Fundos de ações globais atraem recorde de US$ 372 bi no 1º tri

dólar bolsa mercado índices alta baixa (Shutterstock)

(Bloomberg) — Investidores compraram ações em valores recordes no primeiro trimestre de 2021, quando a combinação de estímulos generosos e apostas na recuperação econômica injetou US$ 372 bilhões nos fundos de renda variável globais, de acordo com estrategistas do Bank of America.

Os primeiros três meses do ano registraram as maiores entradas em ações globais como proporção dos ativos sob gestão desde 2006, disseram estrategistas em relatório de 1º de abril, citando dados da EPFR Global. Ações cíclicas estavam entre as líderes no início deste ano, enquanto papéis de valor atraíram US$ 35 bilhões e os do setor financeiro receberam US$ 24 bilhões, em meio às apostas de gestores em segmentos impactados e de olho na reabertura econômica.

Os dados sobre os fluxos confirmam a tendência altista que levou índices acionários no mundo todo a máximas históricas, pois o otimismo com a vacinação superou o temor de que rendimentos mais altos dos títulos possam interferir no rali. Ações continuam sendo a classe de ativos preferida dos investidores, enquanto os títulos oferecem retornos limitados: os fundos de renda fixa atraíram apenas US$ 131 bilhões este ano, de acordo com o BofA.

Olhando para o segundo trimestre, estrategistas do BofA liderados por Michael Hartnett dizem que a relação preço/lucro dos EUA é a segunda maior desde 1901 em meio aos estímulos “épicos” e dados econômicos mais fortes desde a 2ª Guerra Mundial. A equipe destaca que os maiores riscos para o rali seriam rendimentos dos títulos públicos acima de 2% e mais “eventos de desalavancagem”.

Investidores saíram de empresas com ações muito caras e nomes defensivos no primeiro trimestre e migraram para setores mais baratos e cíclicos. Ainda assim, ações de tecnologia ainda conseguiram atrair US$ 30 bilhões, de acordo com o BofA.

As maiores gestoras de ativos globais, como BlackRock, permanecem otimistas sobre a continuidade do rali em renda variável.

“As ações devem se beneficiar com o maior crescimento econômico a uma taxa não vista desde 2005”, disse em relatório Nigel Bolton, codiretor de investimentos da BlackRock Fundamental Equities. Ele recomenda foco em ações que possam gerar maiores lucros e diz que alguns dos vencedores da pandemia atingidos pela recente onda vendedora agora oferecem preços melhores.

Na semana até 31 de março, fundos de ações tiveram entradas de US$ 20,7 bilhões, os de títulos receberam US$ 10,4 bilhões, enquanto US$ 48,6 bilhões foram alocados em dinheiro no final do trimestre, disse o BofA. Ações de tecnologia registraram a maior saída desde setembro, com saques de US$ 900 milhões.

Ranking Melhores Fundos InfoMoney-Ibmec Descubra quais são e como investem os melhores fundos de investimento do país:

Onde investem os gestores dos melhores fundos do país

ebook melhores fundos 2021

O Melhores Fundos 2021 premiou os melhores gestores de fundos de investimento do país, com base num ranking desenvolvido pelo InfoMoney em parceria com a escola de negócios Ibmec.

Entre os vencedores, estão os fundos de gestoras como Atmos, Capitânia, Dynamo, Hectare, Hix, Ibiuna, Iridium, Legacy, Patria, Sharp, Verde, Versa e XP.

Os premiados foram divididos em quatro categorias: ações, multimercado, renda fixa crédito privado e fundos imobiliários – clique aqui para ver a lista completa de vencedores, e aqui para conferir a metodologia aplicada.

Mas como esses gestores estão investindo agora? Qual cenário eles traçam para um ano que se torna cada vez complicado?

Neste e-book gratuito, os melhores especialistas do mercado detalham suas estratégias e abrem as principais posições das carteiras de seus fundos. Para receber o e-book, basta se cadastrar abaixo:

Conheça os melhores fundos de ações, multimercado, crédito privado e imobiliários do país pelo ranking InfoMoney-Ibmec 2021

SÃO PAULO – As gestoras Versa, Sharp, Capitânia e Iridium estão à frente dos melhores fundos das categorias ações, multimercados, renda fixa crédito privado e fundos imobiliários, respectivamente, da edição 2021 do ranking exclusivo criado pelo InfoMoney em parceria com a escola de negócios Ibmec.

Os vencedores foram anunciados nesta terça (23) e quarta-feira (24) durante evento online que contou com a participação de alguns dos finalistas para debater o futuro do mercado em cada classe.

Com o objetivo de destacar os gestores que entregam bons resultados com consistência, o ranking premia os fundos que tiveram bons desempenhos em critérios de retorno e risco em um período de três anos. Conheça a metodologia completa aqui.

Confira a seguir os ganhadores de cada categoria e acompanhe os painéis que se seguiram à premiação.

Renda variável

1º lugar: Versa Long Biased
2º lugar: Dynamo Cougar
3º lugar: Atmos Ações
4º lugar: Patria Pipe Feeder Institucional
5º lugar: Hix Capital

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De Mercado Livre a Vale: a visão por trás dos investimentos da Dynamo, uma das gestoras mais tradicionais (e bem-sucedidas) do país
BR Properties, Tenda e Light: as empresas preferidas na Bolsa dos melhores fundos de ações

Multimercados

1º lugar: Sharp Long Short 2x Feeder
2º lugar: Vista Multeestratégia
3º lugar: Verde Am Scena
4º lugar: Legacy Capital Advisory
5º lugar: Ibiuna Hedge STH

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Verde e Legacy dividem suas apostas em Bolsa e juros e descartam mudanças no cenário com “caso Petrobras”

Renda fixa crédito privado

1º lugar: Capitânia Premium
2º lugar: Capitânia Top
3º lugar: XP Top Crédito Privado Renda Fixa FI LP
4º lugar: Western Asset Credit Excellent FIC FI RF Crédito Privado
5º lugar: BV Eagle

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Gestores de crédito privado enxergam ambiente favorável com alta da taxa Selic

Fundos imobiliários

1º lugar: Iridium Recebíveis Imobiliários (IRDM11)
2º lugar: Hectare Crédito Estruturado (HCTR11)
3º lugar: Banestes Recebíveis Imobiliários (BCRI11)
4º lugar: Valora CRI Índice de Preço (VGIP11)
5º lugar: Habitat Recebíveis Pulverizados (HABT11)

Saiba mais:
Fundos imobiliários de papel lideram ranking de melhores FIIs; conheça as estratégias dos vencedores

Para receber um ebook gratuito sobre o evento, com as principais recomendações feitas pelos gestores dos melhores fundos do país, deixe seu e-mail abaixo:

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Petrobras: confira os fundos com as maiores exposições às ações da empresa

Petrobras (Shutterstock)

SÃO PAULO – Fundos de gestoras como Vista, Verde, Ibiuna, Apex e Kinea detinham, ao fim de outubro, algumas das maiores exposições às ações da Petrobras, de acordo com levantamento da XP com base em informações da Economatica.

