“Trabalhamos com Argentina extensão do programa de auxílio”, diz diretor do FMI

Protesto na Argentina (Foto: Gustavo Garello/Jam Media/Getty Images)

O diretor de Comunicações do Fundo Monetário Internacional, Gerry Rice, afirmou que o FMI “está trabalhando com autoridades da Argentina na direção de uma extensão de um fundo” de recursos para colaborar no progresso econômico do país. “Não vou especular os detalhes, mas estamos discutindo um programa de extensão” de concessão de auxílio financeiro. “As conversas estão sendo construtivas e avançam em três áreas: opções de políticas, mercado de capitais doméstico e fortalecimento da resiliência da Argentina.”

Rice também destacou que ao conselho executivo do FMI aprovou há cerca de uma semana a proposta da diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, para elevar os recursos disponíveis da instituição multilateral em direitos especiais de saque (SDRs, na sigla em inglês) em um valor equivalente a US$ 650 bilhões.

“Agora, a proposta será submetida ao conselho de governadores e a expectativa é de que poderá ser aprovada no início de agosto”, apontou. “A alocação de recursos será proporcional para cada país membro do FMI de acordo com o sistema de cotas e deve estar disponível para ser realizada no final de agosto.”

De acordo com Gerry Rice, o FMI começa a estudar uma outra proposta, na qual economias avançadas que têm excesso de SDRs poderiam conceder uma parte destes recursos para um trust, que destinaria tais verbas para nações que enfrentam muitas dificuldades econômicas. “Nosso objetivo é viabilizar a maior concessão de recursos possível nesta nova iniciativa para países em condições vulneráveis”.

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Fed começará a elevar juros no final de 2022 ou começo de 2023, prevê FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) começará a elevar a taxa básica de juros dos Estados Unidos no final de 2022 ou no início de 2023.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a entidade afirma que a reabertura da economia criará uma imprevisibilidade “considerável” na inflação medida pelo índice de preços dos gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) durante os próximos meses.

Esse cenário, segundo o FMI, tornará “muito difícil” adivinhar as tendências inflacionários subjacentes.

“Gerenciar essa transição – desde fornecer garantias de que a política monetária continuará a fornecer suporte poderoso à economia à preparação para uma eventual redução das compras de ativos e uma retirada da acomodação monetária – exigirá comunicações hábeis em um cronograma potencialmente apertado”, diz a instituição no documento divulgado nesta quinta-feira.

O FMI projeta que o Fed iniciará o “tapering“, como é chamado o processo de retirada de estímulos, no segundo semestre de 2022.

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“Economia brasileira se mantém robusta, apesar da pandemia”, diz Kenneth Rogoff, professor em Harvard

Apesar da pandemia do coronavírus, a economia brasileira “está surpreendentemente robusta”, inclusive com o Produto Interno Bruto (PIB) voltando ao nível anterior ao registrado ao surgimento da covid-19, mas o desemprego alto é um problema que depende do avanço da vacinação e do controle da doença, diz Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e atualmente professor da Universidade Harvard, em entrevista exclusiva para o Estadão/Broadcast.

A entrevista, a seguir, foi concedida na véspera da participação de Rogoff como palestrante no evento Bradesco BBI, na 12.ª London Conference para investidores internacionais, que neste ano ocorre de forma virtual.

Como o sr. avalia as perspectivas econômicas no Brasil no curto prazo?

O Brasil está tendo muitos dos problemas que todos os outros países registraram com a pandemia. Há um grande aumento da desigualdade social, gerando agitação política etc. No entanto, a economia está surpreendentemente robusta. O País já registrou a volta do PIB para o mesmo nível anterior ao surgimento da covid-19, o que é notável. Os mercados de dívida continuam incrivelmente resilientes. O Brasil fez muitas mudanças, foi capaz de lidar muito bem com a crise e está muito melhor do que eu poderia estimar no passado recente.

Como a recuperação da economia poderá ser sustentável se o ritmo da vacinação é muito lento?

