Taurus bate recordes mais uma vez e quer chegar a 20% do mercado dos EUA

O CEO da Taurus Armas, Salesio Nuhs (crédito: Divulgação)

SÃO PAULO – A Taurus Armas (TASA4) teve mais um sólido resultado no segundo trimestre de 2021, lucrando R$ 193,6 milhões, valor 395,1% superior ao reportado no mesmo período do ano passado, e agora mira audaciosamente a meta de dominar um quinto do gigantesco mercado dos Estados Unidos.

No mesmo período, o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da fabricante de armas ficou em R$ 224,4 milhões, o que representa uma expansão de 106,3% ante o segundo trimestre de 2020. Já a receita líquida totalizou R$ 651,1 milhões, em um avanço de 48,8% na base anual.

Outro indicador importante, a margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita líquida) cresceu 9,6 pontos percentuais contra o segundo trimestre de 2020, chegando a 34,5% graças à modernização do parque fabril e à maior participação de produtos de maior valor agregado, conforme escreve em relatório a analista Flávia Ozawa, da Eleven Financial Research.

Depois de anos de “revolução” interna como o presidente da empresa, Salesio Nuhs, costuma se referir ao processo de turnaround que encabeçou desde que assumiu a companhia, a Taurus atingiu um volume recorde de 588 mil armamentos produzidos no segundo trimestre.

O número reflete o ramp-up (aceleração) das operações da fábrica no estado da Georgia (EUA) e representa um crescimento de 50% na comparação com o segundo trimestre de 2020 e de 20% ante os três primeiros meses deste ano. Além disso, a empresa vendeu 618 mil armas entre abril e junho (+42% na base anual e +24% na trimestral).

Desse total, foram 507 mil armas vendidas só nos EUA, e em entrevista ao InfoMoney, Nuhs diz que esse nível mantém a empresa atualmente como quarta marca mais vendida no país e a primeira entre empresas estrangeiras, com market share (participação de mercado) de 15%. O objetivo agora é atingir um patamar entre 18% e 20%.

Para isso, o executivo conta que a companhia está investindo na linha de revólveres, onde faz sucesso entre os consumidores americanos. “Vamos lançar um revólver de percussão direta e um de ação simples [em inglês, Single Action Army, ou SAA, o mais famoso revólver dos filmes de faroeste]. Eu tenho os SAA em uma linha de calibre 22, e vamos lançar o 45. Lançamos também a GX-4 das microcompactas e estamos trabalhando com rifle de ferrolho”, adianta o CEO da Taurus.

Ao mesmo tempo em que a empresa investe, os outrora críticos indicadores de alavancagem seguem apresentando melhora. No final de junho, a dívida líquida sobre o Ebitda da companhia chegou a 0,7 vezes, ante 1,1 vez no final de março. Vale lembrar que o indicador já esteve em 15 vezes entre 2014 e 2015.

Diante desse cenário positivo, a principal preocupação durante o trimestre foi o aumento dos custos. Como todas as indústrias, a Taurus também foi afetada pelo aumento nos preços de matérias-primas, notadamente o aço, que subiu 52% em 2021 até maio.

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Nuhs explica que para fazer frente a esse aumento a empresa teve que garantir pelo menos o repasse da inflação em seus produtos. “No Brasil, a Taurus conseguiu repassar o [Índice Geral de Preços – Mercado] IGP-M acumulado de dezembro de 2020 a julho de 2021 a partir de agosto, com aumento médio de 17% nos preços. Já nos EUA fizemos um aumento real [acima da inflação] em dólar de 10%.”

Apesar dos valores terem aumentado, o executivo garante que isso não afetou as vendas. “Não tivemos cancelamento das 2 milhões de back orders [pedidos em espera] que temos, isso garante melhores resultados para o segundo semestre.”

Traçando um horizonte a partir dos resultados do trimestre passado, Nuhs ressalta que o reajuste de 10% nas armas dos EUA ainda não se refletiu no balanço, de modo que o segundo semestre teria tudo para ser “o melhor dos mundos” para a companhia considerando que a trajetória de valorização dos insumos também deve ser freada nos próximos meses.

Já no Brasil, onde as vendas somaram 87 mil unidades no trimestre (+75,1% na comparação anual), o empresário espera que suas fábricas se tornem um centro de fornecimento de peças para as armas vendidas globalmente, pois, segundo ele, o Brasil é o lugar em que a operação é mais “econômica, viável e produtiva”.

“No segundo semestre vamos aumentar de 6,5 mil para 9 mil armas por dia a nossa produção no Brasil, trazendo nossos principais fornecedores e ganhando em custo e capacidade.”

Eleições 2022

Apesar de no release de resultados a Taurus afirmar que não depende do dólar alto ou de “condições políticas mais favoráveis à questão do armamento no Brasil” para manter seus resultados, Salesio Nuhs diz que se preocupa com a questão regulatória.

“O nosso resultado do trimestre tem 20% das nossas receitas vindas do país, eu antecipei vendas no Brasil em detrimento dos EUA”, lembrou, embora diga que uma política de armas mais proibitiva seja mais um problema de “cerceamento democrático” do que de resultado.

“Se tivermos um revés na questão política, o mais grave será o cerceamento do direito democrático a comprar arma de fogo. Em 2005 tivemos uma vitória em referendo a favor das armas que não foi democraticamente respeitada.”

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Em relação aos negócios da empresa, foi categórico: “É inconveniente ter uma fábrica de armas em um país anti-armas, mas em resultado isso não nos preocupa. Toda a nossa produção seria mandada para os EUA se houvesse uma proibição total.”

O empresário faz questão de lembrar que é presidente da Associação Nacional de Indústias de Armas e Munições (Aniam), que é amicus curiae (uma espécie de instituição que presta consultoria específica sobre um assunto dentro de um processo judicial) do Supremo Tribunal Federal (STF) nos processos de quatro decretos editados pelo presidente Jair Bolsonaro que flexibilizaram as regras para compras de armas no Brasil.

