Super Lives – 1 ano de pandemia

O InfoMoney e a XP estão organizando a série Super Lives – 1 ano de pandemia. Em entrevistas exclusivas, empresários, executivos de empresas, integrantes do governo, especialistas em saúde, economistas e investidores vão discutir os impactos da pandemia e as perspectivas para o pós-crise.

Entre os palestrantes confirmados, estão Paulo Guedes, ministro da Economia, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, Hamilton Mourão, vice-presidente da República, Pedro Jobim, sócio da Legacy, Caio Megale, economista-chefe da XP, Alexandre Birman, CEO da Arezzo, Carlos Jereissati Filho, CEO da Iguatemi, Pedro Bartelle, CEO do grupo Vulcabras Azaleia, e Rony Meisler, CEO do grupo Reserva.

As lives começam nesta terça, 30 de março, e vão até meados de abril. Veja abaixo a agenda inicial, que será atualizada ao longo dos próximos dias:

Data / horário Tema Participantes
30/03, às 19h O futuro do Varejo Alexandre Birman (CEO da Arezzo), Carlos Jereissati Filho (CEO da Iguatemi), Pedro Bartelle (CEO do grupo Vulcabras Azaleia) e Rony Meisler (CEO do grupo Reserva)
05/04, às 15h30 Os planos para a economia Paulo Guedes (ministro da Economia)
05/04, às 17h A visão do governo Hamilton Mourão (vice-presidente da República) e Richard Back (sócio e analista político da XP)
06/04, às 18h30 Os desafios econômicos do Brasil Alexandre Schwartsman (ex-diretor do BC), Caio Megale (economista-chefe da XP), Luiz Fernando Figueiredo (sócio da Mauá) e Pedro Jobim (sócio da Legacy)
09/04, às 11h Política monetária e agenda BC+ Roberto Campos Neto (presidente do Banco Central)

Todas as lives serão transmitidas pelo canal do InfoMoney no Youtube. Para acompanhar e receber as notificações, siga nossa página no Youtube e clique no sininho!

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Mourão: governo está tentando aos poucos aproximação para privatizar Eletrobras

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou na manhã desta quarta-feira (24) que o governo está “tentando pouco a pouco uma aproximação que permita chegar no objetivo para privatizar” a Eletrobras (ELET3;ELET6). Ontem, o governo federal publicou, em edição extra do Diário Oficial da União, texto da Medida Provisória 1.031, que trata da desestatização da estatal de energia elétrica.

Conforme o Estadão/Broadcast havia antecipado, o texto inclui a Eletrobras e suas subsidiárias no Programa Nacional de Desestatização (PND) por meio da revogação de um trecho da Lei 10.848/2004, aprovada durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que excluía as empresas do programa.

Sobre a demora em se encaminhar a proposta de privatização da empresa, discutida desde o governo de Michel Temer, Mourão afirmou que, “na política, assim como na competição de orientação, a linha reta nem sempre é a distância mais curta entre dois pontos. Você tem que fazer várias curvas até conseguir chegar no objetivo”.

Diante da pergunta sobre se concorda com a privatização da Eletrobras, o vice-presidente respondeu: “o nosso governo sempre pensou dessa forma. Nunca escondeu isso aí”.

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Mourão e indicado para a presidência da Petrobras dizem que fundo poderia aliviar flutuações dos combustíveis

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) – O vice-presidente da República Hamilton Mourão negou nesta segunda-feira que o governo tenha interferido na Petrobras (PETR3;PETR4ao indicar um novo presidente para a empresa na sexta-feira, em meio a disputa sobre preços dos combustíveis, e disse ver a criação de um fundo como possível saída para aliviar flutuações do diesel e gasolina.

O presidente Bolsonaro disse na sexta-feira que o governo indicou Joaquim Silva e Luna para assumir o comando da Petrobras ao final do mandato do atual CEO Roberto Castello Branco, em meados de março.

Luna, que até então comandava a hidrelétrica binacional de Itaipu, foi na mesma linha de Mourão em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta segunda-feira, ao comentar sobre a possibilidade de um fundo ser usado para amortecer o efeito sobre consumidores das variações de preços internacionais do petróleo.

