ernst & Young pelo IRB para
auditar os resultados junto à PwC. “Não estamos mais confiantes de que temos uma base razoável para avaliar o IRB”, disseram os analistas.

Neste cenário complicado para a empresa, surgem até mesmo notícias sobre mudanças na direção da companhia. Segundo fontes do Valor Econômico, Werner Suffert deve assumir o cargo de vice-presidente financeiro e é cotado para ser CEO interino com a possível saída de José Carlos Cardoso. Suffert era membro do Conselho de Administração do IRB e pediu renúncia em 27 de fevereiro. Enquanto isso, Antonio Cassio, atual CEO Americas do Grupo Generali, é cotado para a presidência do Conselho. Contudo, procurado pela reportagem, Cassio disse que não recebeu convite até o momento.

Os riscos para a companhia aumentaram muito – e a resposta dela para tantos questionamentos do mercado será crucial para definir os próximos passos dela na Bolsa.

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“Tempestade perfeita” na CVC piora e ações caem quase 50% em 2020: a companhia conseguirá se recuperar?

SÃO PAULO – Uma verdadeira “tempestade perfeita”, que só vem piorando. É assim que os analistas de mercado definem a situação da ação da CVC (CVCB3): após ser a segunda maior queda do Ibovespa em 2019 ao cair 28% (enquanto o índice subiu mais de 31%), a empresa viu seus papéis despencarem 29,51% em fevereiro. Em janeiro, a ação já havia despencado 16,67%.

E, logo no primeiro pregão de março, as ações da companhia de turismo registraram a maior baixa do Ibovespa, com queda de até 15%, para fechar em baixa de 10,61%, com mais uma má notícia para a companhia, fazendo com que os papéis acumulem queda de 47,49% em 2020. Se, neste ano, até então, os papéis tinham caído fortemente por conta dos temores do surto de coronavírus nas operações da companhia, nesta sessão uma outra notícia afetou a empresa.

A CVC informou ter constatado, em uma avaliação preliminar, indícios de erros em seus balanços publicados entre 2015 e 2019, com potencial de impactar o resultado da companhia do quarto trimestre de 2019.

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De acordo com a empresa, os equívocos têm a ver com a diferença entre os valores provisionados no momento da contratação de um serviço turístico e os recursos que foram realmente transferidos após a realização das viagens.

O impacto potencial acumulado dos ajustes na receita líquida de vendas da companhia é estimado em cerca de R$ 250 milhões entre 2015 a 2019, o que equivale a uma quantia equivale a aproximadamente a 4% da receita líquida no período acumulado até setembro de 2019.

De acordo com a Eleven Financial Research, esses erros terão forte impacto nas estimativas do quarto trimestre de 2019 e do ano passado. O impacto na receita líquida estimada no trimestre será de uma redução de cerca de 60% e de 14% no ano de 2019. O impacto sobre o lucro é estimado na ordem de R$ 30 milhões. “Dado que nossa estimativa de lucro para o quarto trimestre é de R$ 33 milhões, o impacto basicamente zera o lucro trimestral da companhia”, avalia a casa de análise.

O Conselho de Administração da companhia determinou a realização de uma apuração independente em relação ao tema, a ser conduzida pelo comitê de auditoria, que será assessorado por consultores independentes e especializados. A CVC ainda destacou que está trabalhando para divulgar os números referentes a 2019 dentro do prazo. A previsão é que os dados do quarto trimestre de 2019 sejam divulgados no próximo dia 12 de março, após o fechamento de mercado.

“Se confirmados, esses erros poderão implicar em ajustes contábeis significativos nos resultados reportados pela companhia. Uma das ações mais afetadas pelo temor com o coronavírus, o impacto negativo no preço das ações da CVC deve se manter no curto prazo”, destaca a equipe de análise da Levante Ideias de Investimento.