Os dados têm como base fundos de investimento tradicionais e previdenciários com exposição aos papéis ordinários (PETR3) e preferenciais (PETR4) da estatal e que fazem parte da plataforma da XP.

Os papéis estão em evidência desde sexta-feira, com a decisão do governo federal de substituir Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna na presidência da empresa.

Leia mais:
Efeito intervenção: os bancos e casas de análise que cortaram a recomendação para as ações da Petrobras

As carteiras têm defasagem de três meses, com base nas últimas informações disponíveis, conforme determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foram elencados apenas fundos de gestão ativa, com mais de três meses de histórico e que seguem estratégias de renda variável classificadas pela XP como “Long Only”, “Long Biased” e “Long Short”.

É possível que, desde então, alguns fundos tenham alterado sua exposição aos papéis da estatal, podendo, inclusive, ter zerado a posição.

“Além disso, alguns gestores muitas vezes combinam posições compradas em Petrobras com venda do índice Ibovespa ou combinam compra de ações com uma estrutura de opções, o que pode ter o efeito prático de reduzir ou até mesmo zerar a exposição que se vê na ponta comprada”, explica a XP, em relatório assinado pelo analista de fundos Davi Fontenele e pelo head de análise de fundos, FIIs e previdência, Samuel Ponsoni.

Confira a seguir os 20 fundos com maiores exposições às ações da Petrobras. Para ter acesso ao relatório completo, clique aqui.

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O InfoMoney vai premiar, nos dias 23 e 24 de fevereiro, os gestores de fundos de ações, multimercados, renda fixa e de fundos imobiliários que conseguiram entregar aos investidores retornos com consistência nos últimos três anos.

Para participar do evento, conferir os vencedores, ser avisado sobre a agenda e receber posteriormente um compilado com as melhores recomendações de investimento debatidas nos painéis, deixe seu e-mail abaixo:

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De Mercado Livre a Vale: a visão por trás dos investimentos da Dynamo, uma das gestoras mais tradicionais (e bem-sucedidas) do país

SÃO PAULO – Fundos mal geridos, ou que cobram altas taxas, corroem o patrimônio dos investidores. Mas os destaques do mercado são capazes de produzir milionários. Um desses destaques é o Dynamo Cougar.

Esse fundo de ações, da gestora Dynamo, é um dos mais antigos – foi lançado em setembro de 1993 –, maiores – tem um patrimônio aproximado de R$ 5 bilhões – e mais rentáveis do mercado.

Desde que foi criado, rendeu cerca de 24.000% em termos reais, descontada a inflação medida pelo IPCA no período. Isso significa que quem investiu no Cougar lá atrás tem hoje R$ 2,4 milhões.

No mesmo período, o Ibovespa rendeu 520% em termos reais.

A Dynamo surgiu numa época em que investir em ações no Brasil era quase um jogo de azar. Sua filosofia sempre foi a do value investing – em resumo, investir em ações de empresas com bons fundamentos, bem geridas, e que sejam negociadas a preços atrativos, com um horizonte de longo prazo.

Nesta entrevista, uma das poucas concedidas pela gestora, os sócios da Dynamo falam sobre os desafios do value investing no cenário atual, em que a inovação acelerada no mundo dos negócios torna mais difícil medir o valor das empresas ao longo do tempo.

Falam também sobre o desafio que foi gerir recursos em 2020. O Dynamo Cougar chegou a cair 41% em março, pouco mais que a baixa de 39% do Ibovespa.

No meio da crise, os gestores “voltaram para a prancheta”, e o resultado nos meses seguintes foi uma valorização de 110%, enquanto o Ibovespa subiu 68%.

O Dynamo Cougar é um dos finalistas do ranking InfoMoney-Ibmec de melhores fundos do mercado, que analisa as carteiras em termos de retorno ajustado ao risco.

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Para participar do evento, conhecer os vencedores, ser avisado sobre a agenda e receber posteriormente um compilado com as melhores recomendações de investimento debatidas nos painéis, deixe seu email abaixo:

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Veja abaixo os principais trechos da entrevista. Não há um gestor destacado na entrevista, e é proposital. A Dynamo diz que essa é a visão da gestora, e não de alguém em particular.

Retorno ajustado ao risco

“Nossa atuação em 2020, um ano bastante complicado, mostra pontos importantes do nosso jeito de pensar e investir.

Começamos 2020 razoavelmente otimistas por algumas razões. Em 2015 e 2016, havíamos passado por um período de recessão no Brasil. Por conta disso, as melhores companhias, mais bem preparadas, fizeram um baita dever de casa interno, de redução de custos e melhoria operacional.

Ao longo de 2019, começamos a ver um ambiente de negócios mais favorável no Brasil. Os juros estavam caindo e havia uma menor instabilidade política – sem entrar no mérito se o governo era bom ou não.

Olhando para as companhias, que é como analisamos o mercado para tomar decisões, acreditávamos que era possível que houvesse novos investimentos. Além disso, a queda dos juros poderia trazer uma demanda que nunca havíamos experimentado.

Olhando pelo retrovisor, cometemos um erro na partida – erro que provavelmente vamos cometer outras vezes. Demoramos para ver a pandemia chegar, fomos perceber lá para março.

Quando percebemos que o impacto seria relevante, algumas coisas ficaram clara. Não tínhamos a menor ideia de quanto tempo a pandemia iria durar, e precisávamos readequar o portfólio em função disso.

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Dependendo da profundidade da crise, as empresas, por melhor que fossem, se estivessem na estrutura de capital errada, teriam problemas e os acionistas seriam espremidos. Tudo caminhava para haver um problema de liquidez.

Voltamos para a prancheta e passamos a avaliar todos os negócios do ponto de vista da estrutura de capital e do modelo de negócios.

