Dólar fecha em alta de 0,88%, a R$5,42 em meio a commodities e ata do Fomc

Dólar - câmbio “Shutterstock”

*Texto atualizado às 19h08 (horário de Brasília) para acréscimo de informações. 

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar escalou mais um degrau ao fechar nesta quinta-feira acima de 5,40 reais, um dia após se firmar acima de 5,30 reais e pulverizar uma série de níveis de resistência técnica, com a força da moeda no exterior por incertezas sobre a política monetária nos EUA e Covid-19 se somando ao contínuo desconforto na cena doméstica.

O dólar à vista subiu 0,88%, a 5,4231 reais na venda, maior valor desde 4 de maio (5,4322 reais).

A cotação se manteve em alta praticamente durante todo o pregão. Na máxima, alcançada ainda no começo dos negócios, foi a 5,4568 reais (+1,50%) e na mínima, tocada por volta de 14h30, operou brevemente em queda de 0,08%, a 5,3801 reais.

Lá fora, a alta do dólar era generalizada, com a moeda dos EUA ganhando terreno ante 31 de 33 pares.

De forma geral foi o exterior que deu o tom da formação de preço da taxa de câmbio nesta sessão, com investidores dando sequência a um movimento iniciado já no fim do pregão da véspera, quando o dólar aqui acelerou a alta seguindo a piora de humor em Wall Street pelo entendimento de que o banco central dos EUA estaria mais próximo de anunciar corte de estímulos –talvez já em setembro.

O índice do dólar frente a uma cesta de divisas fortes subia 0,36% no fim da tarde, indo a máximas em nove meses. Rand sul-africano, coroa norueguesa, dólar canadense e dólar australiano –divisas correlacionadas às matérias-primas– cediam entre 1% e 1,8%.

Mas o mal-estar local persistiu, impedindo que o dólar experimentasse alguma correção depois da disparada da véspera –o que seria um movimento esperado. Nesta quinta, falas dos dois mais importantes membros da equipe econômica serviram de marcador dos riscos atuais.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o pagamento de 90 bilhões de reais em precatórios no Orçamento do ano que vem não é exequível. Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que ruídos envolvendo questões locais têm afetado as projeções de crescimento do PIB para 2022 e também as expectativas de inflação, processo que, frisou, está sendo acompanhado de perto pelo Bacen.

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“Está ficando cada vez mais difícil achar uma luz no fim do túnel”, disse Leon Abdalla, analisa de Investimentos da Rio Bravo. “Pior do que a pontualidade dos precatórios ficarem extra-teto é uma abertura de margem para colocar qualquer coisa fora do teto, bem ao estilo ‘passa boi, passa boiada’”, completou.

Na véspera, o dólar spot saltou 2,04%, maior alta desde o fim de julho, impulsionado por temores fiscais que, por sua vez, provocaram uma onda de contenção de perdas no mercado de juros que fez as taxas de DI dispararem mais de 40 pontos-base no fim da tarde.

Dados da B3 mostraram que estrangeiros e fundos de investimento aumentaram na quarta-feira, conjuntamente, posições líquidas compradas em dólar (vendo alta da moeda) em 921 milhões de dólares –considerando mercados futuro, de cupom cambial e swap cambial.

Nesta quinta, os DIs longos caíram até 17 pontos-base, devolvendo menos da metade do ganho de prêmio do dia anterior.

A exemplo da quarta, o Banco Central se manteve sem realizar ofertas líquidas de dólares, e nas falas desta quinta Campos Neto não mencionou o tema câmbio.

“Atuar agora seria como enxugar gelo, porque o problema é fora do BC. Mas se houver uma comunicação mais acertada do governo sobre o fiscal, que aliás foi um pedido do Campos Neto, e mesmo assim o dólar continuar pressionado, aí, sim, acredito que o BC intervirá”, afirmou Abdalla, da Rio Bravo.

À Reuters, Fabio Zenaro, diretor de Produtos de Balcão e Novos Negócios da B3, disse que o movimento de compra de dólar visto ao longo deste ano deve perdurar, uma vez que vários eventos de risco se acumulam, entre eles a expectativa pela eleição presidencial no Brasil em 2022 e pela redução de estímulos nos Estados Unidos.

Dados da bolsa revelaram que empresas de comércio exterior compraram, em termos líquidos, mais de 29 bilhões de dólares de janeiro e julho em contratos a termo sem entrega física (NDF, na sigla em inglês) negociados na B3.

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Ibovespa sobe e encerra sequência negativa, mas analistas recomendam cautela diante de cenário repleto de incertezas

ações bolsa gráfico índice mercado opções compra venda sell buy (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira (19), recuperando-se depois de três quedas consecutivas, mas os analistas avaliam que ainda há incertezas demais no radar para que o investidor tenha tanta certeza de que o movimento de baixa do índice atingiu seu fundo.

Segundo Marcus Vinícius Zanetti, gestor da Kinea, o risco fiscal aumentou drasticamente com a edição da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, que mina ainda mais a credibilidade do teto de gastos.

Além disso, ele explica que o grande driver de alta da Bolsa no ano, a valorização das commodities energéticas e metálicas, parou de ser um suporte para o mercado. Essa mudança se deveu às políticas implementadas pela China, que na opinião de Zanetti, “uniu o útil ao agradável” para diminuir a poluição no país.

“Essas intervenções no setor de aço e de construção ajudaram a frear o ciclo de valorização das propriedades chinesas”, destaca. De acordo com o gestor, embora o múltiplo valor da empresa dividido pelo lucro na Bolsa esteja atrativo, é preciso ponderar que esse nível, a um desvio-padrão da média histórica, parece razoável diante de uma eleição polarizada para presidente da república em 2022, com risco cada vez maior de guinada populista para obtenção do apoio popular.

“Não vejo este como um ótimo momento para compra indiscriminada. É importante olhar para empresas específicas que estejam menos expostas ao ciclo econômico e a fatores políticos”, defende.

Bruno Komura, estrategista da Ouro Preto Investimentos, tem uma visão parecida. Para ele, o mercado brasileiro está se descolando para baixo do movimento internacional devido ao uso do Orçamento para melhorar a imagem do governo, como ficou claro com as notícias de aumento no benefício do Bolsa Família e de PEC dos Precatórios.

Sobre a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) divulgada ontem, o estrategista vê algum grau de surpresa, pois havia expectativa de que o Federal Reserve esperasse o simpósio de Jackson Hole para dar mais clareza sobre política monetária. O movimento, contudo, não é totalmente negativo.

“Parece que o Fed busca cada vez mais dar clareza para o mercado. É importante separar os fatores. O início da redução de compras de ativos pode não significar que vai começar o aumento de juros tão cedo”, diz.

Além disso, com a crise entre os Três Poderes, Komura enxerga maior dificuldade do Executivo em emplacar reformas econômicas no Congresso. Entretanto, o estrategista não dá o ano como perdido.

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“Toda a desvalorização faz sentido dado todo esse cenário, mas até o fim do ano tem esperança de um alívio por conta da vacinação, que está avançando em diversas regiões do Brasil, principalmente em São Paulo, o que vai permitir um relaxamento das restrições”, explica.

Nesta quinta

Hoje, o Ibovespa chegou a cair mais de 1%, a 114.801 pontos, mas recuperou-se junto com o exterior conforme o desempenho dos índices S&P 500 e Nasdaq, em Wall Street melhorava puxado por ações de empresas de tecnologia e ativos do setor de saúde.

Mais cedo, a ata do Fomc, que sinalizou ontem a discussão sobre a redução do ritmo de compras mensais de títulos ainda em 2021, ainda trazia muita preocupação globalmente.

Por outro lado, nesta manhã saíram os dados de auxílio desemprego nos Estados Unidos, com o número caindo 29 mil na semana encerrada em 14 de agosto, a 348 mil pedidos, segundo dados com ajustes sazonais do Departamento do Trabalho americano.

O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela Refinitiv, que previam 363 mil solicitações. O total da semana anterior foi ligeiramente revisado para cima, de 375 mil para 377 mil pedidos.

Além disso, o dia ainda teve um foco de ruído a mais para mercados emergentes, que é a forte desvalorização das commodities. O minério de ferro negociado em Singapura teve baixa de 12%, passando a cair no ano após chegar a subir 55% até meados de julho.

A queda ocorreu tanto pela ata do Fomc quanto pelo consumo chinês menor (pelo crescimento menor do país e pela ação das autoridades de diminuir a poluição). O preço do petróleo também cai e já acumula 15% de queda desde as máximas de julho.

Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo quer em seis meses reduzir em 10% a Tarifa Externa Comum (TEF) do Mercosul para barrar o aumento da inflação. “É hora de aumentar a oferta de alimentos, aumentar a oferta de aço, de material de construção, tudo isso aí dá uma acalmada no setor”, comentou.

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Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que ruídos políticos têm afetado as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2022 e que o Banco Central fará o que for necessário para garantir o cumprimento da meta de inflação.

O Ibovespa teve alta de 0,45%, a 117.164 pontos com volume financeiro negociado de R$ 38,49 bilhões.

Dentre as chamadas blue chips, a ação que mais subiu, ajudando a manter o benchmark em terreno positivo, era a da B3 (B3SA3), com valorização de 4,7%. O papel responde por 3,95% da composição do índice.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,89% a R$ 5,422 na compra e a R$ 5,423 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro tem ganhos de 0,77% a R$ 5,437 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu seis pontos-base a 6,72%, DI para janeiro de 2023 teve queda de 17 pontos-base a 8,47%, DI para janeiro de 2025 recuou 25 pontos-base a 9,71% e DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de 17 pontos-base a 10,15%.

As bolsas asiáticas tiveram quedas na quinta, ainda por conta de temores sobre pressão regulatória na China. Em reunião de terça-feira, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Por Dentro dos Resultados

Às 18h, o InfoMoney entrevista Thiago Grechi (CFO) e David Abuhab (CSO), da Neogrid (NGRD3).

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Covid, CPI, precatórios e vacinação

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Na quarta (18), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 813, queda de 8% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 985 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.117, o que representa queda de 11% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 41.017 casos.

Chegou a 118.860.218 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,13% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 52.453.993 pessoas, ou 24,77% da população.

Na quarta, falou à CPI da Covid no Senado Túlio Silveira, advogado da Precisa Medicamentos, que intermediou o acordo de compra pelo governo de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. Ele confirmou que abriu um escritório dias antes da assinatura do contrato de compras. Agora, ele passa a condição de investigado, na qual será obrigado a responder às perguntas dos senadores.

Também na quarta, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou a jornalistas que o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara, será formalmente investigado pelo que chamou de “conjunto da obra” e não apenas pelas suspeitas envolvendo as negociações para compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin.

Nesta quinta, falará à CPI Francisco Maximiano, sócio da Precisa. A atuação da empresa como intermediária do acordo de compra da Covaxin é investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Também na quarta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu por unanimidade não autorizar o uso da vacina contra Covid-19 CoronaVac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos.

O Butantan, responsável pelo envase no Brasil da vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, havia pedido à Anvisa no mês passado para ampliar a faixa etária para a aplicação da CoronaVac de modo que crianças e adolescentes também pudessem receber o imunizante.

Mas a agência afirmou que falta ao instituto apresentar dados que possam estabelecer o perfil de eficácia e segurança do imunizante na população pediátrica, uma vez que o estudo apresentado contou com apenas 586 participantes, número que considerou insuficiente.