A vacinação virá, talvez com um atraso de um ano em comparação com economias avançadas. Há um temor de que, se a retomada não for longa o suficiente, poderá não ser somente um ano, mas uma década perdida na economia, como manifestam meus amigos no Brasil que estão preocupados. Porém, a trajetória até o momento sugere, particularmente, para um forte mercado emergente como o Brasil, que terá uma boa recuperação. É difícil saber. Há recuperações bem divergentes. Os países ricos estão indo muito bem, as nações com baixa renda têm uma situação terrível e os mercados emergentes estão em algum lugar na metade desses dois caminhos e poderão ir para uma direção ou a outra.

A taxa de desemprego no Brasil passou de 14%. O sr. considera que ela poderá baixar neste ano ou no próximo?

Eu penso que será difícil corrigi-la até que o programa de vacinação (avance) e o que a doença esteja sob controle.

Como o sr. avalia a tendência da inflação nos EUA?

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A recuperação está ocorrendo bem mais rápida e forte do que qualquer um imaginava, em grande parte por causa das vacinas, mas também pelo enorme apoio de gastos do governo prevenindo uma longa duração dos efeitos da pandemia. Ao mesmo tempo, há uma imensa variedade de gargalos na economia global, entre eles no fornecimento de microprocessadores. Claro que a inflação vai subir neste ano. Eu tenho visto a secretária do Tesouro, Janet Yellen, dizer que pode chegar a 3% em 2021, mas é uma estimativa baixa. Os EUA crescerão acima de 7% neste ano e 4% em 2022. A verdadeira questão é se a inflação subirá muito a ponto de levar o Federal Reserve a aumentar os juros bem mais cedo do que avalia. Pelo ponto de vista dos países emergentes, como o Brasil, a preocupação é se a inflação explodirá, o que forçaria o Fed a elevar os juros por questões domésticas, o que seria muito doloroso para os mercados internacionais. Não é o cenário mais provável, mas é certamente o maior risco no momento.

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FMI vê divergências na recuperação global da crise provocada pelo coronavírus

(Shutterstock)

A economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath, destacou nesta terça-feira, 13, o caráter “divergente” da recuperação econômica da crise provocada pelo coronavírus. Em evento virtual promovido pelo Peterson Institute, Gita comentou que a retomada em emergentes tem ocorrido de forma mais lenta que em países desenvolvidos, sobretudo nos Estados Unidos.

Entre os fatores de incertezas, Gita citou a escalada dos juros dos Treasuries, mas ponderou que as taxas seguem em níveis historicamente baixos.

Segundo ela, antes de analisar o impacto em emergentes, é preciso observar a fonte do movimento. No entendimento dela, desdobramentos positivos nos EUA, como mercado de trabalho forte, podem ser favoráveis ao restante do mundo, compensando o aumento dos custos de empréstimo.

Nesse processo, a economista defendeu que os bancos centrais precisam ser muito claros na comunicação sobre o aperto da política monetária, com objetivo de evitar efeitos indesejados ao sistema financeiro.

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Com vacinação mais rápida, US$ 9 trilhões serão agregados a PIB global, diz FMI

Kristalina Georgieva (Foto: Mark Wilson/Getty Images)

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, destacou nesta quinta-feira, 8, que, com vacinação mais rápida, US$ 9 trilhões poderão ser agregados ao Produto Interno Bruto (PIB) global até 2025, sendo 60% em países emergentes e 40% em economias avançadas. Em evento do FMI, ela afirmou que, neste contexto, serão criados US$ 1 trilhão em receitas com impostos.

Kristalina Georgieva disse ainda que, embora a economia mundial tenha perspectiva favorável de recuperação em 2021 – principalmente em EUA e China, economias que deverão atingir, no fim do ano, níveis de atividade pré-pandemia -, ainda é preciso observar as mutações do coronavírus e as dificuldades de vacinação.