Tínhamos posição relevante em BR Malls (administradora de shoppings), e reduzimos bastante. A pandemia acelera um processo que já estava em curso, de expansão do e-commerce.

Antes das mudanças provocadas pelo coronavírus, esse processo seria longo e demorado, e o preço das ações refletia isso. Depois, o risco aumentou, porque a digitalização passou a acontecer de forma acelerada, então reduzimos a exposição.

Tínhamos ainda uma posição em Intermédica, empresa de planos de saúde que admiramos muito. Mas vimos, na Inglaterra, um governo superliberal fazer a estatização do sistema de saúde porque precisava atender a sociedade.

Passamos a ter receio dos impactos de medidas do governo nas empresas de saúde aqui. Achamos que não fazia sentido investir dado que existia um risco que não conseguíamos mensurar.

Visto hoje, erramos, mas não no processo. As ações da Intermédica caíram e voltaram a performar, chegamos a comprar depois. Mas a decisão mostra o nosso jeito de pensar.

Pensamos sempre em retorno ajustado ao risco. Não gostamos de investir quando não conseguimos mensurar o risco que estamos correndo.

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Num ano com tanta variação de preços – num primeiro momento, as ações caíram de forma parecida, apesar das diferenças setoriais –, surgiu espaço para fazer um rebalanceamento da carteira.

Mas é interessante ressaltar que a maioria das companhias do portfólio continuou. O mais difícil, naquele auge da pandemia, não era mudar de posição, mas continuar na posição. E tínhamos confiança nas empresas da nossa carteira.

“O tempo corrige as distorções”

“Temos dificuldade de analisar o mercado como um todo. O que fazemos é avaliar os negócios. É óbvio que um ambiente de juros baixos por tanto tempo direciona os investidores para classes de ativos mais arriscadas.

Depois de anos de muita liquidez global, há setores e empresas muito povoados, o que não quer dizer que haja uma bolha prestes a estourar. Às vezes, as bolhas demoram muito para estourar, e os investidores morrem apostando contra.

Há ativos específicos sendo acelerados por essa liquidez global, mas já vimos isso acontecer outras vezes ao longo dos últimos 25 anos. Acontece e há vencedores no processo. Nosso trabalho é procurar os vencedores, pagando o preço certo.

Nossa obsessão com a análise de risco nos ajuda muito em muitos de crise, quando os gestores são testados o tempo todo em suas convicções. Se negócio é bom, gerido por pessoas competentes e não tem um preço absurdo, o tempo corrige as distorções.

Vemos as distorções como oportunidades dado que não estamos preocupados com a variação da cota em um ou dois meses. Procuramos fazer bons investimentos num horizonte de cinco a dez anos.”

A mudança no jeito de investir

“A inovação acelerada que está tomando conta do mundo dos negócios está provocando uma mudança na maneira de investir. Nossos princípios não mudam, mas muda a cabeça.

No passado, ficávamos de olho no fluxo de caixa das companhias e era mais fácil fazer uma avaliação financeira dos negócios e estimar seu valor. Nesse mundo de inovação e tecnologia, é preciso olhar para a frente e considerar outras premissas.

A maioria dessas empresas ainda está no momento de conquistar espaço. E faz sentido esse jogo de ganhar participação de mercado, sem dar lucro. É preciso olhar o filme, não apenas a fotografia.

Ao mesmo tempo, é mais difícil estimar o valor de um negócio ao longo do tempo. Dependendo das premissas e de como cada um enxerga o futuro, o valor pode variar muito.

Há dois pontos muito relevantes no value investing: margem de segurança e perpetuidade de um negócio. No passado, quando olhávamos a Ambev, por exemplo, com cerca de 80% de participação de mercado, considerávamos que o risco de perpetuidade era baixo.

Mas esse modelo de inovação atual – e não é só tecnológica, mas cultural, na maneira de se relacionar com os clientes – faz com que a perpetuidade seja mais questionável.

O tempo de vida das empresas talvez seja mais curto, então é preciso mudar a cabeça na hora de pensar a margem de segurança.

O que não muda é o fato de que é muito importante analisar a qualidade do negócio e das pessoas por trás dele. Isso é fundamental na avaliação de qualquer companhia.

O valuation está ligado ao tamanho da oportunidade e à expectativa de que aquele grupo de executivos ou empreendedoras consiga capturar as oportunidades.

Um mercado bipolar

“Estamos num momento em que é mais fácil ficar pessimista e também otimista com as coisas. É fácil olhar para a evolução tecnológica e digital e afirmar que o shopping vai acabar.

Também é e fácil olhar para o banco digital e a plataforma de ecommerce e dizer que esses negócios vão dominar o mundo.

Ficou mais difícil fazer value investing porque ficou mais difícil prever o desempenho dos negócios. Há quem argumente que esse ambiente, na verdade, abre oportunidades para o value investing, na medida em que mais pessoas estão se concentrando em negócios inovadores e que podem crescer muito, deixando de lado empresas tradicionais e fortes.

Não mudamos nossa cabeça a ponto de acreditar que as empresas de tecnologia vão dominar o mundo. Assim como temos Mercado Livre (MELI34), XP e Enjoei (ENJU3), por exemplo, na carteira, temos Vale (VALE3), que está num dos negócios mais antigos do planeta, que é extrair minério do solo.

Olhamos a qualidade dos negócios, a qualidade da gestão e o preço versus a oportunidade. Assim, podemos ir aos extremos. As oportunidades aparecem quando os investidores ficam maníaco-depressivos.

O novo mercado financeiro

O mercado financeiro está passando por uma transformação muito relevante. O modelo de negócio dos grandes bancos, que sempre foi bem-sucedido – a escala conferia a eles um poder de mercado muito forte –, hoje está sub judice.

Os bancos estão se mexendo para se adaptar. Mas não se trata apenas de ter vontade de mudar e capital para fazer isso. Existe também uma questão cultural de como fazer negócios.

Naturalmente, alguns pools de lucro vão continuar com os bancos, pelo posicionamento deles. Mas temos muitas dúvidas se os bancos vão conseguir se adaptar para ter a força e o poder de mercado que tinham no passado.

Há cerca de cincos anos, os bancos passaram a ser atacados em segmentos como adquirência e investimentos e, agora, virou um esporte coletivo bater nessas instituições. Hoje os bancos estão sendo atacados em várias frentes, e o cenário é bastante desafiador.

