Mercado deve viver tensão longa com “eleição antecipada”

Brasil em queda/crise (Foto: Getty Images) Brasil em queda/crise (Foto: Getty Images)

Às vésperas do envio do Orçamento de 2022 ao Congresso, previsto para até 31 de agosto, as notícias negativas que chegam de Brasília têm provocado volatilidade e aumentado as incertezas para a economia. A percepção é de que esse ambiente de tensão não deve se dissipar tão cedo, diante do debate antecipado das eleições de 2022 e dos ruídos políticos provocados pela crise entre os poderes alimentada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro.

O gatilho para a crise de confiança foi puxado pela apresentação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de parcelamentos dos precatórios (dívidas da União a empresas, pessoas físicas, Estados e municípios reconhecidas pela Justiça), mas outros fatores compõem essa espiral negativa.

A equipe econômica avalia que a volatilidade de agora será passageira e dissipada assim que ficar mais claro o desenho das novas medidas do governo para 2022, como o valor do auxílio Brasil (programa que vai substituir o Bolsa Família), a definição da PEC dos precatórios, o projeto do Imposto de Renda e o próprio Orçamento.

Porém, o espaço fiscal é pequeno, diante de tantas promessas do presidente Jair Bolsonaro para garantir a sua reeleição, que incluem, além de um programa de transferência de renda turbinado, reajuste para servidores públicos, novo subsídio para o diesel e pacote para estimular o emprego, com bolsa qualificação para os trabalhadores.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o secretário especial de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, fizeram várias aparições públicas ao longo da semana passada para passar confiança, mas as incertezas continuam.

“Reafirmamos o total compromisso com responsabilidade fiscal e controle de contas”, disse Funchal em um desses eventos, tentando transmitir a mensagem de que não haverá adesão ao populismo fiscal. Mas o governo não convenceu ainda. O próprio Funchal definiu os últimos dias como “um dos piores momentos em termos de turbulência”, por conta, sobretudo, das incertezas do mercado em relação à proposta de parcelamento das dívidas judiciais.

No front inverso, o Tesouro Nacional conta com um caixa de R$ 1,1 trilhão – um colchão de liquidez para enfrentar a volatilidade e administrar a oferta de títulos ao mercado.

Turbulência. Para o economista Fábio Terra, professor da Universidade Federal do ABC, essa “tempestade perfeita” deve se manter por um bom tempo. “É uma turbulência muito grande de vários fatores negativos. Num momento como esse, precisaríamos ter serenidade política, ter capacidade de liderança, mas o que está acontecendo é exatamente o inverso”, diz ele, que vê o presidente “esgarçando” o quadro institucional.

No campo econômico, Antonio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), diz que o Banco Central precisará acelerar a alta da Selic, a taxa básica de juros, para controlar a inflação, uma “bomba para 2022” pelo efeito no crescimento menor para o País.

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Veja abaixo os principais fatores que têm formado essa tempestade perfeita, entre eles o aumento dos juros para controlar a disparada da inflação, o fim da bonança internacional e ruídos institucionais e fiscais.

O desafio da inflação e dos juros

Não foi uma semana fácil para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O comandante da política de juros no Brasil teve de fazer várias aparições públicas para transmitir confiança de que o BC vai controlar o processo de aceleração da inflação em meio à piora dos indicadores do mercado. Na sexta-feira, o dólar, por exemplo, chegou a atingir um patamar próximo de R$ 5,50, e acabou fechando em R$ 5,38.

“Temos os instrumentos, podemos fazer o trabalho. Estamos comunicando ao mercado com mais transparência como usamos nossos instrumentos”, disse Campos Neto, na quinta-feira, 19, com a mensagem de que fará tudo o que for possível e necessário para atingir a meta de inflação em 2022. Um trabalho também de coordenação das expectativas futuras da inflação, esforço que, como ele próprio admitiu, está sendo atrapalhado por um “fiscal descontrolado”.

Se o presidente Jair Bolsonaro contava com uma atividade econômica em recuperação e números mais robustos para pavimentar seu caminho à reeleição, esse cenário está cada vez mais distante. A espiral negativa é alimentada por ruídos políticos provocados pela percepção de que o presidente vai gastar mais para se reeleger, o que eleva a volatilidade do mercado e provoca a alta do dólar, que impacta ainda mais a inflação, renovando o círculo vicioso negativo.

O IPCA, índice oficial, fechou o mês passado em 0,96%, com alta acumulada de 8,99% em doze meses. E pior: as previsões do mercado não param de subir e apontavam, na última pesquisa Focus do BC, uma alta de 7,05% no final desse ano e de 3,90% em 2022. Projeções que devem subir ainda mais na pesquisa que será divulgada nesta segunda-feira pelo BC.

A inflação mais salgada puxou os juros para o patamar de 5,25% ao ano, e já se espera um aumento de mais 1 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. É uma medida para esfriar a atividade da economia e segurar a disseminação da elevação dos preços. A consequência é menos crescimento em 2022.

“Há uma tempestade perfeita”, diz Antonio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor do Programa de pós-graduação em Economia Política da PUC de São Paulo. Lacerda lembra que a divulgação do PIB no primeiro trimestre gerou euforia, mas, retirando o efeito estatístico, o crescimento não será muito diferente do padrão de 2017-2018-2019, ao redor de 1,5%.

A crise hídrica, que afeta os preços de alimentação e abastecimento de energia, chegou para complicar. “A crise hidrológica tem um impacto grande sobre a capacidade de expansão do PIB”, diz Fabio Terra, professor de economia da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Risco fiscal no radar do mercado

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A inflação mais alta prejudica a população, mas deu um refresco para as contas públicas. Fez aumentar a arrecadação e reduziu a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). Essa melhora fiscal, porém, despertou ainda mais o ímpeto para gastos no governo Bolsonaro e nos seus aliados do Centrão.

Ao invés de melhorar a percepção da política da sustentabilidade das contas públicas, o resultado tem sido mais ruídos que aumentaram o risco fiscal. O temor que ronda as expectativas é a percepção de que a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que vem sendo registrada nas pesquisas, vai levar o governo a adotar medidas mais populistas para buscar a sua reeleição, comprometendo regras fiscais, como o teto de gastos (a norma que limita o crescimento das despesas acima da inflação) e ligando o botão da contabilidade criativa.

Nas últimas três semanas, dois focos de tensão do lado fiscal contaminam as expectativas e têm gerado alta volatilidade no mercado: o projeto que altera o Imposto de Renda (IR) e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que parcela em até dez anos o pagamento de parcela dos precatórios (dívidas que a União precisa quitar depois de decisões judiciais).

As preocupações com o projeto do IR são várias, a depender de quem ganha ou perde mais com a mudança, mas do lado das contas públicas o risco é de queda da arrecadação futura, com as vantagens que estão sendo dadas nessa reta final antes da votação. Além disso, a negociação do projeto, envolve custos adicionais, como o aumento da parcela de recursos da União que é transferida para as prefeituras via Fundo de Participação dos Municípios.

Já a PEC dos precatórios divide o mercado. A maior polêmica é o fato de poder levar o Congresso a retirar essas despesas (só em 2022 são R$ 89 bilhões) do teto de gastos para não comprometer o espaço no Orçamento para o novo Bolsa Família, rebatizado de Auxílio Brasil, para dar um benefício maior que R$ 300. O presidente alimentou o risco do mercado ao falar em subir o benefício para R$ 400.

“A PEC dos precatórios envolve uma operação triangulada com dívidas que ataca de uma vez só duas regras: o teto e as metas fiscais. Ou seja, dribla normas de controle do gasto público e ainda distorce o resultado fiscal do governo central”, avalia Leonardo Ribeiro, analista do Senado e conhecedor dos meandros da confusa legislação fiscal brasileira.

“Não há como cumprir o teto de gastos, pagar os precatórios e manter os programas de governo ao mesmo tempo”, diz. “Esse triângulo se assemelha às pedaladas fiscais desenhadas pelo ex-secretário do Tesouro Arno Augustin, do governo Dilma.”

Crescem os ruídos políticos

Os ruídos políticos e a crise institucional entre os poderes também têm elevado a tensão, nos últimos dias, em meio à pressão do presidente Jair Bolsonaro sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal e ameaças de ruptura institucional.

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Além de trazer o risco de afugentar os investidores, a crise política entre Executivo, Judiciário e Legislativo, amplificada pela briga do presidente pelo voto impresso, tem afetado também o mercado. Uma preocupação adicional é com a antecipação da campanha eleitoral e a sinalização do presidente Jair Bolsonaro de que vai acionar medidas de populismo fiscal para ganhar a eleição em 2022, como aumento de subsídios para a concessão de vale-gás e desoneração do diesel. A crise tem dividido o Senado e a Câmara e deve trazer mais dificuldades para que as votações de projetos em uma Casa se completem na outra.

Na sexta-feira, 20, a notícia da agência Associated Press de que o presidente teria falado abertamente sobre seu arrependimento de apoiar a autonomia do BC reforçou a preocupação. O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, teve de sair a campo para garantir a autonomia do BC. O desconforto do presidente com a inflação, com o desemprego e com a queda de popularidade é cada vez maior, o que coloca pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

“A tensão política é bastante sentida no mercado e existe um sentimento de que ficou mais provável o cenário negativo do que positivo olhando para o futuro”, diz o economista Gabriel Galípolo. Ele pondera, no entanto, que não consegue enxergar a ideia de que o mercado esteja fazendo uma ruptura com ideias que são representadas pelo governo Bolsonaro no campo econômico. Para ele, hoje a preocupação fiscal é mais uma questão de expectativas e apostas, especulando sobre o que vai ser o futuro, porque no quadro atual as contas públicas estão numa situação melhor, com déficit menor. “Mas o ambiente político está muito conflagrado e isso colabora para uma tensão interna, que, somado ao cenário externo, azedou o mercado.”

Na avaliação do professor da PUC de São Paulo Antônio Corrêa de Lacerda, o presidente Bolsonaro, em meio à pressão, cria factoides, sendo o mais recente o pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. Bolsonaro prometeu entregar “nos próximos dias” outro pedido de afastamento tendo como alvo o ministro Luís Roberto Barroso, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TST). “No campo econômico, claramente ele vai jogar todas as fichas num auxílio emergencial turbinado que seria uma combinação de Bolsa Família visando criar algum impacto eleitoral”, avalia Lacerda.

Cenário externo em mutação

Grande exportador de alimentos e minérios, o Brasil tem sido favorecido desde o ano passado com o boom dos preços das commodities (produtos básicos), que se seguiu ao processo de recuperação da economia global depois da pandemia. Agora, os ventos começam a ficar diferentes com impacto na economia, que já passa por problemas domésticos como inflação e juros altos e desemprego resistente e persistente.

A desaceleração da China acendeu o alerta para o Brasil. E, como mostrou reportagem do Estadão, o avanço da variante Delta da covid-19 também tem reduzido o otimismo dos economistas em relação à recuperação da atividade global neste ano. A nova cepa tem levado a China a fechar cidades, freando a retomada. O governo chinês vem retirando estímulos econômicos, o que acaba impactando os preços de commodities importantes para a atividade econômica brasileira, como o minério de ferro.

“De repente, o que acontece no mundo deu uma virada e temos uma desaceleração da China e uma nebulosidade sobre o que o Banco Central dos Estados Unidos vai fazer na política de juros”, diz o economista Fábio Terra, da Universidade Federal do ABC (UFABC). “Tudo que o Fed (o banco central americano) decide é política monetária (no sentido de controlar a inflação) para eles, mas para a gente é política cambial (afeta o valor do real)”, diz Terra, para explicar a importância da conexão dos juros americanos com o comportamento do dólar no Brasil.

Para o economista, o mundo está muito ressabiado com a variante Delta, o que atrapalha o cenário externo. “Isso sozinho nos atrapalharia bastante, só que ainda se soma aos problemas internos, como a crise hidrológica”, diz.

Antônio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor da PUC de São Paulo, ressalta que a possível elevação da taxa de juros americana é sempre um problema para a economia global e para o Brasil. Para ele, a desaceleração do ritmo de crescimento chinês é uma má notícia para as exportações brasileiras, porque o Brasil é dependente das commodities.

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Ibovespa fecha em alta nesta sexta, mas não apaga queda de 2,6% em semana de más notícias políticas e internacionais; dólar sobe 2,7% em 5 dias

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (20), mas isso não foi o bastante para apagar as perdas de 2,59% do índice na semana. Os últimos dias tiveram uma soma de más notícias no front político com avanço da variante delta do coronavírus, sinalizações do Federal Reserve de que irá começar a reduzir estímulos no fim do ano e dados da China que causaram uma correção nos preços das commodities.

Para Júlio Erse, gestor da Constância, falta visibilidade no cenário macro, o que faz o mercado pedir mais prêmio nos ativos de risco. No entanto, ele acredita que não exista uma mudança estrutural nos fundamentos e que a tendência da Bolsa ainda é de alta até o fim do ano.

“A atividade vai continuar a crescer conforme a economia se reabre no pós-pandemia. O que traz uma reprecificação mais forte é essa incerteza política para o ano que vem, ainda mais com essa retórica de confronto entre os poderes. Isso tomou atenção dos investidores e respingou na preocupação com o andamento das reformas”, avalia Erse.

Já Leonardo Santana, analista da Top Gain, comenta que a Bolsa hoje seguiu a toada da semana e à medida em que o mercado americano devolveu perdas os ativos aqui começam a seguir. “Nas commodities, a prata começou a subir e o cobre também”, nota.

Todavia, Santana ressalta que as medidas recentes do governo apontando para uma “maquiagem” do teto fiscal, acabaram levando o benchmark da B3 a encerrar a semana em baixa.

No radar econômico desta sexta, de acordo com notícia do Broadcast, o governo deve propor um déficit de R$ 70 bilhões no Orçamento de 2022.

O dia ainda contou com focos de incertezas como o avanço da variante delta do coronavírus e a pressão regulatória do governo da China. Na terça, os Estados Unidos registraram mais de mil mortes pela Covid-19 em um dia pela primeira vez desde março.

Também na terça, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “se for para taxar dividendos em 15% é melhor nem ter reforma do Imposto de Renda”, rejeitando a possibilidade de reduzir a alíquota de 20% que propôs.

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O Ibovespa teve alta de 0,76%, a 118.052 pontos com volume financeiro negociado de R$ 30,317 bilhões.

Ontem, Bruno Komura, estrategista da Ouro Preto, e Marcus Vinícius Zanetti, gestor da Kinea, falaram ao InfoMoney sobre o horizonte repleto de incertezas para o mercado entre Federal Reserve disposto a reduzir estímulos no fim do ano, riscos fiscais, ruídos políticos e China impondo freios à valorização de algumas commodities.

Enquanto isso, o dólar comercial registrou queda de 0,7% a R$ 5,384 na compra e a R$ 5,385 na venda. Apesar disso, na semana, a moeda dos EUA se valorizou em 2,67% ante o real. Já o dólar futuro com vencimento em setembro cai 0,58% a R$ 5,394 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu dois pontos-base a 6,69%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de cinco pontos-base a 8,41%, o DI para janeiro de 2025 recuou 13 pontos-base a 9,56% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de 15 pontos-base a 9,98%.

Voltando ao exterior, no Japão os papéis de empresas do setor automobilístico continuaram a registrar perdas, após o anúncio na quinta-feira de que a Toyota deverá cortar em 40% sua produção global em setembro em relação àquilo planejado anteriormente, segundo informações reproduzidas pela agência internacional de notícias Reuters.

Já na Europa, a recuperação dos efeitos da pandemia de Covid é impulsionada pela suspensão de medidas de distanciamento social e pela forte demanda interna após o PIB (Produto Interno Bruto) ter crescido 1,5% no segundo trimestre.

No Reino Unido, dados divulgados pelo Escritório para Estatísticas Nacionais indicam queda de 2,5% nas vendas no varejo em julho em relação ao mês anterior, quando a escassez global de chips e o clima chuvoso impactaram o comportamento dos consumidores britânicos.

Covid, CPI e política

Na quinta (19), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 821, queda de 9 em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.030 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

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A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.895, o que representa queda de 9% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.793 casos.

