Scott Galloway e Luiz Orenstein: um debate sobre trabalhar e ser feliz

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 21 de agosto de 2021. Para recebê-la, clique aqui.

Faça aquilo que te faz feliz.

Esse conselho profissional faz sentido para você?

Com certeza, fazer o que te faz feliz é fundamental, porque você irá passar mais da metade da sua vida exercendo uma atividade profissional, mas, como aprendemos nos ensinou Newton (adaptado pelo STPK): a toda opinião sempre há uma outra opinião de mesma intensidade e direção, porém com sentidos opostos.

E no caso de conselhos para escolha profissional não é diferente.

Uma das grandes vantagens da geração atual é poder navegar na internet e se conectar com pessoas extremamente genais que gratuitamente dão verdadeiras aulas sobre um mesmo assunto com visões igualmente geniais mas completamente diferentes.

E foi com isso que nos deparamos recentemente.

No começo dessa semana, Daniel Haddad, criador da maior e melhor videoteca do Condado, compartilhou um conselho que o Scott Galloway, um dos maiores conselheiros dentro do Vale do Silício, deu para uma platéia de estudantes sobre esse tema e o conselho dele é bem claro: não siga o conselho de fazer o que te faz feliz (“seguir sua paixão”).

Galloway, após décadas observando palestra de bilionários, diz que a recomendação “siga sua paixão” é sempre dada por pessoas ricas e que geralmente fizeram fortuna fazendo coisas sem nenhum glamour como metalurgia ou fundição.

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O fundamental, para Galloway, é encontrar algo que você seja bom e depois gastar milhares de horas, e ser perseverante, ter garra, dedicação, se sacrificar e ter disposição de lidar com a dificuldade para você conseguir se tornar ótimo naquela atividade, porque quando você é excelente em alguma coisa, os benefícios econômicos, prestígio, relevância, a camaradagem, auto avaliação de ser excelente, vai lhe tornar apaixonado por qualquer coisa que seja.

O pensamento de Galloway, que vai na contramão da maioria, é como uma engenharia reversa: encontre algo em que você consegue se destacar, dedique-se muito e você inevitavelmente se tornará apaixonado por isso.

Para quem se interessou pelas ideias do renomado professor e empreendedor, irá gostar de saber que ele estará ao vivo na Expert XP no dia 24/08 falando sobre os aprendizados pós-coronavírus. O evento é gratuito e você pode se inscrever clicando aqui.

Por outro lado, quem deu um conselho totalmente diferente do Galloway foi o Luiz Orenstein.

Talvez esse nome não te diga nada, porque Orenstein não costuma aparecer muito nas redes, mas ele é simplesmente um dos fundadores da Dynamo.

A Dynamo não é só um dos maiores e mais respeitados fundos de ações do Brasil como também abriu o mercado para todos os outros que vieram depois.

Eles estão para o mercado de ações brasileiro assim com o Pelé para o futebol. Existe um antes e depois deles.

Semana passada, Orenstein, numa de suas raras aparições, participou de uma live no canal Manual do Brasil e na conclusão da entrevista foi perguntando sobre um conselho que poderia dar para os mais jovens que estão no começo da carreira.

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Com um currículo no mínimo interessante (engenharia na UFRJ. mestrado em Economia e doutorado em Ciência Política), Orenstein acha que a geração atual deve ter muita cautela ao ouvir o conselho das gerações mais velhas e isso tem um motivo claro: os jovens de hoje viverão bem mais da sua geração.

Apesar do “disclaimer”, Orenstein não deixou de falar seu conselho: siga sua curiosidade e não abra mão de ser feliz.

“Esqueça esse negócio de se sacrificar para ganhar dinheiro. Não se sacrifique. Tente seguir aquilo que te deixa bem na vida do ponto de vista profissional. E experimente, porque, como a vida se tornou muito longa, você aos 40 ou 50 ainda poderá recomeçar. A minha geração não podia. Não se acomode: siga sua curiosidade e se der errado tenha a coragem de abandonar para tentar uma coisa nova”, aconselhou Orenstein.

Como no mercado, ver duas pessoas brilhantes falando sobre um mesmo tema com visões completamente diferente só demonstra a complexidade que é entender o mundo e a vida.

