B3 anuncia guidance para 2021 e mudanças intermediárias na sua política de tarifação em renda variável

A B3 (B3SA3) divulgou seus destaques operacionais do mês de novembro, e no mercado à vista de renda variável, registrou volume financeiro médio diário de R$ 34,177 bilhões, valor 74,9% maior que o apurado no mesmo mês de 2019. Em relação a outubro, quando o volume foi de R$ 28,482 bilhões, houve alta de 20%.

O número de investidores ativos quase dobrou em um ano, passando de 1,616 milhão para R$ 3,205 milhões. Em relação a outubro, houve um avanço de 0,9%. O número de empresas listadas saiu de 390 para 407 em 12 meses. O valor de mercado das empresas cresceu 2,5% em um ano, e 7% em um mês, para R$ 4,475 trilhões.

No mercado de derivativos e futuros, o volume de contratos caiu 22,8% em relação a novembro do ano passado, e 6,3% na comparação mensal, para 3,884 milhões. A maior queda foi registrada nos contratos de juros em reais, de 38,3% em relação a novembro do ano passado.

Ainda no mercado de futuros, a receita média por contrato teve crescimento de 83% na comparação anual, para R$ 2,503. Em relação a outubro, houve aumento de 13,2% neste indicador. O maior crescimento foi registrado no mercado de câmbio, de 47,7%.

Guidances

A B3 anunciou suas projeções (guidances) para o ano de 2021. A companhia espera chegar a uma alavancagem financeira, medida pela relação dívida bruta/Ebitda recorrente em 12 meses, de 1,5 vez. Os investimentos projetados no próximo ano estão entre R$ 420 milhões e R$ 460 milhões.

A operadora da bolsa de valores brasileira espera despesas ajustadas entre R$ 1,225 bilhão e R$ 1,275 bilhão em 2021, e depreciação e amortização entre R$ 1,060 bilhão e R$ 1,110 bilhão. As despesas atreladas ao faturamento devem ficar entre R$ 225 milhões e R$ 265 milhões.

A companhia também reafirmou as projeções para 2020, com alavancagem em 1,2 vez, investimentos entre R$ 395 milhões e R$ 425 milhões, despesas ajustadas entre R$ 1,125 bilhão e R$ 1,175 bilhão, depreciação e amortização em R$ 1,030 bilhão e R$ 1,080 bilhão e despesas atreladas ao faturamento entre R$ 170 milhões e R$ 200 milhões.

A B3 também manteve a projeção relacionada à distribuição de lucro aos acionistas tanto para este ano quanto para 2021, com a meta de distribuir entre 120% e 150% do lucro societário.

Tarifação

A B3 anunciou, em fato relevante, mudanças na sua política de tarifação no mercado de renda variável. A companhia havia anunciado em janeiro deste ano as alterações, mas afirma que “a integral implementação envolve desafios de preparação sistêmica pelo mercado”. Por isso, a B3 resolveu estabelecer regras intermediárias que valem a partir de 02 de fevereiro de 2021.

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Nos serviços de negociação e pós-negociação no mercado à vista, haverá uma substituição no modelo de desconto progressivo baseado no ADTV global por nova tabela de preços. E haverá também uma tabela diferenciada para day traders, baseada no volume diário negociado, com a concessão de descontos mais acelerada e profunda.

Na Central Depositária de renda variável, a tarifa mensal de manutenção de conta de custódia será zerada, haverá isenção sobre o valor em custódia para contas com valores menores de R$ 20 mil, e atualização da tabela de custódia.

A B3 fez testes sobre os impactos deste novo modelo tarifário entre abril e junho de 2020, e naquele período, haveria uma redução de R$ 250 milhões nas receitas, correspondentes a dois terços das reduções líquidas previstas inicialmente, de R$ 400 milhões.

Entre outras medidas, estão também a redução a zero na tarifa de R$ 9,28 na manutenção de contas para investidores pessoa física e a redução nas tarifas de negociação e pós-negociação. “Considerando que a implementação completa do modelo anunciado em janeiro envolve desafios estruturais junto ao mercado, alterações adicionais, e que dependam especialmente de ajustes em sistemas de tecnologia, ainda terá a data de implementação definida junto com o mercado”

Confira o detalhamento abaixo:

Tarifas de Manutenção de Conta e Custódia*

PESSOAS FÍSICAS
Manutenção de conta
Como é Como fica
Até R$9,28/mês Zero
Tarifa sobre custódia
Como é Como fica
Tabela Progressiva que varia de 0,0130% a 0,0005% ao ano sobre o valor em custódia. Isento para aplicações de até R$ 300 mil Isenta para aplicações até R$ 20 mil. Tabela Progressiva que varia de 0,05% a 0,0005% ao ano sobre o valor em custódia. Para valores entre R$ 20.000,01 e R$ 300.000,00 a proporção é de 0,05% a 0,02% ao ano sobre o valor em custódia. Acima de R$ 300.000,00 a proporção varia entre 0,0130% e 0,0005% ao ano sobre o valor em custódia.

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Exemplo ilustrativo: um investidor pessoa física com R$ 50.000,00 em custódia na B3 pagava R$ 111,36/ano com a tarifa de manutenção de conta e zero em tarifa sobre custódia. Com o novo modelo, a tarifa de manutenção será zerada e o investidor passa a pagar R$ 25,00/ano com a tarifa sobre custódia.