Chegou a 120.228.060 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,78% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 53.437.018 pessoas, ou 25,24% da população.

Na quinta, falou à CPI da Covid no Senado o dono da farmacêutica Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. Ele limitou-se a responder à CPI da que conhece o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), recusando-se a responder às demais perguntas do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL) amparado em habeas corpus concedido pela ministro Rosa Weber, do STF.

Maximiano disse que seria apenas fiador de um imóvel usado por um amigo de Barros, apesar de aparecer como locatário.

Maximiano evitou perguntas sobre as negociações suspeitas para compra da vacina contra Covid-19 Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, que tinha como representante no Brasil a Precisa. Mas responsabilizou uma empresa localizada nos Emirados Árabes Unidos por falsificar documentos entregues ao Ministério da Saúde.

As denúncias de irregularidades envolvendo as tratativas para compra da Covaxin foram feitas pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde.

Após as denúncias, o Ministério da Saúde cancelou o contrato para compra da Covaxin e a Bharat Biotech encerrou o relacionamento com a Precisa.

Barros tornou-se na quarta-feira formalmente investigado pela CPI da Covid. De acordo com depoimento de Luís Miranda à CPI, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) citou o envolvimento do líder do governo nas supostas irregularidades envolvendo a Covaxin. Bolsonaro não desmentiu o relato de Miranda, e Barros nega quaisquer irregularidades.

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Na quinta, a CPI da Covid aprovou novo pedido de quebra de sigilo fiscal de Barros. O colegiado vai requerer os dados à Receita Federal e informações sobre investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU). A CPI também deu aval ao requerimento de quebra de sigilo fiscal do advogado Frederick Wassef, que defende o presidente Bolsonaro e sua família.

Além disso, nesta semana o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Felipe Salomão, ordenou a plataformas de mídias sociais que suspendam o pagamento por publicidade veiculada de 11 páginas acusadas de publicar notícias falsas e ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Todas elas eram de apoiadores radicais de Bolsonaro e, em vários casos, se sustentam apenas com a chamada monetização.

Segundo reportagem de capa publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta, a suspensão da monetização dos canais bolsonaristas deve congelar valores milionários. Somente no YouTube, os 14 canais atingidos podem gerar até US$ 2,9 milhões (cerca de R$ 15 milhões), de acordo com estimativa da ferramenta Social Blade, que produz estatísticas sobre as redes sociais. O ganho exato dos youtubers foi solicitado às empresas de redes sociais, que têm 20 dias para responder.

Ao participar de evento no Mato Grosso na quinta, o presidente Jair Bolsonaro usou o caso para defender o que chamou de liberdade de imprensa. Ele chamou a suspensão da monetização de “cerceamento de mídias sociais” e “ditadura branca”.

Bolsonaro também afirmou que não cometerá uma ruptura institucional porque sabe das consequências, mas reclamou que o “provocam o tempo todo” e que o país está sendo “sufocado” por uma minoria.

“Da minha parte não haverá ruptura. Sei das consequências internas e externas de uma ruptura. Mas provocam-nos o tempo todo. Não é justo prender quem quer que seja sem o devido processo legal. Não é justo o TSE agora desmonetizar páginas que falam que o voto impresso é necessário, ou que desconfiam do voto eletrônico”, disse o presidente.

Reforma do IR e fundo eleitoral

O jornal O Estado de S. Paulo aponta que, na tentativa de driblar os obstáculos ao avanço da proposta que muda o Imposto de Renda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve se reunir na semana que vem com deputados da oposição na Câmara em busca de um denominador comum que resulte em maior apoio à iniciativa.

Mesmo com esse gesto, porém, as concessões recentes em nome de mais votos acenderam o alerta na equipe econômica, que pode abandonar de vez o projeto caso fique claro que ele será desfavorável para as contas do País.

Integrantes da equipe econômica já têm hoje a avaliação de que a reforma do IR “não se paga” e que as disputas em torno do projeto são até positivas por adiar ainda mais a votação, deixando tudo como está. Apesar do ceticismo dessa ala da equipe, o ministro da Economia tentará buscar na oposição uma “tábua de salvação” para a proposta.

Em live na véspera, o presidente Jair Bolsonaro disse que deve decidir hoje o futuro do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões. A expectativa é que ele vete o fundo e o negocie dentro do orçamento, com um valor esperado entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Líderes no Congresso pressionam para aumentar esse valor para R$ 4 bilhões, segundo apurado pela Folha de S. Paulo.

Já a AGU pediu ao STF a suspensão da decisão que determinou o pagamento de R$ 8,7 bilhões ao Fundef da Bahia e deve fazer o mesmo com a dívida com Pernambuco, Ceará e Amazonas. Com estes estados, o alívio seria de R$ 15,6 bilhões no caixa de 2022.

Ainda em destaque, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), agendou para a próxima terça a sabatina do procurador-geral da República, Augusto Aras, que poderá levar à sua recondução ao cargo. Mas não marcou sabatina para o ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União André Mendonça, que continua na fila de espera apesar de sua indicação ao STF ter chegado ao Senado nove dias antes da formalização do caso de Aras.

5. Radar corporativo

O noticiário corporativo tem como destaque notícias sobre Gerdau, Renner, JBS e BRF. Confira abaixo:

Gerdau (GGBR4)

O Conselho de Administração da Gerdau aprovou a reorganização de subsidiárias no México, informou a companhia em comunicado ao mercado.

Lojas Renner (LREN3)

No final da tarde da véspera, a varejista Lojas Renner informou que sofreu um ataque cibernético em seu ambiente de tecnologia na quinta-feira, que provocou indisponibilidade em parte de seus sistemas. Em comunicado, a companhia afirmou ter atuado para mitigar os efeitos do ataque e que a maior parte das operações já foram restabelecidas, com os principais bancos de dados preservados. Além disso, a Lojas Renner afirmou que suas lojas físicas não tiveram as atividades interrompidas.

JBS (JBSS3)

A Pilgrim’s Pride, controlada da JBS nos Estados Unidos, informou que precificou uma oferta de US$ 900 milhões em notas sênior não garantidas com vencimento em 2032. 

De acordo com comunicado da empresa, os títulos serão emitidos a 100% do valor principal agregado e terão rendimento de 3,5%. Devido à demanda significativa, o montante da emissão foi elevado de US$ 750 milhões iniciais. A venda das notas deve ser concluída em 2 de setembro.

BRF (BRFS3)

O Conselho de Administração da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil, aprovou uma Política de Compra Sustentável de Grãos, conforme ata de reunião do colegiado divulgada na quinta-feira. A aprovação atende o plano Visão 2030 da BRF e o compromisso de rastreabilidade assumido pela empresa em dezembro de 2020, segundo a ata, que não trouxe mais detalhes.

Vibra Energia (BRDT3)

A BR Distribuidora  passa a se chamar Vibra Energia, mas manterá a atual identidade visual e o símbolo BR em sua rede de 8,3 mil postos de combustíveis em todo o Brasil, além de manter outras marcas de produtos e serviços, conforme comunicado enviado pela empresa ao mercado nesta quinta-feira. O movimento ocorre após a Petrobras (PETR3;PETR4) ter vendido sua fatia remanescente na maior distribuidora de combustíveis do país, no fim de junho. Veja mais clicando aqui. 

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

Na quinta-feira, o empresário Nelson Tanure afirmou que fundos com os quais tem ligações compraram cerca de 26% da empresa de diagnósticos médicos Alliar. Isso complica uma proposta de compra pela rede de hospitais Rede D’Or. Tanure diz que não tem planos de mudar a gestão da Alliar.

CVC (CVCB3)

A CVC  teve seu rating elevado de brB para brBB pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

IPOs

A provedora de serviços de internet Vero pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO), ilustrando a movimentação de empresas do setor para buscar recursos no mercado para ganhar musculatura antes do leilão do 5G. Criada em 2019 com a união de oito empresas do interior de Minas Gerais, a empresa se expandiu para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e afirma ter atualmente cerca de 500 mil clientes, com 18,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa repete dia anterior e zera perdas seguindo Wall Street; dólar vira para queda

(Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa segue o script do dia anterior e, depois de uma queda consistente durante a manhã, passa a subir no início da tarde desta sexta-feira (20) seguindo o desempenho das bolsas dos Estados Unidos, que novamente são puxadas por ações de empresas do setor de tecnologia.

Segundo Leonardo Santana, analista da Top Gain, a Bolsa segue a toada da semana e à medida em que o mercado americano devolve perdas os ativos aqui começam a seguir. “Nas commodities, a prata começou a subir, o cobre também, o petróleo, que caía 2%, já está reduzindo bem as perdas”, avalia.

Todavia, Santana ressalta que as medidas recentes do governo apontando para uma “maquiagem” do teto fiscal, acabarão levando o benchmark da B3 a encerrar a semana em baixa.

O radar macroeconômico ainda conta com focos de incertezas como o avanço da variante delta do coronavírus e a pressão regulatória do governo da China. Na terça, os Estados Unidos registraram mais de mil mortes pela Covid-19 em um dia pela primeira vez desde março.

Também na terça, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “se for para taxas dividendos em 15% é melhor nem ter reforma do Imposto de Renda”, rejeitando a possibilidade de reduzir a alíquota de 20% que propôs.

Já Bruno Funchal, secretário do Tesouro, fala à tarde sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios.

Às 12h44 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha leve variação positiva de 0,11%, a 117.291 pontos.

Vale lembrar que não é incomum um movimento de venda nas sextas-feiras em momentos nos quais o cenário macro está mais incerto, pois os investidores temem entrar no fim de semana posicionados na renda variável.

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Ontem, Bruno Komura, estrategista da Ouro Preto, e Marcus Vinícius Zanetti, gestor da Kinea, falaram ao InfoMoney sobre o horizonte repleto de incertezas para o mercado entre Federal Reserve disposto a reduzir estímulos no fim do ano, riscos fiscais, ruídos políticos e China impondo freios à valorização de algumas commodities.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 0,35% a R$ 5,403 na compra e a R$ 5,404 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro cai 0,35% a R$ 5,406.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe um ponto-base a 6,72%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de dois pontos-base a 8,44%, o DI para janeiro de 2025 recua nove pontos-base a 9,60% e o DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de nove pontos-base a 10,04%.

Voltando ao exterior, no Japão os papéis de empresas do setor automobilístico continuam a registrar perdas, após o anúncio na quinta-feira de que a Toyota deverá cortar em 40% sua produção global em setembro em relação àquilo planejado anteriormente, segundo informações reproduzidas pela agência internacional de notícias Reuters.

Já na Europa, a recuperação dos efeitos da pandemia de Covid é impulsionada pela suspensão de medidas de distanciamento social e pela forte demanda interna após o PIB (Produto Interno Bruto) ter crescido 1,5% no segundo trimestre.

No Reino Unido, dados divulgados pelo Escritório para Estatísticas Nacionais indicam queda de 2,5% nas vendas no varejo em julho em relação ao mês anterior, quando a escassez global de chips e o clima chuvoso impactaram o comportamento dos consumidores britânicos.

Covid, CPI e política

Na quinta (19), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 821, queda de 9 em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.030 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.895, o que representa queda de 9% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.793 casos.

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Chegou a 120.228.060 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,78% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 53.437.018 pessoas, ou 25,24% da população.

Na quinta, falou à CPI da Covid no Senado o dono da farmacêutica Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. Ele limitou-se a responder à CPI da que conhece o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), recusando-se a responder às demais perguntas do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL) amparado em habeas corpus concedido pela ministro Rosa Weber, do STF.

Maximiano disse que seria apenas fiador de um imóvel usado por um amigo de Barros, apesar de aparecer como locatário.

Maximiano evitou perguntas sobre as negociações suspeitas para compra da vacina contra Covid-19 Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, que tinha como representante no Brasil a Precisa. Mas responsabilizou uma empresa localizada nos Emirados Árabes Unidos por falsificar documentos entregues ao Ministério da Saúde.

As denúncias de irregularidades envolvendo as tratativas para compra da Covaxin foram feitas pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde.

Após as denúncias, o Ministério da Saúde cancelou o contrato para compra da Covaxin e a Bharat Biotech encerrou o relacionamento com a Precisa.

Barros tornou-se na quarta-feira formalmente investigado pela CPI da Covid. De acordo com depoimento de Luís Miranda à CPI, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) citou o envolvimento do líder do governo nas supostas irregularidades envolvendo a Covaxin. Bolsonaro não desmentiu o relato de Miranda, e Barros nega quaisquer irregularidades.

Na quinta, a CPI da Covid aprovou novo pedido de quebra de sigilo fiscal de Barros. O colegiado vai requerer os dados à Receita Federal e informações sobre investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU). A CPI também deu aval ao requerimento de quebra de sigilo fiscal do advogado Frederick Wassef, que defende o presidente Bolsonaro e sua família.

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Além disso, nesta semana o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Felipe Salomão, ordenou a plataformas de mídias sociais que suspendam o pagamento por publicidade veiculada de 11 páginas acusadas de publicar notícias falsas e ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Todas elas eram de apoiadores radicais de Bolsonaro e, em vários casos, se sustentam apenas com a chamada monetização.

Segundo reportagem de capa publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta, a suspensão da monetização dos canais bolsonaristas deve congelar valores milionários. Somente no YouTube, os 14 canais atingidos podem gerar até US$ 2,9 milhões (cerca de R$ 15 milhões), de acordo com estimativa da ferramenta Social Blade, que produz estatísticas sobre as redes sociais. O ganho exato dos youtubers foi solicitado às empresas de redes sociais, que têm 20 dias para responder.

Ao participar de evento no Mato Grosso na quinta, o presidente Jair Bolsonaro usou o caso para defender o que chamou de liberdade de imprensa. Ele chamou a suspensão da monetização de “cerceamento de mídias sociais” e “ditadura branca”.

Bolsonaro também afirmou que não cometerá uma ruptura institucional porque sabe das consequências, mas reclamou que o “provocam o tempo todo” e que o país está sendo “sufocado” por uma minoria.

“Da minha parte não haverá ruptura. Sei das consequências internas e externas de uma ruptura. Mas provocam-nos o tempo todo. Não é justo prender quem quer que seja sem o devido processo legal. Não é justo o TSE agora desmonetizar páginas que falam que o voto impresso é necessário, ou que desconfiam do voto eletrônico”, disse o presidente.

Reforma do IR e fundo eleitoral

O jornal O Estado de S. Paulo aponta que, na tentativa de driblar os obstáculos ao avanço da proposta que muda o Imposto de Renda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve se reunir na semana que vem com deputados da oposição na Câmara em busca de um denominador comum que resulte em maior apoio à iniciativa.

Mesmo com esse gesto, porém, as concessões recentes em nome de mais votos acenderam o alerta na equipe econômica, que pode abandonar de vez o projeto caso fique claro que ele será desfavorável para as contas do País.

Integrantes da equipe econômica já têm hoje a avaliação de que a reforma do IR “não se paga” e que as disputas em torno do projeto são até positivas por adiar ainda mais a votação, deixando tudo como está. Apesar do ceticismo dessa ala da equipe, o ministro da Economia tentará buscar na oposição uma “tábua de salvação” para a proposta.

Em live na véspera, o presidente Jair Bolsonaro disse que deve decidir hoje o futuro do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões. A expectativa é que ele vete o fundo e o negocie dentro do orçamento, com um valor esperado entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Líderes no Congresso pressionam para aumentar esse valor para R$ 4 bilhões, segundo apurado pela Folha de S. Paulo.

Já a AGU pediu ao STF a suspensão da decisão que determinou o pagamento de R$ 8,7 bilhões ao Fundef da Bahia e deve fazer o mesmo com a dívida com Pernambuco, Ceará e Amazonas. Com estes estados, o alívio seria de R$ 15,6 bilhões no caixa de 2022.

Ainda em destaque, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), agendou para a próxima terça a sabatina do procurador-geral da República, Augusto Aras, que poderá levar à sua recondução ao cargo. Mas não marcou sabatina para o ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União André Mendonça, que continua na fila de espera apesar de sua indicação ao STF ter chegado ao Senado nove dias antes da formalização do caso de Aras.

