Estrangeiras retomam investimentos e elevam entrada de capital no Brasil

(Shutterstock)

A melhora das perspectivas de crescimento da economia e o avanço da vacinação contra a covid-19, ainda que lento, já fazem empresas multinacionais retomarem os planos de investimento no Brasil, antes paralisados ou prejudicados por causa da pandemia. Nos últimos meses, tem crescido o número de companhias estrangeiras que anunciam novos projetos de expansão, aquisições ou aportes de capital no País, destaca o Estadão neste domingo.

O grupo português de distribuição e geração de energia EDP, por exemplo, anunciou recentemente um plano de investir R$ 10 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos. A montadora francesa Renault pretende aplicar R$ 1,1 bilhão em sua linha de produção já neste ano e no próximo. A marca de alimentos e bens de consumo Nestlé, da Suíça, fará um investimento de R$ 900 milhões em suas fábricas no País.

Já a norueguesa Equinor, do setor de petróleo e gás, revelou este mês que planeja investir US$ 8 bilhões, ao lado de empresas parceiras em um consórcio de exploração de petróleo, para iniciar a extração no campo de Bacalhau, na Bacia de Santos, que deve começar a operar em 2024. “Temos uma perspectiva de longo prazo. Até 2030, esperamos investir mais de US$ 15 bilhões”, diz Veronica Coelho, presidente da Equinor no País.

A retomada dos aportes estrangeiros é vista no indicador de investimentos diretos no País (IDP), divulgado pelo Banco Central (BC). Depois de despencar em 2020 para o menor nível em 10 anos, os investimentos voltaram a crescer.

De janeiro a maio, a entrada de recursos de empresas estrangeiras somou US$ 22,5 bilhões, de acordo com os dados do BC. O valor é 30% maior do que no mesmo período do ano passado, quando o IDP acumulado foi de US$ 17,3 bilhões. Mas a quantia está abaixo do nível de 2019, antes da pandemia, de US$ 26,1 bilhões.

Ainda que uma parte significativa do IDP seja composto por reinvestimentos dos lucros obtidos no País, o investimento direto é visto como um recurso de mais qualidade, porque é destinado à atividade produtiva.

A expansão está longe de alcançar os patamares de anos anteriores. Considerando os últimos 12 meses encerrados em maio, os investimentos diretos representavam 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB), nível abaixo do registrado nos últimos anos. Entretanto, as condições agora são mais vantajosas para a entrada de estrangeiros.

“O custo de entrar no Brasil está relativamente baixo, por causa da depreciação do real. É um ambiente favorável para aportes produtivos no curto prazo. É claro que no Brasil há sempre muita incerteza. Mas, seis meses atrás, as perspectivas eram piores”, diz o economista Livio Ribeiro, pesquisador associado do Ibre/FGV e sócio da consultoria BRCG.

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IPOs de grandes empresas devem trazer mais investidor estrangeiro para a Bolsa

(Getty Images)

Apesar da situação crítica da pandemia, do desequilíbrio fiscal e da dificuldade em avançar com as reformas, os estrangeiros dão sinais que voltaram a apostar no Brasil. Desde janeiro, o saldo de dinheiro estrangeiro na B3, a bolsa de valores de São Paulo, já chega a R$ 44 bilhões – número que contrasta fortemente com o primeiro semestre do ano passado, quando a bolsa viu uma saída de R$ 76 bilhões de dinheiro dos investidores de outros países.

E a expectativa do mercado é que esse fluxo melhore ainda mais, puxado pelas aberturas de capital de grandes empresas previstas para julho – como Raízen, da Cosan, CBA, da Votorantim, e CSN Cimentos.

“A chance é de termos uma ‘janela’ (de aberturas de capital) muito forte. Já houve uma retomada da entrada de estrangeiros nas últimas semanas. E, para se atrair o estrangeiro, quanto maior a operação, mais fácil fica”, diz Roderick Greenleess, responsável global do banco de investimento do Itaú BBA.

“Estamos vendo agora um volume de estrangeiros um pouco maior do que no passado recente. Ele começou a montar uma posição em Brasil, e isso ajuda, mas tem ocorrido, por enquanto, mais no secundário (em ações que já estão listadas na bolsa)”, comenta Fábio Nazari, sócio do BTG Pactual responsável pelo mercado de renda variável.

O executivo cita que a Bolsa contou com um “rally” recente e, apesar de um pouco mais de volatilidade nas últimas semanas, a demanda pelas últimas ofertas tem sido grande. O próprio BTG fez uma oferta de ações neste mês de quase de R$ 3 bilhões, registrando elevada demanda.

Rumo ao recorde

As grandes operações de abertura de capital previstas para o próximo mês vêm animando o mercado. A projeção dos bancos de investimento é de que a nova safra de aberturas de capital, entre julho e setembro, movimente cerca de R$ 40 bilhões.

Isso deve fazer com que as emissões de ações batam um novo recorde este ano – já foram cerca de R$ 80 bilhões desde janeiro. O Itaú BBA, por exemplo, prevê um volume total no ano entre R$ 150 bilhões e R$ 170 bilhões.

“Estamos muito otimistas para a próxima ‘janela’ (de aberturas de capital). Estamos vendo que, após alguns dados locais positivos, como a retomada do nível de atividade, voltamos a ver o fluxo de gringos (na bolsa). A conjuntura mostra um momento mais construtivo do que a janela de janeiro”, diz Bruno Saraiva, corresponsável pelo banco de investimento do Bank of America no Brasil.

Por isso, a sua leitura é de que o investidor estrangeiro deve participar de forma relevante nas próximas aberturas de capital. “Há espaço para boas companhias”, diz.

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Estrangeiros avançam na Vale e já são donos de 55% das ações da mineradora

Perto de completar 24 anos de privatização, a Vale caminha para encerrar 2021 com menos presença do setor público entre seus sócios. O movimento é puxado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vendeu mais de R$ 10 bilhões em ações da mineradora em 2020 e poderá, em breve, se despedir da companhia.

O mercado espera que a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, também venda parte de sua fatia. A mudança do perfil acionário da Vale ocorre após o fim do acordo de acionistas da empresa e abre espaço para fundos de investimento estrangeiros avançarem na mineradora, que tem o maior valor de mercado da Bolsa brasileira: R$ 471 bilhões.

O apetite internacional tem sido grande, em especial após a companhia ter conseguido mitigar riscos relacionados à tragédia de Brumadinho (MG). O fundo americano Capital Group, que tem US$ 2,1 trilhões sob gestão, é o principal exemplo. A gestora tem avançado sobre o capital da Vale e já se aproxima dos 15%, apurou o Estadão. Um dos analistas do fundo é o brasileiro Bruno Rodrigues, que já trabalhou na companhia.