Quando questionado sobre os acenos da família Bolsonaro a marcas estrangeiras, notadamente as repetidas postagens do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) divulgando armas da Sig Sauer e da Glock, Nuhs aponta que houve uma “conscientização” da parte do parlamentar, filho do presidente da República.

“O Eduardo nunca mais falou mal da companhia, ele se conscientizou que somos uma multinacional brasileira com a melhor margem bruta e margem Ebitda. E eu tenho o portfolio completo. Tem concorrentes com arma de plataforma de 1988 sem armas táticas. Temos várias vantagens competitivas, além de termos o melhor produto em termos de margem”, garante o CEO da Taurus.

As ações da Taurus têm cobertura da Eleven Financial Research, que tem recomendação de compra para os papéis preferenciais TASA4, com preço-alvo estimado de R$ 32,00, o que corresponde a uma valorização de 22,32% sobre o patamar de fechamento da quarta-feira (11).

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PMI composto preliminar do Japão recua de 48,9 em junho para 47,7 em julho

gráfico índices japão ações iene (Ca-ssis/ Getty Images)

O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar composto do Japão, que reúne indicadores de indústria e serviços, teve queda entre junho e julho e caiu de 48,9 pontos para 47,7, segundo dados da IHS Markit e banco Au Jibun.

O PMI de serviços do país também sofreu redução, de 48,0 a 46,4, indicando retração maior do setor, e o de indústria, ainda que tenha desacelerado, segue na zona de expansão, tendo oscilado de 50,7 para 50,5. Pela metodologia, números acima de 50 indicam avanço da atividade.

Para o economista Usamah Bhatti, da IHS Markit, os dados apontam que o setor privado japonês passou por uma redução mais acentuada de atividade no mês de julho. “Os entrevistados pela pesquisa atribuíram a deterioração do ambiente de negócios ao aumento constante do número de casos da covid-19 e às medidas de emergência, os quais reduziram as atividades e a demanda”, destacou Bhatti.

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Expansão da indústria do Brasil ganha força em junho e tem ritmo mais forte em 4 meses, mostra PMI

SÃO PAULO (Reuters) – O crescimento do setor industrial do Brasil acelerou em junho e chegou ao maior nível em quatro meses, com aumento das vendas e da produção e fortalecimento da confiança, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

A IHS Markit divulgou nesta quinta-feira que seu PMI da indústria brasileira avançou a 56,4 em junho, de 53,7 em maio, nível mais elevado desde fevereiro e bem acima da marca de 50, o que indica crescimento.

“Os resultados do PMI de junho apresentaram outro conjunto de desfechos positivos no setor industrial brasileiro. Apesar da batalha contínua contra outra onda de casos da Covid-19, as empresas viram seus pedidos aumentarem substancialmente em relação ao mês passado”, afirmou em nota a diretora associada da IHS Markit, Pollyanna De Lima.

O setor apontou fortalecimento da demanda em junho, com a entrada de novos negócios em alta pelo segundo mês seguido.

Esse resultado teve como base o aumento dos pedidos de exportação pelo quinto mês consecutivo e no ritmo mais rápido desse período. Os participantes da pesquisa citaram a retomada da atividade normal dos clientes no exterior e a oferta de itens escassos em outros lugares como razão para a expansão.

Diante do aumento de novos pedidos, os fabricantes brasileiros elevaram a produção, superando a média de longo prazo da pesquisa.

A força da demanda também ajudou na criação de novas vagas de trabalho no setor industrial, com a taxa de aumento sendo a mais alta em sete meses.

“A resiliência do setor industrial alimentou o mercado de trabalho, já que as empresas estavam confiantes na retomada e contrataram mais trabalhadores”, disse De Lima.

O mês ainda registrou a expansão mais intensa da compra de insumos desde fevereiro, com os fabricantes buscando se proteger contra a escassez de insumos.

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Mas os preços de insumos registraram nova alta, com muitas empresas citando a falta de matéria-prima, com destaque para metais, embalagens, plásticos e semicondutores.

Com as margens sob crescente pressão, os aumentos dos custos foram repassados aos clientes, com a taxa de inflação de venda sendo uma das mais intensas desde o início da coleta de dados no começo de 2006.

“Além da COVID-19, a escassez de matéria-prima continua sendo um risco-chave de queda para a recuperação do setor… Como os custos adicionais continuam sendo transferidos para os preços de venda, a força da demanda será testada nos próximos meses”, alertou De Lima.

Ao longo do próximo ano, os fabricantes registraram previsões de crescimento da produção, com o nível de sentimento positivo no patamar mais elevado em seis meses.

O otimismo se deve às expectativas de maior disponibilidade de vacinas e de que a pandemia recue, e as empresas pretendem aumentar o marketing e preveem crescimento dos investimentos.

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Estrangeiras retomam investimentos e elevam entrada de capital no Brasil

(Shutterstock)

A melhora das perspectivas de crescimento da economia e o avanço da vacinação contra a covid-19, ainda que lento, já fazem empresas multinacionais retomarem os planos de investimento no Brasil, antes paralisados ou prejudicados por causa da pandemia. Nos últimos meses, tem crescido o número de companhias estrangeiras que anunciam novos projetos de expansão, aquisições ou aportes de capital no País, destaca o Estadão neste domingo.

O grupo português de distribuição e geração de energia EDP, por exemplo, anunciou recentemente um plano de investir R$ 10 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos. A montadora francesa Renault pretende aplicar R$ 1,1 bilhão em sua linha de produção já neste ano e no próximo. A marca de alimentos e bens de consumo Nestlé, da Suíça, fará um investimento de R$ 900 milhões em suas fábricas no País.

