Conheça os melhores fundos de ações, multimercado, crédito privado e imobiliários do país pelo ranking InfoMoney-Ibmec 2021

SÃO PAULO – As gestoras Versa, Sharp, Capitânia e Iridium estão à frente dos melhores fundos das categorias ações, multimercados, renda fixa crédito privado e fundos imobiliários, respectivamente, da edição 2021 do ranking exclusivo criado pelo InfoMoney em parceria com a escola de negócios Ibmec.

Os vencedores foram anunciados nesta terça (23) e quarta-feira (24) durante evento online que contou com a participação de alguns dos finalistas para debater o futuro do mercado em cada classe.

Com o objetivo de destacar os gestores que entregam bons resultados com consistência, o ranking premia os fundos que tiveram bons desempenhos em critérios de retorno e risco em um período de três anos. Conheça a metodologia completa aqui.

Confira a seguir os ganhadores de cada categoria e acompanhe os painéis que se seguiram à premiação.

Renda variável

1º lugar: Versa Long Biased
2º lugar: Dynamo Cougar
3º lugar: Atmos Ações
4º lugar: Patria Pipe Feeder Institucional
5º lugar: Hix Capital

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Multimercados

1º lugar: Sharp Long Short 2x Feeder
2º lugar: Vista Multeestratégia
3º lugar: Verde Am Scena
4º lugar: Legacy Capital Advisory
5º lugar: Ibiuna Hedge STH

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Renda fixa crédito privado

1º lugar: Capitânia Premium
2º lugar: Capitânia Top
3º lugar: XP Top Crédito Privado Renda Fixa FI LP
4º lugar: Western Asset Credit Excellent FIC FI RF Crédito Privado
5º lugar: BV Eagle

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Fundos imobiliários

1º lugar: Iridium Recebíveis Imobiliários (IRDM11)
2º lugar: Hectare Crédito Estruturado (HCTR11)
3º lugar: Banestes Recebíveis Imobiliários (BCRI11)
4º lugar: Valora CRI Índice de Preço (VGIP11)
5º lugar: Habitat Recebíveis Pulverizados (HABT11)

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Para receber um ebook gratuito sobre o evento, com as principais recomendações feitas pelos gestores dos melhores fundos do país, deixe seu e-mail abaixo:

Ranking Melhores Fundos InfoMoney-Ibmec
Descubra quais são e como investem os melhores fundos de investimento do país:

Como foi feito o ranking InfoMoney-Ibmec de melhores fundos 2021

O ranking InfoMoney-Ibmec de melhores fundos tem o objetivo de premiar os gestores mais consistentes do setor.

A iniciativa partiu da ideia de que os rankings existentes atualmente favorecem aqueles fundos que tenham uma janela extremamente positiva em um curto período (de até um ano), mas não consideram a capacidade de os gestores gerarem retorno no longo prazo (pelo menos 3 anos).

Isso pode levar o investidor a uma tomada de decisão equivocada, levando-o a pensar que deveria trocar periodicamente de fundo para obter a melhor performance.

Sabe-se que, na prática, o investidor que adere a um fundo de investimento deseja comodidade e performance frente ao risco assumido.

Categorias:

São consideradas 4 classes de fundos diferentes:

  • Renda Fixa Crédito Privado
  • Multimercado
  • Ações
  • Fundos Imobiliários

Tais classes de fundos foram destaques importantes no setor nos últimos anos. No atual cenário de juros baixos, há uma tendência maior de exposição ao risco por parte dos investidores.

Reflexo disso é o fato de os fundos multimercados e de ações terem uma captação líquida superior a R$ 150 bilhões em 2019 – um aumento de 22,4% em relação a 2018.

Além disso, os fundos de crédito privado continuam sendo importantes dentro da categoria renda fixa.

Por fim, os fundos imobiliários se sobressaíram dentre os considerados “alternativos”, tendo o número de investidores pessoa física que investem nessa classe mais que dobrado no período.