Com o crescimento rápido do Capital Group na Vale, a expectativa é de que o fundo indique, já na próxima assembleia, dois conselheiros, segundo fonte próxima ao tema. Outro gigante, o BlackRock, já tem 5,2% da mineradora, enquanto a Mitsui detém 5%. Consideradas participações menores, a empresa tem 55% de estrangeiros em seu capital social.

O Capital Group tem espaço para crescer e atingir até 25% do capital sem barreiras. A partir desse ponto, o estatuto da Vale, reformado em 2017, define a realização de oferta pública para adquirir a totalidade dos papéis – prática comum em empresas de capital pulverizado para evitar concentração de poder.

De saída

Aos poucos, mais papéis da Vale serão ofertados ao mercado. O BNDES prepara a venda, neste ano, de mais R$ 10 bilhões em ações para zerar a posição na mineradora. O banco tem mais R$ 6 bilhões em debêntures participativas nos direitos minerais da empresa, venda que está próxima de ser realizada.

Esses títulos, que foram originados na privatização, podem ser vendidos ainda na primeira metade de 2021. Na oferta desses papéis, a União poderá pegar carona e também fazer sua venda, embolsando alguns bilhões de reais em um momento de dificuldade, segundo fontes.

Também se espera que os fundos de pensão façam uma venda parcial de suas ações na mineradora. Por meio da Litela, holding que concentra participação de Previ, Funcef (funcionários da Caixa) e Petros (da Petrobrás), conforme informações no site da Vale, os fundos de pensão possuem 9,8% das ações da mineradora.

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Se a escolha for de vender ações da Vale, o momento é oportuno, com a ação da companhia na sua máxima histórica. Apenas em 2020, o papel da mineradora fechou com alta de 74%, na esteira do preço do minério de ferro, seu produto carro-chefe, acima de US$ 160 a tonelada na China.

O analista de siderurgia e mineração da Eleven Financial, Tasso Vasconcellos, afirma que a Vale tende a se beneficiar da sua nova estrutura de governança e que, à medida que os entes de governo deixam o negócio, caem os riscos de ingerência política na mineradora.

O atual conselho de administração da Vale ainda reflete o poder estatal na mineradora. O colegiado deverá ser alterado em abril, na próxima assembleia de acionistas. Hoje, a União ainda tem a chamada “golden share”, papel criado na privatização, que dá poder de veto em alguns temas, como vendas de determinados ativos.

Procurados, Vale, Capital Group, Previ não comentaram. O Ministério da Economia afirmou que as debêntures participativas de emissão da Vale foram incluídas no Plano Nacional de Desestatização (PND). O BNDES é o responsável pela execução e pelo acompanhamento dos atos necessários à alienação dessas debêntures.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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IIF: fluxo de investimento estrangeiro a mercados emergentes foi de US$ 53,5 bi em janeiro

Segundo o Instituto Internacional de Finanças (IIF), o fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes em janeiro deste ano foi de US$ 53,5 bilhões, com US$ 9,4 bilhões concentrados em ações e US$ 44,2 bilhões em bônus de dívidas. Em relatório divulgado nesta terça-feira, 2, a entidade também registrou que, para os mercados da América Latina, o volume foi dividido entre US$ 7,4 bilhões em ações e US$ 10,4 bilhões em dívida.

“O impulso que vimos no fim do ano passado continuou a beneficiar a dívida e o capital de mercados emergentes”, disse o IIF, ressaltando, porém, a queda nos investimentos estrangeiros na última semana do mês, em especial em emergentes da Ásia, em movimento que destaca a “fraqueza destes mercados em um cenário de pós-pandemia”.

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O IIF também aponta para uma entrada de US$ 15 bilhões nos ativos de renda fixa da China e mais US$ 6 bilhões em ações durante o mês de janeiro.

“Continuamos relativamente otimistas em nossa perspectiva diante do potencial de influxos adicionais em todo o complexo de mercados emergentes, dada a elevada liquidez do mercado, novos desenvolvimentos na distribuição de vacinas e aumento do apetite de investidores”, relata o IIF.

No entanto, o instituto afirma que o aumento da volatilidade do mercado no final de janeiro mostra a recuperação ainda precária dos mercados, principalmente para fluxos de capital.

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Tesouro estuda emissão de títulos públicos com “selo ESG”

O Tesouro Nacional deu o pontapé inicial para colocar o Brasil no mapa das emissões de títulos públicos com atestado de boas práticas nas áreas ambiental, social e de governança (conhecidas pela sigla ESG).

Os três temas têm sido cada vez mais foco de atenção globalmente. Por isso, o governo brasileiro começou a mapear despesas do Orçamento que se enquadram nesses tópicos para atrair os investidores estrangeiros, que nos últimos anos reduziram drasticamente suas posições em mercados emergentes, incluindo o Brasil.

O ingresso nesse mercado é considerado estratégico porque o mundo vive um momento de grande oferta de recursos, ao mesmo tempo que investidores têm cobrado cada vez mais um compromisso firme com a pauta ESG – já existem fundos que aplicam seus recursos exclusivamente nesse tipo de ação.

Até agora, 22 países fizeram emissões de títulos públicos ligados ao “selo”, número que tende a crescer rapidamente nos próximos meses. Se o Brasil demorar a aderir a essa agenda, pode perder o bonde.

Outra vantagem é que esses papéis costumam ter custo menor para o emissor, já que o investidor se dispõe a receber menos juros em troca de financiar ações sociais, ambientais ou para melhorar a governança de um país.

A decisão do Tesouro de iniciar a construção de um arcabouço para emitir títulos ligados à temática ESG foi anunciada na quinta-feira. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o subsecretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, José Franco de Morais, afirmou que ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Há chance de uma primeira emissão de bônus soberano relacionada à pauta ESG ocorrer ainda em 2021, mas não há garantia sobre isso. “A construção do arcabouço não é um processo de curto prazo.”

Amazônia

O anúncio vem num momento em que o mau desempenho brasileiro em ações contra queimadas e o desmatamento na Amazônia entrou na mira de investidores internacionais e governos de outros países.

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Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados no início de 2021 mostram que os alertas de desmatamento na Amazônia nos dois primeiros anos do governo Jair Bolsonaro foram, em média, 82% superiores à média do registrado nos três anos anteriores.

Para Franco, o compromisso do governo brasileiro com a temática ESG vai servir a três frentes: mostrar o que o País tem de positivo, ser transparente em relação ao que há de negativo e ajudar a cumprir os objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) por meio da Agenda 2030.

“O Brasil tem muitas coisas boas para mostrar. A matriz energética brasileira é majoritariamente energia limpa. É um exemplo. Agora, realmente, a reputação pode melhorar muito. Os investidores sentem falta de informações”, afirma o subsecretário.

