Índices futuros dos EUA e bolsas da Europa sobem em recuperação após queda forte de ontem; ETF brasileiro EWZ avança 0,8%

bolsa ações mercados alta up sobe índices Foto: reprodução

SÃO PAULO – Em dia sem B3 por conta do feriado de 9 de julho em São Paulo, os investidores em Bolsa brasileira vão monitorar principalmente o desempenho dos principais índices acionários mundiais.

Após o forte sell-off da véspera em meio às preocupações com o ritmo de crescimento da economia global, intensificadas pela disseminação da variante delta do coronavírus, as bolsas da Europa e os índices futuros dos Estados Unidos registram uma sessão de recuperação na sessão desta sexta-feira (9).

Na mesma linha, o EWZ, principal ETF brasileiro negociado no mercado americano, que replica o índice MSCI Brazil, registrava alta de 0,81% no pré-market da Bolsa de Nova York, a 38,44 pontos, após a baixa de 1,57% na véspera, por volta das 8h30 (horário de Brasília).

Os futuros do Dow e do S&P 500 subiam nesta sexta uma vez que as ações de energia se recuperavam de forte liquidação provocada por preocupações com o crescimento, colocando os índices a caminho da maior queda semanal desde meados de junho.

Na quinta, o Dow perdeu 0,75%; o S&P recuou 0,86%; e o Nasdaq perdeu 0,72%. Na semana, o Dow acumula perda de 1,1%; o S&P recua 0,7%; e o Nasdaq perde 0,5%.

Já nesta data, empresas de petróleo como Exxon Mobil registravam ganhos antes da abertura do mercado, acompanhando os preços da commodity. Após fechar em alta na véspera com a queda dos estoques de petróleo nos EUA, a sessão segue de ganhos para os contratos do WTI e do brent, com variação positiva de cerca de 1%.

Sensíveis aos juros, os bancos Wells Fargo, Morgan Stanley, JP Morgan Chase, Citigroup, Goldman Sachs e Bank of America  subiam entre 0,9% e 2%, uma vez que o rendimento do Treasury de 10 anos também registrava alta, interrompendo oito dias de quedas devido a temores de que a recuperação econômica pós-pandemia está vacilante.

Embora o rendimento do referencial de 10 anos ainda acumule baixa de cerca de 10 pontos básicos na semana, ele era negociado em alta de 4,5 pontos no dia, a 1,33%, acima da mínima de quatro anos e meio de quinta-feira de 1,25%. Operadores ouvidos pela Reuters destacam que 1,25% marcou um nível de suporte técnico para o mercado.

Os mercados acionários da Europa também buscam recuperação, ao menos parcial, da baixa mais acentuada do pregão anterior. Preocupações com a covid-19 e seus impactos na atividade seguem em foco, mas hoje não impedem os ganhos das ações, com ajustes para cima em alguns setores, entre eles o de viagens.

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O índice pan-europeu Stoxx 600 operava em alta de 0,91%, em 455,74 pontos.

Ao longo de toda a semana, porém, o Stoxx 600 ainda exibe baixa modesta. O Swissquote menciona em relatório o fato de que, durante a competição de futebol Euro2020, milhares de torcedores têm ido aos jogos “sem máscaras nem medidas visíveis de distanciamento”, o que segundo o banco gera questionamentos sobre a possibilidade de a variante delta se disseminar mais pelo continente.

Na agenda de indicadores, a produção industrial do Reino Unido avançou 0,8% em maio ante abril, abaixo da previsão de alta de 1,3% dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal.

O premiê Boris Johnson planeja acabar com o distanciamento social e outras medidas de restrição impostas pela pandemia em 19 de julho. Apesar de ainda existir cautela com a variante delta, a notícia apoiava hoje algumas ações ligadas a viagens. O papel da EasyJet subia 1,98% e o da Carnival, 1,87%.

Na agenda, houve também a publicação da ata da reunião de 10 de junho do Banco Central Europeu (BCE). As autoridades do banco debateram um corte no volume de compra de títulos na reunião de 10 de junho, antes de concordarem em manter o nível elevado de estímulo, destacou o documento.

Enfrentando o aumento dos custos dos empréstimos em meio a uma recuperação ainda incipiente, as autoridades do BCE pareciam preocupadas que um afastamento antecipado do mercado pudesse elevar os rendimentos e sufocar o crescimento econômico, já que alguns setores importantes ainda não estão firmes o suficiente, mesmo que o crescimento esteja agora relativamente rápido.

“Em vista das melhores perspectivas para o crescimento e a inflação, e os riscos altistas associados, foi, no entanto, argumentado que, para fornecer o mesmo grau de acomodação, as compras de ativos deveriam ser reduzidas um pouco”, disse o BCE.

Ontem, o banco central anunciou um ajuste em sua política, almejando agora uma meta de 2% de inflação, não mais de “quase 2%” como era até então.

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Às 8h30 (horário de Brasília), a Bolsa de Londres subia 0,73%, Frankfurt avançava 0,98% e Paris, 1,79%. A Bolsa de Milão operava em alta de 1,41%, Madri subia 0,94% e Lisboa, 0,35%.

Por outro lado, os principais mercados acionários da Ásia não tiveram sinal único, mas fecharam na grande maioria em baixa, com a cautela por conta da disseminação da variante delta predominando entre os investidores.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei fechou em queda de 0,63%, em 27.940,42 pontos. Ações ligadas a maquinário e a eletrônicos puxaram o movimento, influenciado também pelas preocupações com novas medidas de estado de emergência em Tóquio, por causa da covid-19. Foi informado que a Olimpíada, que começa na cidade no dia 23, não contará com público, por causa da crise de saúde. Investidores monitoram com especial atenção agora as tendências dos casos do vírus e também o ritmo de vacinação.