5. Radar corporativo

O noticiário corporativo tem como destaque notícias sobre Gerdau, Renner, JBS e BRF. Confira abaixo:

Gerdau (GGBR4)

O Conselho de Administração da Gerdau aprovou a reorganização de subsidiárias no México, informou a companhia em comunicado ao mercado.

Lojas Renner (LREN3)

No final da tarde da véspera, a varejista Lojas Renner informou que sofreu um ataque cibernético em seu ambiente de tecnologia na quinta-feira, que provocou indisponibilidade em parte de seus sistemas. Em comunicado, a companhia afirmou ter atuado para mitigar os efeitos do ataque e que a maior parte das operações já foram restabelecidas, com os principais bancos de dados preservados. Além disso, a Lojas Renner afirmou que suas lojas físicas não tiveram as atividades interrompidas.

JBS (JBSS3)

A Pilgrim’s Pride, controlada da JBS nos Estados Unidos, informou que precificou uma oferta de US$ 900 milhões em notas sênior não garantidas com vencimento em 2032. 

De acordo com comunicado da empresa, os títulos serão emitidos a 100% do valor principal agregado e terão rendimento de 3,5%. Devido à demanda significativa, o montante da emissão foi elevado de US$ 750 milhões iniciais. A venda das notas deve ser concluída em 2 de setembro.

BRF (BRFS3)

O Conselho de Administração da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil, aprovou uma Política de Compra Sustentável de Grãos, conforme ata de reunião do colegiado divulgada na quinta-feira. A aprovação atende o plano Visão 2030 da BRF e o compromisso de rastreabilidade assumido pela empresa em dezembro de 2020, segundo a ata, que não trouxe mais detalhes.

Vibra Energia (BRDT3)

A BR Distribuidora  passa a se chamar Vibra Energia, mas manterá a atual identidade visual e o símbolo BR em sua rede de 8,3 mil postos de combustíveis em todo o Brasil, além de manter outras marcas de produtos e serviços, conforme comunicado enviado pela empresa ao mercado nesta quinta-feira. O movimento ocorre após a Petrobras (PETR3;PETR4) ter vendido sua fatia remanescente na maior distribuidora de combustíveis do país, no fim de junho. Veja mais clicando aqui. 

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

Na quinta-feira, o empresário Nelson Tanure afirmou que fundos com os quais tem ligações compraram cerca de 26% da empresa de diagnósticos médicos Alliar. Isso complica uma proposta de compra pela rede de hospitais Rede D’Or. Tanure diz que não tem planos de mudar a gestão da Alliar.

CVC (CVCB3)

A CVC  teve seu rating elevado de brB para brBB pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

IPOs

A provedora de serviços de internet Vero pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO), ilustrando a movimentação de empresas do setor para buscar recursos no mercado para ganhar musculatura antes do leilão do 5G. Criada em 2019 com a união de oito empresas do interior de Minas Gerais, a empresa se expandiu para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e afirma ter atualmente cerca de 500 mil clientes, com 18,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa sobe e encerra sequência negativa, mas analistas recomendam cautela diante de cenário repleto de incertezas

ações bolsa gráfico índice mercado opções compra venda sell buy (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira (19), recuperando-se depois de três quedas consecutivas, mas os analistas avaliam que ainda há incertezas demais no radar para que o investidor tenha tanta certeza de que o movimento de baixa do índice atingiu seu fundo.

Segundo Marcus Vinícius Zanetti, gestor da Kinea, o risco fiscal aumentou drasticamente com a edição da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, que mina ainda mais a credibilidade do teto de gastos.

Além disso, ele explica que o grande driver de alta da Bolsa no ano, a valorização das commodities energéticas e metálicas, parou de ser um suporte para o mercado. Essa mudança se deveu às políticas implementadas pela China, que na opinião de Zanetti, “uniu o útil ao agradável” para diminuir a poluição no país.

“Essas intervenções no setor de aço e de construção ajudaram a frear o ciclo de valorização das propriedades chinesas”, destaca. De acordo com o gestor, embora o múltiplo valor da empresa dividido pelo lucro na Bolsa esteja atrativo, é preciso ponderar que esse nível, a um desvio-padrão da média histórica, parece razoável diante de uma eleição polarizada para presidente da república em 2022, com risco cada vez maior de guinada populista para obtenção do apoio popular.

“Não vejo este como um ótimo momento para compra indiscriminada. É importante olhar para empresas específicas que estejam menos expostas ao ciclo econômico e a fatores políticos”, defende.

Bruno Komura, estrategista da Ouro Preto Investimentos, tem uma visão parecida. Para ele, o mercado brasileiro está se descolando para baixo do movimento internacional devido ao uso do Orçamento para melhorar a imagem do governo, como ficou claro com as notícias de aumento no benefício do Bolsa Família e de PEC dos Precatórios.

Sobre a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) divulgada ontem, o estrategista vê algum grau de surpresa, pois havia expectativa de que o Federal Reserve esperasse o simpósio de Jackson Hole para dar mais clareza sobre política monetária. O movimento, contudo, não é totalmente negativo.

“Parece que o Fed busca cada vez mais dar clareza para o mercado. É importante separar os fatores. O início da redução de compras de ativos pode não significar que vai começar o aumento de juros tão cedo”, diz.

Além disso, com a crise entre os Três Poderes, Komura enxerga maior dificuldade do Executivo em emplacar reformas econômicas no Congresso. Entretanto, o estrategista não dá o ano como perdido.

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“Toda a desvalorização faz sentido dado todo esse cenário, mas até o fim do ano tem esperança de um alívio por conta da vacinação, que está avançando em diversas regiões do Brasil, principalmente em São Paulo, o que vai permitir um relaxamento das restrições”, explica.

Nesta quinta

Hoje, o Ibovespa chegou a cair mais de 1%, a 114.801 pontos, mas recuperou-se junto com o exterior conforme o desempenho dos índices S&P 500 e Nasdaq, em Wall Street melhorava puxado por ações de empresas de tecnologia e ativos do setor de saúde.

Mais cedo, a ata do Fomc, que sinalizou ontem a discussão sobre a redução do ritmo de compras mensais de títulos ainda em 2021, ainda trazia muita preocupação globalmente.

Por outro lado, nesta manhã saíram os dados de auxílio desemprego nos Estados Unidos, com o número caindo 29 mil na semana encerrada em 14 de agosto, a 348 mil pedidos, segundo dados com ajustes sazonais do Departamento do Trabalho americano.

O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela Refinitiv, que previam 363 mil solicitações. O total da semana anterior foi ligeiramente revisado para cima, de 375 mil para 377 mil pedidos.

Além disso, o dia ainda teve um foco de ruído a mais para mercados emergentes, que é a forte desvalorização das commodities. O minério de ferro negociado em Singapura teve baixa de 12%, passando a cair no ano após chegar a subir 55% até meados de julho.

A queda ocorreu tanto pela ata do Fomc quanto pelo consumo chinês menor (pelo crescimento menor do país e pela ação das autoridades de diminuir a poluição). O preço do petróleo também cai e já acumula 15% de queda desde as máximas de julho.

Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo quer em seis meses reduzir em 10% a Tarifa Externa Comum (TEF) do Mercosul para barrar o aumento da inflação. “É hora de aumentar a oferta de alimentos, aumentar a oferta de aço, de material de construção, tudo isso aí dá uma acalmada no setor”, comentou.

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Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que ruídos políticos têm afetado as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2022 e que o Banco Central fará o que for necessário para garantir o cumprimento da meta de inflação.

O Ibovespa teve alta de 0,45%, a 117.164 pontos com volume financeiro negociado de R$ 38,49 bilhões.

Dentre as chamadas blue chips, a ação que mais subiu, ajudando a manter o benchmark em terreno positivo, era a da B3 (B3SA3), com valorização de 4,7%. O papel responde por 3,95% da composição do índice.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,89% a R$ 5,422 na compra e a R$ 5,423 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro tem ganhos de 0,77% a R$ 5,437 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu seis pontos-base a 6,72%, DI para janeiro de 2023 teve queda de 17 pontos-base a 8,47%, DI para janeiro de 2025 recuou 25 pontos-base a 9,71% e DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de 17 pontos-base a 10,15%.

As bolsas asiáticas tiveram quedas na quinta, ainda por conta de temores sobre pressão regulatória na China. Em reunião de terça-feira, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Por Dentro dos Resultados

Às 18h, o InfoMoney entrevista Thiago Grechi (CFO) e David Abuhab (CSO), da Neogrid (NGRD3).

Quer fazer perguntas aos CEOs das empresas que se destacam na Bolsa? Acompanhe a série Por Dentro dos Resultados no YouTube do InfoMoney

Covid, CPI, precatórios e vacinação

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Na quarta (18), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 813, queda de 8% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 985 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.117, o que representa queda de 11% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 41.017 casos.

Chegou a 118.860.218 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,13% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 52.453.993 pessoas, ou 24,77% da população.

Na quarta, falou à CPI da Covid no Senado Túlio Silveira, advogado da Precisa Medicamentos, que intermediou o acordo de compra pelo governo de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. Ele confirmou que abriu um escritório dias antes da assinatura do contrato de compras. Agora, ele passa a condição de investigado, na qual será obrigado a responder às perguntas dos senadores.

Também na quarta, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou a jornalistas que o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara, será formalmente investigado pelo que chamou de “conjunto da obra” e não apenas pelas suspeitas envolvendo as negociações para compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin.

Nesta quinta, falará à CPI Francisco Maximiano, sócio da Precisa. A atuação da empresa como intermediária do acordo de compra da Covaxin é investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Também na quarta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu por unanimidade não autorizar o uso da vacina contra Covid-19 CoronaVac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos.

O Butantan, responsável pelo envase no Brasil da vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, havia pedido à Anvisa no mês passado para ampliar a faixa etária para a aplicação da CoronaVac de modo que crianças e adolescentes também pudessem receber o imunizante.

Mas a agência afirmou que falta ao instituto apresentar dados que possam estabelecer o perfil de eficácia e segurança do imunizante na população pediátrica, uma vez que o estudo apresentado contou com apenas 586 participantes, número que considerou insuficiente.

Na mesma reunião, a agência reguladora também fez uma recomendação oficial ao Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, para que seja considerada a aplicação de uma terceira dose da CoronaVac, em caráter experimental, em especial para públicos-alvo prioritários, como pacientes imunocomprometidos ou idosos.

Além disso, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso na quarta-feira, o secretário de Orçamento do Ministério da Economia, Ariosto Culau, afirmou que a conta de precatórios de R$ 89,1 bilhões para 2022 inviabiliza o financiamento da terceira dose de vacina contra a Covid-19, prevista em plano de imunização encaminhado pelo Ministério da Saúde.

Culau afirmou que a confecção do Orçamento para o ano que vem está sendo desafiadora e que o aumento de R$ 34,4 bilhões verificado nas despesas com precatórios é sem precedentes.
Requisições de pagamento expedidas pela Justiça após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais, os precatórios são despesas obrigatórias. Como têm crescido vertiginosamente, eles têm na prática comido espaço, sob a regra do teto, para outras despesas.

Com a fala de Culau, a viabilização do programa de vacinação se soma aos argumentos do governo a favor de sua proposta de emenda constitucional (PEC) que visa parcelar os precatórios.

O texto divide em dez parcelas o pagamento dos precatórios de mais de R$ 66 milhões e impõe uma limitação provisória dos pagamentos anuais de precatórios a 2,6% da receita corrente líquida, o que também sujeitará precatórios entre R$ 66 mil e R$ 66 milhões a eventual parcelamento.

Com a PEC, a estimativa do Ministério da Economia é de ganhar R$ 33,5 bilhões em espaço orçamentário no ano que vem. Anteriormente, quadros do governo já afirmaram que, sem o parcelamento, seria impossível financiar a expansão do Bolsa Família e mesmo o pagamento de salários do funcionalismo.

“(Pela) magnitude do comprometimento que a gente tem com essa despesa que, pela Constituição, deve ser honrada e vai ser honrada, temos realmente muitas dificuldades para atender essas demandas das mais diversas áreas”, disse o secretário.
Também presente na audiência, o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, voltou a dizer que, antes de conhecido o impacto dos precatórios para o ano que vem, o governo previa ter um espaço adicional de R$ 30,4 bilhões para despesas em 2022 dentro do teto de gastos.

Agora, a perspectiva é de envio para o Congresso de um projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 sem qualquer folga orçamentária, o que será feito até o fim deste mês.

Imposto de Renda, teto de gastos e tensão institucional

Em entrevista concedida na quarta-feira à agência internacional de notícias Reuters, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), disse avaliar que o projeto que altera regras do Imposto de Renda “subiu no telhado”, tem poucas perspectivas de aprovação no momento e precisará ser reconstruído para chegar a um mínimo de convergência.
O parlamentar disse ter se comprometido com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a participar das negociações.

Para o deputado, a proposta do IR, que teve sua votação adiada mais uma vez na terça-feira, conta com pouco apoio e correria o risco de ser derrotada em plenário se fosse a voto, mesmo se tratando de um projeto simples, sem a necessidade de quórum qualificado de aprovação.

Para o deputado, a investida do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, buscando viabilizar um novo programa social em substituição ao Bolsa Família coloca em risco dois “patrimônios” conquistados pelo país nas últimas décadas: o controle da inflação e os sinais de austeridade fiscal.

“Para mim está claro que há um abandono da política de austeridade fiscal, porque a prioridade absoluta do presidente é turbinar o programa de transferência de renda. Não por um desejo de ajudar os brasileiros, mas por uma métrica absolutamente eleitoral, porque ele começa a enxergar que essa pode a ser a última tábua de salvação para o projeto dele de reeleição. Se o preço disso for romper o teto de gastos, que se rompa”, disse Ramos.

“Na verdade, me parece muito claro que o ministro Paulo Guedes já decidiu romper o teto de gastos. A discussão não é se vai romper. É como vai romper”, afirmou. Ele disse avaliar que saídas como parcelar “compulsoriamente” os precatórios ou classificando-os como despesa corrente ferem teto de gastos.

O parlamentar diz avaliar, ainda, que o discurso mais agressivo e os ataques de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a integrantes das cortes, integram parte de sua estratégia eleitoral.

Na quarta, os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) notícia-crime contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, pelo suposto crime de prevaricação por suposta omissão em relação aos ataques do presidente Jair Bolsonaro e aliados ao sistema eleitoral brasileiro, na defesa do regime democrático brasileiro e na fiscalização do cumprimento da lei no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

A peça, dirigida à ministra do STF Cármen Lúcia, pede que o caso seja analisado pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Em entrevista de 13 minutos publicada como reportagem de capa do jornal Folha de S. Paulo nesta quinta, Aras nega ter se omitido em relação aos ataques do presidente Bolsonaro contra o sistema de votação. Questionado sobre se o sistema é confiável, ele afirma: “não há nenhuma prova [contrária ao sistema] do Ministério Público Eleitoral”.

Na quarta, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, a retomada de uma reunião entre os chefes dos Poderes, ressaltando que o radicalismo e o extremismo são capazes de derrotar a democracia.

O presidente do STF cancelou no início do mês uma reunião que estava marcada entre os chefes dos Poderes, citando como razão os ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro a magistrados do Supremo, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Pacheco ressaltou que a democracia “não pode ser aviltada e questionada como está sendo recentemente no país”, e destacou a necessidade de diálogo para a solução da crise institucional vivida atualmente, em especial entre o Executivo e o Judiciário.

Na abertura da sessão do Supremo na quarta, Fux fez um breve comunicado aos demais ministros sobre o encontro que teve com Pacheco e disse que o pedido do presidente do Senado será avaliado.

Em um evento de entrega de casas em Manaus na quarta, Bolsonaro disse que no dia 7 de setembro estará “onde o povo estiver”, indicando que deve efetivamente participar das manifestações marcadas para o dia. Uma fonte disse à agência Reuters que Bolsonaro irá aos atos organizado por apoiadores em São Paulo e em Brasília, que têm entre suas pautas a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

O presidente também voltou a falar da alta da inflação e do preço dos combustíveis. Reclamou que o preço do botijão de gás e do litro da gasolina era “absurdo”, mas fez questão de culpar os governos estaduais pela alta.