Na mesma reunião, a agência reguladora também fez uma recomendação oficial ao Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, para que seja considerada a aplicação de uma terceira dose da CoronaVac, em caráter experimental, em especial para públicos-alvo prioritários, como pacientes imunocomprometidos ou idosos.

Além disso, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso na quarta-feira, o secretário de Orçamento do Ministério da Economia, Ariosto Culau, afirmou que a conta de precatórios de R$ 89,1 bilhões para 2022 inviabiliza o financiamento da terceira dose de vacina contra a Covid-19, prevista em plano de imunização encaminhado pelo Ministério da Saúde.

Culau afirmou que a confecção do Orçamento para o ano que vem está sendo desafiadora e que o aumento de R$ 34,4 bilhões verificado nas despesas com precatórios é sem precedentes.
Requisições de pagamento expedidas pela Justiça após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais, os precatórios são despesas obrigatórias. Como têm crescido vertiginosamente, eles têm na prática comido espaço, sob a regra do teto, para outras despesas.

Com a fala de Culau, a viabilização do programa de vacinação se soma aos argumentos do governo a favor de sua proposta de emenda constitucional (PEC) que visa parcelar os precatórios.

O texto divide em dez parcelas o pagamento dos precatórios de mais de R$ 66 milhões e impõe uma limitação provisória dos pagamentos anuais de precatórios a 2,6% da receita corrente líquida, o que também sujeitará precatórios entre R$ 66 mil e R$ 66 milhões a eventual parcelamento.

Com a PEC, a estimativa do Ministério da Economia é de ganhar R$ 33,5 bilhões em espaço orçamentário no ano que vem. Anteriormente, quadros do governo já afirmaram que, sem o parcelamento, seria impossível financiar a expansão do Bolsa Família e mesmo o pagamento de salários do funcionalismo.

“(Pela) magnitude do comprometimento que a gente tem com essa despesa que, pela Constituição, deve ser honrada e vai ser honrada, temos realmente muitas dificuldades para atender essas demandas das mais diversas áreas”, disse o secretário.
Também presente na audiência, o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, voltou a dizer que, antes de conhecido o impacto dos precatórios para o ano que vem, o governo previa ter um espaço adicional de R$ 30,4 bilhões para despesas em 2022 dentro do teto de gastos.

Agora, a perspectiva é de envio para o Congresso de um projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 sem qualquer folga orçamentária, o que será feito até o fim deste mês.

Imposto de Renda, teto de gastos e tensão institucional

Em entrevista concedida na quarta-feira à agência internacional de notícias Reuters, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), disse avaliar que o projeto que altera regras do Imposto de Renda “subiu no telhado”, tem poucas perspectivas de aprovação no momento e precisará ser reconstruído para chegar a um mínimo de convergência.
O parlamentar disse ter se comprometido com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a participar das negociações.

Para o deputado, a proposta do IR, que teve sua votação adiada mais uma vez na terça-feira, conta com pouco apoio e correria o risco de ser derrotada em plenário se fosse a voto, mesmo se tratando de um projeto simples, sem a necessidade de quórum qualificado de aprovação.

Para o deputado, a investida do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, buscando viabilizar um novo programa social em substituição ao Bolsa Família coloca em risco dois “patrimônios” conquistados pelo país nas últimas décadas: o controle da inflação e os sinais de austeridade fiscal.

“Para mim está claro que há um abandono da política de austeridade fiscal, porque a prioridade absoluta do presidente é turbinar o programa de transferência de renda. Não por um desejo de ajudar os brasileiros, mas por uma métrica absolutamente eleitoral, porque ele começa a enxergar que essa pode a ser a última tábua de salvação para o projeto dele de reeleição. Se o preço disso for romper o teto de gastos, que se rompa”, disse Ramos.

“Na verdade, me parece muito claro que o ministro Paulo Guedes já decidiu romper o teto de gastos. A discussão não é se vai romper. É como vai romper”, afirmou. Ele disse avaliar que saídas como parcelar “compulsoriamente” os precatórios ou classificando-os como despesa corrente ferem teto de gastos.

O parlamentar diz avaliar, ainda, que o discurso mais agressivo e os ataques de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a integrantes das cortes, integram parte de sua estratégia eleitoral.

Na quarta, os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) notícia-crime contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, pelo suposto crime de prevaricação por suposta omissão em relação aos ataques do presidente Jair Bolsonaro e aliados ao sistema eleitoral brasileiro, na defesa do regime democrático brasileiro e na fiscalização do cumprimento da lei no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

A peça, dirigida à ministra do STF Cármen Lúcia, pede que o caso seja analisado pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Em entrevista de 13 minutos publicada como reportagem de capa do jornal Folha de S. Paulo nesta quinta, Aras nega ter se omitido em relação aos ataques do presidente Bolsonaro contra o sistema de votação. Questionado sobre se o sistema é confiável, ele afirma: “não há nenhuma prova [contrária ao sistema] do Ministério Público Eleitoral”.

Na quarta, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, a retomada de uma reunião entre os chefes dos Poderes, ressaltando que o radicalismo e o extremismo são capazes de derrotar a democracia.

O presidente do STF cancelou no início do mês uma reunião que estava marcada entre os chefes dos Poderes, citando como razão os ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro a magistrados do Supremo, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Pacheco ressaltou que a democracia “não pode ser aviltada e questionada como está sendo recentemente no país”, e destacou a necessidade de diálogo para a solução da crise institucional vivida atualmente, em especial entre o Executivo e o Judiciário.

Na abertura da sessão do Supremo na quarta, Fux fez um breve comunicado aos demais ministros sobre o encontro que teve com Pacheco e disse que o pedido do presidente do Senado será avaliado.

Em um evento de entrega de casas em Manaus na quarta, Bolsonaro disse que no dia 7 de setembro estará “onde o povo estiver”, indicando que deve efetivamente participar das manifestações marcadas para o dia. Uma fonte disse à agência Reuters que Bolsonaro irá aos atos organizado por apoiadores em São Paulo e em Brasília, que têm entre suas pautas a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

O presidente também voltou a falar da alta da inflação e do preço dos combustíveis. Reclamou que o preço do botijão de gás e do litro da gasolina era “absurdo”, mas fez questão de culpar os governos estaduais pela alta.

“Pensar nos mais humildes é zerar impostos, não aumentar impostos para que os produtos cheguem mais baratos na ponta”, afirmou.

Radar corporativo

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
CVCB3 7.9096 19.1
LWSA3 7.78761 24.36
TOTS3 5.78035 36.6
RENT3 5.30701 58.14
LCAM3 5.17172 26.03

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
CSNA3 -5.78049 37
VALE3 -5.70544 97.51
USIM5 -5.68747 17.08
BRAP4 -5.32995 63.41
GGBR4 -3.51916 27.69

O noticiário corporativo tem como destaques Vale, Petrobras, entre outras companhias, confira abaixo:

Vale (VALE3)

A Vale comunicou que recebeu “com surpresa”, pela mídia, a notícia de que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) propôs um incidente de desconsideração da personalidade jurídica da Samarco, em que solicitou que suas duas sócias fossem integradas ao processo de recuperação judicial em curso. A mineradora afirma que não foi formalmente notificada da ação, e apresentará a sua defesa no prazo legal.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras retomou o processo de arrendamento do seu Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bahia para a texana Excelerate Energy, única a apresentar proposta em uma licitação do ativo feita em junho.

Ainda em destaque, a Petrobras ampliou a oferta de combustíveis para térmicas, o que permitiu aumentar, em nove meses (de setembro de 2020 a junho de 2021), a geração termelétrica de suas usinas e de clientes de cerca de 2 mil megawatts (MW) para quase 8 mil MW.

Copel (CPLE6)

A Copel lançou na quarta o Programa de Demissão Incentivada (PDI), em função da venda da Copel Telecom. Segundo a empresa, o PDI é estimado em R$ 80,6 milhões de indenizações, com prazo para adesão no período de 18 a 31 de agosto deste ano e com os desligamentos previstos para 15 de fevereiro de 2022.

Braskem (BRKM5)

A Braskem confirmou que fechou com a Nexeo Plastics uma parceria de distribuição de filamento de polipropileno (PP) e pellets para fabricação de aditivos. O acordo irá ampliar a distribuição internacional dos produtos da petroquímica para a América do Norte e Europa.

Ambipar (AMBP3)

A Ambipar informou que apresentou à CVM pedido de oferta pública inicial de distribuição primária de ações de sua controlada Environmental ESG Participações, que atua no segmento de soluções ambientais para gestão e valorização de resíduos pós e pré-consumo e na gestão de gases do efeito estufa e originação de créditos de carbono.

JBS (JBSS3)

A agência Standard & Poor’s elevou de estável para positiva a escala global da JBS, com a classificação de crédito em BB+, informou a segunda maior companhia de alimentos do mundo nesta quarta-feira.

Vinci Partners (NASDAQ:VINP)

A Vinci Partners, que abriu seu capital em janeiro deste ano na Nasdaq, fechou o segundo trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 53,4 milhões, representando uma alta de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seis meses, o lucro foi de R$ 100,4 milhões, um crescimento de 53% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

A Alliar (Centro De Imagem Diagnósticos) informou que a Rede D’Or comprou mais 63 mil ações ordinárias de emissão da companhia nesta quarta-feira, 18, totalizando R$ 721,95 mil, após outras aquisições informadas na segunda e terça-feira. Até esse momento, a empresa possui 3,708 milhões de ações da Alliar.

BRF (BRFS3)

A companhia de alimentos BRF inaugurou na quarta-feira uma nova fábrica de salsichas localizada em Seropédica (RJ), com investimento em torno de R$ 300 milhões, atenta a uma demanda excedente pelo produto que ganhou fôlego durante a pandemia da Covid-19.

Mercado Livre (MELI34)

O Mercado Livre anunciou nesta quarta-feira acordo para ser acionista do Aleph Group com a aquisição de participação de US$ 25 milhões na empresa de mídia digital, que opera na América Latina por meio da Internet Media Services (IMS).

Dexco

Após a alteração de seu nome, a antiga Duratex, que agora se chama Dexco, vai mudar o seu ticker na Bolsa de DTEX3 para DXCO3, com mudança que passe a valer a partir do pregão desta quinta.

IPOs

A fabricante de meias e de roupa íntima Lupo pediu autorização para uma oferta inicial de ações (IPO), em busca de recursos para investir em tecnologia, distribuição e aquisições de negócios, segundo registro na CVM na quarta.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa fecha em queda e já recua 2% no ano; dólar salta 2% e DIs longos avançam até 30 pontos com ata do Fomc

Bolsa em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda pela terceira vez consecutiva nesta quarta-feira (18) após um pregão de extrema volatilidade no qual o índice chegou a ir de uma baixa de 1% para uma alta de 0,6% em poucos minutos antes da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

Segundo Sidney Lima, analista de investimentos da Top Gain, nos primeiros meses deste ano o mercado brasileiro engatou uma alta considerável motivada pelo aumento nos preços das commodities, que se seguiu à recuperação econômica, especialmente de China e Estados Unidos, depois do baque do coronavírus.

No entanto, logo vieram intervenções do governo chinês como a realizada para conter a alta descontrolada do minério de ferro, além do novo aumento de casos de Covid-19 globalmente devido à variante delta.

“Estes fatores atingiram em cheio a nossa Bolsa de Valores considerando a alta exposição do Ibovespa a commodities como o petróleo e o minério de ferro. Um novo balizador desse sentimento tem sido os dados de emprego, inflação e varejo vindo abaixo da expectativa, mostrando que a tão sonhada retomada tende a demorar um pouco mais do que esperávamos”, destaca o analista.