Metodologia

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Filtros: Para evitar que fundos não distribuídos ao investidor comum ou com acesso muito restrito fossem considerados na amostra, foram aplicados alguns filtros no universo de mais de 19 mil fundos registrados na CVM, disponíveis na base de dados da Economatica.

Além disso, fundos com patrimônio muito reduzido foram desconsiderados, dado que, em alguns casos, esses fundos podem ter retornos favorecidos por executar operações irreplicáveis para veículos com patrimônio mais elevado.

Seguem abaixo os filtros utilizados em cada uma das categorias do prêmio:

Para todos as categorias de fundos ICVM 555 (Renda Fixa, Multimercado e Ações)

  • Data-base: 31/12/2020;
  • São excluídos

  • Fundos exclusivos, bem como os fundos destinados a investidores profissionais ou private;
  • Fundos com menos de 50 cotistas no último dia útil dos dois semestres do ano de 2020;
  • Fundos com Taxa de administração inferior a 0,10% ao ano;
  • Fundos com patrimônio líquido médio em cada janela semestral (calculado com base diária) inferiores a R$ 50 milhões em 2018 e a R$ 100 milhões em 2019 e 2020;
  • Fundos cujas carteiras tenham exposição a investimentos no exterior ou BDRs superior a 66,7% do patrimônio líquido, na média dos últimos 6 meses
  • Fundos que possuam simultaneamente mais de 80% do patrimônio líquido investido em cotas de fundos e menos de 90% do patrimônio líquido investido em sua maior posição. Também são excluídos os fundos que invistam mais de 90% do patrimônio líquido em fundos que se enquadrem nessa condição.
  • Caso haja dois fundos no ranking que invistam mais de 90% do patrimônio líquido em cotas de um mesmo fundo master, apenas o mais antigo é considerado nos cálculos. Em casos de empate, é considerado o fundo com maior patrimônio líquido.

Adaptações na metodologia

Na edição de 2021, o ranking InfoMoney-Ibmec de melhores fundos apresenta duas adaptações em sua metodologia, descritas a seguir:

  1. Adição do critério de exclusão de fundos de fundos (FoF): o fundo de fundos é um tipo de fundo que, por definição, investe em outros fundos disponíveis na indústria. Visto que o ranking InfoMoney-Ibmec tem como objetivo premiar os melhores fundos de gestão ativa, que apresentem uma estratégia para a seleção de ativos e montagem de portfólio, foi adicionado na metodologia o critério para exclusão de fundos que invistam majoritariamente em outros fundos (FoF).

2. Flexibilização do filtro de volatilidade máxima para fundos de renda fixa crédito privado: até a edição de 2020, o ranking considerou o limite máximo de volatilidade anualizada de 1% em janelas semestrais, a fim de criar uma amostra equiparável entre os fundos de renda fixa – isto é, são excluídos aqueles que apresentem uma componente elevada de risco de mercado.

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Por outro lado, a crise ocorrida em 2020 trouxe grandes surpresas para os fundos de crédito privado, que passaram por oscilações extremamente atípicas no primeiro semestre do ano, levando ao aumento da volatilidade dos fundos.

A fim de incorporar aos critérios amostrais os efeitos da crise e evitar a exclusão indevida de fundos de crédito privado, foi elevado o limite de volatilidade anualizada máxima, de 1% para 3%.

Fundos de Renda Fixa Crédito Privado:

  • São considerados
  • Fundos com classificação CVM: “Renda Fixa”;
  • Fundos com sufixo Crédito Privado;
  • Fundos com volatilidade anualizada inferior a 3% ao ano, em cada janela semestral ao longo dos 36 meses.

Fundos Multimercado:

  • São considerados
  • Fundos com classificação CVM: “Multimercado”;
  • São excluídos
  • Fundos que, em seus respectivos regulamentos, busquem investir de forma ativa ou passiva em uma classe de ativo que seja representada por um único índice que não seja o CDI;
  • Fundos com volatilidade anualizada inferior a 1% ao ano, em cada janela semestral ao longo dos 36 meses;
  • Fundos com classificação ANBIMA “Capital Protegido”, bem como fundos Multimercado (CVM) com classificação “Crédito Privado” segundo a ANBIMA;
  • Fundos que sejam isentos de tributação;
  • Fundos com classificação CVM “Multimercado” e tributação alvo de “Renda Variável”
    • Estes são retirados desta categoria e considerados na categoria de Fundos de Ações.