“Nosso papel é juntar todos esses argumentos para levar aos investidores, aumentando a transparência. Quando a notícia não é boa, explicar o que o País está fazendo para melhorar determinado indicador.”

Segundo Franco, a equipe da dívida pública já atua hoje como um “facilitador” de conversas entre investidores ou agências de classificação de risco e outras áreas do governo, mas a adesão à pauta ESG tende a ampliar esse papel.

O coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Luiz Fernando Alves, diz que os investidores passarão a olhar o Tesouro como um “ponto focal” para essas temáticas. “Muitas vezes não teremos as respostas, mas nosso papel é buscar aquela área dentro do governo e trazer a informação.”

O órgão dedicou um capítulo de seu Plano Anual de Financiamento (PAF), documento que mostra a estratégia do Tesouro para a dívida pública, à apresentação de suas intenções em aderir à agenda sustentável. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Ibovespa sobe quase 83% desde a mínima do ano e zera perdas em 2020: confira o que esperar daqui para frente

SÃO PAULO – O Ibovespa zerou as perdas de 2020 nesta terça-feira (15) ao fechar em alta de 1,34% a 116.148 pontos, e com isso a grande dúvida que paira entre os analistas é sobre o que ocorrerá com a Bolsa daqui para frente. Desde a mínima de fechamento do ano, no auge dos temores com a pandemia do coronavírus, até o fechamento desta sessão, o índice subiu 82,17%, indo de 63.569 pontos em 23 de março até superar os 116 mil pontos nesta data.

Segundo Roberto Indech, estrategista-chefe da Clear Corretora, por mais que o índice já tenha passado dos 116 mil pontos ainda há possibilidade de subir, pois o saldo do investimento estrangeiro este ano, apesar de ter melhorado muito com a entrada maciça de capital em novembro ainda nem sequer compensou o total das retiradas de janeiro a outubro.

“Continuamos atrás das principais bolsas do mundo em desempenho este ano e a taxa Selic deve continuar, mesmo se elevada no primeiro semestre de 2021, em um nível muito baixo, o que favorece a busca por ativos de renda variável”, explica.

Reforçando a visão positiva para 2021, mais da metade dos gestores de recursos da América Latina ouvidos pelo Bank of America tem projeção de que o Ibovespa fique acima de 130 mil pontos (alta de 12%) no próximo ano, patamar este projetado pela XP Investimentos, que destaca a retomada da economia global e o cenário de juros baixos para o Brasil (veja mais clicando aqui). O JPMorgan, por sua vez, projeta que o Ibovespa encerre o ano que vem a 134 mil pontos, ou cerca de 15% acima do nível atual, em meio a uma forte recuperação dos resultados corporativos.

Júlio Erse, gestor da Constância Asset, avalia que o rali iniciado em novembro e que levou a Bolsa a zerar as perdas no ano não dá indícios de estar acabado. Vale lembrar que as ações mais visadas pelos estrangeiros foram as blue chips como Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC3; BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4), que passaram muito tempo descoladas da recuperação das demais empresas que fazem arte do Ibovespa.

“O fluxo de capital é algo muito difícil de prever, no entanto, não vejo motivos para não estar otimista, por exemplo, com uma Vale em um cenário de minério de ferro a US$ 150 a tonelada. Começamos o ano com o minério em US$ 90 e durante a pandemia ele caiu para US$ 80. Então a empresa continua interessante com seu principal produto tão valorizado”, aponta Erse.

Indech também enxerga boas oportunidades entre as empresas exportadoras de commodities, pois mesmo com a recente desvalorização do dólar o patamar da moeda ainda é atrativo para exportar e o momento atual já traz até mesmo projeções de um novo superciclo das commodities.

“O petróleo, que chegou a ter contratos futuros negociados a valor negativo em abril já está custando US$ 50 o barril. É um momento muito bom para quem vende petróleo, minério e outros produtos do tipo”, comenta.

Todavia, o estrategista da Clear destaca que, apesar de estar otimista, já enxerga uma maior necessidade do investidor tomar cuidado com o stock picking, ou seja, o processo de escolher uma ação para investir. “Nem tudo está barato agora. Alguns ativos podem seguir uma tendência de alta bem mais robusta que outros.”

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O estrategista cita, por exemplo, o setor de shoppings, que foi um dos mais afetados pela pandemia e ainda registra um desempenho fraco este ano. “No Natal poderemos ver como foi a receita de final de ano em relação ao ano passado para sabermos se as pessoas já estão com confiança de voltar a estes espaços ou não”, avalia.

Erse também enxerga shoppings como boas oportunidades no contexto atual. “Há um grupo de ações muito ligadas às restrições impostas por conta da proliferação da Covid-19, principalmente em serviços, e que devem fazer esse catch up ainda com os demais setores da economia.”

O gestor da Constância coloca nesse grupo as ações de empresas administradoras de shoppings centers como Multiplan (MULT3), Br Malls (BRML3) e Iguatemi (IGTA3), companhias ligadas ao turismo como CVC (CVCB3) e empresas de logística e portos como Santos Brasil (STBP3).

“Esses são os setores que, em uma normalização, olhando para o que acontece com o mundo depois que as vacinas forem distribuídas, têm maior potencial de crescimento”, declara Erse.

Por outro lado, dentre os riscos que podem prejudicar a concretização do cenário mais otimista, o gestor da Constância cita uma demora da vacina em imunizar grandes populações em contraste com uma vigorosa segunda onda do coronavírus.

Outro ponto que começa a tomar forma é a preocupação com um aumento da inflação globalmente por conta da magnitude dos estímulos fiscais e monetários utilizados este ano para combater os impactos econômicos da pandemia. “É um assunto que passa a ter uma importância que não tinha há muito tempo”, diz.

A trajetória do Ibovespa em 2020

O Ibovespa passou todo o início do ano acima dos 100 mil pontos. A perda ocorreu no auge da crise do coronavírus no pregão da sexta-feira, dia 6 de março, quando o benchmark caiu 4,14% a 97.996 pontos.

Quem torceu para o mercado se acalmar e retomar os 100 mil pontos na volta do fim de semana não podia ter ficado mais decepcionado: no dia 9 de março tivemos o primeiro dos seis circuit breakers do ano e o Ibovespa despencou 12,17%, a 86.067 pontos. O motivo para a derrocada foi que além da crise do coronavírus, os investidores ainda tiveram que enfrentar a guerra do petróleo, que estourou no domingo.

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A Arábia Saudita – país que mais exporta petróleo no mundo – anunciou que aumentaria substancialmente sua oferta e ofereceria a commodity com até 20% de desconto em alguns mercados, em uma resposta direta à Rússia, que não aceitou reduzir sua produção. Como resultado, o barril do petróleo Brent já abriu em queda de 30% na Ásia enquanto as primeiras bolsas ocidentais levariam ainda mais sete horas para começarem as negociações.