Já Jansen Costa, sócio fundador da Fatorial Investimentos, comenta que a Bolsa zerar os ganhos no ano é algo que assusta o novo investidor de renda variável e pode gerar uma fuga de capital das pessoas físicas.

“A perspectiva acaba sendo negativa. Com o aumento de juros [realizado pelo Banco Central], esse investidor começa a questionar se deixar o dinheiro alocado em ações é bom, dado que a renda fixa está se tornando mais rentável”, avalia.

Nesta quarta especificamente, o principal driver da sessão foi a ata do Fomc, que abriu a porta para a redução dos estímulos no fim deste ano. “Olhando para o futuro, a maioria dos participantes observou que, desde que a economia evolua amplamente como eles anteciparam, eles julgaram que pode ser apropriado começar a reduzir o ritmo de compras de ativos neste ano”, diz o documento.

As bolsas internacionais foram à mínimas após serem divulgadas as sinalizações do Fed. Hoje, o Dow Jones caiu 1,08% a 34.960 pontos, o S&P 500 teve queda de 1,07% a 4.400 pontos e o Nasdaq recuou 0,89% a 14.525 pontos.

Essa ata do Fomc foi a última grande comunicação do banco central dos EUA antes do simpósio de Jackson Hole, que ocorre entre os dias 26 e 28 de agosto.

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No noticiário doméstico, ontem a Câmara dos Deputados aprovou por 390 votos a 99 e uma abstenção a retirada de pauta do projeto que modifica as regras da cobrança do Imposto de Renda. Uma das sustentações mais emblemáticas da sessão plenária foi a do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que disse haver “um dilema entre a previsão de dividendos e a perda de arrecadação dos estados e municípios”.

De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, os entes querem mais R$ 18 bilhões para a aprovação da medida, o que faz com que integrantes do Ministério da Economia digam que o projeto já “não se paga”.

Também na política, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, por uma retomada da reunião dos Três Poderes. Segundo Pacheco “radicalismo” e “extremismo” são ruins para o Brasil e para a democracia.

O Ibovespa teve queda de 1,07%, a 116.642 pontos com volume financeiro negociado de R$ 38,022 bilhões. Com isso, o benchmark acumula perdas de 2% no ano de 2021 e atinge seu menor patamar de fechamento desde o dia 1º de abril, quando o índice encerrou o pregão cotado a 115.253 pontos.

Na mínima intradiária hoje, o Ibovespa bateu 116.488 pontos, em queda de mais de 1%. Já na máxima, registrada perto das 14h, a Bolsa chegou a operar em 118.738 pontos, em um pregão que foi marcado por extrema volatilidade por causa do cenário macroeconômico e pelo vencimento de opções sobre o índice, realizado no início da tarde.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 1,99% a R$ 5,374 na compra e a R$ 5,375 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra ganhos de 1,64% a R$ 5,392.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu seis pontos-base a 6,75%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de 18 pontos-base a 8,60%, DI para janeiro de 2025 disparou 30 pontos-base a 9,94% e DI para janeiro de 2027 registrou avanço de 28 pontos-base a 10,37%.

A variante delta do coronavírus também segue fazendo preço nas bolsas mundiais. Em entrevista à rede de notícias CNBC, o chefe de estratégia de investimento do Leuthold Group, Jim Paulsen, ressaltou que os novos casos de Covid continuam a aumentar, o que traz dúvidas sobre a reabertura econômica. Os dados de consumo recuaram recentemente, indicadores de inflação continuam altos, e o Federal Reserve vem sinalizando redução de estímulos.

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Além disso, o mercado acionário já não vem reagindo a resultados positivos das empresas, e há sinais de que as bolsas caminham para uma correção, avaliou Paulsen.

Já na Ásia, em reunião de terça-feira, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e prevenir riscos financeiros, de acordo com a mídia estatal Xinhua.

No radar econômico da Europa, foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) relativo ao Reino Unido em julho, que se manteve na comparação mensal, abaixo da expectativa de alta de 0,3% e do patamar anterior, de alta de 0,5%. A variação anual marcou 2%, abaixo da expectativa de alta de 2,3% e do patamar anterior, de 2,5%.

A inflação ao consumidor relativa a julho na Zona do Euro marcou avanço de 2,2% na comparação anual, em linha com a expectativa de analistas, e acima do patamar anterior, de 1,9%. Na comparação mensal, recuou 0,1%, também em linha com a expectativa, e abaixo do patamar anterior, de alta de 0,3%.

No mercado de commodities, o contrato futuro do minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian registra queda de mais de 3%. O minério ampliou as perdas com um alerta da BHP (BHPG34), que vê probabilidade crescente de “cortes severos” da produção de aço da China este ano.

Covid, CPI, instabilidade entre poderes e eleições

Na terça (17), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 833, queda de 10% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.137 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.117, o que representa queda de 11% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 38.218 casos.

Chegou a 117.699.389 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 55,58% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 51.577.522 pessoas, ou 24,36% da população.

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Na terça falou à CPI da Covid Alexandre Silva Marques, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) responsável pelo falso relatório divulgado pelo governo Bolsonaro, que questionava a contabilização de mortes por Covid feita pelos estados.

Marques alegou que compartilhou apenas um relatório “preliminar” com seu pai, o coronel Ricardo Marques, que o teria encaminhado ao presidente de forma indevida.

Ao viralizar por meio de redes bolsonaristas, o relatório falso levava o nome do TCU e destaques. Os senadores afirmaram que Bolsonaro teria compartilhado o crime de falsificação, já que não se tratava de um documento oficial do tribunal.
Nesta quarta, a CPI ouve Túlio Silveira, advogado da Precisa Medicamentos, empresa responsável por intermediar a negociação entre o governo brasileiro e a indiana Bharat Biotech pela compra da vacina Covaxin.

Além disso, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a proposta de PEC que estabelece a retomada das coligações nas eleições proporcionais de deputados, com 347 votos a favor e 135 contra. As coligações permitem a partidos se unirem em um único bloco para disputar eleições proporcionais. O fim das coligações havia sido aprovado por emenda constitucional de 2017, visando reduzir o número de partidos pequenos no Brasil.

Agora, a proposta segue para o Senado, cujo presidente, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já se manifestou contrariamente. Na terça, Pacheco também afirmou que “Precipitarmos uma discussão de impeachment, seja do Supremo, seja do presidente da República, qualquer tipo de ruptura, não é algo recomendável para um Brasil que espera uma retomada do crescimento, uma pacificação geral, uma pauta de desenvolvimento econômico, de combate à miséria e à pobreza”.

Há mais de uma centena de pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Congresso. Bolsonaro afirmou no final de semana que pretende apresentar um pedido de impeachment Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal (STF). Barroso acumula o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em entrevista à rádio Jovem Pan na segunda, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general da reserva Augusto Heleno, disse que o Judiciário vem aumentando as tensões e que pode haver uma intervenção das Forças Armadas no país “num caso muito grave”.

Heleno citou o Artigo 142 da Constituição, que estabelece o papel das Forças Armadas e que tem sido frequentemente interpretado pelo presidente Jair Bolsonaro e por seus aliados no sentido de dar às Forças Armadas um “poder moderador” em momentos de crise entre os Poderes da República –Judiciário, Legislativo e Executivo.

Na terça, o ministro da Defesa, general da reserva Walter Braga Netto afirmou que não existe nenhuma articulação das Forças Armadas fora dos limites da Constituição.

Ele negou que tenha feito ameaças ao Senado, no episódio em que divulgou nota em reação à supostas irregularidades cometidas por militares em cargos no governo, e ao presidente da Câmara dos Deputados, no caso em que teria dito que não haveria eleição em 2022 sem aprovação do voto impresso.

Ele também disse avaliar que não houve ditadura no Brasil durante o período da ditadura militar, que durou de 1964 a 1985. “Não, não considero que tenha havido uma ditadura”, disse Braga Netto.

“Houve um regime forte, com excesso dos dois lados, mas isso tem que ser analisado na época da história, de Guerra Fria e tudo mais. Não trazer uma coisa do passado para os dias de hoje. Se houvesse ditadura, talvez muitas pessoas não estariam aqui. Execuções, ditadura, como disse um dos deputados, são em outros países”, disse o ministro.

Além disso, a avaliação negativa do governo do presidente Jair Bolsonaro manteve-se em trajetória de alta e chegou a 54%, de acordo com pesquisa do instituto Ipespe para a XP Investimentos divulgada na terça-feira. A pesquisa apontou ainda que 58% dos entrevistados são contra o voto impresso, que é firmemente defendido pelo presidente apesar de ter sido rejeitado recentemente na Câmara.

Essa é a sexta pesquisa seguida XP/Ipespe que mostra elevação na avaliação negativa do governo, ainda que dentro da margem. Aqueles que consideram o governo bom ou ótimo são 23%, ante 25% na pesquisa anterior, ao passo que os que consideram a gestão regular são 20%, contra 21%.

Além disso, a desaprovação à maneira que Bolsonaro administra o país manteve-se em 63%, mesmo patamar da pesquisa anterior, ao passo que os que a aprovam são 29%, ante 31% na pesquisa anterior.

A pesquisa também indicou continuidade da dianteira nas pesquisas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial do ano que vem. Em uma das simulações, o petista aparece com 40%, Bolsonaro (sem partido) fica com 24%, Ciro Gomes (PDT) tem 10%, o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (sem partido) soma 9%, enquanto o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), têm 4% cada.

Reforma do Imposto de Renda e Bolsa Família

Na terça, a Câmara dos Deputados decidiu adiar mais uma vez a votação do projeto que altera a cobrança do Imposto de Renda, que ainda enfrenta resistências dentro e fora do Congresso.

Deputados demonstraram desconforto em aprovar a proposta como está, principalmente trecho que trata da taxação de dividendos em 20%. Parlamentares defendem um escalonamento, mas a demanda estaria enfrentando pouca abertura para negociação por parte do Ministério da Economia. Ao mesmo tempo, governos estaduais e municipais apontaram que o texto implica em perdas de arrecadação, o que comprometeria a prestação de serviços locais.

As capitais fizeram coro e calcularam uma perda de R$ 1,5 bilhão com a reforma. A Confederação Nacional de Municípios divulgou nota a favor do projeto de lei, mas destacando que o apoio vinha após o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ter se comprometido a pautar na Casa proposta para aumentar o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) para compensar a perda sofrida com a redução do IR na reforma.

Segundo uma fonte do time do ministro da Economia Paulo Guedes ouvida pela agência internacional de notícias Reuters, há divergências dentro da própria pasta a respeito da qualidade do texto final e da viabilidade de a matéria avançar nesse momento em meio à saraivada de críticas recebidas tanto de entidades setoriais quanto dos entes regionais.

Na semana passada, a equipe econômica teria recebido um banho de água fria com o adiamento da votação do parecer do relator, deputado Celso Sabino (PSDB-PA).

Isso porque o governo conta com a tributação sobre dividendos um dos nortes da reforma como fonte de receita para o Auxílio Brasil, o reformulado e mais robusto Bolsa Família.

Agora, a perspectiva é de enviar o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2022 sem incorporar quaisquer ganhos com a reforma do IR, disse uma segunda fonte da equipe.

Para isso acontecer, o texto teria que ser aprovado tanto na Câmara quanto no Senado até o fim deste mês, prazo para o envio do PLOA ao Congresso.

Mas as perspectivas têm ficado menos animadoras e mais ameaçadas pelos benefícios negociados nos bastidores para que a tramitação da reforma prospere, afirma a Reuters.