“Pensar nos mais humildes é zerar impostos, não aumentar impostos para que os produtos cheguem mais baratos na ponta”, afirmou.

Radar corporativo

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
CVCB3 7.9096 19.1
LWSA3 7.78761 24.36
TOTS3 5.78035 36.6
RENT3 5.30701 58.14
LCAM3 5.17172 26.03

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
CSNA3 -5.78049 37
VALE3 -5.70544 97.51
USIM5 -5.68747 17.08
BRAP4 -5.32995 63.41
GGBR4 -3.51916 27.69

O noticiário corporativo tem como destaques Vale, Petrobras, entre outras companhias, confira abaixo:

Vale (VALE3)

A Vale comunicou que recebeu “com surpresa”, pela mídia, a notícia de que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) propôs um incidente de desconsideração da personalidade jurídica da Samarco, em que solicitou que suas duas sócias fossem integradas ao processo de recuperação judicial em curso. A mineradora afirma que não foi formalmente notificada da ação, e apresentará a sua defesa no prazo legal.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras retomou o processo de arrendamento do seu Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bahia para a texana Excelerate Energy, única a apresentar proposta em uma licitação do ativo feita em junho.

Ainda em destaque, a Petrobras ampliou a oferta de combustíveis para térmicas, o que permitiu aumentar, em nove meses (de setembro de 2020 a junho de 2021), a geração termelétrica de suas usinas e de clientes de cerca de 2 mil megawatts (MW) para quase 8 mil MW.

Copel (CPLE6)

A Copel lançou na quarta o Programa de Demissão Incentivada (PDI), em função da venda da Copel Telecom. Segundo a empresa, o PDI é estimado em R$ 80,6 milhões de indenizações, com prazo para adesão no período de 18 a 31 de agosto deste ano e com os desligamentos previstos para 15 de fevereiro de 2022.

Braskem (BRKM5)

A Braskem confirmou que fechou com a Nexeo Plastics uma parceria de distribuição de filamento de polipropileno (PP) e pellets para fabricação de aditivos. O acordo irá ampliar a distribuição internacional dos produtos da petroquímica para a América do Norte e Europa.

Ambipar (AMBP3)

A Ambipar informou que apresentou à CVM pedido de oferta pública inicial de distribuição primária de ações de sua controlada Environmental ESG Participações, que atua no segmento de soluções ambientais para gestão e valorização de resíduos pós e pré-consumo e na gestão de gases do efeito estufa e originação de créditos de carbono.

JBS (JBSS3)

A agência Standard & Poor’s elevou de estável para positiva a escala global da JBS, com a classificação de crédito em BB+, informou a segunda maior companhia de alimentos do mundo nesta quarta-feira.

Vinci Partners (NASDAQ:VINP)

A Vinci Partners, que abriu seu capital em janeiro deste ano na Nasdaq, fechou o segundo trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 53,4 milhões, representando uma alta de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seis meses, o lucro foi de R$ 100,4 milhões, um crescimento de 53% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

A Alliar (Centro De Imagem Diagnósticos) informou que a Rede D’Or comprou mais 63 mil ações ordinárias de emissão da companhia nesta quarta-feira, 18, totalizando R$ 721,95 mil, após outras aquisições informadas na segunda e terça-feira. Até esse momento, a empresa possui 3,708 milhões de ações da Alliar.

BRF (BRFS3)

A companhia de alimentos BRF inaugurou na quarta-feira uma nova fábrica de salsichas localizada em Seropédica (RJ), com investimento em torno de R$ 300 milhões, atenta a uma demanda excedente pelo produto que ganhou fôlego durante a pandemia da Covid-19.

Mercado Livre (MELI34)

O Mercado Livre anunciou nesta quarta-feira acordo para ser acionista do Aleph Group com a aquisição de participação de US$ 25 milhões na empresa de mídia digital, que opera na América Latina por meio da Internet Media Services (IMS).

Dexco

Após a alteração de seu nome, a antiga Duratex, que agora se chama Dexco, vai mudar o seu ticker na Bolsa de DTEX3 para DXCO3, com mudança que passe a valer a partir do pregão desta quinta.

IPOs

A fabricante de meias e de roupa íntima Lupo pediu autorização para uma oferta inicial de ações (IPO), em busca de recursos para investir em tecnologia, distribuição e aquisições de negócios, segundo registro na CVM na quarta.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa cai 1% e volta aos 115 mil pontos puxado por commodities e mau humor externo; dólar sobe a R$ 5,43

Ações em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera com queda de cerca de 1% nesta quinta-feira (19), acompanhando o pessimismo das bolsas mundiais, com os investidores repercutindo a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), que sinalizou a discussão sobre a redução do ritmo de compra de títulos ainda em 2021, além do dia de forte queda das commodities.

Nesta manhã saíram os dados de auxílio desemprego nos Estados Unidos, com o número caindo 29 mil na semana encerrada em 14 de agosto, a 348 mil pedidos, segundo dados com ajustes sazonais do Departamento do Trabalho americano.

O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela Refinitiv, que previam 363 mil solicitações. O total da semana anterior foi ligeiramente revisado para cima, de 375 mil para 377 mil pedidos.

Outro ponto negativo nesta quinta são as commodities, que desabam em dia negativo no mercado global, com o minério de ferro negociando em Singapura em baixa de 12%, passando a cair no ano após estar subindo 55% até meados de julho.

A queda ocorre tanto pela ata do Fomc quanto pelo consumo chinês menor (tanto pelo crescimento menor quanto pela ação das autoridades de diminuir a poluição). O preço do petróleo também cai e já acumula 15% de queda desde as máximas de julho.

Por aqui, atenção ainda para eventos que contarão com participação de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e de Paulo Guedes, ministro da Economia.

Às 10h13 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 1,07%, a 115.397 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 1,13% a R$ 5,435 na compra e a R$ 5,436 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro sobe 0,85% a R$ 5,442.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai um ponto-base a 6,77%, DI para janeiro de 2023 tem queda de um ponto-base a 8,63%, DI para janeiro de 2025 recua dois pontos-base a 9,98% e DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de quatro pontos-base a 10,40%

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As bolsas asiáticas tiveram quedas na quinta, ainda por conta de temores sobre pressão regulatória na China. Em reunião de terça-feira, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Já as bolsas europeias recuam forte nesta quinta após o desempenho fraco das bolsas asiáticas e a divulgação das minutas do Fed na quarta.

O índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, perde 2% pela manhã. Todos os setores operam no vermelho, com destaque negativo para recursos básicos, bens domésticos e varejo.

Por Dentro dos Resultados

InfoMoney entrevista às 15h Kai Schoppen (CEO), Fábio Bortolotti (DRI), da Infracommerce (IFCM3). Às 18h, o PDR será com Thiago Grechi (CFO) e David Abuhab (CSO), da Neogrid (NGRD3).

Quer fazer perguntas aos CEOs das empresas que se destacam na Bolsa? Acompanhe a série Por Dentro dos Resultados no YouTube do InfoMoney

Covid, CPI, precatórios e vacinação

Na quarta (18), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 813, queda de 8% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 985 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.117, o que representa queda de 11% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 41.017 casos.

Chegou a 118.860.218 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,13% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 52.453.993 pessoas, ou 24,77% da população.

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Na quarta, falou à CPI da Covid no Senado Túlio Silveira, advogado da Precisa Medicamentos, que intermediou o acordo de compra pelo governo de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. Ele confirmou que abriu um escritório dias antes da assinatura do contrato de compras. Agora, ele passa a condição de investigado, na qual será obrigado a responder às perguntas dos senadores.

Também na quarta, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou a jornalistas que o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara, será formalmente investigado pelo que chamou de “conjunto da obra” e não apenas pelas suspeitas envolvendo as negociações para compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin.

Nesta quinta, falará à CPI Francisco Maximiano, sócio da Precisa. A atuação da empresa como intermediária do acordo de compra da Covaxin é investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Também na quarta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu por unanimidade não autorizar o uso da vacina contra Covid-19 CoronaVac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos.

O Butantan, responsável pelo envase no Brasil da vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, havia pedido à Anvisa no mês passado para ampliar a faixa etária para a aplicação da CoronaVac de modo que crianças e adolescentes também pudessem receber o imunizante.

Mas a agência afirmou que falta ao instituto apresentar dados que possam estabelecer o perfil de eficácia e segurança do imunizante na população pediátrica, uma vez que o estudo apresentado contou com apenas 586 participantes, número que considerou insuficiente.

Na mesma reunião, a agência reguladora também fez uma recomendação oficial ao Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, para que seja considerada a aplicação de uma terceira dose da CoronaVac, em caráter experimental, em especial para públicos-alvo prioritários, como pacientes imunocomprometidos ou idosos.

Além disso, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso na quarta-feira, o secretário de Orçamento do Ministério da Economia, Ariosto Culau, afirmou que a conta de precatórios de R$ 89,1 bilhões para 2022 inviabiliza o financiamento da terceira dose de vacina contra a Covid-19, prevista em plano de imunização encaminhado pelo Ministério da Saúde.

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Culau afirmou que a confecção do Orçamento para o ano que vem está sendo desafiadora e que o aumento de R$ 34,4 bilhões verificado nas despesas com precatórios é sem precedentes.
Requisições de pagamento expedidas pela Justiça após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais, os precatórios são despesas obrigatórias. Como têm crescido vertiginosamente, eles têm na prática comido espaço, sob a regra do teto, para outras despesas.

Com a fala de Culau, a viabilização do programa de vacinação se soma aos argumentos do governo a favor de sua proposta de emenda constitucional (PEC) que visa parcelar os precatórios.

O texto divide em dez parcelas o pagamento dos precatórios de mais de R$ 66 milhões e impõe uma limitação provisória dos pagamentos anuais de precatórios a 2,6% da receita corrente líquida, o que também sujeitará precatórios entre R$ 66 mil e R$ 66 milhões a eventual parcelamento.

Com a PEC, a estimativa do Ministério da Economia é de ganhar R$ 33,5 bilhões em espaço orçamentário no ano que vem. Anteriormente, quadros do governo já afirmaram que, sem o parcelamento, seria impossível financiar a expansão do Bolsa Família e mesmo o pagamento de salários do funcionalismo.

“(Pela) magnitude do comprometimento que a gente tem com essa despesa que, pela Constituição, deve ser honrada e vai ser honrada, temos realmente muitas dificuldades para atender essas demandas das mais diversas áreas”, disse o secretário.
Também presente na audiência, o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, voltou a dizer que, antes de conhecido o impacto dos precatórios para o ano que vem, o governo previa ter um espaço adicional de R$ 30,4 bilhões para despesas em 2022 dentro do teto de gastos.

Agora, a perspectiva é de envio para o Congresso de um projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 sem qualquer folga orçamentária, o que será feito até o fim deste mês.

Imposto de Renda, teto de gastos e tensão institucional

Em entrevista concedida na quarta-feira à agência internacional de notícias Reuters, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), disse avaliar que o projeto que altera regras do Imposto de Renda “subiu no telhado”, tem poucas perspectivas de aprovação no momento e precisará ser reconstruído para chegar a um mínimo de convergência.
O parlamentar disse ter se comprometido com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a participar das negociações.

Para o deputado, a proposta do IR, que teve sua votação adiada mais uma vez na terça-feira, conta com pouco apoio e correria o risco de ser derrotada em plenário se fosse a voto, mesmo se tratando de um projeto simples, sem a necessidade de quórum qualificado de aprovação.

Para o deputado, a investida do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, buscando viabilizar um novo programa social em substituição ao Bolsa Família coloca em risco dois “patrimônios” conquistados pelo país nas últimas décadas: o controle da inflação e os sinais de austeridade fiscal.

“Para mim está claro que há um abandono da política de austeridade fiscal, porque a prioridade absoluta do presidente é turbinar o programa de transferência de renda. Não por um desejo de ajudar os brasileiros, mas por uma métrica absolutamente eleitoral, porque ele começa a enxergar que essa pode a ser a última tábua de salvação para o projeto dele de reeleição. Se o preço disso for romper o teto de gastos, que se rompa”, disse Ramos.

“Na verdade, me parece muito claro que o ministro Paulo Guedes já decidiu romper o teto de gastos. A discussão não é se vai romper. É como vai romper”, afirmou. Ele disse avaliar que saídas como parcelar “compulsoriamente” os precatórios ou classificando-os como despesa corrente ferem teto de gastos.

O parlamentar diz avaliar, ainda, que o discurso mais agressivo e os ataques de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a integrantes das cortes, integram parte de sua estratégia eleitoral.

Na quarta, os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) notícia-crime contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, pelo suposto crime de prevaricação por suposta omissão em relação aos ataques do presidente Jair Bolsonaro e aliados ao sistema eleitoral brasileiro, na defesa do regime democrático brasileiro e na fiscalização do cumprimento da lei no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

A peça, dirigida à ministra do STF Cármen Lúcia, pede que o caso seja analisado pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Em entrevista de 13 minutos publicada como reportagem de capa do jornal Folha de S. Paulo nesta quinta, Aras nega ter se omitido em relação aos ataques do presidente Bolsonaro contra o sistema de votação. Questionado sobre se o sistema é confiável, ele afirma: “não há nenhuma prova [contrária ao sistema] do Ministério Público Eleitoral”.

Na quarta, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, a retomada de uma reunião entre os chefes dos Poderes, ressaltando que o radicalismo e o extremismo são capazes de derrotar a democracia.

O presidente do STF cancelou no início do mês uma reunião que estava marcada entre os chefes dos Poderes, citando como razão os ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro a magistrados do Supremo, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Pacheco ressaltou que a democracia “não pode ser aviltada e questionada como está sendo recentemente no país”, e destacou a necessidade de diálogo para a solução da crise institucional vivida atualmente, em especial entre o Executivo e o Judiciário.

Na abertura da sessão do Supremo na quarta, Fux fez um breve comunicado aos demais ministros sobre o encontro que teve com Pacheco e disse que o pedido do presidente do Senado será avaliado.

Em um evento de entrega de casas em Manaus na quarta, Bolsonaro disse que no dia 7 de setembro estará “onde o povo estiver”, indicando que deve efetivamente participar das manifestações marcadas para o dia. Uma fonte disse à agência Reuters que Bolsonaro irá aos atos organizado por apoiadores em São Paulo e em Brasília, que têm entre suas pautas a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

O presidente também voltou a falar da alta da inflação e do preço dos combustíveis. Reclamou que o preço do botijão de gás e do litro da gasolina era “absurdo”, mas fez questão de culpar os governos estaduais pela alta.

“Pensar nos mais humildes é zerar impostos, não aumentar impostos para que os produtos cheguem mais baratos na ponta”, afirmou.

Radar corporativo

O noticiário corporativo tem como destaques Vale, Petrobras, entre outras companhias, confira abaixo:

Vale (VALE3)

A Vale comunicou que recebeu “com surpresa”, pela mídia, a notícia de que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) propôs um incidente de desconsideração da personalidade jurídica da Samarco, em que solicitou que suas duas sócias fossem integradas ao processo de recuperação judicial em curso. A mineradora afirma que não foi formalmente notificada da ação, e apresentará a sua defesa no prazo legal.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras retomou o processo de arrendamento do seu Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bahia para a texana Excelerate Energy, única a apresentar proposta em uma licitação do ativo feita em junho.

Ainda em destaque, a Petrobras ampliou a oferta de combustíveis para térmicas, o que permitiu aumentar, em nove meses (de setembro de 2020 a junho de 2021), a geração termelétrica de suas usinas e de clientes de cerca de 2 mil megawatts (MW) para quase 8 mil MW.

Copel (CPLE6)

A Copel lançou na quarta o Programa de Demissão Incentivada (PDI), em função da venda da Copel Telecom. Segundo a empresa, o PDI é estimado em R$ 80,6 milhões de indenizações, com prazo para adesão no período de 18 a 31 de agosto deste ano e com os desligamentos previstos para 15 de fevereiro de 2022.

Braskem (BRKM5)

A Braskem confirmou que fechou com a Nexeo Plastics uma parceria de distribuição de filamento de polipropileno (PP) e pellets para fabricação de aditivos. O acordo irá ampliar a distribuição internacional dos produtos da petroquímica para a América do Norte e Europa.