Na China, a Bolsa de Xangai registrou baixa de 0,04%, a 3.524,09 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, subiu 0,07%, a 2.549,74 pontos. Na agenda de indicadores, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da China desacelerou, para uma alta de 8,8% em junho, na comparação anual, como previsto pelos analistas.

Na Bolsa de Seul, o índice Kospi fechou em queda de 1,07%, a 3.217,95 pontos. A praça sul-coreana teve dia de queda para ações de bancos, varejo e as ligadas a viagens, diante do quadro na pandemia, com preocupações sobre a variante delta também pesando no mercado local. O governo da Coreia do Sul reforçou regras de distanciamento social para o nível mais alto em duas semanas, a partir do dia 12, após o registro diário de casos da doença atingir novo recorde no país.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng foi na contramão da maioria e registrou alta de 0,70%, a 27.344,54 pontos, interrompendo uma sequência de oito quedas consecutivas. Ações de consumo e tecnologia subiram hoje, mas as de finanças e varejo recuaram. Na Bolsa de Taiwan, o índice Taiex registrou baixa de 1,15%, a 17.661,48 pontos.

Na Oceania, o S&P/ASX 200 fechou em queda de 0,93% na Bolsa de Sydney, em 7.273,30 pontos. A praça australiana foi influenciada por relatos de que restrições à circulação por causa da pandemia podem ser estendidas em Sydney e também por preocupações quanto ao ritmo do crescimento global.

Veja o desempenho dos principais indicadores às 8h30 (horário de Brasília):

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Estados Unidos
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,61%
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,38%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,04%

Europa
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,73%
*Dax (Alemanha), +0,98%
*CAC 40 (França), +1,79%
*FTSE MIB (Itália), +1,41%

Ásia
*Nikkei (Japão), -0,63% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,04% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +0,7% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -1,07% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +1,111%, a US$ 73,73 o barril
*Petróleo Brent, +0,82%, a US$ 74,73 o barril
*Bitcoin, +0,65%, a US$ 32.712,15
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com queda de 3,73%, cotados a 1.163 iuanes, equivalente hoje a US$ 179,39 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,48

(com Reuters)

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Índice de ADRs brasileiros ganha forças e passa a subir seguindo Wall Street; petróleo segue em baixa

(Shutterstock)

SÃO PAULO – O principal índice de ADRs (na prática, as ações de empresas de fora dos EUA negociadas em Nova York) do Brasil, o Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, abriu em queda na sessão desta quarta-feira (21), mas ganhou forças acompanhando Wall Street e registra ganhos durante a tarde, em dia de B3 fechada por conta do feriado de Tiradentes. Às 15h17 (horário de Brasília), o índice subia 0,41%, a 18.644 pontos. Enquanto isso, o ETF EWZ iShares MSCI Brazil Capped, que replica o Ibovespa em dólar, registrava alta de 0,44%, a 35,19 pontos.

As bolsas americanas registram ganhos após uma abertura em leve queda: o Dow Jones tinha alta de 0,78% nesta tarde, o S&P500 subia 0,70%, enquanto o Nasdaq tinha alta de 0,77%. A recuperação é liderada por ações de setores cíclicos após dois dias de perdas, com a expectativa por recuperação da economia por conta dos estímulos fiscais e para infraestrutura do governo dos EUA.

Mesmo com a recuperação dos ativos durante a sessão, as ações da Netflix caem cerca de 7% após a gigante de streaming divulgar um número de novos assinantes que fica bem abaixo das estimativas de analistas de Wall Street, após a demanda adicional de clientes por conta da pandemia arrefecer.

Além disso, a empresa afirmou que espera adicionar apenas cerca de 1 milhão de novos assinantes no trimestre atual, bem abaixo das estimativas.

Ainda no radar, a Organização Mundial de Saúde havia alertado na sexta-feira que a taxa global de infecções por Covid está se aproximando de seu patamar mais alto. O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que pretende implementar alertas de “não viaje” para 80% dos países do mundo, adicionando a informação de que a pandemia representa “um risco sem precedentes aos viajantes”. O anúncio prejudicou o desempenho dos papéis de empresas de aviação.

Assim, o ambiente de cautela permanece. As bolsas asiáticas fecharam em sua maioria em queda, prejudicadas por dados indicando a aceleração da propagação da Covid na Índia. Na terça, o país registrou 259.170 novas infecções por Covid, o que faz com que fique atrás apenas dos Estados Unidos em casos totais até o momento. As bolsas do país não abriram, no entanto, na quarta, também devido a um feriado.

Em meio às preocupações com a demanda da Índia, terceira maior importadora global de petróleo, o contrato futuro do WTI com vencimento em junho tinha queda de 2,6%, a US$ 61,02 o barril, enquanto o brent para o mesmo mês caía 2,22%, a US$ 65,09, seguindo o movimento da véspera.

Os ADRs das ações da Petrobras (PETR3;PETR4) chegaram a cair quase 2% acompanhando o desempenho da commodity, mas depois amenizaram seguindo a melhora de humor em Wall Street, passando a cair 0,5%. No radar da estatal, a companhia informou que os termos da transação feita com a União em relação às compensações que serão pagas à estatal referentes aos contratos de partilha do pré-sal nos campos de Atapu e Sépia. Essa compensação refere-se aos investimentos feitos pela estatal para a exploração nos dois campos.