Fundos de Ações:

  • São considerados
  • Fundos com classificação CVM: “Ações”;
  • Fundos com classificação CVM “Multimercado” e tributação alvo de “Renda Variável”.
  • São excluídos
  • Fundos com Classificação ANBIMA “Mono Ação”, “Fechados de Ações”, “Ações FMP-FGTS”, “Indexados” e “Setoriais

Fundos Imobiliários

A fim de evitar que fundos com pouca liquidez façam parte da amostra:

  • São considerados
  • Fundos que fazem parte do IFIX;
  • Fundos que possuem volume médio de negociação diária acima de R$ 1 milhão no último trimestre de análise do ranking

Ranking de fundos de Renda Fixa, Ações e Multimercado

Razões adicionais para o prazo de 36 meses: a maioria dos fundos deveria ser tratada como investimentos de longo prazo.

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Um estudo elaborado pela XP Investimentos com o principal índice de fundos multimercados da indústria, o IHFA (Índice de Hedge Funds da Anbima), analisando mensalmente as janelas de 12 meses desde o início da série em 2008 até o ano em que foi criado esse ranking (2018), mostra que, em 72,58% das vezes, o índice supera o CDI.

Entretanto, quando analisamos janelas de 36 meses, notamos que esse indicador sobe para 98,99% das vezes. Portanto, considerou-se que 36 meses deve ser a janela ideal para a análise de um fundo de investimento para premiação justa dos gestores.

Como métricas quantitativas utilizadas na obtenção do ranking, foram considerados (i) Índice de Sharpe e (ii) retorno absoluto – cada uma tendo metade do peso na nota final. No caso dos fundos de Renda Fixa Crédito Privado, por possuir volatilidade extremamente reduzida, proporcionam um Índice de Sharpe significativamente maior e sem sentido comparativo. Dessa forma, a metodologia do estudo limitou a volatilidade dos fundos dessa categoria e adotou-se o retorno simples para efeito de comparação.

Sharpe: o Índice de Sharpe, criado por William Sharpe (Nobel de Economia em 1990), é um indicador que permite avaliar a relação entre o retorno e o risco de um investimento. Ele mede qual é a relação entre o retorno excedente ao ativo livre de risco e a volatilidade. Para o ativo livre de risco, é considerado o CDI.

Em teoria, quanto maior o Índice de Sharpe, melhor a performance do fundo vis-a-vis seu risco. Por outro lado, assim como qualquer parâmetro quantitativo, o Índice de Sharpe não deveria ser interpretado isoladamente para a avaliação de um fundo; fatores de preferência/satisfação do investidor, tais como grau de aversão ao risco, retorno esperado, entre outros, devem ser considerados para a tomada de decisão da aplicação. O fato de a premiação ser segregada por diferentes classes – cada qual correspondendo a determinado nível de risco – embute de certa forma os fatores mencionados anteriormente, auxiliando o investidor na tomada de decisão.

Construção do Ranking de 3 anos:

O período de análise considerado é de 3 anos.

Divide-se o período em janelas semestrais dado que, na maioria dos casos, o “ciclo natural” de uma gestora de recursos ocorre semestralmente, principalmente com a cobrança da taxa de performance e pagamento dos bônus da equipe.

Para cada janela semestral, é calculada uma métrica quantitativa, que possui um peso maior nas janelas mais recentes, conforme percentuais arbitrados na tabela abaixo:

O critério da definição dos pesos de cada semestre considera que as janelas mais recentes refletem melhor a qualificação atual do fundo, portanto possuem um peso maior. Dado que o prêmio possui periodicidade anual, os dois semestres mais recentes possuem pesos iguais, porém os pesos decaem 5% para cada um dos semestres seguintes. Assim, o ano mais recente representa 50% da pontuação final, mas as janelas restantes também são relevantes, de forma que o gestor vencedor deve mostrar consistência de resultado.