(Leo Albertino/InfoMoney)

O Ibovespa ensaiou uma recuperação no pregão seguinte, subindo 7,14%, mas o repique só serviu para abrir um espaço maior para quedas. Nos dois pregões subsequentes a Bolsa desabou 7,64% e 14,78%, acionando mais dois circuit breakers. A alta de 13,91% logo em seguida foi apenas a prova de que a racionalidade tinha abandonado de vez o mercado financeiro.

No dia 16 de março o Ibovespa caiu mais 13,92%, com o acionamento de outros dois circuit breakers. Em onze dias o principal índice da B3 saiu de 102.233 pontos para 71.168 pontos. Uma alta de 4,85% no pregão seguinte e mais um circuit breaker e queda de 10,35% no outro levaram o índice aos 66 mil pontos.

A retomada gradual

O ponto mais baixo foi atingido no dia 23 de março, quando o Ibovespa, na mínima do pregão, bateu 62.161 pontos. Desde então, a tendência virou e a Bolsa passou a subir aos poucos, fazendo valer o famoso ditado do mercado financeiro de que a Bolsa “cai de elevador e sobe de escada”.

As duas maiores altas no período vieram nos pregões do dia 24 de março, em que o benchmark disparou 9,69%, e do dia 25 de março, no qual o índice subiu 7,5%. Os ganhos vieram em meio ao anúncio de que governo e Congresso dos EUA haviam chegado a um acordo para o lançamento de um pacote de US$ 2 trilhões em estímulos.

Já no dia 6 de abril a Bolsa teve alta de 6,52% seguindo o exterior após o presidente americano Donald Trump afirmar que os EUA estavam passando por um “nivelamento” dos casos do coronavírus em algumas das regiões mais afetadas pela pandemia.

Desde então os mercados globais se apoiaram no aumento de liquidez promovidos pelos bancos centrais, que zeraram taxas de juros e se comprometeram com ambiciosos programas de compras de títulos para injetar dinheiro nos bancos privados e os estimularem a emprestar esse capital e fazer a moeda girar na economia.

Maior banco central do mundo, o Federal Reserve dos EUA reduziu no dia 15 de março os juros em 1 ponto percentual para uma faixa entre 0% e 0,25% ao ano em uma reunião extraordinária fora da agenda. O Fed ainda anunciou a compra de US$ 700 bilhões em títulos do Tesouro americano.

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No dia 4 de junho, o Banco Central Europeu (BCE), aumentou em 600 bilhões de euros seu programa de compras de títulos para enfrentar a emergência da pandemia, para 1,35 trilhão de euros mensais.

Aqui no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom), cortou a Selic no último dia 17 em 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano.

Com mais dinheiro nas mãos dos investidores e a renda fixa com rendimento próximo de zero ou negativo a solução se torna investir em ações. Para diversos analistas, esse é um dos principais motivos que impulsionaram a recuperação do Ibovespa rumo aos 100 mil pontos.

Além da maior liquidez, o otimismo com a recuperação da economia global também estimulou as compras no mercado de renda variável. Em 5 de junho, o Departamento de Trabalho dos EUA, revelou que o país criou 2,5 milhões de empregos em maio. O número surpreendeu todas as expectativas, com os economistas prevendo destruição de 7,5 milhões de postos de trabalho.

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No Ibovespa, isso se traduziu em uma alta de 0,86% na sexta-feira, dia 5, e de 3,18% na segunda-feira, dia 8. Os dois pregões encerraram a maior sequência de altas da Bolsa este ano: foram sete dias consecutivos de ganhos, que começaram no dia 29 de maio.

Na sexta-feira 10 de julho, na reta final do pregão, o índice ganhou força e, após uma leve queda na véspera, fechou em alta de 0,88%, fazendo com que o índice voltasse aos 100 mil pontos. A partir daí, iniciou-se um ciclo longo do Ibovespa ganhar e perder os 100 mil pontos.

A Segunda onda

Em 29 de julho, o benchmark chegou a 105.605 pontos, mas a partir daí, a Bolsa no Brasil não conseguiu mais acompanhar a disparada registrada pelos mercados internacionais.

A grande virada ocorreu no dia 11 de agosto, quando os secretários especiais de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e o de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, pediram demissão do Ministério da Economia.

Colocando mais lenha na fogueira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou em 26 de agosto que a proposta do Ministério da Economia para o programa Renda Brasil estava suspensa. Embora o fim do programa reduza a pressão sobre o Orçamento, surgiram temores acerca do que o governo iria colocar no lugar do Auxílio Emergencial, cujo prazo de validade acaba no fim do ano.

Além disso, a forma como o presidente anunciou o sepultamento da proposta trouxe renovadas especulações a respeito de um enfraquecimento da equipe econômica, que estaria perdendo a queda de braço com a ala militar e desenvolvimentista do Planalto.

Se não bastasse a questão fiscal, o exterior também se tornou foco de preocupação com um sell-off nas ações de empresas de alta tecnologia dos EUA que começou em 3 de setembro. Naquele pregão, o Ibovespa caiu 1,2%. Em Nova York, as ações da Apple despencaram 8,01%, enquanto Netflix, Amazon e Alphabet (controladora do Google), recuaram 5%.

Outro problema vindo de fora foi a segunda onda do coronavírus que atingiu a Europa. Com mais de 300 mil casos no continente em uma semana, os países voltaram a atuar com medidas severas de distanciamento social. Alguns países chegaram a implementar lockdowns novamente.

Essa sucessão de fatores levou o Ibovespa a 93.952 pontos no dia 30 de outubro.

Novembro: o rali das vacinas e dos estrangeiros

Mês passado foi agitado por diversas notícias sobre os resultados das vacinas contra o coronavírus na fase 3 de testes, a última antes da análise pela agência de segurança sanitária de cada país.

Pfizer e a BioNTech trouxeram muito otimismo ao anunciarem no dia 9 de novembro que sua vacina teve 90% de eficácia nos grupos de controle, fazendo o Ibovespa subir 2,57% no pregão daquele dia.

Já na semana seguinte, a Moderna informou que sua vacina experimental foi 94,5% eficaz, de acordo com uma análise preliminar, o que garantiu uma alta de 1,63% no dia 16.

Mas o que realmente chamou a atenção no mês passado foi a forte entrada de capital estrangeiro, na contramão da retirada que ocorreu de janeiro a outubro. O investimento estrangeiro na B3 teve um saldo positivo de R$ 30 bilhões.

A equipe de análise da Levante Ideias de Investimento destaca que esse foi o maior valor mensal de entrada de recursos desde que a Bolsa começou a fazer esse levantamento, em 1995.