A tese de bancos como um investimento de longo prazo não morreu ainda. Mas, diante do que estamos vendo, neste momento, não estamos confortáveis em correr esse tipo de risco.

Há dez anos, as melhores mentes que quisessem ir para o mercado financeiro iriam para os grandes bancos. A capacidade de atrair talentos era muito diferenciada. Não é o caso hoje. Pelo contrário.

A forma de trabalhar, o home office, a autonomia, a maneira de interagir com os clientes, tudo isso mudou as preferências do capital humano. Os bancos, para não perder talentos, precisam se ajustar.

Mas será que, se fizeram esse ajuste, conseguem funcionar bem? Toda a gestão foi desenvolvida de forma que a cultura e a meritocracia funcionam dentro de um modelo mental. Mudar isso é muito difícil.

Se os bancos perderem a capacidade de atrair os melhores talentos, o impacto disso vai aparecer no médio prazo.

Um novo desafio para os reguladores

Temos uma postura de acionista com as empresas em que investimos. Não pensamos como analistas ou investidores quem pode vender o papel em seis meses. Se não pudéssemos vender a ação, o que estaríamos fazendo para defender os interesses das companhias no médio prazo?

Sempre gostamos de ter esse engajamento. Além disso, faz parte da nossa atividade estudar as leis e ajudar a pensar sobre como o mercado poderia funcionar melhor.

O grande desafio de regulação hoje é qual será o papel da CVM, da SEC, das Bolsas etc. nesse mundo mais inovador. O caso Gamestop é um grande exemplo. É interessantíssimo e, ao mesmo tempo, dificílimo de ter uma opinião fundamentada sobre ele.

De forma geral, foi um conluio de investidores que se juntaram e manipularam o peço. Mas também havia, ali no meio, investidores que não estavam no conluio e compraram as ações.

Como regular isso? É manipulação ou um sinal de bom funcionamento do mercado?

Uma coisa que começou lá atrás com os movimentos sociais de rua passou pelas eleições nos Estados Unidos e agora chegou ao mercado de capitais. É uma luta de classes com uma rápida organização das minorias.

É um desafio dos próximos semestres para os reguladores e também algo que pode mudar completamente a formação de preços dos ativos.

ESG: processo inevitável e sadio

A questão de fundo, no caso dos investimentos que seguem os princípios ESG, é quanto as empresas e os investidores querem maximizar o curto prazo versus o longo prazo.

Exagerando, se todos quiserem consumir todos os recursos naturais o mais rápido possível, provavelmente não teremos mais o planeta daqui a alguns anos.

O mesmo dilema existe quando se fala de transição digital. Vamos imaginar uma empresa incumbente, forte, que esteja avaliando fazer um grande investimento em transição digital.

No curto prazo, esse investimento, em geral, significa reduzir o lucro e incorrer em custos adicionais para explorar novos mercados. Mas pode gerar retornos de longo prazo.

É parecido com a decisão de uma empresa de olhar mais para a comunidade à sua volta. Há benefícios de longo prazo, já as pessoas que podem vir a trabalhar nessa empresa serão mais qualificadas. Por outro lado, existe um custo inicial. O mesmo vale para a questão ambiental.

É verdade que, muitas vezes, as ações são precificadas com base nos resultados de curto prazo e no que é mais visível. A remuneração dos executivos também costuma estar atrelada a métricas mais imediatistas.

Mas o ponto central é que os investidores e os consumidores mudaram demais, e estão demandando cada vez mais essa mentalidade das companhias. É um processo inexorável e muito relevante para o futuro dos investimentos.

E é um movimento sadio porque faz com que as empresas sejam, de certa forma, obrigadas a pensar dessa forma e se preocupar com sustentabilidade.

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Como foi feito o ranking InfoMoney-Ibmec de melhores fundos 2021

O ranking InfoMoney-Ibmec de melhores fundos tem o objetivo de premiar os gestores mais consistentes do setor.

A iniciativa partiu da ideia de que os rankings existentes atualmente favorecem aqueles fundos que tenham uma janela extremamente positiva em um curto período (de até um ano), mas não consideram a capacidade de os gestores gerarem retorno no longo prazo (pelo menos 3 anos).

Isso pode levar o investidor a uma tomada de decisão equivocada, levando-o a pensar que deveria trocar periodicamente de fundo para obter a melhor performance.

Sabe-se que, na prática, o investidor que adere a um fundo de investimento deseja comodidade e performance frente ao risco assumido.

Categorias:

São consideradas 4 classes de fundos diferentes:

  • Renda Fixa Crédito Privado
  • Multimercado
  • Ações
  • Fundos Imobiliários

Tais classes de fundos foram destaques importantes no setor nos últimos anos. No atual cenário de juros baixos, há uma tendência maior de exposição ao risco por parte dos investidores.

Reflexo disso é o fato de os fundos multimercados e de ações terem uma captação líquida superior a R$ 150 bilhões em 2019 – um aumento de 22,4% em relação a 2018.

Além disso, os fundos de crédito privado continuam sendo importantes dentro da categoria renda fixa.

Por fim, os fundos imobiliários se sobressaíram dentre os considerados “alternativos”, tendo o número de investidores pessoa física que investem nessa classe mais que dobrado no período.

Metodologia

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Filtros: Para evitar que fundos não distribuídos ao investidor comum ou com acesso muito restrito fossem considerados na amostra, foram aplicados alguns filtros no universo de mais de 19 mil fundos registrados na CVM, disponíveis na base de dados da Economatica.

Além disso, fundos com patrimônio muito reduzido foram desconsiderados, dado que, em alguns casos, esses fundos podem ter retornos favorecidos por executar operações irreplicáveis para veículos com patrimônio mais elevado.

Seguem abaixo os filtros utilizados em cada uma das categorias do prêmio:

Para todos as categorias de fundos ICVM 555 (Renda Fixa, Multimercado e Ações)

  • Data-base: 31/12/2020;
  • São excluídos

  • Fundos exclusivos, bem como os fundos destinados a investidores profissionais ou private;
  • Fundos com menos de 50 cotistas no último dia útil dos dois semestres do ano de 2020;
  • Fundos com Taxa de administração inferior a 0,10% ao ano;
  • Fundos com patrimônio líquido médio em cada janela semestral (calculado com base diária) inferiores a R$ 50 milhões em 2018 e a R$ 100 milhões em 2019 e 2020;
  • Fundos cujas carteiras tenham exposição a investimentos no exterior ou BDRs superior a 66,7% do patrimônio líquido, na média dos últimos 6 meses
  • Fundos que possuam simultaneamente mais de 80% do patrimônio líquido investido em cotas de fundos e menos de 90% do patrimônio líquido investido em sua maior posição. Também são excluídos os fundos que invistam mais de 90% do patrimônio líquido em fundos que se enquadrem nessa condição.
  • Caso haja dois fundos no ranking que invistam mais de 90% do patrimônio líquido em cotas de um mesmo fundo master, apenas o mais antigo é considerado nos cálculos. Em casos de empate, é considerado o fundo com maior patrimônio líquido.