Pelo acordo feito entre a Petrobras e a Pré-Sal Petróleo (PPSA, empresa vinculada ao Ministério de Minas e Energia), firmado em 9 de abril, a compensação antes de impostos é de US$ 3,253 bilhões para o Campo de Atapu e US$ 3,200 bilhões para o Campo de Sépia. Esse valor poderá ser complementado a cada ano, entre 2022 e 2032, caso o preço do petróleo tipo Brent atinja média anual superior a US$ 40 por barril até o limite de US$ 70 por barril.

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As ações de bolsas asiáticas tiveram desempenhos variados entre si na quarta-feira. No Japão, o índice Nikkei 225 caiu 2,03%, no segundo dia consecutivo com quedas acima de 2%. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 1,52%, e o índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,68%.

Na China, o Shanghai composto fechou o dia estável, enquanto que o componente Shenzhen subiu 0,34%. Ações de saúde e bancos entre os destaques positivos após resultados corporativos trimestrais otimistas. As ações do Ping An Bank  subiram 6,09%, para 23,01 iuanes, apresentando seu melhor desempenho diário desde 3 de março. O banco registrou alta de 18,5% no lucro líquido no trimestre janeiro-março. O desempenho do setor também desconsiderou os comentários de um regulador bancário sênior, que pediu aos bancos que se preparassem para empréstimos inadimplentes e avaliassem totalmente esses riscos.

Na Europa, os papéis da fabricante dinamarquesa de chips ASML subiram 4,2%, liderando o índice Eurostoxx. Na lanterna ficam os papéis da empresa dinamarquesa de armazenagem de petróleo Vopak, que recuou 5,2% após divulgar dados abaixo das expectativas.

As ações da fabricante de cerveja Heineken avançam cerca de 4% após a empresa apontar volumes acima do esperado no primeiro trimestre.

No radar de indicadores do continente, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido avançou 0,3% em março, na comparação com fevereiro, e subiu 0,7% na comparação com igual mês do ano passado, informou o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Os números vieram em linha com a previsão dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. Já o núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,4% em março ante fevereiro, quando a expectativa dos economistas era de alta de 0,2%. Na comparação anual, o núcleo do CPI subiu 1,1%, como esperado.

Covid e vacinas contra a Covid no Brasil

Na terça (20), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 2.830, alta de 3% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas 24 h foram registradas 3.481 mortes pela doença.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h. A média móvel de novos casos em sete dias foi de 64.188, alta de 1% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 73.172 casos.

27.173.331 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 12,83% da população. A segunda dose foi aplicada em 10.718.372 pessoas, ou 5,06% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

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Segundo reportagem de bastidores publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, na próxima quinta (22), os líderes dos partidos no Senado se reúnem para discutir os próximos projetos a serem debatidos. A proposta conhecida como “fura-fila das vacinas”, que permite a empresas comprarem vacinas e empregá-las até mesmo em familiares de seus funcionários, sem a obrigação de doar parte delas ao SUS, deverá ficar fora da pauta.​

Apesar de ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados, é possível que a proposta continue na gaveta, diz o jornal.
Em post realizado na terça-feira à noite em sua conta no Twitter, o ministro da Comunicações, Fábio Faria, afirmou que o governo brasileiro negocia a compra de mais 100 milhões de doses da vacina da Pfizer contra Covid-19. “A negociação começou há cerca de 20 dias e a pasta [da Saúde] busca dar celeridade ao processo”, escreveu.

O Brasil já havia fechado uma compra de outras 100 milhões de doses da Pfizer e a primeira entrega deve ocorrer na quinta-feira da semana que vem. Segundo uma fonte com conhecimento direto do assunto ouvida pela agência internacional de notícias Reuters, caso a nova compra seja fechada, o objetivo é que o segundo lote de 100 milhões de doses seja entregue no final do ano, visando a imunização em 2022.

Com um histórico de sucessivos anúncios e recuos sobre o recebimento de vacinas, o governo tem evitado apresentar de forma detalhada informações mais completas sobre o recebimento de doses de laboratórios na gestão do atual titular da Saúde, Marcelo Queiroga.

Mas, na terça, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, deu prazo de cinco dias para o governo federal se manifestar em uma ação movida pela Rede Sustentabilidade que cobra a divulgação detalhada do cronograma de recebimento de vacinas contra Covid-19.

“Desse modo, considerando a importância da matéria e a emergência de saúde pública decorrente do surto do coronavírus, solicitem-se prévias informações ao presidente da República e ao ministro de Estado da Saúde, no prazo de cinco dias, sobre os pedidos formulados”, determinou o ministro, em despacho.

Também na terça, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) enviou uma manifestação ao ministro Lewandowski em que pede a suspensão do prazo dado ao órgão regulador para analisar o pedido de importação de doses da vacina russa contra Covid-19 Sputnik V.

Lewandowski havia dado inicialmente um prazo até o final de abril para que a Anvisa tomasse uma decisão sobre o pedido de importação feito pelo governo do Maranhão, sob pena de permitir a autorização da importação do imunizante.

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O Maranhão e outros estados pressionam pelo aval para a compra da Sputnik V em meio à demora no avanço da imunização e pico de casos e mortes de Covid-19 no país.

Em sua manifestação, a agência argumentou não ter tido acesso a dados para fazer uma análise da vacina, e destacou que o prazo pode ser suspenso sob essas circunstâncias.

