A nudez, a maré e o empreendedorismo

(Shutterstock)

Há uma clássica citação de Warren Buffett que sempre me ocorre em épocas de “vacas magras”: “É só quando a maré baixa que você descobre quem estava nadando pelado.”

A desindustrialização brasileira não é nenhuma novidade. Aliás, a desindustrialização do ocidente não é nova.

Nos anos 1970, quando Phil Knight começou a produzir tênis de maneira terceirizada na Ásia, para que sua Nike pudesse competir com o quase monopólio alemão de calçados esportivos, isso era algo disruptivo. Hoje em dia, como bem sabemos, a manufatura do mundo está no Oriente.

A célebre frase de Buffett me veio à mente quando foi largamente noticiada a decisão da Ford de retirar seus parques fabris do Brasil.

Não que esse movimento fosse uma novidade, muito menos na indústria automotiva. A Mercedes já tinha tomado atitude semelhante tempos atrás. A Sony, do setor de eletrônicos, também havia decidido deixar o país, o que mostra que o fenômeno não é algo circunscrito a um setor específico.

Nesse momento, vieram à tona as discussões de sempre sobre a competitividade da indústria brasileira, nossa carga tributária, nossa produtividade etc.

Fiquei muito bem impressionado, todavia, com a ótima entrevista do professor Marcos Lisboa ao Brazil Journal. Tomo a liberdade de destacar alguns dos trechos que julguei mais marcantes:

“O problema maior é o seguinte: o desenho da política industrial do país (…) foi absolutamente equivocado e estava fadado ao fracasso. Optou-se por tentar fazer no Brasil boa parte da cadeia produtiva, sem ter escala para isso. (…) A gente tem no imaginário que indústria é a grande produção. Mas o processo de produção foi muito desmembrado ao longo do século passado. Você separou a parte de concepção e de inovação da fábrica de montagem.”

Curiosamente, todas essas reflexões surgiram com a saída da Ford. Logo a Ford, cujo sistema de produção criado por seu fundador caracteriza o fordismo. Símbolo de um tipo de indústria que aparentemente permeia o imaginário de nossos formuladores de política econômica. Um modelo claramente anacrônico. Uma manufatura do passado para solucionar um problema do futuro.

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Aqui, gostaria de abrir um rápido parêntese. A indústria de hoje vive uma verdadeira revolução. É o que se chama de indústria 4.0. Sem querer me aprofundar demais no tema, a inserção das tecnologias digitais no segmento industrial tem promovido uma fusão acelerada entre compartimentos que, no passado, tratávamos separadamente: indústria e serviço.

Cada vez mais os serviços agregarão valor ao processo industrial propriamente dito. A manufatura pura e simples se tornará um processo ainda mais “commoditizado”.

Voltando às nossas reflexões sobre como podemos no Brasil estar mais próximos do espírito do nosso tempo, cabe aqui observar se, na divisão mencionada pelo professor Lisboa, deveríamos nos fixar na inovação e concepção (design) ou na manufatura.

Minha primeira reação é a de que devemos buscar um caminho intermediário e progressivo em direção ao que é mais capaz de gerar valor para empreendedores e, portanto, para o país.

Sem abandonar a manufatura em setores específicos, em que características logísticas e naturais nos favorecem, precisamos concentrar esforços na direção da inovação e concepção/engenharia.

A história dos agentes econômicos brasileiros, tão marcada pelo patrimonialismo, mas também por um empreendedorismo pujante, precisa de novas e inéditas páginas.

Em 2020, um ano de dificuldades enormes, mais de 4 milhões de empresas foram criadas em nosso país. Prova inequívoca de nossa vocação empreendedora. Transformar essa vocação num motor de inovação é talvez nosso desafio econômico mais importante.

Tomemos como exemplo a economia americana. O que faz líderes como Elon Musk serem capazes de participar da concepção de um Paypal, de uma Tesla e de uma SpaceX? Negócios tão distintos em seus setores e ao mesmo tempo tão icônicos. Tentando simplificar a resposta, os EUA têm duas características marcantes: um real capitalismo de mercado e um empreendedorismo verdadeiramente inovador.