Segundo uma fonte consultada pela agência, um dos pontos de inflexão refere-se à taxação de dividendos.

A demanda é por um escalonamento, mas a equipe econômica estaria “irredutível” neste ponto, mantendo a visão de que os dividendos devem ser taxados em 20%.

Na terça, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou em live do Bradesco que a percepção do mercado vem sendo de que tanto a reforma do Imposto de Renda quanto a PEC dos Precatórios foram propostas para financiar um programa de transferência de renda mais robusto. Assim, o governo precisa passar uma mensagem mais forte sobre disciplina fiscal, afirmou.

“Esse ruído recente em torno de o que vai ser o Bolsa Família acho que na verdade está gerando muito barulho para os dados (fiscais) e reconheço que isso é um fato e que o governo precisa passar uma mensagem forte sobre isso”, disse.
Por outro lado, Campos Neto disse ser preciso pontuar que o cenário fiscal brasileiro hoje é melhor do que o que havia sido esperado no meio da crise de Covid-19.

De acordo com o presidente do BC, os números mostram que o déficit primário neste ano ficará por volta de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e que para 2022, ano de eleições, “não será muito maior que zero”.

Campos Neto disse ter sido informado em conversa recente com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que o déficit para o próximo ano ficará por volta de 0,3% a 0,4% do PIB.

“Mas não é isso que o mercado está precificando”, afirmou ele. “Isso tem a ver com o fato de que muito dos novos projetos o mercado teve a percepção que foram lançados de uma forma muito ligada à vontade do governo de ter um programa Bolsa Família melhor”, completou.

Radar corporativo

A Alliar (AALR3) comunicou na terça-feira que a Rede D’Or (RDOR3) comprou no dia anterior 2.538.600 ações ordinárias (ONs) da empresa, no total de R$ 28,566 milhões, segundo notificação enviada pela rede de hospitais. A Rede D’Or anunciou na segunda que seu conselho de administração aprovou uma oferta pública de aquisição (OPA) para adquirir ações da Alliar por até R$ 1,36 bilhão.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
COGN3 4.51613 3.24
BRKM5 4.20952 54.71
EMBR3 3.68943 18.83
PRIO3 3.16418 17.28
CVCB3 3.08678 17.7

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
UGPA3 -4.96894 15.3
USIM5 -4.73435 18.11
KLBN11 -3.85073 24.22
BRAP4 -3.80583 66.98
SBSP3 -3.5312 31.69

A Locaweb (LWSA3) comunicou ao mercado ter aprovado o programa de recompra de ações, que terá o objetivo de adquirir até 3 milhões de ações, com programa tendo prazo previsto de dois anos.

O Conselho de Administração da JHSF (JHSF3) aprovou o cancelamento do saldo das ações mantidas em tesouraria e um novo programa de recompra de ações de sua própria emissão. Foi cancelado o montante total de 2,800 milhões de ações ordinárias de emissão da Companhia, sem redução do valor do capital Social.

A Desktop (DESK3), por sua vez, assinou um contrato para a aquisição da totalidade do capital da Net Barretos por R$ 51,5 milhões.

Já a Cielo (CIEL3) negou em comunicado as informações do jornal Valor de que o Bradesco (BBDC4) e o Banco do Brasil (BBAS3) estariam avaliando fechar o capital da companhia.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Federal Reserve prepara para reduzir programa de estímulos ainda este ano, diz ata do Fomc

SÃO PAULO – Integrantes do Federal Reserve (como é conhecido o Banco Central dos Estados Unidos) discutiram em sua reunião de julho o início da redução do ritmo de suas compras mensais de títulos, indicando que isso deve ocorrer até o fim deste ano. Os dados são da ata da reunião divulgada nesta quarta-feira (18).

No entanto, o documento que trata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) indicou que os integrantes queriam deixar claro que a redução não era um precursor para um aumento iminente das taxas de juros.

“Olhando para o futuro, a maioria dos participantes observou que, desde que a economia evolua amplamente como eles anteciparam, eles julgaram que pode ser apropriado começar a reduzir o ritmo de compras de ativos neste ano”, diz a ata, acrescentando que a economia havia alcançado sua meta para a inflação e estava “perto de ficar satisfeita” com a evolução do crescimento do emprego.

Apesar disso, a ata mostra que alguns integrantes do grupo ponderaram o risco da inflação ultrapassar a meta de 2% por mais tempo que o previsto.

O documento afirma também que, “alguns” membros do Fed disseram preferir esperar até o começo de 2022 para iniciar o processo de redução de estímulos econômicos.

Os membros do comitê enfatizaram ainda a necessidade de “reafirmar a ausência de qualquer ligação mecânica entre o momento da redução gradual e o de um eventual aumento na taxa de juros”.

A ata do Fomc ainda mostra os integrantes do Fed reforçando que primeiro irá ocorrer a redução do programa de compras de título, com um aumento dos juros sendo improvável antes desse processo ser concluído e o BC americano não estar mais aumentando seu balanço patrimonial.

Segundo a Reuters, analistas esperam que o Fed anuncie seu plano para uma redução gradual das compras de títulos já na reunião de 21 e 22 de setembro do Fomc, mas têm menos certeza sobre a rapidez, na prática, da redução das compras mensais.

O chair do Fed, Jerome Powell, também pode fornecer informações em comentários à conferência anual do Fed em Jackson Hole, Wyoming, já na próxima semana.

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O Fed, em sua última reunião, reconheceu que houve progresso na recuperação dos postos de trabalho perdidos durante a pandemia.

Em dezembro, o banco central havia dito que não reduziria as compras até que houvesse “mais avanço substancial” na recuperação do emprego. Naquele ponto, a economia estava com cerca de 10 milhões de vagas abaixo do nível de antes da pandemia.

Os empregadores criaram 4,3 milhões de vagas desde então, incluindo um total de quase 1,9 milhão em junho e julho, ritmo que analistas esperam que continuem por enquanto.

A medida preferida de preços do Fed, o índice PCE excluindo alimentos e energia, subiu a uma taxa anual de 3,5% em junho, ritmo mais forte em quase 30 anos. O dado de julho será divulgado na próxima semana.

(Com Reuters)

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Ibovespa cai antes de ata do Fomc e com adiamento da reforma do IR no radar; dólar opera entre perdas e ganhos

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira (18), seguindo a cautela nos mercados internacionais antes da divulgação à tarde da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Por aqui, a Bolsa reage ao novo adiamento da votação da reforma no Imposto de Renda.

Vale lembrar que hoje é dia de vencimento de opções sobre o índice, algo que deve movimentar a disputa entre comprados e vendidos na B3.

Sobre a ata do Fomc, é possível que a autoridade monetária dos Estados Unidos traga mais sinalizações sobre quando começará a reduzir estímulos. Será a última grande comunicação do banco central dos EUA antes do simpósio de Jackson Hole, que ocorre entre os dias 26 e 28 de agosto.

No noticiário doméstico, ontem a Câmara dos Deputados aprovou por 390 votos a 99 e uma abstenção a retirada de pauta do projeto que modifica as regras da cobrança do Imposto de Renda. Uma das sustentações mais emblemáticas da sessão plenária foi a do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que disse haver “um dilema entre a previsão de dividendos e a perda de arrecadação dos estados e municípios”.

De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, os entes querem mais R$ 18 bilhões para a aprovação da medida, o que faz com que integrantes do Ministério da Economia digam que o projeto já “não se paga”.

Às 10h15 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 0,46%, a 117.363 pontos. Ontem, o benchmark apagou os ganhos no ano.

Enquanto isso, o dólar comercial tem leve variação positiva 0,08% a R$ 5,273 na compra e a R$ 5,274 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra queda de 0,36% a R$ 5,286.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai um ponto-base a 6,68%, DI para janeiro de 2023 tem alta de dois pontos-base a 8,44%, DI para janeiro de 2025 avança dois pontos-base a 9,66% e DI para janeiro de 2027 opera estável a 10,09%.

A variante delta do coronavírus também segue fazendo preço nas bolsas mundiais. Em entrevista à rede de notícias CNBC, o chefe de estratégia de investimento do Leuthold Group, Jim Paulsen, ressaltou que os novos casos de Covid continuam a aumentar, o que traz dúvidas sobre a reabertura econômica. Os dados de consumo recuaram recentemente, indicadores de inflação continuam altos, e o Federal Reserve vem sinalizando redução de estímulos.

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Além disso, o mercado acionário já não vem reagindo a resultados positivos das empresas, e há sinais de que as bolsas caminham para uma correção, avaliou Paulsen.

Já na Ásia, em reunião de terça-feira, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e prevenir riscos financeiros, de acordo com a mídia estatal Xinhua.

No radar econômico da Europa, foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) relativo ao Reino Unido em julho, que se manteve na comparação mensal, abaixo da expectativa de alta de 0,3% e do patamar anterior, de alta de 0,5%. A variação anual marcou 2%, abaixo da expectativa de alta de 2,3% e do patamar anterior, de 2,5%.

A inflação ao consumidor relativa a julho na Zona do Euro marcou avanço de 2,2% na comparação anual, em linha com a expectativa de analistas, e acima do patamar anterior, de 1,9%. Na comparação mensal, recuou 0,1%, também em linha com a expectativa, e abaixo do patamar anterior, de alta de 0,3%.

No mercado de commodities, o contrato futuro do minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian registra queda de mais de 3%. O minério ampliou as perdas com um alerta da BHP (BHPG34), que vê probabilidade crescente de “cortes severos” da produção de aço da China este ano.

Covid, CPI, instabilidade entre poderes e eleições

Na terça (17), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 833, queda de 10% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.137 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.117, o que representa queda de 11% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 38.218 casos.

Chegou a 117.699.389 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 55,58% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 51.577.522 pessoas, ou 24,36% da população.

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Na terça falou à CPI da Covid Alexandre Silva Marques, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) responsável pelo falso relatório divulgado pelo governo Bolsonaro, que questionava a contabilização de mortes por Covid feita pelos estados.

Marques alegou que compartilhou apenas um relatório “preliminar” com seu pai, o coronel Ricardo Marques, que o teria encaminhado ao presidente de forma indevida.

Ao viralizar por meio de redes bolsonaristas, o relatório falso levava o nome do TCU e destaques. Os senadores afirmaram que Bolsonaro teria compartilhado o crime de falsificação, já que não se tratava de um documento oficial do tribunal.
Nesta quarta, a CPI ouve Túlio Silveira, advogado da Precisa Medicamentos, empresa responsável por intermediar a negociação entre o governo brasileiro e a indiana Bharat Biotech pela compra da vacina Covaxin.

Além disso, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a proposta de PEC que estabelece a retomada das coligações nas eleições proporcionais de deputados, com 347 votos a favor e 135 contra. As coligações permitem a partidos se unirem em um único bloco para disputar eleições proporcionais. O fim das coligações havia sido aprovado por emenda constitucional de 2017, visando reduzir o número de partidos pequenos no Brasil.

Agora, a proposta segue para o Senado, cujo presidente, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já se manifestou contrariamente. Na terça, Pacheco também afirmou que “Precipitarmos uma discussão de impeachment, seja do Supremo, seja do presidente da República, qualquer tipo de ruptura, não é algo recomendável para um Brasil que espera uma retomada do crescimento, uma pacificação geral, uma pauta de desenvolvimento econômico, de combate à miséria e à pobreza”.