Na semana passada, laudos produzidos pela área técnica da Anvisa encaminhados ao STF identificaram “pontos críticos” referentes à demonstração de eficácia e segurança da vacina Sputnik V nos documentos que constam de pedido de importação feito pelo Maranhão. A área técnica da agência conclui que não há dados suficientes para fazer uma “análise de benefício-risco positiva sobre a vacina”.

Impasse do Orçamento

A Lei de Responsabilidade Fiscal prevê que o decreto sobre o Orçamento seja editado até 30 dias após a aprovação da lei orçamentária, o que faz com que o prazo para sanção presidencial se esgote já na quinta-feira (22).

Sem a sanção do Orçamento de 2021 até o momento, o presidente Jair Bolsonaro editou na terça um decreto que altera os limites provisórios da execução orçamentária dos órgãos, dos fundos e das entidades do Poder Executivo federal.

A medida busca atender às necessidades de verbas de AGU (Advocacia Geral da União); a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil); e os ministérios da Educação; da Infraestrutura; do Desenvolvimento Regional; da Saúde; da Ciência, Tecnologia e Inovações; da Defesa e das Comunicações.

De acordo com o jornal Valor Econômico, esses órgãos solicitaram um aumento dos limites de pagamento de despesas primárias discricionárias do exercício corrente. E de restos a pagar referentes a despesas de exercícios anteriores.
Segundo nota da Secretaria-Geral da Presidência, a medida tem validade até que seja editado o decreto de programação orçamentária definitivo.

O Orçamento de 2021, recentemente aprovado pelo Congresso Nacional expôs um impasse entre o Congresso, a ala política e a equipe econômica do governo. Isso porque ele foi aprovado com uma reestimativa de R$ 26,5 bilhões para baixo das despesas obrigatórias do governo e uma elevação dos recursos direcionados a emendas parlamentares e a áreas como defesa e segurança pública.

Segundo o Tesouro, da forma como está o Orçamento cria o risco de “paralisação das atividades essenciais do Estado”, o que faz com que seja chamado de fictício.

Na segunda-feira, o Congresso aprovou um projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e traz ajustes, com o aval do governo, para permitir a controversa sanção do Orçamento.

“Como a lei orçamentária ainda não foi sancionada, o Executivo continua efetuando as suas programações com base na execução provisória do Orçamento. Essa situação, contudo, deverá ser superada a partir do mês de maio, quando a programação definitiva já estará em vigor”, informou a Secretaria-Geral em nota.

Além disso, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Jens Arnold, economista da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) responsável pelas análises sobre o Brasil afirmou que: “Muitas pessoas ainda precisam de ajuda, mais de um ano após a Covid-19 chegar ao Brasil. E a segunda onda da pandemia agrava ainda muito mais a situação social”.

Ele também avaliou que “a conta que o Estado terá de pagar como legado da Covid-19 complicará ainda mais as finanças públicas, que já estavam complexas antes da crise”. Isso dificulta retomar o ajuste fiscal, afirmou.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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ETF brasileiro EWZ cai 6% e ADR da Petrobras despenca 17% no pré-market da Bolsa de Nova York

baixa gráfico índice (Getty Images)

SÃO PAULO – O EWZ, principal ETF brasileiro negociado no mercado americano, que replica o índice MSCI Brazil, registrava queda de cerca de 5% no pré-market da Bolsa de Nova York nesta segunda-feira (22). Às 8h45 (horário de Brasília), a baixa era de 6,22%, em meio ao anúncio do governo de trocar o CEO da Petrobras (PETR3;PETR4) e ainda indicar intervenção no setor de energia elétrica. Os papéis da Petrobras PBR (equivalente às ações ordinárias) tinham uma derrocada de mais de 17% no mesmo horário: a derrocada era de 17,13%, a US$ 8,31. Já os PBR-A tinham baixa de 14,29%, a US$ 8,70.

Após a indicação do governo do general Joaquim Silva e Luna para presidência da Petrobras, em substituição a Roberto Castello Branco, a percepção de risco para as ações da Petrobras, que já estava alta por conta das críticas de Jair Bolsonaro ao reajuste de combustíveis e ao CEO da estatal, aumentou ainda mais, levando os ADRs (recibos de ações, na prática, os papéis negociados nos EUA) a caírem mais de 9% no after market na sexta após terem registrado uma queda de mais de 7% no pregão regular. O EWZ, principal ETF brasileiro negociado no mercado americano, que replica o índice MSCI Brazil, já tinha caído 3,64% no after market na sexta.

Soma-se a isso mais declarações do presidente Bolsonaro que pode impactar outras ações. Em conversa com apoiadores no sábado (20), após dizer que decidiu afastar Roberto Castello Branco porque os reajustes dos preços dos combustíveis este ano foram uma “covardia”, o presidente prometeu agir também no mercado de energia elétrica. “Vamos meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema também”, afirmou, o que pode impactar também os papéis da Eletrobras (ELET3;ELET6).

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XP rebaixa para venda recomendação para as ações da Petrobras após anúncio de troca de comando

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Depois da indicação do general Silva e Luna, a XP Investimentos rebaixou de neutra para venda a recomendação das ações da Petrobras neste domingo (21). O preço-alvo foi reduzido de R$ 32 para R$ 24, tanto para ações ordinárias quanto para as preferenciais. No relatório, os analistas Gabriel Francisco e Maira Maldonado justificam que a troca de comando coloca em risco a independência da Petrobras e a política de preços de combustíveis em linha com referências internacionais de preços.