Em Rápido e Devagar, livro presente em nossa biblioteca, Daniel Kahneman explica que a nossa reconfortante convicção de que o mundo faz sentido repousa sobre uma base segura: nossa capacidade quase ilimitada de ignorar nossa ignorância.

Não é que um conselho esteja errado e o outro certo, se você pensa assim, talvez esteja precisando de uma grande dose de curiosidade intelectual e uma mente aberta para conseguir perceber a beleza que existe na magia do caos.

Reserve um tempo no seu final de semana para assistir a live com Orenstein e aprenda como a Dynamo sua o princípio científico da falseabilidade, de Karl Popper, para selecionar as ações do fundo.

Josué Guedes

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CMO do Stock Pickers

Expert XP confirma Hillary Clinton como palestrante; veja os demais painéis do evento que começa dia 24

SÃO PAULO – Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e ex-senadora dos Estados Unidos, é a mais nova palestrante confirmada para a 11ª edição da Expert XP, evento anual realizado pela companhia e um dos maiores festivais de investimentos do mundo.

O evento, que acontece de forma online e gratuita entre os dias 24 e 26 de agosto, conta ainda com a participação de nomes como Michael Bloomberg, empresário e ex-prefeito de Nova York, Randi Zuckerberg, CEO da Zuckerberg Media e irmã do cofundador do Facebook, e a renomada jogadora de futebol brasileira Marta Silva.

Grandes gestores de fundos de investimento também estão com presença confirmada, como Howard Marks (Oaktree), Larry Fink (BlackRock), Luis Stuhlberger (Verde Asset) e Mohamed El-Erian (Allianz), além de Manny Roman, CFO da gestora Pimco.

Todos os conteúdos da Expert, que incluem palestras, mesas redondas, talks e entrevistas, serão transmitidos via plataforma da XP. Serão ao todo seis palcos pelos quais vão passar alguns dos nomes mais importantes da atualidade, com mediação de jornalistas e do time de profissionais da XP.

Dentre os assuntos que serão abordados, destaque para a retomada global da economia, open banking, eleições de 2022, tendências em relação às criptomoedas e ao mercado de investimentos, bem como o papel dos influenciadores digitais na educação financeira.

“Buscamos trazer as melhores referências e especialistas do Brasil e mundo afora para compartilhar com o público suas visões de mundo e os principais temas da atualidade, assim como histórias inspiradoras. Essa edição não será diferente, com nomes de peso já confirmados e muitos outros que ainda serão anunciados”, afirma Karel Luketic, diretor de conteúdos digitais da XP Inc, em nota.

Na edição de 2020, a primeira a ser realizada de forma online, por conta da pandemia de Covid-19, o evento impactou mais de cinco milhões de pessoas e contou com mais de 200 palestrantes.

Para conferir a programação da Expert 2021, bem como acompanhar as palestras, basta fazer a inscrição no site do evento.

Por que a economia pode apresentar crescimento após as crises?

(Shutterstock)

O mundo da economia é formado por ciclos e é por meio deles que investidores amadurecem e aprendem como se defender das oscilações do mercado e como buscar oportunidades nos mais diversos cenários.

Considerando esta característica, seria possível traçar paralelos entre o atual momento, marcado por grave crise sanitária, com aqueles semelhantes ocorridos em outros momentos da história, como a gripe espanhola na década de 1920?

Para Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, a resposta é sim. Logo após aquele episódio, ocorrido por volta de cem anos atrás, o mundo experimentou uma década de crescimento econômico exponencial como nunca visto antes.

“Isso ocorreu porque a crise foi o estopim para novos costumes, abriu portas para renovação tecnológica e mudou a maneira com a qual as pessoas faziam negócios. A Bolsa de Valores dos Estados Unidos, por exemplo, cresceu 470% no período”, disse Ferreira.

Ele é estrategista-chefe da XP Investimentos e atuou por mais de 15 anos como analista de ações em um dos maiores bancos do mundo. Especializou-se nas áreas de consumo, agronegócios, mineração e siderurgia, e foi eleito 5 vezes um dos melhores analistas do mundo.

Junto com um grupo formado por analistas da XP, encontrou cinco fatores-chave que indicam que a economia global poderá passar por processo semelhante de crescimento, tal qual aquele visto no início do século passado.