Há mais de uma centena de pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Congresso. Bolsonaro afirmou no final de semana que pretende apresentar um pedido de impeachment Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal (STF). Barroso acumula o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em entrevista à rádio Jovem Pan na segunda, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general da reserva Augusto Heleno, disse que o Judiciário vem aumentando as tensões e que pode haver uma intervenção das Forças Armadas no país “num caso muito grave”.

Heleno citou o Artigo 142 da Constituição, que estabelece o papel das Forças Armadas e que tem sido frequentemente interpretado pelo presidente Jair Bolsonaro e por seus aliados no sentido de dar às Forças Armadas um “poder moderador” em momentos de crise entre os Poderes da República –Judiciário, Legislativo e Executivo.

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Na terça, o ministro da Defesa, general da reserva Walter Braga Netto afirmou que não existe nenhuma articulação das Forças Armadas fora dos limites da Constituição.

Ele negou que tenha feito ameaças ao Senado, no episódio em que divulgou nota em reação à supostas irregularidades cometidas por militares em cargos no governo, e ao presidente da Câmara dos Deputados, no caso em que teria dito que não haveria eleição em 2022 sem aprovação do voto impresso.

Ele também disse avaliar que não houve ditadura no Brasil durante o período da ditadura militar, que durou de 1964 a 1985. “Não, não considero que tenha havido uma ditadura”, disse Braga Netto.

“Houve um regime forte, com excesso dos dois lados, mas isso tem que ser analisado na época da história, de Guerra Fria e tudo mais. Não trazer uma coisa do passado para os dias de hoje. Se houvesse ditadura, talvez muitas pessoas não estariam aqui. Execuções, ditadura, como disse um dos deputados, são em outros países”, disse o ministro.

Além disso, a avaliação negativa do governo do presidente Jair Bolsonaro manteve-se em trajetória de alta e chegou a 54%, de acordo com pesquisa do instituto Ipespe para a XP Investimentos divulgada na terça-feira. A pesquisa apontou ainda que 58% dos entrevistados são contra o voto impresso, que é firmemente defendido pelo presidente apesar de ter sido rejeitado recentemente na Câmara.

Essa é a sexta pesquisa seguida XP/Ipespe que mostra elevação na avaliação negativa do governo, ainda que dentro da margem. Aqueles que consideram o governo bom ou ótimo são 23%, ante 25% na pesquisa anterior, ao passo que os que consideram a gestão regular são 20%, contra 21%.

Além disso, a desaprovação à maneira que Bolsonaro administra o país manteve-se em 63%, mesmo patamar da pesquisa anterior, ao passo que os que a aprovam são 29%, ante 31% na pesquisa anterior.

A pesquisa também indicou continuidade da dianteira nas pesquisas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial do ano que vem. Em uma das simulações, o petista aparece com 40%, Bolsonaro (sem partido) fica com 24%, Ciro Gomes (PDT) tem 10%, o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (sem partido) soma 9%, enquanto o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), têm 4% cada.

Reforma do Imposto de Renda e Bolsa Família

Na terça, a Câmara dos Deputados decidiu adiar mais uma vez a votação do projeto que altera a cobrança do Imposto de Renda, que ainda enfrenta resistências dentro e fora do Congresso.

Deputados demonstraram desconforto em aprovar a proposta como está, principalmente trecho que trata da taxação de dividendos em 20%. Parlamentares defendem um escalonamento, mas a demanda estaria enfrentando pouca abertura para negociação por parte do Ministério da Economia. Ao mesmo tempo, governos estaduais e municipais apontaram que o texto implica em perdas de arrecadação, o que comprometeria a prestação de serviços locais.

As capitais fizeram coro e calcularam uma perda de R$ 1,5 bilhão com a reforma. A Confederação Nacional de Municípios divulgou nota a favor do projeto de lei, mas destacando que o apoio vinha após o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ter se comprometido a pautar na Casa proposta para aumentar o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) para compensar a perda sofrida com a redução do IR na reforma.

Segundo uma fonte do time do ministro da Economia Paulo Guedes ouvida pela agência internacional de notícias Reuters, há divergências dentro da própria pasta a respeito da qualidade do texto final e da viabilidade de a matéria avançar nesse momento em meio à saraivada de críticas recebidas tanto de entidades setoriais quanto dos entes regionais.

Na semana passada, a equipe econômica teria recebido um banho de água fria com o adiamento da votação do parecer do relator, deputado Celso Sabino (PSDB-PA).

Isso porque o governo conta com a tributação sobre dividendos um dos nortes da reforma como fonte de receita para o Auxílio Brasil, o reformulado e mais robusto Bolsa Família.

Agora, a perspectiva é de enviar o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2022 sem incorporar quaisquer ganhos com a reforma do IR, disse uma segunda fonte da equipe.

Para isso acontecer, o texto teria que ser aprovado tanto na Câmara quanto no Senado até o fim deste mês, prazo para o envio do PLOA ao Congresso.

Mas as perspectivas têm ficado menos animadoras e mais ameaçadas pelos benefícios negociados nos bastidores para que a tramitação da reforma prospere, afirma a Reuters.

Segundo uma fonte consultada pela agência, um dos pontos de inflexão refere-se à taxação de dividendos.

A demanda é por um escalonamento, mas a equipe econômica estaria “irredutível” neste ponto, mantendo a visão de que os dividendos devem ser taxados em 20%.

Na terça, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou em live do Bradesco que a percepção do mercado vem sendo de que tanto a reforma do Imposto de Renda quanto a PEC dos Precatórios foram propostas para financiar um programa de transferência de renda mais robusto. Assim, o governo precisa passar uma mensagem mais forte sobre disciplina fiscal, afirmou.

“Esse ruído recente em torno de o que vai ser o Bolsa Família acho que na verdade está gerando muito barulho para os dados (fiscais) e reconheço que isso é um fato e que o governo precisa passar uma mensagem forte sobre isso”, disse.
Por outro lado, Campos Neto disse ser preciso pontuar que o cenário fiscal brasileiro hoje é melhor do que o que havia sido esperado no meio da crise de Covid-19.

De acordo com o presidente do BC, os números mostram que o déficit primário neste ano ficará por volta de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e que para 2022, ano de eleições, “não será muito maior que zero”.

Campos Neto disse ter sido informado em conversa recente com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que o déficit para o próximo ano ficará por volta de 0,3% a 0,4% do PIB.

“Mas não é isso que o mercado está precificando”, afirmou ele. “Isso tem a ver com o fato de que muito dos novos projetos o mercado teve a percepção que foram lançados de uma forma muito ligada à vontade do governo de ter um programa Bolsa Família melhor”, completou.

Radar corporativo

Na terça, o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior afirmou que uma revisão dos valores de reparação a serem pagos pela Samarco e suas sócias pelo rompimento de barragem em Mariana (MG), que deixou 19 mortos e poluiu o rio Doce até o litoral, poderá ocorrer apenas em fevereiro de 2022, depois que as ações reparatórias previstas forem completamente revisadas. A Samarco é uma joint venture entre a Vale (VALE3) e a BHP Billiton.

O valor de referência para as renegociações é o que consta em ação movida anteriormente pelo Ministério Público de R$ 155 bilhões, reiterou a autoridade, ao participar de uma coletiva de imprensa transmitida pela internet sobre as negociações com as mineradoras.

A Alliar (AALR3) comunicou na terça-feira que a Rede D’Or (RDOR3) comprou no dia anterior 2.538.600 ações ordinárias (ONs) da empresa, no total de R$ 28,566 milhões, segundo notificação enviada pela rede de hospitais. A Rede D’Or anunciou na segunda que seu conselho de administração aprovou uma oferta pública de aquisição (OPA) para adquirir ações da Alliar por até R$ 1,36 bilhão.

A Locaweb (LWSA3) comunicou ao mercado ter aprovado o programa de recompra de ações, que terá o objetivo de adquirir até 3 milhões de ações, com programa tendo prazo previsto de dois anos.

O Conselho de Administração da JHSF (JHSF3) aprovou o cancelamento do saldo das ações mantidas em tesouraria e um novo programa de recompra de ações de sua própria emissão. Foi cancelado o montante total de 2,800 milhões de ações ordinárias de emissão da Companhia, sem redução do valor do capital Social.

A Desktop (DESK3), por sua vez, assinou um contrato para a aquisição da totalidade do capital da Net Barretos por R$ 51,5 milhões.

Já a Cielo (CIEL3) negou em comunicado as informações do jornal Valor de que o Bradesco (BBDC4) e o Banco do Brasil (BBAS3) estariam avaliando fechar o capital da companhia.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Fed mantém juros nos EUA, com diretores ressaltando progresso da economia e inflação transitória

SÃO PAULO – O Federal Reserve manteve nesta quarta-feira (28) a taxa básica de juros dos Estados Unidos próxima de zero e disse que a economia continua a progredir, apesar das preocupações com a pandemia do coronavírus.

“Os setores mais afetados pela pandemia mostraram melhorias, mas não se recuperaram totalmente”, disse o comunicado pós-reunião. “A inflação subiu, refletindo em grande parte fatores transitórios. As condições financeiras gerais permanecem acomodatícias, em parte refletindo medidas de política para apoiar a economia e o fluxo de crédito para famílias e empresas dos EUA”.

O comunicado reconheceu ainda que a economia americana fez “progresso” em direção às metas do Fed, embora o banco central do país continue as mensais de títulos sem sinalizar qualquer mudança no programa de estímulos.

O Fed compra hoje pelo menos US$ 120 bilhões por mês em títulos, sendo US$ 80 bilhões para o Tesouro e outros US$ 40 bilhões em títulos lastreados em hipotecas.

Há temores no mercado de que as compras em hipotecas poderiam criar outra bolha imobiliária, levando alguns integrantes do Fed a dizerem que estão dispostos a pensar em reduzir as compras desses títulos.

Apesar disso, o presidente da instituição, Jerome Powell, já disse várias vezes que as compras de hipotecas estão tendo apenas um efeito mínimo na habitação. O dirigente fala em coletiva ainda nesta tarde.

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Decisão do Fomc, dados de Caged e Pnad, resultados e IPOs: o que acompanhar nesta semana

SÃO PAULO – Descolado do exterior, o Ibovespa voltou a ter uma semana negativa, conforme aumentam as preocupações sobre a variante delta do coronavírus, enquanto se elevam também as tensões políticas no país e com um noticiário corporativo mais pesado.

E para os próximos dias, as atenções se voltam para a temporada de resultados do segundo trimestre, que ganha força e com várias gigantes da Bolsa apresentando seus números, como a mineradora Vale (VALE3), que na semana passada desapontou com seu relatório de produção.

Outras companhias como Gol (GOLL4), TIM (TIMS3), Santander Brasil (SANB11), CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Pão de Açúcar (PCAR3) também anunciarão seus balanços do período entre abril e junho deste ano.

Ainda no campo corporativo, destaque para uma nova leva de estreias previstas na B3: AgroGalaxy e Livetech da Bahia na segunda; Unifique na terça; Armac e Traders Club na quarta; Brisanet na quinta; e Clearsale na sexta.

Entre os indicadores, esta semana contará com muitas divulgações no âmbito nacional, entre dados de atividade econômica, mercado de trabalho e inflação.

A equipe de analistas do Bradesco destaca as sondagens da FGV, que segundo eles “deverão corroborar a percepção de atividade econômica robusta em julho”, enquanto no lado inflacionário, o Índice Geral de Preços – Mercados (IGP-M) deve “apresentar alguma descompressão, mas ainda deve se manter em patamar bastante elevado”.

Além disso, atenção ainda para a divulgação dos dados de emprego do Caged, que não tem data oficial ainda mas é previsto para essa semana, além da taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua, que será divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (30).