“Embora não possamos tecer conclusões preliminares se a política de preços da Petrobras mudará sob uma eventual gestão do Sr. Silva e Luna, o que importa é a mensagem que está sendo transmitida ao mercado: está se tornando cada vez mais difícil do ponto de vista político para a Petrobras implementar uma política em que os preços dos combustíveis variam de acordo com as variações dos preços do câmbio e do barril de petróleo (principalmente no caso do diesel, dadas as pressões da categoria dos caminhoneiros)”, disseram os analistas da XP.

Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Capital e ex-diretor Banco Central, afirma que o combo entre a troca de comando da Petrobras e a menção às elétricas, deve levar todas as estatais “a sofrer muito”. “As empresas públicas sempre têm um desconto, porque sempre estão sujeitas a passar pelo que aconteceu na Petrobras. Mas o desconto vai aumentar porque agora não é mais só uma dúvida, na prática aconteceu uma interferência política firme numa empresa pública. Agora, isso vai para as outras ou não? Pelo que parece, o presidente disse que não vai ficar só na Petrobras”, afirma. Veja mais análises clicando aqui. 

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Nasdaq sobe e renova máxima histórica com alta da Apple; índice de ADRs brasileiros cai 1,7% puxado por Eletrobras

SÃO PAULO – Em dia de bolsa brasileira fechada por conta do feriado de aniversário de São Paulo, os índices de ações dos Estados Unidos fecharam com leves ganhos nesta segunda-feira (25), conforme os investidores ficam de olho na bateria de resultados desta semana.

O Dow Jones fechou com queda de 0,12%, aos 30.960 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 0,36%, para 3.855 pontos. Já o índice de tecnologia Nasdaq registrou ganhos um pouco melhores, de 0,69%, a 13.635 pontos, renovando sua máxima histórica.

Já o principal índice de ADRs (na prática, as ações de empresas de fora dos EUA negociadas em Nova York) do Brasil, o Dow Jones Brazil Titans 20 ADR teve forte queda de 1,73%, a 17.684 pontos.

Enquanto isso, o ETF EWZ iShares MSCI Brazil Capped, que replica o Ibovespa em dólar recuou 1,48%, a 34,52 pontos.

Um dos grandes destaques do dia foram os ADRs da Eletrobras, que desabaram 11,76%, cotados a US$ 4,95, em Nova York após a notícia de que o CEO da companhia, Wilson Ferreira Junior, renunciou ao cargo (veja mais clicando aqui).

Na última semana, as ações da empresa de energia já haviam caído forte em meio às declarações do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato à presidência do Senado Federal, de que a privatização da estatal não é uma prioridade.

Para os analistas do Bradesco BBI, a saída de Wilson é um duro golpe nas expectativas de privatização da companhia. “No entanto, ficaríamos surpresos se os comentários de Pacheco pudessem ter sido o único motivo para fazer Wilson sair”, ressaltam, apontando que enxergam as falas do senador como “negativas, mas não definitivas”.

Outros ADRs importantes também caíram, caso da Petrobras, com os ativos PBR recuando 0,88%, a US$ 10,10 – após chegar a cair mais de 2% -, enquanto os PBR-A caíram 0,66%, para US$ 9,82. Entre os bancos, o Itaú teve queda de 2,79%, a US$ 5,24.

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Enquanto isso, nos EUA, os investidores estão de olho na temporada de resultados do quarto trimestre. Nos próximos dias, 13 empresas do Dow Jones e 111 do S&P 500 divulgam seus números, incluindo Apple, Microsoft, Netflix, Tesla, McDonald’s, Honeywell, Caterpillar e Boeing.

E são as grandes companhias de tecnologia que ajudaram o Nasdaq a ter o melhor desempenho desta sessão, conforme analistas apontam que a Apple e a Tesla devam ter bons balanços, levando investidores a anteciparem o movimento. Os papéis da Apple fecharam com valorização de 2,77%, cotados a US$ 142,92.

As empresas americanas iniciaram a temporada de resultados com números fortes. Dos integrantes do S&P 500 que já relataram seus balanços, 73% superaram as estimativas tanto em vendas quanto em lucro por ação, de acordo com dados do Bank of America.

O movimento positivo do mercado nas últimas semanas ocorre também em meio à posse do presidente Joe Biden, que já neste início de gestão luta para aprovar seu pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão para combater a pandemia do coronavírus.

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ETF brasileiro EWZ salta 9% acompanhando exterior e mais assuntos que vão movimentar esta sexta

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Depois da maior queda para o Ibovespa desde 1998 e da pior sessão para as bolsas americanas desde 1987, a sessão desta sexta-feira (13) aponta para ser de recuperação para os principais mercados mundiais, mas ainda sem reverter as perdas provocadas nos últimos pregões por conta da pandemia de coronavírus.

A recuperação também deve se estender nos mercados brasileiros,: o MSCI Brazil Capped ETF (EWZ), principal ETF (fundos de gestão passiva que acompanham algum índice e são negociados em Bolsa) dos ADRs (na prática, as ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos) brasileiros, sobem 9,30% no pré-market da bolsa de Nova York, após cair 16,64% na quinta

Na véspera, os investidores repercutiram o discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre as medidas para conter o coronavírus. Ele surpreendeu ao anunciar a restrição dos voos da Europa para os Estados Unidos. Durante a sessão de ontem, o Federal Reserve ainda informou que iria realizar um programa de recompra de títulos, o que deu um alívio apenas temporário para as bolsas americanas.