A métrica quantitativa leva em conta dois parâmetros: (i) Índice de Sharpe e (ii) Retorno, exceto para os fundos de renda fixa, para os quais é calculado apenas o retorno, conforme tabela abaixo:

Para cada semestre, a contribuição de cada parâmetro é calculada pela seguinte fórmula. Por exemplo, para o retorno:

O mesmo cálculo é realizado para o Índice de Sharpe, para em seguida serem aplicados os pesos e obtida a pontuação do fundo no semestre. Por fim, as pontuações do fundo em cada semestre são somadas, aplicando-se os respectivos pesos de cada semestre.

Vale ressaltar que fundos com menos de 36 meses também são considerados no ranking. Entretanto, nos semestres em que não há rentabilidade durante o período completo, esses fundos apresentam pontuação nula (igual a zero). Dessa forma, permitimos que fundos mais novos sejam elegíveis ao prêmio, mas, por não conseguirmos avaliar sua consistência por meio da análise de um período mais longo, eles são desfavorecidos.

Ranking de Fundos Imobiliários

Prazo: Entende-se que os fundos são investimentos de longo prazo. Entretanto, dado o acelerado crescimento da indústria nos últimos dois anos, principalmente no último semestre de 2019, foi considerada uma janela de apenas 24 meses divididos em trimestres como ideal para a análise de um fundo imobiliário.

Construção do Ranking:

A construção do Ranking considera os seguintes passos:

  • Considerou-se um período de 2 anos para a análise;
  • Divide-se o período em 8 janelas trimestrais, dado que os fundos imobiliários apresentaram um rápido crescimento nos últimos trimestres de 2019;
  • Para cada trimestre, a contribuição de cada parâmetro é calculada pela seguinte fórmula. Por exemplo, para o retorno:

  • Para ajuste do peso de cada semestre, pondera-se a pontuação de cada semestre por um percentual arbitrado, conforme tabela abaixo:

  • Os critérios de atribuição de pesos para cada um dos trimestres foram feitos da mesma forma que no ranking de fundos ICVM 555.
  • Fundos com menos de 24 meses de histórico são considerados na avaliação. Entretanto, nos semestres em que não há rentabilidade durante o período completo, esses fundos ficam com a pontuação nula (igual a zero). Dessa forma, permitimos que fundos mais novos sejam elegíveis ao prêmio, mas, por não conseguirmos avaliar sua consistência por meio da análise de um período mais longo, eles são penalizados. A todo momento, procurou-se maior rigor na análise comparativa, algo especialmente importante em um mercado tão recente como o de FIIs.

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Títulos de crédito privado retomam nível pré-crise; especialistas apontam onde estão as oportunidades

SÃO PAULO – Sem a mesma liquidez das ações, a queda abrupta dos preços de títulos de crédito privado provocada pela crise do coronavírus – e sua posterior recuperação – ocorreu com alguma defasagem no segmento.

A maior queda dos ativos de dívida corporativa foi registrada em abril, cerca de duas semanas após o início da sangria na Bolsa, quando as gestoras tiveram que se desfazer de créditos de alta qualidade a qualquer preço para honrar resgates que chegavam incessantemente.

Naquele momento, os “spreads”, que correspondem aos prêmios que os títulos oferecem em relação ao CDI, aumentaram de maneira desproporcional, tendo em vista o risco intrínseco associado ao ativo.

E, quando isso ocorre, automaticamente o valor de face (montante que será resgatado no vencimento) dos papéis sofre uma queda proporcional – quanto maior a taxa, menor precisa ser o preço do título para que o compromisso assumido com o investidor seja honrado.

Em um segundo momento, conforme as oportunidades mais óbvias na B3 foram rareando, as debêntures emitidas por grandes empresas, com taxas bem acima do usual, voltaram a entrar no radar dos investidores.