INVESTIDORES INSTITUCIONAIS
Manutenção de conta
Como é Como fica
Até R$9,28/mês para residentes no Brasil e R$115,83/mês para estrangeiros Zero para residentes no Brasil e
R$115,83/mês para estrangeiros
Tarifa sobre custódia
Como é Como fica
Tabela Progressiva que varia de 0,0130% a 0,0005% ao ano sobre o valor em custódia. Isento para aplicações de até R$ 300 mil e isento para investidores estrangeiros Isenta para aplicações até R$ 20 mil. Tabela Progressiva que varia de 0,05% a 0,0005% ao ano sobre o valor em custódia. Para valores entre R$ 20.000,01 e R$ 300.000,00 a proporção é de 0,05% a 0,02% ao ano sobre o valor em custódia. Acima de R$ 300.000,00 a proporção varia entre 0,0130% e 0,0005% ao ano sobre o valor em custódia. Investidores estrangeiros continuam isentos.

Tarifas de Negociação e Pós Negociação*

PESSOAS FÍSICAS E DEMAIS INVESTIDORES (INCLUSIVE ESTRANGEIROS)
Operações não day trade*
Como é Como fica
0,0325% sobre valor negociado. Variação da tarifa de acordo com o volume total do mercado. 0,0300% sobre o volume negociado. Fim da variação da tarifa de acordo com o volume total do mercado.
Operações day trade*
Como é Como fica
0,0250% sobre o valor negociado. Redução adicional à Pessoa Física que negocia mais de R$ 4 milhões em ações à vista e tabela com 5 faixas de desconto.  0,0230% sobre o valor negociado. Redução adicional para todos os tipos de investidores que negociarem mais de R$1 milhão em ações à vista, e tabela com 12 faixas de desconto. Fim da variação da tarifa de acordo com o volume total do mercado

Exemplo ilustrativo (operação não day trade): um investidor pessoa física decide adquirir R$1.000,00 em ações, com o objetivo de mantê-las em carteira por um longo tempo. No modelo anterior, essa operação não day trade seria tarifada em R$3,25. No modelo proposto, a tarifa passa a ser de R$3,00.

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INVESTIDORES INSTITUCIONAIS RESIDENTES
Negociação*
Como é Como fica
0,0250% sobre o volume negociado por fundos locais. Variação da tarifa de acordo com o volume total do mercado. 0,0230% sobre o volume negociado para fundos locais.  Fim da variação da tarifa de acordo com o volume total do mercado.

 

*Considera apenas tarifas B3, sem incluir eventuais taxas cobradas pelas corretoras

(Com Agência Estado)

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“O pesadelo virou realidade”: Por que o guidance da Smiles fez a ação cair até 10%

SÃO PAULO – As ações da Smiles (SMLS3) chegaram a cair mais de 10% na manhã desta terça-feira (3), chegando a sua mínima desde outubro de 2018, após a companhia de programa de fidelidade divulgar um guidance pior que o esperado pelo mercado. Os papéis fecharam com queda de 8,85%, cotados a R$ 30,91.

A empresa, controlada pela Gol (GOLL4), disse prever um crescimento no faturamento bruto entre 5% e 10% em 2020, enquanto para este ano a projeção é entre 11% e 12,5%. Já para a margem direta de resgate, a previsão da Smiles é de intervalo de 37% a 38,2% neste ano e entre 25% a 30% em 2020.

Para os analistas do Bradesco BBI, liderados por Victor Mizusakim, o “pesadelo está se tornando realidade”. Segundo eles, o guidance divulgado foi “decepcionante para faturamento bruto e margem direta de resgate”.

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De acordo com o Bradesco, a rápida deterioração na lucratividade da indústria de programas de fidelidade pode ser atribuída a “deterioração de mix, com maior número de passagens resgatadas a preços comerciais, preços maiores de passagens no mercado doméstico, acesso menor a passagens internacionais e aumento da competição”.

Diante disso, os analistas reduziram em 33% a projeção de lucro líquido para o próximo ano e ainda cortaram o preço-alvo das ações SMLS3 de R$ 44 para R$ 35, com recomendação neutra, o que corresponde a um potencial de valorização de cerca de 12% em relação à cotação desta terça-feira.

Já para a equipe do Morgan Stanley, por mais que a Smiles possa ter sido conservadora nos números, “dado o cenário altamente incerto à frente, as estimativas da administração implicam em uma pressão significativa para as operações em 2020”.

Os analistas apontam que já esperavam que a companhia fosse prejudicada, pelo menos temporariamente, pelo aperto na oferta resultante do fim da Avianca Brasil. Por outro lado, eles ressaltam que esta expectativa era de um impacto menor do que o novo guidance aponta para 2020.

Por fim, o Goldman apontou que, nos resultados do 3º trimestre, a Smiles já mostrou que estava sendo afetada pela grande mudança no saldo da oferta/demanda de capacidade das companhias aéreas e apresentou uma margem de resgate de 38,4%.

“Acreditamos que a pressão adicional sobre a margem de 25 a 30% em 2020 é atribuível à expectativa da administração sobre a revisão do preço de transferência, mas outros fatores podem ajudar a explicar a deterioração (como a recente depreciação do real, que afeta o volume de pontos gerados no sistema, a precificação dos contratos com os bancos para 2020 e o fim da parceria com a Delta)”, concluem os analistas.

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Com tantos desafios pela frente e sem a intenção da Gol de renovar o contrato operacional e de serviços que vence em 2032, a ação da Smiles vem perdendo a atratividade dentro das casas de análises. Mesmo com uma forte queda no ano, de 23%, sendo a terceira maior queda do Ibovespa no período, os analistas seguem cautelosos com os papéis.

De acordo com consenso da Bloomberg, que compilou as recomendações de nove casas de análise, só duas recomendam compra, enquanto cinco recomendam manutenção e outras duas recomendam venda. Os números projetados até o próximo ano renovaram o pessimismo com a companhia.

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