Conforme avaliam os analistas, a CVC sofre em várias frentes: dólar na máxima histórica (o que reduz a propensão da população a viajar), aumento da concorrência, derrota (de até agora) R$ 127,6 milhões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf]) clientes postergando viagens devido ao coronavírus e agora indícios de erros contábeis.

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Sobre a questão do Carf, no início de fevereiro, o Conselho entendeu que a empresa é uma agência de turismo e, dessa forma, incide sobre a sua receita o PIS/Cofins, que foi repassada como comissão para as redes de lojas e também as fornecedoras de serviços turísticos. Contudo, os advogados apontam que a empresa é apenas uma intermediadora entre o cliente e as aéreas e hotéis. Se a CVC não conseguir vencer nenhum processo, o prejuízo pode ser de R$ 440 milhões no total. A CVC, em nota, afirmou que o processo administrativo ainda está em andamento no Carf, sem decisão final, e ainda será discutido na esfera judicial, portanto, sem prejuízo algum no momento.

Ação já caiu demais?

De qualquer forma, todo esse ambiente adiciona ainda mais dificuldades para a companhia, levando a uma nova revisão nas previsões já não muito otimistas para a companhia.

O Bradesco BBI reduziu o preço-alvo para as ações CVCB3 de R$ 60 para R$ 42 (upside de 63,23% frente o fechamento do dia 28 de fevereiro). Já a Eleven cortou a recomendação para os ativos de neutra para venda, com um preço-alvo de R$ 24,00 para os ativos (ante R$ 41), o que configura uma projeção de queda dos ativos de 7%, mas uma alta também de cerca de 7% considerando a forte baixa dos ativos nesta sessão, em que operam na casa dos R$ 22,00. No fim de janeiro, a Eleven já havia cortado a recomendação para os ativos de compra para neutra.

De acordo com Giovana Scottini e Daniela Bretthauer, analistas da Eleven, mesmo considerando o desempenho da ação em relação ao Ibovespa (uma queda de mais de 40% dos ativos CVCB3 frente à queda de cerca de 10% do índice no ano), a revisão ocorreu pelo fato de que as falhas da contabilização geram desconforto com relação à “qualidade” dos números informados e limita uma análise financeira e de valuation de forma adequada.

“Nosso sentimento em relação a ação da CVC só piorou nos últimos meses”, avaliam as analistas, destacando que, nos últimos meses, por conta da alta do dólar e do aumento de competição, as estimativas de lucros foram reduzidas sucessivamente pelo mercado e o valuation comprimiu. Assim, dado o cenário de incertezas para o negócio em que a companhia atua e o noticiário negativo recente, Giovana e Daniela estimam maior volatilidade para os papéis no curto prazo.

Por outro lado, apesar de cortar o preço-alvo e destacar que a “tempestade perfeita piora”, o analista do Bradesco BBI Richard Cathcart manteve a recomendação outperform (desempenho acima da média) para as ações da companhia principalmente em meio à recente queda das ações.

“Apesar dos ventos contrários, continuamos construtivos no CVC na expectativa de que sinais de melhora (como um ponto de inflexão no crescimento de vendas nas mesmas lojas) possam chegar ao final do primeiro trimestre de 2020, uma vez que as vendas se deterioraram significativamente em março do ano passado [o que leva a uma menor base de comparação”, avalia.

Cathcart ressalta que, mesmo com as dificuldades, a CVC continua líder de mercado em viagens de lazer e com uma forte rede de distribuição. “Acreditamos que esses são ativos atraentes de longo prazo, capazes de suportar desafios. Portanto, permanecemos construtivos, embora com uma visão mais a longo prazo do que anteriormente”, avaliam.

Problemas se acumulam

Vale lembrar que, em 2019, a companhia havia sofrido por dois fatores em especial: (i) recuperação judicial da Avianca, principal parceiro aéreo da CVC, cujo cancelamento de voos ocasionou despesas não-recorrentes para a companhia no montante de R$ 137,4 milhões nos primeiros nove meses do ano; e (ii) decepção do mercado com o crescimento de reservas.