Clique aqui e assista gratuitamente a Masterclass O Ciclo dos 100 Anos, vídeo no qual o especialista apresenta em detalhes esses fatores.

“Ao longo do vídeo eu vou dar uma visão mais profunda do que aconteceu no passado e como isso tem uma relação com o que estamos vivendo hoje”, conta o especialista.

Dentre os episódios que podem indicar semelhança entre passado e futuro, ele indica a volta do capital estrangeiro nos negócios realizados no Brasil, já representando cerca de 50% do volume financeiro da Bolsa.

Cita também a atratividade das ações com múltiplos, reação da economia brasileira após sofrer com os efeitos da pandemia e, também, o ciclo favorável das commodities no mercado externo.

Além da recuperação econômica global, com projeção de crescer 6% em 2021, as projeções para a economia doméstica também são favoráveis por causa da vacinação. De janeiro a março de 2021, por exemplo, as empresas de capital aberto tiveram lucro líquido de R$ 90 bilhões, contra prejuízo de R$ 62 bilhões no mesmo trimestre em 2020.

Outro exemplo de que a economia sinaliza para um perfil de retomada é a queda do nível de endividamento médio do Ibovespa. O investimento estrangeiro na Bolsa, até junho, chegou a R$ 48 bilhões, um recorde histórico.

Expert Pass

Para quem pretende aproveitar o momento para investir, mas não sabe por onde começar, a XP preparou o Expert Pass, uma solução que vai auxiliar o investidor a captar as oportunidades mais promissoras no mercado financeiro e que você pode conhecer clicando aqui.

Um time formado por analistas da XP auxilia os investidores a escolherem os melhores produtos por meio de relatórios e carteiras de ações recomendadas, ferramentas digitais e acesso à plataforma de cursos em investimentos. Para acessar o serviço, e conhecer todas as suas possibilidades, no site da Expert Pass

O acesso ao material é 100% online e realizado dentro da plataforma da Expert. O meio virtual permite que o investidor acesse o conteúdo de onde estiver. Não é necessário ter conhecimento prévio sobre o mercado financeiro: o material disponível na plataforma utiliza linguagem simples.

Entenda por que o seguro de vida é considerado investimento

Cada família tem uma necessidade distinta. Algumas já acumularam patrimônio, outras ainda não. No entanto, todas têm algo em comum. O seguro de vida é uma forma de proteção de patrimônio e de renda para o contratante e a sua respectiva família. Outro ponto importante é que ele não é apenas utilizado em casos de morte. Cerca de 25% das coberturas são para uso em vida, como por exemplo o diagnóstico de doenças graves. Confira essa e outras análises da especialista no tema, Luciana Bastos, diretora da Icatu Seguros, no vídeo a seguir.

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Importante: A publicação acima é um conteúdo patrocinado, sendo que a Infostocks Informações e Sistemas Ltda. (“InfoMoney”) não tem qualquer responsabilidade pelo conteúdo e informações disponibilizadas, não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações, não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. O autor ou empresa responsável pelo conteúdo estão indicados na própria publicação.

Empresas de tecnologia e reguladas sofrem menos o impacto da crise

“Quantificar o reflexo da crise no fluxo de caixa das companhias tem sido um dos maiores desafios para o investidor”, avalia Gustavo Ribas, diretor executivo da Navi. Por isso, foi feita uma meticulosa avaliação dos negócios. “Empresas bem posicionadas quanto à digitalização ou empresas de tecnologia, como as do setor de e-commerce, foram beneficiadas. Além disso, o setor de reguladas foi pouco atingido relativamente a outros segmentos mais impactados, além de existirem mecanismos regulatórios que amenizam os impactos econômicos principalmente no setor elétrico”, diz.

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Pandemia reduziu a confiança da sociedade nos governos, diz Dan Ariely

SÃO PAULO – Em meados de março, o professor nova-iorquino Dan Ariely lecionava sobre psicologia e economia comportamental na Universidade de Duke, na Carolina do Norte (EUA), quando começou a receber ligações frequentes do governo de Israel, país onde cresceu.

Desde então, se valendo da expertise sobre os padrões do comportamento humano, ele vem trabalhando junto ao governo israelense na tentativa de mitigar os efeitos nefastos da pandemia.