Para os analistas da XP, há três fatores que explicam esse fluxo de capital para as ações brasileiras. O primeiro é o fim das incertezas relacionadas às eleições americanas, com a vitória consolidada do democrata Joe Biden e sem um controle absoluto do seu partido sobre o Congresso.

Já o segundo fator foi o avanço no desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus. As taxas de eficácia acima de 90% na fase 3 de testes das profilaxias criadas por Pfizer/BioNTech, Moderna e Oxford/AztraZeneca animaram os investidores para perspectivas de um futuro livre das preocupações com a pandemia.

O terceiro fator que explica os ganhos da B3 foi a rotação do capital para ações de empresas que atuam em setores mais afetados pela crise da Covid-19, como é o caso de instituições financeiras e commodities, que são justamente os segmentos mais pesados na carteira teórica do Ibovespa.

Segundo os analistas da Levante, a melhora do humor global foi duplamente benéfica para o mercado acionário brasileiro.

“Por um lado, os investidores internacionais se aproveitaram de ações cujos preços demoraram para acompanhar a alta iniciada em outubro, como por exemplo os papéis de bancos. Por outro, a melhora global das cotações de commodities como petróleo e minério de ferro beneficia ações importantes, como Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3), que têm grande peso na B3 e influenciam o movimento do mercado como um todo.

Ao fim e ao cabo, o Ibovespa subiu 15,9% em novembro, maior avanço mensal do índice desde março de 2016, quando subiu 17%, e o melhor novembro da Bolsa desde 1999, ano em que o benchmark registrou uma valorização de 17,8% no penúltimo mês.

Os primeiros quatro dias de dezembro mostraram a continuidade desse movimento e a Bolsa já voltou aos níveis pré-Carnaval na sexta-feira (4), quando subiu 1,3% a 113.750 pontos.

Com isso, a Bolsa finalmente superou o fechamento de 21 de fevereiro (quando o benchmark terminou a sessão em 113.681 pontos), a sexta-feira pré-Carnaval em que os investidores inadvertidamente saíram para aproveitar o feriado sem ter ideia do que os esperava na quarta-feira de Cinzas (26).

Desde então, bastaram apenas três altas em sete pregões para a Bolsa zerar as perdas no ano. Em destaque ficam os ganhos de 1,88% no dia 10 e os de 1,34% nesta terça.

No dia 10 o destaque foi o movimento do petróleo no mercado internacional (barril do Brent superando US$ 50,00) e o aumento de 500 bilhões de euros nos estímulos anunciado pelo Banco Central Europeu (BCE).

Já nesta terça o principal driver foi a notícia de que congressistas americanos devem finalmente chegar a um acordo sobre um pacote de US$ 748 bilhões em estímulos. O foco é em benefícios para desempregados e empréstimos para pequenas empresas.

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Os 3 fatores que levaram o Ibovespa a seu melhor novembro desde 1999 e por que analistas enxergam mais altas

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (30), mas encerrou novembro com expressivo ganho de 15,9%. Foi o maior avanço mensal do índice desde março de 2016, quando subiu 17%, e o melhor novembro da Bolsa desde 1999, ano em que o benchmark registrou uma valorização de 17,8% no penúltimo mês.

A alta da Bolsa em novembro foi acompanhada pela queda do dólar ante o real. A moeda dos Estados Unidos caiu 6,83% em relação à divisa brasileira. E, segundo analistas, os dois fenômenos estão interligados.

Em relatório, Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, e Marcella Ungaretti, analista ESG da corretora, lembram que de janeiro a outubro os estrangeiros retiraram R$ 65,3 bilhões da B3, o que fez com que a nossa Bolsa fosse a pior do mundo em desempenho até o mês passado.

Já em novembro, esse quadro mudou radicalmente e o investimento estrangeiro na B3 teve um saldo positivo de R$ 30 bilhões. A equipe de análise da Levante Ideias de Investimento destaca que esse foi o maior valor mensal de entrada de recursos desde que a Bolsa começou a fazer esse levantamento, em 1995.

Para os analistas da XP, há três fatores que explicam esse fluxo de capital para as ações brasileiras. O primeiro é o fim das incertezas relacionadas às eleições americanas, com a vitória consolidada do democrata Joe Biden e sem um controle absoluto do seu partido sobre o Congresso.

Já o segundo fator foi o avanço no desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus. As taxas de eficácia acima de 90% na fase 3 de testes das profilaxias criadas por Pfizer/BioNTech, Moderna e Oxford/AztraZeneca animaram os investidores para perspectivas de um futuro livre das preocupações com a pandemia.

O terceiro fator que explica os ganhos da B3 foi a rotação do capital para ações de empresas que atuam em setores mais afetados pela crise da Covid-19, como é o caso de instituições financeiras e commodities, que são justamente os segmentos mais pesados na carteira teórica do Ibovespa.

Segundo os analistas da Levante, a melhora do humor global foi duplamente benéfica para o mercado acionário brasileiro.

“Por um lado, os investidores internacionais se aproveitaram de ações cujos preços demoraram para acompanhar a alta iniciada em outubro, como por exemplo os papéis de bancos. Por outro, a melhora global das cotações de commodities como petróleo e minério de ferro beneficia ações importantes, como Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3), que têm grande peso na B3 e influenciam o movimento do mercado como um todo.”

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De acordo com Abner Gonçalves, sócio e líder de renda variável na Blue Trade, essa recuperação da Bolsa impulsionada pelo capital estrangeiro deve continuar, pois apesar do real não ser mais a pior moeda do mundo, ainda está muito defasado em relação a pares dos países emergentes, como o peso mexicano.

“Podemos continuar vendo fluxo de capital, pois nossa moeda continua depreciada e o Ibovespa segue distante das máximas pré-pandemia, uma combinação que atrai o investidor estrangeiro”, explica.

Para ele, apesar de estarmos próximos dos patamares projetados pelos analistas para o Ibovespa no fim do ano, como 110 mil pontos, a melhora nos resultados das empresas no terceiro trimestre é outro ponto que permite previsões mais otimistas.

Gonçalves todavia ressalva que como a alta do Ibovespa em novembro foi tão forte é possível que haja uma correção em dezembro ou no início de 2021 antes do índice alçar voos mais ambiciosos.

Júlio Erse, gestor da Constância Asset, também não descarta novas altas, mas acredita que alguma dose de cautela seja necessária. “Há ainda incertezas a respeito de quando as vacinas serão universalmente disponibilizadas para imunizar a população e sobre a possibilidade do governo democrata eleito dos EUA ser capaz de aprovar o pacote de estímulos abandonado antes das eleições”, defende.

Abner Gonçalves cita também o ambiente fiscal brasileiro como um fator a ser acompanhado. “A aprovação de um programa social como o renda Cidadã seria positiva para o governo, mas se estourar o Orçamento talvez abra um precedente para um possível impeachment por bater de frente com o teto dos gastos. Acho que o governo vai tentar se desdobrar para dar uma contrapartida para esse programa”, projeta.