Ao conversar com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, Mourão disse que pessoalmente acredita que um fundo abastecido com royalties gerados pela exploração de petróleo poderia ser uma saída para que preços dos combustíveis não flutuassem de forma tão abrupta.

A Petrobras já reajustou o diesel em suas refinarias em mais de 27% no acumulado do ano, enquanto a gasolina subiu 35%.

“Na minha visão, a solução para isso é se a gente conseguisse criar um fundo soberano com base nos royalties do petróleo, e esse recurso, quando houvesse essas flutuações, fosse utilizado para amortecer os aumentos. Não tem outra solução fora disso aí”, disse Mourão.

Em separado, Luna também falou sobre um fundo ao ser questionado na Rádio Bandeirantes sobre possíveis mecanismos de contenção de reajustes.

Ele mencionou sua experiência em Itaipu, onde segundo ele buscava-se manter sempre um volume de água no reservatório que assegurasse o cumprimento dos contratos da usina, o que funcionava como um “colchão regulador”.

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“Um colchão numa entidade como a Petrobras, eu imagino, estou imaginando alto aqui, seria alguma coisa como um fundo, um fundo regulador”, disse Luna à Bandeirantes, falando em tese.

“Estou só colocando uma ideia que veio com a pergunta”, disse ele, defendendo que o mecanismo poderia garantir maior previsibilidade para os consumidores.

Não há mais detalhes de como seria o mecanismo, mas a lógica poderia ter algum paralelo com um programa de subsídios do governo brasileiro a combustíveis no passado, criado para evitar perdas para a Petrobras.

Em 2018, após a greve dos caminhoneiros por conta das fortes altas do diesel, o governo Michel Temer anunciou um programa de subvenções que pagou à Petrobras e outras empresas bilhões de reais para que não houvesse repasse das flutuações de preços.

A iniciativa teve, entre outros objetivos, garantir que a estatal não sofresse perdas por não seguir parâmetros como o barril de petróleo, conforme estabeleceu o estatuto da empresa alterado na época pela gestão do então presidente da Petrobras Pedro Parente.

SEM INTERFERÊNCIA

Além de comentar sobre o fundo, Mourão negou que tenha havido qualquer interferência do governo na Petrobras, após diversos analistas de mercado terem reduzido recomendações para os papéis da companhia citando temores de interferência política nos preços da estatal.

“Não, pô. Está dentro da atribuição do presidente. O mandato do Roberto (Castello Branco) terminava dia 20 de março, poderia ser renovado ou não, a decisão é não renovar”, disse Mourão, falando a apoiadores.

Ainda assim, as ações aceleravam perdas e caíram cerca de 20% nesta manhã, com o mercado apontando interferência estatal.

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“Não vejo forma de intervir nos preços. Até pela própria legislação que rege a companhia, que é o que está sendo comentado e muito, não vai haver isso. É uma questão de confiança na pessoa que está lá, pelo que o presidente colocou”, acrescentou.

Ele citou uma possível “falta de comunicação” entre Castello Branco e Bolsonaro e negou temores de uma fuga de investidores na Petrobras.

“Isso tudo é especulação, o mercado é rebanho eletrônico, sai correndo para um lado, daqui a pouco eles voltam correndo de novo. Não vejo que vá prejudicar demais isso aí. Daqui a pouco volta tudo, principalmente porque a pessoa do Silva e Luna, o Silva e Luna é um camarada extremamente preparado”, disse Mourão.

O anúncio de Bolsonaro sobre a indicação de Silva e Luna veio após o presidente se queixar em transmissão ao vivo em redes sociais sobre reajustes de combustíveis pela companhia e uma fala de Castello Branco, de que a estatal não teria relação com pressões de caminhoneiros contra os preços do diesel.

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Governo não pode ser “escravo do mercado”, diz Mourão

Após o presidente da República, Jair Bolsonaro, demonstrar irritação com o mercado financeiro, o vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta sexta-feira, 12, que o governo não pode ser “escravo do mercado”. Sobre uma nova rodada do auxílio emergencial, Mourão opinou que o chefe do Executivo é “obrigado a decidir” alguma forma de auxiliar a parcela da população mais prejudicada por conta da pandemia da covid-19.