Já a norueguesa Equinor, do setor de petróleo e gás, revelou este mês que planeja investir US$ 8 bilhões, ao lado de empresas parceiras em um consórcio de exploração de petróleo, para iniciar a extração no campo de Bacalhau, na Bacia de Santos, que deve começar a operar em 2024. “Temos uma perspectiva de longo prazo. Até 2030, esperamos investir mais de US$ 15 bilhões”, diz Veronica Coelho, presidente da Equinor no País.

A retomada dos aportes estrangeiros é vista no indicador de investimentos diretos no País (IDP), divulgado pelo Banco Central (BC). Depois de despencar em 2020 para o menor nível em 10 anos, os investimentos voltaram a crescer.

De janeiro a maio, a entrada de recursos de empresas estrangeiras somou US$ 22,5 bilhões, de acordo com os dados do BC. O valor é 30% maior do que no mesmo período do ano passado, quando o IDP acumulado foi de US$ 17,3 bilhões. Mas a quantia está abaixo do nível de 2019, antes da pandemia, de US$ 26,1 bilhões.

Ainda que uma parte significativa do IDP seja composto por reinvestimentos dos lucros obtidos no País, o investimento direto é visto como um recurso de mais qualidade, porque é destinado à atividade produtiva.

A expansão está longe de alcançar os patamares de anos anteriores. Considerando os últimos 12 meses encerrados em maio, os investimentos diretos representavam 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB), nível abaixo do registrado nos últimos anos. Entretanto, as condições agora são mais vantajosas para a entrada de estrangeiros.

“O custo de entrar no Brasil está relativamente baixo, por causa da depreciação do real. É um ambiente favorável para aportes produtivos no curto prazo. É claro que no Brasil há sempre muita incerteza. Mas, seis meses atrás, as perspectivas eram piores”, diz o economista Livio Ribeiro, pesquisador associado do Ibre/FGV e sócio da consultoria BRCG.

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“Somos liberais, mas não somos trouxas”, diz Guedes, sobre abertura econômica

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira que a reindustrialização do Brasil é um dos objetivos do governo. Para Guedes, o ritmo de abertura da economia precisa respeitar o “patrimônio” do parque industrial nacional. “Somos liberais, mas não somos trouxas”, afirmou, em participação em evento realizado pela Coalizão Indústria.

Guedes disse que assistiu com “muita tristeza” a redução da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nas últimas décadas. “A forma de uma indústria ficar viva era conseguir uma proteção em Brasília e dividir com seus sindicatos o butim contra a sociedade brasileira. Enquanto havia uma exploração do consumidor, a indústria foi esmagada de 35% para 11% do PIB, quando ainda poderíamos ter de 20% a 25% do PIB”, completou.

Mais uma vez, o ministro elencou as medidas tomadas pelo governo durante a pandemia de covid-19 e defendeu a vacinação em massa da população para o retorno seguro ao trabalho. “O Brasil está em guerra contra o vírus, não podemos nos enganar sobre isso”, repetiu.

Ele repetiu que a abertura comercial do Brasil ocorrerá de forma gradual, com a aprovação de medidas de competitividade antes de uma abertura total. Citou a aprovação de novos marcos de cabotagem, energia e gás. “Nós não vamos derrubar a indústria brasileira em nome da abertura comercial”, afirmou.

Guedes destacou a necessidade de revisão dos impostos sobre o setor produtivo. “A agroindústria brilha no mundo também porque setor tem ‘ausência de tributação’”, acrescentou.

Para o ministro, o futuro da economia passa pelos serviços digitais. Mais uma vez, ele defendeu a criação de um polo digital no meio da Amazônia brasileira, semelhante ao Vale do Silício nos Estados Unidos, para atrair as grandes bigtechs estrangeiras. “É preciso isenção tributária de 20 anos a companhias externas e brasileiras com sede na Amazônia. Manaus tem que ser capital mundial da economia verde. O futuro é verde e digital, temos que redesenhar modelo na Amazônia”, acrescentou.

Invasão

A participação do ministro da Economia no evento realizado pela Coalizão Indústria chegou a ser invadida por internautas estrangeiros. A fala do ministro foi sobreposta por músicas e gritos em outras línguas – nomes em alfabeto cirílico apareceram nas telas, no evento transmitido por meio da plataforma Zoom.

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Desalavancagem e investimento em produto: entenda a disparada de 800% das ações da Taurus na Bolsa

O CEO da Taurus Armas, Salesio Nuhs (crédito: Divulgação)

SÃO PAULO – A ação da Taurus Armas (TASA4) já viveu dias muito ruins na Bolsa, chegando a cair 80% em 2014, e foi considerada um papel altamente especulativo. No entanto, depois da disparada de mais de 500% no ano passado, cada vez mais analistas voltam suas ações para a empresa fabricantes de armas.

Os papéis TASA4, mais líquidos, inclusive, foram  destaques de alta desde a mínima do Ibovespa durante a pandemia do coronavírus, em 23 de março de 2020, quando o benchmark da Bolsa atingiu 63 mil pontos. Desde então, os ganhos foram de cerca de 800% em cerca de treze meses.

A princípio, poderia se pensar que a forte alta foi em decorrência somente das polêmicas medidas do governo do presidente Jair Bolsonaro para a flexibilização do uso de armas no Brasil. Porém, a companhia passou por um movimento de reestruturação nos últimos anos, que também se refletiu no desempenho dos papéis, além de seguir com seu processo de internacionalização.

Depois de chegar a ter um múltiplo dívida líquida dividido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) superior a 15 vezes, a Taurus reduziu seu endividamento no ano passado para 1,7 vez.

O presidente da empresa, Salesio Nuhs, destacou, em entrevista ao InfoMoney, que o “turnaround” seria praticamente um eufemismo diante de uma reestruturação tão forte. Para ele, que assumiu a empresa em 2018, o mais correto seria chamar o que aconteceu de “revolução”.

Para o analista Bruce Barbosa, da Nord Research, a afirmação não é exagerada. “A empresa dava Ebitda de R$ 10 milhões quando não era negativo e agora entrega R$ 150 milhões por trimestre. A companhia se reestruturou completamente. Os produtos eram famosos por atirar sozinhos e agora o consumidor americano gosta das armas porque elas são confiáveis e saem a um tíquete mais baixo”, explica.