Ambipar (AMBP3)

A Ambipar informou que apresentou à CVM pedido de oferta pública inicial de distribuição primária de ações de sua controlada Environmental ESG Participações, que atua no segmento de soluções ambientais para gestão e valorização de resíduos pós e pré-consumo e na gestão de gases do efeito estufa e originação de créditos de carbono.

JBS (JBSS3)

A agência Standard & Poor’s elevou de estável para positiva a escala global da JBS, com a classificação de crédito em BB+, informou a segunda maior companhia de alimentos do mundo nesta quarta-feira.

Vinci Partners (NASDAQ:VINP)

A Vinci Partners, que abriu seu capital em janeiro deste ano na Nasdaq, fechou o segundo trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 53,4 milhões, representando uma alta de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seis meses, o lucro foi de R$ 100,4 milhões, um crescimento de 53% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

A Alliar (Centro De Imagem Diagnósticos) informou que a Rede D’Or comprou mais 63 mil ações ordinárias de emissão da companhia nesta quarta-feira, 18, totalizando R$ 721,95 mil, após outras aquisições informadas na segunda e terça-feira. Até esse momento, a empresa possui 3,708 milhões de ações da Alliar.

BRF (BRFS3)

A companhia de alimentos BRF inaugurou na quarta-feira uma nova fábrica de salsichas localizada em Seropédica (RJ), com investimento em torno de R$ 300 milhões, atenta a uma demanda excedente pelo produto que ganhou fôlego durante a pandemia da Covid-19.

Mercado Livre (MELI34)

O Mercado Livre anunciou nesta quarta-feira acordo para ser acionista do Aleph Group com a aquisição de participação de US$ 25 milhões na empresa de mídia digital, que opera na América Latina por meio da Internet Media Services (IMS).

Dexco

Após a alteração de seu nome, a antiga Duratex, que agora se chama Dexco, vai mudar o seu ticker na Bolsa de DTEX3 para DXCO3, com mudança que passe a valer a partir do pregão desta quinta.

IPOs

A fabricante de meias e de roupa íntima Lupo pediu autorização para uma oferta inicial de ações (IPO), em busca de recursos para investir em tecnologia, distribuição e aquisições de negócios, segundo registro na CVM na quarta.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa fecha em queda e já recua 2% no ano; dólar salta 2% e DIs longos avançam até 30 pontos com ata do Fomc

Bolsa em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda pela terceira vez consecutiva nesta quarta-feira (18) após um pregão de extrema volatilidade no qual o índice chegou a ir de uma baixa de 1% para uma alta de 0,6% em poucos minutos antes da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

Segundo Sidney Lima, analista de investimentos da Top Gain, nos primeiros meses deste ano o mercado brasileiro engatou uma alta considerável motivada pelo aumento nos preços das commodities, que se seguiu à recuperação econômica, especialmente de China e Estados Unidos, depois do baque do coronavírus.

No entanto, logo vieram intervenções do governo chinês como a realizada para conter a alta descontrolada do minério de ferro, além do novo aumento de casos de Covid-19 globalmente devido à variante delta.

“Estes fatores atingiram em cheio a nossa Bolsa de Valores considerando a alta exposição do Ibovespa a commodities como o petróleo e o minério de ferro. Um novo balizador desse sentimento tem sido os dados de emprego, inflação e varejo vindo abaixo da expectativa, mostrando que a tão sonhada retomada tende a demorar um pouco mais do que esperávamos”, destaca o analista.

Já Jansen Costa, sócio fundador da Fatorial Investimentos, comenta que a Bolsa zerar os ganhos no ano é algo que assusta o novo investidor de renda variável e pode gerar uma fuga de capital das pessoas físicas.

“A perspectiva acaba sendo negativa. Com o aumento de juros [realizado pelo Banco Central], esse investidor começa a questionar se deixar o dinheiro alocado em ações é bom, dado que a renda fixa está se tornando mais rentável”, avalia.

Nesta quarta especificamente, o principal driver da sessão foi a ata do Fomc, que abriu a porta para a redução dos estímulos no fim deste ano. “Olhando para o futuro, a maioria dos participantes observou que, desde que a economia evolua amplamente como eles anteciparam, eles julgaram que pode ser apropriado começar a reduzir o ritmo de compras de ativos neste ano”, diz o documento.

As bolsas internacionais foram à mínimas após serem divulgadas as sinalizações do Fed. Hoje, o Dow Jones caiu 1,08% a 34.960 pontos, o S&P 500 teve queda de 1,07% a 4.400 pontos e o Nasdaq recuou 0,89% a 14.525 pontos.

Essa ata do Fomc foi a última grande comunicação do banco central dos EUA antes do simpósio de Jackson Hole, que ocorre entre os dias 26 e 28 de agosto.

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No noticiário doméstico, ontem a Câmara dos Deputados aprovou por 390 votos a 99 e uma abstenção a retirada de pauta do projeto que modifica as regras da cobrança do Imposto de Renda. Uma das sustentações mais emblemáticas da sessão plenária foi a do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que disse haver “um dilema entre a previsão de dividendos e a perda de arrecadação dos estados e municípios”.

De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, os entes querem mais R$ 18 bilhões para a aprovação da medida, o que faz com que integrantes do Ministério da Economia digam que o projeto já “não se paga”.

Também na política, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, por uma retomada da reunião dos Três Poderes. Segundo Pacheco “radicalismo” e “extremismo” são ruins para o Brasil e para a democracia.

O Ibovespa teve queda de 1,07%, a 116.642 pontos com volume financeiro negociado de R$ 38,022 bilhões. Com isso, o benchmark acumula perdas de 2% no ano de 2021 e atinge seu menor patamar de fechamento desde o dia 1º de abril, quando o índice encerrou o pregão cotado a 115.253 pontos.

Na mínima intradiária hoje, o Ibovespa bateu 116.488 pontos, em queda de mais de 1%. Já na máxima, registrada perto das 14h, a Bolsa chegou a operar em 118.738 pontos, em um pregão que foi marcado por extrema volatilidade por causa do cenário macroeconômico e pelo vencimento de opções sobre o índice, realizado no início da tarde.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 1,99% a R$ 5,374 na compra e a R$ 5,375 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra ganhos de 1,64% a R$ 5,392.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu seis pontos-base a 6,75%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de 18 pontos-base a 8,60%, DI para janeiro de 2025 disparou 30 pontos-base a 9,94% e DI para janeiro de 2027 registrou avanço de 28 pontos-base a 10,37%.

A variante delta do coronavírus também segue fazendo preço nas bolsas mundiais. Em entrevista à rede de notícias CNBC, o chefe de estratégia de investimento do Leuthold Group, Jim Paulsen, ressaltou que os novos casos de Covid continuam a aumentar, o que traz dúvidas sobre a reabertura econômica. Os dados de consumo recuaram recentemente, indicadores de inflação continuam altos, e o Federal Reserve vem sinalizando redução de estímulos.

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Além disso, o mercado acionário já não vem reagindo a resultados positivos das empresas, e há sinais de que as bolsas caminham para uma correção, avaliou Paulsen.

Já na Ásia, em reunião de terça-feira, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e prevenir riscos financeiros, de acordo com a mídia estatal Xinhua.

No radar econômico da Europa, foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) relativo ao Reino Unido em julho, que se manteve na comparação mensal, abaixo da expectativa de alta de 0,3% e do patamar anterior, de alta de 0,5%. A variação anual marcou 2%, abaixo da expectativa de alta de 2,3% e do patamar anterior, de 2,5%.

A inflação ao consumidor relativa a julho na Zona do Euro marcou avanço de 2,2% na comparação anual, em linha com a expectativa de analistas, e acima do patamar anterior, de 1,9%. Na comparação mensal, recuou 0,1%, também em linha com a expectativa, e abaixo do patamar anterior, de alta de 0,3%.

No mercado de commodities, o contrato futuro do minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian registra queda de mais de 3%. O minério ampliou as perdas com um alerta da BHP (BHPG34), que vê probabilidade crescente de “cortes severos” da produção de aço da China este ano.

Covid, CPI, instabilidade entre poderes e eleições

Na terça (17), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 833, queda de 10% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.137 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.117, o que representa queda de 11% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 38.218 casos.

Chegou a 117.699.389 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 55,58% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 51.577.522 pessoas, ou 24,36% da população.

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Na terça falou à CPI da Covid Alexandre Silva Marques, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) responsável pelo falso relatório divulgado pelo governo Bolsonaro, que questionava a contabilização de mortes por Covid feita pelos estados.

Marques alegou que compartilhou apenas um relatório “preliminar” com seu pai, o coronel Ricardo Marques, que o teria encaminhado ao presidente de forma indevida.

Ao viralizar por meio de redes bolsonaristas, o relatório falso levava o nome do TCU e destaques. Os senadores afirmaram que Bolsonaro teria compartilhado o crime de falsificação, já que não se tratava de um documento oficial do tribunal.
Nesta quarta, a CPI ouve Túlio Silveira, advogado da Precisa Medicamentos, empresa responsável por intermediar a negociação entre o governo brasileiro e a indiana Bharat Biotech pela compra da vacina Covaxin.

Além disso, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a proposta de PEC que estabelece a retomada das coligações nas eleições proporcionais de deputados, com 347 votos a favor e 135 contra. As coligações permitem a partidos se unirem em um único bloco para disputar eleições proporcionais. O fim das coligações havia sido aprovado por emenda constitucional de 2017, visando reduzir o número de partidos pequenos no Brasil.

Agora, a proposta segue para o Senado, cujo presidente, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já se manifestou contrariamente. Na terça, Pacheco também afirmou que “Precipitarmos uma discussão de impeachment, seja do Supremo, seja do presidente da República, qualquer tipo de ruptura, não é algo recomendável para um Brasil que espera uma retomada do crescimento, uma pacificação geral, uma pauta de desenvolvimento econômico, de combate à miséria e à pobreza”.

Há mais de uma centena de pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Congresso. Bolsonaro afirmou no final de semana que pretende apresentar um pedido de impeachment Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal (STF). Barroso acumula o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em entrevista à rádio Jovem Pan na segunda, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general da reserva Augusto Heleno, disse que o Judiciário vem aumentando as tensões e que pode haver uma intervenção das Forças Armadas no país “num caso muito grave”.

Heleno citou o Artigo 142 da Constituição, que estabelece o papel das Forças Armadas e que tem sido frequentemente interpretado pelo presidente Jair Bolsonaro e por seus aliados no sentido de dar às Forças Armadas um “poder moderador” em momentos de crise entre os Poderes da República –Judiciário, Legislativo e Executivo.

Na terça, o ministro da Defesa, general da reserva Walter Braga Netto afirmou que não existe nenhuma articulação das Forças Armadas fora dos limites da Constituição.

Ele negou que tenha feito ameaças ao Senado, no episódio em que divulgou nota em reação à supostas irregularidades cometidas por militares em cargos no governo, e ao presidente da Câmara dos Deputados, no caso em que teria dito que não haveria eleição em 2022 sem aprovação do voto impresso.

Ele também disse avaliar que não houve ditadura no Brasil durante o período da ditadura militar, que durou de 1964 a 1985. “Não, não considero que tenha havido uma ditadura”, disse Braga Netto.

“Houve um regime forte, com excesso dos dois lados, mas isso tem que ser analisado na época da história, de Guerra Fria e tudo mais. Não trazer uma coisa do passado para os dias de hoje. Se houvesse ditadura, talvez muitas pessoas não estariam aqui. Execuções, ditadura, como disse um dos deputados, são em outros países”, disse o ministro.

Além disso, a avaliação negativa do governo do presidente Jair Bolsonaro manteve-se em trajetória de alta e chegou a 54%, de acordo com pesquisa do instituto Ipespe para a XP Investimentos divulgada na terça-feira. A pesquisa apontou ainda que 58% dos entrevistados são contra o voto impresso, que é firmemente defendido pelo presidente apesar de ter sido rejeitado recentemente na Câmara.

Essa é a sexta pesquisa seguida XP/Ipespe que mostra elevação na avaliação negativa do governo, ainda que dentro da margem. Aqueles que consideram o governo bom ou ótimo são 23%, ante 25% na pesquisa anterior, ao passo que os que consideram a gestão regular são 20%, contra 21%.

Além disso, a desaprovação à maneira que Bolsonaro administra o país manteve-se em 63%, mesmo patamar da pesquisa anterior, ao passo que os que a aprovam são 29%, ante 31% na pesquisa anterior.

A pesquisa também indicou continuidade da dianteira nas pesquisas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial do ano que vem. Em uma das simulações, o petista aparece com 40%, Bolsonaro (sem partido) fica com 24%, Ciro Gomes (PDT) tem 10%, o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (sem partido) soma 9%, enquanto o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), têm 4% cada.

Reforma do Imposto de Renda e Bolsa Família

Na terça, a Câmara dos Deputados decidiu adiar mais uma vez a votação do projeto que altera a cobrança do Imposto de Renda, que ainda enfrenta resistências dentro e fora do Congresso.

Deputados demonstraram desconforto em aprovar a proposta como está, principalmente trecho que trata da taxação de dividendos em 20%. Parlamentares defendem um escalonamento, mas a demanda estaria enfrentando pouca abertura para negociação por parte do Ministério da Economia. Ao mesmo tempo, governos estaduais e municipais apontaram que o texto implica em perdas de arrecadação, o que comprometeria a prestação de serviços locais.

As capitais fizeram coro e calcularam uma perda de R$ 1,5 bilhão com a reforma. A Confederação Nacional de Municípios divulgou nota a favor do projeto de lei, mas destacando que o apoio vinha após o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ter se comprometido a pautar na Casa proposta para aumentar o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) para compensar a perda sofrida com a redução do IR na reforma.

Segundo uma fonte do time do ministro da Economia Paulo Guedes ouvida pela agência internacional de notícias Reuters, há divergências dentro da própria pasta a respeito da qualidade do texto final e da viabilidade de a matéria avançar nesse momento em meio à saraivada de críticas recebidas tanto de entidades setoriais quanto dos entes regionais.

Na semana passada, a equipe econômica teria recebido um banho de água fria com o adiamento da votação do parecer do relator, deputado Celso Sabino (PSDB-PA).

Isso porque o governo conta com a tributação sobre dividendos um dos nortes da reforma como fonte de receita para o Auxílio Brasil, o reformulado e mais robusto Bolsa Família.

Agora, a perspectiva é de enviar o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2022 sem incorporar quaisquer ganhos com a reforma do IR, disse uma segunda fonte da equipe.

Para isso acontecer, o texto teria que ser aprovado tanto na Câmara quanto no Senado até o fim deste mês, prazo para o envio do PLOA ao Congresso.

Mas as perspectivas têm ficado menos animadoras e mais ameaçadas pelos benefícios negociados nos bastidores para que a tramitação da reforma prospere, afirma a Reuters.

Segundo uma fonte consultada pela agência, um dos pontos de inflexão refere-se à taxação de dividendos.

A demanda é por um escalonamento, mas a equipe econômica estaria “irredutível” neste ponto, mantendo a visão de que os dividendos devem ser taxados em 20%.

Na terça, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou em live do Bradesco que a percepção do mercado vem sendo de que tanto a reforma do Imposto de Renda quanto a PEC dos Precatórios foram propostas para financiar um programa de transferência de renda mais robusto. Assim, o governo precisa passar uma mensagem mais forte sobre disciplina fiscal, afirmou.

“Esse ruído recente em torno de o que vai ser o Bolsa Família acho que na verdade está gerando muito barulho para os dados (fiscais) e reconheço que isso é um fato e que o governo precisa passar uma mensagem forte sobre isso”, disse.
Por outro lado, Campos Neto disse ser preciso pontuar que o cenário fiscal brasileiro hoje é melhor do que o que havia sido esperado no meio da crise de Covid-19.

De acordo com o presidente do BC, os números mostram que o déficit primário neste ano ficará por volta de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e que para 2022, ano de eleições, “não será muito maior que zero”.

Campos Neto disse ter sido informado em conversa recente com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que o déficit para o próximo ano ficará por volta de 0,3% a 0,4% do PIB.