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Nesta sessão, as bolsas da Ásia fecharam todas em queda, com destaque para Tóquio, que afundou 6%, repercutindo a forte aversão ao risco da véspera. Contudo, vale destacar, o mau humor do mercado no continente foi levemente amenizado após o governo japonês, passada a metade do pregão por lá, anunciar um pacote de US$ 1,9 trilhão para combater os efeitos do coronavírus sobre a economia nipônica. De qualquer forma, os investidores seguem receosos de que as medidas fiscais e monetárias emergenciais sejam insuficientes para conter o impacto negativo do coronavírus na economia.

Em Nova York, os futuros os três principais índices da NYSE, que estavam negativos, viraram para o terreno positivo na madrugada. Hoje serão publicados poucos indicadores e a atenção deverá estar em possíveis pacotes dos governos para auxiliar as economias combalidas pelo coronavírus, cujo número de infectados já ultrapassa 130 mil no mundo.

No Brasil, BC recorre a leilões de linha após dólar comercial subir novamente e superar os R$ 4,78 – depois de atingir os R$ 5,00 no início da sessão.

1. Bolsas mundiais

Os mercados indicam que a sexta-feira será novamente de emoções para o mercado. Após operar parte da madrugada no terreno negativo, os futuros de Nova York foram para o terreno positivo e avançam, indicando uma abertura em alta na manhã de hoje, em um movimento de recuperação parcial após a forte queda da véspera.

Na Ásia as bolsas de valores despencaram mais cedo, refletindo o derretimento de Nova York e das bolsas europeias na quinta-feira. Tóquio fechou em queda de 6% no índice Nikkei.

Nesta sexta-feira, para aliviar os temores sobre o impacto do coronavírus na economia, o ministro das Finanças do Japão anunciou que comprará US$ 1,9 trilhão em títulos do governo que estão com os bancos. O Parlamento japonês também votou uma lei que dá ao primeiro-ministro Shinzo Abe a capacidade de declarar estado de emergência. O Japão tem 693 casos do coronavírus. No mundo, são 130 mil casos do Covid-19, segundo dados reportados na manhã de hoje.

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Veja o desempenho dos mercados, às 7h20 (horário de Brasília)

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), +3,56%
*Nasdaq Futuro (EUA), +3,96%
*Dow Jones Futuro (EUA), +3,51%

Europa
*Dax (Alemanha), +3,02%
*FTSE (Reino Unido), +4,11%
*CAC 40 (França), +3,59%
*FTSE MIB (Itália), +7,16%

Ásia
*Nikkei (Japão), -6,08% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -3,43% (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong), -1,14% (fechado)
*Xangai (China), -1,23% (fechado)

*Petróleo WTI, +5,05%, a US$ 33,09 o barril
*Petróleo Brent, +5,42%, a US$ 34,96 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 2,89%, cotados a 676.500 iuanes, equivalentes a US$ 96,94 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 6,9784 (+0,20%)

*Bitcoin, US$ 5.660,92 +5,93%

2. Agenda de indicadores

A agenda de indicadores desta sexta-feira está esvaziada, com único destaque para confiança do consumidor de Michigan de março.

Contudo, no Brasil, os investidores vão ficar de olho na nova atuação do Banco Central após o dólar renovar máxima histórica mais uma vez, apesar dos leilões da autoridade monetária terem feito a moeda americana ficar mais distante dos R$ 5, fechando a R$ 4,78. O BC vai fazer leilão de venda conjugado com leilão de compra de moeda estrangeira, segundo comunicado.

Serão realizados dois leilões (A e B), simultaneamente. O leilão terá acolhimento de propostas das 10h15 às 10h20. A liquidação das operações de compra do leilão “A” será em 5 de maio e do leilão “B” em 2 de julho.

3. Política 

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, disse que o plano de Paulo Guedes, ministro da Economia, tem “quase nada” sobre a pandemia do coronavírus.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Maia disse que não pode imaginar “que o ministro possa ter pensado de forma tão medíocre”.
Segundo Maia, as propostas de Guedes para a economia, enviadas na terça-feira, não resolvem a turbulência para os próximos meses. Maia também disse que a reforma administrativa, cujo esboço ainda não foi enviado pelo governo, não é a solução no momento.
“Guedes não tinha uma coisa organizada ou não quis falar. Se olhar os projetos, tem pouca coisa que impacte a agenda a curto prazo ou quase nada”, afirmou.
O Congresso estuda entrar em recesso por causa da pandemia.

4. Coronavírus no Brasil

O Brasil já tem mais de 100 casos do coronavírus, de acordo com contagem do jornal Folha de São Paulo. Até a noite de ontem, quinta-feira, o Ministério da Saúde tinha 77 casos confirmados. Somente o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP), já tem 98 casos confirmados, mas dos quais apenas 43 foram notificados ao Ministério em Brasília (DF).

O estado de São Paulo pode ter entre 1% e 10% de sua população infectada pelo novo coronavírus, com quadro leve a grave, nos próximos quatro meses, segundo o infectologista David Uip, coordenador de um comitê de contingenciamento para enfrentar a chegada da doença no estado.

5. Noticiário corporativo

A Estácio Participações (YDUQ3), o segundo maior grupo de educação privada do Brasil, reportou lucro líquido de R$ 686,4 milhões em 2019, informou em balanço. Outras empresas, como Qualicorp e Kepler Weber, também publicaram balanços.