Na opinião de Barbosa, a contratação de engenheiros e a fabricação de armas com menos peças juntou redução de custo com produtos melhores. “Acertaram muito em produto. A Taurus de hoje não se compara com a Forjas Taurus de antigamente.”

O analista considera que a ação, apesar da alta recente, continua barata, pois o resultado também vem melhorando.

Apesar do otimismo, essa atenção dos analistas ainda é um movimento incipiente. Segundo dados compilados pela Refinitiv, poucas casas de análise têm recomendação para as ações ordinárias TASA3 ou para as preferenciais TASA4.

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A Eleven Financial Research é uma das poucas a ter cobertura para o papel TASA4, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 32, o que corresponde a um potencial de valorização de 40,60% em relação ao fechamento de terça-feira, de R$ 22,76.

A casa de research elevou a recomendação, que antes era neutra, em meados de março, ao comentar os resultados do quarto trimestre de 2020, quando a companhia lucrou R$ 279,5 milhões, ante R$ 22,1 milhões um ano antes. A Eleven também destacou que a Taurus teve mais um trimestre de faturamento crescente, expansão de margens e redução da alavancagem financeira. Com isso, a companhia apresentou reversão do patrimônio líquido que estava negativo desde 2015, para positivo em R$ 42,3 milhões, movimento este que ocorreu dois anos antes do estimado pela casa de análise.

Considerando a carteira robusta de 2,3 milhões de armas, novo patamar de desempenho operacional e esforços para aumento da produção, a analista Flávia Ozawa ajustou a projeção de receita para 2021, com crescimento de 30,1% em relação a de 2020 e ganho incremental de 3,1 pontos percentuais na margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida).

Para os próximos anos, a analista tem expectativa de crescimento no faturamento com o aumento da participação no mercado dos Estados Unidos e menor diferença do valor dispendido por cliente em relação às principais concorrentes. A expectativa também é de continuação da evolução de margens com a diluição dos custos fixos, internalização da produção de carregadores e instalação dos fornecedores estratégicos próximos à unidade de São Leopoldo, que será expandida de forma a otimizar processos e reduzir custos de produção e logísticos.

Ao InfoMoney, o CEO da Taurus também destacou a estratégia da companhia para os próximos anos, como de maior controle de custos e também de expansão global.

Confira a íntegra da entrevista do InfoMoney com o CEO da Taurus Armas, Salesio Nuhs

Até cinco anos atrás a Taurus estava em uma forte crise, sofrendo com uma alavancagem muito alta e uma geração de caixa negativa. Como essas questões foram equacionadas de maneira que os papéis tiveram uma valorização de mais de 500% desde 2020?

Em primeiro lugar, a empresa precisava de alguém que entende desse segmento. Eu tenho 30 anos no setor de armas e estou na [Companhia Brasileira de Cartuchos] CBC desde 2014.

Logo que assumimos juntamos as operações das fábricas de Porto Alegre e São Leopoldo. Focamos na criação de produtos íntegros e com um forte controle de custos. Tivemos uma revolução, seria um eufemismo falar em turnaround pura e simplesmente.

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Assim que resolvemos os problemas internamente começamos a olhar para fora, e criamos o Centro Integrado de Tecnologia Brasil-EUA (CIT). Eu assumi a empresa como um todo, então verifiquei que juntando os centros de engenharia e tecnologia aqui e no nosso maior mercado, o dos Estados Unidos, poderíamos ganhar muito.

O maior mercado global de armas é os EUA. Dentro dessa realidade, nosso centro integrado identifica a tendência do consumidor americano e nossos engenheiros transformam isso em produto, invertendo a lógica de produzir para depois verificar a aceitação do cliente.

Qual é o foco estratégico da Taurus atualmente? Vocês querem vender para militares?

Somos uma empresa voltada ao mercado civil. Os consumidores são milhões de pessoas que compram uma, duas ou três armas para terem em suas casas. O mercado militar, apesar de grande, vive de licitações internacionais, então é muito instável. Queríamos uma estabilidade nos resultados.

O CIT foi fundamental para o crescimento acelerado da empresa nesse quadro. Ele responde por estabilidade, produto íntegro e entrega do produto que o consumidor quer.

A cada prêmio que tem nos EUA de melhores armas nós ganhamos ou ficamos entre os melhores com algum dos nossos produtos. Isso comprova nosso alinhamento com o consumidor final. Em 2019, a Taurus passou a ser a primeira opção de compra para importação dos americanos de armas leves.

Houve então um aumento do foco das vendas para os consumidores dos EUA?

A Taurus sempre teve como vertente o mercado civil americano, mas não tínhamos essa agressividade que conseguimos ao integrar as engenharias. Uma coisa é desenvolver o que acha que o mercado quer, outra é saber o que o mercado quer, desenvolver e começar a vender.

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Quando assumi a empresa não tínhamos engenheiro de armas no Brasil e não conseguíamos importar engenheiros. O centro integrado formou nossos engenheiros, de modo que temos 70 aqui e 30 nos EUA. E formamos mais 105 engenheiros de armas internamente.

Acredito que do ponto de vista financeiro nada chame mais atenção do que a desalavancagem da Taurus, que chegou a ter uma dívida mais de 15 vezes maior que o Ebitda. O que foi feito para reduzir o endividamento de tal forma que a companhia sequer precisou vender sua operação de fabricação de capacetes para motociclistas?

Até 2018 tínhamos Ebitda negativo. Essa mudança é fruto de um planejamento estratégico muito forte. O aumento de produção e de capacidade diluiu os custos fixos e um aumento de produtividade potencializou a lucratividade. Em 2020, entregamos 42,6% de margem bruta depois de muito tempo em 13%.