Adaptações na metodologia

Na edição de 2021, o ranking InfoMoney-Ibmec de melhores fundos apresenta duas adaptações em sua metodologia, descritas a seguir:

  1. Adição do critério de exclusão de fundos de fundos (FoF): o fundo de fundos é um tipo de fundo que, por definição, investe em outros fundos disponíveis na indústria. Visto que o ranking InfoMoney-Ibmec tem como objetivo premiar os melhores fundos de gestão ativa, que apresentem uma estratégia para a seleção de ativos e montagem de portfólio, foi adicionado na metodologia o critério para exclusão de fundos que invistam majoritariamente em outros fundos (FoF).

2. Flexibilização do filtro de volatilidade máxima para fundos de renda fixa crédito privado: até a edição de 2020, o ranking considerou o limite máximo de volatilidade anualizada de 1% em janelas semestrais, a fim de criar uma amostra equiparável entre os fundos de renda fixa – isto é, são excluídos aqueles que apresentem uma componente elevada de risco de mercado.

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Por outro lado, a crise ocorrida em 2020 trouxe grandes surpresas para os fundos de crédito privado, que passaram por oscilações extremamente atípicas no primeiro semestre do ano, levando ao aumento da volatilidade dos fundos.

A fim de incorporar aos critérios amostrais os efeitos da crise e evitar a exclusão indevida de fundos de crédito privado, foi elevado o limite de volatilidade anualizada máxima, de 1% para 3%.

Fundos de Renda Fixa Crédito Privado:

  • São considerados
  • Fundos com classificação CVM: “Renda Fixa”;
  • Fundos com sufixo Crédito Privado;
  • Fundos com volatilidade anualizada inferior a 3% ao ano, em cada janela semestral ao longo dos 36 meses.

Fundos Multimercado:

  • São considerados
  • Fundos com classificação CVM: “Multimercado”;
  • São excluídos
  • Fundos que, em seus respectivos regulamentos, busquem investir de forma ativa ou passiva em uma classe de ativo que seja representada por um único índice que não seja o CDI;
  • Fundos com volatilidade anualizada inferior a 1% ao ano, em cada janela semestral ao longo dos 36 meses;
  • Fundos com classificação ANBIMA “Capital Protegido”, bem como fundos Multimercado (CVM) com classificação “Crédito Privado” segundo a ANBIMA;
  • Fundos que sejam isentos de tributação;
  • Fundos com classificação CVM “Multimercado” e tributação alvo de “Renda Variável”
    • Estes são retirados desta categoria e considerados na categoria de Fundos de Ações.

Fundos de Ações:

  • São considerados
  • Fundos com classificação CVM: “Ações”;
  • Fundos com classificação CVM “Multimercado” e tributação alvo de “Renda Variável”.
  • São excluídos
  • Fundos com Classificação ANBIMA “Mono Ação”, “Fechados de Ações”, “Ações FMP-FGTS”, “Indexados” e “Setoriais

Fundos Imobiliários

A fim de evitar que fundos com pouca liquidez façam parte da amostra:

  • São considerados
  • Fundos que fazem parte do IFIX;
  • Fundos que possuem volume médio de negociação diária acima de R$ 1 milhão no último trimestre de análise do ranking

Ranking de fundos de Renda Fixa, Ações e Multimercado

Razões adicionais para o prazo de 36 meses: a maioria dos fundos deveria ser tratada como investimentos de longo prazo.

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Um estudo elaborado pela XP Investimentos com o principal índice de fundos multimercados da indústria, o IHFA (Índice de Hedge Funds da Anbima), analisando mensalmente as janelas de 12 meses desde o início da série em 2008 até o ano em que foi criado esse ranking (2018), mostra que, em 72,58% das vezes, o índice supera o CDI.

Entretanto, quando analisamos janelas de 36 meses, notamos que esse indicador sobe para 98,99% das vezes. Portanto, considerou-se que 36 meses deve ser a janela ideal para a análise de um fundo de investimento para premiação justa dos gestores.

Como métricas quantitativas utilizadas na obtenção do ranking, foram considerados (i) Índice de Sharpe e (ii) retorno absoluto – cada uma tendo metade do peso na nota final. No caso dos fundos de Renda Fixa Crédito Privado, por possuir volatilidade extremamente reduzida, proporcionam um Índice de Sharpe significativamente maior e sem sentido comparativo. Dessa forma, a metodologia do estudo limitou a volatilidade dos fundos dessa categoria e adotou-se o retorno simples para efeito de comparação.

Sharpe: o Índice de Sharpe, criado por William Sharpe (Nobel de Economia em 1990), é um indicador que permite avaliar a relação entre o retorno e o risco de um investimento. Ele mede qual é a relação entre o retorno excedente ao ativo livre de risco e a volatilidade. Para o ativo livre de risco, é considerado o CDI.

Em teoria, quanto maior o Índice de Sharpe, melhor a performance do fundo vis-a-vis seu risco. Por outro lado, assim como qualquer parâmetro quantitativo, o Índice de Sharpe não deveria ser interpretado isoladamente para a avaliação de um fundo; fatores de preferência/satisfação do investidor, tais como grau de aversão ao risco, retorno esperado, entre outros, devem ser considerados para a tomada de decisão da aplicação. O fato de a premiação ser segregada por diferentes classes – cada qual correspondendo a determinado nível de risco – embute de certa forma os fatores mencionados anteriormente, auxiliando o investidor na tomada de decisão.

Construção do Ranking de 3 anos:

O período de análise considerado é de 3 anos.

Divide-se o período em janelas semestrais dado que, na maioria dos casos, o “ciclo natural” de uma gestora de recursos ocorre semestralmente, principalmente com a cobrança da taxa de performance e pagamento dos bônus da equipe.