“Em linhas gerais, ou você faz empréstimo extraordinário, aí seria tal do orçamento de guerra, ou corta dentro do nosso orçamento para atender as necessidades. Não tem outra linha de aço fora disso”, disse Mourão na manhã desta sexta na chegada à vice-presidência.

Questionado sobre como o mercado financeiro receberia a possibilidade de um novo Orçamento de Guerra, Mourão respondeu: “Minha gente, a gente não pode ser escravo do mercado. Tem que entender o seguinte: temos aí 40 milhões de brasileiros em uma situação difícil. A gente ainda continua com a pandemia.”

Na quinta-feira, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro disse que representantes do mercado ficam “irritadinhos” com “qualquer coisa que fala”.

A fala remete a preocupação de investidores com medidas em análise pelo governo, como a retomada do auxílio emergencial, que possam comprometer o teto de gastos e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Conforme o jornal O Estado de S. Paulo mostrou, a equipe econômica considera mais três parcelas de R$ 200 do auxílio, desde que sejam aprovadas medidas de ajuste fiscal, como cortes de gastos com servidores, e uma base jurídica, como uma cláusula de calamidade ou uma nova versão do orçamento de guerra para permitir ao governo ampliar os gastos fora de amarras fiscais.

Segundo Mourão, dando aval ou não para novas parcelas do benefício, Bolsonaro será criticado. “Vamos lembrar, se ele disser que não vai auxiliar ele vai tomar pau, se diz que vai auxiliar vai tomar pau também. É uma situação difícil e julgo que ele vai buscar a melhor solução”, declarou.

O chefe do Executivo indicou na quinta que o benefício tem “pressa”e já deveria começar a ser pago a partir de março e por até quatro meses.

Na visão do vice-presidente, o País ainda deve levar três ou quatro meses para ter “uma produção de vacina capaz de começar um processo de imunização consistente”. E, enquanto isso, o governo segue em busca de alternativas para atender a população. “O presidente é obrigado a decidir alguma forma de auxiliar essa gente”, disse.

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Bolsonaro fala em interferência externa nas eleições dos EUA e Mourão cutuca Joe Biden

Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

SÃO PAULO – Em uma mensagem nas redes sociais o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falou sobre as eleições nos Estados Unidos e comentou sobre um possível risco de interferência externa no processo.

Segundo ele, “há sempre uma forte suspeita da ingerência de outras potências” na eleição americana. Os eleitores dos EUA vão às urnas nesta terça-feira (3) para decidir entre a reeleição do republicano Donald Trump ou troca de comando do país para o democrata Joe Biden.

Bolsonaro apontou que estas suspeitas se dão por conta do poder dos EUA influírem no que acontece no mundo todo. “É inegável que as eleições norte-americanas despertam interesses globais, em especial, por influir na geopolítica e na projeção de poder mundiais”, disse ele.

Nas últimas semanas, Trump questionou diversas vezes o processo eleitoral deste ano, em especial a questão do voto pelo correio, que, segundo ele, abre margem para fraudes. Além disso, ele já indicou que em caso de derrota deverá questionar o resultado e pedir recontagem de votos em alguns estados.

Em sua publicação, Bolsonaro ainda comentou sobre o Brasil, dizendo que no país, “em especial pelo seu potencial agropecuário, poderemos sofrer uma decisiva interferência externa, na busca, desde já, de uma política interna simpática a essas potências, visando às eleições de 2022”.

“Não se trata apenas do Brasil. Devemos nos inteirar, cada vez mais, do porquê, e por ação de quem, a América do Sul está caminhando para a esquerda. Nosso bem maior, a liberdade, continua sendo ameaçada. Nessa batalha, fica evidente que a segurança alimentar, para alguns países, torna-se tão importante e aí se inclui, como prioridade, o domínio da própria Amazônia”, completou o presidente.

Apesar deste breve comentário, Bolsonaro foi aconselhado por diplomatas e assessores próximos a esperar a declaração de um resultado oficial da disputada eleição americana ante de se manifestar, segundo duas fontes disseram à Reuters.