Nós não enxergamos propostas razoáveis na fábrica de capacetes, então como conseguimos pagar as dívidas e atingimos essa margem bruta e um Ebitda forte, decidimos não vender. Hoje temos uma relação dívida/Ebita de 1,7 vezes resultado de um aumento de produção e de produtividade.

É importante ressaltar que uma empresa, quando sai da crise, acaba relaxando nos custos. É normal, mas não para nós. Ficamos com o trauma das décadas passadas e implementamos um controle de custos muito rígido.

Como foi implementado esse controle de custos? Houve demissões?

Quando eu assumi eu criei essa política de ter quem entende do produto nas áreas estratégicas. Nos EUA trocamos até o presidente e eu contratei um presidente que veio do mercado. Não adianta ser uma excelente fábrica sem uma engenharia que consegue interpretar o que o consumidor quer.

Nós entregamos o que é tendência ou aspiração. A nossa estratégia é lançar em nichos em que não estamos concorrendo. Eu tenho um plano, por exemplo, de entrar no segmento das pistolas micro-compactas, que não concorrem com as nossas sub-compactas. É um novo segmento, que responde por 40% do mercado civil americano.

É importante ter a visão empresarial de que a Taurus não é uma fábrica de pistolas, é a quarta marca mais vendida em pistolas nos EUA, que fabrica armas táticas, esportivas e é a maior produtora de revólveres do mundo.

Uma coisa que atrai o consumidor americano para a Taurus é o preço. Como fazem para vender armas mais baratas que as da Smith & Wesson, por exemplo?

O tíquete médio nos EUA é de US$ 220 e o nosso é US$ 210. O que explica isso é volume. A nossa estratégia é ter sempre esse perfil. Eu posso trazer produtos com maior valor agregado, mas não deixaremos de ser melhor opção de compra para quem quer pagar menos.

Nos próximos cinco anos, 24 milhões de americanos vão comprar sua primeira arma, segundo pesquisas feitas no final do ano passado.

Quando você vai comprar algo para uma atividade que vai fazer pela primeira vez seu primeiro equipamento será o mais barato. Alguém que começa a fazer aulas de Tênis não compra a raquete mais cara do mercado. É o mesmo quando se fala de armas de fogo. A Taurus, nesse aspecto é muito favorecida.

E a exportação é grande o negócio da Taurus, mais ou menos 85% do que vendemos é para os EUA. Então conhecemos bem o nosso cliente.

A vitória do democrata Joe Biden nas eleições de 2020, alguém com um perfil mais favorável a aumentar a restrição às vendas de armas de fogo, não preocupa por conta dessa alta exposição aos EUA?

Nosso planejamento estratégico é sólido a longo prazo porque nosso segmento é muito regulado. Temos uma equipe de tendência de mercado só para analisar questões regulatórias.

E pode se surpreender, mas em todo ano de eleição nos EUA, dependendo do nível de chance dos democratas assumirem o poder há uma corrida para comprar armas de fogo. Isso porque a população americana quer se antecipar a uma mudança regulatória. Isso explica porque vendemos tanto no ano passado.

Entretanto, já adianto que plano do Biden não tem nada que possa atingir o portfolio da Taurus. O que ele se propõe a endurecer é o controle sobre armas mais pesadas, que a Taurus não vende.

Pensando nisso, queremos já fazer projetos que sejam alternativos. Veja bem, não chamo de substitutos, mas de alternativos para aquelas armas que possivelmente terão maior controle. Colocamos a previsão disso no nosso planejamento de projeto mesmo sem sabermos se realmente será aprovado o plano de Biden.

O consumidor muda de desejo ciclicamente. O projeto da nossa GX-4 já tem três anos, não é algo que sai da noite para o dia, precisamos estar preparados.

A Taurus pretende aumentar sua exposição a outros mercados como Ásia e Oriente Médio?

Sem dúvida, somos uma empresa global. Temos duas joint ventures muito estratégicas. Apesar da grande expectativa que os analistas colocaram na nossa parceria na Índia, eu dou mais importância para a joint venture que fizemos com a Joalmi [indústria metalúrgica de Guarulhos] para a fábrica de carregadores.

O carregador faz parte do sistema de disparo da arma e dependemos de importações nesse quesito. Em abril, faremos 7 mil carregadores por dia. Estamos acelerando isso porque o mercado de reposição de carregadores cresceu muito. Essa joint venture foi muito estratégica, conseguimos suportar o aumento de produção.

A joint venture da Índia, por sua vez, foi bastante prejudicada pela pandemia de Covid-19. Porém, muito mais do que montar uma fábrica, ela é boa por conta da transferência de tecnologia. O mercado civil indiano está se abrindo ainda, mas lá as licitações são boas porque o mercado policial da Índia é superlativo.

É estratégico estar na Índia e quem estiver transferindo tecnologia para o país tem preferência nas licitações. Nossa ideia é sermos a primeira empresa estrangeira a produzir armas no território indiano.

Por que na Índia o foco de vocês é o mercado militar e não o civil?

O mercado civil indiano começou a se abrir, mas ainda é bastante restritivo. Queremos vender para o mercado civil as armas mais simples, que são feitas num período muito mais curto. Para o militar fica reservado o armamento mais complexo.

Quais são as perspectivas da empresa hoje?

Nossa visão para o futuro é de uma carteira de pedidos de 2,3 milhões de armas, um avanço na nossa joint venture de carregadores, que já traz frutos, e o contínuo foco no nosso centro integrado de tecnologia. Temos também um memorando de intenções com a Imbel, de tecnologia bélica, inclusive no tratamento térmico dos canos de fuzis.

Apesar da maior parte do mercado da Taurus ser estrangeiro, também há operações aqui. Como ficam os negócios nacionais diante do imbróglio dos decretos lançados às pressas que abrem o mercado de armas aqui, mas que depois são derrubados pelo Legislativo ou pelo Judiciário?