De qualquer modo, para o sócio da Blue Trade, o pior já ficou para trás. “O cenário de negativismo já passou. De hoje em diante podemos ficar otimistas.”

O Ibovespa nesta segunda

O Ibovespa caiu nesta segunda-feira (30) seguindo as bolsas internacionais. Os índices nos Estados Unidos recuaram devido à notícia de que o governo do presidente Donald Trump pretende colocar em uma lista negra de empresas supostamente controladas pelo exército chinês a fabricante de microchips SMIC e a produtora de óleo e gás CNOOC.

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A gestão Trump emitiu uma ordem executiva que visa proibir, a partir de 2021, investidores americanos de comprar ações de firmas integrantes da lista. A medida pode levar a uma escalada da tensão entre a China antes da eleição do presidente eleito Joe Biden.

Por outro lado, o pedido da farmacêutica Moderna para que a FDA (equivalente à Anvisa nos EUA) libere sua vacina contra o coronavírus trouxe algum otimismo. A profilaxia da Moderna teve 94% de eficácia na fase 3 de testes.

No Brasil, o segundo turno das eleições municipais consolidou a vitória da centro-direita, com um avanço expressivo de partidos como o DEM e o PSDB, ao passo que candidatos de esquerda do PT, do PCdoB e do PSOL foram derrotados nas principais capitais e aliados do presidente Jair Bolsonaro mais à direita, como Marcelo Crivella, acabaram rejeitados nas urnas.

Passadas as eleições, a cidade de São Paulo regrediu para a fase amarela, de modo que comércios e serviços passarão a funcionar menos horas por dia. O endurecimento das medidas de isolamento social ocorre ao mesmo tempo em que o País volta a registrar aumento no número de casos de coronavírus.

O Ibovespa hoje caiu 1,52%, aos 108.893 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 49,09 bilhões. Foi a primeira queda do índice em seis pregões.

Enquanto isso, o dólar comercial teve alta de 0,39%, a R$ 5,3452 na compra e R$ 5,3462 na venda.

O câmbio refletiu a elevação da oferta de swaps do Banco Central de 12 mil para 16 mil para aliviar o real em um cenário de ajuste do overhedge no final de dezembro. Entretanto, os riscos internacionais acabaram fazendo com o que a moeda dos EUA voltasse a se apreciar ante o real.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu três pontos-base, a 3,31%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de sete pontos-base, a 5,01%, DI para janeiro de 2025 avançou oito pontos-base, a 6,78%, e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de cinco pontos-base, a 7,55%.

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Voltando ao exterior, no sábado foram reiniciadas as negociações presenciais entre Reino Unido e União Europeia sobre um novo acordo comercial. Faltam semanas para que o arranjo atual chegue ao seu fim oficialmente, com o prazo final do período de transição marcado para 31 de dezembro.

O ministro das Relações Exteriores britânico Dominic Raab afirmou que as conversas devem levar a uma semana “muito significativa”. Porém, relatos publicados na mídia na sexta-feira (27) indicam que o Reino Unido rejeitou uma proposta da União Europeia sobre o valor da cota de pesca que frotas europeias deveriam pagar ao pescar em águas britânicas.

Economias importantes, como França, Reino Unido e Alemanha continuam a implementar seus lockdowns, com diferentes níveis de abrangência. Na sexta-feira, a Alemanha contabilizou 426 mortes por Covid, seu recorde, de acordo com dados compilados pela Universidade Johns Hopkins.

No mesmo dia, foram registrados 22.806 novos casos no país, um patamar muito acima da primeira onda de Covid, que teve em seu pico o registro de 6.294 casos, no final de março.

Já nos EUA, na sexta-feira foram registrados 205.460 novos casos de Covid, seu recorde, segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins. Dois dias antes, haviam registrado 2.313 mortes, o maior patamar desde o final de junho.

No noticiário asiático, a segunda-feira também foi marcada pelo anúncio do Bureau de Estatísticas Chinês de que o índice oficial PMI (índice gerente de compras, na sigla em inglês) industrial fechou novembro em 52,1 pontos, excedendo as expectativas de 51,5 pontos, de analistas ouvidos pela agência internacional Reuters.

O indicador mede a saúde econômica do setor, com base em indicadores como produção, ambiente de emprego, novos pedidos, níveis de estoque e entregas de fornecedores. Acima de 50 pontos, indica crescimento, abaixo, retração. É o nono mês consecutivo de expansão do PMI industrial, indicando uma recuperação consistente da pandemia.

No Japão, dados preliminares do Ministério da Economia, Comércio e Indústria indicam que as vendas no varejo tiveram alta de 6,4% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, em linha com a mediana das expectativas, segundo a agência Reuters. Mesmo com os anúncios sobre os índices no Japão e na China, as bolsas asiáticas têm baixas.

Relatório Focus

Entre os indicadores, os economistas do mercado financeiro novamente projetaram uma queda menor para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. A mediana das estimativas foi para -4,5% esta semana, de -4,55% na semana passada.

Para 2021, os economistas projetam um crescimento de 3,45% no PIB, ante uma previsão de avanço de 3,40% na semana anterior.

Já em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2020, a mediana das projeções foi de 3,45% na semana passada para 3,54% esta semana. Para 2021 a previsão também subiu, de 3,40% para 3,47%.

As projeções para o dólar ao fim de 2020, por sua vez, caíram de R$ 5,38 na semana passada para R$ 5,36 agora. Para 2021 as expectativas se mantiveram em R$ 5,20.

Por fim, a mediana das estimativas dos economistas para a taxa básica de juros, Selic, manteve-se em 2,00% ao ano para 2020 e em 3,00% ao ano para 2021.

Eleições no Brasil

As eleições municipais no Brasil se encerraram no domingo, quando eleitores de 57 cidades brasileiras votaram no segundo turno. O resultado foi apurado por volta das 20h30. Houve aumento da abstenção, de 29,47%, frente os 23,14% do primeiro turno, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Bruno Covas (PSDB) venceu em São Paulo; Eduardo Paes (DEM) venceu no Rio; Sarto Nogueira (PDT) venceu em Fortaleza; Sebastião Melo (MDB) venceu em Porto Alegre; João Campos (PSB) venceu em Recife; Edvaldo Nogueira (PDT) venceu em Aracaju; Edmilson Rodrigues (PSOL) venceu em Belém; Arthur Henrique (MDB) venceu em Boa Vista; Emanuel Pinheiro (MDB) venceu em Cuiabá; Maguito Vilela (MDB) venceu em Goiânia; Cicero Lucena (PP) foi reeleito em João Pessoa; João Henrique Holanda Caldas (PSB) foi eleito em Maceió; David Almeida (Avante) foi eleito no Amazonas; Hildon Chaves (PSDB) foi reeleito em Porto Velho; Tião Bocalom (PP) foi eleito em Rio Branco; Eduardo Braide (Pode) em São Luís; Dr. Pessoa (MDB) em Teresina; e Delegado Pasolini (Republicanos) em Vitória.