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Ibovespa Futuro fecha em queda de 13% e dólar futuro bate R$ 4,82 após derrubada de veto de Bolsonaro à ampliação do BPC

Bomba de dólar (Shutterstock)

SÃO PAULO – Depois do Ibovespa fechar em queda de 7,64% com as novidades no cenário do coronavírus, o noticiário político derrubou ainda mais o mercado brasileiro no after-market. O contrato futuro do Ibovespa para abril fechou às 18h03 (horário de Brasília), em queda de 13,02%.

Fora isso, não bastasse a queda de quase 10% no pregão regular, o MSCI Brazil Capped ETF (EWZ), principal ETF (fundos de gestão passiva que acompanham algum índice e são negociados em Bolsa) das ADRs (na prática, as ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos) brasileiras, cai 5,66% no after-market da Bolsa de Nova York, enquanto os índices futuros dos EUA ficaram perto da estabilidade no mesmo horário, depois da baixa no pregão regular: o S&P futuro subiu 0,20%, o Nasdaq registrou alta de 0,21% e o Dow Jones Futuro teve variação positiva de 0,12%.

Esse movimento negativo no after-market reflete o resultado da votação no Congresso, que derrubou o veto do presidente Jair Bolsonaro ao Projeto de Lei 3.055/97. O PL trata do aumento de um quarto do salário mínimo para meio salário mínimo no limite da renda familiar per capita para idosos e pessoas com deficiência terem acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). Houve 137 votos a favor do veto.

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O impacto econômico estimado dessa medida é de R$ 217 bilhões em dez anos, segundo Bruno Bianco, secretário especial da previdência. O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse ao Estado de S. Paulo que a queda do veto pode significar o fim do teto de gastos. Já os analistas da XP Política destacam que o veto equivale a um desconto de cerca de 20% no impacto fiscal da reforma da Previdência aprovada no ano passado.

Portanto, o mercado não teve paz depois do dia de pânico provocado pela falta de ações concretas do governo americano para mitigar o impacto econômico do coronavírus e pela declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que o Covid-19 é uma pandemia.

O próprio presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a derrubada de veto é uma decisão equivocada, especialmente em um dia de nervosismo como foi hoje. “De fato, o impacto é grande, num momento difícil. Num momento em que economia brasileira começa a dar sinais de que não vai crescer aquilo que estava projetado no início do ano, num dia da decisão da OMS de decretar pandemia, com as bolsas caindo muito, com nervosismo muito grande dos atores econômicos”, disse a jornalistas.

“É uma decisão que eu acho mais atrapalha do que ajuda nesse momento de crise na saúde e crise que já vai começar a afetar a economia brasileira”, avaliou o congressista.

Amanhã, a expectativa é de que a Bolsa volte a cair no pregão regular para refletir essa queda brusca no after-market.

O câmbio também foi impactado. O dólar futuro para abril subiu 3,63% e bateu novo recorde, chegando a R$ 4,8235 após a derrubada do veto ao BPC. Durante a tarde, parte da apreciação mais forte da moeda americana ante o real foi atribuída à falta de atuação do Banco Central com venda de dólares à vista, algo que a autoridade monetária havia feito na segunda e na terça.

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Depois do fechamento, o BC anunciou um leilão de US$ 1,5 bilhão à vista para esta quinta-feira (12).

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ETF brasileiro EWZ cai mais de 9%, ADR da Petrobras desaba 16% com petróleo e mais destaques desta segunda-feira

A semana começa com o crash dos preços do petróleo e os futuros da matéria-prima em queda livre na Nymex. No sábado, a Arábia Saudita declarou que praticará descontos de 20% no preço do barril. As bolsas de valores dos países do Golfo Pérsico desabaram, junto com as ações da estatal petrolífera saudita Aramco, que caíram 9% na Bolsa de Valores de Riad. Futuros de Nova York recuaram na madrugada de hoje. Além do coronavírus, o mundo se vê com um novo fenômeno – a guerra dos preços do petróleo – de consequências imprevisíveis.

A forma como isso irá se refletir no mercado brasileiro já pode ser observada nesta manhã. O ETF (Exchange Traded Fund) EWZ, que representa os papéis com maior peso no Ibovespa, desaba mais de 9% no pré-market da bolsa de Nova York, enquanto os ADRs da Petrobras PBR caem 16% (o equivalente ao ordinário), enquanto os PBR-A (equivalente ao preferencial) caem 14%. Os ADRs da Vale também registram forte baixa, de cerca de 10%. Outras blue chips acompanham esse movimento de forte aversão ao risco do mercado, caso de bancos como o Itaú, cujos ADRs caem mais de 5%, enquanto os do Bradesco caem 6% e Santander tem queda de mais de 8%. O CDS de 5 anos dispara 28%, para 183,5 pontos.

Vale destacar que, a partir desta segunda-feira a B3 volta a fechar às 17h (horário de Brasília). O horário também traz de volta o after market, com as negociações entre 17h30 e 18h.

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Confira os destaques:

1. Bolsas mundiais

Nesta segunda-feira, o grande destaque fica para a forte queda dos preços do petróleo, que derruba as bolsas mundiais. O petróleo brent chegou a cair 31%, reduzindo a queda depois para cerca de 20%, após a desintegração da Opep+ levar a uma guerra total de preços entre a Arábia Saudita e Rússia, dois dos três maiores produtores mundiais.

Com a maior queda da cotação desde a Guerra do Golfo de 1991, uma nova fonte de risco se instaura em uma economia mundial já abatida pelo coronavírus, que já tem perto de 110 mil infectados em todo o mundo.