No Brasil, a questão tributária é a mais complicada, pois dá preferência para a indústria estrangeira. Contratamos um organismo de certificação de produto para homologação em laboratórios nossos, o que vai agilizar os processos de desenvolvimento.

Dito isso, é importante ressaltar que o mercado brasileiro, apesar de pequeno, é importante para a companhia. Nos EUA, as lojas de armas abrem nos lançamentos dos nossos produtos e duas horas depois fecham porque não tem mais arma da Taurus para vender.

Em geral, no Brasil não temos falta de armas nas lojas em momento algum.

Mesmo com as mudanças legislativas, acredito que nunca mais voltaremos a ser quem éramos antes em termos de armas para legítima defesa. Os governos anteriores dificultaram a aquisição de armas sob termos discricionários, em contradição com a Lei 10.826 [o estatuto do Desarmamento]. Hoje, o que está na lei vai é cumprido.

Então o senhor acredita que mesmo se a administração Bolsonaro sair do poder em 2022 não haverá mudança nisso?

Sim, a expectativa é de que nunca voltaremos onde estávamos antes na venda de armas nacionalmente. Só mudaria se mudássemos a lei.

Decretos de armas e suspensão de trechos

Em 13 de abril, entraram em vigor os quatro decretos editados por Bolsonaro que flexibilizaram as regras de compra de armas. Contudo, Rosa Weber, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu alguns trechos, com os decretos entrando em vigor parcialmente.

Com a decisão da relatora, foram suspensos os trechos que afastam o controle exercido pelo Comando do Exército sobre munição até calibre máximo de 12,7 mm; autorização para prática de tiro recreativo em entidades e clubes de tiro, independentemente de prévio registro dos praticantes. Houve também suspensão da possibilidade de aquisição de até seis armas por civil e oito armas por agente estatal com simples declaração de necessidade, revestida de presunção de veracidade; a compra de munições por entidades e escolas de tiro em quantidade ilimitada; e a prática de tiro desportivo por adolescentes a partir dos 14 anos.

A ministra também impediu que entre em vigor trechos que desburocratizariam exigências de laudo de capacidade técnica para o manuseio de armas de fogo, aptidão psicológica para aquisição de arma de fogo, e prévia autorização do Comando do Exército.

Em comunicado, a Taurus afirmou que a decisão de Rosa não gerava preocupação para a empresa.

O CEO da companhia afirmou que as partes que foram suspensas pela ministra não mudam as operações. “Estamos em um momento muito favorável, com demanda em alta, batendo recordes de produção e vendas no Brasil e no mundo”, explicou.

Já os dispositivos que foram mantidos e que passaram a vigorar são positivos para a companhia, afirmou em nota, como a redução da burocracia para caçadores, atiradores e colecionadores (CACs) na concessão e emissão do Certificado de Registro de Arma de Fogo e da Guia de Tráfego, autorização de compra de arma de fogo, apostilamento e o registro de arma de fogo, por meio de processos eletrônicos, atendimento todos os dias e agrupamento de atos administrativos no mesmo processo.

Para auditores, magistrados e promotores, o cumprimento dos requisitos legais e regulamentares necessários ao porte e aquisição de armas de fogo poderá ser atestado por declaração de capacidade técnica e psicológica da própria instituição.

Outo ponto positivo  para a empresa, segundo apontou em comunicado, é a redução da burocracia envolvendo outros produtos, como carregadores, que não são mais classificados como Produtos Controlado pelo Exército (PCE).

Neste sentido, a companhia apontou que está investindo em uma fábrica nova para produção de carregadores, por meio de uma joint venture firmada com a Joalmi em 2020.

“A joint venture vai tornar a Taurus autossuficiente na produção de carregadores, mercado que era dominado por poucos fornecedores estrangeiros. A demanda anual da Taurus é de aproximadamente 5 milhões de carregadores, considerando as fábricas do Brasil e dos Estados Unidos, sem contar outras empresas e o enorme e promissor mercado de reposição. A nova fábrica terá uma capacidade instalada de 7,4 milhões por ano até o final de 2022 e sua ampliação poderá ser antecipada, dependendo da atuação da empresa no mercado de reposição”, afirmou a empresa.

A decisão da ministra Rosa Weber ainda será julgada definitivamente pelo plenário do STF.

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Diretor da CNI Carlos Abijaodi morre em decorrência da Covid-19

Carlos Eduardo Abijaodi, Diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI

Morreu nesta segunda-feira, 19, em decorrência da covid-19, o diretor de Desenvolvimento Industrial e Economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Abijaodi. Ele tinha 75 anos e estava internado desde o dia 13 de março no hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, sua cidade Natal. Deixa a esposa Zuleide, os filhos Gustavo e Juliana e os netos Bernardo, Matheus e Sophia.

Diretor da CNI há mais de dez anos, era tido como um dos maiores especialistas do país em política industrial e comércio exterior.

“Além do amigo, perdemos também um profissional de visão e com espírito inovador, cuja trajetória foi marcada pela defesa incansável de políticas públicas pela inserção internacional da indústria brasileira”, declarou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Roberto Fendt, lamentou a morte de Abijaodi. “Tinha em Carlos Eduardo um interlocutor frequente para tratar de assuntos relacionados a comércio exterior, negociações internacionais e investimentos, áreas em que ele deixa como legado um trabalho de muito profissionalismo e competência, com resultados positivos para a indústria brasileira”, afirmou.

O ex-ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e atual deputado-federal Marcos Pereira (Republicanos-SP) também lembrou a relação “amistosa e produtiva” com o diretor.

O ex-secretário de Comércio Exterior e atual vice-presidente da Câmara Americana de Comércio, Abrão Neto, disse que o comércio exterior brasileiro está de luto. “Abijaodi era um mineiro por excelência. Conciliador, atencioso, respeitoso e cercado de amigos. Uma figura querida e que contribuiu muito para a agenda internacional do Brasil”, declarou.

O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral declarou que o Brasil perde um líder empresarial importante, que sempre foi um “alicerce importante para a indústria brasileira”. “Perdemos também um amigo querido, uma figura com a fineza desatinada das Minas Gerais”, afirmou.