Segundo a diretora-gerente, a proposta de elevar o financiamento do FMI em US$ 650 bilhões ajudará na recuperação da economia de muitos países, especialmente aqueles em condições mais vulneráveis devido ao choque provocado pela pandemia.

“Medidas fiscais pelo mundo somaram o equivalente a US$ 16 trilhões e os bancos centrais pelo planeta ajudaram com cerca de US$ 10 trilhões”, destacou ela, no evento. “Apoios de governos e bancos centrais devem continuar para garantir a recuperação econômica.”

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FMI aumenta ligeiramente previsão de crescimento do Brasil em 2021 para 3,7%

(Getty Images)

SÃO PAULO (Reuters) – O Fundo Monetário Internacional fez um pequeno ajuste na projeção de crescimento da economia do Brasil para este ano e manteve inalterada sua estimativa para 2022, em meio a incertezas em torno da trajetória da pandemia e da vacinação.

De acordo com o relatório Perspectiva Econômica Global divulgado nesta terça-feira, o FMI calcula crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro de 3,7% este ano, apenas 0,1 ponto percentual a mais do que o previsto na estimativa de janeiro.

Para 2022, o Fundo manteve a projeção de uma expansão de 2,6% do PIB.

A perspectiva do FMI para o grupo de mercados emergentes e em desenvolvimento, que inclui o Brasil, melhorou em 0,4 ponto percentual para este ano, a um crescimento de 6,7%, mas ficou inalterado em 5,0% para 2022.

O cenário para o Brasil também fica atrás daquele para a América Latina e Caribe como um todo, cujas previsões de crescimento melhoraram a 4,6% (4,1% antes) e 3,1% (2,9% antes) para 2021 e 2022, respectivamente.

“Após forte queda em 2020, apenas uma recuperação leve e de diferentes velocidades é esperada na América Latina e Caribe em 2021”, disse o FMI no relatório.

“Graças à recuperação global da manufatura no segundo semestre de 2020, o crescimento superou as expectativas em alguns grandes países exportadores na região”, completou o organismo multilateral, citando Argentina, Brasil e Peru.

Mas o FMI chamou a atenção para o fato de que a maioria dos países da região ainda não garantiu vacinas suficientes para imunizar suas populações.

“O cenário de longo prazo continua a depender da trajetória da pandemia”, disse.

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A projeção do FMI para o PIB brasileiro em 2021 está acima do estimado pelo Ministério da Economia (+3,2%).

As projeções do FMI mostram ainda que o Brasil deve terminar este ano com uma taxa de desemprego de 14,5%, caindo a 13,2% em 2022. Já as estimativas para os índices de preços ao consumidor estão em respectivamente, 4,6% e 4,0%.

O centro da meta oficial para a inflação no Brasil em 2021 é de 3,75% e para 2022 é de 3,50%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para as contas externas brasileiras, o FMI calcula déficits em conta corrente de 0,6% e 0,8% do PIB para este ano e o próximo.

Linha de swap

O Fundo ainda chamou atenção para os efeitos do anúncio de linhas de swap dos Estados Unidos com o Brasil e outros oito países, em março de 2020, considerada pelo FMI como uma das ações de política monetária adotadas por bancos centrais de economias avançadas com o objetivo de afetar as condições financeiras em mercados estrangeiros.

Brasil e México foram os únicos mercados emergentes incluídos e portanto fornecem um estudo de caso interessante, segundo o FMI, para avaliar a efetividade da ferramenta em limitar pressões de financiamento em dólar.

“…após o anúncio, os spreads da dívida soberana de Brasil e México denominados em dólar diminuíram, enquanto os spreads continuaram a aumentar em outros mercados emergentes”, disse o FMI.

“De forma similar, o real e o peso mexicano se valorizaram, enquanto as moedas de outros mercados emergentes continuaram a se depreciar. Portanto, parece que o anúncio das linhas de swap foi eficaz em estabilizar as condições financeiras nesses dois países.”