Para cada janela semestral, é calculada uma métrica quantitativa, que possui um peso maior nas janelas mais recentes, conforme percentuais arbitrados na tabela abaixo:

O critério da definição dos pesos de cada semestre considera que as janelas mais recentes refletem melhor a qualificação atual do fundo, portanto possuem um peso maior. Dado que o prêmio possui periodicidade anual, os dois semestres mais recentes possuem pesos iguais, porém os pesos decaem 5% para cada um dos semestres seguintes. Assim, o ano mais recente representa 50% da pontuação final, mas as janelas restantes também são relevantes, de forma que o gestor vencedor deve mostrar consistência de resultado.

A métrica quantitativa leva em conta dois parâmetros: (i) Índice de Sharpe e (ii) Retorno, exceto para os fundos de renda fixa, para os quais é calculado apenas o retorno, conforme tabela abaixo:

Para cada semestre, a contribuição de cada parâmetro é calculada pela seguinte fórmula. Por exemplo, para o retorno:

O mesmo cálculo é realizado para o Índice de Sharpe, para em seguida serem aplicados os pesos e obtida a pontuação do fundo no semestre. Por fim, as pontuações do fundo em cada semestre são somadas, aplicando-se os respectivos pesos de cada semestre.

Vale ressaltar que fundos com menos de 36 meses também são considerados no ranking. Entretanto, nos semestres em que não há rentabilidade durante o período completo, esses fundos apresentam pontuação nula (igual a zero). Dessa forma, permitimos que fundos mais novos sejam elegíveis ao prêmio, mas, por não conseguirmos avaliar sua consistência por meio da análise de um período mais longo, eles são desfavorecidos.

Ranking de Fundos Imobiliários

Prazo: Entende-se que os fundos são investimentos de longo prazo. Entretanto, dado o acelerado crescimento da indústria nos últimos dois anos, principalmente no último semestre de 2019, foi considerada uma janela de apenas 24 meses divididos em trimestres como ideal para a análise de um fundo imobiliário.

Construção do Ranking:

A construção do Ranking considera os seguintes passos:

  • Considerou-se um período de 2 anos para a análise;
  • Divide-se o período em 8 janelas trimestrais, dado que os fundos imobiliários apresentaram um rápido crescimento nos últimos trimestres de 2019;
  • Para cada trimestre, a contribuição de cada parâmetro é calculada pela seguinte fórmula. Por exemplo, para o retorno:

  • Para ajuste do peso de cada semestre, pondera-se a pontuação de cada semestre por um percentual arbitrado, conforme tabela abaixo:

  • Os critérios de atribuição de pesos para cada um dos trimestres foram feitos da mesma forma que no ranking de fundos ICVM 555.
  • Fundos com menos de 24 meses de histórico são considerados na avaliação. Entretanto, nos semestres em que não há rentabilidade durante o período completo, esses fundos ficam com a pontuação nula (igual a zero). Dessa forma, permitimos que fundos mais novos sejam elegíveis ao prêmio, mas, por não conseguirmos avaliar sua consistência por meio da análise de um período mais longo, eles são penalizados. A todo momento, procurou-se maior rigor na análise comparativa, algo especialmente importante em um mercado tão recente como o de FIIs.

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Vanguard faz história com primeiro fundo de ações de US$ 1 trilhão

(Bloomberg) — Um fundo de ações do Vanguard Group se tornou o primeiro do tipo a acumular US$ 1 trilhão em ativos, uma prova do aumento dos investimentos com foco em índices nas últimas três décadas.

O fundo Vanguard Total Stock Market Index, que inclui um fundo mútuo e um fundo de índice, tinha US$ 1,04 trilhão em ativos em 30 de novembro, segundo dados da empresa.

“Dado que o Vanguard deu origem aos investimentos em índices, parece adequado que um de seus principais fundos seja o primeiro a atingir essa marca histórica”, disse Nate Geraci, presidente da ETF Store, uma consultoria de investimentos.

Embora a forte valorização das ações dos EUA impulsione o fundo, a queda das comissões também ajuda, uma tendência alimentada pelo Vanguard, pioneiro em investimentos passivos de baixo custo. O fundo Vanguard Total Stock Market Index foi criado em 1992, com o respectivo ETF lançado em 2001.

“Os investidores estão muito mais informados sobre a importância das taxas dos fundos e sobre o desempenho abaixo do esperado da gestão ativa”, disse Geraci. Esses fatores podem impulsionar ainda mais o fundo por décadas, disse.

O Vanguard segue um formato atípico, pois seus ETFs existem como uma classe de ações de seus fundos mútuos. O Vanguard Total Stock Market ETF atraiu a maior parte dos recursos entre todos os ETFs neste ano, com US$ 30,8 bilhões de entradas líquidas. O Vanguard, maior emissor para entradas de ETFs neste ano, controla 28% dos US$ 5,3 trilhões do setor de ETF nos Estados Unidos.

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Fundos de ações globais têm fluxo recorde com vacinas e eleição nos EUA

(Getty Images)

(Bloomberg) — Os dados mais recentes de fluxos de investimento destacam o impacto positivo dos avanços de vacinas contra o coronavírus e menor incerteza política nos EUA nos fundos de ações globais.

Os investidores aplicaram mais dinheiro em portfólios de ações nas três semanas até 25 de novembro do que em qualquer período comparável já registrado, segundo estrategistas da Jefferies Financial, que citaram dados da EPFR Global.

Os fluxos de fundos de ativos “indicaram que investidores aumentaram ainda mais o apetite por risco”, sendo que as alocações em ações ultrapassaram US$ 100 bilhões durante as últimas três semanas, escreveram estrategistas em relatório na quinta-feira.

Fundos de ações receberam alocações líquidas de US$ 33 bilhões durante a semana até 25 de novembro, e os EUA responderam por mais da metade do fluxo total. Títulos receberam entradas de US$ 9,1 bilhões, com grande parte das alocações destinadas ao crédito corporativo, segundo o relatório.

Os mercados se recuperaram com força desde as eleições presidenciais dos EUA em 3 de novembro, com o fim da incerteza política e notícias positivas para a descoberta de uma vacina contra a Covid-19, o que aumentou a confiança de investidores.

O índice MSCI All-Country World deve terminar novembro com desempenho mensal recorde e acumula alta de 13% no mês, ganho que também elevou os valores das empresas.