Trajetória

Em nota, a CNI destacou a atuação de Abijaodi em temas como abertura comercial e livre comércio dentro da indústria e sua presença ativa nos debates do acordo Mercosul-União Europeia, no acordo de Facilitação de Comércio da OMC e na criação do Portal Único do Comércio Exterior.

Além disso, foi o responsável pela elaboração de propostas que acabaram se tornando políticas de governo, como o projeto “Indústria + Produtiva” e a proposta de criação da Câmara Brasileira da Indústria 4.0, base do programa “Brasil Mais Produtivo”.

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“Sua vasta experiência nos temas de interesse do setor privado e sua admirável habilidade para negociação farão muita falta não apenas ao Sistema Indústria, mas também ao país”, acrescenta o presidente da CNI, Robson Andrade.

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Weg anuncia propostas de desdobramento e pagamento de dividendos, saiba como aproveitar

Weg (Divulgação: Linkedin)

SÃO PAULO – A fabricante de motores, componentes elétricos e tintas Weg (WEGE3) comunicou ao mercado nesta terça-feira (23) que proporá na próxima Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária do dia 27 de abril o desdobramento de suas ações na razão de duas para uma.

Se for aprovado o desdobramento, como quase sempre é, a quantidade de papéis WEGE3 à disposição dos investidores dobrará e o valor das ações cairá pela metade. Assim, mesmo com a queda no valor o acionista não precisa ficar preocupado, pois se ele tem 100 papéis da companhia passará a ter 200 e seu capital ficará completamente preservado.

Geralmente, as empresas fazem desdobramentos para de ações para aumentar a liquidez dos papéis, uma vez que com a queda no valor de face eles se tornam mais acessíveis para os pequenos investidores.

No fechamento deste terça, as ações ordinárias da Weg negociavam a R$ 83,66, de modo que se o desdobramento fosse hoje os papéis negociariam amanhã a R$ 41,83. A mudança pode não parecer tão significativa levando em consideração uma única ação, mas como o lote padrão de compra de ações na B3 é de 100 papéis – no mercado regular, já que no mercado fracionário é possível adquirir outras quantidades – o valor de um lote de WEGE3 cairia de R$ 8.366 para R$ 4.183.

Vale lembrar que em 2020 as ações da Weg ficaram em segundo lugar entre as que mais se valorizaram dentre os ativos que compõem o Ibovespa, subindo 120,4% em plena pandemia. Os papéis da companhia só perderam em ganhos no ano passado para as ações da siderúrgica CSN (CSNA3), que avançaram 126%.

Dividendos

Além do desdobramento, a Weg também fez outro comunicado de muito interesse para seus acionistas, o pagamento de dividendos no valor total de R$ 732,8 milhões, o que corresponde a R$ 0,349357703 por ação.

Isso significa que o investidor que detiver, por exemplo, um lote de 100 ações da empresa, receberá R$ 34,93 na sua conta.

Leia também: o que são proventos, como funcionam e como ganhar dinheiro com eles?

A “data-com” desses proventos é a próxima sexta-feira, dia 26 de fevereiro. Ou seja, para ter direito a receber os dividendos o investidor deve ter ações WEGE3 na carteira no fechamento do pregão do dia 26. A partir do dia 1º de março de 2021, os papéis passam a negociar “ex-dividendos”, o que significa sem direito aos proventos.

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Conforme o comunicado, o pagamento desse dividendo complementar ocorrerá em 10 de março.

Como aproveitar

O primeiro passo é preciso abrir uma conta em uma corretora de valores credenciada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Lembre-se que quanto menores os custos operacionais, maior será a sua rentabilidade, portanto dê preferência para corretoras que não cobram taxa pela corretagem de ações.

Uma vez com a conta aberta, basta transferir o dinheiro a ser investido de sua conta corrente para a conta da corretora e enviar uma ordem de compra de ações da empresa, informando a quantidade de ações que você deseja comprar.

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NY: índice Empire State sobe a 12,1 em fevereiro, no maior nível desde julho

PIB dos EUA é um dos destaques do mercado nesta sessão (ShutterstocK)

O índice Empire State de atividade industrial na região de Nova York (EUA) subiu de 3,5 em janeiro para 12,1 em fevereiro, atingindo o maior nível desde julho do ano passado, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (10, pela distrital do Federal Reserve de Nova York.

O resultado ficou bem acima da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta do indicador a 5,9 neste mês.

A nudez, a maré e o empreendedorismo

(Shutterstock)

Há uma clássica citação de Warren Buffett que sempre me ocorre em épocas de “vacas magras”: “É só quando a maré baixa que você descobre quem estava nadando pelado.”

A desindustrialização brasileira não é nenhuma novidade. Aliás, a desindustrialização do ocidente não é nova.

Nos anos 1970, quando Phil Knight começou a produzir tênis de maneira terceirizada na Ásia, para que sua Nike pudesse competir com o quase monopólio alemão de calçados esportivos, isso era algo disruptivo. Hoje em dia, como bem sabemos, a manufatura do mundo está no Oriente.

A célebre frase de Buffett me veio à mente quando foi largamente noticiada a decisão da Ford de retirar seus parques fabris do Brasil.

Não que esse movimento fosse uma novidade, muito menos na indústria automotiva. A Mercedes já tinha tomado atitude semelhante tempos atrás. A Sony, do setor de eletrônicos, também havia decidido deixar o país, o que mostra que o fenômeno não é algo circunscrito a um setor específico.

Nesse momento, vieram à tona as discussões de sempre sobre a competitividade da indústria brasileira, nossa carga tributária, nossa produtividade etc.