Um dos maiores especialistas nos estudos a respeito da influência da natureza humana, por muitas vezes irracional, nas tomadas de decisões financeiras, Ariely é autor do best-seller “Previsivelmente irracional”, e se utiliza dessa bagagem para empreender em negócios diversos, como a fintech de seguros Lemonade, que abriu capital na bolsa de Nova York em julho, levantando US$ 319 milhões.

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O professor foi um dos nomes do último dia de agenda da Expert XP, neste sábado (18), para falar aos investidores sobre a relação entre nossas emoções e a economia, deixando algumas provocações para reflexões futuras.

Embora tenha começado no campo da biologia, essa é uma crise que envolve de maneira importante as ciências sociais, à medida que as pessoas tiveram de adotar novos hábitos em seu cotidiano, disse Ariely.

E enquanto não entendermos como as pessoas se comportam, prosseguiu o especialista, teremos dificuldades para adotar politicas certeiras e eficazes quanto à mudança na rotina da população.

Assista a alguns trechos da apresentação:

Segundo o professor, um ponto-chave para o sucesso das políticas de combate à pandemia é o fortalecimento da relação de confiança entre governo e sociedade.

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Se os governantes têm a confiança de sua população, explicou Ariely, eles podem ser transparentes e dizer que a situação logo será resolvida, ainda que não saibam exatamente como fazer isso, e a mensagem será bem recebida.

“Governos sem confiança têm uma dificuldade muito maior para conseguir com que as pessoas sigam as regras”, disse Ariely.

Leia também:
“Cenário pode ser positivo, mas as probabilidades não estão do lado do investidor”, diz Howard Marks

O professor afirmou ainda que, para que um governo ganhe a confiança da sociedade, ele precisa deixar claro que se importa mais com ela do que consigo mesmo.

Para Ariely, uma estratégia que teria se mostrado eficiente no controle da pandemia seria o rastreamento da população, desde que de maneira consentida. A questão é que a maior parte dos governos não tem a confiança da sociedade, a ponto de contar com a aceitação desse tipo de abordagem.

Na avaliação do professor, os governos poderiam ter usado a crise da Covid-19 para ganhar a confiança de seus governados. No entanto, o especialista acredita que não foi o caso na maior parte dos países, em particular em regiões como EUA, Brasil, Israel e Rússia.

“Acredito que a crise, na verdade, acabou reduzindo a confiança nos governos.”

O professor disse ainda que, para sair da crise o quanto antes, será preciso trabalhar contra nossos instintos mais primitivos.

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“Temos de trabalhar o medo, a ansiedade, a solidão”, afirmou Ariely, acrescentando que estamos em uma daquelas situações em que simplesmente ficar parado, esperando que as coisas voltem a ser como eram antes, não parece ser uma boa estratégia.

“Precisamos tomar ações, pensar em como nos ajudar como sociedade.”

Motivação e autonomia

Um bom exemplo sobre como caminhar nessa direção, apontado por Ariely, foi relacionado ao campo educacional. “A educação é basicamente sobre a motivação do ser humano.”

Na crise do coronavírus, com milhões de alunos confinados dentro de casa, longe do convívio com os colegas e sem o monitoramento próximo dos professores, trabalhar a motivação e a autonomia se mostraram ferramentas poderosas para o sucesso no engajamento, disse o professor.

“Apresentar desafios a serem superados serviu como uma importante fonte de motivação para os alunos.” Por outro lado, nos casos em que se buscou impor à força o ensino à distância, a resposta do corpo discente não foi tão positiva, afirmou Ariely.

O passo a passo para trabalhar no mercado financeiro foi revelado: assista nesta série gratuita do InfoMoney.

“É o começo de uma nova era”, diz CEO da Nasdaq sobre o papel das empresas com a sociedade

SÃO PAULO — O papel das empresas com a sociedade e o meio-ambiente está mudando e isso marca o início de uma nova era do capitalismo, na visão de Adena Friedman, CEO da bolsa americana Nasdaq, que participou nesta sexta-feira (17) da Expert XP 2020.