“Todos esses indicadores serão relevantes para a próxima decisão de política monetária, que ocorrerá na primeira semana de agosto”, avaliam os analistas sobre a importância do investidor ficar atento aos dados.

Já no exterior, o grande destaque fica para a reunião do Fomc na quarta-feira, que não deve trazer surpresas ao manter as taxas de juros nos Estados Unidos próximas de zero. Com isso, as atenções se mantêm voltadas para o comunicado, que pode trazer mais detalhes sobre quando o BC americano pretende iniciar a retirada de estímulos no país.

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Por fim, alguns dados serão apresentados na China, com destaques para o Índice de Gerentes de Compras (PMI) oficial do governo, que segundo o Brasdeco deve apontar um início de terceiro trimestre com expansão.

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Ibovespa fecha em alta de 1,5% após bolsa dos EUA renovar máximas com ata do Fomc; dólar avança a R$ 5,24

gráfico de ações e índices em cuva de alta (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (7) ganhando impulso dos índices americanos em mais um dia de recorde histórico do S&P 500, que subiu 0,34% a 4.358 pontos. O Nasdaq ficou praticamente estável, mas também bateu máximas.

Esse bom humor no mercado internacional foi consequência da divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. O documento mostrou que os membros do Fed não estão com pressa para para começar a reduzir as compras de ativos, embora já estejam pensando no momento mais adequado para fazer isso.

De acordo com o texto, o tão esperado padrão de “melhora substantiva” na economia americana não foi atingido na visão dos participantes do Fomc.

Fora isso, alguns dos membros do Fed enxergaram os dados divulgados nas últimas semanas como menos claros em sinalizar o momentum da economia. Entre os dirigentes, há expectativa de que a autoridade monetária dos EUA terá mais informações nos próximos meses para fazerem uma melhor avaliação do caminho do mercado de trabalho e da inflação.

No entanto, vários membros mencionaram que esperam que as condições para começar a reduzir o ritmo de compras de ativos (atualmente em US$ 120 bilhões por mês) serão atendidas um pouco antes do que tinham antecipado em reuniões anteriores. Essa opinião já havia sido exteriorizada no comunicado da reunião passada, portanto não foi vista como uma novidade hawkish (favorável a apertar a política monetária para conter a inflação).

Mais cedo, a Bolsa já subia conforme os investidores aproveitaram a desvalorização de 2% em dois pregões para comprar ações com desconto.

O Ibovespa teve alta de 1,54%, a 127.018 pontos com volume financeiro negociado de R$ 28,857 bilhões. Na máxima, o índice chegou a bater 127.248 pontos.

Já o dólar comercial chegou a zerar ganhos minutos depois da divulgação da ata do Fomc, mas voltou a subir perto do fim do pregão, embora tenha ficado bem longe da máxima intradiária, atingida nos R$ 5,28. O dólar fechou em alta de 0,6% a R$ 5,239 na compra e R$ 5,24 na venda. O dólar futuro para agosto avança 0,77% a R$ 5,251 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu dois pontos-base a 5,75%, o DI para janeiro de 2023 teve baixa de cinco pontos-base a 7,21%, o DI para janeiro de 2025 recuou nove pontos-base a 8,24% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de oito pontos-base a 8,67%.

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Ontem, um movimento de correção associado a dados fracos do setor de serviço nos EUA no mercado internacional e o clima político mais conturbado por aqui fizeram com que o Ibovespa tivesse forte baixa e o dólar ultrapasse os R$ 5,20 (veja mais clicando aqui).

Já nesta data, as bolsas americanas atingiram recordes porque além das informações trazidas pela ata do Fomc houve queda nos rendimentos dos Treasuries, algo que sustenta as ações de empresas de tecnologia. A sessão foi novamente de baixa para os yields dos títulos americanos, com os rendimentos de dez anos em uma nova mínima em quatro meses e meio.

Segundo Markus Allenspach, estrategista de renda fixa da Julius Baer, o impasse sobre teto da dívida nos EUA pode resultar em maior volatilidade nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. “O declínio dos yields dos treasuries ocorre em um momento em que o mercado debate a próxima escassez de títulos do Tesouro. Isso pode soar bizarro, dado o enorme déficit orçamentário que o governo Biden almeja. O problema é que a suspensão do teto legal da dívida termina em 31 de julho de 2021″, escreve.

Allenspach explica que, em tese, o Tesouro dos EUA deveria reduzir sua liquidez para o nível de quando a suspensão foi implementada pela primeira vez, ou seja, para US$ 133 bilhões, bem abaixo do patamar de US$ 746 bilhões no final do mês passado.

“Mesmo para o governo dos Estados Unidos, não é fácil gastar US$ 613 bilhões extras em um mês. Isso significa que o Tesouro terá que reduzir o montante da dívida pendente já antes do prazo final de julho. E se o teto da dívida não for suspenso ou levantado, ela não poderá emitir mais dívidas a partir de então.”

A suspensão do teto da dívida depende de um acordo bipartidário ou de uma maioria simples no Senado para ser aprovada, mas a ala voltada a pautas de sustentabilidade no Partido Democrata vincula seu apoio a mais gastos para a transição energética, proteção ambiental e moradias populares, algo que pode tirar o apoio dos republicanos ao acordo bipartidário para o pacote de investimento em infraestrutura tradicional.

Também no radar, estão as preocupações sobre um possível desaceleração no crescimento econômico americano.

Cabe destacar que, mais cedo nesta sessão, o Ibovespa chegou a amenizar os ganhos após a divulgação pelo Departamento do Trabalho dos EUA do relatório “Job Openings and Labor Turnover Survey” (JOLTS), apontando que o número de vagas de trabalho em aberto na economia dos EUA ficou praticamente estável em 9,2 milhões no último dia útil de maio.

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Já na véspera, o indicador do ISM para o setor de serviços dos EUA, que responde por cerca de dois terços da atividade econômica do país, mostrou crescimento moderado em junho e abaixo do ritmo recorde de maio. Os dados vieram na esteira de um relatório de emprego divulgado na sexta-feira, que foi analisado como um indicativo de melhora no mercado de trabalho, mas ainda não suficiente para sinalizar uma economia que pode estar sujeita a um superaquecimento.

Por outro lado, cabe destacar que o dado caiu para 60,1 pontos em junho, de 64,0 pontos em maio, número acima de 50, que indica expansão da atividade, enquanto números menores sugerem contração. Analistas, contudo, previam baixa menor, para 63,3 pontos.

Além das indicações de desaceleração da atividade contribuindo para a aversão a risco no mercado brasileiro na véspera, a turbulência política também segue no radar, com mais eventos potenciais a serem acompanhados. A CPI da Covid ouve nesta data o ex-diretor do departamento de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, exonerado na semana passada depois de acusações de ter pedido propina de US$ 1 por dose em negociações sobre a compra da vacina AstraZeneca pelo governo.

Ferreira Dias negou que tenha pedido propina ao ex-cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Dominguetti em troca da assinatura de um contrato para compra de vacinas da AstraZeneca e que tenha pressionado um servidor da pasta a favor da vacina Covaxin.

Além disso, o dia foi marcado pela participação de Paulo Guedes, ministro da Economia, de reunião da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. O ministro afirmou que o Brasil vai crescer este ano de 5% a 5,5%, exaltando a recuperação da economia brasileira em meio à pandemia de coronavírus. As projeções econômicas para o PIB de 2021 apontados por Guedes nesta quarta foram maiores do que projeções recentes feitos pelo Ministério da Economia ou pelo próprio ministro.

Já durante a tarde, Guedes teve audiência pública na Comissão Especial da Reforma Administrativa, ambos na Câmara dos Deputados. Lá, o ministro disse que o patamar atual do câmbio favorece o turismo brasileiro, pois as famílias ricas estão trocando viagens ao exterior para visitas a destinos dentro do país.

“O turismo pelo Brasil está subindo fortemente. Todo mundo que tem pousada, gente simples do interior da Bahia, na costa de Pernambuco, todo mundo está se beneficiando do turismo local.”

Hoje, os investidores também acompanharam os indicadores econômicos domésticos. As vendas do comércio varejista subiram 1,4% em maio de 2021 ante abril, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Com isso, o resultado de maio é o segundo crescimento consecutivo do varejo, que se encontra 3,9% acima do patamar pré-pandemia. O setor acumula ganho de 6,8% no ano e de 5,4% nos últimos 12 meses. Na comparação com maio do ano passado, o volume de vendas no varejo cresceu 16%.

Todavia, o número ficou abaixo do esperado. A expectativa, segundo projeções da Refinitiv, era de alta de 2,4% na comparação com abril e de 16,5% frente o mesmo período de 2020.

Já a a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou o IGP-DI de junho, que desacelerou a alta para 0,11% em junho, depois de subir 3,40% em maio, uma vez que commodities importantes aliviaram a inflação no atacado.

No mercado de commodities, a sessão foi de queda para o petróleo, que abriu em alta, mas enfrentou forte volatilidade devido ao adiamento indefinido das conversas entre membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e seus aliados (grupo conhecido como Opep+), após os países não serem capazes de atingir um consenso sobre qual será sua política de produção a partir de agosto.

Na China, a referência do minério de ferro para entrega em setembro negociada na Bolsa de Dalian recuperou-se de perdas registradas na parte matutina da sessão e fechou em alta de 1%, a 1.244 iuanes por tonelada.

Covid e CPI

Na terça (6), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.557, queda de 19% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.787 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 48.954, queda de 37% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 62.730 casos.

Chegou a 78.474.659 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 37,06% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 27.795.289 pessoas, ou 13,13% da população.

Na terça, a CPI da Covid ouviu o depoimento da servidora do Ministério da Saúde Regina Célia Oliveira, fiscal do contrato para a compra da vacina indiana Covaxin, da Bharat Biotech, comercializada no Brasil com intermédio da Precisa Medicamentos.

Ela confirmou que só foi nomeada para fiscalizar o contrato para a compra da vacina indiana Covaxin no dia 22 de março, quase um mês depois da assinatura do acordo, dia 25 de fevereiro, que está sob suspeita de irregularidades.

“Eu gostaria de explicar, porque a portaria de nomeação que me indicou como fiscal desse contrato só foi publicada no dia 22. Eu não poderia me manifestar antes disso”, disse. Ainda assim, a servidora afirmou não ter visto nada de “atípico” na documentação referente ao processo de importação da vacina indiana.

Além disso, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) apontou à CPI indícios de manipulação de documento utilizado pelo governo federal para tentar desacreditar as denúncias de possíveis irregularidades no processo de importação da vacina indiana.

O documento havia sido apresentado pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e atual assessor especial do Palácio do Planalto, coronel da reserva Elcio Franco, ao lado do ministro da Secretaria de Governo, Onyx Lorenzoni, para rebater as denúncias de irregularidades relatadas à CPI pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda.

À CPI, os irmãos Miranda apresentaram versões de invoices apresentadas ao longo da negociação para a compra das vacinas. Uma dessas versões foi apontada pelo ministro Onyx Lorenzoni e pelo assessor especial Elcio Franco como falsa, ocasião em que mostraram o que seria a versão verdadeira agora denunciada por Tebet.

Tebet apontou o que considerou indicações de “clara comprovação de falsidade”. “Nós estamos falando de falsidade ideológica formulada por alguém. Ele tem a marca e o logotipo desenquadrados, não estão alinhados em alguns pontos, como se fosse uma montagem. Eu tenho inúmeros erros de inglês, e, talvez, o mais desmoralizante dele seja o (erro) 17: no lugar de preço, ‘price’, está ‘prince’”, descreveu.