De acordo com a publicação, o presidente acompanha de perto as eleições nos EUA e hoje de manhã se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o assessor para assuntos estratégicos da Presidência, almirante Flávio Rocha, e com o assessor internacional da Presidência, Filipe Martins, para analisar o cenário e definir a estratégia de reação ao resultado.

A recomendação feita ao presidente, de acordo com uma das fontes, é que, dado ao cenário imprevisível da eleição, o presidente brasileiro se abstenha de cumprimentar um vencedor antes do anúncio do resultado oficial, o que deve levar alguns dias, mesmo que um deles, Trump ou o democrata Joe Biden, se declare vencedor.

Mourão fala sobre Amazônia

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Enquanto isso, falando com jornalistas no Palácio do Planalto, o vice-presidente, General Hamilton Mourão (PRTB), criticou a política ambiental dos EUA, cutucando o democrata Joe Biden, que já fez comentários públicos sobre o Brasil.

Mourão, que é presidente do Conselho Nacional da Amazônia, afirmou que o democrata não devia querer cuidar dos problemas do Brasil. “Pode ser que a equipe do Biden tenha uma ação mais incisiva. Mas vamos lembrar que os EUA estão entre os países que mais emitem gás carbônico no mundo. Então primeiro eles têm que resolver os problemas deles, para depois vir para o nosso”, disse.

Durante o primeiro debate com Trump, Biden propôs que países de todo mundo se reúnam para fornecer US$ 20 bilhões para a preservação da Amazônia e disse que o Brasil enfrentará “consequências econômicas significativas”, caso o país não pare a destruição da floresta e se ele for eleito.

Na época, Bolsonaro criticou a ideia, mas o embaixador do Brasil nos EUA disse que seria uma ajuda bem-vinda. Mourão, por sua vez, ficou dividido, mas disse que “quando o presidente fala, ele fala por todos, pelo governo”.

Apesar disso, o vice-presidente afirmou que o Brasil irá manter boas relações com qualquer candidato que vencer a disputa. “O relacionamento do Brasil com os Estados Unidos é um relacionamento de Estado para Estado, independente do governo que estiver lá. Óbvio que cada governo tem suas prioridades, suas características pontuais, mas, no conjunto da obra, vamos continuar com as mesmas relações”, disse.

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Decreto proíbe queima controlada na Amazônia e no Pantanal por 120 dias

O presidente Jair Bolsonaro decretou nesta quinta-feira (16) a suspensão, por 120 dias, da permissão de uso do fogo em práticas agropastoris e florestais na Amazônia Legal e no Pantanal, conforme a edição de hoje do Diário Oficial da União (DOU). Trata-se da chamada “moratória do fogo”, que já havia sido anunciada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que chefia o Conselho Nacional da Amazônia Legal, e pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, como uma das respostas à pressão de empresas e investidores por providências para frear o avanço do desmatamento.

O Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, mostrou na quarta-feira (15) que várias gestões estaduais nessas regiões já adotam um período proibitivo para limpeza do solo com queima controlada.

Em Roraima, a suspensão de autorizações para queimada controlada está em vigor desde 1º de junho. O calendário das permissões para queimadas legais só deve ser retomado em 20 de novembro. Diante da adoção habitual do período proibitivo, o diretor de Monitoramento e Controle Ambiental da Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) roraimense, Glicério Fernandes, disse à que a moratória do governo federal “não vai afetar em praticamente nada” o combate ao desmatamento no Estado.

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As exceções à proibição decretada por Bolsonaro são práticas de prevenção e combate a incêndios “realizadas ou supervisionadas pelas instituições públicas responsáveis pela prevenção e pelo combate aos incêndios florestais no País”; práticas agrícolas de subsistência de populações tradicionais e indígenas; e atividades de pesquisa científica realizadas por Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação e controle fitossanitário, “desde que autorizadas pelo órgão ambiental competente”.

O decreto também esclarece que queimas controladas que não sejam localizadas na Amazônia Legal e no Pantanal seguem autorizadas “quando imprescindíveis à realização de práticas agrícolas, desde que autorizadas previamente pelo órgão ambiental estadual”.