Em conversa com o sócio da XP Inc. Bruno Constantino, Adena reforçou que o fundamento ESG (ambiental, social e governança — ou, em inglês, environmental, social and governance) é uma realidade para as empresas do mundo todo, e que os CEOs das companhias estão se sentindo mais empoderados para assumir um compromisso de sustentabilidade com a sociedade.

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“Eu acho que a essência do capitalismo está mudando. Nas últimas décadas por exemplo, quando a gente pensa no papel das empresas na economia, havia uma ideia de que era primeiro entregar retorno aos acionistas. Claro, isso é importante, mas afasta o verdadeiro propósito da empresa que é focar em crescimento e nos seus funcionários, isso consequentemente vai beneficiar os investidores”, disse.

Ela chamou essa nova era do capitalismo de “capitalismo cooperativo”. “Eu acredito que este seja um próximo passo muito, muito importante, e a pandemia levantou os problemas de focar apenas no retorno dos acionistas. As companhias têm responsabilidades com seus funcionários, com as comunidades em volta delas, com seus clientes e com seus fornecedores para garantirmos que estamos criando uma economia sustentável”, afirmou.

Segundo Adena, isso se tornou um novo padrão de qualidade nos conselhos das companhias nos Estados Unidos, mudando a definição de propósito das empresas, incluindo outras áreas igualmente importantes junto com os acionistas.

“O que eu acho que veio com a pandemia é que os CEOs estão se sentindo muito empoderados para ter uma nova forma de pensar em quais são seus papéis e essa ideia de colaborar com o governo para ter certeza de que estão provendo o que a sociedade ao nosso redor precisa, assim como colaborando com seus funcionários e clientes para termos certeza de que podemos nos proteger na pandemia.”

“É o começo de uma nova era. Eu estou muito empolgada com o que nós podemos ver lá na frente, em termos de futuro capitalismo”, completou. A CEO da Nasdaq enfatizou que há uma cobrança para que a bolsa americana seja mais firme em relação ao movimento ESG nas empresas, mas que, na opinião dela, é importante que isso parta dos investidores, tem que ser uma escolha dos próprios acionistas.

“Existe uma pressão sobre a Nasdaq para para que a gente possa ser mais firme na cobrança das empresas por esse papel. Mas em vez de a gente definir obrigações para as empresas, temos que estimular que elas sejam mais sustentáveis e apresentá-las aos investidores. Essa escolha é algo fundamental nos Estados Unidos. Eles devem optar por isso.”

Desigualdade

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Adena afirmou que está na essência do capitalismo oferecer oportunidades iguais para que todos possam alcançar o sucesso, mas que, embora estejamos longe dessa realidade, isso não significa que devemos abandonar o capitalismo e encontrar um novo sistema. Segundo ela, temos que encontrar nossas fraquezas e procurar melhorar, o que passa pelas atitudes das empresas, mas também é uma responsabilidade grande de empenho do governo.

“O capitalismo é o sistema que se provou ser o mais eficiente, mas não é perfeito. Sua essência é oferecer oportunidade igual para todos alcançarem o sucesso. Não quer dizer que todos vão aproveitar a oportunidade, mas todos devem tê-la. Isso inclui a responsabilidade do governo de ter programas sociais para dar chances a todos. As empresas também têm essa obrigação com seus funcionários.”

Ela usou o exemplo da educação, que é uma área que tem sido abordada tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos por governos e empresas, que estão usando a tecnologia para democratizar o acesso à formação médica ou fundamental, disse.

Em relação às empresas, a CEO da Nasdaq afirmou que ter ambições ou metas é algo bom para que elas se desenvolvam e se tornem mais responsáveis perante à sociedade. Adena citou o anúncio da XP Inc. feito hoje de que a companhia pretende ter pelo menos 50% de mulheres em todos os níveis hierárquicos dentro da empresa até 2025.

“Você tem ambição de ter 50% dos funcionários mulheres em um determinado período de tempo. Quando você tem uma meta alta, você muda o seu comportamento. Você vai lançar programas, você vai motivar mais os seus funcionários. Nós fazemos isso também na Nasdaq. Não sei se vamos atingir as metas, mas vamos buscá-las”, disse.