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Se não quisermos reinventar a roda, o exemplo americano nos mostra o caminho das pedras. Aliar o mercado de capitais à inventividade empreendedora parece ser mais eficaz do que contar com o dirigismo estatal para alavancar os setores econômicos.

Sendo assim, ao olhar para nossa desindustrialização, precisamos refletir se o caminho não passa por despertar os instintos liberais de nossos empreendedores. Pensar se devemos incentivar a instalação de manufaturas e a verticalização insensata da produção, ou se devemos fomentar a pesquisa e a inovação.

Em fevereiro de 2021, bateremos nosso recorde histórico de IPOs. Ao observar as empresas que encaminham sua abertura de capitais na B3, percebemos uma dominância dos setores tradicionais da economia.

Há uma forte presença da digitalização em suas atividades, mas ainda não estão presentes as indústrias do futuro. Onde estão as empresas de energia limpa? De biotecnologia? De química e agroindústria?

Se comparamos com a mesma listagem em fevereiro de 2021 na Nasdaq, para citar um exemplo, o que se verá é uma dominância absoluta de empresas de biotecnologia.

Pelo conhecimento que tenho de empresas de médio porte no Brasil, temos um sem número de empresas prontas para avançar nessa direção. Temos uma vocação muito grande e razoavelmente adormecida para o design, energias limpas, ciências da natureza e agroindústria. O complexo bioindustrial, por exemplo, que se mostrou tão relevante em tempos de pandemia, poderia se beneficiar muito de um olhar para essa direção.

O que nos falta? Os meios econômicos e talvez um pouco de organização, ambição e planejamento.

Não por acaso, o número de patentes depositadas nos Estados Unidos em 2019 foi 30 vezes maior do que no Brasil. Há quem diga que o número de patentes depositadas em um país é, atualmente, o verdadeiro termômetro de seu desenvolvimento. Sendo assim, nossa situação precisa melhorar muito. No Brasil, os maiores depositantes ainda são as universidades federais.

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Isso me leva a uma entrevista recente do CEO da Moderna, na qual ele exalta o mercado de capitais americano em detrimento das agências governamentais. O esforço de desenvolvimento da vacina da Moderna somente foi possível graças ao mercado. Esse estágio só foi alcançado pela forte securitização, ou equitização, da economia americana através dos anos.

Nosso modo tradicional de investir apoiado no tripé de altos retornos, liquidez imediata e baixo risco, em função de nossas altíssimas taxas básicas de juros, sempre foi um atrofiador do mercado de capitais. Não há capitalismo de mercado sem mercado de capitais.

Se, a partir do rigor fiscal, conseguirmos perpetuar taxas de juros civilizadas no país, a associação de um mercado de capitais potente com nossa força empreendedora tem tudo para ser um importante fator que apoie a redenção não apenas de nossa indústria como de nossa economia como um todo.

A partir daí, empreendedores serão capazes de produzir unicórnios em diferentes setores da economia, inclusive na indústria, promovendo a inovação não apenas no setor de e-commerce ou financeiro, mas no setor industrial, de design, de biotecnologia, alimentos, químico, energia e muitos outros.

O empreendedorismo é, e sempre será, a verdadeira força motriz de um país capitalista. Precisamos acreditar e apostar todas as nossas fichas nessa visão.

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Evento gratuito discute empreendedorismo em tempos de crise

Nos dias 29 e 30 de setembro, a Messem Investimentos, um dos maiores escritórios de investimentos do país, com quase R$ 11 bilhões sob custódia, promoverá a Insummit Digital, totalmente gratuito. Durante o encontro serão abordados temas como empreendedorismo em tempos de crise, futuro das viagens aéreas pós-Covid-19 e desafios enfrentados por mulheres no mercado de trabalho.