Após a intervenção de Tebet, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) pediu a realização de perícia técnica nas invoices que tratam da Covaxin.

Em seu depoimento à CPI, os irmãos Miranda afirmaram que informaram o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre suas suspeitas de irregularidade, e que o presidente teria afirmado que acionaria a Polícia Federal, o que não ocorreu. Miranda chegou a afirmar, em entrevista, que recebeu oferta de propina para não atrapalhar o contrato da Covaxin.

Com base nas afirmações dos irmãos, os senadores pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira uma investigação de Bolsonaro, afirmando haver “grandes chances” de o mandatário ter cometido o crime de prevaricação ao não ter atuado. Bolsonaro afirma que teria determinado ao então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, apurar o caso e que este não teria encontrado qualquer irregularidade na negociação.

Os irmãos Miranda também afirmaram que, na conversa com Bolsonaro, o presidente teria atribuído o caso a Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo no Congresso. Posteriormente, em depoimento à CPI, o intermediário de vendas de vacina da empresa Davati, o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, afirmou que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose de imunizante do então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias. Barros é apontado como um dos fiadores da nomeação de Dias, o que o deputado federal nega.

Reportagem publicada na terça à noite pelo jornal Folha de S. Paulo afirma que a Receita Federal acusa Barros de ter montado uma “engenharia” com empresas para simular operações financeiras. E de não ter comprovado a origem de depósitos bancários que somam R$ 2,2 milhões entre 2013 e 2015. A cobrança contra barros, que inclui juros de mora e multa de 150% sobre o valor devido, índice cobrado em casos de sonegação, fraude ou conluio, chega a R$ 3,7 milhões.

A investigação da Receita levou à abertura de um inquérito da Polícia Federal sobre suspeita da prática de lavagem de dinheiro decorrente de corrupção. Barros nega ter cometido crimes, e diz ser “mais uma vítima do ativismo político que imperou nos órgãos de fiscalização nesse período recente”. Ele afirma que a PF teria sido “induzida a erro pela Receita, que simulou uma situação contábil fictícia”.

Nesta quarta, a CPI ouve Roberto Ferreira Dias, o ex-diretor de logística citado pelo PM Dominguetti como responsável por pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina.

Além disso, o presidente da CPI da Covid no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), disse nesta terça-feira que a comissão vai funcionar durante um eventual recesso parlamentar em julho. Os parlamentares poderão entrar em recesso na segunda quinzena do mês caso o Congresso vote a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) até o dia 17 de julho.

Indicação ao STF e reforma tributária

Segundo reportagem de capa do jornal O Estado de S. Paulo, com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello, o presidente Jair Bolsonaro anunciou na terça em reunião com sua equipe que decidiu indicar o ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), André Mendonça, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.

Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília, e conta com o apoio da maioria dos líderes evangélicos cortejados por Bolsonaro para a campanha das Eleições de 2022. Mas ele enfrenta resistência no Senado, que apreciará a indicação. Quando foi ministro da Justiça, ele se desgastou com o Congresso e com o Judiciário, após requisitar à Polícia Federal a abertura de inquéritos contra críticos e adversários de Bolsonaro com base na Lei de Segurança Nacional.

Segundo reportagem do jornal O Globo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já aceita realizar mudanças na proposta sobre a segunda etapa da reforma tributária, que altera o Imposto de Renda e foi encaminhada há duas semanas pelo governo ao Congresso.

A versão enviada ao Congresso previa a redução de cinco pontos percentuais do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) até 2023, de 25% para 20%. Agora, Guedes aceita a redução para 15% já em 2022.

Nos cálculos do governo, uma redução de 7,5 pontos exigiria um corte de R$ 20 bilhões em subsídios. Segundo O Globo, para cobrir a redução do imposto de renda e reduzir a resistência ao projeto de reforma tributária, o governo teria um custo total de R$ 80 bilhões. Parte seria coberta pelo corte de subsídio e parte por dividendos.

Assim, de acordo com o jornal, o ministro aceitou cortes de subsídios e regimes especiais que equivaleriam a R$ 40 bilhões. Estão na mira do ministério o regime especial para a indústria petroquímica e isenções para xarope de refrigerantes produzidos na Zona Franca de Manaus.

O relator da reforma do Imposto de Renda, Celso Sabino, reafirmou em entrevista ao Estadão seu desejo de manter a alíquota de 20% sobre lucros e dividendos, mas diz que a redução no IRPJ, originalmente prevista de 25% para 20%, pode ser maior. Nas suas contas, a cada 2,5 pp. de redução do IRPJ, o impacto arrecadatório é de R$ 19 bilhões. Ainda segundo ele, medidas de controle e contra a elisão fiscal podem ser enxugadas. O deputado não deu resposta objetiva sobre a restrição da declaração simplificada para quem ganha até R$ 40 mil por ano, sobre a faixa de isenção de R$ 20 mil para tributação de lucros e dividendos nem sobre o fim da dedutibilidade de Juros sobre Capital Próprio.

Por meio de nota, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia afirmou na terça que a economia brasileira apresenta “bons motivos” para expectativa de “forte crescimento” em 2021. A secretaria disse avaliar que a consolidação fiscal e as reformas pró-mercado continuam e que há muito a ser feito.

“Maior crescimento do PIB, aumento da produtividade, aumento do investimento privado, aumento do emprego e de renda dos brasileiros, taxa de juros estrutural mais baixa e inflação mais baixa são alguns dos benefícios provenientes do binômio de reformas pró-mercado e aprofundamento no processo de consolidação fiscal”, afirmou a secretaria do Ministério da Economia.

A nota destacou que a continuidade da agenda é de “suma importância” para o desenvolvimento do país e que “há muito para ser feito”, mesmo depois da aprovação recente da MP da Eletrobras e do projeto de lei que autoriza o Banco Central a receber depósitos voluntários remunerados, em consonância com outros bancos centrais.

Entre os projetos em tramitação estão a reforma tributária, a modernização do setor elétrico e a reforma administrativa (na Câmara dos Deputados) e o marco legal do mercado de câmbio, autorização de ferrovias e a mudança do regime de partilha para concessão na exploração de petróleo no pré-sal (no Senado Federal).

Radar corporativo

A Oi realizou nesta quarta-feira o leilão do controle da InfraCo, que concentra rede de fibra óptica com mais de 400 mil quilômetros de extensão. Sem surpresas, a venda de 57,9% do ativo foi realizada por um valor de R$ 12,9 bilhões. Como esperado, apenas uma proposta – a dos fundos do BTG Pactual em conjunto com a Globenet Cabos Submarinos – foi apresentada, sendo a vencedora. A Oi permanecerá como sócia minoritária, com 42,1%.

A Ambipar informou na noite da véspera que comprou integralmente a Swat Consulting Inc., por meio de sua controlada indireta Ambipar Holding USA.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
LCAM3 5.45588 28.8
RENT3 5.41786 66.35
RADL3 5.07099 25.9
RAIL3 4.70041 20.27
MGLU3 4.46132 22.01

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
PRIO3 -1.97628 19.84
CVCB3 -0.95093 26.04
PCAR3 -0.40021 37.33
BRKM5 -0.32192 58.83
BIDI11 -0.27104 77.27

Já a Petrobras informou na terça que vai promover um aumento de 7% nos preços de venda de gás natural para as distribuidoras a partir de 1º de agosto. A empresa cita a valorização do petróleo no segundo trimestre deste ano. Os reajustes da companhia são realizados trimestralmente, com variações que decorrem da aplicação de fórmulas negociadas nos contratos de fornecimento.

O Ministério Público Federal informou na terça que o procurador-geral da República, Augusto Aras, se posicionou na terça de maneira contrária à privatização de serviços postais e correio aéreo nacional da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A manifestação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada pela Associação dos Profissionais dos Correios (ADCap). Aras ratifica posição já fornecida pela PGR em que argumenta que a Constituição não permite a prestação indireta dos serviços postais e do correio aéreo nacional.

A BRF comunicou, em consonância com o comunicado ao mercado de 04 de março de 2021, que participou na rodada de investimentos (Série B) promovida pela Aleph Farms, startup israelense que desenvolve proteínas em laboratório a partir das células animais, no montante de US$ 2,5 milhões. “Em conexão com este aporte e o capital alocado por outros investidores, os recursos desta captação serão destinados à comercialização global em larga escala dos produtos feitos a partir de carne cultivada, assim como expansão do portfolio da startup”, destaca a empresa.

O Hospital Mater Dei informou na terça-feira que seu conselho de administração aprovou compra do Grupo Porto Dias, maior rede de hospitais da região Norte do país, em uma transação que envolve R$ 800 milhões, além da emissão de ações. O acordo foi acertado sobre uma participação de 70% do Grupo Porto Dias e a Mater Dei vai emitir 27,27 milhões de papéis como parte do pagamento, cerca de 7,1% do capital social total da companhia.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ata do Fomc mostra que membros veem menor clareza em dados, mas se preparam para reduzir compras de ativos

SÃO PAULO – A ata da reunião de junho do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) revelou que os membros do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, não estão com pressa para começar a reduzir as compras de ativos, embora já estejam pensando no momento mais adequado para fazer isso.

De acordo com o texto, o tão esperado padrão de “melhora substantiva” na economia americana não foi atingido na visão dos participantes do Fomc. Fora isso, alguns dos membros enxergaram os dados divulgados nas últimas semanas como menos claros em sinalizar o momentum da economia.

Entre eles, há expectativa de que a autoridade monetária dos EUA terá mais informações nos próximos meses para permitir uma melhor avaliação do caminho do mercado de trabalho e da inflação.

No entanto, vários membros mencionaram que esperam que as condições para começar a reduzir o ritmo de compras de ativos serão atendidas um pouco antes do que tinham antecipado em reuniões anteriores.

Em geral, os membros do Fomc julgaram que, “por uma questão de planejamento prudente, era importante estar bem posicionado para reduzir o ritmo de compras de ativos, se apropriado, em resposta a desenvolvimentos econômicos inesperados, incluindo um progresso mais rápido do que o previsto em direção às metas do Comitê ou o surgimento de riscos que possam impedir o cumprimento dos objetivos do Comitê ”, aponta a ata.

Como analisou a CNBC, a sensação que prevaleceu entre os membros do Fed é de que a economia ainda tem que atingir um progresso substantivo adicional antes de serem feitas quaisquer mudanças significativas na política monetária.

Além disso, os membros entendem que os mercados devem estar bem preparados para quando os estímulos forem retirados e a política monetária deixe de ser ultraestimulativa.

“Nas próximas reuniões, os participantes concordaram em continuar avaliando o progresso da economia em direção às metas do Comitê e em começar a discutir seus planos para ajustar o caminho e a composição das compras de ativos”, afirma a ata. “Além disso, os participantes reiteraram sua intenção de avisar com bastante antecedência uma decisão para reduzir o ritmo de compras.”

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Ação do Mater Dei salta 6% após compra de rede de hospitais; Vale segue em alta, enquanto petroleiras viram para queda

Mater Dei (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO – Com os mercados à espera pela divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, que deve dar novos sinais sobre o movimento de aperto monetário nos Estados Unidos, investidores monitoram na Bolsa brasileira nesta quarta-feira (7) os fortes ganhos da Mater Dei (MATD3).

O Hospital Mater Dei anunciou que seu Conselho de Administração aprovou a compra do Grupo Porto Dias, maior rede de hospitais da região Norte do país, em uma transação que envolve R$ 800 milhões, além da emissão de ações. Os papéis MATD3 apresentavam ganhos de 6,14% por volta das 10h30.