Surpresa com IPOs

Quanto ao retorno das ofertas iniciais de ações, os IPOs, na sigla em inglês, Adena se mostrou surpresa com a retomada no segundo trimestre deste ano. A bolsa americana já teve 87 ofertas de ações neste ano, que movimentaram mais de US$ 21 bilhões, apesar de o coronavírus ter derrubado os preços dos papéis em março.

“Tivemos uma queda nos preços [das ações], mas muitas indústrias já têm se recuperado. A pandemia criou novas experiências para os consumidores e isso vai ser algo duradouro”, disse. “Eu não esperava que o mercado de IPOs ficasse tão forte em março e abril. No começo do ano houve muitas ofertas adiadas, mas logo as empresas perceberam que era possível fazer uma oferta remota e aí tivemos uma recuperação grande.”

“Eu não sei nem se a gente vai voltar ao sistema antigo [de fazer ofertas de ações presenciais]. Os investidores se acostumaram [com as ofertas remotas], as empresas se prepararam, os road shows abrangem mais gente, foi uma experiência ótima”, completou a CEO da Nasdaq.

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Fundos e empresas superestimaram a crise e agora sobra dinheiro em caixa, diz CEO da BlackRock

Larry Fink, CEO da BlackRock, na Expert XP 2020 (Leo Albertino/GettyImages)

SÃO PAULO – As notícias sobre a pandemia não param de chegar. Novos ângulos, cada vez mais dramáticos, aparecem a cada momento, mas o mercado financeiro e as empresas parecem se importar cada vez menos.

Para Larry Fink, fundador e CEO da BlackRock, a maior gestora de recursos do mundo, existe explicação: as empresas e os investidores se prepararam para uma crise pior e, agora, estão cheios de recursos em caixa.

“Conversando com clientes do mundo todo, vimos que existe uma liquidez inédita no caixa de várias companhias agora. A maioria dos investidores está menos ‘aplicada’ do que poderia porque achou que o mercado sofreria muito mais. A quantidade de dinheiro parada em fundos ligados a juros nunca foi maior. Então, existe uma quantidade enorme de dinheiro que precisa ser investida”, diz Fink.

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É essa sobra de dinheiro em caixa que explica os últimos ralis do mercado, segundo a análise feita pelo CEO da BlackRock durante o painel “ESG: o retorno de um futuro melhor”, que aconteceu nesta sexta-feira (17), na Expert XP 2020, congresso anual de investimentos promovido pelo grupo XP Inc. A conversa foi mediada por Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP.

Fink citou grandes empresas, fundos de pensão e seguradoras ao especificar quais clientes são donos dessa “liquidez sem precedentes”. Com juros básicos zerados ou negativos em diversos países, eles não veem sentido em investir em títulos públicos com prazos longos, segundo o CEO. “Muito disso tem a ver com o fato de que as alternativas são piores do que manter o dinheiro em caixa.”

É essa combinação entre liquidez de sobra e rendimentos de menos que dificulta um prognóstico sobre onde estará o mercado dentro de dois ou três meses, segundo Fink. “Eu diria com certeza, porém, que se a taxa de contágio continuar crescendo e, com isso, a taxa de mortalidade crescer, então veremos outra forte reversão das economias”, disse.

Ao ser questionado sobre as perspectivas em relação à pandemia, ele foi enfático: “Não, nós ainda não vimos o pior em relação ao vírus. A taxa de infecção, na verdade, hoje é maior do que qualquer dia em março, a taxa está acelerando no mundo”, disse.

E acrescentou que a crise humanitária está provocando uma mudança psicológica notável no mundo: “Passamos de um mundo medroso e compassivo para um mundo muito mais pragmático.”

De onde vem todo esse dinheiro em plena crise?

Fink contou que a BlackRock, que tem cerca de US$ 7 trilhões sob gestão, foi contratada por cinco governos para auxiliá-los a implementar medidas econômicas de combate à pandemia. E a principal conclusão sobre esse contato mais próximo com o poderes públicos foi que o volume dos estímulos monetários e fiscais chegou a um nível jamais visto antes na história.

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“Esse apoio inédito ao estímulo fiscal realmente impulsionou os mercados financeiros. E ainda que a taxa de desemprego esteja muito alta, se não tivéssemos essas políticas teria sido muito pior. Empresas que têm acesso ao mercado de capitais têm uma capacidade sem precedentes de levantar recursos com títulos de dívidas e ações”, diz Fink.