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O contrato de swap de 60 bilhões de dólares que o Banco Central do Brasil fechou com o Federal Reserve (banco central dos EUA) nunca foi usado, e em fevereiro o governo autorizou prorrogação do mecanismo até 30 de setembro deste ano.

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FMI alerta para impacto de surpresas do Fed em emergentes

(Bloomberg) — O Fundo Monetário Internacional alertou que um possível aperto repentino da política monetária do Federal Reserve poderia estimular o aumento dos juros e saídas de capital de mercados emergentes, o que destaca a necessidade de uma comunicação clara dos bancos centrais.

A alta das taxas de juros de mercado nos EUA até agora foi impulsionada por notícias positivas sobre as perspectivas econômicas e vacinas contra a Covid-19, o que tende a aumentar as entradas de recursos e reduzir os spreads da dívida denominada em dólar para a maioria dos mercados emergentes, disse o FMI na segunda-feira em um capítulo analítico de seu World Economic Outlook.

O Fed disse que planeja manter as taxas de juros próximas de zero até que a economia dos EUA alcance o pleno emprego e a inflação esteja na trajetória para ficar acima de 2% por algum tempo.

Mas, se os bancos centrais de economias avançadas sinalizarem de repente uma preocupação maior com os riscos de inflação, o mercado global poderia registrar um aperto surpreendente das condições financeiras, semelhante à turbulência ocorrida em 2013, escreveram Philipp Engler, Roberto Piazza e Galen Sher, economistas do FMI.

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“Surpresas na política monetária”, conforme medido pelo aumento das taxas de juros em dias de decisão regularmente programados do Fed, revelaram que, para cada alta de 1 ponto percentual nos juros dos EUA, as taxas de longo prazo sobem um terço de um ponto percentual no mercado emergente médio, disseram os autores em post de um blog que acompanha o relatório.

O aumento é de dois terços de um ponto percentual nos mercados emergentes com notas de crédito de grau especulativo mais baixas, disse o FMI.

Para evitar a deterioração da confiança dos investidores em mercados emergentes, bancos centrais de economias avançadas podem fornecer comunicações claras e transparentes sobre a política monetária futura em diferentes cenários, disse o FMI.

O Fundo citou a orientação do Fed sobre as pré-condições para um aumento dos juros como exemplo. O FMI disse que orientações adicionais do Fed sobre possíveis cenários futuros seriam úteis.

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O FMI, que divulgará na terça-feira as principais previsões do World Economic Outlook, alertou na semana passada que a economia global corre risco de ser abalada ainda mais pela pandemia e pediu aos formuladores de políticas que limitem o impacto. O Fundo e o Banco Mundial iniciam nesta segunda-feira as reuniões virtuais de primavera.

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Fundo Latino-Americano de Reservas mira apoio de até US$ 6,8 bilhões

(Crédito: Pixabay)

(Bloomberg) – O Fundo Latino-Americano de Reservas (FLAR) tem capacidade para emitir títulos de até US$ 4,35 bilhões para financiar empréstimos a bancos centrais da região, que enfrentam a pior crise econômica em décadas.

A organização, que normalmente utiliza contribuições de membros para conceder empréstimos em tempos de crise, emitiria os títulos nos mercados internacionais de dívida, de acordo com José Dario Uribe, presidente do FLAR. O fundo atualmente trabalha na estrutura legal e operacional, disse.

Se necessário, o fundo pode estar pronto para acessar os mercados dentro de dois meses, mas o valor a ser captado dependerá das necessidades de empréstimos de seus oito países membros, disse Uribe em entrevista por telefone de Bogotá na quarta-feira.

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Os recursos seriam adicionados ao volume financiado pelo próprio FLAR, totalizando US$ 6,8 bilhões em empréstimos a bancos centrais que enfrentam problemas na balança de pagamentos devido ao impacto da pandemia de coronavírus. Os membros, que incluem Colômbia, Bolívia, Peru, Costa Rica, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, poderão utilizar uma linha de crédito de cinco anos com período de carência de três anos. Até agora, nenhum país solicitou empréstimo, disse.