“Mas não é isso que o mercado está precificando”, afirmou ele. “Isso tem a ver com o fato de que muito dos novos projetos o mercado teve a percepção que foram lançados de uma forma muito ligada à vontade do governo de ter um programa Bolsa Família melhor”, completou.

Radar corporativo

A Alliar (AALR3) comunicou na terça-feira que a Rede D’Or (RDOR3) comprou no dia anterior 2.538.600 ações ordinárias (ONs) da empresa, no total de R$ 28,566 milhões, segundo notificação enviada pela rede de hospitais. A Rede D’Or anunciou na segunda que seu conselho de administração aprovou uma oferta pública de aquisição (OPA) para adquirir ações da Alliar por até R$ 1,36 bilhão.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
COGN3 4.51613 3.24
BRKM5 4.20952 54.71
EMBR3 3.68943 18.83
PRIO3 3.16418 17.28
CVCB3 3.08678 17.7

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
UGPA3 -4.96894 15.3
USIM5 -4.73435 18.11
KLBN11 -3.85073 24.22
BRAP4 -3.80583 66.98
SBSP3 -3.5312 31.69

A Locaweb (LWSA3) comunicou ao mercado ter aprovado o programa de recompra de ações, que terá o objetivo de adquirir até 3 milhões de ações, com programa tendo prazo previsto de dois anos.

O Conselho de Administração da JHSF (JHSF3) aprovou o cancelamento do saldo das ações mantidas em tesouraria e um novo programa de recompra de ações de sua própria emissão. Foi cancelado o montante total de 2,800 milhões de ações ordinárias de emissão da Companhia, sem redução do valor do capital Social.

A Desktop (DESK3), por sua vez, assinou um contrato para a aquisição da totalidade do capital da Net Barretos por R$ 51,5 milhões.

Já a Cielo (CIEL3) negou em comunicado as informações do jornal Valor de que o Bradesco (BBDC4) e o Banco do Brasil (BBAS3) estariam avaliando fechar o capital da companhia.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

Ibovespa cai antes de ata do Fomc e com adiamento da reforma do IR no radar; dólar opera entre perdas e ganhos

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira (18), seguindo a cautela nos mercados internacionais antes da divulgação à tarde da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Por aqui, a Bolsa reage ao novo adiamento da votação da reforma no Imposto de Renda.

Vale lembrar que hoje é dia de vencimento de opções sobre o índice, algo que deve movimentar a disputa entre comprados e vendidos na B3.

Sobre a ata do Fomc, é possível que a autoridade monetária dos Estados Unidos traga mais sinalizações sobre quando começará a reduzir estímulos. Será a última grande comunicação do banco central dos EUA antes do simpósio de Jackson Hole, que ocorre entre os dias 26 e 28 de agosto.

No noticiário doméstico, ontem a Câmara dos Deputados aprovou por 390 votos a 99 e uma abstenção a retirada de pauta do projeto que modifica as regras da cobrança do Imposto de Renda. Uma das sustentações mais emblemáticas da sessão plenária foi a do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que disse haver “um dilema entre a previsão de dividendos e a perda de arrecadação dos estados e municípios”.

De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, os entes querem mais R$ 18 bilhões para a aprovação da medida, o que faz com que integrantes do Ministério da Economia digam que o projeto já “não se paga”.

Às 10h15 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 0,46%, a 117.363 pontos. Ontem, o benchmark apagou os ganhos no ano.

Enquanto isso, o dólar comercial tem leve variação positiva 0,08% a R$ 5,273 na compra e a R$ 5,274 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra queda de 0,36% a R$ 5,286.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai um ponto-base a 6,68%, DI para janeiro de 2023 tem alta de dois pontos-base a 8,44%, DI para janeiro de 2025 avança dois pontos-base a 9,66% e DI para janeiro de 2027 opera estável a 10,09%.

A variante delta do coronavírus também segue fazendo preço nas bolsas mundiais. Em entrevista à rede de notícias CNBC, o chefe de estratégia de investimento do Leuthold Group, Jim Paulsen, ressaltou que os novos casos de Covid continuam a aumentar, o que traz dúvidas sobre a reabertura econômica. Os dados de consumo recuaram recentemente, indicadores de inflação continuam altos, e o Federal Reserve vem sinalizando redução de estímulos.

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Além disso, o mercado acionário já não vem reagindo a resultados positivos das empresas, e há sinais de que as bolsas caminham para uma correção, avaliou Paulsen.

Já na Ásia, em reunião de terça-feira, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e prevenir riscos financeiros, de acordo com a mídia estatal Xinhua.

No radar econômico da Europa, foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) relativo ao Reino Unido em julho, que se manteve na comparação mensal, abaixo da expectativa de alta de 0,3% e do patamar anterior, de alta de 0,5%. A variação anual marcou 2%, abaixo da expectativa de alta de 2,3% e do patamar anterior, de 2,5%.

A inflação ao consumidor relativa a julho na Zona do Euro marcou avanço de 2,2% na comparação anual, em linha com a expectativa de analistas, e acima do patamar anterior, de 1,9%. Na comparação mensal, recuou 0,1%, também em linha com a expectativa, e abaixo do patamar anterior, de alta de 0,3%.

No mercado de commodities, o contrato futuro do minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian registra queda de mais de 3%. O minério ampliou as perdas com um alerta da BHP (BHPG34), que vê probabilidade crescente de “cortes severos” da produção de aço da China este ano.

Covid, CPI, instabilidade entre poderes e eleições

Na terça (17), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 833, queda de 10% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.137 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.117, o que representa queda de 11% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 38.218 casos.

Chegou a 117.699.389 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 55,58% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 51.577.522 pessoas, ou 24,36% da população.

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Na terça falou à CPI da Covid Alexandre Silva Marques, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) responsável pelo falso relatório divulgado pelo governo Bolsonaro, que questionava a contabilização de mortes por Covid feita pelos estados.

Marques alegou que compartilhou apenas um relatório “preliminar” com seu pai, o coronel Ricardo Marques, que o teria encaminhado ao presidente de forma indevida.

Ao viralizar por meio de redes bolsonaristas, o relatório falso levava o nome do TCU e destaques. Os senadores afirmaram que Bolsonaro teria compartilhado o crime de falsificação, já que não se tratava de um documento oficial do tribunal.
Nesta quarta, a CPI ouve Túlio Silveira, advogado da Precisa Medicamentos, empresa responsável por intermediar a negociação entre o governo brasileiro e a indiana Bharat Biotech pela compra da vacina Covaxin.

Além disso, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a proposta de PEC que estabelece a retomada das coligações nas eleições proporcionais de deputados, com 347 votos a favor e 135 contra. As coligações permitem a partidos se unirem em um único bloco para disputar eleições proporcionais. O fim das coligações havia sido aprovado por emenda constitucional de 2017, visando reduzir o número de partidos pequenos no Brasil.

Agora, a proposta segue para o Senado, cujo presidente, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já se manifestou contrariamente. Na terça, Pacheco também afirmou que “Precipitarmos uma discussão de impeachment, seja do Supremo, seja do presidente da República, qualquer tipo de ruptura, não é algo recomendável para um Brasil que espera uma retomada do crescimento, uma pacificação geral, uma pauta de desenvolvimento econômico, de combate à miséria e à pobreza”.

Há mais de uma centena de pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Congresso. Bolsonaro afirmou no final de semana que pretende apresentar um pedido de impeachment Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal (STF). Barroso acumula o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em entrevista à rádio Jovem Pan na segunda, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general da reserva Augusto Heleno, disse que o Judiciário vem aumentando as tensões e que pode haver uma intervenção das Forças Armadas no país “num caso muito grave”.

Heleno citou o Artigo 142 da Constituição, que estabelece o papel das Forças Armadas e que tem sido frequentemente interpretado pelo presidente Jair Bolsonaro e por seus aliados no sentido de dar às Forças Armadas um “poder moderador” em momentos de crise entre os Poderes da República –Judiciário, Legislativo e Executivo.

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Na terça, o ministro da Defesa, general da reserva Walter Braga Netto afirmou que não existe nenhuma articulação das Forças Armadas fora dos limites da Constituição.

Ele negou que tenha feito ameaças ao Senado, no episódio em que divulgou nota em reação à supostas irregularidades cometidas por militares em cargos no governo, e ao presidente da Câmara dos Deputados, no caso em que teria dito que não haveria eleição em 2022 sem aprovação do voto impresso.

Ele também disse avaliar que não houve ditadura no Brasil durante o período da ditadura militar, que durou de 1964 a 1985. “Não, não considero que tenha havido uma ditadura”, disse Braga Netto.

“Houve um regime forte, com excesso dos dois lados, mas isso tem que ser analisado na época da história, de Guerra Fria e tudo mais. Não trazer uma coisa do passado para os dias de hoje. Se houvesse ditadura, talvez muitas pessoas não estariam aqui. Execuções, ditadura, como disse um dos deputados, são em outros países”, disse o ministro.

Além disso, a avaliação negativa do governo do presidente Jair Bolsonaro manteve-se em trajetória de alta e chegou a 54%, de acordo com pesquisa do instituto Ipespe para a XP Investimentos divulgada na terça-feira. A pesquisa apontou ainda que 58% dos entrevistados são contra o voto impresso, que é firmemente defendido pelo presidente apesar de ter sido rejeitado recentemente na Câmara.

Essa é a sexta pesquisa seguida XP/Ipespe que mostra elevação na avaliação negativa do governo, ainda que dentro da margem. Aqueles que consideram o governo bom ou ótimo são 23%, ante 25% na pesquisa anterior, ao passo que os que consideram a gestão regular são 20%, contra 21%.

Além disso, a desaprovação à maneira que Bolsonaro administra o país manteve-se em 63%, mesmo patamar da pesquisa anterior, ao passo que os que a aprovam são 29%, ante 31% na pesquisa anterior.

A pesquisa também indicou continuidade da dianteira nas pesquisas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial do ano que vem. Em uma das simulações, o petista aparece com 40%, Bolsonaro (sem partido) fica com 24%, Ciro Gomes (PDT) tem 10%, o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (sem partido) soma 9%, enquanto o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), têm 4% cada.

Reforma do Imposto de Renda e Bolsa Família

Na terça, a Câmara dos Deputados decidiu adiar mais uma vez a votação do projeto que altera a cobrança do Imposto de Renda, que ainda enfrenta resistências dentro e fora do Congresso.

Deputados demonstraram desconforto em aprovar a proposta como está, principalmente trecho que trata da taxação de dividendos em 20%. Parlamentares defendem um escalonamento, mas a demanda estaria enfrentando pouca abertura para negociação por parte do Ministério da Economia. Ao mesmo tempo, governos estaduais e municipais apontaram que o texto implica em perdas de arrecadação, o que comprometeria a prestação de serviços locais.

As capitais fizeram coro e calcularam uma perda de R$ 1,5 bilhão com a reforma. A Confederação Nacional de Municípios divulgou nota a favor do projeto de lei, mas destacando que o apoio vinha após o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ter se comprometido a pautar na Casa proposta para aumentar o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) para compensar a perda sofrida com a redução do IR na reforma.

Segundo uma fonte do time do ministro da Economia Paulo Guedes ouvida pela agência internacional de notícias Reuters, há divergências dentro da própria pasta a respeito da qualidade do texto final e da viabilidade de a matéria avançar nesse momento em meio à saraivada de críticas recebidas tanto de entidades setoriais quanto dos entes regionais.

Na semana passada, a equipe econômica teria recebido um banho de água fria com o adiamento da votação do parecer do relator, deputado Celso Sabino (PSDB-PA).

Isso porque o governo conta com a tributação sobre dividendos um dos nortes da reforma como fonte de receita para o Auxílio Brasil, o reformulado e mais robusto Bolsa Família.

Agora, a perspectiva é de enviar o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2022 sem incorporar quaisquer ganhos com a reforma do IR, disse uma segunda fonte da equipe.

Para isso acontecer, o texto teria que ser aprovado tanto na Câmara quanto no Senado até o fim deste mês, prazo para o envio do PLOA ao Congresso.

Mas as perspectivas têm ficado menos animadoras e mais ameaçadas pelos benefícios negociados nos bastidores para que a tramitação da reforma prospere, afirma a Reuters.

Segundo uma fonte consultada pela agência, um dos pontos de inflexão refere-se à taxação de dividendos.

A demanda é por um escalonamento, mas a equipe econômica estaria “irredutível” neste ponto, mantendo a visão de que os dividendos devem ser taxados em 20%.

Na terça, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou em live do Bradesco que a percepção do mercado vem sendo de que tanto a reforma do Imposto de Renda quanto a PEC dos Precatórios foram propostas para financiar um programa de transferência de renda mais robusto. Assim, o governo precisa passar uma mensagem mais forte sobre disciplina fiscal, afirmou.

“Esse ruído recente em torno de o que vai ser o Bolsa Família acho que na verdade está gerando muito barulho para os dados (fiscais) e reconheço que isso é um fato e que o governo precisa passar uma mensagem forte sobre isso”, disse.
Por outro lado, Campos Neto disse ser preciso pontuar que o cenário fiscal brasileiro hoje é melhor do que o que havia sido esperado no meio da crise de Covid-19.

De acordo com o presidente do BC, os números mostram que o déficit primário neste ano ficará por volta de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e que para 2022, ano de eleições, “não será muito maior que zero”.

Campos Neto disse ter sido informado em conversa recente com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que o déficit para o próximo ano ficará por volta de 0,3% a 0,4% do PIB.

“Mas não é isso que o mercado está precificando”, afirmou ele. “Isso tem a ver com o fato de que muito dos novos projetos o mercado teve a percepção que foram lançados de uma forma muito ligada à vontade do governo de ter um programa Bolsa Família melhor”, completou.

Radar corporativo

Na terça, o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior afirmou que uma revisão dos valores de reparação a serem pagos pela Samarco e suas sócias pelo rompimento de barragem em Mariana (MG), que deixou 19 mortos e poluiu o rio Doce até o litoral, poderá ocorrer apenas em fevereiro de 2022, depois que as ações reparatórias previstas forem completamente revisadas. A Samarco é uma joint venture entre a Vale (VALE3) e a BHP Billiton.

O valor de referência para as renegociações é o que consta em ação movida anteriormente pelo Ministério Público de R$ 155 bilhões, reiterou a autoridade, ao participar de uma coletiva de imprensa transmitida pela internet sobre as negociações com as mineradoras.

A Alliar (AALR3) comunicou na terça-feira que a Rede D’Or (RDOR3) comprou no dia anterior 2.538.600 ações ordinárias (ONs) da empresa, no total de R$ 28,566 milhões, segundo notificação enviada pela rede de hospitais. A Rede D’Or anunciou na segunda que seu conselho de administração aprovou uma oferta pública de aquisição (OPA) para adquirir ações da Alliar por até R$ 1,36 bilhão.

A Locaweb (LWSA3) comunicou ao mercado ter aprovado o programa de recompra de ações, que terá o objetivo de adquirir até 3 milhões de ações, com programa tendo prazo previsto de dois anos.

O Conselho de Administração da JHSF (JHSF3) aprovou o cancelamento do saldo das ações mantidas em tesouraria e um novo programa de recompra de ações de sua própria emissão. Foi cancelado o montante total de 2,800 milhões de ações ordinárias de emissão da Companhia, sem redução do valor do capital Social.

A Desktop (DESK3), por sua vez, assinou um contrato para a aquisição da totalidade do capital da Net Barretos por R$ 51,5 milhões.

Já a Cielo (CIEL3) negou em comunicado as informações do jornal Valor de que o Bradesco (BBDC4) e o Banco do Brasil (BBAS3) estariam avaliando fechar o capital da companhia.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

Ibovespa fecha em queda de 1,1% seguindo exterior e cenário político; dólar tem leve baixa

Ações em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (17), estendendo as perdas da sessão anterior seguindo o dia negativo nos mercados internacionais em meio às preocupações com o impacto da variante delta do coronavírus na economia global diante de dados fracos dos Estados Unidos. Por aqui, seguem no radar as incertezas políticas com pauta do Congresso, eleições e crise institucional.

Apesar dos desempenhos positivos na segunda, os preços do petróleo apagaram seus ganhos nesta terça, em meio a temores sobre a perspectiva de demanda por combustível, o que pesa no humor do mercado também.