“Caminhamos para o precipício ambiental”, alerta presidente do grupo Suzano

Walter Schalka

Um dos líderes do movimento de empresários e associações que enviaram carta ao vice-presidente Hamilton Mourão pedindo medidas para combater o desmatamento da Amazônia, o presidente do grupo Suzano, Walter Schalka, diz que a sustentabilidade tem de unir empresas e governo para que o Brasil possa virar uma potência ambiental no mundo.

Para o executivo, que comanda a maior companhia de celulose do mundo, o governo deve evitar a polarização e colocar o Brasil no protagonismo das discussões ambientais. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Estadão.

Qual a avaliação que o sr. faz da reunião entre os empresários e o vice-presidente Mourão?

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A reunião foi positiva e reforça a necessidade de dialogarmos e construirmos juntos, entes públicos, iniciativa privada e sociedade, um caminho que permita ao Brasil assumir um papel de protagonismo nas discussões ambientais globais.

Quando os empresários começaram a ficar mais vocais para as questões ambientais?

A Suzano já tem como tradição trabalhar nessa questão ambiental há muito tempo. Nós já fazemos parte da Coalizão Brasil – Clima, Florestas e Agricultura, que reúne empresas privadas, academia e ONGs, e também participamos do Conselho Empresarial Brasileiro para Desenvolvimento Sustentável. Nesse conselho, as empresas discutem formas de causar impacto. Recentemente, esse assunto ganhou mais representatividade. A razão é que o mundo acordou. Vamos ter de tomar ações relevantes para reverter o caminho que estamos seguindo. Vamos na direção do precipício ambiental e não podemos cair nele.

Quando se percebeu que estávamos indo para um precipício ambiental?

É nítido o fato de que estamos tendo aquecimento global. Ao tomarmos essa consciência, o mundo sabe que precisa tomar uma ação. E, para mim, é muito claro que teremos de fazer uma redução da emissão de CO2 ao longo do tempo. Vamos ter de aumentar muito o nível de eficiência de um modelo global para chegar lá. É inevitável também discutir a questão do plástico. Não podemos conviver com plásticos descartáveis crescendo na velocidade atual.

A imagem do Brasil ficou arranhada e ele é visto como um país que desmata.

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O País ficou mais exposto em função das queimadas da Amazônia que voltaram a crescer.

Como as empresas se organizaram para enviar carta a Mourão?

O vice-presidente Mourão demonstrou desde que assumiu o Conselho da Amazônia, uma forma positiva, com elenco de propostas que tem muito alinhamento com o pensamento das empresas. E nós decidimos ofertar o nosso apoio a essas teses que são bastantes relevantes. A primeira é do combate ao desmatamento ilegal, que eu acho a tese mais significativa daquela carta.

Mas nós precisamos resolver outras questões importantes, como a rastreabilidade dos produtos para se ter certeza que não foram utilizadas áreas de desmatamento para essa produção. Outra importante questão é do crédito de carbono. O Brasil poderia estar gerando US$ 10 bilhões por ano fazendo o combate ao desmatamento ilegal. E ao fazer o combate, poderia gerar esses créditos de carbono e negociá-los. Portanto, ter um papel geopolítico expressivo no mundo. O Brasil pode ser uma potência ambiental no mundo.

Como criar essa consciência?

Uma condição necessária para se chegar lá é o endereçamento da questão fundiária brasileira. Ao resolver os problemas fundiários, vamos saber quem são os responsáveis. Quando uma área da Amazônia queima, fica uma discussão enorme sobre quem é o responsável por aquela área. Como não tem responsabilidade, ninguém tem penalidade.

Temos visto um racha no agronegócio. Uma parte dos produtores diz que os países criticam por que são protecionistas.

Acho que esse é um falso dilema. Existe sim protecionismo estrangeiro e existe sim ilegalidade no Brasil. Precisamos combater as duas coisas. Precisa combater o protecionismo. Então, não dá para a gente usar como exemplo a forma inadequada como cada um dos lados está adotando para entrar nesse Fla-Flu. Existem entre os produtores o bom e o mau exemplo e, portanto, a gente não pode ficar se baseando nos maus exemplos para poder continuar a mesma política de não combater adequadamente o desmatamento ilegal.