Ele citou, por exemplo, o caso da fabricante de aviões americana Boeing, que após uma série de medidas de incentivos do governo americano ao setor aéreo, conseguiu levantar US$ 25 bilhões no mercado.

O problema, prossegue Fink, está nas empresas menores, que não têm acesso ao mercado de capitais. Segundo ele, isso levanta a seguinte questão: negócios afetados pela pandemia como restaurantes, empresas ligados ao turismo e centros de convenções serão viáveis no futuro? Consumidores voltarão às lojas de departamento depois de aprender a comprar pela internet?

“Essas perguntas serão respondidas nos próximos dois a três meses. Mas o grande problema hoje é: vamos ver essa recuperação [que o mercado financeiro viu] nas pequenas e médias empresas? Se não – e se essa recuperação demorar mais, e a inadimplência subir-, aí eu vou dizer que provavelmente o mercado de capitais provavelmente ‘andou demais’ à frente deles. Descobriremos em três meses.”

Risco ambiental, sanitário e existencial

Apesar das considerações sobre liquidez, o tema mais discutido no painel não poderia deixar de ser a sigla do momento: o ESG (environmental, social and governance, em inglês), que representa a adoção de critérios ambientais, sociais e de governança nos investimentos.

Fink é um dos responsáveis por catapultar o assunto no mercado, depois de escrever em janeiro sua famosa carta anual aos investidores, na qual se comprometeu a elevar de US$ 90 bilhões para US$ 1 trilhão o valor investido em ativos sustentáveis pela BlackRock em uma década – além de sinalizar que iria ‘cortar na carne’ ao deixar de investir em ativos com mais de um quarto da receita ligada à produção de carvão.

O CEO disse que, particularmente, sempre foi um defensor do meio ambiente, mas a grande motivação para colocar o assunto no centro da estratégia da BlackRock veio dos próprios clientes.

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“Mais e mais clientes do mundo todo estavam me perguntando como pensar nas mudanças climáticas em seus portfólios. […] Então a frase mais importante que eu escrevi na carta anual aos investidores foi: ‘O risco climático é risco de investimento’”, afirmou.

Passados os seis primeiros meses de teste da nova estratégia, Fink disse que se sente muito satisfeito em dizer que, mesmo em meio à crise, 80% dos ativos ligados à sustentabilidade superaram índices tradicionais de referência de mercado.

Ele disse que o tema ganhou ainda mais importância porque as reflexões provocadas pela pandemia trouxeram para o presente a dimensão do problema.“O risco existencial da Covid é exatamente o mesmo risco existencial das mudanças climáticas. O risco da Covid é mais imediato, as mudanças climáticas estão evoluindo, mas vemos evidências do impacto das mudanças climáticas no mundo todos os dias.”

Fink acrescentou que a crise econômica causada pela pandemia e suas consequências, como o aumento da desigualdade social, devem colocar no centro das discussões o “S” da sigla ESG. “Todo o avanço do ESG, não apenas na sustentabilidade, mas principalmente no ‘S’ se tornará um assunto dominante nas conversas.”

E uma vez que no âmbito público essas conversas têm sido decepcionantes, segundo Fink, as mudanças devem ser lideradas pelas empresas.

“O cidadão comum no Brasil e nos Estados Unidos está mais frustrado que nunca com seus governos, assim como todos nós. Eu escrevi nas últimas cartas: há mais pressão social sobre as empresas e ela está aumentando. As empresas que se concentram nesses problemas, na tecnologia, nas necessidades dos clientes e principalmente nas de seus funcionários, essas serão as grandes empresas do amanhã”, concluiu.

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“O mercado não está louco, a crise do coronavírus foi a mais organizada que já tivemos”, diz Damodaran

SÃO PAULO – Aswath Damodaran, conhecido como papa do valuation, não concorda com a visão predominante de que o mercado financeiro global foi irracional durante o crash do coronavírus. Na dúvida, questiona ele, “apenas abra a janela e se pergunte se você tem alguma clareza sobre quando a vida voltará ao normal”.