Investidores também acompanharam o impacto geopolítico da tomada de Kabul, capital do Afeganistão, pelo Talibã. Na segunda, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, admitiu que a ofensiva do Talibã foi mais rápida do que o esperado. Em meio a críticas, ele rejeitou que sua gestão tenha responsabilidade sobre as cenas de pânico, quando milhares de pessoas buscavam fugir pelo aeroporto de Kabul.

Entre os indicadores internacionais, as vendas no varejo americano caíram bem mais que o esperado pelos analistas. Em julho, o setor registrou queda de 1,1% nas vendas, segundo dados ajustados do Departamento do Comércio, enquanto a projeção, segundo média compilada pela Refinitiv, era de recuo de 0,3%.

Já a produção industrial dos EUA cresceu 0,9% em julho ante junho. O resultado veio acima do esperado por analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam crescimento mensal de 0,5%.

Ainda nos EUA, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, participou de evento com estudantes, e disse que “ainda não está claro se a variante delta terá efeitos importantes na economia”.

No Brasil, os investidores seguiram monitorando o noticiário fiscal e a crise institucional, que levam o Ibovespa a ter um desempenho mais fraco do que diversos índices internacionais. A Câmara dos Deputados pode votar nos próximos dias a reforma do Imposto de Renda, ainda que não tenha sido encontrado um acordo entre os parlamentares.

Também na política, a pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta terça mostrou um crescimento da reprovação do presidente Jair Bolsonaro. Seu governo agora é considerado ruim ou péssimo por 54% da população, número que estava em 31% no ano passado.

Segundo João Beck, economista e sócio da BRA, o medo eleitoral se somou a dados da atividade chinesa, discurso de Powell e conflitos geopolíticos no balanço de riscos. “O ex-presidente Lula já vem subindo nas pesquisas há mais de 5 meses. A rejeição de Bolsonaro, por sua vez, traz preocupações de falta de apoio nas reformas”, afirma.

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O Ibovespa teve queda de 1,07%, a 117.903 pontos com volume financeiro negociado de R$ 38,052 bilhões. Na mínima intradiária, o benchmark chegou a bater 116.247 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial fechou em leve queda de 0,2% a R$ 5,27 na compra e a R$ 5,27 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra alta de 0,49% a R$ 5,295 no after-market.

Mesmo com a aversão a risco na Bolsa, o real acabou não perdendo força ante o dólar porque os dados fracos dos EUA reduziram as perspectivas de um aperto monetário antes do esperado no país.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu cinco pontos-base a 6,68%, DI para janeiro de 2023 teve alta de dois pontos-base a 8,40%, DI para janeiro de 2025 avançou seis pontos-base a 9,60% e DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de nove pontos-base a 10,04%.

Nesta terça, as bolsas asiáticas tiveram queda em sua maioria, em meio a temores de pressão regulatória do governo chinês sobre empresas de internet. O órgão regulatório do governo publicou o esboço de regras visando barrar competição injusta na internet.

Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, teve leve queda. Quase todos os setores e as principais bolsas operam em território negativo, com destaque negativo para ações do setor de varejo.

Nesta manhã, foram divulgados dados sobre emprego no Reino Unido, que indicou 182 mil novos funcionários adicionados no mês de julho às folhas de pagamento no país. O Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido apontou que a taxa de desemprego no segundo trimestre marcou 4,7%, abaixo da expectativa de economistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

Também foram divulgados dados sobre a variação do emprego no segundo trimestre na Zona do Euro, que teve alta de 1,8%, acima da expectativa de analistas, de queda de 2,1%. Na comparação trimestral, o indicador avançou 0,5%, frente ao indicador anterior de queda de 0,2%.

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Além disso, atenção para o PIB da Zona do Euro, que avançou 13,6% no segundo trimestre na comparação anual, levemente abaixo da projeção de 13,7% e do patamar anterior, também de 13,7%. Na comparação trimestral, o indicador avançou 2%, em linha com a projeção de analistas e com o patamar anterior, também de 2%.

Covid e CPI

Na segunda (16), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 839, queda de 12% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 363 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 28.692, o que representa queda de 15% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 17.493 casos.

Chegou a 115.988.775 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 54,77% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 50.509.454 pessoas, ou 23,85% da população.

A partir desta terça, as medidas de restrição de horários e público devem chegar ao fim no Estado de São Paulo, após quase um ano e cinco meses de combate à pandemia.

Nesta terça, a CPI da Covid no Senado ouve Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques. Ele é o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) apontado como responsável por produzir um relatório utilizado pelo presidente Bolsonaro para questionar o número de mortes por Covid registrado pelos Estados no país.

Em seu depoimento ao TCU, na semana passada, Marques garantiu que o material escrito por ele não tinha nenhuma menção e não usava cabeçalho ou qualquer material oficial do TCU, e foi mandado por mensagem em um arquivo de Word para seu pai, que é amigo do presidente.

Marques afirmou que o documento foi alterado para indicar que teria vindo do TCU e culpou o Palácio do Planalto pela adulteração.

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A cúpula da CPI da Covid decidiu, em reunião na noite desta segunda, suspender a acareação entre o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, e o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

De acordo com fala do senador Humberto Costa (PT-PE), um dos integrantes da Comissão, a avaliação do grupo de senadores independentes e de oposição na CPI, é de que a acareação pouco contribuiria para esclarecer a questão dos problemas da compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin.

Onyx, então na secretaria-geral da Presidência, foi o ministro escalado para responder as acusações de Miranda de que havia indícios de corrupção na aquisição da vacina e de que teria apresentado os problemas ao presidente Jair Bolsonaro.
Na época, Onyx apresentou uma fatura da venda da Covaxin diferente da mostrada pelo deputado para dizer que não haveria pagamento antecipado e que Miranda estava mentindo.

Com a análise do documento apresentado por Onyx pela CPI, os senadores concluíram que ele era falso. A avaliação dos senadores, no entanto, é que a acareação, aprovada na semana passada, serviria apenas para troca de acusações, mas não traria novos esclarecimentos.

Ainda nesta semana, a CPI pretende ouvir Francisco Maximiano, o presidente da Precisa Medicamentos, intermediária da venda da Covaxin e que acabou perdendo o contrato depois que veio à tona que a empresa teria falsificado documentos em nome do laboratório indiano Bharat Biotech, desenvolvedor da vacina.

Radar político econômico

O relator da reforma do imposto de renda, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), afirmou ao jornal Valor que não divulgará um novo parecer nem deve fazer novas alterações na proposta, cuja última versão foi protocolada na quinta-feira. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), quer votar o projeto em plenário hoje.

Na quinta-feira, a proposta saiu de pauta após diversos partidos pedirem o adiamento para negociar ajustes ao texto – que teve outro parecer divulgado naquele mesmo dia à noite.

O ministro Ricardo Lewandowski, relator da ação que julga a revisão da lei de autonomia do Banco Central no Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou a pauta ao plenário da Corte para ser votada no dia 25 de agosto. A análise da contestação apresentada por dois partidos de oposição – PT e PSOL -, que pedem a reversão da legislação que retirou o status de ministério da autoridade monetária, estava parada desde junho deste ano após um pedido de suspensão da sessão virtual apresentado pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Até o momento, Lewandowski foi o único a votar, julgando procedente o pedido das siglas de oposição para que a União volte a exercer maior influência sobre a instituição. Conforme apurou o Estadão com fontes no Supremo, o parecer a ser apresentado pelo STF deve ser favorável à manutenção da lei de autonomia. A maioria necessária para manter a validade do texto aprovado no Congresso compreende ser superável a suposta questão de inconstitucionalidade contida na origem do projeto e alegada pelos partidos.

Na segunda, o procurador-geral da República, Augusto Aras, abriu investigação preliminar para apurar se o uso de uma TV pública por Jair Bolsonaro (sem partido) para transmitir a live em que atacou o sistema eleitoral brasileiro sem apresentar provas configura crime.

Aras atendeu a pedido da ministra do STF Cármen Lúcia, que é relatora da notícia-crime apresentada por parlamentares do PT em desfavor de Bolsonaro “pela prática de ato de improbidade administrativa, de propaganda antecipada e de crime eleitoral”, de acordo com a representação.

“Intime-se o procurador-geral da República para, no prazo máximo de 24 horas, apresentar manifestação”, determina. A ministra lembra, na decisão, que já havia pedido posicionamento da PGR em 3 de agosto, mas não houve manifestação.
Na ocasião, Cármen Lúcia argumentou que os atos relatados na petição podem, em tese, configurar crime “de natureza eleitoral, utilização ilegal de bens públicos, atentados contra a independência de poderes da República”.

A peça apresentada por parlamentares do PT aponta a utilização da estrutura pública, no caso a EBC, empresa pública de televisão, para supostamente fazer propaganda política antecipada, atacar adversários políticos, partidos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o presidente da corte, Luís Roberto Barroso.

Procurado, o Palácio do Planalto não respondeu de imediato a um pedido de comentário feito pela agência Reuters.

No sábado Bolsonaro anunciou que apresentará ao Senado pedidos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Em manifestação no Twitter na segunda, o presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) defendeu o diálogo entre os Poderes.

“O diálogo entre os Poderes é fundamental e não podemos abrir mão dele, jamais. Fechar portas, derrubar pontes, exercer arbitrariamente suas próprias razões são um desserviço ao país”, publicou o senador.

Em fala a jornalistas na segunda-feira, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que acha improvável que os pedidos de impeachment aventados por Bolsonaro avancem no Senado.

“Não é questão de arrefecer ou colocar lenha na fogueira. O presidente tem a visão dele, ele considera que esses ministros estão passando dos limites aí em algumas decisões que têm sido tomadas. E uma das saídas, dentro da nossa Constituição, que prescreve ali no Artigo 52, seria o impeachment que compete ao Senado fazer”, disse Mourão.

No final de semana, Bolsonaro reforçou, por meio de uma mensagem enviada a listas de transmissão com ministros, amigos e apoiadores bolsonaristas, a convocação para um ato de “último aviso” ao Judiciário e ao Congresso. A convocação foi revelada pelo colunista do site Metrópoles, Guilherme Amado.

Grupos bolsonaristas se organizam nas redes sociais para transformar o 7 de setembro em um grande ato de apoio ao presidente, com uma pauta que inclui a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

Segundo a agência Reuters, grupos bolsonaristas se organizam nas redes sociais para transformar o 7 de setembro em um grande ato de apoio ao presidente, com uma pauta que inclui a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

De acordo com uma fonte próxima ao presidente ouvida pela Reuters, Bolsonaro irá participar de atos em Brasília, pela manhã, e em São Paulo, à tarde.

​​Os governadores de 13 Estados e do Distrito Federal divulgaram na segunda-feira uma nota conjunta em que manifestam solidariedade ao STF em meio ao que chamam de “constantes ameaças e agressões”, sem citar nominalmente o presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, em participação no congresso Offshore Technology Conference (OTC), em Houston, o ministro de Minas e Energia, almirante de esquadra Bento Albuquerque, afirmou que o leilão dos excedentes da cessão onerosa marcado para 17 de dezembro pode gerar US$ 40 bilhões em investimentos no período de desenvolvimento dos dois blocos ofertados.

Em entrevista concedida à Reuters, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou que os efeitos da pandemia e o cenário político conturbado no país devem afetar as concessões importantes de infraestrutura previstas para até 2022, como a Ferrogrão, aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ) e a Via Dutra.

Radar corporativo

A temporada de resultados chegou na reta final, ainda com uma agenda movimentada.

O IRB Brasil RE (IRBR3registrou prejuízo líquido de R$ 206,9 milhões no segundo trimestre de 2021, o que indica perdas 68,5% menores em relação ao mesmo período de 2020, quando reportou prejuízo de R$ 656,7 milhões. No primeiro trimestre de 2021, o ressegurador teve lucro de R$ 35,1 milhões. Nos primeiros seis meses de 2021, o prejuízo líquido totalizou R$ 156,1 milhões, ante perdas de R$ 621,7 milhões no ano anterior, ou uma queda nas perdas de 74,9%.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
YDUQ3 6.22896 25.24
CMIG4 2.81195 11.7
UGPA3 2.15736 16.1
VIVT3 1.6 43.18
TAEE11 0.90794 40.01

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
LWSA3 -6.90526 22.11
EMBR3 -6.6838 18.15
USIM5 -5.09236 19.01
JHSF3 -4.95627 6.52
CIEL3 -4.66667 2.86

A elétrica estatal mineira Cemig (CMIG4) informou lucro líquido de R$ 1,94 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 80% em relação a igual período do ano anterior. O lucro Ebitda ajustado foi de R$ 1,32 bilhão, avanço de 39,2% na comparação anual.

A Yduqs (YDUQ3) informou lucro líquido de R$ 116,5 milhões para o trimestre de abril a junho. Analistas ouvidos pela Refinitiv esperavam resultado positivo de R$ 145,5 milhões.

A Jalles Machado (JALL3) teve lucro líquido de R$ 115,7 milhões no primeiro trimestre da temporada 2021/22, revertendo prejuízo de R$ 16,9 milhões obtido no mesmo período da safra anterior.

Cruzeiro do Sul (CSED3), Focus Energia (POWE3), Boa Vista (BOAS3), Gafisa (GFSA3), Mosaico (MOSI3), entre outras companhias também apresentaram seus números para o trimestre.

Além da temporada, a Petrobras (PETR4) está trabalhando com a companhia japonesa de engenharia Modec para evitar atrasos na implantação da quinta plataforma de produção do campo de Búzios, disse na segunda Marcio Kahn, que é o gerente executivo do ativo na Petrobras. A estatal brasileira propôs nove plataformas para Búzios, seu projeto de águas profundas com ritmo mais acelerado de crescimento, no plano de negócios 2021-2025.

A Camil (CAML3) anunciou na segunda-feira que assinou contrato para aquisição da companhia de massas Santa Amália, por R$ 260 milhões marcando sua entrada no segmento.

A comercializadora de energia Comerc pediu na segunda-feira o registro para uma oferta pública inicial de ações, em busca de recursos para financiar seus projetos de expansão.

(com Reuters e Estadão)

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Ibovespa cai abaixo de 119 mil pontos com tensão internacional e votação de reforma do IR no radar

bolsa ações mercados crash baixa down circuit breaker (Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa cai novamente nesta terça-feira (17), perdendo os 119 mil pontos, seguindo o desempenho de grande parte das bolsas mundiais, com investidores preocupados com as consequências da variante Delta no crescimento econômico, temores esses intensificados após a divulgação de dados piores do que o esperado da economia chinesa na véspera. Enquanto por aqui o que preocupa é o cenário político e fiscal.

Apesar dos desempenhos positivos na segunda, os preços do petróleo apagaram seus ganhos nesta terça, em meio a temores sobre a perspectiva de demanda por combustível no globo, o que pesa no humor do mercado também.

Investidores acompanham o impacto geopolítico da tomada de Kabul, capital do Afeganistão, pelo Taleban. Na segunda, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, admitiu que a ofensiva do Taleban foi mais rápida do que o esperado. Em meio a críticas, ele rejeitou que sua gestão tenha responsabilidade sobre as cenas de pânico, quando milhares de pessoas buscavam fugir pelo aeroporto de Kabul.

Entre os indicadores internacionais, as vendas no varejo americano caíram bem mais que o esperado pelos analistas. Em julho, o setor registrou queda de 1,1% nas vendas, segundo dados ajustados do Departamento do Comércio, enquanto a projeção, segundo média compilada pela Refinitiv, era de recuo de 0,3%.

Já a produção industrial dos EUA cresceu 0,9% em julho ante junho. O resultado veio acima do esperado por analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam crescimento mensal de 0,5%.

Ainda nos EUA, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, participa de evento com estudantes, e sua fala é monitorada, uma vez que pode dar sinais sobre o programa de estímulos do país.

No Brasil, além dos investidores seguirem monitorando o noticiário fiscal, que leva o Ibovespa a ter um desempenho mais fraco do que diversos índices internacionais há alguns dias, a Câmara dos Deputados pode votar reforma do Imposto de Renda, ainda que não tenha sido encontrado um acordo entre os parlamentares.