O gráfico a seguir mostra a trajetória em 2020 do Idex-CDI, benchmark calculado pela gestora de recursos JGP a partir de debêntures de alta liquidez.

A partir dele, é possível verificar que o índice recuperou o patamar pré-crise nas primeiras semanas de agosto, com um desempenho ligeiramente acima do CDI, após as compras recentes de assets e tesourarias de grandes bancos atraídas pelos prêmios polpudos.

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Fonte: JGP

“Conforme a demanda foi voltando, os spreads caíram, o que elevou o valor de face do papel, resultando na recuperação do preços”, explica Alexandre Muller, gestor da JGP.

Além da correção natural já esperada após o abrupto impacto negativo inicial, o gestor ressalta que contribuiu para o fechamento dos prêmios o programa que deu ao Banco Central (BC) a prerrogativa de comprar dívidas corporativas no mercado secundário.

A autoridade monetária nem sequer chegou a atuar no escopo do programa, mas saber que ela estava na retaguarda, pronta para evitar novas quedas na mesma magnitude do inicio do ano, foi o suficiente para trazer alguma normalidade aos preços, afirma Muller.

Nova conjuntura macro

Segundo o gestor da JGP, o spread de títulos com rating “triplo A”, a melhor classificação na escala das agências globais, está hoje ao redor de 2,5%, bem abaixo do pico próximo de 5%, em meados de abril, mas ainda acima do nível de 1% de janeiro.

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Diante dos prêmios pagos pelos papéis e pelo maior nível de incertezas no horizonte, que tende a estimular uma postura mais cautelosa, o gestor da JGP acredita que o investidor ainda consegue encontrar oportunidades atraentes no nicho sem assumir grandes riscos, concentrando-se somente nas grandes empresas dos setores de maior resiliência na crise.

Entre os ativos no portfólio sob gestão, Muller cita os da Coelba, a companhia baiana de energia, da Klabin e da Lojas Americanas.

Entre as debêntures com o melhor desempenho em 2020, até 18 de agosto, se destacam no Idex-CDI justamente as de emissoras do setor de energia elétrica, saneamento e telecom, segmentos que conseguiram passar melhor pela crise.

Por outro lado, entre os títulos de dívida com as piores performances do ano, estão os títulos de empresas dos segmentos automotivo e de saúde.

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OBS.: Dados em 2020 até 18 de agosto. Fonte: JGP

“A expectativa de default não está tirando o sono do mercado, entre as debêntures das maiores empresas. Ao descer um pouco a régua para as de pequeno e médio porte, a situação é bem diferente, mais caso a caso.”

Mas mesmo entre ativos do tipo “high yield”, com maior risco em comparação a um titulo grau de investimento, o gestor da JGP vê oportunidades.

Ele aponta, como exemplo no próprio portfólio os títulos da Attend Ambiental, empresa com sede em Barueri que atua no tratamento de resíduos industriais, e que vem surfando a “onda ESG”, em alta no mercado local.

Isenção do IR

Para Sérgio Penchas, sócio fundador da empresa de assessoria financeira One Partners, o grande rali entre as debêntures já aconteceu. Após a recuperação recente do setor, o ganho de capital com novos fechamentos de taxa está bem mais limitado, avalia Penchas.

A partir de agora, diz ele, a principal oportunidade a ser capturada pelo investidor nos ativos de crédito está no fato de os prêmios dos títulos corporativos de alta qualidade seguirem acima do histórico recente.

De todo modo, mesmo com a vantagem do carregamento, é preciso considerar também que a taxa, entre as dívidas grau de investimento, já não é muito maior que a das NTN-Bs, ressalta Penchas, que aponta os papéis com isenção de IR como alternativa ao investidor em relação ao risco soberano.

“Uma carteira de papéis isentos, bem diversificada, é uma boa opção, até porque normalmente são apenas grandes companhia que emitem, de menor risco”, afirma o o sócio da One Partners.