André Alírio, economista da corretora Nova Futura, destacou em entrevista recente ao InfoMoney que a companhia está inserida em um setor em transformação e passou a sofrer com a concorrência de agências de turismo virtual. “A CVC tem um custo caro e capital imobilizado por canto da rede física. Isso eleva o custo de captação dos clientes, diferentemente das concorrentes, que possuem uma estrutura mais leve. É um mercado em mudança”, avaliou.

Já o ano de 2020 começou com o coronavírus, que a cada dia mostra mais os seus efeitos sobre o turismo global. Conforme aponta a XP Investimentos, caso os impactos do surto se prolongassem no médio prazo, a expectativa era de uma pressão nos preços de ações ligadas ao setor. Não por acaso, as ações de CVC e das aéreas Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) registraram as maiores baixas do Ibovespa de fevereiro, com queda superior a 20%.

Desta forma, com tantos problemas se acumulando em meio ao cenário de aversão ao risco com o coronavírus, os investidores preferem por enquanto ficar longe da companhia – mas já atentos às oportunidades que possam surgir mais à frente.

Ação da Petrobras só se tornará atrativa se romper os R$ 30,70 ou cair a R$ 28,45, diz analista

SÃO PAULO – Em tendência lateral há semanas, e com topos e fundos irregulares, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) não estão, neste momento, atrativas para compras por análise técnica, segundo a analista Jéssica Feitosa, da Eleven Financial Research.

Na visão dela, os únicos patamares de preço do papel que são bons pontos de compra por análise técnica no curto prazo são o rompimento da resistência dos R$ 30,70 e o recuo até o suporte dos R$ 28,45. Vale lembrar que suporte é uma região gráfica na qual a ação historicamente atrai compradores e a resistência é o nível de preço que, ao contrário, possui alta pressão vendedora.

“A resistência está nos R$ 30,70. Abaixo desse nível, a PETR4 vai seguir congestionada”, alerta a analista, que se diz mais confiante em sucesso se houver o rompimento da resistência. Na avaliação de Jéssica, a partir dos R$ 30,70, a ação tenderia a buscar os R$ 32,90 ou R$ 33,00 pela projeção de Fibonacci no gráfico. No cenário de R$ 32,90, a operação resultaria em um ganho de 7,17%.

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O stop loss – ordem automática que o investidor deve colocar para evitar perdas muito grandes – ficaria em R$ 29,20.

Já para o investidor que quiser se arriscar mais, Jéssica vê a possibilidade de uma operação com compra nos R$ 28,45 e venda nos R$ 30,20. Seria um trade focado na amplitude da congestão atual dos preços da ação com potencial de ganhos de 6,2%. Um stop interessante nesse caso seria os R$ 28,40.

Confira abaixo o gráfico da ação preferencial da Petrobras:

(Crédito: Elaboração Eleven, com dados do Broadcast)

Análise técnica

Chamada de análise gráfica por alguns, ela parte do pressuposto de que tudo o que pode ser medido acerca do desempenho futuro de uma ação já está precificado.

Desse modo, os movimentos diários do papel teriam um componente muito maior de percepção psicológica dos investidores sobre se está caro ou barato, subiu demais ou caiu demais, do que de fundamentos.

As operações em análise técnica, então, são guiadas a partir de um estudo do gráfico do preço da ação, verificando quais patamares de preço geralmente atraem vendas (resistências) e quais outros atraem compras (suportes). Também são observados padrões gráficos que sinalizam reversões de tendência nas cotações.

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Outras ferramentas da análise técnica incluem o Índice de Força Relativa (IFR), que cruza dados de preço de fechamento com volume negociado de ações, projeção de Fibinacci, análise de médias móveis, Bandas de Bollinger e outras.

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