Neste ano, o PT não venceu em nenhuma capital brasileira, fato inédito desde a redemocratização.

São Paulo mantém como prefeito Bruno Covas, que venceu o opositor Guilherme Boulos (PSOL) com 59,3% dos votos válidos. Em discurso após a vitória, Covas afirmou que agora “é possível fazer política sem ódio”.

“As urnas falaram, e a democracia está viva. São Paulo mostrou que restam poucos dias para o negacionismo e para o obscurantismo. São Paulo disse ‘sim’ à democracia. São Paulo disse ‘sim’ à ciência, disse ‘sim’ à moderação, disse ‘sim’ ao equilíbrio”, disse.

No Rio, Eduardo Paes venceu o atual prefeito e bispo licenciado da Igreja Universal, Marcelo Crivella (Republicanos). Paes também fez um discurso elogiando a moderação.

“Queria também celebrar aqui uma vitória da política. Nós passamos os últimos anos radicalizando a política brasileira. O resultado desse radicalismo certamente não fez bem a nenhum de nós cariocas, não fez bem a nenhum de nós brasileiros”, afirmou.

Juntos, os partidos do Centrão, base política de Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara dos Deputados, vão comandar mais de 2,6 mil municípios, quase metade do total, e cerca de 40% da população brasileira.

Análise de dados realizada pelo G1 indica que, mesmo sendo o partido com o maior número de perdas de prefeituras, na comparação com 2016, o PSDB será aquele governando o maior número de habitantes do Brasil. Eram 48,3 milhões de brasileiros com municípios governados pelo DEM em 2016, um patamar que chega a 34 milhões em 2020.

Em segundo lugar fica o MDB, que governará em 2020 26,1 milhões de habitantes, frente 28,8 milhões em 2016. Em terceiro lugar, fica o DEM, a legenda que mais cresceu, com 24,4 milhões de habitantes em 2020, frente 10,8 milhões em 2016. O partido foi impulsionado pela conquista da prefeitura do Rio.

Ainda no radar dos mercados, está a fala de Jair Bolsonaro após votar no último domingo. O presidente  afirmou que o ministro Paulo Guedes “é 98% da Economia”. O presidente reafirmou a confiança em Guedes, mas demonstrou que pretende ser firme nos dois por cento das decisões da Economia que diz passarem por ele: “o que eu falei três meses atrás está valendo. Quem falar em Renda Cidadã, cartão vermelho”.

“Paulo Guedes é 98% da Economia, e eu era 1% e passei para 2. Tem tanto coisa que é igual saltar de paraquedas: o cara te orientando atrás e você tem que ter confiança nele”, comparou. O presidente também fez comentários elogiosos à gestão do Banco Central. “O Roberto Campos, do Banco Central, quando faz reunião conosco é uma coisa excepcional”, disse. “O Banco Central vai ser independente, pra não haver risco de interferência política.”

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou neste domingo que, passada a eleição, o governo apresente suas propostas para organizar as contas públicas, ou o País correr o risco de viver em 2021 uma recessão aos moldes da de 2015 e 2016. Ele criticou também a antecipação da discussão sobre a reeleição para a Câmara dos Deputados e Senado Federal.

Radar corporativo

O grupo de telecomunicações em recuperação judicial Oi recebeu um desconto de 50% na dívida de cerca de R$ 14 bilhões devida à União e ainda poderá parcelar o valor remanescente, afirmou a Advocacia-Geral da União (AGU) na sexta.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
AZUL4 3.17159 38.06
YDUQ3 2.875 32.92
CRFB3 2.67903 19.93
GOLL4 2.56969 23.55
RADL3 1.55763 26.08

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
BTOW3 -7.33586 70.99
VVAR3 -4.59708 17.64
CSAN3 -4.47689 78.52
BRML3 -4.00782 9.82
HGTX3 -3.83973 17.28

O desconto foi concedido em um momento em que o governo federal enfrenta uma crise fiscal agravada pelos impactos da pandemia de Covid-19 no país e dois dias depois de o Senado aprovar legislação que modifica a lei de falências. As modificações permitem que empresas em recuperação judicial possam quitar suas dívidas com descontos de até 50% e parcelamento em até 84 meses.

A Intelbras submeteu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedido para realizar uma oferta pública inicial primária e secundária de ações (IPO). Fundada em 1976, a companhia de Santa Catarina produz e comercializa produtos e soluções em segurança eletrônica, controles de acesso, redes, comunicação, energia e energia solar.

Já a Notre Dame Intermédica informou a oferta secundária de 40 milhões de ações.

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Rali de novembro indica recuperação de ativos emergentes em 2021

(Getty Images)

(Bloomberg) — Investidores de mercados emergentes parecem ter tudo a favor agora, e o rali de novembro oferece uma pista do que 2021 pode reservar.

Uma infinidade de fatores positivos – como políticas acomodatícias de bancos centrais, a iminente mudança de governo nos EUA e avanços das vacinas contra a Covid-19 – colocou os ativos dos países em desenvolvimento em curso para alguns marcos impressionantes. Os títulos eliminaram as perdas acumuladas no ano, enquanto o índice de moedas MSCI deve registrar o melhor mês desde janeiro de 2019, bem como o segundo ganho anual seguido. O indicador de ações MSCI está a caminho do melhor mês desde março de 2016.

A recuperação é sustentada pelo renovado interesse de investidores estrangeiros. No quarto trimestre, as entradas de portfólios para mercados emergentes devem atingir o maior nível em oito anos, segundo dados do Instituto de Finanças Internacionais. No entanto, apesar de toda a euforia, as posições estrangeiras em títulos e ações de países em desenvolvimento, exceto a China, permanecem baixas.

Para Sameer Goel, responsável por pesquisa macro de mercados emergentes do Deutsche Bank em Cingapura, o rali está longe de terminar. Segundo ele, os ativos subinvestidos de mercados emergentes “têm um potencial cíclico considerável de recuperação”.

O Deutsche Bank não é o único que aposta em mais ganhos. Goldman Sachs e JPMorgan Chase também fizeram previsões otimistas sobre a classe de ativos nas últimas semanas. O UBS disse na semana passada que os ativos de mercados emergentes podem se beneficiar da perspectiva de “normalização quase completa” da mobilidade econômica global até o final do próximo ano.