“A região agora é o novo epicentro global da pandemia, e o pico de contágio ainda não foi atingido”, disse Uribe. “Os governos da região tentam fazer o melhor possível em meio à incerteza, com base em sua própria visão da pandemia e nos limites de financiamento do setor público enfrentados por cada país.”

Mais de 2,65 milhões de pessoas testaram positivo para a doença na América Latina e no Caribe, e as mortes chegam a quase 119 mil, segundo dados monitorados pela Bloomberg. As medidas de isolamento social destinadas a impedir a propagação do vírus afetaram as economias. Alguns países começam a reabrir, mas o PIB da região deve ter queda de 9,4% neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional.

Bancos centrais reduziram taxas de juros e intervieram nos mercados de capitais para fornecer liquidez. “O choque da pandemia de Covid não tem precedentes na história recente”, disse Uribe, que atuou como presidente do banco central da Colômbia entre 2005 e 2017. “Os bancos centrais responderam com força e inovação, usando instrumentos que nunca haviam usado antes”.

Mais recentemente, o FLAR forneceu uma linha de crédito de US$ 368,8 milhões ao Equador em 2018. A Moody’s Investors Service, que classificou o fundo com grau de investimento Aa2, em março mudou sua perspectiva para negativa, citando o risco de um empréstimo de US$ 436 milhões feito ao banco central venezuelano em 2018. Desde então, a Venezuela pagou totalmente a dívida, disse Uribe.

O FLAR é a mais recente entidade a oferecer alívio cambial a bancos centrais da América Latina. O FMI fechou uma linha de crédito de US$ 107 bilhões para quatro países da região.

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Se o FLAR decidir fazer uma emissão, seria a primeira vez desde 2006 que o fundo acessaria os mercados internacionais de dívida.

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Mercados emergentes têm melhor trimestre em 10 anos apesar da crise

Mercado – ações (Foto: Getty Images)

(Bloomberg) — Uma desconexão está crescendo nos mercados emergentes, que raramente enfrentaram condições econômicas tão adversas e cujos ativos estão prestes a completar o melhor trimestre em uma década.

O índice MSCI Emerging Markets está a caminho de registrar seu melhor ganho trimestral desde 2010, enquanto títulos em dólar seguem para o maior avanço trimestral desde a recuperação da crise financeira global de 2009. A onda de estímulos dos bancos centrais que varre o mundo deu suporte ao apetite ao risco.

As moedas emergentes subiram cerca de 2% nos últimos três meses, com a rupia indonésia, o rublo russo e o peso colombiano na liderança. Os fluxos de capital estão mostrando um “retorno modesto” após as saídas no início de 2020, de acordo com relatório de 24 de junho do Instituto de Finanças Internacionais (IFI).

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Tudo isso está em desacordo com as perspectivas pessimistas, especialmente para as economias da América Latina, sul da Ásia e África, onde os surtos de vírus correm o risco de ficar fora de controle. As projeções mais recentes do FMI mostram que, embora a China possa registrar crescimento este ano, as estimativas para México, Argentina, Brasil e África do Sul foram reduzidas a uma contração de 8% ou mais.

A enorme divisão entre ganhos de mercado e os problemas econômicos traz risco para os retorno nos próximos meses, o que aumentaria os ventos contrários à recuperação.

“Embora a ampla liquidez e o ambiente de juros baixos continuem a fornecer aos emergentes a atração de cupons altos, à medida que o processo de recuperação é adiado, acho que as considerações de risco estão piorando para os mercados emergentes como uma classe”, disse Carmen Reinhart, economista-chefe do Banco Mundial, na conferência Bloomberg Invest Global da semana passada.

O Banco Mundial prevê que os países emergentes e em desenvolvimento encolherão 2,5% – o pior desempenho da base de dados que começa em 1960.