Fiquei muito bem impressionado, todavia, com a ótima entrevista do professor Marcos Lisboa ao Brazil Journal. Tomo a liberdade de destacar alguns dos trechos que julguei mais marcantes:

“O problema maior é o seguinte: o desenho da política industrial do país (…) foi absolutamente equivocado e estava fadado ao fracasso. Optou-se por tentar fazer no Brasil boa parte da cadeia produtiva, sem ter escala para isso. (…) A gente tem no imaginário que indústria é a grande produção. Mas o processo de produção foi muito desmembrado ao longo do século passado. Você separou a parte de concepção e de inovação da fábrica de montagem.”

Curiosamente, todas essas reflexões surgiram com a saída da Ford. Logo a Ford, cujo sistema de produção criado por seu fundador caracteriza o fordismo. Símbolo de um tipo de indústria que aparentemente permeia o imaginário de nossos formuladores de política econômica. Um modelo claramente anacrônico. Uma manufatura do passado para solucionar um problema do futuro.

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Aqui, gostaria de abrir um rápido parêntese. A indústria de hoje vive uma verdadeira revolução. É o que se chama de indústria 4.0. Sem querer me aprofundar demais no tema, a inserção das tecnologias digitais no segmento industrial tem promovido uma fusão acelerada entre compartimentos que, no passado, tratávamos separadamente: indústria e serviço.

Cada vez mais os serviços agregarão valor ao processo industrial propriamente dito. A manufatura pura e simples se tornará um processo ainda mais “commoditizado”.

Voltando às nossas reflexões sobre como podemos no Brasil estar mais próximos do espírito do nosso tempo, cabe aqui observar se, na divisão mencionada pelo professor Lisboa, deveríamos nos fixar na inovação e concepção (design) ou na manufatura.

Minha primeira reação é a de que devemos buscar um caminho intermediário e progressivo em direção ao que é mais capaz de gerar valor para empreendedores e, portanto, para o país.

Sem abandonar a manufatura em setores específicos, em que características logísticas e naturais nos favorecem, precisamos concentrar esforços na direção da inovação e concepção/engenharia.

A história dos agentes econômicos brasileiros, tão marcada pelo patrimonialismo, mas também por um empreendedorismo pujante, precisa de novas e inéditas páginas.

Em 2020, um ano de dificuldades enormes, mais de 4 milhões de empresas foram criadas em nosso país. Prova inequívoca de nossa vocação empreendedora. Transformar essa vocação num motor de inovação é talvez nosso desafio econômico mais importante.

Tomemos como exemplo a economia americana. O que faz líderes como Elon Musk serem capazes de participar da concepção de um Paypal, de uma Tesla e de uma SpaceX? Negócios tão distintos em seus setores e ao mesmo tempo tão icônicos. Tentando simplificar a resposta, os EUA têm duas características marcantes: um real capitalismo de mercado e um empreendedorismo verdadeiramente inovador.

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Se não quisermos reinventar a roda, o exemplo americano nos mostra o caminho das pedras. Aliar o mercado de capitais à inventividade empreendedora parece ser mais eficaz do que contar com o dirigismo estatal para alavancar os setores econômicos.

Sendo assim, ao olhar para nossa desindustrialização, precisamos refletir se o caminho não passa por despertar os instintos liberais de nossos empreendedores. Pensar se devemos incentivar a instalação de manufaturas e a verticalização insensata da produção, ou se devemos fomentar a pesquisa e a inovação.

Em fevereiro de 2021, bateremos nosso recorde histórico de IPOs. Ao observar as empresas que encaminham sua abertura de capitais na B3, percebemos uma dominância dos setores tradicionais da economia.

Há uma forte presença da digitalização em suas atividades, mas ainda não estão presentes as indústrias do futuro. Onde estão as empresas de energia limpa? De biotecnologia? De química e agroindústria?

Se comparamos com a mesma listagem em fevereiro de 2021 na Nasdaq, para citar um exemplo, o que se verá é uma dominância absoluta de empresas de biotecnologia.

Pelo conhecimento que tenho de empresas de médio porte no Brasil, temos um sem número de empresas prontas para avançar nessa direção. Temos uma vocação muito grande e razoavelmente adormecida para o design, energias limpas, ciências da natureza e agroindústria. O complexo bioindustrial, por exemplo, que se mostrou tão relevante em tempos de pandemia, poderia se beneficiar muito de um olhar para essa direção.

O que nos falta? Os meios econômicos e talvez um pouco de organização, ambição e planejamento.

Não por acaso, o número de patentes depositadas nos Estados Unidos em 2019 foi 30 vezes maior do que no Brasil. Há quem diga que o número de patentes depositadas em um país é, atualmente, o verdadeiro termômetro de seu desenvolvimento. Sendo assim, nossa situação precisa melhorar muito. No Brasil, os maiores depositantes ainda são as universidades federais.

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Isso me leva a uma entrevista recente do CEO da Moderna, na qual ele exalta o mercado de capitais americano em detrimento das agências governamentais. O esforço de desenvolvimento da vacina da Moderna somente foi possível graças ao mercado. Esse estágio só foi alcançado pela forte securitização, ou equitização, da economia americana através dos anos.

Nosso modo tradicional de investir apoiado no tripé de altos retornos, liquidez imediata e baixo risco, em função de nossas altíssimas taxas básicas de juros, sempre foi um atrofiador do mercado de capitais. Não há capitalismo de mercado sem mercado de capitais.

Se, a partir do rigor fiscal, conseguirmos perpetuar taxas de juros civilizadas no país, a associação de um mercado de capitais potente com nossa força empreendedora tem tudo para ser um importante fator que apoie a redenção não apenas de nossa indústria como de nossa economia como um todo.

A partir daí, empreendedores serão capazes de produzir unicórnios em diferentes setores da economia, inclusive na indústria, promovendo a inovação não apenas no setor de e-commerce ou financeiro, mas no setor industrial, de design, de biotecnologia, alimentos, químico, energia e muitos outros.

O empreendedorismo é, e sempre será, a verdadeira força motriz de um país capitalista. Precisamos acreditar e apostar todas as nossas fichas nessa visão.

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