“Vivemos um ano histórico em todo o mundo e em meio a tantas notícias difíceis, queremos contribuir com a sociedade promovendo um evento que agregue conhecimento. O evento trará reflexões e ensinamentos sobre como os cidadãos podem lidar com a situação atual e criar a sua própria reviravolta”, sinaliza Mauro Silveira, sócio fundador da Messem, que complementa: “Essa realização é, também, uma forma de agradecer nossos clientes no ano em que estamos prestes a bater R$ 11 bilhões sob administração, que é uma grande vitória para nós”.

No primeiro dia de evento, destaque para a participação de Flávio Augusto, empresário e fundador da empresa Wise Up, além de ser proprietário do Orlando City Soccer Club. Já para o encerramento, a Insummit trará Cristiana Arcangeli, CEO Beauty In e apresentadora do programa Shark Tank Brasil, e Pedro Andrade, jornalista, apresentador e autor do livro “O Melhor Guia de Nova York”.

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“Nosso objetivo é que as pessoas possam ter acesso a um conteúdo de valor, com personalidades realmente inspiradoras”, sinaliza Silveira.

Para acompanhar o evento, realize a sua inscrição gratuita, acessando o link: insummit.com.br

Serviço:

Insummit Messem Investimentos

Data: dias 29 e 30 de setembro

Inscrição gratuita

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Programação:

Terça-feira- 29 de setembro:

19h00 – Abertura

19h20 – Palestra Flávio Augusto

20h35 – Agradecimento e Encerramento

Quarta-feira (30):

19h00 – Abertura

19h05 – Palestra Cristiana Arcangeli

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20h25 – Palestra Pedro Andrade

21h25 – Encerramento

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Websérie Coronavíru$ retrata o drama de empreendedores e a reinvenção dos negócios em meio à pandemia

SÃO PAULO – Depois de provocar dias de pânico no mercado financeiro, a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus atingiu duramente as empresas, com efeitos imediatos no mercado de trabalho.

O início das medidas de isolamento levou milhões de pequenos empresários a reduzir drasticamente as atividades – e, em alguns casos, a fechar as portas.

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Houve uma onda de corte de salários e demissões – e quem continuou empregado teve a rotina transformada.

Essa nova realidade é tema do terceiro episódio da websérie Coronavíru$: a pandemia no mercado e nos negócios (para assistir, basta clicar no link acima). Produzida pelo InfoMoney, a séria acompanhou o dia a dia de gestores, empresários e analistas em meio à pandemia.

Um dos entrevistados é Renato Menezes, dono da Viva, uma empresa especializada em eventos. Presente em cerca de 200 cidades do país, a Viva praticamente parou em março. Os negócios de sua esposa, Fernanda Lima, dona de uma agência de turismo digital, também sofreram.

Ao longo do episódio, eles mostram as medidas que adotaram para enfrentar a crise – e tentar manter seus funcionários – e também contam o drama pessoal que viveram. Fernanda foi diagnosticada com coronavírus no oitavo mês de gravidez.

Muitos dos depoimentos foram gravados quando o governo anunciou as primeiras medidas de auxílio para tentar conter os impactos da crise na economia, e os entrevistados analisaram seus efeitos potenciais.

“O pacote não vai fazer com que o PIB não caia. O PIB vai cair. Mas as pessoas vão sofrer menos que essa queda toda”, diz Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e sócio da gestora Mauá.

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“Cerca de 70% da população brasileira não tem dinheiro guardado. Se perderem a renda, as pessoas não têm o que comer”, diz Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP.

“Esta crise está começando nos pequenos empresários e subindo a cadeia. Por isso, é mais difícil que medidas macroeconômicas de auxílio consigam segurar os empregos”, acrescentou Ferreira.

O episódio mostra ainda trechos de lives com empresários e executivos feitas por Letícia Toledo, apresentadora do podcast Do Zero ao Topo, nas primeiras semanas da crise.

Um dos entrevistados foi John Rodgerson, CEO da Azul, que, como tantas empresas aéreas, teve de adotar medidas emergenciais para sobreviver. “O momento não é de ganhar dinheiro, mas de salvar empregos e salvar a empresa”, afirmou.

Outra entrevistada no episódio, Sofia Esteves, fundadora da Cia de Talentos, falou sobre o medo de demissões que passou a rondar os profissionais e sobre a adaptação à rotina de reuniões e treinamentos digitais.

