Renner fecha contrato com Enel para compra de energia eólica para lojas

A Lojas Renner (LREN3) fechou contrato com a Enel para a compra de energia eólica para atender a demanda de 170 lojas, além de seu novo centro de distribuição. A parceria é inédita, já que o contrato é de longo prazo e a energia fornecida virá de um parque eólico já determinado da Enel que entrará em operação no fim deste ano.

Nos próximos meses, enquanto a usina da Enel no município de Tacaratu (PE) não fica pronta, parte do consumo da Renner já começa a ser atendida por energia de fonte renovável vinda de outras usinas da companhia de energia elétrica. Assim que o projeto ficar pronto, o fornecimento migrará para o parque em Pernambuco, diz o presidente da Lojas Renner, Fabio Faccio. A duração do contrato é de 15 anos.

Segundo o executivo, o acordo ajudará a companhia a encerrar o ano com 80% do seu consumo corporativo, ou seja, considerando seus prédios administrativos, centros de distribuição e lojas, vindo de fontes renováveis, ante 65% no fim do ano passado. Isso, afirma Faccio, representa ainda um avanço da meta estabelecida para o fim de 2021 – o objetivo era fechar este ano com 75%.

O presidente da Renner diz ainda que, além de a companhia dar mais um passo frente ao seu compromisso ambiental, esse tipo de contrato, de longo prazo, funciona também como um incentivo para investimentos em energia renovável no Brasil. “Com isso, estamos aumentando a geração de energia no Brasil e de forma muito mais sustentável”, afirma Faccio, em entrevista ao Estadão. Hoje, a varejista já consome energia de fazendas solares e de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

A diretora de Arquitetura, Engenharia e Expansão da varejista, Alessandra Shargorodsky, acrescenta que esse contrato também cumpre o papel de dar maior previsibilidade e estabilidade ao custo de energia, algo ainda mais evidente em um momento de crise hídrica.

Já do lado da Enel, esse tipo de contrato garante compra de longo prazo para um investimento bilionário que está saindo do papel. Ao todo, serão construídos cinco novos parques de energia renovável – quatro eólicos e um solar, todos no Nordeste -, que consumirão um total de R$ 5,6 bilhões em investimentos, comenta o diretor-geral da Enel no Brasil, Nicola Cotugno.

“Temos visto os clientes cada vez mais tomando uma posição de responsabilidade e, a cada dia, há mais interessados nesse tipo de contrato”, comenta o executivo da Enel. O aumento da demanda vem também de compras de energia por empresas, mas sem uma usina específica que gerará a energia a ser fornecida, como o caso da Renner. Uma das diferenças, nesse caso, é que, quando o contrato faz essa previsão da origem da energia, a comercialização inclui certificados internacionais de energia renovável que atestam a origem da energia prevista no acordo. Na prática, funciona como um rastreamento de atributos ambientais de energia, algo que tem se tornado relevante para as empresas no momento em que precisam gerar confiança na contabilidade do carbono, diante da meta de zerar emissão do gás.

Para o coordenador do curso de economia da FGV, Joelson Sampaio, esse tipo de contrato é uma tendência muito por conta da necessidade de diversificação de matriz energética no País. “Quando vemos uma crise hídrica como essa que estamos vivendo, principalmente, aumenta o incentivo das empresas para compra de energia de fontes renováveis”, frisa Sampaio.

Recursos de oferta estão sendo usados

No centro de uma roda de apostas no mercado sobre quem poderá ser o alvo da Renner para aquisição, após a companhia levantar em oferta de ações cerca de R$ 4 bilhões, o presidente da varejista, Fabio Faccio, diz que parte do valor já começou a ser utilizada com o desenvolvimento de iniciativas internas – digitalização, inovação e ampliações do ecossistema de produtos e serviços com viés de sustentabilidade. Esses mesmos pilares, frisou, também orientarão futuros movimentos de aquisições, mas que neste momento não há novidades. “Estamos estudando algumas possibilidades.”

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Enel inicia operação comercial no Piauí de parque eólico de R$ 3 bilhões, o maior da América do Sul

Parque Eólico Lagoa dos Ventos da Enel no Piauí (Foto: Divulgação)

(ANSA) – A Enel Green Power, subsidiária brasileira de energia renovável do Grupo Enel, iniciou a operação comercial do parque eólico Lagoa dos Ventos, o maior do tipo na América do Sul e o maior da empresa italiana no mundo.

A unidade de 716 MW está localizada nos municípios de Lagoa do Barro do Piauí, Queimada Nova e Dom Inocêncio, todos no estado do Piauí. Segundo a empresa, a obra teve um investimento de cerca de R$ 3 bilhões.

“Lagoa dos Ventos é um projeto eólico recorde e seu início de operações comerciais é um marco importante para a Enel Green Power em todo o mundo, especialmente à luz dos desafios do cenário global de saúde”, disse o CEO da Enel Green Power e head da linha de negócios Global Power Generation da Enel, Salvatore Bernabei.

O CEO ainda ressaltou que “como nossa maior usina eólica do mundo, Lagoa dos Ventos representa um passo significativo para o nosso crescimento sustentável, ao mesmo tempo que apoia a recuperação verde no Brasil, contribuindo ainda mais para a diversificação da matriz energética do país”.

Conforme as informações divulgadas pela Enel Green Power, o parque é composto por 230 turbinas eólicas e conseguirá gerar mais de 3,3 TWh por ano. A empresa também pontuou que, em dezembro de 2020, a Enel anunciou o início da construção do novo projeto eólico Lagoa dos Ventos III, com 396 MW.

Com o novo parque eólico, que exigirá um investimento de cerca de 360 milhões de euros, a capacidade total de Lagoa dos Ventos atingirá cerca de 1,1 GW.

Todo o complexo eólico terá 302 aerogeradores e poderá gerar cerca de 5,0 TWh por ano.

No Brasil, o Grupo Enel, por meio de suas subsidiárias EGPB e Enel Brasil, tem uma capacidade total instalada renovável de mais de 3,7 GW, dos quais 1.498 MW são de fonte eólica, 979 MW são de fonte solar e 1.269 MW de hidro. (ANSA).

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