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Não é preciso abrir mão de resultado para ajudar o mundo, diz Florian Bartunek, da Constellation: “O retorno é melhor”

SÃO PAULO – Com uma bagagem de atuação ao lado de grandes nomes do mercado financeiro, como André Jakurski (JGP), Guilherme Aché (Squadra) e o ministro Paulo Guedes na antiga Pactual, e também com Jorge Paulo Lemann (AB InBev), um de seus sócios atuais, Florian Bartunek está próximo de completar 20 anos da fundação da gestora Constellation Investimentos.

O reconhecimento pelo desempenho de seus fundos, contudo, pode esconder um dia a dia de muita dedicação ao negócio propriamente, e não apenas à gestão dos produtos.

Para Bartunek, a administração do “empreendimento” tem peso igualmente importante ao da gestão para a sustentação da Constellation, fundada em 2002.

“Há três características importantes para um gestor de sucesso: ser um bom stock picker, um bom gestor de portfólio e um bom gestor do negócio. Tem que ter as três coisas para tocar um negócio robusto”, diz.

O sócio fundador e CIO da gestora é o convidado do décimo episódio do podcast Outliers, apresentado por Samuel Ponsoni, analista de fundos da XP.

Com foco 100% em ações, a Constellation tem hoje mais de R$ 12 bilhões sob gestão. Nomes diversos de empresas compõem o portfólio, que tem como foco o longo prazo, como B3, XP, Stone, Totvs, Rumo, Weg, Natura, Lojas Americanas, Suzano e Mercado Livre.

Nascido na Áustria, mas com sotaque carioca, Bartunek conta que seu caminho foi trilhado à base da experiência.

Especialmente na antiga distribuidora Pactual, na qual aprendeu de fato a fazer análise de ações, muito amparado pela atuação junto a investidores estrangeiros.

“Não sou aquele que nasceu com valor no berço, aquele que começou a investir com cinco anos de idade, não sou aquele que é apaixonado por ações. Eu caí por acaso no mundo de ações”, disse o gestor.

Aprendizados com Lemann e Jakurski

E para o sucesso do negócio, além da dedicação, Bartunek chamou atenção ao aspecto de gestão de pessoas, com lições ensinadas a ele principalmente por Lemann.

“Aprendi com ele a escolher muito bem as pessoas, a dar oportunidade para os jovens, a dar um osso às vezes maior do que a pessoa tem capacidade de morder, ética total, não fazer nenhum atalho, pensar simples”, resume.

Com Jakursi, conta ter aprendido a não ter vergonha de estar errado, a ter um olhar pragmático e, claro, honrar a ética absoluta nos negócios.

E o que analisar na hora se selecionar uma gestora? Nesse caso, Bartunek defende que a longevidade é parte importante de um negócio, assim como a forma com a qual a sociedade é estabelecida, e ressalta o lema de que quem não é competente não se estabelece.

“Para criar um negócio grande, robusto, com bons investidores, dá trabalho. 50% do seu tempo precisa ser tocando o negócio e a gente não aprende isso”, diz.

Outra lição que o gestor carrega diz respeito às limitações do trabalho quando não tem o conhecimento necessário de determinado modelo de negócio ou setor.

Ele separa as empresas em três pilhas: interessantes, não interessantes e difícil de entender. “Uso isso hoje em dia para a Tesla. Tem muita gente que quer shortear Tesla, e eu falo que, para mim, está na pilha do muito difícil, eu não sei. E não tem vergonha nenhuma botar algumas empresas na pilha do muito difícil para entender.”

ESG

No episódio, Bartunek também comentou sobre o tema do momento: ESG, referente a melhores práticas ambientais, sociais e de governança. A gestora, diz, tem uma regra elevada para o tema, e o gestor defende que o assunto precisa ser amplamente discutido pelo mercado financeiro, inclusive pelo potencial de retorno envolvido.

“Não é só para fazer o certo, mas também para ter um retorno melhor. É para ganhar mais dinheiro, performar melhor, fazer o bem e ter sócios melhores.”

“Há uma percepção errada de que aquecimento global é coisa da esquerda. Isso é besteira”, afirmou. “A crise da Covid deixou claro que não dá pra ficar brincando com a natureza.”

O gestor disse ainda que o investidor não precisa abrir mão de retorno “para ajudar o mundo”. “Seu retorno vai ser melhor. Vários estudos científicos mostram que empresas com bons padrões ESG têm um retorno melhor.”

Confira o episódio completo para conhecer melhor a visão de Bartunek, sua maneira de enxergar o mercado de gestão de ativos, suas recomendações de leituras e mais aprendizados de peso que o ajudaram a moldar a carreira.

É possível conferir o episódio completo e os anteriores do Outliers por Spotify, Deezer, Spreaker, Apple e demais agregadores de podcast.

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Os melhores fundos de ações e multimercados em julho e em 12 meses

SÃO PAULO – Seguindo a toada recente do mercado, o mês de julho foi novamente marcado pela redução da aversão ao risco, com os investidores privilegiando as bolsas em detrimento aos ativos mais seguros, como o dólar. A divisa americana caiu 4,4% no mês passado, mas ainda sobe quase 30% em 2020, reflexo da corrida por proteção do início do ano.

Já o Ibovespa subiu 8,3% no mês passado, acima dos ganhos das bolsas americanas, com destaque para a alta de 6,8% da Nasdaq, na qual se concentram as principais empresas de tecnologia dos EUA. No ano, contudo, o benchmark brasileiro ainda cai 11%, até julho, contra uma alta de quase 20% do índice americano.

Nesse cenário, os fundos de investimento com alocação no exterior, que ainda predominam entre as maiores rentabilidades no período dos últimos 12 meses, perderam espaço em julho para carteiras mais voltadas à atividade doméstica.

Entre os maiores retornos de fundos de ações do mês, se destaca o Alaska Black BDR Nível I, com alta de 17,4% – apesar do nome, o produto não investe em BDRs atualmente.

Em 2020, no entanto, o fundo da Alaska ainda perde 48,6%, em grande parte devido a uma aposta vendida (que prevê a queda) em dólar ao longo do primeiro semestre. Em março, quando o Ibovespa caiu 30%, a desvalorização do fundo foi o dobro do montante, o que mantém as perdas acentuadas no ano, mesmo com retornos na casa dos dois dígitos desde então.