A mobilidade é fundamental para a recuperação, e é por isso que a possibilidade de aumento dos casos de Covid continua sendo um risco, diante da queda das temperaturas médias em muitas das economias desenvolvidas e socialização durante as festas de fim de ano.

Medidas de alguns bancos centrais, incluindo os de Taiwan, Coreia do Sul e Tailândia, para uma abordagem mais assertiva na redução dos ganhos cambiais podem limitar a valorização. O comportamento do banco central da China também será observado para quaisquer sinais de resistência à força do yuan.

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Estrangeiros põem R$ 30 bi na Bolsa brasileira em novembro, maior valor desde 1995

(Getty Images)

A Bolsa brasileira nunca viu tanto dinheiro estrangeiro como neste mês de novembro. O otimismo global provocado pela eleição de Joe Biden nos Estados Unidos e, principalmente, as boas notícias relacionadas ao avanço das vacinas contra a covid-19 levaram os investidores de fora a colocarem na B3, neste mês, R$ 30 bilhões, o maior valor desde 1995, quando esse dado começou a ser computado. O índice Ibovespa chegou ontem a uma alta de 18% no mês, um dos maiores crescimentos entre as principais Bolsas mundiais.

Nem a segunda onda da covid-19 e o retorno de países da Europa aos lockdowns reduziu o otimismo dos investidores. A leitura dos estrategistas tem sido a de que a vacina torna possível olhar para um horizonte mais longo, de cerca de seis meses, em que se espera que ao menos uma das diferentes imunizações que já se mostraram eficazes tenha sido aplicada em larga escala.

Por isso, essa alta nas Bolsas tem sido espalhada em todo o mundo: em novembro, o principal índice da Bolsa do México sobe 13%. Na Coreia do Sul, o ganho é de 16%. Nos Estados Unidos, o S&P 500, da Bolsa de Nova York, avança 11,3%.

“A alta nos casos da covid-19 nos EUA e na Europa deve pesar sobre os prospectos de crescimento global nos próximos dois ou três meses”, comentaram, na semana passada, os estrategistas do Morgan Stanley. “À medida que nos aproximarmos do segundo trimestre de 2021, o efeito dos lockdowns em países desenvolvidos (sobre o contágio pela doença), temperaturas altas e o início da vacinação em massa devem contribuir para uma melhoria das perspectivas de crescimento global.”

Essa retomada deve impulsionar a demanda e os preços de commodities como aço, minério de ferro e petróleo. Empresas como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3;PETR4), que produzem esses insumos, têm grande peso na B3, e influenciam o movimento do mercado. Como acumulavam quedas expressivas no ano, com os bancos, viraram “alvo fácil” para os estrangeiros, que têm a vantagem de comprar em dólares ações negociadas em reais.

“O mês de novembro foi um dos melhores da Bolsa em dez anos, refletindo as expectativas em relação aos avanços das vacinas contra a covid-19 e o retorno das atividades econômicas”, diz Igor Cavaca, analista da plataforma de investimentos Warren. Mas, apesar do resultado extremamente positivo deste mês, a Bolsa, no ano, ainda tem um saldo negativo de R$ 55 bilhões em investimentos estrangeiros.

No caso do outro fator que jogou a favor da Bolsa, o resultado da eleição americana, a avaliação é de que Biden, além de ser visto como mais amigável a países emergentes, é considerado um político mais previsível que seu antecessor.

“Não é que com a vitória do Biden e os EUA serão menos duros com a China, mas há uma percepção de que terão uma postura menos desordenada, ao contrário do (atual presidente, Donald) Trump, que toma medidas de uma hora para a outra nas redes sociais”, avalia Gilberto Nagai, responsável pela renda variável da BNP Paribas Asset Management. “Se isso for verdade, implicará mais crescimento para a China, o que será bom para as commodities.”

Risco local

O otimismo, porém, não tornou o estrangeiro menos seletivo. A continuidade do retorno depende da melhoria das condições locais, especialmente nas contas públicas. Por conta dos gastos com a pandemia, o Brasil deve fechar o ano com dívida pública próxima a 100% do PIB, nível pouco confortável para países sem grau de investimento.

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“O investidor aloca em mercados emergentes e acaba pingando no Brasil. Isso não é mérito nosso”, diz Marcos De Callis, estrategista da Hieron Patrimônio Familiar e Investimento. “Essa rotação (entre diferentes mercados) pode durar alguns meses. Só acho lamentável o Brasil não ter um diferencial.”

É a falta desse diferencial que pode fazer com que esse dinheiro, que voltou rápido, também saia rápido. O que vai definir a permanência dos recursos são as sinalizações do governo em torno do ajuste fiscal. “Mesmo se o externo continuar favorável, o Brasil pode não surfar nessa onda se não houver avanço na agenda de reformas que priorizem o fiscal”, diz De Callis.

O Brasil, porém, também terá uma missão importante em uma das frentes defendidas pelo novo presidente americano: a ambiental, que, na visão de analistas estrangeiros, espanta muitos investidores. “Biden vai cobrar algumas políticas do Brasil, como na área ambiental, colocando o presidente brasileiro na linha de frente. Vamos ver como Bolsonaro reagirá caso isso aconteça”, diz Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family.

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Estrangeiro volta quando houver previsão de responsabilidade fiscal, diz presidente da B3

Gilson Finkelsztain, Gilson Finkelsztain, presidente da B3 (InfoMoney)

O ingresso dos investidores estrangeiros na bolsa é importante e complementar, mas é preciso que haja previsibilidade de responsabilidade fiscal e de que o País irá respeitar o teto dos gastos para que sua volta realmente ocorra, disse disse o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, durante o Congresso Anual da Anbima e B3, que acontece este ano virtualmente.

Ele destaca a importância dos estrangeiros mesmo que os investidores locais tenham sido capazes de sustentar várias ofertas de ações este ano.

“Ele volta quando percebe que o ciclo será longo. Embora tenha sido relevante a participação do investidor local, eles são importantes. Mas o estrangeiro volta quando tivermos previsão de que vamos manter responsabilidade fiscal e avançar com agenda de teto de gastos. Espero que tenhamos tais perspectivas”, disse.

Finkelsztain comentou ainda que o movimento crescente de ingresso das pessoas físicas na bolsa é estrutural e que veio para ficar.

“Não somos mais a República da renda fixa. Desde que não voltemos à experiência do passado, se conseguirmos preservar taxa de juro real bem mais abaixo do patamar dos últimos 15 anos”, afirmou.

Segundo ele, a Selic a 2% foi um catalisador, mas não foi o único. “Há uma nova geração de investidores que investe mais cedo e não viveu crises econômicas que traumatizaram investidores, ao longo dos anos 80 principalmente, e portanto, tem mais apetite de risco. Temos mudança grande na distribuição, com as plataformas democratizando o acesso aos investimentos”, disse ainda.

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