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Há muitas críticas em relação à gestão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ele tem errado a mão?

Prefiro não comentar.

Vivemos uma crise política em meio à pandemia. Isso não prejudica o debate ambiental?

A polarização que está acontecendo já há bastante tempo não é benéfica para o País. Temos problemas estruturais que precisamos resolver em várias áreas. Temos problemas de déficit fiscal crônico, precisamos gerar um modelo de desenvolvimento para o Brasil. O País não poderá ser só um produtor de commodities no futuro. Temos problema de educação. Tem questão ambiental. Não podemos deixar que essa polarização nos impeça de fazer as transformações que o Brasil precisa.

Será um longo caminho para o Brasil reverter a imagem lá fora?

Não é um longo caminho. Precisa de ações concretas. O Mourão tem uma oportunidade incrível de fazer isso acontecer porque todo mundo está dando suporte a ele nessa direção. O Brasil precisa exercer influência na COP26 (conferência mundial sobre o clima que será realizada em 2021). O Brasil pode alavancar isso. Se fizer isso, a partir de 2022, vamos estar bastante preparados para esse processo.

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Mourão: investidores estrangeiros querem ver redução do desmatamento para destinarem capital ao Brasil

( Pequim – China, 21/05/2019) Vice-Presidente da República, Hamilton Mourão, durante entrevista ao canal CGTN, Espanhol. Foto: Adnilton Farias / VPR

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta quinta-feira que os investidores internacionais querem “ver resultados” na área ambiental para destinarem recursos para o Brasil. Após reunião com representantes de fundos estrangeiros, Mourão disse que eles não se comprometeram com investimentos.

“Eles querem ver resultados e os resultados que podemos apresentar é que haja redução do desmatamento”, afirmou. “A ideia é que até 2022, dentro do governo do presidente Jair Bolsonaro, vamos pouco a pouco arrinconando esses que cometem ilegalidades para chegar a um número de desmatamento aceitável”, completou.

Mourão ressaltou que o Brasil tem 84% da Floresta Amazônica preservada e não precisa derrubar “nem uma árvore a mais”. De acordo com o vice-presidente, foram retomadas conversas com dois grandes doadores do Fundo Amazônia, Noruega e Alemanha, e o Brasil aguarda uma resposta em relação às ações apresentadas para combate ao desmatamento.

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“Uma vez que consigamos apresentar dados consistentes, os recursos serão novamente abertos a projetos para a Amazônia. Não há prazo, mas nossa visão é que, conseguindo apresentar no segundo semestre um resultado positivo em relação às queimadas, podemos dizer que estamos cumprindo nossa parte, agora podem cumprir a de vocês”, acrescentou.

Nesta manhã, o governo realizou uma reunião com investidores estrangeiros para tentar convencê-los de que tem atuado para reduzir o desmatamento na região da Amazônia Legal. Como mostrou o Broadcast/Estadão, a ideia é propor que a iniciativa privada invista financeiramente na preservação ambiental no Brasil.

Araújo

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que também participou da reunião, pontuou que os grandes acordos comerciais concluídos ou em negociação, em especial os com a União Europeia e com a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA), possuem cláusulas de preservação ambiental.

“(Estes acordos) são vistos como um risco, como se fossem incentivar a degradação ambiental no Brasil”, afirmou Araújo. Segundo ele, o governo procurou mostrar que os acordos têm regras e compromissos ligados à preservação.

“Estes acordos, que são vistos como instrumentos que incentivariam o desmatamento, na verdade reforçam os compromissos com a Amazônia”, disse Araújo. “Existe um equívoco em relação à imagem do Brasil, em especial da Amazônia”, acrescentou.

Araújo pontuou ainda que os instrumentos citados nos acordos comerciais reafirmam o compromisso ambiental do governo com a Amazônia. De acordo com o ministro, o esforço do governo é para mostrar ao exterior qual é a realidade do Brasil.