No fim de semana, a Arábia Saudita cortou os preços de seu petróleo, numa sinalização de que ampliará significativamente a produção em abril. A decisão dos sauditas, que foi interpretada como uma guerra de preços, veio após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e os aliados da Opep+ não conseguirem fechar um acordo, na última sexta-feira (06), para cortar ainda mais a produção do grupo, como parte de uma estratégia para lidar com o impacto econômico do coronavírus. A Rússia, líder informal da Opep+, não aceitou uma proposta da Opep de reduzir a oferta coletiva em mais 1,5 milhão de barris por dia.

As bolsas da Ásia e do Pacífico encerraram os negócios desta segunda-feira em forte queda generalizada. Liderando as perdas na Ásia, o índice acionário japonês Nikkei sofreu um tombo de 5,07% hoje, a 19.698,76 pontos. O mau humor em Tóquio veio também após revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão, que sofreu contração anualizada de 7,1% entre outubro e dezembro, maior do que a inicialmente estimada.

Na China continental, o Xangai Composto recuou 3,01% nesta segunda, a 2.943,29 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 3,79%, a 1.842,66. Também no fim de semana, dados oficiais mostraram que as exportações chinesas tiveram uma redução anual de 17,2% no primeiro bimestre do ano, um pouco maior do que o declínio de 17% previsto por analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

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As bolsas europeias operam em queda bastante acentuada desde a abertura do pregão desta segunda-feira. Às 7h47 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 6,08%, a 344,70 pontos, entrando em “bear market”, ao acumular perdas de mais de 20% desde que atingiu seu pico mais recente.

Neste cenário de aversão a risco, dados positivos da indústria alemã ficaram em segundo plano. Em janeiro, a produção industrial da maior economia europeia cresceu 3% em janeiro ante dezembro, superando a previsão de analistas, de acréscimo de 1,8%. Já as exportações da Alemanha ficaram estáveis no mesmo período, contrariando expectativa de alta de 0,6%.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h49 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -4,90%
*Nasdaq Futuro (EUA), -4,82%
*Dow Jones Futuro (EUA), -4,87%

Europa
*Dax (Alemanha), -5,85%
*FTSE (Reino Unido), -6,59%
*CAC 40 (França), -6,78%
*FTSE MIB (Itália), -9,52%

Ásia
*Nikkei (Japão), -5,07% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -4,19% (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong), -4,23% (fechado)
*Xangai (China), -3,01% (fechado)

*Petróleo WTI, -21,24%, a US$ 32,44 o barril
*Petróleo Brent, -21,22%, a US$ 35,63 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam com queda de -2,74%, cotados a 640,000 iuanes, equivalentes a US$ 92,09 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 6,9493 (-0,26%)
*Bitcoin, US$ 7.911,04 -3,71%

2. Indicadores econômicos

A FGV publicou na manhã de hoje o IGP-DI relativo a fevereiro e o IPC-S da primeira semana de março: o IGP-DI teve alta de 0,01% em fevereiro, ante estimativa de queda de 0,10%, enquanto o IPC-S caiu 0,01% no mês até 7 de março.

O Banco Central divulga pela manhã a pesquisa Focus com o mercado. Na União Europeia, a Sentix divulga o índice de confiança do investidor em março.

3. Dólar em alta

O Banco Central faz leilão de venda à vista de até US$ 1 bilhão, das 9h10 às 9h15 após dólar subir nas últimas cinco sessões e passar de R$ 4,60, em uma sessão que promete ser mais uma vez de forte pressão sobre o câmbio. O BC segue atuando apenas de forma pontual, seguindo um discurso feito desde o início do ano de que só iria intervir no mercado quando enxergasse uma problema de liquidez.

Mas este posicionamento da autoridade monetária já começa a incomodar analistas e investidores, que aguardam por uma atuação mais forte para tentar conter a desvalorização do real. Veja mais clicando aqui.

4. Política 

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender protestos de 15 de março e pede que população participe do ato, que, segundo ele, não é contra o Congresso ou Judiciário, segundo postagem do presidente no Twitter e Facebook sobre ato em Roraima no dia 7.

Vale destacar que o presidente brasileiro se reuniu no sábado com Donald Trump, presidente dos EUA. Interessados em intensificar a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos, os presidentes instruíram seus negociadores a aprofundar as discussões prévias à possível assinatura de um pacote bilateral de comércio. A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores. Segundo a pasta, a intenção é que um acordo seja assinado ainda neste ano.

Em nota divulgada na madrugada de hoje (8), o Itamaraty trata o aprofundamento da parceria como uma “aliança estratégica” entre os dois países. De acordo com o ministério, Trump reiterou o apoio norte-americano ao início do processo de entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

5. Noticiário corporativo

A Eneva Energia (ENEV3) publicou uma carta na noite de ontem na CVM, na qual reafirmou seu desejo de realizar uma fusão com a AES Tietê (TIET11). Segundo a Eneva, a publicação foi feita porque a AES Tietê não se manifestou até agora. Mas a empresa paulista respondeu ontem mesmo pela CVM, informando que seus assessores jurídicos e financeiros analisam a proposta. A AES Tietê também detalhou que a proposta será discutida em Assembleia no dia 13. Já a farmacêutica Hypera (HYPE3) publicou balanço na noite da sexta-feira e anunciou um lucro líquido de R$ 1,2 bilhão em 2019.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

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