Ele cita, entre as atuais opções com isenção de IR no radar, os títulos da Petrobras, com vencimento em 2026 e taxa de 2,5%. O papel indexado à inflação Tesouro IPCA de mesmo prazo pagava um prêmio 2,3% na segunda-feira.

Ao gosto do freguês

Antes de investir em uma debênture, que não dispõe da mesma liquidez para entrar e sair a todo tempo como as ações, o investidor precisa se certificar de que tem o tempo e um conhecimento mínimo necessários para que seja feita uma análise minuciosa da dívida, diz Márcio Wolter, planejador financeiro com certificação CFP.

Entre os aspectos mais importantes que precisam ser levados em consideração na hora de avaliar um título corporativo, o especialista aponta desde o perfil financeiro da empresa emissora, passando pelo prazo do ativo frente ao custo de vida do investidor no período, até o indexador da operação e sua efetiva remuneração.

“Se o investidor entender que não tem as ferramentas para fazer a análise de maneira apropriada, o ideal é optar pela expertise e a diversificação oferecida pelos gestores dos fundos de crédito, ou pelo assessoramento de um profissional certificado.”

Caso a escolha seja por um fundo, entender a estratégia e os limites de risco que o fundo pode incorrer, bem como o histórico do próprio gestor responsável, são itens que não podem faltar na análise, aponta Wolter.

Ele lembra que um erro comum, evidenciado na crise, foi de investidores que vinham mantendo a reserva de emergência em fundos de crédito privado, em teoria, de baixa volatilidade, mas que não foram poupados diante do aumento agudo da volatilidade a partir de fevereiro.

“É um tipo de alocação que não faz sentido. A reserva de emergência precisa estar no Tesouro Selic ou em um CDB com liquidez diária, dentro dos limites do Fundo Garantidor de Créditos.”

Já para o investidor mais versado sobre os riscos e as oportunidades do mercado, Wolter entende que aplicar diretamente em um título privado de crédito, de preferência com rating “grau de investimento” como forma de mitigação do risco, pode ser uma boa opção, dada a economia dos custos administrativos e de gestão atrelados ao fundo.

Renda fixa além-mar

Para o público de maior poder aquisitivo, Penchas, da One Partners, entende que o caminho natural será uma busca por maior sofisticação, mesmo dentro da própria renda fixa.

Uma opção nessa linha são os fundos que oferecem ao investidor uma exposição na classe para além das fronteiras domésticas, mesmo que os ativos em questão sejam de empresas brasileiras, mas de emissão realizada no exterior e em dólar, assinala Stefan Castro, gestor da estratégia de bonds latino-americanos da gestora AF Invest.

“Os títulos globais de renda fixa estão na carteira do cliente dos gestores de patrimônio há muito tempo, mesmo quando o CDI estava em dois dígitos. Só que agora, com a Selic em 2%, mais investidores estão buscando a diversificação no exterior”, afirma Castro.

Segundo ele, o fundo AF Global Bonds, voltado ao investidor qualificado, com R$ 1 milhão em aplicações financeiras, tem como foco as dívidas corporativas em dólar de companhias brasileiras, mexicanas, colombianas e chilenas, com uma expectativa de retorno de CDI mais 4% ao ano.

Além das exportadoras e dos grandes bancos, tradicionais emissores brasileiros de bonds globais, empresas dos setores de óleo e gás, consumo, energia e saneamento têm optado cada vez por emissões fora do país, em que a liquidez é muito maior, observa o especialista.

“Uma grande vantagem do mercado internacional de crédito privado é a possibilidade de ficar ‘vendido’ [com aposta na queda dos preços]”, afirma Castro, lembrando que a falta de profundidade ainda impede o posicionamento no mercado local.

O fundo global de renda fixa, explica o gestor da AF Invest, pode ser comparado a um “long bias” de ações, com flexibilidade para alternar a exposição alocada no mercado, de acordo com a percepção sobre os riscos e oportunidades no cenário, podendo ainda fazer “hedges” via derivativos e operações de arbitragem de valor relativo entre pares de dívidas.

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