Para o professor de finanças indiano, que leciona na Universidade de Nova York, a queda que ocorreu nas bolsas mundiais entre o dia 14 de fevereiro – data que ele marca como início do impacto da pandemia nos mercados – e 20 de março, quando começou a retomada, deveu-se a uma situação excepcional de falta de previsibilidade sem precedentes.

Essa racionalidade na queda, de acordo com Damodaran, fica clara ao se analisar quais foram as companhias mais impactadas desde o início da crise. “As empresas que mais sofreram foram as mais endividadas ou mais expostas ao impacto na economia”, afirmou, durante painel nesta sexta-feira (17) na Expert XP.

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Por região, ele mostrou com dados de valor de mercado comparados que companhias africanas, sul-americanas, indianas e do Reino Unido foram as que mais sofreram, ao passo que empresas dos Estados Unidos já retomaram ou até superaram seus patamares pré-pandemia.

“Tirando o Reino Unido, que somou Brexit à incerteza provocada pelo coronavírus, são todos países emergentes, que historicamente estão mais vulneráveis a grandes impactos no emprego e na renda”, diz.

Já por setor, ele mostra que os mais afetados foram o financeiro, pois os bancos dependem muito do nível geral de renda na economia para crescerem, de Óleo & Gás, que além de ser muito exposto à demanda global ainda teve de lidar com a disputa de preços entre Rússia e Arábia Saudita, de Turismo e o de grandes empresas de infraestrutura com alto grau de endividamento.

“O que mais explica as diferenças entre o desempenho das empresas nesta crise foi a dívida que cada uma possui”, sentencia. “Ou seja, em meio a todo o caos houve ordem. O mercado não está louco, a crise do coronavírus foi a mais organizada que já tivemos.”

Damodaran explica que da mesma forma como o crash foi racional, a retomada também foi, e tem tudo a ver com a medida tomada pelo Federal Reserve na segunda metade de março de anunciar que compraria os títulos da dívida corporativa das empresas. “Com esse anúncio, o Fed conseguiu destravar todo o mercado de crédito privado dos EUA e garantir que as companhias teriam a quem recorrer para se financiarem”, destacou.

O especialista ainda lembrou que essa crise desmontou o mito de que o Bitcoin funcionaria como “ouro dos millenials”. “O ouro subiu 9% durante o crash, enquanto o Bitcoin desabou 50%. A criptomoeda retomou boa parte das perdas agora, porém isso só mostra o quanto ela se comporta como um ativo de risco e não de proteção.”

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Uma outra lição tirada da crise, na avaliação de Damodaran, é que a noção de smart money (dinheiro inteligente) e stupid money (dinheiro estúpido), representando respectivamente o investidor institucional e a pessoa física, foi subvertida.

“Apostadores sem experiência no mercado ganharam mais dinheiro nos últimos 4 meses do que hedge funds. Isso mostra que a verdadeira distinção é entre investidores humildes e investidores arrogantes”, declarou.

Para Damodaran, o investidor que segue os princípios do value investing (investimento de longo prazo em empresas de valor) como um texto rígido escrito na pedra se frustrou durante essa crise.

“As empresas que tinham menor múltiplo [valor de mercado dividido pelo lucro] P/L estão se saindo piores do que as com mais P/L. Acredito que isso mostra o quanto é necessário ser mais flexível e reconhecer que, quando falamos de empresas de tecnologia, por exemplo, muitas estimativas dos resultados no futuro terão que ser revisadas constantemente. E é importante reconhecer quando você estiver errado para poder refazer sua análise.”

Damodaran apela para que, de posse dessas informações, o investidor aprenda a confiar mais em dados e menos em especialistas. “Tenha fé, encontre o seu lugar seguro e continue analisando o básico dos fundamentos, mas não ignore a realidade.”

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Expert XP 2020 – ESG e o retorno de um futuro melhor, na visão de Larry Fink, CEO da BlackRock

Presidente e CEO da BlackRock, a maior gestora de fundos do planeta, Larry Fink fala na Expert XP 2020 sobre os investimentos em empresas ESG e o retorno deles na forma de um futuro melhor.

Estrategista-chefe da XP Investimentos, Fernando Ferreira também participa do painel.

Para assistir ao painel, basta clicar neste link, caso você já tenha se cadastrado na plataforma da Expert XP 2020. Se você ainda não se cadastrou, inscreva-se gratuitamente.