No caso dos multimercados, embora disponham de maior liberdade para operar com ativos diversos, os que concentram a atenção nas ações foram os que mais se destacaram em julho, mesmo porque tem sido desafiador para os gestores tirar valor dos juros nas mínimas, ou da alta volatilidade do câmbio.

Com um olhar em um prazo maior, de 12 meses, dos dez fundos de ações com a maior rentabilidade, sete se apropriam da valorização do dólar e das bolsas americanas à frente dos pares globais – em um ano, até julho, o Nasdaq sobe 31,4%, ante alta de 1,1% do Ibovespa.

Entre os fundos que não se dedicam à alocação global, o maior destaque ficou por conta do Forpus Ações Fc FIA, com valorização de 62,7%, atrás apenas do fundo de BDRs da Western Asset, que avançou 63,4%.

Confira a seguir os fundos de ações de destaque dos últimos 12 meses, assim como seu desempenho em um período de 36 meses, no acumulado de 2020 e apenas em julho. Importante lembrar que retorno passado não é garantia de rentabilidade futura, mas é interessante analisar o desempenho histórico dos fundos para observar sua consistência.

Para a análise, que tem como base dados extraídos da Economatica, foram considerados fundos não exclusivos com patrimônio líquido médio superior a R$ 100 milhões em 12 meses e mais de 99 cotistas, em julho.

No caso dos fundos de ações, foram excluídos os setoriais, os indexados e os monoações. Entre os multimercados, não foram considerados os fundos de crédito privado.

No grupo dos multimercados, ao analisar as dez maiores rentabilidades no intervalo de um ano, encerrado em julho, oito partem de fundos que investem no exterior, e um em ouro. O único “intruso” é o “long biased” da Versa.

Duro na queda

Luiz Nunes, sócio da Forpus Capital, atribui o resultado positivo do fundo à filosofia da casa de sempre carregar alguma proteção no portfólio.

No momento, a gestora tem derivativos atrelados ao mercado de bonds americanos, com o objetivo de atuarem como um seguro contra uma pressão inflacionária, hipótese que não é o cenário-base, mas que o sócio da Forpus não descarta, dada a injeção de liquidez dos governos.

Posições vendidas (que apostam na queda) também ajudam na composição de um portfólio equilibrado, diz Nunes, que aponta entre os “shorts” da carteira nomes como Renner, Multiplan e Iguatemi, mais dependentes do varejo físico. Produtoras de commodities como Petrobras e Suzano também compõem a parcela vendida do Forpus Ações FIA.

Já no book comprado, estão as companhias que mais se beneficiam do processo de digitalização acelerado pela pandemia, como B2W, Locaweb, Magazine Luiza e Totvs.

“No setor imobiliário, temos em carteira JHSF e Trisul, que atuam na média e alta renda e estão com as ações em um preço atraente.”

Tática de curto prazo

Entre os fundos de ações que mais subiram em julho, além do Black BDR da Alaska, destaque para o Small Mid Caps, da AZ Quest, que avançou 14,1%, e 11,7% em 12 meses.

Segundo Welliam Wang, co-gestor de renda variável da AZ Quest, o retorno se deve à combinação de resultados positivos tanto da carteira estrutural, com teses de maior convicção, que seguem entre as principais apostas do fundo, como do portfólio tático, caracterizado pelo giro mais alto.

Estão no primeiro grupo nomes como Via Varejo, pela mesma tese da digitalização citada por Nunes, da Forpus, e BTG Pactual, devido ao aumento no interesse da população pelo tema dos investimentos, frente aos juros tão baixos.

Já no segundo grupo, fizeram parte da carteira do fundo, nas últimas semanas, Oi e Cogna. Em relação à educacional, a despeito da visão negativa para a companhia, Wang explica que conseguiu se apropriar do recente momento positivo para a ação, influenciado pelo fluxo de investidores atraídos indiretamente por conta do IPO da subsidiária Vasta.

Sobre a Oi, Wang afirma que tirou proveito das negociações em torno da compra da operação móvel da empresa de telecom, que ainda não se concretizou, mas já culminou em uma valorização expressiva da ação.

Real e ouro como “hedge”

Na Logos Capital, a ação da Oi é uma posição que está desde o inicio do ano na carteira do multimercado Total Return, um dos destaques da categoria em julho. Ações da América Móvil (Claro), da Tim e da Vivo, que formaram um consórcio para disputar os ativos da Oi, também estão no portfólio.

Dessa maneira, diz Ricardo Vieira, sócio da Logos, o fundo se protege contra qualquer conclusão da disputa em torno da Oi, embora, por outro lado, possa também ver o retorno diluído pela diversificação.

De todo modo, no preço atual, o risco de uma queda abrupta das ações da Tim e da Vivo é bastante limitado, acrescenta Vieira, que enxerga no marco do saneamento um potencial de valorização significativo para a Sabesp.

Apesar de se tratar de um multimercado, cerca de 90% do retorno histórico do Total Return é oriundo do mercado de ações. Além da alocação em renda variável, o fundo entrou em 2020 com uma posição comprada (aposta na alta) no real, desfeita após o carnaval.

Nas últimas semanas, a gestora retomou a alocação na divisa brasileira, mas apenas como um “hedge” para as ações de exportadoras, como da Vale e dos frigoríficos. Também como mecanismo de proteção, uma alocação residual em ouro tem sido carregada pelo Total Return.

Redução do risco

Na JGP, o analista-chefe de ações, Fábio Fonseca, também vê na Vale um potencial de retorno atraente, dado o atual nível do câmbio e do minério de ferro, vis-à-vis o preço da ação, o que torna a empresa uma das principais apostas do “long bias” JGP Equity.

Assim como no multimercado da Logos, as ações da Oi também estão na carteira do JGP Equity há cerca de dois anos, ressalta Fonseca. B3, Equatorial, Localiza e Natura também foram citadas pelo analista chefe como ações de alta qualidade no portfólio, tidas como as mais indicadas para o cenário incerto esperado à frente.

A JGP se valeu da flexibilidade do “long bias” para reduzir em julho o nível de risco do fundo, que estava 100% alocado, e foi reduzido em cerca de 15%.

A postura mais cautelosa se justifica por diversas incertezas no horizonte, diz Fonseca, apontando as dúvidas sobre a resposta da economia ao fim do auxilio emergencial, ou relacionadas à maneira como o governo vai lidar com o delicado quadro fiscal. “Nesses níveis, a Bolsa está cara em termos de fundamentos, embora sempre seja possível encontrar boas histórias.”

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