O movimento positivo também era visto no restante do índice. Companhias voltadas à reabertura econômica, como aéreas e educacionais, que recuaram na véspera, em meio ao avanço da variante delta do coronavírus no Brasil e com maiores incertezas sobre a recuperação econômica global, apresentavam altas nesta manhã. Os papéis da Gol ([GOLL4]) tinham alta de 0,7% por volta das 10h15, enquanto os da Cogna subiam perto de 0,5%.

Já a Ânima Educação (ANIM3), que abriu o pregão em alta após anunciar a aquisição de participação de 55,78% na edtech Gama Academy por R$ 33,8 milhões, operava perto da estabilidade, entre perdas e ganhos por volta das 10h15.

Nas commodities, a Petrobras (PETR3;PETR4) apresentava alta de até 1,5% em uma sessão de recuperação após a forte baixa da véspera e em um dia que apontava para ser de recuperação para o petróleo. Contudo, os papéis amenizaram os ganhos, com PETR4 em alta de cerca de 0,7% e PETR3 praticamente estável. Já as ações da PetroRio (PRIO3), após avançarem cerca de 2%, passaram a ter queda de 1%. O movimento coincidiu também com a virada do petróleo, que passou a ter leves perdas com as incertezas sobre a oferta da Opep+ predominando.

Na segunda-feira, os ministros da Opep+, que inclui a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Rússia e outros produtores, abandonaram conversas após não conseguirem serem bem-sucedidos nas negociações entre a Arábia Saudita, maior produtor da Opep, e os Emirados Árabes Unidos. Inicialmente, o petróleo obteve fortes altas nos fins das negociações, porém os preços recuaram, pois os traders se concentraram na possibilidade de alguns produtores “abrirem as torneiras” e começarem a exportar mais barris.

Já a Vale (VALE3), uma das poucas ações a subirem na véspera, segue em alta com a continuidade da variação positiva da cotação do minério.

Confira os principais destaques desta quarta-feira (7):

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A sessão desta quarta-feira marca o leilão da InfraCo da Oi, o último dos grandes ativos colocados à venda pela companhia. Apenas uma proposta – a dos fundos do BTG Pactual em conjunto com a Globenet Cabos Submarinos – teria sido apresentada.

“O leilão da InfraCo não deve ter novidade. A chance é quase zero de o BTG tirar a oferta. Se houver alguma surpresa, é mais provável que seja positiva, de aparecer um forasteiro, como uma Digital Colony, mas é uma chance muito baixa”, destacou no mês passado ao InfoMoney Luiz Guerra, CIO da Logos Capital.

A ideia inicial era leiloar 51% da InfraCo, mas a Oi aceitou a proposta revisada do BTG para vender 57,9% da InfraCo, por R$ 12,9 bilhões. Veja mais clicando aqui e aqui.

A Ambipar anunciou uma nova aquisição: a companhia informou na noite da véspera que comprou integralmente a Swat Consulting Inc., por meio de sua controlada indireta Ambipar Holding USA. A empresa faturou US$ 7,5 milhões em 2020.

A Petrobras informou na terça que vai promover um aumento de 7% nos preços de venda de gás natural para as distribuidoras a partir de 1º de agosto. A empresa cita a valorização do petróleo no segundo trimestre deste ano. Os reajustes da companhia são realizados trimestralmente, com variações que decorrem da aplicação de fórmulas negociadas nos contratos de fornecimento.

Na véspera, as ações da Petrobras fecharam em queda de mais de 3%. No radar da companhia, estão a pressão dos caminhoneiros para que empresa reveja aumentos de combustíveis anunciados na segunda-feira e a visão de que o ajuste foi insuficiente para fechar o gap ante valores no mercado internacional.

A terça foi de forte volatilidade para os mercados de petróleo, com os futuros de commodity revertendo alta com preocupações de que o fracasso da Opep+ em ratificar um acordo pode levar os produtores a perderem a disciplina na oferta diante do aumento da demanda.

Mesmo com o reajuste recente da petrolífera, o Bradesco BBI vê os preços da gasolina e do diesel com um desconto de 9% e 4%, respectivamente, em relação aos preços internacionais, segundo o analista Vicente Falanga.

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A companhia ainda informou nesta quarta-feira que recebeu indicações de candidatos para o Conselho de Administração, caso adotado o procedimento de voto múltiplo para eleição na próxima assembleia geral extraordinária, a ser oportunamente convocada.

Os nomes indicados pelas gestoras Absolute Gestão de Investimentos, Moat Capital Gestão de Recursos e Banco Clássico são: José João Abdalla Filho; Marcelo Gasparino da Silva; e Pedro Rodrigues Galvão de Medeiros.

O anúncio ocorre após a efetivação da renúncia de Gasparino ao cargo de conselheiro. Representante dos minoritários, ele anunciou em abril que deixaria o posto para provocar nova eleição, alegando problemas nos procedimentos da assembleia que o elegeu.

Vale (VALE3) e siderúrgicas

Os contratos futuros do aço negociados na China dispararam nesta quarta-feira, com o vergalhão para construção e as bobinas laminadas a quente fechando em alta de mais de 3%, impulsionados por expectativas de cortes de produção.

“Recentemente, a antecipação da redução de produção de aço voltou à tona”, disse a SinoSteel Futures em nota, acrescentando que alguns governos locais emitiram documentos relacionados ao tema, embora detalhes ainda não tenham sido divulgados.

Já a referência do minério de ferro, para entrega em setembro, recuperou-se de perdas registradas na parte matutina da sessão e fechou em alta de 1%, a 1.244 iuanes por tonelada.

No radar da Vale, a companhia apresentou recurso na Justiça do Trabalho contra a decisão que fixou indenização de R$ 1 milhão por danos morais para cada empregado da mineradora que morreu na tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais.

A sentença de primeira instância, publicada no início do mês passado, contemplou 131 funcionários. A mineradora alega, no entanto, que o valor é “absurdo” e “exorbitante” e que é “astronômico” o total de R$150 milhões arbitrado na decisão. Veja mais clicando aqui. 

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A Méliuz espera precificar em 15 de julho uma oferta bilionária de ações, com esforços restritos, segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quarta-feira.

A operação consiste na distribuição primária de 7.500.000 papéis e secundária de inicialmente 6.010.645 ações, sendo os acionistas vendedores Ofli Campos Guimarães e fundos da Endeavor Catalyst e da Monashees Capital.

A oferta secundária poderá ser elevada em até 50% para atender eventual excesso de demanda. BTG Pactual, Itaú BBA, Morgan Stanley e UBS BB são os coordenadores da oferta.

Com base no preço de fechamento da ação na terça-feira, de R$ 55,44, a oferta alcança R$ 1,1 bilhão, considerando a colocação da totalidade das ações adicionais.

Os recursos com a oferta primária serão usados para ampliar a participação da companhia em marketplace e serviços financeiros, além de potenciais aquisições de empresas consideradas estratégicas.

A companhia de alimentos BRF anunciou o investimento de US$ 2,5 milhões na startup israelense Aleph Farms, e quer produzir carne cultivada a partir de células bovinas não geneticamente modificadas em 2024, disse à Reuters um executivo da empresa.

A produção deste tipo de carne começa com a obtenção de células de alta qualidade de animais, porém sem o abate. As células são cultivadas fora do corpo do animal com o fornecimento de nutrientes e ambiente propício para seu desenvolvimento.

Ainda em fase de testes, a proteína poderá chegar ao mercado brasileiro na forma de hambúrguer, almôndegas, embutidos como salsicha ou steaks.

O investimento fez parte da segunda rodada de captações da startup israelense que levantou US$ 105 milhões entre diversas companhias pelo mundo.

Somando os aportes obtidos na primeira rodada, o montante obtido chega a US$ 118 milhões.

De acordo com comunicado da BRF, os recursos obtidos pela Aleph serão aplicados para executar planos de comercialização de carne cultivada em larga escala global e expansão do portfólio. “Estudos realizados com base na metodologia de Análise do Ciclo de Vida apontam que a produção de carne cultivada tem potencial para reduzir significativamente a emissão de gases do evento estufa, além de diminuir o uso de terras para criação de animais em mais de 90% e o uso de água em até 50%.”

Mater Dei (MATD3)

O Hospital Mater Dei informou na terça-feira que seu conselho de administração aprovou compra do Grupo Porto Dias, maior rede de hospitais da região Norte do país, em uma transação que envolve R$ 800 milhões, além da emissão de ações. O acordo foi acertado sobre uma participação de 70% do Grupo Porto Dias e a Mater Dei vai emitir 27,27 milhões de papéis como parte do pagamento, cerca de 7,1% do capital social total da companhia.

O banco ressalta que o ativo tem, no momento, 388 leitos em operação, e que deve atingir 592 em 2022. O Mater Dei tem atualmente 624 leitos, e as previsões para fusões e aquisições feitas pelo Itaú são de 300 camas em 2022. O Itaú BBA mantém avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo de R$ 22 para o papel.

A Hapvida anunciou nesta quarta-feira acordos para duas aquisições nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil no total de R$ 475 milhões, seguindo sua estratégia de expansão e consolidação nacional e aumento da verticalização.

Em São Paulo, a companhia assinou proposta vinculante para a compra de até 100% do grupo Grupo HB Saúde de São José do Rio Preto por R$ 450 milhões – considerando a totalidade das ações.

Na Bahia, a subsidiária Ultra Som Serviços Médicos assinou contrato para a aquisição do Hospital Dia Cetro em Alagoinha por 25 milhões de reais, em operação que inclui o imóvel com terreno.

O Bradesco BBI iniciou a cobertura da Locaweb com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 37 para 2022, ou potencial de valorização de 46% em relação ao fechamento da terça-feira.

A empresa oferece serviços de tecnologia de internet, focada em pequenas e médias empresas. O banco diz ver espaço para valorização devido à penetração relativamente pequena do mercado, amplo leque de produtos com vantagens competitivas, e espaço para aquisições.

O Bradesco ressalta que nos últimos 18 meses a empresa fez cerca de 10 aquisições. O banco avalia que atores globais mesmo setor registram crescimento e monetização de clientes, e afirma que a Locaweb pode estar nos estágios iniciais do setor no Brasil, com espaço para expansão e melhora da monetização nos próximos anos.

O banco ressalta que, entre 2018 e 2020, a empresa obteve uma taxa anual de crescimento composta de 25% em sua receita.

A agência de classificação de risco Standard and Poor’s Global Ratings elevou o rating da Companhia na Escala Nacional Brasil da Even de brAA para brAA+, com perspectiva positiva.

A companhia de alimentos Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, lançou e concluiu na quarta-feira, por meio de sua subsidiária em Luxemburgo, a precificação de títulos de dívida no valor total de US$ 400 milhões, informou a empresa em comunicado ao mercado.

Segundo a Minerva, os “bonds” têm taxa de juros de 4,375% ao ano e vencimento em 2031 adicionais, originalmente emitidos em março deste ano. “A emissão das Notas Adicionais faz parte do processo de ‘liability management’ da Minerva, cujo objetivo é o de alongar o perfil dívida da companhia e reduzir o custo da estrutura de capital”, afirmou a empresa.

Os recursos, de acordo com a Minerva, serão utilizados no pagamento antecipado de dívidas da companhia e em usos gerais. A operação recebeu classificação de risco em moeda estrangeira “BB” pelas agências S&P e Fitch Ratings.

(com Reuters, Bloomberg e Estadão Conteúdo)

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