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Em nota sobre a reunião com investidores, distribuída à imprensa, a Vice-Presidência da República disse que os investidores foram informados que o governo “está negociando acordos comerciais de última geração com vários parceiros – entre eles UE, EFTA e Canadá – que reafirmam os compromissos internacionais do Brasil em termos de desenvolvimento sustentável e respeito aos direitos humanos, incluindo os das populações indígenas”.

O governo também disse aos investidores que o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), “uma vez efetivado, implicará a adesão do Brasil aos padrões ambientais daquela Organização”.

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“Não podemos aumentar imposto neste momento”, diz Mourão sobre crise do petróleo

O presidente em exercício, Hamilton Mourão, disse nesta segunda-feira, 9, que o governo não deve aumentar impostos como forma de compensar os efeitos da queda do preço do petróleo porque a crise é “transitória”.

“Não podemos adotar imposto neste momento. Há uma carga que vale um terço do nosso PIB. Eu particularmente não vejo possibilidade de aumento de impostos”, disse Mourão, ao chegar ao Palácio do Planalto. “A gente sabe que (a crise do preço do petróleo) também é transitória. Vamos ver qual a reação a Petrobras vai colocar”, afirmou.

Os preços dos contratos do petróleo recuavam ao redor de 20% nesta segunda-feira, depois que a Arábia Saudita cortou o valor de venda do barril e indicou o início de uma guerra de preços entre os grandes produtores. Na abertura dos negócios no mercado asiático, ainda no noite de domingo (horário de Brasília). O preço do petróleo do tipo Brent chegou a recuar 31%, no maior tombo desde a Guerra do Golfo, no início dos Anos 1990.

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A decisão da Arábia Saudita vem na esteira do fracasso das negociações entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia sobre o tamanho da produção da commodity.

A Rússia se opôs ao corte de produção sugeridos pela Opep para estabilizar os preços da commodity em meio à epidemia de coronavírus, que desacelera a economia global e afeta a demanda por energia.

Na avaliação do sócio fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, a queda brusca dos preços do petróleo pode levar o Brasil para dois caminhos: a Petrobras pode reduzir o preço da gasolina e do diesel, mas com o risco de inviabilizar o etanol, ou o governo pode aumentar a incidência da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis para preservar a geração de receita da estatal.

Desde a greve dos caminhoneiros, a Cide está zerada para o diesel. Na gasolina, a cobrança é de 10 centavos por litro.

Mourão disse que a atividade global está caindo porque as pessoas estão deixando de trabalhar em decorrência das preocupações com o coronavírus. “Preocupa, mas é uma questão transitória.”

Os analistas do mercado financeiro reduziram, pela primeira vez, a estimativa de crescimento da economia brasileira para um patamar abaixo de 2% neste ano, informou nesta segunda-feira o Banco Central, por meio da pesquisa Focus.

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Bolsonaro recua e decide enviar Mourão para posse de Fernández

( Pequim – China, 21/05/2019) Vice-Presidente da República, Hamilton Mourão, durante entrevista ao canal CGTN, Espanhol. Foto: Adnilton Farias / VPR

O presidente Jair Bolsonaro mudou de ideia e pediu para o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, participar da cerimônia de posse do líder argentino Alberto Fernández, em Buenos Aires, nesta terça-feira (10).

A informação foi revelada pela TV Globo News.

De acordo com o site “G1”, Bolsonaro chamou Mourão em seu gabinete para pedir que ele viajasse para a Argentina para representar o governo brasileiro no evento.

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A ideia do mandatário do Brasil é fazer com que as relações voltem ao normal, informou Mourão à publicação.

A decisão foi tomada horas depois que Bolsonaro disse que analisaria primeiro a lista de convidados para decidir quem enviaria. Ele ainda chegou a desistir de mandar o ministro da Cidadania, Osmar Terra.

Apesar do Brasil ser representado por um político de alto-escalão do governo, esta será a primeira vez desde 2003 que o presidente da República não irá à posse do novo mandatário da Argentina.

O país vizinho é o terceiro principal parceiro comercial do Brasil. Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro defendeu diversas vezes a reeleição de Mauricio Macri e trocou várias farpas com Fernández.

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