A websérie tem quatro episódios, que são lançados às quintas-feiras no Youtube do InfoMoney. Assista ao primeiro e ao segundo.

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O que é preciso saber antes de vender os ativos da sua empresa

Em momentos desafiadores como o atual, em que planam incertezas sobre a economia, o planejamento para o futuro e tomada de decisões são tarefas importantes dentro das empresas. Um grande desafio para gestores e empresários é compreender a função e aplicação de seus ativos, analisando quais estão parados, improdutivos e saber como trabalhá-los em uma Recuperação de Capital.

Esta saída pode ser uma boa oportunidade para gerar fluxo de caixa, higienizar processos e corrigir a produção. Porém, demanda entendimento de alguns passos fundamentais para evolução do projeto, chamado ‘desmobilização dos ativos’. Se bem realizado, é um processo de ganhos mútuos. Além de beneficiar a empresa vendedora, ele também movimenta favoravelmente a economia.

“O mercado brasileiro é muito amplo e vive diferentes cenários e realidades em sua extensão, onde as oportunidades de aquisição de ativos, oriundos de desmobilizações,  são altamente favoráveis para outros processos que precisam aumentar seu potencial ”, afirma Marcelo Bartolomei Pinheiro, diretor técnico da Maisativo, em entrevista ao Money Lab.

A quem se destina
Podendo ser aplicado nos mais variados segmentos, sejam eles do setor público ou privado, sempre que uma empresa optar pelo processo de venda de ativos é fundamental compreender quais passos devem ser seguidos para se alinhar ao cenário e ter premissas acertadas para estruturar a operação.

Projetos de desmobilização incluem todo e qualquer ativo ou insumos que possam gerar capital e ser recolocado no mercado. Desde a venda de imóveis, à frotas de veículos leves e pesados, máquinas pesadas, máquinas agrícolas, ativos industriais, MRO e até mesmo produtos como matérias primas, sucatas, mobiliários e equipamentos de informática.

5 passos fundamentais
Contar com uma empresa especializada é um grande diferencial de eficiência e segurança para todo o processo. Veja abaixo, cinco tópicos que os especialistas neste serviço cuidam:

Plano de desinvestimento

Deve-se compreender a situação contábil, a vida útil, aplicação, forma de remoção, impactos operacionais, custos de manutenção, armazenamento, projetar gastos, projetar a aplicação, compreender bem os custos de produção e estudar canais de comunicação de venda que possam dar destaque e melhor encaminhamento dos ativos para o mercado. O questionamento interno deve ser: é hora de investir? É hora de se capitalizar? É hora de evitar gastos desnecessários? Como ser competitivo com meu parque atual?

Avaliação
Estudo sobre o ativo e seu valor neste momento. Esta etapa envolve conhecimento do estado  geral, históricos de manutenção, custos de retroffiting e recondicionamentos, aplicações, defasagem tecnológica e gastos indiretos como remoção e logística, devem estar no radar do gestor, que além destes pontos deve compreender que o valor dos ativos muitas vezes não se refletirá no real valor de mercado do bem e na capacidade de investimento por parte de compradores.

Compliance
Compreender que no processo de venda, a oferta deve ser tratada de forma imparcial nas negociações; ter processos transparentes e auditáveis; atender às melhores práticas de direcionamento e governança; irão ser fundamentais nas organizações, tanto para quem vende, como para quem compra, validando todas as etapas e o melhor resultado. O mundo digital trouxe um radar maior em cima de todos os processos que favorecem a gestão e direcionamento dos projetos.

Soluções de Venda

Identificar o melhor modelo de venda para os ativos (Leilão, Venda Direta, Parcial…) e saber como todos os potenciais compradores sejam comunicados, exigirá compreender a força do canal , sua experiência e serviço agregado do prestador, além de sua  responsabilidade por todo o processo – da preparação, avaliação, comunicação, homologação dos compradores e determinar o cumprimentos das regras e condições gerais para a venda, finalizando o processo até a retirada do ativo pelo comprador.