“Espero um dia de acerto de contas em que os investidores estrangeiros concluirão que não estão sendo compensados pelos riscos nos países emergentes”, afirmou Rob Subbaraman, chefe global de pesquisa macro da Nomura Holdings Inc. em Cingapura.

A situação não é uniformemente desastrosa para os mercados emergentes. Jim O’Neill, presidente da Chatham House, tem visão negativa sobre a América Latina e a Índia, mas ele disse à Bloomberg Television que vê uma chance de que “essa crise possa acelerar este século de domínio asiático”, pois a China e outras economias da região se mostram hábeis em administrar a pandemia.

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Os ativos emergentes ainda podem ter um “bom” segundo semestre, embora seja difícil repetir os ganhos até agora, disse Eric Stein, co-diretor de renda fixa global da Eaton Vance Corp., com sede em Boston, que administra cerca de US$ 465 bilhões. Stein classificou países como o Brasil como altamente arriscados, uma vez que mais alívio da política monetária poderia significar saídas “desordenadas”.

Os emergentes que investiram no estímulo fiscal – agora em torno de US$ 11 trilhões para todos os governos em todo o mundo, estima o FMI – têm menos espaço para gastar sem desencadear preocupações com dívidas incontroláveis. E muitos de seus bancos centrais já estão com taxas de juros baixas e, portanto, têm menos espaço para agir.

“Acho que os emergentes estarão em uma situação muito difícil daqui para frente”, disse Reinhart.

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Novos focos de vírus ameaçam frágil recuperação global

índices gráfico bolsa mercado alta baixa coronavírus covid-19 (Getty Images)

(Bloomberg) — A frágil recuperação da economia global enfrenta um novo obstáculo em meio ao aumento dos casos de coronavírus, que ameaçam manter empresas fechadas e consumidores preocupados.

Os casos do vírus subiram em número recorde para um único dia em 21 de junho, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, com aumentos nos EUA e novos focos na Alemanha e na Austrália. Embora a China tenha dito que o novo surto em Pequim esteja sob controle, os casos em outras grandes economias emergentes, incluindo Brasil, Índia e Indonésia, continuam aumentando.

“A luta está longe de terminar”, disse Tuuli McCully, chefe de economia da Ásia-Pacífico no Scotiabank, com sede em Cingapura. “Uma segunda onda significativa de infecções nas economias avançadas representa um enorme risco para a economia global, que ainda está em estágios muito iniciais de recuperação.”

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Dados de alta frequência rastreados pela Bloomberg Economics mostraram uma melhora de cenário para setores como transporte e alimentação fora de casa, diante da flexibilização das restrições das medidas de isolamento social. Um aumento sustentado dos casos de coronavírus ameaça minar ou até reverter essas tendências.

Recuperação em U

Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional divulga novas previsões para a economia global, que já enfrenta a pior perspectiva desde a Grande Depressão. Embora o alívio das restrições de isolamento social em partes da Europa e dos EUA tenha levado alguns economistas a preverem uma recuperação em forma de V para a economia global, os novos focos do vírus se colocam contra qualquer recuperação rápida.

O aumento do número de casos “inclina os riscos de uma recuperação em forma de V para uma recuperação em forma de U”, disse o economista-chefe do Deutsche Bank, Torsten Slok.

Ainda assim, até que haja uma vacina, não haverá uma recuperação completa.

Formuladores de políticas precisarão permanecer atentos à necessidade de mais suporte, disse Warwick McKibbin, do Instituto Brookings e da Universidade Nacional da Austrália, que modelou o impacto macroeconômico do vírus. Ele participou do Fórum de Liderança Crawford na segunda-feira.

Quase US$ 11 trilhões em recursos fiscais foram aprovados globalmente desde o início da crise, com outros US$ 5 trilhões ainda em andamento, segundo o Instituto de Finanças Internacionais.

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“Não estamos nem perto do fim desta pandemia”, disse McKibbin.

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