Às 10h50 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 0,88%, a 118.135 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 0,58% a R$ 5,250 na compra e a R$ 5,251 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra leve queda de 0,01% a R$ 5,268.

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe dois pontos-base a 6,65%, DI para janeiro de 2023 tem alta de dois pontos-base a 8,40%, DI para janeiro de 2025 avança quatro pontos-base a 9,57% e DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de quatro pontos-base a 9,99%

Nesta terça, as bolsas asiáticas tiveram queda em sua maioria, em meio a temores de pressão regulatória do governo chinês sobre empresas de internet. O órgão regulatório do governo publicou o esboço de regras visando barrar competição injusta na internet.

Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, tem leve queda. Quase todos os setores e as principais bolsas operam em território negativo, com destaque negativo para ações do setor de varejo.

Nesta manhã, foram divulgados dados sobre emprego no Reino Unido, que indicou 182 mil novos funcionários adicionados no mês de julho às folhas de pagamento no país. O Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido apontou que a taxa de desemprego no segundo trimestre marcou 4,7%, abaixo da expectativa de economistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

Também foram divulgados dados sobre a variação do emprego no segundo trimestre na Zona do Euro, que teve alta de 1,8%, acima da expectativa de analistas, de queda de 2,1%. Na comparação trimestral, o indicador avançou 0,5%, frente ao indicador anterior de queda de 0,2%.

Além disso, atenção para o PIB da Zona do Euro, que avançou 13,6% no segundo trimestre na comparação anual, levemente abaixo da projeção de 13,7% e do patamar anterior, também de 13,7%. Na comparação trimestral, o indicador avançou 2%, em linha com a projeção de analistas e com o patamar anterior, também de 2%.

Por Dentro dos Resultados

InfoMoney entrevista às 14h executivos da Azul (AZUL4) John Rodgerson (CEO) e Alex Malfitani (CFO. Às 17h, os executivos da d1000 (DMVF3) são entrevistados; são eles, Sammy Birmarcker (CEO) e Marcus Santos (CFO)

Quer fazer perguntas aos CEOs das empresas que se destacam na Bolsa? Acompanhe a série Por Dentro dos Resultados no YouTube do InfoMoney

Covid e CPI

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Na segunda (16), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 839, queda de 12% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 363 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 28.692, o que representa queda de 15% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 17.493 casos.

Chegou a 115.988.775 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 54,77% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 50.509.454 pessoas, ou 23,85% da população.

A partir desta terça, as medidas de restrição de horários e público devem chegar ao fim no Estado de São Paulo, após quase um ano e cinco meses de combate à pandemia.

Nesta terça, a CPI da Covid no Senado ouve Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques. Ele é o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) apontado como responsável por produzir um relatório utilizado pelo presidente Bolsonaro para questionar o número de mortes por Covid registrado pelos Estados no país.

Em seu depoimento ao TCU, na semana passada, Marques garantiu que o material escrito por ele não tinha nenhuma menção e não usava cabeçalho ou qualquer material oficial do TCU, e foi mandado por mensagem em um arquivo de Word para seu pai, que é amigo do presidente.

Marques afirmou que o documento foi alterado para indicar que teria vindo do TCU e culpou o Palácio do Planalto pela adulteração.

A cúpula da CPI da Covid decidiu, em reunião na noite desta segunda, suspender a acareação entre o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, e o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

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De acordo com fala do senador Humberto Costa (PT-PE), um dos integrantes da Comissão, a avaliação do grupo de senadores independentes e de oposição na CPI, é de que a acareação pouco contribuiria para esclarecer a questão dos problemas da compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin.

Onyx, então na secretaria-geral da Presidência, foi o ministro escalado para responder as acusações de Miranda de que havia indícios de corrupção na aquisição da vacina e de que teria apresentado os problemas ao presidente Jair Bolsonaro.
Na época, Onyx apresentou uma fatura da venda da Covaxin diferente da mostrada pelo deputado para dizer que não haveria pagamento antecipado e que Miranda estava mentindo.

Com a análise do documento apresentado por Onyx pela CPI, os senadores concluíram que ele era falso. A avaliação dos senadores, no entanto, é que a acareação, aprovada na semana passada, serviria apenas para troca de acusações, mas não traria novos esclarecimentos.

Ainda nesta semana, a CPI pretende ouvir Francisco Maximiano, o presidente da Precisa Medicamentos, intermediária da venda da Covaxin e que acabou perdendo o contrato depois que veio à tona que a empresa teria falsificado documentos em nome do laboratório indiano Bharat Biotech, desenvolvedor da vacina.

Radar político econômico

O relator da reforma do imposto de renda, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), afirmou ao jornal Valor que não divulgará um novo parecer nem deve fazer novas alterações na proposta, cuja última versão foi protocolada na quinta-feira. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), quer votar o projeto em plenário hoje.

Na quinta-feira, a proposta saiu de pauta após diversos partidos pedirem o adiamento para negociar ajustes ao texto – que teve outro parecer divulgado naquele mesmo dia à noite.

O ministro Ricardo Lewandowski, relator da ação que julga a revisão da lei de autonomia do Banco Central no Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou a pauta ao plenário da Corte para ser votada no dia 25 de agosto. A análise da contestação apresentada por dois partidos de oposição – PT e PSOL -, que pedem a reversão da legislação que retirou o status de ministério da autoridade monetária, estava parada desde junho deste ano após um pedido de suspensão da sessão virtual apresentado pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Até o momento, Lewandowski foi o único a votar, julgando procedente o pedido das siglas de oposição para que a União volte a exercer maior influência sobre a instituição. Conforme apurou o Estadão com fontes no Supremo, o parecer a ser apresentado pelo STF deve ser favorável à manutenção da lei de autonomia. A maioria necessária para manter a validade do texto aprovado no Congresso compreende ser superável a suposta questão de inconstitucionalidade contida na origem do projeto e alegada pelos partidos.

Na segunda, o procurador-geral da República, Augusto Aras, abriu investigação preliminar para apurar se o uso de uma TV pública por Jair Bolsonaro (sem partido) para transmitir a live em que atacou o sistema eleitoral brasileiro sem apresentar provas configura crime.

Aras atendeu a pedido da ministra do STF Cármen Lúcia, que é relatora da notícia-crime apresentada por parlamentares do PT em desfavor de Bolsonaro “pela prática de ato de improbidade administrativa, de propaganda antecipada e de crime eleitoral”, de acordo com a representação.

“Intime-se o procurador-geral da República para, no prazo máximo de 24 horas, apresentar manifestação”, determina. A ministra lembra, na decisão, que já havia pedido posicionamento da PGR em 3 de agosto, mas não houve manifestação.
Na ocasião, Cármen Lúcia argumentou que os atos relatados na petição podem, em tese, configurar crime “de natureza eleitoral, utilização ilegal de bens públicos, atentados contra a independência de poderes da República”.

A peça apresentada por parlamentares do PT aponta a utilização da estrutura pública, no caso a EBC, empresa pública de televisão, para supostamente fazer propaganda política antecipada, atacar adversários políticos, partidos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o presidente da corte, Luís Roberto Barroso.

Procurado, o Palácio do Planalto não respondeu de imediato a um pedido de comentário feito pela agência Reuters.

No sábado Bolsonaro anunciou que apresentará ao Senado pedidos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Em manifestação no Twitter na segunda, o presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) defendeu o diálogo entre os Poderes.

“O diálogo entre os Poderes é fundamental e não podemos abrir mão dele, jamais. Fechar portas, derrubar pontes, exercer arbitrariamente suas próprias razões são um desserviço ao país”, publicou o senador.

Em fala a jornalistas na segunda-feira, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que acha improvável que os pedidos de impeachment aventados por Bolsonaro avancem no Senado.

“Não é questão de arrefecer ou colocar lenha na fogueira. O presidente tem a visão dele, ele considera que esses ministros estão passando dos limites aí em algumas decisões que têm sido tomadas. E uma das saídas, dentro da nossa Constituição, que prescreve ali no Artigo 52, seria o impeachment que compete ao Senado fazer”, disse Mourão.

No final de semana, Bolsonaro reforçou, por meio de uma mensagem enviada a listas de transmissão com ministros, amigos e apoiadores bolsonaristas, a convocação para um ato de “último aviso” ao Judiciário e ao Congresso. A convocação foi revelada pelo colunista do site Metrópoles, Guilherme Amado.

Grupos bolsonaristas se organizam nas redes sociais para transformar o 7 de setembro em um grande ato de apoio ao presidente, com uma pauta que inclui a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

Segundo a agência Reuters, grupos bolsonaristas se organizam nas redes sociais para transformar o 7 de setembro em um grande ato de apoio ao presidente, com uma pauta que inclui a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

De acordo com uma fonte próxima ao presidente ouvida pela Reuters, Bolsonaro irá participar de atos em Brasília, pela manhã, e em São Paulo, à tarde.

​​Os governadores de 13 Estados e do Distrito Federal divulgaram na segunda-feira uma nota conjunta em que manifestam solidariedade ao STF em meio ao que chamam de “constantes ameaças e agressões”, sem citar nominalmente o presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, em participação no congresso Offshore Technology Conference (OTC), em Houston, o ministro de Minas e Energia, almirante de esquadra Bento Albuquerque, afirmou que o leilão dos excedentes da cessão onerosa marcado para 17 de dezembro pode gerar US$ 40 bilhões em investimentos no período de desenvolvimento dos dois blocos ofertados.

Em entrevista concedida à Reuters, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou que os efeitos da pandemia e o cenário político conturbado no país devem afetar as concessões importantes de infraestrutura previstas para até 2022, como a Ferrogrão, aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ) e a Via Dutra.

Radar corporativo

A temporada de resultados chegou na reta final, ainda com uma agenda movimentada.

O IRB Brasil RE (IRBR3registrou prejuízo líquido de R$ 206,9 milhões no segundo trimestre de 2021, o que indica perdas 68,5% menores em relação ao mesmo período de 2020, quando reportou prejuízo de R$ 656,7 milhões. No primeiro trimestre de 2021, o ressegurador teve lucro de R$ 35,1 milhões. Nos primeiros seis meses de 2021, o prejuízo líquido totalizou R$ 156,1 milhões, ante perdas de R$ 621,7 milhões no ano anterior, ou uma queda nas perdas de 74,9%.

A elétrica estatal mineira Cemig (CMIG4) informou lucro líquido de R$ 1,94 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 80% em relação a igual período do ano anterior. O lucro Ebitda ajustado foi de R$ 1,32 bilhão, avanço de 39,2% na comparação anual.

A Yduqs (YDUQ3) informou lucro líquido de R$ 116,5 milhões para o trimestre de abril a junho. Analistas ouvidos pela Refinitiv esperavam resultado positivo de R$ 145,5 milhões.

A Jalles Machado (JALL3) teve lucro líquido de R$ 115,7 milhões no primeiro trimestre da temporada 2021/22, revertendo prejuízo de R$ 16,9 milhões obtido no mesmo período da safra anterior.

Cruzeiro do Sul (CSED3), Focus Energia (POWE3), Boa Vista (BOAS3), Gafisa (GFSA3), Mosaico (MOSI3), entre outras companhias também apresentaram seus números para o trimestre.

Além da temporada, a Petrobras (PETR4) está trabalhando com a companhia japonesa de engenharia Modec para evitar atrasos na implantação da quinta plataforma de produção do campo de Búzios, disse na segunda Marcio Kahn, que é o gerente executivo do ativo na Petrobras. A estatal brasileira propôs nove plataformas para Búzios, seu projeto de águas profundas com ritmo mais acelerado de crescimento, no plano de negócios 2021-2025.

A Camil (CAML3) anunciou na segunda-feira que assinou contrato para aquisição da companhia de massas Santa Amália, por R$ 260 milhões marcando sua entrada no segmento.

A comercializadora de energia Comerc pediu na segunda-feira o registro para uma oferta pública inicial de ações, em busca de recursos para financiar seus projetos de expansão.

(com Reuters e Estadão)

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Riscos político e fiscal “tiram” 30 mil pontos da Bolsa, afirmam analistas

Em meio a uma crise institucional e ao aumento do risco fiscal, o mercado financeiro pareceu não se importar com o cenário político. Desde o começo do mês, não houve nenhuma variação brusca na Bolsa e no dólar, que estão praticamente no mesmo patamar, pouco acima dos 120 mil pontos e dos R$ 5,20, respectivamente.

Analistas do mercado, no entanto, afirmam que os ativos brasileiros estão sentindo, sim, a crise. A Bolsa estaria entre 142 mil e 152 mil pontos e o câmbio, inferior a R$ 5 se não houvesse tanto ruído em Brasília, dizem.

“Quando o presidente traz o tema do voto impresso (para o debate) ou aumenta a base de benefício social a um ano da eleição, ele acaba antecipando o risco das eleições nos preços dos ativos”, diz o gestor Luiz Felipe Laudari, da Mauá Capital.

Os cálculos de que o Ibovespa (principal índice da B3) deveria estar mais alto consideram a evolução de outras bolsas, os resultados das empresas listadas no País e também o preço das ações dessas companhias. “Quando você olha os mercados lá fora, vê o americano batendo recorde todo dia. Frankfurt também. Todas as bolsas estão com valorização de 15% no ano ou mais. E, aqui, ela beira a estabilidade, com pouco mais de 1%. Deveríamos estar subindo mais que o mercado americano, por causa do risco de ser um emergente”, afirma Alvaro Bandeira, sócio do Modalmais.

A alta acumulada do Ibovespa no ano é de 1,97%, enquanto a do indicador da Bolsa de Nova York é de 17,33%, a da Nasdaq, de 16,73% e a de Frankfurt, de 16,4%. Entre os emergentes, a Bolsa da Argentina subiu 26,6% e a da Rússia, 20,1%. Caso o Ibovespa tivesse acompanhado o nível dos emergentes, com uma alta de 20% no ano, o índice estaria em 142,6 mil pontos – na sexta-feira, no entanto, encerrou o pregão com 121,2 mil pontos.

Os analistas destacam que o desempenho pífio brasileiro só não é pior graças aos resultados das companhias, melhores do que previstos desde o início da pandemia. O estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, diz que 77% das empresas do Ibovespa que publicaram seus resultados do segundo trimestre até agora tiveram desempenho em linha ao esperado ou até melhor. “O que tem segurado a Bolsa é a história micro das empresas. Estamos tendo mais uma temporada de resultados fortes”, afirma Ferreira.

O gestor acrescenta que, se fossem considerados apenas os fundamentos das companhias e a expectativa de lucro atual delas, o Ibovespa estaria em 152 mil pontos.

Juros e câmbio

Para o economista Silvio Campos Neto, sócio da consultoria Tendências, no entanto, o câmbio e os juros são os ativos que mais têm sofrido o efeito das crises de Brasília. “Era para o dólar estar em um patamar mais baixo. Ele não está em parte devido à incerteza política. As tensões se traduzem em ameaça ao setor fiscal: mudança no Bolsa Família e precatórios. Além disso, estamos indo para outro tom, a institucionalidade (sendo ameaçada). Isso assusta os investidores.”

Cálculos da gestora Mauá Capital indicam que o dólar deveria estar abaixo de R$ 4,80. Na sexta, porém, encerrou o dia valendo R$ 5,25. “Tem um prêmio de risco aí causado pelo presidente. A situação fiscal vinha bem, com a surpresa positiva em razão da arrecadação mais alta e da contenção dos gastos. Era de se esperar que os ativos estivessem com um comportamento benigno”, diz Laudari.

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No caso da curva de juros, o impacto é ainda mais visível. A taxa do contrato de Depósitos Interfinanceiros (DI) que vence em 2029 estava em 8,7% no começo de julho e hoje está a 9,8%.

O economista Paulo Bokel, da ARX Investimentos, explica que essa alta não ocorreu devido ao aumento da taxa básica de juros, a Selic. Isso porque o mercado reagiu à Selic principalmente em junho, quando o Banco Central mudou de tom na condução da política monetária. “Não houve um grande aumento (na curva de juros) na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária, do BC). Na anterior (em meados de junho), o ajuste no mercado foi maior”, diz Bokel.

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