Marketing
Reforçando a etapa de Soluções de Venda, a parceria do cliente e vendedor exigirá estratégias de comunicação e marketing, que valorize o projeto e destaque os ativos, além de um enorme foco na geração de leads qualificados. Soluções como:  transmissões ao vivo das ofertas, mídias de performance, mídias digitais, entre outras ações que abrangem ferramentas específicas para dialogar com o consumidor serão eficazes para gerar as conversões necessárias.

Importante: A publicação acima é um conteúdo patrocinado, sendo que a Infostocks Informações e Sistemas Ltda. (“InfoMoney”) não tem qualquer responsabilidade pelo conteúdo e informações disponibilizadas, não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações, não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. O autor ou empresa responsável pelo conteúdo estão indicados na própria publicação.

Carol Burg: a empreendedora que inovou o mercado imobiliário brasileiro

Carol Burg Terpins é sócia-fundadora e diretora da JFL Realty, uma gestora de ativos imobiliários.

Apesar de ser bastante reconhecida no mercado imobiliário e financeiro, a trajetória de Carol Burg empreendedora começou com uma empresa de exportação de biquínis.

E foi justamente nessa primeira experiência que Carol aprendeu uma das maiores lições do empreendedorismo.

“A maior dificuldade foi querer focar em uma coisa que era minha e não poder. Se você não tem tempo para se dedicar a algo que é seu, não vá empreender ainda”, conta.

A empresa de biquíni não deu certo, mas a veia empreendedora de Carol Burg se manteve latente.

Mercado residencial para renda

Após passar pela Brasil Plural, onde foi sócia e head de real estate investment banking até 2015, Carol viu a oportunidade de dessa vez, focar no que era seu.

Ao lado de Jorge Felipe Lemann, ela fundou a JFL Realty, uma empresa pioneira no mercado residencial para renda no Brasil.

Sobre ser mulher em um mercado tomado por homens, a empresária admite que há uma diferenciação, mas que isso nunca a impediu de mostrar a sua competência.

“Hoje, olhando para trás, talvez eu enxergue alguma diferenciação”, diz. “Eu tive que esperar um pouquinho para fazer o que eu queria”, complementa.

Para as mulheres que estão empreendendo, Carol Burg é enfática.

“Em um momento que você se dedica em algo e quer empreender, não olhe pro lado mesmo que digam que você está louca”, aconselha.

Por fim, ela diz: “Não deixa de tentar, porque você vai pensar a vida inteira se deveria ter tentando”.

A mulher brasileira empreendedora

Mais de 9,3 milhões de mulheres estão à frente de uma empresa, de acordo com o Sebrae.

Elas representam 34% de todos os donos de negócios do país.

Nos últimos dois anos, a proporção de mulheres empreendedoras consideradas “chefes de família” passou de 38% para 45%, ou seja, são elas as responsáveis pelo provimento da casa.

No entanto, apesar de as mulheres estarem cada vez mais ocupando espaço no empreendedorismo, ainda são discretas as ações de incentivo para elas.

Pelo contrário, empreendedoras são mais jovens e com nível de escolaridade 16% superior ao dos homens, mas recebem menos.

Elas também sentem dificuldades na hora de conseguir crédito, mesmo o mercado mostrando que empresas com mulheres no comando são mais perenes e apresentam inadimplência menor, menor risco e maior retorno.

Empresárias são melhor pagadoras do que homens: 3,7% dos inadimplentes são do sexo feminino contra 4,2% do masculino.

Porém, elas conseguem um valor médio de empréstimos de aproximadamente R$ 13 mil a menos do que é concedido aos homens.

Para piorar, elas pagam taxas de juros 3,5% maior que o sexo masculino.

Série Mulheres Empreendedoras

A série Mulheres Empreendedoras já entrevistou Chieko Aoki, fundadora e presidente da rede de hotéis Blue Tree Hotels, e Maitê Schneider, embaixadora e influenciadora da Rede da Mulher Empreendedora, maior rede de empreendedorismo feminino do país. Confira essas histórias inspiradoras no nosso canal.